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Aproveitamos o dia de chuva hoje aqui em Anchorage no quarto do quentinho...
Quase todo mundo pensa (inclusive nós pensávamos!) que o Glacier Nation...
A Patagônia é uma região magnífica durante todo o ano, mas cada estaÃ...
clenilça alves da silva(cleo) (05/04)
Oi Rodrigo boa noite ,passei para dizer que maravilha heim!!!!feliz 365 d...
Luis Gustavo Andrade Guimarães (05/04)
Parabéns ao casal !!! Me tornei um fã incondicional de vocês !!! Iss...
Joca (04/04)
Boa vida , hein ? E o nome , não sugere nada ? Acho que vou levar a Dna....
Zoe Braga (03/04)
Rodrigo, Lendo este seu post me senti em seu lugar! Comecei um blog narr...
Zoe Braga (03/04)
Que surpresa agradável encontrar o blog de vocês! Eu e meu marido estam...
A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai
Enquanto eu crescia, nas décadas de 70 e início dos 80, o nome “Punta” só podia significar uma coisa: o sofisticado balneário uruguaio de Punta del Este. Nas enormes fotos da revista Manchete, lá estavam chiques e famosos se divertindo em festas ou iates na concorrida cidade uruguaia. Isso foi muito tempo antes da Ilha de Caras ou da outra “Punta” famosa que apareceu nos anos 90 e que hoje atrai muito mais turistas que sua homônima, Punta Cana, na República Dominicana (estivemos lá também nesses 1000dias. Veja o post aqui).
A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai
Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Mas a concorrência internacional não tirou o Ímpeto dos turistas em viajar para lá. Punta del Este pode já não ter o mesmo glamour de outrora, mas a cada verão, suas praias e discotecas se enchem novamente. A população que realmente vive em Punta o ano todo é de 10 mil pessoas, mas o número de casas e apartamentos na cidade é quase três vezes maior. São das pessoas que moram em Montevideo e, principalmente, na Argentina, e voltam a cada temporada. No auge do verão, são cerca de 400 mil pessoas na cidade, não só naquelas casas de veraneio, mas também na extensa rede hoteleira e, claro, aqueles tantos que vêm apenas para passar o dia e retornar às suas cidades de origem ou gigantescos navios-cruzeiro.
Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Navio-cruzeiro ancorado nas águas tranquilas de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A nacionalidade da maioria dos turistas é argentina. Na temporada de 2011, por exemplo, foram 1,25 milhões de hermanos. Em segundo lugar estamos nós, brasileiros. Naquele mesmo ano, foram pouco mais de 300 mil brazucas, à frente dos 60 mil americanos e 100 mil europeus. Esse número representa apenas aqueles que, de alguma maneira, passaram pelos registros da cidade, como hotéis, aeroporto, rodoviária e marina. Nós, por exemplo, vindos de Fiona e apenas de passagem, não estaríamos nessas estatísticas.
Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A famosa Punta del Este, no litoral do Uruguai, é uma pequena península de menos de 4 km que se projeta para o sul sobre o Oceano Atlântico. Nós demos a volta na península, entrando pela Playa Mansa e saindo pela Playa Brava
Punta del este é uma pequena e estreita península que se projeta para o sul, sobre o Oceano Atlântico. Tem um pouco menos de quatro quilômetros de extensão e apenas alguns quarteirões de largura. De um lado, onde está a concorrida Playa Brava, o mar aberto, o Oceano Atlântico. Para o outro lado, na tranquila Playa Mansa, está o estuário do Rio da Prata e o continente. Aliás, na opinião de uruguaios e argentinos, Punta del Leste marca o fim do rio e o início do mar. Mas as fotos de satélite e as medições de salinidade da água não parecem concordar com isso. Na verdade, já seria na altura de Montevideo essa transição entre rio e oceano.
Foto de satélite do estuário do Rio da Prata, desde seu início, no delta do rio Paraná, até sua foz. Para alguns, ele termina na altura de Montevideo. Para outros o final do rio é mais adiante, em Punta del este
Foto de satélite mostra bem a diferença da cor da água na altura de Buenos Aires (Rio da Prata), Montevideo (transição) e Punta del Este (oceano)
O turismo nesse lugar idílico, uma península de areias brancas entre o rio e o mar, já é centenário. O primeiro hotel é de 1889 e os primeiros veranistas chegaram de barco em 1907, vindos de Montevideo, mas cheio de... argentinos! Já naquela época, a aspiração era fazer de Punta uma espécie de Biarritz, o famoso balneário francês. Desde então, afama e a popularidade não pararam mais de aumentar. A luz elétrica chegou em 1916 e o hotel mais tradicional da península, o San Rafael, ficou pronto em 1948.
Parte da skyline de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Para o lado do rio e do continente, as águas são calmas e as praias são as preferidas das famílias. Aí também estão a movimentada marina do balneário e a ilha Gorriti, a preferida dos iates. Do outro lado, o do oceano, a Playa Brava, com muitas ondas e a preferida de jovens e surfistas. É aí que foi inaugurada, em 1981, a escultura que se tornou o cartão postal mais famoso da cidade e do país. Foi durante um concurso promovido pela prefeitura que o chileno Mario Irarrázabal idealizou e construiu uma mão gigantesca, parcialmente coberta pela areia da praia, onde apenas os dedos aparecem. Parece até o último suspiro de alguém que se afoga no mar. Pois essa era mesmo a sua intenção, alertar os banhistas dos perigos da Playa Brava. A escultura caiu nos amores da cidade e nunca mais foi desmontada, a imagem mais conhecida de Punta del Este pelos quatro cantos do mundo, sendo fotografada, literalmente, milhões de vezes a cada verão.
Caminhando na orla de Punta del Este, no litoral do Uruguai, próximo à área de sua marina
Programação de shows em Punta del Este, no litoral do Uruguai. Quem diria, hein Ricky? Do lado do Michel Teló...
Punta del Este não é o tipo de cidade que mais nos atrai. Talvez há 100 anos, mas não como é hoje. Praia por praia, há outras bem mais interessantes na costa leste do país. Baladas caras não são o nosso forte, ainda mais acompanhados de meus pais. Lojas de marca, e elas não faltam na cidade, nunca foram meu estilo, ainda mais durante os 1000dias, onde temos tão poucos compromissos sociais. Shows de Ricky Martin e Michel Teló, definitivamente, não nos atraem. De qualquer maneira, com a fama que tem e a beleza inegável de sua natureza, ela não poderia estar de fora do nosso roteiro. Então, programamos uma rápida passagem por aqui, um almoço para aproveitar os excelentes restaurantes disponíveis e uma tarde para ver de perto suas praias e avenidas.
Viajantes overlanders alemães acampados na proximidade de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Como disse, a cidade é bem pequena e, de carro, podemos dar a volta nela, com paradas para fotos, em menos de uma hora. Nós chegamos do lado oeste, aquele das águas mais tranquilas, e logo paramos nas praias mais afastadas. Dali se podia ver a península com perfeição, além da ilha Gorriti. Na baía plácida descansava um dos enormes navios-cruzeiro que chegam à cidade diariamente. Na praia, acampados e tranquilos, jogando baralho, uma família de alemães e seu enorme carro, quase um caminhão, com que viajam pelo mundo. Muito bem instalados, bela vista e sem ter de pagar nada. Nessa época do ano, a acomodação na cidade é bem cara e uma opção mais em conta é hospedar-se na cidade de Maldonado, bem maior e com mais infraestrutura. Mas quem ficar aí vai estar meio longe do agito.
