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Chuva, chuva, chuva e muuuuuuuuuito frio. O dia mais frio e úmido do ano...
Chegamos à Venezuela! Um país de tantas paisagens e tantas agruras, ond...
A Venezuela é um país cheio de surpresas. Já o havíamos visitado em 2...
Mario Sergio Silveira (05/10)
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Daniela Borges de Souza (05/10)
Oi!!!! sou filha do Ricardo Moreira de Souza, e ele me falou muito bem d...
ronin (05/10)
Mario Sergio Silveira (04/10)
Finalmente vc realizou o nosso desejo de mergulhar em Setiba.Eu não lemb...
Angela Thaís Fracaro (04/10)
PARABENS ANA! Tudo de BOM,...muitas felicidades, saúde, paz, e viagens p...
O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Cozumel é um daqueles lugares, tão turísticos, que queremos evitar. Mas de tão turístico fica aquela pulga atrás da orelha, se todos vão é por que “alguma coisa tem!”. Fica bem mais fácil encarar a turistada se o lugar em questão é uma ilha banhada pelas águas do mar do Caribe.
Começando bem o dia na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Nós chegamos em Cancún em um barco que cruza de Playa del Carmen à ilha de hora em hora. O barco custa 12 dólares por pessoa e a travessia dura pouco menos de 2 horas. Já dentro do barco encontramos uma simpática vendedora de uma das dezenas de locadoras de automóveis da ilha e resolvemos deixar reservado o nosso meio de locomoção. A ilha possui alguns transportes públicos, principalmente na área mais habitada, voltada ao continente. Porém se você quer dar a volta completa, aproveitando para conhecer tudo, no seu ritmo e ainda voltar no mesmo dia, o ideal é alugar um carro (US$ 45,00) e se divertir!
Caminhando pela praia até o porto de Playa del Carmen, para pegar o ferry para Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Chegamos à ilha e a primeira meia hora foi em torno do aluguel do carro, andando até o escritório da locadora já conhecemos um pouco do centrinho da cidade, cheio de lojinhas de badulaques turísticos e artesanatos. A minha expectativa era chegar em um lugar lotado de resorts, grandes edifícios e comércio. Sim, a ilha possui um pouco de tudo isso, mas não tão amontoados e invasivos quanto eu imaginava. Enfim, a minha primeira impressão da cidade foi melhor do que eu esperava.
Caminhando pelo centrinho de Cozumel, no sul do México
Durante a alta temporada Cancún recebe cruzeiros praticamente todos os dias, 2, 3, até 5 navios cruzam o Golfo do México em direção ao Caribe e fazem uma parada obrigatória nas águas azuis da costa caribenha do México. Então a questão é, como evitar o encontro desagradável com os milhares de turistas que chegam nestes navios?
Um porco caminha tranquilamente por uma estrada na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Uma vez com a nossa ferrari mexicana conversível na mão, foi a hora de começarmos as nossas explorações. A volta à ilha, no seu próprio carro, é a melhor forma de escapar das muvucas turísticas, ainda mais se você está com as dicas certas e um mapa na mão!
Mapa da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México, mostrando o circuito que fizemos
O primeiro lugar que mais de 50% dos turistas que descem do cruzeiro vão são os resorts a beira mar, que além de centenas de pessoas, infraestrutura, restaurante, bar, cadeiras e guarda-sóis, estão localizados nas poucas praias de areias brancas da ilha. Todas fakes, by the way, a areia é trazida do continente para “aumentar” a praia. Nós, “turistas descolados” (rs), não queremos ir parar neste lugar, afinal se queremos praias de areias brancas podemos ver no continente, lindas e sem tanta gente assim. Então seguimos adiante, depois de uma fotinho obrigatória na avenida principal com os navios ao fundo, é claro.
A bordo da nossa "ferrari conversível", na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Preparando-se para fazer snorkel na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Para dar água na boca! (em Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México)
Feliz da vida em Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Dando a volta na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Lá na Punta Sur a parada é no Reggae Bar, um point super convidativo para uma Dos Équis ou uma Negra Modelo, ao gosto do freguês. Os mais animados podem dar um tchibum nas ondas caribenhas, afinal, que disse que elas não existiam?
Negra Modelo, nossa cerveja preferida no México (ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do país)
Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
A essa altura eu já estava no banco de trás do fusca com a Valéria, cabelos ao vento e curtindo a vida adoidada ao lado da minha amiga. Tem coisas que só suas amigas fazem por você! Animadíssimos com a paisagem, mata cozumeña à esquerda, mar caribeño à direita fui tirando fotos do alto do nosso conversível, querendo que este dia não acabasse nunca mais, pois este era o último dia da Val conosco na viagem. =/
De fusca conversível, rodando por toda a ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Nós já não estávamos no pique de entrar na água e acabamos decidindo seguir para tentar chegar ao principal sítio arqueológico da ilha: as Ruínas Mayas de San Gervasio. Infelizmente começamos o nosso roteiro um pouco tarde e, depois de 3 dias seguidos de ruínas, esta não era a nossa prioridade. Se você quiser muito conhecer as ruínas, faça o roteiro idêntico, porém em sentido anti-horário, a entrada nas ruínas fecha às 15h. E não se esqueça de trazer um lanchinho para aguentar chegar ao Alberto´s um pouco mais tarde.
De fusca, rodando pela ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Um maravilhoso pôr-do-sol na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Não quisemos perder nem um minuto desse momento mágico, tomando um Rum Punch enquanto os cruzeiros se despediam da ilha e seguiam seu curso rumo aos mares do Caribe. Devolvemos o carro e ainda tivemos tempo de dar uma volta no centrinho de Cozumel, comprar umas pratas de Taxco e pegar o barco das 19h para Playa del Carmen.
Fim de tarde, hora da partida do navio-cruzeiro da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
Se você vem com mais tempo outras atividades como mergulho, ou um tour para a Punta Molas, passando pela Ruína Maya perto do Rio de la Plata devem seriam as melhores pedidas.
Piada universal! (ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México)
Um dia rodando a ilha de Cozumel em um fusquinha conversível ao lado do meu marido e da minha amiga de infância. Não poderia haver melhor energia para a despedida da Val. Cozumel deixou ótimas memórias nos 1000dias, espero que deixe nas suas férias também!
Um maravilhoso pôr-do-sol na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México
O capitólio estadual, maior que o federal, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Texas, um dos estados mais conservadores e republicanos dos Estados Unidos, conhecido por suas grandes pradarias, megafazendas, boa carne, cowboys, botas, chapéus e fivelas. A verdadeira terra de Malboro onde os mexicanos abriram as portas e levaram uma puxada de tapete histórica, perdendo espaço para os gringos que, aliados aos indígenas, fizeram uma guerra para tornar o território mexicano, “o mais americano” de todos eles.
Quadro representando a famosa batalha do Alamo, no prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Não é curioso que justamente os defensores do porte de arma, nacionalistas aguerridos e caçadores de troféus tenham, no coração do seu estado, uma das capitais mais independentes, modernas, tecnológicas e progressistas do país? Pois é, estes americanos não cansam de nos surpreender.
