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Salinas Grandes, próximo ao Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile
Acordamos cedo depois de uma noite curta mas bem dormida. Tomamos um delicioso café da manhã nos sentindo muito bem acolhidos no Hotel Marquês de Tojo. Faço questão de falar dele aqui pois pesquisamos bem e foi o único que além de aceitar cartão de crédito, nos recebeu de forma muito especial no final de um dia de cão.
Nosso hotel em Purmamarca - Argentina
Logo cedo a recepção do hotel nos ajudou e ligou para a Gendarmeria do Paso de Jama para confirmar se estava aberto e tivemos um balde de água fria. SIM, está aberto, mas apenas entre as 8h30 e 10h30. Daqui não chegaríamos a tempo... já eram 8h30 e levaríamos em torno de 3 horas até lá. Tá difícil... Enfim, aproveitamos para dar uma volta em Purmamarca, sacar dinheiro no ATM, tirar umas fotos da praça e pegamos o carro em direção à Susques.
Purmamarca - Argentina. Ao lado das montanhas coloridas
Chegando novamente às Salinas Grandes, no caminho para o Paso de Jama, entre Argentina e Chile
O trecho até lá é lindo, como tudo por aqui. Pegamos estrada tranquilos e aproveitando o tempo paramos mais uma vez no belíssimo salar que já havíamos visitado. A Salina Grande, com suas piscinas de evaporação e imensas pilhas de sal.
Exploração de sal nas Salinas Grandes, próximo ao Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile
Susques é um lugarejo no estado de Salta na Argentina, que fica a 130km da fronteira com o Chile. Está a 4100m de altitude e neste inverno foi registrada a mínima de -20°C, no mês de julho, quando o paso ficou fechado por quase um mês.
Chegando em Susques, última cidade antes do Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile
Lá ficamos em um hotel muito bacaninha, com uma boa infra para os viajantes e trabalhadores das minas na região. O Hotel Unquilar também é parada de muitos brasileiros em expedição ao Atacama. Os vidros de todos os lugares neste trecho estão cobertos por adesivos de expedições, principalmente de motociclistas.
Lua cheia e noite gelada em Susques, última cidade antes do Paso de Jama, entre Argentina e Chile
Sem pressa aproveitamos o caminho, visitamos a vila, que mais parece um faroeste das alturas. Casas de adobe, poucas pessoas nas ruas e todas olhando os forasteiros chegando na cidade. Falamos com a polícia local e confirmamos a abertura do paso e horários e fomos ao hotel, trabalhar muuuito e colocar o site e o sono em dia!
Venda de roupa em Purmamarca - Argentina
Buenas, amanhã pegaremos a estrada e chegaremos ao Chile nem que seja no lombo de uma llama!
Lhamas passeiam tranquilamente na estrada que corta a puna em direção ao Paso de Jama, entre Argentina e Chile
A inconfundível silhueta de um tubarão-martelo em mergulho na Isla Wolf, em Galápagos
A nossa rotina no barco Galápagos Sky começava as 6h45, quando o café da manhã já estava servido. Café da manhã delicioso, diga-se de passagem, frutas, pães, queijos e cada dia um prato quente diferente, panquecas, ovos, arepas, etc. As 7h30 nos reuníamos na sala para o briefing do primeiro mergulho do dia.
O famoso Arco de Darwin, na ilha de mesmo nome, em Galápagos
Hoje ainda de madrugada o Capitán Vitor começou a navegar em direção a Ilha de Darwin. O tempo estava feio e chuvoso, mas os golfinhos que acompanhavam o barco não deixaram o nosso ânimo cair. Lindos saltavam e davam mortais completos, se exibindo, enquanto nos aproximávamos do imenso paredão rochoso e do famoso Arco de Darwin. Uma formação rochosa separada da ilha principal em forma de um arco, perfeito. O nosso ponto de mergulho é exatamente aí, ao redor deste arco.
Golfinho salta em frente ao nosso barco na Ilha de Darwin, em Galápagos
Um dos motivos do Arquipélago de Galápagos ter tamanha biodiversidade marinha é o encontro de diversas correntes frias e quentes, que trazem cardumes de grandes animais de todos os lados. Por isso o tipo de mergulhos praticado é o chamado “mergulho de espera”, em que os mergulhadores ficam parados próximos a formações rochosas e coralíneas em torno dos 15 a 20m literalmente esperando.
Todos à espera de um tubarão-baleia em mergulho na Isla Darwin, em Galápagos
Não precisamos esperar muito e logo os cardumes de tubarões martelos aparecem! São martelos de 1,5m a 4m de comprimento, dezenas, 30, 50, as vezes até 100 martelos em um cardume!
Dois tubarões-martelo em mergulho na Isla Darwin, em Galápagos
Segundo Kostia, o instrutor russo que está no barco, os martelos são os únicos tubarões que andam em grupo. Observa-se facilmente que os maiores vêm na frente para analisar o terreno, ver o que encontrarão pela frente e aí comunicam o cardume através do seus sonares.
Cardume de tubarões em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)
Estes primeiros tubarões são os que mais se aproximam de nós, chegando a menos de 2m de distância. O Rafa e a Laura receberam uma encarada de um deles a menos de 2m e este ainda abriu o boca na cara deles! Sorte que a boca dele não é tão grande, mas ainda assim impõe respeito!
Tubarão-martelo em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Henning Abheiden)
É uma pena que a visibilidade não estava melhor, os nossos 13m de visão nos deixavam ver os que estavam mais próximos e ao fundo, láááá no azul, vemos os vultos do imenso cardumes passando. No meio deles é comum encontrarmos também os Tubarões Galápagos e o Silk Shark, com um bico fino, mais cara dos tubarões que conhecemos dos filmes e fotos.
