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Juliana Neitzke (03/05)
É isso aí super Ana, daqui a pouco voltam para cá e já se recupera. O...
Paulinha Ribas (03/05)
errata: entupidas e não entudidas. vilã e não vilâ. super e não súp...
Paulinha Ribas (03/05)
Latinhas de atum (com o "abre fácil" são sempre minhas companheiras em ...
Paulinha Ribas (03/05)
A parte que eu + gosto da minha programação das tarefas diárias é ler...
mario sergio silveira (03/05)
Olá filhota, vida dura né? Mas quem mandou mandarmos vc para o Jamboree...
Dentro da Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
A região do Cariri Paraibano é velha conhecida de todos os brasileiros que prestigiam o cinema nacional. Filmes como o “Auto da Compadecida”, “Cinema, Aspirinas e Urubus” e “Canta Maria” foram filmados na região. As cidadezinhas que aparecem nos filmes, interioranas, com aquelas casinhas antigas e igreja na praça central, é exatamente a cara da cidade de Cabaceiras.
Igreja em Cabaceiras - PB
Uma área de beleza cênica ímpar no sertão do nordeste, não é a toa que a cidade é conhecida como a Roliúde Nordestina. O Museu Cinematográfico Municipal tem no seu acervo fotos, filmes e memórias dos mais de 20 filmes longas rodados na região.
Cabaceiras - PB
Durante a manhã fomos conhecer o Cânion, achando que encontraríamos uma paisagem seca. Que nada! O leito de um caudaloso rio nos meses de chuva e que nesta época ainda possui algumas lagoas, que segundo Paulo, nunca secaram. Tomamos um delicioso banho de rio, com o panorama lunar formado pela erosão da água nas rochas.
Canyon do rio Soledade, região de Cabaceiras - PB
Buraco na pedra no canyon do rio Soledade, em Cabaceiras - PB
Depois do almoço, trabalho e um passeio pela cidade de Cabaceiras, seguimos ver o pôr-do-sol na aclamada Laje do Pai Mateus. Eleito a primeira maravilha do Estado da Paraíba, o lajedo é uma imensa formação rochosa, com imensas pedras arredondadas sobrepostas.
A famosa Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Pai Mateus foi um curandeiro que viveu entre os anos de 1700 e 1800. Não se sabe ao certo se era um curandeiro indígena ou negro, fato é que sua história sobreviveu até hoje, assim como a sua casa sobre o lajeado de mesmo nome.
A casa de Pai Mateus, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Une-se a esta história a crença popular no poder das rezadeiras, mulheres ou até mesmo homens, com o dom da cura. Avô de Ribamar, um guia local, já teria apagado fogo na caatinga, apenas com as suas preces.
Vista de dentro da Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
O pôr-do-sol no Pai Mateus é um momento de energia e colorido especial! Os liquens alaranjados provam que o mar virou sertão, brilhando ainda mais no fim de tarde. Pedimos licença ao Pai Mateus para conhecer a sua casa e nos reenergizamos na pedra onde ele deve ter visto muitos outros momentos como este. Um elo direto entre nós, Pai Mateus e nossos mais antigos ancestrais americanos, unindo as histórias da idade da pedra e da nossa roliúde nordestina. Ah, se essas pedras falassem.
Observando o pôr-do-sol no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Parada para admirar a vista desde as encostas do vulcão Maunga Terevaka, na Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Quem gosta de caminhar não pode perder a oportunidade de passar por algumas das mais incríveis paisagens da Ilha de Páscoa, repleta de sítios arqueológicos isolados e quase inexplorados pelo turismo na ilha.
Trilha pelas encostas do Maunga Terevaka, no litoral norte da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
A caminhada começa na cidade de Hanga Roa, passa pelo Tahai e segue a base do vulcão Maunga Terevaka, circundando a costa oeste e norte da ilha até a praia de Anakena. São pouco mais de 20 km dentro do Parque Nacional Rapa Nui, entre ahus (altares cerimoniais), moais (estátuas monolíticas), hare vacas (casas-bote), hare moas (galinheiros de pedra), manavais (hortas cercadas de pedra) e tupas (torres de observação).
Ao longo da trilha na costa norte da ilha, encontro com ruínas da antiga civilização da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Se você quiser encurtar a caminhada em uns 5 ou 6 km, a dica é pegar um táxi até o início da trilha, próxima de Ana Kakenga (Ana = caverna em Rapa Nui), é uma volta de carro por isso a viagem não será tão barata, saindo em torno de 15 mil pesos (30 dólares). Nós decidimos andar, saímos da vila perto do meio dia, após um mergulho maravilhoso no Alcantilado (detalhes no próximo post). Aviso desde já, é uma caminhada longa, então se quer ir tranquilo para explorar e tirar fotos, comece mais cedo! Nós somos meio doidos mesmo, caminhamos rápido e acabamos correndo mais do que eu gostaria, preocupados em chegar ainda com luz e numa boa hora para conseguir um táxi ou uma carona de volta à cidade.
Saímos do centro da cidade, então a primeira parte da caminhada já deverá ser conhecida para a maioria dos visitantes, o porto de Hanga Roa e os 15 minutos até o Ahu Tahai e o Hanga Kio´e. Daí em diante seguimos por trilhas e estradas rurais, quase sempre com vista para o oceano, cruzando sítios, cavalos selvagens, subidas e descidas, um grupo grande de cachorros que resolveu nos acompanhar por um trecho da caminhada, quase como se nos indicassem o caminho.
Caminhando na estrada que liga, pela costa, Hanga Roa com o antigo vulcão Maunga Terevaka, o mais alto da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Finalmente chegamos à área das cavernas de Ana Kakenga e uma longa subida na estrada off road que dá acesso à área. No topo desta subida encontramos o Ahu Tepeu, uma fazenda e a placa de entrada do Parque Nacional, que sinaliza o início da trilha. O caminho não está muito bem demarcado, seguimos instintivamente pelo alto da montanha, tentando acompanhar o caminho mais batido até que encontramos uma cerca. Pulamos a cerca e continuamos, no tato, sem trilha, mas com um campo imenso que desvendava novos altares, moais e paisagens incríveis.
