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Bolívia, Monteagudo

Deixando o Paraguai e chegando à Bolívia!

Deixando o Paraguai e chegando à Bolívia!


A noite no Chaco é fria, como um deserto que é muito quente de dia e frio durante a noite. Ainda bem que tínhamos lençóis e o saco de dormir para usar como cobertor. Aos poucos vemos que todos os equipamentos que estamos carregando tem muita serventia! A noite tomamos um mate com Bartola e Cristoval, que tem uma erva deliciosa para o chimarrão, preparado sempre pela manhã e a noite, para esquentar.

Com o guarda-parque Cristóbal, no Parque Ten. Agripino Enciso, em La Patria - Paraguai

Com o guarda-parque Cristóbal, no Parque Ten. Agripino Enciso, em La Patria - Paraguai


Após o pernoite no Parque Nacional Tenente Agripino Enciso, finalmente seguimos em direção à fronteira com a Bolívia. Este trecho da estrada está um pouco melhor, mesmo sendo ela praticamente toda asfaltada desde Asunción, alguns trechos estão em péssimas condições e o asfalto já se desfez em pedras e pó. Os últimos 100 km de ontem foram sofridos, depois da cidade de Mariscal José Félix Estigarribia, quando não conseguimos ultrapassar os 40 km/h. Bacana, pois pelo menos conseguimos fotografar as várias aves que vimos no caminho, aves de rapina como gaviões e até algum primo dos periquitos verdes.

Se vêem pássaros à todo momento no Chaco paraguaio

Se vêem pássaros à todo momento no Chaco paraguaio


Os trâmites fronteiriços sempre nos deixam apreensivos, mas com todos os documentos certos e com todas as informações que tínhamos fomos tranquilos. Passamos pelo primeiro posto do exército, viram documentos e passaportes e foram muito simpáticos, todos torcendo muito pela final da Copa América que foi hoje as 15h, entre Paraguai e Uruguai. Alguns quilômetros a frente chegamos à aduana para fazer a imigração e eis que nos dizem que teríamos que voltar a Mariscal Estigarribia para buscar os carimbos. No estado da estrada levaríamos todo o dia para ir e todo o dia de amanhã para voltar até aqui.


Exibir mapa ampliado

No google maps a estrada que pegamos nem aparece, mas ela junta os dois pontos brancos quase em linha reta. A rota que ele tenta fazer acima é uma estrada de terra e areia que nos disseram para evitá-la, inclusive pelos contrabandistas que estão na região.

Atravessando as vastidões do Chaco paraguaio

Atravessando as vastidões do Chaco paraguaio


Daqui para frente ainda tínhamos mais pelo menos 8 horas de viagem para dormir em alguma cidade menor, a caminho de Sucre. Não acreditamos, como nos informamos com todas as pessoas, inclusive um brasileiro que conhecemos ontem e ninguém nos disse nada? Como os trâmites de fronteira podem ser feitos 200km antes da fronteira? Pois é... caímos nessa... a esta altura já não sabíamos mais se era verdade ou não, nos parecia a mais pura lorota... até por que quando perguntamos se não havia mesmo como sairmos sem voltar tudo isso, eles logo nos perguntaram se teríamos “cédulas”. “Pero dólares no! Pueden ser guaranis o reales”. Bem, enquanto o Rodrigo resolvia a situação com el bigodón, eu conversava com o outro policial, que trabalhando há um ano naquele fim de mundo não titubeou em me passar as mais nojentas cantadas. Com jogo de cintura até que consegui me sair bem da situação e logo estávamos, agora sim, literalmente cruzando a fronteira do Paraguai com a Bolívia.

Se vêem pássaros à todo momento no Chaco paraguaio

Se vêem pássaros à todo momento no Chaco paraguaio


Deixamos o Chaco Paraguaio para trás em busca das montanhas do altiplano boliviano. Foram mais de 10 horas de viagem, grande parte delas dentre os trâmites burocráticos nos postos de imigração e aduanas de ambos os países. Na Bolívia há pedágios e postos de controle do exército praticamente a cada 100 km. Passamos rapidamente por Villamontes, primeira grande cidade do lado boliviano. Ali já tivemos uma boa surpresa, ruas largas, canteiros floridos e até monumentos, confesso que eu esperava algo mais pobre.

Comprando combustível num pequeno pueblo na Bolívia com a Eloísa

Comprando combustível num pequeno pueblo na Bolívia com a Eloísa


No caminho íamos nos informando sobre o tempo de viagem até Sucre e o tempo variou de 6 horas até 12h! Houve um perdido que nos disse que levaríamos 24 horas! Quanto mais perto chegávamos, mais confiávamos na informação. Outro detalhe é que neste trecho e em todas os postos de combustível governamentais, o preço do diesel para estrangeiros é praticamente o dobro! Dizem que como o governo o subsidia, estrangeiros não tem o mesmo privilégio.

Últimas luzes do sol iluminam paisagem no caminho para Monteagudo - Bolívia

Últimas luzes do sol iluminam paisagem no caminho para Monteagudo - Bolívia


Hoje conseguimos chegar até Monteagudo, já na subida para o altiplano boliviano. A região de Chuquisaca está próxima ao estado de Santa Cruz, que lidera um movimento separatista no país. Coincidência ou não, estas são cidades organizadas, limpas e muito diferentes da região de La Paz, que conhecemos em outras viagens, anos atrás. A Bolívia se apresenta um novo país, melhor, mais organizado e com toda a diversidade cultural e os belos cenários já reconhecidos por turistas do mundo todo.

Luz do sol atravessa nuvens no fim de tarde à caminho de Monteagudo - Bolívia

Luz do sol atravessa nuvens no fim de tarde à caminho de Monteagudo - Bolívia

Bolívia, Monteagudo,

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Kalalau Trail

Hawaii, Kauai-Kalalau

Fim de tarde glorioso na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Fim de tarde glorioso na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Você consegue imaginar um lugar de natureza pristina, imensas cachoeiras em meio a cânions inexplorados, praias desertas e encostas vulcânicas escarpadas no centro do Oceano Pacífico? Esta é a Na Pali Coast no litoral norte da ilha de Kauai, no Hawaii.

A maravilhosa Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

A maravilhosa Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Depois de sobrevoarmos a ilha dos dinossauros, chegou a hora de explorarmos suas entranhas, irmos fundo em suas matas para descobrir o que esconde a intocada Na Pali Coast. O único jeito de chegar até lá nesta época do ano é através de uma trilha de 36 km (ida e volta), a Kalalau Trail.

Paisagens cinematográficas da Na'Pali Coast, no caminho para o Kalalao, em Kauai, no Havaí

Paisagens cinematográficas da Na'Pali Coast, no caminho para o Kalalao, em Kauai, no Havaí


Não é por acaso que a Kalalau Trail é considerada pela National Geographic o melhor trekking litorâneo do mundo. São 18 km ziguezagueando pelas encostas da Na Pali Coast, seus rochedos, praias, florestas e riachos para chegar ao paraíso perdido dos antigos havaianos: o Kalalau Valley.

Praia no início da trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Praia no início da trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


O trekking começa no final da Kuhio Highway, às margens da Ke´e Beach. Os primeiros 3km de trilha levam até a Hanakapi´ai Beach, uma boa opção para um day hike na famosa Na Pali Coast. No ponto mais alto deste trecho, além de vistas lindas dos “palis”, palavra havaiana para penhascos, nesta época também é fácil avistar baleias jubarte, na sua migração anual pelas águas do arquipélago. Vários trekkers já acabam parando por ali mesmo, acampam de frente para a praia e aproveitam para conhecer a cachoeira que está 2 km vale acima.

Centenas de totens de pedras na tHanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Centenas de totens de pedras na tHanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


A vida 'selvagem' na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

A vida "selvagem" na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Hora do lanche e do descanso, depois de 2 milhas de trilhas, na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Hora do lanche e do descanso, depois de 2 milhas de trilhas, na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Viemos hoje cedo de Kihei até Hanaley Bay, tomamos um último café da manhã bem reforçado e colocamos o pé na trilha. Já eram quase 10 horas da manhã, mas o nosso objetivo era chegar hoje mesmo ao Kalalau Valley. A Laura e o Rafa, super companheiros, toparam a empreitada e lá fomos nós, carregados de equipamento e comida para a tão esperada aventura.

Percorrendo a magnífica trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Percorrendo a magnífica trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


O Rodrigo, meu forte e cavalheiro marido estava mais carregado e acelerou o passo. Eu, Laura e Rafa seguimos firmes, mas no nosso ritmo, parando para tirar fotos e aproveitar as paisagens. O tempo não estava o melhor para as fotos, mas foi perfeito para nós, que não precisamos lidar com o calor insuportável e o sol escaldante durante a trilha. Subimos e descemos encostas em um infindável zigue-zague, contornando os vales e os penhascos da Na Pali Coast.

