0 Blog da Ana - 1000 dias

Blog da Ana - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

arqueologia cachoeira Caribe cidade histórica Estrada mar Mergulho Montanha parque nacional Praia Rio roteiro Trekking trilha

paises

Alaska Anguila Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Galápagos Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Venezuela

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Há 2 anos:

No fundo no Grand Canyon!

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon

Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Todos nós conhecemos as imagens do Grand Canyon, uma das 7 maravilhas naturais do Planeta Terra, este imenso cânion recortado pelo Rio Colorado e esculpido pelas eras glaciais, ventos e intempéries do tempo.

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


O que ninguém realmente pensa é como será olhar para cima e enxergar esta grandiosidade de onde nós, indubitavelmente, somos apenas um pequenino grão de areia. Lá de baixo é de onde temos a proporção da nossa pequeneza diante do processo geológico e do tempo que fazem parte desta paisagem.

Já no final da tarde, subindo a trilha do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Já no final da tarde, subindo a trilha do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Rio Colorado no canion interior do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Rio Colorado no canion interior do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Lá do alto muitas vezes imaginamos, será que alguém um dia já esteve lááá embaixo, nas entranhas do Grand Canyon? Bem, vocês sabem que o ser humano é movido por uma curiosidade, um instinto e principalmente pelo desafio. O primeiro europeu a se aventurar pelo South Rim foi o conquistador espanhol Francisco Vásquez de Coronado, em 1540, seus soldados, porém, não tiveram sucesso em descer até o rio. Mais de 200 anos se passaram até que outro europeu tentasse fazer a travessia do Grand Canyon com a ajuda dos indígenas da Nação Hualapai, que até hoje vivem nos arredores do West Canyon. Porém foi em 1869 que o Major John Wesley Powell, 9 homens e suplementos para 10 meses de expedição, partiram do Green River em Wyoming, encontrando as águas do Rio Colorado em Utah e percorrendo as corredeiras do Rio Colorado por mais de 3 meses até chegar ao “Big Canyon”. Foi Powell, lá do alto da sua pequeneza, que pela primeira vez usou o termo “Grand Canyon” ao se referir ao grandioso acidente geográfico.

O Rio Colorado, visto da parte norte do desfiladeiro, no Grand Canyon,  no Arizona, nos Estados Unidos

O Rio Colorado, visto da parte norte do desfiladeiro, no Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Nós chegamos ao Grand Canyon no inverno, com temperaturas de -18°C durante a noite, e mesmo assim não nos passou pela cabeça, nem por um minuto, em não descer esta trilha para conhecer uma das mais antigas entranhas do nosso continente. Só nos demoveria desta ideia algum ranger bem informado e muito convincente, com dados recentes sobre as condições da trilha e da previsão de tempo.

Auto retrato durante a subida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Auto retrato durante a subida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A boa notícia é que enquanto o South Rim está a 2.100m de altitude, a base do cânion está a apenas 800m sobre o nível do mar, ou seja, muito mais quente. A má notícia (principalmente para os preguiçosos) é que nós temos que descer 1.300m até o Rio Colorado e depois temos que subir os mesmos 1.300m! A rota até pode ser feita em um dia, mas além de não ser indicado, por somarem mais de 26 km de extenuante caminhada, não vale a pena descer uma das trilhas mais lindas que você já fez na sua vida, para voltar correndo e não aproveitar a paisagem, ficando sem tempo de explorar um pouco mais das vistas, trilhas e cânions que existem lá embaixo.

Cruzando ponte sobre o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Cruzando ponte sobre o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Existem duas trilhas para acessar a base do cânion e normalmente os hikers utilizam uma delas para descer e a outra para subir, fechando o circuito e conhecendo todo o caminho. A rota mais utilizada, principalmente no inverno, é a descida pela South Kaibab Trail e a subida pela Bright Angel Trail.

Descendo a trilha do Grand Canyon em meio a uma paisagem impressionate! (no Arizona, nos Estados Unidos)

Descendo a trilha do Grand Canyon em meio a uma paisagem impressionate! (no Arizona, nos Estados Unidos)


Nós decidimos fazer a caminhada em dois dias, acampando uma noite no Bright Angel Campground, com as temperaturas previstas para 0°C, totalmente suportável com os nossos super sacos de dormir e os novos lençóis térmicos. Empacotamos tudo, nos abastecemos no supermercado da vila e logo estávamos prontos para a nossa aventura. Na manhã seguinte deixamos o carro estacionado no parking do Back Country Office e pegamos o Hikers Bus, shuttle do parque especial para hikers, que passa por ali as 8h05 e as 9h05 da manhã.

No ônibus, a caminho do início da trilha para descer o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

No ônibus, a caminho do início da trilha para descer o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Nós e vários outros hikers entramos na trilha nevada pouco mais de 9h30. A maioria estava utilizando freios/stoppers para neve, um aparato que você coloca na sua bota ou tênis de caminhada que te dá mais aderência na neve. Nós compramos um simples, mas decidimos tentar descer sem eles, apenas usando os nossos bastões. Esta trilha está mais tempo no sol, por isso o trecho com neve era menor. Ela já começa com um ziguezague animal, super estreito e inclinado com uma vista surreal do cânion!

Visão de um ensolarado Grand Canyon, antes de iniciarmos a trilha que desce até o rio Colorado, no Arizona, nos Estados Unidos

Visão de um ensolarado Grand Canyon, antes de iniciarmos a trilha que desce até o rio Colorado, no Arizona, nos Estados Unidos


Ali, nos primeiros metros de trilha encontramos um paulista fotografando e já pensando em voltar, desacostumado e um pouco preocupado com a quantidade de neve. Realmente um escorregão ali não é nada bem vindo.

Início da trilha de descida do Grand Canyon, o caminho cheio de neve e gelo, no Arizona, nos Estados Unidos

Início da trilha de descida do Grand Canyon, o caminho cheio de neve e gelo, no Arizona, nos Estados Unidos



A South Kaibab começa em uma elevação de 2.213m e está dividida basicamente assim:
- Trailhead até a Cedar Ridge: 2,4km – 347m de perda de elevação
- Cedar Ridge para Skeleton Point: 2,4km – 274m de perda de elevação
- Skeleton Point para Tip Off: 4,2km – 463m de perda de elevação
- Tip Off até o Bright Angel Campground: 2,4km – 274m de perda de elevação

Total Trailhead até o Bright Angel Campground: 11,3km – 1.457m de perda de elevação.

Início de caminhada, a trilha ainda na sombra enquanto, ao fundo, o sol inunda o Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Início de caminhada, a trilha ainda na sombra enquanto, ao fundo, o sol inunda o Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Esta trilha é simplesmente maravilhosa! A cada virada, cada passo você está mais próximo de uma parede vermelha, amarela ou terracota, com pedras gigantes, mirantes e paisagens deslumbrantes. Cada curva desvenda novas vistas e novos ângulos do cânion, com a luz diretamente a sua frente, simplesmente perfeita.

Durante a trilha de descida, admirando a paisagem do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Durante a trilha de descida, admirando a paisagem do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Fizemos uma parada para um lanche, várias paradas para fotos e mais ou menos na metade do caminho conhecemos uns locais, que frequentam esta trilha pelo menos duas vezes ao ano. Steve e sua esposa moram em Phoenix, ela super atlética ia e vinha na trilha para se esquentar e não perder o pique. Passava em frente e voltava para ver “onde estava o marido”, carregando uma mochilona nas costas. Ele super viajado tinha um papo interessante, nos contando de suas viagens de carona, ônibus e barco pelos caminhos da América Latina.

