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Visual cubano na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
As praias do litoral norte cubano são famosas por suas areias brancas e mar azul, típica imagem de paraíso caribenho. Junto disto, porém, mesmo aqui em Cuba, estão os imensos resorts à beira mar, que dão aquela estragada básica na paisagem e no clima de paraíso que estamos buscando.
Admirando o visual da Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
A maioria dos turistas não se importa com isso, pelo contrário, procuram estes resorts all inclusive para ter uma mega estrutura à disposição, sombra, praia e água fresca. Por isso mesmo Varadero, um dos principais destinos turísticos do país, ficou fora do nosso roteiro, afinal ir para uma praia lotada de turistas branquelos em grandes hotéis não era exatamente o nosso plano.
A bela e tranquila Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
Nem por isso deixamos de procurar um cantinho do litoral norte de Cuba para conferirmos esse clima caribenho. Longe, bem longe de Havana, Varadero e seus cayos mais movimentados, encontramos a praia de Santa Lucia. Localizada na província de Camagüey, está a aproximadamente duas horas de carro da capital de mesmo nome. Aqui você pode encontrar vários hotéis à beira mar, menos luxuosos, mas com infra-estrutura completa para os que ainda estão em busca de mais conforto. Aos viajantes mais roots, a dica é ir direto para a Playa de La Boca e bater um papo com os moradores, pois algumas casas neste vilarejo estão preparadas para receber hóspedes.
Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
A Playa de La Boca é uma vila de pescadores localizada na ponta da praia de Santa Lucia a uns 5km dos principais hotéis, táxis e charretes fazem a viagem para lá. Uma vez nesta praia, você não vai querer sair mais! Um pedacinho do paraíso no meio de Cuba, lá além da praia paradisíaca e um clima super tranquilo, você encontrará poucos turistas, só aqueles que vêm dos grandes hotéis de charrete para passar o dia.
Sombra estratégica para estacionar na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
Esta é a primeira vez da Laura no Caribe, então ela levantou essa bola: eu quero ver uma praia caribenha! Agora finalmente pudemos responder a ela, chegamos ao Caribe!
Mar transparente na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
A praia tem areias finas e brancas e está rodeada por uma longa barreiras de coral, que dizem ser a segunda mais extensa do mundo! Não é coincidência que a cor da água varia do transparente ao “deep eletric blue”, passando pelo azul piscina. As praias do sul também são lindas, mas a principal diferença é que sua areia é mais grossa e amarelada e a água clara, porém mais esverdeada.
Mergulho nas águas transparentes da Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
Um bar na praia serve os famosos mojitos cubanos, cervejinhas e pratos diversos, mas o esquema para almoçar aqui é outro. Antes de chegar ao bar, faça uma parada rápida na vila dos pescadores, nós paramos na casa do seu Eduardo, casa número 41. Ele e sua esposa preparam peixes e lagostas frescos em sua casa, com arroz e feijão, aqui conhecidos como moros y cristianos, salada e bananinha frita deliciosos! A refeição completa e bem servida saiu por apenas 28 dólares para quatro pessoas!
Deliciosa refeição em Playa Santa Lucía, litoral nordeste de Cuba (foto de Laura Schunemann)
Eles moram aqui 6 meses ao ano, alugando esta casa por 1 CUC (ou 1 dólar) ao dia. Possuem uma casa em uma vila próxima, mas é aqui que encontram os turistas para tirar o seu ganha pão. Obviamente este “restaurante” é informal, mas é um ótimo negócio para eles e para nós, que saímos super satisfeitos. Enquanto nos fartávamos com o saboroso tempero de Dona Joana, Eduardo ia nos contando alguns de seus causos. O mais curioso deles é que nesta vila tão pacífica um dos maiores problemas que eles vinham enfrentando era o roubo de barcos. “Como assim!?! Alguém vem até aqui para roubar um barco? Por que?”
Nossos anfitriões na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
Lembram aquelas histórias de barcos cubanos cruzando o oceano para chegar aos EUA? Então, é daqui que eles saem! Aqui não é o lugar mais próximo geograficamente, mas sem dúvida é um dos menos policiados pela guarda nacional. Há uns 2 anos houve uma história de um dos pescadores, dono do barco, que saiu com um grupo para pescar para os lados de lá e a certa altura do campeonato, os pescadores revelaram o plano de atravessar para os EUA. O dono da embarcação não concordou e eles não titubearam, mandaram o homem ao mar! Chega a ser engraçado, como dizem, tem que rir para não chorar.
Sorriso depois do delicioso almoço na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba
Um dia na Playa de La Boca foi pouco, mas suficiente para carregarmos as baterias e seguirmos viagem para Santiago de Cuba, nosso ponto mais a leste nesta cruzada cubana. Foram 4 horas de viagem, parte dela durante a noite. Ao longe víamos a famosa Sierra Maestra, onde Fidel e seus barbudos se esconderam por dois anos. Se tivéssemos tempo subiríamos o Monte Turquino, ponto mais alto da serra, porém tivemos antecipar a nossa volta à Havana, pegaremos um ônibus amanhã à noite, já que não havia mais vaga no avião. Chegamos à casa que estava reservada e Dona Carmen já não estava mais nos esperando. Mandou-nos para outra casa, não tão bonitinha quanto a dela, mas a essa hora só precisávamos de um bom banho e um lugar para descansar.
A Catedral no Parque Céspedes, coração de Santiago de Cuba
Saímos caminhando pela antiga Santiago, saindo da Plaza de Marte até a Plaza Céspedes, onde fizemos um lanche e assistimos um último show de trova e salsa com os nossos padrinhos Laura e Rafael. Amanhã pegamos o ônibus para Havana e eles pegarão o avião no dia 24. Eles voltaram à pousada e nós, querendo aproveitar cada minuto para conhecer a cidade.
Restaurante de hotel tradicional em Santiago de Cuba
Continuamos caminhando e encontramos nas ruas estreitas do centro histórico, a famosa Casa de La Trova, parada obrigatória da noite santiaguera. Não titubeamos em entrar para tomar uma cervejinha e fumar um belo charuto cubano. É difícil reconhecermos qual é o verdadeiro “puro” cubano. Todos vendem nas ruas e dizem que o seu Cohiba é original e o melhor. Conversamos dali, perguntamos de cá e acabamos conhecendo um especialista no assunto.
