0
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
Tatiana Wolff (29/05)
Não fomos não, resolvemos ir para a Chapada dos Veadeiros! Pegamos chuv...
Bell (29/05)
Uaaaalllll.... "viajar" com vocês por esse cantinho espetacular do Canad...
juliette (26/05)
Que lastima! Cuanto lo siento, esto pasa en todos lados... amo viajar y c...
fernando (25/05)
que venis a criticar brasileño reculiao si en tu pais pasan estas cosas ...
Flora (23/05)
Rodrigo e Ana Acabei de todos os relatos de voces do Equador e Galapagos....
A sombra da grade de nossa varanda, no hotel em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Quando voltamos do passeio à cavalo e retornamos ao hotel para dizer que queríamos ficar uma noite extra, descobrimos que nosso quarto já havia sido alugado para um novo hóspede. Teríamos de pagar por um quarto mais caro.
Luz mágica de fim de tarde no quarto de nosso hotel em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Nada que uma boa conversa não mudasse. Ao final, só fizemos o upgrade de quarto sem pagar nada mais por isso. Se já tínhamos gostado do hotel antes, gostávamos ainda mais agora. Principalmente quando nos foi mostrado nossas novas acomodações...
Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Um amplo quarto de pé direito alto, uma cama onde caberiam umas dez pessoas, uma aconchegante lareira no canto e duas enormes janelas voltadas para o sol da tarde. Sol da tarde? Pois é, esse mesmo cuja luz transbordava para dentro do quarto, praticamente incendiando o assoalho de madeira e projetando sobre ele a sombra das grades das nossas varandas. Uma fotografia. Não, um quadro!
Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Por falar em quadro, sobre a lareira lá estava um quadro de um importante momento histórico para o país, a ocasião do encontro de duas das mais emblemáticas personagens mexicanas, os revolucionários Emiliano Zapata e Pancho Villa. Zapata, ar sempre sério com seu enorme bigode, parecia olhar para nós e não para Villa.
Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Duas cadeiras de balanço nos convidavam a ficar por ali, em frente às janelas, aproveitando o sol e o momento. Um convite assim não se recusa. Principalmente depois de cinco horas sobre o lombo de um cavalo. O balanço da cadeira seria certamente mais confortável. E foi! Pela próxima hora aí ficamos, sob o olhar de Zapata, vivendo a magia daquela quarto, daquelas janelas e daquela luz mágica. Outro momento inesquecível em Real de Catorce.
Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Com o Pablo e a Andrea, na praça central de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Já discuti em outros posts sobre um dos grandes benefícios das longas viagens: conhecer pessoas. Encontramos e fazemos amizade com muitas pessoas locais, ainda mais se estamos viajando com a Ana, uma mestra na arte da simpatia e socialização. Mas tenho a impressão que a amizade fica ainda mais duradoura quando os novos amigos são também viajantes, fora de casa, de seu país e zona de conforto. É uma situação que logo gera uma espécie de cumplicidade, o ponto comum de ser “estrangeiros” aproximando pessoas que, talvez um uma situação normal e corriqueira no dia a dia das nossas próprias cidades, não se sentissem atraídos. Foi assim que fizemos diversas amizades ao longo desse continente, gente dos quatro cantos do planeta que acabaram se encontrando em uma terra que não era a sua. Um encontro rápido, alguns dias no máximo, mas que se estenderam via internet, contatos mantidos para sempre.
Casa construída quase inteiramente pelo Pablo na zona rural de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Nosso amigo Pablo nos recebe em sua casa em Pueblo Hundido, na periferia de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Um dos melhores exemplos, no nosso caso, foi o casal chileno que conhecemos lá na fronteira do Ceará com o Piauí. Já falei muito dessa história de amizade nesse post, quando nos reencontramos em Santiago, em outubro do ano passado. Para quem reler o post, ou tiver boa memória, vai lembrar que deixamos combinado de passar na casa deles, na cidade de Rengo, 115 km ao sul da capital. Naquela época, nosso caminho era outro, estávamos embarcando para a Ilha de Páscoa. Quando voltamos, tínhamos dias contados para chegar a Buenos Aires, onde embarcaríamos para a Antártida. A passagem por Rengo se encaixava mais na parte final de nossas viagens pelo Chile, quando percorrêssemos a Carretera Austral, vindos do extremo sul do continente. Pois bem, tudo isso já ficou para trás agora, Páscoa, Antártida, Carretera Austral e Valle de Colchagua, quase já em Rengo, vindos do sul. Apenas uma hora de carro nos trouxe até aqui para, finalmente, cumprirmos nossa promessa.
O Pablo e a Andrea também tiveram seu próprio projeto de viagens. O “1000dias Por Toda América” deles chamava “América Sin Fronteras” e eles percorreram quase toda a América do Sul numa Hilux como a nossa. Só faltaram as Guianas. Tinham um orçamento mais baixo que o nosso e dormiam sempre no próprio carro. Começaram sua viagem três meses depois de nós e terminaram já há mais de dois anos, em novembro de 2011. Desde então, vem tentando se readaptar a uma vida com raízes fixas, dormindo sob um telhado ao invés de um capô e sobre um colchão ao invés de um banco, sempre a mesma paisagem na janela. Algo que também nós vamos ter de vivenciar, mas que, por enquanto, prefiro não pensar.
Durante o entardecer, caminhando com o Pablo e a Andrea em fazenda nos arredores de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Caminhando com o Pablo e a Andrea em estrada rural próxima a casa deles, na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Pois bem, nesses mais de dois anos de volta, o carro foi vendido para fazer dinheiro, o Pablo teve alguns trabalhos passageiros e eles desistiram de viver em Santiago e vieram morar em um terreno da família da Andrea, na periferia de Rengo. É uma área praticamente rural, a casa deles é a última do pequeno povoado de Pueblo Hundido, um distrito de Rengo. Mais para lá, apenas fazendas. A casa, isso foi o que mais nos impressionou, quem construiu foi o próprio Pablo, fazendo às vezes de pedreiro, eletricista, encanador, arquiteto e engenheiro. Amigos os ajudaram, aqui e ali, no projeto, e algum pedreiro profissional também, nos momentos mais críticos. Basicamente, o carro virou a casa. Sem o custo da mão de obra e do terreno, o dinheiro mais ou menos empatou.
