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maya (03/05)
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Guilherme (02/05)
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Evanio Machado (18/04)
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Caminhando na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Ontem voltamos ao Canadá. Nossa quarta e última vez no país nesses 1000dias. Dessa vez, chegamos à Columbia Britânica, o estado mais à oeste do país, na costa do Oceano Pacífico. Vamos passar pouco mais de 10 dias por aqui, principalmente na área de Vancouver, no sul do estado, de onde seguimos viagem para os Estados Unidos, no nosso rumo sul em direção à Patagônia e Terra do Fogo. É como gostamos de brincar: “Pelos próximos meses, o sul é nosso norte”!
Finalmente, um dia de céu azul na Inside Passage, chegando em Prince Rupert, no Canadá (British Columbia)
Finalmente, um dia de céu azul na Inside Passage, chegando em Prince Rupert, no Canadá (British Columbia)
Entramos no país na cidade de Prince Rupert, uma importante parada na rota da Inside Passage. É o ponto mais ao norte até onde chegam os ferries canadenses da BC Ferries. Os ferries americanos também param por aqui, mas depois, seguem diretamente para a área de Seattle. Para nós, que queremos seguir para Vancouver Island, ainda no Canadá, só mudando para a BC Ferries. A outra alternativa era pegar estrada novamente, já que Prince Rupert tem acesso rodoviário. Seria uma longa volta pelo interior do estado, quase dois mil quilômetros até Vancouver. Ficamos na dúvida de qual caminho pegar, mas como o tempo melhorou, resolvemos ver um pouco da Inside Passage com céu azul. Além disso, é gostoso também variar um pouco do asfalto para o mar, hehehe. A Fiona vai descansando lá embaixo, na garagem, e a gente na parte de cima, entre o cinema, os decks internos e externos e, claro, o bar.
Caminhada pela praia na hora de maré baixa em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Prince Rupert é uma cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, mas tem um centro histórico bem pequeno e charmoso, chamado de Cow Bay. Ali nos instalamos, no excelente Eagle Bluff B&B. Nada como um lugar com alma, depois de tantos motéis de rede, eficientes, práticos, mas sem personalidade.
Caminhando por ponte de areia formada na maré baixa em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Eestrela-do-mar em terra firme! Esperam pacientemente a volta da água do mar, na maré alta (Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá)
Com um lugar garantido para dormir, fomos em busca de programação. Afinal, o ferry para o sul só partirá no dia 5. Aí, aquela mesma dificuldade que temos encontrado nos últimos dias: tudo fechado pelo fim da estação. Por exemplo, já não há mais tours para ver as baleias. Elas ainda estão por aqui, mas com tão poucos turistas, os barcos simplesmente não saem mais. Ao mesmo tempo, se tivéssemos chegado por aqui há duas semanas, apesar de encontrar os tours para ver baleias, jamais teríamos conseguido ficar num lugar como o Eagle Bluff. Seria muito mais caro e teríamos de ter reservado com um mês de antecedência.
Ponte pênsil na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Enfim, ficamos sem as baleias, mas com um belo museu e umas trilhas aqui perto. Além disso, a simpática moça da companhia das baleias nos deu uma outra dica valiosa: uma trilha recém-aberta em meio à uma reserva indígena do outro lado da baía. Uma trilha de 10 km entre a mata e o mar. A Ana ligou para o telefone no leaflet para se informar e lá veio a informação. A trilha estava fechada até a próxima estação! Mas ela não aceitou a resposta, chorou, chorou e conseguiu. Abririam a trilha para nós! E assim foi, hoje cedo já estávamos no porto para atravessar os braços de mar e chegar ao início da Metlakatla Wilderness Trail.
Ponte pênsil para torre de observação na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Fomos recebidos ainda no cais, do lado de cá, pelo idealizador dessa trilha, o simpaticíssimo Cory. Filho de pai escocês e mãe Tsimshian, a tribo First Nation daqui, mas criado também pelo padrasto, igualmente First Nation, o Cory nos deu uma verdadeira aula sobre a história e cultura dos povos que aqui habitavam há milênios e sobre as dificuldades enfrentadas pelas First Nations na atualidade. Além disso, fez um belo briefing sobre a trilha que encontraríamos, nos colocou no barco e prometeu nos receber na volta, no fim da tarde.
Trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Praia rodeada de pinheiros na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Chegamos no início do caminho um pouco antes das 09:00 e teríamos de estar de volta no cais até às 16:30, a última chance de voltar para Prince Rupert. Seriam 10 km para ir, outros 11 para voltar (incluído aí o trecho para atravessar a pequena vila Tsimshian) e mais uns dois de trilhas alternativas pelas praias pelo caminho. Não estava apertado, mas também não podíamos esquecer de controlar o tempo...
Um dos muitos tipos de cogumelos encontrados na trilha Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Cogumelo gigante na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
A trilha foi uma delícia! Os primeiros seis quilômetros estão muito bem conservados, com passarelas de madeira e solo assentado. Nos últimos quatro, um pouco mais perto de seu estado natural, tendo de driblar raízes e pedras. Além disso, pontes penseis muito bem feitas e uma torre de observação, acima da copa das árvores. Estamos sempre sob a copa das árvores, menos quando seguimos pela praia. Apenas nós naquele mundão todo, a trilha fechada pela última semana. Os únicos companheiros eram da vida selvagem. Encontramos várias pegadas, entre elas de lobos e veados. Mas de urso, nada! São raros por aqui e nem trouxemos nosso Bear Spray. De qualquer maneira, pelo sim, pelo não, tratamos de falar alto durante todo o percurso.
Praticando o equilíbrio na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Fim da trilha nada! É só a metade do caminho, pois ainda tem a volta na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Interessante também foi observar o movimento da maré e como a paisagem mudou do início para o fim. O mesmo lugar, com maré baixa e maré cheia, completamente diferente! As marés daqui estão entre as maiores do mundo e pudemos observar, a olhos vistos, a maré subindo. Bem que o Cory nos avisou para tomarmos cuidado se quiséssemos seguir por uma ponte de areia que aparece na maré baixa. Um momento de distração e não conseguiríamos voltar! Bom, se fosse no Brasil, bastaria caminhar sobre a água ou nadar um pouco. Mas aqui, com a água a 8 graus de temperatura, nadar nem é uma opção. Nem para voltar de uma ilha, nem para fugir de um urso!
