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Letícia Oliveira (31/03)
Oi Ana!!! Que lugar maravilhoso! Deve dar uma paz enorme só de olhar ess...
Tatiana de Queiroz (31/03)
Belo post, Ana. Cada dia que passa me convenso de que o amor é cola de t...
Paulinha Ribas (30/03)
ai amiga... me emocionei com este post! eu espero que vcs sigam com este...
Peter (29/03)
Great meeting you two in Spyside, Tobago on Saturday 26th. Flying Manta a...
lalau (28/03)
enquanto eu ia lendo e vendo as fotos, pensava mesmo em comentar a semelh...
Playa Frontón, o melhor segredo da península de Samaná, litoral norte da República Dominicana
Para quem nunca ouviu falar da República Dominicana, este é um país localizado na ilha de Hispaniola no Caribe, mais conhecida como o lugar onde fica a praia e os Resorts All Inclusive de Punta Cana. Sim, Punta Cana não está em uma ilha perdida no meio do Caribe, ela faz parte de um dos maiores países caribenhos com uma história e cultura riquíssimas, montanhas, cavernas secas e inundadas e inclusive praias ainda mais bonitas do que aquela dos resorts.
Vista do alto do Pico Duarte, na República Dominicana
A ilha de Hispaniola é uma das duas ilhas do Caribe dividida por dois diferentes países: a República Dominicana e o Haiti. Nós programamos 20 dias na ilha e dividimos nosso tempo entre ambos, mas 20 dias foram poucos para ver tudo! Confesso a vocês que na nossa correria habitual não tivemos tempo de preparar este roteiro, chegamos lá com uma ideia do que gostaríamos de conhecer, mas foi assuntando com os locais que fechamos os detalhes e o roteiro final.
Roteiro na Rep. Dominicana e Haiti, clique para ver o mapa ampliado
Nosso roteiro começou pela capital Santo Domingo, a primeira cidade das Américas ainda existente. Não sei se vocês lembram ou sabem disso, mas, depois de gritar “Terra à vista!”, foi nesta ilha que os espanhóis desembarcaram pela primeira vez no continente americano. A cidade tem edifícios coloniais belíssimos na charmosa Zona Colonial, dentre os vários “primeiros” do país estão a primeira casa onde viveu Cristóvão Colombo nas Américas e a primeira Catedral do continente.
As pombas não parecem se importar muito com o imponente Colombo, na Zona Colonial de Santo Domingo, capital da República Dominicana
A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana
Santo Domingo é o hub para todo o transporte rodoviário da ilha, daqui saem os ônibus para Punta Cana, Santiago, segunda maior cidade do país, e ao Haiti. Nossa curiosidade e ansiedade de chegar neste país não nos deixou esperar nem mais um dia! Após explorações e um mergulho nos arredores de Santo Domingo, nos mandamos para a controversa capital haitiana, a cidade de Port-au-Prince. “O que vocês vão fazer lá?”, escutávamos de todos os lados. “É perigoso, é feio, não tem nada para fazer e ver no Haiti!” e nós apenas respondíamos, ok, queremos ver isso com os nossos olhos. Programamos 7 noites e 8 dias no Haiti e, mesmo sem falar creole e nem francês, se pudesse mudaria tudo para ficar mais tempo no país. Não se preocupe, detalharei tudo nos próximos posts!
Detalhes de haitianos no mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti
Voltando à República Dominicana, entramos pelo norte do país, utilizando a simpática cidade de montanha de Jarabacoa como base. Dela partimos para um trekking de 2 dias até o cume do Pico Duarte (3.086m), ponto mais alto do Caribe. Além da montanha a região possui lindas cachoeiras, raftings, parapente e uma infinidade de atividades em meio à natureza. Lá mesmo alugamos um carro e rumamos ao norte para conhecer as mais lindas praias do país.
Mulas descansam na área do refúgio do Pico Duarte, na República Dominicana
Exploramos a costa de carro em um dia, apressadíssimos para chegar no que seria a cereja do bolo, a Península de Samaná. Foram dois dias e duas noites que desbancaram qualquer mordomia que um hotel all inclusive possa dar até ao mais preguiçoso dos turistas. Na boa, quem veio à Punta Cana e não dirigiu mais 3 horinhas para chegar até aqui não sabe o que perdeu.
As incríveis cores da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana
Voltamos a Jarabacoa e Santo Domingo, de onde pegamos um ônibus para conhecer, afinal, a tão afamada Punta Cana. Tínhamos que ir até lá conferir, mesmo sabendo que não era muito a nossa praia. Não pagamos a tarifa mais barata que achamos e mesmo assim caímos em um dos dos hotéis mais pops, o Bávaro Dominican Beach. Pense em alguém que queria morrer... EU! Sinceramente, eu não nasci para isso não... se é para ficar preso em um hotel all inclusive, que seja um 5 estrelas, bem chique! Não pode bancar um 5 estrelas, como nós? Então invista direito estes dólares e encontre melhores restaurantes, praias e paisagens mais paradisíacas, entre em contato com a cultura local e seja feliz sem regras estúpidas, bebidas talibãs e buffets pasteurizados.
Chegando ao litoral na costa norte da República Dominicana
Depois deste breve “rolé” pela ilha de Hispaniola fechamos, nos 1000dias, todos os países do Caribe. Estas Ilhas-países são um pedacinho da África no continente americano, com o seu melhor e o seu pior. Pobreza, corrupção, distorções e contrastes sociais, que nos deixam tão embasbacados quanto a criatividade e a alegria do seu povo, a qualidade da sua música, seus vulcões, mergulhos e a beleza de suas praias. Caribe, agora que já te conheço só posso dizer que quero voltar e será logo!