Playa Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Surfistas pegam suas ondas na PLaya Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Em Punta del Este, no litoral do Uruguai, homenagem aos 60 anos da Batalha de Punta del Este (ou do Rio da Prata), o primeiro grande enfrentamento de navios de guerra alemães e britânicos, que terminou com o afundamento do famoso Graf Spee
Depois dessa primeira parada estratégica, fomos para a península propriamente dita. Entramos pela tranquila Playa Mansa e chegamos até a marina repleta de iates. Aí, mais um tempo para caminhada e fotos. Depois, no carro outra vez, para dar a volta na península e chegar ao lado do oceano. Realmente, a diferença na agitação da água é gritante. Antes de chegarmos à Playa Brava, anda demos uma parada em um monumento que marca uma passagem no mínimo inusitada da história da cidade.
O cruzador alemão Graf Spee, orgulho da marinha nazista, antes do início da 2a Guerra Mundial
Após a Batalha de Punta del Este, o cruzador alemão Graf Spee chega avariado ao porto de Montevideo, no Uruguai
Ante a perspectiva de ser capturado pela marinha inglesa, o comandante do cruzador alemão Graf Spee prefere destruir e afundar seu navio, em frente ao porto de Montevideo, em 1939
Esse ano marca 65 anos da famosa Batalha de Punta del Este, também conhecida como Batalha do Rio da Prata. O ano era 1939, início da 2ª Guerra Mundial. As águas de Punta del Este foram o cenário do primeiro grande embate naval desse conflito, entre um navio de guerra alemão, o Graf Spee, e três navios britânicos. Pelas regulações impostas à Alemanha após sua derrota na 1ª Guerra Mundial, o país não poderia construir grandes navios de guerra. Ela se concentrou, então, em fazer barcos menores e mais bem armados, mas bem rápidos. A estrela dessa frota era justamente o Graf Spee e, desde o início da guerra, três meses antes, o cruzador alemão vinha fazendo um verdadeiro estrago na marinha mercante inglesa aqui no Atlântico Sul, inclusive na costa brasileira. Foram diversos navios afundados, sempre com o devido cuidado de se salvar seus tripulantes e passageiros. Virou questão de honra para britânicos, que dominavam os mares há mais de três séculos, capturar e afundar o Graf Spee. Jornais do mundo inteiro cobriam a caçada e milhões de pessoas acompanhavam e esperavam, ansiosas, os próximos capítulos do drama.
Pequena capela na costa leste de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Cartão postal nacional, a famosa escultura da mão enterrada na areia da praia de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Praia nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Pois foi aqui em águas uruguaias que, finalmente, o Graf Spee se encontrou com navios de guerra ingleses. Ele não fugiu do combate e, ao contrário, atacou furiosamente os três barcos, infringindo pesadas perdas. Mas ele também saiu danificado do combate e, impossibilitado de voltar a alto mar, buscou refúgio no porto de Montevideo, capital de um país neutro na guerra. Mas os consertos necessários demorariam semanas e, até lá, mais navios ingleses chegariam para esperá-lo em águas internacionais, na foz do Rio da Prata. Além disso, pelas leis da guerra, se ficasse no porto por mais de quatro dias, o navio deveria ser “internalizado” no Uruguai até o final do conflito e os alemães não tinham dúvidas que os uruguaios dariam acesso ao navio para seus amigos ingleses. Após dias tensos acompanhados pela imprensa mundial, o comandante do Graf Spee ordenou que a maioria da tripulação deixasse o navio e, com um punhado de homens, levou o barco para longe do porto e o explodiu. Afundava assim o orgulho da marinha nazista. O comandante e seus auxiliares seguiram para a Argentina, nação simpática aos alemães. Mas poucos dias mais tarde, em um hotel de Buenos Aires, vestido com sua farda militar, o comandante alemão se suicidou. Por sua honra e também para não ter de voltar para Hitler de mãos abanando. Enquanto essa terrível batalha pode ser vista e ouvida aqui de Punta del Este, os momentos finais do Graf Spee foram acompanhados de perto pelas lentes da imprensa e dos olhos de mais de cem mil pessoas que o viram zarpar do porto de Montevideo.
O delicioso restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Parte da horta do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Dentro do restaurante, tem até espaço para uma árvore crescer! (em Punta del Este, no litoral do Uruguai)
Bom, voltando do nosso passeio na história, seguimos para a Playa Brava, cheia de surfistas. Ainda paramos um pouco do lado da famosa mão enterrada, mas a quantidade de turistas e fotografias era tão grande que desistimos de fazer uma selfie por lá. A cada vez que ela ameaçava se esvaziar, um novo ônibus repleto de turistas estacionava ao lado e a confusão aumentava novamente. Tiramos nossa foto de longe mesmo, só pelo registro, e seguimos para o ponto alto de nossa passagem pela cidade: o almoço.
Almoço no restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
O estado dos nossos pratos mostra o sucesso da comida do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Nossa deliciosa sobremesa no restaurante La Huerta, Punta del Este, no litoral do Uruguai
Já fora da península, seguindo em direção ao litoral leste do país, encontramos o restaurante La Huerta. Como o próprio nome indica, muito do que é servido por ali é produzido nos próprios jardins do restaurante. Fresco, orgânico e delicioso. Para completar, uma arquitetura bem aconchegante, mistura de madeira e vidro, muita luz entrando e espaço para se ver longe. Nós nos banqueteamos felizes e o estado dos nossos pratos ao final da refeição é reflexo não só da nossa fome pelo avançado das horas, mas da qualidade da comida servida. Nem deu tempo de fotografar! Quando vimos e pensamos na foto, já era! Pelo menos a sobremesa, tão boa quanto, ainda conseguimos registrar. E assim, estômago cheio, seguimos viagem. Punta ficou para trás, junto com a mais fotografada das mãos e a heroica batalha naval, mas as saborosas lembranças viajarão sempre conosco!
Chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai, uma selfie do 1000dias e seus hóspedes, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo
A linda paisagem ao redor de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
A pequena cidade argentina de El Chaltén é o sonho de consumo de milhares de backpackers e montanhistas do mundo todo. Com menos de 2 mil habitantes, ela não poderia estar melhor localizada e isso é a sua maior atração. El Chaltén está em uma das entradas do Parque Nacional Los Glaciares, mundialmente famoso por suas belezas naturais. É também daí que partem as trilhas para duas das montanhas mais cênicas e técnicas do mundo, o Fitz Roy e o Cerro Torre. Com poucas horas de caminhada, chega-se a rios encachoeirados, lagos glaciais e geleiras que dão vazão ao segundo maior campo de gelo do mundo fora das regiões polares. Enfim, com tantos atrativos, só é de se estranhar que essa área não tenha sido ocupada antes. El Chaltén só foi fundada em 1985.
A linda paisagem ao redor de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Observando a cidade de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Na verdade, a criação da cidade não tem a ver com a beleza de sua localização, mas se insere na disputa fronteiriça entre Argentina e Chile. As questões fronteiriças entre os dois países só foi definitivamente resolvida nos últimos anos do século passado e em 1985 o governo da província de Santa Cruz, localizada no sul da patagônia argentina, resolveu criar um novo povoamento em uma área que era então disputada com o país vizinho. Nascia El Chaltén, completamente isolada de tudo e de todos. Quase 30 anos mais tarde e essa sensação de isolamento continua, a cidade muito mais integrada à natureza exuberante ao seu redor do que ao resto da civilização. Mas o crescente número de turistas fez crescer a quantidade de pousadas, assim como conexões mais confiáveis de internet e até mesmo bancos 24 horas. O resto do mundo já não está tão longe...
Um dos maiores hotéis de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Hotel no estilo alpino em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Hoje já não há mais disputa fronteiriça, apenas disputa por vagas nos hotéis, pousadas e campings da cidade, principalmente nos meses de verão. A gente, como sempre sem reservas, teve um certo trabalho em encontrar lugar, mas ao final deu tudo certo. Viemos para passar vários dias e tivemos até de trocar de pousada no final, justamente por problema de espaço. Todos os que chegam estão buscando as atrações do Parque Los Glaciares, fora da cidade, mas aqui é a base da maioria das pessoas. Passamos boa parte das horas do dia caminhando no mato ou em alguma excursão, mas no final de tarde boa parte das pessoas está de volta, as ruas e restaurantes da cidade ganham vida e a noite continua em um punhado de bares mais animados. No dia seguinte, cedo, pé na trilha novamente!
