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Ponte que leva ao Forte dos Três Reis Magos, em Natal - RN
O litoral do Rio Grande do Norte, mais especificamente a região onde hoje é Natal, era habitada pelos índios potiguares, que antes mesmo da chegada dos nossos colonizadores lusitanos, já era frequentada por comerciantes franceses. A primeira tentativa, frustrada, de conquista deste litoral foi em 1535. Depois disso os portugueses só retornaram em 1597, com o objetivo de construir um forte que afastasse os franceses e os hostis potiguares desta baia. O Forte começou a ser construído no dia dos Reis Magos 06 de janeiro de 1958 e marcou o início da colonização portuguesa no estado do Rio Grande do Norte. No natal de 1599 foi fundada a cidade de Natal, que foi assim nomeada devido à festividade.
Os três reis magos, no forte que leva seu nome, em Natal - RN
A estrutura do forte é a original, construído com pedras trazidas como lastro pelas caravelas portuguesas em uma troca muito justa, traziam pedras e levavam madeiras de lei, pau-brasil, jacarandá, etc. A fortaleza já passou por algumas reformas, sendo a última delas na década de 60, quando foram reformados o telhado e as paredes. Ele tinha estrutura para abrigar até 120 pessoas, no entanto viviam efetivamente entre 80 e 100 homens do exército português, entre soldados e comandantes. Havia uma cisterna para captação da água da chuva, que era consumida apenas pelos oficiais. Os recrutas deveriam beber a água do poço da capela central, uma água salobra, devido à mistura das águas do rio e do mar.
Capela dentro do Forte dos Três Reis Magos, em Natal - RN
A localização da fortaleza era seu principal diferencial estratégico, protegido por arrecifes naturais na foz do Rio Potengi, principal acesso à terra firme. Conta a história que o nível do mar nas marés de lua chegava a ser 6m mais alta que a atual.
Futebol ao pé do Forte dos Três Reis Magos, em Natal - RN
Na sua construção alguns detalhes interessantes como portas baixas e afuniladas para dificultar o ataque externo, já que os soldados portugueses mediam entre 1,40 e 1,60m em média e seus principais rivais, os holandeses, já possuíam uma estatura média mais elevada. A defesa do forte era feita por canhões, que tinham um alcance próximo a 800m, justamente a distância da entrada do rio. Caso os adversários alcançassem a terra e tentassem adentrar o forte, os meliantes seriam recebidos com água e óleo quentes. Ainda assim, se conseguissem entrar, sua primeira tentativa seria subir para desativar os canhões, porém logo seriam arremessados em um vão com 5m de queda livre na escada do “menos um”.
Forte dos Três Reis Magos, em Natal - RN. Ao fundo, a bela ponte sobre o rio Potengi
O forte foi tomado uma única vez, em 1633 quando aconteceu a invasão holandesa. Natal passou a chamar-se Nova Amsterdam e o forte também foi rebatizado. O ano de 1654 os portugueses retomaram as capitanias nordestinas, começando por Pernambuco e o forte foi simplesmente devolvido aos lusos sem que nenhuma batalha fosse necessária. Hoje ele é aberto à visitação, com uma das vistas mais bonitas da nova ponte e da foz do Rio Potengi, vale a pena conhecê-lo.
Segurando o chapéu novo, em Natal - RN
Ah! By the way, foi ali também que finalmente consegui encontrar um chapéu de palha (quase) como eu estava procurando, só fiquei chocada que ao lado dos chapéus, em cada banquinha, havia uns consolos de madeira de todos os tamanhos! Quando perguntamos à vendedora se havia algum motivo, tradição, sei lá, ela disse que “não, é por que tem muita gente que compra mesmo!” Hahaha!
O magnífico River Wak, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
San Antonio é uma cidade de origem espanhola que foi fundada em 1691 por um grupo de exploradores. Eles vinham reforçar a presença da Coroa Espanhola no Texas perante a vizinha francesa Louisiana. Viviam ali os indígenas Payaya, que logo entraram no esquema da época, sendo catequizados pelos padres franciscanos, que às margens do rio fundaram uma missão e a nomearam San Antonio em homenagem ao santo do dia. San Antonio cresceu e se tornou o maior povoado da capital espanhola e mais tarde do território mexicano, a Província de Tejas.
Praça central de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Álamo, antiga Missão San Antonio - no início do século XIX a missão foi transformada em um forte militar e passou a chamar-se Álamo, tornando-se uma prisão durante a Guerra de Independência Mexicana e mais tarde abrigou o primeiro hospital da cidade.
Chegando ao Alamo, em San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Mais tarde, já em meados do século XIX, que os ânimos se aqueceram e o Texas se proclamou independente do México. O General Santa Ana liderando um exército mexicano invadiu o Texas e sob fogo pesado, derrotou os texanos que se reuniam no forte do Álamo. Esta batalha é relembrada até os dias de hoje, pois os bravos soldados texanos lutaram até a morte, sem desistir de seu ideal, mais tarde logrado, independência do território mexicano.
O Alamo, local da mais famosa batalha para a independênica do Texas, em San Antonio, no sul do estado, nos Estados Unidos
Hoje o Álamo foi restaurado e se tornou um museu que conta em detalhes da sua história e batalhas que ocorreram ali, relembrando a vida e a história daqueles que viveram por se protegerem dentro de seus muros, e daqueles que morreram defendendo o ideal americano.
O pátio interno do Alamo, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A poucas quadras dali encontramos o San Antonio Riverwalk, um passeio de pedestres construído ao longo de 4 quilômetros do Rio San Antonio no centro histórico da cidade. O rio era um problema para a cidade, que já havia passado por diversas enchentes relâmpagos e inclusive perdido 50 vidas em uma catástrofe em setembro de 1921. Depois disso vários planos para controle de enchentes e canalização do rio aconteceram, mas não sem o protesto dos conservacionistas da época que salvaram o rio de ser canalizado, sepultado e apartado da vida da comunidade.
