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SHUFFLE

Sobradinho

Brasil, Minas Gerais, São Thomé das Letras

São inúmeras cachoeiras em torno de São Tomé, o Vale das Borboletas, Cachoeira do Flávio, Véu da Noiva, Eubiose, entre outras. Todas deliciosas e muito disputadas no verão e feriados.

Arraial de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG

Arraial de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG


Tivemos a grande sorte de chegar aqui em uma das semanas mais frias do ano, então como o tempo não está nos ajudando, decidimos explorar um arraial próximo, conhecido como Sobradinho. Bairro distante do município de São Tomé das Letras, Sobradinho fica a uns 10 km em direção à cidade de Luminárias. No caminho para lá passamos pela Cachoeira da Lua e pela Cidade das Estrelas, comunidade alternativa que recebe visitantes em suas pousadas para vivências, meditações, etc.

Poço Esmeralda em São Thomé das Letras - MG

Poço Esmeralda em São Thomé das Letras - MG


Interior da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG

Interior da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG


Nosso destino era conhecer a Gruta e Cachoeira de Sobradinho, Gruta do Labirinto e Poço Esmeralda. As grutas são caminhos abertos pela água em meio à pedra São Tomé, pequenas e relativamente estreitas, são um exemplo de como realmente estamos em cima de um belo queijo suíço, cheio de túneis e cavernas que desconhecemos, por não encontrarmos entradas ou saídas.

Entrada da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG

Entrada da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG


Saída gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG

Saída gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG


O Poço Esmeralda é um lago no meio de uma pedreira desativada. Parece que onde a mineradora tentou cavar encontrou esta água límpida e gelada, que forma a lagoa de coloração esmeralda, pois são vários poços formados na área de extração. No caminho entre eles passamos pelo bairro, que dizem ser parecido com São Tomé há 20 anos, pequeno, tranquilo, quase difícil de imaginar.

Poço Esmeralda em São Thomé das Letras - MG

Poço Esmeralda em São Thomé das Letras - MG


No caminho de volta paramos na cachoeira da Lua, tomamos uma cervejinha olhando a vida e a boiada passar.

Cachoeira da Lua em  São Thomé das Letras - MG

Cachoeira da Lua em São Thomé das Letras - MG


Gado no meio da estrada em São Thomé das Letras - MG

Gado no meio da estrada em São Thomé das Letras - MG


Dia dos namorados, à noite fomos comemorar no restaurante de nossa mais nova amiga, a Lei, dona do restaurante Massaroca. Conhecemos Lei em Carrancas, na sua filial, e demos carona para ela até aqui. A Lei chegou a São Tomé há 27 anos e viu toda a mudança que a cidade sofreu. Ela organizou um jantar de dia dos namorados delicioso, com direito a DJ, drink afrodisíaco, decoração especial e tudo! Uma delícia!

Depois fomos dar uma volta, congelando com o vento e o frio que devia estar perto de 0°C. Artistas independentes tocavam no Espaço Dois, abaixo de um dos céus mais estrelados que vimos na viagem. Depois de vários “toca Rauuuul” e uma ajuda básica como socorrista no bar, já era hora de irmos dormir. É, pelo menos à noite São Tomé continua “quase” a mesma.

Com “H” ou sem “H”?
Vocês devem ter percebido que o Rodrigo escreve São Tomé sempre com “H” e eu sem “H”. Até agora não conseguimos descobrir qual é a forma correta de escrever o nome da cidade. Em placas do Governo Estadual está escrita sem, São Tomé das Letras, porém em algumas placas turísticas municipais encontramos “São Thomé das Letras”. Enfim, eu que gosto do mais simples e brasileiro possível mantenho sem. O Ro acha que fica mais charmoso escrever com, então fica ao gosto do freguês.

Brasil, Minas Gerais, São Thomé das Letras,

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Quetzaltenango

Guatemala, Quetzaltenango

A praça central da bela Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

A praça central da bela Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Hoje saímos de San Marcos em direção a segunda maior cidade da Guatemala, que possui em torno de 150 mil habitantes: Quetzaltenango! O nome é tão difícil que até os habitantes, fluentes em maia e K´iqche´, decidiram apelidar-la “Xela”, encurtamento do nome indígena Xelajú.

Friozinho gostoso em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Friozinho gostoso em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Xela está a 2.335m de altitude e tem um clima parecido com o de Curitiba. Frio de manhã, morno pelas 10h, 12h30 é aquele calor de rachar, 16h volta a ficar morno e no final da tarde começa a gelar. Xela estava tranquila, domingão, dia de ruas vazias, alguns turistas passeando por aí e de reunir os amigos na Praça Centro America, praça principal da cidade. Comemos um sanduíche no agitado Tejún, bar que fica na Pasaje Enriquez, entre a 12 e a 13ª Avenida.

Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


A maioria dos turistas que vemos por aqui são estudantes de espanhol, que vem para cá passar uma temporada de 1, 3 ou 6 meses estudando a língua e absorvendo a cultura local. Por isso também a cidade tem um clima bem festivo e vários barzinhos alternativos. Ainda assim a cidade conserva a sua identidade e características guatemaltecas, sem se perder nos “internacionalismos” que sempre aparecem com o turismo.

Monumento em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Monumento em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Há um fato histórico sobre a cidade que merece destaque. No início do século passado houve um movimento de 6 estados guatemaltecos para a criação de um novo país e Xela estava na liderança deste processo. Essa era a região mais rica do país, devido à imigração européia que existia, para terem uma idéia, o primeiro banco do país nasceu aqui. Essa região era abandonada pelo poder central da Guatemala e chegou a haver uma luta entre os separatistas e o governo, com derramamento de sangue e morte. A partir daí o governo viu que a coisa era séria e resolveu direcionar recursos para saúde, estradas e infra-estrutura, acalmando os ânimos dos “revoltosos”.

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Nos arredores de Xela está o principal motivo de estarmos aqui, o vulcão Tajumulco, ponto mais alto da América Central e amanhã, é para lá que nós vamos!