A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti
A cor impressionante do mar no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
Bonaire não é um paraíso apenas para mergulhadores. Aqueles que não mergulham, mas que curtem um clima tranquilo, belezas naturais, mar de águas azuis e cálidas, não irá se arrepender!
A costa entrecortada no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
Tiramos um dia para conhecer as belezas naturais que a ilha tem em cima d´água e rumamos o norte da ilha, próximo à cidade de Rincon, onde está localizado o Parque Nacional Washington Slagbaai. Uma antiga fazenda com produção de sal, aloe vera, divi divi, uma árvore nativa e criação de cabras para exportação à Curaçao e Europa. Durante anos e anos a família Herrera trabalhou nesta fazenda, até que seu último dono, apaixonado pela terra onde cresceu e trabalhou a vida toda, decidiu negociá-la com o governo para que se tornasse um parque nacional. Boy Herrera ficou doente e morreu em 1967, em 1969 o parque nacional abria suas portas para o turismo, sendo o primeiro santuário natural das Antilhas Holandesas.
Formação rochosa no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
O parque possui uma boa infra-estrutura para os padrões da ilha. Os mergulhadores que já pagaram a taxa ambiental devem trazer o seu comprovante de pagamento e documento com foto que são isentos de pagar a entrada. Seu museu tem muitas informações sobre a história da fazenda e da criação do parque, assim como das espécies nativas da ilha. São dezenas de espécies de lagartos coloridos, iguanas e pássaros, sem contar com as espécies domesticadas introduzidas, como a cabra, o burro, etc. A flora é formada principalmente por cactáceos, algumas árvores e plantas rasteiras mais espinhentas, devido ao solo seco e a quantidade de chuva de 532mm anuais.
Lagartos coloridos, muito comuns no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
A única forma de visitar o parque é de carro e existem duas principais rotas para visitação, a trilha curta e a longa. A longa leva em torno de 2 a 3 horas parando para tirar foto nas principais atrações do parque. A rota mais curta leva em torno de uma hora e nem vale muito a pena, pois como é uma rota interna se perde a maioria das atrações.
Observando o mar no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
A primeira parada é na Boka Chikitu, formações coralíneas que hoje fazem parte da costa, formam lindos splashes de água no encontro com as águas mais agitadas do mar de fora. É fácil reconhecer durante este passeio parte da história geológica da ilha, que possui formação vulcânica e afloração de rochas coralíneas até nas partes mais altas. O Seru Grandi é prova disso, um paredão de pedras com cavernas e colorações das diferentes fases geológicas da ilha.
As diferentes camadas nas encostas mostra que o mar já esteve bem mais alto no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
Passamos no farol para uma vista do alto, a vista não era tão aberta e o farol está meio abandonado, mas ali a atração foi a iguana que encontramos no estacionamento. Diferente da maioria de sua espécie, ao invés de fugir ela caminhou em nossa direção, provavelmente procurando por comida. Muito simpática, mas não ganhou nem uma folhinha.
As iguanas também são muito comuns no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
Continuamos o nosso caminho entre cactos e cerros em uma paisagem realmente diferente das que estávamos acostumados em terras, ou águas, caribenhas. Viramos a ponta norte para a costa oeste da ilha, já no mar de dentro. A paisagem muda das bokas com splashes imensos de água, para o mar tranquilo e azul perfeito para mergulho. No parque estão localizados 7 pontos de mergulho, nós infelizmente não tivemos tempo para conhecê-los. Vizinho ao Boka Katuna, um dos pontos está a Saliña Bartol, um lago salgado de águas avermelhadas devido aos crustáceos ricos em beta caroteno que vivem ali. É nestas salinas que podemos encontrar o pássaro símbolo da ilha de Boneiru, os flamingos.
Flamingos se alimentam em lago do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
Eles são tão graciosos, passam o dia ali, com suas longas patas enfiadas no lodo e cabeças submersas na água, buscando o pobre crustáceo. Ele é o responsável pela coloração das suas penas, assim como a de seus primos que vivem lá na Laguna Colorada nos altiplanos bolivianos. Adorei encontrá-los aqui! Meio maluco imaginar como podem se adaptar a 4 mil m de altitude e -20°C e ter parentes tão próximos vivendo nos 30°C em pleno Caribe!
Flamingos se alimentam em lago do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
Passamos por uma pequena Praia Wayaká, uma curta faixa de areia em frente aos pontos de mergulho e um dos melhores para snorkell. O pessoal aqui da ilha gosta de vir aqui no final de semana para um piquenique.
Pequena praia no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
Nosso passeio terminou no restaurante perto da Boka Slaagbai, o único dentro do parque. De um lado, uma lagoa salgada com diversos flamingos, garças e pelicanos. De outro um mar azul turquesa inacreditável!
Paisagem do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire
É, sem dúvida alguma Bonaire tem muito a oferecer para os aventureiros e turistas que preferem terra ao mar.
A bonita costa norte de Bonaire, no Parque Nacional Washington-Slagbai
Visita ao casal do Brasil Cristalino na Cidade do Panamá
Final de tarde e chegamos à Marina La Playita, no bairro de Amador. Esta região foi aterrada no período em que os norte-americanos administravam o Canal do Panamá, para fazer a ligação do continente com as três ilhas mais próximas. Hoje é uma área de grandes hotéis e marinas, com um lindo passeio para caminhadas, corridas e pescarias.