A bela River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Foi apenas em 1938 que um projeto audacioso surgiu, o projeto de embelezamento do Rio San Antonio, que além de sistemas para o controle de enchentes propunha o Passeio del Rio um nível abaixo do nível da rua. Foram anos para que os planos passassem a ações e só em 1946 o projeto arquitetônico e comercial começaria a ganhar força e o apoio da população. Neste ano foi aberto o primeiro dos restaurantes do passeio, o Casa Rio, seguido mais tarde pelo hotel Hilton e em 1981 pelo Hyatt.
Turistas passeiam de barco pelo River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A bela River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O charmoso passeio interliga o Álamo ao Rivercenter Mall e continua em forma de “U”, seguindo uma grande curva do rio, passando pela La Villita, centro de artesanatos e arte e outras atrações da cidade e uma infinidade de restaurantes. Tudo é comemorado nos bares e nas calçadas do Riverwalk: aniversários, nascimentos, casamentos (encontramos os noivos apavorando no pub irlandês!) e até os 4 NBA´s que ganharam o San Antonio Spurs, time de basquete da cidade que desfilou em um barco no rio depois das suas vitórias.
Distrito histórico de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O magnífico River Wak, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Se você quer ver movimento e o passeio ainda mais vivo e decorado, dois grandes momentos festivos para visitá-lo são durante a Fiesta de San Antonio, na primavera, com barcos floridos flutuantes e durante o mês de dezembro, quando a decoração de luzes de natal o torna ainda mais especial.
Teatro ao ar livre na River Walk, arquibancada de um lado e o palco do outro lado do rio (em San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos)
A cidade ainda conta com uma mão cheia de atrativos, mas o maior deles é justamente se deixar embalar pela graça e pela alegria e vivacidade das ruas de San Antonio e fluir o dia ao lado das águas do Rio San Antonio. Passamos um dia inteiro e duas noites na cidade e seguimos rumo ao sul, seguindo pela rota das missões de San Antonio. Decidimos parar em ao menos uma delas, a Missão San José.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Dentro de um parque histórico nacional, a Missão San José é conhecida como “A Rainha das Missões”, por ser a maior delas já quase totalmente restaurada. A missão foi construída em 1720 por padres franciscanos que vieram a catequizar os indígenas Coahuiltecanos. A missão funcionava como uma vila, que reunia a comunidade indígena ao redor dos ensinamentos dos hábitos, línguas, costumes e crenças dos seus novos colonizadores.
Visitando a missão franciscana de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Segundo historiadores os indígenas buscavam a missão como um lugar de refúgio, paz e abundância, pois aqui aprendiam novos ofícios como ferreiros, sapateiros e artesãos, cultivavam os alimentos e aprendiam a relacionar os seus deuses aos novos ensinamentos católicos. Muito deste sincretismo pode ser visto na fachada da igreja, esculpida e trabalhada por artistas indígenas que incluíram elementos do seu dia a dia ao lado dos santos católicos. Estima-se que aqui viveram ao menos 350 indígenas, que passaram a ser donos das terras em 1794. A atividade missionária se acabou oficialmente no ano de 1824 e, abandonada, o espaço se tornou casa para soldados, mendigos e bandidos. Apenas em 1930 e missão foi restaurada e se tornou parte do San Antonio Missions National Historical Park.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A visita guiada pela park ranger é bem interessante e dura em torno de 45 minutos, dando detalhes de como seria a vida na missão, sua construção e história. Uma curiosidade, dizem que foi nos moinhos desta missão que teriam nascido as primeiras tortilhas de farinhas da história, unindo o recém-chegado trigo à antiga receita da massa de milho utilizada pelos indígenas.
A "janela do Rosario", na Mission san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Guia leva grupo para conhecer a Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
As missões foram mesmo uma arma poderosa utilizada pelos espanhóis na colonização e no aculturamento dos povos indígenas latino-americanos, desde a argentina, passando pelo Brasil, Paraguai e chegando até aqui, nos Estados Unidos! O lugar é lindo e transmite uma grande paz e serenidade, um dos passeios obrigatórios aqui em San Antonio!
As belas janelas da Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Outra dica, se você está vindo de Austin para San Antonio, reserve um tempinho para uma parada nos Outlets de San Marcos que estão no caminho. São dois outlets um em frente ao outro, um mais baratex com marcas básicas e outro Premium Outlet só com marcas bacanas. Nos dois você encontra bons preços e uma paradinha por lá não vai fazer mal a ninguém. Rs!
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Nós passamos pela Levis para refazer o estoque de calça jeans antes de sairmos do país, afinal depois de 3 anos elas já estavam bem batidas e carcomidas.
Cartaz explicativo na loja da Levi's, em Outlet da região de Austin, no Texas, nos Estados Unidos
Nossa próxima parada foi a cidade de Laredo, já na fronteira com o México. Chegamos ao fim da nossa rota pelos Estados Unidos, com um aprendizado incrível sobre a sua história, suas belezas naturais e principalmente toda a sua geografia! Foram 9 meses percorrendo a América do Norte, quase 7 deles só nos Estados Unidos, totalmente fora do que havia sido planejado. Eu sempre fui crítica e inclusive tinha certo preconceito em relação aos turistas que se dedicam única e exclusivamente a conhecer os Estados Unidos, principalmente aos que não saem do eixo Miami-Orlando-Nova Iorque de compras e parques da Disney.
River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Hoje tenho uma visão melhor do país e vejo que o potencial turístico dos Estados Unidos é totalmente desperdiçado pela maioria dos brasileiros, que seguem repetindo suas viagens pelas grandes cidades e deixam de conhecer o que o país tem de mais rico e interessante, seus parques nacionais, paisagens únicas e melhor, tudo com muita infraestrutura e informação, fácil para todos os tipos de viajantes, até aos menos aventureiros. Hoje, depois de passar por 41 dos 50 estados americanos, digo com a boca cheia que conheço os Estados Unidos e de peito aberto, que me tornei fã desta terra, seus desertos e montanhas, florestas e cidades. Espero que a nossa viagem e os nossos posts os encoraje a viajar mais e conhecer melhor este imenso e diverso país.Valeu Tio Sam, I´ll be back!
