1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Estados Unidos Há 2 anos: Estados Unidos

Até Que Enfim, o Yucatán!

México, Mérida

Monumento Nacional, no final do Paseo Montejo, em Mérida, no sul do México

Monumento Nacional, no final do Paseo Montejo, em Mérida, no sul do México


Há muito tempo o nome “Yucatán” frequenta minha imaginação. Primeiro, foi quando comecei a me interessar pela história dos povos pré-colombianos. Incas e astecas, com seus exércitos poderosos, atraíram logo minha atenção, mas depois, foi o misterioso povo maia que mais me cativou. Viviam eles nas impenetráveis selvas da América Central, principalmente nesse lugar chamado “Yucatán”. Fixei o nome, mas não o lugar. Sabia que era ali na América Central, mas aonde?


Nosso caminho de Puebla à Mérida, dormindo em Acayucan

Bom, tão rápido como mudava meu corpo e mente no início da minha adolescência, mudavam também meus interesses. Da exploração espacial para o destino dos neandertais para a extinção dos dinossauros para a Biblioteca de Alexandria, tudo estava a um passo um do outro. Era a série Cosmos, de Carl Sagan, que fustigava e alimentava minha imaginação. Foi aí que tomei conhecimento, pela primeira vez, da teoria de que o choque um enorme meteoro com a Terra seria dado cabo dos tiranossauros e companhia. E que esse choque teria ocorrido na Península do Yucatán, há cerca de 65 milhões de anos. Resquícios do impacto e da cratera haviam sido encontrados por lá recentemente. Agora, com um mapa em mãos, nunca mais esqueceria a localização daquela península que unia maias e dinossauros.

Os grandes lagos de Atasta e Términos são a porta de entrada para a península do Yucatán, no México

Os grandes lagos de Atasta e Términos são a porta de entrada para a península do Yucatán, no México


Passam-se muitos anos e eis que, acompanhado da amada esposa, cruzamos a América Central de carro e adentramos o México pelo estado de Chiapas. A mística Yucatán estava ali, do ladinho, mais perto do que nunca. Mas teria de esperar mais um pouco. Nosso destino era o norte, a América do Norte nos chamando. Foi em Janeiro do ano passado. Um pouquinho mais de paciência. Pois bem, 12 meses se passaram, o mundo não acabou (nem a nossa viagem!) e nós estamos aqui de volta. Dessa vez, muito bem acompanhados da nossa madrinha e amiga Valéria, temos todo o tempo do mundo para o Yucatán.

Fachada de igreja em Mérida, no sul do México

Fachada de igreja em Mérida, no sul do México


Ontem tínhamos dormido em Acayucan, vindos de Puebla. Na nossa pressa para aqui chegar, deixamos para trás e para uma outra vez a cidade portuária de Vera Cruz, sede do mais animado carnaval do país. Justo em época de carnaval! Bom, não se pode ver tudo. Queríamos mesmo era chegar à Mérida, a cidade de maior importância histórica da região, sede do poder colonial espanhol. É o ponto inicial de nossas explorações nessa semana antes do retorno da Val para o Brasil. Depois, teremos mais tempo para, com calma, curtimos as praias, cenotes e ruínas dessa região fascinante.

Interior da catedral em Mérida, no sul do México

Interior da catedral em Mérida, no sul do México


Nós chegamos à Mérida de noite, mas ainda em tempo de apreciar suas ruas coloniais cheias de restaurantes, hotéis e turistas de todas as partes. A cidade está cheia e não foi fácil achar um lugar para ficarmos. Mas achamos, precisando de um descanso depois de tantas horas e quilômetros de estradas e ansiosos por uma noite de sono.

Altar decorado na catedral de Mérida, no sul do México

Altar decorado na catedral de Mérida, no sul do México


Hoje, então, foi a largada oficial de explorações. E começamos logo com chuva. Tempo ideal para uma boa sessão de museus, entre uma corrida e outra entre ruas e praças. Foi ótimo para começarmos a ter uma ideia da rica história da península, que começou com um impacto colossal, passou pela mais interessante das civilizações pré-colombianas e se transformou numa verdadeira febre do turismo mundial.

Visita ao belo Palácio Municipal, em Mérida, no sul do México

Visita ao belo Palácio Municipal, em Mérida, no sul do México


Visita ao belo Palácio Municipal, em Mérida, no sul do México

Visita ao belo Palácio Municipal, em Mérida, no sul do México


Depois de passar por igrejas e pela catedral, pelo pomposo teatro e pela movimentada universidade e por ruas e praças coloniais esvaziadas pela chuva fina, chegamos ao Palácio Municipal, todo decorado com enormes murais que retratam aspectos da história e do cotidiano da península, da época maia aos séculos de opressões e lutas sociais que se seguiram à conquista espanhola. Em um bem decorado salão, uma pincelada sobre os principais momentos históricos dos últimos 500 anos, o que me fez ver o quão pouco eu sabia além de generalidades muito vezes equivocadas. Para alguém que se julga “sabedor da história”, foi um delicado tapa na cara...

Pintura moderna mostrando a importância do milho para os povos do Yucatán (em Mérida, no sul do México)

Pintura moderna mostrando a importância do milho para os povos do Yucatán (em Mérida, no sul do México)


Sempre aprendi que, ao chegarem ao Novo Mundo, espanhóis encontraram apenas dois grandes povos e impérios: incas e astecas, conquistados por Pizarro e Cortes, respectivamente. Já os maias, não seriam nem sombra do passado, apenas bandos de selvagens vivendo em meio às ruínas de sua decadente civilização. Nada mais falso.

Quem se habilita a ler um texto no idioma maia? (em Mérida, no sul do México)

Quem se habilita a ler um texto no idioma maia? (em Mérida, no sul do México)


É certo que os grandes centros mais na Guatemala haviam sido abandonados muito antes, mas ao norte do Yucatán ainda fervilhava uma civilização, com suas cidades e palácios. Dividiam-se em cidades-estado o que, com suas rivalidades, facilitou a conquista espanhola. Mas, ao mesmo tempo, prolongou ao máximo a guerra de conquista, pois não bastava aos colonizadores conquistar uma “capital” ou um país. Tiveram que fazer guerra com cada uma delas, mesmo as mais isoladas e diminutas. Enquanto astecas e incas caíram em menos de uma geração, os mais resistiram por séculos.

Sala de exposições de história em prédio público em Mérida, no sul do México

Sala de exposições de história em prédio público em Mérida, no sul do México


O grande conquistador da península foi, na verdade, uma família, os Montejo. Pai, depois filho, depois sobrinho. Explorando ao máximo as divisões internas, aliando-se a povos antes oprimidos, derrubaram e conquistaram as antigas cidades dominantes, para depois traírem e escravizarem também seus aliados, Depois, pouco a pouco, foram estendendo seu domínio por toda a península, tribo após tribo. Mas o espírito indígena nunca foi batido, apesar dos séculos de repressão.

Passeando em dia de chuva pelo centro histórico de Mérida, no sul do México

Passeando em dia de chuva pelo centro histórico de Mérida, no sul do México


Tanto que, com a independência do México, o Yucatán declarou-se logo independente do poder central, um país governado pela elite local, descendentes mestiços dos antigos colonizadores. Sua capital era Mérida, a cidade fundada pela família Montejo. Mas em seguida, dentro desse novo país, foram os índios a reclamar sua independência. O Yucatán foi dividido em dois, uma república branca e outra índia. Incapaz de controlar a sublevação maia, a “parte branca” preferiu voltar ao controle mexicano para, juntos, controlarem toda a península. Essa guerra que durou um século, conhecida como Guerra de Castas, manteve a península dividida, os maias com seu país independente na parte sudeste da península, uma terra proibida para brancos e mestiços.

Em escultura nada sutil, um conquistador aparece pisando sobre os indígenas conquistados (em Mérida, no sul do México)

Em escultura nada sutil, um conquistador aparece pisando sobre os indígenas conquistados (em Mérida, no sul do México)


Foi só no início do século XX, depois de um acordo entre México e Inglaterra que impediu que os maias continuassem a comercializar armas e mantimentos com Belize que as forças de Porfírio Diaz retomaram o controle da região. Mesmo assim, ainda na década de 30, rebeldes lutavam no interior da península.