Do alto do capitólio, a visão da cidade de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Quem faz Austin uma ilha independente, eclética e liberal são as pessoas que escolheram viver ali. Estudantes, músicos, geeks que ao invés do Silicone Valley, vem direto para as Silicone Hills, junto com as empresas de tecnologia como Google, Facebook, Apple, Cisco, Ebay/Paypal, Intel, AMD, Samsung, Oracle, HP e tantas outras que empregam milhares de graduados das turmas de engenharia e ciência da computação da University of Texas em Austin.
Interior do prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A cena musical a rendeu o apelido “The Live Music Capital of the World”, devido ao grande número de bares com música ao vivo e músicos que vivem por aqui. Não vale a pena comparar e discutir se ela realmente é a capital, pois não sei se já notaram, mas aqui nos Estados Unidos tudo é “o maior, o melhor, e a capital do mundo”. Fato é que a cidade abriga grandes festivais como o Austin City Limits Music Festival, 3 dias que reúnem 150 apresentações e mais de 225 mil pessoas no Zilker Park, além do Austin Reggae Festival ou Marleyfest (Abril) e até um Carnaval Brasileiro! Aqui são lançadas novas bandas, gravadoras descobrem novos talentos e, com o potencial de consumo do país, é aonde tudo acontece. É, eles tem motivos para se sentirem “a capital mundial da música”.
A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Recentemente os austinites adotaram um slogan extraoficial “Keep Austin Weird”, quase como um movimento cultural local que tem orgulho do seu ecletismo, liberalidade e independência não apenas em relação ao Texas, mas ao mundo. Somos assim, podemos ser “weird”, mas e daí?
Camiseta vendida em Austin, no Texas, nos Estados Unidos
Os restaurantes locais são os melhores, os pequenos bares, os negócios alternativos e lojas que ainda não foram dominadas pelas grandes corporações americanas. Uma cidade onde podemos encontrar uma alma americana, orgulhosa das suas raízes locais. Los Angeles, San Francisco, Nova Iorque possuem esta alma, mas grande parte do que as ajudou a construí-la foram os milhares de imigrantes que fazem parte do consciente coletivo da cidade. Aqui encontramos sim alguns mexicanos, mas a maior parte de quem forma esta identidade e suas esquisitices são os próprios americanos. Genial!
O famoso Whole Foods Market nasceu em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Nós chegamos à Austin depois de uma rápida passagem por Fredericksburg, uma pequena cidade de colonização alemã, onde almoçamos em uma padaria deliciosa e o Rodrigo finalmente fez a barba e cortou a imensa cabeleira. Já estava na hora!
A influência alemã continua forte em Fredericksburg, cidade de origem germânica no Texas, nos Estados Unidos
Pronto para fazer barba e cabelo em barbearia tradicional de Fredericksburg, no Texas, nos Estados Unidos
Enquanto ele cortava o cabelo, eu na sala de espera, fiquei estupefata com as manifestações de apoio à posse de armas espalhadas pela parede. Parede de caçadores, com certeza, mas com a história do tiroteio na escola em Connecticut ainda quente, foi o que precisou para sentir que realmente estava no Texas.
Luta contra o controle de armas em Fredericksburg, cidade de origem germânica no Texas, nos Estados Unidos
Algumas horas depois nós chegamos em Austin e eu já sabia sobre essa fama alternativa da cidade. Estava ansiosa para chegar lá e finalmente encontrar a nossa amiga virtual, Lu Misura, uma blogueira brasileira que vive em Austin.Inclusive, boa parte do nosso roteiro foi feito com base nas suas dicas do seu blog Colagem.
Com a Lu Misura, visitando a Hamilton Pool, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
A Lu nos guiou no nosso primeiro dia na cidade e arredores. As boas vindas não poderiam ter sido melhores, um almoço no Salt Lick Texan BBQ, um autêntico churrasco texano! Perfeito para nos alinharmos, colocarmos o papo em dia e conhecermos um pouco mais da cultura do lugar contada por quem a vivencia todos os dias.
O famoso molho para barbecue feito na própria salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Um legítimo e suculento Bar-b-que americano, na Salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Durante a tarde fomos conhecer a Hamilton Pool, um dos famosos swim holes da região, uma cachoeira belíssima a uns 30 minutos de Austin. Nesta época o clima ainda está meio frio para nadar, mas durante o verão eles se tornam os refúgios para os texanos que vivem na região.
A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Nosso segundo dia na cidade foi fazendo o roteiro básico.Começamos pelo Zilker Park, principal parque da cidade, que além de campos, parquinhos e áreas de piquenique, tem uma nascente de água onde o pessoal costuma se refrescar nos dias quentes. É neste parque que rola o festival de música da cidade e outros eventos culturais.
Passeando no Zilker Park, o parque mais conhecido de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A segunda parada foi na Flagship Store do Whole Foods, a loja número 1 da rede americana de varejo com foco em alimentos naturais, sustentabilidade e viabilidade social e ambiental.
Uma das diretrizes do Whole Foods, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Os produtos são maravilhosos, a loja é toda intercalada por restaurantes com diferentes temáticas, cafés, almoços rápidos, buffet de saladas, queijos e vinhos, enfim, um balcão para cada gosto ao lado das gôndolas do supermercado. A loja cria um conceito e um ambiente perfeito para a interação do consumidor com os produtos e a experiência de compra se torna muito mais prazerosa. Um sonho para o consumidor consciente e preocupado com sustentabilidade.
Alimentos orgânicos no Whole Foods de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Fazendo compras no Whole Foods original, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A terceira parada foi no Capitólio do Texas, um imenso edifício onde está centrado o poder do segundo maior estado americano. Um lugar bacana para entender como se passou a história da um estado que já foi nação e sua posterior anexação ao território americano. O Rodrigo, meu marido historiador, conta parte desta história neste post aqui.
Interior do prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Salão histórico do capitólio do Texas, em Austin, nos Estados Unidos
Ainda demos uma passada rápida na REI, loja de equipamentos esportivos e de aventura, único lugar onde eu me torno consumista. A noite resolvemos matar as saudades de casa e fomos em um dos restaurantes indicados pela Lu Misura, a Churrascaria Estância.
A equipe da churrascaria Estancia, que nos recebeu tão bem na cidade de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Uma autêntica churrascaria brasileira, com direito ao buffet completo de saladas e queijos, espeto corrido com picanha, linguiça toscana, filet mignon e todos os melhores cortes brazucas, além da banana frita, farofa, pão de queijo e caipirinha! Ai que saudades da comida de casa... O dono é catarinense e viveu vários anos no Rio Grande do Sul, parte do staff era formado por brasileiros, assim que não poderíamos estar nos sentindo mais em casa! Ao final, tão emocionados com a nossa viagem quanto nós com a qualidade da comida, da carne e do atendimento, que acabamos sendo convidados pela equipe! Muito obrigada pessoal! Vocês foram incríveis!
Maravilhoso jantar na churrascaria brasileira Estancia, servidos também por equipe brasileira, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Austin by Night
Não poderíamos partir sem conhecer a noite de Austin, afinal queríamos ver aonde se escondia toda a esquisitice e criatividade da cidade. Fomos à famosa 6th Street. Onde se concentram os bares mais movimentados do centro, mas aquele clima de bares americanos, rock, grandes televisões com futebol americano, basquete ou baseball e um bando de cabeludos mal ajeitados para fora. Não era bem o que eu tinha em mente.
