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Alexandre Polar (02/10)
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Pousada na Garopaba (08/09)
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Pousada na Praia do Rosa (08/09)
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A Praia do Rosa é um lugar interessante, bonito, cheias de trilhas...
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A luz de fim de tarde ilumina a face noroeste do Aconcágua entre nuvens, visto a partir dos 5 mil metros de altitude do Pico do Bonete, em frente à montanha, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Nós não subimos o Aconcágua durante os 1000dias. Esse post conta a história de minha outra viagem para cá, no final de 1998, início de 1999. Como não tivemos tempo de tentar subir a montanha dessa vez, achei interessante contar como foi chegar ao ponto mais alto das Américas, mesmo que tendo sido em outra viagem. A história virá em duas partes, com fotos da época. Meu companheiro daquela vez foi o Haroldo, um primo que também esteve conosco em diversas oportunidades durante os 1000dias. A última, quando subimos o vulcão Villarrica, conforme relatado nesse post
O ano de 1998, para mim, foi de altos e baixos. Ou, para ser mais exato, de baixos e altos. Cronologicamente, foi assim que funcionou, em sentido figurado e no literal também. Comecei o ano perdendo o emprego e o chão. Terminei o ano no meio de uma fantástica viagem que me levou pelos quatro cantos do mundo. Entre tantos lugares visitados, fui do ponto mais baixo da Terra, o Mar Morto, a 427 metros abaixo do nível do mar, ao ponto mais alto das Américas, o cume do Aconcágua, a 6.962 metros de altitude. Como disse, baixos e altos...
Mapa 3D da região do Aconcágua, na Argentina. Aí percebe´se claramente que a trilha se divide em Confluencia, à direita seguindo para Plaza Francia (nosso caminho de agora) e à esquerda para Plaza de Mulas (caminho que fiz em 1999)
Mapa de trilhas e altitudes da região do Aconcágua, a maior montanha das Américas, nos Andes argentinos. Nós caminhamos de Horcones até Confluencia no 1o dia. No 2o dia, fomos até Plaza Francia, em frente à Parede Sul e retornamos à Confluencia. No 3o dia
A crise econômica mundial causada pelo colapso da moeda da Tailândia, no final de 97, atingiu o Brasil com violência. Muitas empresas financeiras quebraram, inclusive aquela em que eu havia trabalhado por 3 anos. Fiquei sem emprego, mas com boas economias guardadas. Por algum tempo, fiquei na grande dúvida entre aplicar esse dinheiro em um MBA no exterior (cheguei a fazer provas e quase enviei as applications) ou dar uma bela de uma volta ao mundo. O sangue português dos grandes descobrimentos falou mais alto e optei pela segunda opção. Europa, Oceania, Ásia e norte da África, tudo isso em oito meses. O natal de 98 foi passado em Belém, cidade onde nasceu e cresceu Jesus, em Israel. No auge da détente entre israelenses e palestinos, Yasser Arafat passou a poucos metros de mim e outro bando de turistas. Poucos dias antes, eu havia visitado e nadado no Mar Morto, um antigo sonho de criança. Agora, meu objetivo era outro, quase inverso. Já há alguns meses, vinha combinando com um primo de nos encontrarmos na Argentina para subir o Aconcágua, a montanha que havíamos visto tão rapidamente sete anos antes, quando viajamos por Argentina e Chile. Daquela vez, só o vimos da janela do ônibus que nos levava de Mendoza a Santiago. Mas foi o bastante para nos prometermos voltar algum dia. Esse dia havia chegado!
Preenchendo papéis e registros na entrada do Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Com o Haroldo, entrando no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
O Haroldo, meu primo, já havia passado seu mês de férias viajando comigo na Nova Zelândia. Foi em Abril de 98. Agora, oito meses mais tarde, em 28 de Dezembro, a gente se reencontrava no aeroporto de Buenos Aires. Ele trazia cerca de 60 kg de bagagem do Brasil. Não só suas roupas e equipamentos para subir o Aconcágua, mas também boa parte dos meus. Afinal, eu não andava pelo mundo carregando esse peso todo. Ele também trazia uma parte da comida que levaríamos à montanha, aquela mais rica em energia, como frutas secas, chocolates e leite em pó. O resto, como macarrão e sopa, compramos juntos em Mendoza, para onde voamos, já reunidos, no mesmo dia. Foi em Mendoza também que alugamos nossas botas duplas e grampões, essenciais para enfrentar o frio e o gelo nas altas altitudes. Barraca e sacos de dormir também haviam sido trazidos pelo Haroldo. Por fim, em Mendoza pagamos pelo “permiso” para subir a montanha (na época, uns 70 dólares. Hoje, o preço é quase dez vezes maior!), compramos nossas passagens de ônibus para Puente del Inca (onde começava a caminhada) e contratamos mulas para levar boa parte do peso da nossa bagagem até Plaza de Mulas, o campo base para se subir o Aconcágua pela rota normal.
Perfil da caminhada até Plaza de Mulas, campo base para a rota normal de ascenso do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza
Nós iríamos tentar o Aconcágua sem guias ou expedição organizada. Naquela época, isso era mais comum, embora já houvesse muitas expedições comerciais também. Nos últimos quinze anos, agências que oferecem esse serviço se multiplicaram e eu diria que hoje, a maioria das pessoas que tenta o Aconcágua está nesses grupos. Outra coisa que mudou foram os preços e as regras, tudo bem mais controlado. O aumento de preço veio para controlar a quantidade de acessos que aumentava sem parar. Tudo bastante concentrado nos meses entre Dezembro e Fevereiro, quando as condições climáticas na região são mais amenas. Naqule ano, foram cerca de 4 mil pessoas. Esse número chegou a dobrar até 2010, mas o aumento de preços funcionou. Agora, na temporada 2013/14, foram pouco mais de 5 mil pessoas. O “permiso” é mais caro para quem vai sem grupo organizado, um estímulo para que se siga com agências e guias. A razão disso é a segurança, guias experientes sabem cuidar melhor de nós do que nós próprios, especialmente em uma região onde o tempo muda tão rapidamente e que eles conhecem muito melhor do que nós. Além disso, agora, em cada acampamento, precisamos nos registrar e fazer exames médicos. Pessoas continuam a morrer no Aconcágua, mas tenho certeza que seria muito pior sem essas novas regulações.
Cruzando o rio Horcones a caminho de Confluencia, o primeiro acampamento na trilha normal do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Com o Haroldo, prontos para iniciar a caminhada rumo a Confluencia e Plaza de Mulas, no parque do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Bom, seja pela aventura, pelo preço ou pela liberdade, eu e o Haroldo, naquela época, preferimos ir sozinhos. Lemos tudo o que pudemos sobre a montanha, conversamos com pessoas que já haviam estado lá e montamos nosso plano de ataque. Como estávamos sós, tínhamos a liberdade de mudar esses planos conforme íamos subindo a montanha e nos aclimatando, de acordo com nosso cansaço, adaptação à altitude, estado de ânimo e condições meteorológicas na montanha. De maneira geral, tudo isso concorreu para que acelerássemos nossos planos iniciais. Nossa adaptação foi mais rápida do que havíamos imaginado e não queríamos perder as chances de bom tempo que o Aconcágua estava nos fornecendo.
Primeiro dia de caminhada, quase chegando em Confluencia, no parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Nós havíamos feito todas as compras e burocracias na tarde do dia 28, em Mendoza. No dia 29, bem cedo, embarcamos para Puente del Inca, onde chegamos perto do meio dia. Aí encontramos nossa mula que seguiria, numa grande tropa, diretamente para Plaza de Mulas. Fizemos a divisão de bagagens e ficamos apenas com a barraca, sacos de dormir, um pouco de roupa e comida. O grosso seguiu com ela. Despachada a mula, caminhamos uns quatro quilômetros até a entrada do parque e outros dois até o posto de guarda-parques. Já estávamos ganhando altitude! Dos 2.800 metros de Puente del Inca até quase os 3 mil do posto de entrada da trilha, onde fizemos nossas últimas burocracias. Dia de céu azul, a tarde apenas começando, estávamos ansiosos para, finalmente botar o pé na trilha de verdade. E assim foi, viemos caminhando tranquilamente pelo vale do rio Horcones, esse mesmo trecho que eu e a Ana fizemos agora em 2014, até Confluencia. A diferença é que Confluencia era um pouco mais adiante, depois que as trilhas para Plaza Francia e Plaza de Mulas de dividem, logo após cruzarmos o rio Horcones novamente, agora para a margem esquerda de quem está subindo. A trilha havia sido tranquila e nós, agora, já estávamos acima dos 3.400 metros de altitude. Armamos nossa barraca, lanchamos e combatemos a dor de cabeça que se iniciava com dois excedrins cada um. Na época, não tínhamos neosaldina!
