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Blog da Ana - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Há 2 anos:

Velejando na Grande Barreira

Belize, Tobacco Caye

Chegando á Tobacco Caye, na grande barreira de corais, em Belize

Chegando á Tobacco Caye, na grande barreira de corais, em Belize


Velejar é sempre um símbolo de liberdade, vento no rosto e um oceano inteiro para explorar. Uma vez que você tem o veleiro, é uma das formas mais baratas para viver e viajar, pois ele é seu transporte, sua casa, seu hobbie e sua vida. O principal combustível é gratuito e na falta dele um motorzinho ajuda. Os portos e marinas você pode escolher, das mais caras e bacanas às praias e ilhas mais isoladas, paradisíacas e gratuitas.

O belíssimo mar na grande barreira de corais, em Belize

O belíssimo mar na grande barreira de corais, em Belize


Gaston vive no seu veleiro The Rob há 9 anos, ele é mergulhador profissional, trabalha 2 ou 3 meses ao ano e vive velejando pelas águas do Caribe os outros 9 meses. Sua namorada está de volta à Europa por uns meses, com saudades da família e da terra firme. Eu nunca consegui me imaginar nesta vida de barco, primeiro por que enjoo pacas, fico mareada com qualquer movimento, até mesmo no carro, mas confesso a vocês que estes três dias nas águas calmas de Belize me deixaram com água na boca.

Vela içada na grande barreira de corais, em Belize

Vela içada na grande barreira de corais, em Belize


Chegando á ilhota na grande barreira de corais, em Belize

Chegando á ilhota na grande barreira de corais, em Belize


Nosso primeiro dia com Gaston começou com compras na vila de Hopkins, abastecemos o barco com comidas, bebidas, gelo e suprimentos suficientes para a nossa curta jornada à Grande Barreira de Corais de Belize. Uma vez embarcados, seriam os próximos 3 dias e 2 noites velejando de ilha em ilha, buscando os melhores lugares para snorkel, um lindo pôr do sol e águas tranquilas para descansarmos.

Vida difícil para o Chimi, a bordo do nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize

Vida difícil para o Chimi, a bordo do nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize


Todos no barco têm alguma função, Gaston é o capitão e nosso mestre cuca, eu sua assistente de cozinha, bartender e matraca de plantão. Chími, o nosso fiel companheiro guapeca é o segurança do The Rob, sempre atento a qualquer movimento estranho, além de ser ótimo localizador de golfinhos.

Vida difícil para o Chimi, a bordo do nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize

Vida difícil para o Chimi, a bordo do nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize


Já o Rodrigo...

Vida dura no veleiro na grande barreira de corais, em Belize

Vida dura no veleiro na grande barreira de corais, em Belize


... Bem o Rodrigo, é o guardião da rede e da cerveja gelada. Kkk! Brincadeira, ele também ajudou a lavar os pratos, o capitão não deixa ninguém ter moleza! Não tenho foto, mas tenho um vídeo para comprovar. Rs!

Levantamos âncora em Hopkins perto das 11 horas da manhã e o nosso primeiro porto de destino foi a pequena ilha de Tobbaco Caye. A ilha é formada por um arrecife coralíneo que aflorou no meio da Grande Barreria de Corais. A navegação direta daria em torno de 2 a 3 horas, o vento não estava ajudando muito, então em uma boa parte tivemos que apelar para o motor.

Recolhendo âncora para zarpar, na grande barreira de corais, em Belize

Recolhendo âncora para zarpar, na grande barreira de corais, em Belize


Ao invés de irmos direto à ilha fizemos uma triangulação, rumando ao norte e velejamos ladeando a barreira de corais sobre suas águas azuis até a ilha. As águas protegidas pelo imenso arrecife me pouparam bastante, mas logo ali, para o lado de fora, podíamos ver as grandes ondas que vinham do Oceano Atlântico.

Dias lindos a bordo de nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize

Dias lindos a bordo de nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize


Tobacco Caye é um destino alternativo na barreira de corais, alguns barcos turísticos saem de Dangriga, local mais próximo, para uma noite na ilha. Chegando lá pulamos na água e nadamos em direção à terra firme, cruzamos a ilha a pé em 10 minutos, passando pelas casinhas e outros turistas que acabavam de chegar para acampar.

Fazendo snorkel em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Fazendo snorkel em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Foi nesta ilha que fizemos um dos melhores snorkels dos 1000 dias! Uma vez que saímos da área protegida da barreira encontramos cardumes de tarpões, umas 8 arraias xitas lindas que iam e vinham com a corrente e duas tartarugas! Os coitados dos outros peixinhos mal tiveram chance, tamanha a movimentação de vida marinha por ali.

Uma sempre bela arraia chita durante snorkel em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Uma sempre bela arraia chita durante snorkel em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Nadando com uma tartaruga perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Nadando com uma tartaruga perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Uma linda arraia manchada nada perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Uma linda arraia manchada nada perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


O final de tarde foi em um boteco à beira mar acompanhados de Gaston e Cris, que se uniu a nós neste primeiro dia de viagem. Happy hour regado à Belikin e Rum Punch que terminou em um jantar delicioso preparado por Gaston com temperos tailandeses, histórias brasileiras e holandesas e a boa companhia canadense-quebecoise. Muita música e muita diversão na nossa primeira noite no The Rob!

Com o Gaston e o Chris durante fim de tarde em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Com o Gaston e o Chris durante fim de tarde em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Brincando com o cachorro do Chris em praia de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Brincando com o cachorro do Chris em praia de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Cachorro tenta se secar depois de um mergulho em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Cachorro tenta se secar depois de um mergulho em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Acordamos no dia seguinte prontos para levantar âncora e velejar para South Caye, próxima ilha ao sul. South Caye é uma cópia de Tobacco, mas mais chique, com dois resorts bacaníssimos, um deles é um centro de intercâmbio estudantil e recebe estudantes das linhas de oceanografia e biologia marinha. A ilha é mais cheia de firulas e regras para garantir o paraíso quase particular dos seus hóspedes, mas uma parada por ali vale a pena!

Redes convidam ao ócio criativo em ilhota na grande barreira de corais de Belize

Redes convidam ao ócio criativo em ilhota na grande barreira de corais de Belize


Aves aproveitam a sombra em ilhota na grande barreira de corais de Belize

Aves aproveitam a sombra em ilhota na grande barreira de corais de Belize


Tenho que fazer uma menção honrosa ao nosso querido Chími, que além de super companheiro é um cão super safo, criado para o mar. Gaston o salvou de uns kunas em San Blás, queriam matá-lo depois de terem levado uma mordida, trauma de outros kunas que o haviam maltratado. Ele nada com suas quatro patinhas firmemente para a terra em um comando do seu dono, é impressionantemente ágil e difícil de acompanhar! Juro, nunca vi um cãozinho tão esperto!

O Chimi aguarda a ordem de pular ao mar, no nosso caminho para ilhota na grande barreira de corais de Belize

O Chimi aguarda a ordem de pular ao mar, no nosso caminho para ilhota na grande barreira de corais de Belize


Feliz e obediente, o Chimi se atira na água em direção à terra firme, na grande barreira de corais de Belize

Feliz e obediente, o Chimi se atira na água em direção à terra firme, na grande barreira de corais de Belize


Repetimos o snorkel dando a volta em todo o arquipélago, explorando as águas mais fundas do lado de fora da barreira. Milhares de peixes, lindos corais que pareciam estar florescendo, coloridos e bem gorduchos e no final, já quase no barco, tivemos o ar da graça de uma linda arraia xita.