Fachada da Casa de La Trova em Santiago de Cuba
Angel é gerente de qualidade de uma fábrica aqui em Santiago, ele nos explicou como é fabricado e de que é composto o charuto, seu sabor e origem. Antigo atleta olímpico da seleção de judô, viajou por diversos países competindo e além de nos vender alguns charutos por um precinho camarada, nos acompanhou até a pousada contando ótimas histórias das suas andanças, 7 ex-mulheres e 7 filhos que tem com cada uma delas. Sim, SETE! Deve ser para dar sorte. Se o seu charuto é original nunca iremos descobrir, mas suas histórias eu garanto!
Fumando um legítimo charuto cubano na Casa de La Trova, em Santiago de Cuba
Queen Trigger Fish, no Hangover Reef, na costa de Statia - Caribe
Naufrágio chinês na baia de Oranjestad, o Chian Tong é uma embarcação de 45m de comprimento, há 26m de profundidade, deitada no fundo do mar em posição de navegação. Hélice, convés e cabine de comando podem ser facilmente avistados. Algumas penetrações são permitidas, na parte traseira tem uma passagem bacana por um corredor onde dá para explorar um pouco mais da estrutura interna do navio, muito bacana. É um recife artificial que serve de casa para milhares de peixes como o peixe-vaca, alguns peixes tambores pintados e diversas outras espécies graciosas. Um grupo deles estava aproveitando o coral incrustado na embarcação para coçar a barriga e nadadeiras, parecia uma dancinha que faziam um a um, muito engraçados!
Peixe-Tambor pintado, no Hangover Reef, na costa de Statia - Caribe
Ao lago dele fica outra embarcação menor que serve de casa para lagostas imensas e peixinhos olhudos que vivem enfiados nos buracos dos corais aguardando a hora de atacar sua minúscula caça.
Pequeno camarão azulado (no centro da foto), no naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
O mergulho foi uma delícia, nossa despedida de Statia e a melhor notícia é que desta vez mergulhei com o meu dupla, finalmente recuperado! Rodrigo se sentiu melhor e resolveu tentar, para pelo menos ter uma memória subaquática aqui de St. Eustatius. A única má notícia foi que os dois cabeças de vento esqueceram a máquina fotográfica na pousada, ficamos sem fotos deste mergulho. De qualquer forma coloco algumas aqui das espécies avistadas, para dar um clima.
Peixe-esquilo, no naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
Após o mergulho pegamos logo uma carona com Marieke para a pousada, nos despedindo de Mike, Meno, Ingrid, Carol, Marco, toda a equipe da Scubaqua que nos recebeu tão bem nos mares de Statia. É chegada a hora de nos despedirmos desta ilha e com ela fechamos esta etapa caribenha. Hoje pegamos o vôo já no final da tarde de Oranjestad para St Maarten, onde dormimos mais uma noite antes de voar para o Suriname.
Chegando mais uma vez ao nosso velho conhecido, o aeroporto internacional de Juliana, em Sint Maarten
O vôo de volta foi emocionante, pegamos os primeiros acentos no avião da winair, logo atrás do piloto e co-piloto. Tem que ser bom mesmo pra dirigir esse negócio. Os ventos estavam fortes e chovia muito, uma sensação de temporada de furacões chegando... mas ainda faltam uns dois meses para nos preocuparmos com isso. Sem dúvida quando virmos notícias de furacões no Caribe agora, olharemos atentos, com outros olhos e outro coração.
Chegando mais uma vez ao nosso velho conhecido, o aeroporto internacional de Juliana, em Sint Maarten
Ao lado da Cachoeira Iracema, com muita água, em Presidente Figueiredo - AM
Você deve estar se perguntando, ué, mas vocês não voltaram para o Brasil? Qualé a desse nome em inglês, Iracema “Falls”? Pois é, isso só confirma o que todos nós sabemos na teoria, a Amazônia não é nossa!
Explorando as grutas da região da Cachoeira da Iracema, em Presidente Figueiredo - AM
Ok, não tenho dados suficientes para afirmar isso. Exageros à parte, a quantidade de turistas estrangeiros na Amazônia é tão grande quanto o fascínio pelo “estrangeirismo” que o nosso povo tem. Nomes americanizados com “w, y e son”, são comumente encontrados em todo lugar. Um bom exemplo é o nome do índio Willys, batizado em homenagem ao nome escrito no jipe do padre que havia vindo catequizá-los. Umas letrinhas tão diferentes, tão bunitinhas... Isso explica também a imensa placa da cachoeira que fomos conhecer hoje, “Iracema Falls”. Eles oferecem uma boa estrutura de apoio, mas o principal sem dúvida está na manutenção das trilhas, sinalizações e segurança. Fizemos um circuito circular passando por algumas grutas lindíssimas e muito úteis na hora em que começou a chover.
Clarabóia em gruta ao lado da Cachoeira Iracema, em Presidente Figueiredo - AM
Parte da trilha segue por uma passarela de madeira que protege de erosão a área da margem. As cachoeiras da região de Presidente Figueiredo em época de chuva têm proporções amazônicas! É muita água! A Cachoeira Iracema é belíssima, larga e com um grande lago impossível de nadar ou se banhar nesta época do ano. No entanto encontramos algumas pessoas que nos disseram não ser comum esta quantidade de água. Nos períodos mais secos se pode nadar no lago e inclusive escalar a cachoeira! Inacreditável!
Cachoeira Iracema, em Presidente Figueiredo - AM
Seguimos caminhando por 30 minutos beirando o rio e chegamos à Cachoeira das Araras. Uma queda dupla e também com um volume de água imenso. Bela caminhada por uma floresta úmida, trilha plana, bom exercício. Paramos no meio do caminho para nos refrescarmos, o Ro em uma área mais funda e com uma forte correnteza, eu nas corredeiras mais rasas e tranqüilas. Delícia!
Nadando contra a correnteza entre as cachoeiras Iracema e das Araras, em Presidente Figueiredo - AM
Continuamos para a próxima atração, são tantas que fica difícil escolher. Aqui ou você vem com aquele pique de quicar de cachoeira em cachoeira, ficando 10 minutos em cada uma, ou escolhe algumas das melhores, relaxa e aproveita. A maioria tem trilhas curtas e permitem passeios mais rápidos, mas as mais fáceis também são as que oferecem mais estrutura e por isso cobram entrada de 10 reais por pessoa, em média.
