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Blog da Ana - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Turks e Caicos Há 2 anos: Turks e Caicos

Até logo Fiona!

Brasil, Amazonas, Manaus

Área de passageiros e usuários, no porto flutuante de Manaus - AM

Área de passageiros e usuários, no porto flutuante de Manaus - AM


Dia de embarcar a Fiona no Luis Afonso, barco que irá nos levar de Manaus a Santarém através do maior rio do mundo, o Rio Amazonas. O barco irá partir apenas amanhã, mas combinamos com Zoca, uma das responsáveis pela embarcação, que o carro deveria ser entregue hoje para ser embarcado no Porto Demetrio.

O nosso barco, Luiz Afonso, que nos levará à Santarém (no porto em Manaus - AM)

O nosso barco, Luiz Afonso, que nos levará à Santarém (no porto em Manaus - AM)


A entrega foi no Porto Flutuante ao meio-dia, ali o nível do píer não é compatível com o andar onde a Fiona ficará estacionada. Depois ela foi levada até o outro porto próximo para a manobra. De qualquer forma foi bacana irmos até lá, já conhecemos a plataforma de embarque flutuante, agora de outra perspectiva.

Orla do Rio Negro no centro de Manaus - AM

Orla do Rio Negro no centro de Manaus - AM


A visão do píer onde fica a praça de alimentação, os prédios antigos e a placa que marca todas as maiores cheias do Rio Negro. Os níveis mais altos foram marcados nos anos de 1953, 1976 e depois no ano de 2009.

A placa com dados anuais da cheia máxima do Rio Negro durante o último século em Manaus - AM. A cheia máxima foi em 2009!

A placa com dados anuais da cheia máxima do Rio Negro durante o último século em Manaus - AM. A cheia máxima foi em 2009!


Nossa convivência com este carro é tanta que nós já sabemos o que ela pensa e como ela se sente. Com certeza estava pensado, “Ihhh, porto de novo? Vocês terão coragem de me abandonar mais uma vez?”. Mal sabe ela que amanhã iremos encontrá-la e que desta vez viajaremos juntos de barco, até Santarém!

Fiona aguardando para ser embarcada, no porto de Manaus - AM

Fiona aguardando para ser embarcada, no porto de Manaus - AM

Brasil, Amazonas, Manaus, Fiona

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Eu Respeito!

Brasil, Paraná, Curitiba

Nova campanha cívica da Fiona, em Curitiba - PR

Nova campanha cívica da Fiona, em Curitiba - PR


Curitiba está mobilizada em torno de uma causa pouco notada pela maioria da população: o respeito à sinalização para pessoas com deficiência. “Esta vaga não é sua nem por um minuto” surgiu a partir de uma situação vivida por Mirella Prosdócimo, curitibana portadora de deficiência. Mirella ao invés de se fechar, transformou sua indignação em causa e lançou uma campanha de conscientização, chamando a atenção de toda a cidade para os direitos das pessoas com deficiência. Eu respeito a lei e o próximo e convido a todos os motoristas a aderirem à causa, ajudando na divulgação desta campanha.



Curta a página do "Esta vaga não é sua" no facebook.

Brasil, Paraná, Curitiba, eu respeito, mirella prosdócimo

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BRIOI de Santo André a Ilhéus

Brasil, Bahia, Santo André, Ilhéus

Praia em Santo André - BA

Praia em Santo André - BA


Acordamos com o tempo novamente indeciso, mas já que ele não decide, nós decidimos por ele! Logo cedo tomamos um banho de mar para acordar e afugentar a chuva. Aproveitamos para conhecer um pouco mais de Santo André, uma pequena vila praiana pouco acima de Porto Seguro.

O rio em Santo André - BA

O rio em Santo André - BA


Descoberta para o turismo recentemente possui em torno de 8 ou 9 pousadas, sendo 4 destas de italianos que se radicaram no Brasil. A vilazinha tem aquela simplicidade que procuramos, longe das hordas de turistas, possui alguns restaurantes muito bonitinhos e dois ou três ateliês, que dão um toque cultural para o local. As pousadas são muito charmosas, a maioria tem acesso direto para a praia e restaurante próprio.

Caminho que leva ao mar, em Santo André - BA

Caminho que leva ao mar, em Santo André - BA


Fomos até a lan house, já que conexão 3G nem pensar. O Gil, além de ser o nosso querido barman na pousada, é empresário nas “horas vagas”. Colocamos alguns posts e fotos no ar enquanto esperávamos a mulherada que estava vindo de Trancoso conhecer Santo André! Sim! As nossas amigas cariocas voltaram! Eu já estou sentindo saudades delas, tanto tempo convivendo... O que me consolou foi que elas deram mais uma agitada nos nossos (possíveis) planos de morar no Rio após os 1000dias. Vai ter festa de recepção e tudo!

Mais uma despedida da Ana, Gracie e Luciana, dsta vez em Santo André - BA

Mais uma despedida da Ana, Gracie e Luciana, dsta vez em Santo André - BA


Voltamos novamente para a BR101, nossa querida briói, a caminho de Ilhéus. Passamos novamente por um mar de eucaliptos e inclusive pela planta da Veracel, imensa e fumacenta. Já estou até cansada de falar disso, é demais gente... mas qual será a alternativa para tantos cartonados que as embalagens de hoje utilizam? Tem que haver uma saída, voltar à vida simples onde todos produzem seu próprio alimento e não dependem de embalagens seria uma boa, né?