Nadando com arraia chita durante snorkel perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Nadando com arraia chita durante snorkel perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Arraia chita nada entre tarpoons perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Arraia chita nada entre tarpoons perto de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Decidimos dormir por ali mesmo, com direito a mais uma noitada de conversas, confissões e música com o Gaston. O jantar foram os peixes caçados pelo capitão, fresquinhos, coitados. Como mergulhadora acabo tendo mais pena dos peixes do que das vacas... Enfim, cada um se identifica com o que preferir.

Cardume de tarpoons nada tranquilamente nas águas claras ao lado de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize

Cardume de tarpoons nada tranquilamente nas águas claras ao lado de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize


Fiquei craque na receita de rum punch e a esta altura já nem estava precisando mais tomar remédios para enjoo, descobri que o suquinho de fruit punch tem a mesma função! Rsrs!

Indo de bote para ilhota na grande barreira de corais de Belize

Indo de bote para ilhota na grande barreira de corais de Belize


Nosso terceiro e último dia de viagem fomos conhecer o minúsculo Carrie Bow Caye. A ilha é uma base de estudos marinhos para cientistas Smithsonians, mas só descobrimos isso quando Gaston e Chími foram convidados a se retirar da ilha (leia-se expulsos aos gritos) por um cara mal educado.

Nadando nas belíssimas águas da grande barreira de corais de Belize

Nadando nas belíssimas águas da grande barreira de corais de Belize


Nos despedimos da barreira com mais um snorkel matinal e enquanto nadávamos com arraias e tarpões, Gaston caçava um peixe enorme para o jantar de retorno na Tricia. A volta foi linda e tranquila, passando ainda pelas Twin Islands, mais uma ilhota que deve ser bacana de explorar, com uma lagoa interna onde os peixe-bois de escondem.

O Gaston mostra nosso jantar fresquinho, na grande barreira de corais, em Belize

O Gaston mostra nosso jantar fresquinho, na grande barreira de corais, em Belize


Velejando na água azul-piscina da grande barreira de corais, em Belize

Velejando na água azul-piscina da grande barreira de corais, em Belize


Foram 3 dias mais do que especiais, aprendendo como é viver no mar, uma das formas mais sustentáveis de vida, utilizando quase nada de água doce, pescando apenas o que se come, produzindo a própria energia, solar ou eólica e aproveitando a vida em um paraíso tropical.

A bordo do Rob, nossa casa nesses 3 dias velejando pela grande barreira de corais de Belize

A bordo do Rob, nossa casa nesses 3 dias velejando pela grande barreira de corais de Belize


A insígnia do Rob, nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize

A insígnia do Rob, nosso veleiro na grande barreira de corais, em Belize


Muitas pessoas vivem assim no mundo, e nós achando que a vida na cidade e dentro do escritório é que é “normal”. Estou muito feliz e satisfeita de termos ouvido os nossos instintos e deixarmos os bons ventos nos levarem com Gaston, Chími e o The Rob pelas águas de Belize. Mais uma daquelas experiências que entram na lista das inesquecíveis nos 1000dias.

Chegando à Tobacco Caye, na grande barreira de corais, em Belize

Chegando à Tobacco Caye, na grande barreira de corais, em Belize

Belize, Tobacco Caye, barco, Carrie Bow Caye, Grande Barreira de Corais, Great Barrier, Sailing, South Caye, The Rob, Veleiro

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Casa da Vovó Carola

Brasil, Minas Gerais, Poços de Caldas

Chegamos esta manhã em Poços de Caldas, cidade de origem da Família Junqueira. Eu já havia estado em Poços quando, com meus pais e irmãs, fizemos uma viagem de carro por Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Poços foi apenas uma cidade no caminho, me marcou pelo bondinho que estava em reforma e não pudemos visitar. Depois de 17 anos, Poços passou a ter outro significado para mim. Uma cidade que guarda toda a história da família do meu amor. Cidade em que ele cresceu brincando com seus primos, aprendendo com seus tios e convivendo com sua avó, querida Vovó Carola.

Café no parque de Poços de Caldas - MG

Café no parque de Poços de Caldas - MG


A casa antiga e bem preservada nos remete aos anos em que vovó vivia ali, junto de seus filhos, netos e alguns bisnetos, já que viveu até os 96 anos. Nós dormimos em seu quarto, que ainda hoje possui armários com suas roupas dependuradas, penteadeira com seus pentes e escovas de cabelo prateadas e na cômoda o seu altar com todos os santos e água benta da pia batismal de sua catequese. Na sua cama a memória dos oito partos realizados em casa, onde nasceram os super oito! Dentre eles o meu sogro, Seu Gustavo Junqueira. Na sua cama também a memória do seu último suspiro. A primeira vez que dormi ali, pedi licença à vovó em minhas orações e sonhei que acordava nos anos 30, ouvindo as charretes na rua e sentindo a emoção de mais um parto que estava por vir.

Nesta casa almoçamos e jogamos conversa fora com a família que veio de diversos cantos para o feriado. Guto, Sossa e Lulu de Ribeirão Preto. Lalau, João Pedro, Antônio e Lucas (amigo do Antônio) de São Carlos. Gogóia, Charles e Luiza de São Paulo e o Chico láááá de Rio Verde, Goiás. Fomos caminhar pela cidade, pela praça, ao lado do antigo Cassino, onde a missa do Corphus Christi está sendo organizada, as 16h sai a romaria em direção à igreja. Tomamos uma vitamina na casa de sucos que Rodrigo frequentava com 10 anos de idade e hoje vemos os sobrinhos se deliciando com a vitamina de açaí, banana e leite.

A deliciosa Casa de Vitaminas, em Poços de Caldas - MG

A deliciosa Casa de Vitaminas, em Poços de Caldas - MG


No caminho de volta decidimos parar nas famosas termas que dão nome à cidade. Águas termais sulfurosas com uma infinidade de benefícios para a saúde: reumatismo, mialgias, ansiedade, stress, dermatoses pruginosas, varizes, eczemas crônicos, gastrites hiperácidas, insuficiência hepáticas, diabetes mellitus, bronquites, renites e muitas outras. Banho pérola, vulga hidromassagem, com essas águas milagrosas e aquecidas direto da fonte.

Medindo o próprio peso, logo após o banho-pérola, nas Thermas de Poços de Caldas - MG

Medindo o próprio peso, logo após o banho-pérola, nas Thermas de Poços de Caldas - MG


A noite ainda uma aventura com os sobrinhos a bordo da Fiona, visita ao Cristo e depois a exploração de uma trilha off-road que nos levaria até um antigo hotel, hoje em ruínas. A corujisse do Rodrigo com a Fiona não permitiu que chegássemos ao objetivo. Lá no alto 10°C com sensação térmica de 5°C, voltamos para casa da Vovó e novamente o sentimento de estarmos em casa. Cada vez mais fica claro que a casa não é feita de um endereço fixo, mas sim das pessoas que amamos.

Vista do Cristo, direto do centro da cidade

Vista do Cristo, direto do centro da cidade

Brasil, Minas Gerais, Poços de Caldas,

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BR-174, A Estrada Reservada

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas


A estrada de hoje é longa e cheia de histórias. São mais de 600km, praticamente toda asfaltada, o que não significa que esteja em boas condições de uso. A BR 174 liga a cidade de Boa Vista à Manaus, passando por diversos municípios do estado de Roraima até chegar ao Amazonas.

