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Calhetas e Galinhas

Brasil, Pernambuco, Porto de Galinhas, Calhetas, Carneiros

Fim de tarde em Porto de Galinhas - PE

Fim de tarde em Porto de Galinhas - PE


Acordamos em Olinda, enquanto eu arrumava todas as nossas mil malas, Rodrigo esperava os últimos ajustes nos pneus da Fiona. Tomamos um belo café da manhã, nos despedimos de Thomas e Francesca e pé na estrada. Hoje é um daqueles dias “on the road” que aproveitamos para conhecer a costa e ganhar alguns quilômetros no nosso itinerário. Rumamos para o sul, nosso destino final é a Praia de Carneiros ou a sua vizinha Tamandaré, onde ficam as pousadas mais baratas. No caminho paramos na Praia de Calhetas, há apenas meia hora de Recife. Rodrigo tem boas lembranças desta praia, pois veio para cá na época de Unicamp com vários amigos da turma.

Praia de Calhetas, em Ipojuca - PE. Ao fundo, é possível ver Boa Viagem - Recife

Praia de Calhetas, em Ipojuca - PE. Ao fundo, é possível ver Boa Viagem - Recife


Eu estava um pouco preguiçosa, nem entrei no mar, mas tomamos uma água de côco refrescante e tivemos, depois de tantos dias em Pernambuco, o nosso primeiro repente. Dois repentistas muito simpáticos rimaram ao som de pandeiros e conseguiram mudar o meu humor. A música cura! Rsrs.

Dupla de repentistas na praia de Calhetas, em Ipojuca - PE

Dupla de repentistas na praia de Calhetas, em Ipojuca - PE


Porto de Galinhas foi a nossa próxima parada, infelizmente chegamos lá com a maré cheia, então não pudemos ver as piscinas naturais. Praia lotada, aproveitamos a tarde para almoçar e fazer umas comprinhas rápidas nas lojas de Porto. Um mergulho no final da tarde só para dar sorte e não dizer que não aproveitamos.

Rua peatonal em Porto de Galinhas - PE

Rua peatonal em Porto de Galinhas - PE


Continuamos a nossa viagem até Tamandaré, cidade praiana vizinha da Praia de Carneiros. Já chegamos a noite e ainda tínhamos que encontrar uma pousada. A informação que tínhamos é que em Carneiros mesmo todos os beach bungalos e resorts são caríssimos. Mesmo assim um morador de Tamandaré insistiu que encontraríamos algo mais em conta e mais próximo das piscinas naturais. Encontramos na pequena vila de Carneiros a pousada de um português, Pousada do Farol. Mais cara do que estávamos esperando, mas a esta hora da noite o melhor que poderíamos fazer era ficar aqui mesmo. Afinal, conforto de vez em quando também não faz mal a ninguém!

Nadando no mar de Porto de Galinhas - PE

Nadando no mar de Porto de Galinhas - PE

Brasil, Pernambuco, Porto de Galinhas, Calhetas, Carneiros, Galhetas, mar, Praia

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A Cidade dos Deuses

México, Cidade do México

Diante da grandiosidade da Pirâmide do Sol. as pessoas quase desaparecem! (em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México)

Diante da grandiosidade da Pirâmide do Sol. as pessoas quase desaparecem! (em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México)


Teotihuacán foi a maior e principal cidade da Mesoamérica no período pré-hispânico. Possuía uma população estimada entre 100 a 200 mil habitantes e mais de 21 km2 de superfície durante o seu apogeu, entre os séculos III e VII. O sítio arqueológico está localizado há 45 km do centro da Cidade do México e é destino obrigatório para qualquer turista, viajante ou passante da capital.

Pirâmides do Sol e da Lua vistas do Templo de Quetzalcóatl, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Pirâmides do Sol e da Lua vistas do Templo de Quetzalcóatl, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Pesquisadores acreditam que Teotihuacán, por sua localização geográfica estratégica, era um dos maiores centros comerciais de troca de mercadorias entre outras cidades e aos poucos sua cultura (leia-se arquitetura, religião, etc), foi influenciando as outras civilizações da época.

Contra o sol forte, nada melhor do que um sombreiro! (em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México)

Contra o sol forte, nada melhor do que um sombreiro! (em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México)


Descobertas feitas em Tikal e Monte Albán confirmam que Teotihuacán tinha uma grande influência em todas as civilizações mesoamericanas. Dentre as provas foram encontrados objetos de origem Maya ou da região do Golfo e inclusive um bairro zapoteca que fazia parte da grande metrópole.

Maquete da grande cidade de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Maquete da grande cidade de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Em nahuátl, língua azteca, Teotihuacán significaria, “A cidade em que foram feitos os Deuses” ou “A Cidade dos Deuses”. Aqui nasceu a lenda da origem do Quinto Sol, quando todos os seus Deuses teriam dado a sua vida em sacrifício para o aparecimento de uma nova civilização, a Azteca, e suas novas divindades. Assim Teotihuacán se tornou a cidade mitológica dos Aztecas, cenário da maioria das histórias em que se embasou a sua religião.

Estátua no museu do sítio arqueolõgico de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Estátua no museu do sítio arqueolõgico de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


A visita necessita no mínimo um dia completo se a intenção é percorrer todo o sítio. Nós chegamos um pouco tarde e aceleramos o passo para ver tudo. Chegamos direto no portão 3, que dá acesso direto à Pirâmide do Sol, Pirâmide da Lua, a principal parte da Calzada de los Muertos e ao museu do sítio.

Do alto da Pirâmide do Sol, admirando a Pirâmide da Lua, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Do alto da Pirâmide do Sol, admirando a Pirâmide da Lua, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


A Calzada de los Muertos é a principal avenida que cruza a cidade, no eixo norte-sul. Foi assim chamada pelos Aztecas, pois acreditavam que os grandes edifícios ao longo da avenida seriam tumbas construídas por um antigo povo de gigantes.

Caminhando em direção à Pirâmide da Lua, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Caminhando em direção à Pirâmide da Lua, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Ao extremo norte encontramos a Pirámide de La Luna, que não pode ser “escalada” até o topo. Ainda assim a vista do alto da sua plataforma é lindíssima, observamos do centro do eixo norte-sul os principais edifícios e temos uma vista privilegiada da sua irmã maior, a Pirâmide do Sol.

A incrível Pirâmide da Lua vista do alto da Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

A incrível Pirâmide da Lua vista do alto da Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Terceira maior pirâmide do mundo, a Pirámide del Sol possui 225m de base e mais de 70m de altura. Sua estrutura imponente é maciça e foi construída no ano de 150 d.C. em apenas duas etapas construtivas. Para o Rodrigo que já visitou as mais conhecidas pirâmides do mundo, ela é tão (ou mais!) impressionante que suas similares egípcias.

A massiva Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

A massiva Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Uma curiosidade é que a Pirâmide do Sol foi construída sobre uma pequena caverna, utilizada para fins rituais. A primeira grande teoria é que a pirâmide foi construída sobre uma caverna natural onde eles acreditariam ter havido a origem da vida. Outros dizem que ali haveria uma nascente de água, como principal elemento da vida, seria o grande motivo de adoração desta construção. Estudos mais recentes comprovam que a caverna é artificial e acreditam que ali teria sido uma tumba real, porém os vários saques sofridos pela cidade após o seu abandono, esta teoria ainda não pode ser comprovada. Ninguém sabe exatamente qual era a finalidade desta magnífica pirâmide, o fato é que até hoje peregrinos vêm até aqui nas datas do equinócio para meditações e energização.

A Ana e uma longa fila de pessoas sobe a Pirâmide do Sol em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

A Ana e uma longa fila de pessoas sobe a Pirâmide do Sol em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Subir os seus 248 degraus a mais de 2500m de altitude é um trabalho e tanto, mas vale à pena! A vista do alto é recompensadora, além de podermos fechar os olhos e nos imaginarmos bem re-energizados pelas boas vibrações destes antepassados americanos.