Ao longo de toda a trilha que contorna o Maunga Terevaka, são comuns os encontros com cavalos selvagens (Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico)
Caminhamos, caminhamos e caminhamos sem ter certeza se aquele era o caminho correto ou o mais curto, mas estamos em uma ilha arredondada, se seguíssemos pela costa, respeitando os precipícios, tínhamos certeza de que chegaríamos lá. A certa altura encontramos um casal de alemães, eles haviam começado onde nós começamos e já retornavam ao carro. Conversar com eles nos encorajou ainda mais a seguir, ele falava sobre ahus perpendiculares ao mar, moais caídos no chão e ruínas de casas barcos em perfeitas condições! Seguimos ainda mais empolgados, com o vento na cara e aquela sensação de sermos os primeiros a pisarmos ali.
Parada para admirar a vista desde as encostas do vulcão Maunga Terevaka, na Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
A trilha sobe e desce as entranhas do vulcão Maunga Terevaka, no caminho vales e montanhas, um campo imenso e um pasto. Como estas vacas vieram parar aqui eu não tenho ideia, mas sei que elas não foram as únicas. Um dos sítios arqueológicos mais impressionantes, como o alemão havia descrito, uma hare-vaka perfeita, em frente ao piso de pedras que Patrício havia nos mostrado, onde é secado o peixe, Umu (fogão), hare moas, manavais e uma gruta imensa com portas de entrada conectadas e protegidas por pedras.
Resquícios de habitação da antiga civilização que habitava a Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Olhamos dentro dela e não vemos o fundo, se entrarmos ali não teremos como sair, mas eles, sem dúvida, a utilizaram para proteger-se de guerras entre as tribos. Será que alguém já entrou lá para ver o que há? Algum esqueleto, cerâmicas, ferramentas, alguma pista sobre quem viveu aqui? Cadê o Patrício para nos responder tudo?
Observando poço que servia de habitação para antigos moradores da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Seguimos, começamos tarde e não podemos perder o foco, ainda tínhamos muito pela frente. Continuamos caminhando subindo e descendo, nos esgueirando nas encostas infindáveis do vulcão, com vistas distantes do horizonte pacífico que descansava lá embaixo diante dos nossos olhos. Uma baleia poderia aparecer! Pensava... fixava os olhos e imaginava o que pensavam estes antigos ao olhar para este mar sem fim. De lá eles vieram, sabiam que algum lugar naquele oeste distante estaria a sua origem, a ilha mítica onde os Rapa Nuis nasceram.
Explorando antigas ruínas da civilização que floresceu na Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Sem um mapa detalhado, tentávamos nos localizar pelos poucos nomes de baías que estavam no mapa. Hanga O´Pea e Hanga Omohi, entre elas dezenas, centenas de ahus, moais, vilas e mais vilas, construções cilíndricas parecidas com pequenos faroletes, seriam para sinalização e localização para os pescadores? Mais tarde venho a saber que eles demarcavam as terras, a linha imaginária entre uma torre e outra não poderia ser ultrapassada a risco de morte para o infrator! Vizinhos tensos estes rapa nuis.
Explorando antigas ruínas da civilização que floresceu na Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Em uma das vilas fizemos uma parada para um lanche, olhando ao redor sem acreditar na quantidade de construções que víamos a nossa volta. A ilha era quase uma grande São Paulo, com casas por todos os lados e aqui, longe pra caramba de tudo o que vimos ontem, um lugar de difícil acesso mesmo por terra e cheio de ahus e moais... Como estes moais vieram parar aqui?!
Um antigo Moai na trilha que contorna o Maunga Terevaka, no norte da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Novamente tentamos ter uma ideia de onde estamos e usando o sol vemos que finalmente estamos deixando ele nas nossas costas, estávamos chegando ao norte da ilha. No mapa esse ponto tem um nome bem sugestivo, Vaimatá! Não me diga! Hahaha!
Longa caminhada pelo norte da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Enfim, uma nova esperança nos enche de energia e seguimos a caminhada, agora em uma descida interminável rumo a mais uma vila de antigas ruínas e lá, ao fundo, uma fazenda às margens de uma baía protegida por uma imensa parede do vulcão. Pela distância que caminhamos imagino que seja Hanga Oteo. Cavalos, vacas, cercas aramadas e uma casa com plantação de banana, taro e outras hortaliças bem verdinhas nos mostra que o local é mantido e foi utilizado recentemente. Estas casas de campo são locais de férias dos nativos da ilha. Todos eles dizem saber ainda qual é a região em que viviam seus antepassados e mesmo que vivam na cidade, tendem a frequentar estas áreas, não apenas para trabalhar a terra, mas também para prestar homenagens aos seus familiares.
Um Ahu, ou altar, da antiga civilização da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Subimos um morro e lá do alto esperamos avistar a praia! Ainda não foi desta vez, mas o vento e a paisagem mudaram e algo nos dizia que não estávamos assim tão longe. Cruzamos uma área de pedras e vemos finalmente o nosso primeiro coqueiro. O coqueiro não é nativo da ilha e está localizado principalmente na praia de Anakena. A praia, portanto, não poderia estar longe dali... alguém deve ter trazido este coco, ou como ele teria chegado até aqui? Subimos e descemos, sempre esperando quando veremos a praia, até que encontramos um novo pasto, este bem cuidado com água e comida para as vacas, sinal de civilização!
Ao longo de toda a trilha que contorna o Maunga Terevaka, são comuns os encontros com cavalos selvagens (Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico)
Andamos mais meia-hora e vemos finalmente um carro, um pai e duas crianças descendo o morro para ir pescar com os seus filhos, ainda não tenho ideia de onde estamos, mas gosto de pensar que estou localizada no mapa e deve ser Vai Tara Kai Ua, ou até mais adiante! Falta pouco! Subimos e agora encontramos estradas, mais cercas e uma tiazinha nativa caminhando. Ela nos disse que veio da praia e que devem ser uns 4 quarteirões dali. Bem... aqui não existem quarteirões, então qual será a medida de quarteirões que ela está usando? Outros 30 minutos de caminhada e vimos que seja lá qual for a medida que ela usa, é completamente diferente da minha! Mas a esta altura já não faria nenhuma diferença, já avistávamos as montanhas ao fundo da baía de Anakena. Os carros refletiam a luz do sol ao longe e logo veríamos palmeiras, ondas e a Praia de Anakena! Que jornada!