Curtindo o fim de tarde no alto da duna do pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
Hoje foi um dia atípico, fiquei me sentindo como a Gretchen, cantando o “Piri Piri... Ai ui ÚI”! Acordei cedo e vi que ainda estava “estranha”. Tomei café e continuei “estranha”. O plano hoje era andar 10km até Mangue Seco e voltar mais 10km para Jeri. “Nem a pau Juvenal!”, foi o que meu corpo respondeu. Uma leve sensação de febre, sem alteração de temperatura e dores não muito amigas na região abdominal. Combinei com o Rodrigo, você vai e eu fico.
Subindo a duna do pôr-do-sol no fim de tarde em Jericoacoara - CE
Ele planejou que voltaria em 4 horas, 3 das quais eu continuei dormindo entregue e feliz no nosso quarto na Pousada Calanda. Na última hora levantei para escrever, pois sabia que o meu “chefe” já ia chegar e me reprimir se eu não tivesse produzido nada. Rsrs! Descobri pouco antes dele chegar que está acontecendo um surto de piriris aqui na vila, não sabem ao certo se é um vírus ou se é da água, fato é que várias pessoas relataram o mesmo sintoma agora neste início de inverno.
Pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
O Ro chegou exatamente no tempo planejado e com a mesma notícia, havia descoberto o surto. Outra notícia intrigante dos nossos amigos aqui da pousada foi que ontem a noite houve um tremor de terra aqui na região. O pessoal de Mangue Seco sentiu mais, o chão tremeu, ouviram o som como de um trovão e as telhas tilintaram. Terremoto em Jeri? Já pensaram? Era só o que faltava... rsrsrs.
Autofoto na duna do pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
Logo saímos para um passeio, fotos na duna do pôr-do-sol e um derradeiro banho de mar.
Correndo em disparada duna abaixo! (em Jericoacoara - CE)
Se eu estivesse mais disposta ainda me arriscaria num sand board.
Tudo o que desce, sobe! (em Jericoacoara - CE)
Sem dúvida um mergulho vai me ajudar a melhorar.
Entrando no mar no fim de tarde de Jericoacoara - CE
Almoçamos já com a noite caindo, assistindo ao belíssimo show de raios que iluminavam o céu de Jeri.
Pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
Pois é, hoje fiquei sem muito mais o que falar. Quem quiser conhecer Mangue Seco e mais aventuras deste dia, acesse o blog do Ro. Ao menos minha homeopatia, horas de sono e muitas águas de coco me garantiram o dia de amanhã, pouco mais de 20km até Tatajuba e outros tantos por lá!
Últimas luzes em Jericoacoara - CE
As famosas construções Incas, com encaixe perfeito de pedras, em Cusco, no Peru
Demos uma volta na praça principal e almoçamos em uma das mais concorridas padarias e lanchonetes da cidade. Se passaram umas duas horas e minha sorte mudou. Comecei a passar mau e é claro que o Ro já culpou a garrafada da Dona Elsa. Eu só pensava na maionese do almoço de ontem. Fato é que a minha imunidade estava baixa e o meu sistema digestivo super frágil depois de 4 dias tomando amoxicilina para a pneumonia. Se foi a maionese ou a garrafada já não importava, logo percebi que nada que eu comesse iria parar no meu estômago, nem água! Fiquei algumas horas entre o banheiro e a cama passando muito mau, vomitando e num piriri danado. Foi quando vi que só iria piorar... Logo tive que tomar a decisão: vamos para o hospital.
O hospital que atendeu a Ana em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Eram perto das 23h quando chegamos à emergência do Hospital Santa Rosa. O hospital estava em greve e apenas um médico e duas enfermeiras atendiam as emergências que chegavam. Esperei quase uma hora, consultei, mediram febre, anotaram o meu histórico e sem melhora resolveram logo me colocar no soro. O primeiro soro na veia a gente nunca esquece, não é mesmo? O que eu não imaginava é que iria ficar ali por 24 horas! Dormi no hospital... mas tão entregue que nem vi o tempo passar naquela maca dura e gelada.
A Ana descansa em leito de hospital em Puerto Maldonado, no Peru
A cada turno mudava o médico e mudavam as informações que davam ao Rodrigo. Mudaram a minha medicação, retiraram a amoxicilina e sabe Deus o que me deram. O Rodrigo, coitado, fez um tour por todas as farmácias da cidade, pois tudo o que é usado no paciente, como tubos, agulhas, micropore e o próprio soro, devem ser comprados e fornecidos pelos pacientes. Depois da alta também é cobrado um valor pela consulta médica, exames e internação. Tudo num preço super acessível, bem coerente com a estrutura precária e o serviço prestado. Sorte que não tive que usar muito o banheiro que nem assento não tinha no vaso, ah, e detalhe, eles não forneciam nem o papel higiênico. Mas quando estamos mal nem é isso que interessa... só queremos melhorar.
Uma das muitas farmácias visitadas pelo Rodrigo em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Fato foi que mesmo sem comer nada eu fui reidratando e depois das 24 horas o Rodrigo fez questão de me tirar dali. Negociou com a médica que ele mais confiou, que me indicou tomar pedialite (soro oral) e alguns lactobacilos para reconstituir a flora do sistema digestivo.