Momento de relaxamento depois de grande subida na trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Momento de relaxamento depois de grande subida na trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Depois que passamos a Hanakapi´ai Beach a trilha fica menor, menos sinalizada, menos movimentada e mais atrativa aos meus olhos aventureiros. Caminhamos, caminhamos e caminhamos e perdemos a noção de quanto já foi ou quanto ainda faltava. Olhamos para um lado e já não podemos mais ver a Ke´e Beach. Olhamos para o outro lado e ainda não avistamos a Kalalau. Estamos deliciosamente perdidos em meio aos palis e às bailarinas de hula-hula que descem lentamente para o seu encontro com o mar.

Árvores que inspiraram as fantasias de Hula Hula, ao longo do caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Árvores que inspiraram as fantasias de Hula Hula, ao longo do caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Eis que avistamos a marca das 6 milhas, estamos na metade do caminho! O Hanakoa Valley é um vale suspenso, que não tem acesso à praia. Recentemente o parque liberou esta área para camping e é um dos melhores pontos para os hikers mais tranquilos e com mais tempo montarem acampamento e recuperarem as energias. Além de vistas lindas da costa, daqui também sai uma trilha de menos de 1km para a Hanakoa Falls, que dizem ser ainda maior e mais bonita que a de Hanakapi´ai. Já se foram 10km! Logo adiante encontramos o Rodrigo, descansando à beira do rio e após um lanche rápido voltamos à trilha ainda mais animados, agora só faltam 8km!

O Rodrigo já está no alto do próximo morro, no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

O Rodrigo já está no alto do próximo morro, no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Na segunda parte da trilha chegamos à sessão mais seca da ilha, as paisagens ficam ainda mais fortes, cores mais intensas e a trilha mais perigosa. O caminho corta um penhasco alto e sem proteção. Um tropeço ou uma pisada em falso pode te levar direto ao mar, 200 metros falésia abaixo.

O cenário maravilhoso na trilha do Kalalao, ao longo da Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

O cenário maravilhoso na trilha do Kalalao, ao longo da Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Este é o único trecho que exige nervos de ferro mesmo para os menos encanados com altura. Cruzamos outros mochileiros no caminho, uns indo, outros voltando e todos se apertando contra a parede de pedra para que o outro possa passar. Se você tem vertigem ou não é muito tolerante para alturas é neste trecho que a coisa pode complicar.

A Ana, Laura e Rafa caminham por trilha na beira de um penhasco, a caminho da Kalalao Beach, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

A Ana, Laura e Rafa caminham por trilha na beira de um penhasco, a caminho da Kalalao Beach, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Depois de cruzarmos os estreitos penhascos, temos a primeira visão do nosso tão almejado objetivo, a Kalalau Beach. Para não nos deixar duvidar, ali estava uma placa que dizia em havaiano e inglês:

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)


“Kalalau. Esta é uma terra sagrada. Dê a ela o seu maior cuidado, respeite e vá sabendo que você a preservou para as futuras gerações.”

Marcação de 10 milhas na trilha do Kalalao. Só falta uma! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)

Marcação de 10 milhas na trilha do Kalalao. Só falta uma! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)


Como em um passe de mágica todo o nosso cansaço daqueles 16 km desapareceram e novamente ganhamos novas energias para continuar morro abaixo e finalmente chegarmos à terra prometida.

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)


O sol já coloria o céu em tons de rosa e alaranjado, mal conseguíamos enxergar a cor do mar que refletia o prateado do final do dia, se escondendo atrás das montanhas escarpadas da Na Pali Coast.

Um inesquecível pôr-do-sol nos recebe na praia de Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Um inesquecível pôr-do-sol nos recebe na praia de Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Com o restinho de luz ainda tivemos tempo de encontrar um lugar no movimentado camping e montar as nossas barracas. A Laura e o Rafa logo conheceram um local, que lhes recebeu com as boas vindas da comunidade clandestina que vive nesta praia. Clandestina? Pois é, como o vale e a praia estão em um parque estadual, a estadia máxima permitida é de uma semana, mas chegando aqui entendemos que estes “locais” simplesmente não consigam mais ir embora.

estréia da nossa barraca nova em kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

estréia da nossa barraca nova em kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Voando sobre a magnífica Lalalao Beach, em Kauai, no Havaí

Voando sobre a magnífica Lalalao Beach, em Kauai, no Havaí


A cachoeira que escorre nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

A cachoeira que escorre nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Aqui encontramos a natureza pura no seu esplendor, intocada e vibrante, entramos em contato com a energia primordial que alimenta o nosso planeta. Em uma ilha como o Kauai, tão jovem e tão distante, acredito mesmo que deve ser mais fácil de nos conectarmos com outros níveis energéticos, como se o Kalalau fora um portal para uma nova e mais elevada dimensão.

Enormes ondas estouram nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Enormes ondas estouram nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Nós logo entramos em ressonância com esta boa vibração. Não demorou nenhum minuto para todos do grupo se colocarem em acordo de que não poderíamos voltar amanhã. Um dia inteiro naquele paraíso era o mínimo (e o máximo) que podíamos nos permitir. Fiquemos então, faremos racionamento de comida, viveremos de prana, felizes na Kalalau.

Não é a toa que os barcos não chegam até a praia nessa época do ano, na kalalau beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Não é a toa que os barcos não chegam até a praia nessa época do ano, na kalalau beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Aos poucos vamos entendendo como esta comunidade funciona para se esquivar das rondas do parque e se manter viva. São homens e mulheres que vivem em total comunhão com a natureza, o vale lhes fornece água, frutas e raízes e eles só o deixam para comprar suprimentos uma vez ao mês e olhe lá. A paz de espírito que encontraram aqui é mais do que suficiente para alimentá-los.

Arte nas árvores da trilha para a cachoeira, em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Coitada da árvore...

Arte nas árvores da trilha para a cachoeira, em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Coitada da árvore...


Alguns deles vivem aqui há 6 meses, um ano, diz a lenda que o mais antigo vive no fundo do vale, distante de todos, como um ermitão, por quase 20 anos! A procura deste Shangrilá começou na década de 60, quando os hippies paz e amor buscavam lugares como este para viverem seus tempos de libertação. Foi a própria National Geographic que lançou os primeiros olhares neste canto do planeta, publicando uma foto da praia de Kalalau e a colocou na berlinda, criando a primeira migração dos mais aventureiros daquela época.

Luz do sol filtrada pelas nuvens e montanhas, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Luz do sol filtrada pelas nuvens e montanhas, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Triste é saber que tudo isso ocorre de forma clandestina, pois o parque não está preparado para lidar com os impactos ambientais que uma comunidade pode representar. O gerenciamento do lixo é dificultado pelo acesso ser apenas por esta trilha, durante os meses de verão a praia fica mais tranquila e alguns barcos conseguem aportar. Helicópteros acabam sendo a melhor saída para a retirada do lixo, a mais prática e mais cara também, o que diminui os recursos destinados a outros melhoramentos necessários como a instalação e manutenção dos banheiros ecológicos e melhoramentos na trilha. Enfim, é difícil acreditar no paraíso idealizado se ali está o homem.

Acampando de frente ao mar, na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Acampando de frente ao mar, na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Nas nossas andanças por lá vimos pouco ou quase nada de lixo, então eu prefiro acreditar que a consciência ambiental e o amor que esta comunidade nutre por esta terra, seja maior e esteja levando-os a cuidar dela da forma correta.

A 'cachoeira do banho', em Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

A "cachoeira do banho", em Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Durante um dia aproveitamos a praia dentre os naturistas, vimos uma bailarina de hula-hula dançar ao natural pelas areias de Kalalau. Apreciamos as ondas gigantes que proibiam a entrada até dos mais ousados nas suas águas e nos encantamos com as catedrais de pedra que envolvem as paisagens verdejantes do Kalalau Valley.

O grandioso background da praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

O grandioso background da praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Enormes torres de pedra se erguem para o céu, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Enormes torres de pedra se erguem para o céu, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


À tarde os casais se dividiram, eu e o Rodrigo aceleramos pelas trilhas vale acima, em busca das cachoeiras e poços de água doce. Lá descobrimos novas comunidades ribeirinhas, que preferem o rio ao mar, o verde e o isolamento, aos turistas que mal sabem chegar até aqui.