Meditação inspirada pela impressionante visão das pirâmides do Sol e da Lua, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Meditação inspirada pela impressionante visão das pirâmides do Sol e da Lua, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Fizemos um tour rápido pelo museu, que fecha às 17h, aproveitando os últimos minutos para ver a imensa maquete que representa a antiga cidade. As principais peças estão expostas no Museu de Antropologia na Cidade do México, então se você vai lá, a visita ao museu pode ser mais rápida.

Estátua no museu do sítio arqueolõgico de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Estátua no museu do sítio arqueolõgico de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Economizamos tempo de caminhada voltado de carro ao portão 1, que dá acesso à La Ciudadela, onde está o Templo da la Serpiente Emplumada. Construídos entre os anos de 150 e 250 d.C., a ciudadela foi o novo centro político, cultural e econômico da cidade de Teotihuacán.

Escultura na fachada do Templo de Quetzalcóatl, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Escultura na fachada do Templo de Quetzalcóatl, em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Para a consagração deste templo foram sacrificadas mais de 100 pessoas, enterradas em grupos de 4, 8, 18 e 20 corpos, somadas aos sacrifícios infantis que foram colocados nos vértices da pirâmide.

Pessoas sacrificadas em honra à Pirâmide do Sol em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Pessoas sacrificadas em honra à Pirâmide do Sol em Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Alguns guias cobram em torno de 450 pesos (aprox US$ 35,00) para acompanhar a visita e passar a visão e o conhecimento deles sobre a história deste lugar. Eu e o Rodrigo temos divergências neste ponto, mas acabamos optando pela economia e buscamos as informações em livros, no próprio sítio em placas, no museu e na nossa boa e velha amiga internet. Independente de qual seja a sua fonte de informações, não deixe de visitar uma das mais importantes cidades pré-hispânicas no México.

Criança descansa em gramado nas ruínas de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México

Criança descansa em gramado nas ruínas de Teotihuacán, ao norte da Cidade do México


Voltamos à Cidade do México impressionados com esta civilização e tivemos tempo suficiente no engarrafamento para devanear sobre sua origem e seu cotidiano.

Trânsito complicado na volta de Teotihuácan para a Cidade do México

Trânsito complicado na volta de Teotihuácan para a Cidade do México


Chegamos às Lomas de Santa Fé já eram quase 21h e ainda conseguimos marcar um jantar com Javier, um amigo que nos foi apresentado via internet pelo Haroldo, primo do Rodrigo. Restaurante japonês com um bom vinho e boas companhias! Noite perfeita para fechar o dia de explorações em um dos mais impressionantes sítios arqueológicos das Américas.

Jantar com o Rodrigo, o Javier e a sua esposa, em Santa Fé, na Cidade do México

Jantar com o Rodrigo, o Javier e a sua esposa, em Santa Fé, na Cidade do México

México, Cidade do México, arqueologia, Mexico City, Teotihuacán, Teotihuacanes

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Tartarugas Palasmas

Nicarágua, San Juan Del Sur

Tartaruga recém nascida caminha para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartaruga recém nascida caminha para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


A Nicarágua é uma das principais áreas de anidação de tartarugas marinhas da espécie palasma, conhecida por nós como Tartaruga Oliva. Só aqui na Nicarágua são 4 praias que recebem centenas de milhares de tartarugas ao ano para depositarem seus ovos. Após viajarem toda a costa do pacífico, muitas vezes do extremo sul até o Alasca, elas retornam ao mesmo lugar onde nasceram para dar continuação ao ciclo da vida.

Placa informativa na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Placa informativa na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


A caminho da famosa Playa Coco, ao sul de San Juan del Sur está localizada o Refúgio da Vida Silvestre La Flor. Uma praia muito especial que recebe sozinha quase 200 mil tartarugas Paslama por ano.

Registro com contagem de tartarugas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Registro com contagem de tartarugas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


A principal época de desova é nos meses de setembro e outubro, se estendendo até novembro, porém durante todo o ano algumas mamães solitárias aparecem na praia para fazer seus ninhos. Durante 6 ou 7 dias ao ano, com a lua no quarto-crescente, acontecem as “arrivadas”, quando milhares de tartarugas chegam em massa, todas em um mesmo dia, para colocar seus ovos na mesma praia. O recorde registrado foram 8 mil tartarugas em um mesmo dia! Segundo os moradores locais, existem fotos da praia La Flor inteirinha preta, coberta por mamães palasmas parindo seus ovos, não se vê um só centímetro de areia!

Tartaruga em pleno 'trabalho de parto', na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartaruga em pleno "trabalho de parto", na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


O Refúgio da Vida Silvestre La Flor possui funcionários, biólogos e guarda-parques, além de voluntários que ajudam na contagem e diferenciação de espécies, registrando a data de cada ninho para o acompanhamento do nascimento dos pequenos bebês. Um trabalho bem parecido com o do Projeto Tamar no Brasil. Depois de 45 a 60 dias começa a eclosão dos ovos e o nascimento das pequenas tartaruguinhas que irão lutar para chegar ao mar e passar por seus predadores ainda com vida. Suas chances aumentam bastante com a ajuda destes anjos da guarda, que acompanham cada uma delas no seu trajeto para o mar, assegurando que chegarão lá sãs e salvas.

Tartaruguas recém-nascidas e recolhidas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartaruguas recém-nascidas e recolhidas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Além dos predadores naturais, infelizmente ainda estão os seres humanos, que possuem o hábito de se alimentar dos ovos de tartarugas, costume dos antigos na região.

Ovos de tartaruga na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Ovos de tartaruga na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


De San Juan del Sur partem tours quase todas as noites de diferentes hostales e custam em média 30 dólares para o transporte e a entrada do parque. Nós fomos de Fiona e pagamos 10 dólares de entrada cada um. Tivemos muita sorte, pois mesmo estando no mês de dezembro, conseguimos acompanhar a desova de uma mamãe palasma e o nascimento de dezenas de bebês! A melhor hora para assistir as tartarugas é a noite, portanto levem lanternas, de preferência com luz vermelha. A luz branca assusta as mamães e confundem as pequeninas que se guiam pela claridade do mar (reflexo da luz da lua na água), para chegar conseguir chegar até lá. Passamos algumas horas acompanhando e ajudando a mamãe a cavar seu ninho, buscando tartaruguinhas perdidas e colocando-as no caminho correto e observando este espetáculo da vida! É emocionante!

Tartarugas recém nascidas caminham para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartarugas recém nascidas caminham para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Quando saímos duas outras mamães estavam chegando, uma delas mais receosa, pois a lua cheia deixa a praia muito clara, o que facilita a ação de predadores e as deixa mais confusas, pelo reflexo da luz na areia. Uma delas retorna ao mar e a outra, vagarosamente caminha em direção à areia, buscando um lugar para desovar. Assim a vida continua e no ano que vem a mesma tartaruga estará aqui continuando um dos ciclos de vida mais antigos do planeta.

Logo após colocar os ovos, o duro retorno para o mar, na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Logo após colocar os ovos, o duro retorno para o mar, na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Nicarágua, San Juan Del Sur, La Flor, Palasma, tartarugas

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Parque Nacional Tayrona

Colômbia, Tayrona

O mar revolto do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

O mar revolto do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Localizado nos pés da Serra Nevada colombiana, onde as montanhas encontram o mar do Caribe, o Parque Nacional Tayrona é uma unanimidade tão grande entre viajantes estrangeiros e colombianos que, mesmo com uma pressa danada para chegarmos à Venezuela, nós não ousamos tirá-lo do nosso roteiro. Pagamos os preços proibitivos* cobrados para entrada no parque e fomos conferir com os nossos próprios olhos.

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


O parque que protege uma área costeira de 15 mil hectares (12 mil terrestres e 3 mil marinhos) foi formado em 1969 e abriga centenas de espécies da fauna e flora colombiana. O encontro de diversos ecossistemas como floresta seca, floresta úmida, mangues e marinho traz ao parque uma grande biodiversidade e cenários incríveis.