Raízes gigantes em praia na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
A maré começa a subir em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Enfim, deliciosas horas em meio à natureza e longe da civilização e chegamos a tempo no cais. Quando chegamos de volta à Prince Rupert, lá estava o Cory a nos receber. Mais uma longa conversa sobre a trilha, sobre o Canadá, sobre viagens e sobre o mundo e ganhamos um grande amigo. Vamos até tentar nos encontrar amanhã, quem sabe para o jantar. Ele é casado com uma descendente de portugueses e, com certeza, não vai faltar assunto.
Hora do lanche na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
De noite, um jantar bem gostoso num restaurante japonês. Fiquei impressionado como uma cidade desse tamanho tem tantos lugares legais, meio requintados, meio despojados. O nosso B&B, o café Cowpuccino (onde comemos sanduíches e doces maravilhosos), o restaurante japonês, entre outros. Lugares que poderiam ser em São Paulo ou Nova York. Mas que estão nesse lugar perdido na costa canadense. Junto com a trilha e com o Cory, foram as excelentes surpresas de hoje. É o Canadá nos recebendo bem como sempre!
Crânio de urso em altar improvisado na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá
Caminhando na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO
Mais uma vez não consegui falar com uma pessoa no consulado canadense. Só as insuportáveis máquinas... Em compensação, tive nova e longa conversa com uma despachante especializada. Minha idéia é fazer o pedido na sexta que vem, assim que receber o novo passaporte. Explicar tudo bem direitinho para o consul e cruzar os dedos pelas próximas semanas, esperando o resultado, enquanto viajamos pelo sul do Brasil. Fora isso, a Ana esteve em outro médico, a Nikon está em manutenção preventiva, comprei novo óculos e mandei consertar aquele que sentei em cima e a barraca, decidimos comprar uma nova no Paraguai. A velha já não dava mais... De noite, adivinhem? Novo compromisso social. E a "to do list" vai diminuindo...
Depois de praias e cervejas, hoje é dia de retrospectiva de cavernas!
Cavernas e água, sempre uma mistura magnífica para fotos (região de Terra Rona - GO)
Rio e espeleotemas na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Explorando o mundo que existe son nossos pés (nesse caso, em Goiás)
Nosso guia William na caverna São Bernardo, no P.E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
No fim do canyon, uma pequena caverna. Com direito à cascata! (no sul do Piauí)
"Voando" em uma mágica bruma azul!
Flutuando nas águas transparentes do Poço Azul, próximo à Andaraí, na Chapada Diamantina - BA
Um rasgo de sol ilumina uma das mais fantásticas cavernas que conhecemos nessa viagem, em Minas Gerais
Atravessando a Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG
Uma das partes mais lindas de quase todas as cavernas: a saída!
Entrada da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG
Um chuveiro natural, no meio de uma caverna. Inesquecível!
O famoso "Chuveirão", na Caverna Teminina - PETAR. Foto do Jura, da Parque Aventuras
Nem sempre é fácil caminhar em cavernas...
Enfrentando a água fria da caverna Lambari, no PETAR
Todo o esforço é recompensado quando chegamos à lugares assim:
Entrada da Teminina, no núcleo Caboclos - PETAR. Foto do Jura, da Parque Aventuras
Chegada ao aeroporto de Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Duas horas de sono e o nosso telefone já tocou. Era a portaria do hotel nos acordando, conforme combinado, para que não perdêssemos o ônibus para o aeroporto. Trinta minutos mais tarde, uma última olhada na Fiona que ficava e estávamos entrando no microônibus, cara de sono, não muito diferente dos outros passageiros. Ainda passamos em outros dois hotéis para depois seguirmos ao aeroporto, uma hora de viagem onde ganhamos mais uma hora para dormir.
Todo esse esforço para lá chegar e descobrir que o avião da Surinam Airlines estava com problemas técnicos, sem previsão de horário para partida. Saudades instantâneas da Fiona e da liberdade que ela nos proporciona. Bem, muita reclamação, enrolação e enfim vem a informação do novo horário de decolagem: 10:00.
Longa espera no aeroporto de Paramaribo, no Suriname. Deu até para dormir ou trabalhar...
Era seis e meia quando conseguimos fazer o check-in e entrar na área de embarque do pouco movimentado aeroporto. Ali, boa parte dos passageiros se aboleta nos bancos e dorme. Alguns, como a Ana, profundamente. Eu também durmo um pouco. Mas também consigo trabalhar um pouco tentando aproveitar o tempo perdido.
O avião decola um pouco antes das onze. Deixamos a América do Sul para trás em direção ao Caribe. Por coincidência, quase um ano mais tarde, iniciamos nosso segundo tour por essas ilhas entre as américas. O engraçado é que lembro que no meu atlas das aulas de geografia do ginásio, Trinidad e Tobago fazia parte da América do Sul. Nunca entendi porque, talvez pela proximidade, mas o fato é que estavam no nosso continente. Bom, tecnicamente, até podem ser, mas na prática, são tão Caribe como Bahamas ou Martinica.
Decoração de carnaval no aeroporto de Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Pouco mais de uma hora depois, aterrisamos no aeroporto internacional de Port of Spain, capital do país. Trinidad, a maior das duas ilhas, foi colônia espanhola até o finalzinho do século XVIII. Daí o nome do país e da capital também. Aí, foi tomada pelos ingleses que permaneceram por aqui até a década de 60. Por isso, a língua falada no país é o inglês, e náo o espanhol.
No aeroporto, muitas estátuas carnavalescas. A cidade tem o carnaval mais agitado do Caribe e nós chegamos com duas semanas de atraso. Bom, teria sido muito mais difícil e caro achar um hotel... Viemos para o Monique's Guest House. No caminho, o taxista afirma que estamos na estação seca, que não há perigo de chuva. É, ele não nos conhece... Chove a tarde inteira. Tempo ideal para dormirmos um pouco, sono atrasado de alguns dias.