Despedida de amigos na trilha ao longo do Bright Angel Canyon, um dos 'afluentes' do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Despedida de amigos na trilha ao longo do Bright Angel Canyon, um dos "afluentes" do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Isso é uma coisa ótima aqui nos EUA, sempre encontramos pessoas de todas as idades nas trilhas, jovens senhores super atléticos como eles (que beiravam os 60 anos) e jovens avós como o Pat, de 45 anos, que veio do Kansas para conhecer o Grand Canyon e já voltava para casa, afinal em poucos dias será o Natal e ele tem a família e seus 3 netos o esperando em casa. Pat nos acompanhou até a primeira vista do Colorado River, ponto alto e emocionante da trilha. Lá do alto já pudemos avistar os barcos de rafting que cruzam o Rio Colorado em expedições de uma semana ou mais, acampando ao longo do rio, deve ser uma delícia!

Acampamento de expedição que navegava pelo rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Acampamento de expedição que navegava pelo rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Nós mal percebemos, mas esta última descida é a mais íngreme e exposta da trilha, com vista direta para o Colorado e vários ziguezagues, ora olhando para as montanhas, ora para a ponte que nos leva ao outro lado do rio, ora para um dos principais pontos de referência de todos os hikers dentro do cânion, o Templo de Zoroastro.

Com um companheiro de trilha, admirando a parte interna do Grand Canyon,  no Arizona, nos Estados Unidos

Com um companheiro de trilha, admirando a parte interna do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A chegada ao rio nos reservava ainda uma passagem ainda mais simbólica, um túnel feito na rocha, dando acesso à Kaibab Bridge, ponte que atravessa o Rio Colorado. É como se estivéssemos entrando em um portal do tempo, um lugar encantado que poucos privilegiados têm a sorte de estar.

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Chegamos ao camping um pouco antes das 14h30, montamos a barraca, organizamos o acampamento e saímos novamente para uma caminhada ao longo do Bright Angel Creek, e subimos um trecho da trilha do Clear Creek. Subimos por quase uma hora para vermos lá de dentro do cânion o pôr do sol contra as paredes multicoloridas que nos rodeavam. Lá do alto vemos novamente o rio Colorado serpenteando entre as montanhas, ao longe as altas paredes do South Rim de onde vinha o cintilar dos flashes dos turistas, minúsculos em seus confortáveis mirantes.

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Magnífica vista do rio Colorado, no alto da trilha Clear creek, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Magnífica vista do rio Colorado, no alto da trilha Clear creek, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Foi daqui que tivemos a noção do tamanho da encrenca do Tip Off, trecho exposto da trilha, vendo dois hikers minúsculos que enfrentavam cada uma das curvas como se fossem despencar da trilha.

Vista da parte final da trilha que nos levou até o fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Vista da parte final da trilha que nos levou até o fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Voltamos ao acampamento, pegamos nossas lanternas, luvas e gorros e fizemos mais alguns quilômetros de caminhada para ver as estrelas aparecerem no céu, às margens do Rio Colorado. Momentos inesquecíveis, quando celebramos os nossos 1000dias de viagem, sem o fim do mundo, no fundo do Grand Canyon. Retornamos ao acampamento morrendo de frio, fizemos nosso jantar, macarrão ao molho gorgonzola e logo nos enfiamos em nossos sacos de dormir. Ainda era cedo, convidei o Rodrigo para ir ao Phanton Ranch, que abre suas portas a todos depois das 20h para uma cervejinha ao redor da lareira, mas mal tive tempo de terminar o convite e ele já estava roncando quentinho, estreando o seu novo saco de dormir de plumas de ganso. Eu demorei a dormir, entrei com roupas quentinhas dentro do lençol térmico e mais dois sacos de dormir, o meu (que suporta até -5°C) e mais o antigo saco de dormir do Rodrigo, que eu resolvi carregar morro abaixo e morro acima, como garantia. Uma noite na barraca nunca é uma noite bem dormida, mas esta, meus amigos, foi um inferno gelado. Demorei a pegar no sono, mas uma vez que todas as camadas fizeram efeito e o frio foi embora finalmente pude descansar.

Admirando e curtindo um espetacular fim de tarde no fundo do Grand Canyon, na parte alta da Clear Creek Trail, no Arizona, nos Estados Unidos

Admirando e curtindo um espetacular fim de tarde no fundo do Grand Canyon, na parte alta da Clear Creek Trail, no Arizona, nos Estados Unidos


Acampando no Bright Angel Canyon, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Acampando no Bright Angel Canyon, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


No dia seguinte sair de todo este ninho quentinho foi outro exercício de coragem. A luz da manhã entrando nas frestas do cânion era ainda mais bonita que a luz do final de tarde. No caminho do banheiro encontramos uma família de veadinhos, fofos demais, comendo algum de seus capins prediletos. Tomamos um chá e resolvemos colocar o pé na trilha novamente, antes de desmontar acampamento. Fomos à North Kaibab Trail, ao longo do Angel Creek, para conhecer um pouco do cânion mais estreito dentro do cânion, dentro do Grand Canyon.

Encontrando um pequeno cervo no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Encontrando um pequeno cervo no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Percorrendo trilha ao longo do Bright Angel Canyon, um dos 'afluentes' do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Percorrendo trilha ao longo do Bright Angel Canyon, um dos "afluentes" do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Andamos até a terceira ponte e eu decidi voltar tranquilamente, alongando e fotografando. O Rodrigo ainda decidiu correr até a quinta ponte. Encontrei novamente nossos amigos de Phoenix, que nos esperaram para a cervejinha no calor do Phanton Ranch ontem à noite. Nos despedimos do casal de aventureiros, ainda com uma esperança de, quem sabe, estender a nossa estada naquele mundo encantado no fundo do Grand Canion. Mas o dever e o tempo falaram mais alto e voltamos correndo desmontar o acampamento para começar o nosso caminho de volta.

O rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Estávamos na trilha pouco antes das 13h e agora pegaríamos a Bright Angel Trail para subir até o South Rim. A trilha é mais longa, pois tem trechos mais planos e no final um longo ziguezague. Começamos a caminhada ao longo do Rio Colorado, atravessando a Silver Bridge, dando um até logo à base do Grand Canyon. Beleza pouca é bobagem!

O rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Agora, precisávamos nos concentrar e subir esta trilha acelerados! Não queríamos chegar ao trecho nevado da trilha sem luz. Aí vai o perfil da trilha:

Bright Angel Trailhead (elevação 2.093m):
- River Resthouse to Bright Angel Campground: 2,4 km – 0m de ganho de elevação
- Indian Garden Campground até a River Resthouse: 5,2 km – 402m de ganho de elevação
- 3 Mile Resthouse até o Indian Garden Campground: 2,7 km – 289m de ganho de elevação
- 1 ½ Mile Resthouse até 3 Mile Resthouse: 2,4 km – 299m de ganho de elevação
- Trailhead até 1 ½ Mile Resthouse: 2 km – 345m de ganho de elevação

Total Bright Angel Campground à Trailhead: 15,3km – 1.335m de ganho total de elevação

Paisagem a meio caminho do fundo do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Paisagem a meio caminho do fundo do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Cruzamos diversas vezes o Bright Angel Creek até chegar ao platô onde está o Indian Creek Campground. A esta altura a máquina fotográfica já estava na mochila, bem longe do meu alcance, caso contrário não chegaríamos lá em cima a tempo. Andamos em passos acelerados, eu, bem orgulhosa do meu ritmo, morro acima e com o peso da mochila nas costas. Confesso que no início eu estava preocupada com o tempo e já vinha trabalhando o meu psicológico para uma possível noite de sono no Indian Creek Campground com temperaturas nada agradáveis.