Trecho de terra na estrada que liga Roraima ao Amazonas

Trecho de terra na estrada que liga Roraima ao Amazonas


Nosso plano inicial era entrar no estado do Pará pela Perimetral Norte, estrada que já existe no mapa pelo menos desde 2005. Na prática ela vai apenas até o município de Entre-Rios e uma usina hidrelétrica alguns quilômetros adiante. Ainda tínhamos esperança, mas confirmamos esta informação nos postos do Ibama e no posto de gasolina que cruza a perimetral. Sendo assim vamos ao Plano B, que sempre foi o mais certo e infalível, seguiremos até Manaus e iremos para Santarém de balsa pelo Rio Amazonas.

Um dos muitos grandes rios no o sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM

Um dos muitos grandes rios no o sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM


No caminho nos despedimos do hemisfério norte, cruzamos a linha do Equador e voltamos ao Hemisfério Sul! Na mesma latitude de Macapá, onde começamos toda esta travessia das Guianas há exatos 54 dias atrás. Continuamos nosso caminho para a fronteira do estado do Amazonas.

Marco da linha do Equador, durante viagem entre Boa Vista, em Roraima e Presidente Figueiredo - AM

Marco da linha do Equador, durante viagem entre Boa Vista, em Roraima e Presidente Figueiredo - AM


Fomos parados duas vezes para fiscalização, a primeira uma blitz da vigilância sanitária, que está tentando formar uma barreira para o alastramento de pragas e doenças relacionadas à mosca da carambola e algumas primas próximas. Ele aproveitou para pregar a palavra de Deus e Jesus, boas palavras são sempre bem vindas. Poucos quilômetros a frente fomos parados para a fiscalização do IBAMA, que procura e apreende o tráfico de animais selvagens, plantas, etc. O pessoal do Ibama, polícia florestal, foram muito simpáticos e nos deram mais informações sobre a estrada.

Uma das barreiras sanitárias entre Roraima e o Amazonas

Uma das barreiras sanitárias entre Roraima e o Amazonas


Exatamente após o posto do Ibama fica a entrada da Reserva Indígena Waimiri Atroari. Esta reserva tem uma história forte e muito triste. As negociações e estudos para a construção desta rodovia se iniciou em 1970, porém ela cruza pelo meio da Reserva Indígena. Na época os Waimiris foram contra a construção e se armaram para defender seu território. 200 soldados do exército brasileiro foram mortos por flechas envenenadas, mas no lado dos índios as baixas foram muito maiores, mais de 1100 índios morreram ou pelos soldados ou por doenças trazidas com estes. Após 12 anos de batalhas e conversações os índios finalmente aceitaram negociar, porém impuseram algumas condições, algumas delas nos dizem respeito como o horário de tráfego na estrada, das 6h às 18h, deve-se evitar fotografar, filmar e parar na estrada dentro da reserva.

Entrada da reserva indígena entre Roraima e Amazonas

Entrada da reserva indígena entre Roraima e Amazonas


A reserva Waimiri Atroari possui em torno de 25 mil km2, 14 aldeias indígenas e vimos também uma mineiradora de nióbio, mineral duro como aço, porém de uma leveza incrível. É um mineral raro utilizado para a construção de satélites, entre outras coisas. Espero que os índios levem alguma nesta sociedade. Aos poucos a população está se restabelecendo, esta se resumia a 374 habitantes em 1986 e hoje soubemos que já nasceu o milésimo Waimiri!

Paisagem no sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM

Paisagem no sul de Roraima, na viagem para Presidente Figueiredo - AM


Estávamos ainda no prazo, mas não podíamos demorar, caso contrário passaríamos pela reserva fora do horário permitido. Não paramos, não fotografamos (muito) e nem filmamos (nada demais), mas impossível não registrar as cenas maravilhosas do imenso arco-íris e do pôr-do-sol sensacional que nos acompanharam no final da tarde.

Lindo arco-íris no finzinho da tarde, na estrada entre Roraima e Amazonas

Lindo arco-íris no finzinho da tarde, na estrada entre Roraima e Amazonas


Hoje nosso objetivo era a cidade de Presidente Figueiredo, lugar que eu já planejava conhecer desde a primeira vez que estive em Manaus, há quase 10 anos atrás. No meio da bacia amazônica, Presidente Figueiredo é uma cidade orientada para o turismo em torno dos seus balneários e cachoeiras. Objetivo cumprido e o melhor, sempre com novas histórias para contar.

Fim de tarde na estrada entre Roraima e Amazonas

Fim de tarde na estrada entre Roraima e Amazonas

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo, BR 174

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St Georges à Cayenne

Guiana Francesa, Saint Georges, Cacao, Cayenne

Caixas de correio em estrada rural na região de Cacao, na Guiana Francesa

Caixas de correio em estrada rural na região de Cacao, na Guiana Francesa


St Georges está na fronteira, mas já podemos notar claramente que não estamos mais no Brasil. A arquitetura colonial francesa, a organização e limpeza nas ruas nos faz lembrar que chegamos em território europeu, em plena América do Sul.

Nosso hotel em Saint Georges de L'Oyapoque, na Guiana Francesa

Nosso hotel em Saint Georges de L'Oyapoque, na Guiana Francesa


“A cidade é pequena, todos se conhecem”, nos conta uma brasileira que vive aqui há 10 anos. Grande parte das pessoas que vivem em St Georges está ligada aos serviços do governo francês, só na PAF (Policie aux Frontiere) são mais de 60 policiais, sem contar o exército, aduana, etc. Todos os postos são ocupados por franceses vindos da metrópole e não guianeses. Ela veio para St Georges com apenas 17 anos em uma época que era menos rigorosa a fiscalização e logo conseguiu se legalizar. Não foi fácil acostumar com a vida em uma cidade pequena, aprender outra língua (francês e creole) e outra cultura, mas ela está feliz com o resultado: além de criar um filho de 8 anos, já conseguiu construir a sua casa em St Georges e comprou uma casa para sua família em São Luis.

Monumento na praça central da pequena Saint Georges de L'Oyapoque, na Guiana Francesa

Monumento na praça central da pequena Saint Georges de L'Oyapoque, na Guiana Francesa


Nas ruas é fácil notar a grande mescla cultural que forma a população do guianense. São negros vindos do Caribe, Haiti, República Dominicana e antigos escravos trazidos da África ou fugidos do Brasil na época da colônia, assim como índios, laosianos, brasileiros, franceses, chineses, entre outros. O Brasil possui a mesma diversidade, sim, mas ela está espalhada e dividida no imenso território, aqui a população total é em torno de 200 mil pessoas, a maioria vive entre Cayenne e Korou, então o contraste entre as diversas nacionalidades fica muito mais claro.

Chegando na pequena Cacao, na Guiana Francesa

Chegando na pequena Cacao, na Guiana Francesa


Continuamos nossa viagem de St Georges para Cayenne passando por uma pequena vila chamada Cacao. Um vilarejo Hmong, grupo vindo do Laos na década de 70, fugidos da guerra do Vietnam. Os Hmong são os maiores produtores de hortaliças e frutas da Guiana Francesa, produção que é toda consumida internamente.

Arquitetura típica do Laos, cujos imigrantes fundaram Cacao, na Guiana Francesa

Arquitetura típica do Laos, cujos imigrantes fundaram Cacao, na Guiana Francesa


A vila fica em uma região montanhosa, em meio á vales e rios de água clara e florestas úmidas tropicais. Ali peto fica um dos melhores trekkings da Guiana, segundo o nosso guia de viagens, mas infelizmente pudemos explorar pouco a região, já que a chuva continuava intensa.

