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Nós & Elis, a gente era feliz - e sabia.

Brasil, Piauí, Teresina

Dedicatória de Joca Oeiras no livro que organizou

Dedicatória de Joca Oeiras no livro que organizou


Nós & Elis, mais que um bar foi um espaço cultural que fez parte da história de uma geração de jovens estudantes, artistas, políticos e formadores de opinião piauienses. O espaço foi inaugurado em 1984, ano da votação da emenda Dante de Oliveira, que estabelecia eleições diretas para presidente. Embalado pelo Diretas Já, por um sonho de democracia e liberdade de expressão, o Nós & Elis foi palco para muitas discussões políticas e culturais. O seu criador, Elias Ximenes Prado Júnior era um idealista fervoroso. economista formado na UNB, deixava claro mesmo para sua esposa que a política vinha em primeiro lugar na sua vida, “pois tinha uma missão de ajudar o seu povo a ter uma vida melhor”. Além disso, era um apaixonado pela arte e cultura e enxergava o potencial dos jovens artistas piauienses, que não possuíam um espaço onde fossem reconhecidos.

Elias Ximenes Prado Junior, proprietário do 'Nós e Elis' (foto presente no livro)

Elias Ximenes Prado Junior, proprietário do "Nós e Elis" (foto presente no livro)


Aí nasceu o Nós & Elis um bar onde muitos se conheceram, apaixonaram, casaram, indignaram, choraram, beberam e comemoraram a vida. Onde os artistas tinham liberdade de desenvolver a sua arte, onde as composições próprias eram bem vindas, desde que passassem pelo crivo de Elias. Era a sua casa, sempre de portas abertas a todos que quisessem entrar, mas se alguém desrespeitasse algum artista ou seus ideais políticos, sem nenhuma cerimônia era expulso pelo dono do bar e convidado a nunca mais retornar. Ali Elias construiu um espaço para expor as suas ideias, discuti-las com jovens engajados e que muitas vezes compartilhavam do mesmo sonho, pavimentando o seu caminho para um futuro político, unindo o útil ao agradável.

Vários artistas e personagens ficaram marcados na história do Nós & Elis, dentre eles Geraldo Brito, Roraima, Paulo Aquino, Netinho da Flauta, músicos, Kenard Kruel, jornalista e boêmio, Vera Mascarenhas, esposa de Elias e tantas outras pessoas que hoje nos contam a história deste lugar, que nunca conheci e nunca poderei conhecer, mas sinto como se fosse freqüentadora assídua e parte desta história. Todos eles estão presentes no livro organizado por Joca Oeiras, um jornalista paulista radicado em Oeiras, interior do Piauí. O coletivo de autores reúne dezenas de histórias que gravitam em torno da memória e das saudades deixadas pelo Nós & Elis.

Capa do livro 'Nós e Elis', de Joca Oeiras

Capa do livro "Nós e Elis", de Joca Oeiras


O testemunho de Natércia Rangel sobre Netinho foi para mim um dos pontos altos do livro, que de repente abre um parênteses do Nós & Elis e nos conta notícias deste amigo tão querido, vindas de um mundo que não vemos, porém no qual acredito muito, o mundo espiritual. Natércia descreve a “Viagem de Netinho” desde o início, sua vida, sua passagem e como está “do lado de lá”. Uma homenagem sensacional a um personagem tão presente na vida deste grupo de amigos.

Quando chegamos a Teresina eu logo me senti em casa, vi a placa da UFPI e pensei, o Nós & Elis é para lá! Logo passamos pela Av. Frei Serafim e visualizei o fusca de Kenard Kruel voando pelas ruas, calçadas e canteiros com Paulo Moura ao volante (que não sabia dirigir) e William Melo Soares, poeta, pedindo para descer e salvar a sua vida. Os logradouros já me eram familiares, a Primeiro de Maio e a Av. Miguel Rosa, o Teatro 4 de Setembro, etc. A cidade já possuía outra atmosfera, eu sabia que ali existia um grupo de artistas, intelectuais e pessoas que faziam, e ainda fazem de Teresina um lugar especial. A minha agonia era de não saber onde encontrá-los, imaginar que poderiam estar reunidos em uma mesa de bar ou na casa de um deles ali ao lado. Ou ainda, nesta nova fase, cuidando de suas vidas, cada um na sua casa, com sua família, filhos, esposas, seus livros e violões.

Joca Oeiras em suas pesquisas para a edição do livro 'Nós e Elis' (foto retirada do livro)

Joca Oeiras em suas pesquisas para a edição do livro "Nós e Elis" (foto retirada do livro)


Existem alguns lugares no mundo que tenho saudades sem ter conhecido e que sei que nunca mais poderei conhecê-los. As 7 Quedas, as Estátuas de Buda explodidas pelos Talibãs no deserto de Bamyian, o Rio de Janeiro boêmio de Tom e Vinícius e o Nós & Elis, de Elias Prado, GB e tantos outros. Fica aqui o registro e o meu agradecimento a Joca Oeiras e a todos que compartilharam comigo suas memórias, ou melhor, as nossas memórias de um tempo em que a gente era feliz - e sabia.

Eu e meu livro, presenteado por Joca e Bill, em Oeiras - PI

Eu e meu livro, presenteado por Joca e Bill, em Oeiras - PI

Brasil, Piauí, Teresina, Joca Oeiras, Nós & Elis

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A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Ville de Quebéc

Canadá, Quebec

Fim de tarde em frente ao Cháteau Frontenac, o mais famoso hotel de Quebec, no Canadá

Fim de tarde em frente ao Cháteau Frontenac, o mais famoso hotel de Quebec, no Canadá


Quebéc, uma das primeiras cidades da América do Norte, foi fundada em 1608 por Samuel Champlain. Seu nome vem da palavra indígena Algoquin “Kebéc”, que significa, “onde o rio se estreita”. O rio, no caso, é o St Lawrence, o mesmo que passa pela cidade de Montreal e liga o Lago Ontário ao Oceano Atlântico. Ele faz parte da paisagem da Vieux Quebéc, centro turístico da antiga capital da província.

O famoso Chateau Frontenac, um dos mais fotografados hoteis do mundo, em Quebec, no Canadá

O famoso Chateau Frontenac, um dos mais fotografados hoteis do mundo, em Quebec, no Canadá


A charmosa Rue du Petit-Champlain, na parte baixa do centro histórico de Quebec, no Canadá

A charmosa Rue du Petit-Champlain, na parte baixa do centro histórico de Quebec, no Canadá


A antiga Quebéc está dividida basicamente entre Haute Ville, parte alta da cidade construída sobre o Cap Diamant, e Basse Ville onde está o porto e a Place Royale. A arquitetura europeia colonial de ruas estreitas de pedra e construções suntuosas dá o charme à cidade que abrigou a primeira Universidade Francesa da América.

A famosa Place Royale e a Eglise Notre-Dame, na parte baixa do centro histórico de Quebeq, no Canadá

A famosa Place Royale e a Eglise Notre-Dame, na parte baixa do centro histórico de Quebeq, no Canadá


Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá

Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá


A cidade murada é uma atração a céu aberto e é parte da lista de Patrimônios Históricos da Humanidade pela Unesco. Você pode se perder entre os labirintos de guetos, pracinhas e escadarias por dias. Em cada canto encontramos um bistrô, café ou galeria de arte. Se tiver sorte e chegar à cidade no meio do Festival d´Été, ou Fetival de Verão, irá encontrar ainda dezenas de eventos acontecendo na cidade. Shows de músicas, óperas, peças teatrais e variadas performances acontecem em todos os cantos da cidade e ficam ainda mais concentrados na cidade antiga.

