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Hoje pela manhã chegamos a uma das ilhas mais conhecidas da Antártida: ...
Acordamos no dia 17 decididos a ir ao principal cartão postal de Florian...
Uma boa dica para quem viaja para um país desconhecido e quer saber o qu...
Abel júnior (24/12)
Sou professor em Cajazeiras e quero organizar um estudo de campo com meus...
Ricardo Acras (23/12)
Rodrigo e Ana, Tenho andado meio ausente nos comentários por que este...
Kina (23/12)
Fala Poul! Lembrei-me da viagem e da nossa travessia...Lembro que vc quas...
Raimundo Coelho Filho (22/12)
Quero parabenizar pelo belo trabalho, sou de Coronel José Dias - PI, cid...
mario sergio silveira (20/12)
Ola Rodrigo, lindas fotos. Será que o museu Brennand foi ampliado nos ul...
A cidade de Ranga Roa vista do alto do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Hoje era o nosso dia de alugar um carro para rodar pela ilha. Mas começamos nossa manhã a pé mesmo, em busca de uma das mais inusitadas atrações turísticas da ilha: uma missa rezada no idioma rapa nui! Essa cerimônia ocorre apenas uma vez por semana, sempre aos domingos, e costuma atrair quase todos os turistas que estejam na ilha. Pois é, nós pudemos conferir não só a cerimônia, mas o sucesso que ela faz, com os próprios olhos. Dez minutos de caminhada nos levaram a uma igreja alotada, tanto do lado de dentro como no lado de fora. A arquitetura do prédio já é interessante, mas é mesmo a missa que atrai as pessoas.
A simpática igreja de Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Missa movimentada em Hanga Roa, capital da Ilha da Páscoa
Na verdade, ela é rezada em espanhol mesmo. Essa é a língua que todos os moradores da ilha entendem. O rapa nui é falado principalmente por aqueles que tem sangue polinésio, pouco mais da metade da população. Mas a missa tem mitos cantos e esses são todos em rapa nui, assim como o Pai Nosso. A celebração acaba se tornando um grande encontro semanal da população local, o que faz a alegria dos turistas, que ainda podem aprender um pouco de rapa nui.
A movimentada missa dominical rezada em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, território chileno no meio do Oceano Pacífico
A religião católica e seus missionários (franceses) chegaram à ilha em 1864. Naquela época, a religião da ilha era baseada no culto do homem-pássaro, ou “Tangata-Manu”, em rapa nui. Foi esse o culto que substituiu a religião dos Moais, um século antes, quando uma série de guerras internas acabou por derrubar todas as estátuas gigantes de pedra, causando uma reviravolta na ordem social e religiosa da Ilha de Pascoa. Quatorze anos depois da chegada dos primeiros missionários, foi realizado, pela última vez, a competição anual do homem-pássaro, que se extinguiu como religião e passou a fazer parte da história da ilha. O local onde era realizado esse festival e como ele ocorria eram nosso principal “objetivo turístico” do dia.
Caminho para Ana Kai Tangata, onde moravam pessoas na antiga Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
A caverna de Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Terminada a missa, voltamos para a casa e pegamos nosso carro, alugado com a Joana mesmo por 30 mil pesos (60 dólares). Antes de subirmos o vulcão Rano Kao, para aprendermos mais sobre o festival do homem-pássaro, ainda paramos na mais famosa caverna da Ilha de Pascoa, bem pertinho de Hanga Roa. Ela se chama Ana Kai Tangata, está na beira do mar e é conhecida por suas pinturas, especialmente as que retratam exatamente o Tangata Manu, ou festival do homem-pássaro.
Pinturas rupestres na caverna Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Visitando uma caverna (Ana) ao lado de Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
O engraçado é que “Ana”, além de significar o nome da minha amada esposa, quer dizer “caverna” em rapa nui. É claro, então, que não perderíamos a chance de tirar uma foto das duas Ana ao mesmo tempo! Depois da brincadeira, fomos lá ver a tal caverna, criada pela ação do mar nas antigas rochas vulcânicas. Admiramos a fotografamos as pinturas da caverna e seguimos adiante, rumo ao vulcão.
A cidade de Ranga Roa vista do alto do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
O Rano Kao está bem ao lado de Hanga Roa e é uma das sedes do parque. É o único lugar da ilha, além da fábrica de Moais, onde precisamos mostrar aquele ticket do parque que compramos lá no aeroporto, quando chegamos. É também o lugar mais visitado pelos turistas, por sua significância, pela proximidade de Hanga Roa, estrutura (estrada até o cume e muitos painéis informativos) e pela vista que propicia de toda a Ilha de Páscoa, do alto de seus 324 metros de altura.
Topo do vucão Rano Kau, onde se iniciava o festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Essa vista é realmente linda. Podemos vislumbrar perfeitamente a cidade de Hanga Roa aos nossos pés, além dos outros dois grandes vulcões que deram a forma triangular à Ilha de Pascoa. Nós tiramos nossas fotos e seguimos ainda mais adiante, onde está a antiga cidade cerimonial de Orongo, onde se organizava o festival do Tangata Manu. Antes de chegarmos às ruínas de Orongo, passamos pelo museu e, enfim, aprendemos os detalhes dessa antiga competição religiosa.
A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Lago coberto por junco no interior da cratera Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Pois é, o festival do homem-pássaro era sim uma competição. Os maiores e mais valentes guerreiros de cada um dos clãs da ilha se reunia, uma vez ao ano, na cidade de Orongo, construída no topo do vulcão Rano Kao. Aí, durante semanas, se preparavam espiritualmente para o desafio que chegava junto com um pássaro migratório, o manurata. Esse espécie de ave tinha como costume colocar seus ovos numa pequena ilha rochosa, um “motu”, a cerca de um quilômetro da costa. Os guerreiros apostavam uma corrida para pegar o primeiro ovo colocado naquela estação e retorná-lo, inteiro, a ilha de Rapa Nui. A corrida começava por uma descida desenfreada das encostas íngremes do vulcão em direção ao mar e depois, continuava com uma natação até o motu. Ali, era preciso encontrar um ovo. Muitas vezes, os guerreiros se adiantavam aos pássaros e tinham de esperar dias na pequena ilha rochosa até que um pássaro se dignasse a colocar seu ovo sagrado. Depois, todo cuidado era pouco para retornar o ovo à ilha principal.
Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Não era incomum que houvesse mortes nessa corrida, principalmente no trecho de descida do vulcão. Mas a recompensa de tantos perigos valia a pena. O líder do clã a que pertencesse o guerreiro vencedor (algumas vezes, o próprio líder era o competidor!) se tornava líder supremo da ilha, político e religioso, por um ano, e todos os clãs reconheciam sua autoridade, agora revestida de um caráter espiritual, quase sagrado.