Fim de tarde em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Depois de caminhada, chegando de volta à El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
O público, de maneira geral, é jovem como a cidade. Gente bonita e saudável, amante da natureza, de trekking, das montanhas. Esse espírito explorador é contagiante e é a cara de El Chaltén. Nas ruas, ouve-se muitas línguas, prova inconteste da vocação cosmopolita da cidade. É fácil conhecer pessoas e fazer amigos nas pousadas e bares. Todos os que estão aqui tem muita coisa em comum e isso puxa assunto.
A simpática cidade de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Rua de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Nossos dias por aqui seguiram exatamente esse ritmo. Caminhadas longas pela região durante o dia e comida em alguma mesa na calçada aproveitando o calorzinho de fim de tarde. Quando voltávamos das trilhas, era uma alegria quando víamos os telhados coloridos de Chaltén no fundo do vale. Significava que estávamos pertos, de comida e de cerveja. Sentados, logo apareciam os amigos, novos ou antigos. Reencontramos por aqui, numa feliz coincidência, o Marco e a Tina, o casal suíço que conhecemos no Panamá e que dividiu o contêiner da Fiona conosco, na travessia para a Colômbia (link da história aqui). Nossa última vez juntos tinha sido na península de La Guajíra, extremo norte da América do Sul (reveja esse reencontro aqui). Depois, ainda em contato, quase nos vimos no Perú. Mas o destino quis que fosse no sul da patagônia que voltássemos a nos ver. Muito joia!
O feliz reencontro com a Tina e o Marco, o casal suiço que conhecemos no Panamá e Colômbia, em El Chaltén, na patagônia argentina
Encontro com brasileiros (pai e filho) em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Também fizemos amigos novos, como uma simpática e energética dupla de brasileiros, pai e filho, viajando e caminhando juntos pelas lindas trilhas de Chaltén. E também foi em um desses caminhos que encontramos pela primeira vez, ao menos ao vivo, o simpaticíssimo casal dos Nerds Viajantes, blogueiros de Belo Horizonte. A gente se conhecia pela internet e quase havíamos nos encontrado no Parque de Grand Teton, nos Estados Unidos. Agora, sem combinar nada, no meio da trilha, lá estavam eles. Foi muito joia e vou tratar mais desse encontro no próximo post.
Juntos com o Helder e a Lilian, os Nerds Viajantes, em El Chaltén, na patagônia argentina
Pequeno restaurante em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Falando em trilhas, vamos fazer três delas. As duas primeiras, em sistema de bate e volta. Ou seja, caminhamos e voltamos para a cidade no mesmo dia. Na terceira, ficaremos acampados uma noite no parque. Todas essas trilhas seguem em direção à mais bela e fotogênica das montanhas, o monte Fitz Roy. Aliás, o nome original dessa montanha, dado pelos nativos Tehuelches, era Chaltén. A denominação da jovem cidade é uma forma de homenagear a montanha vizinha, assim como tentar reparar a injustiça de haverem mudado o nome da montanha. “Chaltén” quer dizer “montanha entre nuvens”, alusão ao fato de que o Fitz Roy está quase sempre nublado. O nome atual homenageia o capitão do barco Beagle, aquele em que viajou Charles Darwin na primeira metade do séc. XIX. Nas suas explorações, o barco subiu o rio Santa Cruz, além de ter passado semanas na costa patagônica. Por isso, o famoso explorador e cartógrafo argentino Francisco Moreno (mais conhecido como Perito Moreno) quis homenageá-los quando descobriu a montanha para o mundo ocidental em 1877. Sim, este é o mesmo Perito Moreno que dá nome ao famoso glaciar, ao Parque Nacional e à pequena cidade em que passamos, além de tantas outras coisas mais neste país.
Food Truck em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Arte na rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
A montanha Fitz Roy é mesmo magnífica e, desde que o tempo esteja limpo, nós já a começamos a ver da estrada muito antes de chegarmos à cidade. O coração até acelera quando reconhecemos a silhueta de uma das mais famosas montanhas do mundo, tanto por sua beleza como pela extrema dificuldade técnica de subi-la. Com 3.405 metros de altitude, ela tem bem menos da metade da altura de suas congêneres no Himalaia, mas enquanto mais de 100 pessoas chegam ao cume do Everest em anos favoráveis, por aqui são muito comuns os anos em que ninguém atinge o ponto mais alto dessa montanha quase mágica. Ela foi escalada pela primeira vez em 1952 e, até hoje, apenas os melhores do mundo ousam enfrentar seus paredões vertiginosos, onde gelo e pedra se mesclam numa mistura quase suicida.
Festival de comidas de rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Festival de comidas de rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Depois de trilha, recuperando as energias em restaurante de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
É claro que nós, simples mortais, não vamos tentar subir o Fitz Roy, mas apenas chegar perto dele para a devida reverência. E ao fazer isso, estaremos entrando e explorando o Parque Nacional Los Glaciares. Criado em 1937 e declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 1980, esse parque com mais de 7 mil km2 é o segundo maior do país. Seu nome é uma referência à gigantesca capa de gelo localizada entre as montanhas andinas e que alimenta nada menos que 47 grandes glaciares. Treze desses rios de gelo correm para o lado argentino, enquanto os outros seguem em direção ao Oceano Pacífico, no lado chileno. Dos que vem para o lado de cá, os mais famosos são o Viedma, onde vamos fazer aulas de escalada no gelo, e o Upsala e Perito Moreno, um pouco mais ao sul e que visitaremos em alguns dias. Esses três glaciares são a principal fonte de água dos enormes lagos Viedma e Argentino que juntos formam o rio Santa Cruz (aquele explorado pelo Beagle), que desagua no Oceano Atlântico.
Depois de caminhada, chegando de volta à El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Um dos novos bairros de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
A fonte de todas essas geleiras e de toda essa água que irriga dois oceanos é o Campo de Gelo Sul, o segundo mais extenso do mundo fora das regiões polares, atrás apenas de uma enorme capa de gelo na fronteira dos estados canadenses do Yukon e Columbia Britânica e do estado americano do Alaska. Mas essa se encontra em uma latitude muito maior que o Campo de Gelo Sul e até quase poderia ser considerada em zona polar também. Com mais de 12 mil km2 e 350 km de extensão sul-norte, o Campo de Gelo Sul tem 80% da sua área em terras chilenas e o restante dentro das fronteiras argentinas.
A estrada que chega à El Chaltén e ao Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
O famoso Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina
Junto com seu irmão menor, o Campo de Gelo Norte, todo em terras chilenas, essas enormes capas de gelo são o que restou (cerca de 4%) do gigantesco lençol de gelo que cobria todo o sul do Chile e parte da patagônia argentina durante a última era glacial, 15 mil anos atrás. Hoje, formam um dos maiores reservatórios de água doce do mundo e, assim como capas de gelo em todo o planeta, estão sendo fortemente afetados pelas mudanças climáticas, derretendo a níveis alarmantes. Curiosamente, alguns dos glaciares que nascem nesses campos de gelo estão aumentando de tamanho, mas a maioria deles segue a tendência mundial e diminuem de ano a ano. Atualmente, quase todo o seu entorno é protegido por parques nacionais que protegem algumas das áreas consideradas as mais belas do planeta. No lado argentino, a leste, o Parque Nacional Los Glaciares. No lado chileno, ao sul, o Parque Nacional Torres del Paine e a oeste, o Bernardo O’Higgins.