Caminhando com o Pablo e a Andrea em estrada rural próxima a casa deles, na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
O céu se pinta de rosa atrás de um milharal em área rural de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Um belo fim de tarde na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Outra coisa muito importante que ocorreu, esta mais recente, quase nove meses, é que eles “encomendaram” o Simón. Quando os vimos em Santiago, em outubro, a barriga da Andrea já estava grande. Mas agora que o Simón deve chegar em duas ou três semanas, a barriga já está estourando e qualquer pequeno esforço se torna um grande desafio para nossa pequena grande amiga.
Preparando nosso jantar na casa da Andrea e do Pablo em Pueblo Hundido, na periferia de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Nosso jantar na casa da Andrea e do Pablo em Pueblo Hundido, na periferia de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Foi nessa casa, já toda preparada para receber o Simón, que chegamos no final do dia 23. Fomos recebidos efusivamente, botamos o papo em dia, eles nos mostraram a casa e saímos a caminhar pelas redondezas. Final de tarde, o pôr-do-sol pintava o céu de tons avermelhados, laranjas e rosas enquanto nós caminhávamos em uma estrada de terra ao lado de um milharal, bosques e terrenos arados. A cena me lembrou incrivelmente das caminhadas que minha família gosta de fazer na fazenda de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Não só a paisagem, mas o cheiro de terra e os sons que chegavam aos nossos ouvidos. Um trator ao longe, o cantar de um pássaro, o latido dos cachorros que nos acompanhavam na caminhada. Ambiente totalmente bucólico, daqueles que fazem bem para o espírito. A Andrea, é claro, se cansou com o esforço, mas para mim, cheguei muito mais leve do que havia saído. Que delícia uma casa longe dos centros urbanos!
O Pablo e a Andrea nos levam para comer em restaurante típico na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile. Comemos humitas e pastéis de choclo
Humitas e pastéis de choclo, comidas típicas chilenas no nosso almoço em Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Aliás, de volta à casa que foi erguida por eles mesmos, o Pablo e a Andrea prepararam um delicioso jantar e a conversa se estendeu pela madrugada. Assunto era o que não faltava, óbvio, com dois casais que, juntos, tem mais de cinco anos de viagens e aventuras por esse continente. Para nós, ainda mais interessante do que os relatos de viagem eram os relatos de pós-viagem. Nossas hora está mesmo chegando, brrr...
Com a Andrea, refrescando-se em rio na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Delicioso banho de rio na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
No dia seguinte, ontem de manhã, fomos passear de carro. Primeiro a um mercado, algo sempre interessante de se ver quando não estamos em nosso país ou estado de origem. Depois, direto para um restaurante tradicional na estrada que liga Santiago ao sul do país, a ruta 5, ou rodovia Panamericana. Um restaurante de comidas típicas, muito popular entre santiaguinos que retornam para casa depois de uma viagem de fim de semana ou de férias. Aí, orientados pelos amigos, a gente se esbaldou com “humitas”, uma espécie de pamonha, e com pastéis de choclo, comidas tão chilenas como a feijoada é brasileira. Como é bom estar acompanhado de gente do próprio país para saber o que comer e onde comer!
Delicioso banho de rio na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Delicioso banho de rio na região de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Depois do almoço, seguimos para o leste, em direção aos Andes, mas não fomos longe. O Pablo queria nos levar ao rio Claro (outro rio Claro, nada a ver com aquele de Siete Tazas). Ele não é tão bonito como seu homônimo mais ao sul, mas nem por isso deixa de ser um delicioso mergulho. Aí passamos uma boa hora nos refrescando, mergulhando, brincando com as corredeiras, jogando conversa fora. Aparentemente, é um programa bem popular entre a população de Rengo, mas apenas nos finais de semana. Numa sexta-feira como ontem, estava bem tranquilo.
No caso, o forasteiro sou eu! (em Rengo, ao sul de Santiago, no Chile)
Com o Pablo e a Andrea, na praça central de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Renovados, fomos passear no centro de Rengo. O nome da cidade faz homenagem a um dos caciques mapuches que enfrentaram valentemente os espanhóis em meados do séc. XVI, quando os ibéricos ainda se achavam invencíveis por aqui. Meio século de batalhas mais tarde, o rei Felipe II já não mais encontrava espanhóis dispostos a vir ao Chile lutar contra os indígenas, nem por todo o dinheiro do mundo. Aqui foi o Vietnã deles, quatro séculos antes do Vietnã “original”. O rei optou então pela paz. Mas essa área de Rengo, apesar de palco de batalhas, não era território mapuche e permaneceu no lado espanhol da fronteira. Aliás, um século antes disso, quem esteve por aqui foram os incas e é possível encontrar ruínas desse povo nas redondezas, a fronteira sul do maior império pré-colombiano que se tem notícia.
Com o Pablo e a Andrea, na praça central de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Esbaldando-se com sorvete em Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Na cidade, passeamos na agradável e sombreada Plaza de Armas, onde há homenagens aos povos indígenas que aqui habitaram e também aos poucos turistas que por aqui se detêm. Aproveitamos também para nos refestelar em uma sorveteria, a mesma que a Andrea já frequentava desde criança, muito antes de conhecer o Pablo ou de imaginar viajar pelo continente.
Assando linguiças em fogueira no quintal da casa do Pablo e da Andrea, na zona rural de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Curtindo uma fogueira no quintal da casa do Pablo e da Andrea na zona rural de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Voltamos para a casa deles e o Pablo armou uma bela fogueira no vasto quintal. Com o céu estrelado a nos vigiar, acendemos o fogo e aí assamos algumas linguiças enquanto bebericávamos um pouco do vinho que havíamos trazido do Valle de Colchagua. Fogueiras são sempre especiais e essa não fugiu à regra. O fogo parece nos hipnotizar e a nossa mente divaga no tempo e no espaço, no sólido e no abstrato, na ficção e no real. Se estamos bem acompanhados, então, que delícia... O fogo só não se estendeu madrugada adentro porque estava mais do que na hora da Andrea e do Simón se recolherem!