Ilhas onde chocavam os manutaras e para onde nadavam os participantes do festival do homem-pássaro, em frente ao vulcão Rano Kau (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)
Bem, com a chegada da Igreja católica e a conversão dos ilhéus ao cristianismo, foi-se o festival e, por algum estranho motivo, foram-se os pássaros, que pararam de chocar naquela pequena ilha rochosa. Hoje, existe até um programa científico para tentar trazer de volta o pequeno manutara. Quando à corrida, ela passou a ser encenada novamente por “guerreiros” atuais que tentam reviver sua cultura. Mais como uma maneira de valorizar o passado do que uma volta à antiga religião.
Manutara, cujo ovo era o prêmio máximo no festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
A antiga cidade de Orongo pode ser visitada, mas não se pode entrar nas casas. Dali, a vista para a cratera do antigo vulcão, hoje um grande lago, é magnífica. A mesma visão que tiveram os diversos saqueadores de tesouros arqueológicos que chegaram à ilha de Pascoa no início do séc. XX e roubaram descaradamente várias relíquias aqui de cima. Até posavam para fotos, equipes americanas ou europeias. Essas tristes cenas podem ser vistas no museu e a Ilha de Pascoa tenta hoje, por enquanto sem resultado, que essas peças sejam devolvidas ao seus lugares de origem. Mas os museus internacionais e colecionadores particulares fingem que não ouvem...
A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Junto ao túmulo de Sir Ernest Shackleton no cemitério de Grytviken, na Geórgia do Sul
Quando uso a palavra “explorar” nesses meus textos de nossas viagens, tenho a consciência de está-la usando com uma certa “liberdade poética”. Verdadeiras explorações foram feitas por Leif Erikson, Marco Polo, Vasco da Gama, Colombo, Magalhães, Rhodes e outros gigantes da história. Eles sim viajavam para lugares ainda totalmente desconhecidos da civilização, de onde nada ou muito pouco se sabia, apenas lendas e mitos como fonte de informação. Essa é uma época de glórias passadas e todo o nosso planeta já foi visitado, fotografado, esquadrinhado e descrito por centenas de livros, guias e enciclopédias. O que sobrou para nós que tanto gostaríamos de ir aonde nenhum homem jamais esteve é o fundo do mar e o espaço sideral. Infelizmente, ambos completamente além das possibilidades de meros indivíduos.
Junto ao túmulo de Sir Ernest Shackleton no cemitério de Grytviken, na Geórgia do Sul
Sim, o que nós estamos fazendo talvez também seja inédito: viajar por todos os países do continente, suas ilhas e estados brasileiros. Sinceramente, não tenho notícia de ninguém que tenha feito isso antes. Mas isso não significa “explorar”. Talvez ninguém tenha feito tudo isso junto de uma só vez, mas todos esses lugares que vamos já foram sim visitados. Na verdade, muito mais do que isso. Foram visitados e descritos. Dez minutos na internet e sempre descubro milhões de informações sobre os lugares que estamos chegando durante essa viagem. Animais, plantas, montanhas, cidades, atrações, história, geografia, está tudo ali, muito bem explicadinho, seja para aprendermos, para seguir os passos ou para não repetir os mesmos erros. Enfim, sempre podemos ter uma boa ideia do que nos espera. Esse era o diferencial, ou mérito, desses grandes exploradores. Rumavam ao desconhecido, sem a ajuda da internet.
Rota do Endurance e sua tripulação e caminho de volta no barco a remo para a Geórgia do Sul
A última época romântica desses grandes exploradores se deu no início do séc. XX, há mais ou menos um século. Todas as regiões e continentes do mundo já eram conhecidos, os grandes rios e oceanos navegados, as maiores montanhas descritas e medidas (mas não escaladas!), com uma honrosa exceção: as regiões polares. O frio extremo era a última barreira a ser vencida, o polo sul e o polo norte o último graal dos exploradores de então. Ao contrário dos exploradores dos séculos anteriores, que buscavam civilizações perdidas ou territórios novos para suas nações, esta última geração de exploradores era inspirada simplesmente pelo desejo de ir aonde ninguém havia estado antes. Isso, e é claro, a glória pessoal e para sua nação de origem.
Sir Ernest Shackleton
Foi uma verdadeira corrida para ver quem chegaria primeiro aos pontos extremos do planeta. Uma corrida acompanhada avidamente por leitores de jornais em todo o mundo. Nomes como Scott, Amundsen e Shackleton, alguns dos maiores exploradores daquele tempo, eram tão ou mais populares que nomes de presidentes, reis e líderes nacionais. Foi uma corrida cercada de glórias e tragédias, onde a determinação, coragem e capacidade de organização desses aventureiros era levado ao seu limite, todos em busca da glória final, num roteiro de vida real dificilmente imaginado em obras de ficção. Esses grandes homens se conheciam, se frequentavam e se respeitavam, muitas vezes trabalhando juntos, outras vezes em competição direta, o que aumentava ainda mais a pressão sobre eles.
O Endurance preso no gelo da Antártida
Cães observam a desttruição do Endurance pelo gelo na Antártida
Assim foi na chamada “corrida final rumo ao polo sul”. A cada ano que passava, exploradores chegavam a latitudes maiores, mas foi no ano de 1911 que o ataque final ocorreu. De um lado, a equipe do norueguês Amundsen com a ajuda de cães rusky. Do outro, a equipe do inglês Scott com ajuda de pôneis. Depois de estabelecer vários depósitos ao longo da rota, o norueguês partiu no dia 20 de Outubro para vencer a imensidão branca e gelada do planalto antártico e chegar ao polo no dia 14 de Dezembro. Scott seguiu por outra rota, chegando ao polo sul 35 dias mais tarde, já em 1912. A decepção de lá encontrar a bandeira da Noruega só não foi maior que as agruras e dificuldades da volta, quando ele e seus companheiros acabaram morrendo de fome e frio a poucos quilômetros de um depósito de comida, já bem perto do litoral do continente. Essa história de sucesso e tragédia comoveu toda uma geração.
Shackleton e sua tripulação presos em Elephant Island
Saída para a longa viagem entre Elephant Island, na Antártida, para a Geórgia do Sul
O outro grande nome da exploração antártica, Ernest Shackleton, acompanhou toda essa história de longe. Tinha tido sua chance em anos anteriores e certamente tentaria de novo. Mas agora, com as glórias já nas mãos de Amundsen, ele se propôs um outro desafio: a primeira travessia transantártica. Entrar por um lado do continente e sair pelo lado oposto. Uma epopeia que faria os feitos de Amundsen e Scott parecer brincadeira de criança. Shackleton jamais conseguiria esse feito, mas ao tentá-lo, acabou por escrever uma das mais incríveis histórias da exploração humana.