Imagem do Google mostra os campos de gelo sul e norte, remanescentes da última era glacial
Imagem da NASA mostra o Campo de Gelo Sul, entre Chile e Argentina, a segunda maior extensão de gelo no mundo fora das regiões polares. Diversos parques nacionais nos dois países protegem essa área
Essa é a área que começamos a explorar hoje, não só o Los Glaciares aqui na Argentina, mas também o Torres del Paine, no Chile, em poucos dias, e o Bernardo O’Higgins em poucas semanas. Enfim, é uma temporada que promete muitas imagens e histórias e sonhávamos em chegar nessa região desde que iniciamos nossos 1000dias. Finalmente, essa hora chegou! Nos inúmeros posts que se seguirão, certamente terei mais chance de falar dessas montanhas, glaciares e parques, sua história, geografia e futuro incerto. Vamos que vamos!
Depois de caminhada, lanche com cerveja no sol de fim de tarde em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina
Conhecendo as dunas de Genipabu - RN
Hoje fomos passear em dois dos principais pontos do litoral norte potiguar: Genipabu, famosa pelas dunas e Maracajaú, conhecida pelos mergulhos. Fomos e voltamos para nossa "casa" em Natal. Acho que ainda não tinha falado, mas nós estamos num aparthotel aqui na capital. Dois quartos, cozinha, banheiro e até uma sala! Tão bem instalados assim, resolvemos fazer mais um bate-volta para poder aproveitar a sensação de lar, doce lar.
Andando de bugue pelas dunas de Genipabu - RN
Primeiro, fomos à Genipabu. Ou Jenipabu? As placas na estrada não chegam a um consenso. Nem as placas dos hotéis e pousadas da cidade. E nem as pessoas com quem falamos. Bom, eu que aprendi com "G", fico com Genipabu!
A linda paisagem do alto das dunas de Genipabu - RN
O grande atrativo da cidade são os passeios de bugue pelas dunas móveis. Com emoção, claro! Eu, que já havia feito esse passeio outras três vezes (o último há onze anos!), estava decidido a não fazer dessa vez. Na última vez, fiquei com a sensação de estar "agredindo" as dunas. Do alto de um dos mirantes, via dezenas de bugues rasgando as montanhas de areia. A sensação é que elas estavam sendo violentadas. Mas hoje, primeira vez da Ana, acabei decidindo fazer mais uma vez...
Passeio de dromedálio em Genipabu - RN
E foi jóia. Fiquei com uma sensação muito melhor. Acho que foi porque não havia tantos bugues como da outra vez. Lá do alto, tem-se uma vista magnífica da capital, ao longe, do campo de dunas ao redor e do mar azul lá embaixo. Tem também a lagoa de Genipabu, encravada no meio das dunas e, finalmente, a exótica figura de dromedálios caminhando pelas areias. Eles foram importados já há uma década, mas agora já se reproduzem por aqui. Fazem a alegria das crianças.
Andando de bugue pelas dunas de Genipabu - RN
Além das vistas, tem a emoção das manobras dos bugueiros, descendo e subindo dunas. Tenho a impressão que hoje eles são mais comedidos que antigamente, quando a atividade era menos regulamentada. Perde-se um pouco de emoção, mas ganha-se muito em segurança...
Praia cheia em Genipabu - RN
Praia de Maracajaú - RN
Fim do passeio, seguimos direto para Maracajaú. Afinal, em pleno domingão, a farofa imperava na praia de Genipabu, o que não faz muito nosso estilo. Em Maracajaú, ao contrário, reinava a paz e a tranquilidade. O movimento havia sido pela manhã, quando turistas vieram diretamente de Natal para fazer os mergulhos nos parrachos, aproveitando a maré baixa, e já haviam retornado à capital.
Tomando sol no finzinho da tarde em Maracajaú - RN
A grande atração da cidade são essas piscinas naturais, distantes 7 km da costa, chamadas aqui de "parrachos". Eu já tinha feiro esse passeio em 2000. Jóia, mas bem parecido com o que fizemos nas Galés, em Maragoji. O que queríamos mesmo era mergulhar num ponto mais distante ainda, cerca de 14 milhas, chamado de Risca do Zumbi. Dois grandes naufrágios para serem visitados, além de uma vida marinha abundante. Infelizmente, até pela distância, o mergulho com garrafas não está muito desenvolvido por aqui e as idas à Risca só ocorrem em situações muito especiais. Parece que uma vez por mês. Assim, nosso mergulho na Risca ficou adiada para a segunda versão dos 1000dias, infelizmente.
Esperando o almoço em Maracajaú - RN
Aproveitamos a praia vazia (já fazia tempo!) e as águas mornas do fim de tarde. Além disso, faturamos um peixe delicioso, absolutamente sem espinhos, ao molho de camarão. Depois, enfrentamos o trânsito de volta à nossa casa em Natal, noite de despedida do lar. Amanhã, tudo empacotado, seguimos em frente. Vamos atrás da calma e beleza de Galinhos, já a meio caminho do Ceará.
Conhecendo as dunas de Genipabu - RN
Montanhas coloridas em estrada que atravessa a Quebrada de Humahuaca - Argentina
As "quebradas" aqui no norte da Argentina são os vales e caminhos formados por antigas geleiras por entre as montanhas da região. O gelo se foi, perdido no tempo, mas os enormes leitos de pedra ficaram e hoje são o caminho de pequenos rios e também de estradas que fazem a ligação entre as planícies e a "puna", as terras altas argentinas, continuação do altiplano boliviano.
Montanhas coloridas em estrada que atravessa a Quebrada de Humahuaca - Argentina
Caminhar ou dirigir por elas dá uma idéia da enormidade das geleiras que aqui existiam. Hoje, são fontes inesgotáveis de pedras, areia e material de construção e é muito comum ver caminhões e tratores se "abastecerem" nos seus leitos de pedra.
Linda paisagem em estrada que atravessa a Quebrada de Humahuaca - Argentina
A mais conhecida desses antigos caminhos do gelo é a "Quebrada de Humahuaca", que desde tempos coloniais é o principal caminho entre as terras férteis do norte argentino e o altiplano boliviano. Há trezentos anos atrás, quando Potosí era a cidade mais rica das Américas, era por aqui que transitavam os alimentos e outros víveres para sustentar a população de quase 200 mil pessoas da cidade boliviana situada a 4 mil metros de altitude, onde quase nehuma planta consegue crescer.
Linda paisagem em estrada que atravessa a Quebrada de Humahuaca - Argentina
Nesta verdadeira "avenida" por onde transitavam enormes comboios de mulas carregando alimentos, tecidos e metais, muitos povoados se desenvolveram, muitas vezes ocupando o lugar de aldeias muito mais antigas, de povos que precederam os incas. Esse caminho estratégico foi um dos principais campos de batalha na luta pela independência da América Espanhola e muito sofreu com a guerra. As pacatas tropas de mulas foram substituídas por exércitos de gaúchos, na sua versão hermana, em sua luta contra as tropas realistas, fiéis à antiga metrópole.
Vista da pequena vila de Humahuaca - Argentina
Hoje, ao invés de mulas ou gaúchos, são turistas que percorrem a região, atraídos pela sua história e, principalmente, pela sua incrível beleza natural. As quebradas são sempre cercadas de enormes montanhas ricas em minérios. Dependendo do minério, o contato com o ar ou a água gera uma cor diferente. O incrível resultado são montanhas, encostas e paredes coloridas, com vários tons de vermelho, amarelo e cinza. Adicione a vegetação e temos vários tons de verde também. Soma-se a isso o azul do céu e o branco da neve, gelo e nuvens e estamos num verdadeiro labirinto de cores.