A Ana ajuda a preparar sushis à bordo do Brasil Cristalino, da Lilian e do Eduardo, na Cidade do Panamá
Buscávamos o Barco Brasil Cristalino e os nossos amigos Lilian e Eduardo. Fomos apresentados pela internet através de um primo do Rodrigo e a paixão por viajar logo nos uniu. Depois de uma longa espera, finalmente chegamos ao Panamá e pudemos conhecer-los!
Com a Lilian e o Eduardo no barco e "casa" deles na Cidade do Panamá
Lilian e Eduardo começaram o projeto Brasil Cristalino há um ano, bem pelo menos esta etapa da viagem. A primeira etapa foi pelo Brasil, mas esta foi apenas o aperitivo. Gostaram tanto que quando retornaram já faziam os planos de um roteiro mais ambicioso: viajar toda a América Latina de carro. Entretanto o projeto deles tem um toque especial, como praticantes da pesca-submarina esportiva, estão sempre em busca do melhores lugares para praticar este esporte. Por isso o Panamá sempre teve um lugar especial no seu planejamento. Chegando aqui, depois de passarem por alguns perrengues nas mãos de outros barqueiros, capitães e guias de pesca, decidiram que tomariam as rédeas da situação e mudariam o seu estilo de viagem: compraram um barco e agora estão aproveitando o melhor dos dois maiores oceanos do mundo! Já cruzaram o Canal do Panamá duas vezes, exploraram toda a região, passando pelo Arquipélago de San Blás, no lado do Atlântico, Las Perlas e Coiba no lado do Pacífico. Você também curte pesca-sub!?! Não deixe de visitar o site e o facebook do Brasil Cristalino e conferir os vídeos emocionantes que eles postal lá! A paixão é tanta que agora eles passaram a organizar charters de pesca-submarina na costa do Panamá!
Com o Eduardo durante delicioso jantar à bordo do barco Brasil Cristalino, na Cidade do Panamá
Nós amamos o mar, mas não entendemos nada de pesca e muito menos de barco. Eduardo e Lilian nos deram uma aula sobre o tema, trocamos experiências e histórias incríveis de um universo novo para o casal aqui. Meu pai já praticou pesca-sub, mas eu nunca tive coragem de atirar nos bichinhos. Acho que se dependesse de mim, ou era na vara, ou acabava virando vegana!
">Ritual de preparação de sushi. Passo 1: Esticar as folhas de alga (Cidade do Panamá)
Ritual de preparação de sushi. Passo 2: Cobrir a alga com arroz e deixar ele bem amassado (Cidade do Panamá)
Dentre os aprendizados da noite, destacou-se o curso rápido de culinária japonesa com a Lilian. De uma forma super natural, ela fez esta arte culinária parecer fácil! O fruto da última pescaria foi a corvina, cortada em pedacinhos e salteada rapidamente na chapa para os sushis. Arroz com vinagre especial, espalhado sobre a alga de sushi e em dois minutos o nosso primeiro rolo estava pronto! Fomos preparando enquanto conversávamos, aprendendo enquanto nos divertíamos e quando vi eu já estava fazendo os meus primeiros sushis sozinha! Valeu professora Lilian!
">Ritual de preparação de sushi. Passo 3: Colocar o recheio de peixe, shitake e cream cheese bem no meio da alga com arroz (Cidade do Panamá)
Ritual de preparação de sushi. Passo 4: Depois de enrolar a folha de alga com arroz amassado ao redor do recheio, cortar tudo bem fininho. Pronto! Já temos suhis deliciosos! (Cidade do Panamá)
Aqui eu me deparei com outra realidade. Nós nessa pressa desgraçada para viajar todos os países da América em 1000dias. Lilian e Eduardo, sem pressa alguma, curtindo a sua paixão pela pesca em um dos melhores lugares que poderiam estar e sem obrigatoriedade de chegar a lugar algum! Eles têm um período previsto para a viagem, mas até lá eles estão vivendo. Objetivos diferentes, uma forma de conhecer e curtir também diferente. Impossível não parar para pensar... Mas no final a minha sede por conhecer cada canto desse mundo fala mais alto e nos mostra que estamos no caminho certo. Pelo menos para nós.
Junto com o simpaticíssimo casal do Brasil Cristalino, a Lilian e o Eduardo, comendo sushis pescados e preparados por eles, à bordo da "casa" deles na Cidade do Panamá
Morrito Royale, na praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
Quando contamos para qualquer pessoa sobre a nossa viagem, seja um hippie, seja um americano super saudável financeiramente tirando férias no Caribe, nós ouvimos a seguinte pergunta: “Vocês são ricos?” Nós adoraríamos (ser ricos), mas (infelizmente) não é o caso. Simplesmente temos outras prioridades. Alguns querem ter um bom apartamento todo equipado, dois bons carros, uma viagem de 30 dias por ano para algum lugar no mundo e o principal, segurança. Nós optamos por ter apenas a parte da viagem (estendida, ok!), o resto iremos nos preocupar depois.
Feliz da vida em Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe
O Caribe é um destino caro, sem dúvida, mas existem diferentes maneiras de se explorar um lugar como este. Os que chegam aqui com seus magníficos veleiros e iates não tem com o que se preocupar, dormem no barco, muitas vezes cozinham no barco e acabam gastando menos do que imaginamos. Os europeus e americanos que chegam nos vôos diários da Europa e Estados Unidos normalmente já estão com seus hotéis “all inclusive” pagos, carros alugados e o que menos se preocupam é com dinheiro. Sejam euros ou dólares, a cada praia que passam estão comendo do bom e do melhor e se esbaldando em suas champagnes.
Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe
Viajantes como nós são raros por aqui, mas os roots também têm espaço. Encontrar restaurantes mais baratos não é uma missão impossível. Movimentar-se pela ilha sem ter que alugar um carro, moto ou táxi, muito menos. Saint Martin possui um sistema de transporte parecido com o que encontramos em Tobago, vans que percorrem as principais rotas e funcionam como lotações. Elas podem ser paradas a qualquer momento, tanto para subir, quanto para descer e irão custar de 1 a 2 dólares dependendo da distância percorrida. Decidimos que não iríamos gastar com aluguel de carro enquanto pudéssemos usar o transporte coletivo. Assim ajudamos o meio ambiente, o nosso bolso e a nossa saúde. Andamos alguns quarteirões até o ponto de ônibus e subimos na nossa condução.
Totalmente Caribe! (praia de Grand Case, em Saint Martin)
Grand Case foi a nossa primeira parada. Conhecida por ser a capital gastronômica do Caribe, esta praia oferece milhares de opções de restaurantes, bares e cafés à beira mar. Alguns hotéis e guest houses também estão disponíveis, uma boa opção para quem quer ter a praia à apenas 2 minutos do hotel. Águas calmas e transparentes, praia vazia, clima perfeito neste finalzinho da alta temporada.
Praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
Não foi a toa que escolhemos esta praia, hora do almoço, queríamos provar da sua afamada cozinha. Rodrigo foi logo nos nachos calientes, ousado para o calor que estava fazendo. Eu fui no básico, assortment de fromage com salada verde e para beber um suco de maçã. Depois do almoço não resisti ao drink especial da casa, Mojito Royale, que é preparado como o mojito, porém com champagne. Hummm! Très Bon!
Almoço em Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
Orient Beach é considerada uma das mais belas praias do lado francês, com suas areias brancas e águas azuis. Foi justamente isso que a tornou uma das praias mais badaladas de Saint Martin. Beach clubs, hotéis e grandes restaurantes à beira mar agitam a praia, oferecendo passeios aquáticos, para-sailing e toda a infra-estrutura necessária. Caminhamos apenas 5 minutos da rodovia até a praia. É uma vizinhança bacana, como um condomínio fechado, porém com acesso liberado a qualquer transeunte. Suas areias brancas e águas azuis realmente impressionam, mas a praia lotada infelizmente perde um pouco do seu encanto. Ah, um detalhe interessante, o top less ainda anda em alta dentre os franceses, é super comum por estas bandas.
Orient Beach movimentada, em Saint Martin, no Caribe
O final do dia foi no mínimo refrescante, uma bela chuva nos pegou no caminho para o busão e como não existe ponto, ficamos encharcados até ele aparecer. 2 dólares depois estávamos em Marigot, caminhando (na chuva) novamente para a nossa pousada. Outra boa dica para quem não quer gastar em restaurantes caros todas as noites: no caminho pra o hotel paramos no mini-mercado para comprar nosso jantar, um sanduíche integral com queijo, suco e barra de cereal. Ideal para mantemos o corpo e o bolso saudáveis.
Esquema diretoria, na praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
O fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO
São Félix do Tocantins, mais conhecido como São Félix do Jalapão, é apenas uma passagem para a maioria dos turistas que vem de Palmas para Mateiros. Porém essa cidadezinha também tem seus atrativos turísticos. Chegamos no final da tarde, após a epopéia descrita no post anterior, tudo o que precisávamos era de um banho, uma bebida gelada e comida. Nos instalamos na Pousada Capim Dourado, dica do nosso amigo e leitor Luis.
Nossa pousada em São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
As coisas estavam meio confusas ali, pois a Antonia teve que sair para cuidar do marido que tinha acabado de se acidentar de moto. Tomamos um banho rápido e cruzamos a rua para a pracinha onde Greycieni tem uma lanchonete e pizzaria. Sua irmã Luiza estava tomando conta e preparou para nós um misto quente e um pastel de carne, nem preciso dizer que estavam deliciosos, com a fome que eu estava! Rsrsrs! Brindamos o nosso feito com uma merecida cerveja gelada! Demos uma assuntada e não perdemos tempo, fomos aproveitar o fim de tarde para receber a nossa merecida recompensa: conhecer as maravilhas deste Jalapão!
Transporte por burros, ainda muito comum em em São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
Fervedouros são relativamente comuns por aqui, mas eu nunca tinha ouvido falar. O Rodrigo tentou me explicar o que era. Uma nascente de água que você vê a água brotando da areia, pode se banhar e não consegue afundar. Eu já havia visto algumas nascentes em Bonito – MS, mas não tentei ficar pulando em cima dela para afundar. Chegamos ao Fervedouro do Alecrim, pertinho da cidade, na mesma direção da Prainha. Um lago com um fundo de areia branca em torno de um bananal, o povo costuma plantar banana nessas áreas mais encharcadas e de água morna.