Caminhando na mata em direção a uma cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Caminhando na mata em direção a uma cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Nas trilhas cruzamos parte do patrimônio histórico do vale, ruínas da antiga comunidade tradicional havaiana que viveu por aqui. Quantos anos será que elas possuem? Quem será que as construiu? Sabe-se que até uma comunidade de leprosos foi exilada no começo do século passado, destinada a viver nesta terra distante e abençoada.

Ruínas de antigas habitações na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Ruínas de antigas habitações na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


De volta à praia encontramos Laura e Rafael que nos aguardavam com uma boa notícia, o Rafa havia saído para pescar e voltou com dois peixes para aumentar o nosso jantar.

O Rafa grelha um peixe que ele mesmo pescou durante a tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Que luxo!!!

O Rafa grelha um peixe que ele mesmo pescou durante a tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Que luxo!!!


Fogueira para o peixe e fogareiro para o macarrão no nosso banquete na segunda noite em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Fogueira para o peixe e fogareiro para o macarrão no nosso banquete na segunda noite em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Aqui, ao menos, a comunidade tem esse espírito cooperativo, logo que souberam que ampliamos a nossa estadia e racionávamos a comida, alguns vieram oferecer ajuda, a vara de pesca, frutas, o que fora. Sentimos-nos acolhidos, não fosse o nosso voo de volta, sem dúvida ficaríamos por mais tempo, aprenderíamos a viver de luz e amor... Pelo menos por mais alguns dias, porque não?

delicioso fim de tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

delicioso fim de tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


No nosso terceiro dia perdidos na costa norte do Kauai, infelizmente já era hora de voltarmos a nos encontrar. Um banho de mar no reino de Namaka, que hoje nos recebeu de braços abertos, como quem diz, “estarei por aqui aguardando o seu retorno”. O sol quente nos acompanhou durante toda a caminhada de volta e a marca de 6 milhas novamente apareceu como uma nova dose de energia. Um banho nos poços de água fresca nos deixaram prontos para os 10km que faltavam.

Diversão com um cipó em piscina natural na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Diversão com um cipó em piscina natural na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Terminamos a trilha cansados, mas felizes. Sabíamos que este esforço para cruzar os palis da Na Pali Coast e chegar à Kalalau seria apenas o primeiro das nossas vidas, pois sem dúvida voltaremos.

Chegando à praia das duas milhas, na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Chegando à praia das duas milhas, na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Hawaii, Kauai-Kalalau, Kalalau Trail, Napali Coast, Trekking, trilha

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Grande Sertão Veredas

Brasil, Minas Gerais, Chapada Gaúcha

A deliciosa e 'abençoada' cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

A deliciosa e "abençoada" cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Norte de Minas Gerais, chegamos à região de Chapada Gaúcha, que como vocês já devem imaginar, foi colonizada por gaúchos. Impressionante como este povo está espalhado pelo Brasil, sempre mantendo a sua identidade. O primeiro gaúcho que chegou à região, em torno de 30 anos atrás, comprou toda a região e passou a vender terras para seus conterrâneos que começaram a ocupar a região. A principal atividade econômica é a cultura de soja e capim, com a comercialização da semente para formação de pasto. O solo é arenoso e o clima boa parte do ano quente e seco, por isso além de muito adubo a produção depende de irrigação, isso explica a típica paisagem campestre com imensos pivôs de irrigação trabalhando nesta época.

O município possui em torno de 10 mil habitantes e foi emancipado há 10 anos. Vemos a cultura gaúcha em cada detalhe. Casa de carnes, churrasco, muita erva-mate, cuia e chimarrão em todos os lugares, sem contar as torcidas do Grêmio e do Colorado, que tem o mesmo ou até mais espaço que as mineiras. Até pouco tempo os gaúchos somavam 80% da população, hoje o número já está proporcionalmente menor, em torno de 50 ou 60%.

Placa do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Placa do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


O Parque Nacional Grande Sertão Veredas tem em torno de 40% das suas terras dentro do Estado de Minas Gerais e 60% dentro do Estado da Bahia. São mais de 230 mil hectares de cerrado e veredas. Composto por diversas fazendas desapropriadas pelo Governo Federal, por irregularidade ou sonegação de imposto, algumas delas já haviam formado pasto para a criação de gado, outras ainda mantinham a mata nativa.

Vereda, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Vereda, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Eu nunca soube realmente o que eram as “veredas”. Imaginava uma mata ou algo parecido, mas a lembrança mais próxima ao tema sempre foi o escritor Guimarães Rosa. O escritor freqüentou a região enquanto escrevia o livro Grande Sertão Veredas e por aqui conheceu o Manuelzão, personagem do seu livro. Hoje aprendi, veredas são regiões mais baixas no meio do cerrado onde a água acumula, por isso ficam como charcos ou pequenos pântanos, ricos em vegetação. Sempre que se avistar o Buriti, este tipo de palmeira, pode ter certeza que tem água e onde tem buriti, tem sucuri. Não sabia também que havia sucuri no cerrado, pois elas gostam de água. Pois bem, se o sertão tem veredas lá elas estarão, longe dos rios, onde as lontras poderiam lhes causar um belo prejuízo.

Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Rodamos mais de 130km pelas estradas de areia, por entre veredas e cerrados no parque nacional. Pela manhã, enquanto o sol ainda é suportável, foi fácil avistarmos diversas espécies comuns no cerrado brasileiro. Uma família de catitú, um tipo de porco-do-mato, diferente do cateto, mais comum no sul do Brasil. Por sinal, aprendi hoje também que o cateto, queixada ou o javali são diferentes nomes para o mesmo animal. Andam sempre em bando e são mais bravos, batendo os queixos quando ficam nervosos, se sentem ameaçados e resolvem atacar para se defender. A família de catitús estava atravessando a estrada, cruzaram rapidamente e um filhotinho ficou para trás, espero que tenha encontrado os pais!

Cervo salta no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Cervo salta no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Andamos mais um pouco e logo os olhos atentos do nosso guia José avistaram um veadinho. Tranquilo e calmo no cerrado, logo percebeu que o observávamos e disparou cerrado afora. Um espetáculo vê-lo saltando os seus 2 metros de altura até desaparecer na mata. Vimos emas, siriemas, codornas e perdizes, uma riqueza de vida incrível! Poucos sabem ou imaginam que um lugar aparentemente tão seco pode ter tamanha diversidade de fauna e flora.

Piquizeiro, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Piquizeiro, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Falando em flora, este sertão também a a casa para o Piquizeiro, a árvore do piqui, fruta do cerrado usada na culinária local, seu coquinho espinhento possui um leite apreciado pelo povo da região. Vimos o encontro das águas do Rio Preto, que agora está verdinho, quase transparente, e do rio Caninanha, que nasce na Bahia e passa a ser a fronteira com Minas.

Pulando nas águas refrescantes do Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Pulando nas águas refrescantes do Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Tomamos banho em uma praia do Rio Preto e nas águas da cachoeira do Rio Mato Grande, estes já estão dentro do município de Formoso. Bem disse o Rodrigo, se esta cachoeira estivesse em Delfinópolis não dariam bola alguma, mas aqui ela é única e abençoada. Um verdadeiro oásis no meio do sertão veredas!

A deliciosa e 'abençoada' cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

A deliciosa e "abençoada" cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Descansando no rio Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Descansando no rio Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Conhecemos também a base da brigada de incêndio do parque. Eles possuem uma torre de 32 metros de altura para observação e prevenção de incêndios. Uma tecnologia japonesa simples e muito inteligente, de roldanas e contra-pesos.

Ana subindo na torre guarda-incêndio, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas - MG, próximo à Chapada Gaúcha

Ana subindo na torre guarda-incêndio, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas - MG, próximo à Chapada Gaúcha


Apenas uma pessoa por vez pode subir na torre, de onde conseguimos observar grande parte da extensão do parque. É sensacional usar esta traquitana e em poucos minutos ter esta vista maravilhosa!

No alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

No alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


O Manuel, brigadista responsável pela observação esta semana, fica na base por 7 dias e folga os outros 7. Hoje ele deve ter tido muito trabalho, pois quando voltávamos pela estrada de Formoso, vimos fumaça na direção da parte baiana do parque.

Com o nosso guia José e o gurda-parque Manoel, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Com o nosso guia José e o gurda-parque Manoel, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Equipamento no alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Equipamento no alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Assim que ele avista o fogo ele usa este instrumento aí para determinar as coordenadas e passa por rádio os seus dados que somados aos dados da segunda torre dão a localização exata do fogo para os brigadistas, que vão entrar no cerrado com abafadores e galões de 20 litros nas costas para apagar o incêndio. É, e essa época é fogo!

No alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

No alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


É sabido que a biodiversidade da mata atlântica é uma das maiores do mundo! Mas o maravilhoso espetáculo do cerrado brasileiro não deixa nada a desejar, ainda mais para nós, meros mortais, eco-turistas e entusiastas da preservação do meio-ambiente.

Vereda, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Vereda, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Brasil, Minas Gerais, Chapada Gaúcha, cachoeira, Formoso, Grande Sertão Veredas, parque nacional

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Império Chimú

Peru, Trujillo, Mancora

Caminhando pelas extensas ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru

Caminhando pelas extensas ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru


Hoje o nosso plano era logo pegar estrada para Mâncora, mas passar por Trujillo e não visitar as ruínas de Chan Chan pareciam um pecado tão grande quanto ir à Roma e não ver o Papa. Reservamos então uma hora da nossa manhã para conhecer o Palácio de Tschudi, apenas uma das 10 cidadelas, com muros de mais de 9m e altura. Imensas construções localizadas há apenas 10 minutos do centro de Trujillo. Chan Chan (Sol Sol) foi construída pelo Império Chimú, no século IX e é considerada a maior cidade de adobe da América com mais de 15km2, abrigou mais de 50 mil habitantes.

Entrando nas ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru

Entrando nas ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru


Pescadores, a arquitetura de seu palácio possui motivos marinhos, peixes, redes de pesca, crustáceos e afins. As áreas do templo são gigantescas e a maioria deste palácio aberto a visitação já foi restaurado, aparentemente por uma empreiteira/ construtora brasileira. O trabalho neste sítio é feito diretamente pelo Ministério de Cultura do Governo peruano, um trabalho de acuracidade duvidosa segundo pessoas que trabalham neste ramo.

As ruínas da cidade de adobe de Chan Chan, em Trujillo, no Peru

As ruínas da cidade de adobe de Chan Chan, em Trujillo, no Peru


Realmente fica difícil entendermos ali o que é real e o que foi reconstruído. Muitas placas sinalizam “réplicas” e as marcas da reforma feita no templo fazem o sentimento de exploração arqueológica se dissolver em meio à grandeza do espaço.

As ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru

As ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru


Vizinhas ao templo, vemos ruínas abandonadas, sendo corroídas pelo tempo, ventos e intempéries. Que história será que está guardada nestas paredes e construções? Estaria aí a chave para muitas das nossas dúvidas? Difícil saber... pela abrangência das ruínas abandonadas, fica claro apenas que ainda levará muito tempo para ser descoberta.

As ruínas não restauradas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru

As ruínas não restauradas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru


Infelizmente sem tempo e com algumas dores que insistiam em retornar, não nos demos mais chance de conhecer e entender melhor a história e a vida deste povo. Aos mais curiosos, o ticket de acesso à Chan Chan ainda dá acesso ao museu, simples, que visitamos ontem no final da tarde, à Huaca Esmeralda e à Huaca Arco Íris, localizados também próximos, em outro sítio.

As ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru

As ruínas de Chan Chan, em Trujillo, no Peru


Partimos para mais 600km de estrada entre Trujillo e Mancora, cidade praiana no norte peruano. Chegamos já estava escuro, visitamos vários hotéis buscando a famosa combinação qualidade e preço, até nos instalar no Hotel Punta del Sol. Antes paramos na Sunset Hostal, que parecia mais charmosinha, mas com apenas 5 quartos e em um final de semana, ela já estava lotada. Aproveitamos para jantar uma deliciosa comida italiana no seu deck à beira do oceano pacífico. Amanhã teremos um dia tranquilo à beira mar para tentar recuperar o nosso fôlego e colocar em dia os nossos diários.

Peru, Trujillo, Mancora, arqueologia, Chan Chan, Praia

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Sossego, que nada!

Brasil, Bahia, Lençóis (P.N. Chapada Diamantina)

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


A Chapada Diamantina possui várias cidades históricas, fundadas no ciclo do diamante entre os séculos XVIII e XIX, que servirão como base para a nossa aventura. O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 1984 em uma área em que predominava a atividade de mineiração e garimpo, com o intuito de preservar uma das mais abençoadas paisagens brasileiras. São centenas de cachoeiras, rios de águas vermelhas e formações rochosas das mais variadas que formam este cenário fantástico!

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Começamos explorando os arredores da cidade de Lençóis, nosso primeiro dia de caminhada foi até a Cachoeira do Sossego, quase 2h de trilha, boa parte dela subida, passando por paisagens lunares. O rio foi esculpindo as pedras e formando recantos lindos.

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Na trilha a pressão vai ao pé, calor dos diabos, sol na cabeça e a águia fria é item obrigatório para sobrevivência! Só queremos chegar, afinal o prêmio está lá, no fim da trilha, linda e pomposa, a Cachoeira do Sossego.

Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Valeu até uma tentativa de base jump dos 5m de altura no poço!

Pulando de 'paraquedas' na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Pulando de "paraquedas" na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Logo chegou um grupo grande e nós, como de praxe, fugimos dali para conhecer outros lugares, quem sabe não tão tumultuados.

O escorregador do Ribeirão do Meio visto de cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

O escorregador do Ribeirão do Meio visto de cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Próxima parada: Ribeirão do Meio. Pedras roliças que foram amalgamadas com areias coloridas e formam um tipo de rocha colorido e muito diferente, fazem a paisagem ainda mais surreal. Lindíssima na parte alta e diversão garantida no seu tobogã!

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Sabadão não poderíamos esperar tê-lo tão vazio, mas valeu a pena, pois vimos um show de um dos nativos que cresceu aqui treinando os malabarismos mais amalucados possíveis. O cara desceu o tobogã em pé, em posição de ski, depois de ter plantado bananeira e dado aqueles saltos doidos no poço! Estiloso demais!

Descendo de pé o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo de pé o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Uma bela caminhada, treino para começar a aquecer os músculos para os próximos dias. Aqui na Chapada, sossego é o que não vamos ter!

Refrescando-se na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Refrescando-se na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

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A sobrinha mais linda do mundo!

Brasil, Paraná, Curitiba

Luiza, vestida de holandesinha, em Curitiba - PR

Luiza, vestida de holandesinha, em Curitiba - PR


Quem acompanha o site há mais tempo, deve lembrar da agonia que tive quando Luiza nasceu. Primeira neta da Família Biselli Silveira, minha primeira sobrinha direta e ainda por cima da irmã mais nova! Logo que ela nasceu corremos à Curitiba, reunimos a família para ver a mais nova integrante. Nós viemos da Ilha Bela, a Juliane, irmã do meio, veio de Londres (ou NY?) e todas nos reunimos no Clube da Luluzinha para vivenciar este momento único e tão especial para a nossa família.

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR


Hoje, quase um ano depois, estamos de volta à Curitiba. Além de todos os desembaraços burocráticos (passaportes, vistos, etc), é claro que o principal motivo é matar as saudades da família, amigos e ver esta pequena pessoa. Nada como unir o útil ao agradável!

Cada vez mais linda, a sobrinha Luiza está quase com 1 ano (em Curitiba - PR)

Cada vez mais linda, a sobrinha Luiza está quase com 1 ano (em Curitiba - PR)


Nestes últimos 10 meses acompanhamos de longe o desenvolvimento da Luiza. Notívaga no começo da sua vida (puxou a tia), deu um belo trabalho aos pais que tiveram que trocar noite pelo dia. O tempo em Curitiba não é dos mais fáceis, quem dirá para bebês. Ela pegou alguns resfriados, gripes, princípio de pneumonia e está desenvolvendo uma alergiazinha, bronco-rinite. Cercada de carinhos e cuidados médicos estamos torcendo para que não vire uma alergia crônica.

Luiza, vestida de holandesinha, em Curitiba - PR

Luiza, vestida de holandesinha, em Curitiba - PR


Alguns meses depois Luiza se adaptou ao horário normal, facilitando a vida dos pais. A Dani logo voltou a trabalhar e a Luiza já teve o seu primeiro dia na escolinha! Em uma das melhores escolinhas para bebês da cidade, ela tem aula de música, coordenação-motora e já fez vários amiguinhos. Não vê a hora de começar as aulinhas de horticultura e culinária, que começam no ano que vem! Espertíssima, interage o tempo todo, já está quase andando, adooora cachorros e até já dança a coreografia do Pintinho Amarelinho! É demais!

Cada vez mais linda, a sobrinha Luiza está quase com 1 ano (em Curitiba - PR)

Cada vez mais linda, a sobrinha Luiza está quase com 1 ano (em Curitiba - PR)


Quando Luiza nos viu ficou um tempão nos olhando, curiosa, devia estar pensando: “Ué, mas esta tia não mora no computador?” Mais uma oportunidade para ensinarmos a este pedacinho de gente a conexão entre o mundo real e o mundo virtual. Só falta daqui a pouco ela achar que o “Pintinho Amarelinho” e a “Galinha Pintadinha” vão sair do i phone para brincar com ela!