O vistoso monumento ao povo indígena, em Humahuaca - Argentina
Alguns dos povoados que se desenvolveram na Quebrada de Humahuaca acabaram se tornando centros turísticos, com pousadas charmosas, restaurantes apetitosos e museus interessantes. Um desses povoados é a pequena Tilcara, que escolhemos como nossa base para explorar a região. Deixamos as suas próprias atrações para o dia de amanhã e hoje rumamos para as cidades vizinhas.
Visita à Humahuaca - Argentina
Nosso primeiro destino foi a cidade de Humahuaca, mesmo nome da Quebrada. A primeira atração é o próprio caminho até lá, sempre as incríveis montanhas coloridas a nos cercar. Como ontem chegamos de noite, hoje foi a primeira vez que tivemos a chance de admirar essa paisagem magnífica que irá nos acompanhar pelos próximos dias. Chegando à cidade, a atração é o pequeno centro antigo, que gira em torno de uma praça. Ao redor dela, uma antiga igreja, o cabildo com sua famosa torre do relógio e a escadaria que leva a um gigantesco monumento que homenageia o povo indígena da região.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Tiramos fotos desses prédios antigos e também do alto do monumento, de onde se pode vislumbrar toda a vila e a incrível paisagem que a cerca. Mas, sem dúvida nenhuma, o grande evento para nós foi a cerimônia que se realizava entre a igreja e o cabildo em homenagem a Pachamama, a mãe-terra dos povos andinos. Ontem foi a virada do ano para eles e hoje, início do ano novo, é o dia de homenagem à deusa maior, à mãe terra. Turistas e passantes eram convidados a participar da homenagem e a Ana logo se voluntariou, ligada e interessada que é nessas questões. Eu fiquei de fotógrafo do ritual e a Ana fez uma bela descrição de todo o processo e assunto em um post em seu blog. Não percam!
Visitando a "La Posta de Hornillos", na Quebrada de Humahuaca - Argentina
Depois do passeio na cidade e da homenagem à Pachamama, continuamos nosso tour pela quebrada de Humahuaca. Voltamos na direção de Tilcara e seguimos até a Posta de Hornillos, uma antigo pouso transformado em museu. Situada em ponto estratégico da Quebrada, foi disputada arduamente entre os realistas e as tropas que lutavam pela independência, tendo trocado de mãos diversas vezes na guerra que se extendeu de 1810 à 1820. É um lugar muito gostoso de se visitar, principalmente pelo local onde está, entre as montanhas coloridas e o vento gostoso que nunca cessa, o único som naquele enorme silêncio, uma espécie de símbolo do tempo e da história que também nunca param, nunca cessam. O que para nós, hoje, é o concreto, o eterno, para algum visitante do fututo será apenas história, assim como as batalhas de outrora são para nós uma página virada, uma curiosidade do passado.
Bandeira argentina tremulha em "La Posta de Hornillos", na Quebrada de Humahuaca - Argentina
Silenciosos e contemplativos (a beleza da paisagem ajuda bastante!), voltamos para Tilcara, ainda em tempo de um lanche num restaurante da rua principal com mesas na calçada, aproveitando a luz do fim de tarde. De noite, agora já bastante frio, achamos outro restaurante, quentinho, para nossa refeição regada à vinho regional. Aqui, estamos aprendendo que o universo vinícola argentino é bem maior do que a conhecida Mendoza. Amanhã, deixamos nosso delicioso hotel em Tilcara, rumo à metrópole local de Salta. Mas antes, ainda temos de visitar as ruínas de Pucara e a Garganta del Diablo, as duas grandes atrações na nossa charmosa base de esplorações na Quebrada de Humahuaca.
Cerveja escura produzida na região de Salta (em Tilcara - Argentina)
De noite, brilha o farol de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
Faltava um pequeno detalhe para tornar Cabo Polonio um lugar ainda mais incrível: o pôr-do-sol. Quando se está em uma grande cidade, não pensamos nisso ou, de outra maneira, não é algo que combine com o ambiente. Mas em um pequeno povoado ao lado do mar, tão ligado à natureza e onde nem eletricidade há, um belo entardecer, daqueles que o céu fica todo pintado, é quase mandatório, o complemento ideal de um dia perfeito.
Jovens se reunem no fim de tarde na praia de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
Admirando o fim de tarde em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
Pois bem, mas como esperar isso em uma cidade que fica voltada para o Atlântico? Aqui, seria natural um nascer-do-sol no mar. Mas a natureza deu um jeitinho e não deixou faltar o espetáculo de fim de tarde nesse pequeno paraíso uruguaio. A costa se torce, se esforça, dá uma volta e eis que, de uma maneira quase mágica, podemos sim assistir ao pôr-do-sol na praia do sul do farol. O astro-rei não se esconde exatamente atrás do mar, mas atrás de dunas bem distantes e seu reflexo sim, parece pintar o oceano de laranja e amarelo. É simplesmente de tirar o fôlego...
Depois da chuva, um arcoíris toma conta do céu em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
Bar especial para fer o fim de tarde em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
Por isso, todas as tarde, população local e visitantes convergem para a praia para assistir um apagar das luzes glorioso. É ao som das ondas do mar que vemos, e quase ouvimos, o sol abaixar atrás do horizonte, enquanto o céu passa do azul claro para o esbranquiçado, do amarelo ao vermelho, do roxo ao negro. Durante esse caleidoscópio de cores celestes, as pessoas jogam vôlei na praia, dão um último mergulho, bebem uma caipirinha no bar, conversam em grandes rodas na areia ou simplesmente admiram, extasiadas, o belo entardecer.
O pôr-do-sol "explode" nos céus de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
O pôr-do-sol "explode" nos céus de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
A cada dia, o espetáculo tem suas peculiaridades e detalhes. Na nossa primeira tarde, pouco antes do céu começar a ficar alaranjado, ele ganhou foi um extenso arco colorido com as sete cores básicas. Era um gigantesco arco-íris, sinal que a chuva da tarde tinha mesmo partido e aberto espaço para o espetáculo do pôr-do-sol. Na segunda tarde, foi a vez de assistirmos, eu e a Ana, não da praia, mas do alto das dunas, o sol se pôr atrás do próprio farol, em um momento ainda mais mágico, mas dessa vez sem fotos...
Um magnífico fim de tarde em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
Um magnífico fim de tarde em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai
Depois, quando fica tudo escuro, aí é a vez de começar outro fenômeno muito popular em Cabo Polonio: a escuridão. Sem luz elétrica, são as estrelas e a lua que mandam no firmamento. Quer dizer, pelo menos naqueles doze segundos em que dura a escuridão. Doze segundos? Sim, esse é o tempo que leva para a luz do farol dar uma volta completa e cortar o céu com seu facho de luz onipotente e onipresente. Esse é o ritmo da cidade durante a noite. Doze segundos. Mais ainda quando se apagam os últimos geradores e sobra apenas a luz do farol. Uma mistura de relógio e de guia, de coração palpitante e pulsante desse parque nacional. O ritmo hipnotiza quem vem até aqui e é a marca registrada de Cabo Polonio. Não foi a toa que um dos grandes admiradores dessa praia, o famoso e ótimo músico uruguaio Jorge Drexler, homenageou a cidade e o farol com uma balada inesquecível: “12 segundos de Oscuridad”, a trilha sonora de Cabo Polonio nas concorridas noites escuras de verão.
Mosaico de Rodrigos, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Um esforço tremendo para sair da cama gostosa cedinho. Mas tínhamos muito para ver e fazer. Nada melhor que um super café da manhã, com o tradicional pão de queijo, uma vista de encher os olhos e frutas, muitas frutas! Até carambola, junto com morango, pêra, kiwi, melão, mamão e uva eu coloquei no meu iogurte com granola. Quanta saúde! Para completar, dois sucos maravilhosos: laranja com maçã e morango com abacaxi. É, foi uma overdose de frutas...