Metade do caminho na subida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Metade do caminho na subida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Que nada! Em boa passada chegamos logo até ele e o pior ainda estaria por vir. Cruzamos casais e famílias inteiras, uma delas com uma menina de 7 anos e um bebê com menos de dois anos na cadeirinha nas costas do pai. A certa altura este bebê começou a chorar e ele não parou enquanto não chegou ao topo. Foram pelo menos duas horas de choro para o desespero dos pais, que tentaram de tudo para acalmá-lo, mas ele não lhes dava opção, “eu quero chegar, o que estou fazendo aqui?” devia estar pensando o menino.

A trilha serpenteia desfiladeiro acima, na subida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

A trilha serpenteia desfiladeiro acima, na subida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Outra famíla no caminho inverso descia lentamente e já bastante atrasada, um menino de 6 anos e sua grande mochila de explorador e sua irmã de uns 10 anos, que olhava para mãe e perguntava: “o que faremos se não conseguirmos chegar hoje?”. Eu não quis me meter, mas fiquei curiosa com qual seria a resposta. Pelo menos o parque nacional é bem estruturado, estas quebras no roteiro fazem os objetivos mais alcançáveis e o psicológico muito mais confiante.

Pausa para lanche e dscanso, subindo a trilha do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Pausa para lanche e dscanso, subindo a trilha do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Enfim, já quase no topo, ainda pegamos longos trechos de neve, parte com gelo, no interminável ziguezague de resthouses a resthouses. Chegamos ao Bright Angel Lodge exatamente 17h15, completamos os 15,3 km de trilha (morro acima) em menos de 5 horas, um ótimo tempo!

Já quase no alto, trecho de neve da trilha que sobre o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Já quase no alto, trecho de neve da trilha que sobre o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Já quase escuro, chegando ao alto do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Já quase escuro, chegando ao alto do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Dois dias em uma das trilhas mais lindas do mundo, logo após de termos feito a Kalalau Trail no Hawaii, eleita pela National Geographic uma das trilhas costeiras mais bonitas do mundo. Sem dúvida não há como compará-las, são belezas cênicas completamente diferentes e com cenários que não cansam de te impressionar e fazer valer cada passo e cada gota de suor deixada no caminho.

Pela primeira vez, observamos diretamente o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Pela primeira vez, observamos diretamente o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos



Organizando o Trekking para a Base do Grand Canyon

Vista do acampamento no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Vista do acampamento no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


O tempo ideal de estada na base do cânion é de pelo menos duas noites, assim você pode aproveitar para fazer algumas das várias trilhas na base do cânion, como a Clear Creek (10 a 12 km ida e volta) ou a trilha em direção ao North Rim até a Ribbon Falls (23km ida e volta - plana).

Percorrendo trilha ao longo do Bright Angel Canyon, um dos 'afluentes' do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Percorrendo trilha ao longo do Bright Angel Canyon, um dos "afluentes" do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A primeira parada para organizar um trekking à base do cânion, portanto, é o Back Country Office, próximo ao Bright Angel Lodge na Grand Canyon Village. Lá eles te fornecem um mapa, dão informações atualizadas sobre as condições da trilha e fazem a reserva do espaço para a área de camping. Na alta temporada (que significa todas as épocas, menos no inverno), é preciso reservar antes, pois o camping é bem concorrido. O permit para acampar é de 10 dólares (taxa) + 5 dólares por dia por pessoa.

Acampando no Bright Angel Canyon, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Acampando no Bright Angel Canyon, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A área de camping é bem organizada, dividida e numerada, todas são bem planas, tem mesas e caixas anti-ratos para a comida (um problema no camping), água potável e um banheiro, porém não oferece chuveiros.

Um dos alojamentos do Phanton Ranch, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Um dos alojamentos do Phanton Ranch, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Se dinheiro não for problema e você preferir fazer a caminhada mais leve, sem carregar mochilas pesadas com comida, equipamento de camping, etc, você também tem uma opção. Reserve com antecedência através do Bright Angel Lodge um quarto e as refeições no Phanton Ranch. O rancho na base do cânion oferece quartos comunitários (beliches com banheiro compartilhado) ou ainda chalés com banheiro privativo, quentinhos e bem confortáveis (Quartos de 89 a 135 dólares, café da manhã 24 dólares, lanche/almoço 12 dólares, jantar de 27 a 40 dólares. Os preços podem variar conforme a temporada).

Mulas trazem turistas do fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Mulas trazem turistas do fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Se você não é de trekking e caminhar 26km vai ser demais para a sua saúde, ainda há uma forma de conhecer o Grand Canyon por este ângulo. Toda a viagem pode ser feita em mulas. Para organizar a viagem com as mulas contate o Bright Angel Lodge e eles te darão todas as regras e informações necessárias. Que tal conhecer o Grand Canyon de outro ângulo?

Uma majestosa lua nasce sobre as paredes internas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Uma majestosa lua nasce sobre as paredes internas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon, Bright Angel Trail, Camping, Grand Canyon, National Park, parque nacional, South Kaibab Trail, Trekking, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

10.000 a.C.

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu)

Entrando no Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Entrando no Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Imaginem o mundo há 10.000 anos, como ele era? Quando estamos no escritório, em casa, nas cidades, shoppings, enfim, nas nossas vidas cotidianas, logo imaginamos o Discovery Channel, o NatGeo ou ainda lembramos daquele filme de mesmo nome lançado recentemente. Puxamos na nossa imaginação todas as referências que temos do mundo antes dele ser ocupado pelo homo sapiens sapiens. Será que ainda existiam os dinossauros? Eras glaciais? Homens das cavernas? Aí até os Flintstones aparecem na memória! Fazendo este exercício percebemos como estes míseros 10 mil anos estão distantes da nossa realidade.

Gigantesca clarabóia na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Gigantesca clarabóia na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Há 10 mil anos estava terminando a última era Glacial e o mundo já era habitado pela nossa espécie. Eles lutavam para sobreviver ao frio, utilizando as cavernas como abrigo. As cavernas por sua vez possuem outra perspectiva do tempo e do mundo. A terra existe há 4,5 bilhões de anos, desde então passou por diversas eras geológicas, se transformando e evoluindo com a passagem dos milhões de anos, até hoje. As cavernas presenciaram e fazem parte desta história, pois o processo de formação destas cavidades segue há alguns milhões de anos.

Rio Peruaçu, no interior da Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Rio Peruaçu, no interior da Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Rio Peruaçu, no interior da Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Rio Peruaçu, no interior da Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Todo este processo fica claro quando entramos em um monumento natural como a Caverna do Janelão no Vale do Peruaçu. É monumental, sensacional, fantástico! São paredes de mais de 100m de altura, formações espeleológicas gigantescas, como o cogumelo ou a perna da bailarina, que está no Guiness Book por ser a maior estalactite do mundo com 28m de comprimento.

Formação na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Formação na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


O maior estalagtite do mundo, a 'Perna da Bailarina', na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

O maior estalagtite do mundo, a "Perna da Bailarina", na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


A natureza vem trabalhando há 2 ou 3 milhões de anos esculpindo nesta rocha calcária as mais variadas formas, túneis e salões que hoje nos deixam boquiabertos por sua grandeza. Ali dentro devem ter passado dinossauros, preguiças gigantes e toda a grande fauna que um dia já habitou o nosso continente. Soubemos que em uma fazenda próxima ainda se encontra um fóssil de uma preguiça gigante! Que achado!

Formação na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Formação na Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Interior da Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Interior da Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Não é a toa também que ali, a apenas 45 minutos de caminhada, encontramos também curiosos painéis de pinturas rupestres, que um dia tiveram um significado completamente diferente para os nossos antepassados e hoje contam parte da história recente do nosso país.