Descendo de bóia as corredeiras do rio Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
Ainda não tínhamos aproveitado as corredeiras do Urubuí e o Ro ainda estava com a ideia fixa do “body cross” nas rápidas. Almoçamos enquanto esperávamos o pessoal do bóia-cross chegar. São eles que conhecem melhor do que ninguém o local e são os mais indicados para ensinar o caminho das pedras (literalmente) para o Rodrigo. Neto foi o professor, andou para cima e para baixo com ele, mostrando cada corredeira, cada pedra e cada buraco. Pulou uma vez mostrando como deveria fazer, super paciente e dedicado ensinou passo a passo e até pulou junto com ele.
Enfrentando as corrediras do rio Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
A descida foi rápida e quase indolor, não fosse uns arranhões e leves pancadas que o Ro ganhou no cotovelo, mão e quadril. Os caras são tão bons descendo as corredeiras que até parece fácil olhando de fora, mas na prática a coisa é bem diferente. Acho que o Ro sentiu isso e por isso não quis voltar lá não! Rsrsrs! Eu fiquei no bóia cross e nas minhas aulas básicas de corredeiras nível 1, até avancei para o 2, peguei um jacaré, fiquei no turbilhão e até me soltei no body cross básico, lá na parte fácil.
Divertindo-se nas corredeiras do rio Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
Aproveitamos até a noite cair e nos despedimos assim de Presidente Figueiredo, que ainda está no nosso caminho quando voltarmos da América do Norte pela Venezuela. Por agora podemos dizer apenas um até logo, voltaremos a explorar suas cachoeiras!
Divertindo-se nas corredeiras do rio Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
Observando o pacífico e enorme tarpon durante mergulho em Babylon, na costa de Saba - Caribe
Saba possui mais de 30 pontos de mergulho, todos a uma curta distância do porto em The Bottom. O bacana para os mergulhadores é a variedade dos mergulhos ao redor da ilha, recifes, corais, paredões, boulders, pináculos, profundos ou rasos, tudo com temperaturas e transparências caribenhas, o que significa 27 a 29°C e entre 20 e 30m de visibilidade. Mesmo com uma rápida navegação, os pontos de mergulho podem ficar bem chacoalhados, por isso eu logo cedo já tenho que me render ao remédio para enjôo, garantindo um dia muito mais feliz e sem náuseas.
Preparação para o primeiro mergulho na costa de Saba - Caribe
Os mergulhos de hoje tiveram um perfil parecido com os de ontem, o primeiro no ponto chamado Twilight Zone. São duas montanhas submarinas na região dos pináculos, dos profundos um dos melhores mergulhos que fizemos.
Tubarão-lixa dormindo em Twilight Zone, na costa de Saba - Caribe
Um cardume lindo de tarpões com pouco mais de um metro, barracudas, vários tubarões lixa e um caribbean reef shark que nos acompanhou uma boa parte mergulho. Águas azuis com mais de 30m de visibilidade, contornamos as duas montanhas, sendo vigiados de longe pelo tubarão que estava curioso com a nossa presença, foi sensacional!
Caribbean Reef Shark em Twilight Zone, na costa de Saba - Caribe
Babylon, parte do grupo coralíneo da Tent Bay, é um conjundo de boulders e o que eles chamam aqui lava fingers, "dedos de lava" que escorreram e formaram pequenas paredes, hoje incrustadas de corais e esponjas.
Enorme lagosta se esconde em toca durante o 2o mergulho do dia, na costa de Saba - Caribe
Ali podemos sentir o calor das fontes termais na areia, sinal de que o vulcão ainda está lá, em algum lugar das profundezas! Além de vermos tubarões lixa dormindo, tartaruga, uma moréia pintada, uma lagosta imensa, cardumes de tarpões e outros peixinhos coloridos.
A sempre feroz moréia defende sua toca em Babylon, na costa de Saba - Caribe
Voltamos do mergulho e o Rodrigo estava sentindo mais frio do que o normal. Sorte que sempre carrego um mini kit de primeiros socorros, e o termômetro já acusou 38,5°C. Dei a ele um paracetamol e ele dormiu a tarde toda. À noite Andreas organizou um churrasco com o pessoal da pousada. Hóspedes de diferentes países e todos com interesses comuns, mergulho ou trilhas e caminhadas. Eram 2 franceses, 1 húngara, 1 americana, 1 canadense e 2 holandeses, amigos de Andreas que vieram visitá-lo. Foi super bacana, um churrasco diferente dos nossos brasileiros, sem dúvida, espetinho de peixe e frango, milho e batatas assadas, além de uma costelinha de porco muito bem temperada. Alguns perguntaram por que eu estava tirando fotos e, além do blog, tive que explicar a eles o que é um verdadeiro churrasco, hahaha! Um deles meio indignado olhou pra mim e falou, “isso aqui não parece real para você?” hahaha! Enfim, tudo muito real e muito gostoso! O Ro, meio borocoxô e ainda meio febril foi dormir um pouco mais cedo, mas pelo menos bem alimentado.
Com um hóspede holandes no churrasco da Pousada El Momo, em Windwardside, Saba - Caribe
Mesmo dentre tantas montanhas e uma minúscula ilha no meio do Caribe, o clima amistoso e receptivo de Saba faz nos sentirmos em casa.
Tartaruga durante mergulho em Babylon, na costa de Saba - Caribe
A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Todos nós já tivemos algum contato com o Yellowstone National Park na nossa vida. Os trintões e quarentões com certeza lembram do Zé Colméia e seu amigo Catatau. Pois é, Yellowstone é o parque nacional em que esses ursos simpáticos que nos acompanharam boa parte da infância viviam. Os mais jovens já tem uma referência mais dramática, a produção hollywodiana 2012 com cenas hiper-realistas da explosão do super vulcão. Não importa qual seja a sua referência, você já o conhece e se não conheceu pessoalmente ainda, deve considerar sériamente em conhecer. Este é um daqueles lugares na terra que todos temos ver antes de morrer.