Interior da Casa de Montejo, a família que conquistou o Yucatán (em Mérida, no sul do do México)

Interior da Casa de Montejo, a família que conquistou o Yucatán (em Mérida, no sul do do México)


Depois dessa verdadeira aula de história, atravessamos a praça para visitar a casa dos conquistadores, a família Montejo. Do lado de fora, um alto relevo nada sutil mostra os antigos conquistadores pisando sobre a cabeça dos indígenas conquistados. Pois a cultura deles sobreviveu aos séculos, língua, vestimentas, culinária e o povo. É essa península que começamos a explorar hoje, cada vez mais curiosos em nos aprofundar em sua cultura, história e belezas naturais. Yucatán, chegamos!

Banco especial para namorados, no Paseo Montejo, em Mérida, no sul do México

Banco especial para namorados, no Paseo Montejo, em Mérida, no sul do México

México, Mérida, história, maias, Yucatán

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Entre Roraima e o Amazonas

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas


Mais um longo dia de viagem pela frente, mais de 600 km entre os estados de Roraima e Amazonas, deixando Boa Vista e chegando em Presidente Figueiredo, a cidade das cachoeiras. Esse foi o nosso programa de hoje.

Placa com indicações para Manaus e Venezuela, em Boa Vista - RR

Placa com indicações para Manaus e Venezuela, em Boa Vista - RR


Assim, logo depois de um bom café da manhã, deixamos Boa Vista para trás. Engraçado dirigir numa cidade onde há placas que apontam para outros países. No caso da capital de Roraima, para dois países: placas para a Guiana e placas para a Venezuela. Por falar em Roraima, aí no sul nós costumamos dizer o nome de forma errada. Dizemos Rorãima, como se houvesse um "~" sobre o "a", coisa que não há. O certo é dizer Ro-rai-ma com o "a" da sílaba central bem aberto mesmo.

Vegetação e paisagem típicas do sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM

Vegetação e paisagem típicas do sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM


A estrada entre os dois estados está sendo refeita e os primeiros 150 km estão um tapete. A partir daí, trechos com muitos buracos se alternam com trechos de terra. O ritmo cai e, para ajudar o tempo a passar, podemos admirar a bela paisagem do estado, com vastas planícies cheias de buritizais alagados e montanhas ao fundo. Uma vastidão! Quanta coisa para ser explorada. Há também muitas fazendas no caminho, principalmente de criação de bois.

Buritizal, muito comum no sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM

Buritizal, muito comum no sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM


Passamos pelo entroncamento com a Perimetral Norte, uma estrada planejada desde a década de 70 que ligaria o Amazonas ao Amapá, passando por Roraima e Pará. Uma estrada bordeando a fronteira norte do Brasil. Apenas algumas partes chegaram a sair do papel. Todos os mapas mostram que o trecho entre Roraima e o rio Trombetas, no Pará, existe. Para nós, seria uma mão na roda. Mas, por aqui, ninguém nunca ouviu falar dessa estrada. Na verdade, ela existe só até a fronteira com o Pará. Depois, não passa de um picadão. Nossa última esperança se esvaiu quando passamos nesse entroncamento e perguntamos num posto. Quem sabe na próxima geração? Bem, vendo pelo lado bom, a natureza e a floresta agradecem. Com certeza, a ausência de estradas ajudou bastante na conservação...

Um dos muitos grandes rios no o sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM

Um dos muitos grandes rios no o sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM


Passado o entroncamento, seguimos ainda com estrada precária até o monumento que marca a passagem da linha do Equador. Estávamos de volta ao hemisfério sul! O monumento é meio mixuruca, nada comparado com aquele no Amapá. Mas é sempre legal cruzar o Equador. Linha imaginária, sentimento meio psicológico, eu sei. Mas é legal mesmo assim, hehehe. A próxima vez vai ser mais legal ainda, pois será no país que tem esse mesmo nome: Equador! Acho que lá para Setembro...

Marco da linha do Equador, durante viagem entre Boa Vista, em Roraima e Presidente Figueiredo - AM

Marco da linha do Equador, durante viagem entre Boa Vista, em Roraima e Presidente Figueiredo - AM


Depois das fotos no meio do mundo, seguimos até a entrada da reserva indígena dos índios Waimiri Atroari, onde a estrada fica boa novamente. É uma grande reserva que começa em Roraima e vai até o Amazonas. São 130 km de asfalto para cruzá-la por inteiro. Na década de 70, quando a estrada foi construída, os índios não quiseram que ela atravessasse suas terras. O resultado foi trágico! Guerra contra o exército brasileiro. Num episódio muito pouco conhecido da nossa história, cerca de duzentos soldados foram mortos por flechas envenenadas. Obviamente que o número de índios mortos foi bem maior e a tribo quase foi extinta. Tudo por uma bendita estrada... Ao fim da guerra, muita negociação e a estrada foi construída. Mas ela só funciona durante o dia. Ninguém deve parar no meio da reserva e fotos e filmagens são fortemente desaconselhadas. Nossa... fico imaginando que os operários dessa obra devem ter pedido um bom adicional de periculosidade, não?

Entrada da reserva indígena entre Roraima e Amazonas

Entrada da reserva indígena entre Roraima e Amazonas


O sol estava se pondo enquanto atravessávamos a reserva. Logo depois de uma chuva, havia dois arco-íris incríveis do nosso lado esquerdo enquanto do lado direito, as cores do fim de tarde sobre os terrenos alagados e buritizais foram de uma beleza inesquecível. Talvez, o mais belo entardecer da nossa viagem até agora. Absolutamente fantástico!

Lindo arco-íris no finzinho da tarde, na estrada entre Roraima e Amazonas

Lindo arco-íris no finzinho da tarde, na estrada entre Roraima e Amazonas


Chegamos no escuro numa Presidente Figueiredo bem movimentada com o feriado de páscoa. Não foi fácil achar uma pousada mas, ao fim, conseguimos. E amanhã nos mudaremos para a Pousada das Pedras, que era onde queríamos ficar, do figuraça do Pimenta, conhecido de todos os viajantes descolados que passam por aqui. Logo o feriado acaba e teremos a tranquilidade de conhecer essa terra abençoada com tantas cachoeiras e cavernas.

Uma das barreiras sanitárias entre Roraima e o Amazonas

Uma das barreiras sanitárias entre Roraima e o Amazonas

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo,

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Svartifoss e o Parque Skaftafell

Islândia, Skaftafell

A bela e pitoresca cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia

A bela e pitoresca cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia


Acordamos hoje na maior atração turística do sul da Islândia, o Parque Nacional de Skaftafell. Criado para ajudar a proteger a natureza exuberante da região, com montanhas nevadas, cachoeiras pitorescas e um lago repleto de icebergs, o grande tesouro do parque é, sem dúvida, a Vatnajoekull, simplesmente a maior geleira da Europa. Era exatamente aí que queríamos ir, mas há mais coisas para se ver neste parque.

Turistas caminham na trilha que leva à cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia

Turistas caminham na trilha que leva à cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia


A primeira visão da bela cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia

A primeira visão da bela cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia


Nossa ideia era fazer uma caminhada sobre a geleira, o que deve ser feito com um guia. Logo cedo fomos à portaria do parque para agendar um grupo e só conseguimos marcar nosso horário para o meio da manhã. Assim, ganhamos um tempo para percorrer uma outra trilha, dessa vez em terreno seco mesmo, rumo a outra das atrações populares de Skaftafell: a pitoresca cachoeira de Svatifoss.

A bela e pitoresca cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia

A bela e pitoresca cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia


A trilha para se chegar até ela não é longa e dura uns 30 minutos. Até por isso, é uma das mais concorridas entre os turistas que visitam a região. Svatifoss não se destaca pela altura da queda d’água e nem pelo volume, principalmente se comparada com as cachoeiras que temos visto neste país, mas pela beleza geológica de seu visual. Tubos hexagonais de rocha negra compõe o cenário, resultado de sua formação vulcânica onde a lava quente se esfriou rapidamente em contato com o ar gelado da Islândia. Soma-se a isso a erosão gradual causada pela água e pela diferença de temperatura entre dias e noites, entre verões e invernos, e temos esse resultado inusitado e pitoresco, uma verdadeira catedral natural. Aliás, falando em “catedral”, a principal igreja da capital Reikjavik tem sua arquitetura baseada exatamente nessa bela cachoeira aqui do sul do país!