Aproveitando a tranquilidade e a água na casa do Pablo e da Andrea para dar um bom banho na Fiona, em Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Aproveitando a tranquilidade e a água na casa do Pablo e da Andrea para dar um bom banho na Fiona, em Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Acordamos hoje tranquilos, sem pressa. Tudo o que precisamos fazer é dirigir até Santiago. O nosso voo para o Brasil é amanhã pela manhã e mais uma vez vamos deixar a Fiona na casa da Maria Esther, a mãe do Pablo. É na casa dela também que dormiremos essa noite. Depois das frutas do café da manhã, até tive tempo para dar um bom banho na Fiona, aproveitando a mangueira de pressão do Pablo e o espaço gramado do quintal deles. Fiona limpinha, deixamos tudo bem arrumado como há muito não ficava, o carro prontinho para a última perna da viagem quando voltarmos ao chile no início de fevereiro. Vamos cruzr para a Argentina e seguir diretamente para o Uruguay, o último país do continente que nos falta percorrer nesses 1000dias. Depois, ainda temos um tempo nos estados do sul do Brasil antes da inevitável chegada a Curitiba.
Girassóis no jardim da casa do Pablo e da Andrea, na zona rural de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Bom, um dia de cada vez! Nós nos despedimos uma última vez dos nossos queridos amigos chilenos, agradecemos muito a hospedagem e fizemos todos os votos possíveis para a boa chegada do Simón. Se ele se adiantar um pouquinho, quem sabe até o conhecemos na volta do Brasil? Se não, tenho certeza que oportunidades não faltarão, seja no Brasil, seja no Chile, seja em algum país no meio do caminho ou mesmo bem longe daqui. Afinal, somos todos viajantes, de corpo e alma. E amigos para sempre!
Despedida do Pablo e da Andrea, na casa deles em Pueblo Hundido, periferia de Rengo, ao sul de Santiago, no Chile
Magnífico pôr-do-sol sobre o Pacífico na praia de Santa Tereza, ponta sul da península de Nicoya, na Costa Rica
Deixamos San José para trás num tranquilo sábado sem trânsito, a cidade em compasso de espera para o Festival da Luz, desfile de trios elétricos pelo centro da capital no início da tarde. Preferimos aproveitar o sol na praia do que na avenida lotada!
Praia em Puntarenas, a caminho do ferry para a península de Nicoya e a praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Finalmente, uma estrada bem asfaltada no nosso caminho para Puntarenas, de onde partem os ferries para a Península de Nicoya, no norte do litoral Pacífico do país. Lá estão localizadas algumas das mais belas e badaladas praias do país, entre elas a famosa "Tamarindo". Apesar do simpático nome, não era atrás de badalação e glamour que estávamos indo, mas de praias mais isoladas e tranquilas. Nicoya tem de tudo, para todos os gostos!
Bombeiros apagam incêndio pouco antes do ferry para a península de Nicoya, no litoral Pacífico da Costa Rica
Infeliz coincidência, mas uma vez num espaço de 10 dias, nosso caminho foi interrompido por um congestionamento causado por um incêndio. O outro tinha sido na região de Boquete, no Panamá. Hoje, foi a poucos quilômetros do ferry em Puntarenas. Ao contrário do Panamá, aqui não tinha caminho alternativo e o remédio foi esperar mesmo os bombeiros darem conta do recado. Finalmente, com muita paciência, chegamos ao ferry, o maior da América Central e demos adeus à Puntarenas. Em algum dia em 12 ou 13 meses, esperamos chegar à sua homônima mais famosa, no extremo sul do continente, lá na pontinha do Chile.
Cruzando de ferryboat o golfo de Nicoya, no litoral Pacífico da Costa Rica
Uma hora para atravessar as águas tranquilas do golfo de Nicoya e chegar à península de mesmo nome. Ali, seguimos para a ponta sul da península, já na face virada para pleno Oceano Pacífico. O nosso objetivo eram as praias de Mal País e Santa Teresa, protegidas ainda por um trecho de estrada de terra que inibe uma invasão turística e imobiliária mais acentuada. Evidentemente não inibe a Fiona e chegamos por aqui logo depois das quatro da tarde.
Golfo de Nicoya, no litoral Pacífico da Costa Rica
Uma vila totalmente surf town, apenas uma rua principal, de terra, paralela ao mar, ladeada de pequenos hotéis, mercados, restaurantes e quitandas. Pessoas andando de bermuda, chinelo, sem camisa e muitos com sua prancha à tiracolo. Exatamente o que procurávamos!
Fim de tarde na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Percorrendo a tal rua na direção de Santa Teresa, dando preferência aos poucos hotéis que ficavam do lado do mar, um deles logo nos chamou a atenção. Bandeira do Brasil e com o nome de Ranchos Itaúna! Fomos entrando e o clima era incrivelmente parecido com a nossa querida Ilha do Mel, onde casamos. Era aqui que queríamos ficar!
A bela pousada Ranchos Itaúna, na Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica. É a cara da Ilha do Mel!!!
Os donos são um casal, austríaco com brasileira, a carioca Fátima. A primeira notícia é que não havia lugar, mas um pouco mais tarde, apareceu um quarto "coletivo". Na verdade, um belo quartão cheio de janelas com um beliche e uma cama de casal e banheiro privativo. Teríamos de dividi-lo com a simpática alemã Catarina, em temporada por aqui para aprender a surfar. Fechadíssimo!
Belíssimo pôr-do-sol na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Antes de nos instalarmos no quarto, a gente se instalou foi no lounge a céu aberto bem em frente ao mar onde um verdadeiro espetáculo estava apenas começando: o pôr-do-sol sobre o Pacífico. Foi absolutamente maravilhoso, com direito a acompanhamento de legítimas caipirinhas e muito boa música. As melhores boas-vindas que poderíamos ter tido. Tanto que já resolvemos passar mais um dia inteiro por aqui para, na segunda-feira, seguirmos para o rio Celeste e a Nicarágua.
De camarote, assistindo o pôr-do-sol na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica
Noite de lua cheia, é claro que houve um lual hoje. Lá fomos nós, caminhada pela praia totalmente clara pelo luar. Na festa, repleta de surfistas e outros bem-aventurados de vários países do mundo (inclusive da Costa Rica!), encontramos dois gaúhos, um surfista e o outro aprendendo esta arte por aqui. Gente boníssima, o Luís nos convidou para surfar amanhã e assim, já temos um compromisso. A nossa festa se prolongou até às três da manhã, bem do jeito que a Ana gosta. O duro vai ser chegar às 10h na praia para nossa aula de surf...
Celebrando o espetáculo do fim de tarde na praia de Santa Tereza, no litoral Pacífico da Costa Rica, península de Nicoya
Antiga pousada em Talkeetna, no Alaska, há mais de 60 anos recebendo alpinistas
Há muito tempo conheço a cidade de Talkeetna pelo nome. De tanto ouvir falar, tinha virado algo meio lendário para mim. Uma pequena cidade perdida no maio do Alaska, local de encontro de alpinistas de todo o mundo, indo ou voltando para o campo base do Denali, montanha a cerca de 100 km ao norte Talkeetna.