Chegando ao Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
O maior parque dos “Lower 48” (todos os estados continentais, excluindo os Alasca), está no estado de Wyoming e ainda entende sua área sobre Idaho, a sudoeste, e Montana a noroeste e norte. Localizado sobre um dos maiores vulcões do mundo, o parque possui geisers, fontes de águas termais, fumarolas e poços de lama que demonstram que ainda há atividade vulcânica na região e ele está apenas dormindo.
Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Calcula-se que sua última explosão foi há aproximadamente 640 mil anos, antecedida por outras duas há 1,3 e 2 milhões de anos. A próxima erupção pode ser a qualquer momento e se ela ocorrer irá afetar não apenas os Estados Unidos, mas todo o mundo. Calma! Ainda assim, não há motivo para pânico. O Yellowstone é o vulcão mais estudado e monitorado do mundo. Qualquer informação mais detalhada pode ser encontrada aqui no site oficial do Observatório Vulcânico do Yellowstone.
A magnífica erupção do Grand Geiser, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Enquanto este gigante dorme nós aproveitamos para conhecer as maravilhas criadas por ele nos últimos milhões de anos. O parque é imenso e foi dividido em 4 grandes áreas para facilitar o acesso dos milhões de turistas que visitam o parque anualmente. São necessários no mínimo 3 dias para ter uma visão geral de toda a área, mas você também pode ficar aqui um mês e ainda não ter visto tudo.
Admirados com a beleza hipnótica da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Nós tivemos três dias intensos no parque, com longos dias de verão e muita disposição para explorar todas as estradas possíveis. Fizemos algumas trilhas curtas, mas com tempo vale a pena se equipar e se aventurar em algum acampamento selvagem nas áreas mais distantes. Nos próximos posts vou tentar resumir o que vimos nestes três dias organizando-o nestas 3 áreas: Old Faithfull, Yellowstone Lake e West Thumb, The Grand Cânion of Yellowstone e Mamooth Springs.
Admirada com as lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Fizemos o nosso tour pelo Yellowstone baseados na cidade de West Yellowstone, na saída oeste do parque, próxima ao Madison Information Center. A cidadezinha tem toda infraestrutura e várias opções de acomodações mais baratas do que os hotéis dentro do parque. Alguns dos lodges oferecem quartos com preços até bem razoáveis, mas estes são os que lotam primeiro e devem ser reservados com 2 ou 3 meses de antecedência.
Mais uma cachoeira de águas geladas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Nós rodamos, apenas dentro do parque, mais de 500 km. E olha que praticamente não repetimos caminhos! Então para aproveitar ao máximo os seus dias no Yellowstone, vale a pena alugar um carro, abastecê-lo de lanches, água e sucos e aproveitar bem a luz que durante o verão vai quase até as nova horas da noite. Se tiver você não estiver com pressa e tiver tempo para aproveitar este paraíso natural, este mesmo roteiro feito com calma irá ocupar facilmente mais dois ou três dias.
Enorme piscina de águas ferventes na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A nossa experiência no Yellowstone foi fantástica! Encontro com animais e as forças mais poderosas da natureza nos renovam e fazem pensar como somos pequenos na escala de tempo e evolução. Um lugar único no mundo.
Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Veja também os posts:
- Yellowstone - Old Faithful Area
- Yellowstone Lake e West Thumb
- Grand Canyon e Mamooth Springs
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Venda de peixe no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
Belém foi fundada em 1616, porta de entrada para os Portugueses na Amazônia. Cresceu com base no trabalho escravo, exportando matérias primas para a Europa, como o cacau, peles de animais e outras riquezas amazônicas. Passou por altos e baixos econômicos, quando passou a ser uma das maiores exportadoras de látex, na época áurea do Ciclo da Borracha. Foi nesta época que foram estruturados os portos da capital paraense, que permanecem até hoje escoando produtos como estanho, soja, peixe, camarão, castanhas, entre outros.
Região do Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
Hoje fomos conferir um dos lugares mais antigos de Belém, o mercado municipal, também conhecido como Ver o Peso. Este nome surgiu pois era ali que os portugueses conferiam o peso dos produtos vendidos para calcular os impostos cobrados pela Coroa.
Região do Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
Ontem a noite retornamos ao hotel e continuamos trabalhando até tarde, aproveitando bem a internet rápida para zerar as pendências. Fui dormir às 3 da manhã e hoje as 6h30 já estávamos em pé para “Ver o peso” no melhor horário do dia. Logo cedo, quando os feirantes estão com as suas barracas recém montadas com produtos fresquinhos e o movimento está começando a esquentar.
Venda de camarão no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
O mercado é todo organizado, dividido por tipo de produtos. Em um prédio fica o mercado de peixes, de todos os tamanhos e espécies imagináveis. Filhote, raia, tainha, dourado, pargo e até uns pequenos tubarões. Logo ao lado encontramos as verduras, legumes e temperos.
Banca de temperos no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
Mais adiante grãos como a farinha de mandioca e milho, feijão, arroz, e as frutas. Ali também há uma sessão inteira de Castanha do Pará, onde os descascadores demonstram sua prática em retirar aquela casca dura, deixando só a semente. Um copinho de 200ml da castanha custa 5 reais.
A famosa Castanha-do-Pará, no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
O mercado tinha um furdúncio ainda maior acontecendo hoje, pois uma equipe da Record estava lá filmando cenas para os primeiros capítulos da próxima novela que irá estrear na emissora. Todos queriam aparecer, tirar fotos com a atriz (não me pergunte quem era) e xeretar o trabalho dos técnicos.
Patos e galinhas dividem a mesma gaiola no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
É impressionante a mistura de sabores, cores, texturas e também o lado ruim que sempre acompanha este universo, o lixo, sujeira e os maus odores das gaiolas animais. Eu me perderia por horas ali, mas ainda tínhamos coisas a serem resolvidas, prazo para entregar a Fiona no porto e o tempo era escasso.
A Praça da República e o Teatro da Paz, em Belém - PA
Enquanto o Rodrigo ficou no hotel desembaraçando a situação da Fiona, eu passei a manhã toda batendo perna no centro atrás do que precisávamos. Lavamos roupas na lavanderia a quilo perto do cemitério, imprimimos as fotos e coloquei no correio para os nossos amigos da Ilha de Lençóis, etc, etc. Almoçamos em um grill delicioso, daqueles com bastante salada e carne grelhada e fomos explorar um pouquinho a principal praça da cidade, a Praça da República.