Café da manhã cheio de frutas da Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Bem patrão na Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Depois, seguimos para Inhotim, atração cinco estrelas de BH, Minas e do Brasil. Um enorme museu, ou área de exposições numa propriedade que bem podia ser uma fazenda. Cheia de lagos e com jardins que devem estar entre os mais belos do mundo, as trilhas nos levam de galeria em galeria, de obra de arte em obra de arte. Uma experiência em todos os sentidos.
A galeria de Adriana Varejão, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Difícil dizer o que mais chama a atenção em Inhotim. Para mim, foram os jardins e as "experiências sonoras" em algumas das galerias. É incrível a sensação de caminhar por uma floresta de caixas de som, todas de alta qualildade, reproduzindo os sons de uma orquestra ou de um coro. Cada uma delas reproduzindo um instrumento ou uma voz. A sensação é de se estar no meio de tudo e o nosso caminhar acrescenta movimento, o que torna a experiência ainda mais interessante. Em outra galeria, são os sons que se movem de uma caixa para outra, o que de certa forma engana o nosso cérebro. É fascinante ser "enganado", neste caso.
Observando a arte de Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Outra experiência de arrepiar é ouvir o "som da Terra". Num poço com mais de 200 metros de profundidade foram colocados microfones de captação que ampliam e equalizam o som captado para que possamos ouvi-lo. Parece que a Terra está gemendo. Como os sons aumentam e diminuem, parece mesmo uma espécie de linguagem, que a Terra está querendo falar conosco. Impressionante.
Caminhando em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Deliciados com Inhotim, seguimos para outro patrimônio cultural mineiro. Este, mais voltado ao passado. É o Santuário do Caraça, que funcionou como colégio, talvez o melhor do Brasil por muito tempo. Ele está localizado no alto da Serra do Espinhaço, no meio das montanhas. O visual deve ser maravilhoso, mas eu e a Ana só poderemos ver amanhã, já que chegamos de noite. Chegamos a tempo de nos instalar no próprio colégio, que agora recebe visitantes e aproveitar a noite de lua cheia e o ar puro do local. Só não conseguimos ver os lobos que, muitas vezes, vem se alimentar na frente da igreja da carne deixada lá para eles. Bem que enfrentamos a noite fria para vê-los, mas acho que eles estavam meio preguiçosos.
A Ana esperando a aparição dos lobos no Caraça - MG
Amanhã, caminhada pela região, pelo próprio santuário e museu. Depois, partimos para Mariana e Ouro Preto, em busca do mergulho na Mina e também do sobrinho Lulu, que está viajando com o seu colégio. Passaram pelo Caraça um dia antes de nós...
Visão noturna da centenária igreja do Caraça - MG
Praia Dura com Corcovado ao fundo em Ubatuba - SP
Um pouco de rotina para variar a rotina da falta de rotina. Esse foi o espírito hoje. Nessa nossa viagem de constantes movimentos e mudanças, sentimos falta de uma rotina diária. Nada melhor que matar a saudade dela aqui em Ubatuba, onde minha família acabou desenvolvendo uma rotina depois de tantas temporadas.
Assim, logo cedo a Edna chegou e já tínhamos café preparado quando acordamos. Bem alimentados, fomos caminhar na deliciosa Praia Dura, vizinha da Praia Vermelha. Céu azul, praia limpa e água do rio cristalina como poucas vezes vi na vida. Mistura de maré baixa com falta de chuvas? Enfim, cenário ideal para uma saudável caminhada.
Caminhada na Praia Dura em Ubatuba - SP
Depois, compras na quitanda para abastecer a casa. Voltamos para a Praia Vermelha, deixamos as compras em casa e descemos para a praia para dar um merecido tchibum. A temperatura da água, após as cachoeiras da Mantiqueira, não poderia ser mais agradável. Foi até estranho entrar na água e não ter de sair correndo ou a cabeça começar a doer. Que delícia! E que visual! Desculpe-me os outros litorais, mas este aqui que vai de Ubatuba à Parati é o mais bonito que temos. Serra do Mar, Mata Atlântica e a cor esvedeada do mar se unem numa harmonia digna de pintura. Cada canto de praia (e são centenas!) valeria um quadro.
Vista das praias do Lázaro e Domingas Dias em Ubatuba - SP
Bom, voltando à rotina, damos um mergulho, nadamos até a raia e voltamos para casa, onde a Edna nos espera com uma deliciosa caipirinha. Sem a mãe por perto, posso até pedir repeteco! Antes disso, aquela ducha refrescante e secreta, sinônimo de saúde. Depois, aquele almoço gostoso com vista para o mar.
Com a Edna na casa do Sérgio em Ubatuba - SP
Tarde preguiçosa vendo os lusos voltando para casa. Logo está escuro, é inverno. Inverno assim, ninguém pode reclamar...
Amanhã cedo, um pouco mais dessa "tediosa" rotina. Vamos emendar um passeio/caminhada também.
Praia Vermelha vista da Praia Dura em Ubatuba - SP
O bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Um dos programas mais encantadores do Rio de Janeiro é passear pelo bairro de Santa Teresa. Localizado no morro de mesmo nome, ele propicia vistas lindas da orla carioca, é um centro de culinária, bares charmosos e ateliês de artistas, e suas ruas carregam mais de 200 anos de história.
Mapa do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, um dos primeiros a se formar fora da região central da cidade
Tudo começou em meados do séc. XVIII, quando foi instalado no então Morro do Desterro o convento de Santa Teresa. Ainda era uma área fora da cidade, em meio à mata nativa e muitas fontes de água. Aliás, é mais ou menos da mesma época a construção do Aqueduto da Carioca, os famosos Arcos da Lapa, que traziam água do rio da Carioca para abastecer várias fontes na cidade do Rio de Janeiro. Esses arcos ligam exatamente o Morro de Santa Tereza ao Morro de Santo Antônio.
Rua e casaróes de de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
No início do século XIX, o morro começou a ser ocupado pela então classe alta da cidade, que aí construía suas casas e mansões inspirados na arquitetura francesa da época. O bairro foi uma das primeiras expansões da cidade para fora do núcleo inicial do povoamento. Meio século mais tarde a ocupação se acelerou. Eram as pessoas que fugiam da epidemia de febre amarela que assolava os bairros mais baixos da cidade.
Almoço no restaurante Aprazível, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Restaurante Aprazivel, um dos muitos de Santa Tereza e famoso pela vista do Rio de Janeiro
Em 1872 foi inaugurado o serviço de bondes que se tornou a marca registrada do bairro. Nos primeiros anos, eles eram puxados por burros, mas em 1896 começou a funcionar ligado a rede elétrica, unindo o centro até a parte alta do bairro. As linhas de bonde logo se espalharam pela cidade, mas com a chegada dos ônibus, começaram a ser substituídas. Ao final, só sobrou a linha pioneira, que acabou virando uma das atrações turísticas de Santa Teresa e da própria cidade do Rio de Janeiro, fazendo a alegria de turistas do mundo inteiro.
O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade
O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade
Com o tempo, Santa Teresa perdeu seu status de bairro nobre assim como os demais bairros históricos da zona sul, mas tornou-se, ao longo dos anos, um bairro de interesse cultural e turístico. Foi como nós fomos conhecê-lo quando passamos por aqui em Setembro de 2010, ainda no primeiro ano dos 1000dias. Comer bem, beber cerveja gelada, socializar com amigos e, claro, fotografar os bondes elétricos, como pode ser visto nesse post daquela época.
O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade
Ladeira do Meirelles, uma das princiapis vias de Santa tereza, no Rio de Janeiro
Agora, na companhia dos amigos espanhóis Álvaro e Valentín, resolvemos voltar para mais um passeio pelo bairro. Combinamos de nos encontrar em um dos mais famosos restaurantes do bairro, o Aprazível, que além da boa comida, tem uma vista linda da cidade. Depois de alimentados, aí sim fomos caminhar pelas ruas centenárias.