Nem só pessoas frequentam as praias de Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Nem só pessoas frequentam as praias de Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A tranquila e bela baía do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A tranquila e bela baía do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A entrada de Cañaveral, por onde começamos o nosso trekking está a apenas 34 km de Santa Marta e diversos ônibus que saem da cidade em direção à Riohacha podem deixa-lo na porta do parque. Outra forma de conhecer o Tayrona para aqueles que não querem caminhar é pegando tours de barco que saem de Santa Marta ou Taganga. Pelo mar até o Cabo você passará por pelo menos 4 diferentes baías Concha, Chengue, Gayraca e Cinto, podendo pernoitar ou não no Cabo San Juan, é um jeito bacana de conhecer as belezas do parque vistas de outro ângulo.

Caminho de volta no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminho de volta no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Chegamos ao parque no final da tarde e nem as mochilas estavam prontas ainda. Enquanto arrumávamos as compras, águas e equipamentos, um grupo de jovens chegava ao estacionamento totalmente destruídos. Nos olharam com aquela cara de “vocês são loucos de sair andando agora?” e fizeram várias recomendações: contratação de mula, levar muita água, lanternas e avisaram, “a trilha é pesada!” A luz do fim de tarde era um bom indicativo de que deveríamos nos apressar, mas não tem melhor sentimento do que a segurança de que daríamos conta do recado. Alguns locais ainda tentaram nos empurrar as mulas, mas seguimos firmes em direção à trilha, encaixando uma passada rápida e consistente.

Início de caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Início de caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Pela primeira vez, observando o mar na trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Pela primeira vez, observando o mar na trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A trilha entre a entrada do parque e o primeiro camping na área de Arrecifes é praticamente uma avenida, com apenas uma subida rápida e logo chegamos ao mirante e descemos com vistas maravilhosas da praia. O cenário do Tayrona começa a se desenhar diante dos meus olhos. O sol baixava dourando o mar e uma praia selvagem de mar revolto e imensos boulders de granito abria a nossa curta temporada no Tayrona.

Chegando às praias ao mesmo tempo em que o sol se punha, na trilha através do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Chegando às praias ao mesmo tempo em que o sol se punha, na trilha através do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Caminhamos, agora na areia, até o final da praia. “Marcos! Tina!” eu gritei para dois turistas em uma pedra, a penumbra do fim do dia já nos confundia. Continuamos caminhando, passamos por La Piscina, um grupo de jovens colombianos e outro grupo de argentinos que insistiram para usarmos nossas lanternas, mas os olhos ainda aproveitavam os últimos suspiros de luz enquanto nós curtíamos a noite quente do Tayrona.

Metade da trilha e o céu já ficava escuro durante caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Metade da trilha e o céu já ficava escuro durante caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Logo voltamos a uma mata escura e tivemos que nos render às lanternas para a última meia hora de trilha e sem baixar o ritmo fechamos os 6,5km de caminhada em menos de duas horas. Na chegada nos registramos e nos demos o prazer de tomar uma águila gelada antes de montar acampamento. Na venda conhecemos Stuart e Marcelo, sul africano e brasileiro viajando juntos pela América Latina. Ah, que delícia falar um pouco de português! Estamos definitivamente mais perto de casa.

Caminhando em praia do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminhando em praia do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Acampamento montado, nada melhor do que uma caminhada na praia do Cabo San Juán del Guía sob a luz da lua e um banho de mar sob o céu estrelado para refrescar antes do jantar.

Lua cheia ilumina o mar em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Lua cheia ilumina o mar em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Fazendo nosso jantar no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Fazendo nosso jantar no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A noite foi infernal, um calor danado dentro da nossa abafada barraca “all weather” comprada em pleno inverno americano. Espero que ela sirva ao menos para os acampamentos lá no sul! Rsrs!

Nossa barraca em cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Nossa barraca em cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Apenas saíam os primeiros raios do sol e eu já estava afoita, em busca de ar fresco e uma das luzes mais lindas do dia para conhecer, agora com luz, a mais famosa praia do Parque Nacional Tayrona. O Cabo San Juan é uma ponta de pedra entre duas praias rodeadas de coqueiros e separadas pelo encontro de um rio de águas transparentes com o mar, é mole ou quer mais?

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia. À direira, o quiosque em posição privilegiada onde se armam redes para dormir

A praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia. À direira, o quiosque em posição privilegiada onde se armam redes para dormir


A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A maioria dos turistas para por aqui e perdem duas praias quase desertas há menos de 15 minutos por uma trilha fácil. A praia nudista foi a nossa preferida. Não encontramos nenhum peladão, quase deserta ela trouxe exatamente o clima de paz, tranquilidade e isolamento que estávamos buscando.

A paisagem grandiosa do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A paisagem grandiosa do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


O camping estava cheio e ficou ainda mais lotado neste segundo dia. Nós havíamos previsto uma ou duas noites no parque e acabamos optando por pegarmos nosso rumo a caminho da Venezuela e aumentar as chances de um detour que não estava programado para a Península de La Guajira.

Acampamento no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Acampamento no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Desmontamos acampamento, almoçamos e logo já estávamos com os pés na trilha novamente. O conjunto de praias, trilhas, vilas e paisagens rochosas ao longo do Parque Nacional Tayrona o fazem realmente um recanto especial do litoral caribenho colombiano.

Caminhando na praia de Arrecifes, metade daminho para o início da trilha, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminhando na praia de Arrecifes, metade daminho para o início da trilha, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


* Preços de Acesso ao Parque Nacional Tayrona: Nós pagamos pela entrada, direito de acampar e 2 dias de estacionamento da Fiona em torno de 65 dólares, além de aproximados 10 dólares por pessoa pessoa por noite de taxa de camping.

Colômbia, Tayrona, Caribe, parque nacional, Praia, Trekking

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Caminando en La Havana

Cuba, Havana

Inspirando-se no Malecón para fazer música (em Havana - Cuba)

Inspirando-se no Malecón para fazer música (em Havana - Cuba)


La Habana viveu seus tempos gloriosos, como refúgio preferido de muitos artistas de Hollywood, hotéis luxuosos, cassinos, cabarés e muita riqueza sendo esbanjadas por americanos ricos que a tinham quase como uma extensão de seu território. Aqui faziam o que queriam e bem entendiam, até a Máfia Americana já havia se estabelecido na ilha da festa e da fantasia. Imaginem uma pequena Las Vegas, era mais ou menos por aí... Imaginem uma população pobre, muitas vezes sem ter o que comer, convivendo com este esbanjamento de dinheiro, baixo seis anos de ditadura do então “presidente” Batista. Imaginando este cenário fica até mais fácil entender de onde surge um movimento revolucionário para lutar pela igualdade de classe e direitos.

Plaza de la Revolución, com os herois Che Guevara e Camilo Cienfuegos, em Havana - Cuba

Plaza de la Revolución, com os herois Che Guevara e Camilo Cienfuegos, em Havana - Cuba


A capital cubana é imensa, plana e espalhada. A maioria das casas de família bacanas para hospedagem fica no bairro do El Vedado, antigo bairro de dominação americana. Nosso tour hoje começou pelo hospital. Desde que voamos de Little Cayman para cá estou com uma dor de ouvido animal, infecção bacteriana, disse o doutor. Anti-biótico por 8 dias e nada de água, mergulho ou um simples banho de mar, pelos próximos 30 dias! O tempo de espera foi de uma hora e o atendimento foi rápido e eficaz. Posso dizer que me senti completamente segura nas mãos de um médico cubano, a fama deles não é à toa mesmo!

Chegando à Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba

Chegando à Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba


Saímos caminhando pelo bairro do El Vedado, antiga vizinhança “americana” na capital cubana. Primeira parada, Necrópolis Cristóbal Colón, o maior e mais importante cemitério do país. Uma imensa área de lápides e monumentos que são uma verdadeira obra de arte! Os túmulos do cemitério foram das poucas coisas que o governo não estatizou no novo modelo político e econômico, assim eles podem ser vendidos, chegando a custar 2.500 e até 3mil dólares para reaproveitamento de espaço. Os defuntos mais antigos são levados para um crematório geral.