Um dos famosos carrinhos de lanche de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Caminhamos um pouco mais e chegamos à 4th Street, uma banda dos anos 80 tocava um Boggie Woogie em um Irish Pub, que não importa onde você esteja no mundo, é sempre o mais animado. Foi quando encontramos um cara descolado parado em uma esquina. Ele tinha um bike-táxi, transporte que leva os baladeiros de bar em bar. Ele viu que estávamos em busca de algo diferente, sentiu o nosso clima e nos indicou o novo point das baladas aqui em Austin.
Não é muito longe do centro, mas como já era na direção do nosso hotel, pegamos a Fiona e fomos de carro para lá, quase na beira do rio, entre a Rainey St. e a River St. Deixamos o carro estacionado no hotel, o Holliday Inn Town Lake e caminhamos duas quadras até o local do burburinho.
Encontro com um gaúcho e sua esposa americana em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Há alguns anos este canto do centro de Austin estava praticamente abandonado, casas de madeira super charmosas, mas antigas, precisando de reformas. Um bar veio, logo surgiu outro e mais outro e hoje são mais de 15 bares espalhados por 2 ou 3 quadras, um ao lado do outro, todos com um clima de festa universitária, uma área aberta com mesas coletivas, bares completos, drinks, cervejas e cada um com um estilo de música, jogos e decoração. Há o que faça a linha mais TexMex, outro "cultzinho" como um café e livros, outros com banda ao vivo e pista de dança. Nós ficamos algumas horas bar hopping, pulando de bar em bar, e passamos pelo Icelandic, Ilegal Bar, com drinks de mezcal, Bar 69 e outros. Muitas músicas boas, público jovem e bonito, alto astral, basta escolher o seu estilo e entrar. Se isso é manter Austin Weird, eu estou dentro!
A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
No dia em que Rodrigo nasceu o mundo ficou mais bonito, árvores cresceram mais fortes, as flores se abriram, os pássaros cantaram e a Família Briza Junqueira comemorava a chegada do seu quinto filho. Eu não estava nem nos planos, meus pais nem haviam se conhecido ainda, mas lá no fundo acho que os planos cósmicos já diziam a ele que um dia iríamos nos encontrar.
A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Hoje não poderia ser diferente, um dia chuvoso e frio em Tofino logo se transformou em um dia ensolarado no alto da cadeia de montanhas no nosso caminho para Victoria. A natureza voltou a se enfeitar, resplandecente e iluminada como há 43 anos. Não havia melhor lugar para comemorarmos o aniversário do Rodrigo do que entre seres tão antigos, sábios e grandiosos quanto uma floresta de árvores gigantes.
A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
A maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
A Cathedral Grove é uma catedral natural que reúne alguns dos espécimes mais ancestrais do reino vegetal, como a rara Douglas Fir, assim batizada em homenagem ao botânico inglês que as descobriu e a estudou aqui na costa oeste do Canadá. As gigantes podem alcançar mais de 70 metros de altura e algumas delas possuem mais de 1300 anos! Seus troncos resistentes as protegem dos insetos, de incêndios e fungos, quase como suas primas maiores, as sequoias.
Placa comparativa da maior e mais antiga das Douglas Fir com a Torre de Pisa, na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Junto à maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Provavelmente se o Rodrigo fosse uma árvore, ele seria uma destas majestosas e ancestrais, não por sua estatura (hehehe), mas por sua sabedoria, paciência, sua intensa relação com o tempo e a vida, sempre tentando ir mais alto para alcançar os raios solares e ter o melhor ponto de vista. Sorte a minha, que se fosse uma planta escolheria então ser uma epífita, para me agarrar nos seus galhos mais altos, para crescermos juntos na eternidade desta floresta úmida.
Trilha pela Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Trilha pela Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Puxa! Hoje estou inspirada! Rsrs! Esse dia é mesmo tão importante para mim, que fiquei até mais poética! Mas, nem só de poesia vive um ser humano. Despedimos-nos do sol, das árvores gigantes e descendo as montanhas a chuva voltou a cair. Dirigimos por mais 2 horas até Victoria, a capital da British Columbia e continuamos a nossa comemoração de uma forma muito mais mundana: com uma boa comida e um ótimo vinho!
Celebração do aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
Fiz uma reserva no Camille’s, um restaurante no centro histórico de Victoria famoso por seu cardápio dinâmico e sua adega de vinhos curada por 4 diferentes someliers. O menu é alterado conforme a disponibilidade de produtos orgânicos, frescos, e produzidos localmente.
Maravilhoso jantar de aniversário do Rodrigo, em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
Provamos um corte de carne especialmente cozido em uma nova técnica que está em alta aqui na América do Norte, onde as carnes são assadas/cozidas dentro de uma embalagem a vácuo em alta temperatura e pressão, conservando todas as propriedades e sabores. O vinho canadense do Okanagan Valley foi uma boa surpresa e mais um sinal que deveremos prolongar a estadia no Canadá e fazer um pequeno detour para conhecer a região do vale dos vinhedos.
Um delicioso vinho local para celebrar o aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
Terminamos a noite com uma boa música no pub irlandês, agora acompanhados de uma Guiness, a preferida do aniversariante. Eu ainda arrisquei um whisky da adega especial ainda mais completa que a de vinhos do Camille’s.
Pub irlandes em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
Pedi um Bowmore, smoked and full bodied, tentando imaginar se os meus amigos mais conhecedores de whisky conheceriam ao menos 1/3 desta super seleção. Tenho certeza que eles adorariam estar aqui comemorando os 43 anos do primo, amigo e irmão. Aonde será que estaremos comemorando os 44?
A Ana ficou decepcionada com o tamanho da dose de uísque em pub de Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
As favelas de Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
Pétion-Ville era um nome praticamente desconhecido por nós até entrarmos no ônibus de Santo Domingo a Port-au-Prince. Nosso plano inicial seria hospedar-nos no centro da capital, porém no caminho vários haitianos nos perguntavam onde ficaríamos em Pétion-Ville, bairro a pouco mais de 40 minutos do centro da cidade, ponto final do ônibus. Assuntamos dali, perguntamos de lá e descobrimos que este era o lugar ideal para usarmos como base. Já era tarde e descer ao centro durante a noite não seria uma tarefa fácil. Guiados por um italiano, único estrangeiro no ônibus além de nós, viemos parar no charmoso B&B Le Perroquet.
O hotel Le Perroquet, nossa casa em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
As calçadas quebradas davam um ar de destruição na cidade. Terremoto, pensamos, mas logo descobrimos que são apenas obras de renovação nas ruas. As calçadas foram quebradas hoje e deixaram Lana surpresa ao acordar e descobrir repentinamente que não tinha mais calçada em frente ao seu hotel. Lana, uma russa que viveu 15 anos em Bali, está há um ano no Haiti com o seu marido Erick. Erick é cidadão americano e haitiano e depois de muitos anos longe do Haiti recebeu um chamado especial: o Haiti precisa de vocês. Seu tio, antigo dono do Hotel Cubano, voou a Bali para convidá-los a participar deste período de mudança no país. Um momento em que o país precisa de pessoas como eles, estudadas e esclarecidas que possam trazer novas ideias e uma energia renovadora para a reconstrução do Haiti.