O famoso trem da região de Talkeetna, no Alaska
Apesar de já ter lido sobre ela e escutado de outros alpinistas, a principal fonte de informação para que eu formasse a minha imagem da cidade foram os relatos do primo Haroldo, o mesmo que já nos encontrou em alguns pontos desses 1000dias (mas que ainda está nos devendo algum outro encontro!). Foi com ele que subi o Monte Aconcágua, em 1999. O Haroldo continuou com suas escaladas e esteve duas vezes aqui em Talkeetna, nas suas tentativas de atingir também a montanha mais alta da América do Norte.
A mais antiga casa de Talkeetna, no Alaska
Na sua segunda tentativa ele chegou ao cume, levando para casa fotos e lembranças maravilhosas da experiência. E entre as boas lembranças, destacam-se também os bares da pequena Talkeetna, na celebração da conquista da montanha. Desde então, além de também acalentar a subida do Denali, sempre imaginei como seria, ao vivo e a cores, a movimentada Talkeetna.
Muitos bares e cafés em Talkeetna, no Alaska
Imaginava uma cidade quase inacessível, exceto por avião ou trem. Que nada, a estrada chega muito bem até aqui e a Fiona nos trouxe com todo o conforto. Imaginava um lugar na fronteira da civilização. Que nada, nós viemos do norte, de lugares muito mais isolados e Talkeetna nos pareceu até bem “sofisticada”. Imaginávamos um lugar cheio de alpinistas barbados e com roupas surradas, mas agora, já no final de temporada, estava quase que completamente vazia.
Cervejaria em Talkeetna, no Alaska
Bom, e tudo isso tirou algum charme da imagem que eu tinha criado? De maneira nenhuma! Aliás, muito pelo contrário! A cidade é uma delícia, ruas de terra no meio de muito verde, casas de madeira, bares e restaurantes aconchegantes e um clima de aventura e exploração que paira pelo ar, mesmo depois de terminados os movimentados meses de verão.
Relaxando e aproveitando a vida em Talkeetna, no Alaska
Chegamos aqui ontem de noite e nos vamos amanhã pela manhã. Foram momentos de intensa tranquilidade, ar puro, consciência leve, cheiro de chuva e de mato, um friozinho do inverno que está batendo na porta e uma curiosa e saborosa procura pelo bar que meu primo tanto nos descreveu. Não sei se o reconhecemos, mas certamente passamos por ele, pois fizemos uma verdadeira peregrinação por todas as opções.
Um dos bares de Talkeetna, no Alaska, já bem tranquilo depois da temporada
Enfim, dias deliciosos. Só não sei o que vou achar da Talkeetna movimentada, agora que conheci a Talkeetna tranquila...
O belo Jefferson Memorial, à beira do Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
O mais tradicional programa turístico a se fazer em Washington é ir caminhar pelo Mall, um dos eixos principais da cidade. Aí estão os principais museus, o Capitólio, as costas da Casa Branca, o Washington Monument e o Licoln Memorial.
Estação de metrô em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Como Brasília, Washington é uma cidade planejada. Os planos originais são do francês L’Enfant. Ele desenhou uma cidade com avenidas largas, com muitos espaços abertos para parques e vegetação. O principal eixo seria uma avenida com cerca de uma milha de comprimento e mais de 100 metros de largura. Aí estariam os principais prédios públicos da capital.
O Washington Monument numa tarde chuvosa em Washington DC, capital dos Estados Unidos
L’Enfant foi despedido muito antes que a construção da cidade terminasse. Sua insistência em supervisionar cada detalhe da construção estava atrasando o ritmo da obra e acabou irritando o presidente Washington. Mas seus sucessores, que eram os antigos assistentes, acabaram mantendo a ideia geral de seu plano original.
Monumento à 2a Guerra Mundial, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
O tal “eixo principal” é o “National Mall”, onde fomos caminhar hoje. Seguimos do Capitólio em direção ao Lincoln Memorial, passando em frente aos principais museus da cidade e também do Washington Monument e dos monumentos à 2ª Guerra na Europa e no Pacífico.
Chuva em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Logo no início da caminhada, uma surpresa: chegavam juntos conosco, no Capitólio, um animado grupo de ciclistas, com mais de 200 pessoas, chegados de Nova York. Foi aquela comemoração!
Visita ao Lincoln Memorial, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Depois disso, nossa companheira por toda a caminhada foi a chuva. A cada intervalo, andávamos outros 200 ou 300 metros. A vantagem foi que os turistas sumiram e restaram apenas alguns poucos bravos para apreciar aquelas paisagens e monumentos solenes.
Lendo o discurso de Lincoln no início de seu 2o mandato, em plena guerra civil americana (em Washington DC, capital dos Estados Unidos)
Passei um bom tempo ledo o discurso de Lincoln no início de seu 2º mandato, esculpido nas paredes de seu memorial. Ainda em plena Guerra Civil, aí se percebe um grande estadista. Pouco depois, venceria a guerra, manteria intacta a União e a nação destinada a liderar o mundo por um bom tempo e, ironia, seria assassinado.
Observando o rio Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
O passeio terminou às margens do Potomac, admirando o mais belo monumento da cidade, na minha modesta opinião, o Jefferson Memorial. Um dia e um passeio para não esquecermos, um dos marcos nesses nossos 1000dias por toda a América.
O belo Jefferson Memorial, à beira do Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Lagoa da Princesa, em Algodoal - PA
Tivemos a sorte de chegar em Algodoal junto com o sol e fora de temporada. Nos grandes feriados, são mais de 20 mil turistas! Lotam pousadas, campings e redários em Algodoal e nas outras vilas da ilha. Agora, meio de semana, mês de trabalho, é possível contar o número de viajantes nos dedos. Tudo bem...das mãos e dos pés. Mas não passamos de vinte. Boa parte deles, gringos.
Maré baixa na Praia da Princesa, em Algodoal - PA
Nas gigantescas praias de maré baixa, estamos virtualmente sós nessa linda ilha coberta de matas, mangue, dunas, lagoas, umas poucas vilas, igarapés e, claro, praias. Decidimos ficar por aqui dois dias inteiros, depois de assuntar por aí. Hoje, contra recomendações que sempre tentam nos empurrar guias, decidimos seguir sozinhos para uma das mais famosas atrações da ilha, a Lagoa da Princesa.