Pequeno buraco na estrada entre Santo André e a BR-101 - BA

Pequeno buraco na estrada entre Santo André e a BR-101 - BA


Enfim... quase 5 horas depois chegamos à Ilhéus e nos hospedamos no centro histórico. Ainda tivemos tempo para um jantar no Bar Vesúvio, local muito freqüentado por Jorge Amado e cenário de romances por ele escrito. Amanhã acho que vou conseguir ir ao otorrino, para finalmente ver qual é a situação da minha orelha. Ué, uma passadinha no médico faz parte da vida, né gente?

Ah! Estava quase me esquecendo de contar! Para fechar bem o dia, preciso dividir com vocês uma boa notícia que nos deu uma alegria imensa! Fechamos as nossas passagens de Recife para Noronha! Dia 10/12 estaremos embarcando para esta Ilha Maravilha, mergulhar muito e explorar aquelas praias maravilhosas com a companhia do nosso primo Haroldo!

Brasil, Bahia, Santo André, Ilhéus, bar da praia, mar, Rio

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Carona de Pescador

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis

Conduzindo o barco com o dia raiando, na viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Conduzindo o barco com o dia raiando, na viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Hoje, 4h30 da manhã já estávamos no porto de Apicum Açu, embarcando no barco de pesca Yuri II, nossa carona para a Ilha de Lençóis. Ainda estava escuro, a lua cheia iluminava o rio e a única coisa que sabíamos é que tínhamos 4 horas de viagem pela frente.

Deixando o porto de madrugada, no início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Deixando o porto de madrugada, no início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Eu havia visto o mapa do Maranhão no guia rodoviário e, nesta escala, só conseguia visualizar a Baia de Lençóis e a vizinha Baia de Turiaçú, onde o rio do mesmo nome desemboca no mar. Por este mapa vamos sair por este rio e margear algumas ilhas até alcançar a Baia de Lençóis.

De madrugada, lua cheia, início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

De madrugada, lua cheia, início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Entramos no barco e logo ele partiu, apenas com a luz da lua. A sombra dos manguezais, o vento batendo tranquilo em nossos rostos e a sensação de liberdade plena. Estamos longe de tudo, principalmente longe dos pacotes e esquemões turísticos.

Lua cheia no início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Lua cheia no início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Mesmo para os turistas mais aventureiros a Ilha de Lençóis é um destino bem alternativo, já que a infra-estrutura da ilha é pouca e a distância mesmo para os maranhenses é muita. A viagem direto de São Luis para a Ilha pode durar até 12 horas. Esta sensação de estar desbravando, chegando aonde poucos chegaram, é uma das mais maravilhosas da viagem.

Viajando de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Viajando de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Os pescadores estavam concentrados em seu trabalho, ou com sono mesmo, pois não estavam para muita prosa. Achamos por bem esperar clarear o dia para puxar assunto. Estávamos ansiosos para ver a paisagem, entender o caminho que estávamos fazendo e qual seria o tempo que pegaríamos pela frente. Todas as nuvens a esta hora da madrugada parecem de chuva. Mas se chover, que chova canivete, fomos com o espírito pronto para tudo.

Dia nascendo durante a viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Dia nascendo durante a viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Aos poucos o dia foi clareando e as nuvens começaram a se definir, o vento frio bateu e um dos pescadores veio nos oferecer para guardarmos as coisas junto com a tralha de pesca, em um compartimento fechado e mais protegido. “As coisas ficam secas, mas a gente vai ter que se molhar mesmo!”, nos avisou, simpático.
Foi a nossa deixa para a conversa, ele começou a nos explicar o caminho, saímos pelo rio Apicum Açu, que nem constava no nosso mapa, e dele caímos direto na Baia dos Lençóis, um belo corte de caminho! Vieram alguns pingos, mas não foram suficientes para nos ensopar. Ao longe avistamos alguns barcos, algumas ilhas e muitas nuvens pretas. Estávamos indo direto na direção delas, a cada “poc poc” do motor chegávamos mais perto.

Ultrapassando outro barco durante a viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Ultrapassando outro barco durante a viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Um dos pescadores nos mostrava cada ilha e nos ensinou um novo conceito de casa que nunca havíamos conhecido. Os ranchos dos pescadores fixados em bancos de areia no meio da baia, no caminho entre Apicum Açu e o mar aberto. Eles as usam como posto avançado para pesca, dormem ali e seguem para o alto mar. Outros ficam por ali mesmo, região boa para a pesca de camarão. Passam uma semana, 10 dias longe de casa. O camarão resiste sem gelo, pois eles cozinham, salgam, descascam e embalam para a venda, a maior parte vai para Belém e São Luis.

Casa de pescador no meio do mar, na viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Casa de pescador no meio do mar, na viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Quase três horas de viagem depois começamos a avistar ao longe a Ilha de Lençóis, árvores e um pedacinho de duna. Logo o vento frio bateu, vimos os pescadores se cobrirem com uma lona azul, sinal de que a chuva estava chegando novamente. Nos preparamos para água, pois o céu estava mesmo preto, olhamos para o lado e há apenas uns 200m víamos o mar crespo, salpicado pelas gotas da chuva, mas conseguimos escapar andando na borda da nuvem. Mais uma vez escapamos por muito pouco, confesso que não sei se foi sorte nossa ou manha do mestre do barco que só navegava na tangente dos chuveiros que São Pedro abria lá em cima.

