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Ontem, depois da longa e maravilhosa caminhada na região do Lake Louise,...
Na noite de ontem, lá no Massaroca, conhecemos a Lei, dona do restaurant...
Começamos o dia com um passeio a pé pelo simpático centro histórico d...
Raquel (14/01)
Boa noite. Gostaria de saber se e necessário alugar carro previamente ou...
Raquel (14/01)
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Raquel (14/01)
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Raquel (14/01)
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Diana (11/01)
Boa noite Rodrigo! A trilha para o Poço Esmeralda é de quantos km ou mt...
Voando de helicóptero sobre a ilha de Kauai, no Havaí
Desde que estivemos com nossos amigos Mauricio e Oscar, lá no Delaware, e conversamos sobre a viagem deles ao Havaí que temos planejado um sobrevoo de helicóptero pela ilha do Kauai, uma das principais do arquipélago. Eles tinham ficado impressionados com a beleza da ilha vista do ar e nos recomendaram muito o “investimento”. Isso foi em Junho e desde então esse passeio de helicóptero ficou muito bem guardado na nossa “to do list”. Pois bem, finalmente chegou o dia!
Chegando de avião à ilha de Kauai, no Havaí
Só para não perder o costume, madrugamos pelo terceiro dia consecutivo, hoje para pegarmos o avião entre Maui e Kauai. Carro devolvido, bagagem embarcada, máquinas fotográficas a postos, fizemos o voo de quase uma hora, passando sobre a ilha de Oahu no meio do caminho. Ela será nossa última parada aqui no Havaí, depois do Kauai, mas já deu para dar uma olhada rápida lá de cima. O que mais me chamou a atenção foi a baía de Pearl Harbor, tornada famosa pelo ataque surpresa japonês em dezembro de 1941 e que trouxe os Estados Unidos para a 2ª Guerra Mundial. Até tentei me imaginar naquele fatídico 7 de Dezembro, a bordo de uma das centenas de aeronaves japonesas atacando o porto e a frota americana ali estacionada, mas a serenidade do dia de hoje não cooperou. Eu tinha outro voo em mente...
Helicóptero chega para nosso sobrevoo de Kauai, no Havaí
Pronto para o sobrevoo de helicóptero da ilha de Kauai, no Havaí
Chegamos ao aeroporto de Lihue, pegamos nosso carro na ilha e seguimos diretamente para a empresa que opera os helicópteros. Já estava tudo agendado e pago com antecedência e já era a hora do check-in. Foi lá que reencontramos o Sidney e a Ane, que também haviam acabado de chegar, diretamente da Big island. Junto com eles estava o Marcos Amend, um grande amigo da Ana lá de Curitiba. Ele também queria fazer o voo de helicóptero, mas como o nosso já estava lotado, acabou sendo colocado em outro voo, praticamente na mesma hora.
Só falta a Ana no helicóptero para nosso sobrevoo de Kauai, no Havaí
A bordo do helicóptero, durante sobrevoo da ilha de Kauai, no Havaí
Não demorou muito e já estávamos embarcando na nossa aeronave. A Ana e a Laura na frente, ao lado do piloto, e eu e o Rafa atrás, junto com um outro casal. Eu já tinha voado uma vez de helicóptero, há quinze anos, no Nepal. Mas lá, are um grande cargueiro russo, com capacidade para mais de 20 pessoas. Dessa vez era uma aeronave pequena, com a lateral toda envidraçada para facilitar a visão dos passageiros. E eu fui afortunado em ir ao lado da janela.
De helicóptero, sobrevoando a cidade de Lihue, no Kauai, no Havaí
Assim que entramos, colocamos headphones que abafam o alto barulho dos motores. Melhor do que isso, é colocado uma trilha sonora emocionante para acompanhar o voo. Entre as músicas, o tema de Parque dos Dinossauros, cuja cena do helicóptero foi filmada justamente aqui. Teve também o tema de ET, o Extraterrestre, do Indiana Jones, entre outras. Foi bem legal!
São dezenas de cachoeiras que avistamos durante o sobrevoo de Kauai, no Havaí
São dezenas de cachoeiras que avistamos durante o sobrevoo de Kauai, no Havaí
A gente voa sobre enormes montanhas e cânions que são praticamente inacessíveis por terra. Passamos por dezenas de cachoeiras selvagens, algumas delas isoladas no meio de vales, outras em grupo ou formação de até cinco delas. Visual impressionante! Toda essa água vem do fato que é ali no Kauai, em uma região no meio da ilha, que está um dos pontos mais chuvosos do planeta. São mais de 11 mil milímetros de precipitação anual, quase três vezes o que chove em uma cidade como “Ubachuva”, que não tem esse apelido a toa...
Sobrevoando canions e montanhas praticamente inacessíveis em Kauai, no Havaí
O encontro das montanhas e o mar azul de Kauai, no Havaí
Por fim, sobrevoamos a Na’Pali Coast, uma das mais belas costas do mundo, o encontro de enormes montanhas com um mar azul profundo. Entre um desfiladeiro e outro, uma rara praia de areia com ares paradisíacos. A mais famosa delas é a praia de Kalalau, que só pode ser atingida de barco, no verão (no inverno as ondas são muito grandes para isso), ou a pé, através de uma trilha de 11 milhas, ou cerca de 17 quilômetros. É exatamente a trilha que vamos fazer amanhã, carregando nossas barracas para dormir nessa mágica praia.
Sobrevoando a belíssima Na'Pali Coast e a trilha para a Kalalao Beach, em Kauai, no Havaí
Voando sobre a magnífica Lalalao Beach, em Kauai, no Havaí
Ainda sem ar, depois de 50 minutos de voo, voltamos para o heliporto. Espíritos saciados, faltava cuidar do estômago. O Sidney, que nos esperava por lá, nos deu uma bela dica de um restaurante popular e para lá seguimos. Eles já seguiram para Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, justamente de onde sai a trilha para o Kalalau. A gente ainda ficou em Lihei por hoje e, depois do almoço, saímos de carro para explorar a costa sul da ilha.
Sobrevoando a belíssima Na'Pali Coast e a trilha para a Kalalao Beach, em Kauai, no Havaí
O grupo do nosso helicóptero, já na segurança da terra firme, em Lihue, em Kauai, no Havaí
Seguimos até os mirantes do Waimea Canyon, o equivalente ao Grand Canyon do Havaí. Nós já tínhamos passado por ali de helicóptero, mas agora queríamos vê-lo com os pés no chão. Realmente, uma beleza! Que grandiosidade! Incrível ver uma formação geológica desse porte numa ilha pequena como o Kauai.
Escolhendo nossa primeira refeição em Lihue, em Kauai, no Havaí
A ilha é a mais antiga do arquipélago, pelo menos dentre aquelas que ainda não foram engolidas pelo mar. Há tanto tempo já afastada do hotspot criador de ilhas, Kauai já teve muito tempo para ser erodido. O Waimea canyon é apenas um dos exemplos dessa erosão. Quem também teve tempo de “agir” foi a vegetação. Cobriu toda a ilha de verde e é por isso que Kauai é conhecida como a “Green Island”. Com férteis solos vulcânicos e chuva para planta nenhuma botar defeito, não é difícil entender aquelas florestas todas por ali.
Mirante do magnífico canyon de Waimea, em Kauai, no Havaí
Chegando ao mirante do canyon de Waimea, em Kauai, no Havaí
Depois do canyon, voltamos ao nível do mar e assistimos a um formidável pôr-do-sol ao lado de um enorme “blow hole”. É um buraco na rocha ao lado do mar por onde as ondas do oceano entram e espirram bem alto, fazendo um som de trovão. Uma espécie de fonte natural. Já tinha visto vários desses por aí, mas esse aqui do Kauai foi o mais forte que já vi.
Dirigindo na costa sul de Kauai, no Havaí
Chegando perto para admirar um blow hole na costa sul de Kauai, no Havaí
Já estava escuro quando voltamos à Lihue, mas ainda passamos no supermercado para comprar nossos mantimentos para os próximos dias. Como todo acampamento que se preze, vamos de macarrão e muitos sanduíches, hehehe. Estamos loucos para estrear nossa barraca e fogareiro novos, comprados em Seattle. Já a Laura e o Rafa, que pretendiam alugar uma barraca por aqui, acabaram presenteados pelo Sidney, que emprestou a sua. Amanhã, quarta “madrugagem” consecutiva, temos uma hora de estrada até a casa onde o Sidney está ficando, para deixar nossa bagagem, e seguir até o início da trilha, onde o carro vai pernoitar enquanto nós camelamos pela maravilhosa Na’Pali Coast.