Estação das Docas, em Belém - PA
A praça é rodeada de edifícios antigos e monumentos pomposos que lhe dão um ar um tanto quanto europeu. Lá fica também o Teatro da Paz, famoso teatro municipal de Belém, que parecia fechado para visitação.
Teatro da Paz, em Belém - PA
Durante a tarde o Rodrigo foi ao porto e ao barbeiro enquanto eu arrisquei um corte de cabelo em um salão do centro. Não levei muita sorte, o rapaz era empenhado, mas pouco experiente. Foi um exercício de desprendimento e paciência, mas acho que passei no teste. Depois dessa correria resolvemos ir conhecer um restaurante bem indicado em nosso guia, o Xícara da Silva. Ambiente bem aconchegante na na Av. da Doca e cardápio atrativo da cozinha “italiana contemporânea paraense”. Vale a visita, mesmo que estiver dormindo sentada.
Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos
A despedida de Bermudas foi dolorida, pois sabíamos que demoraríamos a voltar para belas praias tropicais (ou subtropicais) de águas azuis e areias brancas. Nas minhas contas as próximas serão lá no Havaí, depois de cruzarmos até o Alasca e descermos a costa oeste dos EUA até Los Angeles. Voltamos para New Jersey via Charlotte (North Carolina) e parece que não apenas nós estávamos tristes com essa notícia...
Longa espera pelo voo de conexâo no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Os céus resolveram esbravejar e nos deram de presente uma tempestade elétrica daquelas! Eu adoro raios e trovões, fortes, cheios de fúria e personalidade, mas não quando estou em um avião no meio deles! Foi mais de uma hora de atraso subindo e descendo, tentando escapar das descargas elétricas até podermos pousar.
Aproveitando a espera no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos para trabalhar
Chegamos à Princetown na casa da nossa prima Anita já eram quase 3 horas da manhã e o dia seguinte foi correndo atrás de burocracias e arrumações para sairmos de viagem. Ficamos às voltas com seguro do carro para o Canadá, finalmente recuperamos a nossa Nikon que havia ficado na assistência técnica por quase 30 dias, enquanto fizemos nosso tour pela região da Nova Inglaterra com a Bebel. Por sinal a mocinha está super bem e feliz aqui com os primos, se divertindo na colônia de férias americana!
Brincando com as meninas na casa da Anita em Princeton Junction, New Jersey - EUA
No nosso último ímpeto capitalista compramos um ipad 2 para facilitar nossa comunicação com o mundo nesse Marlbourogh Country. O Rodrigo era relutante mas a Anita nos vendeu seu ipad 2 novinho em folha, ainda na caixa, com um belo desconto e já conectado à internet. Como ela conseguiu convencer o Rodrigo? Simples, usando um dos poucos argumentos que poderiam pegá-lo: Olimpíadas de Londres LIVE! Hahaha! Afinal seria um privilégio poder assistir as provas preferidas dele na estrada.
Despedida da Anita, em Princeton Junction, New Jersey - Estados Unidos
A Anita ainda nos preparou um almocinho brasileiro delicioso! Arroz, feijão, frango e salada com a melhor companhia da Chevres Family & Friends! De quebra ainda aprendi uma sobremesa deliciosa: nectarina assada na churrasqueira com açúcar, canela e sorvete de creme. Hummm! Maravilhoso! A noite ainda pudemos assistir com o Larry as primeiras provas de natação em Londres acompanhado de um belo calzone.
Almoção de domingo com amigos da Anita no quintal da casa em Princeton Junction, New Jersey - EUA
Deliciosa guloseima preparada pela Anita, de sobremesa, em Princeton Junction, New Jersey - EUA
No dia seguinte tomamos coragem e finalmente caímos na estrada rumo ao Canadá! No caminho paramos em Jersey City no parque conhecido como Empty Sky, localizado no Liberty State Park à beira do Hudson River, com uma vista maravilhosa para Manhatan e o skyline onde um dia estiveram as Torres Gêmeas.
Orla do Hudson River, com Manhattan ao fundo, nos Estados Unidos
A inconfundível skyline de Manhattan, vista de New Jersey, nos Estados Unidos
O memorial é emocionante, o monumento principal tem duas grandes paredes idênticas que simbolizam as Torres Gêmeas e trazem nomes de todos os 746 cidadãos de New Jersey que morreram no atentado de 11 de Setembro de 2001 e no atentado ao Pentágono em 1993.
Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos
Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos
Nós queríamos muito entrar em Nova Iorque com a Fiona, rodar entre os prédios e avenidas mais famosos do mundo, mas o trânsito da ponte nos deu um baita desânimo e por isso deixamos aqui registrada a nossa passagem pela ilha com a Fiona.
Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos
Após uma parada na AT&T para liberar o Ipad seguimos viagem até a pequena cidade de Plattsburgh. Amanhã um novo país: Canadá!
A equipe 1000dias completa, em frente à Manhattan, em Nova York - EUA
Pousada Mandala no Vale do Matutu - MG
Quando saímos de São Tomé das Letras e pegamos a estrada em direção à Caxambu, avistei ao longe uma cadeia de montanhas. Ela me chamou atenção pelo formato da sua montanha mais alta, um cocuruto de pedra imenso e bem redondinho. Apontei e perguntei ao Rodrigo se lá não seria o Matutu, onde queríamos chegar, e ele com todo o seu conhecimento geográfico falou que não. Pois teríamos que andar ainda 30km para a direita e depois mais 30km para a esquerda e que pelas noções de distância dele não chegaríamos ali. Concordo que ele tem, geralmente, uma boa noção geográfica, mas de alguma forma o que me puxou para esta montanha foi a sua energia. De longe o Vale do Matutu e seu lindo Pico do Papagaio me chamavam. Enfim, depois de passarmos em Caxambu e seguirmos em direção à Aiuruoca eu vi novamente a pedra e disse... “Olha Ro! Não era aquela que eu havia te falado? Estamos chegando exatamente embaixo dela!” e ele, depois de relutar muito e admitir que estava errado, teve que concordar comigo . Que bela noção de distância que ele tem!