Chegando à Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Chegando à Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Depois de 4 horas de viagem, enfim chegamos a Ilha de Lençóis. Não é difícil reconhecer a ilha, pois dentre tanto verde e mangue de repente surgem imensas dunas de areia. Como será que essas dunas se formaram aqui, no meio do mar?

Dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Os pescadores moram em Bate Vento, comunidade vizinha, logo do outro lado do canal. Descemos ali no areal encharcado, daqueles que afundam o pé. A viagem mesmo longa não chegou a ficar tediosa nem um minuto, não apenas pelo espírito aventureiro que nos acompanhava, como também pela ansiedade de descobrirmos estas novas paisagens das Reentrâncias Maranhenses.

Nosso barco nos deixa na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Nosso barco nos deixa na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis, Dunas, Reentrâncias Maranhenses

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O dia seguinte

Brasil, São Paulo, Santos, São Vicente

Andando de bondinho em São Vicente - SP

Andando de bondinho em São Vicente - SP


O dia seguinte de uma escalada deveria ser feriado nacional. Além de ficarmos acabados, com dor no corpo todo, no meu caso principalmente nos joelhos, nós temos que organizar a bagunça que fizemos. Barraca molhada e cheia de grama. Paneleiro sujo, roupas e botas em estado lamentável, todas molhadas e enlameadas. Passei a malha inteira lavando, esfregando, secando, limpando e dobrando cada pecinha de roupa e equipamentos. Ainda bem que me baixou a Maria e fiz tudo de uma vez só. Quem entrasse no quarto do hotel não acreditaria, pensariam que éramos sem terra de férias.

Visão do bondinho de São Vicente - SP

Visão do bondinho de São Vicente - SP


Um dia lindo se abriu e à tarde fomos até a pista de vôo livre, no alto do morro em São Vicente. Lá encontramos outra espécie de aventureiros, os aventureiros do ar. Pilotos de asa-delta e paraglider curtindo a vista, trocando histórias e dobrando seus equipamentos, pois o vento já estava baixando. Chato para eles, mas ótimo para nós, que precisamos do mar bem lisinho amanhã.

Visão do bondinho de São Vicente - SP

Visão do bondinho de São Vicente - SP


Uma volta no teleférico de São Vicente com uma vista linda para a orla e a baia. Lembrei muito da primeira vez que andei em um teleférico destes, na Suíça, a vista só era um pouquinho diferente, no alto um lago de degelo, no caminho montanhas verdinhas e vacas suíças pastando. Eu do alto dos meus 13 anos pensava: “deve ser destas vacas que vem o leite do chocolate milka”. Profuuundo.

Andando de bondinho em São Vicente - SP

Andando de bondinho em São Vicente - SP


Mais tarde seguimos para a Ilha Porchat, que hoje não é mais ilha devido a um aterro feito para interligá-la a São Vicente. Um almoço tardio no Terraço da Ilha Porchat, vendo o sol se pôr na praia do local que abrigou a primeira cidade brasileira.

Ponte que liga Praia Grande à São Vicente - SP

Ponte que liga Praia Grande à São Vicente - SP


À noite encontramos o Metralha que nos apresentou a vida noturna da cidade, um happy hour em um bar esquentou a turma para uma balada mais animada em um bar no centro antigo de Santos. Ana, amiga de colégio do Metralha e Daniels, seu marido belga, nos acompanharam muito animados! Foi um jeito diferente de fazer turismo, suas ruas lotadas de jovens de todas as tribos. Dentre eles o prédio da Bolsa Oficial do Café, um dos prédios históricos da Câmara Municipal e bares para todos os gostos, de pagode vip até a boate de música eletrônica mais moderna, tudo convivendo no mesmo local. Eu amei, como já disse por aqui, sou uma pessoa muito noturna. Uma baladinha como esta me reenergiza, mesmo que seja difícil acordar, no dia seguinte eu fico sempre mais animada!

Com o Daniels, Metralha e Ana em frente a Bolsa do Café, na night do centro histórico de Santos - SP

Com o Daniels, Metralha e Ana em frente a Bolsa do Café, na night do centro histórico de Santos - SP

Brasil, São Paulo, Santos, São Vicente, Teleférico

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Vertmont in a Glimpse

Estados Unidos, Vermont, West Dover, Woodstock

A bela ponte coberta de Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos

A bela ponte coberta de Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos


As Green Mountains é parte da dos Montes Apalaches que se estendem de Quebec (Canadá) ao Alabama, com seus diferentes nomes. Aqui, no estado de Vermont elas não são meros acidentes geográficos. A beleza de suas paisagens foi inspiração para o nome do 14° estado americano. Batizado ainda nos tempos coloniais do francês Verts Monts, que faz referência as mais de 2 mil montanhas verdes acima dos 600m de altitude, sendo o seu ponto mais alto o Mount Mansfield, com 1.340m. Porém, nem sempre foram verdes estas montanhas, que foram desmatadas por madeireiras durante todo o século XIX. Hoje mais de 75% do estado já foi recuperado e é coberto por florestas secundárias.

Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos

Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos


Esta região é um dos principais destinos de inverno da costa leste americana. Famílias e praticantes dos esportes de inverno lotam as dezenas de estações de esqui, enquanto no verão hikers são convidados a explorar as trilhas dentre as florestas de maple trees e cascatas geladas, a única pista que resta do inverno gelado que um dia passou por essas bandas.

Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Nossa viagem começa pela Rota 100, estrada cênica que cruza as Green Mountains com belas vistas, pequenas vilas e cidades com a típica organização americana. Difícil de acreditar que todo este verde fica coberto de neve. Enquanto seguimos pela Rota 100 vemos os diversos resorts de esqui, lojas de aluguel de equipamentos de inverno e as famosas cadeirinhas dos teleféricos das estações de esqui, todos fechados durante o verão.

Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos

Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos


A pequena cidade de Woodstock é uma das preferidas dos amantes de atividades ao ar livre. Atenção! Não confundir com a histórica Woodstock do estado de Nova Iorque, onde aconteceu o lendário festival de música no final dos anos 60.

Woodstock, em Vermont, a 'mais bela pequena cidade' dos Estados Unidos

Woodstock, em Vermont, a "mais bela pequena cidade" dos Estados Unidos


Sua ponte coberta é um dos principais charmes de Woodstock, que foi considerada uma das mais bonitas dentre as pequenas cidades dos Estados Unidos. Sua localização a torna uma ótima base para explorar as trilhas e arredores, além dos restaurantes e lojinhas em torno do agradável parque da cidade.

A ponte coberta de Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos

A ponte coberta de Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos


Visitando a charmosa Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos

Visitando a charmosa Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos


O estado é também um refúgio dos americanos mais “alternativos”, lugar aonde, antigamente, muitos hippies vieram viver em comunidades, plantando e promovendo uma vida mais natural. Viva a sociedade alternativa! Foi em uma dessas comunidades que Jake e Liz, pais do nosso mais novo amigo Joe, se conheceram.

Visitando a Killdeer Farm com a Liz e o Jake, os pais do Joe, em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Visitando a Killdeer Farm com a Liz e o Jake, os pais do Joe, em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Ele serviu na Europa como militar, virou hippie e viajou pelo mundo, saindo da Europa ao sudeste Asiático de carro, passau por lugares como a Turquia, Índia e o Paquistão. Mais tarde participou do movimento contra as guerras, se envolvendo com protestos políticos e chegou a ficar preso por quase um mês! Bons tempos aqueles... rsrs! Liz viajou para a China Comunista nos anos 70 com um grupo de fazendeiros comunitários para conhecer e aprender as técnicas do modelo comunista. Naquela época luz era algo raro por aqueles países, na sua memória ficou a imagem de uma China escura e bem restrita.

Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Hoje os dois continuam trabalhando na terra, possuem uma fazenda e uma loja de produtos orgânicos divina! Fomos convidados para um almoço delicioso com produtos frescos vindos direto da horta! Ouvimos suas histórias e experiências enquanto nos fartávamos com suas batatinhas, vagens, tomates cerejas da nova estufa, pães integrais e o famoso queijo de Vertmont.

Tomates orgânicos na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Tomates orgânicos na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Neste movimento crescente para a alimentação saudável, com base em alimentos naturais orgânicos e produtos locais, o turismo rural em Vermont ganhou um novo espaço e Liz mau conseguia ficar parada, mesmo no seu dia de folga.

Produção de flores na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Produção de flores na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Clientes surgiam nas porteiras da Killdeer Farm o tempo todo em busca dos seus produtos. Acompanhamos Jake ao outro lado da fazenda, vimos a plantação de feijão, os vários tipos de abobrinhas e outras verduras, enquanto ele corria para lá e para cá na organização do novo tubo de irrigação da fazenda. O verão é o momento de fazer acontecer, pois daqui a pouco tudo estará coberto de neve novamente.

Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Tomates orgânicos na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Tomates orgânicos na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Na loja dos Killdeer garantimos o nosso maple syrup, pois aqui temos certeza que fizemos a escolha certa! O Maple Syrup é o produto mais anunciado na estrada. O açúcar preferido dos americanos é um produto da seiva da Maple Tree, árvore da famosa folha da bandeira do Canadá. Para produzir 1 galão de syrup são necessários 40 galões de seiva, que é fervida em imensos tachos sob altas temperaturas. Vermont é considerada a capital do Syrup nos Estados Unidos. Além de ser reconhecido por produzir as melhores qualidades de maple syrup, o estado é o recordista também na quantidade. São produzidos de 400 a 500 mil galões, equivalente a mais de 1 milhão e 800 mil litros, por ano!

Loja em Norwich, ao norte de Woodstock, que vende os produtos da fazenda do Jake e da Liz, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Loja em Norwich, ao norte de Woodstock, que vende os produtos da fazenda do Jake e da Liz, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Os deliciosos e sadios produtos da Killdeer Farm, do Jake e da Liz, à venda na loja da fazenda em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Os deliciosos e sadios produtos da Killdeer Farm, do Jake e da Liz, à venda na loja da fazenda em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Os deliciosos e sadios produtos da Killdeer Farm, do Jake e da Liz, à venda na loja da fazenda em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

Os deliciosos e sadios produtos da Killdeer Farm, do Jake e da Liz, à venda na loja da fazenda em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos


Foram dois dias pelas estradas cênicas de Vermont. Ficamos surpreendidos pela simpatia do povo e a beleza dessas terras, mesmo sem os tons amarelos e avermelhados do outono. Nos despedimos dos montes verdes e seguimos à New Hampshire para as mais geladas White Mountains.

A afilhada atazana o tio durante visita à fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos

A afilhada atazana o tio durante visita à fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos



ONDE FICAR?

Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos

Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos


Na Rota 100 não será difícil encontrar hospedagem, tudo irá depender da sua pressa e até onde quer chegar. Como começamos tarde, no primeiro dia ficamos hospedados em um charmoso Inn na cidade de Dover: o West Dover Inn. Importante, se você estiver por aqui nas semanas de férias de inverno vale a pena reservar com antecedência.