Rota de Shackleton para cruzar da costa sul à costa norte da Geórgia (visão aberta)
Rota de Shackleton para cruzar da costa sul à costa norte da Geórgia (detalhe)
Recomendo a todos que leiam os livros que tratam dessa aventura, pois é nos detalhes que se percebe todo o mérito do poder de liderança de Shackleton. Resumidamente, o Endurance, o barco da expedição, deixou a Geórgia do Sul em dezembro de 1914 rumo à Antártida. Mas um verão excepcionalmente frio não só impediu o barco de chegar até o continente como o aprisionou no gelo no final de Janeiro de 1915. O Endurance e sua tripulação ficaram a deriva, presos no gelo que se movia lentamente para noroeste. Assim foi até Outubro deste ano, quando finalmente o casco começou a ceder e o barco teve de ser abandonado, sendo finalmente tragado pelo gelo no final de Novembro. A tripulação continuou a deriva no gelo até o início de Abril de 1916 quando tiveram de entrar nos dois pequenos barcos salva-vidas já que o gelo se desintegrava. Cinco dias de árdua navegação os levaram até a pequena e isolada Elephant Island, 1.300 km ao sul da Geórgia do Sul. Foi a primeira vez que pisaram em terra firme depois de 497 dias em alto mar.
mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul
Não havia nenhuma chance de resgate nesse lugar, completamente isolado de qualquer rota marítima. Shackleton resolveu partir para o tudo ou nada. Ele e cinco companheiros se lançaram ao mar no melhor dos barcos salva-vidas numa tentativa desesperada de chegar à Geórgia do Sul. Levando suprimentos apenas para 4 semanas, com velas rústicas e remos e com ajuda de correntes marítimas, conseguiram chegar à costa sul da ilha 15 dias depois, tendo enfrentado um furacão que chegou a afundar um cargueiro de 500 toneladas não muito longe dali. Na ilha, deixou dois companheiros mais debilitados junto ao barco e, junto com os outros dois restantes, tentou empreender a primeira travessia sul-norte da Geórgia do Sul, uma ilha com o interior extremamente montanhoso. Tinham uma corda de 12 metros e uma tábua de madeira para ajudar. Foram 36 horas de árdua caminhada para que chegassem a Stromness. Foram precisos outros 40 anos para que alguém conseguisse repetir essa mesma rota, tamanha a dificuldade do terreno.
Perambulando pelo cemitério de Grytviken, na Geórgia do Sul
Todos reunidos no cemitério de Grytviken para uma homenagem a Ernest Shackleton, na Geórgia do Sul
Ao chegar a Stromness, Shackleton imediatamente providenciou o resgate para seus companheiros no sul da ilha. Para resgatar os que ficaram em Elephant Island foi preciso mais tempo, mas por fim, no final de Agosto, dois barcos com Shackleton a bordo lá chegaram e resgataram a todos. Ninguém havia morrido. Uma verdadeira proeza até hoje admirada e respeitada principalmente por aqueles que conhecem os rigores da Antártida e as dificuldades de se comandar um grupo de pessoas em situações extremas e com tantas adversidades. Shackleton virou um herói e cavaleiro do Império Britânico, Sir Ernest Shackleton. Mas não se aquietou. Os genes da aventura e exploração falavam mais alto. Tanto para ele como para Amundsen.
Todos ganham um pouco de uísque para um brinde a Ernest Shackleton no cemitério de Grytviken, na Geórgia do Sul
Visita ao cemitério de Grytviken, na Geórgia do Sul, onde está enterrado "The Boss", Sir Ernest Shackleton
O britânico estava no comando de outra expedição à Antártida em 1922. Chegou a parar no Rio de Janeiro, onde sentiu-se mal. Insistiu em continuar e, poucos dias mais tarde, já em alto-mar, morreu de ataque do coração. Antes que seu corpo seguisse de volta para a Inglaterra, chegou o telegrama de sua esposa: “Enterrem-no na Geórgia do Sul. Seu corpo e espírito pertencem a este lugar”. E assim foi. Carinhosa e respeitosamente chamado de “boss” (chefe) por todos, amante inveterado de um bom uísque, é a estrela máxima do pequeno cemitério de Grytviken, onde hoje estivemos prestando nossas justas homenagens.
O nosso guia de história, Damien, faz um brinde a Ernest Shackleton no cemitério onde ele está enterrado, em Grytviken, na Geórgia do Sul (foto de Susan Pairaudeau)
A Cheli também presta suas homenagens a Shackleton no cemitério de Grytviken, na Geórgia do Sul
Todos os passageiros do Sea Spirit se alinharam no cemitério. Foi servido um pouco de uísque para todos nós. O Jim, nosso guia historiador fez um discurso emocionado e emocionante. Ao final, todos brindamos e deixamos um gole para o Boss. Ao final, até nossa líder da expedição, sempre tão eficiente e chefona, ficou ali, ao lado do túmulo, prestando sua homenagem particular.
Um brinde a Ernest Shackleton no cemitério de Grytviken, na Geórgia do Sul
Para mim, que já sabia da história dele há uns bons anos, foi mesmo emocionante ter estado por lá. Gloriosos tempos de exploração verdadeira. Por falar nisso, também Amundsen não soube se aquietar. Continuou explorando o polo norte, primeiro de barco e depois de dirigível. Foi o primeiro a sobrevoar o polo norte e o primeiro homem a ter estado nos dois polos. O primeiro norueguês a pilotar um avião. Não queria parar. Até que, em 1928, com apenas 56 anos, ao pilotar um hidroavião em busca de um amigo e aventureiro perdido nos mares do norte, sumiu ele também para nunca mais ser encontrado. Sangue de aventureiro não se aquieta nunca. Nem de viajante...
Todos reunidos no cemitério de Grytviken para uma homenagem a Ernest Shackleton, na Geórgia do Sul
Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras
O ano era 1543 e a América Central já era território do Rei de Espanha. Milhares de colonizadores se dirigiam ao novo continente, em busca de novas oportunidades de enriquecimento rápido. Era preciso colocar uma ordem nesse processo de colonização que se iniciava de maneira caótica. O primeiro passo: escolher uma capital para esse novo território de além-mar.
A região rural e montanhosa de Gracias, em Honduras
A escolha recaiu sobre a pequena cidade de Gracias. Localizada em meio às montanhas da região central de Honduras, o simpático nome vem da expressão usada pelos primeiros colonizadores que lá chegaram. Depois de intermináveis dias caminhando sobre montanhas, sobe e desce sem parar, ao finalmente chegarem ao vale onde se encontra Gracias, exclamaram: “Gracias a Dios!”. O agradecimento virou nome e pegou!