Tubarão em mergulho em Darwin em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)
Os golfinhos continuavam nos acompanhando na hora em que descíamos do barco principal em nossos botes para os mergulhos. Felizes, lindos e saltitantes! Nós estávamos ainda mais ansiosos, pois Darwin é onde mais se vêem os tubarões-baleia. Os dois primeiros mergulhos foram lindos e com muita diversidade de peixes, tartarugas e milhares de tubarões-martelos. A temperatura da água boa, perto dos 26°C. Tivemos muita sorte de vermos os tubarões-baleia em Wolf, mas não podíamos nos iludir que veríamos o tempo todo.
Tartaruga marinha em mergulho na Isla Wolf, em Galápagos
Fomos ao terceiro mergulho, confesso já sem muita esperança, quando “blin blin blin!!!” TUBARÃO BALEIA!!! A corrente estava mais forte e por isso a perseguí-lo estava muito mais difícil! Fui atrás da Glenda pelas pedras, fazendo como uma escalada submarina para guardar ao máximo as forças para as pernadas. Quando vi que ele parou de nadar e a corrente ficou mais tranquila me mandei para o seu lado e consegui chegar pertinho novamente, devia ter uns 10m! Logo ela mudou de rumo e começou a vir em minha direção, passou 2m acima de mim, tão imensa, que só me restou agarrar-me às pedras deitada de barriga para cima e vê-la passar, da cabeça à cauda, se eu esticasse o braço encostava nela! Emocionante!!!
O enorme vulto de um tubarão-baleia visto por baixo, na Isla Wolf, em Galápagos (foto retidada de vídeo)
Tubarão-baleia em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)
Voltei à superfície em estado de êxtase e sem muito tempo de falar e comemorar. Subindo no panga Laura e Rafa gritaram, “Olhem os golfinhos!!!”. Eles estavam nadando ao nosso lado, ao redor do bote, maravilhosos!!! Eu não queria subir e ir embora, mas tampouco eles queriam nos deixar. Subimos e eles foram nos acompanhando, saltando e nadando junto com o barco, sensacionais!
Golfinhos acompanham nosso barco na Ilha de Darwin, em Galápagos
Esta noite dormimos ali, abrigados em uma das baías da Ilha de Darwin, e já não bastassem todos os shows que tivemos hoje, logo depois do jantar tivemos uma cena impressionante!
Hora do jantar ao largo da Ilha de Darwin, em Galápagos
Ficamos rodeados de Galápagos Sharks pescando na luz do barco. Havia um cardume de peixes que por sua vez pescavam peixinhos vermelhos ainda menores. Como diria Sérgio Chapelen: “É o show da vida!”
Tubarões de Galápagos (quase inofensivos!) cercam nosso barco durante a noite na Ilha de Darwin, em Galápagos
As coloridas canoas da Praia do Bonete em Ilha Bela - SP
Uma noite maravilhosa, longe das luzes da cidade, ontem tivemos um céu totalmente estrelado! 3 estrelas cadentes vistas em apenas 5 minutos na praia! Difícil é escolher o pedido, são tantos! Um jantar com comidinha caseira na Pousada da Rosa e um vinho delicioso na nossa Pousada, a Canto Bravo, nos fizeram dormir como dois bebês.
Admirando a Praia do Bonete em Ilha Bela - SP
Acordamos hoje já preparados para caminhar e desbravar mais algumas praias do sul. Subimos o morro para uma vista maravilhosa do Bonete e seguimos caminhando para a Praia das Enchovas. Até tínhamos pensado em um plano alternativo, que seria seguirmos por uma trilha de 5 horas direto para a Praia de Castelhanos, mas não conseguimos contato com um jipeiro para a carona de volta até a Fiona.
Bela vista de Ilha Bela - SP (no caminho para a Praia das Anchovas)
A trilha para Enchovas seguia pelo mesmo tipo de “trilha-avenida” que chegamos aqui. Um desvio rápido para o morro, onde vemos o outro lado da praia do Bonete e as casas à beira do rio. Mais 30 a 40 minutos de caminhada e chegamos em uma praia ainda mais paradisíaca. A água esmeralda, transparente, com um rio gelado encontrando o mar no meio da praia. Uma baía mais protegida bem procurada pelos pescadores da região, que já tinham levado dali naquela manhã 30kg de lula. Hummm! Prefiro lula na panela do que em Brasília!
Vista da Praia do Bonete do alto do morro no caminho para a Praia das Anchovas em Ilha Bela - SP
Lá nas Enchovas conhecemos o Seu Anacleto, meu xará “versão masculina”. O Seu Anacleto é nativo ali das Enchovas, vive com sua esposa, trabalhando como caseiro da propriedade particular que domina todo o terreno em frente à praia. Chegamos lá e começamos a conversar enquanto ele prendia sua nova rede à corda com bóias, com uma agulha de madeira feita por ele mesmo. Lembro que certa vez tentei aprender a usar esta agulha, mas é muito difícil! O Seu Anacleto faz isso há anos, de olho fechado.
Chegando à Praia das Anchovas em Ilha Bela - SP
Muito sábio e divertido ele me consolou dizendo “Se eu for para São Paulo, não sobrevivo 2 dias!”. Eu só acredito vendo, Seu Anacleto já rodou o Brasil inteiro trabalhando em barco pesqueiro conheceu de norte a sul, mas voltou para a sua terra natal.
Na casa do Anacleto na Praia das Anchovas em Ilha Bela - SP
Pedimos a ele um depoimento para o Soy loco por ti América. Ele, muito encabulado, não deixou filmarmos, mas respondeu à pergunta:
- Por que você gosta daqui?
- Eu não gosto de Ilha Bela! Muito carro, muita gente... - respondeu rapidamente!
Então refizemos a pergunta:
- Por que você gosta daqui, da Praia das Enchovas? - E ele sem titubear respondeu:
“Ué, por que é o lugar onde eu nasci!”.
Eu tentei emendar que não deveria ser nada difícil morar ali, naquele paraíso, praia maravilhosa, mar, tranqüilidade... e ele me desafiou:
- “Venha! Venha morar aqui, você não agüenta! Venha ver o que é esse paraíso, viver com estes borrachudos todos os dias!”
