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Alexandre Polar (02/10)
Olá. Gosto muito deste blog. O Pico do Itambé perde em altitude para do...
Pousada na Garopaba (08/09)
Garopaba é linda, tem aquela igreja bem antiga, os barcos dos pescadores...
Pousada na Praia do Rosa (08/09)
Pousadas Praia do Rosa (08/09)
A Praia do Rosa é um lugar interessante, bonito, cheias de trilhas...
Pousadas Praia do Rosa (08/09)
A Praia do Rosa é um lugar interessante, bonito, cheias de trilhas...
Fim de linha após descer no Sarcófago, no Beach Park, em Fortaleza - CE
Consegui resistir das outras vezes que estive em Fortaleza, mas desta vez a criança dentro de mim falou mais alto. "Vamos ao Beach Park!" - ela gritava sem parar. Aparentemente, a criança dentro da Ana fazia o mesmo. Aí... já viu, né?
Tobogãs do Beach Park vistos do alto da torre do Insano, em Fortaleza - CE
O dia chuvoso era a promessa que o parque não estaria tão abarrotado. Mas, ao chegarmos lá, vinte e poucos quilômetros ao sul da cidade, demos de cara com o esatcionamento de ônibus. Xiiiiii... dezenas deles! O estacionamento de carros estava mais animador. A resposta final só veio ao entrar no parque: realmente, não estava cheio. Oba!!!
Tobogã com o nome de Sarcófago, no Beach Park, em Fortaleza - CE
Cento e vinte reais mais tarde (cada um!), já estávamos lá dentro, olhando admirados os tobogãs gigantescos. Enquanto a Ana estreava o pré-pago novo justamente com o pai na loja da TIM em Curitiba para conseguir o nosso chip do pós-pago de volta, eu já corria escadaria acima para descer meu primeiro tobogã, chamado de Sarcófago. A gente despenca dentro de um túnel, não vê mais nada, coração na boca e, de repente, splash!, estamos na piscina lá embaixo! Uma delícia!
Tobogãs do Beach Park vistos do alto da torre do Insano, em Fortaleza - CE
Daí para frente, pelas próximas horas, ficamos nos divertindo pelos diversos tobogãs do parque, enfrentando pequenas filas próprias de um dia chuvoso. Apesar do risco das atrações serem fechadas se a chuva aumentasse, o que não ocorreu, acho que é muito melhor do que ir num dia ensolarado e ter de competir com outras centenas de pessoas a cada vez que for descer algum tobogã.
Despencando do Insano, tobogã com 41 metros de altura, no Beach Park, em Fortaleza - CE
Despencando do Insano, tobogã com 41 metros de altura, no Beach Park, em Fortaleza - CE
Sem dúvida, a maior (literalmente) atração é o Insano, tobogã com mais de 40 metros de altura onde se atinge uma velocidade de mais de 100 km/hora. Incrível! Insano! A gente chega que nem uma bala lá em baixo. E ainda tem a vantagem de ficar fazendo exercício para subir as escadas até lá no alto.
Fim do Insano: mergulho na piscina, no Beach Park, em Fortaleza - CE
Feliz da vida, depois de ter passado pelo Insano, no Beach Park, em Fortaleza - CE
Com tantos tobogãs e uma vontade de criança reprimida há mais de vinte anos, nem sobrou tempo para dar um pulo na praia, considerada a melhor de Fortaleza. Preferimos ficar até o último minuto nas atrações do parque. Se bem que, ao final da tarde, a idade já estava falando mais alto, sob a forma de dor nas costas e torcicolos. Um custo pequeno para a diversão que se tem por ali. Realmente, o único perigo são as filas, que hoje não atrapalharam.
Praia no Beach Park, em Fortaleza - CE
Voltamos satisfeitos para casa, dever de turista cumprido, todos os ossos quase no lugar e pensamento completamente focado em apenas uma coisa: o jantar, gentil presente de nossos padrinhos. Mas isso é assunto para o próximo post...
Beach Park, em Fortaleza - CE
Visita à Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Uma coisa que sempre gosto de visitar em outros países são as universidades. Fujo um das hordas de turistas e me aproximo um pouco mais da vida local, das pessoas que realmente vivem por ali. O mesmo raciocínio vale para os mercados. Só que nesses a gente vê mais o povão, enquanto nas primeiras, a tendência é ver aqueles que formaram a elite do país, artística, econômica ou política.
Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, estão algumas das mais famosas universidades do mundo. A gente já tinha ido à Princeton e à Harvard, na costa leste, e aqui escolhemos dar uma passada em Berkeley. A universidade tem a fama de ser um dos centros mais liberais do país. Se a Califórnia já é tradicionalmente democrata, Berkeley seria a ala “xiita” do partido. Foi aqui que o movimento hippie teve mais força, onde protestos anti-guerra mais acontecem, onde a preocupação com um mundo verde é maior.
Uma das muitas bibliotecas da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Só que, com a dificuldade de sair de San Francisco pela manhã e ainda querendo chegar ao Napa Valley no final da tarde, não sobrou muito tempo para vivenciarmos esse ícone da contra-cultura. Além disso, hoje é véspera do feriado de Thanksgiving e o campus não estava muito movimentado. Dos estudantes que ali encontramos, boa parte era chinesa. Será que são os únicos que se dispõe a continuar estudando no feriado?
A lua flutua sobre a torre do relógio, na Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Antes de entrar no campus, caminhamos pelas ruas ao redor, procurando um lugar para almoçar. Conforme imaginávamos, o que não faltava era lugar de comida natureba. Dezenas deles. Hoje, bem vazios, mas imagino que os mais de 30 mil estudantes da universidade formem uma freguesia constante! Depois, um passeio pelo campus cheio de áreas verdes e prédios tradicionais, como o da biblioteca e a torre centenária. Sempre gosto de me imaginar estudando nas universidades que visito, chegando de bicicleta, cumprimentando pessoas, preocupado com alguma prova, ansioso por alguma festa. Não foi diferente por aqui. Enfim, uma tarde rápida e gostosa, pensamentos ao léu. Mas o dever chama e, no nosso caso, o dever se chama “estrada”, Rumo ao próximo destino, ainda mais inspirador: o Napa Valley, a mais famosa região vinícola desse hemisfério.