Nadando no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO
O Rodrigo entrou e ficou esperando a minha reação. Água transparente, caminhei para o centro do lago, onde vemos o chão de areia e logo o pé afundou e não achei o fundo! O pé afunda na areia, uma espécie de areia movediça, mas ainda menos densa. Dá uma agonia no começo medo de enfiar o pé lá, sabe lá o que tem no fundo! Aos poucos fui tomando coragem e logo já estava enfiando a mão e a cabeça para tentar afundar. É muito engraçado, uma experiência completamente estranha para os nossos sentidos. Olhamos um fundo e não conseguimos pisar nele, pegamos na areia e não conseguimos senti-la. Tentamos e não conseguimos afundar, esse negócio mexe com a nossa lógica, muito doido!
Tentando afundar no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO
Dali seguimos para a prainha, nas margens de um rio próximo ao Alecrim, já no caminho de volta para São Félix. A praia já tem iluminação e tudo, mas estava apagada hoje, vazia, só eu e o Rodrigo. Demos um tchibum gostoso, lavamos a alma e fugimos das muriçocas do fim da tarde.
A prainha, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO
Antonia voltou à pousada e preparou uma comidinha caseira para nós, os esfomeados que não viam a cor de um bom prato há uns dois dias. Rsrsrs! Depois disso fui até a lanchonete e fiquei conversando com Wesley e Fernanda, que trabalham na Secretaria do Meio Ambiente em Palmas e estão aqui a trabalho. Conheci também Greycieni, super envolvida nos assuntos da comunidade e do desenvolvimento turístico da cidade. Ela foi até a Chapada Diamantina, referência de ecoturismo no Brasil, para aprender mais sobre infra-estrutura, serviços e atendimento turístico a convite do Governo Federal. São Félix ainda está começando mas tem um futuro promissor! Mais um cantinho bacana desse Brasilzão.
Divertindo-se no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO
Vista da pequena vila de Humahuaca - Argentina
O início da ocupação Espanhola nas Américas se deu através de uma lógica bem simples: ouro e prata. A região sul da Bolívia foi a região mais populada da América Espanhola no início do século XVI, devido as minas de prata de Potosí.
O vistoso monumento ao povo indígena, em Humahuaca - Argentina
Foi nesta época que começou a colonização do norte da Argentina, por muito tempo a região mais importante deste território. Ali viviam populações indígenas pré-colombianas que já utilizavam técnicas de irrigação agrícola, herdadas da civilização pré inca, os Tiahanaco. As temperaturas mais amenas e a geografia fizeram com que esta região se tornasse a fornecedora de alimentos, algodão e outros bens de consumo necessários na região do Alto Perú, hoje Bolívia.
Venda de artesanato em Humahuaca - Argentina
Descendo do altiplano boliviano, encontramos as “quebradas”, vales imensos formados pelo degelo de antigos glaciares. Hoje, estas quebradas formam paisagens mais áridas, com montanhas multicoloridas e uma vegetação espinhosa, predominando o cactos Cardón, já utilizado pelos nativos há milhares de anos para a construção de casas e móveis. A Quebrada de Humahuaca abrange grande parte da extensão do vale do Rio Grande, desde o vilarejo de Humahuaca até a cidade de Pumamarca, passando por Tilcara e Maimará.
Montanhas coloridas em estrada que atravessa a Quebrada de Humahuaca - Argentina
Humahuaca é um daqueles vilarejos que parecem ter parado no tempo. Ruas de terra ou paralelepípedo, casas de adobe e a praça central formam o pequeno povoado. Um monumento em homenagem à Guerra da Independência nos lembra que a cidade foi cenário de várias de suas batalhas. As tropas reais desciam da Bolívia para a Argentina pela quebrada e utilizavam como pouso uma paragem conhecida como La Posta de Hornillos, alguns quilômetros ao sul. Hoje este pouso se tornou um museu, que conta a história dos que ali ficaram hospedados.
Visitando a "La Posta de Hornillos", na Quebrada de Humahuaca - Argentina
As cidades de Tilcara e Purmamarca possuem a maior infra-estrutura turística, restaurantes, cafés e várias pousadas charmosas cercadas por montanhas que variam nos tons terracota, de do amarelo ao vermelho, destacando-se a montanha de Maimará conhecida como “La Paleta del Pintor”.
Montanhas coloridas em estrada que atravessa a Quebrada de Humahuaca - Argentina
Esta região também atrai muitos turistas e curiosos sobre a cultura e as crenças dos Povos Andinos. A beleza cênica e sensação de integração com a natureza faz com que a Quebrada de Humamuaca possua uma vibração energética especial. Tivemos a sorte de ver e participar da Cerimônia à Pachamama, que até mereceu um post à parte. O norte argentino ainda nos reserva muitas surpresas.
Bandeira argentina tremulha em "La Posta de Hornillos", na Quebrada de Humahuaca - Argentina
Na orla do rio Amazonas, em Macapá - AP
Um dia planejado para viagem à Oiapoque, acabou virando um dia de revisão de planejamentos. Ainda sem retorno do consulado francês e com vários afazeres para o site e organização do carro, acabamos decidindo dar tempo ao tempo para ver se as coisas se revolviam. Tiramos o dia para nos empenhar em encerrar as pendências e dedicá-lo a novas pesquisas e planejamento. A etapa caribenha da viagem é a preocupação do momento, já que não iremos deixar o carro em Georgetown, na Guiana Inglesa, qual pode ser o nosso novo hub para os vôos às ilhas do Caribe Sul, onde teremos segurança para estacionar a Fiona?