Guatemala, Quetzaltenango, Xela, Xelajú

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Ilulissat IceFjörd

Groelândia, Ilulissat

Um verdadeiro rio de gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia

Um verdadeiro rio de gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia


Ilulissat, em kalaallisut (groelandês) significa “Icebergs”, isso por que está localizada na boca de um fiorde de gelo com mais de 60 km de extensão! Este Icefjörd dá vazão a mais de 35 bilhões de toneladas de icebergs por ano, produzidas pelo Sermeq Kujalleq, o maior glaciar do mundo fora do continente Antártico.

O que é um glaciar?
Uma imensa massa de gelo formada ao longo de anos por camadas de neve compactada e recristalizada. Os glaciares são o maior reservatório de água doce da Terra, só perdendo em volume para os oceanos! Os gigantes blocos de gelo estão sempre em movimento, se deslocam lentamente montanha abaixo e são os responsáveis pela produção dos famosos Icebergs!

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia


Alguns desses icebergs são tão enormes que podem chegar a mais de 1.000m de altura e tão pesados que não conseguem navegar, ficando presos no fundo do fiorde por anos. A força do glaciar, porém, é muito maior e aos poucos vence o obstáculo e os empurra para o mar. O Sermeq Kujalleq Glacier possui mais de 110.000 km2 e produz 10% de todos os icebergs da Groelândia!

Zion Church, verdadeiro cartão postal de Ilulissat, na Groelândia. Ao fundo, icebergs passam pela costa.

Zion Church, verdadeiro cartão postal de Ilulissat, na Groelândia. Ao fundo, icebergs passam pela costa.


Pesquisado há mais de 250 anos, o glaciar de Ilulissat é um dos principais responsáveis pelo conhecimento que temos hoje sobre glaciologia, as capotas polares e as alterações de clima. Ele é um dos glaciares mais rápidos do mundo, se movendo em média 20 metros por dia. A posição do glaciar não mudou muito de 1950 até 1990, quando ele começou a acelerar, ficar menos espesso e iniciando o processo de retração, perdendo a sua língua flutuante.

Foto a[erea da gigantesca geleira de Ilulissat e do Fiorde de Gelo, na Groelândia

Foto a[erea da gigantesca geleira de Ilulissat e do Fiorde de Gelo, na Groelândia


Os dados de 2007 são ainda mais preocupantes: a frente do glaciar retraiu 10km, a sua velocidade dobrou, passando de 20metros/dia para 40metro/dia e está 100m mais baixo (ou fino). A retração dos glaciares é uma das maiores preocupações com o aquecimento global, pois eles podem ser os responsáveis pela elevação do nível dos oceanos.

Barco abre seu caminho pelo gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia

Barco abre seu caminho pelo gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia



Sobrevoando o Glaciar

Vista de longe, Ilulissat, na Groelândia

Vista de longe, Ilulissat, na Groelândia


A melhor forma de chegar perto do glaciar é sobrevoando de helicóptero. O passeio custa em torno de 500 dólares por pessoa e só sai com o mínimo de 9 pessoas. Outro fator crítico é a condição climática, se houver previsão de vento, neve ou tempestade o passeio pode ser cancelado. Foi o que aconteceu conosco, tínhamos agendado o tour com uma super antecedência, mas o tempo fechou e o número de pessoas não, cancelando o nosso passeio. Depois, conversando com um amigo que esteve aqui e fez o sobrevoo, ele me tranquilizou dizendo que está mais para uma “turistada” que para uma aventura do Ártico: “muito dinheiro para pouca coisa”.

Um cemitério perdido no silêncio do gelo na periferia de Ilulissat, na Groelândia

Um cemitério perdido no silêncio do gelo na periferia de Ilulissat, na Groelândia


Detalhe: agendamos tudo com a agência World of Greenland, que é super organizada, porém sem muito tino para os negócios. Assim que cancelaram não se preocuparam em tentar vender nenhum outro tour para substituir o valor que seria devolvido. As opções seriam um passeio de barco ou substituir o dog sledge programado por outro mais longo. Era domingo e a pessoa que estava trabalhando lá devia estar mais preocupada com o seu dia de folga. A dica é ficar atento e não desistir, porque se depender deles você não sairá do hotel!

Huskies, totalmente adaptados ao frio de Ilulissat, na Groelândia

Huskies, totalmente adaptados ao frio de Ilulissat, na Groelândia


Eu não descansei enquanto não encontramos uma opção de passeio. Enfim, agendamos o passeio de barco entre os icebergs para amanhã cedo e o dog sledging para a tarde. Ainda assim não desistiríamos tão fácil de dar pelo menos uma espiadela no maior glaciar do mundo, ou pelo menos uma parte dele.

Trekking Gelado!

Placas informativas sobre trilhas ao redor de Ilulissat, na Groelândia

Placas informativas sobre trilhas ao redor de Ilulissat, na Groelândia


O início da trilha para o mirante do Icejörd de Ilulissat está a menos de 30 minutos do centro da cidade. São 3 diferentes trilhas que podem ser acessadas no verão ou quando a neve permite. Nós chegamos ao começo da primavera, quando os dias estão começando a se alongar e a neve ainda não deixou de cair, cobrindo praticamente todo o caminho.

Caminhando nos arredores gelados de Ilulissat, na Groelândia

Caminhando nos arredores gelados de Ilulissat, na Groelândia


Chegamos ao início das trilhas, estudamos os mapas e mesmo com vento e neve decidimos seguir. A caminhada pode se alongar dependendo da sua disposição e preparação para o frio. Caminhamos entre vales de gelo e picos rochosos encontrando traços de trilha e áreas de piquenique soterradas pela neve.

Maravilhada com a vastidão branca ao redor de Ilulissat, na Groelândia

Maravilhada com a vastidão branca ao redor de Ilulissat, na Groelândia


Chegando ao ponto mais alto a vista foi se abrindo e a paisagem é sensacional! Observamos congelados por alguns minutos aquele mundo branco apenas imaginando, que vida será que há ali? Quantas baleias, focas, leões marinhos, cardumes de peixe ou bois almiscarados estariam passando por aquelas bandas? Tudo isso ficará na nossa imaginação, uma terra totalmente selvagem para a qual nós não fomos criados, um mundo congelado.