O prédio da prefeitura de Gracias, em Honduras
Mas a primazia de Gracias como capital centro-americana não durou muito. Regiões que naquela época já eram muito mais populosas reclamaram por ter de prestar contas a uma pequena vila perdida no meio das montanhas hondurenhas. Em 1549, o governo espanhol cedeu às pressões e a capital foi transferida para Antigua, na Guatemala, principal polo colonizador na América Central do século XVI. Muitos argumentam hoje que esse foi um dos fatores que contribuiu para que a América Central nunca fosse unida como um só país. Com sua capital localizada no extremo norte do território, as outras regiões nunca se sentiram realmente ligadas a ela. A pequena Gracias, realmente, era muito mais central.
Igreja matriz de Gracias, em Honduras
Bom, isso fez com que Gracias permanecesse pacata ao longo de todos esses séculos, depois do inicio promissor. Perdeu o posto de capital continental, nunca se firmou como capital nacional, mas ao menos se manteve como capital regional, da província chamada Lempira. Esse também é o nome da moeda de Honduras, homenagem ao líder indígena que resistiu bravamente aos espanhóis, quase expulsando-os do país e só sendo morto através da mais vil das traições.
Praça central da pacata Gracias, em Honduras
Honduras era ocupada, na época da chegada dos europeus, por centenas de tribos indígenas. Os mayas só haviam estado no norte do país, mas nessa época já quase não tinham importância. Entre as tribos mais conhecidas estava a do povo Lenca. Seu líder era Lempira e, ao conseguir unir várias outras tribos contra o inimigo comum, chegou a juntar 30 mil guerreiros. Após várias derrotas militares, os espanhóis levantaram a bandeira branca e pediram negociações. Quando Lempira se apresentou, foi prontamente esfaqueado pelas costas por um soldado espanhol. Sem seu carismático líder, rapidamente a rebelião foi desbaratada e a região se abriu para os colonizadores, pouco antes da fundação de Gracias.
Nosso caminho entre Copán e Gracias, já no interior de Honduras
Ontem de tarde, depois da visita ao Museu das Esculturas em Copán, cruzamos as mesmas montanhas que tanto cansavam os primeiros colonizadores e chegamos à Gracias. Para minha surpresa, descobri um pedacinho de Minas Gerias encravado em pleno coração de Honduras. Uma pequena cidade com ruas de pedra e casas com aspecto colonial, pessoas nas portas de suas casas olhando a vida passar, uma simpática praça central onde está a igreja matriz. A sensação é de um ritmo diferente, bem distante do frenesi das cidades grandes. Até os relógios parecem andar mais devagar, principalmente nos dias mais quentes, como nessa época do ano.
Uma típica rua de Gracias, em Honduras, a antiga capital da América Central
Nós ficamos hospedados em um hotel no alto de uma colina e , da nossa varanda, podíamos observar toda a cidade, seus telhados vermelhos, a torre da igreja ao longe, as montanhas verdejantes ao redor. Nostálgico mineiro que sou, a sensação era de estar de volta à terra amada. Foi joia! Nossa tarde foi passada ali, sossego total, só curtindo aquela vista. Pela manhã, enfrentando o calor, até fui caminhar pelas ruas tranquilas em busca de um barbeiro. Fazer a barba por aqui foi uma espécie de homenagem á minha terra natal e sua representante aqui na América Central. De cara limpa e coração batendo mais forte, estava pronto para seguir viagem. Próxima parada, o lago de Yojoa...
Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras
Dunas avançam sobre lagoa nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA
Deixamos Parnaíba para trás hoje rumo a mais um estado na nossa jornada pelo Brasil e Américas: o Maranhão. Na verdade, técnicamente, já tínhamos estado nele ontem, quando visitamos o Delta do Parnaíba ou Delta das Américas, como preferem os maranhenses. A belíssima enseada do Feijão Bravo, por exemplo, fica no Maranhão.
Ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba, que liga o Piauí ao Maranhão
Mas, para a Fiona, foi a primeira vez. Cruzamos a ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba e cá estávamos no nosso 16o estado, o último do nordeste. Lembro-me das aulas de geografia, ainda no ginásio, quando os livros e professores nos explicavam que, na verdade, o Maranhão é um estado de transição entre o nordeste e o norte do Brasil, apresentando características dessas duas regiões. Chegou a hora de conferir essa história!
Dunas e lagoas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA
Um pouco depois de entrar no estado, a estrada se bifurca. Para a esquerda, seguimos para São Luís, a capital. É o caminho asfaltado, próprio para carros de passeio. Para a direita também se chega à São Luís. Mas só carros altos e tracionados. Esse caminho passa pela pela famosa região dos Lençóis Maranhenses, a mais extensa região de dunas do Brasil. Adivinhem qual a rota tomamos!
Fim de tarde nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA
A estrada nos leva até Tutoia, no extremo oeste do Delta das Américas. Até pouco tempo atrás, aqui começava a "aventura" para quem se dirigia aos Lençóis, vindos do Piauí. Mas a estrada para Paulino Neves foi asfaltada recentemente, e ficou fácil dirigir mais 30 km em direção a oeste. Da outra vez que estive aqui, até tentei seguir para Paulino Neves com a Maria (a pampa 4x4). Mas a passagem por um rio profundo me fez desistir logo da ideia. A Maria ficou me esperando em Tutoia e eu fiz o que a maioria dos turistas fazia: seguia na Toyota que fazia o transporte para Paulino Neves e de lá para Barreirinhas. Depois de explorar os Lençóis, voltávamos para Tutoia e pegávamos a rota mais longa para São Luís.
Dunas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA
Pois bem, agora os carros chegam até a pequena Paulino Neves. A maioria das pessoas passa direto por aqui, em direção à Barreirinhas. É só o tempo de estacionar e pegar a tal Toyota. Mas há um tesouro secreto aqui também, que muito vale uma visita: os Pequenos Lençóis.
Explorando as dunas dos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA
Nas dunas dos Pequenos Lençóis, com o oceano ao fundo, região de Paulino Neves - MA
Como o próprio nome diz, são os Lençóis Maranhenses em menor escala. Basta vinte minutos de caminhada para se chegar lá. Eu e a Ana, depois de nos instalarmos na famosa Pousada da Dona Mazé, conhecida de todos os aventureiros que passaram por aqui, fizemos essa caminhada. Era final de tarde e a luz estava fantástica. Já estamos ficando craques em dunas e essas foram as mais imponentes que já vimos até agora, entrecortadas por lagoas que refletiam o sol de fim de tarde. Maravilhoso!