Hahaha! Seu Anacleto é uma figura rara, logo nos encantamos pela sua sabedoria e jeito verdadeiro de ser!
Chegando à Praia das Anchovas em Ilha Bela - SP
O procuramos por indicação do André, o gerente da Pousada Canto Bravo, ele já havia nos avisado que iríamos gostar de conversar com ele. O motivo principal era uma trilha que nos leva até o Poço Esmeralda e uma árvore belíssima dentro da propriedade, uma Sapopema gigantesca, com mais de 40m de circunferência! Não conseguimos fazer esta trilha, pois nosso plano era irmos embora hoje mesmo, pegando a trilha do Bonete de volta para a Ilha Bela. Engraçado, é como se o Bonete não fosse parte da Ilha Bela mesmo... enfim, íamos voltar para a cidade.
As coloridas canoas da Praia do Bonete em Ilha Bela - SP
Chegando de volta ao Bonete começamos a pensar, por que não ficar mais uma noite? Passar mais uma noite aqui neste lugar tão mágico? A Pousada Canto Bravo é super romântica, à luz de velas, com mosquiteiros graciosos sobre as camas e um banho quentinho, ali na beira da praia. Vimos o sol se pôr, aproveitando ao máximo a praia, o mar delicioso e combinamos um jantar para provar a deliciosa gastronomia da Chef da Pousada, Oriana. Ela veio de Pirinópolis para o Bonete, passando por SP onde se formou em Gastronomia, Conseguem imaginar o menu? Sororoca, um peixe branco, fresquinho, pescado hoje mesmo! E de sobremesa um doce de leite com coco, uma delícia!
Pescador consertando sua rede na Praia do Bonete em Ilha Bela - SP
Como disse o Chefe da Polícia Ambiental que encontramos: “Ahá, não foram embora né? Já estão virando boneteiros!”
Cruzando rio na Praia do Bonete em direção à Praia das Anchovas em Ilha Bela - SP
Portland, a cidade das pontes, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Portland-Oregon é uma cidade moderna de nome e sobrenome. Na costa leste, dificilmente você escutará simplesmente o seu primeiro nome Portland, já que ela possui uma homônima do lado de lá, Portland-Maine. A Portland “de lá” está no litoral, já a daqui está às margens de um rio. A cidade das pontes possui pelo menos 11 grandes pontes, algumas antigas e meio espalhafatosas que cruzam o Willamette River.
A famosa Iron Bridge, sobre o Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
As pontes dão um ar industrial à cidade e a um primeiro olhar até meio decadente. Uma caminhada pelo Tom MacCall Waterfront Park em seu longo calçadão beira rio e aquele monte de ferro começa a entrar pelos nossos poros, dando um novo sentido à urbanidade de Portland. Seus traços duros e retos se replicam em sua arquitetura, prédios antigos e ruas austeras ganham cor nos movimentos artísticos que florescem na cidade.
Tradicional cooper ao lado do Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Porém, dentro dessa identidade visual tão urbanóide, existe um coração. Um coração verde e contemporâneo. Faixas exclusivas para ciclistas com posição central desde 1994 coexistem com outros projetos de transporte, como o aerial tram construído em 1986 (uma espécie de metrô de superfície) e até ônibus elétricos (que, disfarça, lembraram as minhas férias quando eu era pequenininha lá em Araraquara, rs!)
Muito bem marcada, pista exclusiva para ciclistas em rua central de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Caminhando por uma das muitas praças de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
A cidade das rosas talvez ganhe outra vida no verão, nestes dias que passamos estava chuvosa e bem acinzentada. Cruzamos a Hawthorne Bridge para conhecer a East Esplanade, caminhamos entre nuvens, garoas e torós da beira rio até o Portland Building com a imensa estátua da Portlandia, Deusa do Comércio.
Pelo visto, chove muito em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos. Até estátua usa guarda-chuva!
A famosa Portlandia, deusa do comércio com ares de Netuno, no centro de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Chegamos à Pioneer Courthouse Square rodeada de prédios antigos e a Fórum de Justiça, prédio de 1875, o mais antigo da costa noroeste. Cruzamos todo o centro antigo e o bairro de Chinatown até chegar ao artístico e mais sofisticado Pearl District.
Praça central de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Museu de Artes de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
A sofisticação aparece nos detalhes das restaurações dos prédios da região industrial e antigos depósitos, um dos bairros mais “cools” com galerias de arte, lojas de designers e estilistas alternativos. Lá fizemos uma parada obrigatória na Deschutes Brewery & Public House, que no meio da tarde estava bem disputada. A sopa de queijo com cerveja Ale é maravilhosa, sem contar o menu de degustações das cervejas preferidas da casa.
Aproveitando a chuva para testar as cervejas de uma cervejaria em Portland, no Oregon, costa oeste dos Estados Unidos
No sábado voltamos às margens do Willamette, caminhamos até a Steel Bridge, a segunda mais antiga da cidade construída em 1912. Nos sábados uma das maiores atrações é o Saturday Market, uma feirinha hippie, de comidas e antiguidades, com uma cara de Largo da Ordem ou Vila Madalena. Artesanato, antiguidades, sebos, quinquilharias, carrinhos de comida, música, bem diferente do padrão americano que encontramos por aí, mais alternativo que o “normal”, mas ainda assim bem organizadinho.
No movimentado mercado de sábado, ao ar livre, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Atravessando a Iron Bridge, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Uma coisa que logo me chamou a atenção foram os carrinhos de comida nos estacionamentos do centro. Eles estão por tudo e são uma opção barata que tem bastante adesão entre os habitantes da cidade. Comida mexicana, grega, indiana, vietnamita e como você imaginar. O pessoal compra o almoço nestes carrinhos e vai até a praça mais próxima ou à beira do rio para almoçar. É difícil encontrar espaço para o comércio informal nos Estados Unidos, este é um toque de latinidade à Portland ou de desapego às regras tão presentes no padrão norte-americano. A cidade parece acolher melhor opções e alternativas para suprir todo tipo de necessidade e receber todo tipo de maluco.