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia


Alguns quilômetros à frente a vista fica ainda mais ampla, porém sem conhecer a trilha original e com a neve que estava caindo, o loop de 8 km não era indicado. Retornamos um pouco contrariados, queríamos continuar, mas os dedos e os pés já estavam sem sensibilidade. Um passeio rápido pela praia congelada e a igreja e logo entramos no Icy Café. Ao lado do aquecedor, tomamos uma Tuborg com vista para as montanhas.

Bar movimentado em Ilulissat, na Groelândia

Bar movimentado em Ilulissat, na Groelândia


Mais tarde saímos para conferir os embalos de sábado a noite em Nuuk. O bar fecha as cortinas perto das 23h para dar o clima de noite, já que o sol já nem pensa em se pôr. Os jovens passeiam pela rua principal entre os dois bares mais movimentados da cidade. Meu vizinho de mesa gritava para mim animado “Yeah! Greenlandic Blues!”, enquanto a banda arrasava nas notas de clássicos como Susie Kill, Mustang Sally e suas letras próprias, incompreensíveis para reles mortais, mas com ótima sonoridade! Retornamos caminhando do centro para o hotel com o dia amanhecendo, era apenas uma da manhã.

Caminhando de volta para o hotel, na madrugada de Ilulissat, na Groelândia

Caminhando de volta para o hotel, na madrugada de Ilulissat, na Groelândia

Groelândia, Ilulissat, Ártico, Glaciar, Ice Fiorde, Iceberg

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Ballenas Gris!

México, Puerto López Mateos, Loreto

Mamãe baleia leva filhote para passear na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Mamãe baleia leva filhote para passear na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México


Elas levam três meses para viajar do Ártico até aqui, conhecem seu parceiro no caminho e vem parear aqui, na laguna de Puerto Adolfo Lopez Mateos.

Barco leva turistas para ver baleias em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Barco leva turistas para ver baleias em Puerto López Mateos, na Baja California - México


As Baleias Cinzentas ou Ballenas Gris são avistadas nesta região entre os meses de novembro a março, quando muitas delas dão à luz e acompanham o crescimento dos seus bebês nas águas mornas e protegidas da Baía Magdalena. 16°C? Mornas para elas, é claro!

Baleia Cinzenta faz exibição nas águas da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Baleia Cinzenta faz exibição nas águas da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México


Os filhotes são curiosos e querem saber quem é esse povo que está no barco, loucos para tocá-los e fazer carinho. Eles chegam ao lado do barco e cuidadosamente manobram para ficar beeem pertinho, nadando paralelo ao barco para conseguirmos tocá-los.

Tocando baleia cinzenta durante passeio em canal da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Tocando baleia cinzenta durante passeio em canal da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México


São dezenas, nós avistamos em uma hora e meia de passeio, pelo menos umas 15 baleias diferentes! É uma sensação indescritível e simplesmente maravilhosa! Avistamos de longe e os barqueiros lentamente começam a aproximar-se, quando percebem que a baleia, normalmente com o seu filhote, acelera o ritmo, não a segue, para respeitar o seu espaço. Eles sabem quando elas querem acercar-se e interagir. Os momentos que antecedem a aproximação são de pura adrenalina, todos no barco ficam agitados e esperando a sua vez!

Enorme baleia ao lado do nosso barco na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Enorme baleia ao lado do nosso barco na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México


A baleia respira, afunda e depois de uns 3 a 5 minutos reaparece, majestosa ao lado do barco! Elas se levantam devagar e nadam ao nosso lado, querendo ser tocadas! Sensacional! Eu voltei a ser criança, levando assopradas de baleia na cara e dando risada enquanto o Rodrigo me filmava e dizia “tira foto!”. Como vou tirar foto numa hora dessas? Só tenho duas mãos e “agora” elas estão NA BALEIA!

Acariciando baleia Cinzenta na Baía Magdalena, região de Puerto López Mateos, na Baja California - México

Acariciando baleia Cinzenta na Baía Magdalena, região de Puerto López Mateos, na Baja California - México


Pergunto ao nosso barqueiro e guia, Don José, se o número de baleias diminuiu pelo turismo em torno disso e ele nos conta que o número é variável. “O ano passado foi um dos recordistas e só nesta temporada foram vistas em torno de 250 baleias!”. Desde 1970 são feitos passeios de avistamento de baleias na lagoa de Puerto López, aos poucos as baleias cinzentas foram se acostumando e é a única espécie que se aproximou do ser humano a este ponto.

Nosso guia e companheiros no passeio para ver as baleias cinzentas em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Nosso guia e companheiros no passeio para ver as baleias cinzentas em Puerto López Mateos, na Baja California - México


Voltamos na nossa voadeira, cabelos ao vento e sorriso na cara, dando um até logo a todas as baleias que estavam nadando na direção oposta. Encontramos ainda um grupo de golfinhos, provavelmente caçando umas pobres sardinhas. O sol baixando fez a paisagem das dunas de areia que rodeiam a laguna ainda mais lindo e parecido com os nossos Lençóis Maranhenses ou a praia de Galinhos no Rio Grande do Norte.

Dunas cercam o 'canal das baleias', ligando o Oceano Pacífico à Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Dunas cercam o "canal das baleias", ligando o Oceano Pacífico à Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México


O sol estava quase posto, mas ainda aproveitamos o restinho de luz para adiantar um trecho de estrada e fomos direto para a cidade de Loreto. Um Super Burro para o jantar (delicioso, diga-se de passagem) e uma boa noite de sono para continuar as explorações. Boa noite, sonhem com as baleias!



Também quer? Aí vão algumas dicas!