Um dos muitos exames feitos pela Ana durante sua estadia no hospital de Puerto Maldonado, no Peru
O Ro já queria ir embora, não aguentava mais ficar em Puerto Maldonado, mas eu ainda não poderia viajar, principalmente considerando que a nossa próxima parada seria Cuzco, lugar com melhor infraestrutura, mas que está a 3.600m de altitude! A médica proibiu que pegássemos estrada ainda hoje... e nem precisava dizer, eu estava muito fraca, sem condições. Ficamos mais um dia no Wasaí Lodge, eu a base de bactrin, tomando muito soro, bolachinhas água e sal e até uma canja de galinha, aqui chamada de dieta de pollo.
Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Fizemos uma tentativa de viagem para Cuzco no dia seguinte, eu me sentia um pouco melhor, o Ro precisava sair dali e ainda por cima o lodge já não teria vaga para nós. Andamos uns 20km e não rolou, comecei a enjoar, passar mal e voltamos. Tentativa abortada. Tivemos que nos hospedar em um outro hotel por mais uma noite. Passamos o dia lá, descansando, trabalhando nos posts e a noite ainda arrisquei uma saída para tomar uma sopinha de aspargos em um dos restaurantes bacanas da cidade, o Burgo´s Restaurante.
O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
A noite seguinte já foi em Cuzco, depois de uma viagem incrível da Amazônia aos Andes que conto aqui. Na chegada um parto para achar uma pousada com estacionamento. Na falta de uma paramos perto da Plaza San Francisco, pousada de um lado, estacionamento de outro. Ainda tive forças para carregar mala e cuia para a pousada, tomar uma sopa de verduras e cama! Acordei bem no dia seguinte, mas não demorou para logo passar mal e cair de febre novamente, 38 a 39 graus de febre o dia todo de cama. Voltou o piriri e a fraqueza. Não sabemos se foi pela sopa, o mais provável é que tenha sido a reação do organismo pela mudança de altitude, menos oxigênio e maior necessidade de adaptação e produção de glóbulos vermelhos para o corpo.
A noite cai na Plaza de Armas, em Cusco, no Peru
A partir daqui parei com todos os remédios halopáticos e segui apenas com a medicação homeopática que já estava tomando com a orientação da minha médica particular preferida, mamãe! Segui tomando o Rhus Tox e soro oral, mais os cuidados do Ro, dieta de pollo no jantar e até que enfim a febre baixou.
Mais um exame da Ana, dessa vez em Cusco, no Peru
O dia seguinte passei sem febre, até saímos no final do dia para dar uma caminhada rápida, fomos à Plaza de Armas e jantamos na Cantina Italiana, brochetas de pollo y papas cocidas. Finalmente sinto que estou melhorando! Resolvi fazer exames no Laboratório El Sol no dia seguinte, precisava descobrir que praga era essa que não me deixava! Fiz uma massagem inca com a Jesica em um dos mercadinhos ali do lado. Em Cusco você encontra dezenas de meninas oferecendo massagem, algumas delas tem até “serviço especial” depois das 23h. O Ro conseguiu agilizar a compra dos nossos tickets para Machu Picchu no Ministério da Cultura e cortou o cabelo. Sara, a farmacêutica lá do laboratório conseguiu agilizar o resultado dos exames, que infelizmente se mostraram meio ruins, ainda tenho a infecção, só estou melhorando por que depois de uma semana, com a ajuda da homeopatia, meu corpo começou a reagir sozinho! Tanto estou reagindo que hoje resolvi testar meus limites e comi um bife de alpaca, com zero de gordura e colesterol, e batatas cozidas. Hummm! Preciso ficar forte, logo logo o Gustavo chega e teremos muitas aventuras por aí!
A noite cai na Plaza de Armas, em Cusco, no Peru
Bem, agora já é o dia 25, há 9 dias estou lutando contra essa porcaria de doença e parece que finalmente vou ganhar! Saímos para uma caminhada no centro histórico, trocamos alguns tickets para Machu Picchu no Ministério da Cultura, e conseguimos já comprar as passagens de trem na Peru Rail. Tudo pronto para Machu Picchu! Almoçamos em um restaurante thai na Plaza de Armas, sem temperos, comi sanduíche de frango e passei bem! Saiu o resultado do anti-biograma e consegui logo descobrir qual seria o medicamento que mataria de vez a bactéria. E adivinhem se não era o bom e velho ciprofloxacino? Mesmo amigo que me salvou de uma bactéria peruana em Huaráz a mais de um ano atrás. Mesmo bem, minha homeopata mamãe me indicou tomar o remédio, já que vou abusar nas montanhas incas daqui pra frente. Amanhã o Gustavo chega e começam as nossas explorações pela região de Cuzco e o Vale Sagrado. É a minha prova de fogo! E depois dessa tenho certeza que essas bactérias peruanas não me pegam mais!
Parque urbano em Filadelfia, com árvores típicas do Chaco - Paraguai
Vocês devem estar pensando, essa Ana é meio perdida mesmo. Lá no meio do Paraguai e larga um willkommen? Tudo bem, podem falar, eu pensaria o mesmo, quando que nós podemos imaginar que em uma região onde vive apenas 3% da população paraguaia vamos encontrar uma colônia alemã?
O Itaú fala alemão em Filadelfia, no Chaco paraguaio
Pois bem, hoje chegamos à Filadélfia, uma cidade no departamento de Boquerón no norte do país. Esta região foi colonizada entre 1927 e 1947 por grupos de menonitas canadenses, soviéticos e ucranianos-alemães que buscavam refúgio da guerra e um espaço em que tivessem liberdade religiosa e administrativa. O governo paraguaio os cedeu este espaço, pensado seco e improdutivo, para que se estabelecessem e hoje a região é a principal fornecedora de produtos lácteos do país. O alemão é falado por todos, o espanhol já é encontrado entre os mais jovens e o guarani, também é usado por alguns fazendeiros.