Vista de Cacao, na Guiana Francesa

Vista de Cacao, na Guiana Francesa


Seguimos viagem pela sinuosa estrada, por entre matas preservadas e riachos, para chegar à Cayenne. Fomos parados pela polícia rodoviária e logo tiramos mais uma das aflições de Rodrigo da nossa cabeça, o de não termos recebido um papel de importação temporária na aduana francesa, eles disseram não precisar. O policial nos pediu documentos e os nossos brasileiros foram suficientes. Eram pouco mais de 3 horas da tarde e estávamos ansiosos para chegar, buscarmos informações sobre a abertura dos consulados brasileiro e surinamês, acessarmos a internet, etc. Acabamos nos instalando em um dos melhores hotéis da cidade, não é caro se comparado com o Brasil e possuía vagas em um período de carnaval. Logo descobrimos que não poderíamos ter feito melhor opção, além de estarmos bem no centro de Cayenne, o staff é super atencioso e foi muito prestativo fornecendo informações e contatos que devem nos ajudar a resolver a situação.

O antigo Palácio dos Jesuítas, em Cayenne, na Guiana Francesa

O antigo Palácio dos Jesuítas, em Cayenne, na Guiana Francesa


Aproveitamos ainda o pouco de dia que nos restava e fomos conhecer a Place Léopold Héder e o Fort Cépérou. Este ainda está em funcionamento, portanto possui uma grande área restrita, zona militar, mas tem também uma pequena área que pode ser visitada, ainda que pareça estar completamente abandonada. Lá do alto conseguimos finalmente enxergar o mar e praticamente toda a cidade. Rodeada por mangues, Cayenne não possui uma orla de rio ou praias, deixando este papel para os distritos vizinhos a leste.

No alto de colina em Cayenne, com o mar ao fundo, na Guiana Francesa

No alto de colina em Cayenne, com o mar ao fundo, na Guiana Francesa


Embora pareça tranquilo, o dia de hoje acabou sendo meio tenso, já que passamos cada minuto conjecturando todas as possibilidades que tínhamos de resolver os problemas com vistos e o meu passaporte. E se não eu conseguir o visto do Suriname? E se eu não conseguir um passaporte temporário no Consulado Brasileiro? E se? Como eu disse, o Ro adora se preocupar, mas só poderemos mesmo ter certezas na segunda-feira cedo, quando as coisas devem funcionar e temos esperanças dos consulados abrirem. Até lá, dedos cruzados e pensamentos positivos, pois aparentemente fácil foi entrar na Guiana, difícil será sair!

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Awala-Yalimopo

Guiana Francesa, Yalimopo

Praia de  Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa, fronteira com Suriname

Praia de Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa, fronteira com Suriname


Mana é uma cidade no litoral guianês localizada na região de principal produção agrícola da Guaina Francesa. Às margens do Rio Mana a cidade não tem muito a oferecer turisticamente, mas é ponto de passagem para as praias mais procuradas no litoral do país.

Igreja em Mana, na Guiana Francesa

Igreja em Mana, na Guiana Francesa


A agricultura e pecuária no país foi desenvolvida principalmente pelos laosianos e pela população creole, grupo formado pela mescla de índios, escravos dos tempos coloniais e brancos. Os orientais chegaram aqui no início da década de 70 trazidas pela freira Anne Marie Javouhey, fugindo da Guerra do Vietnam. A agropecuária mal consegue suprir as necessidades internas da Guiana Francesa, fazendo com que muitos produtos sejam trazidos da França para cá. Ainda assim hoje na viagem de Kourou à Maná vimos paisagens mais comuns para nós brasileiros, fazendas e áreas de plantio, que cultivam principalmente mandiocas, arroz, algumas frutas e hortaliças.

Placa bilingue (francês e taki-taki) em Mana, na Guiana Francesa

Placa bilingue (francês e taki-taki) em Mana, na Guiana Francesa


As estradas aqui na Guiana Francesa em geral estão em bom estado, bem sinalizadas, mesmo que apenas com pista simples. Apenas nesta viagem de hoje, seguindo pelo litoral em direção à fronteira com Suriname foi que encontramos uma estrada em pior estado de conservação. Curioso é que mesmo nos lugares mais distantes do Brasil sempre vemos traços da ocupação humana, diferente aqui da Guiana, onde a maioria das estradas passa em meio à florestas tropicais intocadas. Apenas nesta região também torna-se comum avistarmos casa, sítios e pequenas vilas ao longo da estrada.

Praia de Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa. Ao fundo, o Suriname!

Praia de Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa. Ao fundo, o Suriname!


Região habitada pelos ameríndios da tribo Kalina, Awala – Yalimopo é famosa por ser um dos mais importantes berçários para tartarugas marinhas na costa da América. Os costumes da tribo ainda são mantidos na região, a maioria dos moradores mora em cabanas indígenas feitas de palha, dormem em redes, mantém suas tradições gastronômicas e festivas. São duas ou três pousadas as mais conhecidas na região, todas oferecem local para pendurar sua rede sob uma cabana, algumas com banheiros privativos. Nós ficamos na pousada Chez Judith e Denis, um casal de franceses que se estabeleceu na região e oferece estadia e inclusive aluga redes para os desprevenidos. Nosso hut era uma graça, super confortável com mosquiteiro em cada rede e banheiro privativo. Ainda tínhamos a companhia dos nossos amiguinhos da floresta, morcegos na tela da janela e uma família imensa de pererecas no banheiro.

Nossas redes com mosquiteiras, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa

Nossas redes com mosquiteiras, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa


No começo da noite fomos jantar em um restaurante de comida típica kalina. Foi engraçado, pois a hora que entramos todos os franceses que estavam lá ficaram nos olhando. Logo percebemos que a curiosidade não era sobre nós, mas sim sobre a reação de todos aos pratos pedidos. A única coisa que ofereciam era um peixe cozido com pele, espinha e tudo, sem muito tempero e um pão feito de mandioca, quase como o uma torrada de biju. Todos ficaram esperando algo novo, virando o peixe no prato, que mais parecia uma sopa chinesa. A comida era pouca, simples, mas gostosa e o preço bem salgado, 12,50 euros pelo pedaço de peixe por pessoa. O melhor foi a música que alguns homens da tribo estavam ensaiando na casa vizinha, tambores e cantos indígenas para uma festa que ocorre ao final de todo mês, pena que o ensaio era fechado.

Nosso 'quarto', típica habitação ameríndia, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa

Nosso "quarto", típica habitação ameríndia, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa


Awala-Yalimopo chega a receber mais de 13 mil visitas ao ano de kawanas (tartarugas na língua kalina) das mais diversas espécies, a tartaruga de couro, a verde, oliva e outras, que chegam a pesar mais de 700kg e ter 2m de comprimento. O melhor período para ver este espetáculo é de setembro a abril, quando a praia fica repleta de tartarugas cavando seus ninhos. Ainda assim durante o ano todo ainda podem ser vistas algumas desovas. As tartarugas são notívagas, então a principal atração aqui é uma caminhada noturna pela praia. Saímos com lanternas procurando seus rastros, “quando virem um rastro de trator subindo a areia, sigam-no e encontrarão o ninho e com sorte a mamãe-tartaruga.”

