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clenilça alves da silva(cleo) (03/04)
Booonnnn Diiiaaaaa !!!!! ANA E RODRIGO Eu estou emocionada de mais com ...
Gilmar (03/04)
Amo praia e quero dizer que suas fotos estão lindas, Parabéns pelo blog...
ALBERTO MAGNO (03/04)
Aqui no maranhão não é o Boi bumbá e sim o Bumba meu Boi, que realmen...
ricardo (01/04)
estou maravilhado com a viagem de vcs,queria eu estar junto...mais não p...
Tatiana de Queiroz (31/03)
Ana, fico muito grata a vcs por nos mostrarem que com planejamento dá pr...
Já se passaram 365 dias e ainda é difícil de acreditar que estou realizando este sonho.
Nunca consegui me sentir inteira enquanto estava na minha vida “normal”. Nunca me dei por satisfeita, sempre quis viajar, crescer, aprender. Eu sempre tive consciência desta minha veia cigana, desta minha sede insaciável de sair conhecer o mundo.
Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ
Talvez por isso eu tenha sido tão aplicada e decidida na minha carreira profissional, pois era o meio que eu tinha de realizar este sonho como estou realizando hoje. Ao mesmo tempo eu sempre vivi intensamente cada momento, cada fase, a universidade, as festas, os meus primeiros estágios e os empregos que vieram depois. Eu sou apaixonada pelo meu trabalho, me refiro ao ofício formal que escolhi. Ainda hoje, depois de um ano, eu sigo atenta a tudo o que acontece no mundo da propaganda e marketing no Brasil e por cada cidade e país que passamos, seja como profissional ou como consumidora.
Andando de carro na praia da Juréia
Outro dia recebi o seguinte comentário de um amigo no facebook, “Ana! Você não está viajando? Então pára com essa história de trabalho!”, é óbvio, qualquer um pensaria isso, mesmo eu no lugar dele. Parece um paradoxo, pois finalmente estou vivendo tudo o que sempre sonhei! Parei de trabalhar, estou viajando pelo mundo e ainda fico com olhos publicitários, falando de negócios e planejamentos? Sim! Há pouco eu realizei que eu sou assim, apaixonada pelo que faço, seja lá o que eu estiver fazendo.
Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Este tipo de viagem, o tal ano sabático, funciona mesmo como um retiro espiritual, uma viagem de auto-conhecimento. Estamos o tempo todo fora e conhecendo novos lugares e pessoas, mas ao mesmo tempo isso nos leva a uma profunda busca de si mesmo. São tantas as perguntas que tentamos responder: “Será que eu poderia viver assim sempre?”, “O que vou fazer quando voltar?”, “Que estilo de vida quero ter? Aonde vamos morar? Antes da viagem a principal pergunta era “Será que conseguiremos viajar durante 1000dias?”, pelo menos desta eu já sei a resposta. Espero que até o final da viagem eu tenha a resposta das outras também.
Paisagem maravilhosa no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG
Enfim, vamos abrindo os nossos horizontes e tentando entender qual é exatamente o nosso lugar neste mundo, qual é o nosso objetivo aqui, aquelas velhas questões filosóficas muitas vezes sem resposta. Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde vamos? E ao final, a nossa busca insaciável por uma resposta começa a parecer inútil, pois quanto mais procuramos, menos temos certeza do que queremos. Quando nos damos conta disso é que talvez possamos, um dia, relaxar e apenas viver.
Adolescentes brincando no pier com cruzeiros ao fundo
É fundamental dizer que este intensivão de vida nunca teria sido possível sem o Rodrigo, o amor da minha vida. Encontrá-lo foi fator decisivo, minha viagem sozinha ia acontecer, mas seria muito mais careta e desinteressante. Poder dividir todas estas experiências com uma pessoa que comunga da mesma visão de mundo e que acima de tudo tem o mesmo sonho que eu, é realmente muito especial.
Clima romântico no aniversário de um ano de viagem! (aeroporto de Trinidad)
Um ano depois o balanço é 100% positivo, me conheço muito mais, tenho ainda mais dúvidas do que antes, mas estou mais próxima de atingir a maturidade para poder um dia, apenas relaxar e viver. Como será o 1001° dia? Difícil responder, hoje só posso dizer que tenho certeza que ele será vivido intensamente, apaixonadamente e com muito amor.
Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Acapulco, no México
Deste a infância Acapulco fez parte do meu imaginário. Quem cresceu nos anos 80 vai entender um pouco melhor. Além dos vários filmes hollywoodianos passados ou filmados em Acapulco, que passavam na sessão da tarde, quem nunca viu um episódio em que todo o elenco de Chaves sai de férias para Acapulco? Hahaha! Ok, não é todo mundo que gosta de assumir assim, em público, que assistia Chaves quando era criança, mas na minha época não tínhamos Discovery Kids, Boomerang e muito menos Cartoon Network.
Escultura em Acapulco, no México
Eram poucas as opções. Castelo Rá-tim-bum (Marcelo Tas), na TV Cultura era o meu programa predileto! Os programas de auditório como Xuxa (Globo), Mara-Maravilha (SBT) ou a Angélica (Manchete), destes se salvavam apenas os desenhos animados. E finalmente o “Chaves” no SBT, um dos únicos seriados mexicanos que se espalhou por toda a América Latina, na mesma onda da novela Carrossel, com Maria Joaquina e Sirilo, deste aposto que vocês também lembram! Hahaha!