A parte baixa do centro histórico de Quebec, no Canadá

A parte baixa do centro histórico de Quebec, no Canadá


Pessoas fantasiadas caminham pelo centro de Quebeq, no Canadá

Pessoas fantasiadas caminham pelo centro de Quebeq, no Canadá


Na parte baixa a Rue Petit-Champlain é a joia da cidade. Dezenas de lojinhas, galerias, bares e restaurantes fazem desta a rua mais disputada do centro antigo. Centenas de turistas lotavam a rua, entre artistas e casais da melhor idade vestidos com a sua mais perfeita roupa do século XVII. Por um segundo nos sentimos voltando no tempo, esbarrando com barões e baronesas, camponeses e camponesas. As barracas de rua tinham exposições sobre comidas, armas, geologia e até arqueologia. Quem comprasse um amuleto por 10 dólares canadenses tinha acesso a áreas especiais com teatros, brincadeiras e mais informações da era colonial.

Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá

Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá


A charmosa Rue du Petit-Champlain, na parte baixa do centro histórico de Quebec, no Canadá

A charmosa Rue du Petit-Champlain, na parte baixa do centro histórico de Quebec, no Canadá


No Vieux Port, uma vista para a área industrial da cidade, mal localizada, diga-se de passagem. Ali também encontramos uma feira de artesanatos, grifes de roupas e acessórios produzidos por estilistas quebecoises, bacaníssima! Dentre as atrações imperdíveis da Basse Ville está o Museu da Civilização, com ótimas exposições sobre a história da cidade de Quebéc, a geografia da imensa província e a minha preferida, a exposição sobre as 13 nações indígenas que formam os laços ancestrais do povo quebecoise.

Arte Inuit no Museu da Civilização, em Quebeq, no Canadá

Arte Inuit no Museu da Civilização, em Quebeq, no Canadá


Tenda indígena no Museu da Civilização, em Quebeq, no Canadá

Tenda indígena no Museu da Civilização, em Quebeq, no Canadá


O famoso Chateau Frontenac, um dos mais fotografados hoteis do mundo, em Quebec, no Canadá

O famoso Chateau Frontenac, um dos mais fotografados hoteis do mundo, em Quebec, no Canadá


Na cidade alta Le Château Frontenac é o principal marco arquitetônico da cidade. Um hotel construído em 1893 no estilo dos castelos franceses, é o hotel mais fotografado do mundo. A sua frente um passeio de pedestres com belas vistas para o rio e Levis, a cidade vizinha na outra margem do St Lawrence. A Basílica de Notre-Dame-de-Quebéc é belíssima, vale a visita.

Visto do rio St. Laurent, ou São Lourenço, em Quebec, no Canadá

Visto do rio St. Laurent, ou São Lourenço, em Quebec, no Canadá


Altar da Catedarl Holy Trinity, em Quebec, no Canadá

Altar da Catedarl Holy Trinity, em Quebec, no Canadá


Também super indicado é o Museu da América Francesa, dentro de um monastério do século XVII, conta a história da colonização francesa, a sua importância e a influência na colonização da região dos grandes lagos. Grandes exploradores, navegadores e bem adaptados às condições climáticas, os franco-canadenses foram os primeiros a navegar o Rio Mississipi e mapear os grandes lagos, com a ajuda dos seus amigos indígenas. Além de história o museu ainda tem uma boa amostra de arte contemporânea de artistas locais.

O interessante Museu da América Francesa, num seminário em Quebeq, no Canadá

O interessante Museu da América Francesa, num seminário em Quebeq, no Canadá


O interessante Museu da América Francesa, num seminário em Quebeq, no Canadá

O interessante Museu da América Francesa, num seminário em Quebeq, no Canadá


Você não terá conhecido Quebéc se não passear pelo campos altos do Battlefield Park, com vistas lindas para o St Lawrence River, e ao redor da gigantesca Citadelle. Entre as poderosas paredes da Citadelle você encontrará alguns painéis explicativos sobre a construção da maior fortaleza na América do Norte. Nós não entramos, mas pudemos ver do lado de fora uma parte da cerimônia um tanto quanto inglesa da retirada da guarda.

A guarda da Citadela de Quebec, no Canadá

A guarda da Citadela de Quebec, no Canadá


Cerimônia da troca da guarda, na Citadela de Quebec, no Canadá

Cerimônia da troca da guarda, na Citadela de Quebec, no Canadá


Nesta mesma região, antes do parque, logo após o portal da cidade na Rue St Louis, encontramos o Hôtel du Parlement, prédio pomposo com uma bela fonte, ainda mais bonita com a iluminação noturna. Ao visitar a fonte à noite você não irá perder a viagem, pois na quadra seguinte está o agito dos bares, boates e restaurantes da Grand Allé. Aos mais alternativos, Rue St Jean, dentro do muro, também tem boas opções de bares e restaurantes.

Entrando na cidade murada de Quebeq, no Canadá

Entrando na cidade murada de Quebeq, no Canadá


O palácio do Parlamento, em Quebec, no Canadá

O palácio do Parlamento, em Quebec, no Canadá


Todos os finais de semana uma dica é assistir ao filme sobre a história de Quebéc no mega telão construído nos feios moinhos da Bunge no Vieux Port. A melhor vista é da Rue des Remparts, curiosamente a mesma da nossa pousada. A apresentação dura em torno de meia-hora e começa as 21h30, logo após escurecer. Enquanto o sol se põe o público já começa a chegar para reservar o seu lugar nos muros altos da cidade. Nós assistimos de camarote, do terraço da nossa pousada, com queijos e vinhos à la francesa. Aos sábados ainda acontece uma grande queima de fogos, fechando com chave de ouro as celebrações do verão na cidade de Quebéc.

Armazens do porto transformados em gigantesco cinema ao ar livre, em Quebec, no Canadá

Armazens do porto transformados em gigantesco cinema ao ar livre, em Quebec, no Canadá


Show de fogos animam mais uma noite de verão em Quebec, no Canadá

Show de fogos animam mais uma noite de verão em Quebec, no Canadá

Canadá, Quebec, cidade histórica, Quebec

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Day tour - Ilha de Páscoa

Chile, Ilha de Pascoa, Ilha De Pascoa, Hanga Roa

Os famosos Moais de tongariki, vistos de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Os famosos Moais de tongariki, vistos de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


A Ilha de Páscoa é um museu a céu aberto, praticamente toda a ilha é considerada Patrimônio Histórico da Humanidade protegido pela UNESCO. É fácil entender porque, imaginem que no Período Clássico da história pascuense, a ilha estava superpopulada e que virtualmente todo o terreno era habitado. Hoje todas estas construções de pedras são sítios arqueológicos, alguns se perderam sob a atual cidade, o aeroporto e as estradas, mas a maioria ainda está espalhada pela ilha, sob o mato crescido das fazendas de gado ou nas encostas de um dos seus três vulcões.

