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Deixando o Paraguai e chegando à Bolívia!
A noite no Chaco é fria, como um deserto que é muito quente de dia e frio durante a noite. Ainda bem que tínhamos lençóis e o saco de dormir para usar como cobertor. Aos poucos vemos que todos os equipamentos que estamos carregando tem muita serventia! A noite tomamos um mate com Bartola e Cristoval, que tem uma erva deliciosa para o chimarrão, preparado sempre pela manhã e a noite, para esquentar.
Com o guarda-parque Cristóbal, no Parque Ten. Agripino Enciso, em La Patria - Paraguai
Após o pernoite no Parque Nacional Tenente Agripino Enciso, finalmente seguimos em direção à fronteira com a Bolívia. Este trecho da estrada está um pouco melhor, mesmo sendo ela praticamente toda asfaltada desde Asunción, alguns trechos estão em péssimas condições e o asfalto já se desfez em pedras e pó. Os últimos 100 km de ontem foram sofridos, depois da cidade de Mariscal José Félix Estigarribia, quando não conseguimos ultrapassar os 40 km/h. Bacana, pois pelo menos conseguimos fotografar as várias aves que vimos no caminho, aves de rapina como gaviões e até algum primo dos periquitos verdes.
Se vêem pássaros à todo momento no Chaco paraguaio
Os trâmites fronteiriços sempre nos deixam apreensivos, mas com todos os documentos certos e com todas as informações que tínhamos fomos tranquilos. Passamos pelo primeiro posto do exército, viram documentos e passaportes e foram muito simpáticos, todos torcendo muito pela final da Copa América que foi hoje as 15h, entre Paraguai e Uruguai. Alguns quilômetros a frente chegamos à aduana para fazer a imigração e eis que nos dizem que teríamos que voltar a Mariscal Estigarribia para buscar os carimbos. No estado da estrada levaríamos todo o dia para ir e todo o dia de amanhã para voltar até aqui.
Exibir mapa ampliado
No google maps a estrada que pegamos nem aparece, mas ela junta os dois pontos brancos quase em linha reta. A rota que ele tenta fazer acima é uma estrada de terra e areia que nos disseram para evitá-la, inclusive pelos contrabandistas que estão na região.
Atravessando as vastidões do Chaco paraguaio
Daqui para frente ainda tínhamos mais pelo menos 8 horas de viagem para dormir em alguma cidade menor, a caminho de Sucre. Não acreditamos, como nos informamos com todas as pessoas, inclusive um brasileiro que conhecemos ontem e ninguém nos disse nada? Como os trâmites de fronteira podem ser feitos 200km antes da fronteira? Pois é... caímos nessa... a esta altura já não sabíamos mais se era verdade ou não, nos parecia a mais pura lorota... até por que quando perguntamos se não havia mesmo como sairmos sem voltar tudo isso, eles logo nos perguntaram se teríamos “cédulas”. “Pero dólares no! Pueden ser guaranis o reales”. Bem, enquanto o Rodrigo resolvia a situação com el bigodón, eu conversava com o outro policial, que trabalhando há um ano naquele fim de mundo não titubeou em me passar as mais nojentas cantadas. Com jogo de cintura até que consegui me sair bem da situação e logo estávamos, agora sim, literalmente cruzando a fronteira do Paraguai com a Bolívia.
Se vêem pássaros à todo momento no Chaco paraguaio
Deixamos o Chaco Paraguaio para trás em busca das montanhas do altiplano boliviano. Foram mais de 10 horas de viagem, grande parte delas dentre os trâmites burocráticos nos postos de imigração e aduanas de ambos os países. Na Bolívia há pedágios e postos de controle do exército praticamente a cada 100 km. Passamos rapidamente por Villamontes, primeira grande cidade do lado boliviano. Ali já tivemos uma boa surpresa, ruas largas, canteiros floridos e até monumentos, confesso que eu esperava algo mais pobre.
Comprando combustível num pequeno pueblo na Bolívia com a Eloísa
No caminho íamos nos informando sobre o tempo de viagem até Sucre e o tempo variou de 6 horas até 12h! Houve um perdido que nos disse que levaríamos 24 horas! Quanto mais perto chegávamos, mais confiávamos na informação. Outro detalhe é que neste trecho e em todas os postos de combustível governamentais, o preço do diesel para estrangeiros é praticamente o dobro! Dizem que como o governo o subsidia, estrangeiros não tem o mesmo privilégio.
Últimas luzes do sol iluminam paisagem no caminho para Monteagudo - Bolívia
Hoje conseguimos chegar até Monteagudo, já na subida para o altiplano boliviano. A região de Chuquisaca está próxima ao estado de Santa Cruz, que lidera um movimento separatista no país. Coincidência ou não, estas são cidades organizadas, limpas e muito diferentes da região de La Paz, que conhecemos em outras viagens, anos atrás. A Bolívia se apresenta um novo país, melhor, mais organizado e com toda a diversidade cultural e os belos cenários já reconhecidos por turistas do mundo todo.
Luz do sol atravessa nuvens no fim de tarde à caminho de Monteagudo - Bolívia
Chuva, chuva, chuva e muuuuuuuuuito frio. O dia mais frio e úmido do ano foi nesta semana, segundo meteorologistas se caíssem mais 2 graus, teríamos neve em Curitiba. Foi o clima perfeito para colocarmos o site em dia, revermos a família e amigos, bajularmos a Luiza e resolvermos algumas pendências importantes.