O sol de põe por detrás de um blow hole na costa sul de Kauai, no Havaí
A precária estrada de terra de 450 km entre Linden e Lethem, na Guiana
Hoje era o dia de uma grande jornada: atravessar a Guiana de norte a sul, saindo da capital Georgetown e indo em direção à fronteira com o Brasil. Quanto mais perto chegássemos, melhor. A distância nem é tão grande, um pouco menos de 600 km. Mas boa parte do trajeto é em estrada de terra e não sabíamos as condições em que ela se encontrava.
A ponte que liga Linden ao sul da Guiana
Saímos ainda no escuro, um pouco depois das cinco da manhã. Depois de conversar com várias pessoas no dia anterior, já tínhamos pego todas as dicas sobre como sair da cidade e aonde encontraríamos postos de combustível. Assim, não foi difícil vencer os primeiros 50 km, chegando perto do aeroporto internacional do país e, de lá, pegar a estrada para Linden, a segunda maior da Guiana. Aproveitamos também para encontrar os primeiros postos abertos e encher não só o tanque da Fiona, mas também o galão extra de 30 litros que temos.
O único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana
Outra coisa que tivemos de fazer foi tirar a água do filtro de combustível. Desde que saímos de Curitiba, em maio do ano passado, ainda não tínhamos tido problema com a qualidade do combustível. Não é que hoje, de madrugada, saindo de Georgetown, o carro começou a reclamar? Lei de Murphy total! Justo no escuro, atravessando a sombria periferia de Georgetown! Justiça seja feita, o combustível no tanque ainda era do Suriname... Bom, "sangramos" o filtro (tem uma tornerinha para isso) lá no posto e seguimos viagem.
Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito "Bordas do Brasil" no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana
Seguimos na boa estrada até Linden, pouco mais de 100 km ao sul de Georgetown. Aí, entramos na cidade, compramos um lanche e seguimos em frente, prontos para enfrentar a estrada de terra que começava logo depois da cidade. Cerca de 450 km até a fronteira com o Brasil. O único posto no caminho daí a 80 km. A famosa estrada que já foi conhecida como a "pior da América do Sul", ou a "grande aventura sulamericana", dependendo do ponto de vista, bem ali, à nossa frente.
A deserta estrada de terra de 450 km entre Linden e Lethem, na Guiana
Dizem que a estrada já foi bem pior do que é hoje. E na época chuvosa, ainda fica muito ruim. Aqui na Guiana, assim como no Suriname e Guiana Francesa, o mês de Abril é conhecido como veranico, dividindo duas estações muito chuvosas. É um mês de refresco. Deste modo, acabamos enfrentando muito mais poeira do que barro. Buracos também, claro. Dá para manter uma velocidade média de uns 40 km/h. Em alguns trechos melhores, quase o dobro disso. Mas, quando a gente empolga, aparece um buracão e é aquela cacetada...
Propaganda dos festejos na cidade de Lethem, na fronteira de Guiana e Brasil. Muita poeira e barro pela frente...
Ainda antes de chegar no posto, a Fiona voltou a reclamar do combustível. Dessa vez, fizemos um "sangramento" mais minucioso do filtro, tirando muita água lá de dentro. Depois dessa limpeza, ela não reclamou mais. E assim, seguimos até o posto, região onde a estrada era um pouco melhor. No posto, compramos mais um lanche e estávamos tirando umas fotos quando, para nossa surpresa, apareceu mais um carro brasileiro!
Depois de mais de 200 km de terra, chegamos à travessia de balsa do rio Essequibo, no caminho para Lethem, na Guiana
Era também uma expedição com um casal, o pessoal do www.bordasdobrasil.com.br. Como o próprio nome indica, eles estão dando a volta no Brasil. Saíram no início do ano e já fizeram uma boa parte do trajeto. Só falta descer do Amapá até o Espírito Santo e, de lá, voltar para Minas, de onde eles são. Aliás, que sotaque gostoso, hehehe! O site deles é muito legal e recomendo uma visita! Já deu para pegar várias dicas lá! Por falar em dicas, nós também demos várias para eles. Afinal, eles não tinham encontrado ninguém na internet que tivesse feito esse trajeto que acabávamos de fazer. Enfim, foi um encontro muito jóia, muita troca de informações e fotos. E que coincidência! A gente se encontrar justo naquele posto, o único da longa estrada. As únicas expedições brasileiras a cruzar esses países em tanto tempo, sem combinar nada, sem se conhecer, acabar se encontrando ali. É... o que tem de acontecer, acontece!
Socializando na travessia do rio Essequibo, à caminho de Lethem, na Guiana
Eles nos recomendaram muito que a gente dormisse no meio do caminho, que a estrada para frente estava muito ruim. O próximo ponto de referência era uma passagem por balsa do maior rio do país, o Essequibo. A gente decidiu que, pelo menos até lá, iríamos. Há uma balsa de hora em hora e conseguimos pegar a balsa das duas. Juntos conosco, mais uns cinco carros, todos indo até Lethem onde, nesse feriado de páscoa, acontece um grande rodeio, festa que movimenta todo o país. Tanto que todo mundo que conversávamos, desde que entramos no país, nos perguntava se estávamos na Guiana por causa do rodeio. Também em Georgetown, quando fomos procurar agências para nos levar à Kaiteur, ficamos sabendo que não haveria passeios durante o feriado porque todos os aviões estavam fretados para irem até Lethem. E os mais corajosos indo de carro. Assim, a estrada estava "movimentada". Para os seus padrões, claro! Ao invés de um carro a cada meia hora, tinha um carro a cada 10 minutos!
A precária estrada de terra de 450 km entre Linden e Lethem, na Guiana
Enfim, passamos a balsa e resolvemos seguir até a reserva de Iwokrama. Na verdade, ela já começa logo depois da balsa onde há, inclusive, um posto policial onde devemos mostrar nossos papéis. Mas, uns 80 km mais à frante, tem uns lodges onde se pode dormir. Além do lodge, tem o que eles chamam de "canopy walk-way", um longa passarela construída sobre a copa das árvores. Não resistimos e resolvemos visitá-la.
Caminhando na mata na reserva de Iwokrama, na Guiana
Um espetáculo! Muito bem construída, andamos a mais de 30 metros de altura, observando as árvores lá de cima, as montanhas ao longe e muitos pássaros. Estes, a gente mais ouvia do que via. O local é um paraíso para os bird-watchers, que ficam horas e horas sobre as plataformas no alto das árvores, com suas lentes telescópicas, observando as dezenas de espécies que habitam a região. São os principais clientes do lodge.
Caminhando sobre a copa das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana
Nós já ficamos muito satisfeitos só com a caminhada sobre as árvores. O canto dos pássaros foi o bônus. E, depois da caminhada, tivemos um outro bônus: um banho de chuveiro maravilhoso, num banheiro sem teto ou, melhor, cujo teto era o céu e aquela mata linda que tínhamos acabado de visitar. Muito legal!
Reabastecendo a Fiona na reserva de Iwokrama, na Guiana
Aí, renovados pelo chuveiro, resolvemos seguir até Lethem, mais umas três horas à frente. Reabastecemos a Fiona com nosso galão e partimos para aproveitar a última hora de luz do dia. Depois, foi uma longa e paciente viagem até Lethem. De noite, sem a visão dos buracos, a velocidade média caiu bastante. Mas, devagarinho, devagarinho, chegamos! O Brasil já estava ali, do outro lado! Mas, àquela hora, a fronteira já estava fechada. Felizmente, a grande maioria das pessoas que vem para a festa chegarão amanhã e assim não foi difícil achar um quarto de hotel para nós. Depois de 15 horas na estrada, nós merecíamos! Dormimos o sonho dos justos, bem pertinho do nosso país. Como diria um impopular presidente americano: "Mission acomplished!"