Acapulco, no México
Eu nem devo ter assistido o episódio completo, mas lembro do Chaves, Chiquinha, Quico, Seu Madruga e Dona Florinda em trajes de mil novecentos e bolinha (leia-se colans listrados de branco e azul ou vermelho) entravando em um baita parque aquático na beira da praia. É engraçado, mas por aí a imagem que eu formei de Acapulco foi de uma praia meio decadente, já essa turma toda ia para lá fazer a maior farofa. Estranho é imaginar o motivo porque o México promoveria essa imagem, já que esta foi uma das suas praias mais glamorosas nos anos 50.
Hotel Los Flamingos, em Acapulco, no México
Frequentada por artistas famosos e hollywoodianos como Elizabeth Taylor, Brigitte Bardot e Frank Sinatra, Acapulco foi um refúgio alternativo para os ricos e famosos. Nesta época um pool de atores, dentre eles os famosos John Wayne e Johnny Weissmuller (o Tarzan), fundou o Hotel Los Flamingos, na parte norte da baía, em um dos penhascos mais altos da costa.
Restaurante do hotel do Tarzan, em Acapulco, no México
Foi lá que ficamos hospedados, entre fotos do Tarzán ainda em preto e branco, uma piscina vizinha à sua antiga casa e uma vista fantástica do Oceano Pacífico, acompanhado com um belo rum punch no final da tarde.
Casa onde o Tarzan morava, no hotel Los Flamingos, em Acapulco, no México
Hoje na “Antiga Acapulco” estão os hotéis desta época, meio decadentes, mas ainda muito bacanas para os curiosos como nós. Até por que acabam sendo uma ótima opção de hospedagem, com um toque vintage, têm preços bem razoáveis e ficam localizados próximos à La Quebrada.
A piscina predileta do Tarzan, no Hotel Los Flamingos, em Acapulco, no México
Esta região antes tão luxuosa, hoje perde em conforto e elegância se comparada com o extremo sul da baía, onde estão os novos hotéis resorts e condomínios de alto escalão, com campos de golfe e iate clubes.
Belíssimo pôr-do-sol em Acapulco, no México
Uma cidade grande, com atrativos de cidade grande, que explorando com tempo, sem dúvida nenhuma, teriam seu charme. Nós, pra variar correndo, não queríamos deixar de passar pela famosa Acapulco, mas achamos que um dia seria suficiente para ver o que queríamos: os Clavadistas de La Quebrada.
A famosa La Quebrada, em Acapulco, no México
Uma das principais atrações turísticas da cidade, os Clavadistas de La Quebrada tiveram início na década de 30, quando um grupo de jovens media a hombridade, disputando quem saltaria mais alto em um estreito de pedras com apenas 7m de largura e 4m de profundidade. Detalhe: 4 metros apenas no exato momento em que uma onda vem e preenche estreito!
A violenta entrada na água após o salto de 25 metros em La Quebrada, em Acapulco, no México
Gerações e mais gerações se passaram, até que algum dia eles perceberam que poderiam fazer disso uma atração mais rentável e passaram a cobrar entradas para o espetáculo. Fomos à apresentação das 21h30, o espetáculo começa quando meninos como o Gabriel de 18 anos e Moisés 24 anos, passam orgulhosos por nós, se dirigindo ao imenso paredão que lhes serve como trampolim. Gabriel salta há 4 anos (Calcule! Desde os 14!) e Moisés, já é mais experiente, saltando há 6 anos.
Alguns dos corajosos saltadores de La Quebrada, em Acapulco, no México
Ele e seus colegas se dirigem para o alto do penhasco, onde está o altar da Virgem de Guadalupe, santa protetora dos clavadistas. Ali eles alongam, rezam, pedem proteção e aos poucos começam a se posicionar.
Uns posam para fotos enquanto outros oram antes do salto em La Quebrada, em Acapulco, no México
Cada um deverá saltar de um ponto, dos 25 aos 35m de altura, com diferentes níveis de dificuldade. Saltos “simples” como um cravado, voando à frente e caindo direto de cabeça na água, até saltos ornamentais profissionais! Lembrando que eles devem saltar no momento exato, quando a onda preenche o estreito canal de água, caso contrário, é morte na certa!
O incrível salto mortal de 25 metros de altura em La Quebrada, em Acapulco, no México
Os saltos são executados à perfeição, os garotos saltam confiantes, enquanto o ansioso público assiste com o coração na mão!
Foto antes do salto de 34 metros de altura em La Quebrada, em Acapulco, no México
Eu já achava impressionante vendo na televisão, mas de alguma forma me parecia mais tranquilo, imaginava que seriam homens mais velhos, treinados, profissionais. De repente me aparecem esses garotos!?! Alguns pareciam ter menos de 15 anos! Fiquei impressionada e virei grande fã desses malucos corajosos!
A Ana com os herois saltadores de La Quebrada, em Acapulco, no México
Enfim, mesmo longe dos tempos áureos de estrelas de cinema, uma cidade que hoje abriga um dos principais quartéis de drogas do México e figura nas capas de jornais com corpos sem cabeça, Acapulco continua sendo um destino turístico para muitos capitalinos mexicanos, excursões de jovens americanos e curiosos de todo o mundo.
Oração antes do salto de 34 metros de La Quebrada, em Acapulco, no México
Leia mais informações históricas e curiosidades sobre Acapulco no Blog do Rodrigo.