Luiza com papai, mamãe e titias, em Curitiba - PR
Foi impressionante como tudo se encaixou! Assim que chegamos a Curitiba, ainda retirando as malas do porta-malas da Fiona, quebrou a fechadura da porta da capota. A mesma que já ia para uma manutenção descobrir por que tínhamos tanto pó entrando nas suas frestas. Segunda-feira logo cedo o Ro foi lá na Casa das Capotas e rapidamente conseguiu resolver! Enquanto isso eu agendava médicos, solicitava um par extra de lentes de contato, procurava um bom veterinário para operar a Diana e também marcava um salãozinho básico, afinal também sou filha de Deus (rsrsrs). Aos poucos conseguimos resolver tudo, até o conserto da nossa lente da Nikon que havia travado na volta do Agulhas Negras. Já havíamos conseguido uma super carona para ela de Maresias para a assistência técnica em SP, com o Rafa e a Laura. Por módicos 400 reais eles arrumaram e nos enviaram para Ribeirão Preto, próxima parada.
Levando a Tamara e Paulinho para passear de Fiona
A cirurgia da Diana que foi meio chata, tadinha. Retirou três cistos, dois da mama e um da bochecha, porém ainda não sabemos se são cancerígenos ou não, o resultado do exame histopatológico sairá apenas semana que vem. Ela ficou toda zureta depois da anestesia e ainda colocamos uma camiseta e o colar vitoriano, vulgo balde, para proteger os pontos. Ficou engraçadíssima, mas ela nos olhava com uma carinha como quem diz “o que vocês fizeram comigo?”. Tivemos que fazer... ela tinha apenas um cisto e em pouco tempo apareceram mais dois e eu, a mãe, tinha que tomar alguma atitude! Por isso aconteceu esta semana, aproveitando não só a nossa passagem por Curitiba, mas também que a Ju, madrinha, está lá para terminar de cuidar no pós-operatório.
Diana pós-operatória
Outras coisas também se encaixaram na mesma semana. Uma audiência que eu e o Rodrigo tínhamos que participar estava agendada para o dia 15/07, quinta-feira. Quarta-feira rolou um encontro com os amigos Aymoré, Jus, Vanessa, Ricardo e Karina no Bar Baronesa, e os mais guerreiros estenderam para uma baladinha no Wonka. Comemoramos antecipadamente o aniversário do meu pai na quinta-feira na casa da Dani e do Dudu, onde preparei a minha especialidade, mignon ao forno e macarrão ao molho gorgonzola!
Celebrando o aniversário do Mário na casa da Dani e Dudu
Na sexta-feira fomos ao aniversário de 60 anos da minha Tia Clarisse e fizemos um churrasquinho com Ricardo e Karina, com Pasini e Fernanda.
Jantar na casa da Karina e do Ricardo com Pasini e Fernanda
No sábado fomos ao chá de panela da Paula, amiga linda que casará em setembro com o Gusta, grande amigo meu dos tempos de Expoente.
Amigos celebrando chá de cozinha da Paula e do Gusta
Ufa... semaninha agitada. Ah! E tudo isso com muitas visitas à estrela principal da semana, do mês, do ano e do mundo, a pequena Luiza.
Luiza com mamãe e titias, em Curitiba - PR
Aproveitando ainda mais que o universo estava conspirando para resolvermos todas as pendengas, ainda consegui fazer uma bela limpa em todos os materiais escolares, agendas e diários antigos que eu tinha guardados na casa da minha mãe.
Cassoulet na casa da Patrícia
Joguei fora dois sacos de lixo daqueles imensos de 100 litros e restaram quatro caixinhas de arquivo com fotos, cartas, postais e algumas das memórias mais gostosas. Até a minha pasta com a coleção de papel de cartas eu encontrei. Estava prestes a doá-la quando fui convencida pela Ju a guardar para a minha filha... tempo demais né? Acho que quem vai acabar se dando bem será a Lulu!
Luiza enfrentando o frio em Curitiba - PR
Este tempo em Curitiba foi quase como uma catarse, revendo memórias antigas, guardando as boas e jogando fora aquelas que não faziam mais parte de quem me tornei. Liberando espaço no meu HD Energético, dando espaço para boas memórias, sonhos e também para uma nova energia, limpa e renovada! Ou seria renovável?
Resposta: acho que está mais para a segunda opção, ainda mais que o Rodrigo começa a querer excluir da contagem dos 1000 os dias que passamos em Curitiba. Isso é que é semana renovável!
Paisagem rural entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
A nossa despedida de Montreal foi um tour de carro pelo Olympic Park, que recebeu as Olimpíadas de verão de 1976. O estádio olímpico tem a maior torre inclinada do mundo e um elevador que te leva ao mirante com vista panorâmica da cidade. Ao lado fica o Biodôme, velódromo das olimpíadas que foi transformado em um jardim botânico com 3 tipos diferentes de habitat.
A maior estrutura inclinada do mundo, no Estádio Olímpico em Montreal, no Canadá
Estádio OlÍmpico, transformado em gigantesca estufa, em Montreal, no Canadá
Não poderíamos sair de Montreal sem ter a bela vista de Vieux Montreal desde a Île Ste Hélène. Nesta ilha do Rio St Lawrence fica o moderno Museu da Biosfera, famoso globo metálico que encontramos em várias imagens da cidade. Em um dos seus parques estava começando um grande festival de música com as principais bandas canadenses. Eu dava meu mindinho para ficar por lá e passar o dia no festival, mas nem que quisesse e o Rodrigo “deixasse” poderíamos ficar, os ingressos de mais de 100 dólares já estavam esgotados.
Skyline de Montreal, no Canadá
A enorme esfera da Exposição de 67, em Montreal, no Canadá
Saímos de Montreal em direção à Quebec City, mas na rota mais bonita, que não necessariamente é a mais curta. Seguindo pela Route 10 fomos em direção às Eastern Townships ou Cantons-des-l´Est, como chamam os francófonos. Próximas à divisa com os Estados Unidos, as pequenas cidades desta região são quase uma extensão da Nova Inglaterra, com seus lagos, mapple trees, pequenas fazendas e paisagens bucólicas.