Pinturas rupestres no 'Painel', no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Sabe-se que os nossos índios não chegaram a conhecer estes homens das cavernas. Como será que eles eram? O que será que se passava pela cabeça destes homens, mulheres e crianças que viviam em um mundo completamente diferente do nosso? Como eles se abrigavam o frio, o que eles comiam? Como se comunicavam? O que será que esses símbolos significavam para eles?

Pinturas rupestres no 'Painel', no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Todas essas perguntas surgem quando nos deparamos com um lugar como este. O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu possui potencial imenso para se tornar um dos principais parques de pesquisa geológica e antropológica no Brasil. E agora, depois de visitar um lugar como este, fica muito mais fácil responder a aquela pergunta. Imaginem o mundo há 10.000 anos, como ele era? Boa parte das respostas surgirá. Intuitivamente, pois em algum lugar dentro de você estas lembranças, seja em memória genética ou espiritual, existem.

Mirante do Buraco dos Macacos, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Mirante do Buraco dos Macacos, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu), Caverna do Janelão, Cavernas, espeleologia, parque nacional, Peruaçú

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

Baños e Salmonelas

Equador, Baños

Duas das muitas cachoeiras da Ruta de las Cascadas, em Baños, no Equador

Duas das muitas cachoeiras da Ruta de las Cascadas, em Baños, no Equador


Baños é uma cidade totalmente voltado para o turismo, tanto interno quanto para estrangeiros. Na rota de passagem para o Oriente, é uma ótima parada para os aventureiros que pretendem desbravar a selva amazônica equatoriana. Localizada aos pés do Tungurahua, vulcão hiper ativo que volta e meia dá o ar da graça com pequenas erupções, como no ano passado, ou com grandes erupções como a que ocorreu em 2006. Os povoados próximos do vulcão e até a cidade de Baños já foram evacuadas um par de vezes nos últimos 10 anos e hoje quem passou por isso afirma dormir sempre com um olho aberto.

O vulcão ativo Tungurahua, ao lado de Baños, no Equador

O vulcão ativo Tungurahua, ao lado de Baños, no Equador


Baños é famosa por suas águas termais de origem vulcânica, águas com propriedades curativas indicadas para reumatismo, problemas digestivos, gástricos, para a pele e os cabelos. Entretanto este verde vale ainda oferece diversos atrativos turísticos ligados ao ecoturismo, como o rafting, rapel, tirolezas, pedal, canyoning e ainda alguns esportes mais radicais com passeios em bugs turbinados, MotoCross, etc. Mochileiros de todos os cantos do mundo se encontram aqui para curtir a natureza e a atmosfera festiva da pequena cidade.

O canyon verde que liga Baños à Puyo, no Equador

O canyon verde que liga Baños à Puyo, no Equador


Para nós, o dia amanheceu chuvoso e com uma nova preocupação. Durante a noite Laura teve uma forte crise com os sintomas de salmonela. Noite de cão para Laura, nada parava em seu estômago, nem água... assim sendo, chamamos um médico que veio atendê-la na pousada, com soro na veia e medicação para dor. Antibióticos só pela manhã depois de confirmar o bicho no exame de sangue. 6am, ainda mal, ela não agüentou e foi direto para a clínica. O exame de sangue comprovou, Laura tem 5 tipos diferentes de salmonela no sangue com uma contagem altíssima! Coitada... mal chegou ao Equador de férias e já está no soro, completamente entregue. O médico, Dr. Gerardo Zumbana, é super viajado, já trabalhou em organizações como o Médico Sem Fronteiras na África, onde descobriu que nem todos são tão idealistas como ele. Casado com Dra. Irina Podaniova, russa. Ele fala pelo menos 5 idiomas e foi a nossa salvação aqui em Baños! Quem diria que encontraríamos uma clínica que mais parece um hotel, com a qualidade de atendimento impecável como esta? Bem, dos males o menor, a Lau já está medicada e agora é questão de tempo para matar as bactérias e poder continuar viagem.

A Laura se recupera  em seu quarto, em clínica de Baños, no Equador

A Laura se recupera em seu quarto, em clínica de Baños, no Equador


Enquanto isso, raptamos um pouquinho o Rafael que não saiu do lado dela um minuto, para conhecer um pouquinho os arredores. Com o tempo chuvoso, optamos por um passeio de carro pela Rota das Cachoeiras. São mais de 8 quedas d´água ao longo da rodovia, diversas tirolezas que cruzam o cânion, com mais de 80m de altura!

Bondinho leva turistas para perto de cachoeiras na Ruta de las Cascadas, em Baños, no Equador

Bondinho leva turistas para perto de cachoeiras na Ruta de las Cascadas, em Baños, no Equador


O retorno é feito em pequenos bondinhos, que mesmo em dia de chuva ficam lotados. À 18km de Baños na estrada para Puyos fica o Pailón del Diablo. Uma trilha de 20 minutos nos leva ao mirante desta cascata espetacular. A força da água cavou uma imensa garganta na rocha, um pequeno santuário onde a natureza mostra a sua força e beleza.

Visitando o famoso Pailón del Diablo, perto de Baños, no Equador

Visitando o famoso Pailón del Diablo, perto de Baños, no Equador


Retornamos à cidade com esperanças de ver a Laura melhor, seu quadro está melhorando mas ainda não recebeu alta. Segundo o Dr. Zumbana ela ainda precisará ficar mais um dia internada. O Rafa se mudou para a clínica, que by the way, tem uma cama bem mais confortável que a da nossa pousada! Rs! Jantarzinho no restaurante suíço, matando a vontade de raclete e o risco de adquirirmos mais salmonelas.

Atravessando ponte no Ruta de las Cascadas, em Baños, no Equador

Atravessando ponte no Ruta de las Cascadas, em Baños, no Equador

Equador, Baños, aventura, Cachoeiras, Ecoturismo, Ecuador

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

Praia cor-de-rosa

Bahamas, Eleuthera - Harbour Island

Um dia na praia...

Um dia na praia...


A cor da areia é rosa, um rosa bebê bem clarinho. Isso devido às conchas que se esmigalham e viram grãos cor-de-rosas, ajudando a formar esta areia colorida. O mar é azul transparente, isso por que estamos no Caribe e toda a formação da ilha é calcária, o que ajuda a filtrar a água nos seus arrecifes e praias. Em toda a praia encontramos uma alga, verdinha que parece couve refogada, beeeem fininha. São tantas algas que varrê-las já faz parte da rotina diária dos hotéis na beira da praia, todas as manhãs. Enquanto andamos observando esta cena, percebo que a praia está repleta de águas-vivas, ou “portugueses” como aprendemos por aqui e continuo rindo sozinha do nome que resolveram dar a este bicho, afinal, por que esse nome engraçado? Depois de olhar com cuidado as “portugueses” na beira da praia foi que me dei conta, não sei como isso não me ocorreu antes! Essas águas-vivas, cheias de fios daqueles bem doloridos, são conhecidas no Brasil como caravelas! Caravelas = Portugueses! Viu só, tudo tem um por que! Hahahaha! Filosofias de uma brasileira nas Bahamas... Quem agüenta?

Felizes na praia - Harbour Island - Bahamas

Felizes na praia - Harbour Island - Bahamas


Depois de andar na praia, estudar o nosso computador de mergulho da Fun Dive e cansar de me esconder do vento enrolada na toalha, resolvemos voltar à pousada e sair para uma corridinha. Uma bela forma de conhecer a Ilha. Corremos pelas novas vizinhanças, ainda não exploradas e percebi que realmente eu não estava tão “out” quando falei dos podres de ricos. Corremos pela Bay Street até chegarmos a uma praia formada na maré baixa, uma espécie de mangue seco. Digo uma espécie, pois não consigo ter certeza se é mangue ou não, já que aqui mangue não faz lama, mesmo se fizesse a lama seria rosa, e também não tem cheiro ruim. Seguindo por esta praia passamos por várias casas onde só se pode chegar de barco. Todas elas com seus barcos e iates nos seus piers privados, mesmo que vazias. É... realmente é mais fácil viver se olhamos para baixo na pirâmide, por que se olhamos para cima vemos como ainda somos pobres!