Em Caxambu eu já havia lido no nosso guia como era o Trekking para o Pico do Papagaio: “Trilha de 4h e nível médio de dificuldade, com alguns trechos mais duros. Há pelo menos 3 subidas íngremes, que levam respectivamente 40’, 30’ e 25’ para serem percorridas.” Quando li isso no guia tinha certeza que eu não ia escapar, é claro que o Ro ia querer subir este pico. Eu adoro montanhas também, mas estava meio insegura quanto ao meu preparo físico e principalmente em relação aos meus joelhos, que de 2 semanas para cá começaram a doer e estalar. A caminhada de ontem para a Cachoeira do Fundo já serviu de aquecimento, vamos tentar, o caminho já parecia lindo, lá em cima então com certeza seria recompensador! Saímos cedo da pousada em direção ao trutário de onde começa a trilha. Partimos dos 1300m de altura caminhando em meio a um pasto. Esta primeira subida é a prova de fogo! Todos dizem que se passarmos por ela, passamos por toda a trilha sem problemas. O Miguel, nosso guia, e a Aracelli, nossa nova companheira de trilha, tinham um ritmo gostoso, mais parecido com o meu. Fomos subindo devagar e sempre, me sentia a Fiona com a marcha reduzida engatada, subindo lentamente, mas sem parar. Encontrei um ritmo que eu poderia subir durante horas sem cansar.
Trilha do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Passamos por pastos, uma pequena área de mata, uma área imensa de samambaias e uma floresta de candeias maravilhosa até chegar no Poço Azul, na metade do caminho.
Cachoeira na descida do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Candeia, na descida do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
O poço era fantástico, um lugar perfeito para saltar direto na água, com uns 3 ou 4 metros de altura. O Rodrigo logo se preparou e saltou, tudo registrado por foto e vídeo. Eu adoro estas coisas e não poderia ficar para trás, mas alguma coisa me prendia, estava com um certo medo e não sabia se era da altura ou da água gelada. 20 minutos depois eu descobri, era da água gelada mesmo! É uma das águas mais geladas que já pegamos por aqui, devia estar uns 10°C! O choque foi tão grande que eu pulei e saí nadando sem aproveitar um segundo da água, eu só queria sair dali!
Lago Azul, no caminho para o Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Bem acordada seguimos para mais 2 horas de subida. A floresta lá em cima é uma mata primária, engraçado que é conhecida como a Floresta do Harry Potter e é idêntica mesmo!
Bosque na descida do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Passada a Floresta do Harry Potter finalmente começamos a encontrar pedras no caminho, o que indica que estamos chegando próximos ao pico, mais um pouco e finalmente encontramos o Bico do Papagaio! Isso mesmo, o pico é conhecido assim porque a pedra gigantesca de longe tem o mesmo formato. Tivemos uma sorte imensa, chegamos lá em cima com o melhor tempo possível, sem dúvida um dia perfeito!
No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Do alto do pico pudemos ver a cadeia de montanha do Itatiaia, todo o Vale do Matutu e o vale depois dele, Vale das Cangaças se não me engano. Bem que o nosso livro não mentia: “Lá de cima dá para contemplar o relevo montanhoso do sul de Minas e da divisa com o estado do Rio de Janeiro, como o Pico das Agulhas Negras (ponto culminante do RJ) e a Pedra da Mina (segundo pico mais alto de MG).” Depois de quatro horas de subida tivemos a nossa recompensa!
Relaxando no Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Descendo do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Um lanchinho gostoso, alongamento e colheita de poejo da serra, planta expectorante, começamos a descida. O joelho reclamou um pouco, mas em 3h conseguimos chegar lá embaixo.
Flora na descida do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Ah! Esqueci de uma informação muito importante! Sabem quem subiu toda a montanha conosco e sem pegar carona até a base? O Simba! Ele realmente nos esperou aqui na pousada, acho que entendeu quando avisei ele que iríamos subir o Pico do Papagaio. Ele foi bravo e valente até o pico e voltou sem cansar um minuto! Estou apaixonada por esse cachorro...
com o fiel Simbad no alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Maravilhada com a gigantesca araucária na região de Nova Petrópolis - RS
Nova Petrópolis é uma cidade menos conhecida na Serra Gaúcha, menos turística e justo por isso muito mais agradável aos olhos de quem procura tranqüilidade e autenticidade. Ali vemos os trabalhadores saindo das suas casas e começando o seu dia no comércio, lojas e na principal empregadora da cidade, a fábrica de sapatos Dakota.
Repolhos Ornamentais no jardim da praça central de Nova Petrópolis - RS
A cidade possui o título de Jardim da Serra Gaúcha, não é a toa que sua praça possui os mais belos jardins de toda a região. Formados por plantas um tanto quanto exóticas, os canteiros são todos comestíveis, sendo estas 5 tipos de repolhos ornamentais. Ficamos impressionados com a beleza e a criatividade, o que até abafou o fato do principal atrativo turístico estar temporariamente desativado. O Labirinto Verde foi replantado e está em processo de reestruturação.
Estátua em homenagem ao fundador do cooperativismo no Brasil, em Nova Petrópolis - RS
Além dos Jardins a praça principal possui uma obra que celebra o cooperativismo, aclamado pela cidade que é a Capital Nacional do Cooperativismo. Foi lá, em 1902, que formou-se a primeira Cooperativa de Crédito do Brasil e da América Latina, A Caixa Rural de Nova Petrópolis.
Como diria Napoleão, "Do alto dessa árvore, dez séculos te contemplam!" (em Nova Petrópolis - RS)
Ali perto, a apenas 10 minutos, fica o magnífico pinheiro multissecular. Mãe de todas as árvores, (pai na realidade), esta imponente araucária atravessou séculos de história e está ali, firme e sem sinal algum de cansaço. Já imaginaram quantas dessas já não foram derrubadas neste século de colonização? Ainda bem que uma restou para contar a história, ah se ela falasse...
O bonde, em Gramado - RS
Mais tarde passamos por Gramado, apenas para nos despedirmos da cidade durante o dia. Uma volta na praça central, igreja principal, bondinho e termômetro oficiais da cidade. Almoçamos um caldo de capelleti delicioso, em frente à feira do livro e já resolvemos presentes da festinha que está por vir. Infelizmente nossa passagem pela serra teve de ser breve e objetiva. Sem dúvida alguma uma semana inteira aqui não seria suficiente para conhecer cada restaurante e todas as atrações.