Barcos que levam turistas para ver as baleias acizentadas na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Barcos que levam turistas para ver as baleias acizentadas na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México


Este passeio é vendido nas agências de turismo de Loreto e La Paz. As de La Paz geralmente trazem seus turistas para a Baía Magdalena pelo porto de San Carlos, mais ao sul. A dica é buscar uma agência que venha a Puerto Lopez, que tem avistamento mais frequente. Como vocês sabem, na natureza não se pode garantir nada, mas mas nesta época eles garantem sem medo! Se você está de carro ou mochilando para o norte da Baja Califórnia, procure o píer de Puerto Lopez Mateos.

Turistas observam baleia em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Turistas observam baleia em Puerto López Mateos, na Baja California - México


Durante a temporada este porto está sempre cheio de turistas que poderão compartilhar a embarcação, que sai 800 pesos por hora (67 dólares aproximadamente). Nós encontramos Armando e sua família que nos propuseram fazer uma saída de 1h30, tabelada em 1.200 pesos (100 dólares), ficando 50 dólares por casal. Puerto Mateos não possui muita infra-estrutura turística, uma das únicas pousadas está pertinho do embarcadeiro.

Filmando baleia cinzenta em Puerto López Mateos, na Baja California - México

Filmando baleia cinzenta em Puerto López Mateos, na Baja California - México

México, Puerto López Mateos, Loreto, Baja California, Baleia, Baleia Cinzenta, Ballena Gris

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Padin Padre Cícero

Brasil, Ceará, Juazeiro do Norte

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE


Impressionante a fé do povo brasileiro. Constatamos isso na cidade de Juazeiro do Norte, berço de um dos mais importantes santos brasileiros, Padre Cícero. A cidade de Juazeiro do Norte possui em torno de 300mil habitantes, porém na semana de festividades e homenagens ao Padre Cícero chega a triplicar a sua população. Na cidade tudo tem seu nome, mecânica, panificadora, loja de carro e o que você imaginar!

Devoção ao Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE

Devoção ao Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE


Um padre de uma cidade do interior do Ceará que não teve seus milagres comprovados e aceitos pelo Vaticano, portanto não foi canonizado, faz milhares de brasileiros seguirem em romaria à Juazeiro do Norte. Os romeiros pagam promessas, fazem seus pedidos, agradecem pelas glórias recebidas e, principalmente, homenageiam este homem tão importante para a história desta região. Além de religioso, Padre Cícero também entrou para a vida política, se tornando prefeito da cidade de Juazeiro do Norte e posteriormente vice-presidente (equivalente a vice-governador) do Estado do Ceará.

Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE


Padre Cícero foi perseguido politicamente, justamente por unir política e religião, união poderosa e que recebeu represalhas. Em 1914 aconteceu a Guerra da Sedição, onde o Governo do Estado do Ceará cercou Juazeiro com o intuito de retirá-lo do poder e naquela época, sem crise de consciência, o matariam para retirá-lo do seu caminho. Felizmente eles fracassaram na sua missão e Padre Cícero morreu já idoso, com 90 anos, no final da década de 30.

Padre Cícero já tinha consciência ecológica! (em Juazeiro do Norte - CE)

Padre Cícero já tinha consciência ecológica! (em Juazeiro do Norte - CE)


Uma figura forte e muito influente, Padre Cícero foi eleito pelo povo, conseguiu reunir o respeito e admiração não só do povo cearenses, mas de milhares de brasileiros. Em sua homenagem foi construída uma estátua de 28m de altura na colina mais alta da cidade, quase como um santo protetor de Juazeiro. Conhecemos também a Igreja construída pelo Padre Cícero onde hoje estão seus restos mortais, enterrados em seu altar.

Igreja do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Igreja do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE


No Memorial Padre Cícero pudemos ver fotos da época e conversar com Amanda, que nos deu informações sobre a historia da cidade e do religioso, além de nos ajudar a encontrar um hotel na cidade. Uma tarde e uma manhã na cidade foram suficientes para conhecer um dos maiores pontos de peregrinação brasileiros e é claro, fazer também a nossa fezinha!

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Brasil, Ceará, Juazeiro do Norte, Padre Cícero

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Monumento Chavín

Peru, Huaraz

A incrível escultura 'El Lanzón', no templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

A incrível escultura "El Lanzón", no templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


A Cultura Chavín existiu na região norte do Perú de 1500a.C a 500d.C e consistia em uma das culturas mais longevas da história da civilização pré-incaica nesta região. O seu templo foi um dos mais importantes centros religiosos da América do Sul durante quase 1000 anos, podendo ser comparado com as grandes mecas religiosas da atualidade.

Relato espanhol do início do séc XVII sobre as ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Relato espanhol do início do séc XVII sobre as ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


A sua arquitetura se distingue por ser majoritariamente subterrânea, formando imensos labirintos de uma complexidade estrutural espantosa. Todos os corredores e cômodos possuíam um canal de ventilação através de dutos de água, que faziam a circulação do ar funcionar como um ar condicionado até nos andares mais profundos, há mais de 10m abaixo da superfície.

O incrível templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

O incrível templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


As escavações começaram na década de 30, quando alguns arqueólogos encontraram algumas máscaras e esculturas próximas de um cemitério mais recente. A área foi isolada e iniciaram um trabalho de pesquisa, guardando todos as peças descobertas dentro de uma pequena capela. Em 1942 uma das lagoas de degelo que localizada morro acima, rompeu sua barreira natural e abateu toda a vila em uma imensa inundação, levando embora todo o trabalho dos últimso 12 anos de escavações, inclusive essas máscaras, peças importantíssimas no quebra-cabeça arqueológico desta civilização.

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru


Os Chavínes possuíam três principais divindades, representadas pelos animais jaguar, harpia (uma ave como o condor) e o jacaré, outra curiosidade... será que eles tinham jacarés naquela época por aqui? As máscaras que foram perdidas demonstravam que, de alguma forma, os líderes religiosos participavam de cerimônias utilizando São Pedro e alguma outra substância que era inalada, deixando-os com os olhos esbugalhados (São Pedro) e as narinas dilatadas e com muito muco escorrendo (pó inalante). As esculturas aparentemente eram feitas durante as cerimônias e representavam estas expressões, assim como os prováveis estágios de transformação destes sacerdotes, já com traços felinos, de ave, ou jacaré.

