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Paulinha Ribas (14/07)
Prudentópolis? Não percam a comidinha mega caseira da Dona Isabel (Rec...
Manuel (13/07)
Oi Rodrigo legal estar realizando seu sonho.Almocei com a Ju e ela pergun...
Tatiana de Queiroz (13/07)
Olá, Rodrigo. Boa sorte nessa nova fase da viagem. Sinto que meu roteiro...
Ricardo Acras (13/07)
Opa, que bom que deu certo! não ia ser um visto que ia te impedir de con...
Tia Ju (12/07)
Que coisa mais linda!!!! E nao eh que eu apareci na foto mesmo??? E que v...
A famosa estátua de David, na Plaza Rio de Janeiro, centro do bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país
O dia começou com nova corrida de táxi pelas freeways que cortam a megalópole mexicana. Temos achado mais prático deixar a Fiona guardadinha na garagem do prédio do Rodrigo na distante Lomas de Santa Fé e seguir para a zona central de táxi mesmo, para não nos preocuparmos com trânsito e estacionamentos. A corrida custa uns 80 pesos (12 reais) e leva uma meia hora, dependendo do tráfego. Amanhã, aí sim vamos desenferrujar a Fiona: o destino serão as famosas pirâmides de Teotihuacán, um pouco afastadas da cidade.
A famosa estátua de David, na Plaza Rio de Janeiro, centro do bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país
Mas hoje, queríamos ir era na zona central mesmo, na área da Zócalo. Antes de nossa viagem ao Caribe estivemos lá uma vez. Mas só conseguimos ver a Catedral, o Palácio do Governo e o Templo Mayor dos Astecas. Enfim, nem saímos da praça! Hoje, queríamos era passear pelas ruas centrais, ver outros prédios, o movimento das ruas, sentir o centro de verdade.
Pintura retrata o primeiro encontro entre Cortes e Montezuma, no Hospital fundado pelo conquistador espanhol, na Cidade do México, capital do país
E assim foi! Começamos pelo ponto onde houve o primeiro encontro entre o conquistador espanhol Hernán Cortés e o imperador asteca Montezuma. Mal sabia esse último a verdadeira catástrofe que aguardava seu povo nos meses seguintes. Perdeu a chance de liquidar os espanhóis ali mesmo, naquele momento. O povo que se achava os escolhidos dos deuses e que habitava o centro do universo desapareceria num piscar de olhos... Bem ali do lado, após a conquista e a destruição do império asteca, Cortés mandou construir um hospital. O prédio ainda está lá, completamente escondido dentro de outro hospital, mais moderno. Mas para quem sabe da dica e entra no prédio, encontra um verdadeiro oásis dentro do agitado centro da capital. Arquitetura espanhola, dois pátios com agradáveis jardins e murais mostrando eventos históricos, inclusive o fatídico encontro. Tudo isso a duas quadras da Zócalo!
Passadem pela Zócalo, a praça central da cidade, com a Catedral ao fundo (Cidade do México, capital do país)
E foi para lá que seguimos. Impossível não parar novamente para fotos na fotogênica praça, a Catedral ainda mais imponente sob aquele dia ensolarado. Mas, seguimos em frente pois o caminho era longo! Próxima parada: Plaza San Domingos, onde está o prédio da Secretaria de Educação; Ali dentro, outro segredo: um enorme pátio interno com três andares de colunas e arcos, todas as paredes pintadas com imensos murais do famoso Diego Rivera, retratando cenas do cotidiano do país, especialmente sua gente. Um espetáculo! Pausa para respirar, para fotos e para admiração...
Murais de Diego Rivera cobrem as paredes de pátio interno da Sec. de Educação, na Plaza Santo Domingo, na Cidade do México, capital do país
Voltamos para a Zócalo e de lá seguimos pelo calçadão da Madero, cheio de lojas, prédios com arquitetura refinada e muita gente andando para lá e para cá. O coração da Cidade do México. Uma rápida passagem pelo antigo Clube Espanhol, com um pátio interno de cair o queixo e chegamos a um dos prédios mais famosos da cidade: o Palácio de Bellas Artes.
Visita à Sec. de Educação com suas enormes e impressionantes pinturas, (na Plaza Santo Domingo, na Cidade do México, capital do país)
Seria um outro lugar que poderíamos, facilmente, passar um dia todo explorando. A Cidade do México, assim como outras grandes cidades com o São Paulo ou Buenos Aires, possibilita meses e meses de explorações, de prédios e museus à restaurantes e vida noturna. Para uma vista relâmpago de poucos dias, não tem remédio! Vamos só pegar um gostinho, além de passar muita vontade...
O sempre movimentado calçadão da Madero, ao lado da Zócalo, no centro da Cidade do México, capital do país
Ali do lado do Palácio de Bellas Artes está o parque mais central da cidade. Não é por menos que se chama Alameda Central. Cruzamos ele duas vezes, primeiro até uma pracinha que tem uma igreja completamente afundada e depois já na direção do nosso próximo destino, o bairro boêmio de Roma. A tal igreja é impressionante! Nossos olhos não querem acreditar no que veem. A cidade foi construída sobre um antigo lago, que foi drenado pelos espanhóis. Mas o solo abaixo sempre foi muito instável e os pesados prédios afundam sobre ele. A Catedral é o exemplo mais conhecido, mas é essa pequena igreja o que mais salta aos olhos!
O vistoso Palácio de Belas Artes, no centro da Cidade do México, capital do país
Para seguir até Roma foram mais uns 20 minutos de caminhada. Cruzamos duas movimentadas estações de metrô e lá estávamos, justo na pequena praça de onde nasceu o bairro, conhecida como Romita. Um lugar bem chuchuzinho, a poucas quadras do real coração do bairro. A fome apertava e para lá seguimos rapidamente, sem mais desvios.
Comida de ruas no bairro boêmio de Roma, na Cidade do México, capital do país
Para nós, brasileiros, é ainda mais interessante. Afinal, essa praça que marca o centro de Roma tem o simpático nome de Rio de Janeiro. No meio da praça tem uma grande estátua, escondida por uma fonte refrescante. Esperaríamos ver ali o Cristo Redentor, mas não é ele não. Aqui, fala de novo os ares italianos! Quem está na praça é uma réplica de David, de Michelangelo. E assim se completa a salada: temos Firenze no meio do Rio de Janeiro, que está no meio de Roma, que está no meio da Cidade do México. Viva a globalização!!!
Estamos em casa! Plaza Rio de Janeiro, coração do bairro boêmio de Roma, na Cidade do México, capital do país
Depois das fotos, corremos para os cafés e restaurantes ali perto. Possibilidades de escolha não faltam! Achamos um num esquina movimentada e ali ficamos, respirando os ares romanos com uma pitada de maresia carioca e observando a vida e o movimento à nossa volta. Uma taça de vinho nos ajudou em nossos deliciosos devaneios!
Pausa para abastecimento num dos muitos botecos no bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país
Voltamos então para casa para nos preparar para mais um compromisso. Um amigo do Rodrigo nos convidou para um jantar no exclusivo Clube 51. O nome vem do fato que o restaurante está no andar 51 da Torre Mayor, o mais alto edifício da Cidade do México. Essa pessoas só podem ir lá convidados por algum sócio. No nosso caso, o Guilhermo, amigo do Rodrigo. Vista espetacular da cidade, boa comida e um excelente vinho mexicano fecharam com chave de ouro esse nosso dia de explorações nesta cidade que nunca para. Quer dizer, para sim. Só para chegar lá foram uma hora e meia de congestionamento. Mas valeu muito à pena!!! Obrigado ao Guilhermo e ao Rodrigo pelo privilégio!
Com o Rodrigo e o Guilhermo, no restaurante 51, na Torre Mayor, o mais alto prédio da Cidade do México, capital do país
Hmmmm, e já ía esquecendo de contar! Para entrar no tal clube, só muito bem vestido! É claro que eu não carrego esse tipo de roupa comigo. Mas, por sorte, as roupas do Rodrigo serviam em mim, embora o sapatos fossem bem apertados. Um preço pequeno a se pagar para poder aproveitar essa oportunidade!
Vista do alto da Torre Mayor, o mais alto prédio da Cidade do México, capital do país
Monumento aos navegadores, em Prince Rupert, na British columbia, oeste do Canadá
Depois da longa caminhada no dia 3, ontem tivemos um dia bem menos corrido (ou “andado”, hehehe). Para começar, já pudemos ficar por mais tempo na cama, pelo menos até o limite de não perdermos nosso gostoso café da manhã no B&B, às nove da manhã. Depois, sem pressa nenhuma, aproveitando a bela vista que temos do mar direto da nossa janela, tivemos uma manhã de trabalho, devidamente acomodados entre almofadas e travesseiros.
Nosso B&B em Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
O Cowpuccino's, nosso café preferido em Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Mas o dia lá estava muito lindo, quase que nos chamando para o lado de fora. Depois de tantos dias nublados ou de chuva, que bom que é ver a cara do sol! É aí que valorizamos! Resolvemos então seguir para a trilha mais popular em Prince Rupert e, se desse tempo, ainda ir ao museu no final da tarde. Mas antes disso, nossa tradicional passada no café Cowpuccino, uma delícia de ambiente. Lá, encontramos o Cory e já marcamos nosso jantar para as 18:00. Como já era mais de uma da tarde e ainda tínhamos uma trilha de quase seis quilômetros pela frente, não demorou para fazermos os cálculos e decidirmos que o museu ficaria para o dia seguinte...