Carrinhos de comida, típicos de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Falando em maluco, é o que mais vemos pelas ruas, desde drogaditos à artesãos e malucos beleza que pensam que ter uma vida “alternativa” é viver nas ruas pedindo dinheiro, quase como uma forma de protesto, já que não tem muito a que protestar. Não consigo engolir um homem (ou uma mulher), jovem, sadio, sentado em uma praça com uma cara de “ripongo” e um cartaz pedindo dinheiro para comida. Há várias formas de se revoltar contra um sistema e esta, sem dúvida, não me comove e não ajuda em nada.
No movimentado mercado de sábado, ao ar livre, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
A nossa rápida passagem por Portland me deixou ainda mais curiosa com a cidade. A chuva, o cansaço e o tempo escasso acabaram deixando o nosso “approach” meio superficial. Tenho certeza que tendo mais tempo para sentir e explorar os guetos e galerias de arte, os bairros e parques além da área central, o encontro com a alma desta cidade tão reconhecidamente alternativa e independente seria sensacional.
Observando o Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos
Fotografando a Chapada Diamantina do alto do Pai Inácio, próximo à Lençóis - BA
Não poderíamos ir embora de Lençóis sem conhecer os seus principais cartões postais: Morro do Pai Inácio, Poço do Diabo, Pratinha e Gruta da Lapa Doce. Este roteiro é tão famoso que e também é conhecido aqui como Roteiro 1! O Morro do Pai Inácio, com a vista mais famosa da Chapada Diamantina, Serra do Cercado, Camelo e o Morrão.
No alto do Morro do Pai Inácio, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Este lugar é mágico, a vista maravilhosa e ainda tivemos a sorte de encontrar algumas figuras da Chapada lá em cima. O Samuca, guia local que nos contou um pouco sobre a chapada (vejam na sessão vídeos), ele estava acompanhando uma equipe de filmagem que produzia um filme conceitual para uma coleção de moda. Estou super curiosa para ver o resultado!
O inconfundível visual da Chapada Diamantina vista do alto do Morro do Pai Inácio, próximo à Lençóis - BA
Já íamos embora quando o Negão, guia do Morro do Pai Inácio, nos convidou para retornarmos até o cruzeiro, para que nos contasse a lenda de Pai Inácio, um escravo que se enamorou da Sinhá e teria conseguido salvar sua vida fingindo pular deste morro. Foi sensacional a representação, digna de um Oscar de melhor revelação do ano! (ver vídeo “Lenda do Pai Inácio”)
No alto do Morro do Pai Inácio, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
O Poço do Diabo é uma ótima parada para um banho refrescante nas suas águas coca-cola. O Rodrigo, maluco, queria pular dos 22m de altura! Eu tive que usar todas as técnicas de chantagem emocional possíveis para convencê-lo do contrário... ufa... consegui!
O "trampolim" de 22 metros de altura no Poço do Diabo, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Da última vez que estive no Poço do Diabo, a quantidade de água era tão absurda que não se podia imaginar entrar no poço para nadar tranquilamente, fiz a tirolesa (nessa corda que atravessa o poço nas fotos) e o rapel de onde o Ro queria pular, já foi emoção demais! Rsrsrs!
Refrescando-se no Poço do Diabo, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Adiante a Pratinha oferece passeios de flutuação na área de luz da gruta, tirolesa, passeio de caiaque e uma infra-estrutura de restaurantes e até pousada. Suas águas com mais de 60m de visibilidade e temperatura constante de 24°C atraem milhares de turistas que lotam o balneário particular.
A lagoa da Pratinha, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Eu e o Ro quase ficamos malucos ao saber que a Gruta da Pratinha tem ligação com a Gruta Azul e está toda cabeada para mergulhos em caverna! Sensacional!
Na entrada da Gruta da Pratinha e seu lago de águas cristalinas, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Só falta a autorização especial do Ibama para o mergulho com fins de pesquisa científica... detalhe básico.
Placa informativa da Pratinha, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Encerramos nossa estada em Lençóis na Gruta da Lapa Doce, uma caverna calcaria com formações magníficas! Estalagtites formam anjos e dinossauros, enquanto as estalagmites mostram o chapéu mexicano e a imensa coruja formada no meio do salão.
Dentro da gruta Lapa Doce, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Tudo isso preservado pelo sonho um geólogo idealista, proprietário da terra, que lutou muito para a manutenção da área, através de pesquisa e conscientização da comunidade local.
Com o Raimundo, nosso guia na Lapa Doce, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Dizem que o sertão vai virar mar, mas para nós o mar já virou sertão! De Mangue Seco à Chapada Diamantina, do mar para as cachoeiras, rios e grutas maravilhosas desse sertão verde e cheio de vida. Amanhã vamos embora de Lençóis, mas continuamos na Chapada, ainda temos muito sertão pela frente!
Entrada da Lapa Doce, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Arte rupestre em baixo relevo, tradição Itacoatiara, em Ingá - PB
Começamos a nossa jornada de volta ao litoral. Confesso que desta vez, deixo o sertão com uma vontade de não ir... uma saudade de ficar... Mas temos que continuar a viagem, continuar explorando e conhecendo as Américas.
Visitando a famosa pedra com arte rupestre em Ingá - PB
Ainda antes de chegarmos novamente na costa, passamos pela região Campina Grande, a segunda maior cidade da Paraíba, centro de tecnologia da computação e eletrônica. Os melhores cursos e indústrias eletro-eletrônicas do nordeste estão sediadas aqui. Há apenas alguns quilômetros encontramos o pequeno município de Ingá, onde foram descobertas as mais importantes inscrições pré-históricas em baixo relevo do mundo.