Caminhando pelo campus da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Falando em inspiração, foi o que sentimos quando chegamos de volta à Fiona, estacionada em frente à Universidade. Pela terceira vez nessa viagem, demos de cara com um bilhete escrito e deixado ali, no vidro do carro. São pessoas que, ao se deparar com o carro, ficam interessadas, acessam o site e, inspiradas, nos deixam alguma mensagem. E aí, quem fica ainda mais inspirado somos nós! Muito obrigado a esse mais novo inspirador, diretamente da queridíssima Costa Rica, país para o qual retornaremos em breve!
Bilhete deixado no vidro da Fiona, enquanto passeávamos pelo campus de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
O maior iate do mundo, do bilionário russo dono do Chelsea, ancorado em St. Barth - Caribe
Ainda no porto de Saint Martin, cumprindo as burocracias para o embarque em direção à Saint Barth, ouvimos o familiar idioma português à nossa volta. Era algo que já não acontecia há um bom tempo! Pois é, um grupo de brasileiros seguia viagem no mesmo barco que a gente, guiados pelo simpático Koy, um catarinense surfista e velejador há muito radicado por aqui.
A cor da água em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
Ele foi uma ótima companhia de viagem, no deck superior do barco onde a Ana lutou bravamente contra o enjôo de mar. Essa viagem é notória em deixar as pessoas enjoadas já que balança bastante. Voltando ao Koy, ele já está aqui há uns vinte anos e nos deu muitas informações sobre as ilhas da região. Ele nos confirmou que o número de brasileiros viajando para cá vem aumentando bastante. Ele mora do lado holandês e quando voltarmos para lá, depois nosso tour pelas várias ilhas daqui, vamos procurá-lo.
A marina de Gustavia, vista do nosso hotel (St. Barth - Caribe)
Chegando em St. Barth, ele já foi logo nos mostrando alguns "barquinhos". Entre eles, o maior e mais caro iate do mundo, do bilionário russo dono do Chelsea, o Abramovich. Iate com mais de 100 metros de comprimento, custo de 1,2 bi de dólares. Tripulação de 80 pessoas, gasto mensal de combustível de 2 milhões de dólares. Tudo coisinha bem simples... E pensar que o cara só é três anos mais velho do que eu... Bem, perto dele, não sou só eu o pobre, não. Ali do lado, bem pequenininho, também estava o barco do Nelson Piquet. Ao lado do Abramovich, pobre de doer, hehehe
O Grand Cul-de-Sac, em St. Barth - Caribe
Nosso carro em St. Barth - Caribe
St. Barth é um refúgio dos ricos e famosos. O primeiro a chegar foi o Rockfeller, ainda na década de 50. Depois dele, não pararam mais. A quantidade de iates na marina realmente impressiona. Faz até parecer uma coisa normal, ter um iate de 30-40 metros. Bem em frente a esta marina estava o nosso hotel, o Sunset. Conseguimos pegar o último quarto disponível, o que nos deixou tranquilos para poder passar o dia e a noite explorando a ilha.
Típica estrada e visual em St. Barth - Caribe
St Barth foi inicialmente colonizada pelos franceses. Mas o solo e relevo da ilha não eram muito propícios às plantations e, por isso, ela nunca foi muito para frente, não. Tanto que, no final do séc. XVIII o rei francês decidiu dá-la de presente ao rei da Suécia. Pois é... vivendo e aprendendo, colonização sueca aqui no Caribe! Para combinar com os dinamarqueses nas Ilhas Virgens e os Courlanders em Tobago. Um Caribe bem loirinho... Os suecos ficaram por aqui por cem anos, trabalhando duro, ou fazendo seus escravos trabalharem duro. Mas, ao final, após um furação devastador e um grande incêndio, resolveram devolver o presente à França. Mas as suas marcas ficaram, na arquitetura e até no simpático nome da capital da ilha, Gustavia.
Chegando à praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe
Outra coisa que diferencia St. Barth das outras ilhas caribenhas é a pequena população de afrodescendentes. Com o fim da escravião e a ausência de plantations na ilha, faltou emprego por aqui e os negros libertos não tiveram outra chance senão imigrar para as ilhas vizinhas. O resultado é que a ilha, hoje, é a mais européia do Caribe.
Refrescando-se na praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe
Eu e a Ana alugamos logo um carro para dar a volta na ilha e conhecer suas praias. O mar é belíssimo, aquela cor de piscina que começamos a nos acostumar novamente. Como a ilha é bem pequena, não demorou muito para que déssemos a volta, subindo e descendo morros na estreita estrada que dá a volta em St. Barth. Paramos em duas das praias mais bonitas: a Grande Saline e a Anse du Gouverneur. A diferença com Anguilla é que aqui o mar é agitado, formando até ondas. Mesmo assim, a cor é azul. Impressionate!
Maravilhosa praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe
"Bordeauzinho" básico na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
No final da tarde, de volta à Gustavia, fomos à praia da cidade, a Shell Beach. Lá está um bar que atende pelo singelo nome de "Do Brazil" e é uma das atrações de St. Barth. No menu, tem até muqueca"! Preços exorbitantes, mas um ótimo lugar para se passar o final de um dia. Para não passar em branco, tomamos um vinhozinho básico. Nacional, claro! Aliás, isso é a única coisa barata por aqui: queijos e vinhos da melhor qualidade. Dá para fazer a festa, num supermercado. Vinhos muito bons por 4-5 euros. Uma tentação!
O famoso bar "Do Brazil" na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
Saímos de lá correndo para ainda pegar o pôr-do-sol no alto do farol de Gustavia. Aqui se diz que são os mais belos pores-do-sol do Caribe. E não sou eu que vou duvidar! Ainda mais depois do espetáculo que foi o de hoje.
Vista de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
De noite, fomos comer na Creperia. Conselho do Koy, para fugir dos altos preços da ilha. Aqui, qualquer prato simples pode custar vinte, trinta euros. Os mais refinados, então, nem se fala... Depois, fomos tomar uma cerveja num dos mais famosos bares de todo o caribe, o Le Select. Bar de marinheiro! Fez 60 anos em 2009 e por ele já passaram os mais famosos marinheiros e velejadores dessas águas. Foi muito legal! Tem aparência de bar de filme de pirata.
Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe
O esquema do carro foi tão bom que resolvemos ficar mais um dia com ele. Sem carro (ou barco) por aqui, não se faz nada. Transporte público, nem pensar. Amanhã, nos planos, tem até uma caminhada até uma praia isolada. E, no final de tarde, de volta para St. Martin. Mesmo antes de irmos embora, já estamos com saudades. Não é á tôa que esses bilionários todos vem para cá...
Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe
Ponte Hercilio Luz, antiga ligação da ilha com o continente, em Florianópolis, Santa Catarina
Todas as outras diversas vezes que eu e a Ana estivemos em Florianópolis antes dos 1000dias, sempre ficamos hospedados longe do centro da cidade. Seja em Canasvieiras, Barra da Lagoa, Campeche ou Matadeiro, nossa relação com a Av. Beira-mar ou com a região central era de passagem. Passávamos por lá quando chegávamos à ilha e passávamos por lá quando deixávamos a ilha. Quando muito, algum bar ou balada na Beira-mar, já há muito tempo. Florianópolis, para nós, era suas praias e distritos.
Visitando Florianópolis, a capital de Santa Catarina
Avenida Beira-mar norte, em Florianópolis, Santa Catarina
Mas dessa vez foi diferente. Nós ficamos hospedados no apartamento do tio Walter, a um quarteirão da Av. Beira-mar norte. Fazíamos compras na padaria da esquina, caminhávamos até uma simpática pracinha mais adiante para ir ao banco ou ao correio, esticávamos nossas pernas na pista de corridas da avenida, aproveitando a vista grandiosa e fechando as narinas para o cheiro horrível que existe em alguns pontos por ali.
Observando o estreito de mar que separa a ilha do continente, em Florianópolis, Santa Catarina
Pescador no mar tranquilo em frente a Av. Beira-mar norte, em Florianópolis, Santa Catarina
Aliás, correr na avenida se tornou quase uma rotina para mim. Na direção sul, seguia até o ponto onde se pode admirar a ponte Hercílio Luz em todo o seu esplendor. Para o norte, “corria” pelo sistema solar. Como assim? Alguém teve a ótima ideia de espalhar pela avenida placas informativas sobre cada um dos planetas do nosso sistema solar. O interessante é que as placas foram colocadas respeitando proporcionalmente a distância desses planetas ao sol. Na escala da Av. Beira-mar Norte, cada 1 milhão de quilômetros na vastidão do espaço cósmico representa apenas um mísero metro. Assim, a partir da placa representando o sol, são apenas 57 metros até Mercúrio, o primeiro planeta, outros 51 metros até Vênus e mais 41 metros para chegar até a nossa Terra.
Pista de ciclismo e de corrida na Av. Beira-mar norte, em Florianópolis, Santa Catarina
Correndo em um dos cartões postais de Florianópolis
Marte está pertinho daí, mais uma corridinha de 77 metros. Desse jeito, parece que o sistema solar vai acabar rapidinho. Ledo engano! É agora que as distâncias começam a aumentar. Para Júpiter, são mais 550 metros e, a partir daí, outros 650 metros até Saturno. Quanto mais nos afastamos do sol, mais vazio fica nosso sistema solar. Do sol a Saturno, eu já havia corrido quase 1,5 quilômetros. Para chegar a Netuno, passando por Urano, foram 4,5 quilômetros! Ainda estiquei mais um pouco, mas acabei desistindo de Plutão. Afinal, nem mais planeta de verdade ele é. Considerando o caminho de volta, foram 10 quilômetros de passeio pelo cosmo! 1000dias pelo Sistema Solar, é meu sonho! Quem sabe, daqui a umas duas encarnações... Só por curiosidade, se eu quisesse “correr” até a estrela mais próxima do sol, mesmo nessa escala da Av. Beira-mar onde Plutão está a 5,9 km de distância, eu teria de correr 40 mil km (uma volta inteira na Terra!) para chegar à Proxima Centauri. Desanimador!
Passando pelo planeta Marte na Avenida Beira-mar Norte, em Florianópolis, capital de Santa Catarina (foto da internet)
Passando pelo planeta Urano na Avenida Beira-mar Norte, em Florianópolis, capital de Santa Catarina (foto da internet)
Mas, deixando de lado o sistema solar e voltando a Terra e a Florianópolis, foi nessas corridinhas, mas para a direção sul, que tivemos a melhor visão da ponte ícone da cidade, a Hercílio Luz. Talvez o cartão postal mais conhecido da cidade (a disputa com a Lagoa da Conceição é duríssima!), essa ponte foi construída na década de 20 por obra e graça do antigo governador que acabou por dar nome à obra. Já está desativada há 3 décadas, mas continua em pé e é o símbolo dessa cidade.
Mapa mostrando a ponte Hercílio Luz e a Avenida Beira-mar norte, com a localização das placas informativas sobre cada planeta do nosso sistema solar (em Florianópolis, capital de Santa Catarina)
Até a sua construção, a ligação com o continente era feita por balsas, num serviço de péssima qualidade que atazanava a vida dos moradores de Florianópolis. Essa dificuldade de acesso era um dos principais argumentos daqueles que queriam que Florianópolis perdesse o posto de capital do estado. Mas o governador Hercílio Luz teimava e não queria mudar de endereço. Sua cartada final foi contratar com uma empresa americana, a preço de ouro, a construção da ponte. O valor da obra equivalia a dois orçamentos anuais da cidade de 40 mil habitantes. Foram quase quatro anos de muitas brigas políticas, bancos que quebraram, rediscussões de dívidas e valores, até que a ponte de 820 metros de comprimento e 75 metros de altura (trinta deles sobre o nível do mar) ficasse pronta.