Na trilha de Butze Rapids, em Prince Rupert, na British columbia, oeste do Canadá
Na trilha de Butze Rapids, em Prince Rupert, na British columbia, oeste do Canadá
Pois é, o nosso ferry que deveria sair às 13:00 horas, atrasou seu horário de partida em duas horas, o que nos deu mais tempo na cidade. Ao mesmo tempo, a companhia ainda promete chegar no mesmo horário em Port Hardy, em Vancouver Island, às 11 da manhã do dia seguinte. Um motivo a mais de preocupação para nós, pois estamos querendo fazer o último tour de avistamento de baleias da temporada, que sai às 13:00 de um local a cerca de uma hora de distância de Port Hardy. Se perdemos essa, aí podemos desistir de vez desses gigantes do mar. Se já estávamos meio preocupados com o horário apertado antes, agora com o atraso na partida, piorou. Vamos ver...
Na trilha de Butze Rapids, em Prince Rupert, na British columbia, oeste do Canadá
Os famosos Butze Rapids, em Prince Rupert, na British columbia, oeste do Canadá. O sentido das corredeiras varia com a maré
Enfim, a parte boa é que ganhamos tempo para ver o museu no mesmo dia da partida e pudemos ir mais tranquilos para a trilha dos Butze Rapids. Esse é o nome que se dá para umas corredeiras com uma peculiaridade bem interessante! Dependendo da maré, a corredeira corre para um lado ou para o outro. Pois é, eu já tinha visto rio inverter o sentido, perto do mar. Mas corredeira, foi a primeira vez! Foi uma caminhada bem gostosa pela mata de um parque, uma espécie de Barigui (ou Ibirapuera) deles. Muita gente levando cães para passear ou fazendo sua corridinha vespertina. Quando chegamos às corredeiras, elas estavam correndo rio acima. Ou seja, maré enchendo! Quem acha que rio só corre para baixo, nunca morou perto do mar...
Visita ao Northern BC Museum, em Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Voltamos da trilha diretamente para o chuveiro e, de lá para o restaurante. Outro lugar muito joia, digno de grandes metrópoles, mas aqui na pequena e surpreendente Cow Bay, bairro de Prince Rupert. O Cory e sua esposa Paula já nos esperavam. A comida, o vinho e a conversa estavam tão bons que só saímos de lá quase quatro horas mais tarde! Eu e a Ana provamos Halibut, uma espécie de linguado gigante muito saboroso que estava uma delícia. É um prato bastante comum aqui desse lado do continente. A Paula é um amor e os dois estavam super interessados na nossa viagem. Enfim, de tão agradável, nem vimos o tempo passar. Ao final, nem deixaram a gente pagar. Agora, os dois tem mais uma razão para ir ao Brasil. Um jantar na faixa em algum lugar tão bom como esse em que nos banqueteamos ontem de noite.
Máscara Tsimshian no Northern BC Museum, em Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Hoje, depois do café da manhã de despedida do nosso B&B, direto para o Northern BC Museum, o museu da cidade. De novo, padrão de cair o queixo para uma cidade desse tamanho. Excelentes exposições sobre a arte dos diversos povos First Nation da região, como os famosos Haidas e os Tsimshian (os mesmos da trilha de ontem). Diversas peças de cerâmica, vestuário e do dia a dia desses povos, além de painéis explicativos e fotos sobre os famosos totens, marca registrada dessa região.
Arte Haida no Northern BC Museum, em Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Além da parte artística, um ótimo resumo histórico dos povos que aqui viveram. Fiquei impressionado com a complexidade dessas sociedades e da teia de relações entre diferentes tribos, clãs, famílias e linhagens. Quanto mais aprendo sobre essa região, mas fico consciente do quão ignorante eu era. A nossa América é muito maior do que simploriamente imaginamos. E é claro que não estou falando de geografia não...
Embarcando no ferry para a viagem entre Prince Rupert e Port Hardy, na Vancouver Island, sul da British Columbia, no Canadá
Com sol, este é o melhor lugar no ferry entre Prince Rupert e Port Hardy, na Vancouver Island, sul da British Columbia, no Canadá
Depois do banho de cultura, seguimos para o ferry. Para nossa surpresa, o barco canadense é ainda melhor que o americano. Enorme, cheio de salões e poltronas ainda mais confortáveis. Serão 19 horas de viagem até Port Hardy (assim esperamos!), céu azul, sol brilhante e noite clara. Mais chance de ficar do lado de fora do barco e mais chance de ver baleias. Com o tempo assim, tudo fica mais bonito e pudemos confirmar isso na primeira metade da viagem, até que escurecesse. Agora, é fechar os olhos, cruzar os dedos, sonhar com os anjos e já acordar perto do destino final nessa nossa longa jornada pela Inside Passage. Amanhã, de volta à estrada de verdade, aquela que é de asfalto, à bordo do nosso ferry preferido que atende pelo nome de Fiona!
Belo pôr-do-sol na Inside Passage entre Prince Rupert e Port Hardy, na Vancouver Island, sul da British Columbia, no Canadá
O lago Titicaca, visto de Copacabana, na Bolívia
Poucos caminhos e fronteiras são tão bem conhecidos dos viajantes da América do Sul como o trecho entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia. São dezenas de milhares de viajantes todos os anos, na rota La Paz- Cusco, ou vice-versa, quase sempre na orla do lago Titicaca, cruzando o altiplano andino a quase 4 mil metros de altitude. As fotos no arco de pedra que marca a passagem entre os dois países já se tornou uma tradição entre viajantes de todo o mundo.
Viajando do Peru para a Bolívia, de Puno (A) para Copacabana (B), já bem próxima da Isla del Sol
Foi assim comigo em 1990 e com a Ana em 2006. E hoje, seria a vez da Fiona! Para tanto, saímos pela manhã de Puno e logo estávamos margeando o Titicaca para o sul. Agora sim, dirigindo mais de cem quilômetros nesse sentido é que temos uma noção do tamanho desse imenso lago. Tamanho e beleza! Dos pontos mais altos, espécies de mirantes naturais, podemos sempre observar as montanhas nevadas dos andes bolivianos, lá do outro lado do lago e sua principal fonte de água.
Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca
Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca
Nem tão longe assim, aliás, bem pertinho, patos e flamingos se alimentam na parte rasa do lago. São o prenúncio que estamos perto da fronteira, de Copacabana e da parte mais estreita do lago, por onde passaremos com a Fiona para o lado de lá do lago após deixarmos Copacabana em alguns dias, rumo à La Paz.
Flamingos e patos se alimentam no lago Titicaca, na estrada entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia
Chegando à movimentada fronteira Peru-Bolívia, já bem perto de Copacabana
Na famosa fronteira, tiramos as fotos tradicionais e tivemos um rápido processo. Pelo menos, do lado peruano. Já no lado da Bolívia, tivemos que esperar que a Aduana abrisse depois do almoço para, finalmente, continuarmos nossa viagem. Seriam apenas mais uns 15 quilômetros até Copacabana. Estávamos, definitivamente, de volta à Bolívia!
Fronteira Peru-Bolívia, região de Copacabana. Mais uma para a lista da Fiona
Atravessando a fronteira Peru-Bolívia na região de Copacabana
Para mim, Copacabana foi uma surpresa. Está muito maior que a pequena cidade que eu conheci há duas décadas e muito mais movimentada também. Principalmente nessa época do ano, festa da padroeira local e de toda a Bolívia, Nossa Senhora de Copacabana. São muitos peregrinos e festividades e, entre elas, destaca-se a “benção” de carros, uma cerimônia em que um sacerdote faz votos para que o carro fique protegido de acidentes e roubos. Enquanto o carro é abençoado, ele é todo coberto por flores e assim fica por algumas semanas. Lá em Puno, vimos dezenas desses carros abençoados. Os peruanos que vivem na região do Titicaca são muito devotos da Virgem de Copacabana e acorrem em massa para cá, nesses primeiros dias de Agosto. O resultado é uma fronteira movimentada e vagarosa. Felizmente para nós, o maior da festa já tinha passado. Mesmo assim, ainda vimos vários carros sendo abençoados por aqui.