Pintura na parede externa da Catedral de San Salvador, capital de El Salvador
San Salvador, capital de El Salvador, é uma cidade grande com mais de 3 milhões de pessoas somando sua região metropolitana, aproximadamente metade da população de todo o país. Vemos ao fundo o vulcão San Salvador com 1.960m, que quase destruiu a cidade na grande erupção de 1.917.
Vista do alto do nosso hotel em San Salvador, capital de El Salvador
Uma forma de conhecer bem a cidade, sua história e diferentes faces é ir direto para o centro. A Igreja do Rosário é o ponto de partida deste tour. Por fora tem uma estrutura feia de cimento, escura, suja e nada convincente. Por dentro, porém, seus vitrais coloridos fazem um reflexo sobre as paredes escuras, formando um prisma colorido, uma espécie de arco-íris, que colore e dá um ar de magia ao lugar.
O belo interior da moderna Igreja do Rosário, no centro de San Salvador, capital de El Salvador
Caminhamos um pouco pelas ruas caóticas, sujas e lotadas, onde quase fui “atacada” por uma senhora, que deve ter visto em mim um diabo ou a mulher do seu ex-marido, por que veio correndo em minha direção, ensaiou um tapa no meu rosto e saiu sem tocar um dedo em mim, mas deixando clara sua indignação. Eu não tinha nada ou fiz nada que a pudesse ter despertado esse sentimento nesta senhora. Claro ficou que ela era meio maluca, coitada. Seguimos pelas ruas do centro histórico e comercial, passando pelas praças La Libertad e Plaza Barrios.
O Palacio Nacional, sede do governo no centro de San Salvador, capital de El Salvador
Na praça batemos um papo com um mendigo viajante, ele já tinha ido ao Brasil, passado por diversas cidades na América Latina e agora, estava ali, perdido na praça pedindo 5 centavos para poder comer. São cenas como esta que nos fazem pensar e querer entender quais foram os absurdos que aconteceram neste país. Um histórico de uma ditadura porca e uma guerra civil, somados à maior densidade populacional da América Central e uma pobreza absurda, só poderia dar nisso.
Trãnsito pesado na volta à San Salvador, capital de El Salvador
Milhares de camelôs trabalhando com o comércio informal, inundando as ruas de produtos e ofertas que provavelmente não tenham a mesma demanda. Eles precisam tentar ganhar a vida de alguma forma. Caminhamos mais algumas quadras, enquanto Rodrigo me conta a história de Oscar Romero, Arcebispo de El Salvador que em 1980 foi assassinado em plena missa por de manifestar contra as políticas do governo da época.
A Catedral de San Salvador, capital de El Salvador
Chegamos à Catedral Metropolitana, os murais de sua fachada foram criados pelo famoso pintor Fernando Llort. Ele retornou ao país em 1972, depois de uma temporada estudando arquitetura e teologia na França. Suas pinturas sempre representam o cotidiano das vilas, dos campesinos e tem como um dos principais ícones a arte-religiosa. Ele criou a Naïve Art, uma marca que representa a arte moderna salvadoreña em todo o mundo e possui peças expostas no MoMA, Casa Branca e no Vaticano.
A imponente Catedral de San Salvador, capital de El Salvador
À tarde voltamos à paz e calmaria da Zona Rosa, uma grande região da cidade onde vive a maioria da população de classe média-alta e alta. Lá estão os principais shoppings, lojas, serviços, escolas e restaurantes. Um passeio pelo shopping Multiplaza nos mostra que o mundo está cada vez mais pasteurizado, ops, globalizado. Todos aqueles contrastes e aquela vida que vemos no centro, dão a vez para a cultura capitalista regida pelas mesmas marcas, mesmos sonhos e mesmos modelos da vida neste lado do planeta.
Ringue de patinação do gelo no shopping Multiplaza, em San salvador, capital de El Salvador
Gigante entre as gigantes, pé de Samaúma na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A Floresta Nacional do Tapajós é uma unidade de conservação criada em 1974 com o objetivo principal de preservar os recursos naturais encontrados nesta região, sejam eles minerais, animais ou vegetais. A FLONA Tapajós possui 554 mil hectares de Floresta Amazônica e fica localizado entre o Rio Tapajós e a BR 163, famosa Cuiabá- Santarém. Além do trabalho de preservação o ICM-Bio estimula pesquisas científicas sobre este bioma e desenvolve um trabalho de manejo sustentável da floresta junto às populações tradicionais da área de reserva.
Placa indicativa da trilha na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
As maiorias destas comunidades localizam-se às margens do Rio Tapajós, tendo acesso por barco ou estrada. As mais procuradas para visitação são as comunidades ao norte do parque, São Domingos, Maguari e Jamaraquá, que já possuem serviço de guias locais. A reserva foi aberta à visitação já como parte do plano de desenvolvimento sustentável da comunidade, que abriu trilhas para suas principais atrações e treinou mateiros locais para a recepção dos turistas.
Portaria da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Nós fomos conhecer a comunidade de São Domingos. O Seu Luiz é o coordenador do projeto de visitação desta vila, porém estava em outra atividade. A partir do contato com o guarda-parque na sede do ICM-Bio, pagamos a taxa de 5 reais por pessoa e contatou o Seu Chico, nosso guia.
Instruções para queimadas na área da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Seu Chico conhece muito bem a mata, participou da abertura do planejamento e abertura da trilha. Disse que levaram em torno de 10 dias para abrir a trilha que possui 14km de extensão, passa por duas áreas distintas de floresta e diversas árvores centenárias e gigantescas.