Estados Unidos, Vermont, West Dover, Woodstock, Green Mountains, Maple Syrup

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Maratona Serra do Cipó I

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente)

As altas paredes do Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

As altas paredes do Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Primeiro dia da Maratona Serra do Cipó. Acordamos logo cedo, tomamos nosso delicioso Kit Café da Manhã no Eco Hostel e estamos prontos para começar o dia. Fabrício, nosso guia já chegou e está ansioso para iniciarmos a programação, pois segundo ele nunca fez 2 atrações no mesmo dia. Será que dá tempo?

Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Com o guia Fabrício na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Com o guia Fabrício na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Seguimos direto para a Cachoeira do Rabo de Cavalo, fica em um distrito próximo à Tabuleiro, Itacolomi. São 40 minutos de carro para chegar até o início da trilha. A informação que tínhamos é que a trilha era de nível médio e levaria 1h30 para ir mais 1h30 para voltar. Eu estava esperando muitas subidas e descidas, mas tive uma ótima surpresa, a trilha era praticamente toda plana, com leves inclinações. Andamos tranquilos e chegamos em 50 minutos. A cachoeira é maravilhosa! No inverno é época de seca, pouca chuva, portanto as cachoeiras estão menos volumosas, mas ainda assim guardam uma beleza incrível e um poço delicioso para nadarmos e nos divertirmos. Até o Fabrício teve que entrar!

Saltando (ou se equilibrando?) na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Saltando (ou se equilibrando?) na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Fiona enfrentando obstáculos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Fiona enfrentando obstáculos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Voltamos ainda mais rápido e seguimos para o cânion vizinho, o do Peixe Tolo. Nome engraçado este, surgiu na Piracema, época em que os peixes sobem os rios para desovar. Os moradores da região desconheciam este fenômeno da natureza e achavam engraçado ver os peixes nadando contra correte, muitas vezes abobados caindo nas pedras de tanta força que faziam... peixes tolos estes!

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Seguimos cânion adentro, pulando de pedra em pedra sobre o rio para avançarmos. Sabíamos que havia três cachoeiras, nosso objetivo inicial era irmos até a primeira, já que não teríamos luz para ir até o final. Uma “saltitante” hora e chegamos lá, mas temos tempo e queremos avançar, depois voltamos dar um tchibum!

Com nosso guia Fabrício no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Com nosso guia Fabrício no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Seguimos em frente e a paisagem vai se transformando, o cânion vai ficando cada vez mais estreito, a mata mais fechada e as pedras mais lisas. O cenário parece um jardim japonês, com bambus, bonsais, pedras redondas branquinhas e água corrente. Começa a ficar tarde e a trilha está cada vez mais suja e fechada, Fabrício nos disse que estávamos há apenas 40 minutos do fim, mas que não daria tempo de tchibum na cachoeira. Adivinha o que escolhemos?

Poço de águas geladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Poço de águas geladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


É claro! Depois de um dia todo caminhando precisávamos de um banho neste lugar sensacional! A formação rochosa faz um eco fenomenal e a paisagem extra-terrestre nos faz esquecer os 13°C da água. Caminhamos saltitantes dentre pedras e rios e chegamos na Fiona exatamente as 18h, sol se pondo, tudo cronometrado. O primeiro dia já se foi e que venham os próximos!

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente), cachoeira, Conceição do Mato Dentro, Serra do Intendente

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Já?

Brasil, Pará, Santarém, Óbidos

Fim de tarde no Rio Amazonas, já bem próximo de Santarém - PA

Fim de tarde no Rio Amazonas, já bem próximo de Santarém - PA


Barco cheio, logo cedo paramos em Parintins, na divisa com o Pará. É aquele entra e sai de gente, ambulantes e mercadorias. Eu estava com sono e entregue à preguiça. Ainda teríamos um dia inteiro de viagem. Logo depois mais uma parada em Juriti, novamente aquele sobe e desce, entra e sai.

Entrando no estado do Pará, pelo Rio Amazonas, rumo à Santarém

Entrando no estado do Pará, pelo Rio Amazonas, rumo à Santarém


A única parada que seria mais complicada seria em Óbidos, cidade do Pará onde fica a fiscalização da Polícia Federal. Todos já sabem, eles vasculham tudo, são mais de duas horas na fiscalização, buscando por mercadorias ilegais e principalmente drogas. São comuns apreensões de cocaína vindas do Perú nestas embarcações. Para a nossa surpresa a parada em Óbidos não durou mais de 15 minutos, a PF já não trabalha há 15 dias, pois acabou a verba. Boa época para os traficantes adiantarem seus negócios.

Passando pela cidade de Óbidos, a caminho de Santarém - PA

Passando pela cidade de Óbidos, a caminho de Santarém - PA


Banho frio delicioso para acordar e começamos a socializar. Neste mundo de água encontramos personagens sensacionais. Desde o pescador que se mudou para Manaus e está vindo visitar a família, a ex-garimpeiros que já moraram em cada pedaço das Guianas e já fuçaram cada canto dessa Amazônia em busca de ouro. Encontramos também turistas e aventureiros malucos, como o Seu Rogério.