Acampado em Confluencia, a caminho de Plaza de Mulas e do Aconcágua, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Acampamento de Confluencia, a caminho de Plaza de Mulas e do Aconcágua, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
No dia seguinte, véspera de réveillon, seguimos em frente. Muita gente, já naqueles dias, preferia passar duas noites em Confluencia para ajudar no processo de aclimatação. Aproveitavam para fazer um bate-volta e ir conhecer Plaza Francia. Foi o que não fizemos e só agora, 15 anos mais tarde, é que tive a chance de chegar perto da majestosa face sul do Aconcágua e sua temida parede de mais de dois quilômetros de altura. Nós estávamos era com pressa de chegar em Plaza de Mulas e ver de perto o que nos esperava, a rota normal em direção a Nido de Condores, Berlin e o cume do Aconcágua. Esse segundo dia de caminhada é mais longo que o primeiro e mais chato também. Atravessamos a chamada “Playa Ancha”, um interminável vale formado pelo leito quase seco do rio Horcones, chão formado por pedras e mais pedras que requerem concentração par não cair. Além disso, temos de cruzar riachos o tempo todo. Vamos ganhando altura bem lentamente até que damos de cara com a “Encosta Brava”. O nome já dá uma pista do que se trata. Uma pirambeira que vamos vencendo com muita determinação e ziguezagues. Lá no alto, já estamos a 4.300 metros de altitude. De um lado, ao pé da montanha, o acampamento de Plaza de Mulas, já com algumas dezenas de barracas. Do outro, uns 25 minutos de caminhada, o Hotel Refugio, mais refúgio do que hotel, mas considerado o hotel mais alto do mundo. Para ele seguimos, pois nossa ideia era armar nossa barraca ali do lado.
Acampado ao lado do refúgio em Plaza de Mulas, 4.300 metros de altitude, aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
O refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Estar perto do hotel fazia parte da nossa estratégia para conquistar a montanha. A melhor maneira de adaptar nosso organismo às grandes altitudes é fazer a tática do sobe-desce. Subimos cada vez mais altos para nosso corpo tomar contato com o ar rarefeito e descemos em seguida para descansar em lugares mais baixos. Com isso o organismo começa a se adaptar biologicamente, por exemplo, começando a produzir mais glóbulos vermelhos para carregar com mais eficiência o oxigênio cada vez mais escasso. Em algum momento da nossa programação, devemos subir até um ponto mais alto, armar nossa barraca por lá e descer para ganhar energias para o ataque final. Depois, subimos novamente, agora com muito menos peso, pois a barraca já está no alto. Dormimos uma noite por lá e atacamos o cume. Estratégia perfeita, mas requer duas barracas, pelo menos para os dias em que a barraca estiver armada no alto e nós estivermos mais abaixo. Duas barracas ou uma barraca e um hotel! Bingo! Para quem vai de expedição paga, essa logística não é preocupação. Jamais vai ter de carregar barraca e sempre haverá alguma lhe esperando quando chegar em qualquer acampamento. Para quem vai sozinho como nós, ou carrega a barraca o tempo todo, ou leva duas barracas, ou conta com um hotel. Foi a nossa opção! Então, ainda em Mendoza, já compramos 3 noites de hotel e várias refeições. Por isso, além de ter de carregar menos comida aqui para cima, como éramos clientes deles, poderíamos usar o tempo todo suas instalações. Isso incluía a cozinha coletiva, as mesas do restaurante e o delicioso salão aquecido com um fogareiro. Foi aí que jogamos incontáveis partidas de crapô, um jogo de cartas, para passar o tempo. Também nos divertíamos na mesa de ping-pong, conhecíamos outras pessoas e, se pagássemos 10 dólares, tínhamos até direito a um rápido banho quente. Pequenos confortos como esses nos recompõe a energia e ajudam muito no desafio de subir a montanha.
Rumo ao Pico do Bonete, atravessando os gelos penitentes, nossa primeira caminhada de aclimatação na regiaõ de Plaza de Mulas, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Rumo ao Pico do Bonete, atravessando os gelos penitentes, nossa primeira caminhada de aclimatação na regiaõ de Plaza de Mulas, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Agora em 2014, descobrimos que esse hotel-refúgio foi desativado há alguns anos. Uma pena, pois a energia lá era muito boa, um pouco de conforto a 4.300 metros de altitude. Não tem preço! Em compensação, grandes agências montam seus próprios pequenos hotéis, sob lona, tanto em Plaza de Mulas como em Confluencia. Com chuveiro, cozinha e restaurante. Mas duvido que seja como era o hotel-refúgio. Espero, sinceramente, que ele seja reaberto nos próximos anos. Aparentemente, foi até dilapidado pelo último concessionário e a falta de manutenção vem mostrando seus efeitos. Mas a estrutura ainda está lá e um pequeno investimento o recuperaria. Ainda bem que não o vi nesse estado e minhas memórias são daquela doce temporada de 98/99.
Um pouco acima dos 5 mil metros, no cume do Pico do Bonete, na nossa primeira caminhada de aclimatação na região de Plaza de Mulas, parque do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Pois então, chegamos até ele, armamos nossa barraca e começamos a usufruir da mordomia, principalmente do calor acolhedor do fogareiro. A noite foi fria na barraca, mas tínhamos roupas o suficiente, nossa bagagem trazida pela mula já nos esperava por lá. Nem precisei tomar excedrin para dormir, mas o Haroldo tomou os seus. Na manhã do dia 31, acordamos bem e queríamos dar prosseguimento ao nosso processo de aclimatização. Para isso, precisávamos caminhar. A escolha óbvia, o que quase todos ali fazem, era subir em direção a Nido de Condores, o próximo acampamento no caminho até o cume. Nós conseguíamos ver a trilha de longe subindo a encosta do Aconcágua. Era amedrontadora, não por ser perigosa, mas pelo tamanho inacabável da tal encosta. Um infinito ziguezague segue encosta acima, as pessoas quase sumindo na distância, apenas pequenos pontinhos que mais pareciam formigas se movendo em câmara lenta. Saber que teríamos de subir aquela encosta várias vezes nos dava preguiça só de pensar. Saímos dos 4.350 metros de Plaza de Mulas para subir até os 5.550 metros de Nido. Tudo isso em um só ziguezague. É massacrante, só de ver.
Festa de reveillon no refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Foi quando o Eduardo apareceu para nos salvar. Ele era a pessoas que estava tomando conta do hotel-refúgio naquela temporada e conhecia muito bem a região. Sugeriu que subíssemos outra montanha, para variar. O Pico do Bonete tem 5.100 metros de altura e fica atrás do refúgio e de frente para o Aconcágua. Pode-se caminhar até lá em cima, trilha razoavelmente bem marcada. Uma opção muito melhor que a encosta para Nido. Prontamente compramos a ideia e fomos para lá no início da tarde, com a ideia de voltar assim que ficássemos demasiado cansados ou que a dor de cabeça atrapalhasse. Mas, na verdade, não foi assim. Mal demos os primeiros passos e já resolvemos tomar nosso excedrin. Dor de cabeça, ninguém merece! Um pouco mais adiante, cruzamos com os gelos penitentes, uma das marcas registradas dessa região. São pequenas torres de gelo que parecem caminhar em uma procissão, em fila indiana. Daí o nome, “penitentes”. São uma pequena geleira e podemos caminhar entre eles. Esses que vimos não eram grandes, dois metros no máximo, mas em outros lugares eles podem ficar bem maiores. Mais uma hora de caminhada e chegamos ao pé da montanha. Depois, foi só subir, subir e subir. No fim da tarde, cheguei ao cume, feliz. De volta aos 5 mil metros, uma marca bem importante nesse nosso caminho para o topo do Aconcágua, quase dois quilômetros mais alto. O Haroldo chegou um pouco depois, quando o tempo já tinha fechado. Nossa primeira nevasca nas alturas. Bom para testar nossas roupas! Quando começamos a descer, o tempo voltou a abrir e o Aconcágua, grandioso e magnâmico, apareceu na nossa frente. Que lindo! Difícil acreditar que poderíamos chegar lá no alto daquele gigante!
Trilha, pontos de parada e altitudes no caminho entre Plaza de Mulas e o cume do Aconcágua, na Argentina. Nós atacamos o cume desde Nido de Condores
Um ótimo último dia do ano para nós, mas ele ainda não havia acabado e iria melhorar. O hotel organizou um grande churrasco-festa de réveillon e a gente se esbaldou! Que privilégio, passar a última noite do ano naquele lugar, naquela altitude e com aquela festa. Do lado de fora, céu estrelado e o Aconcágua a nos observar. Foi mágico! Nossa noite se esticou e resolvemos tirar o dia seguinte, o primeiro do ano de 1999, de folga. Estávamos merecendo. Tudo o que fizemos, além de jogar crapô e nos esquentar no fogareiro, foi caminhar os 25 minutos até o acampamento de Plaza de Mulas. Fomos vestindo (e estreando) nossas botas duplas alugadas em Mendoza. Nossa... que dificuldade! Nada como um calçado mais leve e ágil. Foi um bom exercício, mas imaginar ter de calçar aquilo e caminhar até o cume do Aconcágua foi desanimador. Tanto que, no dia seguinte, na primordial etapa do “porteio”, deixamos as botas duplas para trás e voltamos para as muito mais confortáveis botas simples.