Caminhando na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A primeira hora de caminhada é pela parte baixa e de solo mais arenoso. Ali encontramos muitas seringueiras e a vegetação típica da floresta úmida, porém em tamanhos menores. Como o solo possui menos nutrientes a própria matéria orgânica gerada pela floresta é que a mantém viva. Esta região é habitada pela população ribeirinha há anos, parte desta área já é de floresta secundária mesclada com árvores plantadas para o extrativismo. As seringueiras que vimos aqui foram plantadas pelo tio de Chico há mais de 80 anos, quando era criança. Ele, seus filhos e netos sobrevivem da extração do látex das mesmas árvores, incrível!
Seringueira com cicatrizes, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A partir da segunda hora de caminhada chegamos à floresta primária, solo riquíssimo e embora seja menos densa, suas árvores são imensas e frondosas. A primeira gigante que vemos é uma árvore de piquiá, madeira boa para movelaria , além de possuir um óleo bom para massagem e queimaduras.
Guarúba, uma das gigantes da floresta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Continuamos andando, tentando absorver o máximo de conhecimento possível que o Chico tem a nos passar. Ele nos contou sobre o inventário de madeira que está fazendo para a cooperativa de movelaria da comunidade. Foram mais de 2 mil árvores inventariadas com o acompanhamento de um técnico do ICM-Bio, para que sejam retiradas 80, sendo em torno de 5 unidades por ano. Eles definem quais podem ser retiradas, madeiras de lei como cedro e ipê, quantas de cada qualidade e em que período. Um belo trabalho.
Guariúba, enorme árvore na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Seguimos maravilhados pela trilha, vimos a Carapanaúba, árvore de onde se extrai o remédio da malária, Guaruba, outra das árvores gigantes, com mais de 50m de altura. Ainda assim ela não chega aos pés do Tauarí, árvore de raízes imensas e aqui encontramos 5 delas, uma ao lado da outra, e elas estão se unindo, formando uma única parede de madeira.
Dois pés de Tauarí fundidos, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A trilha é circular, começa atrás da sede da portaria da FLONA e termina atrás da igreja da vila. O ponto central da trilha é a principal atração, descoberta apenas 6 meses depois que a trilha estava em uso, uma Samaúma gigante, com 50m de altura e raízes colossais. Ao lado dela fica uma cabana de palha de coco coruá, usada no período de seca para excursões que dormem uma noite no meio da floresta.
Gigantesco tronco de Samaúma, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A partir daí, 7 km se foram e 7 km ainda estão por vir. Vimos ainda guariúbas, árvore de raízes vermelhas, cedros, apuís abraçadeiras e muitos babaçus. Demos a grande sorte de encontrar com um bando de bugios gritadores fazendo um barulho ensurdecedor. Estávamos ao lado deles, mas estavam muito no alto nas árvores, não conseguimos avistá-los. Para fechar a experiência amazônica faltavam apenas duas coisas, um temporal dentro da floresta úmida e uma cobra. O primeiro não demorou a começar, foi mais de uma hora embaixo de chuva. Para fechar uma caninana, cobra não venenosa, daquele tipo constritora, que esmaga suas presas. Ela tinha uns 3 metros e estava bem no meio da trilha, morta. Confesso que deu um alívio, mas foi bacana vê-la de pertinho.
Uma Caninana de quase três metros, morta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Chegamos na igreja, a chuva tinha acabado de se dissipar. Caminhamos pela principal rua da comunidade até o carro e logo nos avisaram de um bicho preguiça que estava com seu filhote ali por perto. O Seu Luiz fez questão de nos receber na sua casa, revisar os nomes das árvores que conhecemos com Chiquinho, saber se havíamos gostado e sido bem recebidos. Nos deu um panfleto da Flona e nos vendeu o artesanato que está desenvolvendo com sementes, palhas e plantas da floresta. Além de nos mostrar o couro da sucuri de 6 m que ele encontrou por ali.
Couro de sucuri de cinco metros, na casa do Seu Luiz, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
É a Floresta Amazônica às margens do Rio Tapajós. Não encontramos apenas as espécies nativas, como pudemos conhecer de perto a cultura desta comunidade, quase tão nativa quanto a floresta.
Couro de sucuri na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão.
Delta do Parnaíba ou Delta das Américas? É uma questão de marketing, se for o pessoal da equipe do Piauí é o Delta do Parnaíba. Se falarmos com o pessoal de marketing do Maranhão, ele será chamado de Delta das Américas.
Percorrendo igarapés por entre o mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
A sua nascente se localiza na Serra das Mangabeiras, Jalapão e é protegida pelo Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. Formado por três cursos d´água advindos tanto do Piauí quanto do Maranhão, é a fronteira geográfica entre os dois estados. Há quem diga que a importância cultural e histórica do rio é muito maior para o povo piauiense, que o cita inclusive em seu hino. No entanto no estado do Maranhão são 22 cidades ribeirinhas, contra 20 do Piauí. Lembrando que dentre estas está também Teresina, capital planejada construída estrategicamente na região do Médio Parnaíba, por suas condições de navegabilidade.
Mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
A questão toda, porém está no nome da cidade que é tida como base para o acesso ao Delta, a cidade de Parnaíba. O pessoal do Maranhão se sente em condições desfavoráveis na exploração turística do Delta e para não chamá-lo de Delta de Tutóia ou Araioses, cidades maranhenses, optaram por utilizar um nome mais democrático, o Delta das Américas. Este nome é quase um brado, “O Delta é de todos!” e se considerarmos a exclusividade, extensão e beleza natural, sim, ele é o único Delta em mar aberto das Américas! Apenas comparável aos deltas do Nilo, no Egito e de Mekong, no sudeste asiático.