A estranha formação rochosa na cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia

A estranha formação rochosa na cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia


Seu único defeito, assim como de todas as outras cachoeiras islandesas, é a impossibilidade de tomar banho ou dar um mergulho. Primeiro, pela temperatura da água, claro! E segundo porque a base da cachoeira é formada por pedras pontudas, escorregadias e cortantes (que coquetel!), o que dificulta muito nossa chegada embaixo d’água. Essas pedras são o que sobrou de antigos tubos hexagonais que caíram lá de cima em decorrência da erosão. Enfim, nada de banho e muitas fotos! Depois, acelerado de volta à entrada do parque onde tínhamos outro programa pela frente: cinco horas de “glacier walking”!

A bela e pitoresca cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia

A bela e pitoresca cachoeira de Svartifoss, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia

Islândia, Skaftafell, cachoeira, Parque, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

O Incrível Museu del Oro

Colômbia, Bogotá

Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia

Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia


Conforme tínhamos combinado no dia anterior, o Angelo e a Joana foram de manhã no apartamento do Douglas e da Clara para nos apanhar para um passeio pela cidade. Realmente, esses nossos amigos colombianos estão nos acostumando muito mal! O Angelo, dono de uma empresa de transporte, gosta muito de carros e ficou muito interessado na nossa viagem de carro até o Alaska. Sonha em fazer algo parecido, em menor escala.

O famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia

O famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia


Seguimos diretamente para uma das maiores atrações da capital colombiana, o Musel del Oro. Como o próprio nome diz, a atração principal do museu são as peças de ouro pré-colombianas encontradas no que é hoje a Colômbia. São 55 mil peças, 6 mil delas em exibição, que fazem desse museu o maior do mundo em peças do metal dourado. Caminhar por suas galerias repletas de peças de ouro é, no mínimo, impressionante. Não só pela qualidade das peças e técnica que os artífices daquela época desenvolveram, mas pela quantidade de ouro que ali existe. Ficamos imaginando que aquilo é só a ponta do iceberg, pois sabemos que os espanhóis "passaram a mão" em quase tudo o que encontraram, matando e escravizando quem encontravam em seu caminho. Ou seja, a maior parte do ouro daquela época foi derretido e enviado para a Europa, ou então remodelado para adornar as igrejas coloniais.

Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia

Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia


O museu mostra também como eram as técnicas de trabalho nos metais preciosos, além de nos ensinar sobre a vida, costumes e crenças dos habitantes dessas outras épocas. É uma viagem a um mundo distante que se liga diretamente a nós através das peças expostas. Muito legal mesmo! Nossa... qual será o valor patrimonial desse museu? Uma coisa que o diferencia de muitos outros é que fotografias e filmagens são permitidas lá dentro. Assim, vai dar para mostrar um pouco do que vimos.

Subindo o Cerro Monserrate em Bogotá, na Colômbia

Subindo o Cerro Monserrate em Bogotá, na Colômbia


Com o Angelo e a Joana no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia

Com o Angelo e a Joana no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia


De lá seguimos para o teleférico que nos leva ao alto do Cerro de Monserrate. Além da bela e ampla vista que temos de Bogotá, ainda podemos visitar o santuário que há lá encima e visitar a feira de produtos colombianos. Entre eles, uma vasta gama de produtos feitos com a folha de Coca. Até vinho de coca tém! Como na Bolívia e Peru, esses produtos são liberados por aqui. Só não se pode levá-los para países vizinhos, como o Brasil, Equador ou Argentina. Pelo menos, oficialmente não.

Visitando o Santuário de Monserrate em dia nublado, em Bogotá, na Colômbia

Visitando o Santuário de Monserrate em dia nublado, em Bogotá, na Colômbia


Aproveitamos também para almoçar num dos belos restaurantes que existem por lá. Nada como um bom vinho (de uva!) com aquela vista magnífica!

Produtos da folha de coca vendidos em Monserrate, em Bogotá, na Colômbia

Produtos da folha de coca vendidos em Monserrate, em Bogotá, na Colômbia


Na volta, passamos por duas regiões muito legais de Bogotá. Uma é a Mariscal, cheia de bares e lojinhas. Um dos bares, o "Alô Brasil", é da pátria amada! Segundo o dono, o único da capital que é mesmo de um brasileiro. Os outros dois ou três que existem são restaurantes e pertencem a colombianos mesmo. Até um copinho de cachaça tomamos, para celebrar o encontro.

Com o Angelo e a Joana em restaurante no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia

Com o Angelo e a Joana em restaurante no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia


A outra região é a Zona T (de Turismo). Região chique, cheia de lojas de marca, gente bacana, carros vistosos e bares iluminados. Cara de primeiro mundo. Num desses bares encontramos a Viviana e o Andrés, bateirista do The Hall effect. Como sempre, muito amáveis conosco! A gente nem sabe como retribuir tanta amabilidade assim! Pelo menos, já tá todo mundo convidado para ir ao Brasil!

Bar brasileiro no bairro Mariscal, em Bogotá, na Colômbia

Bar brasileiro no bairro Mariscal, em Bogotá, na Colômbia


De volta para a casa do Douglas e Clara, que já estamos considerando como nossa, foi a vez da Ana fazer um jantar, a sua famosa pasta com molho gorgonzola. Uma delícia, fez muito sucesso. Exceto pelo cheiro forte do queijo, que a Amelie não gosta. Mas da comida ela gosta, hehehe!

Passeando em Bogotá no carro do Angelo (Colômbia)

Passeando em Bogotá no carro do Angelo (Colômbia)


A requintada Zona T, em Bogotá, na Colômbia

A requintada Zona T, em Bogotá, na Colômbia


Amanhã é nosso último dia inteiro por aqui. Compramos nossas passagens para o Caribe, nossa terceira ida para essas ilhas fantásticas. A Fiona vai ficar por aqui, na garagem do Douglas, enquanto nós vamos conhecer Aruba, Bonaire e Curaçao, ou simplesmente "ABC". Vamos seguir o alfabeto mesmo, começando por Aruba no dia 21. No dia 30, retornamos para Bogotá vindos de Curaçao. Então, Caribe, aí vamos nós!

Reencontro com o Andres e a Viviana em bar em Bogotá, na Colômbia

Reencontro com o Andres e a Viviana em bar em Bogotá, na Colômbia

Colômbia, Bogotá, Monserrate, Museu del Oro

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Alta Gracia, Jesuítas e o Chê

Argentina, Alta Gracia

Trecho de carta de Guevara em sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina

Trecho de carta de Guevara em sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina


Menos de uma hora ao sul da cidade de Córdoba, em uma das muitas regiões serranas da província de Córdoba, está a pequena Alta Gracia, Patrimônio Cultural da Humanidade. Mais uma para aquela “lista” de que falei alguns posts atrás (veja aqui), outra atração hermana tão pouco conhecida de nós, brasileiros. Com certeza, com um título desses, valia um pequeno desvio na nossa rota rumo à Buenos Aires!

Tajamar, a represa construída pelos jesuítas em Alta Gracia, na Argentina

Tajamar, a represa construída pelos jesuítas em Alta Gracia, na Argentina


Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


São duas as grandes atrações na pacata cidade: primeiro, justamente a que fez Alta Gracia atrair a atenção da UNESCO, é o seu valor histórico e arquitetônico. Aí ficava, e na verdade é esta a sua origem, uma das mais belas Estâncias Jesuíticas criadas para abastecer de alimentos a cidade de Córdoba, onde ficava a principal sede dessa Ordem na América do Sul.

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


A segunda atração é mais recente. Para cá se mudaram os pais do pequeno Ernesto Guevara, na sua infância, para ajudar na saúde problemática do filho que era asmático. O ar serrano faria bem aos seus pulmões, foi a recomendação médica. O pequeno Ernesto passou aqui sua infância e parte da adolescência, antes de começar suas lendárias viagens pelo país e continente até se transformar no mais famoso, amado e sanguinário revolucionário do séc. XX. A casa onde morou a família Guevara foi transformada em museu e atrai visitas de admiradores de todo o mundo.