Placa bilíngue na cidade de Filadelfia - Paraguai
A economia da cidade gira em torno da cooperativa agrícola, pioneira na fundação e estruturação da cidade. A organização da cidade não está apenas nos jardins floridos, mas nas suas casas e ruas bem desenhadas. Estranho é pensar tudo isso em meio a um lugar seco e semi-árido como o Chaco. O parque da memória dos imigrantes é uma linda praça florida e possui uma casa de arquitetura colonial alemã. No mesmo terreno do Hotel Florida está um Unger Museu sobre a imigração e a história dos menonitas, que infelizmente pegamos fechado.
Museu na cidade de Filadelfia - Paraguai
Ainda assim não podemos reclamar de nossa sorte, pois conseguimos o último quarto disponível no Hotel. Hoje chegou um grupo de médicos oftalmologistas americanos para um mutirão comunitário. São mais de 30 médicos entre 30 e 50 anos, além do pessoal da organização, um agito e tanto para pacata cidade de Filadélfia. Eu fiquei super feliz, em plena crise de rinite (um dos males que desenvolvi na etapa úmida desta viagem), socorro não vai faltar!
Flôres no hotel Florida, em Filadelfia - Paraguai
Fontes de águas termais se encontram com o enorme Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
O Lago Yellowstone ocupa parte da gigantesca caldeira do vulcão de mesmo nome. A caldeira do supervulcão tem 49 x 72 km e ocupa a área central do parque. O lago possui 32 km de comprimento e mais de 22 km de largura e é o maior lago de altitude dos Estados Unidos. Ele é tão grande que nem conseguimos enxergar a outra margem. Nele vivem lontras e 11 espécies nativas de peixe. Ao redor dos 226 km que margeiam o lago se encontram marinas, lodges, campings e tours de barco ao redor do lago. É um convite aos pescadores de plantão.
Fontes de águas termais se encontram com o enorme Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
O West Thumb é só um pedacinho deste imenso lago, formada por uma “pequena” erupção há mais ou menos 174 mil anos. Pare um minuto e olhe ao redor. Toda essa água que vemos é apenas parte da baía criada por esta “pequena” erupção! Todas as coisas aqui no Yellowstone são assim, possuem proporções mamutescas! A atividade vulcânica ainda existe no fundo desta baía e uma das evidências disso está nesta área de geysers conhecida como West Thum Basin, um cenário lindo às margens da baía. Impressionante ver a formação das rochas às beira do lago que se parecem com arrecifes coralíneos. Estas, porém, são formadas pelas colônias de bactérias que foram depositadas por milhares de anos pelas fontes de água termal.
Maravilhosa piscina transparente e esverdeada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Tão próximas e tão distintas (as duas fervem!), próximas oa Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Seguimos ao norte margeando o lago e entramos na região do Haydenn Valley, uma das áreas destacadas pelos rangers para avistarmos vida selvagem. Eis que de repente surge um veado, chamado aqui de mule dear, imenso na nossa frente! Ele caminhava e comia tranquilo na beira da estrada, quando foi cercado por fotógrafos e turistas curiosos (inclusive eu, é claro!).
Um veado passeia tranquilamente pelas estradas movimentadas do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Adiante outra surpresa, um bisão lindo e solitário não muito longe da estrada e despegado da manada que estava reunida do outro lado do rio na imensa planície do Yellowstone River. Passamos pelo vulcão de lama e o caldeirão sulfuroso, cada parada com placas bem ilustrativas e informativas sobre a atividade vulcânica e formação geológica de todo o parque.
O bisão selvagem, um dos símbolos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Manada de bisões no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A bucólica paisagem do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Nesta área as colinas ao fundo estão em franco crescimento, pressionadas pelos rios de lava que correm sob essas terras. Voltando para West Yellowstone, nossa base na entrada oeste do parque, ainda tivemos a sorte de ver um coiote na estrada entre a Canyon Village e Norris Geyser Basin! As melhores horas para ver animais são ou bem cedo, quando o sol está nascendo ou quando o sol está se pondo. Bingo! Lá estava o coiote mesclado às gramas da savana!
Um furtivo coiote no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Veja também os posts:
- Yellowstone em 3 dias
- Yellowstone - Old Faithful Area
- Grand Canyon e Mamooth Springs
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Descendo do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Nas proximidades de Antigua estão quatro vulcões: el Volcán de Água, Fuego, Acatenango e o Pacaya. O Vulcão de Água (3.766m) está inativo e é o mais próximo da cidade, porém de mais difícil acesso. Curiosamente este vulcão, mesmo inativo, é um dos que mais provoca desastres na região. De tempos em tempos sua cratera colapsa derramando toda a água que se acumula dentro dela, destruindo vilas inteiras com a gigantesca massa de água! Dá para entender de onde surgiu o seu nome.
A grandiosa paisagem com duas encostas vulcânicas observadas do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
O Volcán de Fuego (3.763m) é um dos vulcões mais ativos da América Central. "Chi'gag", seu nome em cakchiquel, significa "onde está o fogo", nos vilarejos próximos pode-se ver o vermelho da lava em noites sem nebulosidade. Os registros de suas violentas erupções datam desde 1524, quando o conquistador espanhol Pedro de Alvarado, pode vê-lo em atividade. Sua última erupção foi em 2010, um dia depois de uma terrível tormenta tropical Ágatha, que fez o Volcán de Água lavar os povoados das suas encostas. Neste episódio 152 pessoas morreram e 100 ficaram desaparecidas com a passagem do Agatha em toda a Guatemala.
Restos da última erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Unido ao Volcán de Fuego está o Acatenango (3.976m), um estratovulcão com dois picos, a união dos dois é conhecida como La Horqueta. Embora ligado ao de Fuego, este é um vulcão inativo, se tornando o melhor mirante da cratera sempre ativa do seu irmão Fuego. Este é o trekking preferido dos aventureiros que vão até Antigua, normalmente feito em dois dias, pois nas noites estreladas é quando melhor se vê a lava e pequenas erupções.