Caminhando em direção às dunas do Feijão Bravo com nosso guia Estácio, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Eu acho que o grande culpado de toda esta polêmica é o maldito Domingos Jorge Velho, grande bandeirante paulista que assassinou milhares de índios e destruiu o Quilombo dos Palmares! Ele tinha que batizar o rio justamente com este nome? Somente a título de curiosidade, antes disso o rio possuiu vários outros nomes: Fam Quel Coous (Miler , 1519); Rio Grande (Luis Teixeira, 1574); Rio Grande dos Tapuios (Gabriel Soares Moreno, 1587); Paravaçu (Padre Antônio Vieira, 1650); Paraguas (Guillaume de L’isie, 1700); Param-Iba, (Dauville). (Fonte Wikipedia).
Canoas na Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Fato é, o delta é maravilhoso, não importa de onde se inicie o passeio, desde que possa explorá-lo por pelo menos 4 horas, entre braços de rio, dunas, lagoas e manguezais. Como estávamos já no Piauí, utilizamos como base a cidade de Parnaíba. Como era dia de semana, os grandes barcos que custam 50,00 por pessoa não estavam saindo. Tentamos contatar indicações de barqueiros e guias mais baratos para uma lancha rápida, porém não conseguimos retorno. Acabamos tendo que recorrer à uma agência de ecoturismo local para garantirmos o passeio. É aquela velha história, com dinheiro tudo se consegue. Fomos muito bem atendidos e o guia, Estácio era ótimo, só achei mesmo o preço (250,00) meio salgado. Só no final do dia foi que percebemos que ali, se quiser escapar dos esquemões turísticos, o negócio é arriscar e ir negociar direto no Porto dos Tatus, onde alguns barqueiros estão. Porém não será garantido que irá encontrar alguém disponível, mais barato e que lhe atenda com a atenção merecida.
Passeio de barco no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Estácio nos levou conhecer alguns dos principais lugares do Delta, explicando cada detalhe no caminho, as plantações de arroz, as aningas, plantas que margeiam o rio e eram utilizadas pelos índios para confecção de jangadas, etc.
Garça Azul no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
A primeira parada foi a Ilha das Canárias, onde almoçamos um peixe delicioso, às margens do rio. Seguimos por um pequeno igarapé onde costumam encontrar muitos jacarés.
Hora da siesta na Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Este igarapé é o caminho para um local conhecido como Feijão Bravo, sem dúvida um dos lugares mais lindos do passeio. Dunas maravilhosas fazem margem com o rio, mar, mangues e ainda guardam lagoas de água doce deliciosas!
Explorando as dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Os manguezais são impressionantemente altos, nunca havíamos visto um mangue tão grande. A espécie de mangue é o vermelho, segundo nosso guia, são manguezais antigos, com mais de 40 anos e por isso cresceram tanto.
Percorrendo igarapés por entre o mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
É na lama destes manguezais que são caçados os caranguejos-açú, os preferidos na culinária local. Esta época é proibida a sua caça, venda e consumo, pois estão em período de reprodução. Ainda assim vimos uma demonstração, sem mortes, da cata do caranguejo.
Carangueijo capturado no mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Estácio conseguiu encontrar um macho e uma fêmea, Rodrigo ainda se atolou na lama até o joelho para ver de perto, eu fiquei ali no barco mesmo.
Carangueijos do mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Sou guerreira, caminhadeira, valente, mas não me peçam para entrar no manguezal, morro de medo e tenho agonia daquela sensação. Argh!
Caminhando na lama de mangue no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Vimos diversos tipos de pássaros como o pica-pau, as garças brancas, pintada e azul. Pegamos o solzinho de final da tarde junto com as iguanas, lindas e exibidas sobre as árvores ribeirinhas. O pôr-do-sol visto do alto da duna, com o rio serpenteando à frente é sensacional! Ao final, nosso passeio que deveria durar em torno de 4 horas, “bateu o recorde de todos os passeios”, disse Estácio.
Pôr-do-sol no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Iguana no mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Tudo isso é muito lindo, mas sempre precisamos ter olhos ambientalmente responsáveis a monumentos naturais como este. O rio está assoreando, processo acelerado pela Usina Hidrelétrica de Boa Esperança, que já fez com que perdesse parte de sua navegabilidade. No delta vimos ainda alguns pontos em que as dunas são agentes naturais para o assoreamento e alteração de curso do rio. Além disso, encontramos em alguns trechos imensas quantidades de lixo jogadas às suas margens, seja pelos moradores ou ainda vindas com as enxurradas nas cheias dos rios.
Lixo na praia da Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
O trabalho de conscientização ambiental precisa ocorrer, não apenas nas populações ribeirinhas, como aos turistas, que desfrutam desta beleza e são parte importante na preservação e economia local.
Pescador no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Maior Delta das Américas, o Delta do Parnaíba, é fantástico! Nós conhecemos apenas um pedacinho dele, há muito mais o que ser estudado e explorado ali. Portanto vale sempre lembrar que além de aproveitar suas belezas, devemos também ajudar a preservá-lo.