Ossos de Preguiça Gigante em museu em Ingá - PB
Às margens do rio, onde uma pedreira extraía paralelepípedos para as ruas de João Pessoa, foi encontrada a Pedra do Ingá. É impressionante a perfeição dos desenhos e símbolos inscritos nesta pedra. Desenhos de lagarto, homens, espirais e até uma espiga de milho aberta estão ali. Este último foi adotado como o símbolo da cidade, incluídos no seu brasão e bandeira. A pedra foi descoberta na década de 40, possui aproximadamente 5 x 2m e está isolada de qualquer outra ocorrência semelhante. As pinturas rupestres da Pedra do Ingá são únicas no mundo! Por isso toda a pictografia em baixo relevo encontrada no Brasil recebeu uma mesma denominação, sendo conhecidas como a tradição Itacoatiara.
Arte rupestre em baixo relevo, tradição Itacoatiara, em Ingá - PB
O Seu Renato foi o primeiro a cuidar deste local, trazido pelo Governador e Prefeito há 23 anos, ele conhece a história da região como ninguém. Vários historiadores e arqueólogos que passaram por ali registraram a dedicação de Seu Renato a este Patrimônio Histórico da Humanidade. Hoje um parque municipal o balneário à margem do rio de Ingá passou a ser mantido pela prefeitura, com uma funcionária responsável há apenas 8 meses, empenhada em aprender sobre a (pré) história do local. O único sustento de Seu Renato agora é o bar e a banquinha com alguns livros e camisetas do Ingá.
Riacho ao lado da pedra com arte rupestre em Ingá - PB
Partimos finalmente do sertão, ainda mais apaixonados e saudosos. Chegamos à Ilha de Itamaracá a tempo de um almoço à beira do mar, em frente à Coroa do Avião, no restaurante da cigana Euzira. Fim de tarde, o sol se pôs e nós voltamos à trabalhar. O tempo mudou... parece que vem chuva... Será que chove amanhã?
Barco leva e trás pessoas para a Coroa do Avião, em Itamaracá - PE
Muito trabalho, pouco stress! Adoro esta frase-título de um blog que acompanho de um amigo e antigo diretor. Este é o nosso ideal e é o que estamos buscando com esse projeto. Muitos acreditam que não vamos trabalhar, que é só uma bela viagem... Mas o que estes primeiros dias de viagem aqui em Miami estão nos mostrando é que sim, vamos trabalhar muito e espero termos retorno em médio prazo... Mas com certeza estamos bem menos estressados.
Hoje, domingão, todos vêm aos clubes de golf e tênis, além da praia que estava convidativa! O acesso à Key Biscayne é uma ponte com duas pistas, portanto com o agito do final de semana, unido ao spring break, a final do Open de Tênis e ao Seaquarium lotado, ficamos simplesmente presos aqui por umas 2 horas de trânsito para qualquer lugar. Nossa programação foi trabalhar durante o dia para aproveitar Miami at night! Esperamos o Roddick ganhar o jogo, receber a premiação e mais um pouco para depois sair de casa encontrar a Juliane e o David no Nikki Beach. Saímos de casa as 5.30pm e ainda assim pegamos 1h30 de engarrafamento, no mesmo percurso que levaria normalmente 20 minutos no máximo.
Nikki Beach Club! Lá vemos de tudo! É um club ao ar livre, na beira da praia. Uma delícia! DJ tocando aquele line up mais pop possível para agradar a gregos e troianos... Ou melhor, à brasucas, colombianos, hondurenhos e ao David, único inglês que deveria estar ali. Americano mesmo acho que não tinha um. Até a nossa garçonete era brasileira, super simpática, mas que acabou confessando... Também não agüenta mais tantos brasileiros juntos. ”Hoje está demais!” disse Andressa e emendou “Eu nunca diria que vocês são brasileiros!”, também pudera... O comportamento de alguns brasileiros fora do Brasil é no mínimo embaraçoso.
Dançamos muito, aproveitamos as últimas horas com a Ju e o David que amanhã cedo já vão voar de volta para Nova Iorque. Espero poder encontrá-los logo novamente, mas agora acho que será só quando chegarmos de carro novamente nos EUA, o que deve levar pelo menos 500 dias da nossa viagem. Mais tarde, resolvemos entrar no club e aproveitar a balada noturna no Nikki. Final de noite no Fridays comendo a famosa junk food americana.
Balada no Nikki - South Beach
Meninas no interior da catedral de Cap-Haitien, cidade na costa norte do Haiti
O Haiti é o país das oportunidades. Um país que está começando a ser reconstruído e que precisa de tudo o que você imaginar. A sensação é que qualquer coisa que fizermos irá ajudar, qualquer negócio pode ser bem sucedido. Ninguém melhor do que os próprios haitianos que saíram para o mundo, para voltarem à sua pátria, conhecendo a sua cultura, sua língua e sua dinâmica para ajudarem a nova revolução cultural e econômica do país. Sentimos um clima de mudança no ar, uma energia renovadora e positiva.
Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti
Nas nossas andanças nesta semana que passamos pelo Haiti conhecemos algumas histórias que nos deram base para afirmar o que estou dizendo acima. Pessoas empreendedoras, pró-ativas e que acima de tudo, acreditam em um Haiti melhor.
Detalhes de haitianos no mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti
O primeiro deles foi Erick, sócio do Le Perroquet B&B, onde ficamos hospedados em Port-au-Prince. Erick é filho de um americano e uma haitiana e viveu boa parte da sua vida nos Estados Unidos e depois na Indonésia. Em Bangcoc ele conheceu Lana, uma russa que trabalhava com turismo. Os dois se casaram e há um ano foram convocados a voltar ao Haiti, por seu tio, dono do hotel que ocupava o mesmo edifício. Ele foi até Bali convidá-los a participar da mudança que está ocorrendo no Haiti: “O país precisa de vocês.”
Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti
Erick e Lana deixaram sua vida, já bem estabilizada e confortável em Bali e agora estão no Haiti gerenciando o hotel em Pétion-Ville. Rapidamente o lugar se tornou um hub de artistas locais que se reúnem nas noites de sexta-feira para jazz e jam sections, além de viajantes alternativos e voluntários que visitam e trabalham no país. Erick sabe que o turismo é uma das principais vocações do Haiti e tem planos para ajudar a desenvolvê-lo. O Haiti é caro para o turista mais aventureiro, mochileiros e viajantes alternativos que têm pique e estão dispostos a se aventurar para conhecer a cultura de um país exótico e tão belo. Seu plano é torná-lo acessível para este público. Analisando o mercado e conhecendo a realidade do país, Erick está desenvolvendo um projeto para montar uma rede de hostels para backpackers, com parceiros que organizem e operem tours pelos principais pontos turísticos. Estamos torcendo e esperamos voltar logo para conferir os resultados!
Com a Lana e o Eric, donos do hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
Nesta mesma onda, Philipe, um haitiano que viveu anos na França retornou com sua esposa suíça ao Haiti. O Lakai é um restaurante super bacana no boulevard du Cap-Haitien, com ambiente perfeito e pratos deliciosos! Ele já retornou há quase 15 anos e nos contou que tudo parecia ir bem, até que a natureza lhes pregou uma peça com o terremoto de 2010, voltando a frear as mudanças no país. Ainda assim ele mantém viva a esperança de que o Haiti irá se reerguer e está fazendo a sua parte. Assim como Maya, filha da nossa amiga Elsie, que vive nos Estados Unidos. Maya tem cidadania americana e haitiana e perante tantas dificuldades poderia escolher viver nos EUA, mas preferiu voltar ao Haiti e abrir a sua própria escola de yoga em Pétion-Ville. Um exemplo para os jovens que acreditam no seu potencial de mudança.
O grande terremoto não será esquecido! (Cap-Haitien, cidade na costa norte do Haiti)
Com o Felipe, dono do nosso bar preferido em Cap-Haitien, o La Kay (Haiti)
Eu acho maravilhoso encontrarmos haitianos com amor por sua terra e sua cultura realizando projetos em meio a tantas adversidades, trabalhando e acreditando em um futuro melhor. Mas não são apenas os haitianos que estão apostando nesta mudança. Conversando com Lana e Erick soubemos também dos planos do seu amigo Chris. Chris, que já opera voos de paraglider e é também mergulhador, está desenvolvendo um projeto de turismo de olho neste mesmo público que acabo de citar. Paragliding e scuba-diving aliados à planos de educação ambiental, criando nas comunidades locais uma nova consciência ecológica que ajudaria a restaurar a fauna e flora marinha da região da baía de Port-au-Prince. Seu projeto está no começo e o principal é que ele consiga ter nas comunidades o apoio e a mão de obra para seus novos empreendimentos, dando uma nova renda aos pescadores e barqueiros que já não tem mais o que tirar das águas pobres da baía. Um projeto sensacional e que une o útil ao agradável!
A deliciosa e pacata praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Também na costa norte da baía de Port-au-Prince, conhecemos Sara, uma jovem do mundo, atualmente está trabalhando em um start-up de uma engarrafadora de água aqui no país. Um projeto privado que dará acesso a água potável aos haitianos por um custo muito menor do que o atual. A empresa irá perfurar poços artesianos e envasar a água em diversas localidades, diminuindo o custo de transporte e aumentando o acesso a água potável à população. O projeto ajudará a resolver o sério problema de fornecimento de água no país e não deixará de ser rentável para a companhia. Simples e perfeito!
Com um dos simpáticos funcionários do Hotel Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Esses são alguns dos casos de pessoas que conhecemos no nosso curto tempo no país. Sem contar as dezenas de voluntários que estão no Haiti há 3, 6, 10 anos, trabalhando nas mais diferentes ONGs. São organizações sociais e ambientais que combatem a pobreza, trazem atendimento médico, projetos educacionais e uma nova consciência ambiental para o povo haitiano. É uma luta diária e sem dúvida nada fácil, mas que traz uma grande força e renovação para o país.
Orla de Cap-Haitien, cidade na costa norte do Haiti
O investimento do governo em educação já surte efeito, com centenas de crianças uniformizadas pelas ruas de Port-au-Prince, Cap-Haitien, Cabaret e Milot. A quantidade que nos espanta, e quando perguntamos todos reconhecem a educação como o principal foco do governo. A organização e planejamento urbano também está em desenvolvimento. Vemos as obras e confirmamos a sensação em uma conversa com um urbanista europeu especializado em países subdesenvolvidos, que foi contratado pelo governo para desenvolver planos urbanos das cidades haitianas. Tudo isso além da estrutura turística, que começa a ser montada no norte e se espalhará por todos os pontos com potencial turístico. Na Citadelle a nova estrutura será inaugurada em três meses.
Encontro com o encarregado do Ministério do Turismo, nas ruínas de Sans-Souci, no norte do Haiti
Futuro centro de apoio aos turistas, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti
Ok, há muito para ser feito, mas vocês hão de convir comigo que tudo isso reunido nos dá uma boa imagem do movimento que está acontecendo no país. Eu mesma, convivendo e vendo o grau de necessidade, embebida de tanta criatividade e empreendedorismo, já estou com planos para Haiti. Há pessoas que vêm até aqui e só enxergam a pobreza e a miséria. Mas há aqueles que vêm e encontram soluções, transformam todos estes problemas em oportunidades. Oportunidade de fazer a diferença, de sentir que está construindo algo maior, não apenas para si, mas para toda uma comunidade. É com este espírito que nos despedimos do Haiti, com uma vontade imensa de voltar e fazer parte desse momento, de vermos um país tão lindo ressurgir das cinzas e dividir com o mundo não mais suas tristezas, mas toda a arte, alegria e o que eles tem de melhor: a força e vontade de viver!
Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti
Surfista e seu cachorro enfrentam as águas geladas de praia em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Tofino é a praia mais famosa entre os surfistas na costa oeste canadense. Nos últimos 10 anos a cidade passou de uma pequena vila recém descoberta pelos surfistas mais descolados, para uma surf resort town. Localizada na costa oeste de Vancouver Island, Tofino está praticamente dentro do Pacific Rim National Park, entre a densa floresta úmida e longas praias que enfrentam em média 206 dias de chuva por ano! A água é fria durante o ano todo, entre 8 e 15°C, mas é no inverno que os surfistas têm a maior diversão, quando o litoral enfrenta as tempestades vindas do Pacífico e as ondas fazem a diversão da galera.
As condições climáticas da "Wet Coast", na British Columbia, no Canadá
Entrando no mar gelado vestida como uma ninja, em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Quando o pessoal não está na água, está na trilha. O Pacific Rim National Park cobre uma longa faixa da costa oeste da ilha dividida em três unidades: a Long Beach Unit entre as cidades de Ucluelet e Tofino, a Broken Group Islands, com mais de 100 ilhas e acessível apenas de barco. A grande estrela é a terceira e última West Coast Trail Unit, com uma rota de 75 quilômetros entre praias, cavernas, florestas, penhascos e cachoeiras.
Enorme tronco caído de cedro Vermelho faz ponte natural em trilha do Pacific Rim Nat. Park, na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá
Os dias chuvosos não podem frear as explorações, pois molhado é o estado mais natural de toda esta região. Assim sendo pegamos a nossa incansável Fiona e rodamos por todas as praias, da Schooner Cove, com acesso por uma trilha de 1km entre árvores gigantes, passando em alguns dos 16 quilômetros da Long Beach, a preferida dos surfistas, até a Florência Bay.
Pequena baía em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
A Chesterman Beach está mais próxima do centro e é um dos melhores lugares para quem quer ficar hospedado pertinho da praia. Embora não sejam dos mais baratos, ali estão vários Resorts e alguns Bed & Breakfasts a poucos metros do mar.
Mar com muitas ondas em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
As praias de areia amarelada têm como proteção a linda floresta úmida de coníferas, entremeadas por ilhas rochosas e quase sempre cobertas de pilhas de troncos de madeiras trazidos pelo mar. A imagem perfeita de uma praia canadense!
Caminhando na Long Beach, praia na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Para escapar do vento que sopra na beira do mar uma opção são as trilhas pela floresta, como a Rainforest Trail. Com um circuito em oito de 2km, a trilha interpretativa percorre a história e conceitos de uma floresta úmida de clima temperado, em uma passarela de madeira entre musgos, cogumelos, cedros vermelhos, sitka spruces e as imensas hemlock´s.
Árvore e outras plantas crescem sobre um enorme tronco caído de um Cedro Vermelho, em mata de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Cogumelos crescem na floresta úmida na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá
Além do surf e dos trekkings, outros tours são oferecidos na área para avistamento de baleias, ursos e águias. Um dos mais procurados pelos visitantes é o tour para as Hot Springs, uma hora e meia de barco ao norte de Tofino. Nós preferimos aproveitar o dia nublado e sem chuva para remar e conhecer a região de outra perspectiva: do mar.
Passeio de caiaque nas águas calmas e geladas de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá
Nosso guia nos levou por mais de 10km entre ilhas, revoadas de pássaros, leões marinhos e focas, nos apresentando a natureza, a história e a cultura da região do Clayoquot Sound. Embora seja uma baía protegida, o sound está sujeito a grandes correntes e alterações de marés, por isso mesmo tendo experiência com caiaque, vale a pena ter o acompanhamento de um guia.
Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá
Mapa mostrando as ilhas, canais e baías de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, onde fizemos nosso passeio de caiaque (na Columbia Britânica.no Canadá)
Andrew foi ótimo, nos passou boas noções da região, desde curiosidades sobre a vida de uma estrela-do-mar, até dicas da floresta de kelps, planta sumbarina que serve de âncora aos remadores, pode ser preparada em conserva e era usada como envase para o óleo de peixe e baleia pelos primeiros habitantes da região.
Kelps, as enormes algas na região de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá
O novo povo de Tla-o-qui-aht, “o povo de Clayoqua”, vive nas reservas na Meares Island e na região de Esowista. Detalhe, eles estão ali há quase 5 mil anos! O que na cultura das nações indígenas da costa pacífica não é nada!
Muitas reservas indígenas na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Delicioso passeio de caiaque nas águas tranquilas e geladas de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá
Um dos objetivos do passeio era chegar a uma área dentro da reserva indígena, onde percorremos os 3 km na Big Trees Trail, para conhecer umas das florestas mais antigas da região. Essa ilha foi motivo de uma grande manifestação na década de 80, quando indígenas e ecologistas se uniram para defender as árvores de uma madeireira que tinha adquirido o direito de exploração comercial da área.
Um passeio pela mata de uma ilha próxima à Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, nos leva até árvores centenárias, quase sagradas! (na Columbia Britânica.no Canadá)
Um passeio pela mata de uma ilha próxima à Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, nos leva até árvores centenárias, quase sagradas! (na Columbia Britânica.no Canadá)
Algumas árvores têm mais de 50m de altura e circunferências onde são necessários mais de 5 homens para abraçá-las! A Hanging Garden Tree é a mais antiga delas, com idade estimada de 2000 anos já está quase morrendo, mas já virou o berço para mais de 200 espécies, é a pura árvore da vida! Até hoje o processo judicial ainda não foi fechado, temos que continuar torcendo para que este tesouro verde tenha o seu direito à vida garantido.