A magnífica paisagem que se vê do alto da cratera de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

A magnífica paisagem que se vê do alto da cratera de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Estes terrenos eram subdivididos entre diferentes tribos que defendiam o território com unhas e dentes, criando totens de pedra demarcatórios ao redor da ilha. Se um vizinho cruzasse a linha ele poderia ser morto, sem maiores problemas e julgamentos. Um território era mais propício à criação de galinhas e plantação, outro à pesca, à produção de moais, ou pukaos e assim, na base da troca, girava a economia da ilha.

Moais derrubados em Akahanga, sítio arqueológico em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Moais derrubados em Akahanga, sítio arqueológico em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Rapa Nui tem um formato de triângulo retângulo e os três principais vulcões estão pontas deste triângulo. Maunga Terevaka (507m), é o ponto mais alto da ilha, um trekking fácil de aproximadas 5 horas te leva ao topo dele. O Vulcão Rano Kao à sudoeste abriga o Orongo, um dos principais centros cerimoniais da cultura ancestral Rapa Nui, onde era realizada a cerimônia do homem-pássaro. O terceiro, Vulcão Puakatike (370m), está localizado no leste da ilha e é o mais distante e menos visitado dos três.

O litoral recortado de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

O litoral recortado de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Para conhecer toda essa história e os detalhes da cultura Rapa Nui, podemos ler guias ou ir ao museu, mas sem dúvida não há melhor forma do que ter um guia local para nos explicar in loco, todas as histórias, pesquisas recentes dos arqueólogos que ainda estudam a ilha, além de suas próprias experiências com suas famílias. Hoje, portanto, mesmo não gostando de tours, decidimos entrar em um tour guiado. Escolhemos um esquema especial onde pagamos um pouquinho mais e temos um grupo de no máximo 10 pessoas. Dia de sorte, tivemos apenas 3 pessoas, nós dois e Gertrudes, uma indígena navajo norte americana. Nosso guia foi o Patrício, um chileno casado com uma rapa nui e que vive há 40 anos na ilha.

Com o Luis, nosso guia no day tour que fizemos em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Com o Luis, nosso guia no day tour que fizemos em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Desde muito jovem Patrício tinha o sonho de conhecer a ilha, em uma época em que não era permitida a entrada de qualquer um, apenas os militares chilenos, pesquisadores e alguns poucos que conseguiam uma permissão do governo. Ele chegou a pedir a tal permissão, mas esta lhe foi negada. O tempo passou e lá no continente eis que ele conhece uma moça rapa nui, que logo viria a se tornar sua esposa. Era como se ele já soubesse que a ilha fazia seria parte da sua vida, do seu destino.

Moais derrubados em Akahanga, sítio arqueológico em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Moais derrubados em Akahanga, sítio arqueológico em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Nosso day tour começou pelo sítio arqueológico de Akahanga, um sítio arqueológico onde pudemos conhecer melhor a estrutura das antigas cidades da Ilha de Páscoa. Uma vila de um povo que tem sua origem e sua história ligadas ao mar só poderia ter uma arquitetura no mínimo curiosa. Depois de meses vivendo e navegando em suas embarcações, aqui eles se estabeleceram em hare-vakas, casas-barcos construídas com pedras e varas no mesmo formato de uma canoa virada de cabeça para baixo. A base tinha o formato da canoa e as varas eram envergados de um lado a outro com uma porta minúscula, criando um ambiente baixo e escuro, protegido do vento e das intempéries do tempo desta ilha pacífica.

Ruínas das antigas civilizações de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Ruínas das antigas civilizações de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Em frente à casa um pátio com piso feito de pedras negras arredondadas, que aquecidas pelo sol, eram usadas para secar o peixe. Em frente ao pátio o Umu Pae, fogão feito também de pedras, onde era acendido o fogo e sobre as pedras quentes se cozinhava a comida quase como uma chapa.

Moais derrubados em Akahanga, sítio arqueológico em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Moais derrubados em Akahanga, sítio arqueológico em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Paralelos ao mar encontramos os ahus, altares de pedra, onde se colocam os Moais. Os Moais são a encarnação dos espíritos ancestrais. Cada moai representa um grande líder, que depois de morrer continua a cuidar e proteger a sua tribo. Aqui encontramos alguns moais em pé, alguns caídos ou quebrados, mas o que se sabe é que todos eram compostos por uma única peça que tem em média 4,5m de altura e depois era adicionado o Pukao, um tocado de pedra vermelha que simboliza o cabelo que era preso no alto da cabeça e é associado a um maior status político e social.

Uma caverna (ou 'Ana') que servia de moradia para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Uma caverna (ou "Ana") que servia de moradia para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Os Moais são um dos grandes mistérios desta civilização, pois eles eram todos construídos em um único lugar, o Rano Raraku, e depois transportados para o seu local final. Em toda a ilha foram registrados mais de 900 Moais, 400 deles estão aqui, na Fábrica de Moais, 288 estão sobre ou próximos aos seus Ahus e o restante foi provavelmente abandonado a caminho do seu altar.

Chegando a Rano Raraku, a antiga fábrica de Moais em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Chegando a Rano Raraku, a antiga fábrica de Moais em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


É incrível visitar este canteiro de obras, uma verdadeira fábrica que produzia centenas de estátuas funerárias e as vendia para as diferentes tribos ao redor de toda a ilha. Os artesãos dominavam a técnica de extração da pedra, cada Moai já saía praticamente pronto da montanha, para que não se desperdiçasse nem uma lasca de rocha.

Moais ainda em processo de 'produção', nas pedreiras de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Moais ainda em processo de "produção", nas pedreiras de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Os recursos naturais da ilha eram escassos e eles sabiam disso. Em frente à montanha está um jardim de Moais, ou traduzindo para os termos modernos, a loja. Lá vinham os diferentes compradores negociar a compra do Moai. Com a ajuda do Patrício conseguimos até imaginar a negociação:
- “Iorana! Eu quero este Moai aqui, de 6m”
- “Este custa 500kg de peixe, ou então você pode levar este menorzinho aqui por 300kg.”

Antigos Moais em Rano Raraku, a fábrica de Moais, parcialmente cobertos pelo tempo. Ainda estavam a venda quando a civilização se perdeu (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico)

Antigos Moais em Rano Raraku, a fábrica de Moais, parcialmente cobertos pelo tempo. Ainda estavam a venda quando a civilização se perdeu (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico)


Um dos grandes mistérios é como estes Moais eram transportados para o local final. Segundo a tradição oral rapa nui os Moais caminhavam. São várias as teorias de como eles chegaram da fábrica até os seus Ahus finais, sobre troncos de árvores, com ajuda de cordas, etc. Os pukaos eram colocados no local final, o que significa que também eram transportados, provavelmente rolando, como rodas, até lá. Será que eles já haviam descoberto a roda?! Muitas perguntas sem respostas fazem a misteriosa Ilha e Páscoa ainda mais interessante para nós curiosos meros mortais.

Passeando pela incrível 'fábrica' de Moais, em rano raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Passeando pela incrível "fábrica" de Moais, em rano raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Na fábrica podemos ver Moais nos seus diversos estágios de construção, alguns só começados, nariz, boca, olhos esculpidos na montanha. Sentar observar a montanha é quase como um jogo de palavras cruzadas, onde tentamos encontrar moais impressos nas paredes de pedras.