Igreja em Gramado - RS
Na estrada em direção à São Joaquim vimos um belíssimo pôr-do-sol. Amanhã acordaremos em uma das cidades mais frias do Brasil! O tempo melhorou e pelo jeito não teremos geada. Tudo bem, já passamos muito frio por aqui, nesta semana.
Locomotiva "meio" fora dos trilhos, em Gramado - RS
Arte nas ruas de Santiago, capital do Chile
Uma cidade circundada por montanhas e no meio dela prédios, rios, história, poluição, cultura, pobreza, música e injustiças, todos os contrastes de uma típica capital latino americana. A leste está a Cordilheira dos Andes, na divisa com a Argentina, à oeste a Cordilheira Costanera, ambas fazem de Santiago um caldeirão de asfalto estampado no coração do Chile.
Santiago, capital do Chile, em frente ao Museu de Bellas Artes
Vista de Santiago, capital do Chile, na subida do Cerro San Cristobal
São 5,5 milhões de habitantes divididos basicamente em dois “Chiles”, “o Chile dos que vivem pra lá da Plaza Itália e o dos que vivem para cá”. Isso me disse uma amiga que nasceu, cresceu e ainda vive em Santiago. Ao norte estão os bairros mais ricos, edifícios comerciais modernos, grandes shoppings, restaurantes bacanas e boutiques. Ao sul os bairros de classe média com toda a infraestrutura, problemas e o dia a dia normal de uma grande cidade.
Passeio no centro financeiro de Santiago, capital do Chile
Com a dica do nosso amigo viajante e local, Pablo, elegemos a região de Lastarria como base. Ao lado do Parque Forestal, Lastarria é um bairro super central localizado entre o Bellas Artes, o centro, arredores da Plaza de Armas e Bella Vista. Ficamos hospedados no Hostal Forestal onde encontramos o primeiro brazuca dos muitos que ainda estavam por vir. Impressionante como vemos turistas brasileiros em Santiago! E a temporada de esqui nem está aberta. Naquela tarde caminhamos descompromissadamente até a Plaza de Armas vendo o agito dos ambulantes, evangélicos fervorosos pregando para alguns curiosos, casais de namorados sentados no banco da praça e uma senhora simpática, que nos olhou encantada num momento romântico do casal aqui.
Caminhando pelo Parque Forestal, em Santiago, capital do Chile
É claro que essa primeira andadinha ajudou a nos familiarizarmos com a cidade, mas o roteiro de visita mesmo, teve um pique um pouquinho diferente. Decidimos andar por Santiago e conhecer os pontos mais importantes da cidade em um dia! A cidade é bem plana e super fácil de andar, bicicletas podem ser uma opção, embora dificulte a entrada em alguns lugares. Nosso tour em Santiago foi todo pensado por um casal de amigos, Pablo que nasceu e viveu quase toda a sua vida na capital, e Andrea, que nasceu em Rengo, mas fez a faculdade em Santiago. Começamos o dia perto das 10h da manhã (por que também ninguém é de ferro), cruzando o bairro de Bellas Artes, região repleta de restaurantes e museus, alamedas e passeios, duas Faculdades de Direito e uma vida noturna bem agitada.
Prédio do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile
O Pablo e a Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
Nosso destino, La Chascona, nada mais nada menos do que a casa do mais famoso escritor e poeta chileno, Prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda. A casa em que Neruda viveu de 1955 até 1973, o ano de sua morte.
La Chascona, a casa de Neruda no bairro de Bella Vista, em Santiago, capital do Chile
La Chascona foi uma das três casas de Neruda e está localizada aos pés do Cerro San Cristóbal, no Barrio Bellavista. Em 1953 o poeta comprou o terreno e iniciou a construção da casa com projeto de um arquiteto catalão Germán Rodriguez Ariaz. O nome La Chascona foi dado em homenagem à sua então amante Matilde Urrutia, uma bela mulher de cabelos rebeldes e avermelhados. Matilde era estudante de música, ela e Pablo se conheceram em 1946, mas o romance começou apenas 3 anos mais tarde em terras mexicanas. A casa foi o esconderijo amoroso do casal e em 1955 se tornou a vivenda oficial do poeta, após a separação de sua então esposa Delia del Carril. Lá Neruda viveu até a sua morte, 12 dias depois do Golpe Militar Chileno.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
A versão oficial da sua morte foi um câncer com o qual ele lutava há alguns anos. Porém existem fortes evidências de que sua morte foi acelerada, o motivo seria a sua ligação ao Partido Comunista. Às vésperas de sua morte a La Chascona foi invadida pelos militares e destruída, moveis, vidros e tudo o que viram pela frente. Matilde decidiu então, fazer o seu velório ali mesmo em meio ao vandalismo militar, como primeiro ato de protesto ao governo golpista.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
Agora, anos mais tarde e longe das garras de Pinochet e seus comparsas, este assunto já poderia ter sido esclarecido, porém a família preferia não revolver esta história. Entretanto soubemos recentemente que independente disso o povo e a história devem saber a verdade e então será feita a exumação do corpo para estudo e fechamento do caso.
Visitando La Chascona, a casa de Neruda em Santiago, capital do Chile
A casa é uma obra de arte, um museu com coleções de peças de arte de todos os cantos do mundo por onde viajou o diplomata e poeta. A sala em forma de barco demonstra a paixão de Neruda pelo mar e pelo bar, com um balcão de cobre vindo de um antigo barco francês. As peças coloridas demonstram a alegria e a visão positiva da vida que Neruda compartilhava com amigos e mulheres. Bem humorado ele inventou uma porta falsa de acesso direto do seu quarto para a sala para poder surpreender seus convidados, que se serviam de sal e pimenta em saleiros que diziam “marijuana” e “morfina”. Sua sala com pinturas de amigos modernistas como Diego Rivera tem uma linda vista para o bairro, enquanto o bar, na parte alta do terreno presta homenagem aos seus poetas preferidos. No seu escritório de trabalho e sala de leitura vemos parte da sua coleção de livros, prêmios e fotos com alguns dos seus amigos como Vinícius de Morais e Jorge Amado. É, ele soube viver.
Descansando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile
A visita dura em torno de 40 minutos e é feita com um áudio-guia que conta tudo sobre a casa, a vida e a história de Neruda. Detalhe, não é permitido tirar fotos dentro da casa... então vocês terão que ir até lá para conferir.