Essa árvore, que mais parece um Jardim Botânico, pode ter 2 mil anos de idade! (em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá)
O caiaque pelo Clayoquot Sound foi o ponto alto da nossa passagem por Tofino, uma experiência bacaníssima entrar em um caiaque usando saias de neoprene para nos proteger da água fria e nos aquecer exercitando os membros superiores para descobrir mais das belezas naturais da região de Tofino e do Pacific Rim National Park. Um jeito maravilhoso de estar mais próximos das maravilhas da mãe natureza.
Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá
Vestida para o passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá
Onde Ficar
Tofino possui uma infinidade de opções, Inns, B&Bs, Hostels, Guesthouses, pequenos e grande Resorts. Como a região passou por um boom turístico, nem no inverno os preços mudam muito. Uma boa opção é o Whalers on the Point Hostel Internacional na ponta do porto, onde nós ficamos. Aquele clima de albergue, galera reunida cozinhando, tocando violão na sala com uma vista linda da baía. Os quartos são ok, os banheiros compartilhados bem limpinhos e a cozinha espaçosa. Eles ainda conseguem uns descontos bacanas para os principais passeios como as hot springs e o caiaque, além de reunir grupos e amigos para quem estiver viajando sozinho.
Vinho e delicioso macarrão preparado pela Ana no hostel de Tofino, em Vancouver Island, costa oeste do Canadá
Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica
2h30 da manhã, acordamos sem despertador, uma programação britânica do relógio biológico. Nos preparamos, comemos um sanduíche e colocamos o pé na trilha. Eram 3h15 quando começamos a caminhada. Estava com um bom ritmo, sem nenhum cansaço. Realmente eu sou uma pessoa mais noturna, basta o sol baixar que eu acordo! Todas as caminhadas que começamos na madrugada, eu fico super disposta!
Observando o mar de nuvens logo após o nascer-do-sol no cume do Chirripó, na Costa Rica
O céu estava lindo, uma noite estrelada maravilhosa! A lua já havia se posto e menos de meia hora depois a minha lanterna ficou sem bateria. Isso porque as minhas baterias reservas eu dei para o Rodrigo, que não tinha bateria alguma. Bem, seguimos com apenas uma lanterna, com um ritmo um pouco mais lento. Em apenas um trecho foi difícil encontrarmos a trilha, uma grande laje de pedra sem sinalização, que no escuro nos fez perder uns 5 minutos para encontrar o caminho.
Amanhecer visto do alto do Chirripó, na Costa Rica
Havia luzes a frente e atrás de nós, teríamos companhia no cume. A última parte da subida é um pouco mais íngreme, com degraus de pedra facilmente vencidos. O sol já começava a iluminar, mas ainda estava abaixo da espessa camada de nuvens que cobria a linha do horizonte.
Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica
5h15, chegamos ao topo do Cerro Chirripó, montanha mais alta da Costa Rica. De lá dizem ser possível avistar os Oceanos Pacífico e Atlântico, deve ser uma vista espetacular! Infelizmente não tivemos esta sorte, mas ver o sol nascer naquele imenso mar de nuvens não tem preço! Lá em cima outras 12 pessoas compartilharam o mesmo momento mágico, aproveitando cada segundo para registrar. Socializamos com costa-riquenhos, canadenses e americanos, em francês, espanhol, inglês e até português! Isso é que é um amanhecer cultural!
Junto com os outros madrugadores no cume do Chirripó, na Costa Rica
Ficamos ali até ter luz suficiente para as melhores fotos, depois de quase ter os dedos, o nariz e os pés congelados. Retornamos um pouco mais lentos, aproveitando a luz do dia para conhecer o caminho que fizemos durante a noite.
Riacho parcialmente congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Lindas paisagens dos campos de altitude, lagoas e rios congelados e a grata imagem de um chafariz artificial no capinzal formando uma paisagem branca, esculturas naturais super hermosas!
Capim congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Daqui, agora já conhecemos o caminho. Dizem que para baixo todo santo ajuda. Se é verdade, o meu santo estava de folga hoje. Descemos bem do cerro ao albergue, até uma pequena corridinha dei depois das despedidas aos amigos ingleses e austríacos que encontramos a caminho do pico. Fato foi que eu já não podia com a dor dos meus joelhos e unhas quando chegamos ao km 7.
Macacos nos observam do alto das árvores no trekking no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
À frente o plano do Llano Bonito e algumas subidinhas até o km 4 me deram um fôlego. Daí em diante foi que o negócio complicou... Até as bolhas e unhas roxas do pé não pareciam doer tanto perto da dor que eu tive no meu joelho. Eu tenho um problema congênito sem muita solução, condromalácia patelar. Uma ponta óssea que maceta constantemente a cartilagem da patela e aos poucos está destruindo o meu joelho. Até onde consegui averiguar não há cirurgia que resolva... Então sempre me mantenho alongada, tenho que fazer fortalecimento muscular (abandonado nos últimos 30 dias) e usar tensores para ajudar a diminuir a carga sobre a articulação. Levei quase 1h30 para fazer os últimos 3 quilômetros... Gemendo de dor... Cuidando para não escorregar, pois era a parte mais enlameada da trilha. Eu estava usando um bastão peregrino que me ajudou bastante no apoio, mas não tirava a dor, que foi, sem dúvida alguma, a pior que já senti nos meus joelhos em toda a vida.
O "Páramo", parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
O Ro não tinha o que fazer para ajudar, a não ser ter paciência e depois, correr 2km até a nossa pousada para buscar a Fiona, enquanto eu o esperava na saída da trilha. Nem preciso dizer que o meu humor e a minha moral estavam no chão. Me sinto uma velha coroca, uma situação como esta me faz repensar e coloca medos absurdos. Afinal, se já estou assim com 30 anos, imagina quando tiver 60!?! Enfim... passado o perrengue o humor se recupera rapidinho, comemos algo e fomos direto para a pousada. Hoje sim, as 7h30 da noite eu já estava na cama, dormindo o sonho dos justos, com o dever cumprido.
No cume do Chirripó, a 3.820 metros, ponto mais alto da Costa Rica
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