O maior cemitério do país, a Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

O maior cemitério do país, a Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


Uma história curiosa é a da Señora Amelia Goyri, mulher que morreu (1901) no parto e foi enterrada com seu filho entre as pernas, como mandava a tradição da época. Anos depois foi feita a exumação do cadáver e, além deste ainda se encontrar em perfeito estado, segurava o bebê em seus braços. Depois disso seu marido quase enlouqueceu, tendo a certeza que sua esposa estava viva quando foi enterrada. Outros preferiram encontrar na possível tragédia um milagre e a Señora Amelia foi aclamada pela população a santa das mulheres que querem engravidar, grávidas e dos bebês recém nascidos. O ritual que fazia seu esposo é repetido até hoje por seus seguidores, que batem a argola metálica da tampa de seu túmulo, dão uma volta ao seu redor e saem sem nunca dar as costas para uma dama.

O túmulo da milagrosa Amelia Goyri, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

O túmulo da milagrosa Amelia Goyri, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


Seguimos no tour a pé pelo bairro do El Vedado, largas avenidas, muros socialistas e carros antigos, até chegar à Plaza de La Revolución, onde está o memorial em homenagem ao herói da independência, José Martí e os edifícios do Ministério do Interior, com imagens e frases dos heróis Che Guevara e Camilo Cienfuegos.

Monumento ao heroi da independência josé Martí, na Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba

Monumento ao heroi da independência josé Martí, na Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba


Impressionados com a extensão das largas avenidas da cidade, continuamos caminhando, passando pela rodoviária e seguimos em direção ao Hotel Habana Livre, antigo Hilton, que serviu como sede do novo governo revolucionário. No lobby do hotel há uma exposição de fotos de quando Fidel e os barbudos chegaram ao hotel e se instalaram com seus uniformes e armas ali, naquele mesmo espaço.

Fotos históricas da chegada dos guerrilheiros ao saguão do Hotel Habana Libre, em Havana - Cuba

Fotos históricas da chegada dos guerrilheiros ao saguão do Hotel Habana Libre, em Havana - Cuba


Mais algumas quadras e chegamos ao Hotel Nacional, um dos mais tradicionais da cidade. Além do seu famoso cabaré e restaurante, o hotel possui uma belíssima vista do Malecón de Havana, lugar perfeito para mojito e uma água antes de continuar as explorações pela região.

O famoso Hotel Nacional, em Havana - Cuba

O famoso Hotel Nacional, em Havana - Cuba


Um dos programas obrigatórios em Havana é caminhar pelo famoso e extenso Malecón. Aqui entramos direto no túnel do tempo, entre prédios antigos e carros da década de 40 e 50 acelerando pela avenida.

Trânsito na famosa avenida Malecón, em Havana - Cuba

Trânsito na famosa avenida Malecón, em Havana - Cuba


Quando o mar está mais agitado as imagens deste trecho da cidade ficam clássicas e ainda mais divertidas! As ondas se chocam contra as pedras e o muro fazendo splashes sensacionais e molhando os desavisados. As vezes uma pista da avenida tem que ser fechada para os carros não levarem um banho. É um programa de família, namorados e amigos se encontrar no Malecón para pescar, namorar, jogar conversa fora e quem sabe ainda tomar um delicioso banho de mar.

A orla do Malecón em Havana - Cuba

A orla do Malecón em Havana - Cuba


O Malecón tem em torno de 7km, pegamos um táxi para acelerar o passeio e paramos no Capitolium, um ode aos tempos de prevalência norte-americana, pois é idêntico ao de Washington. Seguimos pelas ruelas de Havana Vieja procurando por um bom restaurante de frutos do mar. Os restaurantes são conhecidos aqui como paladares e também são estatais, e nesta área menos turística quase sempre estão em umas casinhas fechadas e nada convidativas.

Prédio do Capitólio Nacional, no centro de Havana - Cuba

Prédio do Capitólio Nacional, no centro de Havana - Cuba


Queríamos algo mais local e acabamos caindo no Paladar El Guajiro, levados pelo Álvaro, músico que trabalha ali ao lado no Gran Teatro de La Habana. Fomos caminhando e conversando com ele, que com um papo amigo, dizendo “eu trabalho com música, não sou guia, não quero o dinheiro de vocês. Vou mostrar um bom restaurante porque são amigos brasileiros...”

Interagindo com os cidadãos de Havana - Cuba

Interagindo com os cidadãos de Havana - Cuba


Bom, chegando lá o cara já se convidou para almoçar conosco, o restaurante era caro, 20 CUCs por prato! O Rodrigo se indignou com o preço e resolveu não comer. Para piorar o conto, o cara começou a contar uma história triste, que era pai de 3 (depois mudou para 4 filhos) e que preferia pegar os 20 CUCs do prato dele e dar de comer para toda a família. O cara é tão profissa em embromar turistas, que mesmo vendo o que estava acontecendo, nos sentimos praticamente obrigados a dar o dinheiro para ele. Demos 10 e ele ainda reclamou que eram 20!!!! Cara, pense num stress! Ódio de nós mesmos! Caímos pela primeira e última vez. Pelo menos o prato de peixe e lagosta estava delicioso e aos poucos vamos entendendo como as coisas funcionam.

Rua na região do Capitolio, no centro de Havana - Cuba

Rua na região do Capitolio, no centro de Havana - Cuba


Meio ressacados do assalto, decidimos relaxar e aproveitar o pique que ainda nos restava para conhecer a Fortaleza de San Carlos de La Cabaña. Um forte construído entre 1763 e 1774 pelos espanhóis para a proteção da cidade de La Habana contra ataques piratas e de frotas francesas ou inglesas, este forte nunca entrou em combate. Prisão militar durante a ditadura de Fulgêncio Batista, foi ocupado por Che Guevara quando os revolucionários entraram na cidade de Havana, tornando-se sede militar do novo governo. Além de exposições sobre o forte, existe também uma sala em homenagem ao Fidel Castro e ao Che, que despachava seus assuntos militares de um escritório montado neste local.

Chegando à Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Chegando à Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


A Fortaleza chegou a abrigar mais de mil soldados, que acabaram criando uma tradição chamada Cañonazo (em português, canhonaço). Durante séculos a tradição de manteve, alterando a frequencia antes diária para semanal e hoje, como atração turística, novamente o canhonaço é encenado diariamente. Vestidos com as indumentárias da época, os soldados adentram ao som da bateria militar até a área dos canhões e disparam um deles pontualmente às 21h, avisando aos navios o fechamento das portas da cidade. É uma cerimônia muito bacana e a vista noturna do alto do forte da cidade e da Baía de Havana é espetacular!

Guarda vestido para a cerimônia do 'canhonaço', na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Guarda vestido para a cerimônia do "canhonaço", na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


Fica aí a dica para um walking tour pela cidade de Havana, dia longo e cheio de boas imagens, cenários e histórias. Nosso plano era ainda aproveitar a noite no Jazz Café, mas os “véios” aqui acabaram se rendendo ao conforto da casa da hospitaleira Dona Margarita para uma longa noite de sono.

Visão noturna de Havana - Cuba, do alto da Fortaleza de San Carlos

Visão noturna de Havana - Cuba, do alto da Fortaleza de San Carlos

Cuba, Havana, roteiro, viagem, walking tour

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Last Day in Paradise

Galápagos, Isla Isabel

Fragatas nos acompanham na viagem entre as ilhas de Santa Cruz e Santiago, em Galápagos

Fragatas nos acompanham na viagem entre as ilhas de Santa Cruz e Santiago, em Galápagos


O nosso wake up call era tão marcante que hoje eu acordei mais cedo só para ir gravar o Capitán Victor fazendo a saudação final no microfone da sala de comando, afinal hoje é o nosso último dia nestas ilhas paradisíacas!