Em uma plataforma sobre a copa das árvores, a 30 metros de altura, na reserva de Iwokrama, na Guiana
Entrada da caverna Água Suja, no PETAR
O PETAR continua maravilhoso. É minha terceira vez por aqui, muita coisa mudou, muitos lugares estão fechados à visitação, tudo está mais organizado e burocratizado mas, mesmo assim, a natureza continua a mesma, as cavernas, a mata atlântica, os rios, a fauna.
Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR
Há cerca de dois anos atrás o parque esteve fechado por 2 meses. Decidiu-se por fazer um plano de manejo de toda a região, incluindo suas cavernas. Após esse período inicial, algumas cavernas foram reabertas à visitação, mas a grande maioria permaneceu fechada até que o plano fosse terminado, o que deve ocorrer nos próximos 12 meses. Agora, todas as visitas devem ser guiadas por monitores cadastrados. O número de visitantes também é limitado, para que o impacto sobre a natureza seja controlado. Já não se pode acampar na área do Núcleo Santana, o principal do parque.
Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR
Após este período de indefinição, o turismo voltou com força para a região. E deve aumentar ainda mais com a abertura de outras cavernas, após o término do plano de manejo. Mesmo assim, a grande maioria das mais de 300 cavernas da região continuarão fechadas aos turistas, aberta apenas aos estudos de pesquisadores. Mas, que fique bem claro: a parte que já está aberta e, considerando-se o que vai ser aberto em breve, é mais do que o suficiente para encher os olhos de qualquer visitante.
Formação amarela dentro da caverna Água Suja, no PETAR
Tivemos a sorte de chegar aqui durante a semana, o que garante um parque vazio para nós. Congestionamento em caverna, ninguém merece. Assim, decidimos visitar as cavernas mais acessíveis hoje, sexta, enquanto os turistas não chegam e deixamos para o sábado uma outra, no Núcleo Caboclos, região mais isolada do parque, mais protegida dos visitantes de fim de semana.
Quem organizou tudo para gente foi a agência Parque Aventuras, uma das principais da região. Ontem de noite eles já combinaram com o Edson, um monitor que mora em Apiaí, para vir nos acompanhar esses dois dias. Chamaram ele porque a Ana já tinha sido guiada pelo pai dele, há sete anos atrás. Um senhor também chamado Edson e que, na época, já estava fazendo 80 anos, esbanjando saúde e destreza nas trlhas.
Atravessando o rio, no caminho de volta da caverna Água Suja, no PETAR
Hoje, bem cedinho, o Edson já estava por aqui. Logo depois da oito da manhã nós estávamos na entrada do parque, no Núcleo Santana, R$5,00 a entrada. O primeiro objetivo do dia: a caverna de Água Suja. Esse nome não faz justiça pois a água do rio que corre pela caverna é muito limpa. Assim como nas outras cavernas que estão abertas a visitação, apenas parte dela é liberada. Na Água Suja, são 800 metros de galerias, sempre ao lado ou por dentro do rio de águas frias. A boca da caverna é muito bonita, o verde forte da mata chegando até onde chega a luz do sol. A quantidade de espelotemas é abundante, formas esdrúxulas descendo pelo teto, subindo ou se arrastando pelo chão e pelas paredes. Percebe-se claramente que a caverna é um organismo vivo, só que com uma escala temporal "ligeiramente" mais longa que a nossa. A cada passo caverna adentro, vamos nos deixando impressionar com a grandiosidade do local, viajando nas formas dos estalactites e nos milhares de anos que as gotas d'água demoraram para esculpir tudo aquilo.
Aos poucos a caverna vai se fechando e nós temos de entrar mais e mais fundo no rio. O corpo, com algum sofrimento, acaba se acostumando com a temperatura da água. O gran finale é uma cachoeira subterrânea, quatro metros de queda d'água fazendo um barulho quase ensurdecedor dentro de uma pequena galeria sob milhares de toneladas de rochas. Pois é, é muito estranho pensar: sobre nossas cabeças está uma montanha. E sobre ela, uma floresta densa. É até difícil imaginar...
Banho de cachoeira na caverna Água Suja, no PETAR
Ficamos ali, tomando aquele banho mágico por algum tempo. Depois, é hora de voltar pelo mesmo caminho, em direção a boca da caverna onde, de longe, já se enxerga o verde e a luz. É uma visão emocionante, ver cores vivas, claras, depois de tanto tempo sob a luz de lanternas, onde tudo é escuro, quase sem cor. Entrar numa caverna é sempre maravilhoso, portal para um novo e estranho mundo. Sair de uma caverna é abençoado, voltar para o nosso belo, velho e colorido mundo.
Isso foi só o começo do dia...
Chegando ao famoso Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O percurso da Route One entre Santa Cruz e Monterey não é grande coisa e, sem paradas para fotografias ou caminhadas, não demorou muito para que chegássemos à antiga capital da Califórnia, desde a época do controle espanhol e mais tarde, mexicano.
Chegando à Montery, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A cidade se iniciou como uma missão franciscana, mas logo foi fortificada, já nas últimas décadas do séc. XVIII, para se defender de uma possível invasão russa, que nunca aconteceu. Pois é, naqueles tempos, quem disputava a supremacia da costa oeste americana eram os espanhóis e os russos, já instalados no Alaska e com pretensões de se estabelecerem mais ao sul.
Chegando à Montery, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Parque em Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
Mas, o mundo dá voltas. Os russos ficaram mesmo lá pelo norte enquanto os espanhóis perderam todo o território mexicano na luta daquele país por sua independência. Expulsaram os ibéricos, mas não mantiveram o poder da Califórnia e sua capital, Monterey, por muito tempo. Um dos resultados da guerra entre americanos e mexicanos na metade do séc. XIX foi que o estado passou ao controle dos americanos. Já sob domínio ianque, Monterey continuou com sua longa lista de “primeiros” da costa oeste: primeiro teatro, primeiro prédio público, primeira biblioteca publica, primeira casa de tijolos, primeiro jornal e por aí vai.
Muitos campos de golfe na 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Nesta tradicional cidade chegamos perto da hora do almoço de ontem, já impressionados com a beleza de suas praias ao norte. Seguimos diretamente para o centro de visitantes, bem no meio de um lindo parque e lá fomos recebidos por um senhor que nos deu uma verdadeira aula, não só sobre as atrações da cidade, mas também sobre como receber turistas. Respondia todas as perguntas sem titubear, inclusive sobre o que era mais ou menos interessante. Nada de enrolação!
Os elegantes ciprestes ao longo da 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Ele também nos falou sobre as partes mais bonitas da rodovia, entre Monterey e Los Angeles. Acabou por nos convencer a ficar mais um dia na cidade (nosso plano inicial era seguir viagem já hoje de manhã!). As principais atrações são a estrada-parque que liga Monterey à vizinha Carmel e o aquário da cidade, um dos melhores do mundo. Por fim, ele também nos deu as dicas de regiões de hotéis para ficar, tanto em Monterey como na estrada pelo Big Sur.
Fim de tarde em praia de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Celebrando os últimos momentos do dia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Resolvemos aproveitar o resto da tarde para já percorrer a “17 Mile Road”. Ele vai serpenteando a encosta, espremida entre campos de golfe de um lado e o glorioso Oceano Pacífico do outro. No caminho, muitos mirantes para admirar a paisagem e também a vegetação da região, principalmente os belos ciprestes, típicos dali. A única preocupação era driblar o trânsito concorrente, já que em pleno feriado, tinha muita gente fazendo o mesmo percurso.
No final da tarde, muitas fogueiras na praia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
No final da tarde, muitas fogueiras na praia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Chegamos à charmosa Carmel bem no finzinho da tarde, ainda em tempo de estacionar a Fiona, encontrar um lugar na praia e assistir de camarote ao pôr-do-sol. Clima de total descontração na praia repleta de cães. A cidade é uma das mais “dog-friendly” do país. Vários restaurantes, lojas e hotéis não fazem restrição aos nossos amigos de quatro patas. Andam felizes e soltos pela praia, socializando com seus pares. Quem socializa também são as pessoas, fazendo seus piqueniques e montando suas fogueiras. Depois do espetáculo do sol se pondo atrás do mar, eram dezenas de fogueiras espalhadas pela praia. Sem dúvida, de todas as praias americanas que estivemos nessa viagem, essa de Carmel, principalmente pelo clima descontraído, foi uma das que mais gostamos.