Magnífico pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA
Foi ótimo para a gente já ir entrando "no clima". Amanhã pela manhã, devemos seguir para Barreirinhas. O caminho passa através de grandes areais e campos alagados. A dica é seguir a Toyota de linha que faz esse caminho todos os dias. O motorista sabe por onde é mais raso passar. E vamos que vamos, rumo ao nosso Saara, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
Assistindo ao pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA
Chegando à Seattle de ferry, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Depois de mais uma noite sob o enorme pé direito do nosso charmoso hotel, era hora de partirmos em direção à Seattle, deixando para trás a simpática Port Townsend, a Nova Iorque que nunca foi. Antes disso, sessão de fotos do Palace, o antigo bordel reformado, restaurado e transformado em hotel.
Nosso charmoso quarto no Palace Hotel, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Banheiro com uma banheira das antigas, no nosso quarto no Palace, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Hoje, ficamos sabendo mais um pedaço da história desse prédio. Foi construído no final do século XIX e por isso tem o estilo vitoriano, construído em tijolos vermelhos como todos os prédios daquela época. Também foi um dos "investimentos” daqueles que acreditavam que a cidade se tornaria uma metrópole. O interessante é que o primeiro dono desse prédio, quem o construiu, o fez com o dinheiro que conseguiu de suas aventuras submarinas no Caribe. Pois é, o cara descobriu um navio com um grande carregamento de prata afundado naquelas águas tropicais e fez uma expedição para recuperar esse metal. Naquela época, a tecnologia para isso era afundar até o barco dentro de um sino de bronze, literalmente a bolha de ar que ele respiraria enquanto durasse o resgate lá embaixo. Fico só imaginando a segurança do aparato... Bem, seguro ou não, foi o bastante para ele conseguir o seu tesouro e, com os lucros obtidos, conseguir dinheiro para construir um prédio em Port Townsend. O mesmo prédio que acabou virando um bordel e, mais tarde, o charmoso hotel em que ficamos. Que rica história!
Fachada do nosso hotel em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
A Space Needle se destaca na skyline de Seattle, estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Enfim, partimos para a curta viagem até Seattle, um pouco ao sul e do outro lado do mar. Para não dar a longa volta pelo sul da península, simplesmente pegamos o ferry. Mais um daqueles enormes barcos com o mesmo padrão e eficiência de todos os ferries que temos andado desde que saímos do Alaska. Esse sim, acho que será o último por um bom tempo. E que bela despedida que foi!
A bordo do ferry, chegando à Seattle, estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Chegar à Seattle de ferry é espetacular. A skyline da cidade, vista do mar, é imponente. Entre todos os prédios, quem logo chama a atenção é a torre conhecida como Space Needle. Qualquer um que já tenha visto aquele desenho animado da década de 70 contando a história da família Jetson, que vive no futuro, vai logo reconhecer a torre. É a cara da casa dos Jetsons! Na verdade, o criador do famoso desenho animado se inspirou mesmo na torre de Seattle para construir o seu cenário.
Visitando a Space Needle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Ainda no ferry, o PriceLine nos arrumou uma verdadeira barganha na cidade, um Hyatt por 85 dólares, incluindo café da manhã. Melhor ainda, ao lado da Space Needle e com serviço de van 24 horas por dia para nos levar até o centro e nos pegar por lá. Assim, a Fiona poderia ficar o tempo todo na garagem do hotel.
Montanhas nevadas no horizonte de Seattle, vistas do alto da Space Needle (no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos)
Devidamente instalados, saídos do charme do Palace para o conforto do Hyatt, já fomos conhecer a maior (ou pelo menos a mais alta!) atração de Seattle, a vizinha torre dos Jetsons. A torre foi construída no início da década de 60, para uma grande feira internacional que houve na cidade. Era, e foi durante muito tempo, a mais alta construção a oeste do Mississipi, com seus 184 metros de altura.
No alto da Space Needle, em Seattle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Lá encima, além do tradicional restaurante giratório, há também uma torre de observação. Nós chegamos estrategicamente no fim da tarde para poder ver as vistas diurnas e noturnas lá de cima: a baía de Seattle, os prédios do centro, as diversas colinas que formam a cidade e as montanhas nevadas ao fundo. As nuvens até deram uma folga nos minutos finais, possibilitando que o sol iluminasse a baía com suas luzes alaranjadas, justo quando por ali passava um ferry. Um espetáculo!
Ferry navega durante maravilhoso fim de tarde na baía de Seattle, visto do alto da Space Needle (no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos)
Acompanhado de um vinho, admirando as luzes de Seattle, no alto da Space Needle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Depois de vermos as luzes da cidade se acenderem e observarmos bem tudo o que pretendemos explorar nos próximos dias, era hora de voltar para o hotel. Tínhamos de nos arrumar para nosso compromisso. Pois é, já tínhamos marcado um jantar num dos restaurantes mais famosos, não só de Seattle, mas de todo o país. Foi um presente de aniversário enviado por internet por um primo que fazia questão que fôssemos conhecer o Metropolitan Grill. Okay, não precisa insistir! Assunto para o próximo post...
Seattle iluminada, vista do alto da Space Needle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Nossos últimos dias em Mauá e em Itatiaia tiveram duas coisas em comum: foram muito interessantes e sem possibilidade de acesso á internet
No dia 20 passeamos com o Pedro, ìris, Bebel e Haroldo no Vale do Alcantilado em Mauá. Percorremos uma trilha com nove cachoeiras. Depois, juntos, assistimos ao jogo do Brasil.
No dia 21 viajamos para o Parque de Itatiaia mas não pudemos entrar no Parque pois já estava tarde. A gente se hospedou na deliciosa Pousada dos Lobos.
No dia 22 subimos o Pico das Agulhas Negras e viemos para Passa Quatro, onde já agendamos uma longa caminhada amanhã bem cedo até a Pedra da Mina, onde devemos acampar e dormir na noite do dia 23, a quase 2.800 metros de altitude.
No dia 24 voltamos para cá e finalmente teremos internet e tempo para postar textos e fotos. Muitas fotos legais que já temos e outras que vamos fazer nessa linda caminhada
Abs a todos
Rodrigo
Boteco tradicional no Mercado Municipal de Belo Horizonte - MG
Enquanto a Fiona passava o dia dando uma recauchutada geral eu e a Ana fomos fazer passeios que eu nunta tinha feito aqui na capital mineira. Quem também está racauchutada é a Praça da Liberdade, antigo centro do poder em Minas. Um pedacinho de Paris dentro de Belo Horizonte. Na minha infância, era o local da famosafeira hippie de BH. Para onde será que foram?