Relaxando na praias de areias rosa

Relaxando na praias de areias rosa


Mais tarde vamos para a pousada do John, figuraça, (vocês acreditam que até no enterro do Bob Marley ele foi?) ver o sol se por na baía, escrevendo os nossos posts. Jantar na Marina Valentines onde vamos deixar uma camiseta do 1000dias fazendo parte da decoração do bar, amanhã colocarei uma foto para vocês verem. Vamos ver qual será a programação do dia. Tínhamos mergulhos agendados, mas a droga do vento nordeste (eu achei que era noroeste) estragou todos os pontos de mergulho de Eleuthera... Acho que teremos que nos contentar com os corais e a praia cor-de-rosa.

Pôr-do-sol na pousada em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

Pôr-do-sol na pousada em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

Bahamas, Eleuthera - Harbour Island, Caribe, ilha, Pink Sand Beach, Praia

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Quetzaltenango

Guatemala, Quetzaltenango

A praça central da bela Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

A praça central da bela Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Hoje saímos de San Marcos em direção a segunda maior cidade da Guatemala, que possui em torno de 150 mil habitantes: Quetzaltenango! O nome é tão difícil que até os habitantes, fluentes em maia e K´iqche´, decidiram apelidar-la “Xela”, encurtamento do nome indígena Xelajú.

Friozinho gostoso em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Friozinho gostoso em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Xela está a 2.335m de altitude e tem um clima parecido com o de Curitiba. Frio de manhã, morno pelas 10h, 12h30 é aquele calor de rachar, 16h volta a ficar morno e no final da tarde começa a gelar. Xela estava tranquila, domingão, dia de ruas vazias, alguns turistas passeando por aí e de reunir os amigos na Praça Centro America, praça principal da cidade. Comemos um sanduíche no agitado Tejún, bar que fica na Pasaje Enriquez, entre a 12 e a 13ª Avenida.

Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


A maioria dos turistas que vemos por aqui são estudantes de espanhol, que vem para cá passar uma temporada de 1, 3 ou 6 meses estudando a língua e absorvendo a cultura local. Por isso também a cidade tem um clima bem festivo e vários barzinhos alternativos. Ainda assim a cidade conserva a sua identidade e características guatemaltecas, sem se perder nos “internacionalismos” que sempre aparecem com o turismo.

Monumento em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Monumento em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Há um fato histórico sobre a cidade que merece destaque. No início do século passado houve um movimento de 6 estados guatemaltecos para a criação de um novo país e Xela estava na liderança deste processo. Essa era a região mais rica do país, devido à imigração européia que existia, para terem uma idéia, o primeiro banco do país nasceu aqui. Essa região era abandonada pelo poder central da Guatemala e chegou a haver uma luta entre os separatistas e o governo, com derramamento de sangue e morte. A partir daí o governo viu que a coisa era séria e resolveu direcionar recursos para saúde, estradas e infra-estrutura, acalmando os ânimos dos “revoltosos”.

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Nos arredores de Xela está o principal motivo de estarmos aqui, o vulcão Tajumulco, ponto mais alto da América Central e amanhã, é para lá que nós vamos!

Guatemala, Quetzaltenango, Xela, Xelajú

Veja mais posts sobre Xela

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Bacteria Peruana

Peru, Huaraz, Trujillo

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra


Ontem, durante as três horas de viagem de Huaraz até a atual cidade de Chavín, eu já não estava me sentindo muito bem, mas foi na hora do almoço que eu não piorei de vez. As dores que eu comecei a sentir na caminhada estavam cada vez maiores e a infecção alimentar começava a ficar mais clara. Tomei chás com ervas medicinais preparados pela dona do restaurante, depois tomei um paracetamol para a febre que parecia começar a subir, entramos no carro e pegamos mais 3 horas de estrada. Foi uma tortura, cada buraco parecia piorar ainda mais a dor... o coitado do Rodrigo tendo que agüentar os meus gemidos, dirigindo e preocupado o meu estado.

Já próximos de Huaraz pedi para que parasse em um posto de saúde e eles nos encaminharam para o Hospital de Recuay. Preferi ir a um hospital de uma cidade menor, do que pegar uma fila imensa no hospital de Huaraz. Eu estava com 39,5°C de febre, já tinha tomado outro paracetamol e parecia não fazer efeito. Estava claro, eu tinha uma infecção alimentar, causada por algum alimento ou água consumida durante a trilha. Todos comeram o mesmo que eu, o que me fez desconfiar mais da água, que poderia ter sido mal fervida ou até mesmo enquanto eu escovei os dentes direto no rio. Sabe Deus!

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


Me deram uma injeção para baixar a temperatura e o antibiótico para a infecção. Fomos para o hostal, tomei um banho e dormi, acordando pelo menos umas 5 vezes durante a noite com as dores e principais sintomas da infecção. No dia seguinte eu fiquei o dia inteiro mal... a febre, mesmo depois da injeção, não cedeu e ficava variando entre 38 e 39°C, muito forte essa tal bactéria peruana! O Rodrigo comentou com a dona de nossa pousada que não titubeou em chamar à pousada um médico de sua confiança. Dr. Jorge Ramirez veio até a pousada, examinou e modificou a medicação, receitou a sulfa (ou bactericin) + paracetamol duplo se a febre subisse dos 38°C. Totalmente entregue, dormi o dia inteiro, tentando recuperar as energias. O Ro, meu amado protetor, conseguiu providenciar a medicação, uma sopinha de frango e muito gatorade! Enquanto isso o Rodrigo, além de cuidar de mim, teve que ficar lidando com a situação de Galápagos, verificando novas possibilidades, conversando com os padrinhos e decidindo o novo roteiro.

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru


No dia seguinte amanheci melhor, já bem mais disposta. As idas ao banheiro diminuíram e as dores também. Consegui até subir para tomar um café da manhã, interagir com uns turistas ingleses e tomar uma sopinha de frango feita pela Dona Nely, dona da pousada. Ganhamos um tempinho com a história do cancelamento de Galápagos, mas já usamos bem esse tempo para a minha recuperação. Agora, mesmo meio baleada, precisávamos continuar a viagem!

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


Pegamos a estrada para Trujillo pela Cordillera Negra. Lindas paisagens e vistas panorâmicas da vizinha Cordillera Blanca e vários povoados no caminho. Foram em torno de 6 horas de viagem até Trujillo, pude descansar mais um pouco e aproveitar, agora melhor, a companhia no meu marido amado. Instalados no Hostal Colonial, decidimos ficar um dia a mais em Trujillo e conhecer os templos e civilizações das redondezas, que antes iriam passar batido. Amanhã mais um dia mergulhados na história incrível desse imenso sítio arqueológico que é o Perú.

Peru, Huaraz, Trujillo, Hospital, médico

Veja mais posts sobre Hospital

Veja todas as fotos do dia!

Não nos deixe falando sozinhos, comente!

Churrasquinho a mineira

Brasil, Minas Gerais, Carrancas

Depois das cachoeiras, voltamos ao hotel, trabalhamos um pouco, enquanto aguardávamos pelos nossos “anfitriões” em Carrancas, Quilia e Rodrigo. Rodrigo é amigo do Aroldo e da Nê lá de Perdões e que administra uma fazenda aqui em Carrancas. Ambos estavam trabalhando durante o dia todo, mas havíamos combinado de nos encontrar à noite, antes de seguirmos viagem para São Tomé.