A sueca Maria no fim de tarde na ilha de Wolf, em Galápagos

A sueca Maria no fim de tarde na ilha de Wolf, em Galápagos


Último dia, mas nem por isso com menos novidades. Durante a noite navegamos ao redor da Ilha de Isabela para chegar a um ponto de mergulho conhecido como Cape Marshall. A visibilidade piorou novamente, ficando entre 5 e 10m, mas o show da vida continua! Este local é conhecido por ser ponto de raias mantas e cardumes imensos de salemas e elas não nos deixaram na mão!

Mar infestado de águas-vivas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos

Mar infestado de águas-vivas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos


Caímos na água em cima de um cardume de águas vivas, maravilha! Mas alguns metros abaixo já estávamos em um paredão lindo e cheio de vida. Seguimos por ali vendo muitos peixes, arraias e cardumes de barracudas , até entrarmos no meio de um túnel de salemas.

Lindo cardume de pequenas barracudas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos

Lindo cardume de pequenas barracudas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos


São milhares, milhões, sei lá! São tantas que dentro do túnel formado pelo cardume não conseguimos ver a luz do dia! Estamos ali naquela viagem fantástica quando de repente o túnel se abre e passa um leão marinho caçando! Inacreditável!

Incrível cardume de salemas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos. Chegava a escurecer o mar!

Incrível cardume de salemas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos. Chegava a escurecer o mar!


É um drift dive, vamos sendo levados pela correnteza, quando chegamos à cleanning station, onde milhares de peixinhos se alimentam limpando os peixes um pouco maiores e é ali que finalmente encontramos as nossas primeiras raias mantas. Elas tinham entre 2 e 3 m e “voavam” tranquilamente na imensidão verde-azulada.

Magnífica Arraia Manta em mergulho em Isabel, em Galápagos (fotos retiradas de vídeos de Maria Edwards)

Magnífica Arraia Manta em mergulho em Isabel, em Galápagos (fotos retiradas de vídeos de Maria Edwards)


O segundo mergulho no mesmo ponto repetiu o feito do primeiro, incluindo ainda lindas Christmas Trees, o Pacific Box Fish e um atum imenso!

Peixe se esconde na areia em mergulho em Isabel, em Galápagos (foto de Maria Edwards)

Peixe se esconde na areia em mergulho em Isabel, em Galápagos (foto de Maria Edwards)


Fotos de despedidas com uma luz linda do entardecer. Enquanto o Rodrigo dormia, eu queria aproveitar cada segundo do nosso último dia. Coloquei os equipamentos de mergulho no sol para secar, tomei sol no Sun Deck, desci para o Dolphin Deck para tomar uma cervejinha com Eugenio e Henning.

Céu azulo no nosso último dia de barco, com o Rafa, Laura e Maria, próximo à Isla Santiago, em Galápagos

Céu azulo no nosso último dia de barco, com o Rafa, Laura e Maria, próximo à Isla Santiago, em Galápagos


Enquanto o Galápagos Sky navegava e passava ao redor de Isabela e Bartolomé, víamos os cardumes de peixes vermelhos na superfície, um bando de pássaros pescando sobre ele e tivemos a sorte de estar lá na única hora em que a barbatana de uma baleia-orca veio à tona no horizonte, próximo à Isabela. Esta para mim foi o sinal definitivo de que devemos voltar. Galápagos ainda guarda muitas surpresas em suas águas.

Passando na ilha de San Bartolomeu, próximo à Isla Santiago, em Galápagos

Passando na ilha de San Bartolomeu, próximo à Isla Santiago, em Galápagos


Nosso último jantar foi acompanhado de um brinde especial com toda a tripulação do barco e uma despedida calorosa dos nossos novos amigos russos que continuaram no barco. Nosso último “panga ride” foi bem simbólica, durante a noite no Canal de Itabaca. Pouco a pouco nos afastamos do Galápagos Sky, com gritos e saudações de despedida e nos aproximamos da luz do tranquilo porto de acesso à Puerto Ayora. Agora outra aventura começa.

Galápagos, Isla Isabel, Ecuador, Equador, Mergulho, Raia Manta

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Brasil, Paraná, Pico Paraná, São Paulo, Santos

Auto foto no ponto mais alto da região sul do Brasil, no Pico Paraná - PR

Auto foto no ponto mais alto da região sul do Brasil, no Pico Paraná - PR


Acordei hoje com um pouco de luz na barraca, mas logo fechei os olhos pedindo para que não fose hora de acordar. Voltei a dormir profundamente, estava até sonhando, mas logo o Ro me chamou, todo feliz pois nossas preces tinham sido atendidas, a chuva havia parado! Ainda estava frio e havia muita neblina, não conseguíamos avistar o pico, mas sabíamos que não estava distante dali. Nosso plano era chegar ao cume e depois retornar para desmontar acampamento. Duro foi colocarmos as meias molhadas e a bota encharcada para começar a caminhada.

Nossa barraca no acampamento 2, no Pico Paraná - PR

Nossa barraca no acampamento 2, no Pico Paraná - PR


A trilha segue pela estreita crista da cadeia de montanhas, alguns trechos beirando precipícios imensos. O Ro já conhecia, mas eu tinha que ficar só imaginando que paisagens eu estava perdendo para as nuvens. Fomos vencendo pequenas montanhas tentando descobrir qual delas seria a derradeira até alcançarmos o cume. A cada cocoruto eu pensava, “agora vai” e assim foram uns quatro. A vegetação estava totalmente molhada e lá estávamos nós novamente encharcados. A informação é que subiríamos em 40 minutos, porém com a trilha completamente inundada e escorregadia acabamos levando em torno de uma hora.

A visão (só branco!) do topo do Pico Paraná - PR

A visão (só branco!) do topo do Pico Paraná - PR


Finalmente chegamos ao cume! São os 1870m mais custosos que encontramos até agora, mas a sensação de ter vencido este desafio é maravilhosa, conseguimos! A melhor parte foi quando sentei para descansar e ler algumas páginas do caderno de registros. Quantas pessoas passaram por ali e deixaram suas impressões, mensagens e emoções gravadas para outros, como eu, lerem. Até me emocionei quando encontrei uma mensagem que dizia: “Após 21 anos estou novamente no Pico Paraná! Uma vez escoteiro, sempre escoteiro!”. Enquanto eu a lia para o Rodrigo meus olhos encheram de lágrimas, pois desde os meus tempos de escoteira eu queria ter escalado esta montanha, foi uma forma de me sentir ali, 14 anos mais nova. Sei exatamente o que o cara sentiu enquanto escrevia esta mensagem.

O livro de registros, no topo do Pico Paraná - PR

O livro de registros, no topo do Pico Paraná - PR


O PP dificultou ao máximo a nossa subida, valorizou o passe e quis deixar marcada a sua passagem por estes nossos 1000dias! A caminhada de volta agora era mais tranqüila, sem chuva e com os trechos bem gravados na memória ficava mais fácil. Eu estava super concentrada para o momento da descida das escadas, queria que tudo desse certo, já pensaram ter que chamar o socorro? Nem pensar!

Trecho com corda na trilha do Pico Paraná - PR

Trecho com corda na trilha do Pico Paraná - PR


No final, descer é sempre mais fácil que subir, como dizem, para baixo todo santo ajuda! Principalmente o santo marido, que desceu com a minha mochila nos lances de escada mais difíceis. Cada obstáculo vencido era um passo a mais para a nossa próxima aventura. Até o sol começou a aparecer quando nos aproximamos do Caratuva, é sempre assim, quando estamos indo embora ele aparece.

Bifurcação sinalizada na trilha do Pico Paraná - PR

Bifurcação sinalizada na trilha do Pico Paraná - PR


Esgotados depois da trilha, noite mal dormida na barraca e ainda 4 horas de estrada depois, chegamos a Santos. Estávamos com os contatos para o mergulho na laje todos a postos, mas o celular não estava ajudando. A Laura entrou em ação e conseguiu falar com o pessoal da Nautilus. Assim que o celular voltou à ativa descobrimos que havia entrado um vento “x” que não permitiria a saída de barco para a laje. Um alívio por um lado, pois poderíamos descansar um pouco, nos recompor, cuidar dos equipamentos de camping que estavam enlameados e ainda explorar a região. Por pouco ficamos sem hotel em Santos. Chegando em uma quinta-feira achamos que não haveria problema, mas a cidade estava sediando 2 grandes eventos e todos os hotéis estavam lotados. Fomos salvos pelo Metralha, amigo de Unicamp do Ro que mora lá e conhece tudo! Nos arrumou um flat bem localizado e tinha tudo o que precisávamos depois desta escalada: um banho quente e uma cama confortável... boa noite!