A incrível escultura 'El Lanzón', no templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

A incrível escultura "El Lanzón", no templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


A principal galeria do monumento já encontrada é a Galeria do Lanzón, que representa a divindade principal da sociedade Chavín, que possui traços humanos misturados com os traços dos animais. É uma escultura com aproximadamente 4m de altura, colocada no centro de uma sala em forma de cruz, antigamente acessada nas cerimônias apenas por sacerdotes e pessoas autorizadas.

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru


O sítio ainda possui uma infinidade de espaços, a praça circular, a praça quadrada e a imensa fachada externa do edifício principal. Os trabalhos estão em andamento e para que continuem dependem de patrocínio e apoios institucionais batalhados pelos próprios arqueólogos responsáveis. Mais uma civilização que nos deixa pensativos sobre como, de índios nômades e caçadores, passaram a se fixar e construir imensos templos para cultuar divindades. O que terá se passado para que houvesse esta mudança? Por que será que no Brasil não tivemos o mesmo processo? São perguntas que continuam instigando os historiadores e arqueólogos e não sabemos se um dia conseguirão responder.

Caminhando pelo templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Caminhando pelo templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Peru, Huaraz, arqueologia, Chavin, Cilização Chavín

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Aloha Maui!

Hawaii, Maui-Kihei

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


Maui County é um conjunto de 4 ilhas, todas um dia fizeram parte da mesma massa de terra que, com o passar dos milhões de anos, afundou, erodiu e se separou. Maui, a segunda maior ilha do Hawaii (logo atrás da Big Island), Moloka´i, a ilha mais roots, com movimento independentista havaiano e menos orientada ao turismo, Lana´i com seus resorts super exclusivos e Kaho´olawe, que é desabitada.

Chegando à ilha de Maui, no Havaí

Chegando à ilha de Maui, no Havaí


O vôo para lá já foi divertido, um aviãozinho de poucos lugares da Island Air e com um encontro super engraçado com um casal de cariocas que vive em Manaus, Ana e Rafael. Eles quase perderam o vôo, mas no final deu tudo certo! Do alto pudemos ter uma boa noção da geografia da ilha e vemos a quantidade de resorts e campos de golf que domina a costa oeste e sul, que é uma das mais caras de todo o Hawaii. Maui é uma das ilhas mais procuradas pela maioia dos turistas americanos, talvez seja por suas belas praias, talvez pela infraestrutura turística que possui, provavelmente uma soma dos dois.

Sobrevoando praia da Big Island na viagem para Maui, no Havaí

Sobrevoando praia da Big Island na viagem para Maui, no Havaí


Um dos vulcões que formou a ilha de Maui, no Havaí

Um dos vulcões que formou a ilha de Maui, no Havaí


Chegamos à Maui no início da tarde de um domingo e cansados da maratona de madrugadas na Big Island, então a nossa primeira tarde foi mais tranquila, dirigimos para Kihei e almoçamos no happy hour do Sushi Bar do 5 Palms, ao lado do nosso hotel. Foi nesta hora que resolvi ligar para um amigo que já havia estado na ilha e ele, de férias na Big Island, nos colocou em uma das festas mais “ins” da ilha, o Luau de Domingo na Little Beach! O timing não poderia ter sido mais perfeito, na mesma hora pegamos o carro e nos mandamos para lá!

Chegando à Maui, no Havaí

Chegando à Maui, no Havaí


A Little Beach está dentro do Makena State Park, uma área de preservação ambiental onde não entram hotéis e resorts. Lá você encontra duas das praias mais preservadas da ilha, a Big Beach e a Little Beach. A Big Beach tem um clima bem família, surfistas, jovens e crianças brincam na longa praia de areias douradas com vista para a ilha de Kaho´olawe.

Tarde movimentada na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Tarde movimentada na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


O luau acontece todos os domingos e é organizado pela comunidade de naturistas que frequenta a praia, uma das mais liberais da ilha. Passamos pela Big Beach e por uma trilha para a Little Beach e cruzamos um portal para a ilha da magia. Ao longe já ouvíamos a roda de tambores tocando ritmos havaianos, aquele clima de festa, gente feliz, dançando e tomando cerveja (coisa raríssima nas praias americanas) e peladões e peladonas caminhando tranquilos entre os vestidos, o uso de roupa nesta praia é opcional.

Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


Vimos o sol se pôr e aos poucos a roda de Dança do Fogo começou a esquentar. A dança do fogo é uma antiga prática dos samoanos, ilha polinésia que tem grande conexão com a cultura havaiana.

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


Rapaz se apresenta durante festa noturna na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Rapaz se apresenta durante festa noturna na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


Locais e adeptos da dança se revezavam na roda com diferentes técnicas e aparatos, swings, cordas e bastões em chamas iluminavam o centro da roda, com movimentos rápidos e apurados. Foram as melhores boas vindas que nós poderíamos desejar, uma surpresa super havaiana! Mahalo Little Beach!

Garota mostra suas habilidades pirotécnicas durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Garota mostra suas habilidades pirotécnicas durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí



Hospedagem

Embora seja a segunda maior ilha do estado, diria que ela tem o tamanho ideal para que as explorações sejam feitas em day trips, sem precisar ficar trocando de hotel, fazendo e desfazendo malas. Depois de muitas pesquisas decidimos ficar em Kihei, um dos pontos mais centrais da ilha, já que o plano era mesmo rodarmos para conhecer. Kihei possui hotéis para todos os gostos e bolsos, nós ficamos hospedados em um Days Inn na beira da praia, o hotel é meio antigo e os quartos tem pouca iluminação, mas foi o melhor preço que encontramos e era super bem localizado, de frente para a praia e perto de ótimos restaurantes.

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí


Se a sua ideia é ir para ficar mais tempo na ilha, aí as praias de West Maui parecem mais convidativas, e Lahaina é uma ótima opção, cidade histórica charmosinha, mas um pouco menos central. Outra opção que eu consideraria fortemente seria de passar pelo menos uns 3 dias baseada em Hanna, pois além de um clima mais alternativo e relax, tem várias praias, cachoeiras e piscinas naturais para explorar.