Mirante de observação da ponte Hercilio Luz, em Florianópolis, Santa Catarina
A ponte que liga Florianópolis ao continente e ao interior do estado de Santa Catarina
O governador não viveu para ver terminada a sua obra. Foi homenageado com o nome da ponte. Originalmente, o nome seria Ponte Independência, tal era o sofrimento e sentimento de impotência que se tinha com o serviço de balsas. Com o crescimento da cidade e o aumento explosivo do tráfego, a ponte começou a apresentar o perigo de desabamento. No início da década de 80 foi construída uma ponte muito mais moderna e segura (embora bem menos charmosa!), aposentando a Hercílio Luz, para alívio dos moradores. Mas a sua imagem já estava de tal modo incorporada à alma da cidade que ninguém pensou em destruí-la. Ao contrário, existe sim um projeto de reformá-la e torná-la apta ao trânsito novamente. Como tudo no Brasil, essas obras atrasaram, o preço aumentou e, por enquanto, a Hercílio Luz continua apenas servindo para fotos. Mas para quem tem de cruzar da ilha para o continente todos os dias e perde horas valiosas nos congestionamentos diários, a reinauguração da Hercílio Luz até mereceria o ato de “renomeá-la” com o nome original: Independência.
Vista do mirante de observação, a famosa ponte Hercilio Luz, que liga Florianópolis ao continente, em Santa Catarina
Magnífico pôr-do-sol sobre o Pacífico na praia de Santa Tereza, ponta sul da península de Nicoya, na Costa Rica
Deixamos San José para trás num tranquilo sábado sem trânsito, a cidade em compasso de espera para o Festival da Luz, desfile de trios elétricos pelo centro da capital no início da tarde. Preferimos aproveitar o sol na praia do que na avenida lotada!
Praia em Puntarenas, a caminho do ferry para a península de Nicoya e a praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Finalmente, uma estrada bem asfaltada no nosso caminho para Puntarenas, de onde partem os ferries para a Península de Nicoya, no norte do litoral Pacífico do país. Lá estão localizadas algumas das mais belas e badaladas praias do país, entre elas a famosa "Tamarindo". Apesar do simpático nome, não era atrás de badalação e glamour que estávamos indo, mas de praias mais isoladas e tranquilas. Nicoya tem de tudo, para todos os gostos!
Bombeiros apagam incêndio pouco antes do ferry para a península de Nicoya, no litoral Pacífico da Costa Rica
Infeliz coincidência, mas uma vez num espaço de 10 dias, nosso caminho foi interrompido por um congestionamento causado por um incêndio. O outro tinha sido na região de Boquete, no Panamá. Hoje, foi a poucos quilômetros do ferry em Puntarenas. Ao contrário do Panamá, aqui não tinha caminho alternativo e o remédio foi esperar mesmo os bombeiros darem conta do recado. Finalmente, com muita paciência, chegamos ao ferry, o maior da América Central e demos adeus à Puntarenas. Em algum dia em 12 ou 13 meses, esperamos chegar à sua homônima mais famosa, no extremo sul do continente, lá na pontinha do Chile.
Cruzando de ferryboat o golfo de Nicoya, no litoral Pacífico da Costa Rica
Uma hora para atravessar as águas tranquilas do golfo de Nicoya e chegar à península de mesmo nome. Ali, seguimos para a ponta sul da península, já na face virada para pleno Oceano Pacífico. O nosso objetivo eram as praias de Mal País e Santa Teresa, protegidas ainda por um trecho de estrada de terra que inibe uma invasão turística e imobiliária mais acentuada. Evidentemente não inibe a Fiona e chegamos por aqui logo depois das quatro da tarde.
Golfo de Nicoya, no litoral Pacífico da Costa Rica
Uma vila totalmente surf town, apenas uma rua principal, de terra, paralela ao mar, ladeada de pequenos hotéis, mercados, restaurantes e quitandas. Pessoas andando de bermuda, chinelo, sem camisa e muitos com sua prancha à tiracolo. Exatamente o que procurávamos!
Fim de tarde na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Percorrendo a tal rua na direção de Santa Teresa, dando preferência aos poucos hotéis que ficavam do lado do mar, um deles logo nos chamou a atenção. Bandeira do Brasil e com o nome de Ranchos Itaúna! Fomos entrando e o clima era incrivelmente parecido com a nossa querida Ilha do Mel, onde casamos. Era aqui que queríamos ficar!
A bela pousada Ranchos Itaúna, na Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica. É a cara da Ilha do Mel!!!
Os donos são um casal, austríaco com brasileira, a carioca Fátima. A primeira notícia é que não havia lugar, mas um pouco mais tarde, apareceu um quarto "coletivo". Na verdade, um belo quartão cheio de janelas com um beliche e uma cama de casal e banheiro privativo. Teríamos de dividi-lo com a simpática alemã Catarina, em temporada por aqui para aprender a surfar. Fechadíssimo!
Belíssimo pôr-do-sol na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Antes de nos instalarmos no quarto, a gente se instalou foi no lounge a céu aberto bem em frente ao mar onde um verdadeiro espetáculo estava apenas começando: o pôr-do-sol sobre o Pacífico. Foi absolutamente maravilhoso, com direito a acompanhamento de legítimas caipirinhas e muito boa música. As melhores boas-vindas que poderíamos ter tido. Tanto que já resolvemos passar mais um dia inteiro por aqui para, na segunda-feira, seguirmos para o rio Celeste e a Nicarágua.
De camarote, assistindo o pôr-do-sol na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Noite de lua cheia, é claro que houve um lual hoje. Lá fomos nós, caminhada pela praia totalmente clara pelo luar. Na festa, repleta de surfistas e outros bem-aventurados de vários países do mundo (inclusive da Costa Rica!), encontramos dois gaúhos, um surfista e o outro aprendendo esta arte por aqui. Gente boníssima, o Luís nos convidou para surfar amanhã e assim, já temos um compromisso. A nossa festa se prolongou até às três da manhã, bem do jeito que a Ana gosta. O duro vai ser chegar às 10h na praia para nossa aula de surf...
Celebrando o espetáculo do fim de tarde na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica, península de Nicoya
Fim de tarde no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
O caminho mais curto de Petrolina para o sul do Piauí, nosso próximo objetivo, é pela BR que liga a cidade diretamente à São Raimundo Nonato, pelo norte da Bahia, bem ao lado da represa de Sobradinho. Mas esta estrada está em péssimas condições e nós optamos por um caminho mais longo, mas mais rápido, considerando as condições. Fomos para o norte e depois da cidade de Afrânio, pegamos uma estrada nova em direção à São joão do Piauí e de lá para o sul, até São Raimundo. Essa dica foi dada pelo Luís, internauta e amante de viagens que nos acompanha. Foi uma ótima dica! Valeu Luís!
Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí
Quando a gente cruza a fronteira de Pernambuco e Piauí e vê a placa, é aí que a ficha cai e temos certeza: "Estamos longe de casa!"
Paisagem do Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Foram uns 400 km de Petrolina à São Raimundo e mais uns 100 km até a pequena Caracol, a cidade mais próxima do Parque Nacional da Serra das Confusões. Saímos bem cedo e chegamos na hora do almoço para ainda tentar aproveitar metade do dia no parque. Tentamos localizar o guia indicado pelo Luís, mas ele estava acamado. Em seu lugar, ficamos com o seu filho, o Naldo. Era pouco depois das duas quando estávamos os três no carro, para nossa felicidade, rumo a este parque tão pouco conhecido no país.
Fiona enfrenta as duras estradas do Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Fomos direto para a principal atração do parque, o Riacho do Boi. A Fiona nos levou através de uma estrada escavada na pedra onde apenas carros altos conseguem descer e apenas carros tracionados e altos conseguem subir de volta. No primeiro mirante, uma visão magnífica da paisagem do parque. Para nós, que vínhamos de centenas de quilômetros de caatinga e planícies, essa visão foi mágica! Montanhas de pedra brotando no meio da vegetação e daquele mar de caatinga que a gente vê lá de cima. Com o pouco de chuva do mês passado a caatinga está verdinha, bem diferente daquela imagem que vemos na TV.
Chegando ao Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
No meio da descida escabrosa, deixamos a Fiona estacionada e fomos caminhando por entre os grandes rochedos até chegar no alto de um canyon. Com a ajuda de uma escada descemos até a base e fomos explorar esse estranho canyon formado por algum processo geológico. Ele corre estreito entre duas enormes rochas que se encostam uma na outra, às vezes formando cavernas e tocas. Uma visão de outro mundo!
canyon do Riacho do Boi, no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Só uma coisa falta naquela paisagem: água! Ela já esteve lá, de forma perene, há 10 mil anos. Agora, só depois das grandes chuvas, duas ou três vezes por anos, durante alguns dias. Mal acostumados que ficamos com a Chapada Diamantina, cheia de água, precisamos agora nos acostumar à essa nova realidade, a do Sertão.
Com o Naldo no canyon do Riacho do Boi, no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
O Naldo até nos levou a um Olho d'água que ele acha lindo. Para nós, depois das grandes cachoeiras, é no máximo um ponto curioso. Mas, com o calor piauiense, até animei a um rápido mergulho.
Olho d'água no Riacho do Boi, no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Depois, voltamos ao alto do canyon e àquela paisagem lunar. Ali tivemos um um fim de tarde esplendoroso, com aquele céu enorme, típico do sertão. Com a marcha reduzida engatada, a Fiona nos levou tranquilamente para o alto da descida escabrosa e nós voltamos felizes para Caracol, já conhecedores da Serra das Confusões e prontos para um novo passeio, desta vez mais longo, amanhã.
Fim de tarde no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Capivaras vivem às milhares no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Os “llanos” são uma grande planície no sudoeste da Venezuela que é alagada sazonalmente durante as cheias do rio Orinoco e de seus principais afluentes. É uma área de fauna abundante, com centenas de espécies de pássaros, répteis e mamíferos que se aproveitam da rica vegetação que se renova a cada ano. Qualquer semelhança com o nosso Pantanal não é mera coincidência, já que os ecossistemas são extremamente parecidos.
Chegando às planícies alagadas da região dos llanos, na Venezuela
A criação de gado é muito comum na região dos llanos, na Venezuela
Aliás, exatamente como o nosso Pantanal, a região se especializou na criação de gado, que também se adapta bem a esse tipo de terreno. Mas o potencial dessa incrível beleza da paisagem e, principalmente da fauna, não passaram desapercebidas dos fazendeiros locais e, na década de 90, popularizou-se o turismo em fazendas para se vivenciar um pouco dessa natureza exuberante.
Época de florada na região dos llanos, na Venezuela
Uma infinidade de espécies de aves vive na região dos llanos, na Venezuela
As grandes fazendas na região são conhecidas por “Hatos” e vários desses hatos se transformaram em destinos turísticos procurados por viajantes de todo o mundo que vinham para cá para passar vários dias. Pagavam em dólares por pacotes completos que incluíam todas as refeições, a estadia e os passeios em jipes e barcos. A mais famosa e tradicional dessas fazendas era o Hato Piñero e nós, viajando ainda com o livro-guia que tínhamos comprado para nossa viagem de 2007, tínhamos escolhido ela para conhecer os llanos. Mas o livro estava desatualizado...
Época de florada na região dos llanos, na Venezuela
Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Além de empreendimentos turísticos, esses hatos também eram grandes fazendas produtoras. Todo o setor passou por uma profunda crise nesses últimos cinco anos de regime chavista. Seja por oposição ao governo, seja pela dificuldade em produzir em um país com regras, preços e câmbio instáveis e desfavoráveis, principalmente porque todos os insumos são importados, a produção de alimentos declinou bastante. O setor passou a ser o novo alvo do presidente, que ameaçou com a nacionalização das terras, promessa que realmente cumpriu. Uma a um, todos os hatos foram expropriados. A consequência: fim da atividade turística e um declínio ainda maior da produção de alimentos.
Um vistoso lagarto logo na entrada do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Um enorme jacaré no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Foi dessa situação que começamos a nos inteirar, ainda em Mérida. Felizmente, não chegamos a viajar as centenas de quilômetros até o Hato Piñero para dar de cara com uma porta fechada. O estranho é que seu site de internet continua a funcionar, com seus preços em dólares e tudo. Mas, como a própria fazenda, aparentemente está inativo já há alguns anos.