Passando pela cidade de Óbidos, a caminho de Santarém - PA

Passando pela cidade de Óbidos, a caminho de Santarém - PA


Rogério rodou o mundo inteiro de bicicleta. Segundo ele, já foi aos Estados Unidos, Europa, Cuba e diversos países da América do Sul. Ele anda numa bicicleta antiga, cada peça da bicicleta tem uma história e é de uma marca diferente. O guidão, o banco e até a grade onde carrega sua pesada caixa de madeira com seus pertences. No guidão ele pendura dezenas de peças de metal pesadíssimas, segundo ele peças de avião que ele comercializa para a Embraer. Apertando bem ele recorda que não, as peças são de bicicleta mesmo, ele as carrega, pois não encontra mais peças como se faziam antigamente. Rogério conta que começou a pedalar com 7 anos de idade e está na estrada há 21 anos. Mineiro nascido em Governador Valadares, diz ter 30 e poucos anos, 36... 38, por aí. Já apareceu no Fantástico, Jornal Nacional e Globo Esporte e agora está em busca de patrocínio para fazer a viagem até o Japão. Ele quer pedalar até os Estados Unidos e de lá pegar um barco. Ele acorda, passa o dia inteiro e inclusive dorme com o seu capacete e óculos de aviador. É o homem mais viajado do Brasil, representante do país no exterior, comerciante da Embraer, louco e feliz.

Conversando com o novo amigo islandês, que está dando a volta ao mundo em 80 dias (foto no barco Luiz Afonso, a caminho de Santarém)

Conversando com o novo amigo islandês, que está dando a volta ao mundo em 80 dias (foto no barco Luiz Afonso, a caminho de Santarém)


Sighvatur Bjarnason é piloto de avião na Islândia, tem 35 anos e está em uma viagem ao redor do mundo em 80 dias. Ele passou pela África negra, foi deportado da Etiópia direto para Djbuti e dali deportado novamente para o Iêmen, no Oriente Médio. Cruzou o país de carro com o acompanhamento de um policial e atravessou para Omã. Dali para o Paquistão, onde, logo após um atentado terrorista, teve que ser escoltado até a fronteira com a Índia. Este é apenas um dos trechos da aventura que percorre em média 500 km por dia para conseguir executar a volta no tempo determinado. Aqui na América do Sul ele voou para o Chile, passou pela Argentina, Bolívia e Perú até cruzar a fronteira com o Brasil. Viemos encontrá-lo aqui, na sua última semana de viagem, cruzando o Rio Amazonas de barco até Belém, de onde voará finalmente de volta para casa. Ele mantém um vídeo blog com vídeos editados pelo menos semanalmente. Os curiosos podem encontrá-lo facilmente no facebook “Umhuerfis jordina a 80 dogum”, tradução em islandês para o tema (Umhuerfis = viagem, jordina = mundo/terra, dogum = dias). Se alguém entender alguma coisa, por favor, volta aqui para me contar.

O bar atrás das redes, no Luiz Afonso. Adivinha quem está lá?

O bar atrás das redes, no Luiz Afonso. Adivinha quem está lá?


Ana Paula índia Ximari, da tribo Telles Pires, nome do rio que faz a divisa do Mato Grosso e do Pará, perto da cidade de Alta Floresta. Ela foi criada até os 7 anos na tribo, quando foi seqüestrada e levada para a cidade de Itaituba, ao sul de Santarém. Foi criada por uma família dentro dos costumes brancos, portanto aos 14 anos decidiu que não queria mais ser chamada pelo nome indígena, escolheu seu novo nome, Ana. Quando completou 20 anos de idade começou a procurar a sua família, pois tinha lembranças claras da sua infância, sua mãe e sua vida na tribo. Recorreu a um vizinho de Itaiatuba, ela lembrou que ele conhecia sua família indígena e ele a levou até lá. Chegando à tribo, 13 anos depois e dentre tantas pessoas, ela soube, sem titubear, reconhecer a sua mãe. “Ela era exatamente como eu me lembrava”, contou.

O canto mais interessante do nosso barco para Santarém

O canto mais interessante do nosso barco para Santarém


Embora tenha traços, Ana não parece ser índia, isso por que sua pele é mais clara e seus cabelos encaracolaram, ela diz que essa mudança ocorreu por não ter sido criada nos mesmos costumes, pele ao sol e cabelos ao vento. Durante o período que morou na tribo, ela e seus dois filhos mais velhos ficaram com malária durante 8 meses. Hoje, é o medo da doença que não a deixa retornar. Curioso é que os seus irmãos, primos e outros índios da tribo possuem algum tipo de imunidade, pois segundo ela não adquirem a doença. Aos 17 teve seu primeiro filho, primeiro dos 6, sua mais nova tem 16 anos. Ela se separou depois de 15 anos de casamento e hoje, aos 39, tem um namorado de 23. “Não me arrependo nem um pouquinho de ter feito os meus filhos cedo, pois hoje eles já estão crescidos e criados e posso cuidar da minha vida sem me preocupar.” História impressionante, vivida por uma mulher forte e bem resolvida, a vida como ela é.

Primeira visão da cidade de Santarém - PA

Primeira visão da cidade de Santarém - PA


O sol finalmente saiu, convidei Sighvatur para ir à frente do barco para aproveitarmos o tempo seco e admirarmos a paisagem. Pouco depois avistamos uma grande cidade, só pode ser Santarém, disse ele. Eu, ao contrário pensei, não pode ser, JÁ? Eu que tinha feito tantos planos para esta viagem, nem me dei conta do tempo passar. Pudera, com personagens como estes, não precisamos de mais nada.