Finalmente, depois de uma longa caminhada pelo norte da ilha, a praia de Anakena aparece no nosso horizonte! (Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico)
Mais de 20km caminhados em aproximadas 6 horas, boa média se contarmos as paradas e o caminho totalmente cru que encontramos pela frente. Que aventura boa! Melhor ainda quando ela termina bem, regada a uma boa cerveja tahitiana no boteco em frente à praia. Comemos uma empanada e dali tínhamos que encontrar como voltar à cidade.
Celebrando mais um dia fantástico na Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico, com uma cerveja do Tahiti
Um dos bares na praia de Anakena, na Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Detalhe importante! Da Praia de Anakena não existe transporte público para te trazer de volta à Hanga Roa. Então se você quer ficar tranquilo que terá transporte a melhor forma é agendar um táxi para busca-lo (em torno de 30 mil pesos ou 60 dólares). Vai se acostumando com os preços da ilha... infelizmente é assim mesmo. Nós economizamos e contamos com a sorte, chegando lá existia uma remota possibilidade de encontrarmos um táxi que teria levado algum passageiro e então cobraria só a volta (quase metade do preço acima), ou ainda o bom e velho dedão! Ao final nós conseguimos uma carona com um casal super querido, Alicia, uma cantora rapa nui, Marcus, seu marido sueco e seu filhinho de pouco mais de um ano. Casal super descolado e viajado hoje vive na ilha, ela canta em bares e em algumas apresentações típicas Rapa Nui, enquanto ele trabalha como guia de turismo, organizando tours para estrangeiros em inglês e sueco. Alicia se apresentou nesta noite em um dos bares mais agitados da cidade e nós havíamos ficado ir conferir a apresentação, mas depois que chegamos à pousada e tomamos um banho nós capotamos na cama e nem fomos jantar! É esse trekking arqueológico nos odeu uma canseira!
Alegria ao chegar à praia de Anakena, fim da nossa longa caminhada pelo norte da Ilha de Páscoa, no sul do Oceano Pacífico
Uma das muitas igrejas em ruínas (terremotos!) no centro de Antigua, na Guatemala
Capital da Guatemala por 233 anos, Antigua é uma cidade colonial com arquitetura tradicional espanhola, linda de morrer. Casinhas com paredes coloridas em tons terracota, telhadinhos com eira e beira e dezenas de igrejas espalhadas por toda a cidade.
A bela igreja La Merced, em Antigua, na Guatemala
Vítima de diversos desastres naturais, perdeu seu posto de capital em 1773, quando sofreu o maior terremoto que destruiu praticamente toda a cidade. A cidade foi reconstruída, mantendo suas características coloniais e várias das igrejas em ruínas ainda servem como referência das tragédias do passado.
Cores fortes e arquitetura colonial em Antigua, na Guatemala
Caminhando por suas ruas de paralelepípedo encontramos artesãos e agricultores de diferentes tribos de descendência Maia, mesclados com turistas de diferentes nacionalidades de diferentes idades e interesses. Muitos estrangeiros chegam à Antigua para estudar espanhol e acabam ficando, abrindo seus negócios e trazendo um pouco do seu tempero a essa imensa salada cultural.
A movimentada 5a Av Norte, peatonal, na véspera de Ano-Novo em Antigua, na Guatemala
O resultado dessa mescla é uma cidade para todos os gostos e interesses, aos que buscam boas opções para desfrutar da gastronomia guatemalteca e internacional, spas com massagens e pacotes de beleza e relaxamento, bares e uma vida noturna ativa ou das muitas aventuras que seus arredores oferecem. Escaladas em vulcões, trekkings, cavalgadas e pedaladas são algumas das atividades de aventura oferecidas na região.
A cidade colonial de Antigua, na Guatemala
Antigua também é a base de várias agências de turismo para outras atrações na Guatemala. Daqui podem ser organizadas viagens para Tikal, principais ruínas Maias, localizadas no norte do país, Semuc Champey, um paraíso escondido nas montanhas a 5 horas de carro ou para o Lago de Atitlán. São várias agencias, vale pesquisar e comparar preços para ter a melhor negociação.
Meninas caminham no Parque Central de Antigua, na Guatemala
Chegamos à Antigua no último dia do ano, a cidade estava em festa! Milhares de turistas nacionais e estrangeiros lotavam as ruas. A 5ª Avenida Norte é uma avenida peatonal a partir do Parque Central e reúne restaurantes, lojas, cafés e diversas atrações. As mais divertidas delas são os grupos de Marimba, instrumento parecido com um piano, tocado com bastões por diversos artistas.
Banda de Marimba, no centro de Antigua, na Guatemala
Caminhamos dançando ao som das marimbas até o Arco de Santa Catalina, enquanto os bonecos gigantes dançavam e giravam colorindo as ruas e animando os passantes.
Bonecos gigantes dançam ao som de Marimba no centro de Antigua, na Guatemala, véspera de Ano Novo
Ali encontramos uma loja especializada em vinhos, garantimos o nosso espumante da virada e seguimos em direção ao restaurante italiano L´Ópera. Fomos atraídos pela música do seu Jorge, que tocava na sua piano-sanfona clássicos de tango e até de bossa nova. A música e a energia de seu Jorge tomavam conta do ambiente, perfeito para um vinhozinho no almoço tardio de véspera de ano novo.
Ótima música em restaurante no centro de Antigua, na Guatemala
Antigua é uma cidade mágica, que transpira vida e cultura, de pessoas amáveis e receptivas. Seja lá o que estiver buscando, vale à pena a visita, pois são imensas as chances de (você) se encontrar aqui.
Alguém em Antigua, na Guatemala, quer casar!
Indo embora da Ilha do Cardoso - SP
Lembram desta música, Go Back? Os Titãs cantavam: “Eu só quero saber o que pode dar certo, não tenho tempo a perder! E ainda tinham uma versão em espanhol para esta canção intitulada em inglês.
Hoje esta música se encaixou muito no nosso dia. Saímos de Curitiba em destino à Cananéia e o objetivo era cruzar para a Ilha do Cardoso. Eu havia dormido apenas 2 horas, estava super cansada e fui dormindo no carro, para variar. Cananéia dispensa apresentações, pois já estivemos lá no início dos 1000dias, quando atravessamos para a Ilha Comprida. Desta vez chegamos logo procurando informações para a travessia de barco até o Marujá, principal vila da Ilha do Cardoso.