Observando a orla em Macapá - AP
República Dominicana, Barbados, Sait Marteen e Saint Martin, Saba, St Kits and Neves, Anguila, St Bartholomeu, Antigua e Barbuda... enfim, vários países minúsculos no Caribe que tem que se encaixar em nosso bolso e nosso tempo. Tudo isso parecia resolvido partindo de Georgetown, mas a nossa segurança e a da Fiona estão em primeiro lugar. O Rodrigo estudou como novo hub o Suriname, Colômbia e até Barbados e Trinidad e Tobago, como ilhas maiores e estrategicamente posicionadas. Já temos novas opções de vôo, mas nenhuma delas ainda parece a solução ideal. Com tudo isso em mente, resolvemos sair para arejar, para um almoço tardio lá na orla do Rio Amazonas.
Kite surfing no Rio Amazonas, em Macapá - AP
Finalmente provamos o tal tucunaré na manteiga, frito inteiro, com cabeça, rabo, espinha e tudo. É gostoso, mas acho que esses peixes de rios, mais fibrosos, podem ter um jeito mais favorável de preparo, que amaciem a carne. Olhando o Rio Amazonas não consigo parar de pensar no que conversei com o taxista ontem, indo para a concessionária buscar a Fiona. Passamos por um canal que parecia ter “coisas” boiando nele. Perguntei se os esgotos aqui eram tratados e ele disse que não, que eram todos jogados sem tratamento direto nos canais e este no Rio Amazonas! Não é possível! Estamos falando de uma capital brasileira às margens do maior rio do mundo e um dos mais importantes rios brasileiros! Tudo bem, a quantidade de água é imensa e a água acaba no mar, mas são os dejetos de 350 mil pessoas no Rio Amazonas! Sem falar que deve ser a mesma água que é utilizada para o abastecimento da cidade e para corajosos banhistas. O nosso taxista confessou, “o canal é um fedor desgraçado!” e quando perguntei se as pessoas tomavam banho no rio principal, ele disse que sim, muitas pessoas, mas ele não se atreve. Se alguém tiver uma informação mais apurada sobre o tratamento de esgoto em Macapá e a qualidade de água do Amazonas, por favor, acalme meu coração e comente aqui, pois estou prestes a perder a esperança na humanidade.
Kite surfing no Rio Amazonas, em Macapá - AP
Hoje tivemos a prova, vários kite surfers estavam lá praticando um dos esportes mais difundidos dos tempos, até por que onde tiver vento e uma poça d´água eles conseguem se divertir!
Polícia Militar aproveira a "maré baixa" do Rio Amazonhas para treinamento de cadetes, em Macapá - AP
Um batalhão da Polícia Federal em treinamento, passou correndo e cantando tche-tchecolê! O Ro não entendeu nada, mas eu conhecia a música da época do escoteiro, boas lembranças de um tempo que ajudaram a formar a minha personalidade e o gosto pela aventura. Eles aproveitaram a maré baixa do Amazonas para treinar técnicas de rolamento e etc, nas margens barrentas do Amazonas. Chegaram limpinhos e saíram assim. Fazer o que? São ossos do ofício!
Cadetes da PM correm pelas ruas de Macapá - AP
Deixamos tudo pronto, reorganização da bagagem no carro, internet em dia para nos despedimos da nossa última capital do país pelos próximos 30, quiçá 60 dias! Amanhã temos uma longa viagem pela frente, vamos cruzar os dedos para dar tudo certo!
Belo fim de tarde na orla em Macapá - AP
Praia do Satú, em Caraíva - BA
Não sou corredora e não tenho nenhuma intenção de um dia me tornar maratonista. Adoraria, acho louvável o empenho e a paixão pelo esporte que alguns, como do próprio Rodrigo. Nos esportes eu já percebi que o meu corpo é mais preparado para as competições de resistência e distância e não as de explosão. Por exemplo, na natação eu gosto de participar das travessias, 1500m, não nas competições de 100 ou 50m. Meu joelho é meio bichado, portanto eu escolhi a caminhada ao invés da corrida. Posso andar quilômetros, ainda mais se for no plano ou na praia. Sendo assim hoje resolvemos fazer uma caminhada até a famosa Praia do Espelho. São 10km até o Espelho e mais uns 2km até Curuípe, Praia dos Amores e a Praia do Otero das Brisas. Ida e volta são 24km, mais que uma meia maratona, é uma meia bombada!
Subindo as falésias do Espelho, em Caraíva - BA
Uma das principais preocupações para uma atividade como esta é o horário da maré. Precisamos sair quando a maré ainda está baixando, para conseguirmos ir e voltar sem ficar presos por algum rio ou falésia. Saímos em torno das 10h, atravessamos o rio a nado e logo ganhamos parceiros de caminhada. O casal de cachorros que apelidamos de “Dogo” e “Doga” veio nos seguindo da pousada até o rio e até ali não estávamos acreditando muito. Quando eles atravessaram o rio nadando e continuaram caminhando pelos próximos 2km foi que vimos que estavam mal intencionados.
Início da caminhada de Caraíva para o Espelho - BA
Há 3km de Caraíva, caminhando pela praia chegamos à Praia do Satú. Primeiro lugar com vida depois de uma extensa praia pela qual vamos passando apenas pelos cercados de fazendas de coco. O Satu já mora lá há muitos anos e há algum tempo abriu uma barraca que funciona no verão. Chegamos lá com a maré ainda baixa e encontramos algumas crianças brincando nas piscinas naturais. Mais alguns metros e chegamos à barraca do Satú, nesta época ainda fechada.
Praia do Satú, em Caraíva - BA
Continuamos a caminhada, agora com mais um companheiro, que apelidamos de “Doguinho”, o cachorro branquinho ali do Satú que resolveu dar uma voltinha conosco. Passamos por paisagens sensacionais! Lagoas deliciosas para um banho, arrecifes e falésias douradas maravilhosas.