Moais ainda em processo de 'produção', nas pedreiras de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Moais ainda em processo de "produção", nas pedreiras de Rano Raraku, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Já no final da trilha encontramos um moai sentado e com feições muito diferentes, dizem que seria o único moai esculpido pelos escravos de “orelha pequena” ao seu primeiro e grande líder. Ele está ajoelhado em posição de oração, olhando para o céu, quem sabe aos pássaros que vêm a ser os próximos elementos de adoração, a partir de onde se desenvolve a cerimônia do homem pássaro, que falarei em um próximo post.

Um estilo diferente de Moai, em Rano Raraku, um dos vulcões de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Um estilo diferente de Moai, em Rano Raraku, um dos vulcões de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Ali mesmo nas dependências da Rano Raraki fazemos uma parada para o almoço, com os sanduíches que havíamos levado e continuamos o roteiro agora com uma parada em um dos principais grupos de Moais da ilha, os 15 Moais.

Os magníficos Moais de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Os magníficos Moais de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Os 15 moais formam um dos mais impressionantes conjuntos cerimoniais da Ilha de Páscoa. Localizados na costa leste da ilha entre as Calas de Hanga Nui e Hanga Huto Iti, arqueólogos afirmam que foram derrubados, parcialmente destruídos e enterrados pelo tsunami que abateu a ilha no ano de 1960.

O litoral sul de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

O litoral sul de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Os 15 Moais são bem distintos entre si, porém estão alinhados e todos olham para o interior da ilha, em posição de proteção da vila que os erigiu em homenagem aos seus líderes ali enterrados.

Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


O nome do Ahu Tongariki foi emprestado do Moai que estava caído nas proximidades da baía dos 15 moais e a pedido do governo japonês foi levado ao Japão para uma exposição e posteriormente devolvido e colocado em um novo local na mesma baía. Nesta mesma parceria entre os Rapa Nuis e o Governo Nipônico este sítio arqueológico foi todo restaurado entre 1992 e 1996, devolvendo a vida ao maior centro cerimonial da Ilha de Páscoa e de todas as ilhas polinésias.

Os Moais de Tongariki, destruídos por um tsunami em 1960 e restaurados por arqueólogos japoneses na década de 90, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Os Moais de Tongariki, destruídos por um tsunami em 1960 e restaurados por arqueólogos japoneses na década de 90, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Detalhe que apenas um pukao foi recolocado no local original, o restante foi restaurado utilizando cimento como cola e ficaram pesados demais para equilibrarem-se nos Moais.

Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Os magníficos Moais de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Os magníficos Moais de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Ao redor de todos os Ahus também podem ser encontrados restos das antigas vilas rapa nuis e aqui no Tongariki além de bases de hare-vacas também podem ser vistos alguns petroglifos antigos de tartarugas, anzóis e peixes.

Na área de Tongariki, petroglifos da antiga civilização de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Na área de Tongariki, petroglifos da antiga civilização de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


No caminho entre as atrações, Patrício nos explicava a história da ilha, contava sobre sua vida aqui e informações sobre as lendas e a cultura oral Rapa Nui, um guia interessante e incansável, como o grupo era misto, respondia todas as nossas perguntas em inglês e espanhol. Prosseguimos com a nossa volta à ilha com uma parada rápida em mais alguns petroglifos no caminho do Ahu Te Pito Kura, relacionados à uma tribo de pescadores que gravou ali imagens de tubarões martelo, atuns imensos e diversos anzóis, símbolo sagrado para os povos polinésios.

Papa vaka, local de antigas moradias em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Papa vaka, local de antigas moradias em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Chegando na Baía de La Perouse, visitamos o Ahu Te Pito Kura que abriga o Moai Páro, um dos maiores da ilha com 11 m de altura, o maior transladado ao seu local final. Ele e suas 82 toneladas de pedra estão derrubados com o rosto no chão, especula-se que os próprios rapa nuis o teriam derrubado quando adotaram a fé católica ou ainda, o que me parece mais crível, as próprias forças da natureza (um tsunami ou terremoto).

Ruínas de um dos maiores Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), com mais de 9 metros de altura!

Ruínas de um dos maiores Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), com mais de 9 metros de altura!


Aqui, porém, uma das principais atrações não é o ahú e seus Moais e sim uma pedra redonda, esfera praticamente perfeita, rodeada por outras 4 esferas menores. A Te Pito Kura é uma rocha magnética que deixa qualquer bússola desorientada. O “umbigo de luz”, teria sido trazido por Hotu Matua, o primeiro rei da ilha, segundo a tradição Rapa Nui. Estudiosos acreditam que seria um meteorito caído no mar que foi rolado por anos e anos até ficar com a forma arredondada. Seu local original era em frente ao ahu e ela teria sido transladada por europeus que tentaram leva-la da ilha e desistiram, tamanho peso e dificuldade, abandonando-a no seu local atual.

Pedra magnetizada (um antigo meteorito) no litoral norte de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Pedra magnetizada (um antigo meteorito) no litoral norte de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Sentamos ao redor da pedra, colocamos as mãos sobre ela e logo sentimos um leve formigamento nas pontas dos dedos, fruto da energia magnética da pedra. Alguns sentem bem leve, outros chegam a sentir um choque, dependendo da sensibilidade de cada um. Vale tentar, até por que dizem que quem toca esta pedra um dia regressará à ilha.

O belo litoral norte de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

O belo litoral norte de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Nossa última parada foi na Praia de Anakena, a praia preferida da ilha, a 18 km de Hanga Roa. A praia de areias brancas, cercada de palmeiras e pelas águas azuis turquesas do Pacífico é também um local sagrado da cultura Rapa Nui. O Ahu Nau Nau é um antigo centro cerimonial com 7 Moais, 4 deles com Pukaos, que olham para a terra guardando o local de uma das primeiras vilas da ilha.

A bela praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

A bela praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


A praia é o único porto natural que permitiu o desembarque dos colonizadores e seu Rei Hotu Matu, que viveu na caverna próxima chamada Anakena. O nome desta caverna foi emprestado à praia que teria como nome correto Hanga Morie Roa.

Caminhando na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Caminhando na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Moais na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Moais na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


A praia oferece toda a infraestrutura, estacionamento, banheiros, restaurantes, lanchonetes com pratos típicos, empanadas, bebidas e banquinhas de artesanatos. Sob as palmeiras ainda estão mesas para piqueniques e churrascos, um lugar perfeito para relaxar em um dia de sol. Nós paramos rapidamente, caminhamos ao redor dos moais, molhamos os pés e tivemos que ir, prometendo que ainda voltaríamos.

Caminhando na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Caminhando na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Foi um dia mais do que especial, ainda mais se lembramos que hoje é o aniversário do homem mais importante da minha vida! Hoje o Rodrigo completou 44 anos de vida boa, explorando, aprendendo e descobrindo os mistérios desta cultura milenar, exatamente como ele gosta! Depois de um dia como este, para comemorar seu aniversário só nos faltava mesmo tomar um vinhozinho em frente ao mar, sob a luz da lua, das estrelas e a proteção dos moais. Maoruru!

Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Chile, Ilha de Pascoa, Ilha De Pascoa, Hanga Roa, Akahanga, Anakena, Fábrica de Moais, Hanga Roa, ilha, Rano Raraku, Rapa Nui

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Anguila, um dia no paraíso

Saint Martin, Marigot, Anguila, Shoal Bay East

Praia de Shoal Bay East, em Anguilla. Mais caribe, impossível!