Montanhas nevadas cercam Plaza de Mulas, acampamento aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
De Plaza de Muilas, visão do vale do rio Horcones, no parque do Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Pois é, o dia 2 foi nosso dia de porteio. Carregamos nossa barraca, sacos de dormir, comida e fogareiro mais de 1.200 metros verticais para cima, até Nido de Condores. Vencer aquela encosta e os infinitos vai-e-vens da trilha foi um sufoco danado. Chegando em Cambio Pendiente, 250 metros abaixo de Nido de Condores, e justamente aonde a trilha deixa de ser tão inclinada, achei que não conseguiria dar mais nenhum passo. Era a altitude pesando no coração e no pulmão. Achei que já estava bem por não ter de tomar mais excedrin, mas estava enganado. Enfim, o Haroldo seguiu na frente e, quando finalmente cheguei lá, ele já estava montando nossa barraca. Estávamos um pouco adiantados na temporada, o maior número de pessoas só vem depois do réveillon. Assim, eram apenas outras dez barracas no acampamento. A ideia do Haroldo era montar a barraca e descer, mas eu queria passar a noite por lá, dar uma forçada no processo de aclimatação. Não chegávamos a um acordo, mas São Pedro estava do meu lado e enviou uma nevasca que convenceu o Haroldo a ficar. Tivemos uma noite duríssima, o excedrin nos salvando da dor de cabeça, mas nada ajudando contra a sensação de falta de ar que tínhamos durante o sono. Acordamos diversas vezes arfantes, mas tenho certeza que o esforço acelerou bastante as mudanças necessárias no nosso metabolismo.
Iniciando a caminhada rumo a Nido de Condores, acampamento avançado na encosta do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Acordamos dia 3 bem cansados. Minha ideia na noite anterior era acordar e caminhar até Berlin, quase aos 6 mil metros, um último exercício de aclimatação. Depois, voltaríamos diretamente para Plaza de Mulas, para o conforto do hotel-refúgio. Mas a noite mal dormida nos fez mudar de ideia. Nada de Berlin, desceríamos imediatamente. A cada passo para baixo, era como se mergulhássemos no oxigênio renovador. Um belo sanduíche de hamburguesa e o calor do fogareiro do hotel ajudaram mais ainda na nossa recuperação. O resto do dia foi devotado ao crapô e ao descanso. Aliás, o dias seguinte também. Duas noites com cama e colchão completaram nosso processo de recuperação de energias. No dia 6, cedinho, estávamos prontos para subir novamente. Mas, dessa vez, iríamos mais para o alto. O cume era o limite e nossa maior preocupação era que a barraca, com todo o nosso material dentro, tivesse resistido à noite de ventos muito fortes que tínhamos passado. Isso, só iríamos descobrir quando chegássemos lá em cima...
Pausa para descanso na subida entre Plaza de Mulas e Nido de Condores, acampamentos ao longo da trilha normal para o cume do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)
Entrando em piscina natural na base de uma das Trafalgar Falls, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Acordamos hoje numa espécie de residência estudantil de frente para o mar! Portsmouth, no norte de Dominica, é sede de uma importante faculdade de medicina que atrai estudantes de todos os lugares, inclusive americanos. Acho que parte do apelo está no hotel criado para hospedá-los, ao lado da faculdade e de frente ao mar. Além dos estudantes, o hotel também hospeda intrépidos viajantes que chegam por aqui. Hoje, no café, não vimos muitos estudantes não. Segundo apuramos, estavam todos em seus quartos se preparando para a temporada de provas. E nós, entre uma torrada e uma fruta, entre o suco e o chá, aproveitamos para tirar fotos da praia e do píer do hotel. Quem sabe, estudantes brasileiros também se animem a vir passar seis anos por aqui, hehehe!
Nosso hotel em Portsmouth, no norte de Dominica, no Caribe
A maior atração turística da região é o Cabrits National Park, uma pequena península formada por dois antigos vulcões (extintos!), a poucos quilômetros ao norte de Portsmouth. Além das atrações naturais da mata, dos vulcões e da água cristalina que cerca a península, há também as ruínas de um antigo forte que protegia a baía. Foi o nosso destino na manhã de hoje.
A Ana caminha no pier do nosso hotel em Portsmouth, no norte de Dominica, no Caribe
O forte foi construído a quatro mãos, entre franceses e ingleses. Quem conquistava a ilha construía mais um pedaço, até que os ingleses finalmente o terminaram, assim como ficaram com a posse definitiva de Dominica. A parte principal do forte foi reconstruída e é atração muito visitada pelos cruzeiros que aportam por aqui na alta temporada. Agora na baixa, só havíamos nós e os operários que estão refazendo o telhado de um dos prédios.
Chegando ao forte Shirley, no Cabrits National Park, em Portsmouth, no norte de Dominica, no Caribe
Vista maravilhosa da baía, a mesma que os soldados tinham há duzentos anos, atrás de seus canhões que ainda estão por lá, sempre vigilantes. Mas para mim, ainda mais interessante é a trilha pela mata que reconquistou seu espaço original, depois que o forte foi abandonado na metade do séc XIX. Ela nos leva até a antiga casa do comandante, hoje em ruínas e totalmente tomada pela mata. Até parecem ruínas pré-colombianas, como as que vimos no México. A trilha segue mais longe, até um mirante para a baía do outro lado da península e, por fim, até o alto de um dos vulcões, onde mais canhões nos esperam. Na época do forte, toda a mata havia sido cortada. É incrível ver o poder de recuperação da natureza quando lhe dão chance. Em menos de dois séculos e quase já apagou todos os sinais de civilização.
Vista do alto do forte no Cabrits National Park, região de Portsmouth, em Dominica, no Caribe
Visitado o parque, estrada novamente, seguindo para o sul pela rota litorânea, no lado caribenho da ilha. Cruzamos algumas pequenas vilas, passamos por praias de areia escura e chegamos a um lugar com o singelo nome de “Massacre”. O nome vem de um fato ocorrido na metade do século XVII, quando a supremacia da ilha era disputada por franceses, ingleses e os valentes índios Caribs.
Ruínas da antiga casa do comandante do forte, retomada pela floresta do Cabrits National Park, região de Portsmouth, em Dominica, no Caribe
Dominica foi o último bastião desses índios que dominavam todo o leste do Caribe quando Colombo aqui chegou. Por mais de cem anos, eles conseguiram impedir que os espanhóis se estabelecessem por aqui, mas agora também tinham de se defender de colonizadores ingleses e franceses. As vizinhas Guadalupe e Martinica já tinham sido tomadas por franceses, assim como Barbados e Antigua por ingleses. Em St. Kitts, apenas vinte anos antes, colonizadores das duas nações europeias haviam se unido para massacrar centenas de índios Caribs num triste episódio conhecido como “Bloody River Massacre”. Adivinha de onde veio o “bloody”... Eu e a Ana passamos por lá e contamos a história nos nossos posts da época.
Águas transparentes no Cabrits National Park, em Portsmouth, no norte de Dominica, no Caribe
Pois bem, um nobre inglês da época, governador de St Kitts, teve um filho bastardo com uma índia Carib. Conhecido como “Indian Walter”, ele foi criado junto com os irmãos, na casa do pai. Mas quando o pai morreu, a madrasta o expulsou de casa, quando ele tinha apenas 15 anos. Acabou vindo para Dominica, para a terra de seus antepassados. Aqui, virou um grande líder, principalmente por conhecer tão bem as três culturas que disputavam o poder na região. Uma vez, quando liderou seu povo numa batalha vitoriosa contra franceses, foi até nomeado pelo líder ingês de Barbados como o “Governador de Dominica”. Mas ele também vencia ingleses em batalha, e isso causou a ira de seu meio irmão, Philip Walter, governador de Antigua.
Caranguejo se enrola em trilha do Cabrits National Park, em Portsmouth, no norte de Dominica, no Caribe
Philip trouxe suas tropas para cá, marcou um encontro amistoso com o irmão, mas o traiu. Além de massacrar toda a tribo, matou também o irmão, acetando desavenças que vinham desde a infância. Em sua honra, lá está a vila de “Massacre”, para que não esqueçamos nunca de sua traição e do fratricídio... Os Caribs restantes ainda tentaram resistir, mas duas gerações mais tarde, com franceses e ingleses entrando de pouco em pouco na ilha, desrespeitando tratados que definiam Dominica como “uma ilha neutra, a ser deixada no domínio dos índios”, tiveram de se render. De qualquer maneira, aqui é a única ilha onde sobrou um resquício da população indígena original...
Praia em Roseau, capital de Dominica, no Caribe
Continuamos a viagem até à capital Roseau. Mas foi só de passagem! Logo pegamos uma estrada no sentido do interior, de volta à região do Parque Trois Pitons, com sua mata tropical, montanhas e cachoeiras. Nosso destino eram as Trafalgar Falls, duas enormes cachoeiras, de rios diferentes, que caem em paralelo em meio à mata exuberante. É uma visão impressionante, quando chegamos ao mirante, uma pequena trilha de cinco minutos a partir do estacionamento.