Flores na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte - MG
Mais tarde, após um almoço natureba, fomos ao Parque Municipal, fechado às segundas e ao Palácio das Artes, onde havia o melhor cinema da cidade antes do advento dos shoppings. De lá, À pé para o Mercado Municipal. Como bem disse o Dedé, lá na Lapinha, uma visita ao mercado é sempre uma das melhores maneiras de se conhecer a alma da cidade. E se for assim mesmo, a alma de BH está muito bem pois seu mercado é um dos mais interessantes do país. Já era assim desde os tempos em que minha família, ainda antes de eu nascer, vivia na vizinhança, esquina da Augusto de Lima com Rio de Janeiro. Ao passar nesta esquina hoje, estranho... senti como se tivesse morado lá também. Enfim, foi um passeio bem gostoso, pelas ruas do mercado. Além de um chopp gelado, castanhas e pão de queijo, a Ana ainda encomendou uma bolsa para o tripé da nossa máquina fotográfica.
Mercado Municipal de Belo Horizonte - MG
Fomos pegar a Fiona que, além da revisão normal, ganhou um reaperto na suspensão e um filtro novo do ar condicionado. Depois de tanta estrada de terra, não é de se estranhar... Limpa e mais linda do que nunca, amanhã ela vai nos levar mais longe aqui em BH, na lagoa da Pampulha, no Mirante do Magabeiras e no Belvedere ver no que ele se transformou. Veremos...
Sempre-Vivas pintadas, no Mercado Municipal de Belo Horizonte - MG
Com Jorge Amado no Vesúvio, em Ilhéus - BA
Enquanto não chegava a hora do médico da Ana, no meio da tarde, aproveitamos para passear e fotografar um pouco do centro de Ilhéus, além de usar a excelente internet do Ilhéus Praia Hotel, a mais rápida que já encontramos na viagem.
Catedral de Ilhéus - BA
A catedral é dos tempos de glória da cidade, no auge da cultura do cacau e de seus barões. Não faltava dinheiro para grandes edificações, seja igrejas, seja palacetes residenciais. Aos poucos, a cultura do cacau foi decaindo e recebeu seu golpe de misericórdia com a praga da Vassoura de Bruxa, há uns 20 anos. Hoje, o pouco que resta da cultura de cacau serve mais ao turismo e não é nem sombra do passado.
Interior da catedral de Ilhéus - BA
Por falar em turismo, a figura e o nome de Jorge Amado são usados ao máximo. Tem até um "Quarteirão Jorge Amado". Tudo em honra ao filho mais ilustre da cidade e também para atrair os fãs de seus livros, que estão sempre a tirar fotos no Vesúvio.
O famoso bar Vesúvio, de Gabriela e Nacib, em Ilhéus - BA
Aliás, a praça do Vesúvio, onde estão também a catedral e o nosso hotel é um dos pontos nevrálgicos de Ilhéus. Tanto é que foi lá que se encerrou a "Passeata das Mulheres por Dilma". Discursos inflamados e politiqueiros que me faziam rir e chorar ao mesmo tempo...
Manifestação das Muilheres Pró-Dilma, em Ilhéus - BA
Bom, a Ana foi ao médico e vai ficar mais uma semana sob cuidados de remédios e evitando entrar na água. Tarefa bem difícil nesse pedaço de litoral maravilhoso. Quero só ver...
O rio em Ilhéus - BA
Depois do médico, estávamos liberados para viajar à Itacaré, 60 km ao norte. O asfaltamento dessa estrada há pouco mais de dez anos provocou um boom de turismo em Itacaré, quase irreconhecível para mim. Na Pituba, a rua principal, são dezenas de pousadas, dezenas de restaurantes e dúzias da agências de turismo. A cidade se transformou num polo de ecoturismo e são oferecidos diversos tipos de passeio, desde canoagem e rafting até arvorismo, rapel e tirolesas. Sem esquecer das praias ótimas para surf e as cachoeiras da região. Eu e a Ana ainda temos de decidir o que fazer, entre tantas opções...
Praia do centro de Ilhéus - BA
Viemos direto para a mesma pousada que fiquei já duas vezes, tanto tempo atrás. É a deliciosa e charmosa Sage Point, praticamente na areia da Praia da Tiririca. Instalados, seguimos para o nosso tour noturno, começando no maravilhoso árabe vegetariano Alamain, passando pelo boteco das caipirinhas Jungle e finalizando num reagge numa barraca na Praia da Concha. O resultado é que voltamos à pousada já com a luz do dia. Foi uma daquelas noites de balada que a Ana precisa ter, pelo menos uma vêz por mês. E o quarentão aqui tem de acompanhar!Bom, agora, só o mês que vem...
Mesa de frutas para caipirinhas do Jungle, em Itacaré - BA
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
Hoje, após nosso passeio pelo centro de Seattle e ao Gold Rush Museum, seguimos apressados a um dos pontos prediletos de turistas e habitantes locais na cidade: o Pike Public Market. Um verdadeiro universo em si mesmo, paraíso de fotógrafos e fãs de salmão, visita obrigatória para quem vem à Seattle, ele não poderia faltar em nosso programação. Mas nós chegamos com pouco tempo, aceleramos por seus corredores, tiramos um punhado de fotos e saímos correndo. Tudo porque tínhamos um compromisso no final da tarde, do outro lado da cidade. Mas voltaremos aqui, com mais calma, com o devido respeito que esse maravilhoso lugar merece. A Ana encontrou um show de um DJ que ela quer muito ver, no dia 31. Decidimos, então, sair de Seattle amanhã, para conhecer os parques nacionais do Mount Rainier e do vulcão Saint Helens e retornar no dia do show. O PriceLine já nos garantiu no mesmo hotel pelo mesmo bom preço e teremos nova chance de voltar ao Pike Market para fazê-lo justiça.
Pike Public Market, o famoso mercado de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Quanto ao compromisso, a história dele começa há alguns dias, quando nos preparávamos para atravessar o North Cascades National Park, naquele dia em que pegamos muita neve na estrada. Pouco antes de entrarmos na zona montanhosa, paramos num posto de gasolina numa cidadezinha perdida do mundo, chamada Mazama. Até tivemos de sair da estrada principal e andar alguns quilômetros até chegar lá. Só fiz o desvio para não arriscar os próximos 100 km de estrada sem diesel e sem cidades. Um punhado de casas, um posto e nada mais. Pois é, não é que, enquanto abastecíamos, apareceu um cara falando em português, impressionado em ver a Fiona por ali (sempre ela!)!