Iluminação natalina nas ruas de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Já no escuro e com muita fome, fomos andar um pouco pela cidade para encontrar um bom restaurante. Carmel também nasceu como uma missão franciscana em tempos espanhóis. No início do séc XX, principalmente após o terremoto que abalou San Francisco em 1906, virou reduto de artistas, poetas, pintores e músicos. Já em 1910 os jornais de San Francisco anunciavam que em Carmel se respirava cultura. Esses mesmos artistas foram construindo suas casas e até se metendo na política local. Um bom exemplo é o ator Clint Eastwood, que foi prefeito da pequena cidade na década de 80. Como artistas gostam de boa comida, a cidade também virou um celeiro de bons restaurantes e o único trabalho que tivemos por lá foi escolher algum entre tantos deles. Foi delicioso caminhar pela cidade enfeitada para o natal, entre pequenos e concorridos restaurantes. Ficou aquela vontade de passar uma longa temporada por lá. Já está na nossa lista de “cidades que um dia voltaremos!”...
Litoral de Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
Correndo pela orla de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Já bem de noite, voltamos para Monterey, agora pela estrada rápida. Tínhamos achado um hotel bem legal, longe do centro, mas bem perto da praia. Pura inspiração para começarmos o dia de hoje de maneira bem saldável! Pois é, logo cedo já estávamos correndo por uma simpática trilha ao longo da orla da cidade, uma região cheia de parques e casas bacanas.
O belo parque na faixa costeira de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Manhã saldável de corrida na costa de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Corremos mais de três quilômetros, admirando o mar forte que batia nas pedras e os corajosos surfistas que enfrentavam não só as ondas, mas o frio da água. Junto com eles, as simpáticas e raras lontras de água salgada, o animal que foi quase extinto pela caça comercial ao longo do séc. XIX, por causa da sua pele. Parada para fotos e admiração da baía de Monterey e, depois, volta correndo para o hotel. Mas antes de chegar lá, um desvio para a praia, para mais uma corridinha. Sem as roupas de borracha dos surfistas, só animamos de molhar os pés e canelas. Doía até os ossos, mas valeu a pena!
Correndo em praia de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Mar gelado em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A tarde de hoje foi dedicada à exploração do famoso aquário da cidade. Depois de termos conhecido o fabuloso aquário de Atlanta, achei que nunca mais me impressionaria com outro e, até por isso, estava com uma certa preguiça de entrar em um. Mas o senhor do escritório de turismo me convenceu que deveríamos ir lá. E ele estava certíssimo!
Observando a floresta de Kelps no enorme aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A sensação de estar abaixo de uma onda, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Certamente, o aquário não é tão impressionante como o de Atlanta, com seus enormes tubarões-baleia. No seu tanque principal, uma pitoresca floresta de Kelps, as gigantescas algas que crescem nessa parte do Pacífico, alimentando um complexo ecossistema que começa com peixes pequenos e chega até os tubarões-martelo. Todos eles representados no aquário, nadando naquela floresta subaquática. Muito legal!
Observando tubarões no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Coleção de moréias coloridas no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Mas, para mim, o que mais impressionou foi a exposição das águas-vivas. Dezenas de espécies, de todos os tamanhos e cores, desde as minúsculas e inofensivas até as gigantes e venenosas, passando pelas incríveis luminescentes, habitantes das profundezas. Um verdadeiro show! Foi mesmo emocionante ver de perto esses verdadeiros alienígenas. Como bem disse um cientista, “o mundo extraterrestre mais perto nós está bem aqui, no nosso quintal, embaixo de nossos narizes. O mar!”. Basta ver esses seres sem braços ou pernas, olhos ou ouvidos, mas tão graciosos e cientes do que se passa a sua volta para concordamos com ele.
Isso aí é um cavalo-marinho muito bem fantasiado de planta, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O Aquário de Monterey tem uma fantástica exposição de águas-vivas (no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos)
Amanhã, pegamos estrada novamente. Será o dia de conhecer a parte mais bonita da One, justamente aquela que atravessa a região conhecida como Big Sur. Nossa ideia é passar o dia explorando esse trecho de cerca de 100 quilômetros e dormir por ali mesmo. No dia seguinte, dia 27, acordamos cedinho e seguimos diretamente para o aeroporto de Los Angeles. Nossas explorações dessa cidade ficam para quando voltarmos do Havaí...
Incríveis águas-vivas luminescentes, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A valente Fiona enfrenta a neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Acordei cedo hoje na pequena Winthrop e, conforme tinha prometido para a Ana na noite anterior, fui comprar nosso café da manhã. A cidade fica perto do limite do North Cascades National Park. Quem nos deu a dica de dormir ali foi um dos oficiais da fronteira ontem, depois do imbróglio que nos custou mais de uma hora por lá. Queríamos fazer a estrada que cruza o parque durante o dia, para poder admirar a paisagem, e ele falou que essa seria a melhor cidade. Acertou na mosca! Cidade com cara de faroeste, muito popular no inverno com os esquiadores, ou no verão com os trekkers. Agora, fora de estações, hotéis baratos, mas igualmente simpáticos. O gerente do nosso, muito interessado na nossa jornada, nos indicou uma deliciosa pizzaria para o jantar. Pizza gostosa como eu já não comia há meses!
Chegando ao North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Pois é, esse mesmo gerente me recebeu quando eu voltava do mercado com o nosso café da manhã. Dizia que neve nos esperava nas montanhas a frente. Pela conversa da noite anterior, já sabia que nós, brasileiros, adoramos neve. Checou a previsão do tempo e veio correndo me dizer que estava nevando no Washington Pass, pouco mais de 1.500 metros de altura, cerca de 30 quilômetros à frente na nossa rota para o oeste.
Começa a nevar na estrada que atravessa o North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Aceleramos nosso café (iogurte grego, granola, pão, Philadelphia e geleia) e botamos o pé na estrada, loucos de curiosidade para encontrar a sempre mágica neve. Ali onde estávamos não tinha nem cheiro de neve, céu claro e poucas nuvens. Difícil acreditar que ela estava poucas milhas adiante. Mas umas nuvens densas, quase uma neblina, cobriam as montanhas. “Deve ser ali”, imaginamos.
Vegetação coberta pela neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Bingo! Começamos a subir e o tempo foi fechando. Nada mais de céu azul. Algo estranho começou a preencher o ar. Quase um fantasma. O “fantasma” foi ficando mais denso. Já não tínhamos dúvidas: eram flocos de neve! Subimos um pouco mais e a neve começou a aparecer, acumulada na mata que nos rodeava. Pequenas manchas brancas aqui e ali. Não demorou muito e, sempre subindo, as árvores começaram a ficar brancas por inteiro. Igualzinho àqueles pinheiros de natal que vemos nos filmes. Só que aqui não era uma árvore, mas a floresta inteira! Lindo! Ao mesmo tempo, as manchas de branco ao no acostamento se tornaram morros de neve. E a estrada, limpa até então, também foi ficando branca, restando dois trilhos de asfalto no meio dela.
Dirigindo em estrada cheia de neve, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Máquina para limpar neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Para nós, desacostumados com isso, parecia um sonho. Ou um cenário de filme. A neve continuava caindo, em flocos cada vez mais grossos. A estrada estava cada vez mais alta, assim como a neve ao seu redor. E os trilhos de asfalto sumiram, ficando apenas uma camada mais fina de branco por onde deveríamos seguir. No sentido oposto, aquelas máquinas de limpar neve, jogando o gelo branco para o acostamento. O nosso freio já não mais funcionava, o gelo sobre o asfalto demasiadamente escorregadio para o sistema ABS.
A valente Fiona enfrenta a neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Fiona em meio à neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Começamos a torcer para o tal do Washington Pass chegar logo. Dali em diante a estrada baixaria de novo, certamente com menos neve. Nosso medo era que fechassem a estrada. Pior ainda, era que a Fiona desse uma derrapada em algum barranco ou precipício. Eu dirigia devagar, freando apenas no motor. Mas, a preocupação era apenas uma parte pequena dos nossos sentimentos. A grande parte estava era emocionada com aquele cenário todo, algo que ainda não havíamos experimentado de verdade nesses 1000dias.