Paisagem rural entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Muitos lagos entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Passamos primeiro pelo Lac Brome, região onde os abonados de Montreal passam os finais de semana ao redor de seus campos de golfe ou em suas lanchas no lago. A nossa parada foi na pequena e simpática cidade de North Hatley, eleita a mais charmosa das vilas do leste. Os cafés e restaurantes às margens do lago Massawippi dão um clima irresistivelmente descompassado e preguiçoso. Quase ficamos por lá, mas o dever nos chamou e voltamos à estrada para mais duas horas de viagem, rumo à Ville de Quebéc.
A bela e tranquila North Hatley, na orla de um dos lagos ao sul do São Lourenço, entre Montreal e Quebeq, no Canadá
Plantações floridas entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Sexta-feira e, como de praxe, estamos chegando a um dos principais destinos turísticos do Canadá sem pousada reservada. Selecionei algumas no nosso querido Lonely Planet, no centro antigo, para podermos fazer tudo a pé. Não havia vaga nem na primeira, nem na segunda e nem nas outras três seguintes, estavam todas lotadas. Mas a comunidade chinesa é muito unida e eis que em uma das nossas novas amigas chinas nos indicou à sua outra amiga (china, é claro!), ligou e já deixou reservada. Manoir du Rempart Inn, próxima ao Quartier Latin, ali mesmo no centro antigo. Simples mas honesta, bem localizada e até com um esquema de estacionamento para a Fionitcha.
Entrando na cidade murada de Quebeq, no Canadá
Instalados, aproveitamos a noite para conhecer um pouco da cidade alta. Caminhando pela Rua St. Louis um dos únicos bares abertos tocava um som familiar... era bossa nova ao vivo, de brazucas para brazucas! Segui cantarolando as notas de Vinícius de Morais, caminhando para o lado de fora dos muros da cidade antiga, até chegarmos ao agito dos bares e nightclubs da Grande Allée Est. A la Avenida Batel ou um Itaim, este é o point aonde os jovens quebecoises vão para verem e serem vistos.
Agitação noturna na cidade de Quebeq, no Canadá
Àquela hora todas as cozinhas já estavam fechadas, só encontramos um fast food árabe 24h/7dias por semana. Os bares não faziam muito nosso estilo, mas encontramos um boteco underground (literalmente), com música quebecoise ao vivo da melhor qualidade! Galera animada cantando os clássicos do rock nacional canadense, perfeito! Jovens felizes, gente como a gente, só que com biquinho francês. As boas vindas à cidade de Quebéc não poderiam ter sido melhores.
Balada em Quebec, no Canadá
Terrenos alagado na maré baixa, próximo a Guriú - CE
Há uma grande controvérsia entre os bugueiros e o Rodrigo. Quantos quilômetros são entre Jericoacoara e Tatajuba? Os bugueiros dizem ser 35km, enquanto o Rodrigo afirma serem 20km, no máximo 25km! Como ele é meu marido, confio nele e geralmente ele tem uma boa noção de distâncias.
Restos de um mangue que há muito secou, no caminho para Tatajuba - CE
Assim ele me convenceu a encarar esta empreitada, 20km de caminhada pela praia até Tatajuba, passando pelos povoados de Mangue Seco, Guriú, praias, rios, lagoas e paisagens simplesmente sensacionais.
A água da chuva deixou a areia espelhada, no caminho entre Jeri e Tatajuba - CE
Começamos a caminhada eram quase 7 horas da manhã. Uma delícia a brisa matinal de Jeri, melhor horário para fotografar, não só pela luz, mas justamente por conseguir olhar ao redor e ver a vila como ela é. Só com alguns poucos nativos caminhando com seus filhos e começando o seu dia nesta calma vila que todos os dias é invadida por turistas.
Início da caminhada para Tatajuba, bem cedinho, em Jericoacoara - CE
Contornamos a duna do pôr-do-sol, cruzando com vários moradores de Mangue Seco a caminho dos seus trabalhos. Eles vêm de moto, bicicleta e alguns até a pé. São 10km de lá até Jeri e a esta hora da manhã muito mais tranquilos, pois o sol ainda não está forte e a maré está bem baixa, fácil de caminhar pela areia dura próxima ao mar.
Pessoas pedalam de Mangue Seco para Jericoacoara - CE
Confesso que vê-los foi animador, se eles já estavam quase chegando a Jeri, àquela hora da manhã, é por que não é tão difícil a caminhada. Eu estou fazendo esta caminhada uma vez e a turismo, imaginem eles que fazem todos os dias para ir trabalhar? Pois é, tenho que estar bem animada mesmo! A diferença é que quando você fala com qualquer um deles que vamos para Tatajuba a pé, todos dizem “Vocês tão é loucos! Tatajuba fica a 30km daqui!”. Enfim, confio no marido, vamos em frente.
Início da caminhada para Tatajuba, bem cedinho, em Jericoacoara - CE
Chegamos à praia de Mangue Seco, mas não entramos na vilazinha, economizando 4km. O Rodrigo veio fazendo propaganda desde ontem de uma tal cabaninha de praia deliciosa, com uma cerveja geladíssima. Segundo ele o melhor era o dono, bom de papo, uma figura. Chegamos lá e cadê o seu Manelinho? Nem ele, nem a cerveja gelada. Barraco fechado. Seria uma miragem?
Barraca que marca a entrada para Mangue Seco - CE
A praia estava super larga, uma imensa faixa de areia com lagoas e poças de água refletindo o céu mais azul que vimos nos últimos dias. Ao fundo, na direção de Jeri, nuvens negras nos avisavam que a chuva estava por vir. Sabíamos que logo teríamos que cruzar a barra do rio Guriú, passamos pela entrada do passeio dos cavalos marinhos, curiosa, mas com outro objetivo em mente.
Caminhada para Tatajuba, entre Mangue Seco e Guriú - CE
Estávamos perto, pois este passeio é no próprio manguezal do mesmo rio. Cruzamos uma área bem alagada, lagoas maiores, pequenos riachos e um deles com água no joelho. Ali o Ro pensou, “este era o rio que todos disseram que tinha balsa e problemas para atravessar? Imagina! Rsrsrs.”