Rio colorido pouco antes das falésias do Espelho, em Caraíva - BA
Depois das lagoas parte da caminhada acontece pelo alto das falésias, subimos e continuamos por trilhas seguindo as placas da Praia do Espelho. Quando cruzamos toda a falésia pelo alto a primeira vista que temos novamente da costa é impressionante! Um mar azul, transparente e uma vista de tirar o fôlego.
A Ana e os cachorros, na caminhada entre Caraíva e o Espelho - BA
Aí, só faltam alguns quilômetros para descermos das falésias do Espelho e chegarmos à Praia de Curuípe, que são chamadas de Praia do Espelho. Pousadas chiquérrimas ficaram muito conhecidas pelo clima romântico e pelo turismo mais selecionado que proporcionam. Também pudera, custam 20 reais a porção da batata frita na barraca mais simples da praia. Mas vale a pena, o lugar é mágico, rio desaguando no mar, pousadinhas à beira da praia com um lounge super gostoso para casais, famílias e até para os solteiros que querem descansar.
Rio na praia de Coruípe em Trancoso - BA
Já desconfiávamos, não tínhamos certeza, mas procurando um pouquinho logo encontramos Luciana, Ana e Graci, nossas amigas cariocas na barraca que as homenageava, a Barraca 3 Meninas. Tomamos um drink, trocamos mais histórias e experiências de viagem e os planos do roteiro próximo, quem sabe não nos encontramos novamente!?
Com as amigas Ana, Gracie e Luciana em Coruípe, Trancoso - BA
Eu estava só um pouco apreensiva com os nossos amigos dogs, pois não sabíamos se iam querer voltar conosco. O Doguinho e o Dogo estava li por perto, mas a Doga já havia sumido! Fazer o que, precisamos ir, o Dogo não abandonou a sua leal companheira, mas o Doguinho veio conosco, super companheiro. Ficou na dúvida se deveria atravessar o primeiro rio, mas quando eu o carreguei no colo tomou confiança e seguiu conosco!
Descendo as falésias do Espelho, em Caraíva - BA
A volta foi um perrengue maior, maré alta, areia mais fofa, nos exigiu mais paciência e força para caminhar. Mesmo com o mar alto conseguimos passar por tudo sem muitos problemas, viemos viajando nas nuvens de chuva que nos assombravam e nas corridas que o Doguinho dava para caçar siris. Peguei uma carona com uma menina barqueira no Rio Caraíva que estava completamente cheio e com uma corrente forte, eu passaria nadando fácil, mas a mochila e a máquina fotográfica corriam perigo de vida.
A jovem índia faz força para cruzar de barco o rio d Caraíva - BA
Uma “almojanta” na Duca, com aquela comida vegetariana maravilhosa e a famosa nega maluca de sobremesa, afinal depois de uma caminhada dessas o doce estava liberado! Apertei a Duca para contar, mas a receita é segredo de estado! Aproveitamos para nos informar e descobrimos que além de muito exercício fizemos também uma boa ação para a comunidade, levamos os dois cachorros que estavam aqui de volta para casa! Sim, o Dogo e a Doga eram lá de Curuipe e estavam de passagem, importunando os moradores de Caraíva. O único porém foi que o Doguinho lá do Satú não quis ficar por lá e veio até aqui conosco... Puxa, já chegou até o rio com a maré cheia, tive que dar uma carona para ele no barco, né?
Com a Duca, em Caraíva - BA
Saldo do dia: 24km, uma bolha no dedão e um dog a menos na vila, nossa meia boa ação do dia.
Autofoto no Espelho, em Caraíva - BA
Entrada da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala
O jovem Jairo nos recebeu na pousada El Zapote, super curioso sobre a viagem. Para a nossa surpresa, foi a primeira pessoa que não apenas reconheceu “Curitiba”, quando falamos de onde vínhamos, como falou de todo o seu conhecimento sobre a cidade. Cidade modelo, ambientalmente correta, ele sabia até das estações tubo! Fiquei passada!
Parada para lanche na simpática pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala
Sua família é toda dessa região, aqui seu pai nasceu, foi criado e vive até hoje, criando gado. Ele cresceu falando prioritariamente a linguagem maya, embora na sua época a escola ensinasse apenas o espanhol. A empatia foi tão boa que ele nos pediu uma carona para Lanquín e decidiu nos acompanhar no tour pela gruta. No caminho ele foi nos contando as histórias de seus antepassados.
Pausa para cervejinha na Pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala
É curioso o imaginário do antigo povo maya, que segundo ele ainda pode ser encontrado nas montanhas. Eles curam, fazem as pedras flutuares para a construção de suas casas, se transformam em tigres para caçar e viajam em uma velocidade absurda sem cansar! Como conta a história dos dois campesinos que começavam a viagem de 3 dias de caminhada com uma carga pesada. No caminho, ajudaram uma senhora maya, que em sinal de agradecimento lhes disse para seguirem seus passos, pisando em suas pegadas. Os dois chegaram ao destino em apenas um dia e sem sentir o peso que levavam! O que diferencia os povos indígenas dos “verdadeiros mayas” é que eles foram batizados e por isso teriam perdido os seus poderes. Hoje a valorização da identidade indígena parece ter retornado, as escolas são bilíngües e o muitas mães já não batizam os seus filhos nas igrejas, preferem levá-los às montanhas para que os mayas o batizem na sua crença.