Indo de bicicleta para a ponta sul da Ilha do Cardoso - SP
Enquanto eu sonhava dentro do carro, o Ro descobria que para atravessarmos teríamos que pagar 53,00 por pessoa apenas pela ida... total de R$ 212,00 para o casal, ida e volta e ainda esperar até as 13h, horário de saída do barco. A outra opção seria pagarmos uma voadeira, que iria no horário que quiséssemos, mas pagaríamos 180,00 apenas pela ida... 360,00 ida e volta. Esse é um dos problemas em chegar a um lugar fora de feriados ou finais de semana, pois se encontrássemos mais um casal valeria muito a pena, já que poderiam ir no barco até 5 pessoas pelo mesmo valor. Bem, começamos a colocar no papel:
212,00 + 4 horas de ida + 4 horas de retorno + tempo chuvoso + frio + muito vento
Ou ainda
360,00 + 45 minutos de ida + 45 minutos de retorno + tempo chuvoso + frio + muito vento = FURADA
Nossos planos eram muitos, caminhadas, acampamento na praia de Cambriú, pedalada até o Pontal do Sul... Pois é, pessoal. Muitos planos + Muitas expectativas = Frustração! Já conhecíamos a Ilha do Cardoso e já havíamos feito estes passeios, que são os nossos prediletos! Só ficamos chateados por que queríamos mostrar estes conteúdos e fotos aqui para vocês... Por isso mesmo puxamos dos nossos arquivos confidenciais algumas fotos, que poderão dar o gostinho do lugar.
Pôr-do-sol na Ilha do Cardoso - SP
Como “solo quiero saber lo que puede dar cierto, no tengo tiempo a perder”, decidimos colocar o nosso plano B em ação: GO BACK!
Voltar para Curitiba? Não! Go back home, sendo que desta vez é a “home” do Rodrigo! Seguimos em direção a Ribeirão Preto, visitar os meus sogros e curtir uma bela temporada de Julho da Família Junqueira na Fazenda Cruzeiro. Ligamos para o Seu Gustavo, meu sogro, e adivinhem? SOL, CÉU AZUL, CALOR DE QUASE 30°C! Assim ficou ainda mais fácil não olharmos para trás!
Vulcão fumegante visto do observatório em Montserrat, no Caribe
Esta foi a nossa primeira visão da ilha de Montserrat. A luz da lua lhe dava um certo ar de mistério e sua história recente adicionava ainda um quê de tristeza. O escuro não nos deixava ver suas cores, víamos apenas sua forma e sabíamos que ali vive um dos vulcões mais ativos do planeta.
Sempre que comentamos com alguém que estávamos indo a Montserrat, todos se assustavam, “Vocês não têm medo do vulcão?”. Os comentários eram de que a ilha já não possuía mais infraestrutura e que tudo havia se transformado desde a grande erupção. Até então eu não dava muita trela para essas preocupações. Se há gente morando lá, nós conseguiremos visitar a ilha. É o medo e o imaginário deste povo que pinta algo pior. Já passamos por diversos lugares que sofreram desastres naturais, furacões, terremotos, inclusive erupções e todos, mal ou bem se reergueram, reconstruíram e estão ativos economicamente.
Restos de uma casa no caminho de um fluxo piroclástico, em Montserrat, no Caribe
Chegamos à ilha perto das 21h e George (pronuncia-se Djódjí), o taxista que agendamos em Antigua, demorou um pouco para chegar. Enquanto esperávamos no porto começamos a tentar entender a ilha, seu mapa e funcionamento. Hoje Montserrat não possui uma grande cidade ou capital, o que encontramos são vilas ou aglomerados de casas. Little Bay é onde está sendo construído o novo centro administrativo da ilha, que ficará pronto em dois ou três anos.
Sombra e sossego para uma boa leitura, em Montserrat, no Caribe
Plymouth, sua antiga capital foi destruída pela erupção do Soufriere Hills Volcano. A população da ilha nesta época era de aproximadamente 13 mil habitantes, a capital era uma das mais ricas das West Indies, com 3 ou 4 bancos e uma especial discrição, tornando-se o paraíso particular de poderosos e bilionários de todo o mundo. George Martin chegou a operar uma gravadora de discos aqui, a Air Studios, onde gigantes como Rolling Stones, Sting e Elton John gravaram sucessos. Quem é ligado em música já ouviu falar do Music for Montserrat, um concerto organizado por George Martin para angariar fundos para a reconstrução da ilha. O show, que virou CD, reuniu artistas de peso como Paul McCartney, Eric Clapton, Mark Knopfler, Jimmy Buffett, Phil Collins, Carl Perkins, Sting e Elton John.
As marcas de um fluxo piroclástico no vulcão de Montserrat, no Caribe
A primeira erupção foi em 1995, seguida por uma ainda maior em 1997. Nesta última, 19 pessoas morreram. Aos poucos a cidade foi sendo enterrada por consecutivos fluxos piroclásticos, que cobriram Plymouth com mais de 12m de cinzas e lama vulcânica, destruindo o porto e toda a cidade. A última grande erupção em 11 de fevereiro de 2010 lançou cinzas até as ilhas vizinhas de Guadalupe e Antigua e enterrou definitivamente o aeroporto, que já estava interditado. Destruição de um lado e criação do outro. Criação? Sim, na última erupção uma nova praia surgiu na costa nordeste da ilha. Sem um nome oficial, a “New Beach” como é chamada, é uma bela praia de areias negras, que na realidade é composta por pura cinza vulcânica. Impressionados com o poder da natureza, caminhamos por uma das praias mais jovens do mundo (se não a mais jovem), com vista para o Oceano Atlântico e o aeroporto destruído.
Caminhando pela praia de cinzas em Montserrat, no Caribe
Praia nova em Montserrat, no Caribe, feita de cinzas de vulcão
O fluxo piroclástico deixou apenas a torre de observação do antigo aeroporto à vista, perto de Plymouth, em Montserrat, no Caribe
Assim que o Soufriere entrou em atividade, vulcanólogos vieram de todas as partes e determinaram as áreas de segurança na ilha, dividindo-a em três principais áreas:
- Exclusion Zone (Zona de Exclusão) – ao norte da ilha nos arredores do Soufriere Hills Volcano, incluindo as ruínas da cidade de Plymouth. Lá é terminantemente proibida a entrada. Apenas alguns funcionários de uma empresa exportadora de areia tem permissão especial para esta área.