Caminhando em meio à fantasmagórica paisagem vulcânica no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Nosso primeiro plano era fazer este trekking, mas infelizmente o tempo não estava ajudando e não adiantaria de nada subir e ficar a ver nuvens. Então decidimos ir ao maior competidor do Fuego, no quesito “vulcão mais ativo da América Central”. Pacaya está a 47km de Antigua e entrou em atividade há milhares de anos. Depois de quase um século adormecido, voltou a atividade em 1965 e desde então não parou mais. É o vulcão mais indicado para aqueles que querem ver atividade vulcânica, lava, fumaça, calor. A sua última erupção foi em maio de 2010 e matou um jornalista e um jovem, além de 3 crianças desaparecidas.
Passando por fendas criadas por um rio de lava no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
O tempo estava péssimo, subimos com muita nebulosidade, chuva e vento. Biron (leia-se Bairon), um jovem super astuto que trabalha no estacionamento que usamos em Antigua, nos acompanhou até lá e foi contando todas as histórias dos desastres acontecidos na região. Chegando lá, tivemos que contratar um guia local (150 quetzales = uns 25 dólares), obrigatoriedades do parque. Esperneamos, mas essa obrigatoriedade começou desde o último incidente. Biron 2 (sim, o guia local também chama “Bairon”), nos contou como foi o dia da erupção.
Com o Byron, que nos acompanhou até o vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
A caminhada começa por um morro vizinho, conhecido como Cerro Chino. Biron estava lá, com familiares, olhando o vulcão, tirando fotos com a lava que escorria tranquilamente por sua canaleta. Eis que ouviram a primeira explosão e, experientes, não pensaram duas vezes, desceram correndo as ladeiras, usando todos os atalhos possíveis. Ao lado deles estava a equipe de televisão que fazia uma reportagem sobre o vulcão. Eles avisaram a equipe para descer imediatamente, porém eles decidiram descer até onde estava o carro, no terreno da antena da emissora. Chegando lá, o carro havia pegado fogo e ali mesmo o repórter foi atingido por uma pedra incandescente e morreu na hora. O cinegrafista conseguiu escapar. Nós ainda vimos a cruz colocada no local onde o repórter foi encontrado... Literalmente, uma fatalidade.
Início da caminhada no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Desde então o Pacaya se acalmou e para a infelicidade dos dois viajantes aqui, toda a lava já secou e restaram apenas dois resquícios da sua atividade, um buraquinho quente, onde o povo gosta de derreter um marshmellow ou assar uma salsicha e uma linda caverna. A gruta, além de nos proteger um pouco da ventania e da chuva, ainda recebe um pouco de calor do rio de lava que corre ali por perto.
Esquentando-se numa das fontes de calor no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala. Sinal de que a lava ainda está ali perto!
O trekking valeu a pena, nos exercitamos e conhecemos mais um pouco da cultura e da história da Guatemala. Fato curioso foi que descobri que meu tio esteve aqui em 1986, um ano antes de uma grande erupção com coluna de cinzas que chegou a 8km de altura. Anos depois quem passou por aqui foi a minha irmã, quando participou do Jamboree Panamericano de 1997 e 98 foi outro ano de grande atividade, quando o vulcão lançou cinzas sobre a capital, fechando o aeroporto por 3 dias. Será que teremos uma nova erupção do Pacaya no ano que vem, para manter a tradição? Ficaremos atentos.
Caldeira de lava com pouco mais de um ano de idade, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Nosso dia começou com algo bem inusitado, uma missa Rapa Nui. A missa estava lotada de famílias, jovens, senhores e crianças, além de uma horda de turistas que assistiam curiosos à uma das missas mais bonitas e alegres de suas vidas. O padre vestido com sua bata e um belo colar de flores polinésio, reza a missa em espanhol e no idioma Rapa Nui, entoando lindos cantos acompanhado por todos os presentes.
A movimentada missa dominical rezada em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, território chileno no meio do Oceano Pacífico
Missa movimentada em Hanga Roa, capital da Ilha da Páscoa
A igreja localizada na rua principal de Hanga Roa é simples e tem a sua fachada decorada com ícones da antiga religião Rapa Nui. O Homem Pássaro é o mais conhecido deles, do culto Tangata Manu (Cerimônia do Homem Pássaro), religião que era praticada pelos habitantes da ilha entre a fase dos Moais e 1860, quando os Rapa Nuis se converteram ao cristianismo, adotando como religião oficial o catolicismo.
A simpática igreja de Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Durante nosso primeiro dia na ilha aprendemos com o guia local Patrício um pouco sobre os povos que aqui viveram e as religiões que praticavam. Estudos antropológicos dizem que dois grupos étnicos distintos chegaram à ilha originalmente, os orejas largas e os orejas cortas (orelhas grandes e orelhas pequenas). Os orejas largas eram grandes, altos, fortes e de feições polinésias similares aos havaianos, nariz proeminente, traços bem marcados, retos e cabelos compridos amarrados no topo da cabeça. Já os orejas cortas eram baixos, nariz mais achatado e corpo forte atarrachado. Os orejas largas eram os líderes que aparentemente haviam trazido os orejas cortas como escravos em sua expedição em busca de novas terras. Esta é uma matéria bem controversa, inclusive a origem destes dois grupos, se haveriam chegado juntos ou em diferentes movimentos migratórios. Tudo o que nos foi passado e contamos aqui são um misto da cultura oral, muito forte entre as famílias rapa nui, e estudos de diferentes antropólogos e arqueólogos.
Antigos Moais em Rano Raraku, a fábrica de Moais, parcialmente cobertos pelo tempo. Ainda estavam a venda quando a civilização se perdeu (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico)
A religião praticada pelos orejas largas estava relacionada ao culto aos seus ancestrais e daí nascem as gigantescas estátuas de pedra construídas por este povo. Os moais eram estátuas funerárias esculpidas em homenagem aos líderes das famílias que governavam as diferentes cidades de Hanga Roa. Mas quem esculpia estes moais? Os escravos orejas cortas, que trabalhavam lá na Fábrica de Moais (mais detalhes sobre a fábrica neste post).