Observando as majestosas Trafalgar Falls, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Como nós gostamos de sentir, além de ver, encaramos a escorregadia caminhada pelas pedras para conseguir chegar até a base de uma delas. Ali, um banho refrescante nos esperava. Um verdadeiro prêmio pelo esforço de se chegar até lá. Antes do banho, momentos de quase devoção olhando aquela maravilha da natureza aonde tão poucos chegam, barrados por pedras enormes e líquens traiçoeiros.
Explorando as Trafalgar Falls, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Devidamente refrescados e escorregando pedras abaixo, chegamos à outro “prêmio” lá embaixo, esse repartido com os demais turistas. Ao lado desses dois rios paralelos, prestes a se juntar um pouco abaixo, existe uma terceira fonte de águas. Nasce ali mesmo, em meio à mata e é quente! Pois é, um pequeno riacho que forma diminutas piscinas e banheiras naturais, tudo isso a poucos metros dos rios maiores.
Entrando em piscina natural na base de uma das Trafalgar Falls, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Achamos uma banheira só para nós e relaxamos naquela água quente, cercados pela mais exuberante natureza por todos os lados. Uma delícia!
Banho relaxante em riacho com águas quentes no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Para completar esse fim de tarde, só faltou dar uma paradinha num simpático restaurante na entrada do parque, também ao lado da mata tropical, uma varanda sobre um profundo vale completamente recoberto pela vegetação. Aí, comemos um delicioso sanduíche, como há muito não comíamos, acompanhado de cerveja estupidamente gelada. Não poderia ter caído melhor!
Uma vistosa flor no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Finalmente, voltamos para Roseau, dessa vez para ficar. A gente se instalou num hotel no sul da cidade, um resort de mergulho. Ainda temos muita coisa para ver e fazer aqui em Dominica, e só temos um dia para isso. Então, foram vários telefonemas para cá e para lá para tentar agilizar nossa maratona de amanhã. Aparentemente, deu certo! Vamos começar às 5 da manhã e, na programação tem caminhada, mergulho, canyon e até um lago de águas ferventes! Será um dia intenso, daqueles que faz tempo que não temos, mas adoramos!
Relaxando em barzinho no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Estamos tão ansiosos que já até fomos celebrar em antecipação: um delicioso rum punch assistindo um pôr-do-sol inesquecível sobre a baía de Roseau! Sinal de boa sorte, sem dúvidas!
Admirando o lindo entardecer em praia de Roseau, capital da Dominica, no Caribe
Entrando na Colômbia, na cidade de Ipiales
Nosso plano hoje era sair cedinho para a Colômbia e já chegar na cidade de Popayan ou, pelo menos, Pasto, já a quase 100 km da fronteira. Mas, ficamos só nas boas intenções... Na verdade, até que acordamos cedinho, mas toda a nossa manhã foi gasta na procura do nosso celular.
Paisagem equatoriana chegando perto da fronteira com a Colômbia
Voltamos até Mitad del Mundo, para ver se não tínhamos deixado lá. De nada adiantou o pente fino no carro, no hotel ou na metade do mundo. Foi-se. Evaporou-se. Escafudeu-se. E, dessa vez, nem podemos colocar a culpa no Lampião, como fizemos na fronteira entre Alagoas e Sergipe, quando perdemos o outro celular. Uma pena, pois a Ana já estava ficando craque nele. Bom, pelo menos vamos economizar na conta telefônica... Quanto às nossas cabeças, felizmente estão muito bem presas aos nossos pescoço!
Viagem entre o Equador e Colômbia
Enfrentamos então nossas últimas horas de bonitas e complicadas estradas equatorianas. Muitos caminhões, muitas curvas. Chegando mais perto da fronteira, o trânsito diminuiu e o ritmo melhorou. Enchemos o tanque do carro uma última vez para aproveitar o preço (cinquenta centavos por litro!) e nos despedimos do país.
Vista do belo vulcão Cayambe, na viagem entre o Equador e Colômbia
Cruzar a fronteira foi, mais uma vez, relativamente tranquilo. Não estão muito acostumados com carros brasileiros por aqui e chamamos bastante a atenção. Agora, já estamos os três regularizados na Colômbia, eu, a Ana e a Fiona. Mas, para ela, vamos ter de comprar um seguro daqui a 10 dias, já que o nosso brasileiro está chegando ao final do prazo.
Chegando à fronteira entre Equador e Colômbia
Já com o dia terminando, dormimos mesmo na tranquila Ipiales, quase ao lado da fronteira. Amanhã, numa viagem que promete ser muito bonita, vamos até Popayan, por uma estrada que já foi considerada muito perigosa por causa da ação da guerrilha mas que hoje é bem tranquila, dizem os colombianos. A conferir...
Chegando à fronteira entre Equador e Colômbia
Sobrevoando a magnífica Kaiteur Falls, na Guiana
Sem dúvida nenhuma, a maior atração natural da Guiana atende pelo nome de Kaiteur Falls. É uma incrível cachoeira bem no meio de uma região montanhosa, em plena amazônia guianesa. Centenas de milhares de litros de água despencando a cada segundo num precipício com cerca de 250 metros de altura são uma visão que merece todo o esforço para se chegar até lá e que poucas pessoas conseguirão esquecer. Muitos, até, acham essa cachoeira ainda mais impressionante que Niagara Falls, nos EUA/Canadá, Vitória, na África e Iguaçu, no Brasil/Argentina.
Sobrevoando Georgetown e seu cinturão verde, na Guiana
Há duas formas de se chegar à esta maravilha da natureza. A primeira, com mais aventura, é indo por terra e caminhando e subindo rios numa excursão que leva de quatro a cinco dias. A volta, inclusive, é de avião. A outra é pegar um aviaozinho em Georgetown, voar por cerca de uma hora e pousar logo ao lado de Kaiteur Falls, com direito a sobrevôo da cachoeira. As duas maneiras são organizadas por agências, e ficamos sempre à mercê de um grupo. Infelizmente, não se chega lá de forma independente.
No pequeno avião, à caminho de Kaiteur Falls, na Guiana
Nós, já tão atrasados na nossa programação, escolhemos a forma mais rápida e prática: de avião. O problema é que ficamos completamente dependentes da agência e da companhia aérea. A primeira tem de conseguir encher o avião, senão ele não sai. A segunda, como todas as companhias aéreas, tem todo o poder na mão. Saem se e quando quiserem. Um inferno!
O avião que nos levou à Kaiteur Falls, na Guiana
Assim, o nosso vôo que era para ter saído à uma da tarde, foi atrasando, atrasando até que, finalmente, saiu um pouco antes das três. Graças à Deus. Porque se fosse adiado para amanhã, e quase foi, vários dos outros viajantes teriam desistido e aí, duvido que haveria clientes o suficiente. E nós teríamos de deixar a Guiana sem conhecer essa maravilha. Por falar em outros viajantes, os únicos estrangeiros de hoje éramos eu e a Ana. Aliás, nos nossos dois dias em Georgetown, não vimos mais nenhum estrangeiro. Bem diferente do Suriname, cheio de holandeses, e do Caribe, onde se vê mais estrangeiros do que locais...
Maravilhados com o esplendor de Kaiteur Falls, na Guiana
Bom, depois de muita reza forte, a companhia aérea arrumou um avião e partimos os treze turistas para a cachoeira. No caminho, um belo sobrevôo de Georgetown e do interior da Guiana. Típica paisagem amazônica, uma mata de se perder de vista e muitos rios, largos e caudalosos. Chegando perto do nosso destino, as montanhas aparecem, majestosas, sobre e infinita planície. Também elas verdes, cobertas pela mata.
Visitando Kaiteur Falls, na Guiana
E aí, no meio delas, aparece a incrível cachoeira! Kaiteur Falls, um nome que já andava pela minha cabeça desde que comecei a ler sobre as Guianas, no início da viagem. Finalmente estava ali, na minha frente, poderosa, cinematográfica. O nosso avião ainda fez dois sobrevôos dela, para delírio dos passageiros. Depois, pousou numa pequena pista de pouso quase ao lado dela.
Observando de perto Kaiteur Falls, na Guiana
Fomos recebidos por um guia local que, sem mais delongas, nos conduziu à três mirantes para se observar a cachoeira. Todos possibilitam visões incríveis e cada vez mais próximas dessa impressionante queda d'água. Infelizmente, pelo atraso do vôo, tivemos de fazer tudo às pressas. Mas deu para tirar muitas fotos e se deixar maravilhar pela cachoeira e a natureza ao seu redor.