Rodrigo apareceu aqui na nossa pousada perto das 20h e já engatamos numa prosa boa. Bem que Quilia havia falado que ele era “gente boa dimais, engraçado dimais!”. Não demorou muito sugeri que fôssemos jantar em algum lugar por aqui mesmo. Mineiro é um povo muito hospitaleiro, então logo Rodrigo falou “Se tivessem avisado antes a gente fazia uma carne procês lá em casa, uai, assava uma carne e tomava uns lá”. Foi a nossa oportunidade! Estávamos super curiosos para conhecer a fazenda, muito falada pela Ne e pelo Aroldo.

“Ara”, não deu dois minutos e já estava tudo armado! Rodrigo convidou o Quilia e rumamos para a casa dele, na fazenda Serra das Bicas. Cervejinha de cá, pinguinha de lá e enquanto isso descongelava a carne.
O Quilia, cozinheiro experiente, acertou em cheio o tempero. Novamente nos esquentamos ao lado do fogão à lenha em meio a vários causos contados pelo Rodrigo. Eu parecia uma criança de 5 anos perguntando tudo sobre a fazenda. Porque? Como? Quando? Onde? E assim meus conhecimentos sobre esse mundo rural, ou melhor, agropecuário estão aumentando significativamente!

Pra variar, engatei na prosa e o Ro teve que me puxar para ir embora... Mas, como dizem os mineiros... “fazê u quê?”

Brasil, Minas Gerais, Carrancas,

Veja mais posts sobre

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Liworibo e o Salto Aponwao

Venezuela, Gran Sabana

Admirando o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

Admirando o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


Começamos a nossa aventura pela Gran Sabana venezuelana! Um lugar bem conhecido dos brasileiros do norte, principalmente do Amazonas e de Roraima, que aproveitam feriados e férias para conhecer as savanas e cachoeiras do sul da Venezuela. Uma terra de muitas belezas naturais cortada basicamente por uma única estrada, a 10, que sai de Santa Helena de Uairén, na fronteira com o Brasil, vai até Ciudad Guayana, 600 km ao norte e continua rumo ao Mar do Caribe. Nós percorremos esta estrada no sentido contrário, já que vínhamos de Ciudad Bolívar. Adiantamos parte do percurso dirigindo 5 horas até a cidade mineradora de El Callao, na fronteira norte da Gran Sabana.

Atravessando o centro garimpeiro de El Dorado, antes de entrar na Gran Sabana, na Venezuela

Atravessando o centro garimpeiro de El Dorado, antes de entrar na Gran Sabana, na Venezuela


El Callao se desenvolveu em torno da região mais rica em ouro na Venezuela. Durante mais de 300 anos os espanhóis buscaram o El Dorado ao longo do Rio Orinoco, porém foi apenas em 1849 que os garimpeiros espanhóis encontraram os ricos veios de ouro do Rio Yuruarí. Mais de 15 toneladas de ouro eram retiradas por ano nos idos de 1880 e a Venezuela se tornou a maior produtora de ouro do mundo, só perdendo o posto para a África do Sul anos mais tarde. Ainda assim calcula-se que 10% das reservas de ouro do mundo estão em terras venezuelanas e andando pelas ruas de El Callao fica bem fácil acreditar nisso.

Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela

Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela


Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela

Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela


Fizemos umas comprinhas básicas na cidade, água e frutas e seguimos viagem pela Gran Sabana, com paisagens lindas! No caminho pararíamos em um posto de gasolina para colocar diesel, mas a fila gigantesca nos fez desistir. Tínhamos combustível justo para chegar à Santa Helena e contávamos com um posto no km 88 ou ainda com o posto das Rápidas de Kamoirán, no km 171. Nenhum deles tinha diesel, portanto ficamos apenas com uma pequena folga para desviar até o Salto Aponwao.

Gran sabana, na Venezuela. O Brasil é logo ali!

Gran sabana, na Venezuela. O Brasil é logo ali!


O Salto Aponwao está dentro do Parque Nacional Canaima, um dos maiores parques nacionais do país. Só para terem uma ideia do tamanho, é o mesmo parque onde está localizado o Salto Angel, com acesso apenas via aérea. Localizado no norte da Gran Sabana, para chegar até ele é necessário estar em um veículo alto, preferencialmente com tração 4 x 4.

Placa informativa de estrada secundária na Gran Sabana, na Venezuela

Placa informativa de estrada secundária na Gran Sabana, na Venezuela


A Fiona nos leva através da Gran Sabana, na Venezuela

A Fiona nos leva através da Gran Sabana, na Venezuela


Saímos da estrada principal no km 140 e seguimos em direção à vila de Kawanayén. Rodamos 28 km até a região de Parupa e aí encontramos a trilha de areia e terra que nos leva até a Vila de Liworibo, onde está o Salto Aponwao. Lá chegando encontramos um dos moradores da vila pemón arikuna, o guia Omar.

O Luis, nosso guia na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

O Luis, nosso guia na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


A esta altura já havíamos decidido acampar por ali, compramos um enlatado na venda local, antes que fechasse, e subimos na curiara de Omar, (canoa motorizada) para cruzar o Rio Aponwao. Os tours mais curtos e fáceis te levam ao salto direto de canoa, mas nós preferimos caminhar. Andamos uns 15 minutos na canoa e 40 minutos cruzando a savana em uma trilha plana e fácil até o mirante do Chinak Merú, como é chamado o Salto Aponwao na língua pemón.

Pronto para ir conhecer o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

Pronto para ir conhecer o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


Caminhando na Gran Sabana, a caminho do Salto Aponwao, na Venezuela

Caminhando na Gran Sabana, a caminho do Salto Aponwao, na Venezuela


Uma cachoeira incrível, um rio que despenca do alto dos seus 105 metros e forma uma cortina d´água única em meio à Gran Sabana.

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela


Eu imaginava que poderíamos nos banhar nela, ledo engano! Há uma trilha que desce até o pé da cachoeira e quando o rio está mais baixo forma-se uma prainha onde é possível tomar banho. Não foi o caso hoje, a nuvem de água deixava todo o vale úmido e escorregadio, não muito convidativo para uma caminhada.

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela


Caminhando nas vastidões da Gran Sabana, na Venezuela

Caminhando nas vastidões da Gran Sabana, na Venezuela


Voltamos com o sol baixando, uma luz linda e pouco tempo para conhecer as outras pequenas cachoeiras da região, mas com tempo, lugares não faltam para serem explorados. No caminho Omar, sabendo dos nossos planos de acampar, nos convidou para dormir em sua casa (com alguma gorjeta voluntária) na Vila Indígena Pemón de Riwo Riwo. Nós estávamos curtíssimos de dinheiro e fomos sinceros com ele, ainda assim, pela amizade e pela companhia ele manteve o convite e abriu as portas da sua casa. A casa está vazia, pois ele se mudou com esposa e filhos para morar na casa da sua sogra, que já precisa de cuidados. Com visão e tino para o turismo, Omar (38) e sua esposa Natália (49) estão planejando transformar a casa “extra” da família em um albergue simples para turistas como nós que chegam por ali.

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Na casa cozinhamos uma sopa e um macarrão que eu sempre trago no carro, para os casos de emergência, e montamos nosso pequeno acantonamento, com isolantes térmicos e sacos de dormir. De noite faz frio na savana, ainda mais depois do temporal que caiu! Tomamos um banho rápido no rio que circunda a comunidade e, assuntando sobre combustível, descobrimos que um caminhão de suprimentos chegava na vila. A vila de não mais de 15 casas conta com uma igreja católica e uma escola. A professora do primário é a líder comunitária, a pessoa com maior grau educacional entre os integrantes do vilarejo. O mercador, dono do caminhão, é seu namorado e assim a vila tem este privilégio! Ele vende de tudo um pouco, luvas, botas, cordas, colchões, pequenos móveis, galões e o principal, ele faz o fornecimento do diesel para o gerador de luz da comunidade. Papo vai e papo vem, conseguimos negociar com o mercador e a professora a compra de um galão de 20 litros de diesel para a Fiona! Isso custaria aqui na Venezuela em torno de 30 centavos de real, mas aqui no meio da savana tudo fica mais caro, nos custando então 100 bolivares! Leia-se: a bagatela de 7 reais!