Visitando Rano Raraku, onde eram produzidos os Moais que se espalham por Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Porém houve um momento em que estes escravos se rebelaram com os seus líderes e, em uma grande batalha, conseguiram derrubar os orejas largas e assumir a liderança da ilha. Neste momento houve uma transição religiosa, do culto aos Moais, agora para o Culto Tangata Manu. Uma curiosidade é um Moai totalmente diferente de todos os outros encontrados na ilha, localizada no final da trilha do Rano Haraku (Fábrica de Moais), que tem todas as características de um oreja corta e que estaria ajoelhado olhando para o céu.
Um estilo diferente de Moai, em Rano Raraku, um dos vulcões de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Este é apenas um dos indícios de que os orejas cortas nunca haviam abandonado a sua religião, ligada à um tipo de ave migratória que aparecia na ilha apenas uma vez ao ano para se reproduzir nos ilhotes, o Manutara. Todos os anos era organizada uma grande competição, conhecida como Tangata Manu ou Cerimônia do Homem Pássaro, onde os homens mais fortes, ágeis e inteligentes da ilha representariam seus clãs. A competição acontecia no Orongo, cidade cerimonial construída no topo do Rano Kau, um dos três vulcões da ilha.
Topo do vucão Rano Kau, onde se iniciava o festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Manutara, cujo ovo era o prêmio máximo no festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Ela consistia em uma grande prova, onde os competidores tinham que descer a encosta do vulcão em direção ao mar, atravessar a nado para os Motus e aguardar, sem água e sem comida, a chegada do Manutara. O bando de manutaras chegava para acasalamento e reprodução e o primeiro ovo a ser colocado deveria ser sequestrado pelo competidor que o traria a nado e na escalada da encosta do vulcão, intacto de volta ao Orongo. Os orejas cortas acreditavam que o homem, independente de ser oreja larga o oreja corta, que fosse capaz de passar por esta prova de delicadeza, destreza, força e agilidade, seria o melhor governante. A cerimônia duraria meses, os competidores ficavam isolados em hare vacas (casas) especiais no Orongo aguardando o momento para começar a travessia.
Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Ilhas onde chocavam os manutaras e para onde nadavam os participantes do festival do homem-pássaro, em frente ao vulcão Rano Kau (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)
A ida ao Orongo é um ponto alto da visita à Ilha de Páscoa. Além do museu ter informações sobre a cerimônia e parte da história dos ancestrais, o lugar tem algumas das vistas mais lindas da ilha. O mirante do Vulcão Rano Kau tem uma linda vista da cratera e também da possível rota que os competidores escolhiam para descida ao mar e a escalada novamente ao Orongo. Dentro do local cerimonial estão as casas de teto baixo onde eles se concentravam e se preparavam para a corrida. Não podemos entrar dentro delas, mas no museu vemos que elas eram adornadas por pinturas nas paredes e tetos internos, muitas destas placas de pedra pintadas teriam sido saqueadas por diferentes grupos caça-tesouros e vendidas para diferentes museus ao redor do mundo.
Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Esta religião mais tarde foi substituída pelo cristianismo, mas parte deste espírito competitivo é relembrado todos os anos no Tapati Festival, quando duas equipes locais se enfrentam em competições de canoa, escaladas, corridas com grandes cachos de banana, canto, dança e até esculturas. O clã que vencer elegerá a nova miss Rapa Nui, a Rainha do Tapati Festival. Dança, música, gastronomia e arte rapa nui reunida em um mesmo evento, que ocorre sempre entre os meses de janeiro e fevereiro. Se quiser participar trate de reservar passagens e pousadas com meses de antecedência, já que é o pico da temporada turística, período mais procurado na Ilha de Páscoa.
A cidade de Ranga Roa vista do alto do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Bela paisagem no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
A Cidade do México é formada por diversas vizinhanças, então para alguém poder dizer que conhece alguma coisa da cidade do México são necessários pelo menos uns sete dias para rodar bem a cidade e explorar os principais bairros.
Parque Chapultepec visto do alto do Castillo, na Cidade do México, capital do país
Nós começamos a nossa segunda rodada pela capital mexicana pelo principal parque da cidade, o Bosque Chapultepec. Apenas passando por algumas definições básicas: aqui no México os bosques são o mesmo que nós brasileiros conhecemos como parques. Os parques são as nossas praças e as plazas mexicanas são áreas em que normalmente há um comércio informal, tianguis espalhados por tudo. Portanto o Bosque de Chapultepec é o equivalente chilango do Parque Ibirapuera ou do Parque Barigüi. Uma imensa área bem arborizada com diversas atividades e atrativos para a população.
Muitos esquilos no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
No parque há um pequeno lago artificial com pedalinhos, área de eventos e shows, aulas de ginástica e yoga, sala de leitura, biblioteca e até um espaço conhecido como “audiorama”. O Audiorama é um cantinho acústico a céu aberto, onde está disponível uma banca de empréstimo de livros, vários bancos confortáveis e um com ambiente com música clássica. Uma ilha de tranqüilidade no meio da caótica megalópole.
O incrível Audiorama, recanto para relaxar ouvindo óperas, dentro do Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
Após atravessarmos o bosque, passando pela Avenida dos Poetas, chegamos ao Monumento aos Combatentes Mexicanos na Guerra das Malvinas. O Audiorama fica exatamente atrás deste monumento. Outra boa referência é o Ahuehuete de mais 700 anos conhecido como “El Sargento”, a árvore símbolo nacional do México também conhecida como “El Ahuehuete de Moctezuma”, pois diz a lenda, foi plantada pelo imperador azteca. Seu nome significa “a árvore que nunca envelhece” ou “árvore velha de água” na língua náhuatl. Ela possui 15m de altura, 40m de diâmetro e viveu por mais de 500 anos, não há como perdê-la de vista.