Chegando à área proibida da ilha de Montserrat, no Caribe
A impactante visão apocalíptica da antiga capital, Plymouth, destruída pelo grande vulcão de Montserrat, no Caribe
- Day Light Zone - uma área em que todos podem circular durante o dia e onde entramos para ir até o mirante de Plymouth. A primeira vista que temos da cidade é desoladora. Vemos o vulcão, imponente e poderoso e o rastro de lama e cinzas que corre sobre as ruínas da cidade e do porto. Uma vista chocante.
A impactante visão apocalíptica da antiga capital, Plymouth, destruída pelo grande vulcão de Montserrat, no Caribe
Visitando o mirante de onde se pode observar o vulcão e a antiga capital, Plymouth, destruída nas erupções dos últimos 15 anos, em Montserrat, no Caribe
- Safe Area – a área segura está no sul da ilha, distante do vulcão. Nessa região encontramos montanhas verdejantes, fontes de água mineral, rios, praias, fauna e flora ricas e peculiares à ilha de Montserrat, como o mountain chicken frog. Um sapo endêmico da ilha que está ameaçado de extinção, não por ser o prato típico da culinária local, mas por um fungo trazido pelo seu primo tree frog, espécie invasora na ilha.
As águas claras do porto de Montserrat, no Caribe
O sul da ilha é a casa dos 4 mil habitantes que permaneceram depois que o vulcão entrou em atividade. Várias pessoas com as quais conversamos dizem que não foram muito afetadas pelo desastre, pois já moravam na área segura. Suas casas, família e estilo de vida não foram muito alterados. A economia da ilha, porém, foi transformada radicalmente. Um lugar ativo e movimentado se tornou, em um curto espaço de tempo, a ilha mais tranquila e vagarosa do Caribe.
Baía de águas limpas e tranquilas, ótima para mergulho, na costa de Montserrat, no Caribe
Caminhando pela praia de Little Bay até o porto onde está o barco de mergulho, em Montserrat, no Caribe
Após a erupção em torno de 8 mil pessoas deixaram a ilha, a maioria migrou para a terra mãe, Inglaterra. Grande parte da população que permaneceu na ilha trabalha para o governo, que paga os melhores salários. Os trabalhos mais braçais são feitos pelos imigrantes de países vizinhos: haitianos, jamaicanos e guianeses na sua maioria, além de uma parcela de indianos e chineses nos negócios locais.
Nos admiradores em restaurante no interior de Montserrat, no Caribe
Uma ilha pacífica, tranquila, onde todos se conhecem e sabem onde trabalha, o que faz ou deixa de fazer e ainda assim não são intrometidos e fuxiqueiros. “Você pode fazer o que quiser e ninguém irá te incomodar”, nos disse um canadense que vive na ilha há três anos. Ao mesmo tempo vemos um lugar parado no tempo. O que me espantava era como um lugar com apenas 4 mil habitantes, após 15 anos, ainda não mostrava sinais claros de reestruturação econômica.
Conforme fomos entrando na vida e na história da ilha algumas respostas foram surgindo. Montserrat é um território pertencente à Coroa Inglesa, que após o imenso desastre, aparentemente não teve interesse em ajudar a reconstruir a ilha. Corre à boca pequena que se a população estivesse abaixo de 1.800 pessoas, eles iriam fechá-la, mas ela nunca ficou abaixo dos 3.000 habitantes. Outro fator chave foi o (des)preparo dos que ficaram. Os montserratians mais preparados para administrar empresas e o estado, política e economicamente deixaram a ilha após a erupção. Hoje um dos esforços das empresas que estão lá é atrair novamente estes montserrarians para as suas posições gerenciais. Poucas famílias retém grande parte do dinheiro e do poder e trabalham para manter os seus interesses e não com uma visão desenvolvimentista da sua ilha. Essa visão de curto prazo não favorece a chegada de investidores estrangeiros que poderiam estar ajudando neste processo de retomada.
Num belo dia de sol, saindo de carro do nossa hotel em Montserrat, no Caribe
É uma experiência intensa conhecer um lugar que passou por uma profunda transformação tão recente e tendo como causa um desastre natural. O mundo real desse povo é tão diferente e tão isolado que fica difícil prever o que vai acontecer no futuro. Besteira querer adivinhar, qualquer futuro fica insignificante na escala geológica de uma ilha viva e que está apenas começando.
Nossa primeira visão do fumegante vulcão de Montserrat, no Caribe
Chegando em Fernando de Noronha - PE
Depois da correria de acordar cedo em Gravatá, passar todos os equipamentos de mergulho do nosso “cofre” na Fiona para as caixas de mergulho, viajar 80km até Recife, ir ao salão enquanto o Ro levava a Fiona para o balanceamento, nos perdermos, nos encontrarmos e não conseguirmos fazer tudo o que estava combinado, pegar o vôo, ver a Elba Ramalho e almoçar um pão com recheio de queijo, chegar em qualquer praia seria especial, mas chegar à Fernando de Noronha, é chegar ao paraíso!
Depois de tantos encontros e desencontros, hoje em Noronha tudo funcionou super bem. Nosso vôo saiu no horário, chegamos e o Haroldo, nosso primo, já estava nos esperando. Ele não estava tão feliz quanto nós, pois além da semana de cão, as bagagens dele haviam sido extraviadas. Mas como Noronha é o paraíso, logo elas foram encontradas e já estavam a caminho. Aqui nada dá errado, se der provavelmente foi você que ainda não entrou no clima da ilha.
Chegar à Noronha hoje, depois de 2 anos que estivemos aqui, é uma experiência muito bacana. O Parque preservado e você sabe que as coisas não terão mudado radicalmente. Um bar ali, outra pousada aqui, mas o clima, algumas pessoas e aqueles lugares mais especiais, continuam lá, intactos e maravilhosos para revermos quantas vezes pudermos!
Praia do Sancho vista do avião, em Fernando de Noronha - PE
Aproveitamos o final da tarde para caminhar até a praia da Conceição, passando pelo Cachorro e praia do Meio. Um belo banho de mar nas águas transparentes e uma caipirinha para relaxar no Bar da Conceição. Embalados, jantamos em um restaurante italiano, aproveitando para colocar o papo em dia com o Haroldo, regados a baldes de caipirinhas deliciosas! Bela recepção, bem vindos ao paraíso!