Brincando com a neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Muita neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Tínhamos pego neve na Argentina e no Sequoia National Park, na California. No Alaska também, lá no norte, acima do Círculo Polar Ártico. Mas nada como agora, pintando toda uma floresta de branco, neve grossa caindo, estrada branquinha por quilômetros a fio. Um cenário absolutamente encantador! Nem eu nem a Fiona acostumados com isso, mas vamos nos acostumando. Enquanto isso, muitas fotos e muitos “Ooohhh!!!”.
Em dia de muita neve, visitando o maravilhoso North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Pelo menos em teoria, lá do alto do Washington Pass teríamos uma bela vista das montanhas do North Cascades. Uma trila de pouco mais de um quilômetro nos levaria para um mirante. Mas, quando chegamos lá, era tanta neve que o estacionamento e a tal trilha estavam cobertos de neve. Assim como as montanhas e a nossa vista. Mas, sinceramente, quem se importava? Tudo já estava tão lindo, tão magnífico para dois brasileiros acostumados com praias e não com neve. Só o caminho até lá já tinha valido a pena, toda a pena! E com aquela neve toda caindo, o sensato mesmo era continuar e não deixar a Fiona ficar como outros carros por ali, cobertos de neve!
Pequena trilha na mata do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Assim, começamos a descer. A neve começou a diminuir, mas logo começamos a subir novamente, até outro pass. Mais baixo que o anterior, mas com muita neve também. Depois, voltamos abaixo dos 500 metros e a neve ficou lá no alto das montanhas. Pela próxima hora ou um pouco mais, só ficamos admirando os picos nevados longe de nós. Perto, o que víamos eram matas, lagos, cascatas e cachoeiras. Não é a toa que toda a região foi transformada num parque nacional.
Grande cachoeira no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Linda natureza, mas era mesmo a neve que mais nos impressionava. Fico imaginando que os gringos devem achar curiosa essa nossa atração pela neve, algo que para eles é tão normal. Mais ou menos como praias ensolaradas com águas quentes e mulheres lindas são para nós, enquanto, para eles, é algo de outro mundo. Tudo uma questão de costumes...
Dirigindo por uma floresta congelada no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Nós seguimos por toda a extensão da estrada, até chegar na grande rodovia que liga Seattle à Vancouver. Nosso sentido era continuar adiante, chegando ao litoral e pegando um ferry para a península de Olympia. Mas queríamos mais neve! Para isso, bastava seguir para uma estrada que entrava na parte norte do parque. Um detour de algumas dezenas de quilômetros que certamente valeria a pena.
Dia de muita neve na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
E valeu. Muito! Seguimos para a região do Mt Baker. O mapa está no post anterior. Lá está uma das poucas estações de esqui operando dentro de um Parque Nacional nos Estados Unidos. Mas, acho que a neve chegou antes do que eles estavam prevendo e a estação estava fechada, ainda. Para nós que não esquiamos, não fazia a menor diferença. O que queríamos ver era neve, e isso tinha lá de monte. Mais chance para brincarmos, tiramos fotos ou simplesmente curtirmos aquele momento. Ver neve caindo do céu é uma coisa mágica.
Está na hora de abrir a área de ski do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Muita neve na área do abrigo do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Ao final, já esteou até ficando craque em levar a Fiona através de uma estrada branquinha. As tais correntes fazem falta, mas com cuidado dá para se divertir. Acho que tivemos bastante sorte de poder dirigir por ali, nesse época e com tanta neve. Normalmente, e as placas indicam isso, só com correntes mesmo. Mas a neve veio tão de surpresa que não deu tempo deles fecharem a estrada, hehehe. Melhor para nós!
Lago na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Dia de muita neve na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Já nas últimas horas do dia, depois de muita diversão, resolvemos que era hora de voltarmos. A fome apertava e paramos num delicioso e animado restaurante bem na entrada do North Cascades, nesse lado noroeste do parque. Muito bem alimentados, seguimos em frente, até a última cidade mais importante antes do ferry para Port Townsend, a cidade mais interessante da Olympia Peninsula, para onde seguimos amanhã. Quem diria... depois do ferry para Vancouver, achei que o próximo seria apenas sobre o rio Amazonas. Nada disso! Já temos um amanhã mesmo, e certamente outro, quando formos para Seattle. Da neve para um ferry, a Fiona está cada vez mais eclética e adaptável. E eu, nada como errar minhas previsões diariamente. São as surpresas e o inesperado que fazem a viagem uma verdadeira... viagem!
Decoração de Halloween em restaurante na saída do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
O palácio do Parlamento, em Quebec, no Canadá
Hoje foi o dia de, pela primeira vez de verdade, colocar o pé na estrada aqui no Canadá. Por enquanto, só tínhamos dirigido da fronteira até Montreal, um percurso de menos de 50 quilômetros. Nossa viagem era até Ville du Quebec, ou simplesmente Quebec, a histórica cidade que emprestou seu nome à toda a província. Em linha reta, pouco mais de 200 km, mas nós viemos pelo caminho mais longo, tentando conhecer um pouco do interior da província, ver um pouco do país.
Skyline de Montreal, no Canadá
O Canadá é, me desculpem o chavão, um país de dimensões continentais. Com quase 10 milhões de quilômetros quadrados, deixa o Brasil, os Estados Unidos e a China no chinelo, só perdendo mesmo para a Rússia. Acontece que quase toda a população do país, assim como sua infraestrutura, fica concentrada numa estreita faixa territorial na parte sul, próxima à fronteira com os EUA. Aí estão todas as grandes cidades e regiões metropolitanas. No resto do país, a densidade populacional é ainda menor que a da Amazônia.
Canadá e suas províncias
Pois é, e para quem acha que é a Amazônia que é inacessível, não conhece o norte do Canadá. Na Amazônia, pela água, se chega a qualquer lugar. Os rios são verdadeiras autoestradas dentro da mata. Aqui, só de avião mesmo. E é caro, quase proibitivo para simples mortais. Nós queríamos muito dar uma olhada neste norte do país. Mas a Fiona não chega lá, infelizmente. Uma oportunidade surgiu quando viajamos para a Groelândia. Existe uma nova rota de avião para lá, saindo do Canadá e com direito a uma escala em Nunavut, uma das províncias isoladas do norte. Mas iria sair tão caro, mas tão caro, que resolvemos ir pela Islândia mesmo.
A maior estrutura inclinada do mundo, no Estádio Olímpico em Montreal, no Canadá
Outra província que pensamos seriamente em visitar foi a Nova Escócia, na costa leste. Dizem ser ainda mais bonita que a Nova Inglaterra. Quando viajamos até o Maine com a Bebel, com mais umas cinco horas de estrada chegaríamos até lá. Mas o bom senso e a falta de tempo falaram mais alto e também esta província ficou para a próxima. Quando? Pois é, para alguma outra viagem, infelizmente…
A enorme esfera da Exposição de 67, em Montreal, no Canadá
Enfim, depois de tanto adiarmos, finalmente chegamos a este belíssimo país. Teremos a chance de conhecer as principais províncias e cidades aqui do lado leste, numa primeira etapa, e depois o lado oeste, quando estivermos subindo (e depois, descendo!) para o Alaska.
Paisagem bucólica entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Do lado de cá, viajaremos por Quebec e Ontario. Parece pouco, mas não é! Ao contrário de Brasil e Estados Unidos, o Canadá tem poucos estados (apenas dez províncias e três territórios) e cada um deles é maior do que a maioria dos países da Terra. Ontario e Quebeq, por exemplo, têm o tamanho de Pará e Amazonas, respectivamente. Posto de outra maneira, apenas a província de Quebeq tem o dobro do tamanho de todos os países da América Central e Caribe somados!
Muitos lagos entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
No lado oeste, devemos passar por Alberta, Colúmbia Britânica, Yukon e, quem sabe, um pulinho nos Northwest Territories. Se tudo seguir como planejamos, até que vamos ver um pedacinho do país, hehehe! Mas o roteiro do lado oeste ainda não está fechado, não. Quem acabou ficando de fora também do nosso roteiro foram as províncias centrais do país. Por tudo o que pesquisamos, parece ser mais interessante cruzar o continente de leste a oeste pelo lado dos Estados Unidos. Então, depois de Toronto e Niágara, voltamos para o Tio Sam, para só voltar ao Canadá lá em Alberta.