Tempo enevoado descendo o Pico Paraná - PR

Tempo enevoado descendo o Pico Paraná - PR

Brasil, Paraná, Pico Paraná, São Paulo, Santos, Escalada, Montanha, Trekking

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Paseo Carmelita

Paraguai, Asunción

Máximas de bar, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai

Máximas de bar, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai


Como toda cidade grande Asunción possui dois (ou mais) grandes centros: o centro histórico, onde está localizado o centro político e o comércio popular de rua e a região de classe média-alta, que compreende a os bairros de Villa Morra, Carmelitas, San Jorge e Ycua Sati. Esta é uma área mais residencial cortada por largas avenidas que facilitam o trânsito e entremeada de ruas charmosas, mais estreitas e bem arborizadas. Nas avenidas principais se instalaram lojas de marcas internacionais, shoppings de alto nível, bares e restaurantes de todos os tipos. Já nas ruas menores podem-se encontrar alguns bistrôs, boutiques, etc. A região de Ycua, no cruzamento das avenidas España e Santa Teresa estão o Sheraton e o Ibis e à direita hotéis menores, mais aconchegantes como o Pelican, Los Alpes ou Portal do Sol, onde ficamos hospedados. O bairro nos lembrou o Jardim Europa em São Paulo, casas imensas, poucos prédios e muito verde.
Depois de um dia cheio de história, conhecendo o centro antigo, decidimos conhecer a noite de Asunción. Pesquisei na internet, conversei com alguns amigos e até me cadastrei no Couch Surfing procurando por paraguaios animados para nos apresentar as baladas da capital. Entretanto o contato que consegui foi através dos nossos amigos viajantes chilenos do América Sin Fronteras (http://amsinfronteras.blogspot.com/ ). Ela os hospedou quando passaram aqui em Asunción e nos deu ótimas dicas. Pena que não pôde nos acompanhar, mas foi por uma causa nobre, viajou hoje a noite para Buenos Aires para ver a final da Copa América – Paraguay x Uruguay.

Banda cover do The Cure, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai

Banda cover do The Cure, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai


Fomos ao Paseo Carmelita, notadamente o shopping mais badalado da cidade. Além de ter tudo o que um shopping normal teria, possui também uma área de restaurantes e bares voltados para a rua. Só ali tínhamos duas opções de balada, um Tributo aos The Cramberies, no Flow Bar e outro era um Tributo ao The Cure, no Kilkenny Pub. Ficamos com a segunda opção, já que a primeira estava com uma faixa etária incompatível e umas meninas meio histéricas na platéia. Um pub irlandês não era exatamente o que imaginávamos de uma night paraguaia, mas foi muito bacana para desmistificar a imagem que, sem querer, fazemos deste povo. Sim, ali há todos os tipos que encontramos em todas as cidades grandes, roqueiros cabeludos ou na linha inglês fashion e “despretencioso”, as patricinhas, a namorada do tecladista e os apaixonados pela banda inglesa que acompanhavam o show como se fora um concerto da banda original.

Banda cover do The Cure, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai

Banda cover do The Cure, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai


Com tantas figurinhas carimbadas, faltava apenas encontrarmos brasileiros no bar, outra raça que está em todo lugar e... bingo! Sentou em nossa mesa um casal, ele mineiro e ela gaúcha, se conheceram aqui no primeiro ano de mestrado. Este é um mercado que eu desconhecia, mestrado intensivo de férias para brasileiros. As grades dos cursos são feitas dentro do currículo brasileiro e alguns cursos chegam a ser lecionados em português. São professores de universidades brasileiras contratados pelas hermanas paraguaias. Renata, psicóloga, já defendeu sua tese e veio apenas buscar sua documentação. Hugo, educador físico e professor universitário, irá defender na semana que vem, boa sorte!

O Kilkenny, pub irlandes, estava lotado! (no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai)

O Kilkenny, pub irlandes, estava lotado! (no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai)


Assim nos despedimos da capital e amanhã seguiremos viagem para Filadélfia. Que venga el Chaco Paraguayo!

Paraguai, Asunción,

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Lago Izabal e Rio Dulce

Guatemala, Rio Dulce

Lago Izabal, em Rio Dulce, o maior da Guatemala

Lago Izabal, em Rio Dulce, o maior da Guatemala


O Lago Izabal, também conhecido como Golfo Dulce, é maior lago da Guatemala, com 45km de comprimento, 20km de largura e 589,6km2 de área. Ele é considerado pela marinha norte-americana o porto mais seguro do Caribe na temporada dos furacões e, portanto, um dos paraísos para os velejadores do mundo inteiro que se aventuram pelas águas do Caribe.

Um veleiro nas águas do Rio Dulce, na Guatemala

Um veleiro nas águas do Rio Dulce, na Guatemala


A primeira vez que ouvi falar dele foi conversando com um norte americano, que me jurava que este era o maior lago da America Latina. Peraí, eu disse, você deve estar falando do Lago da Nicarágua, certo? Não, obviamente ele não arredou o pé na sua afirmação, mas tendo passado pelo oceano que é o Lago Ometepe (ou Lago Nicarágua) não me restavam dúvidas que ele estava enganado. Ainda assim eu havia ficado intrigada sobre a distante viagem para a costa caribenha da Guatemala.

A caminho de Livingston, no litoral da Guatemala

A caminho de Livingston, no litoral da Guatemala


Finalmente a hora de matarmos a curiosidade estava chegando. Voltamos a pesquisar e colocamos o Lago Izabal definitivamente no nosso roteiro depois de passarmos 3 dias velejando pelas águas de Belize com nosso novo amigo Gaston. Rio Dulce é o seu porto seguro, local onde deixa ancorado o The Rob quando volta à Europa para trabalhar ou visitar a família. O lago estava no nosso caminho de Flores a Honduras, mais ainda havia ali um detour que valeria a pena fazermos, a viagem até a pequena cidade garifuna no encontro do Rio Dulce com o mar, Livingston.

São centenas de barcos e veleiros em Rio Dulce, na Guatemala

São centenas de barcos e veleiros em Rio Dulce, na Guatemala


Toda esta imensa área está conectada com o mundo apenas por uma estrada, que corre desde Flores, no distante estado de Petén, em direção à Honduras e com uma conexão à capital do país. Os outros acessos são feitos via marítima dos portos de Punta Gorda em Belize e de Puerto Barrios, ainda na Guatemala, quase na fronteira com Honduras.

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


A caótica cidade de Rio Dulce é apenas o ponto de partida para um mundo novo e completamente diferente que vive às margens do Lago Izabal, do El Golfete, porção menor do lago, e do rio propriamente dito. Só para vocês terem uma idéia da desproporção e do choque de mundos, podemos compara-la com a cidade de compras do Di Caprio e de sua chefe autoritária e maluca do filme 'A Praia'. Agitada, cheia de carros, motos, lotada de gente nas ruas, nas feiras livres e nas margens do lago vendendo de tudo o que você pode imaginar.

Caminhando pelas movimentadas e barulhentas ruas de Rio Dulce, na Guatemala

Caminhando pelas movimentadas e barulhentas ruas de Rio Dulce, na Guatemala


Nos arredores da cidade está uma antiga fortaleza, o Castillo de San Felipe, construído pelos espanhóis em 1652 para defender as vilas ao redor do lago de piratas franceses e ingleses. Nos arredores da fortaleza há um parque e uma praia pública onde crianças nadam enquanto suas mães lavam as roupas nas águas do lago.