Nosso último e magnífico nascer-do-sol na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Dia de despedir-nos do Mamirauá, mas não antes sem dar um último passeio pelos arredores da pousada. Café da manhã com frutas, pão e chá e logo estávamos sobre a nossa canoinha com o grande Izael. Fizemos um passeio curto pela trilha da Casa da Árvore e a Trilha do Guariba, uma área de floresta menos densa. A casa da árvore é uma casinha onde os hóspedes do lodge podem escolher dormir uma noite, em redes, acompanhados de um guia. Uma noite ainda mais isolada e rústica, separados da floresta apenas por telas mosquiteiras. Antes mesmo do almoço, subimos na lancha rápida da pousada e fizemos nossa viagem, linda, pelo Rio Juruá, seguido pelo Solimões, até chegar a Tefé.
A casa na Floresta, quase alagada, sobre palafitas de mais de dez metros de altura, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Em Tefé uma visita ao Instituto Mamirauá onde encontramos mais artesanatos feitos pelas comunidades indígenas e ribeirinhas da região. Colares, cestos, cumbucas e livros dos fotógrafos que já registraram as belezas desse lugar único no coração da Amazônia. Dali seguimos para um almocinho na cidade e fomos explorar Tefé a pé na companhia dos nossos novos americanos. Passamos pelo mercado municipal, repleto de frutas tropicais, frutos, sementes e peixes amazônicos, uma diversidade impressionante para nós, imagine para eles!
Frutas a venda no mercado de Tefé, no Amazonas
Ao lado do rio, o mercado de Tefé, no Amazonas
Depois, uma boa cervejinha gelada para apaziguar o calor nortenho, claro! Nos despedimos dos americanos e eu e Rodrigo fomos em direção ao embarcadeiro, compramos uma rede no caminho, para já garantirmos nosso lugar no barco regional que nos levaria de volta até Manaus. É, nossa aventura amazônica ainda não terminou!
Ainda em Tefé, pronto para a viagem de barco até Manaus, no Amazonas
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Fort George, no alto de uma colina em St. George's, capital de Granada
Granada, the spice island, mostra seus sabores não apenas nos temperos e condimentos que exporta para todo o mundo ou na sua culinária. O seu povo alegre, divertido, curioso e muito receptivo é um dos principais encantos dessa ilha ao sul do Caribe.
A bela praia de Grande Anse, em Granada
Mesmo com toda a sua vontade de colocar o pé na areia e relaxar nos paraísos de águas azuis, um passeio pelo mercado central da capital St George´s é obrigatório! Dezenas de tendas de temperos e condimentos como canela, noz moscada, gengibre, açafrão e todos os tipos de “pimentas” que a ilha produz.
Muitos temperos da "Spice Isle" no mercado de St. George's, capital de Granada
Um terço da produção mundial de noz moscada vem desta pequena ilha, que a utiliza em grande parte dos pratos da sua culinária local. Da fruta fazem a geleia, ao redor da semente encontram a moca, que parece uma casca avermelhada utilizada para temperar bolos e sopas e a noz moscada dá o sabor especial aos pratos e até ao rum punch granadino.
Noz-moscada e outros temperos no mercado de St. George's, capital de Granada
Adiante está o Mercado de Peixes, que hoje estava fechado para a Festa de Aniversário comemorativa do Dia do Pescador. A paróquia vizinha prometia reunir mais de 1000 pessoas, numa festa de arromba para comemorar o dia destes trabalhadores tão importantes para a economia local.
St. George's, a capital de Granada, no Caribe
No caminho para lá está a Carenage Bay, com seu calçadão colorido e bem movimentado e uma vista linda para o principal porto da cidade. Barcos de pesca batucando os gritos de carnaval, ancorados ao lado das escunas turísticas e dos “Rum Runners” que levam turistas embalados no rum para passeios ao redor da ilha.
Observando a Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada
Barcos aportados na Carenage, baía em St. George's, capital de Granada
No canto direito da baía está o antigo Fort George, que foi construído pelos franceses em 1705 e foi palco para grandes batalhas e até para o recente episódio de execução do então Primeiro Ministro Maurice Bishop, líder do partido comunista, em 19 de Outubro de 1983. A má notícia é que ele foi morto pela ala ainda mais radical do partido que tomou o poder em um golpe sobre o próprio governo, julgando-o incompetente no avanço do verdadeiro comunismo. Apenas 6 dias depois, 12 mil soldados americanos desembarcaram na costa de Granada e travaram uma batalha para estabelecer o novo governo democrático. O Fort George hoje, caindo aos pedaços, continua sede do Quartel da Polícia Nacional e pode ser visitado para pelas vistas do Porto de St. George´s.
Observando do alto do forte a cidade de St. George's, capital de Granada
Vista do alto do forte em St. George's, capital de Granada
St. George's, capital de Granada e, ao fundo, a praia de Grande Anse
Feito um tour rápido e resumido pela história e cultura de Granada, agora podemos ir para a parte que interessa: as praias! Grande Anse é uma das praias mais famosas, com hotéis, restaurantes e a apenas 15 minutos de reggae bus do centro. Foram 15 minutos em que me transportei para um cult movie latino-americano, só que em vez de latinos, tínhamos africanos e em vez do reggaeton, tínhamos reggae jamaicano da melhor qualidade!
Caminhando ao longo da Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada
Chegamos à Grande Anse, praia de areias brancas e águas azuis caribenhas. Difícil acreditar que essa praia tranquila na temporada dos furacões, pode ficar lotada com milhares de turistas durante a alta temporada. Granada é repleta de praias paradisíacas, uma das dicas que não pudemos conferir é o Churrasco do Roger, todos os domingos na Hog Island! Alguém por favor, vá lá e nos conte depois!
A bela praia de Grande Anse, em Granada
A noite, consegui arrastar o Rodrigo meio a contra gosto para coferirmos a festa de pré-carnaval nos arredores da marina. A festa rola todas as quintas-feiras de julho até o carnaval, que será na segunda semana de agosto. O calypso, a soca e a power soca são os ritmos que agitam o público que lota os shows com artistas locais e atrações internacionais vindas de ilhas como Dominica, St. Vincent, Trinidad e Tobago e Republica Dominicana! Não ficamos muito tempo, mas vale a experiência! Reunião do melhor da música caribenha, não que seja a minha preferida, mas é o que faz o povo daqui requebrar os quadris e dançar adoidado.