Hawaii, Maui-Kihei, Kihei, Little Beach, Makena State Park, Maui

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Santuário de piche e pássaros

Trinidad e Tobago, Port of Spain, San Fernando (Pitch Lake e Pointe-à-Pierre), Caroni

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Geograficamente Trinidad pertence à América do Sul, porém sua posição geográfica e afinidade econômica e cultural a tornou um país do Caribe. No entanto as características geográficas prevalecem, assim as principais atrações de Trinidad não estão no litoral e sim no interior. Sua imensa cadeia de montanhas, continuação da formação rochosa dos Andes, suas florestas e mangues onde habitam as mais de 420 espécies de aves e um imenso Pitch Lake. Peraí, lago de piche? Foi isso mesmo que eu entendi? Coisa mais esquisita, eu pensei. Sim e você pode andar sobre ele! É claro que ficamos morrendo de curiosidade e tivemos que ir até lá conferir, este foi o nosso primeiro destino no roteiro de hoje.

Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


O Pitch Lake é uma afloração de piche, asfalto, localizada ao sul da cidade de San Fernando. Dele são extraídos dezenas de milhares de toneladas de piche por ano e possui uma resserva estimada de 6 milhões de toneladas. Foi com este asfalto que foi construído o Estádio Olímpico de Pequim, das Olimpíadas de 2008. A China é a maior importadora do piche extraído deste lago, seguida pela Alemanha que revende para toda a União Européia.

Brincando com o piche do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Brincando com o piche do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


O lago foi descoberto pelos índios arawaks que habitavam a região, foram eles que apresentaram o piche pela primeira vez aos espanhóis, que passaram a utilizá-lo para impermeabilizar os seus navios. O lago possui em torno de 40 hectares de superfície e 80m de profundidade e se estende por uma área subterrânea imensa. Antes mesmo de chegarmos ao lago já começamos a ver a sua ação nas ruas e casas mais antigas, já que a extração está fazendo toda a área ao seu redor afundar lentamente. Lá já foram encontradas ossadas de animais pré-históricos como mamutes, cerâmicas pré-históricas e inclusive ossadas humanas! Diz a lenda que os índios arawaks viviam sobre este lago, não apenas perto dele, e que certo dia toda a vila teria sido engolida pelo piche. Nada difícil de acreditar depois de saber o que já tiraram lá de dentro! RS!

Piche endurecido no Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Piche endurecido no Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


Nós sempre imaginamos o piche uma coisa grudenta e pegajosa, mas ele também pode se apresentar na forma sólida, parecendo literalmente asfalto, é por isso que conseguimos andar sobre ele. Nos dias mais quentes ele fica com uma textura meio borrachenta e em alguns lugares o pé chega até a afundar um pouco. Esta rocha “emborrachada” possui pequenas bolhas de ar formadas por gases sulfurosos, segundo nosso guia em algumas épocas o cheio é insuportável! Rsrs.

Caminhando no solo argiloso do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Caminhando no solo argiloso do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


Nossas pegadas no solo do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Nossas pegadas no solo do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


No período chuvoso todo o lago fica coberto de água, que evapora lentamente quando o período seco se aproxima. O que é mais incrível é ver a vida nascendo sobre este lago, plantas, árvores e, nas poças formadas pela água da chuva, até peixes podemos encontrar. É algo realmente diferente que eu não esperava encontrar por aqui. Existem outros lagos como este na Califórnia, Egito, Nigéria e Venezuela. Adivinhem se o maluco do Chaves não está reclamando o piche retirado daqui?

Flores nascem e crescem no Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Flores nascem e crescem no Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


Depois de um pit stop no shopping em São Fernando para um almoço à moda tribagonian, nossa próxima parada é o Wildfowl Trust Foundation. Uma fundação, organização com fins não lucrativos, dedicada à preservação, reprodução e reintrodução de espécies nativas de pássaros das wetlands, áreas alagadas como pântanos, mangues ou pantanais. Apenas 3% da terra é coberta por wetlands, a exemplo das terras da Floresta Amazônica ou do tundra na América do Norte e da Eurásia, estas durante o degelo no período da primavera.

Flôr aquática na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Flôr aquática na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


A reserva está localizada dentro da área da Petrotrin, companhia estatal de petróleo de Trinidad e Tobago, na refinaria Point-a-Pierre. A área é imensa, na entrada passamos ao largo da planta da refinaria, um campo de golfe e área onde se localizam as casas para funcionários e visitantes da empresa. Lá dentro encontramos esta imensa área verde, banhada por dois lagos que servem como casa para grande parte das espécies protegidas, como patos selvagens e pássaros mergulhões.

Patos na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Patos na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


A visita é guiada e durante o tour podem ser avistadas várias espécies de aves, árvores nativas e até um jacaré. O trabalho de educação ambiental é um dos principais focos, atendendo em torno de 15 mil estudantes durante o ano e outros 10 mil turistas e visitantes de diversos países. É um paraíso para os birdwatchers que podem passar um dia inteiro explorando trilhas e observando as diversas espécies ainda em período de adaptação nos cativeiros.

Guarás na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Guarás na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


Jacaré na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Jacaré na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


O nosso guia, Carlos, é um birder, apaixonado por pássaros fez desta paixão a sua profissão. Hoje trabalha como guia para as centenas de bird lovers que vêm à Trinidad em busca das mais diferentes espécies. Só ele já possui mais de 200 espécies fotografadas, mas não irá descansar enquanto não conseguir fotografar ao menos um exemplar de cada espécie da ilha. Quando isso acontecer, continuará buscando novas espécies e fotografando cada pássaro que encontrar, “pois cada um é diferente do outro, cada um deles é especial”. Sem dúvida!