Placa do Parque Nacional de Awala Yalimapo, na Guiana Francesa

Placa do Parque Nacional de Awala Yalimapo, na Guiana Francesa


Achamos incrível a descrição, mas parecia um pouco exagerada. Quando chegamos à praia e começamos a procurar logo vimos uma marca de trator, seguimos e achamos o ninho, é idêntico! Infelizmente a tartaruga já havia ido embora, mas ali próximo encontramos várias cascas de ovos, indicando que outros filhotes já haviam corrido para o mar. Os principais predadores são os siris, peixes, que lotam as águas no período de desova apenas aguardando o banquete. Logo nossa lanterna diminuiu a intensidade da luz, pilha fraca, um sinal para voltarmos à nossa cabana minutos antes de mais um temporal amazônico.

Dormindo em rede com mosquiteira em Yalimopo, na Guiana Francesa

Dormindo em rede com mosquiteira em Yalimopo, na Guiana Francesa

Guiana Francesa, Yalimopo, amerindians, Anne Marie Javouhey, Chez Judith & Denis, índios, Laos, Mana, tartarugas, turtles

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Itaipu – Uma maravilha moderna

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu

Os gigantescos dutos de água das turbinas da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai. Por cada um deles passam, em média, o volume correspondente à metade das cataratas do Iguaçu!

Os gigantescos dutos de água das turbinas da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai. Por cada um deles passam, em média, o volume correspondente à metade das cataratas do Iguaçu!


Construída entre 1973 e 1982, Itaipu Binacional é a maior hidrelétrica em geração de energia no mundo! Foi ultrapassada recentemente pela Três Gargantas, na China, em potencia instalada. Esta só não nos ultrapassou em geração de energia, pois não possui um rio tão forte e cauladoso como o Rio Paraná.

Entrando nas instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Entrando nas instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


A Itaipu é considerada uma das 7 maravilhas modernas, devido à grandiosidade da sua obra. Idealizada pelo engenheiro Gomurka Sakaria, indiano e projetada por um consórcio de empresas estrangeiras, uma americana e outra italiana, que dispunham de todo conhecimento técnico e tecnologia para uma obra desta magnitude.

Observando fotos da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Observando fotos da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


Para sua construção chegaram a ser empregados mais de 40 mil trabalhadores diretos. Durante o primeiro ano foram construídas as estradas de acesso e toda a infra-estrutura do acampamento pioneiro para os trabalhadores e engenheiros que a partir deste ano praticamente se mudariam para a região até o término da obra. Este acampamento transformou Foz do Iguaçu, que até então possuía 20 mil habitantes para uma cidade de 101.447 habitantes.

Corredor com mais de um quilômetro dentro das instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Corredor com mais de um quilômetro dentro das instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


Ela foi construída em um trecho do rio onde o cânion era mais profundo, indicando a força que a água exercia nas suas margens. Ali havia uma ilha conhecida por “Itaipu” que em tupi quer dizer “Pedra que canta”. Para que fosse erguida a barragem, um canal de 2 km teve que ser escavado para desviar o leito do rio. Em 1978 a construção do desvio foi finalizada e se iniciava então a construção da barragem principal.

Grande explosão para a construção da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Grande explosão para a construção da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


O ritmo de construção foi absurdo! Era construído o equivalente a um prédio de 10 andares por hora! Toneladas de concreto eram despejadas na barragem, misturadas à toneladas de gelo, técnica utilizada para retardar a secagem e diminuir a incidência de bolhas de ar no concreto. Mais bacana ainda foi ver toda esta obra e saber que o meu sogro esteve neste canteiro de obras acompanhando cada passo da construção. Engenheiro, ele trabalhava na empresa responsável pela colocação dos guindastes que levavam as caçambas de concreto para os pontos de concretagem ao longo da barragem. Ele nos contou que chegou a subir dentro de uma caçamba e cruzou a barragem pelos ares! Que coragem!

O centro de comando da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

O centro de comando da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


A primeira turbina levou 4 meses para ser deslocada de São Paulo até o canteiro de obras e ao final deste ano, em 5 de dezembro de 1982, foi inaugurada a Itaipu Binacional. Construída em um consórcio entre os governos brasileiro e paraguaios, que fizeram o aporte inicial de 10 bilhões de dólares para a formação da companhia. A partir daí conseguiram um empréstimo internacional, que propiciou o início dos trabalhos. Toda a companhia é 50% brasileira e 50% paraguaia, no quadro de funcionários, na energia gerada e na divisão das dívidas, que ainda estão sendo pagas pelos próximos 10 anos. Todo a receita da Itaipu é utilizada para pagamento de despesas, quadro funcional, royalties para as cidades atingidas pela inundação e do empréstimo feito, sendo, portanto uma empresa sem lucro financeiro algum. Hoje a Itaipu é responsável pela geração de 16% da energia utilizada pelo Brasil, já incluindo o percentual importado pelo Brasil do excedente paraguaio.

O rotor, com algumas dezenas de toneladas, é uma das menores peças que formam o coração da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

O rotor, com algumas dezenas de toneladas, é uma das menores peças que formam o coração da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


É impossível olhar toda esta maravilha da engenharia e não pensar no impacto ambiental causado. A maior e mais notável perda foi a imersão das Sete Quedas, na região de Guaíra, Paraná. Uma maravilha natural perdida para sempre. Ficamos pensando que hoje, considerando os aspectos ambientais, a construção de uma usina como esta seria praticamente impossível. O lago de Itaipu é um imenso espelho d´água e ainda não pode ser mensurado exatamente qual é o impacto que este espelho exerce na alteração do clima, que tende a ficar mais quente, ampliando o aquecimento global.

A represa vista do alto da barragem da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

A represa vista do alto da barragem da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


Ainda assim ficamos felizes em saber que, mesmo naquela época, houve uma preocupação com a fauna local. O fechamento das comportas do canal de desvio, para a formação do reservatório da usina, deu início à operação Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”). A operação salvou a vida de 36.450 animais que viviam na área a ser inundada pelo lago.

O centro de comando da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

O centro de comando da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


Encontrar o equilíbrio entre o desenvolvimento, o progresso e a preservação ambiental não é fácil. Ao mesmo tempo que o mundo precisa se desenvolver para suprir a super-população humana com uma infra-estrutura básica, a interferência do homem na natureza precisa ser reduzida com urgência. Esta fórmula ainda não foi encontrada e sem dúvida não será enquanto a população mundial continuar a crescer a taxas absurdas. A necessidade de energia e alimento continuará devastando, inundando e destruindo a natureza. Somos parte desta problemática e não adianta ficarmos sentados esperando uma solução, então deixo aqui uma pergunta para reflexão, como nós podemos mudar isso?

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu, binacional, Itaipu, usina hidrelétrica

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Despedidas em New Jersey

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction

Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos

Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos


A despedida de Bermudas foi dolorida, pois sabíamos que demoraríamos a voltar para belas praias tropicais (ou subtropicais) de águas azuis e areias brancas. Nas minhas contas as próximas serão lá no Havaí, depois de cruzarmos até o Alasca e descermos a costa oeste dos EUA até Los Angeles. Voltamos para New Jersey via Charlotte (North Carolina) e parece que não apenas nós estávamos tristes com essa notícia...

Longa espera pelo voo de conexâo no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos

Longa espera pelo voo de conexâo no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos


Os céus resolveram esbravejar e nos deram de presente uma tempestade elétrica daquelas! Eu adoro raios e trovões, fortes, cheios de fúria e personalidade, mas não quando estou em um avião no meio deles! Foi mais de uma hora de atraso subindo e descendo, tentando escapar das descargas elétricas até podermos pousar.