Luiza, com a mamãe e a tia coruja, em Curitiba - PR

Luiza, com a mamãe e a tia coruja, em Curitiba - PR


Enfim, a tia coruja aqui só quer compartilhar com vocês as fotos da sobrinha mais linda do mundo.

Brasil, Paraná, Curitiba, Luiza

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San Marcos, uma meca zen.

Guatemala, San Marcos La Laguna

O magnifico lago de Atitlán, em San Marcos, na Guatemala

O magnifico lago de Atitlán, em San Marcos, na Guatemala


San Marcos é uma meca zen... algum dia, há muitos anos atrás, algum psicólogo, semi-guru, veio até aqui e sentiu que este era um lugar de energia especial. Não foi à toa, o pequeno vilarejo está localizado às margens do Lago de Atitlán, considerado por muitos um dos mais bonitos do mundo!

O lago Atitlán e o vulcão San Pedro, vistos de San Marcos, na Guatemala. Ao fundo, os vulcões Tolimán e Atitlán

O lago Atitlán e o vulcão San Pedro, vistos de San Marcos, na Guatemala. Ao fundo, os vulcões Tolimán e Atitlán


A partir de então todos os psicólogos, terapeutas alternativos, corporais, especializados em todos os tipos de atividades voltadas ao bem estar da alma, do corpo, mente e espírito, começaram a colonizar o local.

O pequeno cais de San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala

O pequeno cais de San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala


Parte da vila só pode ser acessada a pé, o aluguel de uma casa às margens do lago custa em média de 600 a 800 dólares por mês. Nessa região ficam localizadas a maior parte das pousadas, restaurantes e clínicas alternativas que oferecem massagens (shiatsu, tailandesa, relaxante, pedras, etc), acupuntura, práticas de meditação, aulas de ioga e cursos de formação de terapeutas.

Yoga, massagens e comida natural, muito comuns em San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala

Yoga, massagens e comida natural, muito comuns em San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala


Todas as semanas rolam alguns rituais para trabalhar diferentes energias, nessa ficamos sabendo que haveria a cerimônia do cacau, uma nova cerimônia que um casal de brasileiros recém-chegado na comunidade está começando a realizar. Para quem gosta deste tipo de atividade e se identifica com esse universo energético-espiritual o lugar é uma perdição! Eu adoro, já contei aqui que eu sou (e toda a minha família é) espírita. Minha mãe é homeopata, meu pai é psicólogo e trabalha com terapia regressiva. Desde pequena convivi com esse mundo, participei de congressos holísticos e fiz um curso de biopsicologia-transpessoal com uma Didi (monja) americana do mestre indiano Sai Baba. Pois é, uma loucura! Maaas, acontece que eu casei com o Rodrigo, o cara mais racional e agarrado às lógicas científicas que eu conheci na vida! Acaba que qualquer “viagem” deste tipo que eu queira começar, sempre tenho ele do meu lado dizendo... “ahhh, peloamordedeus, você cai nessa ladainha?” Ás vezes ele não diz, por que respeita o que eu quiser fazer, mas eu sei que ele estará pensando isso!

Meio de transporte comum em todo o lago Atitlán (San Marcos, na Guatemala)

Meio de transporte comum em todo o lago Atitlán (San Marcos, na Guatemala)


Sendo assim, nos hospedamos na “menos-zen” das pousadas, onde toda a noite rolava uma musiquinha, internet e pizzaria. Era das poucas que não oferecia yoga ou massagem e que, mesmo tendo o temascal, um tipo de sauna maia utilizada para purificação do espírito, nunca estava acesa. Resumindo, nossa experiência “espiritual” nesse lugar tão especial foi bastante abalada. Ainda assim eu não deixei de fazer uma acupuntura para ver se consigo consertar o estrago que estou fazendo no meu ciático.

Bananeiras em uma das trilhas de San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala

Bananeiras em uma das trilhas de San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala


Durante a tarde aproveitamos para conhecer a “praia” da cidade, um parque municipal que cobra 15 quetzales de entrada e oferece uma trilha para um mirante com altares maias e uma área de banho, com acesso ao lago pelas pedras ou por um deck.

Escultura no estilo maya em trilha de San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala

Escultura no estilo maya em trilha de San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala


A vista do lugar é simplesmente sensacional! À frente estão 3 vulcões, o vulcão São Pedro (3.020m), o Atitlán (3.537m) e o Tolimán (3.158m). Antiga cratera de um imenso vulcão, o Lago Atitlán está rodeado de montanhas e sua profundidade chega a mais de 300m!

San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala

San Marcos, no lago Atitlán, na Guatemala


Então imagine que às margens do lago estamos rodeados de montanhas, dentro de uma mega-cratera, com águas cristalinas em tons esverdeados, em frente a estes três cones perfeitos e sob um imenso céu azul. Sem dúvida encontramos o paraíso!

O belo lago de Atitlán, cercado por vulcões, visto de San Marcos, na Guatemala

O belo lago de Atitlán, cercado por vulcões, visto de San Marcos, na Guatemala


É óbvio que o primeiro “mestre” que chegou aqui tenha sentido no lugar uma energia muito especial. No final nos damos conta de que não precisamos ir meditar sob uma pirâmide metálica e nem fazer a cerimônia do cacau para nos sentirmos espiritualmente conectados com a energia vital deste nosso lindo planeta.

Roupa típica na região do lago Atitlán, em San Marcos, na Guatemala

Roupa típica na região do lago Atitlán, em San Marcos, na Guatemala


É só sentar às margens do lago com os pés na água, fechar os olhos, sentir o sol esquentar e alimentar cada uma de suas células. Respirar fundo 7 vezes, deixar a brisa bater em seu rosto e imaginar uma luz azul entrando pela sola dos seus pés, atravessando o meio do seu corpo até sair no topo da sua cabeça. Uma experiência linda e muito fácil!

O belo lago de Atitlán, cercado por vulcões, visto de San Marcos, na Guatemala

O belo lago de Atitlán, cercado por vulcões, visto de San Marcos, na Guatemala


Se antes disso você quiser exorcizar aquela energia que está estagnada, aquela noite mal dormida, os sapos engolidos e as brigas entaladas na sua garganta, é só dar um salto direto do deck para o lago. O deck está a 7m de altura das águas refrescantes e energizantes do Atitlán. No caminho, entre o deck e o lago, você tem menos de dois segundos para gritar e colocar todos os bichos para fora!

Um mergulho em Atitlán com os três vulcões a observar! (em San Marcos La Laguna, na Guatemala)

Um mergulho em Atitlán com os três vulcões a observar! (em San Marcos La Laguna, na Guatemala)


Feito isso, você está pronto para começar 2012 com o pé direito e o espírito em dia com a kundalini do mundo.

Mergulho no lago Atitlán em San Marcos, na Guatemala

Mergulho no lago Atitlán em San Marcos, na Guatemala

Guatemala, San Marcos La Laguna, Holístico, Lago Atitlán, Zen

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Reveillón em Aspen

Estados Unidos, Colorado, Aspen

De bondinho, atravessando as montanhas nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

De bondinho, atravessando as montanhas nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Aspen, a cidade dos ricos e famosos onde a beleza e o glamour dos seus frequentadores são o seu principal cartão postal, antes mesmo do motivo que os levou originalmente até lá, foi a cidade onde decidimos passar o nosso Reveillón. Eu confesso nunca ter me comovido com essa fama da cidade de ares suíços nas montanhas nevadas do Colorado, mas aqui por estas bandas não tive dúvida que seria o melhor lugar para encontrarmos uma boa festa de Ano Novo.

Bondinhos trazem esquiadores e equis para o alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Bondinhos trazem esquiadores e equis para o alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Suas montanhas nevadas foram descobertas pelos mineradores de prata no final do século XIX e usadas como campo de treino para os soldados americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Quem diria então, que estas mesmas paisagens se tornariam uma das principais comunidades de ski do mundo?

No alto das montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos, a mais de 3 mil metros de altitude

No alto das montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos, a mais de 3 mil metros de altitude


O esporte de inverno preferido dos americanos endinheirados teve origem nos países nórdicos há mais de 4 mil anos. A palavra ski é norueguesa e significa “pedaço de madeira dividido”, referindo-se aos pedaços de madeira que ajudavam na locomoção dos norsemen durante os invernos tenebrosos daquele canto do mundo.