A casa onde viveu na infância Ernesto Che Guevara, em Alta Gracia, na Argentina

A casa onde viveu na infância Ernesto Che Guevara, em Alta Gracia, na Argentina


Quarto de pequeno Guevara, em Alta Gracia, na Argentina

Quarto de pequeno Guevara, em Alta Gracia, na Argentina


Nós chegamos à cidade pouco depois do meio dia, justamente quando fechava o horário de visitas da Estância Jesuítica. Só pudemos conhecer os prédios do lado de fora, a Torre do Relógio e a represa construída para fornecer água às plantações e aos moinhos para fazer a farinha. Ela é conhecida pelo nome de Tajamar e é uma delícia caminhar pela sua orla, sempre na sombra das árvores.

Um jovem Che Guevara viajando de bicicleta pela Argentina, em museu em Alta Gracia, na Argentina

Um jovem Che Guevara viajando de bicicleta pela Argentina, em museu em Alta Gracia, na Argentina


Quanto à própria Estância, a igreja e o museu, só iriam reabrir depois das duas da tarde e aproveitamos esse tempo para ir conhecer a casa onde viveu Chê. A cidade é bem tranquila, lembra muito as cidades serranas brasileiras, ar puro e pouco movimento nas ruas. Em cinco minutos, a Fiona nos levou até a simpática casa, um garoto de bronze sentado na mureta, assim como costumava ficar o pequeno Ernesto.

Guevara atravessando rio amazônico de balsa com seu companheiro, foto em museu de Alta Gracia, na Argentina

Guevara atravessando rio amazônico de balsa com seu companheiro, foto em museu de Alta Gracia, na Argentina


A casa é pequena, uns poucos cômodos e o quintal ainda caracterizados como na época em que a família lá vivia. As paredes repletas de fotografias antigas, mapas das viagens de Chê e trechos de seus discursos mais famosos. Além disso, uma motocicleta do mesmo modelo daquela em que ele iniciou seu primeiro giro pela América do Sul, na companhia de um grande amigo. História retratada no belo filme “Diários de Motocicleta”.



Já houve tempo em que eu fui mais fã de Che Guevara. Mas a idade e o melhor conhecimento de tudo o que ele fez acabaram com aquela imagem pueril que eu tinha do revolucionário idealista que lutava pelo bem dos pobres e oprimidos. Enfim, conheci também o lado sanguinário irracionalmente racional desse incansável lutador. Hoje, entre a sua soma de defeitos e soma de qualidades, acabo pendendo para o primeiro, mas isso não impede que eu continue admirando muito do que fez e, principalmente, a força de suas convicções.

Mapa mostrando as viagens de Che Guevara pela América Latina, em museu de Alta Gracia, na Argentina

Mapa mostrando as viagens de Che Guevara pela América Latina, em museu de Alta Gracia, na Argentina


Exemplar da mesma motocicleta que Che Guevara iniciou sua mítica viagem pela América Latina, em Alta Gracia, na Argentina

Exemplar da mesma motocicleta que Che Guevara iniciou sua mítica viagem pela América Latina, em Alta Gracia, na Argentina


Como não poderia deixar de ser, principalmente em meio a essa nossa jornada pelas Américas, impossível eu não me curvar a este lado “viajante” de Chê Guevara. Eu já sabia muito sobre aquela viagem de moto que inspirou o filme, mas aqui no museu pudemos ler sobre as outras que fez. Ele começou cedo, viajando de bicicleta por seu próprio país. Viagens longas, próprias de um sonhador e aventureiro. Ver uma foto sua, quando ainda se parecia um de nós, é emocionante.

Trecho da última carta  de Che Guevara a seus filhos, em museu de Alta Gracia, na Argentina

Trecho da última carta de Che Guevara a seus filhos, em museu de Alta Gracia, na Argentina


Mais tarde, rodou a América Latina três vezes. Foi a Machu Picchu na década de 50! Tentou subir o Monte Orizaba, montanha mais alta do México, exatamente como eu fiz. Que interessante deve ter sido ver a América da década de 50, suas estradas, sua cultura, seus problemas. É uma história que eu já conhecia, por alto, mas ver as fotos e estar aqui no mesmo lugar que ele viveu, nos faz chegar muito mais perto daquela realidade.

Visita de Fidel e Chavez ao museu de Che Guevara em Alta Gracia, na Argentina

Visita de Fidel e Chavez ao museu de Che Guevara em Alta Gracia, na Argentina


A Ana e o Ernestito, o pequeno Guevara na sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina

A Ana e o Ernestito, o pequeno Guevara na sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina


Quem também esteve por aqui foi seu companheiro Fidel Castro, acompanhado de um ainda saudável e sorridente Chavez. Interessante ver a foto do Fidel e vários dos amigos de infância do Chê, todo mundo tentando falar e ninguém ouvido ninguém, tudo aqui na mesma varanda onde tiramos a foto da Ana e do garoto Ernesto olhando a vida passar na rua em frente.

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


Enfim, deixo aqui minhas mais sinceras homenagens a este Chê viajante e aventureiro, numa época quando viajar era muito mais romântico do que hoje, em que se pode chegar de estrada asfaltada a quase todos os cantinhos do nosso continente. Quanto ao Chê revolucionário, como já disse, admiro a convicção, mas compadeço-me das centenas de vítimas e mesmo de seus filhos, que trocaram o pai por uma bela carta, sinceros conselhos e boas intenções. Mas, como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio...

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


Quarto dos antigos missionários que viviam na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Quarto dos antigos missionários que viviam na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Chega de Chê, que depois de 50 anos, ainda disputa a liderança na venda de camisetas com outro ícone pop, Bob Marley, e voltemos aos jesuítas. Foram eles que colonizaram essa terra, domesticaram suas águas e a transformaram num celeiro para Córdoba e para o país. Agora sim, a igreja e o museu estavam abertos e para lá fomos eu e a Ana, ávidos por uma arquitetura colonial.

Visão da torre do relógio e do Tajamar, de dentro da Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visão da torre do relógio e do Tajamar, de dentro da Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Passeamos um bom tempo pelas arcadas e jardins das construções do séc. XVII, deliciamo-nos com suas pinturas, afrescos e livros ali expostos e nos imaginamos vivendo naquele tempo e naquela realidade. Não custa muito tempo para concordar com a UNESCO na sua intenção de preservar tudo aquilo!

As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Um dos belos afrescos na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Um dos belos afrescos na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Por fim, era a hora de algo mais mundano mesmo: cuidarmos do estômago! Um lanche rápido seguido de espetacular “postre” (sobremesa!) e estávamos “listos” (prontos!) para seguir em frente, rumo à Villa Nueva, onde um grande amigo que ainda não conhecemos pessoalmente (viva a Internet!!!)nos espera de braços abertos!

Sobremesa irresistível em Alta Gracia, na Argentina

Sobremesa irresistível em Alta Gracia, na Argentina

Argentina, Alta Gracia, Arquitetura, história

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

No Parque: Flores, Cachoeiras e Muitos Carrapatos

Brasil, Minas Gerais, Inhaí (P.N. Sempre-Vivas)

Café da manhã reforçado com muito pão de queijo e seguimos cedinho para uma caminhada no Parque Nacional das Sempre-Vivas. O nome é uma homenagem às flores que abundam na parte alta do parque, nos campos de altitude.

Café da manhã na pousada em Inhaí - MG

Café da manhã na pousada em Inhaí - MG


Para mim, é como se eu estivesse completando as minhas aulas de geografia da 3a série primária, há mais de 30 anos. Se não me engano, é por aí que a gente estuda a história e a geografia da nossa cidade e estado. Lembro-me de estudar que Minas Gerais tinha três serras principais: Mantiqueira, Canastra e a Serra do Espinhaço. Nesta viagem, estivemos por um tempo na Mantiqueira, no sul de Minas e depois na Canastra (região de Delfinópolis). Agora, chegou a vez da Serra do Espinhaço, bem onde nós estamos. Aulas de geografia na prática! Demorou, mas antes tarde do que nunca!

Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG

Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG


Como eu já disse no post anterior, este parque, apesar de criado há 8 anos, nos últimos dias do governo FHC, ainda está muito pouco estruturado. As terras desapropriadas ainda não foram pagas e muitos dos "antigos" proprietários, sem ver a cor do dinheiro, continuam em suas terras. Pelo menos nesta parte do parque, não há portarias nem cercas nem bases. As trilhas que passamos são bem pouco usadas e tomadas pelo mato. Isso faz a presença de um guia ainda mais importante!

Caminhando com o Tinho, nosso guia no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG

Caminhando com o Tinho, nosso guia no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG


O Tinho nos levou vale acima, através daquilo que há vinte anos já foi uma estrada e hoje está tomada pelo mato. Passamos por belas cachoeiras, visitadas por raros turistas que aparecem por aqui. Passamos por uma casa de fazenda abandonada desde a criação do parque e seguimos até uma parte mais alta do parque para poder ver as Sempre-Vivas.

Cachoeira do Brocotó, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG

Cachoeira do Brocotó, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG


Se tivéssemos mais tempo iríamos fazer a travessia do parque, caminho que demora dois dias. Aí, é possível cruzar a bela parte alta do parque, os campos de altitude, todo tomado pelas Sempre-Vivas. Esse passeio, mais um, fica para depois dos 1000 dias.

Cachoeira do Vitorino, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG

Cachoeira do Vitorino, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG


Outra presença constante nessa nossa visita ao parque foram carrapatos. E não foram unidades ou dezenas deles não. Foram centenas! Daquele pequenininho. Como estávamos vestidos com calça comprida, conseguimos nos defender melhor, mas eles nos atacaram impiedosamente, principalmente na entrada e na saída do parque, numa área muito frequentada por gado ainda, Na ida, a gente ficou caçando e liquidando aqueles que invadiram nossas roupas durante os banhos de cachoeira. Na volta, foi aqui, na frente da pousada. Depois que entramos no clima, achamos tudo até engraçado. Nunca vi tanto carrapato na vida! E, mais do que nunca, concordei com aquela frase do poeta: "Carrapato bom é carrapato morto!". Pois bem, nunca vi tanto carrapato morto na minha vida...

Cipó São João, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG

Cipó São João, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, em MG

Brasil, Minas Gerais, Inhaí (P.N. Sempre-Vivas), cachoeira, Parque, Sempre Vivas, Trekking, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Navegando no Pantanal

Brasil, Mato Grosso, Porto Jofre

Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Percorrer a rodovia Transpantaneira é uma experiência incrível, mas para ver o Pantanal ainda mais de perto, é preciso deixar as rodas para trás e entrar em um barco. Navegar pelos grandes rios e seus afluentes, pelas lagoas que se formam no coração do Pantanal, seus recantos e meandros, é aí que percebemos que essa é uma terra das águas, a planície alagável mais extensa do planeta, um lugar como poucos no mundo para se observar a vida selvagem.

São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


A maneira mais comum de se navegar no Pantanal são os barcos de pesca. Amantes dessa prática passam dias e até semanas enfurnados em barcos pequenos ou grandes, percorrendo os mais variados recantos da região. São diversas excursões, passeios organizados ou particulares, que saem de cidades como Cáceres, Porto Jofre ou Corumbá, barcos carregados de iscas e cerveja gelada para uma temporada no paraíso da pesca. Além de peixes, os barcos estarão sempre acompanhados de aves, répteis e mamíferos, um show de vida espetacular.

Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Uma das muitas praias na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Uma das muitas praias na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Para quem não gosta de pescar, também se pode organizar passeios apenas para avistamento de vida selvagem e das belezas naturais. É até possível organizar uma viagem de barco entre Porto Jofre e Corumbá, passando por lugares do Pantanal quase nunca visitados, oportunidade única de se estar ainda mais perto da natureza quase virgem e longe da civilização. Nós queríamos muito fazer isso, mas tínhamos de voltar para a Fiona. Ou então, embarcá-la também, mas isso sairia caro e a organização era ainda mais difícil. Enfim, conversamos com gente que fez essa rota e, entre os atrativos, está uma lagoa de água transparente, onde se pode nadar com piranhas, e umas pedras onde se vê inscrições aparentemente incas! Pois é, essa civilização teria chegado até o Pantanal!

Rápida parada em praia no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Rápida parada em praia no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Com o Gabriel e a Luisa, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Com o Gabriel e a Luisa, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Bom, esse passeio espetacular ficou para a próxima. A nossa opção foi por um passeio de dia inteiro pelas águas do rio Cuiabá e seus afluentes, saindo e chegando em Porto Jofre mesmo. Agora que já fizemos o passeio, não tenho porque duvidar que esse é o melhor ponto do Pantanal para se fazer esse tipo do passeio, especialmente nessa época do ano, com os rios ainda baixos e praias e barrancos aparecendo nas duas margens do rio, os melhores locais para se avistar animais. Na época da cheia, quando as águas tomam a planície, não há razão para os animais virem até o leito principal do rio, então fica bem mais difícil observá-los.

Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso

Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso


Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso

Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso


O passeio não é barato. Mas temos que vê-lo como um investimento, uma chance única na vida de se ver tantos bichos de perto. Pagamos perto de 500 reais e, sinceramente, não poderia ter valido mais a pena! As dúvidas no início da manhã foram diminuindo ao longo do dia e, ao final, estávamos mais felizes do que nunca de ter “investido” esse dinheiro.

Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


ùltimas luzes no lago das Vitórias-Régias, no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

ùltimas luzes no lago das Vitórias-Régias, no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Esses passeios de barco podem ser feitos em grupos maiores ou menores. Para mim, quanto menor o grupo, melhor. Afinal, fica muito mais fácil se chegar a um consenso em um grupo menor de pessoas, sobre aonde ir, que caminho seguir, quanto tempo ficar em determinado lugar. Para grupos maiores, geralmente organizados pelos grandes hotéis da região, a melhor solução acaba sendo entregar tudo nas mãos do guia. Os barcos que vimos desse jeito estavam sempre repletos de gringos que formam a maior parte dos turistas do Pantanal, talvez até pelos altos preços que se tem de pagar por aqui.

A bela arara azul no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

A bela arara azul no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Voo de araras azuis no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Voo de araras azuis no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


O nosso passeio foi organizado pelo nosso lodge, o Jaguar, e éramos apenas quatro na lancha, além do piloto e guia. Aliás, esse é um ponto importante: a qualidade do guia. O nosso piloto-guia foi o Tatu, com um longo histórico de encontrar os bichos. Hoje, seja por sorte ou habilidade, ele provou que sabe muito bem do seu ofício. Nós vimos de tudo!

Nosso guia e piloto nos leva através do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Nosso guia e piloto nos leva através do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


No fim de tarde, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

No fim de tarde, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


O passeio começa logo cedo, saindo do hotel de Porto Jofre. Foi nossa chance de poder entrar nesse luxuoso hotel e visitar suas dependências. Lá dentro, um lago cheio das majestosas Vitórias-Régias, a maior flor do mundo. Um convite à fotografias, seja pela manhã, seja no final de tarde, quando voltamos do passeio.

Um barco-hotel rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um barco-hotel rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Fazenda na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Fazenda na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Outra coisa que pudemos observar muito bem no hotel, já quando o sol se punha, foram as belíssimas araras azuis. Eu já conhecia aquelas mais clássicas, a azul e amarela e a vermelha e azul, mas essa toda azul, para mim, foi novidade. Lindas e barulhentas, elas se reúnem todo final de tarde nas palmeiras do hotel. Um verdadeiro show para os olhos e para as lentes!

Pássaro seca suas asas na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Pássaro seca suas asas na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Grupo de tuiuius na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Grupo de tuiuius na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Bom, as flores e as araras foram apenas um bônus para nós, pois o que queríamos mesmo era ver e navegar pelo rio para chegar mais perto da fauna do Pantanal. O Tatu nos levou rio acima, deixando para trás barcos-hotéis luxuosos e grandes fazendas na orla do rio, para nos afastarmos ao máximo da civilização e ter mais chances de ver a vida selvagem. Não demorou muito para termos os primeiros encontros!