Beija-flôr na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Beija-flôr na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


Envolvidos por esta paixão de Carlos pelos pássaros, seguimos para o nosso terceiro e último passeio do dia. Um tour de barco pelos mangues da Caroni Bird Sanctuary, região de terras alagadas e pantanosas que ganhou canais construídos pelo homem, ligando-as ao mar. Assim o mangue se desenvolveu e com ele toda a sua fauna e flora, caranguejos, cobras, iguanas e pássaros. A maior atração deste passeio são os Guarás, ou Scarlet Ibis como são conhecidos por aqui.

Paisagem do pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Paisagem do pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Entramos em um barco lotado, quase 40 pessoas, com um guia mais ou menos e para ver mais um mangue. Avistamos um primeiro guará voando ao lado de uma garça azul (cinza). O passeio é longo e começamos a ficar meio desacreditados de que veríamos muitos guarás.
Avistamos alguns em seus ninhos no meio das árvores e pensamos que era isso. Perto do pôr-do-sol o barco se dirigiu para uma área mais ampla, uma baía em meio ao manguezal, e no mesmo minuto o espetáculo começou. Um primeiro bando com uns 50 guarás coloriu o céu azul e tirou o primeiro “óhhhhh” de espanto dos espectadores.

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


A partir daí o passaredo não parou mais, eles vinham em revoadas de 100, 200, 300 aves pintando o céu de vermelho e pousando em uma pequena ilha exatamente na nossa frente. As árvores do manguezal já pareciam macieiras carregadas de maçãs maduras, vermelhinhas e suculentas. Foram milhares de Scarlet Íbis avistados em uma única tarde, é um espetáculo fantástico e emocionante!

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Nós vínhamos buscando encontrá-los há tempos, vimos alguns poucos em Lençóis e Algodoal, mas nunca imaginei que chegaria perto de um momento como este. O Caroni é um dos principais locais de reprodução dos guarás na América, são tantos que aqui as garças brancas é que parecem estar em extinção.

Árvore dormitório dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Árvore dormitório dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Cenário espetacular, pôr-do-sol maravilhoso e, confirmado com os nossos guias, tivemos realmente sorte de estar aqui em um dos dias com maior quantidade de guarás já avistados. É uma imagem que nunca irei esquecer, foi realmente comovente.

Fim de tarde no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Fim de tarde no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Santuário de piche e de pássaros, do negro e do vermelho, do mineral e do animal, Trinidad abriga uma riqueza e diversidade natural imensa! Difícil de acreditar que tudo isso caiba em um pedacinho de terra tão pequenininho no meio do oceano.

Esperando a chegada dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Esperando a chegada dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Trinidad e Tobago, Port of Spain, San Fernando (Pitch Lake e Pointe-à-Pierre), Caroni, Caroni Birds Sanctuary, Lago, pássaros, petrotrin, piche, Porto of Spain, Wildfowl Trust Foundation

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2° dia - Taulipampa

Peru, Huaraz

Admirando a incrível paisagem do 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Admirando a incrível paisagem do 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


Começamos o dia com um revigorante café da manhã com iogurte, granola, pães, ovos, margarina e geléia de morango. Chá de coca para ajudar o organismo a acostumar com a altitude e boas histórias do nosso guia Oscar. Arrumamos as nossas malas e a estrutura é toda organizada por Tibúrcio e arrieiros.

Subindo o vale no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Subindo o vale no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


O segundo dia de caminhada sobe lentamente pela Quebrada Santa Cruz, caminhamos às margens do rio com paisagens maravilhosas, passando pela imensa e majestosa Lagoa Jatuncocha. Cavalos praticamente selvagens e vacas são alguns dos animais comumente encontrados pelo caminho, assim como a ave lique-lique, territorial como o quero-quero, só que um pouco maior. Um vale verde e plano, ladeado por montanhas imensas. A caminhada contra o vento dá um pouco mais de frio e trabalho, mas é super prazerosa e relaxante.

Segundo dia de caminhada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Segundo dia de caminhada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


Belíssima laguna no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Belíssima laguna no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


O pouco esforço que temos no segundo dia é num detour que nos leva às paisagens ainda mais impressionantes. Subimos lentamente em ziguezague os 200m de altitude para chegar ao mirante do Alpamayo. À frente já enxergamos o Nevado Paria (5.720m) e o pico super agudo do Artesonraju com 6.025m. Mas para enxergar o Alpamayo (5.947m) temos que desviar o caminho e subir um pouco mais. Neste caminho, ao lado direito está a montanha Rinrijirca – Rinri em quéchua quer dizer “orelha” e jirca é “alta”. A montanha tem umas escarpas laterais que lembram orelhas, por isso o nome, “cerro alto com orelhas” ou algo parecido.

Ponto de bifurcação no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Ponto de bifurcação no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


Os cactus florescem a mais de 4 mil metros de altitude, no trekking de Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz - Peru

Os cactus florescem a mais de 4 mil metros de altitude, no trekking de Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz - Peru


A vista do Almapayo é realmente fantástica, uma montanha imponente, que exige 8 dias de trekking em longo trecho de gelo e partes técnicas, para se chegar ao topo. Nós continuamos, pois o nosso principal objetivo ainda está à frente. Vamos até uma das lagoas mais lindas de toda a região, a Lagoa de Pucahirca a 4.440m de altitude. Esta lagoa é formada pelo degelo do Monte Pucahirca (5.810m) e tem um glacial que mais parece uma cachoeira de gelo, sendo despejada diretamente na lagoa. A água azul turquesa é inacreditável.

Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


Descemos da lagoa felizes, pois agora o caminho é praticamente plano até o nosso segundo acampamento. O Taulipampa, fica a 4.250m, aos pés do Taulliraju (5.830m), uma das montanhas mais bonitas de todo o trekking! O seu formato lembra uma imensa catedral, toda ornamentada de rocha, nevados e glaciais, simplesmente maravilhosa!

Aproximando-se da montanha Alpamayo no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Aproximando-se da montanha Alpamayo no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


O Rodrigo havia carregado com ele uma cerveja desde o último acampamento até aqui, para ter o prazer de chegar da caminhada, sentar e tomar uma cervejinha. Acho que valeu à pena depois de 15km de caminhada, ainda mais com esta vista sensacional!