Obras de revitalização do bondinho de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Arte nas ruas de Santa tereza, no Rio de Janeiro
Logo, a primeira surpresa, o que mostra como as coisas estão sempre mudando. O famoso bondinho não está mais funcionando! Um terrível acidente, quase um ano após termos passado por aqui, matou várias pessoas no bonde e o serviço foi descontinuado. Na verdade, a ideia era (e é!) reformar o circuito, para torná-lo mais seguro. Vimos várias obras ao longo dos trilhos, mas a promessa de trazer o bondinho de volta até meados de 2014 não se concretizou. Por enquanto, as imagens charmosas desse meio de transporte da época dos nossos avós só vai ficar na memória e nas fotos antigas.
Muito movimento nos bares de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Sem bonde, o negócio é caminhar mesmo. O que não falta são lugares para reabastecer nosso combustível. No caso, uma boa cerveja gelada e gente descolada, gringos e locais, jogando conversa fora nas ruas. Assim, seguimos, de bar em bar, até uma das saídas do bairro, talvez a mais famosa delas nos dias de hoje, uma escadaria toda colorida que nos leva diretamente até o largo onde estão os Arcos da Lapa.
Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Esse cartão postal cada vez mais famoso da cidade foi inspiração e obra de um artista plástico chileno que viveu muito tempo por aqui. Da outra vez que estivemos em Santa Teresa, não tivemos tempo para conhecer essa escadaria, mas ela não nos escaparia uma segunda vez. Infelizmente, a obra está aqui, mas não mais o criador dela. Há pouco mais de um ano, o emblemático Jorge Selarón foi encontrado morto nos degraus que o celebrizaram. A polícia apontou suicídio, mas as estranhas condições de sua morte também apontam a possibilidade de assassinato.
Nosso amigo Alvaro em visita ao bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
O chileno nasceu em 1947 e, aos 17 anos, iniciou suas viagens pelo mundo. Visitou mais de 50 países, mas foi no Rio que decidiu se fixar, ainda na década de 80. Sobrevivia vendendo seus quadros nos restaurantes da cidade e morava próximo a uma antiga e deteriorada escadaria que ligava o bairro de Santa Teresa aos Arcos da Lapa. A partir de 1994, depois de se inspirar na decoração feita por habitantes locais por ocasião da Copa do Mundo, começou a azulejar cada degrau da enorme escadaria. Trabalhando solitariamente e apenas com o rendimento da venda de seus quadros, conseguiu terminar o último dos 215 degraus um pouco antes do ano 2000, que era a meta que havia se proposto.
Homenagem ao chileno Selaron, autor da escadaria que leva o seu nome no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
No início acusado de louco por seus vizinhos, foi aos poucos ganhando a simpatia de todos. Ainda mais quando a escadaria começou a atrair turistas e fama para o local. Selarón continuou sua obra então, agora adornando as laterais da escadaria com obras de arte e azulejos com sua cor preferida: o vermelho Ferrari. Seus fãs do mundo inteiro passaram a colaborar, enviando de 60 países mais de 2 mil azulejos diferentes. Em Maio de 2005 toda a obra foi tombada pela prefeitura do Rio e Selarón ganhou o título de cidadão honorário da cidade.
A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Se pudesse voltar no tempo, eu teria vindo aqui naquela nossa passagem pelo bairro em 2010. Poderia ter encontrado essa peça rara e ter tido uma boa conversa com ele. mas perdemos a chance… essa história, como já disse, tem final triste. Selarón teve desentendimentos com um de seus colaboradores e alegava que estava sendo ameaçado de morte. Isso e não se sabe o que mais o levaram á depressão no final de 2012. Na madrugada do dia 10 de janeiro, após se ouvirem gritos de socorro, o artista plástico foi encontrado queimado na escadaria que revitalizou e imortalizou, confirmando sua própria pedição de que morreria quando sua obra terminasse. Ele se foi, mas a escadaria continua ali, a nos encher os olhos…
Saindo de Santa Tereza e chegando aos famosos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro
Foi por ela que descemos para, já de noite, dar de cara com outra das maravilhas cariocas, os Arcos da Lapa. Os mesmos da antiga gravura de 1790 que coloquei nesse post e que mostra também o convento de Santa Teresa. A cidade cresce, muda, se adorna, eles continuam em pé, nos ligando ao passado. Que delícia de passeio! Amanhã, temos mais escadas e morros pela frente. Um “pouco” mais altos, eu diria… vamos à Pedra da Gávea de onde, dizem, se tem as melhores vistas da cidade. A conferir…
Pintura de Leandro Joaquim, de cerca de 1790, já mostra os Arcos da Lapa. Ao fundo, o Mosteiro de Santa Teresa, que daria origem ao bairro de mesmo nome. O lago foi aterrado posteriormente e hoje é o Largo da carioca
Degustação de rum na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Hoje cedo, ao abrirmos a varanda do quarto, tivemos a bela surpresa do sol radiante. Afinal, a previsão era de chuva novamente. Só se esqueceram de avisar o São Pedro. Bem ali na frente, uma aula de Stand-up Paddle, aquele misto de pranchão e caiaque em que a pessoa rema de pé. A Ana gostou tanto que marcou uma aula para amanhã.
Aula de Stand-up Paddle na praia de Dover, em Barbados
A gente ainda correu para nossa praia vizinha, a Dover, para aproveitar um pouco o céu azul. Mas os meteorologistas não estavam tão errados assim e o tempo fechou de novo. Mas, não importa... tínhamos um programa indoors para o início da tarde!
Dia de sol e mar turquesa na praia de Dover, em Barbados
O mais famoso e antigo rum de Barbados e do mundo, na destilaria Mount Gay, na capital Bridgetown
E que programa! Uma visita à mais famosa e tradicional produtora de rum de Barbados, a Mount Gay, com direito à sessão de degustação ao final. Cada vez mais craque na direção inglesa, atravessamos a capital Bridgetown mais uma vez e chegamos à Mount Gay em tempo para a última visita do dia, às três horas da tarde. Terminava a visita anterior, o barman fazendo um verdadeiro show para os mais de 15 participantes, enquanto eles se deliciavam na bebida. Aliás, quem se deliciava mesmo era o pessoal de um outro tour, mais caro (o “Coquetel Tour”), com direito a muito mais rum. Estes ainda estavam no meio do seu tempo, mas já estavam para lá de Bagdad.
Nossa guia nos leva em tour pela destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
O nosso tour foi mais tranquilo, sete pessoas apenas. A bela e apressada guia nos contou um pouco da história da destilaria que produz o mais antigo rum do mundo, com marca patenteada desde 1703! Essa mesma bebida que saboreamos hoje já fazia a alegria dos piratas há mais de 300 anos! Isso é que é história!
Arte na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Depois, ela nos mostrou como o rum da Mount Gay é produzido, através da misturas de bebidas produzidas com uma e com dupla destilação. Depois, tudo envelhecido em barris de carvalho vindos lá do Kentucky. Agora que nós já passamos por esse estado americano, fica completamente diferente saber disso, mais pessoal.
Deliciosa degustação de rum na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Finalmente, enquanto escutávamos a cantoria das meninas que ainda participavam do “Coquetel Tour” ali na sala ao lado, chegou a nossa hora da degustação. E eu, que nunca tinha sido fã de rum, passei a ser! Pelo menos desses que nos apresentaram. Uma delícia! Esses piratas tinham bom gosto, hehehe
Deliciosa degustação de rum na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Recebemos até a oferta de nos juntar ao “Coquetel Tour”, que ainda ia longe. Mas, tendo de dirigir para casa, achamos melhor não. Meio com dor no coração, recusamos e seguimos para a Bridgetown, dispostos a parar lá dessa vez e, finalmente, conhecer a capital de Barbados.