Praia de Shoal Bay East, em Anguilla. Mais caribe, impossível!


O paraíso existe! Uma pequena ilha de colonização inglesa, Anguila é exatamente o que todos nós imaginamos das praias mais paradisíacas do Caribe. Areias brancas e macias como talco e a água azul neón ou, como dizem os americanos, “deep eletric blue”. Deculpem a expressão em inglês, mas esta traduzida literalmente, não tem o mesmo resultado.

Praia de Shoal Bay East, em Anguilla. Mais caribe, impossível!

Praia de Shoal Bay East, em Anguilla. Mais caribe, impossível!


Um pouco da história da ilha. Foram encontrados vestígios de pinturas rupestres e cerâmicas que comprovam a passagem dos índios Caribs, porém a falta de água potável, caça e vegetação escassas fez com que não durassem muito tempo por aqui. Cristóvão Colombo foi o primeiro a avistá-la, no entanto os ingleses foram os primeiros a enviar uma missão colonizadora em 1650. Iniciou-se a plantação de milho e tabaco, mas na mesma época houve um boom de plantações de grande porte nas ilhas vizinhas, o que fez com que sua economia ficasse prejudicada. A alternativa encontrada pelos seus moradores foi o desenvolvimento da atividade de pesca e a construção naval, que durou como principal economia até meados do século XX.

Navio-cruzeiro em Marigot, - St. Martin

Navio-cruzeiro em Marigot, - St. Martin


Politicamente Anguila respondia à Coroa Britânica através de St Kitts, maior e mais estruturada. No final da década de 60 os anguilanos fizeram uma revolução, expulsaram a polícia de St Kitts da ilha e reinvindicaram mais automonia. Anguila tornou-se um país administrativamente independente e diretamente ligado à Commonwealth Britânica politicamente, isso quer dizer que a rainha indica o primeiro ministro, que já foi eleito pela a assembléia da ilha, acaba sendo um ato mais simbólico.

Chegada no terminal de ferries de Anguilla

Chegada no terminal de ferries de Anguilla


Logo a ilha se tornou um destino para grandes astros de Hollywood que possuem casas milionárias com seus pedacinhos de paraísos particulares. Abre parênteses para o “momento fofoca”: o Keanu Reeves é um dos freqüentadores da ilha, possui uma mansão aqui. É claro que aproveitei para perguntar aos que o conheciam se ele é gay realmente e fizeram uma cara de espanto! Não, ele não é gay e é casado com uma mulher que conheceu em St Martin! Antes de ele casar inclusive o viam com várias mulheres por estas bandas. Rsrsrs! Fecha parênteses.

O mar azul no canal de Anguilla, no Caribe

O mar azul no canal de Anguilla, no Caribe


Nesta mesma época o turismo começou a se desenvolver, quase 3/4 da população trabalham hoje com turismo e comércio. A ilha possui em torno de 12 mil habitantes, super receptivos e calorosos os anguilanos sempre zelaram por seu estilo de vida, tranquilo e calmo.

Trânsito movimentado em The Valley, capital de Anguilla

Trânsito movimentado em The Valley, capital de Anguilla


A melhor forma de se locomover no país é de carro. Alugamos um, pagamos 20 dólares em uma permissão para dirigir por 3 meses no país (tirada na hora pela locadora) e saímos explorando o lado menos populado e turístico da ilha.

Chegando na incrível praia de Shoal Bay East, em Anguilla (Caribe)

Chegando na incrível praia de Shoal Bay East, em Anguilla (Caribe)


Shoal Bay East é a praia do paraíso, a mais procurada pelos turistas que querem fugir das áreas tomadas por resorts e hotéis luxuosos. Ainda assim estava super tranquila, alugamos um guarda-sol por 5 dólares, esticamos nossas cangas e ficamos estarrecidos com a cor da água por uma meia-hora até conseguir começar a fazer qualquer coisa. Depois de algumas horas, a cada momento que olhávamos para o mar ainda nos assustávamos. Horas nadando e explorando os corais não foram suficientes para nos cansar do mar e da praia.

Castelo de areias brancas na praia de Shoal Bay East, em Anguilla (Caribe)

Castelo de areias brancas na praia de Shoal Bay East, em Anguilla (Caribe)


Os preços realmente são absurdos, mas no restaurante-bar menos fru-fru conseguimos dividir uma salada ceaser por 13 dólares, ainda caro, mas bem servida, fresca e deliciosa. Rum punch um absurdo, 8 dólares e a cerveja presidente 3.

Aproveitando a vida! (praia de Shoal Bay East, em Anguilla )

Aproveitando a vida! (praia de Shoal Bay East, em Anguilla )


Infelizmente temos que converter, pois ganhávamos em real, mas se pudéssemos “pensar em dólar” o preço até seria parecido com São Paulo ou Rio, mas já que temos que converter aí fica realmente pesado para pessoas e bolsos normais passarem mais tempo na ilha. Como é pequenininha, nós aproveitamos para conhecer o país em uma dia só mesmo. Terminamos o dia passando por algumas paisagens do lado Atlântico da ilha. Até o embarque no ferry consegue ser especial, com uma bela luz de final de tarde, acentuando o contorno e a geografia de Anguila. Um dia no paraíso.

Pôr-do-sol no momento em que deixamos Anguilla

Pôr-do-sol no momento em que deixamos Anguilla

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Dia de Fúria

México, Cidade do México, Jamaica, Montego Bay

Entre México e Jamaica, escala no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos

Entre México e Jamaica, escala no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos


Um dia aparentemente tranquilo, cansativo, mas tínhamos tudo organizado. Passagens da Cidade do México – Miami – Jamaica emitidas e hotel em Montego Bay reservado. Seria um dia longo, começamos o nosso caminho as 7h30 da manhã, pois aguardávamos um belo engarrafamento para o aeroporto. Para a nossa surpresa o transito fluiu e chegamos lá em apenas 40 minutos.

A maré de sorte parecia estar bem, Deus ajuda quem cedo madruga, pensei! Era apenas fazer o check in e esperar 4 horas pelo horário do vôo, certo? Errado! Depois de uma longa fila no check in da Aeroméxico, o atendente não conseguia encontrar as nossas reservas, será possível? Elas foram todas feitas online pelo Rodrigo, tínhamos os códigos e tudo. Eis que notamos um pequeno e quase insignificante número “02”, que quando usado na configuração de data (exemplo, 26/02/12), significa o mês para o qual foi comprada a passagem! SIIIMMM, o Rodrigo tinha errado a data de emissão do bilhete e tínhamos toda uma viagem agendada, hotéis, passagens para o nosso “island hopping” pela Jamaica, Caiman e Cuba, com nada menos que o bilhete de “ida” comprado para daqui um mês!!!

Trabalhando no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, na escala entre o México e Jamaica

Trabalhando no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, na escala entre o México e Jamaica


A esta altura a Aeroméxico não podia mais alterar os bilhetes, que eram operados pela American Airlines. Corremos para o busão que nos levou do Terminal 2 para o Terminal 1 até o fim do imenso corredor onde estava o balcão desta companhia. Novamente estávamos presos a uma longa fila de check in, sem nenhuma outra opção para agilizar a antecipação do vôo. A única saída era nos dividirmos, eu ficaria na fila e Rodrigo tentaria fazer a alteração pelo atendimento ao cliente da AA, do telefone público.