Praia da Princesa em Algodoal - PA
Entre a vila de Algodoal e as praias do Farol e da Princesa, as mais famosas da ilha, há um igarapé que praticamente seca na maré baixa, mas que fica quase intransponível na maré alta. Aí, só de canoa. Nesses dias a maré está alta pela manhã e foi cruzando esse igarapé de canoa, a caminho da Lagoa da Princesa, que encontramos cinco alemães que, sabendo dos nossos planos, resolveram dispensar seu guia e nos acompanhar. São estudantes de "Social Work", participaram de um projeto em Belém e tiveram um tempo para viajar. Agora, seguiam conosco para a bela Lagoa da Princesa.
Caminhada para a Lagoa da Princesa, em Algodoal - PA
Depois da canoa, atravessamos a pequena praia do Farol e chegamos na mais bela Praia da Princesa, que se estende até a vila de Fortalezinha. No início da praia há vários restaurantes, construídos sobre palafitas para aguentar o ataque da maré alta. Nesses dias sem turistas, quase todos estão fechados. Passados os restaurantes, logo na primeira casa de pescador que aparece, está marcado o início da trilha para a lagoa. Seguimos por ela, quase toda coberta por pequenas lagoas que ocupam exatamente aquilo que, nos tempos de seca, é um caminho. Bem interessante caminhar sobre elas, água escura, cor de coca-cola.
Atravessando a Lagoa da Princesa, em Algodoal - PA
Lagoa Verde, ao lado da Lagoa da Princesa, em Algodoal - PA
Vinte minutos e chegamos na lagoa, já no meio de pequenas dunas cobertas por vegetação. A lagoa também tem águas escuras. Mas, por ser mais funda, suas águas estão muito mais frescas (graças à Deus!). A gente se refresca do calor e logo eu parto para explorações das redondezas. Não demora muito e encontro, ali bem pertinho, outra lagoa, essa com águas bem verdinhas e trasnparentes. Como duas lagoas tem cores tão diferentes, sendo vizinhas, para mim é um mistério! Tento resolvê-lo nadando vagarosamente nas duas. Vegetação? Algo nas raízes das plantas? É, é uma boa teoria...
Maré baixa em Algodoal - PA
Na hora da volta, na praia, a maré está vazia. Virou outra praia! Uma enorme planície de areia, mar lá no fundo. Só agora percebo a beleza que fez essa praia ser escolhida a mais bela do estado. Justíssimo! Paramos num dos poucos restaurantes abertos, o La Dune. Lá, além do tiragosto, conhecemos o simpático José Cristo, um figuraça que até cantou para nós. Composição própria. Tão jóia que até filmamos. Logo a Ana coloca no ar...
Fim de tarde de maré baixa em Algodoal - PA
Para chegar em Algodoal, cruzamos novamente o igarapé. Dessa vez, com água abaixo do joelho. Voltamos para o conforto da nossa pousada, a Marhesia. Um gostoso jantar ali mesmo fechou o dia com chave de ouro. Um dia em que, ao invés de contratarmos um guia, servimos nós mesmos de guia para um grupo de simpáticos e empolgados alemães até duas lindas lagoas de água doce, verdadeiros oásis no meio das dunas, um refresco para o corpo e para o espírito. O Algodoal, a nossa "Ilha do Mel" aqui no Pará, continua nos dando muita sorte!
Experimentando o mar do Pará, em Algodoal - PA
Entrando no Chile mais uma vez, agora a caminho do parque Torres del Paine
Uma das regiões mais bonitas do nosso continente é o sul do Chile, onde está localizado o famoso parque nacional de Torres del Paine. O parque e a região sempre estiveram no roteiro dos 1000dias, desde que começamos nossa viagem há mais de três anos. Não só no nosso, mas de todas as pessoas que viajam ao sul da América. E se não estiver, deveria estar!
A caminho do parque Torres del Paine]
Já se veem as famosas torres de granito que dão nome ao parque Torres del Paine, no Chile
A única questão é como chegar aqui, especialmente para quem estiver de carro, como nós. Para quem estiver voando, não há problema, o aeroporto de Punta Arenas, a principal cidade por essas bandas, recebe até mesmo voos internacionais. Mas para quem viajar por terra, o sul do Chile não tem nenhuma ligação com o resto do país. As estradas que chegam aqui passam pela Argentina. Mesmo para os chilenos, não tem outro jeito. Se quiserem visitar seu próprio país em seus carros, tem de vir pelas terras de seu amado vizinho. Na verdade, existe sim, uma alternativa, mas é bem mais cara. Pode-se embarcar o carro em um ferry lá em Puerto Montt e navegar mais de 1.000 km para chegar aqui. Caro e demorado.
Esse mapa mostra por que não é possível chegar ao sul do Chile sem passar pela Argentina. O Campo de Gelo Sul e o emaranhado de ilhas e fiordes impede a passagem de qualquer estrada no lado chileno
Na época do Pinochet, os chilenos se esforçaram para trazer sua ligação rodoviária o mais ao sul possível. A estrada avançou bastante, de Puerto Montt rumo ao sul. É a chamada “Carretera Austral”, considerada uma das mais belas estradas do mundo. Nós ainda vamos conferir isso nessa viagem, quando estivermos rumando para o norte na nossa volta ao Brasil, em poucas semanas. A Carretera Austral conseguiu chegar até Villa O’Higgins, no norte do parque nacional Bernardo O’Higgins (veja mapa neste post), mas aí encontrou um obstáculo intransponível. De um lado, um labirinto de canais e fiordes na costa do Pacífico. Do outro, o Campo de Gelo Sul nas montanhas andinas. O custo econômico de se vencer barreiras tão formidáveis fizeram os chilenos desistirem. Ainda bem!
Viajando de El Calafate, na Argentina, para Torres del Paine, no Chile
Ainda na Argentina, jé é possível ver, atrás das ovelhas, o maciço de montanhas do Torres del Paine, no Chile
Enfim, não tem mesmo jeito. Para quem quiser conhecer o Torres del Paine, a cidade de Punta Arenas ou a Terra do Fogo chilena e quiser vir de carro ou ônibus, terá de vir pela Argentina. Isso pode até ser uma vantagem, pois será uma oportunidade de conhecer o maravilhoso Parque Nacional Los Glaciares. Foi o que nós fizemos e hoje, enfim, viajamos rumo ao isolado sul do Chile, partindo de El Calafate.