Cena típica nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Cena típica nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Foram os australianos e os americanos, porém, que colocaram o esporte em evidência, criando os primeiros clubes de esqui e as primeiras competições organizadas em 1861 na cidade de Kiandra, Austrália. Aqui em Aspen, após o término da Segunda Guerra Mundial, a estrutura turística para a prática do esporte foi iniciada por militares com olhos treinados e bom faro para o negócio. Logo grandes hotéis e resorts apareceram e estava feita a fama de um dos maiores centros de esqui do mundo.

No alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

No alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Hoje os principais Resorts de Ski nesta região são o próprio Aspen Mountain e o seu vizinho Snowmass Village, um paraíso para os adeptos do snowboard e do ski. Chegamos na altíssima temporada e provavelmente no feriado mais concorrido do ano. Ótimo para vermos o movimento e termos uma experiência de inverno completa nos Estados Unidos, certo? Bem, quase, depende de quanto você está disposto a investir nesta brincadeira. A começar pelo hotel, bacana mesmo é ficar hospedado no resort de ski, no pé da montanha, que para a noite de Réveillon chega a custar até 2.400 dólares. Um pacote de 3 dias de aula para adultos iniciantes: 429 dólares por pessoa. Ah, tudo isso tudo isso sem os impostos! Sem contar que ninguém vai ter aulas de esqui sem o seu equipamento básico pessoal, calças, jaquetas, luvas e óculos de neve, que ficariam por baixo mais uns 500 dólares, comprando os mais baratinhos. Enfim, este não é um investimento para quem quer apenas testar uma vez, ou você está disposto a gastar, aprender e praticar, ou meu filho... esquece, um dia de aula não irá te fazer esquiar. Uma senhora com quem conversei deu a explicação mais simples e clara que eu já ouvi. Esquiar é um esporte de memória muscular, é como andar de bicicleta, o corpo demora a aprender se equilibrar na bicicleta, mas uma vez que aprende não esquece nunca mais.

Preparando-se para descer de snow board as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Preparando-se para descer de snow board as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Viemos para Aspen decididos a aprender a esquiar, pelo menos tentar, mas depois de ver estes preços decidimos postergar e tentar encontrar alguma montanha mais amiga dos iniciantes lá para os lados de Boulder.

Cena comum nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Cena comum nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Ok, agora até parece que o mundo acabou... sem esqui, sem hotel, o que afinal viemos fazer em Aspen?

A bela estrada que segue ao lado do rio Colorado, no leste de Utah, nos Estados Unidos

A bela estrada que segue ao lado do rio Colorado, no leste de Utah, nos Estados Unidos


Bem, o nosso último dia do ano começou do mesmo jeito que 80% dos nossos últimos 1000dias, com uma deliciosa viagem de carro saindo das planícies geladas do deserto de Utah e cruzando as montanhas do Colorado. Cenários lindos, acompanhados pelos nossos familiares que, cada um em seu fuso horário, nos ligava no skype para comemorar o ano novo. Já sabendo dos preços salgadíssimos de Aspen, o nosso plano era ficarmos hospedados em Glenwood Springs, a 40 minutos de lá e aproveitarmos a virada no meio dos ricos, chiques e famosos.

Muita neve forma uma incrível paisagem invernal em estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos

Muita neve forma uma incrível paisagem invernal em estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos


A nossa passagem por Glenwood Springs acabou sendo mais rápida do que esperávamos, mas não poderia ter sido mais certeira. Logo na entrada da cidade encontramos uma Concessionária da Toyota e a Fiona vinha pedindo para darmos uma passada lá, era o filtro de combustível que precisava ser trocado. Dia 31 de Dezembro, as 17h e a oficina havia acabado de fechar, já sem esperanças o Rodrigo voltou ao carro ainda no estacionamento da concessionária, quando vimos um mecânico com uniforme da Toyota passando ao lado do carro. Foram 15 minutos e logo a Fiona estava pronta! Seu charme encantou o chefe da oficina que nunca tinha visto uma Toyota como ela em toda a sua vida, quanto menos ter a oportunidade de mexer em uma delas!

A Fiona nos leva confortavelmente através da neve e frio de estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos

A Fiona nos leva confortavelmente através da neve e frio de estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos


Ele ganhou o dia e nós também! Enquanto isso eu conversava com uma das vendedoras mais animadas e inteiradas das baladas de Aspen, para entender como as coisas funcionavam por lá. Geneva não apenas nos deu toda a letra como encontrou um hotel para ficarmos em uma vila mais próxima a Aspen e tão animada quanto! “O negócio é o seguinte, vocês vão para Aspen, veem a festa e se não estiverem a fim de pagar 200 dólares para entrar em uma balada, fiquem por Basalt mesmo, no Brick Poney que os cowboys lá são sempre animados!” Fechado! A Toyota de Glenwood Springs e sua equipe agilizadíssima resolveram a nossa vida.

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Assim fizemos, Basalt é uma gracinha, a cidade alternativa da região com bons cafés, restaurantes e até um Whole Foods não poderia ser melhor opção! Pagamos justos 130 dólares na diária (menos que isso seria mesmo impossível) e ficamos super bem localizados. Perto das 20h fomos para Aspen e chegamos à praça principal no momento dos fogos de artifício! Os fogos iluminavam a montanha nevada ao fundo, as casinhas e chalés com suas luzinhas de Natal fechavam o cenário lúdico e encantado da pequena cidade de Aspen.

Reveillon em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Reveillon em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Neste momento eu estava conectada com a minha tia e a minha avó no skype e ainda pude mostrar a elas um pouco dos fogos que estávamos assistindo, um momento inesquecível para mim, ouvindo a minha avózinha de 82 anos dizer: “Viram só? Agora eu posso dizer que já estive em Aspen!” Priceless!

Última noite de 2012 na iluminada e gelada Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Última noite de 2012 na iluminada e gelada Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


A nossa ceia de Reveillón foi em uma animada taverna franco-suíça, com um founde de queijo divino, acompanhados por um bom vinho e uma sobremesa bem brasileira, doce de leite feito na munheca (sem panela de pressão!) pela assistente brasileira do chef! Hummm, delicioso!

Muito estilo na última refeição do ano, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos. Fondue com vinho!

Muito estilo na última refeição do ano, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos. Fondue com vinho!


A virada foi em Basalt, no point indicado pela Geneva, afinal bebida e direção não combinam! Levamos nosso super espumante vindo do Napa Valley e entramos na festa dos cowboys e esquiadores mais descolados de Aspen. Gente bonita e bem doida, todos loucos para cair na pista e dançar até dizer chega.

Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


O dia seguinte foi de ressaca nas alturas. Depois de passear pela cidade durante a manhã, subimos o tão falado bondinho até o topo da Ajax, uma das pistas mais famosas das montanhas de Aspen. O cenário lá em cima é indescritível, a montanha nevada salpicada de pequenos esquiadores, que descem coloridos e ágeis em seus esquis e snowboards pelas pistas nevadas, sem titubear.

Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Um passe para estas pistas pode custar 600 dólares ou mais por ano e te dão direito a 14 dias na pista... uma loucura. É, definitivamente este esporte é para quem pode. Assim, é claro que todos eles ficam loucos pra aproveitar ao máximo, sobem no teleférico e descem pelas pistas quantas vezes as pernas aguentarem!

Bate´papo animado antes da longa descida de esqui até a cidade de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Bate´papo animado antes da longa descida de esqui até a cidade de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Lá no alto uma super estrutura de bar, restaurante, lojas e até massagem. Almoçamos no topo da estação de esqui com vistas lindas para as montanhas e só tentando imaginar se um dia nos sentiríamos parte dessa elite invernal. Quem sabe na próxima encarnação, nesta acho que não vim com muita paciência para isso. Ainda não desistimos das aulas de esqui, quem sabe as montanhas andinas serão mais receptivas com estes viajantes.

Admirando a beleza das montanhas que circundam Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Admirando a beleza das montanhas que circundam Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Colorado, Aspen, esqui, Montanha, neve, Ski

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Escalada do Lagarto

Brasil, Rio Grande Do Norte, Praia da Pipa, Passa e Fica (Pedra da Boca)

Escalada da segunda metade da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN

Escalada da segunda metade da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN


Uma das promessas que fizemos a nós mesmos é que iríamos escalar durante a viagem. Não foi uma promessa vazia, fizemos curso e treinamento de escalada técnica nos preparativos da viagem, inclusive. Porém, contudo, entretanto, todavia, nós não tivemos muita sorte durante a viagem. Quando passamos pelo Rio de Janeiro, um dos maiores e melhores campos urbanos de escalada, pegamos chuva quase todos os dias. Na cidade de Serra do Cipó chegamos “atrasados”, já com a Maratona Serra do Cipó fechada para conseguirmos ver todas as atrações nos parcos 4 dias que tivemos, acabamos pulando a escalada. Fato é, de HOJE ela não passa!