Nossa casinha na aldeia perto do Salto Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Nossa casinha na aldeia perto do Salto Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Enquanto o Ro capotou de cansado em casa, eu saí em busca do diesel e acabei sendo intimada a desatolar o caminhão do nosso amigo mercador. O seu motorista havia se prontificado a levar uns indiozinhos para a vila vizinha, há 15 minutos dali. Ele pegou o caminho errado e acabou atolando! Que azar! Ele não queria deixar as mercadorias todas sozinhas, mas estava chovendo e já estava escuro, seria impossível tirá-lo de lá hoje! Então eu fui até lá com as crianças avisá-lo que tiraríamos o caminhão pela manhã e dei uma carona para os 5 jovens até a vila vizinha, onde está a sede do parque.

Nosso 'acampamento' na casa do Luis, na Gran Sabana, na Venezuela

Nosso "acampamento" na casa do Luis, na Gran Sabana, na Venezuela


De volta à comunidade encontrei Omar e Natália e passamos longas horas conversando. O casal tem 5 filhos e leva uma vida muito simples na vila. Há alguns quilômetros dali Omar e seus familiares plantam mandioca, batata e alguns poucos vegetais. A pesca e a caça estão cada vez mais escassas e a venda de artesanatos e o trabalho como guia são a única renda que eles possuem. Natalia já esteve no Brasil acompanhando sua sobrinha que estava grávida e foi a Boa Vista para o parto. Elas reuniram as poucas economias que tinham e conseguiram carona para chegar até a capital de Roraima. Complicações no estágio final da gravidez fizeram que sua sobrinha ficasse quase um mês no hospital e ali ambas tiveram todo o apoio e atendimento necessário. Ela conta que ficou impressionada com a qualidade do atendimento, enfermeiras sempre preocupadas e médicos muito atenciosos. Ganhou roupas, comida e até salão de beleza das amigas que fez no hospital.

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Para Natália o Brasil é um paraíso, cheio de pessoas educadas e muito gentis. Estava sempre muito curiosa para ver fotos de Boa Vista e querendo entender melhor o mapa do Brasil. Eu mostrei algumas fotos, o mapa e ensinei um pouco de português, enquanto Omar me perguntava sobre o trabalho e a vida no Brasil. Com a experiência de Natália sem dúvida Boa Vista lhes parece uma ótima saída desta vida paupérrima que vivem aqui. Quem dera fosse sempre assim, pensei... uma vida no campo às vezes lhes pode sair muito melhor do que a vida de imigrante em uma capital brasileira. Que a vida lhes guie pelo melhor caminho!

Fim de tarde na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

Fim de tarde na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


Com o combustível extra que conseguimos, voltamos a pensar em ir até Kawanayén, a pequena vila em meio a uma paisagem incrível de tepuis que foi construída ao redor de uma Missão de Padres Capuchinhos. Kawanayén, a 70km de estrada de terra desde a estrada principal, estava no nosso plano original, mas sem combustível disponível já havíamos desistido. Omar e Natalia se animaram em nos acompanhar, não apenas pelo passeio, mas por que Kawanayén é muito mais barata para comprar suprimentos, comida, etc. Sairíamos bem cedo, entre 6 e 7 da manhã para dar tempo de irmos até lá, retornarmos e ainda seguirmos até Santa Helena, parando em algumas cachoeiras no caminho. Nosso cronograma estava apertado, mas daria tempo. Porém não contávamos que seria tão difícil desatolar o caminhão.

Caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


A Fiona guincha um caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

A Fiona guincha um caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Na manhã seguinte ficamos umas 3 horas trabalhando para tirar o caminhão de mais de 9 toneladas da lama! A roda estava quase toda afundada, calçamos com as nossas pranchas de alumínio, pedras, puxamos com o guincho e nada! Estouramos uma das nossas cintas tentando tirá-lo dali... Só depois de muito cavar, muitas pedras e muita paciência foi que conseguimos fazer ele se mover!

A prancha de aluminio nos ajuda a desatolar o caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

A prancha de aluminio nos ajuda a desatolar o caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Controlando o motor do guincho da Fiona durante operação paa desatolar um caminhão, perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Controlando o motor do guincho da Fiona durante operação paa desatolar um caminhão, perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Celebração após desatolarmos um caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Celebração após desatolarmos um caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Ao final, nos despedimos de Omar e Natália sem poder leva-los até Kawanayén. Ajudamos com o que pudemos, comidas e roupas que tínhamos, além de um extra pela casa. Hoje é dia dos pais e a vila está em festa o dia inteiro! Missa na igreja pela manhã, famílias e amigos reunidos para o almoço e uma gincana organizada pela professora durante a tarde iam animar o Dia dos Pais. Uma pena não podermos ficar. Fomos presenteados com esta experiência na Gran Sabana! O encontro com Omar e Natália e a convivência, mesmo que rápida, com o pessoal da tribo foi marcante e muito especial! Espero poder voltar aqui e encontrar Omar e sua família muito bem, com uma bela pousadinha, transformando para melhor a sua vida e a da vila sem precisar sair da sua terra e sem perder as suas raízes.

Nessa época, há muitas flores na Gran Sabana, na Venezuela

Nessa época, há muitas flores na Gran Sabana, na Venezuela

Venezuela, Gran Sabana, El Callao, Gran Sabana, Iboribó, Liworibo, Riwo Riwo, Salto Aponwao

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Maratona Serra do Cipó III

Brasil, Minas Gerais, Serra do Cipó (P.N da Serra do Cipó)

Vale no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Vale no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Amanhece o dia na nossa próxima cidade base, Serra do Cipó, que fica a apenas 100km de Belo Horizonte no Distrito de Santana do Riacho. Hoje nossa programação era intensa, tivemos que sair logo cedo para não voltarmos no escuro. Segundo o nosso amigo e consultor Gustavo este é o dia mais pesado da nossa Maratona. Um trekking de 20km que desce do Alto Palácio, na parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó, até a portaria do meio, passando por um cânion e diversas cachoeiras.

Com o Pretinho, nosso guia, cruzando a parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Com o Pretinho, nosso guia, cruzando a parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


As 8h, Daniel, o nosso guia da região chega à Pousada Vila das Pedras onde estamos hospedados. Como é uma pequena travessia, o Rodrigo sai com a Fiona para deixá-la no nosso ponto de chegada e o Thiago, diretor da Pousada, o seguiu de moto para trazê-lo de volta. Vamos Alto Palácio, região onde antes ficavam as fazendas do Sr. Palácio, daí o nome. Chegamos lá com o ônibus que faz a linha Belo Horizonte – Serro, por apenas R$3,75 por pessoa, ótima saída para não precisar pagar um transfer especial, que custaria pelo menos R$60,00.

Sagui em plena cidade da Serra do Cipó - MG

Sagui em plena cidade da Serra do Cipó - MG


Daniel, também conhecido como Pretinho, já foi Chefe dos Brigadistas do Parque Nacional, além de brincar desde criança na região onde ficava a casa de seu avô. Ele conhece cada pedacinho do parque e disse que levaríamos o dia todo para conseguirmos chegar à portaria. Eu estava preocupada, pois a caminhada era composta principalmente por decidas em pedras soltas, o que iria exigir muito dos meus joelhos. Já me preparei com um antiinflamatório poderoso receitado pelo ortopedista para casos como este e me sentia nova em folha, faltava apenas colocar em prova.