Cartaz de danças caribenhas (em Clifton, cidade em Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe)
Quem diria que na nossa última ilhazinha do Caribe teríamos tantas novidades e descobertas. Muitos nos perguntam: vocês não cansam do Caribe? Impossível, cada ilha tem uma paisagem, uma cultura e um tempero especial. Aí eu pergunto, tem como cansar?
Fim de tarde na praia de Grande Anse, a mais famosa de Granada
As famosas construções Incas, com encaixe perfeito de pedras, em Cusco, no Peru
Demos uma volta na praça principal e almoçamos em uma das mais concorridas padarias e lanchonetes da cidade. Se passaram umas duas horas e minha sorte mudou. Comecei a passar mau e é claro que o Ro já culpou a garrafada da Dona Elsa. Eu só pensava na maionese do almoço de ontem. Fato é que a minha imunidade estava baixa e o meu sistema digestivo super frágil depois de 4 dias tomando amoxicilina para a pneumonia. Se foi a maionese ou a garrafada já não importava, logo percebi que nada que eu comesse iria parar no meu estômago, nem água! Fiquei algumas horas entre o banheiro e a cama passando muito mau, vomitando e num piriri danado. Foi quando vi que só iria piorar... Logo tive que tomar a decisão: vamos para o hospital.
O hospital que atendeu a Ana em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Eram perto das 23h quando chegamos à emergência do Hospital Santa Rosa. O hospital estava em greve e apenas um médico e duas enfermeiras atendiam as emergências que chegavam. Esperei quase uma hora, consultei, mediram febre, anotaram o meu histórico e sem melhora resolveram logo me colocar no soro. O primeiro soro na veia a gente nunca esquece, não é mesmo? O que eu não imaginava é que iria ficar ali por 24 horas! Dormi no hospital... mas tão entregue que nem vi o tempo passar naquela maca dura e gelada.
A Ana descansa em leito de hospital em Puerto Maldonado, no Peru
A cada turno mudava o médico e mudavam as informações que davam ao Rodrigo. Mudaram a minha medicação, retiraram a amoxicilina e sabe Deus o que me deram. O Rodrigo, coitado, fez um tour por todas as farmácias da cidade, pois tudo o que é usado no paciente, como tubos, agulhas, micropore e o próprio soro, devem ser comprados e fornecidos pelos pacientes. Depois da alta também é cobrado um valor pela consulta médica, exames e internação. Tudo num preço super acessível, bem coerente com a estrutura precária e o serviço prestado. Sorte que não tive que usar muito o banheiro que nem assento não tinha no vaso, ah, e detalhe, eles não forneciam nem o papel higiênico. Mas quando estamos mal nem é isso que interessa... só queremos melhorar.
Uma das muitas farmácias visitadas pelo Rodrigo em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Fato foi que mesmo sem comer nada eu fui reidratando e depois das 24 horas o Rodrigo fez questão de me tirar dali. Negociou com a médica que ele mais confiou, que me indicou tomar pedialite (soro oral) e alguns lactobacilos para reconstituir a flora do sistema digestivo.
Um dos muitos exames feitos pela Ana durante sua estadia no hospital de Puerto Maldonado, no Peru
O Ro já queria ir embora, não aguentava mais ficar em Puerto Maldonado, mas eu ainda não poderia viajar, principalmente considerando que a nossa próxima parada seria Cuzco, lugar com melhor infraestrutura, mas que está a 3.600m de altitude! A médica proibiu que pegássemos estrada ainda hoje... e nem precisava dizer, eu estava muito fraca, sem condições. Ficamos mais um dia no Wasaí Lodge, eu a base de bactrin, tomando muito soro, bolachinhas água e sal e até uma canja de galinha, aqui chamada de dieta de pollo.
Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Fizemos uma tentativa de viagem para Cuzco no dia seguinte, eu me sentia um pouco melhor, o Ro precisava sair dali e ainda por cima o lodge já não teria vaga para nós. Andamos uns 20km e não rolou, comecei a enjoar, passar mal e voltamos. Tentativa abortada. Tivemos que nos hospedar em um outro hotel por mais uma noite. Passamos o dia lá, descansando, trabalhando nos posts e a noite ainda arrisquei uma saída para tomar uma sopinha de aspargos em um dos restaurantes bacanas da cidade, o Burgo´s Restaurante.
O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
A noite seguinte já foi em Cuzco, depois de uma viagem incrível da Amazônia aos Andes que conto aqui. Na chegada um parto para achar uma pousada com estacionamento. Na falta de uma paramos perto da Plaza San Francisco, pousada de um lado, estacionamento de outro. Ainda tive forças para carregar mala e cuia para a pousada, tomar uma sopa de verduras e cama! Acordei bem no dia seguinte, mas não demorou para logo passar mal e cair de febre novamente, 38 a 39 graus de febre o dia todo de cama. Voltou o piriri e a fraqueza. Não sabemos se foi pela sopa, o mais provável é que tenha sido a reação do organismo pela mudança de altitude, menos oxigênio e maior necessidade de adaptação e produção de glóbulos vermelhos para o corpo.
A noite cai na Plaza de Armas, em Cusco, no Peru
A partir daqui parei com todos os remédios halopáticos e segui apenas com a medicação homeopática que já estava tomando com a orientação da minha médica particular preferida, mamãe! Segui tomando o Rhus Tox e soro oral, mais os cuidados do Ro, dieta de pollo no jantar e até que enfim a febre baixou.
Mais um exame da Ana, dessa vez em Cusco, no Peru
O dia seguinte passei sem febre, até saímos no final do dia para dar uma caminhada rápida, fomos à Plaza de Armas e jantamos na Cantina Italiana, brochetas de pollo y papas cocidas. Finalmente sinto que estou melhorando! Resolvi fazer exames no Laboratório El Sol no dia seguinte, precisava descobrir que praga era essa que não me deixava! Fiz uma massagem inca com a Jesica em um dos mercadinhos ali do lado. Em Cusco você encontra dezenas de meninas oferecendo massagem, algumas delas tem até “serviço especial” depois das 23h. O Ro conseguiu agilizar a compra dos nossos tickets para Machu Picchu no Ministério da Cultura e cortou o cabelo. Sara, a farmacêutica lá do laboratório conseguiu agilizar o resultado dos exames, que infelizmente se mostraram meio ruins, ainda tenho a infecção, só estou melhorando por que depois de uma semana, com a ajuda da homeopatia, meu corpo começou a reagir sozinho! Tanto estou reagindo que hoje resolvi testar meus limites e comi um bife de alpaca, com zero de gordura e colesterol, e batatas cozidas. Hummm! Preciso ficar forte, logo logo o Gustavo chega e teremos muitas aventuras por aí!