Prédio colonial em Bridgetown, a capital de Barbados
Prédio do Parlameno em Bridgetown, a capital de Barbados
Bem espalhada, mas com um centro compacto, Bridgetown concentra mais de um terço da população do país. O centro histórico está ao lado do canal de mar que entra pela cidade, uma verdadeira marina muito bem localizada. Ali ao lado está a praça com as estátuas dos heróis do país, o pomposo prédio do Parlamento, o museu nacional e algumas igrejas.
Caminhando pelo centro de Bridgetown, a capital de Barbados
A bela marina de Bridgetown, a capital de Barbados
Tem também muitas lojas de joias, alguns poucos restaurantes na orla do canal e um passeio para pedestres ao lado do mar e numa charmosa ponte. O melhor de tudo, quase não há extrangeiros, que preferem seus resorts ou navios-cruzeiro e a gente pode observar bem a vida e o ritmo local, num pedaço do país que olha mais para si do que para os turistas que vem de fora.
Movimentado jogo de dominó nas ruas de Bridgetown, a capital de Barbados
Fim de tarde em Carlisle Bay, em Bridgetown, capital de Barbados
Quarenta minutos de explorações e fotos e voltamos para nosso carro, agora rumo a um lugar para comer, pois a fome apertava. Paramos a meio caminho de casa, na mais famosa praia do litoral sul, a Accra Beach. Um restaurante bem legal quase na beira da água logo nos atraiu. Acertamos em cheio na escolha: muito boa comida, bebidas com preço de happy hour e, o melhor, encontramos um simpaticíssimo casal de brasileiros, a Rosa e o Roberto. Cariocas de Niterói, adoram viajar e vieram para cá no voo semanal da Gol. Mas, ao invés de ficarem só uma semana, aproveitaram para dar uma esticada e passaram uma semana também em Santa Lucia. Adoraram a ilha, o que só aumentou nossa vontade de chegar lá (muito em breve!). Enfim, foi um delicioso fim de tarde em boa comida e boa companhia, tudo conversado em bom português, em pleno Caribe! E eles ainda nos deram a dica de um naufrágio em águas bem rasas na Carlisle Bay, aqui pertinho. O Roberto é mergulhador e fotógrafo submarino e nos deu várias dicas de equipamentos. Então, nossa programação de amanhã começa com snorkel!
Encontro com o casal brasileiro Rosa e Rogério, em Carlisle Bay, sul de Bridgtown, capital de Barbados
A grotesca paisagem vulcânica, pouco mais de um ano após a erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Desde que saímos do Brasil e atravessamos o Paraguai, sul da Bolívia e norte da Argentina para chegarmos ao Chile que os vulcões se tornaram uma constante em nossos horizontes. Ao longo de toda a costa do Pacífico, do Chile à América Central, essas enormes montanhas em forma de cone, algumas adormecidas, outras bem vivas, são personagens centrais da história das regiões onde estão e dos povos que ali habitam ou habitaram.
O Vulcão de Fogo, próximo à Antigua, na Guatemala
Para nós brasileiros, que não temos nada parecido em casa, essas incríveis formações geológicas ainda exercem um fascínio maior, pelo seu exotismo. Bom, no caso meu e da Ana, depois de ver quase cem deles em cerca de cinco meses, posso dizer que já estamos meio acostumados. Mas, é só nos distrairmos um pouco e o gigantesco vulto do vulcão na janela já nos impressiona novamente.
A grandiosa paisagem com duas encostas vulcânicas observadas do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Aqui em Antigua não apenas um, mas vários imponentes vulcões cercam a cidade. Dois ativos e dois dormentes, tem para todos os gostos. Um tem o sugestivo nome de Volcán del Fuego, pois é muito fácil observar, principalmente de noite, nos períodos mais ativos, as luzes das lavas e faíscas que ele expele. Muitas pessoas escalam o seu vizinho, o tranquilo Acatenango, para poder observar o “fuego” do vizinho com mais segurança.
Início da caminhada no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Outro vulcão, também em repouso, se chama Volcán del Agua. Ficaríamos tentados a imaginar que esse é menos perigoso que seu irmão raivoso. Triste ilusão. Na verdade seu nome vem do fato que volta e meia uma enorme enxurrada desce lá de cima arrasando tudo em seu caminho. A explicação é que uma lagoa se forma em sua cratera com a água das chuvas. Quando enche muito, ela transborda, destrói parte da parede da cratera e milhões de litros de água descem as encostas se transformando numa corrente de barro e pedras mortal.
Fenda por onde passava o rio de lava do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
O quarto vulcão é o Pacaya, que entrou em erupção há pouco mais de um ano. Nos meses que antecederam a erupção explosiva, rios de lava desciam as encostas e faziam a alegria dos turistas. Vimos fotos incríveis de pessoas a poucos metros da corrente de pedras ardentes, sorrisos estampados em suas faces. Alguns meses depois da explosão (maio de 2010), os rios de lava secaram e esfriaram, mas suas marcas ainda estão bem claras.
Com o Byron, que nos guiou no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Com tantos vulcões à nossa disposição, tínhamos de visitar algum! Escolhemos o Pacaya, com uma caminhada mais tranquila e um cenário mais, como posso dizer? ... vulcânico! Fica a cerca de 40 min de carro de Antigua e, no caminho, passamos por entre o Vulcão de Fogo e o Acatenango. Ao perguntar sobre o caminho a seguir no estacionamento onde estava a Fiona ficamos conhecendo o simpático Byron, que se ofereceu para ir conosco. No caminho, ainda foi nos dando informações e contando histórias da região, principalmente sobre as inundações causadas pelo Vulcão de Água.
Caldeira de lava com pouco mais de um ano de idade, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Chegando ao Pacaya, é obrigatório a contratação de um guia local. Adivinha o nome do nosso? Byron! Pois é, acompanhados dos dois Byrons seguimos vulcão acima. O Byron do Pacaya foi nos contando sobre como foi a última erupção. Ele e vários outros colegas estavam em um mirante bem próximo, observando os rios de lava que pareciam estar maiores. Junto com els, um grupo de jornalistas. Foi quando começou a erupção, enormes pedras de fogo e cinzas ferventes sendo arremessadas pelo ares a centenas de metros de altura e caindo com força mortal. O grupo que estava lá perto mal teve tempo de pensar. Desceram em disparada a montanha, se desviando da chuva ardente, numa legítima e literal corrida pela vida. Um dos jornalistas não teve sorte, foi atingido e morreu.
Esquentando-se numa das fontes de calor no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala. Sinal de que a lava ainda está ali perto!
Hoje o ambiente era mais tranquilo, exceto pelo forte vento e clima nebuloso. Quando mais subíamos, pior ficava. Cruzamos aquela paisagem absolutamente extraterrestre, nenhuma planta, nenhum verde, apenas pedras para todos os lados. O Byron nos mostrou o antigo leito do rio de lava e o ponto em que ele fez um túnel. Aliás, numa dessas câmaras a gente se abrigou por um tempo, um calor bem gostoso vindo da terra. De pensar que há pouco mais de um ano aquilo estava repleto de lava... Um pouco mais adiante e chegamos a uma reentrância na terra onde o calor era ainda maior. Com um espeto grande, é até possível fazer um churrasco! Mas, não indo tão fundo, o calor foi ótimo mesmo para esquentar nossas mãos semicongeladas!
Caminhando em meio à fantasmagórica paisagem vulcânica no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Restos da última erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Voltamos cruzando aquela incrível e desoladora paisagem novamente. A neblina conferia um ar ainda mais fantasmagórico ao local, apenas as cores de nossas roupas dando um pouco de vida na paisagem. Enfim, baixamos do nível das nuvens e o verde lá embaixo pareceu mais bonito e mágico do que nunca! É, eu gosto de vulcões. Mas gosto mais da vida!
Fenda criada por rio de lava em Junho de 2010, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
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