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
Era o David, um americano que morou alguns anos no Brasil. Mora em Seattle e tem uma propriedade por lá. Mais interessante ainda, ele voltou do Brasil para cá em seu carro, uma Land Rover com o lindo nome de “Tudo Azul”. Junto com a esposa, que não estava ali, demoraram mais de dois anos nessa longa viagem. Enfim, já deu para perceber que rolou uma empatia total, né? Ele fez a sua viagem há cerca de dez anos e estava super interessado na nossa (e nós na dele, claro!). Contou que até hoje não conseguiu regularizar a pobre Tudo Azul aqui nos Estados Unidos. Estava, inclusive, trazendo ela para essa região perdida do mundo, com menos chance de ser pega por um policial mais encrenqueiro. Conversamos por um bom tempo, mas combinamos de nos reencontrar em Seattle, agora para conhecer sua esposa e companheira de aventuras, a Corine, e a jovem filha do casal, a Thalia, de quatro anos.
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
E hoje foi esse reencontro. Primeiro, num dos parques na costa norte da cidade, finalzinho da tarde. Se não estivesse chovendo, poderíamos ver as montanhas nevadas do outro lado da baía. De lá, seguimos para um restaurante de comida mexicana, lá da nossa saudosa Oaxaca. O restaurante acabou de ser premiado, saindo em diversos jornais. Por isso mesmo, estava bem concorrido. Mas nós chegamos cedo e pudemos desfrutar da boa comida, além da deliciosa companhia. Foram três horas de muita conversa, troca de experiências e boas risadas. Momentos que ajudaram a tornar muito mais humana essa nossa primeira visita à cidade. É sempre bom ter amigos locais e nós ganhamos três grandes amigos. Quer dizer, a Thalia ainda é pequenina, mas viva que nem ela só! Foi um enorme prazer ter compartido essa noite com os três!
A incrível Machu Picchu, no Peru
Na segunda metade do século XV, o império inca vivia seu apogeu, nos reinados de Pachacutec e de seu filho Yupanqui. Segundo os arqueólogos, foi nessa época que foi construída a cidade que hoje conhecemos como Machu Picchu. No início, seria uma espécie de fazenda, ou propriedade de campo, do grande Pachacutec, desenvolvendo-se mais tarde como uma vila. Estava localizada numa espécie de platô natural em meio às montanhas do vale do rio Urubamba, a 80 quilômetros da capital Cusco e a 2.400 metros de altitude.
De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru
Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru
Não teve uma vida longa. Menos de 100 anos após sua criação, um evento catastrófico para a civilização inca significaria também o fim da cidade: a chegada dos espanhóis e, com eles, da varíola. Na verdade, os espanhóis nunca chegaram à cidade e nem ouviram falar dela, pois Machu Picchu não era muito importante no mundo inca. Mas a doença sim, chegou lá, matando e expulsando todos os habitantes da pequena cidade. Machu Picchu ficou deserta, entregue a natureza e à vegetação que reconquistaram seu espaço.
De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru
Cruzando com lhamas nas ruínas de Machu Picchu, no Peru
Enquanto isso ocorria, os incas lutavam pela sobrevivência de sua civilização. Sua capital foi conquistada e eles foram expulsos da região andina em 1539, refugiando-se na região amazônica, onde fundaram uma nova capital, Vilcabamba. Aí permaneceram como nação livre por mais três décadas, até a conquista total por parte dos espanhóis, em 1572. Mas antes de perderem sua nova capital, resolveram destruí-la por completo, numa espécie de tática da terra arrasada, para que os espanhóis não se estabelecessem por ali. A tática funcionou, mas os espanhóis capturaram o líder inca e o executaram. Com ele, morreu também toda uma civilização. E Vilcabamba perdeu-se na história e na selva, tornando-se quase uma lenda, a cidade perdida dos incas, onde estariam escondidos seus tesouros.
Bem cedo, explorando uma ainda vazia Machu Picchu, no Peru
Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru
A partir de meados do século XIX, arqueólogos e caçadores de tesouros passaram a buscar Vilcabamba, a cidade que aparecia em diversas crônicas espanholas, mas que nunca havia sido redescoberta. Da pequena Machu Picchu, ninguém tinha ouvido falar. Pois bem, finalmente, em 1911, o historiador americano Hiram Bingham voltava ao Peru. Ele já havia estado por aqui várias vezes, disposto a encontrar a mitológica “lost city”. Tinha agora uma nova pista, boatos sobre essas ruínas quase no topo de uma montanha. Conhecida dos habitantes locais há várias gerações, foi um menino de apenas onze anos que guiou o historiador vale adentro e montanha acima até as ruínas de Machu Picchu. O local era habitado por uma família nativa que usava os terraços para agricultura de subsistência, além da criação de lhamas. Bingham não teve dúvidas: tinha encontrado a antiga capital do império e Machu Picchu “apoderou-se” do apelido que não lhe pertencia de direito – a cidade perdida dos incas. Por uma grande ironia, o próprio Bingham já havia estado nas ruínas da verdadeira capital, Vilcabamba, mas não havia reconhecido sua importância. Ao contrário, ficou hipnotizado pela imponência de Machu Picchu e seus arredores. Vilcabamba teria de esperar outras seis décadas para ter seu valor reconhecido.
Explorando as ruínas de Machu Picchu, no Peru
Um lindo dia em Machu Picchu, no Peru
Já Machu Picchu, nunca mais perdeu a fama. Ao contrário, desde que a National Geographic deu-lhe publicidade, dois anos após sua descoberta para o mundo exterior, a cidade tornou-se um ícone da arqueologia, da civilização inca e da América do Sul, atraindo cada vez mais turistas. O mato foi cortado, a grama aparada, as construções restauradas ou refeitas e sua visão passou a ser um verdadeiro colírio para aqueles que tem a sorte de aqui chegar, uma verdadeira pintura no meio de tantas montanhas, picos, vales e florestas.
Terraços e plataformas em Machu Picchu, no Peru
Céu azul em Machu Picchu, no Peru
Mas, além da beleza hipnotizante, Machu Picchu tem outra singularidade que a torna muito especial. Justamente por ter tido menos importância naquela época, os espanhóis nunca chegaram até ela. E isso fez com que ficasse muito melhor conservada que as outras cidades incas, pois além de pilharem tesouros e palácios, os espanhóis costumavam destruir tudo o que considerassem símbolos de religiões pagãs. Assim, eram poucas as estátuas e altares que resistiam á fúria “civilizatória” dos europeus. Como não chegaram à Machu Picchu, a cidade manteve-se como um verdadeiro museu para os estudiosos, talvez o melhor centro de estudos da civilização inca.
Machu Picchu, no Peru
Bem, a destruição que não veio com os espanhóis, acabaria vindo com a quantidade interminável de turistas que querem visitar essa maravilha. Assim, medidas restritivas de visitação vem sendo impostas nos últimos anos, uma tentativa de conciliação entre a preservação e a visitação. Por exemplo, o número de visitantes, agora, é restrito a 2.500 por dia. Além disso, os caminhos pela cidade agora são restritos. Praças e áreas mais amplas, agora, são território exclusivo de lhamas que vivem por ali.