Com a Lana e o Eric, donos do hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
E assim foi, Lana e Erick se mudaram há um ano, assumiram o hotel que passou por reformas e aos poucos está se firmando como o ponto de encontro dos artistas e formadores de opinião da região. Às sextas-feiras o restaurante abre com pratos especiais da culinária thailandesa preparados por Lana e promove uma Jam Section com artistas vindos de todos os cantos da capital. Nós chegamos no sábado, perdemos o jazz, mas fomos recebidos com um delicioso rum punch e a simpatia de Lana e Erick que não medem esforços para nos fazer sentir em casa. Conversamos por horas, nos inteirando de suas histórias e peripécias ao redor do mundo e principalmente da percepção que eles têm das mudanças que estão ocorrendo no país.
Com a Lana, no hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
Um rápido passeio por Pétion-Ville e aos poucos conseguimos encontrar algumas pistas de por que é considerado o bairro mais “chique” de Porto-au-Prince. Em meio a desordem comum das ruas do Haiti nos deparamos com haitianos de classe média-alta indo às compras, homens e mulheres indo e vindo dos seus trabalhos e casas em bons carros, bem vestidos e ornamentados, claramente pertencentes a outro mundo se comparados com a maioria esmagadora da população. Lá vivem diplomatas, estrangeiros que possuem negócios no país e os haitianos de classe mais alta. Na capital haitiana os ricos vivem na parte alta da cidade, próximo às montanhas de Massif de la Selle, enquanto lá embaixo, no centro, estão as áreas mais afetadas pela pobreza. Ainda assim eles não escapam de vivenciar a pobreza do país, que por não ter para onde ir, simplesmente se espalhou por tudo.
Área de mansões em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Depois do terremoto as ruas e arredores de Pétion-Ville foram tomadas por habitantes de toda a Port-au-Prince, assim como a República Dominicana, as ilhas caribenhas vizinhas, a América Central, Colômbia e até o Acre! Não se esqueçam que foram mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas em 5 minutos de um terremoto que chegou a 7.0 pontos na escala Richter. Mesmo distante do centro da capital, Pétion-Ville também sentiu o abalo sísmico de 12 de janeiro de 2010 que dentre outros edifícios, abalou as estruturas do hospital distrital. A sede do Clube de Pétion-Ville foi transformada em um hospital provisório e o campo de golfe foi transformado em uma grande cidade com barracas de campanha, abrigando de 50 a 80 mil haitianos desabrigados pelo terremoto.
Igreja na praça principal de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Pétion-Ville, o subúrbio chique de Port-au-Prince, hoje se parece com bairros de classe-média de qualquer zona urbana brasileira. Uma igreja no centro, a praça com a estátua de Pétion, uma escola, floricultura, livraria, supermercados e bancos.
Uma das muitas escolas em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Pétion para lá, Pétion para cá... Afinal, quem foi esse tal Pétion? Alexandre Sabés Pétion (1770-1818) foi um dos quatro grandes libertadores do país, um dos homens que sonhou com um Haiti melhor, livre dos carrascos franceses e com oportunidades verdadeiras para a população mulata e os escravos. Após a libertação do domínio francês sobre o território e da criação do novo estado Haiti, "terra de montanhas", as disputas internas pelo poder cresceram e o país acabou dividido entre os negros do norte e os mulatos do sul. Henri Christophe se autonomeou Rei do Reino do Haiti, criando uma autocracia sem limites no norte do país. No sul, Pétion seguiu com seus ideais democráticos e tornou-se presidente da República do Haiti.
Principal praça de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Anos se passaram e os sonhos de Pétion parecem ter se realizado, a democracia se instalou e junto dela a dura realidade do nosso mundo moderno, trazendo consigo as suas discrepâncias econômicas e sociais. Nas esquinas dezenas de motociclistas esperam algum cliente para oferecer uma corrida. Mulheres sobem e descem ladeiras equilibrando na cabeça cestos cheios de frutas, bebidas, roupas ou o que você imaginar. Elas conversam, vendem seus produtos, desviam das motos e ainda mantém os balaios em pé com uma elegância sem igual.
Muito equilíbrio nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Ao redor da praça uma infinidade de obras de arte espalhadas pelas paredes. O Haiti é reconhecido por sua arte, notadamente a pintura, escultura e a música. Eu me apaixonei pelos traços e cores, temas e a expressão da arte haitiana sem precisar entrar em nenhum museu ou galeria. Elementos africanos, europeus e tainos, indígenas nativos de Hispaniola, se mesclam em forma de contos, fábulas e signos facilmente compreendidos por uma população religiosa e iletrada.
Arte nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique de Port-au-Prince, no Haiti
A arte de rua tem uma qualidade exponencial e fosse em qualquer país desenvolvido estariam vários destes óleos sobre tinta dentro de grandes museus de obras contemporâneas ou folclóricas-tradicionais. Eu raramente me rendo à tentação de comprar alguma lembrança dos lugares por onde estamos passando, mas este quadro foi paixão à primeira vista. Foram dois dias pensando até decidir carregá-lo por mais 300 dias para o Brasil, mas será uma bela lembrança da nossa passagem pelo Haiti.
Feliz após a compra de um quadro em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
Na floricultura da praça os jovens não medem esforços para se comunicar, do creole para o francês e algumas palavras de inglês e logo estamos nos entendendo. O meu francês é praticamente zero, algumas palavras, frases e um sorriso no rosto me ajudam a começar a conversa. Flores de bananeira? Eles não conseguiam entender se era eu que não sabia o que estava falando ou se era isso mesmo que eu queria. Sim, flores de bananeira! A Lana me contou uma receita balinesa com essa flor ignorada por (quase) todas as culinárias e segundo ela muito saborosa. Encomendei as flores, prometi ensinar-lhes a receita e dois dias depois lá estávamos nós trocando flores e receitas, espero que fique boa!
Socializando em floricultura em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Chegamos ao Haiti e mesmo que distantes de suas maiores favelas e pontos críticos, já podemos sentir o país, entender algumas de suas dinâmicas e perceber que existe um clima de mudança no ar.
Port-au_Prince vista do telhado do nosso hotel em Pétion-Ville, no subúrbio da capital, no Haiti
Tudo pronto para a largada do Rally de Guanajuato, no México
Trabalho, posts, organização e catalogação das nossas centenas de fotos tiradas diariamente, atualização e interação nas redes sociais. As 15h saímos da nossa pousada e rodamos pelas ruas estreitas de Guanajuato, subindo ladeiras, refazendo o circuito da callejoneada de ontem com o Rodrigo enquanto descrevia a diversão que ele havia perdido. Passamos pela Universidade e continuamos subindo, subindo pela Calzada de Guadalupe até chegarmos à Avenida Panorâmica.