Praia na Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Admirando a incrível paisagem do 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Começamos o dia com um revigorante café da manhã com iogurte, granola, pães, ovos, margarina e geléia de morango. Chá de coca para ajudar o organismo a acostumar com a altitude e boas histórias do nosso guia Oscar. Arrumamos as nossas malas e a estrutura é toda organizada por Tibúrcio e arrieiros.
Subindo o vale no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
O segundo dia de caminhada sobe lentamente pela Quebrada Santa Cruz, caminhamos às margens do rio com paisagens maravilhosas, passando pela imensa e majestosa Lagoa Jatuncocha. Cavalos praticamente selvagens e vacas são alguns dos animais comumente encontrados pelo caminho, assim como a ave lique-lique, territorial como o quero-quero, só que um pouco maior. Um vale verde e plano, ladeado por montanhas imensas. A caminhada contra o vento dá um pouco mais de frio e trabalho, mas é super prazerosa e relaxante.
Segundo dia de caminhada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Belíssima laguna no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
O pouco esforço que temos no segundo dia é num detour que nos leva às paisagens ainda mais impressionantes. Subimos lentamente em ziguezague os 200m de altitude para chegar ao mirante do Alpamayo. À frente já enxergamos o Nevado Paria (5.720m) e o pico super agudo do Artesonraju com 6.025m. Mas para enxergar o Alpamayo (5.947m) temos que desviar o caminho e subir um pouco mais. Neste caminho, ao lado direito está a montanha Rinrijirca – Rinri em quéchua quer dizer “orelha” e jirca é “alta”. A montanha tem umas escarpas laterais que lembram orelhas, por isso o nome, “cerro alto com orelhas” ou algo parecido.
Ponto de bifurcação no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Os cactus florescem a mais de 4 mil metros de altitude, no trekking de Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz - Peru
A vista do Almapayo é realmente fantástica, uma montanha imponente, que exige 8 dias de trekking em longo trecho de gelo e partes técnicas, para se chegar ao topo. Nós continuamos, pois o nosso principal objetivo ainda está à frente. Vamos até uma das lagoas mais lindas de toda a região, a Lagoa de Pucahirca a 4.440m de altitude. Esta lagoa é formada pelo degelo do Monte Pucahirca (5.810m) e tem um glacial que mais parece uma cachoeira de gelo, sendo despejada diretamente na lagoa. A água azul turquesa é inacreditável.
Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Descemos da lagoa felizes, pois agora o caminho é praticamente plano até o nosso segundo acampamento. O Taulipampa, fica a 4.250m, aos pés do Taulliraju (5.830m), uma das montanhas mais bonitas de todo o trekking! O seu formato lembra uma imensa catedral, toda ornamentada de rocha, nevados e glaciais, simplesmente maravilhosa!
Aproximando-se da montanha Alpamayo no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
O Rodrigo havia carregado com ele uma cerveja desde o último acampamento até aqui, para ter o prazer de chegar da caminhada, sentar e tomar uma cervejinha. Acho que valeu à pena depois de 15km de caminhada, ainda mais com esta vista sensacional!
O magnífico local do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
O jantar teve uma sopa de entrada, seguida de um macarrão com molho de tomate, queijo ralado e salada de frutas de sobremesa. Realmente um tratamento vip! Fechamos a noite brindando com um vinho que havíamos trazido na mochila, carregada carinhosamente pelas nossas amigas mulas.
Hora do jantar na barraca-restaurante do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Acho que nenhum de nossos colegas de trekking entendia como ficávamos tanto tempo conversando e dando risada dentro da barraca. Além de nos divertir, o vinho era tiro e queda para ajudar a dormir naquela altitude, à -5°C no desconforto das nossas barracas! Rsrsrs!
A maravilhosa cena das montanhas nevadas iluminadas pelo forte luar, no segundo acampamento do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Pátio em frente à igreja de Anchieta - ES
Estamos acompanhando de perto a corrida eleitoral, todas as notícias, dia a dia dos presidenciáveis, discursos, debates e escândalos. Lembro que logo que completei 16 anos a primeira coisa que quis fazer foi ir até o TRE tirar o meu título de eleitor. Votar sempre fez parte da minha noção de exercício de cidadania. Na escola em que eu estudava, adorava quando faziam simulações de eleições e plebiscitos, como em 1993, quando houve o plebiscito sobre a forma e o sistema de governo no Brasil, eu votei para o parlamentarismo! Em 1989 na eleição que elegeu o Collor, eu fazia campanha contra o Collor entre os meus amigos, mas não a favor do Lula... ali estava difícil achar em quem votar. Participar das decisões do país pelo menos faz eu me sentir no direito de reclamar e me indignar com as coisas que acontecem. Enfim, por que tudo isso no post de hoje? Confesso que fiquei meio cabisbaixa por hoje não poder participar desta decisão, ainda mais com um segundo turno tão apertado. Pesquisamos o voto em trânsito, mas tínhamos que, 1 mês antes, definir qual seria a capital onde iríamos votar. Aí ficou difícil, como o nosso cronograma varia de acordo com as previsões de tempo não tínhamos como prever exatamente onde estaríamos ou até fazer um “pequeno” detour para votar. Vamos combinar que não deveria ser complicado um sistema eletrônico receber votos por seção em qualquer lugar do país. Mas o sistema ainda não está tão evoluído para acompanhar o ritmo dos 1000dias. Fomos à Escola Tom e Jerry em Iriri para justificar o voto.