Tuiuiu e jacaré dividem o mesmo espaço na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Tuiuiu e jacaré dividem o mesmo espaço na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Voo de tuiuiu no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Voo de tuiuiu no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Não éramos o único barco por ali. Encontramos muitas canoas de pescadores e outros lancheiros carregando turistas. Sempre que tinha a chance, o Tatu trocava informações com seus amigos lancheiros, todos se informando sobre os mais recentes avistamentos de animais. Um ajuda o outro e os turistas tem mais chance de ver aquilo que estão procurando. No início da tarde, várias lanchas se reúnem em uma praia do rio para o almoço, onde mais informações são trocadas. Além disso, com mais gente junta na praia, menos chance de que algum animal maior e perigoso se aventure por ali.

Família de capivaras em praia do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de capivaras em praia do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Família de capivaras em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de capivaras em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Os animais mais comuns de se ver são os pássaros e, entre eles, o que mais chama a atenção são os tuiuiús, seja descansando nas praias e árvores, seja voando pelos céus ou plainando sobre as águas. De tão grandes, parecem boeings no ar, mas manejam bem seu peso e tamanho. Perfeitamente adaptados ao seu ambiente, não parecem temer jacarés, caminhando tranquilamente entre eles.

Jacarés tomam sol na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Jacarés tomam sol na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Ariranha nada ao lado de jacaré no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha nada ao lado de jacaré no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Falando em jacarés, também vemos muitos deles. Na verdade, eu esperava ver mais, mas acho que eles preferem as lagoas no interior da planície. Eles não são grandes por aqui e, na verdade, são um dos pratos preferidos das onças. Aparentemente, convivem muito bem com capivaras, tuiuiús e também com as ariranhas.

Ariranhas nadam no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranhas nadam no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Família de ariranhas na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de ariranhas na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Aliás, as ariranhas foram um dos pontos altos do passeio. Sempre em grupo e muito barulhentas, é incrível a desenvoltura com que nadam de um lado para o outro. Elas afundam no rio e aparecem novamente bem longe, demonstrando ser rápidas e ter um ótimo fôlego. Quando pegam um peixe, seguram-no com as “mãos” e o devoram aos pedaços, com grande apetite, nada de reparti-lo com os companheiros.

Ariranha na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Família de ariranhas sobe para sua toca em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de ariranhas sobe para sua toca em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Bom, não sei se repartem alimentos, mas estão sempre juntas, formando grandes famílias, rivais entre si, cada uma dona de seu território. As pequenas ficam sempre sob os olhos atentos dos mais adultos, talvez para defendê-las de algum jacaré mais abusado. Repartem uma toca cavada em algum barranco, perto de raízes de árvores. Vê-las entrando e saindo de sua casa é sempre interessante, o rio ali no quintal, fonte inesgotável de alimentos.

Ariranha devora peixe no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha devora peixe no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Ariranha se aproxima do nosso barco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha se aproxima do nosso barco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Entre os mamíferos, o mais comum de se ver são as capivaras. Também andam e nadam em grupos, os maiores roedores do planeta, se esquentando em alguma praia ou descansando na sombra de árvores. Também não parecem temer os jacarés, mas os olhos estão sempre abertos por causa de outro predador, esse sim bastante temido, as onças.

Avistando um veado em praia do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Avistando um veado em praia do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Outros mamíferos eu tivemos a sorte de ver foi um veado e uma enorme anta. Os dois, muito mais ariscos que as capivaras. Além das onças, parecem temer também os humanos. O veado apareceu rapidamente em uma praia do rio e logo se foi. A enorme anta, que tem uma péssima visão, caminhava tranquilamente pelas folhagens, sem conseguir nos ver. De repente, seu olfato sentiu algo e ela não pensou duas vezes: saiu em disparada.

Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Encontro com uma anta nas margens do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Encontro com uma anta nas margens do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Pode ter sido nós ou, quem sabe, algo muito mais perigoso para ela. Aquilo que também nós procurávamos, avidamente: a temida onça pintada! Procurávamos e encontramos, várias delas, com a ajuda imprescindível do Tatu. Esses encontros inesquecíveis são assunto para o próximo post, mas a celebração é assunto desse post mesmo!

Feliz da vida, navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Feliz da vida, navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


O dia espetacular não poderia deixar de terminar em um fim de tarde absolutamente magnífico, o sol se pondo nas águas do rio Cuiabá. Navegamos de volta ao hotel respirando felicidade, beleza e contentamento, sensação de ter estado no lugar certo, na hora certa. O pôr-do-sol continuou em terra firme e, já no escuro, dirigimos de volta até Poconé, não sem antes ter ainda encontros com búfalos e mais outra anta. Amanhã, vamos baixar um pouco a intensidade e passear com mais tranquilidade na capital Cuiabá onde, finalmente, vamos parar um pouco, nossa última visita nesse estado tão incrível do Mato Grosso.

Final de um dia inesquecível, em hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Final de um dia inesquecível, em hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Porto Jofre, Bichos, Pantanal, Rio Cuiabá

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

As Ilhas Galápagos

Galápagos, San Cristóbal

Mapa de Galápagos

Mapa de Galápagos


As famosas Ilhas Galápagos estão situadas a cerca de 1.000 km à oeste do Equador, no Oceano Pacífico. Situam-se quase que exatamente sobre a linha do Equador, portanto em plena zona tropical. É um arquipélago formado por centenas de pequenas ilhas, sendo quinze delas com mais de um quilômetro quadrado. Quase todas tem origem vulcânica e apenas quatro delas são habitadas.

Tela do avião mostra que chegamos à Galápagos!

Tela do avião mostra que chegamos à Galápagos!


O arquipélago está sobre a chamada Placa de Nazca, uma placa tectônica que se move em direção à América do Sul, submergindo sob o continente, a uma velocidade de cerca de 5 cm ao ano. Assim, num futuro não muito distante em termos geológicos, todas essas ilhas estarão primeiro sob o mar e depois sob a América. Em resumo, desaparecerão. Mas, ao mesmo tempo, existe um processo de formação de novas ilhas bem no ponto mais à oeste de onde o arquipélago se encontra hoje. É um chamado "hot spot". Lava vulcânica emerge dos confins da Terra e forma montanhas submarinas que acabam se transformando em ilhas. De tempos em tempos ocorrem grandes erupções que formam essas ilhas, que depois se movem para leste, junto com a Placa de Nazca. Novas ilhas são formadas enquanto as outras rumam para sua destruição inescapável.

Leões-marinho em Rocca Redonda, na Isla Isabel, em Galápagos

Leões-marinho em Rocca Redonda, na Isla Isabel, em Galápagos


O famoso blue footed boobie, um dos símpolos de Galápagos, em Rocca Redonda, na Isla Isabel

O famoso blue footed boobie, um dos símpolos de Galápagos, em Rocca Redonda, na Isla Isabel


O que em termos geológicos é um piscar de olhos, para a vida pode ser uma eternidade. Assim, enquanto as ilhas nascem e morrem através dos milhões de anos, a vida vai migrando para as novas ilhas, sempre se adaptando às novas condições do ambiente. Ilhas diferentes, vida diferente, adaptada. Isso sabemos todos nós, hoje. Mas foi Darwin, com base em suas observações nas Ilhas Galápagos há 180 anos, que inteligentemente deduziu e presenteou o mundo com sua teoria revolucionária, no seu inesquecível livro sobre a Origem das Espécies. Por cinco semanas o jovem estudioso esteve nas ilhas, em 1835, à bodo do navio científico Beagle. Veio para estudar geologia, mas foi a biologia do lugar que o deixou mais curioso. Pássaros e tartarugas com características próprias em cada uma das ilhas atiçaram sua curiosidade.

Uma orgulhosa iguana nos recebe em Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos

Uma orgulhosa iguana nos recebe em Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos


É esta história que atrai milhares de pessoas atualmente às ilhas, sua flora e fauna variada, além da incrível beleza cênica. Acima e abaixo do mar. Darwin só conheceu a parte de cima, mas por baixo d'água a quantidade e a variedade de vida são ainda mais impressionantes. Correntes de água fria e quente se encontram justamente em Galápagos, trazendo consigo uma infinidade de nutrientes. Atrás deles vem centenas de espécies de peixes e, atrás desses, peixes maiores, mamíferos e aves. É uma festa de vida que faz a alegria dos mergulhadores. Em poucos pontos do planeta se pode ver tantos "bichos grandes" como em Galápagos.