Aproveitando a espera no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos para trabalhar

Aproveitando a espera no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos para trabalhar


Chegamos à Princetown na casa da nossa prima Anita já eram quase 3 horas da manhã e o dia seguinte foi correndo atrás de burocracias e arrumações para sairmos de viagem. Ficamos às voltas com seguro do carro para o Canadá, finalmente recuperamos a nossa Nikon que havia ficado na assistência técnica por quase 30 dias, enquanto fizemos nosso tour pela região da Nova Inglaterra com a Bebel. Por sinal a mocinha está super bem e feliz aqui com os primos, se divertindo na colônia de férias americana!

Brincando com as meninas na casa da Anita em Princeton Junction, New Jersey - EUA

Brincando com as meninas na casa da Anita em Princeton Junction, New Jersey - EUA


No nosso último ímpeto capitalista compramos um ipad 2 para facilitar nossa comunicação com o mundo nesse Marlbourogh Country. O Rodrigo era relutante mas a Anita nos vendeu seu ipad 2 novinho em folha, ainda na caixa, com um belo desconto e já conectado à internet. Como ela conseguiu convencer o Rodrigo? Simples, usando um dos poucos argumentos que poderiam pegá-lo: Olimpíadas de Londres LIVE! Hahaha! Afinal seria um privilégio poder assistir as provas preferidas dele na estrada.

Despedida da Anita, em Princeton Junction, New Jersey - Estados Unidos

Despedida da Anita, em Princeton Junction, New Jersey - Estados Unidos


A Anita ainda nos preparou um almocinho brasileiro delicioso! Arroz, feijão, frango e salada com a melhor companhia da Chevres Family & Friends! De quebra ainda aprendi uma sobremesa deliciosa: nectarina assada na churrasqueira com açúcar, canela e sorvete de creme. Hummm! Maravilhoso! A noite ainda pudemos assistir com o Larry as primeiras provas de natação em Londres acompanhado de um belo calzone.

Almoção de domingo com amigos da Anita no quintal da casa em Princeton Junction, New Jersey - EUA

Almoção de domingo com amigos da Anita no quintal da casa em Princeton Junction, New Jersey - EUA


Deliciosa guloseima preparada pela Anita, de sobremesa, em Princeton Junction, New Jersey - EUA

Deliciosa guloseima preparada pela Anita, de sobremesa, em Princeton Junction, New Jersey - EUA


No dia seguinte tomamos coragem e finalmente caímos na estrada rumo ao Canadá! No caminho paramos em Jersey City no parque conhecido como Empty Sky, localizado no Liberty State Park à beira do Hudson River, com uma vista maravilhosa para Manhatan e o skyline onde um dia estiveram as Torres Gêmeas.

Orla do Hudson River, com Manhattan ao fundo, nos Estados Unidos

Orla do Hudson River, com Manhattan ao fundo, nos Estados Unidos


A inconfundível skyline de Manhattan, vista de New Jersey, nos Estados Unidos

A inconfundível skyline de Manhattan, vista de New Jersey, nos Estados Unidos


O memorial é emocionante, o monumento principal tem duas grandes paredes idênticas que simbolizam as Torres Gêmeas e trazem nomes de todos os 746 cidadãos de New Jersey que morreram no atentado de 11 de Setembro de 2001 e no atentado ao Pentágono em 1993.

Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos

Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos


Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos

Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos


Nós queríamos muito entrar em Nova Iorque com a Fiona, rodar entre os prédios e avenidas mais famosos do mundo, mas o trânsito da ponte nos deu um baita desânimo e por isso deixamos aqui registrada a nossa passagem pela ilha com a Fiona.

Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos

Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos


Após uma parada na AT&T para liberar o Ipad seguimos viagem até a pequena cidade de Plattsburgh. Amanhã um novo país: Canadá!

A equipe 1000dias completa, em frente à Manhattan, em Nova York - EUA

A equipe 1000dias completa, em frente à Manhattan, em Nova York - EUA

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Empty Sky, Família, Jersey City, Liberty State Park

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Real de Catorce

México, Real de Catorce

No nosso caminho de subida pelo México passamos por alguns Pueblos Mágicos como a cidade de Comitán de Rodriguez e San Cristóbal de las Casas em Chiapas, Tequila no estado de Jalisco e Loreto na Baja California.

Caminhando em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Caminhando em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Pueblo Mágico é um programa desenvolvido pela Secretaria de Turismo do México para cidades com potencial turístico por sua riqueza cultural, relevância histórica e beleza natural. As cidades possuem características como a forte influencia do passado indígena, grandes legados arquitetônicos e históricos do período colonial espanhol, a preservação de tradições seculares e ancestrais ou sítios de relevância na história do México. Para facilitar a vida dos turistas e garantir o clima aconchegante de um pueblo mágico, as cidades eleitas para o programa devem ter abaixo de 20 mil habitantes e estarem localizadas a menos de 200km por estrada de um grande destino turístico.

A linda região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

A linda região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


No nosso regresso a solos mexicanos alguns destes pueblos também estão no roteiro, porém um deles não estava previsto na rota, por pura falta de informação. Foi Gera, um amigo brasileiro que vive aqui no México, que nos salvou da ignorância geográfica e alumiou nossos caminhos rumo a um dos lugares mais mágicos que já visitamos nestes 1000dias, a pequena cidade de Real de Catorce.

Chegando à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Chegando à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Real de Minas de Nuestra Señora de la Limpia Concepción de Guadalupe de los Álamos de Catorce está localizada a 2.750m.s.n.m, nas montanhas da Sierra de Catorce em meio à Sierra Madre Oriental. Desde 1.772, Real, para os íntimos, já era um pequeno povoado mineiro e apenas em 1.777 recebia oficialmente o nome de “Los Catorce”. O nome curiosamente surge por ser nesta região onde atuava um grupo de 14 bandidos que roubavam dos ricos para ajudar aos pobres, uma versão mexicana do bando de Robin Hood.

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Foi apenas em 1.779 que começou a verdadeira extração de prata na região, quando milhares de garimpeiros e aventureiros se embrenharam por caminhos inexistentes para tentar enriquecer nestas novas minas de esperança no deserto potosino, no norte do México. Em 1.803 Real de Catorce já era a segunda maior cidade de produção/extração de prata da Nova Espanha.

Luz de fim de tarde em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Luz de fim de tarde em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


No final do século XIX a cidade chegou ao seu auge, com mais de 15 mil habitantes e uma elite espanhola riquíssima, grandes fazendas e pequenos palácios aos pés das minas desfrutavam de todo o luxo vindo do continente europeu. No início do século XX o preço da prata despencou e a cidade foi praticamente abandonada, criando assim mais uma atração turística para os que passam por ali, o Pueblo Fantasmo.

Caminhando pelas ruas de pedra de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Caminhando pelas ruas de pedra de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


O acesso mais direto para a cidade se dá por um túnel de 2,3km abertos pela mineração no meio da montanha, liberado ao acesso público no ano de 1901. Naquela época apenas os grandes senhores e mais nobres visitantes podiam passar por este caminho. Cruzamos o estreito túnel sem acreditar no que víamos, mal sabíamos que este era um verdadeiro portal para um mundo mágico que estávamos prestes a conhecer.