Terras alagadas pelo Rio Amazonas, próximo à Santarém - PA

Terras alagadas pelo Rio Amazonas, próximo à Santarém - PA

Brasil, Pará, Santarém, Óbidos, Juriti, Luiz Afonso, Óbidos, Parintins, Rio Amazonas, Rio Negro, Rio Solimões

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Mojave e o Spaceship One

Estados Unidos, Califórnia, Mojave

Milhares de moinhos aproveitando o vento que nunca para em Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos

Milhares de moinhos aproveitando o vento que nunca para em Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos


Pense num lugar que venta. Agora multiplique por dez! Você está perto de imaginar o que encontramos por aqui. Ventos que eram capazes de balançar a Fiona e nos fazer perder o rumo caminhando entre o carro e o próximo lugar fechado disponível. Não é a toa que toda a região é coberta de cata-ventos das plantas de energia eólica que abastecem a região.

Milhares de moinhos aproveitando o vento que nunca para em Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos

Milhares de moinhos aproveitando o vento que nunca para em Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos


Nós tivemos que repetir parte da estrada que já havíamos percorrido a caminho do Sequoia National Park até a cidade de Mojave, no meio do Deserto de Mojave. A escolhemos como base para quebrar o nosso caminho para o Death Valley, pois é a cidade mais próxima do Red Rock State Park, que pretendemos visitar amanhã.

O Space Ship 1, avião para levar turistas ao espaço, com patrocínios de grandes empresas (em Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos)

O Space Ship 1, avião para levar turistas ao espaço, com patrocínios de grandes empresas (em Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos)


A cidade não tem nada muito interessante, a não ser por um detalhe, Mojave é a casa do Spaceship One. Foi a primeira nave privada a enviar um astronauta para o espaço, fazendo duas viagens no período de 15 dias.

O Space Ship 1, avião para levar turistas ao espaço (no aeroporto de Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos)

O Space Ship 1, avião para levar turistas ao espaço (no aeroporto de Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos)


A Spaceship One não chega a sair da atmosfera, vai até aproximadamente 15km de altura onde o foguete Knight Rider One se desprende e faz um voo sub-orbital, passa cerca de três minutos no espaço e volta planando lá de cima. Haja coragem para subir num negócio desses!

O Space Ship 1, avião para levar turistas ao espaço (no aeroporto de Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos)

O Space Ship 1, avião para levar turistas ao espaço (no aeroporto de Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos)


Pudemos ver o Spaceship One “em pessoa” em exposição no aeroporto de Mojave. A Virgin Galactic está trabalhando em parceria com o desenvolvedor do Spaceship One para operar voos turísticos com a Spaceship 2 e o Knight Rider 2, com previsão para o final de 2012 e que custarão em torno de 200 mil dólares. Mamãe quando eu crescer eu quero um desses!

Nave experimental no aeroporto de Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos

Nave experimental no aeroporto de Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, Mojave, deserto, Spaceship One

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Pinar del Rio e o Tabaco

Cuba, Pinar del Rio

Plantação de tabaco em Pinar del rio, no oeste de Cuba

Plantação de tabaco em Pinar del rio, no oeste de Cuba


Pinar del Rio, a província à oeste de Havana, possui uma geografia única, praias maravilhosas como Maria La Gorda e Cayo Levisa, um dos mais afamados centros de ecoturismo cubano e as principais plantações de tabaco do país. Uma região pitoresca, de vales e planícies completamente cultivadas com diferentes tipos de tabaco. Teremos apenas dois dias, mas não poderíamos deixar de explorar este cantinho de Cuba.

Despedida da 'outra' Margarita, em Havana - Cuba

Despedida da "outra" Margarita, em Havana - Cuba


Hoje foi aquele dia em que tudo parecia perdido e que de repente deu uma virada impressionante. Após o delicioso café da manhã da Dona Margarita eu e o Rodrigo saímos procurar um carro para alugar. Não deveria ser algo difícil, mas para a nossa surpresa não havia carro disponivel! A Cubacar e a Rex, duas únicas empresas estatais de locação de automóveis, estavam esgotadas! Depois de tentarmos umas 4 lojas diferentes dessas empresas, já desacreditados, decidimos comprar a nossa passagem da Via Azul e pegar o primeiro ônibus de Havana a Viñales. Não foi que chegando lá, em frente à rodoviária o Rodrigo encontrou uma Cubacar que tinha um último carrinho disponível? Foi aí que descobrimos que a empresa não está totalmente integrada, embora tenha uma central de reservas. Eu estava com as malas prontas, esperando o Ro aparecer com as passagens quando ele chegou de carro e cuia para me buscar!

Uma das casonas no bairro de Miramar, em Havana - Cuba

Uma das casonas no bairro de Miramar, em Havana - Cuba


Foi aí que a nossa sorte virou. Saímos de Havana já eram mais de três horas da tarde, conferindo o que poderíamos ver no caminho para aproveitar ao máximo os nossos dois últimos dias em Cuba. No meio do caminho, nas estradas vazias do país, eis que surge uma pessoa disfarçada de fiscal ou policial de trânsito e nos faz parar pedindo auxílio de transporte para dois “oficiais”. Quando vimos os dois já estavam dentro do carro e era tudo a maior balela! O cara era segurança de uma plantação de tabaco da região de Pinar del Rio e astuto, ligeiro e papudo, nos parou com pose de policial porque sabia que àquela hora nunca encontraria outro transporte ou turista que fosse lhe dar carona. O pneu do carro da “empresa” havia furado e eles tinham que retornar para Pinar, há uns 60 km dali.