O google não sabe traçar a rota, mas na foto por satélite, podemos observar o Hato El Cedral (C). Saímos de Barinas (A) e depois seguiremos por San Fernado de Apure (D), a capital dos llanos
O que descobrimos também foi que um último Hato ainda estava funcionando, o El Cedral, o que acabou por definir nosso caminho para cruzar o país pela rota sul, onde está a fazenda. Normalmente, esses hatos requerem reserva antecipada, feita e paga em Caracas, mas como estamos em um período de vacas magras para o turismo em geral no país, fomos aconselhados a seguir diretamente para lá.
Um jacaré muito bem alimentado no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Cegonha no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Assim fizemos. Dormimos ontem em Barinas, já na metade do caminho, e hoje seguimos diretamente para a fazenda, onde chegamos no meio da tarde. Na entrada, demos de cara com soldados da Guarda Nacional, a mesma situação de todos os outros hatos “nacionalizados”. Mas esse aqui, como haviam nos dito, está mesmo funcionando. Porém, rnão estão mesmo acostumados com turistas chegando sem avisar. Telefona daqui, telefona dali e fomos autorizados a entrar. Viva, teríamos nossa chance de conhecer os llanos!
Criação de jacarés no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Criação de jacarés no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Os poucos quilômetros de estrada de terra que levam do portão da fazenda até a sede do Hato já foram uma bela amostra do que iríamos encontrar por ali, em termos de paisagem e vida animal. Capivaras, jacarés, iguanas, tartarugas e várias espécies de pássaros. Um verdadeiro show de natureza!
Uma pequena tartaruga no criadouro do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Uma serpente no criadouro do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Chegando à sede, fomos acomodados e nos explicaram como funciona o turismo por ali. Toda manhã e toda a tarde um caminhão sai com os turistas presentes para poder ver os animais. Um guia acompanha e vai explicando tudo. Como nós chegamos no final da tarde, teríamos de esperar até o passeio de amanhã de manhã. A vantagem é que, para o passeio de amanhã, só estamos nós dois, enquanto que no passeio de hoje havia um grupo de venezuelanos.
Uma enorme sucuri no serpentário do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
A Ana tenta socializar com uma sucuri no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Já que não podíamos mais fazer um passeio hoje, o gerente do hato nos levou até o criadouro de animais, logo atrás da sede da fazenda. Lá, encontramos filhotes de tartarugas e jacarés que, quando mais velhos, serão soltos nos rios e lagos do hato El Cedral. Mas o que mais nos chamou a atenção, sem dúvida, foram as sucuris do serpentário. Uma delas, com mais de cinco metros, repousava tranquilamente perto da grade, permitindo até mesmo que a tocássemos, ela dentro e nós do lado de fora, claro! Deu até um arrepio de pensar em encontrar um animal desses, solto, nos terrenos alagadiços dos llanos.
O nosso jantar na primeira noite no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Preparando nosso jantar no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Depois da visita, fomos descansar na piscina da sede enquanto que, ali do lado, preparavam um churrasco que seria o nosso jantar de hoje. Foi quando aconteceu a coisa mais incrível do dia. Uma grande tempestade se aproximava, pintando o céu com um lindo tom de cinza. Antes da chuva, chegou uma forte ventania. Foi quando centenas de pássaros, grandes e pequenos, brancos e negros, das mais variadas espécies, aproveitaram para fazer suas revoadas e “brincar” com vento.
Uma tempestade se aproxima do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Que coisa mais incrível! Jamais nos esqueceremos dessa cena. Ficamos ali, dentro da piscina, maravilhados com o show que acontecia sobre nossas cabeças. Aquela mescla de cores e sons em meio às acrobacias aéreas. As árvores ao redor da piscina também se encheram de aves que se empoleiravam para passar a noite, muitas vezes várias espécies em uma mesma árvore e até, em um mesmo galho. Que abundância de vida e de energia!
Da piscina, maravilhada, a Ana acompanha as revoadas de pássaros sobre nossas cabeças, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Amanhã, então, já temos compromisso: bem cedinho, sol raiando, um passeio particular de caminhão pelas maravilhas do Hato El Cedral
Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela
Chegando na "Casinha Branca" no alto da serra, em Delfinópolis - MG
Começamos bem por aqui! Nosso primeiro dia em Delfinópolis teve de tudo: muita estrada poeirenta com lindas vistas de serras e vales; cachoeiras com muita ou pouca água, sempre frias e cristalinas; trilhas sombreadas com muito ar puro; bastante conversa fiada e instrutiva com gente da terra, acompanhada de cerveja gelada e deliciosos petiscos mineiros; e até mesmo um jantar caseiro acompanhado de música tradicional ao vivo!
Começamos o dia de barriga cheia depois do café da manhã na Mariângela. seguindo o conselho dela, subimos de carro pela estrada do Complexo do Claro e do Paraíso até um mirante perto do alto da serra, onde além da vista maravilhosa tínhamos também sinal de celular. Em Delfinópolis, nem pensar em TIM. Só Vivo. No alto da serra, aparece o sinal.
Explorando rio e a vista no alto da serra em Delfinópolis - MG
Depois, passamos pelo "Condomínio de Pedra", formações rochosas que parecem castelos-fantasma. Um pouco mais à frente, passamos por uma ponte sobre o rio do Paraíso e Claro, mas lá no alto. Largamos o carro e seguimos para o rio para o primeiro banho do dia. Água cristalina, muitos poços e vista para todo o vale. Maravilhoso! E tudo na faixa, o que é coisa rara hoje em dia aqui em Delfinópolis. Em quase todas as cachoeiras se cobra entrada, até 15 reais por pessoa. Para quem for visitar 10 grupos de cachoeiras, lá se vai uma fortuna! Que diferença com 10 anos atrás! É o progresso, dizem...
Enorme aranha em rio no alto da serra em Delfinópolis - MG
Fortalecidos pelo rio, seguimos até a "Casinha Branca", um dos pontos de referência da região, quase no alto da serra e com uma vista de encher os olhos. Depois, sempre à brdo da fiel Fiona, descemos a serra do lado de lá, no localmente famoso Vale da Gurita.Vamos até a Cachoeira do Ouro onde conhecemos o simpático proprietário, o Lopes. É ele mesmo que prepara e nos server deliciosos petiscos, entre eles uma porção de pernil e outra de pão de queijo. Melhor ainda é misturar as duas num delicioso sanduíche de pernil com pão de queijo! Hmmmmm!!!
Com o Lopes na Cachoeira do Ouro em Delfinópolis - MG
Depois de tanta conversa, ele nos convida nos mostra a bela cachoeira do Ouro. Um tesouro escondido no meio da mata, água verde-esmeralda, um convite à contemplação. Ele insiste para que nademos mas o tempo urge, infelizmente, e temos de seguir para a próxima parada.
Cachoeira do Zé Carlinhos em Delfinópolis - MG
É a cachoeira do Zé Carlinhos, uma velha conhecida minha. Só que antes, quano eu vinha aqui, era preciso uma caminhada de 45 min para chegar lá, atravessando o rio numa ponte tipo Indiana Jones. Agora, é a Fiona que passa o rio e nos deixa a 100 metros da cachoeira. Ao contrário da cachoeira do Ouro, ela é bem mais caudalosa e tem uma lago enorme. Uma delícia para nadar. O canyon acima da cachoeira também é um convite à exploração. Vale um dia inteiro só para isso, desde que bem equipado. Algum dia, quem sabe? Hoje, já no final da tarde, o mais sensato foi iniciar o longo caminho de volta, com direito a assistir um incrível nascer da lua, amarelada, gigante. É a décima-quinta lua desde que casamos (também na lua cheia!). Foi emocionante lembrar isso...
Atravessando rio com a Fiona em Delfinópolis - MG
Para terminar o dia, jantamos num restaurante tradicional de comida caseira, na cidade. É o restaurante da Gerusa, conhecida de todos na cidade. Lá, encontramos outro conhecido das antigas, bem amigo do Guto, o Serjão, que se encantou com e se mudou para Delfinópolis, casando e tendo uma filhinha linda por aqui. Juntos, assistimos todos, embevecidos, a um show de música tradicional, inclusive com a própria Gerusa cantando. Muito jóia mesmo!
O Sejão reforçou o conselho da Mariângela: amanhã, vamos explorar a região do Paraíso Selvagem. Adivinhem as atrações! CACHOEIRAS!!! Muitas cachoeiras. Obaaaa!
A Ana já está de pé, após a gripe, em Brasília - DF
Final de tarde, começo da noite. A Ana já está boa o suficiente para sair do hotel, embora com algum sacrifício. Vale à pena, afinal é sua última chance. Amanhã cedo partimos para o Grande Sertão Veredas, em Minas.
Missa na igreja Dom Bosco, em Brasília - DF
Vamos primeiro para a rua das farmácias, atrá de medicações. Ali perto, na igreja Dom Bosco, há uma missa. Sem a luz do dia, os vitrais azuis perdem muito do seu efeito. Em compensação, o gigantesco lustre está aceso.
O Congresso no início da noite, em Brasília - DF
De lá para a esplanada e prédios governamentais. É a chance da Ana praticar a arte de tirar fotos no escuro. Com e sem tripé.
Catedral de Brasília - DF
Por fim, demos um pulo no Palácio da Alvorada. Coincidentemente, minutos depois, passaram pela portaria uma comitiva cubana e, logo depois, com pressa pelo atraso, a comitiva no nosso grande líder, o sapo barbudo. Agora, nossa visita ao mundo político de Brasília está completo: Lula, Sarney, Collor e outras divindades menores...
Palácio da Alvorada, em Brasília - DF
Melhor de tudo: tudo fica muito mais interessante quando se está acompanhado da nossa cara-metade. Seja bem vinda, minha linda!
Observando o Palácio do Planalto, em Brasília - DF
Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Ao visitarmos as Islas Flotantes ontem, tivemos nosso primeiro contato com o lago Titicaca. Mas foi só um pequeno aperitivo. As ilhas dos Uros estão localizadas logo no início da baía de Puno, bem próximas da costa. É apenas o início do Titicaca, essa enorme massa d’água localizada em pleno altiplano, a mais de 3.800 metros de altitude, na fronteira entre Peru e Bolívia.
O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru
O lago Titicaca tem quase 15 milhões de anos e muitos o consideram o maior lago da América do Sul. Na verdade, esse posto pertence ao lago Maracaibo, na Venezuela, mas como este está no mesmo nível do mar e é separado do oceano apenas por um canal, muitos argumentam que ele não passa de uma grande baía. Já o Titicaca, no alto dos Andes, sua condição de lago é indiscutível. Na verdade, ele nem tem ligação com o oceano. Alimentado por cerca de 40 rios, suas águas desaguam por apenas um, exatamente o Rio Desaguadero. As águas correm para outro lago mais ao sul, na Bolívia, chamado Poopo, e aí permanecem até evaporarem. Apenas em anos de chuva excepcional, as águas podem chegar até o Salar de Coipasa e de Uyuni.
Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru
Com apenas um rio para vazar suas águas enquanto é alimentado por mais de quarenta, o equilíbrio do Titicaca é mantido pela altíssima taxa de evaporação. Pela grande altitude e alta taxa de sol incidente, essa evaporação é enorme e corresponde a 90% da água perdida pelo lago. Já a água que entra, boa parte dela vem do derretimento de geleiras de montanhas vizinhas. Com a mudança do clima nas últimas décadas, essas geleiras vem diminuindo e, como consequência, o nível de águas no Titicaca também, baixando a níveis nunca vistos no último século. Estudos feitos nos sedimentos do lago e também em suas margens mostra que o nível sempre variou ao longo dos séculos e milênios, sempre acompanhando o tamanho das geleiras e as eras glaciais do planeta.
Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)
Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru
Bem, mesmo com a recente diminuição, o lago continua enorme, chegando a 190 km de comprimento e 80 km de largura, no seu ponto mais largo. A profundidade máxima chega quase aos 300 metros, o que garante uma temperatura relativamente constante ao longo do ano, perto dos 12 graus. Com tanta água assim, vinda principalmente das geleiras, a água é doce, ao contrário do que ocorre com o Poopo que, mesmo alimentado pelas águas do Titicaca, devido a altíssima taxa de evaporação e profundidade de poucos metros, tem uma grande salinidade.
Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Além das muitas espécies de pássaros, três ou quatro espécies de peixes tinham uma boa vida no lago até que, há pouco menos de 100 anos, as trutas foram introduzidas pelo homem. O resultado foi catastrófico para as espécies nativas, já que as trutas, sem inimigos naturais, as devoraram. A única sobrevivente foi uma espécie com muitos espinhos, indigesta até para as trutas. Essas se tornaram o prato principal das pessoas que viviam no lago, mas o excesso de pesca também dizimou a população de trutas nas áreas próximas às grandes cidades, como Puno e Copacabana. Além disso, com a introdução de outro peixe, o king fish, as trutas também se tronaram presas, tornando a sua vida ainda mais difícil.
Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
O Titicaca pode ser dividido em três partes: a pequena baía de Puno, onde estão as Islas Flotantes, o grande lago do norte e o pequeno lago do sul. Esses dois últimos são ligados por um canal mais estreito, de apenas 800 metros. Por aí vamos passar de Fiona, em poucos dias, no nosso caminho entre Peru e Bolívia, entre Puno e Copacabana. Nessa viagem, vamos margear boa parte do lago e ter algumas das mais belas vistas que se pode ter do Titicaca desde terra firme, principalmente na área de Copacabana, já na Bolívia.
Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
A outra maneira de ver esse magnífico lago é de suas ilhas. As principais são Amantani e Taquile, no lado peruano, e a maior de todas, Isla del Sol, no lado boliviano. Nossa ideia é visitar as três, começando por Amantani. Esse foi exatamente nosso passeio de hoje, quando deixamos nosso hotel de Puno para ir dormir na própria ilha, na casa dos moradores. Amantani é a menos turísticas das ilhas e quem a visita, geralmente dorme por lá.
Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
O passeio pode ser através das agências, normalmente mais caros, ou com o barco da comunidade, que foi a maneira que escolhemos. O barco sai bem cedo de Puno, faz uma parada nas Islas Flotantes (como disse no post anterior) e segue para fora da Baía de Puno, para a parte principal do Titicaca, onde estão Amantani e Taquile. Como todos os barcos no lago são muito lentos, é uma viagem longa, mais de três horas de navegação, fora o tempo que ficamos parados nas Islas Flotantes. Tempo mais do que suficiente para admirar o belo lago à nossa volta.
Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Ainda no barco, o capitão divide os passageiros em pequenos grupos, para poder acomodá-los em diversas casas em uma das dez comunidades existentes em Amantani. Assim como nas Islas Flotantes, as famílias se revezam para receber os visitantes, para que todos possam se beneficiar do turismo. Quando chegamos na ilha, essas famílias vem nos receber e nos levar para suas casas, onde teremos abrigo e refeições.
A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
A ocupação de Amantani é pré-incaica e seus habitantes falam quéchua. Com a conquista espanhola, a ilha passou a ser do rei de Espanha que, em 1580, a vendeu a um nobre espanhol que se estabeleceu na América. Foram estabelecidas fazendas e estas foram herdadas por seus descendentes. Mas uma forte seca no início do século passado começou a afastar os grandes proprietários que passaram a vender suas propriedades aos habitantes originais, que nunca haviam saído da ilha, formando sempre a sua classe trabalhadora. Aos poucos, toda a ilha foi vendida e hoje ela está dividida em muitas pequenas propriedades desses habitantes originais. O problema é que não há mais terras para serem vendidas ou cultivadas e as famílias continuam a crescer. As propriedades ficam cada vez menores, mas muitos dos descendentes, ao final, tem de deixar a ilha.
Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Na divisão de grupos, acabamos ficando no maior deles, o que ficaria hospedado na casa do capitão do barco. Conosco, uma família de espanhóis (mãe, filha, filho e nora) e dois amigos, também espanhóis, o Alvaro e o Valentin. Os dois tornaram-se nossos companheiros de exploração, não só de Amantani, mas também Taquile, a outra ilha que visitaríamos no dia seguinte.
Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Nossa casa era uma delícia, combinando charme e simplicidade. Vista maravilhosa para o lago lá embaixo, em meio à pequenas plantações e ruas de pedra. Fomos recebidos com um almoço bem sadio, produtos da própria ilha, desde o queijo e chá até as batatas e o milho. Tudo servido no pátio interno da casa, numa grande mesa comunal. Foi muito joia!
Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Depois do almoço, um tempo para passear ao redor, sentir um pouco do clima campestre e rural de Amantani, o relevo todo aproveitado na forma de terraços agrícolas, pequenas trilhas ligando as diversas comunidades da ilha, algumas poucas lojas e centros comunais, mulheres, homens e crianças em seus trajes típicos e ovelhas pastando tranquilamente. Aqui, não há dúvida, tudo é mais autêntico que nas Islas Flotantes, onde a economia gira completamente em torno do turismo. Em Amantani não, os visitantes ainda são incipientes e as pessoas estão mais preocupadas com sua própria vida e afazeres do que conosco. Aqui, podemos ser mais observadores do que clientes. Uma delícia!
Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
No final da tarde, todos nos reunimos novamente, os visitantes que vieram no barco. Juntos, seguiríamos com o capitão para as duas montanhas da ilha, com cerca de 4.100 metros de altura, mais de 300 metros acima do nível do lago. Além dos santuários que lá existem, é um lugar estratégico para se observar o fim de tarde sobre o lago. Tão espetacular foi essa experiência que vou dedicar o próximo post apenas a ela.
Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
No dia seguinte, após um simples, mas delicioso café da manhã, foi hora de nos despedirmos de Amantani. Ainda tivemos tempo para umas fotografias e uma rápida caminhada em uma das praias de pedra da ilha. Depois, voltamos todos ao nosso barco, para seguirmos à ilha vizinha de Taquile, para uma visita de algumas horas. Foi com dor no coração que deixamos Amantani. Com sua paz, tranquilidade e beleza inspiradoras, é o típico do lugar que eu gostaria de me refugiar para escrever um livro, passar uma temporada de alguns meses de vida bem simples, comida saudável, caminhadas pela manhã e no final da tarde, pores-do-sol inesquecíveis e muitas garrafas de vinho (essas, eu teria de levar, hehehe). Quem sabe, um dia...
Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru
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