A pequena Igreja de Guadalupe, em Guanajuato, no México
Uma rua sem muitos atrativos a não ser pelo o que diz o próprio nome: a vista da cidade de Guanajuato. Descemos pelos callejones, entre pontes e túneis, chegando à Plaza del Baratillo, ao lado do ponto onde havíamos começado. Uma delícia nos perdermos neste labirinto de casas coloniais, becos e escadas, sentir os cheiros e as cores do México.
Uma das muitas pracinhas no centro de Guanajuato, no México
Até que foi fácil resumir o que fizemos hoje até as 17h. Difícil é explicar e descrever o que senti nesta noite. Já fui à Fórmula Truck, à Stock Car e até à Fórmula 1 em São Paulo, mas nunca imaginei que me emocionaria como uma criança ao ver carros de corrida no interior do México.
Caminhando pelas ruelas de Guanajuato, no México
Porém não era qualquer corrida, não era qualquer cidade e não eram quaisquer carros! Era a 3ª Etapa do Mundial de Rally em Guanajuato! Fomos para a concentração às 17h30 da tarde, Ricardo conseguiu nos colocar na arquibancada VIP da abertura que “por acaso”, era também a largada do rally!
Venda do programa oficial do Rally de Guanajuato, no México
Durante a tarde uma banda de rock, grupos folclóricos e de música tradicional animavam a platéia, que chegava aos poucos para garantir os disputadíssimos lugares nos arredores da Alhóndiga de Granaditas.
Apresentações antecedem o início do Rally de Guanajuato, no México
Toda a cidade estava em polvorosa! Hotéis, pousadas, restaurantes armaram uma super infra-estrutura para que todos pudessem acompanhar o evento e a passagem dos carros pelas estreitas ruas da cidade histórica.
A principal rua peatonal de Guanajuato, no México
Aos poucos o show começava a ganhar corpo. Patrocinadores distribuindo brindes, camisetas e o que não poderia faltar em eventos automobilísticos, mulheres bonitas para todos os lados. Eram as niñas Corona, niñas Coca-Cola, niñas Monster, niñas Wolksvagen... eram niñas que não acabavam mais. As niñas Corona tiveram uma participação especial com uma sacada de marketing "genial": de tempos e tempos as 4 mais gostosas subiam ao palco para agitar a arquibancada dançando as coreografias de Kuduro e adivinhem? Michel Teló!!! SURREAL!
Como todo evento automobilístico no mundo, lá estão as mulheres bonitas posando para fotos (Rally de Guanajuato, no México)
Como todo evento automobilístico no mundo, lá estão as mulheres bonitas posando para fotos (Rally de Guanajuato, no México)
O apresentador finalmente vem ao palco e o verdadeiro show se inicia. Eram 19h quando começou a cerimônia de abertura, discursos do diretor do evento, prefeito e o hino nacional mexicano, uma das partes emocionantes!
Público aguarda com festa o início do Rally de Guanajuato, no México
Era quase 20h, o horário definido para largada, quando um show de fogos de artifícios dá início à contagem regressiva. A partir de agora todo o cronograma deverá ser seguido à risca! A primeira equipe que vem ao palco é a portuguesa, confetes, entrevista e demonstração rápida do carro e logo eles estão na porta de saída do evento, prontos para a primeira arrancada!
Fogos de artifício marcam o início do Rally de Guanajuato, no México
A segunda equipe a subir ao palco foi a equipe brasileira com os pilotos Paulo “Palmeirinha” Nobre, com o carro Mini Cooper, patrocinado pelo Palmeiras. Ele foi um dos únicos a sair do carro com a bandeira do seu país, confesso que essa hora me deu um nó na garganta! “Brasiiiiiiiiiiil!!!!” eu gritava, torcendo em um esporte que nunca acompanhei, com aquele sentimento patriótico aumentado de quem está longe de casa.
Representante brasileiro no Rally de Guanajuato, no México
A noite se seguiu com pilotos de todos os lados do mundo, do Qatar à Findândia, França, Suécia, Rússia e até do Perú. São 31 carros inscritos e a equipe do frances Sébastien Loeb é uma das favoritas da noite. Uma festa bonita e animada de uma corrida que está apenas começando! Serão 3 dias de provas cruzando as montanhas mexicanas e terminando na cidade próxima de León.
Representante brasileiro e palmeirense no Rally de Guanajuato, no México
Telão mostra entrevista com piloto durante o Rally de Guanajuato, no México
Animados, saímos de parranda com o Ricardo, passamos no Bar La Luna onde passei pela experiência inacreditável do choque mexicano! É uma prática já proibida em alguns estados do México, aqui ainda está liberada embora muito perigosa.
Nosso amigo Ricardo nos acompanha na night de Guanajuato, no México
Os nossos vizinhos de mesa estavam testando, me viram curiosa e não tiveram duvida! Me deram as mãos e fecharam uma corrente de choque animal! O primeiro minuto é bacana, mas o último é de estourar! Literalmente mais elétrica seguimos para o Burlesque Antro-Bar, onde Gerardo nos recebeu de forma especial. Uma casa de 300 anos transformada em um bar e balada, com música ao vivo da melhor qualidade, vale a pena a visita!
Casal dá show em baladinha de Guanajuato, no México
O pub inglês logo ao lado foi a próxima parada do nosso bar-hopping, e aqui encontramos uma grande parte da juventude Guanajuato, cidade que possui mais de 20 mil estudantes universitários.
Show de rock em pub de Guanajuato, no México
Não é a toa que é tão festeira! Fechamos a noite em uma danceteria chamada Gril. DJ e pista de dança agitadas e no bar conhecemos Manuel e Rafael, que trabalham em empresas relacionadas ao Rally e estavam comemorando mais um grande evento na cidade. Rafael presenteou o Rodrigo com um dos uniformes de equipe que a sua empresa fabricou, muito bacana!
Vestido a carater na agitada noite do rally em Guanajuato, no México
Gostamos tanto de Guanajuato que a despedida tinha que ser à altura! Fugimos do funicular, infelizmente não conseguimos ir ao Museu de Diego Rivera y Frida Kahlo. Sim, tentamos viver mais as ruas, a cidade e acabamos deixando para a próxima visita a parte mais cultural e turística. Próxima visita? Pois é, Guanajuato tem dessas coisas.
Na orla do rio Branco, em Boa Vista - RR
Ai que delícia voltar para casa! Hoje cedo pegamos nossas coisas e rumamos para o Brasil! A fronteira já tem uma peculiaridade, a estrada não segue normal, por algum motivo que não havíamos realizado as pistas se dividiam, uma passava por baixo de um túnel e a pista que vem passa por cima, quando cruzamos esse nó, tchanááán! A mão inglesa é automaticamente extinta e voltamos a dirigir do lago direito da estrada! Hahaha! Sensacional. A partir daqui as placas dizem “guianeses, respeitem a mão direita”. É, finalmente estamos em casa.
Chegando na fronteira Guiana-Brasil, em Lethem (Guiana)
Paramos na imigração e já batemos o maior papo com os policiais. Precisávamos de informações sobre a Perimetral Norte para o Pará, eles ficaram curiosos sobre a expedição, aquela simpatia do povo brasileiro, uma maravilha! Eu também estava receosa do que aconteceria na entrada com o meu passaporte brasileiro vencido, eles não puderam carimbar, mas como a saída também não havia sido carimbada não havia problema. Registraram no sistema e orientaram a renovar o quanto antes, perfeito!