Caminhando com o Jairo na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala
Visitamos a caverna no final do dia, com milhares de formações e espeleotemas magníficos! Alguns já foram batizados, outros, basta deixar a sua imaginação te levar. Segundo Jairo a gruta possui quilômetros e quilômetros e ainda não foi encontrado o seu fim.
Formações na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala
A caverna tem os seus primeiros 400m iluminados e com uma trilha bem marcada. As pedras são escorregadias, mas até corrimãos foram colocados para facilitar o acesso. O melhor horário para fazer este passeio é no final da tarde, começando até as 17h, o recorrido leva uma hora e as luzes são apagadas às 18h.
Impressionados com a amplitude e formações dos salões da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala
Quando pensamos que o show acabou, é na verdade quando começa um novo espetáculo: sem luz, milhões de morcegos deixam a caverna para se alimentar. São todos frutívoros, completamente silenciosos e possuem um mega radar! Nós ficamos na entrada da caverna, com as luzes apagadas para não intimidá-los e eles passam bem próximos a nós sem resvalar uma asinha!
Posando na escuridão entre centenas de morcegos que saem da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala, para se alimentar durante a noite
Dia repleto de aprendizados, lugares mágicos, habitados por um povo maravilhoso, que não perdeu seu encanto ou sua magia, apenas a guardou para aqueles que aqui chegam com seus olhos atentos e seu coração aberto.
A gigantesca Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala
Pôr-do-sol visto do alto da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Na região costeira entre São Mateus, norte do Espírito Santo e Caravelas, sul da Bahia, existe uma plataforma continental que se prolonga por mais de 200km para fora da costa. Nesta plataforma, que possui em torno de 200m de profundidade, encontram-se planaltos submarinos com profundidades mais rasas entre 30 e 50m que serviram como base para formações coralíneas imensas, conhecidas na região como chapeirões.
Santa Bárbara vista da ilha de Siriba em Abrolhos - BA
Estas formações são o motivo pelo qual Américo Vespúcio, navegador português, anotou “Ao se aproximares da terra, abre os olhos.”, surgindo daí o nome “Abrolhos”, sendo considerada a região mais perigosa para navegação na costa brasileira. É aí, em meio a este cenário submarino que está localizado o Arquipélago de Abrolhos. São 5 ilhotas de formação vulcânica que afloram há aproximadamente 70km da costa brasileira.
O mar num dia de sol, em Abrolhos - BA
Santa Bárbara, a maior das ilhas é posse da marinha e abriga atualmente 12 pessoas entre funcionários do Ibama, Marinha e seus familiares. Desembarcamos nesta ilha, com permissão do Parque Nacional de Abrolhos, para conhecer a vila dos moradores e principalmente o farol construído em 1860 por D. Pedro II. As praias de Santa Bárbara também recebem neste período as tartarugas, que estão em época de desova.
O farol da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
As lentes do farol na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
A Ilha Redonda não possui nenhuma construção e é o principal habitat das fragatas, pássaros marinhos, que utilizam a ilha para montar seus ninhos e para reprodução. Esta ilha ficou também conhecida pelo triste episódio que ocorreu há 13 anos, uma queimada não proposital provocada pelo filho do ex-presidente Fernando Collor de Mello, soltando fogos de artifício de seu barco no ano novo. Naquela queimada morreu toda uma geração de fragatas e até hoje o parque preserva ao máximo a região para que a população destes pássaros consiga se re-estabelecer.
Chegando em Abrolhos - BA
A sua vizinha, a Ilha da Siriba é, por sua vez, a base de reprodução e ninhos dos atobás brancos. Junto com o Felipe, guarda-parque no Parque Nacional, pudemos visitar a Siriba e conhecer um pouco mais destes bichinhos.
O Felipe, do Ibama, dando informações na ilha da Siriba em Abrolhos - BA
Nesta época eles estão entrando na fase reprodutiva, portanto é quando os casais de atobás começam a demarcar seu território para iniciar a construção dos ninhos.
Casais de atobás na ilha da Siriba, em Abrolhos - BA
O único pássaro que convive com os atobás são é a grasina, pois esta procura pequenas grutas para seus ninhos, área não desejada pelos seus vizinhos.
A Grazina, com sua llonga calda, na Ilha da Siriba, em Abrolhos - BA
A quarta ilha é a Ilha de Sueste. Esta ilha é utilizada pelo parque como área de controle para pesquisas de impacto ambiental, portanto não é permitido desembarque e mergulhos em seu entorno. Assim consegue-se medir qual é a diferença que existe entre as áreas utilizadas para o turismo e uma área intocada, liberada apenas para grupos de pesquisadores. Nela vive uma segunda espécie de atobás, os atobás marrons, mais ariscos e temperamentais que seus primos brancos.
Visual da Ilha da Siriba, em Abrolhos - BA
A quinta e última ilha é a pequena Ilha da Guarita, como disse o Felipe, um punhado de pedras jogadas ao mar. Ela fica localizada bem em frente à casa do Presidente Lula na Ilha de Santa Bárbara. A Ilha da Guarita também abriga os ninhos de outra espécie de aves, os São Beneditos que dão um show em suas revoadas coletivas.
Vista do alto do farol da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Fomos à Abrolhos para conhecer o mar, ver as baleias, mergulhar e acabamos conhecendo também a Abrolhos emersa. Um paraíso na terra que abriga espécies, histórias e principalmente cenários belíssimos!
Pôr-do-sol visto do alto do farol na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
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