Justificando o voto na eleição 1o turno, em Iriri - ES
Uma pena, mais tarde acompanhando a apuração das urnas eu sempre me sentia ali um nada dentro daquelas abstenções tão importantes para virar o jogo! Foram 24.607.504 de abstenções, mais de 18% dos eleitores brasileiros que justificaram ou simplesmente não compareceram às urnas. Qual será o percentual destas abstenções que justificaram? O percentual de justificativas vem apenas crescendo e preocupa o TSE, pois vem crescendo gradativamente a cada eleição. Hoje com a tecnologia que temos este cenário pode e deve mudar, só falta saber quando!
A famosa muqueca do Curuca, em Meaípe - ES
Enfim, sem poder exercer os meus direitos e deveres civis, fomos afogar as mágoas em uma moqueca de peixe no Curuca, em Meaípe. Antes disso passamos pelo Santuário Anchieta, onde nasceu e morreu o famoso Padre Anchieta, um dos fundadores da cidade de São Paulo. Pedi perdão pela minha abstenção e para que ajudasse o Brasil a conseguir um segundo turno. Dali, seguimos para Ubú, praia tranqüila e muito bonita que fica no caminho de Meaípe.
Praia deserta, em Ubu - ES
Afogadas as mágoas, sem nem poder tomar uma caipirinha para esquecer, (droga de lei seca) nós pegamos estrada para o interior do estado. Esta noite dormimos em Ibitirama, portal de entrada para o Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça e um dos acessos ao Pico da Bandeira, nosso próximo desafio.
Essas tranquilas águas estão prestes a despencar por 200 metros! (em Prudentópolis - PR)
O Salto São Francisco fica há 50 km de Prudentópolis. A mãe de todas as cachoeiras, o salto está localizado dentro de uma unidade de preservação e possui uma infra-estrutura básica de recepção turística, guarda-parque, banheiros e trilhas bem sinalizadas.
Montanhas no entorno do Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR
A trilha principal circunda o paredão lateral direito do cânion, com vistas espetaculares do relevo montanhoso da região. Neste caminho passamos por uma mata úmida, alimentada pelo spray da cachoeira de mais de 200m de altura! Encontramos bromélias, orquídeas, liquens e musgos, mesclados à araucárias e uma rica fauna explicada em placas informativas ao longo da trilha.
O belíssimo Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR
São três principais mirantes, sendo o terceiro já sobre a queda com a vista frontal do vale, lindíssimo! À beira do paredão percebemos em alguns pontos que houve alguma atividade mais aventureira. Preciso confirmar a informação, mas alguns amigos de Curitiba estariam se preparando para um rapel neste próximo final de semana aqui neste salto! 200m de rapel, animal!
Tudo por uma boa foto! (no Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR)
Adiante encontra-se a Cachoeira do Caçador, um ponto de descanso e meditação em meio à natureza. Ótima parada para nos despedirmos das cachoeiras gigantes de Prudentópolis, rumo à terra de um dos maiores conjuntos de cachoeiras do mundo, as Cataratas do Iguaçú.
Os 200 metros de queda do Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR
Foram quase 5 horas de viagem, quando chegamos já estava escuro. No caminho descobri através de um amigo que a rede hoteleira de Foz do Iguaçú estava lotada! Apelei para o nosso guia de viagens e realmente, a maioria não tinha vagas. Férias escolares de julho em um dos principais turísticos nacionais, não deveria ser diferente. Ligando de hotel em hotel acabamos descobrindo um no centro, prédio mais antigo, mas bem razoável. Instalados, amanhã será o dia de nos aventurarmos pela fronteira Paraguaia!
À caminho do Salto São Francisco, que aparece ao fundo (em Prudentópolis - PR)
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
Mais um dia de muita estrada. Hoje rodamos em torno de 700km de estrada entre Iquique, no Chile e Arequipa, no Peru. Nos despedimos da cidade praiana britânica do alto do mirador do parapente, onde já ficamos meio depressivos por não poder ficar mais um pouco e saltar. Fazer o que, não podemos ter tudo! Rsrs!
Parapente nos céus de Iquique, no norte do Chile
O dia era longo e ainda incluía os trâmites burocráticos fronteiriços, que nunca sabemos quanto tempo pode levar. Logo depois de Arica encontramos o complexo fronteiriço, subimos em um refeitório meio improvisado que vendia os formulários para entrarmos no Perú. É estranho mesmo, mas é assim que funciona. 8 vias de um dos formulários preenchidos, mais 2 de outro e logo estávamos chegando ao Peru.
Chegando ao Peru!
Ali demorou um pouco mais, os oficiais de aduana estão acostumados com carros chilenos que vem de Arica até Tacna, se o carro vai além desta cidade e por um período maior, eles precisam emitir um documento especial. Aí o sistema caiu, a impressora não funcionava... mas tudo bem, assim acabamos ganhando uma aula sobre a atual conjuntura política do país. Resumindo, ela não votou no Ollanta, ele é mais esquerdista e populista, porém para se eleger acabou abrandando sua sede comuna, mas está amarrado pois não tem a maioria no congresso. Parte dessa história a gente já conhece, vamos ver qual rumo ela irá tomar aqui. “É tudo muito novo, vamos ver se este novo presidente vai dar conta do recado”, diz ela.
Exibir mapa ampliado
Atravessamos a cidade de Tacna e logo tivemos uma das maiores surpresas do dia. Começou a agora o período das lomas, quando a umidade chega ao deserto e ele fica completamente florido! Lindíssimo!