Foram quase duas horas de espera, duas horas intermináveis e inacreditáveis, pois eu nunca vi a American Airlines tão ineficiente na minha vida. Finalmente pudemos explicar a situação ao atendente, desistir da ligação que em duas horas tampouco tinha conseguido resolver o problema. O atendente me diz, “vale mais a pena vocês comprarem uma passagem nova do que alterar a que já possuem”. Eram 175 dólares de multa por pessoa para alterar a passagem, além da diferença de tarifa, que no total dariam 8.000 pesos por pessoa! O equivalente a uma passagem Brasil – NY ou Paris, um absurdo!

Trabalhando no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, na escala entre o México e a Jamaica

Trabalhando no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, na escala entre o México e a Jamaica


Negociamos, era impossível que um vôo saindo dali 2 horas ainda tivesse uma tarifa surreal como esta. Fizemos o cara fuçar cada opção, passagem e tarifa naquele sistema e finalmente ele nos deu uma algo mais plausível, pagar um total de 4.000 pesos para os dois e embarcar no vôo das 11h (uma hora mais cedo que o nosso), para Miami. Fechado! Ele emitiu todos os bilhetes, boarding passes prioritários e só falou “Corram!!!”
Conseguimos pegar o vôo no final do embarque e o dia cinzento que parecia perdido, começava a clarear e mostrar que no final, tudo dá certo. Só tínhamos que lidar com aquela ressaca pós-cagada, que resultou em uma facada no budget previsto.

Ok, não há de ser nada... Chegamos à Miami, comemos, trabalhamos e até fizemos uma compra, já programada e essencial para a viagem. Uma câmera fotográfica básica, digital, já que a nossa Nikon e a nossa Sony back up foram para a assistência técnica. Nikon para uma limpeza e correção de dois erros e a Sony já está na sua terceira UTI, beirando o seu leito de morte. Tivemos bastante tempo, das 14h às 20h, para explorar o aeroporto e caminhar aqueles longos corredores, para ao menos fazer algum exercício.

Os infinitos corredores do aeroporto de Miami, nos Estados Unidos

Os infinitos corredores do aeroporto de Miami, nos Estados Unidos


Eram quase 22h quando chegamos à Montego Bay cada vez mais próximos de um sonho antigo, conhecer a Jamaica! Fomos direto para o hotel, tudo o que nós precisávamos era descansar e recarregar as energias para começar a explorar o país. Chegando lá adivinhem? A reserva não existia! Buscamos, mostramos o número da reserva feita pela internet, através do Trip Advidor e Hotel.info e o hotel simplesmente não estava sabendo de nada!
Para piorar a situação, este é o final de semana do segundo maior festival de música em Montego Bay, quiçá em toda a Jamaica: o “Jamaica Jazz and Blues Festival”. Todos os hotéis estavam lotados, pois hoje começou o festival e pessoas de todos os cantos do país, do Caribe e do mundo estão aqui para ver os shows!

Totalmente desacreditada e com uma das piores enxaquecas da minha vida, depois de 30 minutos em pé na recepção tentando encontrar e comprovar a reserva e o pagamento do quarto de hotel, eu só pedi para a moça... Encontre um quarto e depois vemos como resolver esse problema. Ela fuçou, fuçou no sistema e encontrou um último quarto livre, nos instalou, depois de oferecer um Fruit Punch como welcome drink.

Daqui em diante não me perguntem mais nada... Deitei na cama completamente devastada, pedi ao Rodrigo um remédio e capotei! Dia de fúria em que tudo dá errado, mas no final, com paciência e dinheiro, tudo se resolve.

México, Cidade do México, Jamaica, Montego Bay, Aeroporto, Transporte

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Feliz aniversário!

Brasil, Rio De Janeiro, Angra dos Reis, Ilha Grande

Curtindo a vista maravilhosa do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Curtindo a vista maravilhosa do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Eu sempre adorei fazer aniversário, para mim é um dia de reunir os amigos, a família, festa, comemoração e muita energia positiva. Além do que um ano a mais é sempre bem vindo, representa o fechamento de mais um pequeno ciclo, um ano em que você realizou, aprendeu, amadureceu, evoluiu, ganhou muita experiência e sabedoria. O que mais pode te dar tudo isso se não o tempo? Por isso sou daquelas entusiastas dos aniversários, das maiores idades, das melhores idades. Eu sempre acho que ainda sou novinha, já faço 29 anos, quase uma balzaquiana, e ainda me sinto com 19. A única coisa que me faz duvidar disso é quando o Rodrigo me faz acordar cedo (coisa que eu odeio), para subir uma montanha, (coisa que eu adoro) no dia do meu aniversário! me lembrei do meu niver de 12 anos, foi comemorado também subindo o Anhangava.

Início da trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Início da trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Enfim, dia lindo, sol e céu azul que não víamos há dias, a vista lá de cima deve estar maravilhosa! Resolvemos encarar esta, do nível do mar à quase 1000m de altitude em 3 horas, descendo em 1h30, pois precisávamos pegar a barca as 12h30. Saímos cedinho e logo tivemos duas belas surpresas. A primeira foi a companhia de um dog guapeca na trilha. O Ro não estava botando fé que o cachorro ia subir, ele parecia meio preguiçoso demais, rsrsrs. Quando vimos, ele estava lá, encabeçando o grupo! Difícil competir com um cara com tração nas 4 patas!

Com o Dog, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Com o Dog, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


A segunda e maravilhosa surpresa, num primeiro momento foi assustadora! Estávamos andando há uns 40 minutos e começamos a ouvir um barulho absurdo, parecia uma serra elétrica. Não sabia se deveria ter medo, pois não sabia o que temer! Caçadores? Lenhadores ilegais? Um monstro da floresta que vinha com um vento fazendo aquele barulho pelas árvores? Quanto mais nos aproximávamos, mais alto ficava e aos poucos começou a ficar mais claro também, pareciam vozes ecoando, estávamos presenciando a passagem de um bando imenso de bugios gritadores! Um macaco que pode chegar a mais de 1m de altura, naturais da mata atlântica e muito comuns na Ilha Grande, por isso eles se tornaram o símbolo do parque. Sentimos o cheiro deles, um cheiro forte de CC, horrível, eles estavam muito próximos, mas não conseguimos avistá-los na floresta. Foi uma experiência impressionante! Belo presente de aniversário! Chegando lá em cima a vista da Ilha estava maravilhosa, com o céu aberto vimos Lopes Mendes, Cachadaço, Abraão, diversas ilhas e o mar azul lindíssimo!

A enseada do Abraão, vista do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

A enseada do Abraão, vista do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Praia do Cachadaço, vista do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Praia do Cachadaço, vista do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Retornamos num pique de corrida, pois queríamos chegar ao Rio ainda a tempo de jantar com Pedro, Íris e Bebel para comemorar o aniversário. Penamos mas chegamos, pegamos o catamarã sem nem tomarmos um banho, sorte que a Gracieli, nossa amiga do Hotel Kuxixo, nos liberou um chuveiro providencial! Outro grande presente de aniversário! =)

Descendo a trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Descendo a trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Chegamos ao Rio e depois de uma sessão arrumação na Fiona saímos para caminhar pelo Leblon. Compramos um bolinho, vinhos para o jantar delicioso que a Íris estava preparando, pasta ao molho de salmão... très chic! Companhias maravilhosas, uma noite super agradável com direito até a velinha e parabéns. Primeiro aniversário na estrada, se todos forem assim, garanto que estarei muito bem!