Caminhando no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
A história do parque é um tanto quanto curiosa e remonta ao Imperador Azteca Nezahualcóyotl, que construiu um aqueduto que ligava a principal fonte de água doce para a capital Tenochtitlán, sobre o Lago de Texcoco. Hoje o local da mesma nascente de água está dentro de um monumento construído a céu aberto não apenas protegê-la, mas para manter a memória e a origem deste local. Aí algumas placas contam a história dos jardins ao redor do bosque, espécies de árvores e plantas que foram introduzidas desde a época dos Aztecas, passando pelo período colonial e o segundo período monárquico do México, até os dias de hoje. E pensar que os mesmos aztecas que adoravam um sacrifício humano, também tinham a sensibilidade e visão de construir um dos primeiros jardins botânicos que se tem registro na era pré-hispânica. Chapultepec na língua Náhuatl quer dizer “Colina dos Gafanhotos”.
O Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
Passamos pelo monumento dos Niños Heroes, jovens estudantes da escola militar, que defenderam heroicamente o Castelo de Chapultepec da invasão norte-americana em 13 de Setembro de 1847 e chegamos ao Castelo de Chapultepec, que está localizado no alto do Monte dos Gafanhotos, com uma belíssima vista da cidade. O castillo começou a ser construído no período colonial em 1785, porém só foi terminado após as guerras de independência. Em 1864 o Imperador Maximiliano e a Imperatriz Carlota o reformaram para ser sua residência no México.
Elegante sala no Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
Essa é uma história curiosa, após a independência, o México foi conquistado pela França de Napoleão III. Este ofereceu o cargo de imperador ao Maximiliano, da Áustria. Ele e sua esposa vieram apoiados pelos conservadores mexicanos, porém suas idéias liberais não foram muito bem vindas. Um post no Blog do Rodrigo (http://www.1000dias.com/rodrigo/chapultepec-e-maximiliano/ ) faz um resumo interessante deste capítulo da história mexicana. Depois disso o castelo tornou-se residência presidencial até o ano de 1939, quando foi transformado em Museu Nacional de História pelo presidente Lázaro Cárdenas.
O Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
O castelo possui uma decoração suntuosa que atravessou séculos e foi sendo modernizado conforme seus novos moradores passavam por ali. Um dos principais lugares do castelo são o seu jardim de inverno no pátio superior, com uma torre de observação no centro e um paisagismo europeu impecável!
Jardins do Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país
Saímos de Chapultepec e fomos caminhando até a Colônia Condessa, uma das vizinhança hypes do DF. Suas ruas super agradáveis e arborizadas, sua arquitetura do início do século XX, restaurantes, bares e bistrôs são parte do charme. Condessa é o bairro que mais usa bicicleta e possui inclusive o sistema de locação e compartilhamento de bicicletas similar ao encontrado em Paris.
Um dos muitos restaurantes em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país
Os arredores do Parque México e da Amsterdam, rua que o circunda, são os mais agradáveis para uma caminhada rápida e um café ou almoço tardio. Nós paramos em um bar de Tapas y Viños e aproveitamos o final de tarde para conhecer o Soho da Cidade do México.
Venda de flores em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país
Um dia de muitos aprendizados sobre a história deste país e a geografia desta cidade. As duas horas no trânsito para voltar às Lomas de Santa Fé rapidamente nos trouxeram à realidade da metrópole mexicana, que em suas ilhas de calmaria nos cativa e nos deixa apaixonados.
Tranporte comunitários de bicicletas em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país
Glossário:
- Chilango: pessoas que nascem na Cidade do México. Estes também podem ser chamados de “defeños”, pois nasceram no DF, Distrito Federal.
- Tianguis: camelôs.
- Colônia: bairro chique.
- Barrio: bairro pobre.
Banho de sol na manhã do primeiro dia do ano em Antigua, na Guatemala
Rodrigo foi deitar perto das 4am, eu ainda encontrei uns vizinhos de hostal acordados e emendei a madrugada batendo papo com uns chilenos viajantes e três guatemaltecos super curiosos sobre a nossa viagem e as histórias do caminho. Ficamos ali batendo papo e vendo os outros hóspedes chegarem da festança naquele estado lastimável, “adorando el diós porcelana”, como disse a nossa amiga! Hahaha! Quando vi já eram 5h30 e faltava pouco para o sol nascer... Aí já viram! O primeiro dia do ano começou de goma (ressaca) e com um dos meus pecados favoritos, a gula!
Café da manhã em hotel de Antigua, na Guatemala
Acordamos a tempo de aproveitar o nosso desayuno super especial no Hotel Camiño Real, que o Rodrigo ganhou no sorteio de ontem. Nos esbaldamos em um verdadeiro banquete, com direto à banda de Marimbas, frutas, iogurte com granola, sucos naturais, pães, panquecas, crepes e tudo o que você pode imaginar. Detalhe: ainda deixamos metade do buffet intocado, o café da manhã tradicional chapín inclui ainda ovos, tortillas de milho, tutu de feijão, lingüiças fritas e outros preparados de milho especiais.
Café da manhã chique, ao som de marimba, em hotel de Antigua, na Guatemala
Caminhamos um pouco pela cidade que estava entregue à goma, vazia e toda fechada para o feriado. Ainda antes do meio dia, trocamos de pousada para uma vizinha que passada a nochevieja já oferecia quartos muito melhores pela metade do preço. Confortavelmente instalados, meu maridão não teve dúvida, se jogou na cama e apagou completamente. Eu descansei um pouco e aproveitei para colocar uma das resoluções de ano novo já em prática: deixar o site em dia!
Ruas tranquilas no primeiro dia do ano em Antigua, na Guatemala
Ok, não tão em dia assim, mas já tirei um atraso... um dia eu chego lá.
Café da manhã em hotel de Antígua, prêmio ganho em rifa na noite de reveillon (Guatemala)
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