Em frente à Pedra do Lagarto com o Julio, nosso guia montanhista na região de Passa e Fica - RN

Em frente à Pedra do Lagarto com o Julio, nosso guia montanhista na região de Passa e Fica - RN


Já deixamos marcado ontem com o Júlio Castellano, guia e instrutor de escalada aqui na região. Na caminhada que fizemos pela manhã passamos por um cânionzinho (onde usamos a “técnica ponte”, vide post anterior) ao lado das vias de escalada com nomes divertidos como Via Sacra, Frango Frito e a melhor, Dona Encrenca, uma via que parece fácil, toda 4 e 5 até o final quando pula para um grau 8! É um negativo, uma senhora encrenca mesmo!

O Julio fixa a corda para nós, na Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN

O Julio fixa a corda para nós, na Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN


Eu já ia notando que teríamos um desafio pela frente, as formações de granito deixam poucas agarras nas rochas, o que para nós iniciantes que estamos há 9 meses sem escalar, não é nada bom! Lembro que o Anderson, nosso professor, chamava essas vias de “cata formiga”, pois as agarras são apenas nas pontas dos dedos, aí haaaja dedo!

Escalando a primeira metade da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN

Escalando a primeira metade da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN


Fomos para a Pedra do Lagarto, ela possui o formato que a batizou e ainda uma grande recompensa no topo da via, a vista espetacular de todo o complexo rochoso do Parque Estadual Pedra da Boca. Esqueci de perguntar o nome da via, mas ouvi alguém falar, acho que é “lagartixa”.

Escalando a primeira metade da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN

Escalando a primeira metade da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN


Nome perfeito, visto que é uma via fácil, de uns 70m de altura onde usamos basicamente as pernas para ascensão e os dedos para apoio. O Júlio fez o nosso seg já da metade dela, o Rodrigo veio no meio e eu fechando. Foi deliciosa a sensação de voltar a escalar, que saudade!

Celebração no alto da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN. Parque da Pedra da Boca ao fundo.

Celebração no alto da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN. Parque da Pedra da Boca ao fundo.


A única dificuldade era a quentura da rocha, bateria uma batata quente queimando os dedos. Lá em cima ainda demos uma caminhada, tiramos umas fotos e recebemos o nosso prêmio!

Visão frontal do Parque da Pedra da Boca, na região de Passa e Fica - RN

Visão frontal do Parque da Pedra da Boca, na região de Passa e Fica - RN


Descemos no rapel entre as mangueiras e eu só pensava em como conseguiria convencer o Rodrigo a ficar mais para tentarmos escalar amanhã também. Uma só via foi sacanagem, para nos deixar com aquele bichinho nos corroendo, quero mais!

No alto da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN

No alto da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN


Chegamos ao Seu Tico, comemos um açaí, encontramos um escalador de São Paulo que já conhecia o nosso site e reconheceu o carro, sensacional! Aventureiros se encontram - Parte 4! Rsrsrs! Ao lado estavam os meninos de João Pessoa com o acampamento, fogueira e violão a postos, também tentando nos convencer a ficar. Infelizmente o dever falou mais alto, o senso de urgência do Rodrigo as vezes tinha que ter um botão de off. Ai que vontade de ficar! Enfim, vamos à Natal, mas com a certeza de que voltaremos!

Fim da escalada da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN

Fim da escalada da Pedra do Lagarto, na região de Passa e Fica - RN

Brasil, Rio Grande Do Norte, Praia da Pipa, Passa e Fica (Pedra da Boca), Escalada, Montanha, Praia

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Cusco em um Dia

Peru, Cusco

Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Antiga capital do Império Inca (século XIII a 1532), Cusco é hoje a mais cosmopolita das cidades turísticas da América do Sul. Apenas em 2013 recebeu mais de 2 milhões de turistas nacionais e internacionais em busca de cultura, história e aventura, 300 mil deles a caminho de Machu Picchu. Arqueologia, história, cultura tradicional, gastronomia, esportes radicais e de aventura; pode parecer exagero, mas Cusco oferece atividades para todos os gostos, idades e bolsos.

Plaza de Armas em Cusco, no Peru

Plaza de Armas em Cusco, no Peru


Uma cidade viva que consegue reunir o velho e o novo, a aventura e o conforto, o tradicional e o inusitado em uma grande salada cultural temperada por sotaques quéchuas, aymarás, latinos, europeus, anglo-saxões e asiáticos, todos convivendo em perfeita harmonia.

Plaza de Armas em Cusco, no Peru

Plaza de Armas em Cusco, no Peru


A primeira vez que estive aqui em 2005, Cusco foi o grand finale de uma viagem de 15 dias de La Paz, na Bolívia, até aqui, passando pelo Titicaca e me aventurando em uma descida alucinante de bike por uma das estradas mais perigosas do mundo a caminho de Machu Picchu. Eu havia planejado toda a viagem sozinha, com trilha para Machu Picchu e tudo, quando um contratempo do meu trabalho me fez atrasar uma semana, perder o passaporte de entrada na trilha Inca oficial, mas em contrapartida ganhei a companhia do Luis, que revelou uma grande amizade e uma das melhores viagens que já fizemos na vida! O Perú tem esse efeito nas pessoas, o choque cultural e as experiências que vivemos aqui nunca são esquecidas.

Porta de igreja em Cusco, no Peru

Porta de igreja em Cusco, no Peru


Hoje, 8 anos mais tarde a Plaza de Armas foi reformada, ganhou novo paisagismo e a cidade saltou de 375 mil para 435 mil habitantes. O turismo se estruturou ainda mais, o setor hoteleiro cresceu a oferta de hostels, hotéis boutiques e hotéis de luxo, o transporte foi organizado, o sistema de controle de entrada nas principais atrações foi ajustado para garantir manutenção e preservação dos sítios arqueológicos e o que estava subutilizado foi potencializado para garantir o melhor funcionamento da indústria turística peruana, que já representa 3,75% do PIB nacional. É, nossos hermanos peruanos estão fazendo tudo direitinho.

Torre de igreja em Cusco, no Peru

Torre de igreja em Cusco, no Peru


Super tourist friendly Cusco possui operadoras turísticas para todas as rotas que você imaginar: do Titicaca ao Vale Sagrado e Machu Picchu, da Cordilheira Blanca ao norte à Amazonia Peruana. A maioria dos guias são professores formados que viram que ganhariam melhor com os gringos. Bem treinados falam, além do espanhol, inglês, alemão, francês, japonês, italiano. português e por que não, russo! Se você estava procurando, acabou de encontrar o ponto ideal para começar suas explorações no país.

Plaza de Armas em Cusco, no Peru

Plaza de Armas em Cusco, no Peru


Nosso roteiro foi pensado com base na agenda do nosso mais novo tripulante, Gustavo Filus, que desembarcou ontem no aeroporto de Cusco e terá 10 dias para explorar toda a região. Nestes período passaremos por Cusco, Vale Sagrado, Águas Calientes e Machu Picchu e fecharemos com chave de ouro com um trekking de 3 dias nas ruínas de Choquequirao, retornando para Cusco na noite anterior do embarque do Gustavo. Vai ser pauleira, mas sem dúvida vai valer a correria!

Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru

Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru


Ontem depois do aeroporto já adiantamos o tour pelas Ruínas de Saksawaman e fizemos uma visita ao camping onde está o pessoal da Landcruising Adventure, demos uma volta na Plaza de Armas e aproveitamos para o Gustavo aclimatar. Lembre-se! Cusco está a 3.400m de altitude, andar com calma, descansar bastante e tomar muita água vai te poupar do cansaço e dor de cabeça que são normais nestes primeiros dias.

Roteiro em Cusco


Tínhamos um dia de explorações pela cidade, selecionamos então as principais atrações do Boleto turístico de Cusco, além do Museu de Arte Contemporânea, para ver algo mais moderninho, além de um passeio gostoso pelo Bairro San Blás.

Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru

Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru


Começamos as explorações pelo Museu de Cusco, ou Museu Histórico Regional, localizado na antiga mansão colonial do escritor Garcilaso de La Vega, que viveu aí até 1560, quando aos 20 anos partiu para estudar na Espanha. Garcilaso era filho de um nobre conquistador espanhol com uma Princesa Inca, filha de Túpac Huallpa. Tendo convivido nas duas culturas, falava espanhol e quéchua e foi testemunha ocular de todo período colonizatório de um ângulo muito privilegiado, tornando-se depois o principal cronista da vida dos Incas, a história e a conquista espanhola sobre este Império.

Pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Mais tarde ele lançou o famoso livro “Comentarios Reales de los Incas”, porém nunca retornou à sua terra natal, morrendo na Espanha em 1616. A sua antiga mansão além da arquitetura colonial espanhola (que eu amo de paixão!), com aqueles pátios internos imensos e paredes de pedra espessas, podemos conhecer melhor a sua história e passagens marcantes da história da conquista espanhola sobre os Incas. Uma das passagens mais fortes é o da captura e morte de Tupac Amaru II, mestiço descendente direto do último imperador Inca que liderou uma revolta contra os espanhóis em 1572. Esta batalha foi a maior enfrentada pelos espanhóis em toda a América Latina, mas mesmo com milhares de soldados indígenas e mestiços e centenas de soldados espanhóis mortos, Tupac Amaru não venceu a batalha. Seu triste fim, após assistir a morte de sua família em praça pública, foi o esquartejamento “a cavalo”. Tempos terríveis, estes.

Representação bastante clara da morte por esquartejamento  do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru

Representação bastante clara da morte por esquartejamento do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru


Dali passamos pelo Museu de Arte Contemporânea do Peru, mais leve e cheio de graça. Situado também em uma antiga casa colonial, seu pátio interno é repleto de artesãos vendendo todo tipo de tecelagens e bugigangas imagináveis. Eu sempre gosto de dar uma olhada no que o país ou a região está produzindo atualmente, as releituras das origens indígenas somadas às cores e aos traços mais modernos sempre trazem um belo resultado. Pena não podermos tirar fotos, mas quem quiser conferir este museu também está no Boleto Turístico de Cusco, na Plaza Regozijo, a mais simpática das redondezas do centro histórico, na minha humilde opinião.

Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas

Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas


Seguimos caminhando pelas estreitas ruas de paralelepípedos no centro de Cusco, entre cholas e llamas artistas, subimos uma ladeira na quina direita da Plaza de Armas, próximo ao escritório da Peru Rail, e chegamos finalmente ao Museu del Inca. Uma das casas mais imponentes transformadas em Museu, a mansao do então tenente Francisco Aldrete Maldonado foi reconstruída e restaurada duas vezes por ocasião dos terremotos de 1650 e 1950. Lá além da grande coleção de arte pré-colonial em ouro, prata, têxteis, cerâmicas e tesouros arqueológicos pertencentes à Universidad Nacional de Cusco, o que mais me chamou atenção é o trabalho desenvolvido pelas mulheres tecelãs que ficam trabalhando no pátio interno. Elas têm uma habilidade e uma rapidez nos movimentos invejável e nos fazem viajar no tempo em que suas tátara-tátara-tátara-tátaravós faziam exatamente o mesmo que elas fazem hoje: teciam belas tramas andinas com lã de llama e alpaca, sentadas sobre suas saias nas mesmas calçadas de pedras por onde andamos hoje.

Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Outro destaque são os Keros, estes vasos cerimoniais feitos em madeira de cabaças (ou porongos), frutos arredondados que secos ficam com esta cara da foto abaixo. O trabalho minuscioso é tão detalhado que precisamos de uma lupa para tentar ler a história contada nos relevos esculpidos à mão por estas exímias artesãs.

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru


Uau! Manhã cheia de cultura e museus, hora de uma parada gastronômica especial. Fomos a um dos mais antigos e tradicionais restaurantes de comida peruana em Cusco. Lá a parrilla corre solta e os pratos variam entre cuy (porquinho da índia), cabrito, llama e leitão, todos acompanhados de batatas variadas e arroz. Comida típica deliciosa, só poderia ser acompanhada de uma cerveja típica daqui, não... não estou falando da chicha, fermentado de milho adocicado que é a cerveja dos locais, estou falando dela, a cusqueña!

A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru

A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru


Bem alimentados continuamos a nossa caminhada agora pelas ladeiras do bairro mais charmoso de Cusco, o artístico e super cool San Blás. Dica, se você está mochilando e não tem um carro para estacionar (como a nossa Fiona), fique hospedado aqui. San Blás é o novo point latino hipster de Cusco, têm vários hostels, posadas e hostels boutiques super bacaninhas, além de restaurantes e barzinhos descolados. Aqui vale deixar a preguiça de lado e subir, subir, subir, até encontrar o mirante de San Blás com uma bela vista da cidade. Detalhe... acabou a bateria da minha câmera, então fiquei sem fotos lá do alto. =(

Praça de San Blas, em Cusco, no Peru

Praça de San Blas, em Cusco, no Peru


Os simpáticos caminhos do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru

Os simpáticos caminhos do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru


Imagino que até vocês já devam estar ficando cansados por aqui, mas a nossa visita ainda não acabou. Ainda nos falta nada mais nada menos que o Qorikancha, Templo Mayor Inca! Toda a cidade de Cusco foi construída sobre a antiga capital do Império Tahuantinsuyo, o Império Inca. A Catedral de Santo Domingo, por exemplo, foi construída sobre o Palácio de Viracocha, outros templos e terraços deram não apenas o seu espaço, mas a sua estrutura e cada uma de suas pedras para os espanhóis construírem ali, em cima, a sua história e sua nova capital. Não à toa os descendentes e defensores mais aguerridos da cultura inca tem uma certa ressalva com europeus.

Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru

Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru


Com o Qoricancha não foi diferente, o Convento de Santo Domingo foi construído sobre o Templo Mayor dos Incas, Templo do Deus Sol. Segundo relatos de Garcilaso o templo mayor tinha o piso e as paredes cobertos de placas de ouro, um jardim repleto de estátuas de ouro e um imenso disco dourado incrustado de pedras precisosas que representava o Inti, Deus Sol.

Relíquia Inca no Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru

Relíquia Inca no Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru


Tudo isso foi derretido, transformado em barras de ouro e levado pelos espanhóis. O que restou foi utilizado na decoração da Catedral Santo Domingo. Riqueza pouca é bobagem. Dizem que os Incas não davam valor ao ouro como os espanhóis e este talvez tenha sido mais um erro dos nativos americanos, ao não perceberem a ganância do povo conquistador que chegava para tomar não apenas suas riquezas, mas a sua moral e o seu império.

Jardins do palácio Qorikancha, em Cusco, no Peru

Jardins do palácio Qorikancha, em Cusco, no Peru


Foto em parede do Templo Mayor, no mesmo lugar de 23 anos atrás, em Cusco, no Peru

Foto em parede do Templo Mayor, no mesmo lugar de 23 anos atrás, em Cusco, no Peru


Por último, mas não menos importante, fechamos o nosso intensivo de Cusco com uma visita ao show de danças típicas com apresentações de grupos tradicionais das mais diferentes vilas e regiões peruanas. Jovens meninas e meninos com suas roupas tradicionais revelam as raízes andinas e a influência espanhola na dança e na música peruana.

Apresentação de dança típica em Cusco, no Peru

Apresentação de dança típica em Cusco, no Peru


Apresentação de dança típica em Cusco, no Peru

Apresentação de dança típica em Cusco, no Peru


O jantar, podres e acabados, foi em um restaurante em frente à Plaza San Francisco, já um pouco fora do eixo mais turístico da plaza de armas. Um restaurante simples mas bem simpático e cheio de locais. Carne de Alpaca com risoto de quinoa, hummm, meu prato predileto! Ainda mais depois de 8 dias a pão, água, pedialite e canja de galinha. Daqui seguimos rumo ao Vale Sagrado para mais explorações dos Andes Peruanos.

Visita ao Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru

Visita ao Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru



Curiosidade 1 – Vejam a segunda foto do post, algo lhes chama atenção? Sim! Uma bandeira linda com um arco-íris, ao lado da bandeira do Perú! Pois é meu povo, essa bandeira espalhada por toda cidade não é uma ode ao movimento gay, como eu pensava. Achei que tinha chego aqui na Cusco Gay Week ou algo assim, mas embora eu tenha simpatizado ainda mais com a cidade ao vê-la por aí, logo descobri que é a própria bandeira da cidade de Cusco, que representa a pluralidade dos povos andinos. =)

Curiosidade 2 – Tá vendo essa foto aí abaixo? Pois é, bem legal, adoro provar chapéus, mas em Cusco alguns vendedores não verão com bons olhos se você chegar na loja e provar o chapéu dele sem pedir permissão antes... acredite, eu levei uma bronca por provar um chapéu regional, não este aí do Cats!

Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru

Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru

Peru, Cusco, museu, Museu Inca, Qorikancha, roteiro, San Blás

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