Celebrando o aniversário da Ana no apartamento do Pedro e da Íris, no Rio de Janeiro - RJ

Celebrando o aniversário da Ana no apartamento do Pedro e da Íris, no Rio de Janeiro - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Angra dos Reis, Ilha Grande, Abraão, Montanha, Pico do Papagaio, trilha

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Carolina

Brasil, Tocantins, Araguaína, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas)

Carolina - MA e a Chapada das Mesas ao fundo, visto de Filadelfia - TO

Carolina - MA e a Chapada das Mesas ao fundo, visto de Filadelfia - TO


Quarto e último dia de viagem, finalmente chegamos ao nosso destino tão esperado, a Chapada das Mesas. Saímos sem pressa, a viagem de Araguaína à Carolina é de apenas 100 km. Atravessamos a fronteira dos estados em uma balsa entre as cidades de Filadélfia, Tocantins e Carolina, já no Maranhão.

Travessia entre Filadelfia - TO e Carolina - MA

Travessia entre Filadelfia - TO e Carolina - MA


Na balsa já notamos que algo havia mudado, acesso alagado, será cheia do rio? Vimos algumas placas e ouvimos conversas dos barqueiros indignados, por que perderam o seu principal ganha pão. A região possuía muitas praias, a maioria acessível de barco a partir deste rio, o Rio Tocantins. Acontece que há apenas 2 meses as praias foram inundadas pela represa da nova Hidrelétrica de Estreito. Perdem os barqueiros, ganham os balneários à beira das dezenas de rios e cachoeiras da região, afinal sem área de lazer o povo não vai ficar.

Represa transbordando em Filadelfia - TO

Represa transbordando em Filadelfia - TO


Chegamos à Carolina, nos hospedamos na Pousada do Lajes, cujos donos são um paranaense de Cascavel e uma goiana. A pousada fica há 2 km da cidade na estrada para Riachão. Além dela há algumas outras acomodações no centro, Hotel Lírio e uma pousada mais simples. Aqui já deu para perceber que o melhor mesmo é estar de carro, caso contrário você já deverá ter em mente que irá contratar uma agência de eco-turismo para te levar a todas as atrações. A pioneira na região, é a Cia do Cerrado , dos mesmos donos da Pousada do Lajes.

Mesa em laje alagada nas Cachoeiras Gêmeas, região de Carolina, na Chapada das Mesas - MA

Mesa em laje alagada nas Cachoeiras Gêmeas, região de Carolina, na Chapada das Mesas - MA


Aproveitamos a tarde para conhecer o Balneário Itapecuru onde estão localizadas as Cachoeiras Gêmeas. Uma imensa estrutura montada às margens do rio, bar, restaurante, banheiros e mesas espalhadas por todos os lados. Chegar aqui em dia de semana é tranquilo, tudo isso parece até exagero. Porém em finais de semana e principalmente feriados o lugar já chegou a receber mais de 40 ônibus de turistas!

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


O rio estava cheio, passando sobre o concreto colocado ás margens do rio para fixação de mesas. Não é exatamente o tipo de lugar que estávamos esperando encontrar, mas confesso que como eu não estou nas minhas condições normais de temperatura e pressão, foi mais fácil assim. Ah, aproveitando o ensejo, descobri com a minha médica particular vipérrima, Dra Patrícia (mamãe) que estou com uma reação alérgica (tipo uma sinusite ou rinite), deve ser culpa destes ares condicionados podres e sem limpeza que existem por aí.

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


O lugar antes tinha uma pequena hidrelétrica que foi desativada em 1996, então parte desta infra-estrutura já existia. Agora esta pequena barragem foi aberta e a cachoeira ficou com ainda mais volume. Como não é gripe (não estou com febre, etc), dar uma nadadinha pode até ajudar a desobstruir das vias respiratórias! Hehehe! Água deliciosa e as cachoeiras lindas! Deste jeito vou ficar boa logo!

Nadando no lago abaixo das Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Nadando no lago abaixo das Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA



Como Chegar

Via Aérea – vôos diários da Gol e Tam para Imperatriz (MA) ou de BRA via Araguaína (TO)
Via Rodoviária – Ônibus vans e carros via Imperatriz (MA) – 220k m, Araguaína (TO) – 98 km.
Via ferroviária – Pela estrada de ferro São Luis/ Carajás descendo em Açailândia (MA), 300 km.

Obs: combinando com antecedência a Pousada do Lajes deve conseguir organizar um transfer das cidades de acesso acima citadas.

Brasil, Tocantins, Araguaína, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas), parque nacional

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O arranha-céu cor-de-rosa

Bahamas, Paradise Island

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas



Ontem citei no meu post a Ilha da Fantasia, como um lugar quase inalcançável, até por que na vida real ele só era um set de um filme produzido há alguns anos. Convenhamos, estes lugares assim só existem em filmes!

Hoje fomos conhecer a Paradise Island, uma ilha próxima de Nassau fácil de chegar de táxi ou atravessando em ferry boats. Optamos pela segunda opção, já que era mais barato e com certeza tinha um visual muito mais bacana. Já no caminho os guias nos mostram as casas de estrelas do rock como Mick Jagger e de Hollywood como Sean Conery. Vimos até a antiga casa de Charles Chaplin, vendida por sua neta para Nicolas Cage, que também possui um Cay (pequena ilha) aqui nas Bahamas. Todas localizadas em uma parte totalmente privada da ilha, sem estradas ou qualquer acesso por terra, nem o serviço de limpeza pública consegue chegar lá. E o que os atrai à Bahamas? Não apenas suas águas azul turquesa, mas também o fato do país ser tax free, afinal quem quer ficar pagando imposto sobre casas de 10 milhões de dólares?

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas



Chegando a Paradise Island caminhamos direto para Cabbage Beach e a vista que temos é novamente inacreditável. Água maravilhosamente azul, transparente e areias brancas super macias. Esta é a praia da maioria dos Resorts, portanto estava cheia e com uma quantidade absurda de jet skis na água, não sei como eles não se trombavam, já que não tem organização nenhuma de tráfico marinho. Caminhando pela praia, não poderíamos deixar de conhecer o Atlantis Resort, este arranha-céu cor-de-rosa horroroso, uma arquitetura com gosto um tanto quanto duvidoso, mas que por dentro conseguiu reunir em um só lugar todo tipo de entretenimento possível e imaginável. Dentro da área de lazer do hotel eles criaram a maior lagoa artificial de água salgada do Caribe! Nela você pode ir à praia, andar de pedalinho, fazer snorkeling, tomar banho de cachoeira e por fora ver tudo isso através dos aquários que passam pelos corredores do hotel conhecendo as diversas espécies de peixes, tubarões, raias, lagostas, anêmonas, corais e tudo que o mar do caribe oferece de mais bonito. Tudo isso com Atlantis, a cidade perdida, como cenário. É uma obra faraônica, tudo é gigantesco. Ali, logo ao lado das cachoeiras, você pode jogar no cassino ou entrar em uma de suas diversas boates ou restaurantes. Realmente eu fiquei impressionada! Embora este tipo de turismo seja o extremo oposto do que gosto, eu tive que tirar o chapéu.

Resort Atlantis - Nassau

Resort Atlantis - Nassau

Aquário do Atlantis - Nassau

Aquário do Atlantis - Nassau



Saindo do Atlantis, passamos por uma Marina que além de casas e barcos bacanérrimos, possui um centro comercial com bares, restaurantes e boutiques de luxo. Todas as casas coloridinhas em estilo colonial inglês, tudo isso para fechar com chave de ouro, até onde conheço hoje, o que mais se assemelha com a Ilha da Fantasia.

Para não sair do clima chegando a Nassau fomos conhecer o Café Matisse. Chegamos lá com as roupas praianas pensando apenas em comer uma sobremesa no final da tarde. O dono, um bahamense descendente dos colonizadores ingleses e que já morou um ano no Brasil, nos recebe à porta perguntando-nos qual seria a nossa reserva. “Não temos reservas”, falamos, e em um minuto já estávamos em uma mesa deliciosa no jardim do restaurante. Sabe aquela sensação de estar no lugar perfeito na hora errada? Cardápio de dar água na boca, mas nós tínhamos acabado de almoçar! Todos em volta super arrumados e nós de saída de praia? Hahaha! A saída foi relaxar a aproveitar. Comemos uma entrada deliciosa, terrine de parmesão grana com folhas e amendoins verdes, um vinho francês merlot-cabernet e uma sobremesa de morangos especial! Sendo assim, fomos obrigados a comemorar os nossos 11 meses e 1 dia de casados ao lado da elite branca bahamense.

Ana saboreando um vinho frances no Café Matisse - Nassau

Ana saboreando um vinho frances no Café Matisse - Nassau

Bahamas, Paradise Island, Praia

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A La Costa!

Colômbia, Mompós, Cartagena

A linda paisagem na viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

A linda paisagem na viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


Mompós é uma ilha em meio a uma espécie de pantanal colombiano. O Rio Magdalena e o inverno chuvoso deixam a paisagem ainda mais bucólica e a viagem ainda mais especial.

Curtindo a viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Curtindo a viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


As estradas parecem ter sido construídas sob aterramentos, pontes estão sendo construídas e reconstruídas o tempo todo, já que as cheias já levaram algumas delas. A balsa que cruza do Rio Magdalena possui apenas três horários, 7h, 13h e 17h.


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Chegamos lá eram umas 11h30 e vimos a balsa parada, a fila crescendo e não entendemos muito a lógica. Eles preferem esperar o horário, colocar quem cabe na balsa e se sobrar, fazer uma segunda viagem depois. Detalhe: a viagem dura uma hora.

Um ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Um ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


O calor insuportável faz as barraquinhas de beira de estrada serem o melhor refúgio do sol e do calor. Cervejinha, aguinha, almoço e com sorte, uma brisa soprada direto do Magdalena. Os rapazes da região tiram um bom dinheiro lavando os carros e caminhões na fila de espera. Nós aproveitamos para limpar todo o nosso cabo do guincho que estava pura lama, depois do resgate que fizemos ontem pela manhã.

No ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

No ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


Todos ficam curiosos com esse carro brasileiro, com mapas e logo ficamos amigos dos caminhoneiros, conversando sobre estradas, política e caminhos na América Latina. Um deles contava o inferno que era a vida deles antes do Uribe. Este trecho aqui era impossível, tinham que pegar a balsa das 13h e seguir viagem. Se atrasassem para a das 17h era certeza que as FARCs iriam saquear-los se não do outro lado do rio, quando chegassem em Carmen de Bolívar. Enquanto contava a história das FARCs, a cada 10 palavras, 11 eram, por que estes “hijos de puta”, blábláblá, “hijos de puta”, “hijos de puta”, blábláblá, “hijos de puta”! Me perdoem este espanhol, mas o que para mim na hora pareceu engraçado, deve ter sido realmente um pesadelo por muitos anos para esses caminhoneiros.

Fila para o ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Fila para o ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


O pior é que se eles resolvessem parar, o país inteiro parava. Se tem um povo que pode instalar o caos nestes países sul-americanos, inclusive no Brasil, são os caminhoneiros... já imaginaram se eles entram em greve? Deus me livre!

Revoada de garças vista do ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Revoada de garças vista do ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


Chegamos em Cartagena já estava escuro. Pegamos um horário de pico no trânsito, uma desgraça. A entrada por essa rota passa por uma periferia infindável e o nosso GPS meio perdido sempre gosta de nos colocar em uns becos tentando encontrar o caminho mais curto. A cidade está em obras, novas canaletas de expresso, seguindo o projeto de Bogotá, que segue o de Curitiba. Finalmente chegamos em Getsemaní, bairro turístico próximo do centro histórico. Todos os hostals que haviam nos indicado estavam lotados e a vizinhança estava bem movimentada neste bairro popular de ruas estreitas. Depois de quase 40 minutos finalmente encontramos o nosso cantinho, um hotel na Calle Larga, estacionamento próximo, ar condicionado e piscina. Perfeito! Só faltou avisarem que o banho era ruim e frio, mas nada que não possamos conviver. Enfim, chegamos à Cartagena!


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Colômbia, Mompós, Cartagena, Cartagena de Índias, Estrada, litoral, Mompóx

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Preparativos

Brasil, Minas Gerais, Passa Quatro (Pedra da Mina)

Ontem, a caminho de Passa Quatro passamos por Itamonte para colocar gasolina na Fiona. No posto o Ro comentou que iríamos subir a Pedra da Mina e que precisávamos achar um guia. O cara do posto não só nos indicou a o pessoal da Harpia, como ligou para lá para combinarmos de nos encontrar para organizar a subida na manhã seguinte.

Chegando lá comecei a perceber que esta caminhada não seria tão simples. O Alessandro e o Rodolfo, montanhistas, guias e sócios da Harpia e do Casarão, hostel para montanhistas da cidade, começaram a nos perguntar sobre o equipamento que tínhamos para montanha, qual era a nossa experiência, etc, etc. Falamos, mas aos poucos eles foram passando o recado que a Pedra da Mina era mais complicada do que eu imaginava. Um dia antes um cara foi resgatado de helicóptero na região, pois se perdeu tentando fazer a travessia da Serra Fina. Já sabíamos que não era fácil, Haroldo e Guto (primo e irmão do Ro) fizeram duas vezes e já haviam nos alertado, por isso decidimos fazer a caminhada em dois dias, acampando lá em cima. Mesmo tendo mais tempo para fazer o percurso, isso nos exigiu um planejamento diferente, teríamos que carregar nossa casa lá para cima, água, comida e equipamentos.

Nosso plano inicial não incluía compra alguma, mas nem eu nem o Ro tínhamos uma bota para montanha. Eu sempre usei tênis, acho muito mais confortável, mas não era o equipamento adequado para carregar peso em uma subida como esta. Depois de muita conversa, me convenceram a usar botas. Assim, compramos apenas o equipamento básico que estávamos precisando, isolante térmico, botas próprias para escalada e uma jaqueta impermeável e corta-vento, que de quebra vem com um sensor para me acharem se eu for pega por uma avalanche! Espero nunca precisar usar o sensor, mas a jaqueta pelo jeito será necessária, já que a previsão para a noite é de -3°C lá em cima! Bem equipados, agora só resta saber se realmente estou com o preparo físico, mas isso só vou descobrir lá no caminho.

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