Em busca da imigração boliviana na fronteira Peru-Bolívia, para carimbarmos nossos passaportes
A orla de Copacabana, na Bolívia, na orla do lago Titicaca
Esfomeados, a primeira coisa que fizemos ao chegar na cidade foi achar um bom restaurante. Não é uma tarefa difícil, pois Copacabana vem se tornando uma cidade cada vez mais internacional, muitos gringos vindo morar à beira do Titicaca. Com exceção dessas duas semanas de festa, a cidade continua muito tranquila. Encontramos um italiano, de uma boliviana descendente de italianos casada com um brasileiro de Curitiba. Uma delícia, com direito à uma sobremesa de salame de chocolate, para alegria da Ana
Nosso primeiro e delicioso restaurante em Copacabana, na Bolívia
Salame de chocolate, sobremesa especial em restaurante de Copacabana, na Bolívia
Depois, aí sim, fomos encontrar um hotel com vista para o lago, de onde assistimos um belo entardecer, assim como a lua, estrelas e planetas que vinham atrás do sol. Aproveitamos também para conseguir informações e decidir sobre nosso programa de amanhã. Vamos para a famosa e sagrada Isla del Sol, a maior do Titicaca. Também por ela eu passei batido da outra vez que aqui estive. Mas não a Ana, que fez um belo trekking pela ilha e, pelas suas descrições, já me deixou bastante ansioso para conhecer. Passaremos o dia por lá e voltamos à simpática Copacabana para dormir. No dia seguinte, seguimos viagem, rumo à Tiahuanaco e La Paz.
Carros "batizados" em Copacabana, na Bolívia
Um belo fim de tarde na orla do Titicaca, em Copacabana, na Bolívia
A chuva chega no sertão! (na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI)
Há doze mil anos, a Serra da Capivara era um lugar muito diferente do que é hoje. Uma floresta viçosa e tropical ocupava o espaço onde está a caatinga. Por onde hoje andam calangos e mocós, podia se ver preguiças com quatro metros de altura e tatus do tamanho de fuscas. Ambos atentos para não serem atacados por tigres dente de sabre. A razão dessa enorme alteração foi a mudança do clima na região e a consequente diminuição da quantidade de água. Com menos água, menos vida. Simples assim.
A grande planície de caatinga no pé da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Ainda hoje é fácil perceber por onde corriam os rios. Há canyons e vales por todos os lados e é fácil notar sua ação nos paredões de pedra. Sim, os mesmos paredões de pedra erodidos e esculpidos pela ação dos antigos rios continuam por aqui, como que para nos lembrar que o tempo passa, que as coisas mudam.
Subindo a longa escada que nos leva ao alto de um dos rochedos da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Pois não é que hoje a chuva veio e encheu o sertão de sons e cheiros? Veio em quantidade suficiente para dar vida aos pequenos riachos que hoje correm onde antes havia rios "eternos". Veio para nos lembrar que a Capivara já teve seus dias de Diamantina.
A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Veio para a nossa alegria e para a alegria dos sertanejos. Afinal, não são apenas os rochedos que estão aqui desde o tempo em que a Capivara era úmida. Os homens também, seja com suas pinturas rupestres, seja com sua dura vida na atual caatinga. Foi muito legal ter estado aqui hoje, ser testemunho da chuva e da alegria das pessoas com a água que caía do céu.
Bromélia cresce na caatinga, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Para nós, não poderia ter sido melhor. Primeiro, subimos um mirante numa quase imterminável "escada de marinheiro". Lá de cima, foi impressionante ver a chuva que caía ao longe no sertão. Parecia que a caatinga ficava mais verde a cada minuto.
Com a chuva, um riacho ganha vida na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Depois, fomos caminhar com o Rafael em uma parte mais ao norte do parque. Ele nos levou para uma trilha, no canyon do Inferno, que para nós foi o paraíso. Havia um riacho correndo pelas pedras! No fundo do canyon, música para nossos ouvidos: o mágico som de uma cachoeira!
Pequeba e mágica cachoeira no fundo de canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Pois é, durante milênios essa cachoeira nunca secava. Agora, ela corre apenas alguns dias do ano. E nós estávamos lá para testemunhar isso! A visão da pequena cachoeira no fundo de uma gruta iluminada por uma clarabóia foi uma das cenas mais bonitas e emocionantes que vimos por aqui!
Caminhando na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
A chuva e a umidade encheu a mata de borboletas, brancas e amarelas. Mocós e catitus também apareceram. Foi uma festa!
Caminhando com as borboletas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Além disso, fomos ver também mais tocas e suas pinturas. As priemiras a serem estudadas pela Niède Guidon. Todas elas na beirada de antigos rios, cenários que deveriam ser parecidos com o que vimos tantas vezes nos rios da Chapada Diamantina. Hoje, o vale está lá embaixo, sem água. Quer dizer, hoje, bem hoje, até ouvimos um pouco da água que passa lá embaixo. Um tênue fantasma de outrora. Mas que, de alguma forma, acaba dando mais vida às pinturas que temos à nossa frente. Tudo ficou mais real. Para completar, só faltou cruzarmos com uma preguiça gigante...
Painel de pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Visitar a Serra da Capivara foi uma experiência e tanto. Valeu cada minuto. Era três da tarde quando partimos rumo à Oeiras, antiga capital do estado. Mas nossas mentes ficariam naquela serra mágica ainda por um bom tempo...
Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
O famoso Boiling Lake, a mais "estranha" paisagem no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Tudo começou direitinho na nossa extensa programação de hoje. E assim teria de ser, para que pudéssemos fazer todos os programas desejados. Primeiro, uma trilha até o alto das montanhas, passando pelo Vale da Desolação e chegando ao Boiling Lake, um lago de águas ferventes. Depois, um mergulho no canyon semi-submerso de Titou Gorge, com suas cachoeiras secretas. Por fim, um mergulho nas lendárias paredes de corais da costa caribenha de Dominica.
Com o nosso guia Kello, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Então, acordamos às 5, com o dia começando a clarear e encontramos o vigia do hotel, que nos deu a água e os sanduíches preparados na noite anterior, guardados na geladeira do restaurante. Seria nosso almoço! Aí, seguimos de carro pelas estradas sem sinalização do interior da ilha, até o ponto de encontro marcado com o nosso guia.
Cogumelos na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Acertamos o caminho, chegamos justamente na hora certa (às 6 da manhã) e o guia estava lá, conforme combinado! A trilha pode ser feita sem guia, mas como não podíamos perder tempo procurando caminhos, optamos pela segurança. Foi a melhor coisa que fizemos, não pela dificuldade da trilha, mas pela simpatia do Kello, e por todas as informações e histórias que ele foi nos contando ao longo da manhã.
Brincando com cipó na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Sem tempo a perder, iniciamos logo a caminhada, por dentro da mata, montanha acima. Dissemos para o Kello a hora que precisávamos estar de volta, que o horário limite era às 13 horas de volta à Roseau, para pegar nosso barco de mergulho. Ele disse que não haveria problema, que teríamos tempo de sobra para explorar todas as maravilhas e esquisitices lá de cima e ainda mais uma boa meia hora para nos divertirmos no Titou Gorge, em tempo de pegar a estrada e voltar ao hotel no horário previsto. Foi quando fiquei mais tranquilo, pois as estimativas de tempo para fazer a trilha, dadas pelo pessoal lá de baixo, variavam de 6 a 8 horas. Como sempre, exageradas...
Tatuagem natural na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Ainda no trecho sob a mata, O Kello foi nos ensinando sobre as plantas e frutas locais, histórias dos Caribs e dos negros trazidos da África, além das condições em que vivem hoje. Entre uma história e outra, um lugar para nos pendurarmos em um cipó, imitando o Tarzan, uma planta que faz uma tatuagem natural, outra que é como um sabonete natural e um rio para nos refrescarmos e usarmos o tal sabonete (que faz até espuma!).
Parada para água na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Um valente caranguejo da montanha na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Aliás, no tal rio, há caranguejos da montanha. É tão engraçado e inusitado ver um caranguejo tão longe do mar! E olha que esses são grandes. E valentes! Mas, mesmo com a valentia, são parte da dieta dos ilhéus, assim como aqueles mesmos sapos gigantes que estão em extinção em Montserrat. Só que o fungo que os está matando por lá também chegou aqui e agora, ninguém mais os come. Há fungos que vem para bem!
Chegando ao alto da trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
O vapor que sai do lago fervente, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Depois do rio, uma longa subida, sempre com degraus (a trilha é muito bem cuidada!), até o ponto mais alto da trilha. Dali, uma magnífica vista do parque, o Oceano de um lado, com Roseau aparecendo bem pequenina, e uma estranha nuvem de vapor do outro lado, saindo detrás de uma mata mais densa. Lá está, atrás das árvores, o Boiling Lake, o Kello me garantindo que a água era realmente fervente.
Chegando ao "Desolation Valley", na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Outra coisa que já se podia ver lá de cima era o “Desolation Valley”, no nosso caminho para chegar até o Boiling Lake. Estávamos entrando numa antiga cratera de vulcão, e a natureza ainda é bem ativa por aqui. No tal vale da Desolação, há diversas fontes sulforosas, trazendo toda sorte de minerais das profundezas da terra e pintando a superfície de verde, amarelo, branco, negro, laranja e todos os tons entre essas cores.
Minerais coloridos afloram na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Saltando pequeno riacho de águas ferventes no Vale da Desolação, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Sempre com a ajuda das escadas cavadas na terra, descemos até o Desolation Valley e o cruzamos cuidadosamente. As várias fontes de água fervente formam diversos riachos de água quente, muitos dos quais temos de saltar ou passar sobre pedras. O estranho é que alguns dos riachos são de água fria, vinda das chuvas. Para diferenciá-los dos quentes, a melhor maneira é pela cor da água. Os quentes são meio leitosos ou negros, dependendo do mineral que carregam, enquanto os frios são mais transparentes. Os riachos vão se misturando, fazendo a temperatura da água ficar mais “agradável”. Quando se juntam todos, um pouco mais abaixo, forma cachoeiras e piscinas naturais de água morna, um convite para um bom banho! Deixamos para a volta, depois do Boiling Lake.
Tratamento de pele com lama vulcânica, no Desolation Valley, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Tratamento de pele com lama vulcânica, no Desolation Valley, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Na verdade, nessa hora, o banho que tomamos foi de lama vulcânica, excelente para a pele. Foi uma diversão, cobrir nossos rostos e braços com a lama quentinha e, quando ela secou, sentirmos sai ação rejuvenescedora na pele. Tiramos fotos e nos lavamos, sentindo a pele muito mais macia do que antes. A Ana até se animou a pegar mais, fazer um estoque e levar na nossa viagem, para futuras aplicações.
Propaganda internacional do 1000dias, escrito sobre o cálcio dentro do riacho na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe. Em dois dias, a própria natureza vai limpar a "pichação"...
Outra diversão foi ficar escrevendo nas rochas sobre a água do riacho. O cálcio se deposita nessas pedras e basta passar o dedo para “riscar” o cálcio e escrever, Em dois dias, a própria natureza se encarregará de depositar mais cálcio por ali e apagar nossas “pichações”. Mas as fotos das pichações, essas não se apagarão nunca!
O famoso Boiling Lake, a mais "estranha" paisagem no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Finalmente, a caminhada final até o Boiling Lake. Uma subidinha a mais e lá estava ele! Confesso que me surpreendi com o tamanho do lago, um verdadeiro açude. No meio, via-se claramente a água fervendo com violência. Prova indubitável que o vulcão está mais vivo do que nunca! É realmente difícil de descrever a paisagem. As fotos não fazem justiça. Sem dúvida, um dos lugares mais estranhos e surpreendentes dessa viagem de 1000dias.
Uma enorme quantidade de água ferve no Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
O Kello nos contou várias histórias sobre o lago. Como quando um guia caiu por poucos segundos em uma de suas margens e teve de ser resgatado, quase morto. Ou quando, logo após um terremoto, toda a água do lago sumiu, sugada nas entranhas da terra. Depois de algum tempo, o lago encheu novamente, mas com água fria. Alguns turistas austríacos chegaram a nadar no lago!. Depois, de um dia para o outro, começou a ferver novamente.
Tomando banho e relaxando em uma cachoeira de água quente, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Ficamos um tempo ali, admirando aquele lugar esdrúxulo. Mas tínhamos de voltar para as outras aventuras do dia. Mas não perdemos a chance de um banho quente no riacho encachoeirado que saía do Desolation Valley. Que coisa mais incrível é ver, no meio da mata, um rio cachoeiras com água na mesma temperatura de uma banheira. Mais maravilhoso ainda é entrar nessas “banheiras” e ainda fazer uma massagem nas cachoeiras, tudo a 38 graus de temperatura.
Tomando banho e relaxando em uma cachoeira de água quente, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Bom, daí para frente foi nos despedirmos daquele incrível e extraterrestre lugar chamado Desolation valley, subir de volta ao ponto mais alto da trilha, descer até o rio lá embaixo e, finalmente, seguir na trilha sob a mata até o início do caminho. Lá chegamos exatamente ao meio-dia. Tínhamos, como previu o Kello ainda de madrugada, meia hora para explorarmos o Titou Gorge. Valeu, Kello, pelo passeio e pela classe!
Nosso excelente guia Kello, depois do banho de lama no Desolation Valley, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Eva Perón, a famosa "Evita", um dos ícones da história argentina, em Buenos Aires, na Argentina
O dia hoje começou com arrumação de malas, roupas de frio ficando com a gente e as de calor indo direto para a Fiona. Isso porque hoje, no final do dia, vamos nos encontrar com o Marcelo e a Carola, que vão guardar o carro para gente enquanto estivermos viajando para a Antártida. Vou guardar esse assunto para o próximo post, quando for falar do nosso encontro e combinação com eles, além da pequena viagem até Pilar, onde ficará muito bem protegida nossa querida amiga de quatro rodas.
Prédio da Fundação Eva Perón, em Buenos Aires, na Argentina
Enfim, foi só no final da manhã que saímos para mais uma caminhada de explorações, dessa vez bem mais curta que a de ontem. Fomos até a Recoleta, bairro muito mais próximo de Palermo do que o centro da cidade, onde estivemos ontem, e presença obrigatória em todos os roteiros turísticos pela cidade de Buenos Aires. Mas antes de chegarmos lá, ainda em Palermo, tivemos uma outra parada, num local que eu ainda não conhecia de minhas visitas prévias à cidade: o museu da Evita Perón.
Uma das frases famosas de Evita, na Fundação Eva Perón, em Buenos Aires, na Argentina
Eva Duarte Perón, ou simplesmente Evita, personifica tanto este país como o tango ou o futebol. Uma personagem real, histórica, que acabou engolida pelo mito de uma vida curta, marcante e trágica e que acabou elevada quase à condição de santa, apesar de ter também gerado tanto ódio em alguns de seus contemporâneos.
Cenas do funeral de Evita, na Fundação Eva Perón, em Buenos Aires, na Argentina
Eva nasceu e cresceu em uma família simples do interior e teve um início de vida duro. Na verdade, seu pai era rico, mas sua mãe não era sua esposa oficial. Assim, ela e seus irmãos eram considerados ilegítimos, o que naquela época, na década de 30, na Argentina, era algo muito pesado. O pai morreu cedo e a vida de sua família, que já era difícil, piorou ainda mais, sem direito nenhum sobre a herança. Enfim, Eva cresceu e aos 15 anos foi morar na capital, buscando o que sempre sonhara: a vida artística.
Vestidos usados por Evita, na Fundação Eva Perón, em Buenos Aires, na Argentina
Trabalhou em teatros, rádio e até cinema, mas sempre em produções de 2ª grandeza. Mas um terremoto devastador na distante San Juan mudaria a sua vida. O militar Juan Carlos Perón foi incumbido pelo governo de organizar a ajuda à cidade destruída. Para arrecadar fundos, ele pediu a ajuda da comunidade artística para organizar shows e espetáculos beneficentes. Assim conheceu Evita e foi amor a primeira vista. A campanha em prol de San Juan lhe trouxe popularidade e ele acabou sendo eleito presidente, agora já casado com Evita.
Evita no seu auge, visitando trabalhadores mineiros, em foto na Fundação Eva Perón, em Buenos Aires, na Argentina
Ao contrário das antigas primeiras-damas, Evita se envolveu com o governo, sempre ajudando seu marido, mas rapidamente ganhando luz própria. Liderou a campanha pela aprovação do voto feminino nas eleições e abraçou a bandeira dos mais trabalhadores, protegendo sindicatos e direitos. Mais do que isso, lançou diversas campanhas assistencialistas para os “descamisados”, como chamava a população menos favorecida.
Caminhando na praça Justo Jose de Urquiza, em Buenos Aires, na Argentina
O sempre movimentado Centro Cultural da Recoleta Buenos Aires, na Argentina
Tanta popularidade obteve que a população a queria como vice-presidente num possível 2º mandato do marido. No maior comício já realizado no país, cerca de 2 milhões de pessoas gritaram pelo seu nome, pressionando-a para que aceitasse a indicação. Ela titubeou, pois sabia também do ódio que lhe tinha a classe mais abastada e os militares, assustados com tanto poder conferido para uma mulher, algo inédito naquela sociedade. Mas a esta altura, já com 31 anos de idade, ela também já sabia que algo não ía bem na sua saúde, com desmaios frequentes. Acabou não aceitando a indicação em um emocionante discurso transmitido ao vivo na rádio.
Chegando ao Centro de Exposições da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Interior do Centro Cultural da Recoleta Buenos Aires, na Argentina
Era o câncer. Mesmo escondendo a gravidade da doença, ela definhou em público. Quando o marido foi reeleito de forma avassaladora, ela pesava apenas 38 kg. Alguns meses depois, faleceu, fazendo o país parar e chorar por vários dias. Seu corpo foi embalsamado e colocado em exposição, virando ponto de peregrinação. Um enorme monumento, maior do que a Estátua da Liberdade, seria construído e o corpo embalsamado ali ficaria, assim como Lenin, no Kremlin. Mas dois anos depois, antes do monumento ficar pronto, um golpe militar derrubou seu marido. Ele fugiu do país, mas não teve tempo de resgatar sua esposa. Os militares, em campanha para extirpar o movimento peronista da história do país, sequestraram seu corpo e sumiram com ele.
A Petrobrás, uma das patrocinadoras da exposição de fotos no Centro Cultural da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Exposição de fotos no Centro Cultural da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
O corpo de Evita só reapareceu 16 anos mais tarde, num pequeno túmulo em Milão, na Itália. Como foi parar lá, ainda é matéria controversa. O fato é que seu marido, então exilado na Espanha e casado com Isabelita, recuperou o corpo e o levou para casa, onde ficou guardado na sala de estar. Seu exílio terminou em 73 e ele voltou à Argentina para ser reeleito presidente. Antes que pudesse repatriar o corpo da antiga esposa, faleceu, mas sua nova esposa e nova presidente do país o fez. Evita foi enterrada no famoso cemitério da Recoleta, em um túmulo super protegido e, ainda hoje, é a maior atração do lugar, mesmo com tantos outros famosos enterrados por ali.
Chegando ao Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Entrada do famoso Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Tudo isso vimos no museu, além de fotos e filmes da época. E também toda uma sala com os vestidos que usava, desde seus tempos de radio e atriz, até o guarda-roupa que levou em sua aclamada viagem à Europa, já como primeira-dama, quando foi recebida por Franco, na Espanha, pelo papa, no Vaticano, e na França. Só desistiu de ir à Inglaterra porque a família real inglesa se recusou a recebê-la. Afinal, uma plebeia ilegítima entre a realeza?
Caminhando nas ruelas do Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Túmulos e esculturas no Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Enfim, ainda com Evita na cabeça, seguimos nosso caminho através dos parques da Recoleta até o Centro Cultural, onde visitamos uma interessante exposição de fotografias patrocinada pela Petrobrás e American Express. Era um favor que fazíamos ao Che Toba, que necessitava de umas fotos de lá para terminar um post que faria sobre a exposição.
A capela do Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
A gigantesca e centenária figueira da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Depois, finalmente, ao ponto mais famoso do bairro, o cemitério! O elegante bairro foi ocupado originalmente pelos monges da Ordem dos Recoletos, ainda no séc. XVIII, quando aquilo era uma área afastada da cidade. Tinham sua igreja, monastério e cemitério. A Ordem foi desmantelada em 1822 e o cemitério passou a ser público. A cidade cresceu e a área passou a ser ocupada pela fina flor da sociedade portenha, os vivos e os mortos! Presidentes, intelectuais, artistas, todos disputavam um lugar naquele cemitério. As famílias que conseguiam seu espaço, tratavam de enfeitá-lo bem com estátuas e criptas bem elaboradas.
A gigantesca e centenária figueira da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Hoje, além de ser considerado um dos mais belos do mundo, virou atração turística. O interessante é entrar lá e se perder em seu labirinto de ruelas, sempre atento para encontrar alguém famoso e, principalmente, encontrar a Evita. Acaba sendo fácil, pois a quantidade de turistas ao redor do seu túmulo é sempre uma boa pista. A gente, que já havia estado lá outras vezes, fez o circuito rapidinho, apenas por desencargo de consciência, e fomos logo para os belos cafés que existem ali perto, quase em frente ao cemitério.
A gigantesca e centenária figueira da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
Ainda antes de nos sentarmos, pagamos nossos respeitos à centenária figueira que há no jardim e que foi testemunha de todos os enterros que por ali passaram e também de todas as outras vezes que estive em Buenos Aires. Já me chama pelo nome, o que é uma grade honra para mim, hehehe! Depois, um delicioso lanche acompanhado de bom vinho para celebrar estamos ali, naquele lugar delicioso, perto daquela árvore mágica, na cidade que adoramos. Um brinde à Evita, que conhecemos melhor hoje. Um brinde à Fiona, de quem vamos nos separar amanhã. Um brinde à Antártida, que mercê sempre ser brindada. E de brinde em brinde, a tarde passou e já era hora de irmos encontrar a Carola e o Marcelo, assunto do próximo post!
Lanche com vinho na Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina
A caminho de Porto Velho, no início da BR-319, ainda bem perto de Manaus, mas já do outro lado do rio Amazonas
Chegou o dia de iniciarmos a grande aventura de cruzar a Floresta Amazônica de Manaus à Porto Velho, pouco mais de 800 km de estrada, a maior parte deles em más condições. A BR-319 já foi uma boa estrada, parte do ambicioso plano do governo militar de ocupar a região amazônica, lá na distante década de 70. Mas a segunda crise do petróleo deixou o país sem dinheiro, não só para novos investimentos, mas também para manter aquilo que já tinha. A estrada, que durante mais de dez anos tinha até linha de ônibus ligando as duas capitais, foi se deteriorando cada vez mais, pontes e asfalto sendo levados pelas águas e pela erosão. A última e épica viagem da viação Andorinha demorou nada menos de 13 dias! A empresa de ônibus desistiu desse caminho, assim como boa parte dos motoristas. A floresta foi retomando o que havia sido seu. Chácaras e propriedades ao longo da rodovia foram sendo abandonadas também, pois era impossível chegar até elas.
A BR-319, pouco mais de 800 km ligando Manaus (A) à Porto Velho (C), cruzando a floresta amazônica e centenas de seus rios. Hoje, conseguimos andar cerca de 250 km, até o Igapó-Açu (B)
Então, no início da década de 90, a necessidade de levar um cabo de fibra ótica até a capital amazonense ressuscitou o velho percurso. A Embratel construiu torres a cada trinta e poucos quilômetros ao longo da BR-319 e passou a fazer uma manutenção mínima, reconstruindo pontes que são levadas sazonalmente pela cheia dos rios. A rodovia tornou-se um paraíso de jipeiros, pelo menos os mais valentes, os que não tem medo de atoleiros com quilômetros de extensão. Quando chove, alguns trechos ficam intrafegáveis, mas logo depois, lá vem os aventureiros e também o jipe da Embratel, à procura de pontes caídas (são mais de cem delas!).
Chegando ao terminal da balsa para atravessar o rio Amazonas, em Manaus
Embarcando a Fiona para cruzar o rio Amazonas, em Manaus. Do outro lado está a estrada para Porto Velho
Essa estrada já faz parte dos nossos sonhos e pesadelos há algum tempo. Precisamos chegar à Porto Velho e esse é o melhor caminho. As alternativas (subir o Rio Madeira de balsa ou dar a enorme volta por Santarém-Cuiabá) tomam muito tempo, um luxo que não podemos nos dar nesse momento. Assim, recolhemos o máximo possível de informações na internet, tivemos uma longa conversa com jipeiros de Manaus e resolvemos enfrentar o desafio.
Barcos trazem turistas para observar o mais famoso "encontro das águas", na confluência dos rios Negro e Solimões, bem próximo à Manaus, no Amazonas
O gigantismo do rio Amazonas, enquanto o cruzávamos de balsa, perto de Manaus, capital do estado
Pois bem, hoje foi o grande dia. Nossa ideia é dormir dois dias durante o caminho e chegar à Porto Velho no final do terceiro dia. Levamos comida de sobra e poderemos sobreviver por mais tempo, caso seja necessário. Mas, aparentemente, a estrada está em um bom momento, nada que a Fiona não possa enfrentar! O objetivo do primeiro dia era chegar ao Igapó-Açu, cerca de 250 km à frente, onde existe uma pequena e rústica pousada.
Chegando em Careiro, do outro lado do rio Amazonas, quase em frente à Manaus, a capital do estado
Obras no início da BR-319, que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia
Então, acordamos cedo e fomos fazer as compras de comida. Depois, enchemos o tanque da Fiona e mais um galão de 30 litros, para garantir nossa autonomia. Finalmente, rumo ao mercado do Seasa, a vinte quilômetros do centro de Manaus, onde pegamos a balsa para atravessar o Rio Amazonas. Pois é, essa ponte nova que construíram em Manaus atravessa “apenas” o Rio Negro. Ainda tem o Solimões pela frente (e um plano de fazer outra ponte por lá!)!. Assim, para seguir da capital amazonense ao sul do país, ainda precisamos da velha balsa, sim! O ponto onde a balsa funciona fica um pouco adiante de Manaus, onde os dois rios já se fundiram no gigantesco Rio Amazonas.
BR-319, que liga Manaus à Porto Velho, nos seus trechos iniciais
São milhões de borboletas amarelas ao longo da BR-319, que liga Manaus à Porto Velho
Quer dizer, não se fundiram ainda não, pois as águas de diferentes cores ainda não se misturaram. Pois é, a balsa cruza exatamente o famoso “encontro das águas”, um espetáculo visual que pudemos aproveitar, a nossa despedida de Manaus antes de entrarmos definitivamente na selva. Mais de uma hora de travessia até chegarmos ao Careiro da Várzea, que é o nome da pequena vila do outro lado do rio. Ali, voltamos à terra firme e, alguns quilômetros mais adiante, a placa anunciava: “BR-319 – Porto Velho”. Para algum desavisado, até poderia parecer uma estrada normal. Mas nós sabíamos que não era o caso...
Um bicho-preguiça tentando cruzar a estrada no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
Desajeitadamente, um bicho-preguiça tenta cruzar a estrada no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
A estrada começa bem, cerca de 70 quilômetros de asfalto. E o Exército está construindo mais. A intenção é asfaltar os primeiros 150 quilômetros , pelo menos. Perto do fim do asfalto, uma última chance de reabastecer a Fiona. Agora, só daqui a uns 500 quilômetros...
O bicho-preguiça parece nos pedir ajuda para cruzar a estrada, no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
O bicho-preguiça parece nos pedir ajuda para cruzar a estrada, no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
O asfalto termina, mas a terra está em boas condições. O que termina também é o tráfego. Agora, andamos, andamos e nada de cruzar com alguém. Mas os rastros na estrada não deixam dúvidas: ainda passam carros por aqui. Bom, a gente não via mais automóveis, mas os olhos aguçados da Ana viram algo se movendo na pista. Devagar. Bem devagar. Eu já tinha passado reto, mas ela me fez voltar. E tinha mesmo razão! Algo se movimentava na estrada!
Ajudando o bicho-preguiça a cruzar a estrada, no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
Ajudando o bicho-preguiça a cruzar a estrada, no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
Ajudando o bicho-preguiça a cruzar a estrada, no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
Era um bicho-preguiça! Um bicho-preguiça atravessando a estrada! Coitado! Naquele ritmo, demoraria horas para cruzar os quinze metros da rodovia. Esse animal não foi feito para andar (se arrastar!) na horizontal. Precisa agarrar em alguma coisa para se puxar. Na estrada, naquela lama escorregadia, suas garras procuravam desesperadamente algum ponto de apoio. Em vão! Olha para nós e seus olhos diziam: “O que estão olhando? Ajudem-me!!!”. A Ana captou logo a mensagem e buscou um pau que levamos na Fiona. Fez a preguiça se pendurar nele e levou-a ao outro lado da rodovia. A nossa boa ação do dia, devidamente filmada e fotografada. Aliás, que belas fotos!
Reencontrando o Luis e a Lancy, do Lost World Expedition, e o casal costarriqueno do Vuelta al Mundo en N Dias na BR-319, que liga Manaus à Porto Velho, nos seus trechos iniciais
Encontro de viajantes em plena BR-319, que liga Manaus à Porto Velho, nos seus trechos iniciais
Felizes com a oportunidade e sorte, seguimos viagem empolgados. Ainda falando sobre isso, eis que aparece, lá no horizonte, os faróis de dois carros vindos em sentido contrário. Será que eram eles? Um minuto depois e já dá para ver que são land cruisers. Sim, só podiam ser eles! Há algumas semanas, descobrimos que nossos amigos do Lost World Expedition estavam no Perú e querendo vir para Manaus. Nossa mesma rota, mas no sentido oposto. Nós os encontramos na California (eles são americanos), numa de suas temporadas de volta ao lar, onde trabalham e ganham fôlego. Estão viajando há quase quatro anos e deixam o carro em algum país para voltar aos EUA por alguns meses. Pois bem, eles estão de volta à estrada e nossos caminhos prometiam se encontrar novamente (mundinho pequeno!). A última notícia que tínhamos era que tinham chegado ao Brasil, agora acompanhados de outro casal aventureiro em seu próprio carro, o Vuelta al Mundo en N Dias, da Costa Rica. Planejaram fazer essa difícil estrada juntos, por segurança.
De balsa, cruzando o Igapó-Açu, na BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho
E agora, eis que eles aparecem no nosso horizonte! Muito jóia! Paramos, fizemos a maior festa, tiramos muitas fotos. Depois, claro, trocamos muitas informações sobre a estrada. Eles, que já estavam terminando, depois de quase 3 dias, nos deram todas as dicas. Foi muito legal mesmo!
Encontro com os motociclistas Everardo, Manga, Augusto e Saré, no Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia
Finalmente, despedimo-nos, cada um para o seu lado e já imaginando quando será o próximo encontro. Nós, depois da preguiça e desse encontro com eles, já estávamos bem atrasados. O dia terminava e ainda tínhamos muitos quilômetros de terra pela frente. Tratamos de acelerar, desviando dos buracos e pedras, torcendo para o tal Igapó aparecer.
Os motociclistas que, de uma só vez, fizeram a transamazônica e a BR-319, em Igapó-Açu, já a poucas horas de Manaus, no Amazonas
E apareceu! A pequena balsa nos esperava por lá, a única entre o Rio Amazonas, em Manaus, e o Rio Madeira, em Porto Velho. São pouco mais de cem metros de rio e chegamos ao lado de lá, onde está a pousada da Dona Mocinha, já tão famosa entre os que se aventuram por aqui, o principal ponto de referência nesse lugar esquecido do mundo!
Encontro com os motociclistas Everardo, Manga, Augusto e Saré, no Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia
Ali, para a nossa surpresa, pegamos o último quarto disponível. Isso porque, poucas horas antes, lá tinha chegado um grupo de quatro motociclistas, os simpaticíssimos Manga, Everardo, Augusto e Saré. A aventura deles também era enorme, percorrendo a Transamazônica e a BR-319 de uma só vez!. Cansados e felizes por estarem chegando perto do fim. Outra vez, trocamos dicas e informações sobre o que esperava cada um de nós, pois vínhamos em sentidos opostos. Para aumentar ainda mais a coincidência, o Everardo é lá de Oeiras, no Piauí e, claro, amigo do nosso querido Joca Oeiras. Êta, mundo pequeno!
Nossos amigos motociclistas pegam a balsa sobre o Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia
Despedida dos motociclistas aventureiros no Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia
O jantar na Dona Mocinha foi simples e delicioso, comida caseira e saborosa. Depois, dormimos todos a noite dos justos, ouvindo o barulho dos sapos lá fora. De manhã bem cedo, cada grupo para o seu lado, não sem antes novas e calorosas despedidas. Os motociclistas, a poucas horas de seu objetivo. Nós, um pouco mais do que isso, menos de dois dias, se tudo corresse bem.
Nossa pousada no Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia
Mas ainda tivemos tempo de uma boa prosa com Seu Raimundo, marido da Dona Mocinha. Eles se mudaram para lá em uma época em que o asfalto ainda passava por ali e que a balsa funcionava dia e noite. Acompanharam a glória e a derrocada da estrada. Mas, teimosos que são, permaneceram por ali, principal suporte aos poucos corajosos que ali passam. Viraram referência. Mas os olhos não mostram a glória, mas sim uma vida de trabalho duro, desesperançados num estado que os abandonou. Enfim, seguem firmes e ali, no meio da floresta amazônica, acolhem os viajantes intrépidos e lhes emprestam um pouco de lar. Não tem preço! Com a ajuda deles, estávamos mais prontos do que nunca para nosso segundo dia numa estrada que, conforme nos disseram, só iria piorar...
O Seu Raimundo, dono da pousada no Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia
O Denali aparece soberano no horizonte (Denali National Park, no Alaska)
Todo mundo sabe que o Everest é a maior montanha do mundo. Mas... será mesmo? O que faz duma montanha a mais alta do mundo? A partir de que ponto devemos fazer a medida de sua altura? A resposta pode parecer óbvia, mas não é.
Dia de sol e céu azul no Denali National Park, no Alaska
Por exemplo, há cerca de duas décadas, medições feitas por satélite afirmavam que o K2, no Paquistão, era mais alto que o Everest. Aparentemente, até o satélite se confunde, pois as novas medições nunca foram validadas e o Everest jamais perdeu o seu trono. Mas não é apenas o K2 que está na disputa. Muita gente afirma que a maior montanha do mundo é o vulcão Mauna Kea, no Havaí. Apesar de ter “apenas” 4.200 metros acima do nível do mar, tem outros 6 mil para baixo, até o ponto onde efetivamente começa a montanha, de onde começou a subir, há cerca de 2 milhões de anos. Isso lhe dá, no total, 10.200 metros de altura, quase 1,5 quilômetro mais alto que o Everest.
Observando a vastidão do Denali National Park, no Alaska
Outro pretendente ao título de mais alta montanha é o Chimborazo, no Equador, montanha que tive a honra de subir, durante esses 1000dias. O truque lá é dizer que o cume do Chimborazo é o ponto da Terra mais longe do centro do planeta. Isso porque a Terra é mais gordinha ao longo do Equador do que em latitudes mais altas, onde está o Everest.
A estrada nos leva para na direção do Mt. McKinley, no Denali National Park, no Alaska
Por fim, chegamos aonde eu queria chegar: e o Denali, no Alaska? Pois é, ele também é um pretendente a este título de maior montanha do mundo! E eu, que já estive pertinho do Everest, do Aconcágua (a mais alta das Américas), do Chimborazo e que ainda vou lá no Mauna Kea, posso dizer: visualmente, foi o Denali que mais me impressionou! A razão disso é que ela é a que mais se eleva em relação ao terreno que a cerca, portanto a que mais se destaca, para quem a vê de longe, como parte de uma paisagem maior. No Everest, a montanha se ergue pouco menos de 4 quilômetros em relação ao campo base, um pouco mais do que se ergue o Aconcágua e o mesmo que o Chimborazo. O Mauna Kea também, para quem o vê de longe, se ergue seus 4,2 quilômetros acima do mar, que é o que podemos ver.
A montanha, ao vivo e no painel explicativo, no Denali National Park, no Alaska
Já o Denali, está assentado em um terreno com pouco mais de 500 metros de altitude. E a montanha chega aos 6.700 metros de altitude. Ou seja, são mais de seis quilômetros de desnível! É impressionante! A primeira vez que o vemos, ele está a mais de 100 quilômetros de distância, mesmo assim, parece já muito mais alto que outras montanhas que estão ali, pertinho de nós. É até difícil acreditar que ele ainda está tão longe assim. Mas depois, vamos chegando mais perto, e mais perto e mais perto e a imagem da montanha colossal vai crescendo sem parar, até ocupar todo o nosso horizonte. Uma coisa incrível!
O monte Denali, no Denali National Park, no Alaska
A gente pôde se aproximar porque estávamos num passeio com o ônibus do parque, a única maneira de percorrer a estrada que entra no Denali National Park. Vou falar mais desse passeio no post seguinte, mas o fato é que pudemos ir até a cerca de 30 km da montanha e eu fiquei realmente boquiaberto. Tivemos muita sorte com o tempo, sol e céu azul numa paisagem branquinha coberta pela neve fresca. Cenário deslumbrante! Tivemos sorte também com a nossa guia, apaixonada pela história do Alaska e do Denali e que foi enriquecendo nossa jornada com um monte de histórias.
O ponto mais próximo que chegamos do Denali, ainda a 30 km de distância, no Denali National Park, no Alaska
Foram vários casos, mas os que mais me interessaram foram aqueles sobre os alpinistas que tentaram subir o Denali, há pouco mais de 100 anos. Entre eles, destaca-se Frederick Cook, um verdadeiro trambiqueiro, embora também fosse um grande explorador. Nossa simpática guia nos explicou que, na virada dos séc. XIX para XX, a “profissão” de explorador era a mais glamorosa que existia. Os grandes exploradores eram o equivalente às estrelas de cinema de hoje. Jornais e revistas cobriam suas aventuras e desventuras, que eram seguidas por milhões de ávidos leitores. Foi uma época onde surgiram nomes inesquecíveis como Amundsen, Scott, Peary, Shackleton, entre outros. E entre esses outros, estava Cook.
A neve já cobre quase todas as montanhas no Denali National Park, no Alaska
Na época, o maior objetivo dos exploradores eram as regiões polares, ainda desconhecidas. As montanhas ocupavam um distante segundo lugar, entre seus objetivos. Cook, que era médico, esteve em duas expedições polares, ainda nos últimos anos do séc XIX. Ao Polo Norte, esteve junto com Peary e, ao Polo Sul, esteve junto com Amundsen. Esse último foi-lhe grato e fiel por toda a sua vida, pois foram os conhecimentos médicos de Cook que ajudaram a manter viva toda a tripulação do barco em que também estava Amundsen, durante o inverno em que ficaram presos ao gelo, próximos ao continente antártico.
O ponto mais próximo que chegamos do Denali, ainda a 30 km de distância, no Denali National Park, no Alaska
Foi nessa viagem também que, de passagem pela Terra do Fogo, ficou amigo de Thomas Bridges, missionário inglês que produziu o primeiro dicionário da língua local. Ele morreu logo depois e Cook ficou com seus manuscritos. De volta à civilização, tentou publicá-los como se fossem seus trabalhos. Era apenas o início de uma longa carreira de controvérsias...
Rota de subida mais usada do Denali. Os alpinistas chegam de avião à uma geleira próxima e daí começam a subida (Denali National Park, no Alaska)
Já no início do séc. XX, o aventureiro Cook desejava ser o primeiro homem a chegar ao Polo Norte. Era uma expedição custosa e Cook precisava de patrocínio. Para isso, resolveu fazer algo mais “fácil e barato”, para alavancar sua fama e, com isso, atrair investidores. Decidiu que subiria a mais alta montanha da América do Norte, até então algo não conseguido. Em 1903 chegou ao Alaska e, depois de alguns meses de tentativas, tornou-se o primeiro homem a circunavegar a montanha, um grande feito. Mas não conseguiu encontrar uma rota para subi-la.
Apesar de parecerem próximos, os picos norte e sul da montanha estão a 5 km de distância um do outro (Denali National Park, no Alaska)
Três anos mais tarde, voltou à carga, dessa vez com uma expedição mais bem planejada. Mesmo assim, meses tentando e nada. Quando desistiram e se aproximavam do litoral para embarcar e voltar para casa, Cook teve um ímpeto, deixou seus companheiros por lá, foi acompanhado apenas de um tratador de cavalos e sumiu continente adentro. Duas semanas mais tarde retornou com uma foto, mapas e a história da conquista da montanha. Apesar da desconfiança dos seus companheiros, sua conquista foi aclamada mundo afora e ele, recebido com honras e desfile em Nova York. Sua fama abafou completamente as vozes daqueles que diziam ser impossível ter subido a montanha em tão pouco tempo.
Visita ao Denali National Park, no Alaska
Cook pode, então, juntar seu dinheiro para seguir ao objetivo que tanto almejava: o Polo Norte. De maneira secreta, para surpreender seu agora rival, Robert Peary, partiu no final de 1907 e, em Abril do ano seguinte, chegou lá. Ou, pelo menos, diz que sim. Quase um ano antes de Peary, que também afirmava ter sido o primeiro. O problema para Cook é que agora, ele enfrentava uma voz discordante com muita fama também. Peary e seus seguidores trataram de desqualificar seu rival, apresentando uma série de dúvidas sobre a viagem de Cook. Não só isso, deram força também àqueles que duvidavam da conquista do Denali. Pois é, com relação à montanha, seus detratores descobriram que os mapas de Cook não o levaram ao alto do Denali, mas a uma montanha de pouco mais de 3 km de altura, hoje conhecida como Fake Peak (pico falso). Foram capazes de produzir uma fotografia exatamente como a que Cook tinha tirado. Sua história caiu por terra. E com ela, sua reputação. Também a conquista do Polo Norte foi desacreditada.
Caminhando um pouco no parque e aproveitando a vista magnífica do Denali National Park, no Alaska
Cook desistiu da vida de aventureiro e foi trabalhar na indústria petrolífera. Anos mais tarde, foi preso, acusado de propaganda enganosa, por superestimar, em cartas à investidores, as reservas de óleo de sua companhia. Recebeu uma pena duríssima para esse tipo de crime, sendo condenado a muitos anos de prisão. A ironia é que, ao final, com novas descobertas, a quantidade de óleo era até maior que aquela que ele havia atestado. O grande Amundsen (que morreu em 28) o visitou várias vezes na prisão, onde esteve até 1940, quando recebeu o perdão presidencial de Roosevelt. Morreu poucos meses mais tarde, esquecido do público, em casa.
Bela foto da bandeira ameicana com o Denali ao fundo, no Denali National Park, no Alaska
Alheio a tudo isso, lá está o Denali. Continua crescendo, ano a ano para, quem sabe um dia, assumir definitivamente o título de montanha mais alto do mundo. Em tempo: o Aconcágua e o Chimborazo podem estar diminuindo de tamanho, mas o Everest, o K2 e o Mauna Kea continuam a crescer também...
O colossal Denali ainda está a 30 km de distância! (Denali National Park, no Alaska)
Socializando em gostoso fim de tarde na praia de Paúba em São Sebastião - SP
Final de semana em Maresias, esse é um dos programas prediletos da juventude sarada e bonita de São Paulo. Sem dúvida nenhuma, é uma das maiores concentrações de mulheres maravilhosas por metro quadrado do planeta. Especialmente na parte sul da praia. Pelo menos, essa é a propaganda que chega aos nossos ouvidos.
Praia de Maresias em São Sebastião - SP
Mas nem essa fama toda nos tirou da pousada na manhã de sábado. Primeiro, precisávamos ver o jogão Argentina x Alemanha. Quem leu meu post anterior sabe que eu tinha apostado nos hermanos. É uma clássica "win-win situation": se a Argentina ganhar, eu ganho uma cerveja, se a Argentina perder, é felicidade garantida pelo resto da semana. Bom, o resultado veio melhor do que a encomenda, um tremendo de um chocolate alemão para cima dos hermanos pobresitos. Alegria e piadas para o resto do mês...
Logo depois do jogo terminar chegaram o Rafa e a laura de São Paulo. Amigos e padrinhos de casamento, vieram passar o fim de semana conosco. Fomos todos conferir a famosa ponta sul de Maresias. Apesar da promessa de fim de semana ensolarado, o inverno não atrai muitas pessoas ao litoral. Assim, a praia estava bem vazia para padrões maresienses, apesar de parecer lotada para o que eu e a Ana temos visto por aí. Realmente, padrão de beleza e saúde bem acima da média, apesar da amostra ser pequena. Só não pudemos assistir ao famoso jogo de futivolei feminino, onde a única coisa que balança é a rede, que o Haroldo vinha propagandeando há meses. Fica para o primeiro verão depois dos 1000 dias...
Depois da corrida nas areias de Maresias, com o Haroldo e Rafael em São Sebastião - SP
Tarde gostosa na praia, corrida de ida e volta pelas areias inclinadas e fofas, mergulho delicioso pelas águas especialmente limpas nesta época do ano. Depois, de noite, para celebrar o encontro com os amigos e primo, um jantar de alto nível num dos melhores restaurantes da praia, o Seu Sebastião. Muito bom mesmo.
Com os padrinhos Rafa e Laura na praia de Paúba em São Sebastião - SP
No domingo, o Haroldo partiu logo cedo. Eu, a Ana, o Rafa e a Laura fomos passar o dia em uma das muitas praias lindas da região, a vizinha Paúba. Bem mais tranquila e ensolarada que Maresias. Lá encontramos vários conhecidos da Laura e Rafa. Houve até jogo de futivolei. Masculino, infelizmente. Mais corrida, mais mergulho, mais muita conversa na areia. Vidinha bem difícil, para relaxar um pouco da correria dos últimos 100 dias.