El Castillo de San Felipe, um forte espanhol no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

El Castillo de San Felipe, um forte espanhol no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala


Brincadeiras e lavação de roupa no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

Brincadeiras e lavação de roupa no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala


Novas amigas na beira do lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala. A cerveja na mão parece, mas não é uma Btahma. É uma Brahva!

Novas amigas na beira do lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala. A cerveja na mão parece, mas não é uma Btahma. É uma Brahva!


Os melhores hotéis de Rio Dulce estão nas margens do Izabal e só tem acesso por barco. O Hostal Backpackers é o mais agitado, com deck na beira d'água, restaurante e organização de tours. Nós ficamos hospedados em um hotel há 10 minutos a pé do forte, 15 minutos de carro da loucura do centro de Rio Dulce. O Hotel Hospedaje del Viajero tem preços bem razoáveis, estacionamento (bem importante para a Fiona) e é muito mais agradável que qualquer outro hotel da cidade. Outra opção procurada por vários viajantes é a Finca El Paraíso ou ainda hospedagens no El Estor, outra vila mais distante na beira do lago, próxima a águas termais, rios e com outra visão do Izabal.

Ilha dos Pássaros, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala

Ilha dos Pássaros, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala


Uma bela water lily cresce em uma parte mais calma do rio Dulce, no nosso caminho para Livingston, na Guatemala

Uma bela water lily cresce em uma parte mais calma do rio Dulce, no nosso caminho para Livingston, na Guatemala


Fiona bem estacionada, era a hora de pegarmos o barco e nos aventurarmos pelas águas do Golfo Dulce. Pegamos a lancha das 9h, linha de transporte público que liga Rio Dulce a Livingston, e começamos a nossa viagem. A lancha começou fazendo um desvio para o Castillo de San Felipe, uma ótima, pois pudemos vê-lo do lago, melhor ângulo para as fotos do forte.

Pronta para partir para Livingston, em Rio Dulce, na Guatemala

Pronta para partir para Livingston, em Rio Dulce, na Guatemala


A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


Em uma hora cruzamos o imenso Lago Izabal, passando pela ilha dos pássaros e chegando ao Golfete. Ali a nossa lancha pinga-pinga começou a baldeação, mas não era qualquer baldeação... Passamos por vilas, casas isoladas da população ribeirinha que vive em um mundo mágico, onde water lilis cobrem o seu jardim e crianças apostam corridas de caiucos enquanto seus pais pescam e lindas garças brancas disputam os céus com pelicanos papudos e desajeitados.

Water Lilies crescem em remanso do rio Dulce, no nosso caminho para Livingston, no litoral da Guatemala

Water Lilies crescem em remanso do rio Dulce, no nosso caminho para Livingston, no litoral da Guatemala


Uma casa em um pequeno tributário do rio Dulce, no nosso camiho para Livingstone, na Guatemala

Uma casa em um pequeno tributário do rio Dulce, no nosso camiho para Livingstone, na Guatemala


Logo a realidade bate à porta e vemos que os caiucos estão cheios de artesanatos e as crianças estão ali, felizes e astutas, vendendo pulseiras, cascos de tartaruga e pequenas esculturas de madeira para ajudar nas contas da casa.

Meninas vêm em suas canoas nos vender artesanato, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala

Meninas vêm em suas canoas nos vender artesanato, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala


Logo adiante está a nossa parada de descanso, 15 minutos na fonte de águas termais, com bar e restaurante de onde saem passeios para a reserva de manatees (peixe-boi) ou para uma caverna sagrada para o povo indígena da região. Toda esta terra pertence aos quec'che mayas, são várias famílias que formaram uma cooperativa e estão voltando seus esforços para o ecoturismo, montando uma infraestrutura bacana com o apoio do governo coreano.

Pequena piscina com águas termais, na beira do rio Dulce, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala

Pequena piscina com águas termais, na beira do rio Dulce, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala


Passamos pela Round House, pousada que viria a ser nossa casa nos próximos dias, após a visita à cidade de Livingston. Continuamos percorrendo paisagens lindíssimas, cânions rochosos e florestas tropicais de verde abundante, entre pássaros, peixes e ribeirinhos.

Restaurante às margens do rio Dulce, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala

Restaurante às margens do rio Dulce, no caminho para Livingston, no litoral da Guatemala


Chegamos à Livingston, na foz do Rio Dulce no Mar do Caribe, milhares de pelicanos empoleirados em um velho trapiche e uma vila garifuna, isolada de tudo e todos, por se descobrir. É, este é só o começo da nossa passagem pelo Lago Izabal, que merece tempo e espaço para contar suas histórias, cada um no seu devido post.

Centenas de pelicanos nos recebem no porto de Livingston, no litoral da Guatemala

Centenas de pelicanos nos recebem no porto de Livingston, no litoral da Guatemala

Guatemala, Rio Dulce, Castillo San Felipe, Golfete, Golfo Dulce, Lago Izabal, Rio Dulce

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Quarenta e uns!

Brasil, Ceará, Jericoacoara, Tatajuba

Terrenos alagado na maré baixa, próximo a Guriú - CE

Terrenos alagado na maré baixa, próximo a Guriú - CE


Há uma grande controvérsia entre os bugueiros e o Rodrigo. Quantos quilômetros são entre Jericoacoara e Tatajuba? Os bugueiros dizem ser 35km, enquanto o Rodrigo afirma serem 20km, no máximo 25km! Como ele é meu marido, confio nele e geralmente ele tem uma boa noção de distâncias.

Restos de um mangue que há muito secou, no caminho para Tatajuba - CE

Restos de um mangue que há muito secou, no caminho para Tatajuba - CE


Assim ele me convenceu a encarar esta empreitada, 20km de caminhada pela praia até Tatajuba, passando pelos povoados de Mangue Seco, Guriú, praias, rios, lagoas e paisagens simplesmente sensacionais.

A água da chuva deixou a areia espelhada, no caminho entre Jeri e Tatajuba - CE

A água da chuva deixou a areia espelhada, no caminho entre Jeri e Tatajuba - CE


Começamos a caminhada eram quase 7 horas da manhã. Uma delícia a brisa matinal de Jeri, melhor horário para fotografar, não só pela luz, mas justamente por conseguir olhar ao redor e ver a vila como ela é. Só com alguns poucos nativos caminhando com seus filhos e começando o seu dia nesta calma vila que todos os dias é invadida por turistas.

Início da caminhada para Tatajuba, bem cedinho, em Jericoacoara - CE

Início da caminhada para Tatajuba, bem cedinho, em Jericoacoara - CE


Contornamos a duna do pôr-do-sol, cruzando com vários moradores de Mangue Seco a caminho dos seus trabalhos. Eles vêm de moto, bicicleta e alguns até a pé. São 10km de lá até Jeri e a esta hora da manhã muito mais tranquilos, pois o sol ainda não está forte e a maré está bem baixa, fácil de caminhar pela areia dura próxima ao mar.

Pessoas pedalam de Mangue Seco para Jericoacoara - CE

Pessoas pedalam de Mangue Seco para Jericoacoara - CE


Confesso que vê-los foi animador, se eles já estavam quase chegando a Jeri, àquela hora da manhã, é por que não é tão difícil a caminhada. Eu estou fazendo esta caminhada uma vez e a turismo, imaginem eles que fazem todos os dias para ir trabalhar? Pois é, tenho que estar bem animada mesmo! A diferença é que quando você fala com qualquer um deles que vamos para Tatajuba a pé, todos dizem “Vocês tão é loucos! Tatajuba fica a 30km daqui!”. Enfim, confio no marido, vamos em frente.

Início da caminhada para Tatajuba, bem cedinho, em Jericoacoara - CE

Início da caminhada para Tatajuba, bem cedinho, em Jericoacoara - CE


Chegamos à praia de Mangue Seco, mas não entramos na vilazinha, economizando 4km. O Rodrigo veio fazendo propaganda desde ontem de uma tal cabaninha de praia deliciosa, com uma cerveja geladíssima. Segundo ele o melhor era o dono, bom de papo, uma figura. Chegamos lá e cadê o seu Manelinho? Nem ele, nem a cerveja gelada. Barraco fechado. Seria uma miragem?