O magnífico local do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

O magnífico local do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


O jantar teve uma sopa de entrada, seguida de um macarrão com molho de tomate, queijo ralado e salada de frutas de sobremesa. Realmente um tratamento vip! Fechamos a noite brindando com um vinho que havíamos trazido na mochila, carregada carinhosamente pelas nossas amigas mulas.

Hora do jantar na barraca-restaurante do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Hora do jantar na barraca-restaurante do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru


Acho que nenhum de nossos colegas de trekking entendia como ficávamos tanto tempo conversando e dando risada dentro da barraca. Além de nos divertir, o vinho era tiro e queda para ajudar a dormir naquela altitude, à -5°C no desconforto das nossas barracas! Rsrsrs!

A maravilhosa cena das montanhas nevadas iluminadas pelo forte luar, no segundo acampamento do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

A maravilhosa cena das montanhas nevadas iluminadas pelo forte luar, no segundo acampamento do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru

Peru, Huaraz, Alpamayo, Taulipampa, Trekking, Trekking Santa Cruz

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Pico do Itambé

Brasil, Minas Gerais, Milho Verde (P.E. Pico do Itambé)

Início da caminhada ao Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

Início da caminhada ao Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


Estávamos nós no Armazém da Rita, ontem à noite em Milho Verde. Fomos lá comer um petisco e assuntar. Conhecemos o Paulo, Paulinho de Rita, como é conhecido por aqui. Paulo é escoteiro a 39 anos, seguindo o exemplo de seu pai, escoteiro desde 1932! Foi uma bela surpresa encontrar ali alguém que me fez o cumprimento escoteiro e o sinal de sempre alerta! Muitos assuntos divertidos, desde pinga de cobra, escaravelho e aranha caranguejeira, até a criação de cobras que seu irmão tinha em Diamantina para receber em troca os soros antiofídicos para a região, do Instituto Ezequiel Mendes, equivalente ao Butantã em Minas Gerais.

Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


Papo pra lá, papo pra cá, Paulinho nos contou da sua paixão por uma montanha próxima, o Pico do Itambé, maior montanha da região. Havíamos ouvido falar, é o maior Pico da Serra do Espinhaço com 2055m de altitude, mas não sabíamos qual era a sua porta de entrada, nem como faríamos para chegar lá. Ele nos deu todas as dicas, estávamos no lugar certo! Há apenas 16km de Milho Verde fica o povoado de Capivari, portal de entrada para o Parque Nacional do Pico do Itambé. O parque também possui entrada por Santo Antônio de Itambé, por lá sua subida é até mais rápida, em torno de 2 horas, pois o carro chega mais próximo à sua base, mas dizem que por Capivari a paisagem é ainda mais bonita.

A bela vegetação do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

A bela vegetação do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


Já estávamos meio enjoados de cachoeiras mesmo e quando acordamos hoje o tempo estava fechado, nuvens pretas que não víamos há muito tempo pairavam sobre nossas cabeças, com aquele vento frio que lhes é peculiar. Dia perfeito para subir uma montanha! Infelizmente o Paulinho não pôde ir conosco, mas fomos mesmo assim. Chegamos à Capivari e logo conhecemos Genésio, guarda-parque que estava no seu dia de folga e se prontificou a nos levar até o cume.

Início da caminhada ao Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

Início da caminhada ao Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


Logo o Rodrigo ficou curioso sobre o significado da palavra Itambé e Genésio, ligeiramente respondeu: Ita = Pedra e Imbé é uma planta que nasce sobre pedras com raiz de cipó, muito comum na região. Sabíamos que poderia levar até 4 horas para subir, caminhando bem até 3 horas. Subimos a montanha entre pastos e escarpas de pedras. O solo arenoso logo traz as candeias e as flores de serrado, e mais no alto o frio nos apresenta as bromélias, orquídeas e vegetação rasteira comum nas montanhas.

A bela vegetação do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

A bela vegetação do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


A paisagem é de uma vastidão impressionante! Vemos a cidade de Diamantina, a Serra da Bicha e aquele mar de nuvens. Perguntei ao Genésio “que bicha?”, a onça, ele respondeu, “Ali naquelas bandas tem muitas onças, gostam daquela serra.”

A bela região do Parque do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

A bela região do Parque do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


No caminho soubemos da vida da população que vive ali nas cercanias do parque estadual, longe de tudo, até de Capivari. As crianças que caminham às 5 da manhã, uma hora e meia, até o local onde hoje encontram a condução escolar. O marido que largou a bebida, não tem trabalho para criar os oito filhos e ainda cuida da esposa alcoólatra. Melhor ainda é a história do “Zé” que tem duas esposas, vizinhas, amigas, uma já tem dois filhos criados então a “outra” emprestou uma filha para a sócia ter companhia. Ele vive bem, sustenta as duas esposas, “a atual e a outra” e deve comparecer, pois elas estão felizes. Coisas que só vemos nesse Brasilzão véio mesmo!

Caminhando para o Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

Caminhando para o Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


No caminho temos que passar por um buraco entre pedras roladas, quase uma experiência de renascimento. Aí vamos descobrir que o ex-prefeito de Santo Antônio de Itambé havia mandado tampar aquele buraco com mais pedras, para fechar a passagem da trilha de Capivari. Inacreditável! O prefeito brigando pelo acesso ao pico! Bem, é claro que na mesma semana abriram o buraco que ficou ainda menor e mais emocionante.

Atravessando um fenda no caminho para o Pico do Itambé, na região de Capivari - MG

Atravessando um fenda no caminho para o Pico do Itambé, na região de Capivari - MG


Ficamos morrendo de vontade de dormir lá em cima, sentir aquele friozinho bom em cima da montanha, mas tínhamos que voltar para seguir viagem. Um belo jantar com uma comidinha no fogão à lenha em Capivari e voltamos para casa prontos para a próxima. Amanhã seguiremos viagem para Conceição do Mato Dentro. Tabuleiro, aí vamos nós!

Brasil, Minas Gerais, Milho Verde (P.E. Pico do Itambé), Montanha, Pico do Itambé

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