Decoração de carnaval no aeroporto de Port of Spain, em Trinidad e Tobago
De noite, aqui perto, com muita fome, vamos comer num lugar com Karaokê. A gente só ouve os profissionais. Incrível a voz desse povo. A melanina faz muito bem às cordas vocais, isso é indiscutível! Amanhã é dia de explorar a cidade e planejar nossos dez dias por aqui, entre Trinidad e Tobago. E, aos poucos, vamos nos acostumar com o sotaque deles. Por enquanto, não está muito fácil entender esse inglês pela metade...
Praia de Shoal Bay East, em Anguilla. Mais caribe, impossível!
Hoje foi dia de dentista para mim e dermato para a Ana. Para ela, fim de papo. Para mim, radiografias encomendadas, retorno semana que vem. Tremo só de pensar naquela cadeira... Além disso, tivemos reunião com o desenvolvedor do site. Parece que agora vai, hehehe. Será? Não saio de Curitiba antes de tirar aquele "Em Breve" da Home!!! A Ana também já teve seu primeiro evento social! Primeiro de muuuuitos... Visto para o Canadá, depois de longa conversa com um despachante, parece que tenho mais chances (pero no mucho) se tentar por aqui. Arrumei um ramal para conseguir conversar com uma pessoa, e não com uma máquina, no consulado. Vamos ver se consigo, amanhã. Amanhã, também, é o dia da "entrevista" para se pedir o novo passaporte. Logo cedinho! De notícias, é isso. Sem mais delongas, vamos ás praias...
Início de viagem, primeira grande caminhada, volta na Ilha do Mel, no Paraná. Belíssima foto tirada pela Ana, em Março de 2010
Atravessando o mangue na maré seca
Primeiro contato com o inacreditável mar do Caribe. Foi em Nassau - Bahamas, em Abril de 2010
Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas
Com um mar bonito desses, em Turks e Caicos, só mesmo pulando de alegria! (em Abril de 2010)
Vista de Dragon Cay, em Middle Caicos
Pausa para descanso na sombra refrescante, em praia da Ilha de Boipeba, sul de Morro de São Paulo, na Bahia (em Novembro de 2010)
Pausa para descanso na sombra, na caminhada entre Moreré e a praia da Barra, na Ilha de Boipeba - BA
Essa paisagem na Ilha de Fernando de Noronha dispensa apresentações! Com esta luz, então... (em Dezembro de 2010)
Magnífico fim de tarde nos Dois Irmãos, em Fernando de Noronha - PE
Caminhando sobre um espelho d'água, cercado apenas pelo ar, nuvens, areia e o mar, a caminho de Tatajuba - CE (Janereiro de 2011)
A água da chuva deixou a areia espelhada, no caminho entre Jeri e Tatajuba - CE
Um lugar mágico, paisagem de sonho, bem no meio do caminho entre Tatajuba e Jeri, na costa cearense (Fevereiro de 2011)
Aproveitando uma rara e bendita sombra na longa caminhada de Tatajuba para Jericoacoara - CE
Dunas, lagoas, a praia e o mar se confundem nesta paisagem da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses (Fevereiro de 2011)
Correndo para as lagoas nas Reentrâncias Maranhenses - MA
A famosa praia do aeroporto, que tanto aparece nas correntes de email. É de verdade e fica em Sint Maarten (Abril de 2011)
Avião de grande porte passa sobre Maho Bay, praia de Sint Maarten - Caribe, fazendo a alegria da galera!
Uma típica vila islandesa do sul do país, enconstada em uma montanha com uma bela cachoeira no quintal! (a caminho de Skaftafell)
Após deixarmos Vestmannaeyjar e tomarmos o ferry de volta à Islândia no início da tarde, dirigimos quase 250 km através do sul do país até o Parque Nacional de Skaftafell, onde chegamos já nas últimas luzes do dia. A razão para tanta demora não poderia ser melhor: a grandiosidade de uma paisagem absolutamente fantástica que nos fazia parar a todo momento para fotografar ou simplesmente admirar o mundo que nos cercava.
Primeiro foram as cachoeiras que começaram a aparecer. Uma aqui, outra ali, até que chegamos a mais famosa delas por essas bandas: a poderosa Skógafoss. Mais larga, alta e com muito mais água do que as cachoeiras que tínhamos visto anteriormente, Skógafoss mereceu que parássemos por ali, para poder caminhar até ela para tirarmos nossas fotos e prestarmos nossas reverências.
Uma das muitas cachoeiras que margeiam a estrada no sul da Islândia
Chegando à cachoeira de Skogafoss, no sul da Islândia
Com 60 metros de altura e 25 metros de largura, a cachoeira está hoje a 5 km da costa. Mas há uns poucos milhares de anos, a costa era aqui. Mas o material trazido por geleiras e erupções empurrou o mar muito mais ao sul e as encostas das antigas falésias viraram um verdadeiro celeiro de cachoeiras. Tão imponente é esta, a Skógafoss, que foi escolhida como cenário para o filme de Thor, o Mundo das Sombras.
A imponente Skogafoss, no sul da Islândia, uma das mais famosas e belas cachoeiras do país
A imponente Skogafoss, no sul da Islândia, uma das mais famosas e belas cachoeiras do país
E antes que as sombras nos alcançassem, seguimos nossa viagem para o leste. Passamos pela pitoresca cidade de Vik, a maior naquela parte do país, mas ainda bem pequena. Como todas as outras que encontramos no nosso caminho, parece um cartão postal, a igreja, um punhado de casas e a paisagem grandiosa ao fundo.
A pequena e simpática cidade de Vik, no sul da Islândia
Aliás, a paisagem é sempre grandiosa, com ou sem cidadezinhas por perto. São sempre espaços enormes, horizontes infinitos, cores que parecem desenhadas ou pintadas, e não parte da realidade. Aliás, essa é a sensação: estamos viajando dentro de quadros, ou de fotografias da National Geographic. Uma atrás da outra!
Chegando a Hjorleifshofdi, uma baía que foi aterrada por erupções vulcânicas, perto de Vik, no sul da Islândia
Tentando avaliar se é possível ultrapassar o rio de carro, na região de Hjorleifshofdi perto de Vik, no sul da Islândia
Por indicação do nosso amigo islandês que conhecemos na Amazônia e reencontramos em Reykjavik, saímos da estrada principal e fomos conhecer uma região com o difícil nome de Hjörleifshöfdi. Fica exatamente nessa planície litorânea que foi criada nos últimos milhares de anos. Ali, já bem perto da costa atual, havia uma ilha que hoje foi engolida pela Islândia que cresce para o sul. Hoje, de ilha passou a ser um enorme rochedo. É ele que tem o nome de Hjörleifshöfdi e está cercado de histórias e lendas antigas.
A bela paisagem na região de Hjorleifshofdi perto de Vik, no sul da Islândia
Explorando a região de Hjorleifshofdi perto de Vik, no sul da Islândia
Para chegar até lá, tivemos de botar nossa carrinho a prova. Afinal, saindo da estrada principal, a ring road, acaba o asfalto. E aqui, na planície litorânea, além das pedras, temos de enfrentar pequenos riachos e grandes poças. Com todo o cuidado (que saudade da nossa Fiona!), conseguimos chegar no rochedo, cheio de formações rochosas estranhas e cavernas criadas por uma antiga erosão do mar. Lugar ideal para mais fotos e também para admirar a vastidão que nos cercava..
O horizonte é sempre vasto no sul da Islândia (a caminho de Skaftafell)
Um outro caminho ainda mais rústico nos levaria de volta à estrada principal. Mas sem a Fiona, nada de arriscar mais do que já havíamos arriscado e tratamos de voltar pelo mesmo caminho. Depois, de volta à ring road, seguimos acelerados para o Parque Skaftafell, onde queríamos chegar antes de escurecer. Mas não teve jeito: tivemos de parar mais umas poucas vezes. A natureza ao nosso redor pedia... não, exigia isso. Por fim, as montanhas nevadas aonde nasce a maior geleira da Europa apareceram no horizonte e, pouco tempo depois, chegávamos ao nosso destino, com uma última parada para ver de pero o que havia sobrado de uma antiga ponte destruída pela natureza pouco convencional desse país.
O horizonte é sempre vasto no sul da Islândia (a caminho de Skaftafell)
Antiga ponte destruída na última erupção vulcânica, no sul da Islândia
Na noite de hoje, ainda tivemos esperanças de observar a aurora boreal. Uma semana antes, ela foi observada por aqui. Mas a lua, cada vez mais cheia, não nos ajudou muito. Parece que vamos mesmo ter de esperar até chegarmos ao Canadá e ao Alaska, em alguns meses. Enquanto isso, amanhã, vamos nos distrair com uma caminhada num colosso de gelo, a gigantesca geleira conhecida como Vatnajoekull.
Chegando à paisagem gelada do parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Aproveitando a vista no alto da Serra das Broas em Carrancas - MG
Numa vida normal, quando fazemos uma bela viagem de final de semana ou aquela tão esperada viagem de 15-20 dias depois de um ano ralando, as memórias deste programa ficam vivas em nossas mentes por muito tempo, para não dizer para sempre. O que foge da nossa rotina nos marca, de alguma maneira, de forma mais intensa. Principalmente quando são boas memórias, de lugares lindos, pessoas interessantes, comidas exóticas.
Voltamos para nossa vidinha besta do dia à dia, mas aquelas memórias estão lá, fortes, presentes. É possível revivê-las e buscar de novo pelo menos parte do jubilo daqueles momentos ainda tão reais. Nem é preciso muito esforço, só um pouco de concentração.
Dia maravilhoso, céu azul em Carrancas - MG
Pois bem, isso ocorre em uma "vida normal". A nossa vida não tem sido muito "normal" ultimamente. Viajar sem parar, sempre para lugares interessantes e com tempo para curtir esses lugares é muito legal. Inegável! Vivemos intensamente praticamente todos os dias, o dia todo. Como já disse, uma maravilha. Mas, essa "rotina" (ou a falta de uma) tem seus side effects.
Cachoeira em rio do Complexo da Zilda em Carrancas - MG
Tantas memórias intensas acabam se sobrepondo. O que parece algo inesquecível um dia, que vai marcar por toda a vida, no dia seguinte se torna uma vaga lembrança, algo muito bom mas que já aconteceu há muito tempo, em algum lugar onde já não lembramos o nome. Talvez seja a idade, mas venho experimentando essa sensação por toda a viagem. Não é algo que goste. Afinal, cada boa experiência que passo, gostaria de guardar com riqueza de detalhes para sempre.
Pôr-do-sol no Mirante da Serra em Carrancas - MG
Não tem sido o caso. Triste. Tenho de fazer força para lembrar como foi o dia maravilhoso de 10 dias atrás.
O paliativo para isso são os blogs, com seus textos e fotos. É muito legal para mim ter tudo isso arquivado, de tão fácil acesso. Viva a internet. E, mais legal para mim do que ler o meu blog para reviver minha viagem é ler o blog da Ana. Aí, passo a ser espectador da viagem que participo e compreendê-la com outros olhos, ver coisas que não vi, ler coisas que não escrevi.
Sinceramente? Cada vez mais gosto dessa nossa idéia de ter dois blogs. Dá trabalho mas vale a pena.
Se equilibrando no alto da rocha em Carrancas - MG
Floresta submersa no arquipélago de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
Anavilhanas é o nome do maior arquipélago fluvial do mundo. Como não poderia deixar de ser, está na bacia amazônica, mais precisamente no Rio Negro, na região de Novo Airão. São cerca de 400 ilhas que se estendem por quase 200 km ao longo do rio, formando centenas de canais, lagos e praias. Quer dizer, praias mesmo, só na época da seca. Agora na época do inverno, ou das chuvas, ao invés de praias, temos mesmo é igapós. Muitos igapós...
Camaleão vem nos fazer companhia no café da manhã na Pousada Bela Vista, em Novo Airão - AM
Chegando ao arquipélago de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
Igapós são pequenos canais que se formam na floresta alagada. Na época da seca, ninguém diria que por ali, corre água. Não devem ser confundidos com igarapés ou paranás. Os primeiros são pequenos rios (na escala amazônica!) que nunca secam, pois tem nascente. Os segundos, os paranás, são os grandes canais que ligam os lagos com o rio.
Um dos "paranás" (grandes canais) do arquipélago de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
Floresta submersa no arquipélago de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
As ilhas de Anavilhanas estão bem em frente à Novo Airão. Nos meses de seca, para se ir de lá até a outra margem do rio, contornando as grandes ilhas do arquipélago, são mais de quinze quilômetros. Nos meses de chuva, com a formação dos igapós e paranás, pode-se cortar caminho pelo meio das ilhas e aí, essa distância cai para menos de um terço da distância original! Em compensação, as dezenas de belas praias desaparecem sob um lâmina de água de mais de 5 metros. Não só as praias somem, mas um bom pedaço de vegetação também, incluído aí várias árvores, que "renascem" na seca seguinte. É o ciclo da natureza amazônica.
Atravessando o Rio Negro a caminho do arquipélago de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
Logo depois do café eu e a Ana seguimos de voadeira, junto com nosso guia Vermelho (seu apelido!), para dar uma espiada neste mundo diferente. Quase três horas vagando por um pequeno, mas representativo pedaço do arquipélago. Passamos pelas praias submersas, que só pudemos ver em nossa imaginação, por largos paranás, pela floresta alagada e por igapós que nos levaram aos lagos, um deles o maior de todos em Anavilhanas, o Apacú. Lá dentro, parace um mar, de tão grande. Nele fizemos uma parada para banho, sempre rodeados por barulhentos e curiosos botos Cor de Rosa.
Uma grande tarântula que habita a floresta inundada de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
Um pequeno visitante em nosso barco durante passeio ao arquipélago de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
Falando em bichos, cruzamos também os botos cinzas, que preferem ficar nos rios mais largos. Nos igapós, vimos enormes tarântulas, pequenos morcegos e ouvimos muitos pássaros. Até um pequeno a assustado jacaré apareceu, por um atmo de segundo. Nadar por ali, nem pensar. Mais seguro nos lagos...
Nadando no Apacu, o maior lago do arquipélado de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
A vegetação submersa e parcialmente submersa forma um emaranhado, um labirindo nas águas. O nível da água chega a variar mais de dez metros e a vegetação e a floresta se adaptaram a isso. Vemos grandes árvores, com troncos largos, brotando da água. Copas de árvores ainda cheias de folhas abaixo d'água, ou quase. Logo estarão por inteiro. É essa interação entre água e folhas que pinta o rio de negro, uma substância que a água rouba da vegetação.
Grande árvore na floresta inundade de Anavilhanas, região de Novo Airão - AM
Faltou para nós seguir por mais tempo rio acima, até umas grutas e cachoeira. Demoraria mais e custaria muito, apenas para duas pessoas. Ainda mais acima, chegaríamos às ruínas de Velho Airão. E um pouco mais adiante, ao Parque Nacional do Jaú. Para lá, a grande distância pede que se durma uma noite no parque. Ficamos muito interessados mas, de novo, faltava mais gente para se dividir os custos. Quem sabe quando passarmos por Manaus novamente, no segundo semestre do ano que vem?
A entrada pouco pretensiosa do restaurante Leão da Amazônia, em Novo Airão - AM
Depois do passeio, voltamos para a pousada, despedimo-nos do alemão Klaus, dono da Bela Vista e fomos almoçar no Leão da Amazônia, restaurante flutuante sobre o Rio Negro. Que ótima pedida! Comemos um maravilhoso Pirarucu ao encontro das Águas. É o filé do peixe servido com dois molhos, um claro e um escuro, um mais salgado e outro mais doce. Iguaria preparada pelo chef francês radicado em Novo Airão, o Cristophe. Ontem, tínhamos almoçado no restaurante dele na cidade. Hoje, na beira do rio. Comida requintada e saborosa da melhor qualidade!
O refinado prato "Encontro das Águas", no restaurante Leão da Amazônia, em Novo Airão - AM. Uma delícia!!!
Com o Cristoph, chef do restaurante Leão da Amazônia, em Novo Airão - AM
De lá, ainda saboreando a comida, voltamos para Manaus. Já era noite quando cruzamos de balsa o Rio Negro e voltamos para o Hotel Brasil. Amanhã é dia de ópera no Teatro Amazonas. Na segunda, embarcamos a Fiona. E na terça, rumamos todos juntos para Santarém. Assim esperamos!
O famoso dinossauro da praça de Novo Airão - AM
A bela Laguna Verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
Depois do almoço e passeio pela simpática Los Antiguos, na Argentina, foi a hora de enfrentarmos mais uma fronteira nessa nossa jornada pelas Américas. Já foram mais de cem nesses quatro anos, em aeroportos, portos e, principalmente, fronteiras terrestres entre as diversas nações do nosso continente. Na verdade, contando com a passagem de hoje, já cruzamos 123 alfândegas e acho que um dia vou fazer um post só sobre isso. A passagem de hoje também transformou a dupla Argentina-Chile na nossa campeã empatada de cruzamento de fronteiras durante os 1000dias. Hoje foi a oitava vez que passamos de um país ao outro, mesmo número de trânsitos entre Canadá e EUA (incluindo o Alaska!). Mas a dupla sul-americana deve atingir a liderança isolada, pois ainda precisamos voltar ao Brasil, ou seja, pelo menos mais uma vez vamos cruzar de um país ao outro, no caso, do Chile à Argentina.
Mapa mostrando todo o percurso da Carretera Austral e os acessos a esta estrada do lado argentino. Nós viemos por Chile Chico, o acesso rodoviário mais ao sul. Caminhando e de bicicleta, é possível chegar diretamente em Villa O'Higgins
Isso quer dizer que já estamos bem experientes nessa chatice toda. Papéis, documentos, checagens, etc... Em alguns lugares é mais fácil e simples, em outros, mais complicado e demorado. Entrar no Chile costuma cair na segunda categoria, pois eles são muito estritos com a entrada de alimentos e materiais orgânicos. Mas, de novo, já temos experiência com isso e já vamos logo preenchendo todos os formulários conhecidos e abrindo o porta-malas da Fiona, torcendo para que uma olhada baste e não seja necessário passar as malas pelo raio-X. A torcida funcionou e até que passamos rapidamente, para padrões chilenos. Los Antiguos e nossa querida Argentina ficaram para trás e nós entramos na pequena cidade de Chile Chico, a primeira dentro do Chile.
Chegando a Chile Chico, nossa porta de entrada para o Chile e sua Carretera Austral
Uma charmosa alameda em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral
Assim como Los Antiguos, Chile Chico também fica às margens do lago Buenos Aires. Só que do lado de cá da fronteira ele muda de nome, passando a ser chamado de General Carrera. Até bem pouco tempo atrás, a única maneira de se chegar por estradas até a cidade era pelo território argentino. A alternativa para os chilenos mais patriotas era vir de balsa desde Rio Ibañez, na costa norte do lago General Carrera. Mas também essa rota é relativamente nova e, antes disso, a própria Rio Ibañes igualmente só era acessível através do território argentino. Na verdade, toda essa região do Chile era praticamente isolada do resto do país e mesmo cidades maiores como Coyhaique ou Cochrane só eram servidas por pequenos aeroportos ou barcos que tinham de enfrentar fiordes estreitos e gelados. O caminho para se chegar aqui eram mesmo as estradas argentinas.
O lago General Carrera, em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral
O lago General Carrera, em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral
Foi quando, no final da década de 70, os chilenos resolveram construir sua “Carretera Austral”, um caminho com pouco mais de 1.200 km de extensão ligando Puerto Montt, então a fronteira rodoviária sul do país, com Villa O’Higgins, no coração da patagônia chilena, entre enormes glaciares, montanhas, vulcões, florestas e um intrincado sistema de lagos e fiordes. Não é a toa que esta estrada demorou tanto tempo para sair dos planos e virar realidade, paisagens quase intransponíveis no seu caminho. Hoje ela própria se tornou uma atração turística e milhares de viajantes vêm de longe para conhecê-la, dirigir e pedalar em suas curvas, subidas e descidas. Nós somos apenas mais dois deles e a nossa porta de entrada para chegar até o famoso caminho foi Chile Chico.
A estrada de ripio que liga Chile Chico à Carretera Austral, no sul do Chile
Nosso estreito caminho margeia o lago General Carrera a caminho da Carretera Austral, no sul do Chile
Eu vou falar dessa região do sul do Chile e da Carretera Austral no próximo post, mas o fato é que percorrê-la por inteiro sempre esteve nos nossos planos, desde que saímos de Curitiba em 2010. No nosso roteiro, fazia mais sentido percorrê-la de sul a norte e, por isso, queríamos entrar no país o mais próximo possível de sua extremidade austral, em Villa O’Higgins. Observando o mapa da fronteira entre Argentina e Chile, logo se percebe que são inúmeras as possibilidades de se chegar à Carretera Austral vindos do leste e que a passagem mais ao sul é exatamente esta que cruzamos, de Los Antiguos a Chile Chico. Na verdade, se estivéssemos sem a Fiona, apenas mochilas nas costas e, quem sabe, um par de bicicletas, poderíamos ter cruzado até mesmo mais ao sul e já sairmos em Villa O’Higgins. É uma rota bem aventureira, partindo de El Chaltén e envolve duas travessias de balsa (onde não passam carros!) e muitos quilômetros de caminhadas (ou pedaladas). Enfim, com a Fiona não era uma opção. Então, optamos por essa mesmo de Chile Chico, o que vai nos obrigar a dirigir para o sul um pedaço para depois retornarmos pelo mesmo caminho.
O lago General Carrera, o maior do país, no sul do Chile
O maior lago do país, General Carrera, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
O maior lago do país, General Carrera, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
Além de ser a entrada mais ao sul para carros, tínhamos um outro estímulo para vir por este caminho: ficamos sabendo que esse novíssimo trecho de estrada ligando Chile Chico à Carretera Austral é um dos mais belos da patagônia chilena. Quando a Carretera Austral foi construída, toda uma rede de estradas vicinais e de acesso também foram pensadas e implementadas. São outros 1.200 km de pequenas estradas de rípio ligando o caminho principal à vilas mais isoladas e cidades na fronteira. Foi só nesse milênio que Chile Chico finalmente se uniu ao resto do país, pelo menos através de um caminho rodoviário totalmente chileno. A estrada bem estreita e curvilínea em alguns pontos serpenteia ao lado do lago General Carreras, subindo e descendo encostas e outros acidentes naturais. Mesmo quase sem trânsito de veículos, é muito prudente usar a buzina antes de várias dessa curvas sem visibilidade e sem espaço de passagem para dois carros mais largos, como é o caso da Fiona.
Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
Enfim, estávamos loucos para conhecer a tal estrada. Mas ainda conseguimos segurar nossa ansiedade e passarmos pouco mais de uma hora conhecendo a própria Chile Chico, uma pequena vila bem simpática e cheia de alamedas. O General Carreras está sempre ali, ponto de referência e alvo de fotos. É exatamente esse grande lago que, com sua enorme quantidade de água, gera uma espécie de microclima na região que favorece o plantio de frutas dos dois lados da fronteira. No lado chileno, ao longo dos pouco mais de 60 km de estrada até a Carretera Austral, foi comum vermos fazendas e plantações espremidas entre o lago e a estrada.
A Ana busca os melhores ângulos para fotografar as belezas da Carretera Austral, no sul do Chile, região de Chile Chico
A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
Depois de percorrermos a cidade e tirarmos nossas fotos, ainda com combustível suficiente para chegarmos à Cochrane, botamos o pé (e as rodas) na estrada. Poucos minutos depois e já estávamos longe de qualquer sinal de civilização, apenas o belíssimo lago ao nosso lado. Aí, com toda a calma do mundo, até porque o rípio e as curvas não permitiriam de outra forma, fomos percorrendo os 60 km de rípio, máquina fotográfica sempre a postos.
A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
A parte mais bela desse trecho é quando nos afastamos um pouco do lago General Carreras para contornarmos um outro lago, bem menor dessa vez. É a Laguna Verde, a cor das suas águas em profundo contraste com o azul escuro do lago Carreras. Mesmo menor, ela é ceifada de ilhas e a paisagem fica ainda mais bela. A vontade era parar por ali mesmo, armar nossa barraca e passar mais tempo nesse lugar tão belo e isolado.. Mas não tínhamos planejado isso e nem trazido comida extra. Então, tivemos de nos satisfazer apenas com as fotos mesmo.
Atravessando região andina no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile
A Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile
Por fim, chegamos ao fim do lago e da estrada de acesso. Isso queria dizer duas coisas: primeiro, que tínhamos chegado à Carretera Austral. Segundo, que nosso companheiro de viagem, agora, deixaria de ser o lago, que ficou para trás, e passaria a ser o rio Baker, que nasce no General Carreras e desemboca no Oceano Pacífico. Suas águas são ainda mais belas que as do lago, uma mistura quase mágica entre o azul e o verde, algo que nos parecia impossível num rio desse tamanho.
A incrível cor azul do rio Baker, escoadouro do lago General Carrera, ao lado da Carretera Austral, no sul do Chile
A incrível cor azul do rio Baker, escoadouro do lago General Carrera, ao lado da Carretera Austral, no sul do Chile
A vista pode ter ficado mais bonita, mas a estrada não. Agora já estávamos na Carretera Austral, com um trânsito bem maior que em sua estrada de acesso. O resultado é um rípio bem desgastado, costelas de vaca intermináveis e uma dó danada dos amortecedores da Fiona. Aparentemente, esse é o pior trecho da estrada nesse quesito e, com muita paciência e ritmo ainda mais lento, seguimos para o sul até Cochrane.
Rio Baker, caudaloso, azul e gelado, ao lado da Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile
Cenário florido na Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile
A última tarefa do dia foi encontrar um lugar para dormir. Mesmo com apenas 3 mil habitantes, Cochrane é uma “metrópole” regional e possui várias pousadas. A Carretera Austral chegou aqui em 1989, finalmente ligando a cidade com o resto do país. Hoje, quase todos os visitantes são turistas percorrendo a famosa estrada. Na terceira ou quarta tentativa, encontramos um lugar bem acolhedor, a casa de uma família que imigrou da antiga Iugoslávia. Aí encontramos não apenas um quarto bem quentinho, mas também uma cozinha para fazermos nosso jantar.
A simpática dona da nossa pousada em Cochrane, no sul do Chile
O charmoso fogão da nossa pousada em Cochrane, no sul do Chile
Agora sim, alimentados e acomodados, nos sentíamos em plena Carretera Austral. Amanhã, seguiremos até Villa O’Higgins, passando no caminho por Caleta Tortel. São dois dos maiores símbolos dessa região tão bela e isolada que apenas nos últimos vinte anos se ligou ao resto do país. Para sorte dos visitantes que aqui chegam!
Em Cochrane, placa de distâncias da Carretera Austral, no sul do Chile
Com a Dani e a Lulu, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR
Sábado de noite foi dia de festa, nossa primeira razão para voltar à Curitiba. Casaram-se o Gusta e a Paula. Dois amigos de longa data da Ana que eu também já sinto conhecer há muito tempo. Foi na nossa festa de casamento, em maio passado, que eles nos avisaram dos seus "planos" e, desde então, temos essa data reservada para estar em Curitiba. Dito e feito, comparecemos a esta magnífica festa!
Abraço dos noivos e da Pietra, na festa de casamento, em Curitiba - PR
Com a Paula, na festa de casamento, em Curitiba - PR
Com o Anderson e Ana Paula, instrutures de alpinismo, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR
Aproveitamos para rever vários amigos, inclusive nossos instrutores de alpinismo. Isso porque, entre as muitas qualidades, o Gusta e a Paula adoram escalar e frequentavam a mesma academia de escaladas. Foi jóia rever o Anderson e a Ana Paula.
Luiza, a vovó e a bisa, em Curitiba - PR
No domingo, o tradicional almoço em família, com a presença de 4 gerações femininas da família Biselli. Dona Odila, a Patrícia, a Dani e a Luiza (vó, mãe, irmã e sobrinha da Ana). Que família!
Com o Rafa< Laura e Pri em pizzaria em Curitiba - PR
Para completar, pizza com amigos no jantar.
Notícia ruim é que o tempo esfriou muito por aqui, com chuva. Bem no feriado. São Pedro não erra uma... Além disso, apareceram umas "burocracias" para serem resolvidas por aqui. Resultado: vamos demorar um pouco mais para partir. Quinta, talvez.
A bela vista do Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Por muito tempo Santiago de Cuba foi a principal cidade do país. Tanto que até hoje é a principal sede da Igreja Católica na ilha. Foi palco também de alguns dos principais eventos da luta pela independência, da guerra hispano-americana e da Revolução Cubana. E, ao contrário de Havana, não sofreu um boom imobiliário nas décadas de 30 a 50, de forte influência americana, com seus arranha-céus. Assim, a arquitetura da grande cidade é bem mais fiel às origens.
Táxi em Santiago de Cuba, no leste do país.
Pois bem, eu e a Ana, assim quis o destino, só tínhamos o dia de hoje para explorar essa cidade tão rica em história e cultura. Isso porque quando fomos comprar nossas passagens de avião de Santiago à Havana, há uma semana, descobrimos que estavam esgotadas. Na verdade, haviam dois últimos lugares, e achamos mais justo que ficassem com a Laura e o Rafa. Afinal, eles voam de volta ao Brasil no dia 25 pela manhã. E nós, que pretendíamos voar para Havana na tarde do dia 24, o que nos daria dois dias por aqui, tivemos de comprar passagens de ônibus mesmo, 14 horas de viagem. Para chegar à Havana ainda no dia 24, vamos viajar durante a noite de hoje. Não podemos nos enrolar para chegar à Havana porque ainda queremos dar um pulo no lado oeste da ilha, na belíssima região de Pinar del Rio.
Porto de Santiago de Cuba, no leste do país. Ao fundo, a famosa Sierra Maestra
Vista do Balcón de Velázquez em Santiago de Cuba, no leste do país.
Bom, comecei o dia então indo na rodoviária para garantir nossas passagens. Na volta, passei por uma vizinhança operária tradicional para visitar a casa de Frank Pais. Esse foi, talvez, a pessoa que mais colaborou com o sucesso da revolução, apesar de tão pouco conhecido fora de Cuba. Jovem estudante, foi ele que organizou toda a luta clandestina em Cuba enquanto Fidel estava no México. Com o desastroso desembarque dos rebeldes do Granma no final de 56, quando quase todos foram mortos ou presos, foi Frank pais que comandou a guerrilha urbana que manteve viva as ideias do movimento revolucionário. Foi também através de sua rede que armas e novos recrutas foram enviados à Sierra Maestra, para formar um novo exército para Fidel.
Comprando ervas e verduras em Santiago de Cuba, no leste do país.
Visitando o museu de La Lucha Clandestina, em Santiago de Cuba, no leste do país.
Mas em Julho de 57 ele finalmente caiu, vítima talvez de traição. Junto com um companheiro, morreram crivados de balas pela brutal polícia de Batista, que já o procurava há muitos anos. O enterro do jovem estudante parou Santiago. Quem me contou os detalhes de sua vida e luta foi a diretora do museu, que está fechado para reformas. Diante da minha decepção em não poder visitá-lo recebi, como “consolação”, uma verdadeira aula. Foi muito legal!
Chegando ao Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Continuei meu giro pela cidade, sofrendo com a poluição dos carros e caminhões que dividem com os pedestres as estreitas ruas do centro. Um verdadeiro martírio. Esses países comunistas, os de hoje (Cuba e China) e os de antes (antigo bloco da URSS), podem se gabar de seu sistema de educação, de saúde, etc, mas na questão ecológica, foram todos desastrosos. O extremo racionalismo de suas decisões macroeconômicas centralizadas só não levavam em conta os possíveis danos ecológicos. A destruição do Mar de Aral, antes um dos maiores lagos do mundo, na antiga URSS, e a gigantesca nuvem de poluição que paira sobre a China e cresce ano após ano são apenas os maiores exemplos (sem contar Chernobyl). Aqui em Cuba, a construção de pontes ligando a ilha a alguns cayos foi um verdadeiro desastre para a ecologia marinha e aviária, interrompendo correntes e o fluxo de água entre baías. Tudo para permitir que turistas chegassem a seus resorts de carro... Bom, voltando a minha caminhada pelo centro, a quantidade de fumaça negra que esses caminhões e ônibus velhos jogam no ar ao nosso lado é desesperadora!
Ao lado do fosso defensivo do Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Foi no parque Céspedes que encontrei novamente meus companheiros. Juntos, fomos a um mirante para observar a baía de Santiago, onde está o porto da cidade e, ao fundo, a gloriosa Sierra Maestra. Para ela seguiram os 11 revolucionários que sobreviveram após os primeiros combates com as tropas de Batista. Entre eles, os irmãs Castro, Cienfuegos e Chê. Embrenhados em suas matas, logo começaram a receber reforços de Frank Pais. Sem receber a devida importância do governo Batista, que menosprezou o movimento em seu início, tiveram tempo de respirar e de se estabelecer. Ficaram e agiram basicamente nessa área pelos próximos 23 meses. Com a Radio rebelde, implantada logo por eles, ganharam fama e apoio dentro do país. E com as entrevistas e visitas de jornais estrangeiros, a mais famosa do New York Times, ganharam fama e apoio internacional. O governo Batista acordou tarde demais e quando fizeram uma ofensiva em larga escala para esmagar o movimento, foram brilhantemente derrotados pelas forças muito menos numerosas de Fidel e Che. A incompetência estratégica do exército cubano ajudou muito nisso. Foi aí que os rebeldes passaram para a ofensiva, derrotando a ditadura em dois meses de lutas, colunas lideradas por Che e Camilo Cienfuegos cruzando o país. Assunto para outro post!
O imponente Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Nós seguimos no nosso passeio, agora visitando o colégio onde Fidel estudou e o antigo quartel da polícia, atacado pelos homens de Frank Pais no dia planejado para o desembarque do Granma. A ideia era atrair a atenção das tropas de Batista para cá, possibilitando que os rebeldes que vinham do México pudessem desembarcar em paz. O plano só falhou porque o Granma se atrasou alguns dias, pesado que estava com o excesso de tripulação e mares bravios. Sem poder avisar do atraso, a “rebelião-disfarce” em Santiago perdeu seu sentido. Mas aumentou bastante o prestígio de Pais entre a população da cidade e também o ódio da polícia secreta contra ele. Esse quartel atacado se tornou, após o triunfo da revolução, o Museu da Luta Clandestina. Mais um ótimo lugar para se aprender sobre a luta de Frank Pais.
Belíssimo pôr-do-sol ao lado do Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Daí seguimos para a mais famosa construção da região, o Castillo San Pedro del Morro, fortaleza espanhola do tempo da colônia. Além do castelo estar muito bem conservado, o local onde está, no alto de um promontório, é magnífico. Visita obrigatória para quem vai à Santiago. Chegamos já no meio da tarde e emendamos o entardecer ali, o sol se pondo gloriosamente no mar, sendo substituído no céu por uma brilhante lua nova.
O glorioso entardecer no Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Tudo isso assistimos de camarote, primeiro do alto do Castillo e depois de um restaurante com uma varandona de frente ao mar. Ali conhecemos dois médicos brasileiros em viagem pelo país depois de um mês de estágio em Havana. Muito legal ter conversado com eles sobre a experiência que tiveram, fãs do sistema de saúde do país. Logo depois, chegou mais um casal de brasileiros, lá do Rio Grande do Sul. Assim, lá estávamos nós, oito brazucas tomando cerveja e conversando sobre suas impressões e experiências nesse país único do mundo, utopia comunista que tenta sobreviver num mundo capitalista. Muito legal!
Acomodando-se no porta-malas do nosso carro em Santiago de Cuba, no leste do país.
Já escuro, na hora de voltar (O castillo está a uns 15 km do centro de Santiago), sem muitas alternativas de transporte público, resolvemos encaixar todo mundo no nosso carro mesmo. Os médicos não pensaram duas vezes e se enfiaram no porta-malas! Fico pensando como reagiria a polícia cubana se visse isso. Talvez nem reclamassem já que vemos todo o tempo caminhões pelas estradas completamente abarrotados de pessoas, os paus-de-arara daqui. Enfim, chegamos ao centro sem problemas e nos despedimos dos novos amigos. Depois, rápido para a pousada e de lá para a rodoviária, onde 14 horas de viagem nos esperavam. O Rafa e a Laura entregarão o carro amanhã e devem nos encontrar em Havana amanhã de noite, se tudo der certo.
Reunião de brasileiros em Santiago de Cuba, no leste do país.
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