Barraca que marca a entrada para Mangue Seco - CE

Barraca que marca a entrada para Mangue Seco - CE


A praia estava super larga, uma imensa faixa de areia com lagoas e poças de água refletindo o céu mais azul que vimos nos últimos dias. Ao fundo, na direção de Jeri, nuvens negras nos avisavam que a chuva estava por vir. Sabíamos que logo teríamos que cruzar a barra do rio Guriú, passamos pela entrada do passeio dos cavalos marinhos, curiosa, mas com outro objetivo em mente.

Caminhada para Tatajuba, entre Mangue Seco e Guriú - CE

Caminhada para Tatajuba, entre Mangue Seco e Guriú - CE


Estávamos perto, pois este passeio é no próprio manguezal do mesmo rio. Cruzamos uma área bem alagada, lagoas maiores, pequenos riachos e um deles com água no joelho. Ali o Ro pensou, “este era o rio que todos disseram que tinha balsa e problemas para atravessar? Imagina! Rsrsrs.”

Cruzando um dos braços do Guriú, no caminho para Tatajuba - CE

Cruzando um dos braços do Guriú, no caminho para Tatajuba - CE


Andamos mais uns 2km até que encontramos a verdadeira barra! Hahaha! Tudo bem dele achar que a quilometragem está errada, mas achar que o povo atravessa de balsa um riozinho destes também é demais! Riozão largo, começamos a atravessar a água já estava na cintura. Não quisemos arriscar, demos uma mega volta, até encontrar a área mais estreita para passar. Deu um certo trampo, acrescentamos 1km no percurso e atravessamos com água no peito e as mochilas na cabeça, mas atravessamos.

Cruzando a barra do Guriú, um pouco antes da chuva, no caminho para Tatajuba - CE

Cruzando a barra do Guriú, um pouco antes da chuva, no caminho para Tatajuba - CE


Dali, se o Rodrigo estava certo, teríamos apenas mais 5km, doce ilusão. Já me preparei para mais 10km, então. Quando viramos para trás para tirar fotos, foi que vimos que aqueeela chuva lá de Jeri já tinha nos alcançado. Uma baita nuvenzona negra! Começou a chover ali mesmo, uma tempestade de vento e muuuita água que foi nos acompanhando por uns 20 minutos. Agora, pense numa chuva dolorida!

A chuva nos alcançando, no caminho para Tatajuba - CE

A chuva nos alcançando, no caminho para Tatajuba - CE


Parou a chuva, voltou o sol, fizemos um lanchinho rápido e seguimos caminhada. Eu já estava com uma dor desgraçada nas costas, os bugues que fazem este passeio já tinham passado por nós, olhávamos aquela ponta de terra e ele nunca chegava! Andamos, andamos e andamos mais um pouco, até que começamos a avistar de longe alguns burricos pastando, uns casebres de taipa, cobertura de barco de pescadores, estamos chegando, pensei. Que nada! Andamos ainda mais, entramos num areial e andamos... Não trouxemos o GPS, mas o meu GPS mental estava me dizendo... os bugueiros estão certos.

Burros frequentam a praia, bem próximo à Tatajuba - CE

Burros frequentam a praia, bem próximo à Tatajuba - CE


Trinta e uns quilômetros depois chegamos à Velha Tatajuba, ou o que sobrou dela. Uma vila que foi engolida pelas dunas, às margens do rio Tatajuba. A paisagem ali se altera completamente conforme o avanço da maré, chegando a cobrir mais de 1km terra adentro! Cruzamos o mangue (ARGH!), a vila, até chegarmos à Pousada Portal dos Ventos. Tudo o que eu queria era encontrar um colchão bom para ter uma boa noite de descanso, pois me dei conta que a dor nas costas era do colchão das últimas noites. O colchão não era dos piores, mas ser grande tem essas desvantagens.

No topo de uma duna observando a região de Tatajuba - CE

No topo de uma duna observando a região de Tatajuba - CE


Depois de acomodados, tomei um chuveirão frio e continuamos a caminhada para a Lagoa da Torta, 5km adiante de Tatajuba. A lagoa de água doce é imensa, verde e belíssima! No seu entorno, além de barracas para almoço, também existe uma pousada. Nós de passagem fomos logo atrás de um bom almoço: peixe fresco da lagoa, baião de dois e saladinha de tomate com cebola. Para beber uma coca-cola, depois de uma cervejinha merecida, é claro.

Várias lagoas entre as dunas de Tatajuba - CE

Várias lagoas entre as dunas de Tatajuba - CE


A lagoa da Torta é bastante freqüentada por bugues, deve receber mais de 200 nos finais de semana da alta temporada, nós conseguimos vê-la quase vazia, apenas os moradores e povo que trabalha por ali, um verdadeiro oásis.

Lagoa da Torta, em Tatajuba - CE

Lagoa da Torta, em Tatajuba - CE


Atravessamos uma região meio pantanosa próxima à lagoa para chegarmos à Duna do Funil. O Ro me ajudou a não molhar o pé, nem enfiá-lo na lama, me carregando nas pequenas travessias (meu herói!) e lá fomos nós outra vez.

Caminho para a Duna do Funil, em Tatajuba - CE

Caminho para a Duna do Funil, em Tatajuba - CE


Caraca, sensacional! O funil é fantástico e o melhor, estávamos sozinhos! Tento imaginar aquele lugar cheio de bugues e pessoas, as cicatrizes nas dunas ajudam o exercício e comprovam a sua passagem por ali. O Ro desceu numa disparada para nadar na lagoa do funil, mas ela tinha só uns 15cm de água. Eu fiquei ali mesmo, vendo o sol se pôr naquela imensidão de dunas, lagoas, pântanos e ao fundo, o mar.

Atravessando as dunas para se chegar na Duna do Funil, em Tatajuba - CE

Atravessando as dunas para se chegar na Duna do Funil, em Tatajuba - CE


O retorno foi através das dunas, víamos o mar de longe à esquerda e os pastos e pequena comunidade próxima á lagoa à direita. Novamente andamos, andamos, andamos e não chegávamos nunca. Eu me senti no deserto do Saara, cansada depois dos 30km até Tatajuba, 5km até a Lagoa da Torta, mais uns 3 até o Funil e o retorno já iam bem uns 4km... Agora entendo os burros, vontade de sentar e empacar. Daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Lagoa da Duna do Funil, em Tatajuba - CE

Lagoa da Duna do Funil, em Tatajuba - CE


Para mim era claro que este caminho era mais longo... mas novamente o Rodrigo afirmava que era o melhor e mais curto “Você já andou mais de 40km, vai parar agora que falta 1?”. Acho bem engraçado, quando ele quis me convencer a vir eram 20km, quando viu o caminho se alongar confirmou os 25km e quando eu cansei, não quis pisar nos caranguejos do mangue, etc, são 30km! A quilometragem varia conforme o interesse do Rodrigo, e eu com isso? Dá-lhe andar.

Autofoto no topo da Duna do Funil, em Tatajuba - CE

Autofoto no topo da Duna do Funil, em Tatajuba - CE


Quarenta e uns quilômetros depois chegamos a pousada, finalmente! Banho frio de chuveirão e alongamento antes que os músculos todos travem e não soltem nunca mais. Depois de um breve descanso fomos até a vila (mais 1km) para comprar alguns víveres para o nosso lanche da noite. Oito horas deitamos na cama, passando pomada de arnica nas dores, dando risada e lembrando do dia. Cenários de outro mundo que foram vivenciados com calma, paciência e muita persistência. Cada passo faz o lugar ficar ainda mais especial, o dia muito mais saboroso e a noite de sono melhor aproveitada.

No topo da Duna do Funil, em Tatajuba - CE

No topo da Duna do Funil, em Tatajuba - CE

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