Nosso roteiro planejado no Canadá. Clique aqui para ampliar o mapa e verificar como estamos apenas na ponta sul dos enormes estados de Quebec e Ontario
Aqui no leste do país, já determinamos nosso roteiro. No caminho estão as metrópoles de Montreal, Ottawa e Toronto, a cidade histórica de Quebec, os parques nacionais de Maurice e Mont-Tremblant e a região fronteiriça conhecida como 1000 Islands (com esse nome, tínhamos de ir conferir, né!), além das Cataratas de Niágara, claro!
Paisagem rural entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Iniciamos hoje, então, essa nossa longa jornada pelo país. Começamos em Montreal mesmo, visitando as áreas do estádio olímpico e da exposição internacional de 67. A primeira possui a maior estrutura inclinada do mundo, bem ao lado do Velódromo que foi transformado em uma gigantesca estufa. A segunda, localizada em uma ilha fluvial em frente à cidade, foi transformada em parque. Fomos lá ver a gigantesca esfera que se vê de quase qualquer parte da cidade e demos de cara com os preparativos de um mega show que ocorreria ainda hoje. Mais uma das infinitas atividades de verão que se espalham por todo o país, atraindo milhares de pessoas.
Plantações floridas entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Depois, estrada. Logo saímos da veloz autopista que conecta as duas maiores cidades da província para seguirmos pelo interior. Nosso objetivo era conhecer uma região cheia de lagos, ao sul do rio São Lourenço. São diversas pequenas cidades, sempre na beira de lagos que, nessa época do ano, servem para toda sorte de atividades aquáticas. No inverno, ao contrário, congelam completamente. Mas agora, barcos levando banhistas, pescadores e esquiadores passeiam por todos eles. Ao redor dos lagos, campos de golfe, clubes privados e cidades muito bem arrumadas, com pousadas e restaurantes charmosos. Entre os lagos, uma zona rural tomada por plantações e fazendas com aspecto bucólico. Enfim, uma linda região na qual poderíamos viajar por uma semana inteira, com certeza! Por pouco, não passamos a noite em North Hatley, uma dessas cidades. A tentação foi grande, pelo charme e tranquilidade do lugar. Mas, atrasados que estamos na nossa viagem, resolvemos seguir em frente, depois de um passeio pela orla do lago.
A bela e tranquila North Hatley, na orla de um dos lagos ao sul do São Lourenço, entre Montreal e Quebeq, no Canadá
Daí seguimos para Quebec, onde já chegamos no final do dia. Seguimos diretamente para a cidade murada, (a única ao norte da Cidade do México!), onde queríamos encontrar hotel. Não foi tarefa das mais fáceis, nessa época do ano e em véspera de final de semana. Mas, com a ajuda da dona de um dos hotéis lotados, encontramos um, com uma belíssima vista da cidade baixa.
Entrando na cidade murada de Quebeq, no Canadá
O muro que cerca o centro histórico de Quebec, no Canadá
Foi só o tempo de nos instalarmos e já fomos para a rua, tentar começar a aproveitar essa verdadeira joia que é a cidade. Caminhamos pelo centro histórico da parte alta, tiramos fotos dos prédios iluminados e seguimos para fora dos muros, onde a balada é mais movimentada. Aí encontramos um delicioso e animado bar, com excelente música ao vivo e cerveja bem gelada. Tínhamos de brindar o início de nossa aventura canadense e, mas do que isso, o fato de termos chegado ao coração da América Francesa. Um espetáculo, na beleza, história, cultura e comida! Assunto para o próximo post...
Balada em Quebec, no Canadá
Visita ao Museu de Direitos Humanos em Santiago, no Chile
Ontem nosso avião partiu no começo da tarde de Hanga Roa, na Ilha de Páscoa, mas só chegamos a Santiago de noite. Além das mais de quatro horas de voo, ainda tinha o fuso horário para descontar. Mas fomos muito bem recebidos pela Maria Ester em sua casa, onde também nos esperava a Fiona, já de vidro novo, surpresa preparada pelo Pablo (ver post aqui).
Com a Maria Esther, a mãe do Pablo, que nos recebeu em casa e guardou a Fiona por lá enquanto viajávamos para a Ilha de Pascoa
Durante o voo, não perdi minha segunda chance de ver o filme “No!”, que trata do plebiscito acontecido no Chile no ano de 1988 e que decidiu sobre a continuidade ou não no poder, para mais um longo termo presidencial, do general Augusto Pinochet. Este senhor havia chegado ao poder 15 anos antes, mais precisamente no dia 11 de Setembro de 1973, em um dos mais sangrentos golpes militares já ocorridos no nosso continente.
Visita ao Museu de Direitos Humanos em Santiago, no Chile
Uma das primeiras vítimas do golpe militar foi o próprio presidente na época, Salvador Allende, morto no própria sede de governo do país, o Palacio de La Moneda. Mas ele não foi o único. Ao longo dos quinze anos seguintes, mas principalmente no início, foram assassinadas mais de 3 mil pessoas, entre quase 40 mil vítimas de torturas e prisões arbitrárias. Para termos uma noção da escala da violência, o número de mortes foi mais de seis vezes superior ao ocorrido no Brasil durante nossos governos militares. Considerando que a população do Brasil é aproximadamente doze vezes maior que a do Chile, uma simples conta de padeiro nos diz que a ditadura chilena foi 72 vezes mais violenta do que a nossa.
Andando de metrô em Santiago, no Chile
Pudemos sentir isso um pouco mais de perto hoje, quando fomos visitar um museu em Santiago dedicado à Memória e aos Direitos Humanos. É simplesmente chocante acompanhar o que acontecia naqueles anos de chumbo. A primeira vez que visitei o país foi apenas dois anos após o general deixar o poder político (ainda controlava o exército) e lembro-me muito bem da tensão no ar. Enfim, ainda é um episódio muito recente.
Andando de metrô em Santiago, no Chile
De qualquer maneira, também é preciso reconhecer que o governo militar teve alguns logros, principalmente econômicos. A economia chilena dos anos 80 era infinitamente superior ao caos que vivia o país nos anos que precederam o golpe, quando o governo estatizou diversos setores da economia. A reação de setores mais conservadores à época praticamente pararam o país, com greves por todo o lado, inflação e quase um caos social. Nos anos seguintes ao golpe, sem permitir a ação da oposição ou de greves, Pinochet implementou reformas liberais sobre a batuta de economistas da escola de Chicago e o resultado foi transformar o Chile num modelo de economia na América Latina. Críticos dizem que o país enriqueceu, mas a riqueza não estava distribuída, aumentando muito a distância entre as classes sociais.
Enfim, não vou entrar nessa discussão, mas o fato é que o tal plebiscito retratado no filme foi bem acirrado, a opção pelo “não” vencendo com quase 55% dos votos. Foi uma disputa entre aqueles que defendiam as conquistas econômicas e a ordem social contra os que pediam um futuro de liberdades e pluralidade. Felizmente, a campanha pelo “Sim”, que tentou difundir o medo de uma “volta dos terroristas” foi derrotada. Para surpresa de muitos, a ditadura reconheceu sua derrota e tirou seu time de campo. Por muito tempo, a justiça chilena não ousou chegar perto de Pinochet, que acabou preso e humilhado na Inglaterra, a pedido de um juiz espanhol. De nada adiantou a ajuda de sua amiga e aliada Margaret Thatcher. Muita confusão jurídica depois, o velhinho foi definhando até morrer.
Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile
Mas nossa volta a Santiago não tratou apenas desse período conturbado da história chilena. Não. Também fomos passear numa parte mais chique da cidade, no bairro de Povidencia. A Fiona continuou guardada e segura no quintal da Maria Ester enquanto a gente se locomoveu de metrô mesmo. O último havia sido nos Estados Unidos!
Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile
Fomos a um centro comercial e fizemos compras para repor o que nos foi roubado na praia de Totoralillo. Basicamente, equipamento de camping e uma máquina fotográfica mais compacta. Lá se foram 1.200 dólares enquanto que os desgraçados que nos roubaram, duvido que tenha vendido tudo por mais de 120 dólares. Enfim, estamos loucos para começar a acampar novamente para testar o novo equipamento. A câmera nova, uma Canon, essa já está em uso nesse post mesmo!
Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile
Depois das compras, um delicioso almoço tardio num restaurante do bairro. Comemos na calçada mesmo, acompanhando o movimento da burguesia ao nosso redor. Um bom vinho chileno para comemorar nossa volta ao continente e a inesquecível temporada na Ilha de Páscoa. E um brinde especial ao publicitário retratado no filme que ajudou a vitória do No!
Festa de aniversário na casa da Marias Ester, em Santiago, no Chile
Essa não foi a única celebração do dia. Quando chegamos de volta à casa da Maria Ester, havia uma festa de aniversário de um neto seu. Como o meu próprio aniversário havia sido pouco dias atrás, também disseram que a festa era minha, com direito a bolo e tudo! Para me sentir mais em casa ainda! Foi joia! Nossa última noite chilena nessa etapa, já que amanhã voltamos à Argentina, rumo a Buenos Aires e aos mares gelados do sul. Para o Chile regressaremos, mas vai ser lá no extremo sul do país. Nossas aventuras por aqui não terminaram!
Com a Maria Ester em sua casa em Santiago, no Chile
Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG. Não é aconselhável nadar...
Outro dia daqueles, que servem para a gente esquecer os dias "inesquecíveis" anteriores... O principal programa de hoje foi o rio e Poço Esmeralda. Até agora, foi a cachoeira mais bonita da viagem, com certeza!
Admirando achoeira lateral à Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG
O tempo não amanheceu legal hoje. Meio nublado com um vento gelado. Difícil até imaginar um banho de cachoeira nessas águas geladas. Depois do café, ainda cheio de casacos, fomos à Cachoeira da Fumaça, distante uns 5 km da cidade, na direção de Luminárias. A cachoeira é muito bonita mas o banho por lá não é recomendável, infelizmente. E não é por causa do frio não; é que parte do esgoto de Carrancas é jogado neste rio. Que absurdo! Parece que num futuro próximo isso deve mudar. Ano de eleição... quem sabe?
Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Depois, seguimos adiante na mesma estrada. O sol começava a se firmar e a gente a tirar os casacos. Outros 5 km e chegamos ao Complexo Vargem Grande, onde está o Poço Esmeralda. É um rio pouco caudaloso que corre quase sempre sobre uma laje. Suas águas são transparentes com um tom esverdeado. Forma várias piscinas e nos poços mais fundos a água fica ainda mais verde. Daí o nome de Poço Esmeralda, que é a maior das piscinas. É de uma beleza de cair o queixo.
Trecho do rio logo acima do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
A trilha é muito bem marcada até um pouco acima desse poço, num lugar que eu e a Ana batizamos de Laje do Amor. Depois, seguimos pelo próprio leito de pedra. Este rio é tão perfeito que até a quantidade de água que corre por ele é ideal para que consigamos seguir rio acima sem precisar tirar o tênis. A cada curva do rio, um novo visual, novas piscinas e banheiras, trechos de bosques e formações rochosas. Ao mesmo tempo que não dá vontade de parar de subir e explorar, conhecer novos recantos, também queremos parar em cada lugar e passar horas por ali, se esquentando ao sol, se refrescando nas banheiras e admirando a paisagem. Sentimentos bem conflitantes, né?
Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
A gente foi meio que se dividindo entre eles, indo e parando, seguindo e voltando, fotografando e filmando. Mais uma vez, erámos apenas os dois neste paraíso. Disseram que, nos feriadões, chega a dar mais de mil pessoas ali. Mais de mil! Para nós, que conhecemos completamente vazio, é muito difícil imaginar. Depois de ver assim, deve ser desolador estar aqui na época do movimento. Nosso conselho é: venha durante a semana! Vai valer a pena!
Filmando o Poço Esmeralda em Carrancas - MG
O ponto alto desse dia incrível é, sem dúvida, o poço Esmeralda. Aparentemente nosso corpo já está um pouco mais acostumado às águas geladas. Ou então, é o deslumbramento com o lugar que nos faz esquecer do frio. Uma piscina de águas verde-esmeralda, com uns vinte metros por dez, quase cinco metros de profundidade na parte mais funda. Pena que fica quase sempre à sombra. Mas é muito, muto bonito.
Enfrentando as águas geladas e maravilhosas do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Viva Carrancas!
Flora na região do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Seria o famoso Anúbis Negro?
Admirando a paisagem da região do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Ontem de noite, quando chegamos à pacata São josé do Barreiro, tivemos que rodar bastante pela pequena cidade até achar alguma pousada que parecesse estar funcionando. Encontramos a simpática Pousada do Régis e fomos logo desmaiar, tentando nos recuperar da correria dos últimos dias e nos antecipar da correria dos dias vindouros.
Placa indicativa do Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Hoje cedo, já saímos de mala e cuia para o Parque Nacional da Serra da Bocaina. De lá, seguiríamos diretamente para o litoral fluminense, via Bananal. Para se chegar ao parque, são 25 quilômetros de estrada de terra, em "pécimo" estado, como dizia o cartaz que vimos. Nem está tão ruim assim, comparado com outras estradas que vimos por aí. Para a Fiona, mamão com açúcar. Para variar, cruzamos vários valentes fuscas pela estrada. A estrada vai serpenteando morro acima, de maneira quase sempre suave. A vista é linda, lá do alto. Olhando para baixo, parece um mar de ar (estranho, né? Mas é o que parece...) e o vale do Paraíba lá embaixo, no fundo, com o rio serpenteando para lá e para cá. Já quase no parque, há várias pousadas, mais chiquetosas. Várias tem até um serviço de busca de hóspedes lá em São José do Barreiro.
A parte de cima da Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
No parque, muitas informações sobre a Trilha do Ouro, que desce a serra em direção à Mabucaba e Parati. Quase toda a descida ainda tem o calçamento de dois séculos, feito por mão de obra escrava. Como já escrevi em outro post semana passada, quando estive na parte de baixo do parque, eu já fiz essa trilha e recomendo. Não estava sabendo o quanto ela está popular nesses dias de hoje. Só no feriado foram mais de cem pessoas descendo a trilha, quase sempre em grandes grupos, mas também há os aventureiros solitários.
Nadando na Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Eu e a Ana, por uma questão de logística e de tempo, só fomos até a Cachoeira Santo Isidro, bem próxima da portaria. Parece uma pintura, de tão bonita. E parece uma geladeira, de tão fria. Das cachoeiras do parque, é a mais atrativa de se nadar, pelo seu grande poço. Foi o que eu e a Ana fizemos, ignorando mais uma vez o frio da água.
Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Depois, descemos a serra e o "mar de ar" novamente, parando para um rápido lanche em São José. Na sequência, seguimos de carro até Bananal e Getulândia, já no estado do Rio. Esta é a estrada dos tropeiros, a antiga ligação entre Rio e São Paulo, antes da construção da Dutra. A estrada passa por várias fazendas, algumas ainda com suas belas casas centenárias, reminiscências de uma época de ouro da região, quando a cultura do café floresceu por aqui fazendo fortunas. O cultura do café acabou por exaurir a terra e se mudou para novas áreas, como o interior paulista, no final do séc XIX e início do XX. Deixou para trás essas magníficas e decadentes fazendas. Muitas delas, nesses últimos tempos, se reencontraram no turismo e fazem a festa de quem quer um gosto de vida na fazenda com muito estilo e história.
Região da Serra da Bocaina próximo à São José do Barreiro - SP
Nós viemos até Parati, no mesmo hotel em que estivemos antes. Amanhã, vamos para o Pouso da Cajaíba, sem esquecer do fiorde brasileiro, o Saco do Mamanguá! Beleza, vamos encontrar muitas. Acesso à internet, isso já não sei...
Fazendo um lanchinho em São José do Barreiro - SP
Formações rochosas no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
A quase 2.500 metros de altitude, a noite foi gelada. Não no nosso quarto, claro. Esses hotéis americanos são sempre muito eficientes e não se pode reclamar do aquecimento ou da água do chuveiro. Mas lá no estacionamento, onde estava nossa querida Fiona, a temperatura foi de quinze graus negativos. Já no meio da manhã, quando lá chegamos, era de oito graus negativos.