A noite cai na Plaza de Armas, em Cusco, no Peru
Bem, agora já é o dia 25, há 9 dias estou lutando contra essa porcaria de doença e parece que finalmente vou ganhar! Saímos para uma caminhada no centro histórico, trocamos alguns tickets para Machu Picchu no Ministério da Cultura, e conseguimos já comprar as passagens de trem na Peru Rail. Tudo pronto para Machu Picchu! Almoçamos em um restaurante thai na Plaza de Armas, sem temperos, comi sanduíche de frango e passei bem! Saiu o resultado do anti-biograma e consegui logo descobrir qual seria o medicamento que mataria de vez a bactéria. E adivinhem se não era o bom e velho ciprofloxacino? Mesmo amigo que me salvou de uma bactéria peruana em Huaráz a mais de um ano atrás. Mesmo bem, minha homeopata mamãe me indicou tomar o remédio, já que vou abusar nas montanhas incas daqui pra frente. Amanhã o Gustavo chega e começam as nossas explorações pela região de Cuzco e o Vale Sagrado. É a minha prova de fogo! E depois dessa tenho certeza que essas bactérias peruanas não me pegam mais!
A Casa del Arbol, em Baños, no Equador
Baños está a apenas 1.826m de altura, situada em um vale verde, com cascatas e águas termais, aos pés do vulcão super ativo, Tungurahua, com 5.016m. Assim uma das principais atividades é conhecer os seus mirantes, com visuais de tirar o fôlego até nos dias mais nublados.
Escondido entre as nuvens, o Tungurahua, o vulcão ativo de Baños, no Equador
O Tungurahua, também conhecido como “el gigante negro”, está ativo desde 1999 e é um dos vulcões mais fácil de se escalar no país. Algumas agências de turismo até oferecem o trekking, porém a informação oficial que recebemos em nossa pousada é que a trilha está fechada desde sua ultima grande erupção em 2006. O site turístico da cidade de Baños possui informações completas sobre a cidade, suas atividades e informes atualizados sobre a atividade vulcânica na região.
Mapa estilizado de Baños, no Equador, com o vulcão Tungurahua ao fundo
A nossa primeira parada foi o mirante do Luna Rutun, um Adventure Spa maravilhoso que oferece trekkings na região, seguidos de tratamentos especiais com uma vista maravilhosa da cidade de Baños. Suas piscinas de águas quentes são aquecidas artificialmente, porém a água possui as mesmas qualidades terapêuticas que as águas dos banhos municipais, garantiu o gerente.
Com o Rafa no Café del Cielo, em Baños, no Equador
Eles oferecem um pacote para quem não está hospedado que dá acesso às piscinas e jacuzzis e inclui ainda um almoço ou jantar no Café del Cielo, restaurante delicioso com vista panorâmica. Lá vimos uma das fotos mais lindas do Tungurahua expelindo lava, tirada dali mesmo em junho/julho de 2010.
Café del Cielo, em Baños, no Equador
Seguimos mais alguns quilômetros morro acima e chegamos ao mirante da Casa del Árbol. Seu Carlitos é o dono do terreno, oferece uma área de camping com infra-estrutura simples e aluga a casa da árvore para quem quiser se hospedar com vista para o vulcão. A melhor época para acampar ali é quando o vulcão está ativo e as noites são enfeitadas por lavas e pedras expelidas do vulcão, como fogos de artifício, segundo ele um show à parte.
O Carlos mostrando as propriedades magnéticas das cinzas vulcânicas em Baños, no Equador
Ele vive um uma casa simples e tem as suas portas sempre abertas para os turistas mais curiosos. Presta um serviço ao país cedendo a estrutura, barracas e todo o suporte para os vulcanólogos e geólogos que acompanham a atividade do Tungurahua. “Faço isso por amor à pátria, pois o governo não me paga nem um centavo”, nos conta ele. Em sua casa tem uma pequena coleção de materiais sobre o gigante, pedras e cinzas vulcânicas, cartazes e materiais de medição e se questionado dá uma pequena aula sobre a região, passando o conhecimento adquirido nos mais de 10 anos de convivência com os pesquisadores que passam por aqui.
O Carlos, o guardião do vulcão, nos mostra os diversos tipos de cinzas do Tungurahua, em Baños, no Equador
A Casa del Árbol é um dos melhores mirantes para o vulcão, esperamos por mais de meia hora mas, coberto pelas nuvens, o Tungurahua não deu o ar da graça. Graça mesmo tem o balanço colocado estrategicamente à beira de um barranco. Se a corda arrebenta ali, caímos uns 6m de altura e rolamos mais uns 50m despenhadeiro abaixo! Emocionante!
Divertindo-se em balanço à beira de precipício, na Casa del Arbol, em Baños, no Equador
Enquanto explorávamos os mirantes de Baños, Laura continuava se recuperando na clínica do Dr. Zumbana. Voltou a comer e até assistiu alguns filmes. Aproveitamos a melhora para raptá-la da clínica por algumas horas e a levamos para o Café del Cielo ver a cidade de cima e quem sabe até tomar um banho quente. Chegando lá o tempo fechou e a chuva acabou inviabilizando a melhor parte do passeio. Eu e o Ro acabamos entrando na água com chuva e tudo, mas ela não podia abusar. Diego, funcionário do hotel, nos fez companhia super interessado pela viagem! Acho que conseguimos picar mais um! Rsrs!
Com o super atencioso Diego em delicioso banho de água quente ao ar livre em noite chuvosa e fria no Cafe del Cielo, em Baños - Equador
Depois de dois dias enfurnada em uma clínica, Laura precisava dar uma desanuviada... A propósito, as nuvens deram alguns segundo de trégua pelo menos para que ela acreditasse que ali, abaixo daquela neblina, existia uma cidade.
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