O vasto canyon formado pela kaiteur Falls, na Guiana
Decolamos de volta para casa no último minuto possível. O avião não pode viajar de noite. Na volta, observando aquela vastidão lá embaixo, não pude deixar de lembrar que, amanhã, estaremos cruzando tudo isso de carro, com nossa querida Fiona. A estrada que liga Georgetown ao Brasil atravessa boa parte do país, em direção sudoeste, cruzando florestas e savanas. A maior parte da estrada é de terra e dizem que são 16 horas de viagem. Nós devemos começar um pouco depois das cinco e nossa idéia é dormir um pouco depois da metade do caminho, perto de uma reserva natural. No dia seguinte, sexta, chegamos à Lethem, onde está haveno um grande rodeio, e cruzamos para o Brasil. Será que vai dar certo nossa programação? Veremos... Internet, no caminho, nem pensar. Combustível, melhor levar todo daqui. Assim com água e comida, para alguma emergência. E vamos que vamos...
Região de kaiteur Falls, na Guiana
Chegando de volta no apartamento do curitibano Rodrigo, na Cidade do México, capital do país
Torcendo para não acontecer mais nada com o nosso pneu, tivemos uma viagem tranquila de Viñales até Havana. Nossa última pelas pouco movimentadas estradas cubanas. O único movimento que tem é o de caronistas. Enorme! Como quase não tem carros, imagino que a taxa de sucesso deles deve ser bem pequena. No fim, não tem jeito, acabam por subir no caminhão mesmo, a maneira mais popular de se viajar no país.
Caronistas, muito comum nas estradas cubanas (estrada entre Pinar del Rio e Havana)
Em Havana, mais uma rápida passagem pelos chiques subúrbios de Miramar e já estávamos em Vedado. Não é difícil se orientar em Havana, ruas numeradas, pares perpendiculares às ímpares. Logo estávamos na loja da Cubacar em frente à estação da Via Azul. O cálculo do combustível deu certinho e chegamos lá na reserva! Em Cuba, alugamos carros com tanque cheio, mas pagamos pelo combustível no início. Na hora da entrega, o negócio é devolvê-lo no osso mesmo.
Transporte por caminhão, o mais popular em Cuba (estrada entre Pinar del Rio e Havana)
Mas, para ir ao aeroporto, fomos no próprio carro. Assim, pelo sim, pelo não, botamos mais uns três litros, meia hora para ir e outra meia hora para o motorista voltar. O táxi nos cobraria 20 CUCs pela corrida. Se devolvêssemos o carro diretamente no aeroporto, seriam 25 CUCs. E com o motorista nos levando, apenas 10 CUCs. Não foi difícil escolher, certo?
Check-in feito, malas despachadas, faltava a imigração. A oficial que me atendeu demorou um bom tempo para me liberar. Não conseguia entender como eu tinha entrado pelas Ilhas Caiman e estava saindo para o México. Ao saber dos 1000dias, queria saber o porquê disso tudo. No fim, viu e reviu todas as folhas do passaporte com stamps de vários países e deixou eu passar, mesmo com uma pulga atrás da orelha.
Comboio de carga na estrada entre Pinar del Rio e Havana
Pouco menos de três horas de voo e já estávamos sobre a gigantesca Cidade do México. Parecia que tínhamos mudado de universo. Abaixo de nós, numa só cidade, mais de duas vezes a população de Cuba e, provavelmente, um número cem vezes maior de automóveis. A imigração no aeroporto da Cidade do México foi muito mais tranquila do que quando entramos vindos da Guatemala, quando a chata da oficial encrencou com a mistura de nomes e sobrenomes nos meus passaportes e vistos do México e EUA. Aqui não! O cara olhou e deixou passar. Que beleza! Falta agora só entrar nos EUA para eu esquecer essa história de vistos... Coisa chata!
As largas avenidas de Miramar, bairro chique de Havana - Cuba
Bem, de volta à nossa velha conhecida Cidade do México, lá fomos nós, de táxi, atravessar toda a cidade rumo à Santa Fé. Impossível não se impressionar novamente com o movimento nas enormes freeways que cortam a cidade. São de deixar a gente louco! Uma hora mais tarde e já estávamos na garagem do prédio, matando as saudades da nossa querida Fiona, o pneu traseiro direito completamente no chão! O Rodrigo já tinha nos avisado disso... Falando nele, apareceu quando estávamos lá embaixo, voltando do trabalho. Logo subimos os três para o apartamento que já vemos como a “nossa casa na Cidade do México”.
Hotel em Miramar, bairro chique de Havana - Cuba
Pronto! Foi como se toda essa viagem ao Caribe tivesse passado num piscar de olhos! Estávamos de volta ao ponto inicial, como se Jamaica, Ilhas Caiman e Cuba tivessem sido apenas um pensamento rápido, um sonho, uma ilusão. Ainda bem que temos os posts e fotos para nos provar que realmente estivemos lá, hehehe. Agora, é mudar nosso canal mental, esquecer do Che e do Fidel e voltar a pensar no Pancho Villa e no Zapata. Alguns dias aqui na maior cidade do continente vão nos ajudar nisso...
Fim de tarde bo deserto Vizcaíno, na Baja California - México
Acordamos hoje deliciosamente instalados na cama do nosso (ex) bordel preferido, o Hotel Frances, em Santa Rosalía. Vencida a preguiça, levantamos, abrimos a porta do quarto que dá para uma enorme varanda e demos de cara com a vista maravilhosa do mar à nossa frente e da cidade abaixo de nós. A mesma vista que tinham as antigas moradoras desse lugar. Como será que era a vida delas?
A enorme varanda e a bela vista do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México
O nosso café da manhã foi servido no antigo saloon do estabelecimento, igualzinho aos dos filmes de cawboy. Mas ao invés de tomarmos a famosa dose de uísque cawboy, ficamos no copo de chá mesmo. A todo momento parecia que o John Wayne entraria pela porta, ou alguma mulher de reputação duvidosa desceria pela escadas, mas isso ficou só na imaginação mesmo. Se pudéssemos viajar no tempo...
Café da manhã no antigo saloon do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México
Empacotamos a Fiona e descemos para a cidade, para uma última olhada rápida e algumas fotos, já que ontem estava escuro quando chegamos. Mas, logo na primeira volta, encontramos um chaveiro. Já faz tempo que a fechadura da nossa capota da caçamba é só psicológica (ainda bem que ninguém sabe disso!) e era uma boa hora para consertá-la. Assim, enquanto a Fiona ficou lá de molho, eu e a Ana pudemos passear tranquilamente por essa cidade de faroeste e até almoçar.
Cenário de faroeste com carros em Santa Rosalía, na Baja California - México
A arquitetura de Santa Rosalía realmente lembra essas cidades dos filmes de John Ford. A gente já tinha visto uma igual, lá no deserto de Atacama, uma antiga cidade mineira também. Só que lá a cidade foi toda transformada num museu, ninguém mais mora ali. Aqui não, continua uma cidade normal, com seu ritmo cotidiano de vida. Muito interessante!
A Fiona em Santa Rosalía, na Baja California - México
O principal prédio é a igreja Santa Bárbara, desenhada e construída por ninguém menos que Alexander Eiffel, o mesmo da famosa torre parisiense. A igreja esteve exposta na Feira Internacional de Paris, quando foi inaugurada a famosa torre. Ganhou um prémio pelo design inovador. Depois, desmontada, foi parar num depósito na França. O dono da companhia mineira aqui de Santa Rosalía era francês e resolveu trazer a igreja para cá. Com uma reforma ou outra, continua de pé, orgulhando os habitantes da cidade.
A igreja irmã da Torre Eiffel, em Santa Rosalía, na Baja California - México
A fechadura da Fiona finalmente ficou pronta e a gente se despediu da cidade e também do Mar de Cortez, que não vamos mais ver nessa viagem. Adiós, amigo!
Nossa última visão do Mar de Cortez, na orla de Santa Rosalía, na Baja California - México
A gente seguiu para o meio do deserto, seguindo a fronteira do parque que protege essa maravilha natural, o enorme Deserto Vizcaino. Nessa época do ano, ele está florido, o que o ainda faz mais belo. Pois é, para que acha que deserto só tem cactos, deveria vir passear por aqui...
Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México
A gente seguiu até a cidade de San ignacio, que também cresceu ao redor de uma antiga missão jesuítica. Vamos usar a cidade como base para explorar o deserto, suas paisagens maravilhosas e uma outra atração: algumas das mais belas pinturas rupestres do mundo.
Época de deserto florido na Baja California - México (estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio)
Visitá à Universidade de Harvard, em Boston, em Massachusetts - Estados Unidos
Hoje o nosso caminho de metrô era mais curto. Apenas duas estações nos levaram até Harvard Square, o centro nevrálgico da vizinhança onde está a mais famosa universidade do mundo.
Caminhando pelo campus de Harvard, a famosa universidade em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Harvard foi criada em 1636, o que a faz a mais antiga universidade dos Estados Unidos. A criação de um instituto de ensino superior apenas uma geração mais tarde que a chegada dos primeiros peregrinos ao novo continente mostra bem que eles não vieram para cá para explorar, fazer dinheiro e voltar para casa, como foi o caso de boa parte da colonização da América Latina. Ao contrário, vieram mesmo para ficar e desde o início tomaram os passos necessários para construir uma grande nação.
Momento de descanso nos jardins de Harvard, depois de caminhada pela famosa universidade em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Três anos após a criação do “New College”, a universidade foi rebatizada “Harvard”. Uma homenagem ao seu primeiro grande doador, o religioso John Harvard, graduado em Cambridge, na Inglaterra, que doou para a instituição toda a sua vasta biblioteca de 400 livros. Mal sabia ele que seu nome seria, para sempre, associado com excelência em estudos e pesquisas. Hoje, sua estátua no campus da universidade é ponto obrigatório de visitas e fotografias de estudantes do mundo inteiro, muitos deles sonhando em serem aceitos na prestigiosa universidade.
A estátua de John Harvard, local de peregrinação de estudantes de todo o mundo, na famosa universidade em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Estátua de John Harvard, o primeiro grande doador para a universidade que leva o seu nome, em Boston, em Massachusetts - Estados Unidos
De doação em doação, a universidade foi crescendo, aumentando seus cursos, se qualificando, até se tornar o que é hoje, com cerca de 2.500 professores e 20 mil estudantes. Passaram por aqui diversos futuros presidentes americanos, como os Roosevelt, Kennedy e Obama, além de presidentes de vários outros países, como Colômbia, Chile e Costa Rica; gente “pobre”, como Bill Gates, poetas como T.S Elliot, enfim, gente famosa em todos os aspectos da vida humana, como físicos, biólogos, atores e diretores de cinema, etc...
Interior pomposo de prédio da Universidade de Harvard, em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
O campus é cheio de jardins e praças, cercado por prédios pomposos ou “modernosos”. Confesso que fiquei mais impressionado com o campus de Princeton, outro celeiro de prêmios Nobel, mas foi uma delícia caminhar com a afilhada e esposa por esse lugar que transborda ciência e conhecimento. Junto conosco, estudantes de todo o país e também de muito longe, muitos se preparando para tentar ser admitidos na universidade, um verdadeiro passaporte para um futuro promissor. Fiz no meu papel de tio e atazanei a Bebel para que, também ela, ficasse com vontade de estudar por aqui. Ele não pareceu se animar muito, não, mas quem sabe, lá no fundo, foi plantada aquela sementinha, hehehe!
Em dia de chuva, visita à Trinity Church, em Boston, em Massachusetts - Estados Unidos
Voltamos então para nosso Inn, empacotamos a Fiona e seguimos para o centro da cidade. Não queríamos deixar Boston sem conhecer o que é considerado como um dos 10 prédios mais belos do país. Falo da Trinity Church, um colosso arquitetônico no coração da cidade. Não sei se foi por causa da chuva, ou do fato que a entrada é cobrada, mas o ponto é que entramos e éramos os únicos visitantes dentro daquele prédio magnífico. Enquanto eu e a Ana caminhávamos pelos corredores e admirávamos os vitrais e altares, a Bebel aproveitou o enorme espaço para cantarolar, se divertindo com o eco que reverberava pelas colunas e o alto teto do vão central. Apenas quando entraram outros turistas é que o tio teve de reprimir a sobrinha querida, distraída em sua própria voz.
O magnífico interior da Trinity Church, em Boston, Massachusetts - Estados Unidos
Agora sim, estávamos prontos para deixar a cidade. Fica aquela vontade de passar uma temporada por aqui, não como turista, mas como morador. Aí sim, com o tempo necessário para explorar suas ruas, restaurantes, lojas, museus, praças, museus e recantos perdidos e charmosos em cada uma de suas muitas vizinhanças. Quem sabe daqui a alguns anos, quando a afilhada vir estudar por aqui...
Os belos vitrais da Trinity Church, em Boston, em Massachusetts - Estados Unidos
Nosso destino agora era a península cheia de praias que atrai ricos e famosos da costa nordeste dos EUA, principalmente durante o verão. Cape Cod é famosa por sua beleza, pela qualidade de seus restaurantes, pelo luxo de suas mansões, mas também pelos terríveis congestionamentos que se formam para chegar até lá.
O altar da famosa Trinity Church, em Boston, em Massachusetts - Estados Unidos
Felizmente, ainda é uma quarta-feira e chegamos antes da turba. O congestionamento já estava lá, mas ainda bem pequeno, nada que alguém que já tenha passado pelo litoral norte de São Paulo na alta estação não tire de letra. Chegamos juntos com a noite e nos instalamos na pequena Falmouth, cidade logo no início da famosa península e um dos pontos de onde saem ferries para a ilha de Marta Vineyard. Teremos dois dias por aqui, uma para percorrer a península em busca das praias que atraem tantos americanos e o outro para fazer uma visita à ilha. Relatos nos próximos posts!
A peninsula de Cape Cod, no sul de Massachusetts
A linda Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO
Nessa nossa longa viagem temos usado dois livros-guia para nos ajudar em nossas explorações. Um é o Guia 4Rodas, usado muito de vez em quando para procurar algum hotel ou atração do local. Não o usamos para definir aonde vamos, mas para nos auxiliar em alguns dos lugares aonde já decidimos ir. O outro é o Lonely Planet, inclusive no Brasil. É meio vergonhoso, mas temos de usar um livro em inglês para nos ajudar aqui no Brasil, já que não há similares nacionais com a mesma qualidade. Outra opção é a internet. Seria a melhor, sem dúvida, se tivéssemos tempo para pesquisar. Mas, como estamos sempre mudando de lugar, numa viagem non-stop, fica muito difícil fazermos uma pesquisa mais aprofundada. Finalmente, o que realmente definiu nosso roteiro aqui pelo Brasil foram conhecimentos prévios que tanto eu como a Ana já tínhamos. E, claro, ao longo da viagem, conversando com pessoas, ficamos sabendo de novos lugares e refazendo nosso roteiro, que é bem "maleável".
Transporte por burros, ainda muito comum em em São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
A Cachoeira do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
Aqui no Jalapão, foi meio diferente. Eu já conhecia algumas coisas aqui, de uma viagem de onze anos atrás, então já tinha uma ideia mais geral sobre aonde ir. Mas quem tem sido meu verdadeiro guia aqui, nos detalhes, é o belo e profissional roteiro que um amigo viajante, que conheço através (e somente!) desse site postou, após uma viagem pelo Jalapão, no site mochileiros.com. É o Luís, que costuma aparecer nos comentários do site, sempre com dicas valiosas. Valeu, Luís! Pena que temos menos dias que você teve para explorar as belezas da região, então temos tido o difícil trabalho de ter de escolher aonde ir e aonde não ir. Mas, até agora, tem dado certo!
Sempre-Vivas ao lado do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
Subindo o Rio da Prata com nosso guia, o Paulino (região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO)
Foi assim que, hoje, deixamos para trás a Catedral e o Encontro dos Rios para seguirmos diretamente para o rio Prata e sua grande cachoeira, já no caminho entre São Félix e Mateiros. Mais belo que a própria cachoeira foi termos subido o rio por algum tempo, caminhando, e descido por dentro d'água, nós dois, com máscara de mergulho e máquina fotográfica. A água escura mas muito limpa rendeu belas fotos e ótimas paisagens subaquáticas. Peixes nos acompanhavam enquanto plantas "frondosas" ficavam para trás. Muito interessante! Dica do Luís, hehehe! Outra coisa primordial foi termos ido acompanhados de um guia. O caminho nem é tão difícil, mas se não fosse pelo guia apontar os desvios, certamente teríamos atolado nos muitos charcos traiçoeiros que existem no caminho.
Mergulhando no Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
Nadando no rio da Prata, na região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
De lá seguimos para a mais bela das cachoeiras do Jalapão, a Cachoeira do Formiga. Esta já está mais próxima de Mateiros e tem uma água de tonalidade esverdeada e quase completamente transparente. É sensacional! Forma um poço de ótimo tamanho para se nadar. Da temperatura, nem preciso falar; aqui no Jalapão não existe água fria! Mas, o mais incrível mesmo é a transparência da água. É possível ver todo o turbilhão criado pela cachoeira. Nadando no meio dele (e tomando cuidado com as pedras!), parece que estamos em uma máquina de lavar roupa. Muito legal! Saindo do turbilhão, é como se estivéssemos em um aquário.
Refresco delicioso na Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO
Nadando no poço de águas transparentes da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO
E lá ficamos, do aquário para a máquina de lavar roupa, da máquina de lavar roupa para o aquário. Aquilo tudo só para nós. É a vantagem de se poder viajar fora de feriados e período de férias, durante dias de semana. Por enquanto, tem sido assim em todas as atrações do Jalapão.
Divertindo-se no forte turbilhão da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO
Águas cristalinas no poço da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO
Já bem fim de tarde, seguimos viagem para Mateiros, 35 km à frente. É o mais conhecido destino no Jalapão, pequena cidade usada como base para se explorar cachoeiras, dunas, rios e montanhas. Já está bem maior do que há onze anos, mas continua lembrando muito uma versão tupiniquim das antigas cidades do faroeste. Sem os bandidos, porque todo mundo é muito amável! Lembro-me de ter achado Mateiros um dos lugares mais isolados que já tinha conhecido, quando vim da outra vez. Mais de 160 km de terra para aqui chegar, vindo de Ponte Alta, uma aventura! Agora, vindos do P.N das Nascentes do Parnaíba, ao contrário, parece uma metrópole. A estrada, uma autobahn. É, tudo é relativo, muuuuito relativo...