A bela fachada do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile
Próxima parada: Cerro San Cristóbal! A maior montanha no centro de Santiago é também um dos seus principais parques, com zoológico e tudo. Do alto, uma bela vista de toda a região e a Virgen de la Inmaculada Concepción, um símbolo da cidade. Subimos o cerro em um funicular e atravessamos o foggy espesso que paira pela cidade.
Em dia de muito fog e poluição, quase não se vê as montanhas andinas que circundam Santiago, capital do Chile, do topo do Cerro San Cristobal
Essa mistura de poeira e poluição fica presa pelos ares frios trazidos pelos Andes. Lá do alto podemos ver a zona central e uma sombra dos Andes detrás da cortina de fumaça. Os ventos são importantíssimos para a cidade de Santiago, ainda mais em um dia como hoje, quem está lá embaixo mal pode se dar conta da qualidade do ar que está respirando. A tarde, porém, a camada de ar mais próxima ao chão se aqueceu, subiu e a inversão térmica limpou o céu da cidade, liberando vistas maravilhosas das montanhas ao nosso redor.
A famosa estátua de Nossa senhora no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
Descemos o Cerro San Cristóbal a pé em uma deliciosa caminhada, com novos ângulos e novas vistas da cidade a cada curva. Demoramos quase uma hora na descida e, com ajuda de Pablo e Andrea, aos poucos fomos entendendo melhor sobre a cidade e suas peculiaridades.
Com os amigos chilenos Pablo e Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
O almoço foi em um restaurante tradicional a duas quadras do funicular, o Venezia. Este restaurante de comida típica chilena tem pratos como la Cazuela de Pollo e o Charquicán, uma sopa de lentilhas com charqui ou algum tipo de linguiça, muito saboroso! Eu ainda provei um clássico encontrado em vários países latinos, a Palta a la Reina, abacate recheado com frango temperado. O Venezia é tão antigo e tradicional, que era frequentado pelo mais ilustre morador do bairro, que tem seu lugar preferido marcado em uma placa de honra.
Visita ao tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
A mesa preferida de Pablo Neruda no restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
Para fazer a digestão continuamos a caminhada, agora ao longo do Parque Forestal, com uma parada rápida no Museu de Belas Artes e seguindo até o antigo Mercado Central. Um dos melhores lugares da cidade para comer marisco fresco em um ambiente descontraído e muito charmoso.
Venda de patas de caranguejo no Mercado Central de Santiago, capital do Chile
O imponente saguão do Mercado Central, em Santiago, capital do Chile
Despedida da Andrea, em Santiago, capital do Chile
Lá nos despedimos de Andrea, que seguia para uma consulta médica, e nós continuamos para o mais autêntico e real La Vega Central, um mercadão com centenas de bancas de frutas, verduras e legumes, cereais, queijos e artesanatos. Chama a atenção a quantidade e variedade de azeitonas, além das lindas alcachofras e das frutas secas como o huesillo (pêssego seco), que é parte integrante de uma das sobremesas mais queridas por aqui, o mote com huesillo. Mote é a versão cozida de diversos grãos, neste caso o grão de trigo. Eu não gosto desse tipo de fruta em calda, mas o Rodrigo provou e adorou.
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Voltamos pelo mercado das flores, visitamos a Estación Mapocho, uma antiga estação ferroviária super fotogênica que foi fechada após danos feitos por terremotos e o abandono da linha férrea. Hoje ela é um espaço de eventos bacaníssimo.
caminhando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile
Dali ao La Piojera, um dos bares mais tradicionais da cidade, em funcionamento há mais de 70 anos! Um beco que acaba em um galpão de cadeiras simples, paredes desenhadas e balcão de madeira é popular por seu drink super alcoólico, o terremoto. Assim batizado após o terremoto que abalou a cidade em 1985, o coquetel leva vinho pipeño (ou vinho branco), sorvete de abacaxi, Fernet, Granadina, Rum e Conhac! A terra tremeu, mas nem tanto, pois dividimos um copão desses para nós três! Kkk!
O tradicional bar La Piojera, em Santiago, capital do Chile
Produção em série de "Terremotos", no balcão do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile
Servindo o famoso "Terremoto", drinque típico do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile
Achando que a tarde acabava em um bar, é? Ainda não! Continuamos a nossa caminhada até a Plaza de Armas, visitamos rapidinho a Catedral e descemos pelo Paseo Ahumada, um calçadão comercial cheio de lojas e vendedores, festas, artistas de rua e muita gente.
Caminhando pela Calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile
Demos a sorte de encontrar ali duas das principais expressões culturais populares desta região no Chile: la cueca, a dança nacional que imita o cortejo de um galo à uma galinha, e os chinchineros que são praticamente uma orquestra de tambores ambulante! Além de tocar o tambor com pés e mãos, eles dançam e giram enlouquecidamente no meio da gente impressionada com as suas peripécias. Um show à parte.
Show de cueca, dança típica, na calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile
Os famosos músicos que cantam e dançam ao mesmo tempo, típicos de Santiago, capital do Chile
Aqui para estes lados do continente o sol se põe mais tarde, já eram mais de 19h e o sol estava se pondo naquele dia perfeito em terras santiaguinas. Do alto do Cerro Santa Lucia vimos o pôr do sol sobre os arranha-céus da capital chilena, luz linda, ao fundo o cerro San Cristóbal e agora totalmente visíveis, a incrível e nevada Cordilheira dos Andes.
Subindo o Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile
Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia
Depois de um banho rápido e uma descansadinha no hotel, se você ainda tiver pique a noite pode continuar nos bares de Bellas Artes, que mesmo em uma quarta-feira estavam bem movimentados e cheio de jovens descolados! Nós fomos direto ao Galindo, um dos clássicos santiaguinos. Provamos a chorrillana, prato local de batata frita com carne desfiada, cebola e ovos, para acompanhar uma cerveja stout encorpada e cheia de personalidade.
Muito romantismo no alto do Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile
Uau! Achou que Santiago não teria nada para conhecer?! Aí está a sugestão de um dia explorando a cidade de Santiago. Tudo isso ainda sem contar com a infinidade de museus que você pode visitar, restaurantes para descobrir e wine tastings para se embebedar. Mas se você é dos nossos e gosta de caminhar, anota esse roteiro aí que não irá se arrepender!
Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia
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