Ainda não avisaram o GoogleMaps qye se pode atravessar a fronteira na altura de Tapi Aike. Esse percurso entre El Calafate e Torres del Paine tem 270 km, muito mais curto que se fomos até Puerto Natales, como sugere o Google
Para fazer esse caminho, o GoogleMaps insiste em nos mandar até Puerto Natales e somente de lá, de volta para o norte, onde está o Torres del Paine. Puerto Natales é a base de todos os que querem chegar ao famoso parque nacional e sua economia gira em torno disso. Mas ninguém avisou ao Google que, para quem vem de El Calafate e não se importa com estradas de terra, existe um caminho muito mais curto. Vai economizar uns 150 km, pelo menos, e cruzar a fronteira muito mais ao norte, perto da pequena Tapi Aike. Aliás, é aí também que há uma última e estratégica chance de encher o tanque de combustível. Se perder esse posto, só mesmo em Puerto Natales, pois não há abastecimento na região do Torres del Paine.
Fronteira entre Argentina e Chile, a caminho do parque Torres del Paine
Coleção de adesivos deixados por expedições nessa remota fronteira entre Argentina e Chile, a caminho do parque Torres del Paine
Ainda do lado argentino a gente já começa a ver as montanhas do chamado “Maciço Azul”. É aí que estão as torres de granito que se erguem mais de dois quilômetros acima das estepes patagônicas e que dão nome ao parque criado para proteger toda essa beleza natural. Elas lembram muito o Cerro Torre, lá em Chaltén e, em linha reta, essas formações não estão distantes uma da outra. É a gente que tem de dar uma volta mais longa. O Torres del Paine está na extremidade sul do Campo de Gelo Sul, o mesmo gelo continental que alimenta as geleiras de Viedma (El Chaltén), Perito Moreno (El Calafate) e Grey (Torres del Paine). Resumindo, é todo mundo irmão!
Coleção de adesivos deixados por expedições nessa remota fronteira entre Argentina e Chile, a caminho do parque Torres del Paine
Fronteira repleta de adesivos de expedições, na rota entre El Calafate, na Argentina, e Torres del Paine, no Chile
A entrada no Chile é sempre um pouco mais complicada, já que eles são bem rígidos no controle da entrada de alimentos e materiais orgânicos. É legal ver nesse posto fronteiriço, no meio do nada, a quantidade de adesivos de expedições de viajantes. Todo mundo querendo deixar sua lembrança nesse lugar tão remoto. É claro que nós deixamos o nosso também!
Encontro com guanacos no nosso caminho para o parque Torres del Paine, no sul do Chile
Encontro com guanacos no nosso caminho para o parque Torres del Paine, no sul do Chile
A partir daí, rumamos para o norte, cada vez mais próximos das belíssimas e imponentes montanhas do parque. A estrada é de rípio e a paisagem, completamente bucólica e rural. Aqui e ali, pastando tranquilamente, bandos de guanacos. Algumas fazendas de ovelhas e bem poucos carros na estrada, alguns de transporte local e outras trazendo turistas de Puerto Natales e Punta Arenas. Aliás, esse será o nosso roteiro, ao contrário, aqui no sul do Chile. Vamos passar alguns dias explorando o Torres del Paine, depois vamos à pequena Puerto Natales e, por último, à cidade mais austral do continente, Punta Arenas. Na verdade, Ushuaia ainda está mais para baixo, mas ela já é na Terra do Fogo, uma ilha. Nós vamos para lá também, para a Terra do Fogo. Há um ferry que nos leva de Punta Arenas para essa grande ilha no extremo sul do continente. Aí, já na ilha, voltamos para a Argentina (a Terra do Fogo é compartilhada entre os dois países) e chegaremos de volta à Ushuaia, agora sim com a Fiona. Enfim, muito por ver e fazer aqui no sul. Dias excitantes nos esperam. E essa temporada no sul vai começar com o considerado mais belo parque do continente, o Torres del Paine!
Entrando no tão famoso parque Torres del Paine, no sul do Chile
O vulcão Villarrica, na sua parte mais alta, tem sempre as encostas bastante inclinadas (região de Pucón, no sul do Chile)
Hoje, no mundo, cientistas estimam em cerca de 1.500 o número de vulcões geologicamente ativos nos seis continentes. No fundo do mar, o número é provavelmente bem maior, mas ninguém sabe ao certo. Desses 1.500 vulcões, por volta de 600 tiveram erupções que ficaram registradas pelo homem. Os outros 900 deixaram pistas que mostram que ainda são potencialmente ativos.
Nosso guia Hector dá as últimas instruções ao grupo antes do início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
Nosso guia Hector, um biólogo especializado em extremófilos, carrega cordas e material de primeiros socorros em sua pesada mochila, um pouco antes do início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
O Chile é o segundo país do mundo em número de vulcões, perdendo apenas para a Indonésia. Ambos se encontram no chamado “Círculo de Fogo do Pacífico”, onde se concentram a maioria dos vulcões conhecidos do planeta. No Chile, estima-se o número de vulcões em 2 mil, mas a maioria já está extinta. Ativos, são cerca de 125, sendo que metade deles teve alguma atividade vulcânica nos últimos 450 anos, tempo em que começaram a se fazer registros das erupções.
Com o Haroldo na base do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile, 22 anos depois de termos subido o vulcão pela primeira vez
O primeiro trecho da subida do Villarrica, de 1.280 m a 1.600 metros de altitude, pode ser feito a pé ou de teleférico! (região de Pucón, no sul do Chile)
De todos esses, o mais ativo, e provavelmente o mais conhecido, é o Villarrica. Localizado 775 km ao sul de Santiago, ao lado do lago de mesmo nome e a poucos quilômetros de Pucón, essa montanha de 2.850 metros de altitude já teve 49 grandes erupções desde que começaram os registros, em 1558. Isso dá uma média de uma erupção a cada 10 anos de intervalo, número que impressiona até mesmo aos vulcanólogos. Mas o que atrai mesmo os turistas é outra peculiaridade: o Villarrica é um dos poucos vulcões do mundo a ter, permanentemente, um lago de lava no interior de sua cratera e que pode ser acessado e visto por turistas.
A Ana, de teleférico, passa pelo Rodrigo, a pé, no início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
Na parte inicial da subida do vulcão Villarrica, o Rodrigo acena para a Ana, que passa de teleférico sobre ele, na região de Pucón, no sul do Chile
Por isso, uma verdadeira indústria de turismo de vulcões se desenvolveu em Pucón. São dezenas de agências que oferecem passeios até o cume da montanha, de onde se tem uma vista magnífica de toda a região, além, é claro, de uma visão privilegiada do lago de lava fervente. Em anos “normais”, quase 15 mil turistas chegam ao cume da montanha depois da árdua caminhada, a maioria deles durante os meses de verão. Chamo de “anos normais” aqueles em que o vulcão não entra em atividade mais violenta e a montanha fica interditada para o turismo. Fumaça, ele solta todos os dias, mas lava escorrendo por suas encostas, como já disse acima, na média é um ano em cada dez.
Uma selfie no teleférico que sobe um trecho da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
O Haroldo e o resto do grupo enfrentando as encostas nevadas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
A maior erupção conhecida da montanha foi em 1971, quando morreram 200 pessoas nas cidades próximas. Desde o século XVI, o número de mortos chega a 300. A última erupção a gerar rios de lava foi em 84, mas as medidas cada vez mais eficazes de precaução do governo impediram que houvesse qualquer morte nessa erupção. Depois disso, houve erupções menores em 2000 e 2005 (passamos por lá um ano antes que ele entrasse em erupção novamente, em março de 2015). Essas erupções serviram para encher de lava novamente sua cratera de 200 metros de diâmetro. O lago de lava fica entre 100 e 150 metros abaixo da linha da cratera, que é até onde os turistas chegam. Se ele estiver mais baixo, não se pode ver a lava, apenas ouvir seu contínuo rugido.
Subindo o vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)
Subindo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)
Sem dúvida nenhuma, o Villarrica é a principal atração turística de toda a região. Seja apenas como uma magnífica referência no horizonte, para quem quiser apreciá-lo apenas de baixo, seja como o desafio a ser vencido, para quem se anima a fazer a caminhada até seu cume e ser recompensado com as visões que essa aventura possibilita. Eu me encaixo no segundo grupo de pessoas e foi exatamente a subida do Villarrica a minha mais forte experiência quando passei por Pucón em 1992. As memórias, não só da subida do vulcão e de sua cratera de lava borbulhante, mas também da divertida descida fazendo “skibunda” jamais saíram da minha cabeça, mesmo depois de duas décadas. Por isso, voltar a Pucón durante os 1000dias e subir novamente o Villarrica, agora acompanhado pela Ana, sempre foi uma verdade inquestionável para nós. Ainda mais quando uma feliz coincidência possibilitou que o meu primo Haroldo estivesse na região nos mesmo período em que nós planejávamos passar por aqui.
Tempo para descansar na longa subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
Quanto mais alto estamos no vulcão Villarrica, mais bela fica a vista que temos da região de Pucón, no sul do Chile
Naquela viagem de 1992, eu estava justamente acompanhado pelo Haroldo e por um outro amigo, o Pfeifer. Juntos, subimos e escorregamos pelas encostas do Villarrica e a possibilidade de subir novamente o vulcão junto com o Haroldo não poderia ser desperdiçada. Assim, tratamos de ajustar nossa viagem para passar por aqui bem na data do triatlo que ele faria na cidade de Pucón. Ele fez a prova e, na manhã seguinte (hoje!), estava prontíssimo para subir conosco o Villarrica. Aliás, na verdade foi ele que marcou com a agência de turismo e, mais do que isso, nos presenteou com o passeio. Nosso único trabalho foi chegar aqui a tempo!
Enfrentando as encostas geladas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
Enfrentando as encostas geladas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
Apesar dos milhares de turistas que sobem a montanha anualmente e das dezenas de agências de turismo que oferecem o passeio, ele não é, de maneira nenhuma, uma tarefa fácil e isenta de riscos. Muito pelo contrário! É preciso estar em forma, pois são mais de mil metros verticais de subida, a maioria deles caminhando na neve. O tempo normal da subida e descida é de 6 horas, um esforço que não é para qualquer um. Além disso, não é incomum que essas pessoas sejam obrigadas a desistir na metade do caminho por causa do mal tempo. Não só porque o esforço seria ainda bem maior, mas principalmente pela segurança. Os casos de mortes de turistas são raros, mas eles ocorrem. Principalmente quando, devido ao frio, a neve se transforma em gelo e a montanha fica muito escorregadia. Um pequeno escorregão pode se transformar em tragédia.
Um dos muitos grupos a subir o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Na temporada e em dias de bom tempo, são centenas de pessoas, divididas em dezenas de grupos, a subir o vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
Por uma triste coincidência, as duas vezes em que estive no Villarrica foram pouco tempo depois de algumas dessas tragédias. O guia que nos levou em 1992 presenciou e até tentou ajudar nesse terrível acidente no final do ano anterior. Um turista que caminhava em um grupo que já estava bem mais alto na montanha caiu e veio escorregando pela encosta gelada do vulcão. Nosso guia deixou seu grupo e correu para tentar interceptá-lo. Mas a velocidade com que ele vinha era tão grande que o guia não se atreveu a ficar na frente. Seria um strike. O pobre turista continuou a escorregar até chegar em um barranco onde decolou para morrer na queda. Esse havia sido o último acidente fatal na montanha até que, em março de 2012, outra tragédia ocorreu.
Já acima dos 2 mil metros de altitude, um promotório na encosta do vulcão Villarrica é um excelente mirante natural para o resto do mundo que ficou lá embaixo, na região de Pucón, no sul do Chile
Dessa vez, foram dois turistas, em acidentes separados, no mesmo dia. A madrugada havia sido gelada e a neve havia virado gelo. Em um grupo, um mexicano escorregou e levou consigo um chileno. O mexicano morreu e o chileno quebrou vários ossos. Pouco tempo depois, em outro grupo, foi a vez de um brasileiro escorregar. Ele simplesmente sumiu na montanha. O problema foi que o tempo fechou e as equipes de resgate não conseguiram encontrá-lo por dois dias. Quando finalmente o tempo melhorou, ele foi encontrado dentro de uma greta no gelo. Muito provavelmente havia sobrevivido à queda, mas morreu de frio nos dias seguintes.
Hora do descanso e do lanche durante a subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)
Enfim, são histórias que nos fazem perceber que subir o vulcão é uma coisa séria. Podemos e devemos nos divertir muito, mas não devemos achar que tudo não passa de brincadeira. Pessoas morrem atropeladas todos os dias e é por isso que devemos sempre olhar para os dois lados da rua quando atravessamos. Na montanha é a mesma coisa. Há de se respeitá-la, mesmo nos momentos de alegria e descontração.