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
Seguimos a Panamericana Sur, apreciando o monocromático litoral do pacífico, até adentrarmos a região de Arequipa. Chegamos à cidade já era noite, estávamos cansados e completamente esfomeados. Depois de instalados no nosso Hostal Torres de Ugarte (um xuxuzinho e bem localizado), pedimos uma dica de um lugarzinho para comer, ali perto mesmo, algo gostoso e simples. A dona (e/ou gerente) do hostal nos indicou um restaurante chamado El Paladar, uma quadra dali. Mal sabíamos a surpresa que nos aguardava! Um restaurante bacanérrimo! Estávamos tão sem forças e ao mesmo tempo tão precisados que acabamos decidindo nos dar a este luxo e provar o que a alta gastronomia peruana tinha a nos mostrar. O meu prato foi uma Alpaca a La Parilla com risoto de quinoa à piamontese, acompanhando salada. Divino! O Ro quis a mesma carne mas com um acompanhamento de purê de batatas fúcsia (magenta, cor-de-rosa). Sabe Deus o que dava essa cor ao purê, mas ele adorou! Acompanhando tudo isso, o Enzo, nosso garçom somelier nos indicou um vinho chileno da uva Sauvignon Franc de tomar ajoelhados! Essa surpresa mudou completamente nosso humor e o ânimo de chegada à uma das maiores e mais belas cidades peruanas. Bem vindos à Arequipa!
Formação do Porta-retrato, na caverna Santana, no PETAR
Sempre adorei cavernas, um ambiente vivo, onde conseguimos enxergar a natureza, durante eras geológicas, trabalhando intensamente e com uma criatividade inigualável. As cavernas são como uma viagem no tempo. É fácil perceber em cada estalagmite e cada estalactite os milhões de anos que elas levaram para se formar e, portanto, os milhões de anos que aquela caverna existe nas mesmas Condições Normais de Temperatura e Pressão. Como somos pequenos, nossos parcos 100 anos de ótima expectativa de vida não são nada se comparados com a idade destas formações. 100 anos não seriam suficientes para formar 1cm dessas estalactites!
Entrada da caverna Água Suja, no PETAR
Ana e Edson na bela Figueira na trilha para a caverna Água Suja
Começamos o dia na Caverna Água Suja, uma caverna de mais ou menos 800m de trilha turística e mais uns 2km de túneis que só podem ser acessados pelos pesquisadores, geólogos e espeleólogos. Andando por dentro do rio por uns 40 minutos e chegamos ao final dela em uma cachoeira. Banho de cachoeira já é demais, dentro de uma caverna então? É maravilhoso! Dentre colunas, travertinos e salões imensos eu tentava relembrar a minha primeira visita a esta caverna. Na minha memória tinham também uma clarabóia e uma sala grande de travertinos que não encontramos... Mas aqui, posso ter certeza que o problema é a minha memória, pois a caverna está ali a milênios do mesmo jeito, nas mesmas CNTPs.
Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR
Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR
A segunda caverna que visitamos foi a Santana. A caverna de mais fácil acesso no parque, uma trilha de apenas 10 minutos leva a sua entrada. Antes havia uma grade, um portão de ferro com cadeados fechando a entrada. Justamente por ser muito fácil o acesso várias pessoas entravam sem guia e além de quebrar os espeleotemas acabavam se perdendo lá dentro. São mais de 10km de túneis e salões, subindo e descendo em vários andares de cavernas e com as formações mais impressionantes.
Formação dentro da caverna Santana, no PETAR
A Santana é uma das cavernas mais adornadas da região, onde você olha encontra uma forma diferente: a pata do elefante, o bolo da noiva, o cavalo, a serpente e até por isso um dos salões foi apelidado de forma sugestiva, o Salão da Fafá, por que será? Rs.
Formação Fafá de Belém, dentro da caverna Santana, no PETAR
Quando chegamos no salão do encontro fizemos um black out, tradição nas visitas a cavernas, ali você entende realmente o que é a ausência total de luz. Ficamos imaginando como faríamos para sair da caverna nessa situação, andar por um labirinto que a qualquer momento acaba em um abismo com 20m de altura ou mais, sem luz alguma? Deus me livre! Com certeza o Edson, nosso guia, teria muito mais chances de escapar dessa do que nós.
Grandes colunas, na caverna Santana, no PETAR
Atravessando o rio, no caminho de volta da caverna Água Suja, no PETAR
Seguimos para a Lambari, uma caverna molhada. Andamos a maior parte da trilha por dentro do rio, chegamos a ficar com água até o pescoço! Atravessamos da Lambari de Baixo até a Lambari de Cima, com aquela água gelada de trincar os dentes! Saímos dela já eram mais de 17h e logo começou a chover, acabamos desistindo do bóia-cross. Já tivemos água gelada suficiente hoje. Para terminar bem o dia, o Edson me salvou de pisar em uma Jararaca, cobrinha básica de 1,5m que estava passando no descampado.
Enfrentando a água fria da caverna Lambari, no PETAR
Jararaca, na trilha da caverna Lambari, no PETAR
Uma das vantagens de estar no PETAR durante um período chuvoso e frio como este é que chova ou faça sol, dentro das cavernas sempre encontraremos as mesmas condições normais de temperatura e pressão. Nas aulas de química e física o conceito de CNTP é apenas teórico, aqui você o vê na prática, ou seja, as cavernas estão com aquela mesma água gelada e aquele mesmo friozinho úmido. Mas também veremos as mesmas formações, esculturas naturais, cores e paisagens, pode ter certeza que estarão lá, sempre esperando por você.
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