Cardume de tubarões em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Cardume de tubarões em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


A paisagem vulcânica da Ilha de San Bartolomeu (próxima a Isla de Santiago), em Galápagos

A paisagem vulcânica da Ilha de San Bartolomeu (próxima a Isla de Santiago), em Galápagos


Isso tudo quase foi destruído pela ação da nossa espécie. Galápagos foi descoberta ainda no séc XVI e, pelos 250 anos foi um porto seguro dos piratas. Quando eles finalmente sumiram, foram substituídos por outro grupo não menos destrutivo: os baleeiros. Além de caçarem os maiores mamíferos do planeta até quase a extinção, ainda paravam em Galápagos para abastecer seus navios com centenas das tartarugas gigantes que habitam as ilhas. Isso porque esse pacífico réptil pode sobreviver por meses nos porões dos barcos, sem água e sm comida. Eram uma fonte preciosa de proteínas para os marinheiros que passavam meses em alto mar. Assim, além de acabar com as baleias, quase acabaram também com as tartarugas...

As famosas tartarugas de Galápagos, na Ilha de Santa Cruz

As famosas tartarugas de Galápagos, na Ilha de Santa Cruz


Bem, foi por pouco, mas não aconteceu. A população de tartarugas se refez em boa parte das ilhas que antes habitavam (embora tenham sido extintas em algumas delas), assim como a população de baleias também vem se refazendo. O fluxo de turistas é cada vez maior, o que acabou atraindo também uma grande população que vive desse fluxo. Já são cerca de 25 mil habitantes nas ilhas que nem fonte natural de água doce possui. Essa característica impediu a colonização pré-hispânica das ilhas (que nesta época eram somente visitadas). Hoje, a água vem da dessalinização da água do mar enquanto boa parte da comida vem do continente. O governo do Equador dificulta ao máximo a entrada de novos imigrantes, ao mesmo tempo que cobra cada vez mais dos turistas. Isso não tem impedido que o número de visitantes aumente a cada ano.

Ainda no aviãos, passaportes e formulários prontos para entrar em Galápagos, na ilha de San Cristóbal

Ainda no aviãos, passaportes e formulários prontos para entrar em Galápagos, na ilha de San Cristóbal


E nesse ano, nós contribuímos com esse aumento! Eu, a Ana, o Rafa e a Laura voamos de Quito para Guayaquil e de lá para San Cristóbal, onde está um dos dois aeroportos do arquipélago. Por sermos sulamericanos, pagamos apenas 50 dólares para entrar (a metade do que pagam turistas americanos e europeus - hehehe!) e fomos recepcionados pelo staff do nosso barco em pleno aeroporto. Nós e os outros 12 pasageiros do nosso live aboard, que chegaram no mesmo vôo. Mas isso é assunto para outro post...

Aeroporto de San Cristóbal, na chegada à Galápagos

Aeroporto de San Cristóbal, na chegada à Galápagos

Galápagos, San Cristóbal, Equador, Mergulho

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

Chegou a Hora!

Equador, Cotopaxi, Chimborazo

Foto de despedida na pousada Papagayo, antes de partirmos para o Chimborazo e o Cotopaxi, no Equador

Foto de despedida na pousada Papagayo, antes de partirmos para o Chimborazo e o Cotopaxi, no Equador


Ainda bem cedo a Laura partiu para o seu day-tour ao vulcão Quilotoa. O guia que contratamos pelo telefone, ainda lá em Cuenca, cumpriu seu compromisso e apareceu na pousada Papagayo antes das nove. A Laura seguiu com ele para um dos mais belos vulcões do país e, de lá, seguiria diretamente para Quito, para o mesmo hotel que ficamos quando passamos por lá. Dorme lá hoje e nos aguarda no final do dia de amanhã, após os nossos trekkings ao Cotopaxi e Chimborazo.

Quem não cumpriu seu compromisso foi a nossa agência Gulliver. O início dos nossos tours, previstos para a manhã, foram se atrasando, se atrasando e se atrasando. O problema maior foi que um grupo muito grande de turistas subiu o Cotopaxi no dia anterior e boa parte dos guias, material de alpinismo e meios de transporte foi mobilizado para eles. Enquanto não chegassem de volta, ficaríamos na mão. No meu caso, foi ainda pior. O guia contratado simplesmente deu o cano, não atendia o celular e a Gulliver teve de encontrar outra pessoa para me levar até lá.

A caminho do Cotopaxi (Equador)

A caminho do Cotopaxi (Equador)


Uma bela maneira de iniciarmos nossas aventuras: ao invés de pensarmos nas nossas montanhas e escaladas, ficamos estressados imaginando se elas aconteceriam ou não. Bom, muita chateação mais tarde, acabei partindo depois da uma da tarde para uma viagem de quase quatro horas de carro até o primeiro refúgio do Chimborazo, a 4.800 metros de altitude. Até aí, o carro chega. Depois, uma rápida caminhada até o segundo refúgio, o Whymper, a pouco mais de 5 mil metros, de onde partiríamos de madrugada para o cume do Chimborazo, mil e trezentos metros verticais acima.

Faz muito tempo que quero subir essa montanha mágica, um antigo vulcão venerado pelos incas e admirado por pessoas como Simon Bolívar. Com seus 6.300 metros de altitude, é a maior montanha do Equador e também o ponto mais distante do centro da Terra, superando até mesmo o Everest. Isso porque o nosso planeta é mais "gordinho" na altura do equador e o Everest se encontra em maiores latitudes enquanto o Chimborazo está praticamente sobre a linha que divide a Terra ao meio.

Subida para o refúgio do Cotopaxi, a 4.800 m de altura (Equador)

Subida para o refúgio do Cotopaxi, a 4.800 m de altura (Equador)


A montanha foi escalada pela primeira vez em fins do séulo XIX pelo inglês Whymper. Por isso o refúgio tem o seu nome, assim como o maior do seus cumes. O segundo maior cume, que fica no caminho de quem segue pela rota normal (o meu caso!), se chama Ventemilla e é uma homenagem ao presidente equatoriano da época, que financiou a expedição de Whymper. Desde a conquista do cume, milhares de pessoas já lá subiram e um número muito maior fracassou nesse intento. Além das condições sempre imprevisíveis do tempo (se São Pedro não quiser, ninguém sobe essa montanha!), a forte e longa subida do glaciar faz muita gente voltar para trás.

O mais comum é que as pessoas tentem subir o Cotopaxi, pouco mais de 400 metros mais baixo e com uma subida muito mais suave. Ali, o índice de sucesso é bem maior do que no Chimborazo. O exemplo que meu guia me deu mostra bem isso. Duas semanas atrás, um grupo de 35 pessoas tentou subir o Cotopaxi, dos quais 23 chegaram ao cume. Desses, apenas 6 se arriscaram no Chimborazo. E dos 6, apenas três chegaram ao topo.

Preparativos no refúgio mais baixo do Chimborazo, a 4.850 metros de altitude, no Equador

Preparativos no refúgio mais baixo do Chimborazo, a 4.850 metros de altitude, no Equador


Bom, isso tudo era música para meus ouvidos. Por mais que meu guia tentasse me intimidar (acho que ele não está botando muita fé em mim...), mais eu queria subir a montanha. Nada como um lugar sem turistas, apenas a infinita vastidão selvagem da natureza. Meu único temor era que eu tivesse perdido minha aclimatação pelos 10 dias passados ao nível do mar, mas ao subir do primeiro refúgio para o segundo, minha confiança novamente aumentou. Tanto que eu o convenci a adiar nossa partida por duas horas. Ao invés de saírmos às 11 da noite, resolvemos sair à uma da manhã. Isso porque eu não queria me arriscar a chegar ainda no escuro no topo da montanha.

Partindo em direção ao refúgio mais alto, a 5.000 metros de altitude, no finalzinho da tarde, no Chimborazo -  Equador

Partindo em direção ao refúgio mais alto, a 5.000 metros de altitude, no finalzinho da tarde, no Chimborazo - Equador


Além de nós, os únicos que também vão tentar o cume amanhã são dois alemães e seu guia. Eles já estão por aqui há duas noites, para tentar se aclimatar. Até agora, nenhuma dor de cabeça e muita disposição, dizem eles. Mas, de qualquer maneira, vão partir mesmo às 11 da noite.