Mateiros, no Jalapão - TO
Nosso reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Para seguirmos de Punta Arenas para a Terra do Fogo, são duas opções: na primeira, precisamos dirigir para o nordeste por 170 km, contornando o Estreito de Magalhães até o ponto onde ele é mais estreito, apenas 2,5 km de largura, para aí cruzá-lo de balsa numa rápida travessia em direção à ilha. Na segunda, pegamos o barco em Punta Arenas mesmo para uma travessia de duas horas e meia até a pequena cidade de Porvenir, o maior povoado no lado chileno na Terra do Fogo.
Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile
Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile
Nossa escolha foi pela segunda opção já que quando formos deixar a Terra do Fogo em alguns dias, vamos seguir por essa rota do norte da ilha. Assim, conhecemos os dois lados dessa que é a maior ilha da América do Sul. Um grande barco para passageiros e veículos faz essa ligação (direto de Punta Arenas) uma vez ao dia, partindo logo após o almoço, embora devamos estar na fila bem antes disso, principalmente aqueles que forem embarcar veículos. Então, hoje de manhã ainda tivemos tempo de um bom café da manhã no nosso hotel, de passearmos um pouco mais pelas ruas centrais da cidade e depois, irmos esperar o embarque para cruzar o famoso Estreito de Magalhães.
Punta Arenas vista do barco que nos levava à Terra do Fogo, no sul do Chile
A Fiona no ferry que nos leva de Punta Arenas à Terra do Fogo, no sul do Chile
Uma grande viagem como esta que estamos fazendo tem vários pontos altos. Por exemplo, o encontro com diferentes culturas ou a chance de ver e estar em paisagens naturais absolutamente deslumbrantes. Para mim, tão ligado em história e geografia, há também um outro tipo de experiência que chega a me emocionar. Estou falando em ver com os próprios olhos lugares que já conhecia desde a adolescência pelos livros do colégio, verdadeiros ícones geográficos ou históricos que agora ganham um sentido muito mais concreto, real, palpável. Navegar pelos rios Amazonas ou São Francisco, caminhar pelas ruínas maias ou incas, deslumbrar-se com paisagens fantásticas como o Grand Canyon ou a tundra canadense, tudo isso me traz de volta antigas páginas de livros que me encantavam na adolescência. A história do mundo ou a geografia da América, agora sim, fazem mais sentido do que nunca fizeram.
O Estreito de Magalhães, ao norte da Terra do Fogo e passando por Punta Arenas, e o Canal de Beagle, ao sul da ilha e passando por Ushuaia, duas das principais ligações entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A Passagem de Drake está mais ao sul
Foi exatamente esse o sentimento que tive ao cruzar hoje o Estreito de Magalhães. Com cerca de 570 km de extensão e apenas 2 km no seu trecho mais estreito, essa passagem natural que liga os dois maiores oceanos da Terra leva o nome de seu descobridor, o português Fernão de Magalhães que, trabalhando para a coroa espanhola, navegou por essas águas há quase cinco séculos, em Novembro de 1520. Esse intrépido navegador chefiava a expedição que foi a primeira a circunavegar o planeta, provando de uma vez por todas que a Terra era redonda. No seu caminho, talvez o maior obstáculo fosse justamente a América, praticamente fechando de norte a sul a passagem dos barcos.
Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile
Barco da travessia Punta Arenas - Terra do Fogo, no sul do Chile
Para as pessoas de hoje, acostumadas desde pequenas a ver mapas, globos e fotografias do espaço, é muito difícil imaginar um mundo em que, simplesmente, não se sabia o que havia do outro lado do mar. Os europeus do séc. XV não tinham ideia da existência do Oceano Pacífico. E olha que estamos falando do maior oceano da Terra! Para descobrir o Pacífico, os europeus tiveram primeiro de descobrir a América e depois, ao perceber que havia um outro oceano do lado de lá, tentavam desesperadamente encontrar uma forma de chegar a esse “novo” mar de barco. Era isso que procurava Fernão de Magalhães, assim como vários outros navegadores de seu tempo. As gigantescas bocas do rio Amazonas e Prata foram exploradas com esse intuito, mas até 1520 a passagem para o Oceano Pacífico continuava a eludir os exploradores.
No ferry entre Punta ARenas e Terra do Fogo, no sul do Chile, reencontro com o ciclista Pedro, que havíamos conhecido na Península Valdes
Foi quando Fernão de Magalhães encontrou sua preciosa passagem secreta. Ao norte, as terras continentais da América; ao sul uma terra desconhecida de onde se via a fumaça de incontáveis fogueiras. Eram os indígenas locais tentando se aquecer e resistir ao clima rigoroso daquele lugar que o navegante português chamou de “Terra da Fumaça”. Foi apenas mais tarde que o nome foi mudado para o muito mais sonoro “Terra do Fogo”. Fernão de Magalhães não sabia que tratava-se apenas de uma ilha. Ele especulou que aquelas terras eram apenas parte de algo muito maior, a mítica “Terra Australis”.
Nosso primeiro dia na Terra do Fogo. Depois de atravessar de ferry de Punta Arenas para Porvenir, seguimos para a pinguinera na Baía Inútil, de lá para Cameron e fomos dormir em Russfin (170 km)
Foi apenas um século mais tarde que navegantes holandeses determinaram que, sim, a Terra do Fogo era somente uma ilha. Aliás, a maior da América do Sul. Com 48 mil km2 de área, ela é só um pouco maior que a segunda na lista, a nossa Ilha de Marajó, com 40 mil km2. Se considerarmos toda a América, a Terra do Fogo fica atrás de Cuba, Hispaniola (Rep. Dominicana + Haiti), Newfoundland, no Canadá e quatro ilhas árticas também pertencentes ao Canadá. Outra curiosidade, é uma das três únicas ilhas do continente compartidas por duas nações, no caso, Argentina e Chile. As outras são Hispaniola e a pequena Saint Martin (França e Holanda). Pouco mais de 60% da ilha, sua parte ocidental, pertence ao Chile, e o restante, a parte oriental, à Argentina. A parte argentina é mais desenvolvida e onde estão os dois principais centros urbanos da Terra do Fogo, a famosa Ushuaia e a menos conhecida Rio Grande.
Estrada ao lado do Estreito de Magalhães, na Terra do Fogo, no sul do Chile
Estrada corta a Terra do Fogo, no sul do Chile
Mas, voltando às águas azuis do Estreito de Magalhães, essa foi a principal passagem entre os dois grandes oceanos até a abertura do canal do Panamá, no início do séc. XX. O outro canal aqui na região que rivaliza em fama com o Estreito de Magalhães é o Canal de Beagle, descoberto e explorado pelo famoso navio em que viajou Charles Darwin em 1830. Aliás, seu nome é uma referência ao próprio nome do navio. Ele passa ao sul da Terra do Fogo, é igualmente estreito, mas bem mais curto, com cerca de 200 km de extensão. As duas maiores cidades da região estão justamente ao longo dessas passagens, Punta Arenas às margens do Estreito de Magalhães e Ushuaia na orla do Canal de Beagle. Por causa do forte vento e também das marés, os navios grandes que cruzam de um oceano a outro aqui pelo sul da América preferem passar por um terceiro caminho, a notória Passagem de Drake, ainda mais ao sul. Apesar de ter sabidamente um dos mares mais violentos do planeta, ao menos aí há bastante espaço para se manobrar sem o perigo de ser jogado contra a costa.
Pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
A Fiona e outro carro expedicionário em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Placa informativa em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Pois bem, bastante coisa para eu pensar, refletir e me emocionar enquanto cruzava as águas do estreito. O barco é bem grande, muitos passageiros e carros, chance para ver TV, comer no restaurante ou ficar ali, no convés, admirando a história e geografia da região. Afinal, são mais de duas horas de viagem. Entre os carros viajando, alguns jipes de expedicionários como nós. E entre os passageiros, uma bela surpresa: o Pedro, o ciclista catarinense que havíamos conhecido na Península Valdes. Que mundo pequeno! Enquanto nós cruzamos para a patagônia andina, voltamos rapidamente para a Ilha do Mel e exploramos os parques nacionais Los Glaciares e Torres del Paine, ele enfrentou o forte vento frontal e lateral e pedalou 1.500 km pela ruta 3 até Punta Arenas. Agora, quis o destino, estávamos no mesmo barco em direção à Terra do Fogo, exatos 30 dias após nosso encontro em Puerto Piramides. Que incrível! São coincidências assim que ainda dão mais brilho às viagens.
Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Observando pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Já quase no meio da tarde, completamos nossa travessia e chegamos à pequena Porvenir. Com apenas 5 mil habitantes, a maioria deles descendentes de croatas e chilotas, é a maior cidade chilena na ilha. A cidade é fruto da corrida do ouro que ocorreu aqui no final do séc. XIX, atraindo imigrantes de longe. “Chilota” é o nome que se dá aos habitantes da ilha chilena de Chiloé (ainda vamos lá!), perto de Puerto Montt, 1.000 km ao sul de Santiago. Já os croatas, eram imigrantes que já haviam chegado a Buenos Aires quando as notícias do ouro chegaram à capital portenha. Eles, que já haviam vindo do outro lado do oceano, resolveram “esticar” mais um pouco. Quando o ouro acabou, muitos imigrantes partiram, mas alguns poucos se estabeleceram por aqui mesmo, principalmente nas fazendas de ovelhas.
Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Foram essas duas atividades econômicas, o ouro e a exploração da lã, que enfim trouxeram colonizadores para essa região esquecida da América. Aqueles indígenas observados por Fernão de Magalhães em 1520 puderam passar outros três séculos em suas terras originais, vivendo como viveram seus antepassados e sem terem a concorrência do homem branco. A única tentativa de ocupação ocorreu em 1580 no povoado de Rey Felipe, do outro lado do canal, mas foi malsucedida. Em 1830 o Beagle passou por aqui e recolheu quatro indígenas que foram levados para a Europa, onde se encontraram com o rei da Inglaterra e viraram celebridades. Três deles retornaram na viagem seguinte do Beagle. Foram suas últimas décadas felizes. No final do século, com a chegada dos imigrantes, os nativos foram perseguidos e massacrados, em mais uma daquelas trágicas histórias de encontro de civilizações. Vou falar mais disso em algum próximo post...
Caminhando em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Riona costa da Terra do Fogo, no sul do Chile
Quando desembarcamos em Porvenir, pegamos logo a estrada de rípio (asfalto, só na parte argentina) rumo à nossa primeira atração: uma pinguinera. Não é uma pinguinera “qualquer”, parecida com tantas outras que existem perto de Punta Arenas ou na costa sul da Argentina. Essa é uma pinguinera de pinguins rei, aqueles com manchas amarelas que vimos tanto na Geórgia do Sul. Eles quase não são vistos tão perto da América do Sul, em lugares mais facilmente acessíveis. A gente estava curioso por revê-los e também por vê-los pela primeira vez em um ambiente tão diferente. Aqui, ao contrário do gelo e das rochas que preponderavam no ambiente da Geórgia do Sul, há uma grama alta, quase uma relva, além de um riacho de água doce.
Turistas observam pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Nosso reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
A pinguinera fica na Bahia Inutil, nome dado no séc. XIX por um navegador inglês. Ele reclamou que ela não servia nem para ancorar um navio e nem como abrigo para tempestades. Enfim, uma baía inútil e o nome pegou. Os pinguins rei não concordam com ele e frequentam a área há milhares de anos. A prova disso são os fósseis. Não só dos pinguins, mas também de antigos habitantes indígenas que gostavam de comer os pinguins como sobremesa e que chegaram aqui há pelo menos 6 mil anos. O prato principal eram os guanacos, também muito comuns na Terra do Fogo. Com o desaparecimento desses indígenas no século passado, a preocupação dos pinguins passou a ser outra. Até o início da década de 90, era comum que visitantes os “raptassem” para levá-los para outros países. Com a criação do parque, eles estão, enfim, protegidos. Para nós, que vimos colônias com 200 mil casais dessas belas aves, ver algumas dezenas delas foi apenas “curioso”. Principalmente porque estavam no meio do verde e não do branco. Mas para quem vem aqui (a maioria das pessoas) e os vê pela primeira vez, o impacto é muito maior. Pudemos perceber isso bem nos semblantes das outras poucas pessoas que estavam visitando o parque, um casal de expedicionários e dois chilenos.
Fim de tarde em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Fim de tarde em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Nós ficamos até a hora em que a luz ficou bem legal para fotografar. Ou seja, quase nove da noite. Depois, saímos em disparada, pois ainda precisávamos encontrar lugar para dormir, coisa bem rara nessa metade ocidental da Terra do Fogo. Como disse, as estradas são todas de rípio e a paisagem lembra muito a das estepes patagônicas. Lindo e grandioso, mas já quase não tínhamos luz para fotografar. Passamos por uma árvore completamente torta pelo vento (que reina absoluto nessas planícies intermináveis), um dos cartões postais da Terra do Fogo chilena, mas a pressa para chegar a algum lugar era tão grande que nem nos detivemos para fotografá-la. A foto que aparece nesse post é dos nossos amigos Tina e Marco, os suiços que repartiram o contêiner conosco na travessia da América Central para a Colômbia. Eles passaram por esse mesmo lugar alguns poucos dias depois de nós. Nesse caso, o destino não quis que nos reencontrássemos...
Uma das casas de Cameron, pequeno povoado na Terra do Fogo, no sul do Chile
A famosa árvore torta pelo vento, um dos símbolos da Terra do Fogo, no sul do Chile. Quando passamos por aí, já não havia luz. Essa foto foi tirada dias depois pelos nossos amigos suiços, Marco e Tina
Enfim, seguimos até Cameron, a segunda maior cidade chilena da ilha, com não mais que uma centena de habitantes. Mas não havia hospedaria. Seguimos então para o vasto interior da Terra do Fogo, dezenas de quilômetros sem encontrar alma viva, pelo mesmo alma humana. Mesmo com a preocupação de encontrar lugar para dormir antes que a noite chegasse, a sensação de liberdade de estar naquele lugar tão isolado era incrível. E assim, distraídos com esse deleite de comunhão com a natureza, eis que chegamos a Russfin, uma fazenda transformada em pousada. No meio do nada. Não poderíamos esperar coisa melhor! Ainda descolamos um jantar e uma enriquecedora conversa com pescadores de mosca chilenos, os únicos outros hóspedes do local. Absolutamente sensacional! A Terra do Fogo nos acolhia de forma inesquecível na nossa primeira noite por aqui!
Feli com a beleza do fim de tarde em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile
Pôr-do-sol no Pico do Gavião em Andradas - MG
Minas é conhecida por suas montanhas. Algumas cidades mais do que outras. Poços de Caldas é uma dessas. Quando a gente vem chegando do lado de São Paulo, atravessando longas planícies cultivadas e as montanhas aparecem ao fundo quebrando a monotonia do horizonte, é sinal que Minas e Poços estão chegando. Basta cruzar a última cidade em S. Paulo, Águas da Prata que a estrada começa a subir, ganhar altitude. O ar fica mais fresco, puro. É o ar de montanha, que tanto bem faz aos pulmões e à alma.
Vista da Casa da Serra em Poços de Caldas - MG
Pois bem, dá para ver que como bom mineiro eu gosto de montanhas, do meu estado natal e da cidade dos meus avós. E hoje, junto com irmãos, sobrinhos, primo e a amada esposa, fomos às montanhas. Primeiro, à belíssima Casa da Serra, do Tonho e da Tia Graça. Do outro lado da Cristo, com uma incrível vista para o lado de lá. Típíca paisagem mineira, morros e vales a perder de vista. Melhor ainda, tudo isso do conforto da sauna, piscina ou varanda.
Pedra Balão em Poços de Caldas - MG
Em seguida fomos a uma das principais atrações turísticas da cidade, uma espécie de Stonehenge mineira, a Pedra Balão. Nas memórias da infância, parecia algo gigantesco. Hoje já não parece tão grande, aos olhos de um adulto mais "blazê", mas nem por isso menos interessante.
Pico do Gavião em Andradas - MG
Por fim, o ponto alto do dia, a curta viagem até a pequena cidade vizinha de Andradas e ao Pico do Gavião, um dos principais points brasileiros de saltos de asa delta e paraglider. Quarenta anos frequentando Poços de Caldas e eu nunca tinha estado lá. Uma vergonha, principalmente depois de ter estado lá hoje e conhecido esse lugar matavilhoso. De Andradas, são 10 km de asfalto subindo o morro e mais 13 km de estrada de terra, subindo e serpenteando por mais morros. A chegada é um prêmio: visão de 360 graus, do alto dos seus 1.650 metros. O final de tarde e o belo pôr-do-sol tornou tudo ainda mais bonito.
Sobrinhos fazendo a festa na Fiona no Pico do Gavião, em Andradas - MG
Além da beleza do programa, ainda tive o prazer de uma longa conversa e convivência com os jovens sobrinhos que ficavam disputando o banco da frente da Fiona. A Ana seguiu no carro do Guto e eu vim com a molecada, falando de Einstein a Federer, de Toyota à Coca-Cola, de Sumatra à Groelândia.
Pôr-do-sol no Pico do Gavião em Andradas - MG
Chega de papo e aproveitem as fotos...
Ana com as cunhadas Sossa e Lalau no Pico do Gavião - MG
Rodrigo, Chico e Guto e Lalau no Pico do Gavião em Andradas - MG
Lalau, João e Antônio no Pico do Gavião em Andradas - MG
Guto, Sossa e Lulu no Pico do Gavião em Andradas - MG
Pico do Gavião em Andradas - MG
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