Cruzando um dos braços do Guriú, no caminho para Tatajuba - CE
Andamos mais uns 2km até que encontramos a verdadeira barra! Hahaha! Tudo bem dele achar que a quilometragem está errada, mas achar que o povo atravessa de balsa um riozinho destes também é demais! Riozão largo, começamos a atravessar a água já estava na cintura. Não quisemos arriscar, demos uma mega volta, até encontrar a área mais estreita para passar. Deu um certo trampo, acrescentamos 1km no percurso e atravessamos com água no peito e as mochilas na cabeça, mas atravessamos.
Cruzando a barra do Guriú, um pouco antes da chuva, no caminho para Tatajuba - CE
Dali, se o Rodrigo estava certo, teríamos apenas mais 5km, doce ilusão. Já me preparei para mais 10km, então. Quando viramos para trás para tirar fotos, foi que vimos que aqueeela chuva lá de Jeri já tinha nos alcançado. Uma baita nuvenzona negra! Começou a chover ali mesmo, uma tempestade de vento e muuuita água que foi nos acompanhando por uns 20 minutos. Agora, pense numa chuva dolorida!
A chuva nos alcançando, no caminho para Tatajuba - CE
Parou a chuva, voltou o sol, fizemos um lanchinho rápido e seguimos caminhada. Eu já estava com uma dor desgraçada nas costas, os bugues que fazem este passeio já tinham passado por nós, olhávamos aquela ponta de terra e ele nunca chegava! Andamos, andamos e andamos mais um pouco, até que começamos a avistar de longe alguns burricos pastando, uns casebres de taipa, cobertura de barco de pescadores, estamos chegando, pensei. Que nada! Andamos ainda mais, entramos num areial e andamos... Não trouxemos o GPS, mas o meu GPS mental estava me dizendo... os bugueiros estão certos.
Burros frequentam a praia, bem próximo à Tatajuba - CE
Trinta e uns quilômetros depois chegamos à Velha Tatajuba, ou o que sobrou dela. Uma vila que foi engolida pelas dunas, às margens do rio Tatajuba. A paisagem ali se altera completamente conforme o avanço da maré, chegando a cobrir mais de 1km terra adentro! Cruzamos o mangue (ARGH!), a vila, até chegarmos à Pousada Portal dos Ventos. Tudo o que eu queria era encontrar um colchão bom para ter uma boa noite de descanso, pois me dei conta que a dor nas costas era do colchão das últimas noites. O colchão não era dos piores, mas ser grande tem essas desvantagens.
No topo de uma duna observando a região de Tatajuba - CE
Depois de acomodados, tomei um chuveirão frio e continuamos a caminhada para a Lagoa da Torta, 5km adiante de Tatajuba. A lagoa de água doce é imensa, verde e belíssima! No seu entorno, além de barracas para almoço, também existe uma pousada. Nós de passagem fomos logo atrás de um bom almoço: peixe fresco da lagoa, baião de dois e saladinha de tomate com cebola. Para beber uma coca-cola, depois de uma cervejinha merecida, é claro.
Várias lagoas entre as dunas de Tatajuba - CE
A lagoa da Torta é bastante freqüentada por bugues, deve receber mais de 200 nos finais de semana da alta temporada, nós conseguimos vê-la quase vazia, apenas os moradores e povo que trabalha por ali, um verdadeiro oásis.
Lagoa da Torta, em Tatajuba - CE
Atravessamos uma região meio pantanosa próxima à lagoa para chegarmos à Duna do Funil. O Ro me ajudou a não molhar o pé, nem enfiá-lo na lama, me carregando nas pequenas travessias (meu herói!) e lá fomos nós outra vez.
Caminho para a Duna do Funil, em Tatajuba - CE
Caraca, sensacional! O funil é fantástico e o melhor, estávamos sozinhos! Tento imaginar aquele lugar cheio de bugues e pessoas, as cicatrizes nas dunas ajudam o exercício e comprovam a sua passagem por ali. O Ro desceu numa disparada para nadar na lagoa do funil, mas ela tinha só uns 15cm de água. Eu fiquei ali mesmo, vendo o sol se pôr naquela imensidão de dunas, lagoas, pântanos e ao fundo, o mar.
Atravessando as dunas para se chegar na Duna do Funil, em Tatajuba - CE
O retorno foi através das dunas, víamos o mar de longe à esquerda e os pastos e pequena comunidade próxima á lagoa à direita. Novamente andamos, andamos, andamos e não chegávamos nunca. Eu me senti no deserto do Saara, cansada depois dos 30km até Tatajuba, 5km até a Lagoa da Torta, mais uns 3 até o Funil e o retorno já iam bem uns 4km... Agora entendo os burros, vontade de sentar e empacar. Daqui não saio, daqui ninguém me tira!
Lagoa da Duna do Funil, em Tatajuba - CE
Para mim era claro que este caminho era mais longo... mas novamente o Rodrigo afirmava que era o melhor e mais curto “Você já andou mais de 40km, vai parar agora que falta 1?”. Acho bem engraçado, quando ele quis me convencer a vir eram 20km, quando viu o caminho se alongar confirmou os 25km e quando eu cansei, não quis pisar nos caranguejos do mangue, etc, são 30km! A quilometragem varia conforme o interesse do Rodrigo, e eu com isso? Dá-lhe andar.
Autofoto no topo da Duna do Funil, em Tatajuba - CE
Quarenta e uns quilômetros depois chegamos a pousada, finalmente! Banho frio de chuveirão e alongamento antes que os músculos todos travem e não soltem nunca mais. Depois de um breve descanso fomos até a vila (mais 1km) para comprar alguns víveres para o nosso lanche da noite. Oito horas deitamos na cama, passando pomada de arnica nas dores, dando risada e lembrando do dia. Cenários de outro mundo que foram vivenciados com calma, paciência e muita persistência. Cada passo faz o lugar ficar ainda mais especial, o dia muito mais saboroso e a noite de sono melhor aproveitada.