Enfim, estou pronto e ansioso para o desafio de amanhã. Espero que a Ana e o Rafa, lá no Cotopaxi, estejam no mesmo pique que eu estou por aqui. Isso, só vou saber amanhã de tarde, quando todos nos reencontramos lá na Papagayo. Então, uma feliz noite de míseras três horas de sono para todos nós!

Muita neve a 4.850 metros de altitude, local até onde os carros chegam, no Chimborazo, no Equador

Muita neve a 4.850 metros de altitude, local até onde os carros chegam, no Chimborazo, no Equador

Equador, Cotopaxi, Chimborazo, Montanha, trilha, vulcão

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Ometepe e o Canal da Nicarágua

Nicarágua, San Juan Del Sur, Ometepe

Os vulcões Concepción e Maderas, na ilha lacustre de Ometepe, na Nicarágua

Os vulcões Concepción e Maderas, na ilha lacustre de Ometepe, na Nicarágua


Com a roupa toda limpa (San Juan del Sur é famosa como lugar para lavar roupas e telefonar barato para o exterior!), partimos hoje para um dos mais belos destinos do país: a Isla Ometepe, em pleno Lago da Nicarágua.

Costa do lago Nicarágua em San Jorge. Ao fundo, o vulcão Concepción, na ilha Ometepe

Costa do lago Nicarágua em San Jorge. Ao fundo, o vulcão Concepción, na ilha Ometepe


Este é o maior lago da América Central e um dos maiores de todo o continente. Embora esteja bem pertinho do Oceano Pacífico, a menos de 20 km em alguns pontos, suas águas fluem para o outro lado, para o Oceano Atlântico, através do Rio San Juan, o maior do pais. Por este rio que forma boa parte da fronteira com a vizinha Costa Rica, grandes navios chegam ao Lago Nicarágua através do porto de San Carlos.

Mapa da Nicarágua, destacando-se o grande lago da Nicarágua e a Isla Ometepe em seu interior

Mapa da Nicarágua, destacando-se o grande lago da Nicarágua e a Isla Ometepe em seu interior


É exatamente por causa dessa geografia que a Nicarágua, muito mais "gorda" que o Panamá, seria, na verdade, o caminho mais curto para navios cruzando de um oceano a outro. Por muito pouco que hoje não temos o Canal da Nicarágua ao invés do famoso Canal do Panamá. Essa escolha se deu no Congresso dos Estados Unidos, no início do século passado. Coube aos americanos, os maiores incentivadores e beneficiários de um possível canal, decidir aonde investir (construir!) seu dinheiro. Na época, dois lobbies fortíssimos dentro do Tio Sam disputavam a decisão do Congresso e a balança pendia para a Nicarágua, caminho já muito usado pelos americanos desde a corrida do ouro na Califórnia, cinquenta anos antes. Na antevéspera da disputada votação, o lobby pró-Panamá (que ainda era parte da Coômbia!) deu um golpe fatal na concorrência: mandou distribuir entre os congressistas um selo oficial emitido pelo próprio governo nicaraguense mostrando a Isla Ometepe, bem no meio do lago da Nicarágua e da rota defendida pelo lobby pró-Nicarágua. O problema é que a imagem do selo mostrava também o vulcão Concepción, um dos dois na Isa Ometepe, em plena erupção! Quem iria querer investir seu dinheiro num canal ao lado de um perigoso vulcão? Não houve tempo para o lobby pró-Nicarágua reparar os estragos e o resto é história. Pouco tempo depois se "inaugurava" um novo país, o Panamá, e dez anos mais tarde lá estava a ligação entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. O Canal da Nicarágua continuou uma ficção, embora os planos para construí-lo voltem de tempos em tempos nesses últimos 100 anos...

O imponente vulcão Concepción, o mais alto da Isla Ometepe, no lago Nicarágua

O imponente vulcão Concepción, o mais alto da Isla Ometepe, no lago Nicarágua


Bom, difícil imaginar tudo o que seria diferente no mundo de hoje, para melhor ou pior, caso aquele selo não tivesse sido usado como peça de (anti) propaganda. Mas uma coisa é certa: a Isla de Ometepe e toda a sua exuberante natureza agradecem! Certamente o tráfego constante de navios de grande porte por ali e o "progresso" que isso traría não teriam sido benéficos para a ilha sagrada dos dois vulcões. "Ometepe", na língia indígena, quer dizer "ilha das duas montanhas". Para quem viaja para lá, nem é preciso explicar o porquê! De longe, a silhueta dos vulcões Concepción e Maderos, quase sempre com seus cones cobertos por nuvens, logo chama a atenção. Suas encostas férteis e o pequeno istmo que os une há milênios vem atraindo as pessoas.

Brindando suco de laranja com a Ilha Ometepe ao fundo, com seus dois vulcões (Nicarágua)

Brindando suco de laranja com a Ilha Ometepe ao fundo, com seus dois vulcões (Nicarágua)


Hoje, é um dos principais destinos turísticos do país, gente atrás de aventura, vida tranquila e sadia e de estar perto da natureza. O acesso é feito de barco, principalmente da pequena São Jorge, mas também da mais conhecida cidade de Granada, ao norte. Mas para quem vai de carro, é só por San Jorge mesmo. São ferries pequenos, com espaço para dois ou três carros e dois caminhões, os principais usuários do serviço. Tão pequena é a oferta que é preciso reservar um lugar com antecedência.

Com o italiano Dario, que viajou da Patagônia ao Alaska em 2003 (no seu restaurante em San Jorge, a caminho da Ilha Ometepe, no Lago Nicarágua)

Com o italiano Dario, que viajou da Patagônia ao Alaska em 2003 (no seu restaurante em San Jorge, a caminho da Ilha Ometepe, no Lago Nicarágua)


Nós não sabíamos disso e fomos na raça mesmo. O próximo ferry não tinha espaço, mas o que sairia daí a 3 horas sim. Ufa! Melhor que ter de esperar até amanhã! Assim, tivemos tempo para almoçar na beira desse gigantesco lago cheio de ondas com vista para a ilha e seus vulcões. Comemos no restaurante de um italiano, o Dario. Assim que ele viu a Fiona, veio conversar conosco. Em 2003 ele fez a sua própria viagem pelas américas, também da Patagônia ao Alaska. Na verdade, começou nas Malvinas! A diferença é que fez tudo em seis meses, e de ônibus! Veio nos mostrar fotos, mapas da sua rota e até o livro que publicou na Itália.Muito jóia!!!

Livro e rota do italiano Dario pelas américas (ele tem um restaurante em San jorge, no Lago Nicaragua)

Livro e rota do italiano Dario pelas américas (ele tem um restaurante em San jorge, no Lago Nicaragua)


Fiona abordando o ferry Che Guevara, à caminho da Isla Ometepe, no lago Nicarágua

Fiona abordando o ferry Che Guevara, à caminho da Isla Ometepe, no lago Nicarágua


E assim o tempo passou rapidinho. Muito bem alimentados, embarcamos a Fiona no apertado ferry Che Guevara (tinha de ser!) e seguimos para a ilha. Para nós, que casamos em uma, é ainda mais emocionante chegar à uma ilha, principalmente tão bem conservada como essa, assim como nossa Ilha do Mel. Ainda no barco conhecemos o dono de um hotel em Santo Domingo, um dos dois pontos onde se concentram as acomodações de Ometepe. O outro é Moyogalpa, onde chega o ferry e maior cidade da ilha. Aí, quando chegamos, já acertei um guia para mim para a subida do vulcão Madeiros, depois de amanhã. Amanhã, vamos rodar a ilha de Fiona, com tranquilidade, indo a alguns de seus pontos mais famosos. Já a noite de hoje, na tranquila Santo Domingo, praia lacustre a meia hora de Moyogalpa, vamos dormir com o barulho das ondas. Ondas de lago. Ondas de água doce. Estranho, né?

Chegando à ilha Ometepe, no Lago Nicarágua

Chegando à ilha Ometepe, no Lago Nicarágua

Nicarágua, San Juan Del Sur, Ometepe, Moyogalpa, Praia, San Jorge, Santo Domingo

Veja mais posts sobre Moyogalpa

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Página 508 de 161
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet