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SHUFFLE Há 1 ano: Peru Há 2 anos: Peru

St. Kitts

Saint Martin, Marigot, Saint Kitts E Neves, Basseterre, Cockleshell Bay

Mapa de St. Kitts e Nevis

Mapa de St. Kitts e Nevis


Cinco da manhã e já estávamos no carro cruzando as ruas vazias de Marigot, atravessando a fronteira sempre aberta entre Saint Martin e Sint Maarten e chegando ao aeroporto internacional da pequena ilha. Tudo nos conformes, duas horas antes do vôo. Só esquecemos de combinar com a companhia, a Liat, que só abriu o balcão de check-in uma hora e quinze minutos antes do vôo. Puxa, quarenta e cinco minutos preciosos de cama...

Chegando em St. Kitts, no Caribe

Chegando em St. Kitts, no Caribe


O vôo no pequeno avião dura menos de meia hora. É o tempo de subir e baixar, e já estávamos na ilha de St. Kitts, a maior das que estamos visitando nesta temporada. Junto com sua companheira Nevis, essa federação é a menos visitada delas. Enquanto Anguilla, St, Barth e St. Martin são terras de ricos e famosos, e Saba e Sint Eustatius são muito procuradas por mergulhadores, St. Kitts e Nevis são meio esquecidas perto de vizinhas tão formosas.

O turbohélice que nos trouxe de Sint Maarten para St. Kitts, no Caribe

O turbohélice que nos trouxe de Sint Maarten para St. Kitts, no Caribe


Bom, na verdade isso as torna ainda mais interessantes, pois são mais autênticas. As duas ilhas foram colonizadas pelos ingleses, mas St. Kitts tem uma história bem turbulenta. Foi aqui que foi fundada a primeira colônia duradoura de língua não espanhola em todo o Caribe. Foram os ingleses, em 1624. Uns 70 anos antes, os franceses já tinham tentado, também em St. Kitts. Mas a potência dominante da época, a Espanha, os colocou para correr rapidinho. Agora, já em pleno sév. XVII, foi a vez dos ingleses tentarem. Primeiro, ficaram amigos dos índios locais, os Caribs (mesmo nome da cerveja!). Depois, dois anos mais tarde, deram as boas vindas a uma nova turma de franceses, que chegaram meio capengas à St. Kitts depois de terem tomado uma surra dos espanhóis em alto mar. Assim, por uma coicidência, as duas potências que brigariam pelos próximos dois séculos pelo controle da maioria das ilhas caribenhas (Inglaterra e França) começaram praticamente juntos, na mesma pequena ilha.

A praia dos grandes hotéis, em St. Kitts, no Caribe

A praia dos grandes hotéis, em St. Kitts, no Caribe


A amizade não durou muito. Mas durou o bastante para, juntos, darem cabo dos Caribs. Numa emboscada, massacraram quase dois mil deles. O rio ficou vermelho por três dias. O local é conhecido até hoje como Bloody Point. Os poucos índios remanescentes foram deportados da ilha e, com isso, ingleses e franceses puderam dividir a terra apenas entre eles. É, talvez... Só esqueceram dos espanhóis. Estes apareceram por lá poucos anos depois, queimaram tudo o que viram e botaram ingleses e franceses para fora novamente. Mas eles retornaram, para reconstruir suas cidades. A Espanha já não tinha mais a força de antigamente e nunca mais apareceu. Assim, sem índios e sem espanhóis, franceses e ingleses tiveram toda a paz do mundo para guerrearem entre si pelos próximos 150 anos, enquanto traziam escravos africanos para suas plantations. Foi só no início do séc XIX que a divisão de ilhas no Caribe entre as duas potências foi finalmente acertada e St. Kitts ficou definitivamente para os ingleses.

A bela paisagem da península sudeste em St. Kitts, no Caribe

A bela paisagem da península sudeste em St. Kitts, no Caribe


Nós chegamos e nos instalamos no SeaView GuestHouse, quase do lado do porto. Domingão, quase tudo fechado, sem navio-cruzeiro no porto, Basseterre, a capital, estava completamente morta. De táxi, seguimos para a ponta sudeste da ilha, onde estão as melhores praias. Inicialmente, queríamos ir na Frigate Bay, que o nosso livro dizia ser a melhor praia da ilha. Bom, pelo menos até 2005, quando o livro foi escrito. Depois disso, um furacão veio e acabou com a praia. Assim, o motorista de táxi nos recomendou irmos na Cockleshell Beach.

Turtle Beach, em St. Kitts, no Caribe

Turtle Beach, em St. Kitts, no Caribe


O caminho para lá é lindo, uma estreita península cortada por colinas, lagos e praias. Um espetáculo! A praia também foi uma bela surpresa. Ao invés do azul que estávamos acostumados, a águra era verde transparente. Muito legal, principalmente pelo contraste. A praia fica do lado caribenho da ilha, onde o mar é bem mais tranquilo. Mas foi só caminharmos um quilômetro, até a praia vizinha, a Turtle Beach, que chegamos do lado do atlântico. Aí sim, marzão com ondas. Água verde também. Os caribenhos tem um respeito danado pelo atlântico e tem um certo medo de nadar em suas praias. Esta, por exemplo, estava completamente deserta.

Rum Punch em bar na Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

Rum Punch em bar na Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe


Voltamos para a praia caribenha e nos instalamos no Lion's Punch, um botecão pé na areia muito legal. Ali a Ana pôde exercitar bastante a arte da socialização, desde com o dono e cozinheiro, o Lion, até com um grupo de clientes que jogava dominó, "esporte" muito popular por aqui.

No Lion's Punch, bar de praia em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

No Lion's Punch, bar de praia em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe


E assim a tarde foi passando e nós seguimos direto para a Frigate Bay, que apesar de ter perdido sua praia, ainda tem a sua night, Ali jantamos um fabuloso Mahi Mahi e voltamos contentes para casa. O país que tinha nos parecido tão sem graça num primeiro momento, acabou nos proporcionando um dia incrível, belas praias, rum punches e comidas deliciosas e pessoas interessantes e receptivas. E amanhã tem mais. Vamos alugar um carro e rodar o país. Literalmente!

Mesa de dominó no bar em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

Mesa de dominó no bar em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

Saint Martin, Marigot, Saint Kitts E Neves, Basseterre, Cockleshell Bay, Cockleshell Bay, Frigate Bay, Saint Kitts, Saint Kitts E Nevis, Turtle Beach

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Glória

Brasil, Minas Gerais, Caxambu

Hotel Glória em Caxambu - MG

Hotel Glória em Caxambu - MG


Houve um tempo, na primeira metade do século passado, em que era um programa muito comum nas classes mais abastadas se passar parte do ano em alguma das estâncias hidrominerais do sul de Minas. Era a "estação de águas". Cariocas e paulistas fugiam do calor em suas cidades natais e passavam temporadas em cidades como Poços de Caldas, Caxambu, Araxá, São Lourenço entre outras. Em várias delas foram construídos grandes hoteis que prosperaram por décadas, atendendo essa fiel clientela. Enquanto se curavam nas águas milagrosas de dia, se divertiam nos cassinos durante a noite. Foi uma época de ouro para essas cidades. De presidentes a artistas, o glamour cercava essas cidades durante a "temporada".

Aqui em Caxambu o hotel que atendia essa chique clientela era o Glória. O seu mais famoso cliente assíduo: Getúlio Vargas. Mas a proibição dos cassinos no Brasil e o avanço da medicina dos remédios tirou da moda as águas medicinais e todas essas cidades. Os hotéis decaíram, alguns chegaram a fechar.

Esse quase foi o destino do Glória. Ele veio se aguentando nas últimas décadas, com um ar meio decadente meio charmoso. Esteve a ponto de fechar as portas ano passado, afundado em dívidas e questões societárias. Mas um novo dono trouxe esperanças. O hotel está em processo de revitalização para alegria dos funcionários e da cidade.

E também de antigos hóspedes! Estive aqui acompanhado dos pais e do querido e saudoso irmão em 1983. Jamais me esqueci da mais limpa piscina em que havia nadado nem da saborosa água mineral servida nas refeições, mais gostosa que sucos de frutas.

Tanto tempo depois, cá estou com minha esposa querida para prestigiar esse patrimônio das Minas Gerais. Pena que por tão pouco tempo. Em plena segunda-feira, como dois dos poucos hóspedes presentes, somos tratados como reis!

Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG

Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG

Brasil, Minas Gerais, Caxambu,

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Aspen

Estados Unidos, Colorado, Aspen

De bondinho, atravessando as montanhas nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

De bondinho, atravessando as montanhas nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Foi a exploração de prata, na época ainda em terras indígenas, que trouxe fama à Aspen pela primeira vez. Estávamos nas últimas décadas do século XIX, o nome veio da árvore também chamada de “Aspen”, tão comum na região e os indígenas, esses não tiveram como fazer frente a tantos novos migrantes em busca do metal prateado.

Cena comum nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Cena comum nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Pois é, tantos migrantes assim acabaram transformando a cidade no maior produtor de prata dos Estados Unidos. Mas, até por isso, também foi a cidade aquela que mais sofreu com o Grande Pânico de 1893, um colapso das bolsas e derrocada do preço das commodities. O governo americano parou de comprar o metal e a cidade foi à bancarrota, voltando à sua vida de insignificância, a população migrando para novas terras de oportunidade e chegando a meros 700 habitantes.

Cena típica nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Cena típica nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Aspen teve de esperar meio século para começar a se movimentar novamente. O responsável por isso foram os japoneses que, com seu ataque à Pearl Harbor, trouxeram os Estados Unidos à guerra. O país escolheu Aspen como campo de treinamento de seus soldados em táticas de combate em montanhas e áreas nevadas. Eram milhares de soldados esquiando para lá e para cá, com seus rifles nas costas.

Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Terminada a guerra, alguns deles, mais empreendedores, voltaram à região para desenvolver a indústria desse esporte. Afinal, já sabiam o quão bom era esquiar por lá. Infraestrutura foi construída, grandes hotéis e resorts erguidos e Aspen se transformou no que é: o mais famoso e badalado centro de esqui da América do Norte, local preferido de milionários e estrelas durante a temporada de inverno nos Estados Unidos.

Preparando-se para descer de snow board as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Preparando-se para descer de snow board as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Hoje, ela é a cidade com o metro quadrado mais caro do país. São cerca de 7 mil moradores, população que se multiplica algumas vezes durante os meses de inverno, hotéis abarrotados, na cidade e redondezas, centenas ou milhares de esquiadores disputando espaço nas excelentes pistas de esqui que cercam a cidade e suas montanhas.

subindo de bondinho as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

subindo de bondinho as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Bondinhos trazem esquiadores e equis para o alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Bondinhos trazem esquiadores e equis para o alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Fomos ver um pouquinho disso hoje. Aproveitamos o feriado do primeiro dia do ano para poder deixar a Fiona estacionada de graça em uma das praças da cidade e fomos caminhar nas ruas brancas de neve. Já tínhamos visto de noite, mas de dia é diferente, belezas distintas e igualmente atrativas. A cada esquina, um grupo de crianças, adolescentes, adultos ou idosos carregando seus esquis. É a cena mais típica dessa cidade cheia de bons restaurantes e lojas de marca.

No alto das montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos, a mais de 3 mil metros de altitude

No alto das montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos, a mais de 3 mil metros de altitude


Bate´papo animado antes da longa descida de esqui até a cidade de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Bate´papo animado antes da longa descida de esqui até a cidade de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Depois da caminhada, fomos dar uma olhada na principal atração da cidade: as pistas de esqui, claro! Um longo teleférico nos leva até o alto da montanha, mil metros acima da Aspen, a 3.400 metros de altitude. Do alto dos bondinhos, algumas dezenas de metros sobre as montanhas, podíamos observar as dezenas de esquiadores e praticantes de snow board se divertindo lá embaixo, deslizando sobre a neve com destreza e evitando a colusão entre si. Aliás, isso foi o que mais impressionou: a classe com que, com tantas pessoas na pista, todos em grandes velocidades, como eles não se chocam! Para mim, a cada momento, parecia que eu iria presenciar uma colisão. Que nada! Estão todos sincronizados!

No alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

No alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


As crianças já nascem esquiando em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

As crianças já nascem esquiando em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Chegamos ao topo da montanha, tiramos nossas fotos da magnífica e inspiradora paisagem e nos divertimos com os esquiadores de todas as idades se preparando para descer. Passam o dia fazendo isso, bondinho para cima e esquis para baixo. Sorriso no rosto, destreza no equilíbrio. Pela cara deles, deve ser muito gostoso. Tão bom como o surfe, a julgar pelo afinco e felicidade demonstrados. Fiquei com a impressão de que a vida ideal seria surfar toda a metade quente do ano, para depois esquiar os outros seis meses. Será que tem muita gente que vive assim?

O concorrido restaurante no alto da montanha em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

O concorrido restaurante no alto da montanha em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Bom, a gente que mal pode se equilibrar encima de uma prancha ou sobre patins, só podemos imaginar e, num dia como esses, sentir aquela ponta de inveja. A vontade que dá é subir numa daquelas pranchas de snow board e sair descendo, na esperança de que iremos saber como fazer. Infelizmente, não é tão fácil assim. É preciso tempo e dinheiro, coisas que estão meio em falta por aqui. Enfim, quem sabe até o final da viagem não conseguimos parar em um lugar mais barato, mas com muita neve também, para nos iniciarmos nessa arte? Se não for nessa viagem, que seja em outra. Se não for nesse vida, que seja em outra. Afinal, não me parece justo que minha alma ou espírito cruze a eternidade sem ter esquiado algumas vezes. Parece tão fácil...

Chegando de volta à Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Chegando de volta à Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Bom, enquanto não esquiamos, pelo menos podemos frequentar as montanhas e restaurantes onde estão os esquiadores. E assim fizemos, um belo almoço de fastfood lá encima, bem no meio da muvuca, só para já ir entrando no clima. Depois, caminho para baixo, de bondinho (infelizmente!), prontos para seguir viagem pelo Colorado. Não sem antes uma boa noite de sono e sonhos. Sonhando... adivinha o quê?

Admirando a beleza das montanhas que circundam Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Admirando a beleza das montanhas que circundam Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Colorado, Aspen, esqui, história

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O Sumidero e a Festa

México, Chiapa Del Corso, Oaxaca

Paredes com quase mil metros de altura no Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

Paredes com quase mil metros de altura no Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


A pesar de ser a mais conhecida cidade de Chiapas, ao menos pelos turistas, San Cristobal não é a maior cidade do estado. Esse posto cabe à moderna capital, Tuxtla Gutierrez, uns 70 km a oeste da antiga capital colonial. E entre as duas, já bem pertinho de Tuxtla, está a mais velha cidade do sul do México, a pequena e simpática Chiapa del Corso.

Lanchas que levam turistas ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

Lanchas que levam turistas ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


Apesar da rica história, o que mais atrai visitantes a esta cidade não é sua bela arquitetura, mas uma gigantesca fissura na Terra que está logo ali do lado, o famoso Canyon del Sumidero. Colossais movimentos tectônicos criaram essa incrível rachadura no planeta há milhões de anos. O rio Grijalva aproveitou o “atalho” no seu percurso de sul a norte e foi, ao longo de centenas de milhares de anos, deixando o Canyon ainda mais profundo. O resultado, hoje, é avassalador aos nossos olhos, na nossa ridícula escala humana.

A Praia dos Urubus, a caminho do Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

A Praia dos Urubus, a caminho do Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


Há pouco mais de 30 anos esse rio foi represado bem na saída do Canyon. Além da vital produção de energia que isso propiciou, outra consequência foi que o rio se tornou navegável por toda a extensão do Canyon, desde Chiapa del Corso até a barragem, Assim, todos os dias, dezenas de lanchas levam turistas desde a cidade até o Canyon, num percurso de quase 70 km, ida e volta, para poder admirar essa verdadeira maravilha da natureza. É a única maneira de conhecê-la lá de baixo e, apesar de ser no maior “esquemão turístico”, definitivamente vale a pena!

Chegando ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

Chegando ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


Ainda estávamos no meio da manhã quando chegamos na cidade. Na verdade, Chiapa del Corso e a visita ao Sumidero eram apenas uma pequena escala no nosso longo percurso planejado para hoje. O objetivo final do dia era chegar à cidade de Oaxaca (lê-se “Oarraca”), capital do estado de mesmo nome, mais de 600 km de distância de Tuxtla. Aqui no México, precisamos nos acostumar com grandes distâncias novamente...

Um enorme e ameaçador crocodilo na entrada do Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

Um enorme e ameaçador crocodilo na entrada do Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


Para nossa surpresa, quando chegamos em Chiapa del Corso, descobrimos uma grande movimentação na cidade. Ela se preparava para uma grande festa. Aliás, são festeiros esses mexicanos. Todos os dias tem festa, é impressionante! Bom, a gente deixou a Fiona num dos grandes estacionamentos preparados para quem vinha à festa e seguimos ao embarcadeiro, pegar nossa lancha. Nós e mais vinte pessoas, todos devidamente vestidos de coletes salva-vidas, apenas na nossa lancha. E são dezenas de lanchas! Mas, como ainda era cedo, muitas ainda esperavam seus clientes e encontramos a maioria delas apenas na nossa volta, felizmente.

Nossa lancha chega ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

Nossa lancha chega ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


Rapidamente a lancha nos leva através do rio, enquanto suas paredes laterais começam a crescer. Cem, duzentos, trezentos metros! O guia nos indica enormes formações rochosas, estalactites com mais de vinte metros de comprimento, perdidos, pequenininhos no meio daquelas paredes colossais. Passamos também por uma incrível praia com centenas de urubus e depois, para a alegria da Ana e de todos os turistas no barco, por uma pedra onde um enorme crocodilo esquentava-se ao sol. Crocodilo de proporções africanas! Um verdadeiro monstro pré-histórico!

Visita ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

Visita ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


Mas, mesmo ele apequenava-se dentro daquele Canyon. As paredes cresciam ainda mais, seiscentos, oitocentos, mil metros de altura! enquanto, para baixo, a profundidade superava os cem metros. Foi neste ponto, conhecido como “castelo”, que a história conta que centenas de índios, mulheres e crianças inclusive, se atiraram no abismo para a morte certa para evitar que se tornassem escravos na mão de seus perseguidores espanhóis. Realmente, se a única opção que restar for o suicídio, aquele é um lugar perfeito, terminar a vida em garnde e alto estilo!

Formação conhecida como Árvore de Natal, com quase 200 metros de altura, no Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

Formação conhecida como Árvore de Natal, com quase 200 metros de altura, no Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


Chegamos até a barragem e voltamos, passando mais uma vez por aquela incrível paisagem e tirar o fôlego. É impressionante! Magnífico! Aqui, mais do que nunca, nossas fotos não conseguiram captar a grandiosidade da cena. Confesso que, mesmo para olhos acostumados como os meus, é uma das paisagens mais grandiosas que já vi...

O belo Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México

O belo Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México


De volta à Chiapa del Corso, a festa que tínhamos visto apenas começando, agora seguia a todo vapor! As moças se vestiam em lindos vestidos cheio de cores enquanto os homens usavam máscaras e uma espécie de colmeia na cabeça. Centenas deles, vindos de todos os lados e se congregando na praça da igreja. O resultado final era lindíssimo, prato cheio para quem gosta de fotografar.

Muitas cores nas fantasias durante festa em Chiapa del Corso, no sul do México

Muitas cores nas fantasias durante festa em Chiapa del Corso, no sul do México


Depois de larga sessão de fotos e de passeáramos por entre a multidão festiva, foi de cortar o coração irmos embora, mas longas horas de estrada nos esperavam. Felizmente, estradas bem melhores e mais rápidas que as que tomamos nos últimos dias. Que delícia é poder dirigir por mais de cinco minutos sem passar por um tope (lombada)!

Festa em Chiapa del Corso, no sul do México

Festa em Chiapa del Corso, no sul do México


E assim fomos seguindo e seguindo, enquanto a tarde passava e chegava a noite. No finalzinho do dia passamos por uma região conhecida como La Ventosa. Como diz o próprio nome, o vento era forte e interminável. Até balançava a Fiona. Aproveitando isso, construíram ali um parque eólico. O maior que já vi na vida, literalmente com milhares de moinhos. Visão incrível, por dezenas de quilômetros uma fileira interminável deles.

Crianças também se fantasiam em festa popular em Chiapa del Corso, no sul do México

Crianças também se fantasiam em festa popular em Chiapa del Corso, no sul do México


Os últimos duzentos quilômetros fizemos no escuro mesmo. Aparentemente, as estradas no sul do país ainda são seguras pela noite. Chegamos à Oaxaca perto das nove da noite. Ainda não tínhamos ideia do quanto gostaríamos dessa incrível cidade...

O gigantesco parque eólico em La Ventosa, em Oaxaca, no México

O gigantesco parque eólico em La Ventosa, em Oaxaca, no México

México, Chiapa Del Corso, Oaxaca, Canyon, Chiapas, Sumidero

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De San Marcos Para Xela

Guatemala, San Marcos La Laguna, Quetzaltenango

O incrível visual da Laguna Atitlán e seus três vulcões! (em San Marcos La Laguna, na Guatemala)

O incrível visual da Laguna Atitlán e seus três vulcões! (em San Marcos La Laguna, na Guatemala)


Por uma estranha coincidência ou pela infalível Lei de Murphy, sempre o último dia da temporada na praia, aquele em que precisamos ir embora cedinho (pelo menos para quem mora longe, como Belo Horizonte, e tem uma longa viagem pela frente), é sempre o mais bonito, céu azul e sol radiante. Por que será? De criança, sempre tentava imaginar alguma maneira de “enganar” essa sina que São Pedro nos impõe. Pois é, para quem tem 1000dias, não é tão difícil!

Checando a cor da água do lago Atitlán San Marcos La Laguna, na Guatemala

Checando a cor da água do lago Atitlán San Marcos La Laguna, na Guatemala


Dia de sol na espetacular laguna Atitlán em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Dia de sol na espetacular laguna Atitlán em San Marcos La Laguna, na Guatemala


Hoje, dia de ir embora da maravilhosa Laguna de Atitlán, o dia amanheceu mais bonito do que nunca. Então, “vamos atrasar a partida!”, foi nossa justa reação. Ao invés das malas, fomos atrás da sunga e do biquini e corremos para a nossa “praia” no lago, a plataforma de saltos. Como frequentadores habituais, ganhamos até um desconto na entrada (a plataforma fica dentro de um parque municipal). A próxima hora foi gasta tirando as fotos mais bonitas de Atitlán e dos deliciosos saltos no lago. Uma inesquecível maneira de nos despedirmos desse lugar incrível que deveria fazer parte do roteiro de todos os que visitam este país.

Admirando a beleza da laguna Atitlán e de seus vulcões, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Admirando a beleza da laguna Atitlán e de seus vulcões, em San Marcos La Laguna, na Guatemala


'Caminhada aérea' sobre uma ensolarada laguna Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

"Caminhada aérea" sobre uma ensolarada laguna Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala


Depois da diversão, a obrigação. Afinal, nossa diária já vencia no hotel. Empacotamos tudo e partimos de Fiona para nossa última etapa dessa primeira passagem pela Guatemala (na volta da América do Norte tem mais!). Mas antes disso, Atitlán ainda reservava uma última surpresa para nós. Quando chegamos aqui há três dias já estava escuro e não pudemos aproveitar a vista que se tem do alto das encostas da imensa cratera que é, na verdade a região da laguna. Dessa vez, início da tarde, após vencer o interminável ziguezague que a estrada faz para chegar lá no alto da encosta, chegamos a um ponto que oferecia vistas sublimes de toda aquela natureza exuberante: o lago lá embaixo com suas águas azuis-esverdeadas, os três vulcôes do outro lado de Atitlán, o verde das florestas que cercam a laguna e o céu azul a cercar tudo isso. Nova pausa para fotos, para nós e para um simpático grupo de turistas guatemaltecas, argentinos e suiço que viajavam juntos no carro de uma delas.

Despedida da fantástica região da laguna Atitlán (saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala)

Despedida da fantástica região da laguna Atitlán (saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala)


Encontro com argentinos, guatemaltecos e um suiço no mirante de Atitlán, saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala

Encontro com argentinos, guatemaltecos e um suiço no mirante de Atitlán, saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala


Depois, a curta viagem até Quetzaltenango, a maior cidade dessa parte do país, mas ainda sim com uma simpática cara de cidade pequena. “Xela”, como é conhecida pelos locais, quase chegou a ser a capital de um país que não chegou a existir e hoje atrai muitos estudantes estrangeiros que querem aprender espanhol, o que deu à cidade um ar mais cosmopolita, com ótimos restaurantes e pequenos hotéis boutique. A cena cultural também é agitada, assim como a vida noturna. A arquitetura no centro também é diferenciada no país, influenciada que foi pela forte presença germânica no início do século passado.

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Xela está localizada em região bem montanhosa, cercada de vulcões. Com uma altitude superior a 2.300 metros, o fim do dia sempre traz um friozinho gostoso, e todas as camas pedem um bom cobertor. Que delícia! Pena que amanhã não poderemos dormir até tarde. Na verdade, é justamente o contrário! Já temos compromisso marcado com um guia que vir[a ao nosso hotel às 04:30 da madrugada. Vamos todos de Fiona ao vulcão Tajumulco que, com seus 4.220 metros de altura, é o ponto mais alto da Guatemala e de toda a América Central. A Fiona nos leva até os 3.200 metros e os últimos mil são por nossa conta. Depois de tanto tempo relaxando no lago, já era mesmo hora de um pouco de exercício...

Um dia inspirador para remar no Lago Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Um dia inspirador para remar no Lago Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Guatemala, San Marcos La Laguna, Quetzaltenango, Atitlán, Lago, vulcão, Xela

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Pelas Montanhas e Ares do Rio de Janeiro - 2a parte

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro

Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ

Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ


Dez anos atrás fiz meu único salto de asa delta, vôo duplo, até hoje. Foi aqui no Rio e as lembranças são ainda bem fortes. Eu também já saltei de paraquedas, parapente, bunge jump, voei de ultraleve e planador. Mas, é o vôo de asa delta que nos dá a mais gostosa sensação de estar voando. Acho que é o doce barulho do vento, mais o fato de estarmos na horizontal e o modo suave como a asa voa que nos dá essa sensação, aquela que imaginamos que teríamos se voássemos de verdade, assim como nos nossos sonhos.

Vista da Pedra Bonita, na rampa para saltos de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ

Vista da Pedra Bonita, na rampa para saltos de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ


Dessa vez, fomos para São Conrado para a Ana voar. Eu seria apenas expectador, fingindo um certo ar de experiência nos diversos procedimentos. Já tínhamos acertado com o Ricardo por telefone e foi só a Ana se inscrever na associação lá no finzinho da praia e seguirmos juntos para o alto da Pedra Bonita. Confesso que lá no alto, tirando fotos da rampa de decolagem e observando um casal voando um pouco antes da Ana, fiquei com uma vontade danada. Mas já tinha tomado minha decisão de ser apenas um fotógrafo e expectador.

Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ

Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ


Deixei a ansiosa Ana lá em cima e voltei com o motorista para poder assistir ao pouso, nas areias da praia. Uma tensa meia hora se seguiu. Tensa porque o prazo de decolagem se esgotava e o vento não favorecia o vôo. Lá em baixo, eu ficava imaginando a aflição da Ana vendo os ponteiros do relógio passando. Faz muito tempo que ela queria fazer esse vôo e, mais uma vez, parecia que algo não daria certo. Mas o Ricardo, nos minutos finais, achou uma brecha no vento e saltaram. Lá de praia, acompanhei o rápido vôo, cheio de idas e vindas, voltas e viradas e trouxeram minha feliz esposa sã e salva para terra firme. Mal cabia em seu sorriso e já queria voar de novo...

Tudo bem após o salto de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ

Tudo bem após o salto de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ


De volta para casa e após o jantar em família, resolvemos que, após os ares de São Conrado iríamos experimentar os ares da Lapa. Já era mais de meia noite quando chegamos no famoso Rio Scenarium, uma espetacular casa de Samba no coração da Lapa, o local que ajudou a mudar a cara do então decadente e perigoso bairro, transformando-o no principal centro de diversões noturnas do Rio.

Música ao vivo no Rio Scenarium, na Lapa, no Rio de Janeiro - RJ

Música ao vivo no Rio Scenarium, na Lapa, no Rio de Janeiro - RJ


A casa é enorme, usando o belo espaço reformado de uma antiga casa local, com a decoração toda feita de móveis e utensílios antigos, um verdadeiro antiquário. Comporta milhares de pessoas que ficam navegando entre seus diversos ambientes, cada um com vida própria. Uma balada imperdível para qum quer conhecer o Rio de Janeiro. Ontem estava muito jóia pois não estava lotado, dando espaço para a gente dançar e transitar sem problemas. No verão, principalmente aos sábados, a fila para entrar é gigantesca e esperas de mais de duas horas são normais. Nós mesmos já tínhamos tentado duas vezes e desistido. Há várias outras opções no bairro, sempre com muito samba de gafiera. Mas é o Scenarium a maior e mais famosa. Desta vez, finalmente, conseguimos. Foi muito jóia!

Matando a fome no Cervantes no fim de madrugada, em Copacabana, no Rio de Janeiro - RJ

Matando a fome no Cervantes no fim de madrugada, em Copacabana, no Rio de Janeiro - RJ


Já no final da madrugada, no caminho de volta para casa, uma parada estratégica no popular Cervantes, em Copacabana. Naquela hora da madrugada, nada melhor que um sanduíche de carne, queijo, patê e abacaxi para recuperar as energias e poder dormir de barriga cheia. Foi um belo dia na cidade maravilhosa!

Vista da Pedra Bonita, na rampa para saltos de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ

Vista da Pedra Bonita, na rampa para saltos de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro, Lapa, Rio Scenarium, São Conrado

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Dela-onde?

Estados Unidos, Delaware, Newark, Maryland, Baltimore, Pennsylvania, Longwood Gardens

Lanche na casa do Maurício e Oscar em Newark - Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)

Lanche na casa do Maurício e Oscar em Newark - Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)


Ontem no final do dia, depois de enfrentar a hora do rush na saída de Washington (quase todo mundo que trabalha lá mora nos estados vizinhos!) e cruzarmos o estado de Maryland e sua movimentada cidade portuária, Baltimore, chegamos ao Delaware. “Dela-onde?” – eu perguntaria – “Dela-ware!” – responderia a Ana, na piadinha mais repetida nos próximos dois dias...

O Oscar nos recebe em sua casa em Newark, no Delaware, nos Estados Unidos

O Oscar nos recebe em sua casa em Newark, no Delaware, nos Estados Unidos


Churrasco preparado pelo Maurício e o Oscar para nos receber em sua casa em Newark, no Delaware, nos Estados Unidos

Churrasco preparado pelo Maurício e o Oscar para nos receber em sua casa em Newark, no Delaware, nos Estados Unidos


Estava escuro quando a Fiona finalmente nos levou ao nosso endereço-destino, na cidade de Newark, norte do estado, onde fica a casa dos brasileiros Maurício e Oscar. Foram os dois os “responsáveis” para acharmos alguns dias na nossa corrida programação para ficarmos aqui no Delaware, o penúltimo menor estado dos Estados Unidos, logo após Rhode Island. Mas, agora, depois de mais de 24 horas por aqui, posso afirmar que valeu muito a pena ter vindo conhecer um pouco do “Dela-onde”! Principalmente quando se pode contar com a hospitalidade do dois e também ter o Oscar como guia para um passeio pelas redondezas!

Na Fiona com o Oscar, pelas estradas do Delaware - Estados Unidos

Na Fiona com o Oscar, pelas estradas do Delaware - Estados Unidos


Conhecemos os dois há pouco tempo, de novo através dessa maravilhosa ferramenta chamada internet. Eles tem um delicioso blog de viagens, o mauoscar.com, contando suas peripécias pelos Estados Unidos, Brasil, Europa e Sudeste da Ásia, locais em que já moraram. O Maurício trabalha no HSBC e, de tempos em tempos, o banco “muda” o endereço deles. Melhor para nós, que podemos acompanhar tudo pelos relatos nos posts, uma excelente fonte de informações para quem vai viajar por Cingapura, Seattle ou Serra Catarinense, entre outros.

Bela paisagem na região de Newark, em Delaware - Estados Unidos

Bela paisagem na região de Newark, em Delaware - Estados Unidos


Pois bem, o Mauricio e o Oscar nos esperavam em sua casa, já meio preocupados com o atrasado da hora. Eles nos receberam com um saboroso churrasco, algo para nos fazer sentir mais perto do Brasil. Jantar acompanhado de vinho e muitas conversas sobre experiências de viagens, claro!

Área rural em Newark, em Delaware - Estados Unidos

Área rural em Newark, em Delaware - Estados Unidos


Casa enfeitada para o Memorial day, na região de Newark, em Delaware - Estados Unidos

Casa enfeitada para o Memorial day, na região de Newark, em Delaware - Estados Unidos


Hoje a programação já foi mais extensa. O Maurício ficou trabalhando em casa (está com uma fratura no pé) enquanto o Oscar, a bordo da Fiona, nos levou para passear pela região. Passamos por um parque, pela bela paisagem rural do norte do Delaware e fomos conhecer as “Pontes de Madison” daqui.

Uma das pontes cobertas históricas na região de Newark, no Delaware - Estados Unidos

Uma das pontes cobertas históricas na região de Newark, no Delaware - Estados Unidos


Visitando as 'Pontes de Madison', na região de Newark, em Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)

Visitando as "Pontes de Madison", na região de Newark, em Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)


Para quem não conhece o delicioso filme, trata-se de um romance entre Mary Streep e Clinton Eastwood. Ele é fotógrafo da National Geographic e vai para Madison, em Iowa, fazer uma reportagem sobre as famosas pontes rurais da cidade. Pois bem, aqui no Delaware, também há “Pontes de Madison”! São construções de quase dois séculos cuja principal característica é o fato de serem cobertas. Geralmente, estão em locais bem bucólicos, cruzando algum rio o canal no meio do campo ou de uma floresta, cenários perfeitos para fotografias. Pena que não temos a classe do Clinton Eastwood... O Oscar logo nos ensinou porque elas são cobertas: “É para proteger a madeira do piso da chuva. Com isso, a ponte dura mais tempo.” Protegem, mas não fazem milagres por tantos séculos. Assim, hoje elas são restauradas, reformadas ou refeitas, tudo para manter esse belo patrimônio arquitetônico!

Visitando as 'Pontes de Madison', na região de Newark, em Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)

Visitando as "Pontes de Madison", na região de Newark, em Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)


'Pontes de Madison' na região de Newark, em Delaware - Estados Unidos

"Pontes de Madison" na região de Newark, em Delaware - Estados Unidos


Depois das pontes, seguimos para fronteira com a Pennsylvania, para o principal programa do dia: um passeio pelo parque de Longwood Gardens, o mais belo Jardim Botânico do país. E quem se juntou conosco nesse passeio foram as amigas Cláudia e Tete, que vieram de Washington para esse “encontro de blogueiros”. A Cláudia trouxe sua mãe, em visita ao país e, claro, o pequeno Dylan, o famoso Aprendiz de Viajante.

O grupo de blogueiros que visitou o Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)

O grupo de blogueiros que visitou o Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)


Apesar do Oscar, já com um sentimento meio patriótico, dizer que o parque deveria ser considerado do Delaware, ele fica mesmo é na Pennsylvania. A área pertenceu por algumas gerações, a partir do início do séc XIX, à família Peirce. Eles usavam a área como fazenda, mas também destinaram uma boa parte da propriedade para um “arboreum”. Ao longo de duas gerações, constituíram uma das maiores coleções de árvores de todo o país, ganhando fama e visitantes de todos os lados. Mas, infelizmente, a geração seguinte não era assim, tão “talentosa”. Vendeu toda a área a o novo comprador tinha planos “ambiciosos” para o arboreum: transformar tudo em lenha.

Os cuidados jardins de Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Os cuidados jardins de Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Foi quando apareceu uma outra personagem, Pierre du Pont. Ele era um dos muitos netos e descendentes do primeiro du Pont à chegar aos Estados Unidos, fugido da Revolução Francesa. Aqui, criou uma bem sucedida empresa de fabricação de pólvora. Na terceira geração da família, Pierre logo se destacou, chegando ao comando da empresa, diversificando sua atuação e tornando-a uma das maiores corporações mundiais, especialmente na área química. Seu sucesso nos negócio era tão grande que também foi chamado a ser CEO da General Motors. Enfim, Pierre era um dos mais ricos e poderosos homens do seu tempo.

Uma das muitas fontes no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Uma das muitas fontes no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


caminhando pelo Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

caminhando pelo Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Pois bem, além de homem de negócios, também era amante da natureza. Quando soube do triste fim reservado à fazenda Longwood, tratou de comprá-la do novo proprietário, além de pagar-lhe pelo preço da “lenha”. A propriedade passou a ser uma de suas maiores paixões ao longo da vida. Ele criou um Jardim Botânico, usou as maiores tecnologias da época para construir uma enorme estufa e abriu a propriedade para visitações.

Com a Tete e o Oscar no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)

Com a Tete e o Oscar no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)


fotografando flores no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

fotografando flores no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Foi o fruto desse trabalho e dessa paixão que fomos visitar hoje: o mais incrível Jardim Botânico dos Estados Unidos. A propriedade é cheia de campos, bosques, caminhos bucólicos, lagos e fontes. É famosa também pelos seus shows de luzes a águas, atraindo milhares de visitantes em dias de celebrações. Conforme as estações do ano, são feitas exposições de flores, os jardins são renovados e novas atrações são criadas.

Uma das muitas fontes em Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Uma das muitas fontes em Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Mas para mim, sem dúvida, no meio de tanta coisa bonita, o que mais chama a atenção é a magnífica estufa, um verdadeiro universo sobre vidros onde se pode ver a apreciar flores dos quatro cantos do mundo. Trato dela no próximo post...

Clima romântico na entrada do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)

Clima romântico na entrada do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)


Muito gostoso também foi a convivência com o Oscar, Cláudia e Tete. Era engraçado ver, todos com suas máquinas fotográficas, tirando fotos dos locais em que passávamos. Fiquei com uma vontade danada de ler os respectivos posts desse dia no blog de cada um desses blogueiros.

todos fotografando ao mesmo tempo, em visita ao Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

todos fotografando ao mesmo tempo, em visita ao Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Hora da despedida na casa do Marício e Oscar, em Newark - Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)

Hora da despedida na casa do Marício e Oscar, em Newark - Delaware, nos Estados Unidos (foto do Oscar, do mauoscar.com)


Mostrando o mapa dos 1000dias ao Aprendiz de Viajante, em Newark, no Delaware - Estados Unidos

Mostrando o mapa dos 1000dias ao Aprendiz de Viajante, em Newark, no Delaware - Estados Unidos


No final do dia, ainda deu tempo de irmos todos para a cada do Oscar, de volta à Delaware, reencontrar o Maurício e comer um lanche na casa deles. A Cláudia, sua mãe e Tete voltaram para Washington e nós fomos jantar fora. Um jantar de “até logo”, e não de despedidas, pois pretendemos nos ver em breve, em Philadelphia. Vamos passar um dia por lá, na primeira capital dos Estados Unidos, assim que voltamos do Caribe. E nossa ideia é encontrar nossos amigos de “Dela-onde” por lá!

Jantar de despedidas com o Maurício e Oscar, em Newark, no Delaware - Estados Unidos

Jantar de despedidas com o Maurício e Oscar, em Newark, no Delaware - Estados Unidos

Estados Unidos, Delaware, Newark, Maryland, Baltimore, Pennsylvania, Longwood Gardens, Longwood Gardens, ponte

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Um Dia na Estrada

Brasil, São Paulo, São Carlos, Carlos Botelho, Ribeirão Preto

Pôr-do-sol na Washington Luís, chegando em São Carlos - SP

Pôr-do-sol na Washington Luís, chegando em São Carlos - SP


Um longo, interessante e variado dia na estrada. Assim podemos resumir o dia de hoje. Chuva e sol, mar e rio, montanha e praia, Paraná e São Paulo. Mas, no fim, saímos da casa da família para chegar na casa da família também!

A idéia original era só dirigir até Cananéia, mas acabamos "esticando" até Ribeirão Preto. Deixamos Cananéia perto das 11 da manhã, ainda com tempo ruim (ver post abaixo). Resolvemos seguir para Ribeirão por um roteiro alternativo, passando por um parque estadual chamado Carlos Botelho. Existe uma estrada-parque que o atravessa de sul a norte e que estava bem na nossa direção.

Placa informativa no Parque Estadual de Carlos Botelho, núcleo Sete Barras, em São Paulo

Placa informativa no Parque Estadual de Carlos Botelho, núcleo Sete Barras, em São Paulo


O parque tem uma das porções de mata atlântica mais bem conservadas do estado. Basta entrar nela para se observar e sentir a abundância de vida desse ecossistema. Não é muita gente que sabe mas a diversidade de vida da Mata Atlântica supera em muito a da floresta amazônica.

Paisagem do Parque Carlos Botelho no estado de São Paulo

Paisagem do Parque Carlos Botelho no estado de São Paulo


O único porém do parque é que para se visitar várias de suas atrações é preciso agendar com bastante antecedência. Assim, não pudemos fazer as trilhas que levam à cachoeiras e a uma enorme figueira. Por um lado, estão protegendo o parque, mas por outro, acho um absurdo não podermos seguir uma trilha bem marcada com nossos próprios pés. De novo, fiz aquela promessa de, na próxima encarnação, ser um "pesquisador" com super-poderes e poder visitar todos os parques, reservas e cavernas do Brasil sem ninguém enchendo o saco.

Paisagem do Parque Carlos Botelho no estado de São Paulo

Paisagem do Parque Carlos Botelho no estado de São Paulo


Quando descemos a montanha do outro lado do parque o tempo já tinha melhorado. Sinal que já estávamos chegando em Ribeirão e se afastando de Curitiba! He he he. Mas antes, ainda tínhamos um pit-stop a fazer: São Carlos, uma quase tranquila cidade do interior paulista que ostenta duas das melhores universidades do país, a USP e a UFSCAR. Local perfeito para a vida estudantil, cidade jovem e progressista. Passamos lá para conhecer a casa da Lalau (minha irmã) e do Gêra, muito bem instalados que estão.

Casa da Lalau e do Gêra em São Carlos - SP

Casa da Lalau e do Gêra em São Carlos - SP


Depois de conhecer a gostosa casa e condomínio, demos carona para a Lalau até Ribeirão Preto, onde moram meus pais. Os próximos dias serão de muito sol, saúde e vida na fazenda. Aguardem notícias!

Brasil, São Paulo, São Carlos, Carlos Botelho, Ribeirão Preto,

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Férias das Férias

Santa Lúcia, Castries, Rodney Bay

Época de flores em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Época de flores em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Dia 20 era o nosso dia de subir uma das Pitons. Quase todos os turistas que resolvem fazer esse enorme esforço escolhem a maior delas, onde há uma trilha e guias, a Gros Piton. Os mais aventureiros escolhem a escalaminhada da Petit Piton, onde até cordas são necessárias. Essa foi a nossa escolha. Hoje, 05:30 da madrugada, estávamos prontos para a programação de 4 horas. Nós estávamos, mas nosso guia não. Simplesmente não apareceu e nós voltamos para a cama para outras deliciosas e merecidas horas de sono. Vamos embora sem ter estado no topo de uma das Pitons. De alguma maneira, isso não é ruim. Elas continuarão com aquele ar de misteriosas, de proibidas, de sagradas para nós. A visão aqui de baixo já foi inesquecível e a visão lá de cima é um bom motivo para voltarmos...

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe


Ainda no final da manhã a Ana foi mergulhar novamente. Vai contar a história no seu post, mas entre outras coisas, esteve um bom tempo com uma grande tartaruga.

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe


Já eu, iniciei meu período de férias das férias. Por três dias, do dia 20 até hoje, tivemos um delicioso descanso, sem muitas atividades, fora uma gostosa caminhada no dia de hoje, no parque de Pigeon Island, aqui em Rodney Bay, onde passamos os últimos dois dias, no norte de Santa Lúcia.


Nosso percurso em Santa Lúcia

Logo depois da Ana voltar do mergulho, um pouco de sol na piscina e uma cerveja gelada para começar bem o período sabático, saímos de viagem novamente. Nosso destino era o norte da ilha, mas começamos indo para o sul, até a ponta de Santa Lúcia. Lá está um farol, na cidade de Vieux Fort, de onde se tem uma ampla visão do marzão que nos separa da próxima ilha da cadeia, São Vicente.

Visita à ponta sul de Santa Lúcia, em Vieux Fort

Visita à ponta sul de Santa Lúcia, em Vieux Fort


De lá, ao lado do aeroporto internacional de Santa Lúcia, seguimos pela estrada para Castries, a capital da ilha. Chegamos por uma estrada alternativa, no alto do morro, de onde tivemos uma visão belíssima da cidade. Não é à toa que o Governador-Geral resolveu construir sua casa por ali, hehehe.

Vista de Castries, capital de Santa Lúcia

Vista de Castries, capital de Santa Lúcia


Cruzamos Castries, passamos pelo aeroporto regional de onde voaremos amanhã e chegamos, no fim da tarde, à Rodney Bay, o centro turístico dessa área bem mais movimentada da ilha, onde bacanas do mundo inteiro vem passar temporadas em resorts ou, melhor ainda, aportam seus “barquinhos”.

Casa do governador-geral de Santa Lúcia, em Castries

Casa do governador-geral de Santa Lúcia, em Castries


Na verdade, o mais caro resort de todos está no sul, ali perto de Soufriere. É onde ficava a Amy Winehouse, tomando todas e dando suas populares baixarias, enquanto fazia seus shows maravilhosos. Mas é no norte que se concentram a maioria dos resorts.

Com a Marília em sua casa na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Com a Marília em sua casa na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Mas nós não tivemos de ficar em nenhum resort. Ao contrário, ficamos muito melhor instalados! Nossos amigos lá de Barbados, a Rosa e o Roberto, tinham nos passado o contato de um casal aqui em Santa Lúcia. A brasileira Marília e o inglês David nos receberam na casa deles, bem na marina de Rodney Bay.

Com a Marília na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Com a Marília na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Eles têm uma história de vida interessantíssima, que nos fez ver que ainda temos de comer muito feijão. O David trabalha numa firma de consultoria e, por isso, vivem mudando de lugar. Ele já passou pela Polônia Comunista, por lugares “sem graça” como Londres e Paris, pelas brasileiras Rio, São Paulo e Paraíba e por lugares um pouco mais inóspitos como a Líbia, Iraque, Líbano e Paquistão. Sim, lá no Paquistão estiveram na vizinhança do Bin Laden duas semanas antes de matarem o líder terrorista. Na Líbia, eram vizinhos do Khadafi, no Líbano e no Iraque, seus hotéis foram bombaerdados um pouco depois de saírem de lá. Enfim, quanta experiência!

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Além disso, a Marília conviveu com gente como a Madre Tereza de Calcutá, na Venezuela, ou Paulo Francis, em Nova York, Nara Leão e Chico, no Rio dos anos 60, o parente feioso Paulo Zulu e todos os jornalista do Pasquim dos anos 70.

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Enfim, passamos dois dias maravilhosos ouvindo suas histórias e nos divertindo com o humor inglês do David, embalados com bom uísque e vinho, mimados até não poder mais com um delicioso quarto e refeições em bons restaurantes. Fica difícil saber se devemos agradecer aos nossos anfitriões, que nos deram uma aula sobre como passar nossa curta vida aqui na Terra, ou à Rosa e ao Roberto, o simpático casal que nos colocou em contato com eles! Brincadeiras à parte, agradecemos aos dois casais, pessoas que só conhecemos porque estamos viajando por esse enorme continente, sempre abertos a conhecer pessoas novas, gente que vive diferente das pessoas que passam boa parte da vida dentro de um escritório.

Caminhando em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Caminhando em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Parte alta de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Parte alta de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


O dia 21 foi assim, conversando boa parte do dia com a Marília, e socializando também com o David de noite. Quando muito, um pulinho na praia da Rodney Bay, onde fomos até o boteco no final da praia e, ao longo de algumas cervejas, ficamos amigos da dona e de seus ajudantes, todo mundo sangue muito bom, o melhor escritório do mundo bem em frente, a paisagem cinematográfica da praia, mar azul, veleiros e iates e a Pigeon Island ao fundo.

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Aliás, foi aí que fomos passar o dia de hoje. Um parque nacional que protege uma península que já foi uma ilha, até que aterrassem uma pequena passagem há três décadas. Pigeon Island teve papel fundamental na história de Santa Lúcia e de todo o Caribe e hoje toda a área é um parque, protegendo não só a natureza, mas também as ruínas da antiga fortaleza.

No alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

No alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Foi aqui que, depois de muitas idas e vindas, os ingleses conseguiram se estabelecer “solidamente”. Construíram uma bela fortaleza e daí conseguiam vigiar Fort-de-France, a principal base naval francesa no Caribe, em Martinica, 40 km ao norte.

Uma das muitas placas informativas sobre a história de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Uma das muitas placas informativas sobre a história de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Na Guerra dos Sete Anos, na década de 1760, franceses e ingleses estavam, em verdade, disputando a supremacia mundial, assim como foi a guerra entre eles. Os ingleses venceram e os franceses perderam sua posses no Canadá e na Índia (o que atesta o caráter mundial da disputa). Pois bem , alguns anos mais tarde veio a chance da desforra, a Guerra de Independência Americana. Franceses logo se aliaram aos revolucionários e Washington teve ajuda decisiva do exército comandado pelo general francês Lafayette. Não é à toa que, até hoje, os americanos tem essa dívida de gratidão com os franceses.

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Pois bem, essa também foi uma “guerra mundial” e boa parte dela se deu Caribe. Enquanto em terra, na América do Norte, Washington e seu amigos franceses ao final venceram, no Caribe a história foi outra. Aqui, ingleses, de maneira geral, venceram a aliança de americanos, franceses, espanhóis e holandeses.

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Por exemplo, boa parte dos suprimentos para os revolucionários americanos passavam pela ilha de Sint Eustatius (nós passamos por lá, podem ver nos posts!), inclusive mercadorias contrabandeadas da própria Inglaterra. Os ingleses tomaram essa ilha dos holandeses, num ataque surpresa, destruindo boa parte das instalações comerciais pertencentes à comunidade judaica da ilha. Inclusive, e isso não era comercial, à mais antiga sinagoga do continente. Um ano mais tarde, em 1782, os franceses retomaram a ilha para os holandeses.

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Mas, a grande batalha pela posse do Caribe era outra. Franceses e espanhóis planejavam tomar a Jamaica, principal base inglesa na região. Mas quando a esquadra francesa zarpou de Fort-de-France, na Martinica, os ingleses logo saíram em seu encalço. Estavam estacionados em Pigeon Island, sob comando do Almirante Rodney, o mesmo que havia tomado Sint Eustatius. Ele mesmo subia, todos os dias, ao ponto mais alto de Pigeon Island para, com sua luneta, observar os franceses da Martinica.

Experimentando chapéus em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Experimentando chapéus em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Depois de muita espera, saiu com sua frota poucas horas depois dos navios franceses zarparem e, alguns dias depois, os derrotou em uma batalha ao largo das ilhas de Les Saints, em Guadalupe. Foi uma vitória decisiva que manteve a posse da Jamaica e, mais do que isso, a supremacia inglesa em todo o Caribe.

Gato descansa tranquilamente à beiramar, em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Gato descansa tranquilamente à beiramar, em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


A fortaleza onde Rodney ficava hoje é um parque. Por aí caminhamos por algumas horas, lendo todos os painéis explicativos e nos deliciando com a mesma visão que tinham os ingleses, 235 anos atrás. Ao final, relaxamos no lendário restaurante em que a inglesa Josset Agnes recebia velejadores de todo o mundo nas décadas de 50 a 70 do século passado. Um lugar sagrado na comunidade! A atriz acabou voltando para morrer na Inglaterra, quase centenária, mas seu sonho de preservação foi consolidado com a transformação de toda a área em um parque.

Pequena e bela praia em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Pequena e bela praia em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Amanhã partimos para San Vincent, de avião. Fim de mais uma etapa nessa perna caribenha, muitas histórias novas aprendidas (o Caribe é um mundo à parte!) e, mais importante do que tudo isso, dois dias de agradável e enriquecedora convivência com esse casal incrível, que nos recebeu tão bem, a Marília e o David.

Com o David e a Marília, nossos queridos anfitiões em Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Com o David e a Marília, nossos queridos anfitiões em Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Santa Lúcia, Castries, Rodney Bay, história, Mergulho, Parque, trilha

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Viajando no Espaço e no Tempo

Brasil, São Paulo, Campos do Jordão

No topo da Pedra do Baú, na região de Campos do Jordão - SP

No topo da Pedra do Baú, na região de Campos do Jordão - SP


Tão interessante como viajar no espaço é viajar no tempo. Viajar no espaço é o que temos feito nesses pouco mais de 3 meses e o que continuaremos a fazer pelos próximos 900 dias. Viajar no tempo é o que tenho feito nos últimos 35 anos e o que continuarei a fazer nos próximos 50 anos. É o karma de pessoas nostálgicas como eu.

No meu caso, uma viagem puxa a outra e vice-versa. Para viajar para meus tempos de adolescência, vim à Campos de Jordão. Por vir à Campos de Jordão, viajei nos meus tempos de infância.

No Bauzinho com a Pedra do Baú ao fundo, na região de Campos do Jordão - SP

No Bauzinho com a Pedra do Baú ao fundo, na região de Campos do Jordão - SP


Na verdade, refiro-me mais à Pedra do Baú do que à Campos propriamente dita. Mesmo depois de tantas montanhas e trekkings, o calcanhar da Ana ainda em carne viva, eu quis levá-la para o Baú. Por quê? Bom, pelas razões óbvias da beleza e aventura do lugar. Mas, mais do que isso. Bem mais do que isso. No aniversário de 80 anos da minha finada avó, em 1986 (lá se vão 24 anos!), bem na época da decretação do também finado Plano Cruzado, minha família se reuniu num hotel de Campos do Jordão para as devidas comemorações. Entre as atividades, fomos vários netos em "excursão" familiar ao topo da Pedra do Baú. Para mim, foi muito excitante ver a família reunida fora dos lugares comuns (para nós!) de Poços de Caldas, Ribeirão Preto ou Guarujá. Ainda mais em uma atividade esportiva na natureza, como é a subida pelos frágeis degraus que nos levam ao topo do Baú. Alguns dos primos menores não se arriscaram. Muito menos tios e tias. Mas a maioria dos primos lá chegou. Fotos foram tiradas e ainda hoje enfeitam paredes e a imaginação dos que lá estiveram naquele dia distante ou dos que nem haviam nascido e hoje tem idade próxima à dos pais naquela época.

Caminhando sobre o Bauzinho em Campos do Jordão - SP

Caminhando sobre o Bauzinho em Campos do Jordão - SP


Pois bem, eu sou um daqueles que aparecem nessas fotos na parede e quis levar a Ana lá, para tirar fotos no mesmo lugar e também para saciar meu saudosismo egoísta. Enfim, tentar torná-lo menos egoísta e reparti-lo com minha amada. Lá estivemos e lá tiramos as fotos. Na verdade, quase não tiramos já que acabou a bateria da máquina. Mas a Ana salvou o dia e minha viagem espaço-temporal ao lembrar-se que o celular também tira boas fotos!

Na ponta da Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP

Na ponta da Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP


E não é que, ao passear pelo topo do Baú, não foram essas reminiscências que povoaram minha mente mas outras mais antigas ainda? De forma totalmente inesperada, passei a ver e sentir o pequeno moleque de apenas 9 anos que, em dezembro de 1978 escalou o Baú pela primeira vez, em excurção promovida pelo Paiol Grande, colônia de férias famosa que marcou gerações de paulistanos (e uns poucos mineiros como eu). Subimos pelo lado de São Bento, muito mais amedrontador que as escadas do lado de Campos. Principalmente para um menino de 9 anos. Ao ver hoje como a Ana enfrentou e venceu seus medos e os degraus que sobem a pedra, lembrei-me perfeitamente da minha própria briga, não com o medo mas com o pavor daqueles degraus subindo verticalmente aquelas paredes ameaçadoras, quase infinitas. Diferentemente daquela criança, a Ana não chorou. Mas os dois chegaram lá em cima.

Descendo a Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP

Descendo a Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP


Como homenagem à essas memórias tão antigas que invadiram minha mente, não pude deixar de ir ao Paiol Grande depois de descermos do Baú. Lá chegando, já no fim de tarde, um descuido da segurança nos deixou entrar, já que o acampamento estava fechado para as filmagens de um filme do Didi (Renato Aragão). Para tristeza de um dos diretores do setting, mas para minha alegria indiscutivelmente maior e mais sincera, pude mostrar à Ana os chalés e campos esportivos que marcaram minha infância e adolescência, já que lá estive por seis temporadas. As lembranças se encheram de cenas de pessoas que já não vejo há décadas e que provavelmente nunca mais verei. Pessoas que passaram pela minha vida, tiveram seu papel e continuaram seus próprios caminhos. Mas também revivi cenas de pessoas que ainda hoje me são muito presentes. O irmão Guto, os primos Haroldo, Jorge e Chico e, especialmente, o irmão Paulinho, que nesse dia 29 celebraria 38 anos mas que para sempre terá 17 anos.

Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí

Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí


Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí

Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí


E meu coração se encheu de uma alegre tristeza. Afinal, é dessa tristeza alegre que vivem os nostálgicos. É o nosso karma.

Observando pessoas escalando a Pedra do Baú

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