O incrível túnel na rocha que dá acesso à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

O incrível túnel na rocha que dá acesso à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


A pequena cidade hoje possui pouco mais de 1.300 habitantes que seguem suas vidas quase como se estivessem a 2 séculos atrás. A prata se foi e o turismo chegou dando nova vida à pequena cidade, mas sem mudar os seus hábitos, tradições e afazeres cotidianos. Aqui o turismo se adaptou aos antigos hábitos e passou a consumi-los: os homens cavalheiros, com seus chapéus ajeitam seus cavalos para passeios pelas montanhas e desertos. Mulheres cuidam das casas, vendem gorditas, pães, queijos e seus artesanatos, enquanto crianças correm pelas ruas, curiosos com os turistas que hoje já são, sabidamente, sua nova fonte de renda.

Manhã de ceú azul em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Manhã de ceú azul em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


A cidade nunca foi totalmente abandonada graças à sua importância religiosa para o povo cristão e Huichol. A peregrinação católica acontece em outubro para o São Francisco de Assis e durante todo o ano a região recebe indígenas, culminando na primavera, quando milhares de wixakiras visitam o Deserto de Chihuahuan. O principal ponto de culto e peregrinação para a cultura Huichol nesta região é o Cerro El Quemado, centro do universo na sua cultura, onde teria nascido o Deus do Fogo, Tatewari.

Interior da igreja matriz de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Interior da igreja matriz de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


No deserto, que se vê do alto do Quemado, eles acreditam estar localizados espelhos ou portais que dão acesso a outra dimensão. Há pouco tempo grandes empresas de mineração começaram a mapear a área com novas tecnologias de leitura aérea, onde descobriram novas reservas de ouro e prata e sim, exatamente onde estão estes portais wixarikas (Huichol), lugares sagrados para a sua cultura e onde se dá a comunicação com os seus Deuses e o mundo espiritual.

A bela região ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

A bela região ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


Em 2001 a região foi designada um Sítio Sagrado Nacional do estado de San Luis Potosí, porém em 2009 uma corporação canadense comprou os direitos de exploração subterrânea para as riquezas minerais da área, sendo 80% das terras dentro da área de proteção ambiental.

Aos que, como eu e as nações indígenas, acreditam no planeta terra como um ser vivo, onde suas rochas e minerais podem representar pontos energéticos de equilíbrio deste corpo, banhado por rios, como suas artérias e florestas como os seus pulmões, a exploração e destruição de um lugar como este é um prejuízo inestimável não apenas para a cultura Huichol, como para todos os seres humanos. O mundo está adoecendo, o desequilíbrio entre homem e natureza não se vê apenas nas toneladas de lixo que estamos produzindo e lançando ao mar, alimentando peixes e pássaros, mas também no esgotamento das matérias primas que formam e dão equilíbrio a energia da Terra.

Um belo cactus no deserto da região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Um belo cactus no deserto da região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


A população de Real de Catorce, unida à comunidade Huichol e ONGs ambientais, está engajada neste assunto tentando parar a reabertura das minas e abertura de novas minas na região. A luta, porém, é muito desigual no mundo atual, onde a exploração e a sede por lucratividade das grandes empresas mineras, que contam com assistência legal especializada, passam por cima da sabedoria e conhecimento deste povo antigo e de toda uma cultura para benefício privado. Isso não está ocorrendo apenas aqui, infelizmente, são várias frentes da grande mineração que está chegando para destruir não apenas a natureza, mas diversas culturas que dependem deste meio para sobreviver.

Charmoso restaurante de pedra em em Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México

Charmoso restaurante de pedra em em Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México


Delicioso aperitivo feito com flores de cactus, em restaurante de Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México

Delicioso aperitivo feito com flores de cactus, em restaurante de Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México


Chegamos a Real sem saber exatamente o que encontraríamos e nos deparamos com um lugar cheio de histórias, lendas, cultura e natureza. Após um jantar delicioso no Mesón de la Abundancia, provando botanas de flor de cactos, decidimos explorá-la mais de perto em uma cavalgada mágica que nos levou pelos caminhos da cultura do deserto potosino. Aguardem cenas dos próximos capítulos!

Cavalos prontos para nossa cavalgada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Cavalos prontos para nossa cavalgada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

México, Real de Catorce, deserto, Deserto Chihuahuan, Pueblo Mágico, San Luis Potosí

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Boneiru

Bonaire, Kralendijk, Rincon

Admirado com o lincrível pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Admirado com o lincrível pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire


Bonaire, uma ilha de apenas 18 mil habitantes, está situada no mar do Caribe, perto da costa da Venezuela. Descoberta em 1499 pelos espanhóis que apenas arrancaram os índios que lá viviam para mão de obra escrava na ilha de Hispaniola. Abandonada pelos espanhóis, ela acabou ficando sobre os auspícios portugueses, que estavam na ilha vizinha de Curaçao. Estes a venderam para os holandeses, que precisaram de uma base militar nas guerras contra os espanhóis. Alguns dizem que o seu primeiro nome foi “Isla do Palo Brasil”, embora seja difícil acreditar que esta árvore estivesse lá, em uma terra tão seca e diferente de nossas matas verdejantes.

Extração de sal em South Pier, no sul de Bonaire

Extração de sal em South Pier, no sul de Bonaire


Foi no período da ocupação holandesa, nos idos de 1620, que a Dutch West India Company iniciou a exploração de sal, que até hoje é uma das principais economias da ilha. Depois disso a ilha ainda passou pelas mãos dos ingleses duas vezes, durante as guerras Napoleônicas, até que em 1814, finalmente voltou ao comando holandês. Durante a Segunda Guerra Mundial ela foi utilizada como base militar e aérea para as tropas americanas e inglesas. O Flamingo Aeroporto, utilizado até hoje, foi construído nesta época pelos americanos.

Chegando ao aeroporto de Kralendjik, capital de Bonaire

Chegando ao aeroporto de Kralendjik, capital de Bonaire


Hoje, mesmo com a dissolução das Antilhas Holandesas, Bonaire escolheu continuar território holandês. A sua capital é Kralendijk e o segundo maior povoado é a cidade de Rincon, das mais antigas, construída no interior pois estaria mais protegida de ataques de piratas.

Igreja em Rincon, cidade no norte de Bonaire

Igreja em Rincon, cidade no norte de Bonaire


Toda esta diversidade cultural trouxe às cidades uma arquitetura colonial mesclada, sinceramente um pouco difícil de ser reconhecida. As influências, porém, ficaram claras e podem ser facilmente reconhecidas na língua nativa, o Papiamento. Esta é reconhecida como a segunda língua oficial, após o holandês, é claro.

Quase compramos um livro que ensina papiamento (no aeroporto de Oranjestad, em Aruba)

Quase compramos um livro que ensina papiamento (no aeroporto de Oranjestad, em Aruba)


Papiamento - Português
Bonbini - Bem-vindo
Bon dia - Bom dia
Bon tardi - Boa tarde
Bon nochi - Boa noite
Pasa bon dia! - Tenha um bom dia!
Por fabor - Por favor
Boneiru – Bonaire (com a mesma pronuncia do inglês)

Olhando assim parece ridiculamente fácil para nós, porém na realidade é praticamente impossível entender-los. O sotaque se parece mais com algum dialeto africano, que usa palavras em espanhol, português e no inteligível holandês. Uma beleza! Mas não se assustem, depois de 4 dias ouvindo a rádio eu já até conseguia entender do que se tratava a notícia.