Caminhando no leito do rio, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Caminhando no leito do rio, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Começamos a caminhada, tranquilos, como uma vista maravilhosa de toda a Serra do Cipó. De lá conseguimos avistar parte do caminho da famosa Travessia Lapinha – Tabuleiro, que já ficou no nosso “to do list” pós-1000dias. Quando menos esperamos já chegamos a algumas pinturas rupestres vizinhas da primeira cachoeira, Congonhas de Cima, também conhecida pelos mais antigos como Cachoeira dos Guedes, sobrenome da Família do Pretinho. O Rodrigo não agüentou e se rendeu às suas águas esverdeadas. Eu e o Pretinho dessa vez ficamos só olhando, além de muito gelada ainda teremos outros pontos de banho no caminho.

Cachoeira Congonhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira Congonhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Andamos mais um pouquinho e logo avistamos a Cachoeira de Congonhas de Baixo, outra maravilha, com seu poço ainda mais bonito! Mas nosso guia ainda continuou afirmando que o melhor está por vir. Lá de longe já conseguimos avistar a cachoeira das Andorinhas e uma linda cena do encontro de dois vales.

Cachoeira Andorinhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira Andorinhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Descemos o cânion e finalmente chega a maldita pirambeira de pedras soltas e roladas, daquelas que qualquer descuido fará chegarmos ao chão e fazer um “skybunda” de pelo menos uns 10 metros. O antiinflamatório funcionou muito bem, me senti muito mais segura para descer sem as dores terríveis que venho sentindo. As botas que me criaram as mega bolhas na Pedra da Mina também, estão cada vez mais macias e eu cada vez mais acostumada com o passo dentro delas.

Orquídeas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Orquídeas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Chegamos à Cachoeira do Gavião às 13h, com tempo suficiente para recarregar as energias e dar um belo mergulho. A água está muuuuuito fria, daquelas de doer a nuca! Estamos aqui para que afinal?

Cachoeira do Gavião, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira do Gavião, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Um belo mergulho, alongamento e pé na trilha para conhecermos a Cachoeira das Andorinhas, mas como estamos adiantados no nosso cronograma vamos incluir a parte alta das Andorinhas, um dos lugares mais mágicos deste roteiro.

Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Vista maravilhosa do vale, belo poço para nadar e uma tranqüilidade impagável, com direito até a assistir uma escalada free stile - escalada sem equipamento de segurança - do Pretinho no paredão desta cachoeira. Tem doido pra tudo mesmo!

Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


O final do dia se aproximava e tínhamos que caminhar. Foram quase 2 horas de caminhada até a portaria do meio. Caminhada fácil, totalmente plana, mas acelerada. Nos metros finais pegamos um belíssimo pôr do sol dentre as palmeiras de macaúba, comuns na região. Para finalizarmos o nosso terceiro dia da Maratona do Cipó falta ainda chegarmos até a Lapinha, 50km de estrada de terra para o norte de Serra do Cipó, ainda dentro do município de Santana do Riacho. Amanhã será o último dia e já estou sentindo saudades! Este lugar é mesmo especial.

Bosque de Macaúbas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Bosque de Macaúbas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Brasil, Minas Gerais, Serra do Cipó (P.N da Serra do Cipó), cachoeira, Parque Nacional Serra do Cipó

Veja todas as fotos do dia!

Não nos deixe falando sozinhos, comente!

Jalapão: O Deserto das Águas

Brasil, Tocantins, São Félix do Tocantins

Refresco delicioso na Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO

Refresco delicioso na Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO


O Jalapão é conhecido como um dos mais exóticos destinos turísticos do Brasil, atraindo aventureiros e eco-turistas de todas as partes do país. Conhecido como deserto do Jalapão, eu imaginava que seria realmente um mini Saara, quilômetros de areias, temperaturas elevadas durante o dia, frias durante a noite e falta de água e adivinhem? É claro que eu estava errada.

Vegetação de cerrado ao lado do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO

Vegetação de cerrado ao lado do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO


A denominação de deserto deve-se à região possuir a menor densidade populacional do país. A infra-estrutura ainda é precária, o celular e a internet só chegaram no ano passado e os supermercados possuem o básico do básico, quando tem. É, ontem nós pudemos perceber... mais de 70km sem encontrar uma casa, não combina com o Brasil.

Crianças nos observam na comunidade da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO

Crianças nos observam na comunidade da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO


A cidade mais conhecida como base no Jalapão é a cidade de Mateiros, para onde nos dirigimos hoje, mas não antes de conhecer uma última atração da região de São Félix. Na estrada dali para Mateiros passamos pela Comunidade do Prata, as casinhas de adobe que vimos ontem ao chegar do Maranhão. O rio de mesmo nome banha a região e lá fica uma das cachoeiras que queremos visitar. A Cachoeira do Prata possui um grande volume de água, não é muito fácil entrar embaixo dela, mas apenas 5 minutos de caminhada rio acima você chega à uma área usada como praia pelo pessoal aqui da comunidade.

A Cachoeira do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO

A Cachoeira do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO


Quem nos acompanhou até aqui foi o Paulino, nascido e criado aqui na região veio nos contando das suas andanças entre o Tocantins e a Bahia, trabalhando nas fazendas de soja e milho. Ele conhece parte do caminho que fizemos ontem e hoje nos salvou de cair em alguns atoleiros de lama no caminho para a cachoeira.

Sempre-Vivas ao lado do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO

Sempre-Vivas ao lado do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO


No Rio da Prata aproveitamos mais uma valiosa dica do Luis, subimos o rio pela trilha que vai margeando e descemos fazendo uma flutuação com as nossas máscaras de mergulho. O rio tem uma coloração amarelada, mas ainda assim as águas tem uma boa visibilidade e pudemos ver suas plantas, pedras, troncos e alguns peixes.

Nadando no rio da Prata, na região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO

Nadando no rio da Prata, na região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO


Confesso que fiquei com medo de cruzar com uma sucuri por ali, elas adoram esses riachos com buritizais, mas para nossa sorte (ou azar) não apareceu nenhuma. Rio delicioso, um oásis no meio deste cerrado deserto.

Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO

Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO


Nossa próxima parada foi a Cachoeira do Formiga, esta mais próxima à Mateiros. Uma água completamente transparente, com um poço delicioso e um turbilhão de bolhas perfeito para uma hidromassagem.

A linda Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO

A linda Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO


De máscara de mergulho ficamos brincando com as bolhas no turbilhão, vendo os peixinhos que habitam este aquário natural e nos divertindo feito duas crianças, completamente sozinhos neste pequeno paraíso. O lugar é muito mágico, eu não conseguia ir embora de jeito nenhum! A temperatura perfeita e o cenário ideal para explorar cada bolha, sem medo de ser feliz!

Nadando no poço de águas transparentes da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO

Nadando no poço de águas transparentes da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO


Dali seguimos em direção a Mateiros, direto para a lanchonete Oásis. Comemos um misto quente, nosso almoço preferido ultimamente. Ficamos na Pousada dos Buritis e a noite fomos para a Pizzaria do Carioca, além de muito gostosa o Dázio, dono da pizzaria foi super simpático e ficou curioso com a nossa viagem. Amanhã seguiremos descobrindo as maravilhas do Jalapão, o Deserto das Águas.

Peixes brincam no turbilhão da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO

Peixes brincam no turbilhão da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO

Brasil, Tocantins, São Félix do Tocantins, cachoeira, Cachoeira do Formiga, Cachoeira do Prata, deserto, Jalapão, Parque, parque nacional, São Félix

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

Página 1 de 113
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet