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Alberto freitas (04/04)
conteúdos inteligentes. parabéns!! ótimo !! Um Post que complementa:...
Flora (02/04)
Linda e inspiradora esta sua despedida do Pacífico.E ai viajei novamente...
Su (31/03)
Que lugar incrível! Eu nunca tinha ouvido falar deste lugar. Ja pesquis...
mabel (31/03)
Letícia Pimenta (25/03)
Ah legal Rodrigo. Imagino quebtenha sido. Sou apaixonada por tubarões !...
Atravessando o Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Clima de fazenda no nosso café da manhã no hotel em Molinos. Menos pela comida e mais pelo ambiente. Mas, principalmente, pelos nossos cavalos que estavam sendo arreados do lado de fora.
O Miguel nos mostrando seus truques om cavalos, em Molinos - Argentina
Assim, quando terminamos de nos alimentar, o Miguel já nos esperava com tudo preparado. Miguel é um legítimo argentino gaúcho, amante dos cavalos e também do Brasil. Durante sua juventude hippie, viajou muito pelo nosso país e é fã incondicional da Bahia e de Minas Gerais. Alguns anos mais tarde, deixou Buenos Aires encima de um cavalo com a intenção de chegar ao México. Não foi tão longe, mas acabou chegando, depois de uma ano de viagem, em Molinos. Aqui, estabeleceu um negócio com cavalos e sempre leva turistas para cavalgadas. O sonho de chegar ao México, à cavalo, só foi adiado!
Atravessando Molinos - Argentina à cavalo
Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina
Nossos cavalos eram da raça "peruano", cavalos bons de trilhas rústicas e também de altitude. Ideais para essa região. Para nós, foi um deleite, cavalgar nesse cenário de cinema, montanhas nevadas ao fundo, trilhas cortando rios e colinas, cenários semidesérticos e com vestígios de povos antigos e desaparecidos. Sentia-me o John Wayne encima do meu "peruano".
Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina
Foi um passeio de umas duas horas, logo após ele mostrar alguns "truques" que faz com seus cavalos. Como bem disse a Ana, ele é um "encantador de cavalos". Tivemos a chance de galopar, trotar, marchar e , no alto de alguma colina, simplesmente admirar a paisagem magnífica à nossa volta e sentir o vento em nossos rostos. Sempre com o Miguel a nos ensinar sobre a história e geografia da região, além de contar sobre suas peripécias no Brasil. Foi muito legal!
Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
De volta à Molinos, deixamos nosso hotel e seguimos em direção à Cafayate, seguindo sempre pelo vale, parte dos "Vales Calchaquíes". No meio do aminho, uma região especial, um parque, conhecido como Vale das Flechas. O nome vem das rochas e encostas inclinadas, resultado de movimentos tectônicos causados pela formação dos Andes. Elas parecem flechas apontadas para o céu. É um cenário de outro planeta que nos dá vontade de explorar, fotografar e admirar.
Chegando no alto de uma das "flechas", no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Em contato com Pachamama no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
E assim o fizemos, por uma hora ou mais. Até pequenas escaladas deu para fazer, sempre em busca de um pouco de aventura e também de um melhor ângulo para se admirar aquela beleza toda. Com certeza, poderíamos ficar horas por ali, explorando os diversos recantos desse lugar incrível.
Almoço em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Mas aí a fome começou a apertar e seguimos para uma pequena vila recomendada pelo Miguel, para almoçar e tomar uma famosa cerveja artesanal. E assim o fizemos, a Ana com uma salada, eu com as maravilhosas empanadas argentinas e nós dois com a tal cerveja artesanal, de grau 8, quase o dobro dessas industrializadas. Muito boa, por sinal! Mas, como seguiríamos viagem, tivemos que parar logo na primeira garrafa...
Deliciosa cerveja artesanal, de grau 8, em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Chegando ao Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Chegando em Cafayate, nem entramos na cidade. Seguimos diretamente para uma de suas mais incríveis atrações. Sua e de toda a província e também do norte da Argentina. As incríveis formações rochosas do Vale das Conchas, ao longo da estrada que liga a cidade à Salta.
O majestoso Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Saindo do Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Em muitos lugares, o cenário parece com as formações do Grad Canyon. Enormes paredes aavermelhadas em forma de castelos, obeliscos e enormes animais. Tudo pode ser admirado de dentro do carro mesmo. Em outros lugares, são canyons que mais parecem gargantas as atrações. Aí, estacionamos o carro e caminhamos um pouco, garganta adentro. No Anfiteatro, como o nome indica, a garganta termina numa enorme clareira cercada de enormes paredes. Um verdadeiro anfiteatro!. E para nós, o espetáculo do dia foi a lua nascendo por cima das paredes, bem no fim de tarde, enquanto um músico cantava, sua voz ecoando nas paredes, uma música em sua homenagem.
Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Já na Garganta del Diablo, a caminhada é mais longa, pelo menos para aqueles que se dispõe a escalar um pouco. De obstáculo em obstáculo, por entre enormes paredes, vamos seguindo garganta adentro, cenário de Indiana Jones. Um espetáculo! Até que chegamos na parede final, essa interditada mesmo aos mais aventureiros. Aí, é só olhar para cima e para os lados e ficar maravilhado com aquele cenário.
Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Com o sol se pondo, era hora de voltar à Cafayate para, dessa vez, entrar na cidade, encontrar algum hostal e dormir. Afinal, depois dos cavalos, flechas e conchas (e da ceveja grau 8!), o sono estava batendo. Precisamos estar prontos e descansados para o dia de amanhã, que nos trará as famosas ruínas de Quilmes e a longa viagem até Fiambalá, última cidade antes do Paso San Francisco, nossa almejada fronteira com o Chile!
Divertindo-se na Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
As magníficas paredes coralíneas durante mergulho na costa sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
O sol brilhava e nós navegávamos para a costa sul da ilha, onde há um parque nacional marinho protegendo as belíssimas paredes de coral, perfeitas para mergulhos. Até agora, tudo estava perfeito na nossa longa e intensa programação do dia, que tinha começado com uma caminhada até uma cratera de vulcão onde há um lago de águas ferventes, passado por um estreito canyon onde um rio esconde duas belas cachoeiras e que terminaria agora, com um mergulho relaxante nas águas tranquilas e transparentes de Dominica.
A caminho dos maravilhosos pontos de mergulho nas parades submersas de Dominica, no Caribe
Pulamos na água acompanhado de um guia e seu assistente, ninguém mais no mar. Bastaram alguns segundos para nos convencer que aquele seria um mergulho especial, visibilidade beirando os 30 metros e uma enorme quantidade de vida, de cores e de formas, um gigantesco aquário para ser explorado.
Muitos corais, vida e cores nas águas transparentes do mergulho nas paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
Depois de ter passado por quase todas as ilhas do Caribe e de ter mergulhado numa boa parte delas, já temos as nossas preferidas. E não demorou muito para Dominica entrar na nossa “top 3”, junto com Turks and Caicos e Little Cayman, não necessariamente nesta ordem.
Peixes e corais durante mergulho nas paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
Foi difícil segurar o dedo e já comecei a fotografar desde o início, querendo registrar da melhor maneira possível aquele mundo de paz e maravilhas, tão perto de nós e, ao mesmo tempo, tão longe das pessoas comuns. Já a Ana, feliz com seu “brinquedo” novo, uma Gol Pro, também já estava filmando, apontando a câmera para todos os lados.
Enormes esponjas durante mergulho nas paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
Foi aí que, depois de tudo tão perfeito até agora, tivemos nosso pequeno grande revés do dia. A bateria da máquina simplesmente acabou. Fui mostrar para a Ana e ela, decepcionada também, me mostrou a Gol Pró apagadinha também...
Explorando ass paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
Puxa vida! Essa foi demais! As duas máquinas sem bateria. E nós, apenas no inídio do primeiro mergulho de dois que faríamos. Ninguém merece!
Incrível combinação de luz e transparência, de peixes e corais durante mergulho nas paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
Enfim, as fotos que ilustram esse post são dos primeiros 10 minutos de mergulho, quando já estávamos empolgadíssimos com o que víamos. O melhor ainda estava por vir... Tudo muito bem guardado nas nossos memórias, mas sem uma mísera foto. É, esse dia e esse mundo são “quase” perfeitos...
Muita vida durante mergulho nas paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
Enfim, mergulhamos ao longo de uma parede cheia de corais e de peixes coloridos. Aí vimos os maiores drum fishes das nossas vidas, várias moreias e uma incrível profusão de corais de todas as cores e formas. Além disso, com a grande visibilidade que tínhamos, também se podia admirar o cenário, a paisagem lá de baixo, uma espécie de visão mais ampla, a parede baixando para o azul infinito e milhares de peixes entre nós e a luz da superfície. Uma maravilha!
Enorme drum fish durante mergulho nas paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
O segundo mergulho também foi num lugar muito especial. Dominica está sobre uma “hotspot”, como bem vimos hoje pela manhã. Isso também pode ser observado no mundo submarino! Existe uma fonte de água quente (um pequeno vulcão!) e minerais abaixo d’água e podemos ver claramente dezenas de colunas de bolhas e borbulhas. A água fica mais rente próximo delas, assim como a areia ao seu redor. Com todo o cuidado, sentimos com as mãos esse calor vindo de dentro das entranhas da Terra. Naquela transparência toda, as colunas de bolhas e os pequenos peixes coloridos nadando ao seu redor nos faziam mais ainda sentir que estávamos num grande aquário! Pois é, um “aquário” do tamanho de 70% da superfície do planeta, e nós numa das partes mais belas desse gigantesco ecossistema. Sem fotos...
Fazendo filmagens durante mergulho nas paredes submersas ao sul de Roseau, em Parque Nacional submarino em Dominica, no Caribe
Voltamos extasiados para nosso hotel em Roseau. A qualidade do mergulho aqui em Dominica realmente nos surpreendeu. Ainda bem que fizemos todo o esforço para chegar em tempo e não perder essa parte do programa. Assim como não poderíamos, de maneira nenhuma, ter perdido a caminhada para o Boiling Lake. Duas das melhores experiências nesses 1000dias, e as duas na mesma ilha e no mesmo dia. Foi de perder o fôlego!
Um magnífico fim de tarde no nosso último dia em Roseau e em Dominica, no Caribe
Para fechar tudo com chave de ouro, mais um magnífico pôr-do-sol visto do nosso hotel. Ficamos ali, com a mente dividida entre a admiração daqueles momentos e daquele dia e sem entender como Dominica não está no circuito principal de viajantes aventureiros e mergulhadores do Brasil. Só pode ser por desconhecimento... E nós, amanhã, deixamos a ilha rumo à outra, um pouco mais famosa, a francesa Martinica, tão presente em filmes de piratas. De volta à Europa, à França, aos queijos e aos vinhos!
Delicioso Rum Punch para se despedir de Dominica, no Caribe
Admirando a Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Bingo! Dois dias de nossa maratona na região do Cipó já se foram, com sucesso. E o terceiro já está encaminhado, aqui na Serra do Cipó, do outro lado da Serra do Intendente.
Cachoeira Congonhas, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Neste segundo dia, começamos esquentando os motores na Cachoeira Congonhas. Dessa vez, a Fiona mal teve trabalho: uns quatro quilômetros de estrada de terra. Depois, uma caminhada por colinas e margeando um rio até entrar num canyon. Aí, uma rápida caminhada pelas pedras e seixos num rio e chegamos à cachoeira. Mais um lugar mágico, mais um poço de águas geladas. Desta vez, uma das raras vezes, a Ana não quis entrar e eu fui só, enfrentar o frio e o "banho de chuveiro" para lavar a alma. Uma delícia!
Enfrentando as águas geladas da Cachoeira Congonhas, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Enfrentando as águas geladas da Cachoeira Congonhas, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
De lá para a Cachoeira do Tabuleiro, a mais alta das Minas Gerais. Com mais de dez anos de espera, finalmente fui conhecer este patrimõnio mineiro! Uma beleza! Que imponência e majestade! Ficamos lá no mirante por um bom tempo admirando e fotografando a principal atração turística do parque, razão da viagem de muita gente para cá. Eles vem da Serra do Cipó, visitam a cachoeira e voltam sem ver as outras belas atrações do parque estadual.
Beijo inspirado pela Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Bem, não foi o nosso caso. Deixamos a maior das cachoeiras, a mãe de todas elas para o último passeio. Valeu a pena! Essa é a única cachoeira que devemos pagar para ver neste parque. Bem diferente de Delfinópolis, Carrancas, Brotas ou Bonito. Por quanto tempo? Do mirante, seguimos para o poço por uma trilha que segue pirambeira abaixo. Na volta, é preciso fôlego...
Cachoeira do Tabuleiro vista por baixo, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
O poço é enorme, apesar de não parecer. No meio daquelas enormes paredes de 300 metros de altura, ele fica pequenininho mesmo. Mas, quando a gente o atravessa nadando, vê que a história é outra... O cenário é tão grandioso, tão arrebatador, que até esquecemos que a água é fria. Temos outras coisas para "nos preocupar". Uma delas é querer aproveitar cada minuto, cada segundo naquele lugar tão especial.
Tomando banho na Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
E foi isso que fizemos, eu e a Ana. Não havia muita água na cachoeira, o que fazia o poço bem mais tranquilo de se nadar. Quando há muita água, o cenário muda completamente. Vimos uma reportagem com a cachoeira cheia e é outra coisa, completamente diferente. Admirar, só de longe.
Rodrigo e Ana nadando no poço da Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Depois da cachoeira, ainda almoçamos mais uma vez a deliciosa comida da Lelé,no hostel. Comida muito saborosa, principalmente para quem anda o dia inteiro. Saboroso também é o queijo que compramos em Serro e devoramos nesses dois dias de cachoeiras em Tabuleiro. Considerado o melhor de Minas (portanto, do Brasil!), está mais que aprovado! Despedimo-nos também do Gustavo, que montou esse hostel muito legal e que nos recebeu tão bem.
Com a Lelé e o Gustavo, que nos receberam tão bem no Eco Hostel do Tabuleiro - MG
Finalmente, viagem noturna para a Serra do Cipó onde já nos encontramos com o Pretinho, que será o nosso guia na caminhada de 20 km amanhã, pela parte alta do Parque Nacional. Caminhada recomendada pelo Gustavo, da Estrada Real, com quem conversamos longamente nas duas noites em Tabuleiro. Foi ele que montou o roteiro da nossa maratona aqui na região. Os primeiros dois dias estão aprovadíssimos e os próximos dois prometem. Somos muito gratos à ele por nos ajudar a conhecer essa região maravilhosa. Valeu Gustavo!
Curtindo o céu do Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Nosso primeiro dia na Geórgia do Sul teve como foco principal a vida selvagem. Os pinguins de Salisbury Plain e albatrozes de Prion Island, além dos elefantes e lobos-marinho dos dois lugares são atrações espetaculares e mesmo a incrível beleza da paisagem naqueles lugares ficou em segundo plano. Hoje, no nosso segundo dia nessa ilha perdida do Atlântico Sul, as prioridades iriam se inverter: primeiro, as belezas naturais e a história do lugar, e segundo, a vida selvagem, que aqui na Geórgia do Sul, está em todos os lugares.
Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul
Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul
A primeira atividade do dia foi um longo trekking partindo de Fortuna Bay e chegando na baía de Stromness. Para isso, temos de cruzar as montanhas que separam as duas baías, a gente indo por terra e o Sea Spirit dando a volta pelo mar para nos recolher do outro lado. A ideia desse trekking é repetir o último trecho da grande travessia da ilha realizada em 1915 por Ernest Shackleton e dois de seus companheiros. Eles tentavam desesperadamente chegar à “civilização” para buscar ajuda a seus companheiros que ficaram presos na Antártida, depois que sua expedição exploratória havia terminado em fracasso. Ainda vou falar dessa história mais adiante, mas o fato é que Shackleton e seus companheiros conseguiram chegar à costa sul da Geórgia num barco a remo e daí precisaram caminhar até a costa norte onde se encontravam as estações baleeiras, Primeiro, caminharam até Fortuna Bay, já na costa norte e depois, seguiram para Stromness pelo mesmo caminho que fizemos hoje.
mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul
Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul
Stromness era uma importante estação baleeira naquela época, mas hoje não passa de uma pequena cidade-fantasma, as ruínas das antigas instalações sendo comidas aos poucos pelo tempo. Aí chegou Shackleton, sendo recebido pelo incrédulo administrador local. E aí chegamos nós, recebidos pelo Sea Spirit e uma refeição quente, muito benvinda depois do frio e da neve que enfrentamos.
Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul
Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul
O segundo programa do dia foi visitar Grytviken, também uma antiga estação baleeira e hoje a “capital” da ilha. Tem até igreja, correio, museu o cemitério onde está enterrado o valente Shackleton. Vou tratar de Grytviken e desse tenebroso período de caça às baleias no próximo post, enquanto nesse vou me deter na nossa caminhada da manhã.
Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul
Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness
Ainda ontem a Cheli, líder da nossa expedição, nos explicou sobre a programação de hoje e sobre quem estaria interessado em fazer o trekking. Para sua surpresa, mais da metade de nós estávamos. Para esses, o café da manhã seria servido ainda mais cedo, já que a ideia era estar já na praia de Fortuna Bay antes das 8 da manhã, para iniciarmos o trekking com cerca de 5 quilômetros, primeiro montanha acima, depois montanha abaixo e or fim, um longo vale.
A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)
Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul
O dia que amanheceu bonito logo fechou, deixando-nos todos ansiosos e com medo que a aventura fosse cancelada pois seria a nossa única chance de caminhar um pouco mais por essa ilha de paisagens fantásticas. Felizmente, não foi. Ao contrário, a neve pelo caminho até emprestaria um clima ainda mais real do que enfrentaram Shackleton e seus companheiros nas suas últimas horas de caminhada. E assim foi, ao chegarmos à praia, nevava forte e até os elefantes-marinho pareciam reclamar.
Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul
Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul
Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul
Com a neve e o frio, nada de ficarmos parados. Grupo todo reunido na praia, partimos logo rumo ao interior da ilha, o Damien, nosso guia historiador a frente. Não demorou muito para chegarmos à encosta da montanha e começarmos a subir. Quanto mais alto, mais neve, a paisagem cada vez mais parecida com aquilo que todos imaginamos que deva ser uma paisagem polar.
Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul
Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)
Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul
Nessa época do ano, o normal seria já vermos toda essa paisagem aberta, sem neve. Apenas as montanhas estariam cobertas de branco. Mas não hoje. A neve até parou um pouco, mas nesse ponto, todo o solo já estava branco. Quando chegamos ao ponto mais alto da nossa travessia, o Damien até mostrou o que seria um lago citado por Shackleton em seu relato. Hoje estava congelado e coberto de neve. Mas resolvemos todos acreditar no nosso guia de que aquilo que víamos era sim, um lago.
O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul
Conforme caminhávamos, o Damien ia nos contando detalhes do trekking original, os homens já extenuados e esfomeados num último esforço para salvar suas vidas a as dos companheiros que ficaram para trás. Felizmente, nossas condições eram melhores, um bom café da manhã no estômago e um almoço nos esperando lá embaixo.
Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Aí no alto, fizemos a tradicional pose para a foto de todo o grupo, o amarelo vivo de nossas jaquetas ainda mais vivo contra o branco que nos cercava. Devíamos estar a quase 500 metros de altitude, exatamente do ponto onde, com o tempo aberto, passa a ser possível observar Stromness. Imagino a alegria de Shackleton ao ver a fumacinha saindo das casas lá embaixo.
Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul
A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul
Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Pois é, mais ainda era um longo caminho até lá embaixo. Com tanta neve assim, até o Damien, que já fez esse trekking várias outras vezes, se equivocou e começou a descer pelo lado errado da encosta. Mas logo percebeu o erro, subimos de volta e tomamos o caminho correto. O mesmo ocorreu quase 100 anos atrás, mas eles já haviam descido demais para voltar. Por isso, tomaram uma rota bem mais difícil e tiveram de enfrentar um ou outro penhasco com a ajuda das cordas que tinham.
Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul
Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul
O Damien também levava sua corda, mas ela não foi necessária. Fomos enfrentando a neve fofa e funda ao descer a montanha, sempre fazendo um ziguezague para tornar a descida menos íngreme e mais segura.
O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul
Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul
Já lá embaixo, passamos ao lado da cachoeira onde Shackleton e seus companheiros tiveram de usar a corda, já que chegaram pelo outro lado. Uma visão e tanto, uma cachoeira no meio de tanta neve. Pausa para mais fotos e também para respirar um pouco.
Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul
A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul
Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul
Agora já estávamos em baixo e era só seguir ao lado do rio até o mar, onde está Stromness. Antes de chegarmos lá, ainda cruzamos com marcas na neve. Eram as inconfundíveis pegadas de pinguim! Com efeito, três minutos adiante e lá estavam eles, um grupo de pinguins gentoo no meio da neve. Agora sim, estavam no seu ambiente predileto, hehehe! Um deles, até trabalhava para construir o seu ninho. Buscava gravetos lá longe e os empilhava cuidadosamente num ninho já quase pronto.
As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul
Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul
Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul
Depois dos pinguins, uma claro sinal que estávamos cada vez mais pertos, passamos por pequenos lagos que haviam se transformado em verdadeiros espelhos, refletindo aquela paisagem grandiosa que nos cercava. Agora sem vento e sem neve, sua superfície estava parada e era um verdadeiro convite a novas fotografias.
Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul
O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)
Por fim, um último encontro com filhotes de elefante-marinho. Esses sim nunca saem de muito perto da água. Havíamos chegado às ruínas de Stromness. Pelo estado de decadência em que se encontram, está proibido o acesso. Só podemos ver pelo lado de fora e a aparência é mesmo de uma cidade-fantasma. Seus únicos frequentadores, que parecem ignorar os avisos de não entrar, são lobos e elefantes-marinho. Mas isso é para outro post...
Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul
Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
Uma das muitas igrejas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela
Como em quase todos os países do nosso continente, a história moderna da Venezuela começa com a chegada dos espanhóis, no início do século XVI, e o morticínio das populações locais, pela espada ou micróbios trazidos do velho continente. Essas populações já se encontravam por aqui há pelo menos 15 mil anos, de onde ocuparam toda a cadeia de ilhas que forma o Caribe, em sucessivas ondas migratórias.
A simpática Coro, cidade histórica na Venezuela
“Venezuela”, ou “pequena Veneza”, foi como os espanhóis chamaram essas novas terras que, por seu litoral entrecortado e cheio de canais, tanto lhes lembrava a cidade italiana. Eles vieram atrás de ouro e outros metais preciosos, mas esses metais só seriam encontrados séculos mais tarde, depois da independência do país. Assim, o principal motor da economia colonial sempre foi a agricultura, organizada na forma de grandes fazendas. Foi em torno dessas riquezas agrícolas que surgiu uma rica elite local, de sangue criollo, uma mistura de linhagens europeias e indígenas. Essa elite local buscava uma maior autonomia política e econômica, mas importações e exportações, por força das leis coloniais, eram taxadas e amarradas à metrópole.
A simpática Coro, cidade histórica na Venezuela
Quando as forças napoleônicas ocuparam a Espanha, no início do século XIX, foi a chance que, não só Venezuela, mas boa parte das regiões hispano-americanas, esperavam. Movimentos de independência surgiram quase ao mesmo tempo em todo o continente e, quando a Espanha finalmente conseguiu se recuperar na Europa, por aqui já era tarde demais. Certamente, espanhóis e parte da elite local, ainda fortemente ligada à metrópole, não aceitaram essa separação e guerras sangrentas de libertação se espalharam pela América do Sul. E foi na Venezuela, talvez por ser o país mais próximo da antiga metrópole, onde as lutas foram mais encarniçadas. Ao longo de mais de uma década de conflitos, metade da população de origem europeia morreu nas guerras e caos social e econômico criado por elas.
rua emsombreada de Coro, cidade histórica na Venezuela
Foi nesse período conturbado que surgiu aquele que seria conhecido como o grande libertador do continente, Simon Bolívar. Ele foi um dos principais generais, mas não o líder, da “Primeira República”, proclamada em 1811 por Francisco de Miranda. Mas um terremoto devastador na capital Caracas, no ano seguinte, e a reação organizada por forças realistas baseadas na região de Coro conseguiram colocar fim ao movimento. Em 1813, agora já com a liderança de Bolívar, uma “Segunda República” foi lançada. Dessa vez, a reação veio de um local inesperado: nos Llanos, se levantou um exército formado por mestiços e gente simples. Seu carismático líder afirmava que o movimento de independência, criado pela elite local, nada traria de bom à população mais pobre. As forças republicanas foram derrotadas em seguidas batalhas e, enfraquecidas, não puderam resistir aos novos exércitos que chegavam da Espanha.
Carro "novinho" nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela
Bolívar partiu para o exílio, primeiro em Curaçao e depois no Haiti, a jovem república negra formada uma década antes e que agora estava dividida em dois países. Depois de buscar ajuda na Jamaica britânica e nos Estados Unidos, foi no Haiti do Sul, governado pelo idealista Pétion, que obteve decisivo apoio para reorganizar seu exército e tentar a sorte novamente. A única exigência de Pétion para apoiar Bolívar foi a promessa de acabar com a escravidão na América do Sul. E foi assim, com a valiosa ajuda haitiana, que Bolívar voltou a desembarcar na América do Sul, já perto de 1820.
Arte nas ruas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela
Dessa vez, Bolívar focou seu movimento de libertação primeiro na Colômbia, para depois expandi-lo rumo à Venezuela, a leste, e Equador e Peru, a oeste. Foi nesse último país que se encontrou com o outro grande libertador da América do Sul, o general San Martin, que depois de liberar a Argentina e Chile, veio derrotar os espanhóis perto de Lima. Foi um encontro tenso, mas cordial. Duas visões de mundo e governo que não muito combinavam. San Martín acreditava em governos monárquicos, como os que existiam na Europa de então. Bolívar era um republicano e tinha os Estados Unidos como modelo. Ao brindarem ao final do encontro, Bolívar fez uma homenagem aos “dois maiores homens do continente” enquanto San Martín preferiu homenagear as novas nações que nasciam. Por fim, San Martin voltou para o sul enquanto Bolívar, com a decisiva ajuda do general Sucre, acabou de expulsar os espanhóis do Equador.
Arte nas ruas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela
O sonho de Bolívar era formar uma grande nação sul-americana. Pelo menos no papel, ele chegou perto disso. A “Gran Colômbia” era uma nação formada pelos atuais Venezuela, Colômbia, Panamá, Equador, Peru e Bolívia, tendo Bolívar como líder. Sua ideia era a de uma grande federação, com governo central relativamente fraco frente à autonomia de seus estados. Infelizmente, nunca funcionou e bastaram alguns anos para a nova nação se esfacelar nos países que conhecemos hoje. Bolívar tentou segurar o quanto pôde, inclusive assumindo papel ditatorial no final de seu governo. Mas ao final, desgostoso e doente, acabou morrendo prematuramente, não sem antes afirmar que “lutar pela união sul-americana era o mesmo que arar na águas do oceano”.
Pichações nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela
A separação dos países e a morte do antigo líder não trouxeram a estabilidade institucional desejada. Ao contrário, na Venezuela, uma interminável sequência de golpes militares e governos de caudillos trouxeram mais morte e caos e, novamente, uma grande parcela da população morreu nesse período turbulento. Foram as riquezas trazidas com a exploração do ouro descoberto no leste do Venezuela, na região da Guyana, que finalmente começou a mudar a sorte do país. Em uma das mais intensas “corridas do ouro” da história da humanidade, o país passou as ser o maior produtor mundial desse metal, só perdendo esse posto para a África do Sul, muitas décadas mais tarde. Mas, mesmo com toda essa riqueza, a incompetência política levou o país a declarar moratória no final do século, causando a ira dos credores internacionais e o bloqueio naval de sua costa, numa situação que causou muita tensão entre Inglaterra e Alemanha (os credores) e Estados Unidos, meio indeciso sobre se a famosa Doutrina Monroe valia ou não para bloqueios navais.
Pichações nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela
Finalmente, no início do século XX, foi descoberto petróleo na região do lago Maracaibo, fato que mudaria para sempre a história do país. Com a crescente dependência de nossa civilização dessa riqueza natural, a Venezuela soube se aproveitar disso e tornou-se o mais rico país da América Latina, principalmente depois dos choques no preço do petróleo na década de 70. Com a sobra de dinheiro, programas sociais e de infraestrutura mudaram a cara do país, um oásis em meio à crise que assolava o continente. Mas a bonança não durou muito e a queda dos preços do petróleo pegaram o país na contramão na década seguinte. Extremamente dependente desse único produto de exportação, as receitas da Venezuela entraram em queda livre, enquanto os gastos em programa social continuaram os mesmos. O país se endividou e, como seus vizinhos, acabou caindo no colo do FMI, que receitou o programa de sempre: corte de gastos e ajuste fiscal. O resultado foi uma enorme convulsão social, terreno fértil para todo tipo de revolução. Nascia o chavismo...
Rua no centro histórico de Coro usada como cenário de filme de época (noroeste da Venezuela)
No dia de hoje, nosso primeiro aqui no país, passamos explorando a maior joia arquitetônica da Venezuela, a cidade de Coro. Um dos bastiões das forças leais à Espanha e do conservadorismo no século XIX, Coro perdeu importância política e econômica com o tempo, ficando muito para trás de Caracas e Maracaibo. O lado bom disso é que sua arquitetura foi conservada e hoje é possível passear pelas mesmas ruas e por entre as mesmas casas de 200 anos atrás. Na Venezuela de hoje, injustamente relegada ao 3º plano no mapa do turismo mundial, éramos praticamente os únicos visitantes em uma cidade com potencial de receber centenas de turistas todos os dias. Para nós, uma oportunidade única de começar a conhecer e entender esse país tão incrível, de natureza exuberante e história intensa. Falando nisso, bem ali, pichada nos muros, em frente aos nossos olhos, a história continua a acontecer, um país que ainda não sabe para onde vai, saído de uma tensa eleição, sem mais o polêmico líder, o tal bolivarianismo numa encruzilhada.
Rua no centro histórico de Coro usada como cenário de filme de época (noroeste da Venezuela)
Bom, pelo menos nós sabemos para onde vamos. Coro está estrategicamente colocada entre a Península de Paraguaná e a Serra de San Luís, entre a praia e a montanha, entre o deserto e a floresta. Enquanto nos esbaldamos com a geografia, vamos tratar de entender a história, principalmente a desses últimos 15 anos...
Turma animada de adolescentes nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela
No fim da tarde, apesar das nuvens, fomos premiados com um belíssimo pôr-do-sol nas águas do lago Guaíba, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Alguns dias atrás, vindos do Uruguai, passamos pela pontinha sul da Lagoa dos Patos, o maior lago do Brasil. Foi lá na cidade de Rio Grande, localizada no canal que liga o lago (e o transforma em uma “laguna, como eu já expliquei aqui) ao Oceano Atlântico. Agora, mais de 220 km ao norte, estamos na outra ponta da Lagoa dos Patos, aqui na cidade de Porto Alegre. A capital gaúcha cresceu e se desenvolveu às margens de um “pequeno adendo” do maior lago brasileiro, o conhecido Lago Guaíba.
A Lagoa dos Patos, o maior lago do Brasil, com mais de 220 km de norte a sul, está no sul do Brasil. Na sua parte norte, um pequeno apêndice é chamado de Lago Guaiba. Aí está Porto Alegre, capital do estado
Imagem de satélite do Lago Guaiba, um apêndice na parte norte da Lagoa dos Patos. Aí está Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Em vermelho, a área onde fizemos nosso passeio de barco
Circuito aproximado do nosso passeio de barco pelo Lago Guaiba, pelo rio Jacuí e nos canais que os interligam. A saída e chegada são próximas da Usina do Gasômetro (foto da internet)
Embora possa ser pequeno quando comparado com a Lagoa dos Patos e seus 10 mil km2, o Guaíba também tem tamanho considerável: 500 km2. Grande o bastante para ter várias ilhas, muitas delas habitadas e ocupadas por belas casas de porto-alegrenses mais afortunados. Embora o lago não tenha fama de ser muito limpo, absorvendo ainda muito dos detritos gerados nos municípios que o rodeiam, passear de barco por suas águas, canais e meandros é um delicioso programa para quem visita a capital gaúcha. A Ana, que por tanto tempo trabalhou em uma agência gaúcha e muitas vezes esteve aqui, já tinha feito essa navegação, mas eu ainda não. Então, foi isso o que fizemos hoje, a bordo do popular e tradicional barco Cisne Branco, que há décadas leva turistas pelo Guaíba adentro.
Entrando no barco Cisne Negro para uma volta no lago Guaíba, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Apesar do tempo nublado, entrando no barco Cisne Negro para uma volta no lago Guaíba, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
No tradicional barco Cisne Negro, passeio no lago Guaíba, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Ao contrário de ontem, infelizmente, o céu estava encoberto. Na verdade, até chovia um pouco. Chegamos a ficar preocupados que o barco não saísse para o passeio, pois seria nossa única chance de fazê-lo. Quando o vento está forte e o lago se enche de ondas, a embarcação não sai do porto, ali bem perto do Gasômetro. Mas, para nosso alívio e felicidade, após alguns minutos de tensão, o capitão resolveu zarpar. Poucos turistas haviam se animado a enfrentar a chuva e fazer o programa, eu e a Ana entre os poucos valentes (ou teimosos...). A fama do lindo entardecer visto das águas do Guaíba é grande e, apesar de pouco provável, tínhamos nossas esperanças...
Deixando as docas de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul, para um passeio de barco no lago Guaíba
A cidade de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul. vista do barco em que navegávamos pelo lago Guaíba
A skyline de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul, vista do lago Guaíba
Assim como a gigantesca Lagoa dos Patos, o Guaíba também é bem raso. Profundidade próxima dos cinco metros, raramente indo além disso. Mas ali, no meio daquele verdadeiro “marzão” de água doce, é difícil acreditar nisso. Tão longe do mar que estamos que a água é realmente doce, ficando ligeiramente salobra nas grandes marés e períodos de seca.
A silhueta inconfundível do Gasômerto, com sua chaminé de mais de 100 metros de altura, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
A cidade de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul. vista do barco em que navegávamos pelo lago Guaíba
O enorme lago Guaíba, na verdade apenas uma parte da Lagoa dos Patos, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
O passeio e o percurso que o barco faz é mais ou menos padrão, contornando algumas ilhas e chegando até uma das pontes que compõe a Travessia Régis Bittencourt. Trata-se de um conjunto de 4 pontes, a mais longa delas sobre o rio Jacuí (o principal do Lago Guaíba), com 1.760 metros de comprimento. São elas que fazem a ligação rodoviária entre a capital com o interior do estado. Para chegar até lá, depois de atravessar uma área mais aberta do lago, entramos na rede de canais entre as diversas ilhas. É uma das partes mais interessantes do passeio, quando vemos de perto os jardins e quintais de algumas das belas casas que ocupam essas ilhas.
Navegando nos canais entre o rio Jacuí e a lago Guaíba, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Encontro com outro barco de turismo no rio Jacuí, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Encontro com outro barco de turismo no rio Jacuí, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
O comandante do barco vai nos dando informações geográficas e históricas ao longo do percurso, ao mesmo tempo em que matamos nossa sede com alguma cerveja gelada. Ao final, voltamos à parte aberta do lago de onde se tem uma vista privilegiada da cidade e de algumas de suas principais construções, como o Gasômetro e o estádio Beira-Rio. Aliás, esse nome vem do fato que, até hoje, muita gente ainda considera o lago Guaíba como o “rio Guaíba”.
Navegando nos canais entre o rio Jacuí e a lago Guaíba, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Muitas belas casas na ilhas do lago Guaíba, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Ponte sobre o rio Jacuí, região de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Nossos dedos cruzados ao longo de todo o passeio finalmente fizeram efeito e São Pedro resolveu nos dar uma colher de chá no finalzinho do segundo tempo. Uma brecha abriu nas nuvens e a luz do sol pode chegar até nós, justamente na hora do pôr-do-sol. Foi joia! Uma última e belíssima imagem para se guardar de Porto Alegre!
Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Final do nosso passeio de barco, de volta ao Gasômetro, já com as luzes acesas, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Mesmo com muitas nuvens, a luz de fim de tarde ilumina os prédios de Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Foi nosso último programa diurno na capital gaúcha. Digo diurno porque ainda temos um churrasco agora de noite. Convite especial de um antigo chefe da Ana. Mais um mimo entre tantos outros que estamos recebendo por aqui e que nos fazem sentir cada vez mais em casa. Falo um pouco mais sobre essa doce acolhida no próximo post...
No fim da tarde, apesar das nuvens, fomos premiados com um belíssimo pôr-do-sol nas águas do lago Guaíba, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
No fim da tarde, apesar das nuvens, fomos premiados com um belíssimo pôr-do-sol nas águas do lago Guaíba, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul
Final de trilha: Cachoeira do Alcantilado em Mauá - RJ
Hoje partimos o grupo todo para um programa em Mauá. As premissas eram que deveríamos caminhar um pouco (pero no mucho, por causa da Bebel), ver e nadar em alguma cachoeira e voltar a tempo para ver o jogo do Brasil.
Cachoeira no Vale do Alcantilado em Mauá - RJ
Após alguma pesquisa decidimos pelo Vale do Alcantilado. A região de Visconde de Mauá é formada por vários vales, todos com casinhas charmosas, restaurantes gostosos, cachoeiras e trilhas. Poderíamos passar aqui uma semana e fazer um passeio diferente por dia. E de noite, em Maringá, ficar experimentando as diversas opções de restaurantes para jantar: fondue, pizza, truta, picanha, comida mineira, enfim, comida para todos os gostos.
Haroldo em cachoeira no Vale do Alcantilado em Mauá - RJ
Buenas, entre vales como o das Flores, o do Pavão, Sto. Antônio, etc, acabamos ficando com o Alcantilado. Lá chegando, todos na Fiona, fomos fazer a trilha do vale que passa por nove cachoeiras. Hora e pouco para ir, hora e pouco para voltar, incluindo o tempo para um banho gelado.
Carregando a Bebel trilha acima no Vale do Alcantilado em Mauá - RJ
Com algum trabalho de persuasão levamos a bebel até lá encima, na última cachoeira. Justamente a cachoeira do Alcantilado. Viemos todos curiosos sobre a origem do nome, mas ninguém sabia explicar. Vistas todas as cachoeiras, decidimos enfrentar a água fria na quarta, onde havia um poço mais convidativo. Desta vez, foi o Haroldo que não quis entrar. O Pedro, após um certo escândalo, entrou. Eu, Ana e Íris mantivemos a tradição de não deixar de batizar a cachoeira, por supuesto.
Íris experimentando a água em cachoeira no Vale do Alcantilado em Mauá - RJ
Pedro mergulhando em cachoeira no Vale do Alcantilado em Mauá - RJ
Após a trilha lanchamos pastéis e pinhão no restaurante abaixo da trilha. Lá, finalmente a explicação: "alcantilado" quer dizer "escarpado", e se refere a cachoeira mais alta que é bem mais escarpada mesmo.
Cachoeira do Alcantilado em Mauá - RJ
Depois, voltamos para torcer juntos pelo Brasil. Findo o jogo (Brasil 3x1 Costa do Marfim) o Haroldo se mandou para S. Paulo, Pedro e família para o Rio e eu e a Ana para a banheira de hidromassagem. Gostosa como sempre, mas parecendo meio vazia, com a ausência dos companheiros do fim de semana. Bom, tem sido sempre assim, vamos conhecendo ou encontrando pessoas para logo depois nos separarmos. Sempre na esperança de revê-los em breve.
Assistindo ao jogo Brasil x Costa do Marfim em Mauá - RJ
Monumento Nacional, no final do Paseo Montejo, em Mérida, no sul do México
Há muito tempo o nome “Yucatán” frequenta minha imaginação. Primeiro, foi quando comecei a me interessar pela história dos povos pré-colombianos. Incas e astecas, com seus exércitos poderosos, atraíram logo minha atenção, mas depois, foi o misterioso povo maia que mais me cativou. Viviam eles nas impenetráveis selvas da América Central, principalmente nesse lugar chamado “Yucatán”. Fixei o nome, mas não o lugar. Sabia que era ali na América Central, mas aonde?
Nosso caminho de Puebla à Mérida, dormindo em Acayucan
Bom, tão rápido como mudava meu corpo e mente no início da minha adolescência, mudavam também meus interesses. Da exploração espacial para o destino dos neandertais para a extinção dos dinossauros para a Biblioteca de Alexandria, tudo estava a um passo um do outro. Era a série Cosmos, de Carl Sagan, que fustigava e alimentava minha imaginação. Foi aí que tomei conhecimento, pela primeira vez, da teoria de que o choque um enorme meteoro com a Terra seria dado cabo dos tiranossauros e companhia. E que esse choque teria ocorrido na Península do Yucatán, há cerca de 65 milhões de anos. Resquícios do impacto e da cratera haviam sido encontrados por lá recentemente. Agora, com um mapa em mãos, nunca mais esqueceria a localização daquela península que unia maias e dinossauros.
Os grandes lagos de Atasta e Términos são a porta de entrada para a península do Yucatán, no México
Passam-se muitos anos e eis que, acompanhado da amada esposa, cruzamos a América Central de carro e adentramos o México pelo estado de Chiapas. A mística Yucatán estava ali, do ladinho, mais perto do que nunca. Mas teria de esperar mais um pouco. Nosso destino era o norte, a América do Norte nos chamando. Foi em Janeiro do ano passado. Um pouquinho mais de paciência. Pois bem, 12 meses se passaram, o mundo não acabou (nem a nossa viagem!) e nós estamos aqui de volta. Dessa vez, muito bem acompanhados da nossa madrinha e amiga Valéria, temos todo o tempo do mundo para o Yucatán.
Fachada de igreja em Mérida, no sul do México
Ontem tínhamos dormido em Acayucan, vindos de Puebla. Na nossa pressa para aqui chegar, deixamos para trás e para uma outra vez a cidade portuária de Vera Cruz, sede do mais animado carnaval do país. Justo em época de carnaval! Bom, não se pode ver tudo. Queríamos mesmo era chegar à Mérida, a cidade de maior importância histórica da região, sede do poder colonial espanhol. É o ponto inicial de nossas explorações nessa semana antes do retorno da Val para o Brasil. Depois, teremos mais tempo para, com calma, curtimos as praias, cenotes e ruínas dessa região fascinante.
Interior da catedral em Mérida, no sul do México
Nós chegamos à Mérida de noite, mas ainda em tempo de apreciar suas ruas coloniais cheias de restaurantes, hotéis e turistas de todas as partes. A cidade está cheia e não foi fácil achar um lugar para ficarmos. Mas achamos, precisando de um descanso depois de tantas horas e quilômetros de estradas e ansiosos por uma noite de sono.
Altar decorado na catedral de Mérida, no sul do México
Hoje, então, foi a largada oficial de explorações. E começamos logo com chuva. Tempo ideal para uma boa sessão de museus, entre uma corrida e outra entre ruas e praças. Foi ótimo para começarmos a ter uma ideia da rica história da península, que começou com um impacto colossal, passou pela mais interessante das civilizações pré-colombianas e se transformou numa verdadeira febre do turismo mundial.
Visita ao belo Palácio Municipal, em Mérida, no sul do México
Visita ao belo Palácio Municipal, em Mérida, no sul do México
Depois de passar por igrejas e pela catedral, pelo pomposo teatro e pela movimentada universidade e por ruas e praças coloniais esvaziadas pela chuva fina, chegamos ao Palácio Municipal, todo decorado com enormes murais que retratam aspectos da história e do cotidiano da península, da época maia aos séculos de opressões e lutas sociais que se seguiram à conquista espanhola. Em um bem decorado salão, uma pincelada sobre os principais momentos históricos dos últimos 500 anos, o que me fez ver o quão pouco eu sabia além de generalidades muito vezes equivocadas. Para alguém que se julga “sabedor da história”, foi um delicado tapa na cara...
Pintura moderna mostrando a importância do milho para os povos do Yucatán (em Mérida, no sul do México)
Sempre aprendi que, ao chegarem ao Novo Mundo, espanhóis encontraram apenas dois grandes povos e impérios: incas e astecas, conquistados por Pizarro e Cortes, respectivamente. Já os maias, não seriam nem sombra do passado, apenas bandos de selvagens vivendo em meio às ruínas de sua decadente civilização. Nada mais falso.
Quem se habilita a ler um texto no idioma maia? (em Mérida, no sul do México)
É certo que os grandes centros mais na Guatemala haviam sido abandonados muito antes, mas ao norte do Yucatán ainda fervilhava uma civilização, com suas cidades e palácios. Dividiam-se em cidades-estado o que, com suas rivalidades, facilitou a conquista espanhola. Mas, ao mesmo tempo, prolongou ao máximo a guerra de conquista, pois não bastava aos colonizadores conquistar uma “capital” ou um país. Tiveram que fazer guerra com cada uma delas, mesmo as mais isoladas e diminutas. Enquanto astecas e incas caíram em menos de uma geração, os mais resistiram por séculos.
Sala de exposições de história em prédio público em Mérida, no sul do México
O grande conquistador da península foi, na verdade, uma família, os Montejo. Pai, depois filho, depois sobrinho. Explorando ao máximo as divisões internas, aliando-se a povos antes oprimidos, derrubaram e conquistaram as antigas cidades dominantes, para depois traírem e escravizarem também seus aliados, Depois, pouco a pouco, foram estendendo seu domínio por toda a península, tribo após tribo. Mas o espírito indígena nunca foi batido, apesar dos séculos de repressão.
Passeando em dia de chuva pelo centro histórico de Mérida, no sul do México
Tanto que, com a independência do México, o Yucatán declarou-se logo independente do poder central, um país governado pela elite local, descendentes mestiços dos antigos colonizadores. Sua capital era Mérida, a cidade fundada pela família Montejo. Mas em seguida, dentro desse novo país, foram os índios a reclamar sua independência. O Yucatán foi dividido em dois, uma república branca e outra índia. Incapaz de controlar a sublevação maia, a “parte branca” preferiu voltar ao controle mexicano para, juntos, controlarem toda a península. Essa guerra que durou um século, conhecida como Guerra de Castas, manteve a península dividida, os maias com seu país independente na parte sudeste da península, uma terra proibida para brancos e mestiços.
Em escultura nada sutil, um conquistador aparece pisando sobre os indígenas conquistados (em Mérida, no sul do México)
Foi só no início do século XX, depois de um acordo entre México e Inglaterra que impediu que os maias continuassem a comercializar armas e mantimentos com Belize que as forças de Porfírio Diaz retomaram o controle da região. Mesmo assim, ainda na década de 30, rebeldes lutavam no interior da península.
Interior da Casa de Montejo, a família que conquistou o Yucatán (em Mérida, no sul do do México)
Depois dessa verdadeira aula de história, atravessamos a praça para visitar a casa dos conquistadores, a família Montejo. Do lado de fora, um alto relevo nada sutil mostra os antigos conquistadores pisando sobre a cabeça dos indígenas conquistados. Pois a cultura deles sobreviveu aos séculos, língua, vestimentas, culinária e o povo. É essa península que começamos a explorar hoje, cada vez mais curiosos em nos aprofundar em sua cultura, história e belezas naturais. Yucatán, chegamos!
Banco especial para namorados, no Paseo Montejo, em Mérida, no sul do México
Arquitetura da Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Ainda cedinho, depois do café com as frutas e iogurte que compramos ontem, fomos à praia mais bonita do sul de Basse terre, ali pertinho de Tròis Rivières. Por coincidência, também tem o nome de Grande Anse, mas ao contrário da praia no noroeste de Basse Terre, essa aqui tem as areias escuras e muitas ondas, com um aspecto bem mais selvagem.
Caminhando pelas areias escuras da praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe
A bela e selvagem praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe
Fizemos nossa tradicional caminhada até o final da praia e admiramos as pequenas ilhas que formam Les Saintes, bem na nossa frente. Foi o mais perto que chegaremos delas, pelo menos dessa vez. O programa de ir e voltar de lá no mesmo dia é bem popular por aqui, mas não temos esse dia. Aliás, acabamos desistindo também de Maria Galante, no sul de Grande Terre. Só teríamos o dia de amanhã para isso e preferimos usá-lo para explorar o belo litoral entre Sainte-Anne e Sainte-François, em Grande Terre também.
A bela e selvagem praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe. Ao fundo, as ilhas de Les Saintes
Enfrentando as ondas da praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe
Depois de enfrentar as ondas fortes de Grande Anse para um bom mergulho, era hora de pegar estrada. Seguimos para o norte até o istmo que liga as duas asas da borboleta e entramos em Grande Terre, seguindo diretamente para a capital do país, Ponte-à-Pitre. A primeira parada foi no terminal de ferries. Afinal, daqui para frente, pelas próximas três ilhas, vamos viajar de barco e já estava na hora de providenciar as passagens. O problema é que estamos na baixa temporada e com isso o número de ferries cai bastante. Ao invés da linha diária, são apenas três viagens por semana. Como temos passagem de avião marcada de Santa Lúcia para San Vincent e Granadinas, acabamos ficando sem muitas opções de datas para passar e viajar entre Guadalupe, Dominica, Martinica e Santa Lúcia...
Nosso percurso de ferry de Guadalupe à Santa Lúcia, passando por Dominica e Martinica
Feitas as contas de dias e as poucas datas de viagem, restou a solução de viajar mesmo dia 10 (depois de amanhã pela manhã) para Dominica, no dia 13 cedinho para Martinica e no dia 17, de tarde, para Santa Lúcia. Eu iria comprar apenas a primeira passagem, para Dominica, mas fui informado que é exigido uma passagem saindo da ilha também. Assim, já comprei o bilhete para Martinica. Cada trecho custa 75 euros e demora pouco mais de duas horas. Na verdade, esse é o custo para entrar no barco. Se comprarmos o bilhete diretamente para Martinica ou Santa Lúcia, sem descer nas paradas intermediárias, o preço é o mesmo! Pois é... vamos gastar 225 euros para chegar em Santa Lúcia, só porque queremos passar alguns dias nas duas ilhas no caminho. Um absurdo! Enfim, outra coisa a se notar é que as duas ilhas mais desenvolvidas da região, Martinica e Guadalupe, não tem frescura nenhuma de imigração, enquanto as outras exigem passagem de saída. Vai entender...
Igreja em Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Resolvido as passagens de ferry, fomos passear um pouco em Point-à-Pitre, principalmente no seu centro histórico. Trânsito complicado nas estreitas ruas comerciais do centro, ao redor da Place de La Victoire. Mas, depois do horário comercial e nos fins de semana, a cidade morre, a grande maioria das pessoas morando em outras partes da ilha.
Arquitetura da Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
A gente deu umas voltas à pé na praça de frente ao mar, tiramos umas fotografias e seguimos viagem pelo litoral de Grande Terre, no sentido anti-horário. Passamos por Le Gosier, o principal destino turístico de Guadalupe, com seus grandes hotéis e resorts que recebem dezenas de milhares de franceses todos os anos e seguimos diretamente para Sainte-Anne, muito mais tranquila.
Orla marítima na Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Tão tranquila que não conseguimos encontrar um hotel. Quando finalmente achamos um gite, eles não recebiam hóspedes por menos de 3 dias. Mas o simpático dono nos indicou um hotel numa praia vizinha, ligou para lá e já acertou tudo. A gente foi para lá, se instalou e voltamos correndo para a cidade, em tempo para encontrar um delicioso restaurante, cheio de caráter. Depois de dois dias de “comida em casa”, foi uma excelente variação. Voltamos para o nosso hotel e estamos prontos para um dia de praias amanhã. Praias com cara de Caribe!
Hora da sobremesa em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Chegando a Port Stanley, a capital de Falkland
Os habitantes de Falkland são chamados de “kelpers”. O nome vem de um tipo de alga, “kelp”, que é muito abundante ao redor da ilha. Uma boa parte dos moradores da ilha está envolvida com a principal atividade econômica de Falkland, que é a criação de ovelhas. São quase 700 mil delas em um arquipélago onde vivem menos de 3 mil pessoas. E uma parte importante da alimentação desse enorme rebanho é justamente o kelp, que os poucos humanos disponíveis vão coletar no mar. Daí a denominação, kelpers!
Chegando a Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)
O Sea Spirit ancorado em Port Stanley, a capital de Falkland
Pois bem, para os kelpers, o arquipélago está dividido em duas partes. E eles não estão se referindo às ilhas East e West Falkland. Não! Para eles, existe o “town” e o “camp”. “Town” é a capital, e única cidade de verdade em Falkland, Port Stanley. E “camp” é o resto. Todo o resto. Então, até agora, nós conhecemos o “camp”. Carcass Island e Steeple Jason fazem parte do “camp”. As outras pequenas ilhas, toda a West Falkland e boa parte da East Falkland, dos quais não vimos nada, também são o “camp”. Quando muito, vimos de longe, das janelas e do convés do Sea Spirit. Mas agora, o que queríamos mesmo era ver a outra metade do país, o “town”.
Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland
Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland
E assim foi. Nosso dia de hoje foi devotado à exploração da capital, do “town”, de Port Stanley, com seus pouco mais de 2 mil habitantes. Logo de manhã nosso barco já estava ancorado lá, nossa única chance nessas três semanas de poder sair do Sea Spirit sem estar vestindo as botas de borracha ou nossa roupa de caiaque. Tiramos nossos tênis do fundo da mala, bem felizes e estávamos prontos. Hoje, nem de guia precisaríamos. Nossa liberdade de volta, desde que respeitássemos os horários, claro!
Memorial Wood (Bosque da Memória), em Port Stanley, a capital de Falkland
Caminhando no Memorial Wood (Bosque da Memória), em honra oas mortos na guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland
Na verdade, três de nossos simpáticos guias estariam sim, a nossa disposição, liderando grupos “temáticos” pela cidade. Um para falar de história, outro dos pássaros e a terceira das baleias. Eram tours facultativos e nós, eu e a Ana, optamos pela exploração seguindo nosso próprio nariz. Como disse, era nossa única chance nessas 3 semanas.
Ave se esquenta ao sol em pier em Port Stanley, a capital de Falkland
Pássaros Rock Shags em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Ken Haley)
O porto está a pouco mais de 2 km do centro da cidade. Microônibus poderiam nos levar e trazer de volta, a cada meia hora. Para quem quisesse, podia seguir a pé. Umas dez pessoas optaram pelo exercício, assim como nós. Alguns, com o espírito ainda mais livre, ao chegar à estrada, viraram para o outro lado. Preferiram ir até uma península, uma baía e à famosa praia de “Gipsy Cove” do que seguir para “town”. Nós não, queríamos era um pouco de urbanidade mesmo.
Cemitério em Port Stanley, a capital de Falkland
Braço de mar em frente a Port Stanley, a capital de Falkland
Port Stanley virou a capital de Falkland em 1845, principalmente pelo fato de ser um bom porto. Afinal, a principal atividade econômica de Falkland naquele tempo era a reparação de navios. Para chegar à costa oeste dos Estados Unidos, a principal rota passava pelo sul da América e não eram poucos os navios que necessitavam de reparos após a passagem pela perigosa “Passagem de Drake”. Falkland, estando “logo ali”, soube aproveitar-se desse mercado, facilitado pelas excelentes condições de Port Stanley, de calado mais profundo.
A arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)
Arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Susan Pairaudeau)
A bonança continuou até que os navios a vapor, muito mais resistentes, se popularizassem. O golpe final nessa indústria veio no início do séc. XX, com a abertura do Canal do Panamá. Agora, os navios não necessitavam mais enfrentar os rigores da Drake Passage e Port Stanley ficou a “ver navios”. Isso abriu espaço para o crescimento de outra indústria nas ilhas, a criação de ovelhas, principal força econômica do arquipélago até hoje.
Depois da caminhada, quase chegando ao centro de Port Stanley, a capital de Falkland
Arquitetura britânica em Port Stanley, a capital de Falkland
A cidade, como sua própria população indica, é bem pequena e pode ser percorrida a pé em poucas horas. Entre as principais atrações, alguns poucos museus, igrejas, o belo visual da rua em frente ao mar, os vários monumentos que relembram a guerra de 82, naufrágios de antigos barcos que podem ser avistados no mar e os quatro pubs que existem no centro da cidade.
O efeito do vento no crscimento de uma árvore, em Port Stanley, a capital de Falkland
O belo visual da rua costeira de Port Stanley, a capital de Falkland
Nós começamos nossa visita por alguns dos memoriais de guerra, como uma floresta que foi plantada onde cada árvore homenageia um dos mortos britânicos naquele conflito. Vou falar desse assunto no próximo post, mas vistamos também o cemitério que tem uma linda vista para o braço de mar em frente à cidade.
Catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland
Interior da catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland
Os ossos de baleia azul e a catedral anglicana, uma das cenas clássicas de Port Stanley, a capital de Falkland
Em seguida, fomos a um dos mais vistosos prédios de Port Stanley, a Catedral Anglicana. Com mais de 130 anos de existência, ela é a catedral mais ao sul do mundo, elegante por fora e com uma tranquilidade inspiradora em seu interior. Bem em frente a ela, um dos principais cartões postais da cidade: um monumento feito apenas com os ossos de mandíbula do maior animal que já existiu em nosso planeta, a baleia azul. Usando 4 desses ossos, foi feito um grande arco, convite irresistível à fotografias de turistas. Esse maravilhoso animal era abundante na região, mas foi caçado quase até a extinção nos séc. XIX e XX. Os ossos ali dispostos, em frente a uma igreja, servem para nos lembrar da estupidez de nossa raça que levou tantas outras espécies a extinção total. Quando chegarmos à Geórgia do Sul, certamente vou falar mais dessa perseguição implacável feita às baleias aqui nos mares do sul...
Cartão postal de Port Stanley, a capital de Falkland, os enormes ossos de maxilar de baleias azul, a maior criatura do planeta
A Kim salta entre ossos de maxilar de uma baleia azul, em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)
Mas, falando em baleias, há um pequeno museu em homenagem a elas. Antes de chegar lá, ainda passamos no correio da cidade para enviar alguns postais para casa, uma espécie de prova definitiva que passamos nesse lugar tão isolado do mundo. Acho que já fazia alguns anos que eu não enviava postais, prática tão comum entre os viajantes de até pouco tempo atrás. A internet, facebook e Skype mudaram nossos hábitos, mas achamos que, aqui de Port Stanley, no meio do oceano, a ocasião valia a pena!
A prova de que Port Stanley, a capital de Falkland, ainda é inglesa
Visita ao correio de Port Stanley, a capital de Falkland, para enviar alguns postais como prova de que lá estivemos!
O pequeno museu mostra o esqueleto de algumas espécies de baleias, mas o que mais chama a atenção na exposição é um canhão que lançava arpões. Apenas aquele canhão teria matado mais de 20 mil baleias! Hoje, a máquina de matar serve a melhores propósitos. Ao seu lado, um cartaz pede que se proíba a caça às baleias. Deveria vir com tradução em japonês.
Visita a um pequeno museu de baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland
Um arpão assassino, exposto em museu de baleias em Port Stanley, a capital de Falkland
Pequeno museu sobre baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland
Nesse ponto da nossa visita encontramos o Jeff e passamos a caminhar juntos. O Jeff trabalha com cinema e um dos filmes que ajudou a filmar, o espetacular “Chasing Ice”, é parte do Festival de Cinema que está ocorrendo a bordo do Sea Spirit. É mais um assunto a que preciso dedicar um post, mas como trata de aquecimento global, acho que vou esperar chegarmos à Antártida. Enfim, caminhávamos juntos quando ocorreu o fenômeno mais natural possível para os kelpers, mas que chama bastante a atenção de visitantes como nós!
Junto com o Jeff, protegendo-se da neve repentina em Port Stanley, a capital de Falkland
De repente, uma forte nevasca em Port Stanley, a capital de Falkland
O clima da ilha e especialmente aqui em Port Stanley muda rapidamente, várias vezes ao dia. Mesmo para padrões britânicos, que moram naquela ilha conhecida pelo seu clima instável, as Falkland assustam. Do sol à chuva ao frio ao fim do vento à neve ao céu azul, tudo assim, sem vírgulas e em poucos minutos. Assim, caminhávamos tranquilamente num fim de manhã onde o azul do céu parecia que iria vencer as nuvens quando, de repente, estávamos procurando abrigo atrás de um carro contra o vento e a forte neve que caía. Nossa primeira neve nessa viagem. Mesmo o Jeff, que acabou de passar por lugares como Islândia, Groelândia e Alaska (trabalhando naquele filme que citei acima), se impressionou. Quem não pareceu dar muita bola foram uns cavalos que assistiram toda a cena, eles mesmos pouco se importando com a neve que caía. Afinal, já sabiam que algum tempo depois viria o sol. Cavalos kelpers!
Com o Jeff, caminhando em terreno nevado em Port Stanley, a capital de Falkland
Cavalos parecem estar acostumados à subita queda de neve em Port Stanley, a capital de Falkland
Pois é, o tempo melhorou mesmo e pudemos continuar nossa caminhada. Primeiro, de volta à rua litorânea, um dos visuais mais belos da cidade. E depois para o museu histórico, que eu queria muito visitar. Aí passei mais de hora, primeiro lendo tudo o que havia sobre os warrahs, os lobos extintos de Falkland, assunto sobre o qual tenho estranha obsessão. E depois, sobre a guerra de 82 que, como disse, tratarei no próximo post.
O Museu Histórico de Port Stanley, a capital de Falkland
Representação do extinto Warrah, ou Falkland Wolv, no museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland
Depois do museu, só nos faltava fazer uma coisa que já vínhamos sonhando faz tempo, antes mesmo de entrarmos nesse navio em Buenos Aires. Queríamos passar algum tempo num legítimo pub inglês aqui em Port Stanley, cidade de coração e alma britânica. Então, de volta ao centro e para dentro do pub. Lá já estavam outros passageiros, todos preferindo o conforto do bar que o ar frio lá de fora. Tratamos logo de pedir uma legítima Guinness para brindarmos nossa passagem por lugar tão distante. Uma verdadeira benção, poder estar no meio do Atlântico Sul e, ao mesmo tempo, tomar uma Guinness. Muito joia mesmo! Agora, mais do que nunca, estamos certos de que vamos conhecer e viajar por todos os países das Américas. Até mesmo pelas isoladas, praticamente perdidas e esquecidas Falkland e Geórgia do Sul. Merece até outra Guinness!!!
Um dos pubs de Port Stanley, a capital de Falkland
Interior de um pub em Port Stanley, a capital de Falkland
Celebrando com uma Guinness em um pub a nossa visita a Port Stanley, a capital de Falkland
E assim, de Guinness em Guinness, já era hora do último micro-ônibus de volta ao porto e ao Sea Spirit. Fomos os últimos a chegar, já no segundo tempo da prorrogação. Mas valeu muita a pena a correria e as cervejas. Que ótimo foi ter estado na instável Port Stanley, um pedacinho da Inglaterra aqui nos mares do sul. Saímos ao convés para um último adeus à cidade e a este arquipélago. Pela primeira vez nessa viagem, pisamos em gelo no convés, uma rápida chuva de granizo. Pois é, não poderia faltar em um típico dia nessa cidade. Depois das despedidas formais, de volta ao calor do nosso navio e ao conforto do nosso bar. Mais uma cerveja para comemorar, agora ao início da nossa viagem à Geórgia do Sul e a mais dois dias em alto mar!
Zarpando de Port Stanley, a capital de Falkland
Neve no convés do Sea Spirit em Port Stanley, capital de Falkland
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