Bonaire, 'Divers Paradise'

Bonaire, "Divers Paradise"


Além do sal, a principal economia da ilha atualmente é o turismo. Já nos anos 60 a ilha recebia pessoas interessadas em mergulho e snorkell, porém foi a partir da década de 80 que este negócio passou a ser mais explorado. Hoje a ilha possui dezenas de resorts ao seu redor com infra-estrutura para receber mergulhadores de todos os cantos do mundo! Nem preciso dizer que nós viemos aqui para mergulhar! Mas esse é assunto para o próximo post.

O belo mar da região de Karpata, no norte de Bonaire

O belo mar da região de Karpata, no norte de Bonaire

Bonaire, Kralendijk, Rincon, Antilhas Holandesas, Caribe, mar, papiamento

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Trâmites Portuários

Colômbia, Cartagena, Panamá, Colón, Cidade do Panamá

Alguns dos documentos requeridos ou processados para o  envio da Fiona da Colômbia ao Panamá

Alguns dos documentos requeridos ou processados para o envio da Fiona da Colômbia ao Panamá


Há duas formas de enviar o carro, ou por contêiner ou como carga solta, também conhecido como Ro-Ro. A princípio pensamos em fazer o transporte da Fiona por contêiner, nos diziam ser muito mais seguro. Porém, o preço é quase o dobro e aí teríamos que contratar um agente para fazer os trâmites, o que não diminuiria muito o nosso trabalho, pois precisamos estar presentes em todas as inspeções e definições no porto.

Instruções para o processo de envio da Fiona da Colômbia ao Panamá

Instruções para o processo de envio da Fiona da Colômbia ao Panamá


Do tal agente portuário, estamos esperando resposta até agora, com custos e opções. Se quiserem a indicação de alguém, Rodrigo conheceu uma agente no porto que pareceu agilizada. Embora não tenhamos contratado ela ajudou Rodrigo e Patrício nas idas e vindas entre a Sociedade Portuária e o Contecar.

Documento emitido no porto, um dos muitos no processo de envio da Fiona da Colômbia ao Panamá

Documento emitido no porto, um dos muitos no processo de envio da Fiona da Colômbia ao Panamá


Coloco abaixo uma planilha comparativa com as informações gerais. Deixando claro que esta foi a nossa experiência, para ajudar os que planejam esta viagem a ter uma noção de como funcionam as coisas. As regras podem mudar de uma hora para outra e tampouco somos especialistas em trâmites portuários. Aí vai:

TRANSPORTE DE UM CARRO ABAIXO DE 20m3
(Cubicagem média de uma van ou uma caminhonete tipo Fiona)

Dúvidas mais frequentesCarga SoltaContenedor1000dias
Empresa de CargasNaves ColômbiaSea Board MarineNaves Colômbia
Agente portuárioNão obrigatório. Se quer mesmo assim, custa em torno de US$ 165,00Agente obrigatório, honorário incluido no custo abaixo.Rodrigo Junqueira, vulgo maridão.
Tempo médios p/ trâmites (sem contar feriados e fds)4 dias4 dias11 dias
Quantos dias para ingressar o carro no porto?Dois dias antes do navio aportar.Pode-se ingressar antes, pagando a bodegagem dos dias excedentes.12 dias
Quanto tempo para o transporte?Depende do itinerário do navio, em geral 1 dia. Depende do itinerário do navio, em geral 1 dia. 1 dia
Quantos dias para desembaraçar o carro no Panamá?1 a 3 dias1 a 3 diasa confirmar
Seguro de Vida (com liberação da adm. portuária)Obrigatório. Custa em torno de 50 mil pesos para 3 dias na Liberty Seguros.Obrigatório. Custa em torno de 50 mil pesos para 3 dias na Liberty Seguros.Fizemos com Liberty por 2 dias e pedimos extensão por mais 3.
Custo de bodegagem no Contecar (primeiros 3 dias gratuitos)US$ 5,00 por dia (aprox.)Varia conforme o volume do conteiner.2 dias - 17 mil pesos
Inspeção DIANDia de entrada no porto.Dia de entrada no porto.17/nov
Inspeção Anti-NarcóticosDia de chegada do navio.Dia em que o carro é colocado no conteiner.Reagendada 3 vezes, feita no dia 20/11.
Nível de EstresseAltíssimoMédioSurreal
Pior que pode acontecerFurtos pequenos no veículo.Mais burocracia, por isso deve-se contratar o agente.Quase tudo!
Preço Médio (aproximado)US$ 900,00US$ 1.600,00US$ 900,00


DOCUMENTOS EMITIDOS NO PROCESSO

Documento colombiano da Fiona

Documento colombiano da Fiona



A sua primeira visita a Naves será bem esclarecedora e eles já lhe darão um papel com todos os procedimentos. Estes são os principais documentos emitidos durante o processo. É claro que para se chegar neles existem mais de um formulário que deve ser preenchido em cada etapa do processo, na Sociedade Portuária, DIAN e Contecar.

• Seguro de Vida - obrigatório para entrar nas dependências do porto.
• Inscrição do responsável do veículo no porto, com seguro de vida e documentação válida (passaporte) – irá liberar a entrada do responsável no porto.
• Documento de Autorização de Re-Exportação ou saída de veículo de turista (DIAN) – este é retirado com a apresentação do documento de Importação do Veículo já retirado na fronteira de entrada.
• Agendamento da inspeção do DIAN, retirado junto da autorização de re-exportação.
• Agendamento da inspeção Anti-narcóticos um dia antes da chegada do buque.
• Bill of Lading – documento que comprova o envio do carro, pagamento do frete e os impostos. Será emitido após o pagamento do frete e com o carro embarcado. Imprescindível para a retirada do carro no Panamá.

O tão desejado 'Bill of Laden', documento vital para envio da Fiona da Colômbia ao Panamá

O tão desejado "Bill of Laden", documento vital para envio da Fiona da Colômbia ao Panamá



GLOSSÁRIO PORTUÁRIO CARTAGENERO

Ro-Ro - "Roll in, Roll out" - traduzindo carro é dirigido para dentro e para fora do barco.
Contenedor – contêiner, aquela caixa grande de ferro feita para transporte de mercadorias.
Buque - Navio que levará seu carro.
Bill of Lading - Papel de Embarque, nosso amigo "Binladen".
Naviera - Companhias donas dos navios.
Cubicage - Metragem cúbica do seu carro - Altura x Comprimento x Largura.
Bodegage - Armazenagem.
Contecar - Porto a 15 km do centro antigo.
Sociedad Portuária - Sede admintrativa do porto em Manga, há 2 km do centro antigo.
El buque vá retrasar - Tudo aquilo que você não quer ouvir.
El buque fue cancelado - Fodeu! Espere o próximo navio.

A Fiona muda de navio para viajar ao Panamá

A Fiona muda de navio para viajar ao Panamá


As últimas dicas que posso dar é que vocês verifiquem com a companhia naviera que fará o seu transporte, qual é a próxima data disponível, antes de ir à Cartagena. Nós ficamos 12 dias lá não só por atrasos dos buques e festas, mas também por não ter feito esta ligação. Assim vocês poderão ficar uns dias a mais em Mompós, Medellin ou mudar o roteiro sem grandes problemas. É válida a tentativa de reserva de espaço no buque por email ou telefone, garantindo que não perderão a viagem por falta de espaço. Cheguem com pelo menos 5 dias úteis de antecedência na cidade e garantam que não há nenhum feriado no período. Se algo der errado, que não seja por falta de tempo. Espero que as informações acima tenham ajudado no planejamento da próxima aventura. No mais só posso desejar uma ótima viagem e que voltem com muitas histórias para nos contar!

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