Dirigindo em Roraima, entre Bonfim, na fronteira com a Guiana, e Boa Vista
Seguimos para Boa Vista, nossa antiga conhecida. Estivemos aqui em abril de 2007, quando fizemos nossa excursão independente para o Monte Roraima. Daqui pegamos um ônibus para a fronteira com a Venezuela onde contratamos um guia local, obrigatório, para nos levar à montanha. Como sempre, é ótimo chegar a um lugar que já conhecemos, dá sempre aquela sensação de estarmos chegando em casa. Hospedamos-nos no mesmo hotel de 2007, Barrudada, central e com um dos melhores preços da cidade.
Igreja em Boa Vista - RR
Feriado, cidade vazia. Almoçamos um peixe na brasa delicioso no Ver o Rio, restaurante na orla do Rio Branco e demos um passeio pelas principais praças de Boa Vista. A chuva acabou não sendo muito animadora, mas conseguimos pelo menos rever a cara da cidade. Aproveitamos o dia para descansar o corpo da viagem de ontem e planejar os próximos dias, principalmente pesquisando sobre o trecho da Transamazônica que vem por aí.
Belo "arco retangular", em Boa Vista - RR
À noite voltamos à Orla Tucumã, agora um pouco mais animada, restaurantes abertos e algumas mesas animadas. Jantamos o prato preferido do Rodrigo, pizza, tipo da “moda” brasileira que não me faz falta alguma, por sinal. Amanhã seguimos viagem para Presidente Figueiredo, sem medo de deixar Roraima e suas belezas para trás, pois ainda voltaremos quando estivermos cruzando da América central pela Venezuela. Vamos que vamos!
Orla do Rio Branco, em Boa Vista - RR
Ana, descendo a Cachoeira das Arapongas, de rapel - PETAR
Desde que fizemos o curso de escalada me sinto reprimida pelo gosto que tenho em praticar o rapel. Os praticantes de escalada técnica desenvolveram um certo preconceito dos rapeleiros, não sem razão. O primeiro e ótimo motivo é que o rapel é só uma parte da atividade deles, pois a parte mais difícil e prazerosa neste caso é subir, escalar a parede. O segundo motivo, esse sim bem preocupante, é que os rapeleiros geralmente não se atualizam nas técnicas verticais e acabam sendo muito inconseqüentes na montagem e utilização dos equipamentos. Até aí eu concordo com os escaladores, mas ainda assim, eu sentia dentro de mim aquela vontade de fazer rapel. Em alguns lugares não temos como escalar, uma cachoeira, por exemplo, nunca seria uma via de escalada técnica. Por isso eu tentei despir-me de qualquer pudor ou auto-repressão e me atirar nessa aventura.
Ana, descendo a Cachoeira das Arapongas, de rapel - PETAR
Conhecemos três paulistas muito figuras, o Marcelo, o Rafael e o Espanhol, nossos vizinhos de quarto na Pousada Rancho da Serra e parceiros de baladas no bairro da Serra. Eram mais “botecadas” do que baladas, até um luau em torno da fogueira eles acharam para animar a nossa noite. Eles comentaram que estavam pensando em fazer o rapel, que o Jura, sócio-proprietário da Parque Aventuras, havia oferecido a eles. Eu logo me animei, o Ro ficou na dúvida, como montanhista mais “purista” que é. Foi uma negociação tensa entre o casal, mas ao fim consegui convencer o Rodrigo a fazer a atividade.
Rodrigo, descendo a Cachoeira das Arapongas, de rapel - PETAR
Chegamos na Cachoeira das Arapongas em torno das 14h, todo o sol que conseguimos pela manhã simplesmente sumiu e deu espaço à chuva gelada! Mas vamos lembrar que estávamos indo para uma cachoeira, perto disso o que é uma chuvinha? Eu já sabia que algum dos nossos amigos nunca tinha feito rapel, mas não sabia qual. Foi lá na trilha, enquanto o Jura montava todos os equipamentos, que descobri que era a primeira vez dos três! Eles estavam apreensivos, mas tiraram de letra a descida. A primeira vez é sempre mais gostosa, dá aquela adrenalina, as pernas ficam bambas, mas logo depois é só curtir do visual. Muito bom!
Eu, desci logo três vezes! A primeira devagar, fui me ambientando, curtindo a paisagem e a cachoeira de 50m de altura! O rapel era guiado e saia um pouco mais alto que ela, o total foi de 65 metros! A segunda descida pedi para tomar um banho de cachoeira, é claaaro. Afinal, quem está na chuva é para se molhar. Que água gelada! Já tinha tirado todo o equipamento quando os meninos me cederam gentilmente a vez deles (rsrs) e aí desci de novo, mas desta vez decidi ter mais adrenalina, desci acelerada! Não cheguei na mesma velocidade do Ro, que sempre tem uma tendência meio kamikaze, mas já foi emocionante!
Ana, descendo a Cachoeira das Arapongas, de rapel - PETAR
Terminamos o dia trabalhando até de madrugada, ainda tomei uma cervejinha com os nossos novos amigos para comemorar e despedir. Nosso professor de escalada deve estar decepcionado com a minha confissão, mas a conclusão é que eu realmente adoooro fazer rapel!
Importante: Anderson, não se preocupe, eu ainda não desisti da rocha, você vai me ver subir muita via ainda!
A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG
Hoje íamos seguir viagem para o Parque Nacional das Sempre Vivas, mas resolvemos ficar Januária para fazer uma força-tarefa para o site e aproveitar a bela praia formada pelo rio São Francisco em frente ao nosso hotel.
A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG
A praia desaparece durante os meses de chuva, de setembro a fevereiro chega a subir em torno de 4 metros e toda a mata alta que vemos à sua margem fica inundada. O Primo é barraqueiro há 37 anos e nos contou que a geografia do rio em frente ao cais aqui em Januária já mudou muito.
Barracas na praia do Rio São Francisco, em Januária - MG
Ele já teve a sua barraca em 3 lugares diferentes e atribui estas mudanças à natureza mesmo. A principal mudança durante todos estes anos foi a diminuição do rio, que hoje, comparado com o que já foi, é apenas um pequeno córrego. Além do desmatamento da mata ciliar, que levou o rio ao assoreamento, isso se deve também à Represa de Três Marias, próxima à cidade de mesmo nome.
A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG
Umas belas braçadas no rio São Francisco para refrescar e voltamos para o nosso hotel trabalhar. O Rodrigo voltou nadando, saiu 5 minutos antes de mim, que atravessei de barco e chegou juntinho! O Ro está super em forma, mas não encarou levar a esposa a nado também. Sobrou para mim a canoa do Primo, que pelo menos me rendeu uma boa prosa.
Atravessando o Rio São Francisco de voadeira em Januária - MG
Neve soterra placa no Paso San Francisco - Argentina
Acordamos, mas parecia que ainda estávamos sonhando. Um pequeno oásis incrustado na boca de um vulcão inativo. Ainda assim ele se faz presente nas águas termais e medicinais de Fiambalá. As piscinas de 25 a 45°C construídas da forma mais integrada com a natureza dá um charme ainda mais especial ao principal atrativo da cidade.
Termas de Fiambalá - Argentina, construídas dentro de um antigo vulcão
Caminhamos rio acima, escalando ao lado de uma cachoeira de águas quentes e fomos até a nascente do rio. Ele brota há apenas 200m da primeira piscina, com a temperatura perto dos 70°C! Ainda assim existe vida, uma espécie de alga gosmenta que se desenvolveu nestas condições adversas.
Uma cachoeira natural de água quente um pouco acima das termas de Fiambalá, na Argentina
Neste dia lindo, saímos da boca do vulcão ainda com esperanças de encontrar o Paso San Francisco aberto. O pessoal de Informações Turísticas nos disse que o pessoal do exército chileno já estava começando a limpar a pista. Quem sabe hoje ou amanhã mesmo pode abrir? Compramos suprimentos suficientes para dois dias, os dois que estávamos dispostos a esperar “acampados” na base da Gendarmeria de Las Grutas. Eles possuem um abrigo para montanhistas e casos como o nosso. Já que chegamos até aqui temos que tentar! O máximo que vai acontecer é conhecermos apenas o lago Argentino de um dos mais belos pasos ao Chile.
Início de dia num dos terraços das termas de Fiambalá, na Argentina
Eu voltava ao carro depois de informações e compras e eis que dou de cara com o Rodrigo sendo entrevistado pela televisão local! Rsrs! Muito bacana! O repórter viu o carro e já quis saber sobre a viagem e o que estávamos achando da cidade, das termas, etc. Metidos que só até demos entrevista em espanhol! Só imagino o povo da cidade vendo os brazucas hablando portuñol e achando que estão abafando! Hahaha!
Entrevista para a TV de Fiambalá - Argentina
Pegamos estrada, são 130km até Las Grutas. 130 quilômetros de um cenário espetacular!!! Entre montes nevados, dunas de areia, morros coloridos, lagoas, vicuñas e apenas nós na estrada! Mais um indicativo de que a fronteira não irá abrir... mas já não importa, eu nunca havia visto uma paisagem andina tão maravilhosa.
Bela paisagem na estrada para o Paso de San Francisco, entre Argentina e Chile
O início da jornada hoje foi aos 1505m de altitude, saindo de Fiambalá em direção aos 4000m de Las Grutas. Neste caminho passamos por um hotel desativado às margens de um lindo lago com algumas partes congeladas.
Um lago a mais de 3 mil metros de altitude, na estrada para o Paso de San Francisco, entre Argentina e Chile
Os campos de altitude com gramíneas douradas, montanhas nevadas ao fundo euma reta interminável que vai nos levando gradativamente aos 4000m. Em cada baixada encontramos grupos de vicuñas, camelídeo totalmente adaptado à altitude. Elas se agrupam nas regiões com mais água e gramíneas. Sua lã é uma das mais caras do mundo, devido à qualidade e dificuldade de ser retirada, já que este animal é selvagem e dificilmente domesticado.
Observando Vicunhas, animal comum na paisagem da estrada para o Paso de San Francisco, entre Argentina e Chile
Chegamos à Las Grutas, com a cancela fechada e um dos oficiais nos dizendo que nem adiantava insistirmos, o Paso estava fechado e não teríamos como passar. Olviedo estava comemorando seu aniversário hoje, recebendo várias ligações e ainda que super informal foi super atencioso. Nós conversamos, explicamos os nossos planos e ele já adiantou, o lado chileno não irá abrir pelo menos por mais uma semana. Já está fechado há 45 dias, este ano foi o pior e o lado chileno é o que mais sofre com a neve. Alguns trechos estão com blocos de gelo muito altos e eles ainda não conseguiram limpar.
A Fiona deixou suas marcas na neve, próximo ao Paso San Francisco - Argentina
Entendendo a nossa ansiedade por conhecer a região, ele nos liberou para passarmos, irmos até a fronteira e se a estrada permitisse, até a Laguna Verde, uma das principais atrações deste paso. Desde que voltássemos, pois ali eles não possuem muita mobilidade e estrutura para resgate de turistas e carros atolados na neve. Andamos uns 11km até encontramos a primeira e última barreira.
Não vai dar para passar! (Paso San Francisco - Argentina)
Um trecho longo de neve fofa fechava a estrada. Linda, branquinha, fofinha... eu parecia uma criança brincando na neve. Tentamos passar, mas em alguns trechos ela estava muito alta e a Fiona não teve forças para vencê-la. O Rodrigo estava inconformado. Andava de lá para cá, enquanto eu me divertia na neve, me afundando, feliz.
Brincando com a neve perto do Paso San Francisco - Argentina
Ali, refizemos os planos. Não precisaríamos mais dormir no refúgio de Las Grutas, pois não vamos esperar por uma semana. E como não vamos mais até a lagoa, temos tempo suficiente para voltar o máximo possível já em direção ao nosso próximo objetivo, o Paso de Jama. Aproveitamos a paisagem senacional e a neve fofa para gelar as nossas Quilmes, relaxar e aproveitar! Essas horas eu sou bem prática, não adianta chorar e espernear, o que não tem remédio, remediado está. Voltaremos e cruzaremos por Jama.
Procurando nova rota para atravessar a fronteira para o Chile (no Paso San Francisco - Argentina não vai dar!)
Fizemos a nossa viagem de volta com uma luz ainda mais linda que na vinda. Nos despedimos dos gentis rapazes da gendarmeria argentina, demos parabéns novamente a Olviedo e pé na estrada. Vimos as mesmas vicuñas, montes coloridos e lago congelado... e pensar que aquela paisagem está lá todos os dias de nossas vidas! Que loucura.
Magnífica paisagem no Paso San Francisco, do lado argentino
A vantagem dessa nossa viagem é que podemos refazer os planos quando sentimos necessidade. E hoje decidimos, voltaremos ao Paso San Francisco em 2012, quando estaremos a caminho da Patagônia. Chegaremos ainda no verão, quando o paso estará aberto e a temporada de escaladas também! Vamos escalar o Ojos del Salado, segunda maior montanha da América. Até lá tenho tempo para me preparar!
Adesivo dos Mildias na fronteira do Paso San Francisco - Argentina. Vamos voltar!
Na estrada, esticamos até a cidade de Belén, no estado de Tucumán. A cidade possui um museu arqueológico e algumas atrações naturais nos seus arredores, que se tivéssemos tempo com certeza iríamos conhecer. Esta porém, ficará para os próximos 1000dias.
Chegando aos Andes, na estrada para o Paso de San Francisco, entre Argentina e Chile
Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
Situada em meio à floresta das montanhas úmidas de Chiapas, Palenque é a perfeita cidade perdida para arqueólogos profissionais, amadores ou simples turistas como nós. Uma das principais cidades da civilização Maya no sul do México, calcula-se que Palenque tenha chegado a abrigar 15 mil habitantes. As cores predominantes nas construções eram o vermelho sangue, com detalhes em azul e amarelo. O primeiro agrupamento data de 100a.C e a cidade teve seu apogeu durante o reinado de Pakal, em 615 a 683d.C, seguindo até aproximadamente 900d.C, período em que todas as cidades Mayas foram abandonadas.
Mapa mostrando a região da civilização maya, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
A maior parte das construções abertas a visitação, agora restauradas, são um conjunto de monumentos funerários dos antigos governantes da cidade. O primeiro é tumba da caveira, assim apelidada pela caveira esculpida na base de uma coluna no alto das suas dezenas de degraus.
A caveira que dá nome ao Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
Ao lado está o templo da tumba da Reina Roja, onde foram encontrados os restos mortais em tons avermelhados de uma mulher importante na sociedade. A coloração é resultado de um tratamento feito com cinnabar, ela estava coberta de jóias e uma máscara de malachita lindíssima que está em exposição no museu. Não se sabe ao certo se esta mulher seria esposa ou mãe de Pakal, o governante enterrado no edifício ao lado.
O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
O Monumento das Inscrições é um dos mais importantes e famosos dos edifícios, já que aí foram encontradas diversas informações sobre a história de Palenque e a tumba de Pakal, impecavelmente preservada. Infelizmente está fechada à visitação, pois a umidade exalada pelos turistas acabava acelerando o processo de deterioração das pinturas no local. A máscara funerária de Pakal, de valor inestimável, foi roubada em 1985. Existe uma réplica da tumba no Museu Nacional na Cidade do México, é claro que vamos até lá conferir.
O famoso Templo das Inscrições, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
O mais impressionante dos edifícios abertos a visitação é o Palácio de Palenque, onde viviam a corte e por onde passaram diversos governantes. As diversas fases da construção marcam as mudanças na estrutura da corte, quantidade de pessoas que cercavam o Ajaw (imperador) e sua família. Além dos nobres da corte e da família real, no palácio viviam também artesãos e escribas reais, que tinham um papel importante no registro das atividades de cada governante.
As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México
No lixeiro do Palácio foram encontrados muitos indícios da vida palaciana, oferendas, objetos utilizados na cozinha e restos de alimentos que deram uma boa pista sobre a diversificada dieta dos nobres. A alimentação tinha como base o milho e o feijão, peixes, moluscos, aves (pavões, faisões e outros) e alguns animais como macacos, tatus e cachorros, que foram domesticados para este fim.
Visão geral das ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
Além da área de vivenda, encontra-se também no palácio a sala de cerimônias onde eram passados os comandos entre governantes. O registro era feito em pedras esculpidas mostrando o antigo e o novo soberano, ladeados pelas divindades que regiam os seus mandatos, e um personagem central que comandava a cerimônia e passava o bastão do poder.
Placa maya com desenhos e hieroglifos, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
Outra sala curiosa é o Pátio dos Cautivos (prisioneiros), onde eram recebidas as visitas de outras cidades mayas. Este espaço estava decorado com as imagens de todos os governantes de outros povos que teriam sido capturados e mortos em rituais de sacrifício. Sem dúvida uma forma bem convincente de deixar claro quem mandava por ali.
Escultura maya num dos pátios do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México
Continuando o tour chegamos ao conjunto de edifícios datados de 692d.C, construídos pelo filho de Pakal, Kan B´alam II, que ascendeu ao poder em 684d.C. Os monumentos com fins religiosos são uma homenagem às divindades de Palenque. Batizamos de Templo del Sol, Templo de La Cruz Foliada e o Templo de las Cruz, que possuem registros da história de Kan B´alan II e uma das melhores vistas de todo o complexo.
Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México
O lugar é imenso, passamos ainda pela Acrópole Sul e Norte, com outra infinidade de edifícios, todos restaurados e um deles que chegou a servir de casa para o excêntrico Conde de Waldeck, que viveu sobre um dos templos na sua passagem pela região.
O templo do Conde em Palenque, Chiapas, no sul do México
As principais peças cerimoniais encontradas nas tumbas e no palácio são incensários de cerâmica com um trabalho requintado em alto relevo com imagens de seus deuses que faziam a interlocução entre os mayas e o inframundo, ou o mundo espiritual. Figuras de serpentes, jaguares e morcegos representam seus deuses para diferentes esferas e níveis de cada integrante da comunidade.
Estátuas mayas no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
Os antepassados tinham um importante significado, sempre sendo enterrados sob as casas onde vivia a família, junto com diferentes oferendas, que variavam de tamanho e valor conforme a condição da família. O povo pagava tributos aos governantes sacerdotes, que se exerciam o poder com base no conhecimento da astrologia, sendo os mais próximos representantes das divindades neste mundo material. O poder era mantido em uma mesma família e a linhagem real passada de pai para filho, aparentemente não excluía as filhas, já que foram encontrados registros de governantes do sexo feminino em Palenque.
Quem consegue entender essa escrita? (placa no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México)
Os glifos mayas foram decodificados em meados dos anos 80 e a partir deste códice os especialistas encontraram várias referencias de datas e nomes dos governantes, seus feitos e suas ligações com cada uma das divindades. Terminamos o recorrido passando pelos Baños de La Reina, uma cascata de águas transparentes que escorrem em formações rochosas belíssimas, travertinos e lindos poços de água, próximos a ruínas de casas menores conhecidas como Grupo de los Murciélagos (morcegos).
Os belíssimos e cristalinos Banhos da Rainha, em Palenque, Chiapas, no sul do México
Alguns dizem que apenas 5% de todos os edifícios de Palenque foram escavados até agora. Guias locais oferecem caminhadas por trilhas na mata para encontrar ruínas ainda intocadas, que estão como estas foram encontradas pelos arqueólogos. Montes de terra e pedra, em formato piramidal, cobertas por vegetação e árvores frondosas. Além das ruínas, com sorte se vêem e escutam macacos, bugios gritadores, aves e outros pequenos animais. Nós não contratamos guia, mas demos uma escapadinha em uma área supostamente “proibida”, para dar uma olhada nas ruínas que estão sendo escavadas. Ali conseguimos ter uma ideia da emoção que deve ter um arqueólogo ao encontrar um lugar como este pela primeira vez... Fantástico!
Explorando ruínas mayas tomadas pela vegetação em Palenque, Chiapas, no sul do México
Diferente do Rodrigo, eu sempre prefiro ter um guia nos acompanhando e contando a história e detalhes de sítios, acho que aproveitamos muito mais as visitas ao invés de apenas olhar as construções contando com a nossa imaginação e a escassa informação das placas informativas. Aqui, porém, não achei viável pagar 80 dólares por um guia, valor oferecido pela associação local. Talvez barganhando com guias independentes deva ser possível achar algo mais barato.
Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México
Terminamos o dia de caminhadas e escaladas por tantas escadarias com a impressão que de que não vimos nada e aprendemos menos ainda. Entramos buscando respostas e saímos de lá com ainda mais perguntas, tamanha a riqueza de histórias que estão gravadas em estas paredes e construções. Imaginamos toda a sociedade de Palenque em plena atividade e deixamos a imaginação voar, nos transportando por alguns segundos aos momentos de glória dessa civilização, hoje em ruínas.
O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México
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