No topo da Duna do Funil, em Tatajuba - CE
Parte final do vôo da Ana, chegando em São Conrado, no Rio de Janeiro - RJ
Nos meus sonhos voar é o tema mais freqüente. Desde criança sonho que estou voando. Eu voava como Peter Pan sobre a floresta Amazônica, sobre a rua onde eu morava, sobre os Andes... Já voei em um bocado de lugares. Ultimamente, nos meus sonhos, os meus vôos têm sido mais dificultosos, mas não menos prazerosos. Para começar a voar eu preciso correr e começar a dar saltos, como os que atletas de salto em distância dão logo antes do salto final. A cada passo, mais alto eu ficava pisando nos ares, tomando impulso para alcançar a altitude ideal para o meu vôo. Sei que este é um desejo antigo para todos os humanos, um feito perseguido por muitos e por isso hoje temos várias formas de simular esta façanha. Eu já saltei de pára-quedas e paraglider, vôos deliciosos, mas em momento algum a sensação é a mesma do Peter Pan.
Após o salto de asa delta, no Rio de Janeiro - RJ
Depois de tanto procurar a melhor forma de materializar este sonho já tão familiar a mim, hoje decidi voar de asa delta. O Rio de Janeiro sem dúvida é um dos cenários ideais para se realizar este sonho. Depois de um passeio pelas montanhas, Corcovado e Paineiras, chegamos à praia de São Conrado, na praia do Pepino. Estava ansiosa, pois o vento não estava muito católico e obviamente dependia dele para ter sucesso nesta incursão. Agendamos com o piloto, Rodrigo decidiu não saltar, pois já havia saltado tempos atrás. Encontramos o Ricardo e seguimos para o alto da Pedra Bonita, onde se encontra a rampa de decolagem. Assisti a um casal decolar antes de mim, com o mesmo piloto, treinaram a corrida pela rampa e pegaram todas as instruções, prontos para saltar tiveram que esperar uma janela de vento para saltar. Quase 30 minutos depois retorna à rampa a asa delta e o piloto, chegou a minha vez.
Vista da Pedra Bonita, na rampa para saltos de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ
Preparando-se para o salto de asa delta no Rio de Janeiro - RJ
O tempo estava nublando, o vento piorando, mas não queria desistir. A previsão de tempo para os próximos dias era ainda pior, chuva. Equipada e pronta, eram 17h21, tínhamos que saltar no máximo até as 17h49, horário em que a rampa fecha para decolagens. Foram quase 30 minutos de espera, o vento a favor não estava virando, para a decolagem precisávamos dele justamente no sentido oposto, ou pelo menos que ele parasse. Tínhamos que correr muito. “Posso confiar em você?” perguntou o piloto, “pode!” respondi. Pernas pra que te quero, foi uma janelinha minúscula de vento e nós corremos, corremos para voar. Até que meus sonhos mais recentes não estavam tão distantes da realidade, só faltava a asa-delta, mas a corrida eu já vinha treinando. Quando damos o primeiro passo no ar, a asa perde altitude até estabilizar e acelerar, uhhhhh, que friozinho na barriga! Parece aquela descida de montanha-russa, já saí gritando, “Wohoooooo! \o/ Delícia!”, enquanto Ricardo dizia, “Não quero nunca mais ter uma decolagem assim! Obrigado meu Deus!” Aí que eu vi que o negócio tinha sido estranho, empolgada nem percebi que passamos raspando no morrinho abaixo da rampa... já pensaram!?!
Voando e "pilotando" asa delta no Rio de Janeiro - RJ
Bem, nem eu! Eu só quis curtir a vista e pela primeira vez a real sensação de estar voando. Abrir os braços e sentir o vento contra o meu rosto! A praia abaixo, o Corcovado à esquerda e a Pedra da Gávea à direita... INDESCRITÍVEL! Foi uma das melhores sensações que já tive na vida! Curti cada minuto e logo estava eu com frio na barriga novamente, enquanto o Ricardo começava a preparar o pouso.
Celebrando o salto de asa delta, no Rio de Janeiro - RJ
Foram 7 minutos que pareceram o dobro, mas que ainda assim foram poucos. Quero mais, mais e mais! Se eu estivesse morando no Rio, com certeza iria começar um curso de piloto de asa-delta. Finalmente um esporte aéreo que me tocou tanto quanto o mergulho. Ao mesmo tempo que senti toda a adrenalina, senti uma paz tão grande...
Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ
Mais tarde fomos comemorar o salto, o dia, a vida, no Rio Scenarium, famoso bar na Lapa. Samba, Forró, Samba Rock e tudo o que se tem direito. Todos misturados, cariocas de todas as classes, cores e credos, gringos, ticanos e portugueses, todos na mesma vibração, na mesma energia.
Balada na Lapa, no Rio Scenarium, no Rio de Janeiro - RJ
Foram algumas boas horas dançando e cantando, espantando todos os males, espalhando alegria. Finalizamos com o tradicional sanduíche do Cervantes! Dia perfeito para sonhar, sempre nos dizem para sonharmos alto e eu sonhei mais especificamente a 525m de altitude!
Night no Rio Scenarium, na Lapa, no Rio de Janeiro - RJ
A simpática vila de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia
Taganga, vila de pescadores que se tornou refúgio hippie e nos tempos mais modernos o esconderijo dos turistas mais antenados, mergulhadores alternativos e mochileiros quebrados, num bom sentido, é claro! Rsrs!
Comércio de bolsas em Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia
A pequena baía de Taganta não possui uma praia espetacular, mas suas águas verdes transparentes dão acesso à outras praias mais tentadoras. As pequenas guesthouses, hostels, restaurantes e bares dão o clima ideal de backpackers paradise no Caribe Colombiano. Daqui é fácil organizar excursões para o Parque Nacional Tayrona, cursos de mergulho por um ótimo preço e passeios de barco pelas praias próximas, com a galera, se você está nos seus dias mais sociáveis, ou mesmo sozinho, se quiser um pouquinho de paz e isolamento.
A praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia
De táxi está a menos de 30 minutos do centro de Santa Marta, perto o suficiente para um dia de explorações no centro histórico da irmã mais velha, mas longe o suficiente para se afastar dos perigos, estresses e destemperos da cidade grande.
A pacata vila de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia
Taganga já estava no nosso radar, mas ela veio mesmo para o nosso mapa enquanto cruzávamos Santa Marta e tínhamos aquele misto de preguiça com desespero ao nos depararmos com uma cidade grande após um chá de cadeira do porto de Cartagena. Assim estes viajantes inveterados aqui também resolveram trocar a bela Santa Marta por uma noite tranquila na pacata e alternativa Taganga.
A praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia
Nos hospedamos no simpático Pelicano Hostal, jantamos em um restaurante palestino simples e delicioso, aprendendo mais sobre a visão dos que estão do lado de lá da Faixa de Gaza e conseguiram escapar para cá em busca de uma vida mais pacífica, ainda que não deixando de lado a luta pelo seu ideal. Nas paredes do restaurante vemos notícias, bandeiras, fotos e mensagens lutando por paz na Faixa de Gaza e se as paredes não são suficientes, o dono pode te explicar melhor.
A bela e tranquila praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia
A manhã seguinte foi de explorações rápidas na praia e nas calçadas hippies de Taganga enquanto nos preparávamos para a nossa incursão ao Parque Nacional Tayrona, a quase 2 horas dali. Queria ter tempo de ficar e aproveitar, andar de barco e mergulhar, mas foco! Esta tarde estaremos caminhando em um dos parques nacionais mais lindos da Colômbia e logo logo você irá nos encontrar lá. Até breve!
A baía de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia
Vista do mangue no rio Guaraú, na Juréia - SP
Quando começamos a navegar de canoa pelo Ribeirão do Guaraú, o Tom já começou a aula sobre as espécies de árvores dos mangues. São três tipos: a árvore de mangue branca, vermelha e a preta, citadas com nomes científicos que eu não tenho a capacidade de memorizar. A branca tem o pecilo vermelho e você pode ver claramente as glandulazinhas excretoras de sal. A preta tem troncos mais retilíneos, altos e pneumatófilos que ajudam a aumentar a sua absorção de oxigênio. A vermelha é a árvore mais estereotipada de mangue, além dos mesmos pneumatólifos, ela também possui caules ou raízes aéreas que vão se prendendo novamente ao solo, dando maior sustentação aos galhos que crescem lateralmente.
Típico habitante dos mangues
Hoje o nosso destino, nas canoas canadenses, foi a Cachoeira do Itú. No caminho já vemos diversas espécies de pássaros e caranguejos. Garças brancas, garças azuis, o martin-pescador, tié- sangue, dentre diversos outros.
Garça no mangue na Juréia - SP
Garça no mangue na Juréia - SP
Chegando ao Rio Guaraú começamos os 7km de remada rio acima, um rio largo e caldaloso que vai serpentiando o mangue dentro da Reserva da Juréia. Vimos peixes pulando, duas tartarugas se alimentando e até tucanos voando! Enquanto eu remava o Rodrigo aproveitou para fazer algumas ligações de trabalho, sobre o site. Belo escritório ele escolheu!
Vista do mangue no rio Guaraú, na Juréia - SP
Rodrigo "trabalhando" em pleno mangue, na Juréia - SP
7km depois encontramos o canal formado pelas águas da cachoeira e mais uma placa da reserva alertando que só podemos entrar com autorização; Paramos para tirar uma foto da placa, quando logo percebi um baita caranguejo branco, o guaianum! O Tom nos falou que é super difícil de avistar este tipo de caranguejo e nós vimos logo três. Um deles, que na verdade era “ela”, estava com a bolsa cheia de ovas. Muito lindos!
Carangueijo da espécie Guaiamu. Muito grande! Juréia - SP
Andamos um pouco por uma trilha para a cachoeira, cheia de rastros dos macacos, que adoram comer o talo das bromélias. Por pouco não chegamos para o almoço! A cachoeira gelada não é novidade. Coragem e damos um mergulho nas águas da Itú, com direito a piscina e até massagem natural. Uma delícia! Nos revigoramos já pensando nos outros 7km de remada rio abaixo, mas agora com a maré entrante! Correnteza e vento contra, o Rodrigo teve que fazer força, que muito cavalheiro, não me deixou remar.
Remada de volta para casa - Juréia/SP
É, boa despedida da Juréia. Agora vamos jantar e bebemorar os nossos 2 meses de viagem! 60 dias dos 1000, ainda bem que está só começando!
Ana e Amilton, quase chegando na cachoeira, já no igarapé "de acesso"
Praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB
O que é natural? Frutas, plantas, flores, animais, alimentos, tecidos, água, suco, dar a luz, chorar, sofrer, rir, até maquiagem quer ter este rótulo “bem natural”. Usar roupas já se tornou natural também, mas há um grupo de pessoas que é mais purista, ou melhor, naturista. Eles acreditam no desenvolvimento e evolução do indivíduo através da prática do naturismo, mas qual é a relação entre nudez coletiva e desenvolvimento do indivíduo?
“A resposta dos naturistas está no conceito de "aceitação do corpo", ou seja, na descoberta de que o corpo humano é um todo não havendo partes honrosas e partes indecorosas. Os naturistas, ao conviverem com a nudez do próximo não são chocados nem agredidos pelo corpo e sentem que o respeito é possível mesmo sem artifícios. Entrando em contato com a própria essência e deixando para trás o que é acessório. Para os naturistas somos todos iguais, apesar das diferenças.”*
Nudismo na praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Além da prática do nudismo, os naturalistas possuem como princípios a prática de exercícios ao ar livre, contato com a natureza e uma alimentação mais saudável, sendo preferivelmente vegetarianos.
“Um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o ambiente.”*
Placa na praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB
O naturismo foi criado na década de 20 na Alemanha pelo professor de Educação Física Adolf Koch, que inicialmente propôs aos seus alunos que praticassem esportes sem roupas. Os jovens ficaram mais corados, saudáveis, alegres e bem humorados e a partir daí suas famílias aderiram também à esta prática, até então chamada de nudismo. Após a Segunda Grande Guerra o naturismo começou a se difundir e hoje são poucos os países que não possuem adeptos.
O Brasil possui várias praias de nudismo ou naturismo e uma das mais famosas é a Praia de Tambaba, no litoral sul paraibano. Eu confesso que até simpatizo com toda a teoria do naturismo, mas aí a me tornar uma adepta são outros 500. A princípio nós não pensávamos em visitá-la, mas quanto mais perguntávamos aos paraibanos qual era a praia mais bonita aqui a resposta era apenas uma: Tambaba.
O trecho "vestido" da praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB
A curiosidade foi crescendo, nos informamos e vimos que o código de ética e as regras como não permitirem a entrada de homens sozinhos/solteiros e a proibição de fotos, entre outras, mantinham um ambiente mais seguro e saudável. Além disso, lembrei que meus pais vieram a Tambaba em alguma de suas viagens há muitos anos atrás... Se até meus pais foram, eu também vou! Rsrsrs! Só depois é que me dei conta que na época o naturismo não devia ser obrigatório ainda... Será que eles também entraram no clima? Enfim, eu e Rodrigo tomamos coragem e resolvemos conhecer a tal praia, afinal tudo tem uma primeira vez! Estacionamento cheio e os 200m de praia antes da escada lotada, ainda fora da área de naturismo. Na escada que dá acesso uma moça dá as últimas instruções “passando para “o lado de lá” só é permitida a passagem de quem realmente for tirar a roupa!”
De volta à parte "vestida" da praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Entramos. A praia estava praticamente vazia, muito diferente da sua vizinha. Lá fica claro que a maldade está nos olhos e mente de quem fica no lado “vestido” da praia. Lá do outro lado a maioria dos freqüentadores são senhores e senhoras acima dos 60 anos, que aderiram ao movimento no seu auge e até hoje mantém a prática. Alguns casais mais jovens se arriscam, claramente curiosos e corajosos de plantão, como nós. Os primeiros 20 minutos foram estranhos, afinal não estamos acostumados, eu fingi para mim mesma “que não era comigo”, como se eu estivesse ainda vestida.
Visão do mirante da praia de Tambaba em Jacumã, distrito de Conde - PB
Encontramos um cantinho próximo às pedras e árvores onde nos sentíamos mais protegidos. Estendemos nossa canga, lemos nossos livros, “pegamos uma prainha”, normal. O único momento mais estranho foi quando fomos ao bar comprar uma cerveja, os garçons vestidos e totalmente acostumados, nós é que não.
Praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB
O banho de mar é ótimo, a praia é realmente a mais bonita! Ver dois caras surfando foi algo inusitado, bem “natural”! Se sentir a vontade e em total comunhão com a natureza também é uma sensação diferente de liberdade que todos vocês já devem ter sentido um dia, só que com uma diferença, quando e onde fizeram era proibido e geralmente o que é proibido é mais gostoso, não é? Bem, aqui não é proibido, aqui quem se tolhe (ou não), se permite (ou não), se sente livre (ou não) é você. Você decide, e sem aquela sensação de estar fazendo algo errado, é só esquecer que tem mais gente em volta!
*Fonte: Wikipedia.
Pôr-do-sol nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN
A península de Galinhos possui registros desde o início do século XVII, quando os holandeses começaram a extração de sal na região. Mais tarde se formou uma pequena colônia de pescadores e uma fábrica de salga com os principais peixes encontrados na região, dentre eles o peixe-galo, motivo do atual nome das duas comunidades, Galos e Galinhos.
Salina na região de Galinhos - RN
Toda a região é desenhada por dunas e salinas entrecortadas pelo rio Guamaré e alguns mangues que restaram. Digo isso pois, ainda dentro do município de Guamaré, que dá acesso ao porto de onde fazemos a travessia para Galinhos, encontramos um grande alagado.
Rio em Galos, na região de Galinhos - RN
Este lagamar um dia foi um manguezal, bioma rico em biodiversidade e berçário de várias espécies. O mangue foi aniquilado para dar lugar à produção de sal e a um odor horrível que vive até hoje.
Pequeno porto fluvial de Galos, na região de Galinhos - RN
Aproveitamos o dia para explorar a península a pé! Saímos de Galinhos já na maré alta, caminhamos cerca de uma hora até a praia de Galos. Caminhada belíssima, mas ainda melhor se feita na maré baixa.
Caminhando de Galinhos à Galos, litoral do Rio Grande do Norte
Cruzamos a vila de Galos para conhecer as margens do rio de água salobra, não sei até agora se é mais salgado pelo contato com as salinas ou pelo contato com o mar. Almoçamos a beira-rio e partimos para a segunda etapa do nosso roteiro, rumo ao Capim.
Pronto para mergulhar no rio em Galos, região de Galinhos - RN
O Capim é uma lagoa formada na maré cheia entre as dunas. São mais 50 minutos de caminhada subindo e descendo dunas até chegar a ele. O sol já estava baixando e preferimos subir até a duna mais alta ao lado do capim para ver o belíssimo pôr-do-sol.
No meio das dunas de Galos, na região de Galinhos - RN
As dunas ainda eram bem escassas no meu currículo, então posso afirmar sem dúvida alguma que foi o mais bonito que já vi! Brincamos feito crianças nas dunas, admirando o nascer da lua sobre o mar e o sol se pôr no rio. Fantástico!
Pôr-do-sol nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN
Retornamos caminhando à luz da lua sobre as dunas. Tínhamos areia até as orelhas, tomamos uma ducha na comunidade e seguimos pela praia, agora na maré boa, até Galinhos. A lua cheia iluminando o nosso caminho e do bugue que nos ofereciam carona em vão... Afinal, o que esses loucos fazem andando essa hora pela praia? Eles não iriam entender...
Maravilhoso luar na caminhada de volta pela praia até Galinhos - RN
Visita à impressionante torre de pedra chamada Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
A road trip cruzando os Estados Unidos de leste a oeste continua e hoje é mais um daqueles dias longos de estrada. Porém, mesmo nestes dias, preferimos sempre combinar o caminho mais bonito e o mais prático, então a viagem não fica tão chata. Estávamos na pequena Hill City, no coração das Black Mountains e escolhemos como via de saída a estrada cênica que cruza o Spearfish Canyon.
A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos
Grandes paredões de pedra ladeiam a estrada, entrecortada por um pequeno rio que forma pequenos lagos aqui e acolá. Pegamos várias estradinhas secundárias de terra em um cenário campestre bem bucólico e quando menos esperamos já estávamos cruzando novamente a grande Interestadual-90, vulga I-90. Neste detour pelo Badlands e pelas Black Hills até havíamos nos esquecido dos milharais e cilindros de feno espalhados pelas grandes planícies americanas.
A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos
Roteiro Hill City ao Grand Teton NP
Atravessamos a fronteira entre os estados de South Dakota e Wyoming, com uma rápida parada no mega completo centro de visitantes do estado. Sim, o turismo aqui é um negócio tão desenvolvido que cada estado possui o seu próprio centro de visitantes nas principais estradas de cada fronteira estadual!
Chegando ao Wyoming, nos Estados Unidos
Lá encontramos um pequeno museu com a história da colonização, vida selvagem, mapas e os principais atrativos turísticos do Wyoming e olhem que não são poucas! Aqui está nada mais nada menos do que o maravilhoso Yellowstone, além dos seus companheiros parques nacionais Grand Teton e Bighorn Canyon.
Exposição no excelente Centro de Boas Vindas do Wyoming, nos Estados Unidos
Teremos que cruzar todo o estado para chegar lá, mas antes, muito antes está um dos mais impressionantes monumentos esculpidos pela natureza, o Devils Tower National Monument, também conhecido pelas nações indígenas como “Bear Lodge” ou “A Casa do Urso”. Para variar algum colonizador chegou aqui e fez uma tradução mal feita de um dos vários nomes indígenas da torre.
A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Surgido há mais de 50 milhões de anos, a Devil´s Tower é uma formação vulcânica, formada pela pressão da lava derretida sobre as rochas sedimentares acima dela. A lava esfriou e se fraturou hexagonalmente, criando imensas colunas facilmente percebidas ao redor da montanha. Milhões de anos erodiram a rocha sedimentar e aos poucos a estrutura de rochas vulcânicas ficou exposta. É difícil entender como uma montanha roshosa tão imensa poderia estar enterrada!?! Isso significa que a terra aqui seria pelo menos 270m mais alta do que hoje! A propósito, a imensa torre de pedra tem mais de 300m de diâmetro e 265m de altura!
Chegando à incrível Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Local sagrado para as populações indígenas que habitam a região das Great Plains, várias lendas explicariam a sua origem. A mais curiosa delas vem do povo Kiowa que conta: 8 crianças brincavam, 7 irmãs e seu irmão. O menino repentinamente começou a tremer e no seu corpo cresceram pelos e nas mãos imensas garras, já não era mais um menino, mas um imenso urso que perseguia suas irmãs. Elas correram subiram em uma árvore e pediram à árvore que as protegesse. A árvore respondeu e cresceu para que ficassem fora do alcance do grande urso. O urso arranhou toda a árvore, tentando subir para devorá-las e assim se formaram as “ranhuras” ou colunas da grande torre. As sete meninas foram tão alto que subiram aos céus e se tornaram a constelação Ursa Maior, conhecida como “Big Dipper”, em inglês.
As colunas que formam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
A lenda é fantástica, mas o que eu consigo claramente concluir é que se esta história realmente aconteceu, o grande urso teria comido não apenas o pequeno irmão, como também as sete meninas, que não apenas desapareceram, como viraram estrelas! De qualquer forma é uma linda forma de contar a história para os seus amiguinhos.
A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Hoje a torre é um monumento nacional e é frequentado não apenas por turistas que caminham nos seus arredores, mas principalmente por alpinistas que utilizando técnicas de escalada em rocha enfrentam longas e extenuantes vias para chegar ao topo da montanha. Existem mais de 220 vias abertas, que recebem mais de 5 mil alpinistas de vários cantos do mundo, todos os anos.
Alpinistas escalam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Alpinistas voltam da Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Há um período entre os meses de junho e julho em que a torre está fechada para escalada, quando as festividades e dias sagrados para as nações indígenas ganham preferência e mais privacidade para vir ao pé da montanha fazer seus rituais e oferendas.
Homenagens indígenas, muito comum na mata ao redor da Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Nós passamos duas horas caminhando ao redor da torre, tirando fotos e respirando ar fresco, impressionados com a perfeição e grandiosidade da sua natureza. Com as energias recarregadas pegamos estrada, cruzamos a Bighorn National Forest e dirigimos até cansar, a caminho do Grand Teton e Yellowstone National Parks.
A Devil's Tower fica no retrovisor da Fiona, em Wyoming, nos Estados Unidos
Dormimos na pequena cidade de Riverton, apenas uma parada para amanhã continuarmos as explorações do grande e selvagem Wyoming.
Belíssimo pôr-do-sol nas estradas de Wyoming, nos Estados Unidos
Cruzando um gigantesco canyon no centro de Wyoming, nos Estados Unidos
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