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No caminho eles foram nos explicando onde trabalhavam e o que havia de mais bonito para conhecer na região. Como agradecimento à carona (auto-stop), nos convidaram para conhecer a fazenda do seu chefe, Hector Luis. Uma das únicas plantações de tabaco particulares do país (uma de duas, na verdade), a Finca de Hector Luis, na área de San Juan y Martinez é hoje a produtora do melhor tabaco do mundo!

Plantação de tabaco em Pinar del rio, no oeste de Cuba

Plantação de tabaco em Pinar del rio, no oeste de Cuba


Todos conhecem a tradição do charuto cubano, não é a toa que o puro cubano possui essa fama, as terras e o clima desta região são os melhores do mundo para o cultivo dessa planta. Isso tudo somados à experiência e tradição das famílias espanholas que chegaram ao país há gerações, renderam ao Hector Luis o título de legítimo “Hombre-Habano”.

Visitando a fazenda do melhor tabaco e charuto de Cuba, de Hector Luis, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba

Visitando a fazenda do melhor tabaco e charuto de Cuba, de Hector Luis, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba


Chegamos à finca com os nossos novos amigos e guias locais e eles já entraram em contato com o seu chefe, que estava recebendo visitas importantíssimas e nos atenderia uma hora mais tarde. O ilustre visitante era o ministro chefe de todo o tabaco de Cuba, homem de confiança de Fidel, que veio fazer uma visita especial ao seu principal produtor às vésperas da maior feira de charutos e tabaco do mundo que acontecerá nos próximos dias em Havana.

Teto repleto de folhas de tabaco, em Pinar del rio, no oeste de Cuba

Teto repleto de folhas de tabaco, em Pinar del rio, no oeste de Cuba


Ao nosso redor, centenas de campos plantados, alguns com o tabaco “rubio”, usado para o cigarro comum, outros com o tabaco mais encorpado, de folhas maiores e mais frondosas, que é selecionado especialmente para os melhores charutos cubanos. Passamos pelas famosas terras e fábrica do Hoyo de Monterrey e mergulhamos na cultura do puro cubano.

Chegamos na época perfeita, em que todas as plantas estão crescidas e passando pelo período de colheita e secagem. O ciclo da planta de tabaco leva em torno de 45 a 80 dias. A planta utilizada para o “relleno” cresce pouco mais de um metro de altura, em solo arenoso e abaixo de sol. A folha que o envolve é do mesmo tipo de planta, porém crescida na sombra, chegando a 2m de altura e com as folhas mais finas e flexíveis. Quando mais dificuldade o tabaco encontra, somada à umidade e temperatura perfeitas, mais forte e saborosa fica a folha.

Folhas de tabaco em secagem dentro da casa-secadouro, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba

Folhas de tabaco em secagem dentro da casa-secadouro, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba


As flores são podadas assim que florescem, para que não suguem a energia da folhagem. A partir daí, a cada dia dois andares de folhas são colhidas e colocadas na casa de secagem, alterando a quantidade de substâncias químicas que dão o sabor ao tabaco. As folhas mais baixas são as primeiras a serem colhidas, portanto as mais fracas, para puros mais suaves. As folhas do meio são consideradas as mais especiais, de onde sai, por exemplo, o Cohiba Esplêndido. A coroa é o tabaco mais forte, consumido principalmente por países com tradição no consumo do charuto, como a China, Estados Unidos e Rússia.

Tabaco, típico em Pinar del Rio, no oeste de Cuba

Tabaco, típico em Pinar del Rio, no oeste de Cuba


A secagem é feita naturalmente em casas estufas de madeira e dura em torno de dois anos, costuradas em linha uma a uma às ripas de secagem por mulheres tecedoras. Agora é que vem o principal segredo do sabor dos charutos: após a secagem, as folhas são colocadas em caixas de cedro da melhor qualidade, enterradas e regadas com uma mistura de água, mel e algumas vezes um pouco de rum. Ali ela irá fermentar por quase um ano, absorvendo os sabores e odores desta mistura e do cedro onde está conservada.

Processo de secagem e prensagem de folhas de tabaco, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba

Processo de secagem e prensagem de folhas de tabaco, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba


Toda essa explicação nos foi dada pelo próprio Hector Luis, que nos recebeu às seis horas da tarde, após o horário de visitação normal, e seu guia oficial Rafael. Enquanto nos contava estas histórias, Hector nos presenteou dois de seus charutos robustos para provarmos enquanto escutávamos maravilhados os segredos e minúcias daquele mundo tão novo para nós. Absorvemos ao máximo seu conhecimento e a experiência centenária de sua família no cultivo do tabaco em terras cubanas, um privilégio que ele tenta proporcionar a todos os seus visitantes e convidados. Rafael, após a explicação completa à luz de uma lanterna, ainda nos mostrou como é feita a montagem de um verdadeiro puro cubano.

Folha de tabaco já seca para ser enrolada em charuto, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba

Folha de tabaco já seca para ser enrolada em charuto, em Pinar del Rio, no oeste de Cuba


Eu já estava de olho nas plantações de tabaco, mas o Rodrigo estava reticente, “se der tempo faremos”, íamos direto para Viñales e pronto. Foi como seu Cuba tivesse nos dito: “vocês não podem sair daqui sem ver isso!” Uma experiência inigualável, um momento único e puramente cubano que só o destino e a nossa estrela viajante poderia ter nos proporcionado.

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