A fila para entrar em Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru
As ruínas de Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru
Uma total evolução da Machu Picchu que conheci há 23 anos. Naquela época, não havia restrições de número. De qualquer maneira, não chegavam tantos assim por lá. As praças eram abertas (eu até tirei uma soneca em uma delas!) e alguns turistas até subiam nas ruínas, para um melhor ângulo para fotografar ou ser fotografado. Hoje, são dezenas de guardas por ali, para impedir uma barbaridade dessas. Pode-se escutar seus apitos restritivos o tempo todo! Outras mudança foi levar o comércio todo para fora da área das ruínas. Não se pode entrar com comida em Machu Picchu. Em 1990, havia até um MacDonalds lá encima!
Espelhos d'água em Machu Picchu, no Peru
Para quem gosta de tranquilidade, o negócio é chegar cedo. A partir das 10 da manhã, quando começam a chegar os grupos vindos diretamente de Cusco, são centenas e centenas de pessoas perambulando em fila indiana pelo caminho que dá a volta na cidade. Apenas um sentido é permitido, para facilitar o “escoamento”. Para quem chega cedinho, os guardas permitem que se ande para lá e para cá. Mais tarde, impossível!
Às seis da manhã, chegando à Machu Picchu, no Peru
1000dias em Machu Picchu, no Peru
Nós, como disse no post anterior, chegamos bem cedo. Praticamente, abrimos a cidade. demos nossas voltas, assistimos a um inesquecível nascer-do-sol e tiramos nossas fotos. Verificamos a possibilidade de subir Wayna Picchu, mas nessa época doa no, é completamente impossível conseguir um ingresso. As entradas para essa mágica montanha ao lado da cidadela estavam esgotados até o final de Agosto! São permitidas apenas 400 pessoas por dia, em duas turmas de 200. A Ana já havia subido em 2006, mas eu fiquei só na vontade. Quem mandou eu ter preguiça em 1990?
Com o Gustavo, nas ruínas incas de Machu Picchu, no Peru
Machu Picchu, no Peru
Bem, ruínas visitadas, multidão chegando, tratamos de seguir na programação. Primeiro, fomos até uma incrível ponte inca, construída em um paredão de pedra com mais de cem metros de altura. Era uma das vias de acesso à cidade, a mais incrível delas, coisa de cinema, que pensamos existir só nos filmes de Indiana Jones. Que nada! Existe aqui! A via só está aberta até a ponte, mas podemos vê-la serpenteando pelo precipício. Imaginar os incas correndo por ali, carregando lenha e filhos nas costas, é uma viagem. O Gustavo não resistiu e foi até a ponte para tirar umas fotos. Felizmente, os guardas não vão até ali...
Caminhando na trilha da ponte em Machu Picchu, no Peru
A bela paisagem ao redor de Machu Picchu, no Peru
Depois, hora de subir a montanha. A mais alta ao lado de Machu Picchu tem 3 mil metros de altura, quase 500 mais alto que a própria cidade. Também é preciso fazer reserva para ir lá, mas ela é bem menos disputada que Wayna Picchu. Tínhamos feiro reserva para a Ana e para o Gustavo (e pago por isso!), mas não para mim. Lá em Cusco, eu ainda tinha esperança de, no último momento, conseguir entrar em Wayna. Não consegui. Pior, também não consegui para a montanha. Assim, tivemos de nos separar novamente, o Gustavo e a Ana subindo e eu procurando outra coisa para fazer...
Observando uma antiga trilha inca que leva à Machu Picchu, no Peru
No final, não foi tão mal assim. Resolvi seguir para Inti Punku, o “portal do sol”, o local de onde chegam os primeiros raios a iluminar a cidade pela manhã e também o ponto de acesso de quem vem pela trilha inca, o caminho que fiz há mais de duas décadas. É uma boa subida para lá também, mas não tão alto como a montanha que subiam a Ana e o Gusrtavo. Mas, dos dois lugares, tem-se uma vista privilegiada da cidade e até de Wayba Picchu, que fica bem abaixo de nós. De Inti Punku pode-se ver também a estrada que sobe de Aguas Calientes enquanto que, do alto da montanha, tem-se uma visão ampla de todo o vale, Machu Picchu ficando bem pequenina lá de cima.
O Gustavo caminha para uma antiga e incrível ponte inca em Machu Picchu, no Peru
O Gustavo foi ver de perto essa incrível ponte inca construída em um penhasco próximo de Machu Picchu, no Peru
Para mim, foi emocionante voltar lá. Da outra vez, só estávamos eu e meu primo, impressionados e emocionados com a primeira visão da famosa cidade. Hoje, éramos algumas dezenas, mas Machu Picchu continua bela como sempre.
Em Inti Punku, com Machu Picchu e a estrada de acesso às ruínas, no Peru
Com o Gustavo, no topo da montanha de Machu Picchu, no Peru
Voltei à cidade, dei uma última volta pelas ruínas (agora na fila indiana) e decidi descer à Aguas Calientes. A trilha estava bem menos movimentada e, para baixo, é sempre muito mais fácil. De volta à rua principal de Aguas Calientes, encontrei um bar bem confortável e esperei pela Ana e Gustavo, que chegaram bem mais cansados do que eu, depois da subida á montanha dos 3 mil metros. Mas o esforço foi recompensado pela vista maravilhosa que tiveram lá de cima, com direito à muitas e muitas fotos.
No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo
No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo
Depois, todos juntos, fomos às piscinas de águas quentes que deram nome a este lugar. É claro que, movimentada como está Aguas Calientes, as piscinas também estão. Principalmente por aqueles que caminharam tanto hoje ou nos últimos dias, todo mundo merecendo uma sessão de relaxamento. Encontramos um lugar na piscina mais quente e dali não saímos nas próximas horas. O máximo de esforço que fazíamos era levantar o braço para chamar o garçom. Afinal, o calor daquelas águas combinava com uma Cusqueña gelada.
Relaxando os músculos na concorrida piscina de águas termais de Aguas Calientes, no Peru
Depois da caminhada à Machu Picchu, hora de relaxar em Aguas Calientes, no Peru
Do banho para o jantar e do jantar para o trem. Tivemos uma viagem noturna para Ollantaytambo, onde nos esperava uma noite de poucas horas. Afinal, ainda no escuro, partiríamos, já de Fiona, para algumas horas de estrada até a pequena cidade de onde se inicia a caminhada para Choquequirao. Aí sim, uma longa e penosa caminhada nos espera. Machu Picchu foi só aquecimento, hehehe. Além disso, o prêmio do esforço será algo que, nos dizem, é comparável á Machu Picchu, mas com 100 vezes menos turistas. Vamos conferir!
A gloriosa Machu Picchu, no Peru
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