A paisagem gelada do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Início de caminhada nas trilhas cobertas de neve do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Aqui nos estados Unidos, principalmente nas regiões mais frias, todos os carros tem um “Block Heater”, um aquecedor elétrico ligado à uma tomada que esquenta o motor e tubos por onde passam combustível e fluidos. De manhã cedinho, é só ligar a tomada e, alguns minutos mais tarde, dar partida no motor. A Fiona, que vem lá dos trópicos, claro que não tem essa geringonça. Hoje, então, depois de uma noite tão gelada, ela passou pelo seu grande teste.
Início de caminhada nas trilhas cobertas de neve do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Pessoas usam snow shoes para caminhar no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Ela até tentou pegar na primeira tentativa. Deu uma engasgada e desligou. Depois, por vários minutos e diversas tentativas, o motor de partida rodava em falso, nem sinal de combustível dentro dela. Para piorar, céu nublado, nem sinal que apareceria um sol para esquentar um pouco. Os oito graus negativos tinham vindo para ficar. Foi nesse momento que apareceu um mecânico num guincho por ali, chamado por algum outro hóspede com dificuldades. Resolvi não perder a chance e fui falar com ele.
Canaleta que dá acesso à parte baixa do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Obviamente, ele nunca tinha visto um carro como a Fiona. Perguntou do block heater (não temos!), depois da gasolina (é diesel!) e, por fim, da bateria (está ótima!). Disse que a solução seria guinchá-la até sua garagem, onde estava mais quente. Já estava quase me conformando, mas a Ana não. Aí, com seu jeitinho feminino, ela voltou à Fiona e contou a ela que ela seria guinchada. Mulheres se entendem, ela mexeu com os brios da Fiona e, ao rodar a chave uma vez, de primeira, nosso querido carro acordou da hibernação! “Eu... guinchada? Nem a pau, Juvenal!”
Muita neve e o solo avermelhado dp Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Oba! Superado o problema, pudemos voltar para o parque. Fomos direto ao centro de visitantes e, enquanto a Ana ficava no carro ligado, para esquentar ainda mais o motor, eu desci para pegar mapas e indicações. As trilhas para seguir à parte baixa do canyon estavam completamente tomadas pela neve, mas estavam abertas. Sapatos para andar na neve ou mesmo esquis eram recomendados, mas não mandatórios. Enfim, poderíamos nos aventurar!
Caminhando entre as torres de rocha na parte baixa do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Paisagem de inverno no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Como todas as grandes e belas formações geológicas nos estados unidos e em qualquer outro lugar do mundo, o que hoje conhecemos como Bryce canyon levou milhões de anos para ser formado. Processos que escapam completamente à compreensão de um ser humano, que vive apenas algumas dezenas de anos, meros “segundos” geológicos. Por diversas vezes no período cretáceo, essa área que hoje está a mais de 2 mil metros de altitude, foi coberta pelo mar, que avançava e retrocedia conforme o clima e movimento de placas tectônicas. A cada era em que o mar avançava, sedimentos eram trazidos e depositados onde é hoje o estado de Utah, cada um com características distintas. Quando finalmente toda a área foi levantada a sua altitude atual, foi a vez de rios e lagos formarem novas camadas de sedimentos. Junto a isso, a água corrente também erodia o terreno, dissolvendo o solo mais mole, enquanto os de formação mais firme resistiam por mais tempo. Muitas vezes, essa diferente velocidade de erosão de camadas geológicas distintas resulta em formações geológicas interessantes. Entre elas, os Hoodoos.
Formação rochosa no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
O Bryce Canyon é a terra dos Hoodoos. São enormes torres de pedra, muitas vezes com seus topos mais espessos que suas bases, cujo tipo de rocha resistiu menos às forças erosivas da água e do ar. No Brasil, um bom exemplo de formações do tipo Hoodoo pode ser encontrado em Vila Velha, no Paraná. Com suas formas estranhas ou familiares, é impossível não parar à frente delas e perguntar: “Mas como isso se formou? Parece até obra de algum gigante!”. O gigante, no caso, é a natureza e sua paciência milenar. Suas ferramentas: água, vento, gelo e neve. Sua matéria-prima: diferentes tipos de solo depositados ao longo de milhões de ano e que reagem de forma distinta, química e fisicamente, à ação dos elementos.
Admirando a paisagem gelada do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Caminhando no espetacular Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Nós chegamos aqui em pleno inverno, época em que boa parte do vale abaixo e das torres de pedra se cobrem de neve. A neve derrete e a água entra pelas rachaduras da rocha. Ao se congelarem lá dentro, se expandem, quebrando mais ainda a rocha. Ao derreterem, a água reage quimicamente com a rocha, dissolvendo-a. Enfim, na frente dos nossos olhos, mais alguns pedacinhos microscópicos de pedra se foram, dando novas formas à paisagem. A gente não consegue ver essas mudanças microscópicas, mas ao longo de milhares de anos, a soma delas se torna macroscópica e, portanto, bem visível. O resultado parcial está ali na nossa frente, essa maravilha natural conhecida como Bryce Canyon.
Formações rochosas no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
O sol aparece timidamente atrás das nuvens em dia gelado no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Desde que um dos pioneiros se mudou para cá, há cerca de 130 anos, pouca coisa mudou. Ele se chamava Bryce e seus vizinhos passaram a chamar o canyon, que ficava atrás de sua propriedade, de “Canyon do Bryce”. O nome pegou e poucas décadas mais tarde, era assim também que os turistas se referiam àquela paisagem maravilhosa. A região foi transformada em parque e hoje atrai 1,5 milhões de turistas por ano. Mas não são muitos que encaram enfrentar o frio do inverno, justamente uma das épocas mais bonitas do canyon.
Trilha com muita neve no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Eu e a Ana vestimos todos os nossos casacos, calças e meias e fomos encarar esse frio. Resolvemos fazer um loop de cerca de 3 milhas (5 quilômetros) considerado a mais bela 3-Mile Trekking do mundo. Não sei quem faz esses rankings, mas posso atestar que a trilha é realmente espetacular. A gente desce pelo Sunset Point, dá uma volta lá embaixo e sobe de volta pelo Sunrise Point.
A magnífica paisagem do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
A cada parque americano que visitamos, a gente pensa: “Pronto! Agora já vimos de tudo! Nada mais nos surpreenderá!”. Doce ilusão! Nada tinha nos preparado para o Bryce! Caminhar pelo meio dessas torres de pedra, uma espécie de floresta encantada e pertificada é realmente mágico. Ainda mais agora, com tanta neve, que abafa o barulho e nos envolve em silêncio.
A fantástica paisagem de inverno do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
No início da trilha, num longo ziguezague descendo a encosta coberta de neve, o movimento de turistas ainda era intenso. Vários deles calçados com seus “snow shoes”. Mas a maioria vai só até um ponto, onde começam as torres de pedra e as formações rochosas. Daí, retornam. Para os que se aventuram adiante, o prêmio é a possibilidade de se estar só em meio àquela paisagem de outro mundo. Caminhamos por quase uma hora sem encontrar mais ninguém, seguindo sempre pela trilha batida na neve.
A fantástica paisagem de inverno do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Quer dizer, não encontrávamos ninguém de carne e osso, mas de pedra, encontramos várias figuras. Não é a toa que os indígenas locais consideravam que aquelas pedras eram pessoas petrificadas. São como guardiões do caminho. No nosso passo rápido, a gente não os vê se movendo. Mas se tivéssemos a paciência de alguns milhares de anos, eles vão para lá e para cá. Só se movem numa escala de tempo diferente da nossa.
A magnífica paisagem do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Visita ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos
Bom, a nossa expedição é de 1000dias e não de 1000anos, então tivemos de continuar e deixar esses guardiões quase imóveis para trás. Terminamos nosso caminho por essa floresta encantada e subimos de volta à borda do canyon, chance para as últimas fotografias. Depois, atravessamos uma floresta mais convencional, de pinheiros mesmo, e reencontramos a Fiona. Depois do susto da manhã, agora ela já ligou de primeira. Estava pronta para nos levar ao próximo destino, não muito longe, mas em outro estado. Vamos voltar para o Arizona, para outro lugar igualmente especial: o Monument Valley, tornado tão famoso pelo cinema, pelo John Wayne, pelos anúncios de Marlboro e pelo simpático Papaléguas. Quanto à Utah, voltaremos em breve, depois de uma rápida passagem pelo Colorado. Ainda tem muito para ver por aqui.
Luz do sol filtrada pela mata do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos, em meio a muita neve
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