Com o Zé, cozinheiro de mão cheia, em sua casa na praia de Paúba em São Sebastião - SP
Depois da praia, fomos todos para a casa do pai da amiga da Laura, em Paúba mesmo. O Seu Zé e família nos recebeu de braços abertos e com muita comida. Churrasco com diversos tipos de carne, lazanha, feijão delicioso enfim, um festim. Um relaxado ambiente familiar para a gente matar a saudade.
De volta para à pousada Katmandu (que bela opção de pousada, indicação do Haroldo!) o Rafa e Laura partiram para São Paulo, e eu e e a Ana voltamos para o nosso mundo à dois, tão completo a maioria das vezes mas que, volta e meia, é uma delícia dividir com familiares e também com velhos e novos amigos.
Todo mundo muito bem alimentado, na casa do Zé e família na Praia de Paúba em São Sebastião - SP
Chegando ao famoso Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O percurso da Route One entre Santa Cruz e Monterey não é grande coisa e, sem paradas para fotografias ou caminhadas, não demorou muito para que chegássemos à antiga capital da Califórnia, desde a época do controle espanhol e mais tarde, mexicano.
Chegando à Montery, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A cidade se iniciou como uma missão franciscana, mas logo foi fortificada, já nas últimas décadas do séc. XVIII, para se defender de uma possível invasão russa, que nunca aconteceu. Pois é, naqueles tempos, quem disputava a supremacia da costa oeste americana eram os espanhóis e os russos, já instalados no Alaska e com pretensões de se estabelecerem mais ao sul.
Chegando à Montery, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Parque em Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
Mas, o mundo dá voltas. Os russos ficaram mesmo lá pelo norte enquanto os espanhóis perderam todo o território mexicano na luta daquele país por sua independência. Expulsaram os ibéricos, mas não mantiveram o poder da Califórnia e sua capital, Monterey, por muito tempo. Um dos resultados da guerra entre americanos e mexicanos na metade do séc. XIX foi que o estado passou ao controle dos americanos. Já sob domínio ianque, Monterey continuou com sua longa lista de “primeiros” da costa oeste: primeiro teatro, primeiro prédio público, primeira biblioteca publica, primeira casa de tijolos, primeiro jornal e por aí vai.
Muitos campos de golfe na 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Nesta tradicional cidade chegamos perto da hora do almoço de ontem, já impressionados com a beleza de suas praias ao norte. Seguimos diretamente para o centro de visitantes, bem no meio de um lindo parque e lá fomos recebidos por um senhor que nos deu uma verdadeira aula, não só sobre as atrações da cidade, mas também sobre como receber turistas. Respondia todas as perguntas sem titubear, inclusive sobre o que era mais ou menos interessante. Nada de enrolação!
Os elegantes ciprestes ao longo da 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Ele também nos falou sobre as partes mais bonitas da rodovia, entre Monterey e Los Angeles. Acabou por nos convencer a ficar mais um dia na cidade (nosso plano inicial era seguir viagem já hoje de manhã!). As principais atrações são a estrada-parque que liga Monterey à vizinha Carmel e o aquário da cidade, um dos melhores do mundo. Por fim, ele também nos deu as dicas de regiões de hotéis para ficar, tanto em Monterey como na estrada pelo Big Sur.
Fim de tarde em praia de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Celebrando os últimos momentos do dia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Resolvemos aproveitar o resto da tarde para já percorrer a “17 Mile Road”. Ele vai serpenteando a encosta, espremida entre campos de golfe de um lado e o glorioso Oceano Pacífico do outro. No caminho, muitos mirantes para admirar a paisagem e também a vegetação da região, principalmente os belos ciprestes, típicos dali. A única preocupação era driblar o trânsito concorrente, já que em pleno feriado, tinha muita gente fazendo o mesmo percurso.
No final da tarde, muitas fogueiras na praia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
No final da tarde, muitas fogueiras na praia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Chegamos à charmosa Carmel bem no finzinho da tarde, ainda em tempo de estacionar a Fiona, encontrar um lugar na praia e assistir de camarote ao pôr-do-sol. Clima de total descontração na praia repleta de cães. A cidade é uma das mais “dog-friendly” do país. Vários restaurantes, lojas e hotéis não fazem restrição aos nossos amigos de quatro patas. Andam felizes e soltos pela praia, socializando com seus pares. Quem socializa também são as pessoas, fazendo seus piqueniques e montando suas fogueiras. Depois do espetáculo do sol se pondo atrás do mar, eram dezenas de fogueiras espalhadas pela praia. Sem dúvida, de todas as praias americanas que estivemos nessa viagem, essa de Carmel, principalmente pelo clima descontraído, foi uma das que mais gostamos.
Iluminação natalina nas ruas de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Já no escuro e com muita fome, fomos andar um pouco pela cidade para encontrar um bom restaurante. Carmel também nasceu como uma missão franciscana em tempos espanhóis. No início do séc XX, principalmente após o terremoto que abalou San Francisco em 1906, virou reduto de artistas, poetas, pintores e músicos. Já em 1910 os jornais de San Francisco anunciavam que em Carmel se respirava cultura. Esses mesmos artistas foram construindo suas casas e até se metendo na política local. Um bom exemplo é o ator Clint Eastwood, que foi prefeito da pequena cidade na década de 80. Como artistas gostam de boa comida, a cidade também virou um celeiro de bons restaurantes e o único trabalho que tivemos por lá foi escolher algum entre tantos deles. Foi delicioso caminhar pela cidade enfeitada para o natal, entre pequenos e concorridos restaurantes. Ficou aquela vontade de passar uma longa temporada por lá. Já está na nossa lista de “cidades que um dia voltaremos!”...
Litoral de Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
Correndo pela orla de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Já bem de noite, voltamos para Monterey, agora pela estrada rápida. Tínhamos achado um hotel bem legal, longe do centro, mas bem perto da praia. Pura inspiração para começarmos o dia de hoje de maneira bem saldável! Pois é, logo cedo já estávamos correndo por uma simpática trilha ao longo da orla da cidade, uma região cheia de parques e casas bacanas.
O belo parque na faixa costeira de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Manhã saldável de corrida na costa de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Corremos mais de três quilômetros, admirando o mar forte que batia nas pedras e os corajosos surfistas que enfrentavam não só as ondas, mas o frio da água. Junto com eles, as simpáticas e raras lontras de água salgada, o animal que foi quase extinto pela caça comercial ao longo do séc. XIX, por causa da sua pele. Parada para fotos e admiração da baía de Monterey e, depois, volta correndo para o hotel. Mas antes de chegar lá, um desvio para a praia, para mais uma corridinha. Sem as roupas de borracha dos surfistas, só animamos de molhar os pés e canelas. Doía até os ossos, mas valeu a pena!
Correndo em praia de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Mar gelado em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A tarde de hoje foi dedicada à exploração do famoso aquário da cidade. Depois de termos conhecido o fabuloso aquário de Atlanta, achei que nunca mais me impressionaria com outro e, até por isso, estava com uma certa preguiça de entrar em um. Mas o senhor do escritório de turismo me convenceu que deveríamos ir lá. E ele estava certíssimo!
Observando a floresta de Kelps no enorme aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A sensação de estar abaixo de uma onda, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Certamente, o aquário não é tão impressionante como o de Atlanta, com seus enormes tubarões-baleia. No seu tanque principal, uma pitoresca floresta de Kelps, as gigantescas algas que crescem nessa parte do Pacífico, alimentando um complexo ecossistema que começa com peixes pequenos e chega até os tubarões-martelo. Todos eles representados no aquário, nadando naquela floresta subaquática. Muito legal!
Observando tubarões no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Coleção de moréias coloridas no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Mas, para mim, o que mais impressionou foi a exposição das águas-vivas. Dezenas de espécies, de todos os tamanhos e cores, desde as minúsculas e inofensivas até as gigantes e venenosas, passando pelas incríveis luminescentes, habitantes das profundezas. Um verdadeiro show! Foi mesmo emocionante ver de perto esses verdadeiros alienígenas. Como bem disse um cientista, “o mundo extraterrestre mais perto nós está bem aqui, no nosso quintal, embaixo de nossos narizes. O mar!”. Basta ver esses seres sem braços ou pernas, olhos ou ouvidos, mas tão graciosos e cientes do que se passa a sua volta para concordamos com ele.
Isso aí é um cavalo-marinho muito bem fantasiado de planta, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O Aquário de Monterey tem uma fantástica exposição de águas-vivas (no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos)
Amanhã, pegamos estrada novamente. Será o dia de conhecer a parte mais bonita da One, justamente aquela que atravessa a região conhecida como Big Sur. Nossa ideia é passar o dia explorando esse trecho de cerca de 100 quilômetros e dormir por ali mesmo. No dia seguinte, dia 27, acordamos cedinho e seguimos diretamente para o aeroporto de Los Angeles. Nossas explorações dessa cidade ficam para quando voltarmos do Havaí...
Incríveis águas-vivas luminescentes, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
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