Com o Haroldo no cume do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
A famosa rua Fremont, em Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
Quando eu era pequeno, tinha um enlatado famoso na televisão chamado “Vegas”! Era a história de um detetive que trabalhava na cidade de Las Vegas e eu me lembro de ficar fascinado com a quantidade de luzes na cidade. Na apresentação do seriado, vários dos luminosos famosos apareciam, como aquele do cawboy e o das boas-vindas à cidade.
Um dos mais famosos anúncios luminosos de Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos
Já mais velho, desinteressei-me pela cidade, já que nunca senti a menor atração por cassinos e jogos de azar. Tanto que, quando cruzei o país dirigindo, já há vinte anos, de Nova Iorque à San Diego, ignorei solenemente a meca dos jogos.
A arquitetura de Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
Mas Hollywood me fez mudar de opinião novamente. Primeiro, num filme em que Warren Beatty para no meio do deserto para tirar água do joelho e, no meio da “atividade”, tem uma visão do futuro, uma cidade no meio do nada dedicada apenas aos jogos, mulheres e prazeres mundanos. Apesar da gozação dos amigos gângsteres, ele resolve construir a cidade que imaginou, que acaba sendo Las Vegas. No outro, é Robert De Niro que se torna o gerente de um casino na cidade e retrata muito bem o controle que a máfia americana tinha da cidade, nos “áureos tempos”.
A pequena Veneza de Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
Hoje já não é bem assim. Os cassinos mais tradicionais viraram uma espécie de relíquia turística e os grandes empreendimentos tomaram conta da jogatina de verdade. Ao longo da famosa “strip”, a principal avenida da cidade, dezenas de gigantescos hotéis, todos disputando em luxo, arquitetura e extravagância, atraem milhões de turistas anualmente, 365 dias por ano, 24 horas por dia, com suas milhares de máquinas caça-níqueis, mesas de roleta e baralho e mega-shows e produções artísticas. A festa e o jogo, literalmente, nunca param!
Chegando à Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos
Para nós, visitantes, a vantagem de tamanha concorrência são os preços baixos dos hotéis. Eles preferem ganhar dinheiro nas apostas que nas diárias. Assim, não há nenhuma outra cidade nos Estados Unidos onde se pode ficar em tão bons hotéis por preços tão módicos. Nós, por exemplo, ficamos num quartão do Hard Rock Hotel por menos de 70 dólares. A Ju e o David ficaram por um pouquinho mais no gigantesco MGM.
A Ana se arrisca em cassino de Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos
Para quem acompanha nossa viagem desde o começo, vai lembrar que, logo no nosso primeiro mês da jornada, encontramos o casal em Miami. Lá se vão dois anos! O tempo está voando!!! A Ju é minha cunhada, irmã mais nova da Ana e o David é seu super-namorado. Já há alguns meses que vínhamos planejando esse reencontro e eles escolheram que fosse em Las Vegas, que o David já conhecia, mas a Ju ainda não.
A Ju e o David nos acompanham pelos casinos de Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos
Como eles tiveram de comprar suas passagens com antecipação, tivemos que readaptar nossa agenda para poder bater as datas. Demos uma enrolada básica e maravilhosa na Califórnia (para onde retornaremos com mais tempo, ao final de nossa passagem pelos EUA), um primeiro gostinho do fantástico oeste americano e, depois do reencontro, vamos acelerar em direção à costa leste, de onde já temos viagem marcada para a Groelândia, saindo de Orlando, no dia 25 desse mês. No próximo post, falo do nosso roteiro para cruzar o país.
Passeando na famosa Fremont, Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos
Enfim, aqui em Las Vegas, junto com a Ju e o David, falamos para eles que queríamos relaxar, apenas segui-los em sua programação pela cidade, sem ter de decidir nada. Queríamos ser guiados, o que depois de dois anos tendo de decidir o roteiro de cada dia, era um descanço mais do que merecido.
Com a Ju e o David no cassino do MGM Grand Hotel, em Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
E assim foi, por quase três dias de deliciosa convivência. Ficávamos pela manha nos nossos hotéis, descansando e trabalhando na internet, e saíamos pela tarde e pela noite, conhecendo cassinos e jantando em bons restaurantes escolhidos pelo David e indo a shows escolhidos pela Ju. Foi ótimo!
Comemoração do reencontro das irmãs, em Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
A quantidade de cassinos e de máquinas nos cassinos e de hotéis e de quartos nos hotéis realmente impressiona. A gente literalmente se perde dentro desses mega-complexos que mais parecem cidades, cheio de restaurantes e lojas próprias e uma vai e vem interminável de turistas, empregados e curiosos.
Cena comum em Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
Do lado de fora, na strip, é a arquitetura grandiosa e exótica que chama a atenção. Em Las Vegas, é possível encontrar a esfinge e a pirâmide, a Fontana de Trevi e a Capela Sistina, a Torre Eiffel e a Estátua da Liberdade e até as gôndolas de Veneza. Uma do lado da outra. Os mais aficionados dizem que nem é mais preciso viajar à Europa, depois que já se conhece Las Vegas. Claro que isso é uma estupidez, mas que essa breguice toda impressiona, impressiona!
Show de águas e luzes em Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
Show do Cirque de Soleil em Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
Outra coisa que impressiona são os shows. Desde o show de água e luzes do hotel Bellagio até os diversos espetáculos residentes do Cirque de Soleil. A gente se esbaldou em Mistery, uma espetacular e sensível exibição de dançarinos e acrobatas, numa produção de cair o queixo, do som e figurino ao cenário e organização. Outro show muito legal foi um Burlesque, dezenas de belas moças dançando quase sem trajes, ao estilo parisiense.
O lado faraônico de Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
A Torre Eiffel de Las Vegas - Nevada, nos Estados Unidos
Também tivemos tempo para dar um pulo na Fremont Street, local onde estão os cassinos antigos e tradicionais, e também no famoso luminoso das boas-vindas, aquele que eu me lembrava da infância. Muito legal!
A conhecida placa de boasvindas à Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos
Chato e triste, só a despedida do casal. Voltam para Nova Iorque, onde o David termina seu mestrado e de onde a Ju segue para Londres, onde ainda vive. E nós, pé na estrada novamente, rumo ao Arizona, mas com parada num dos símbolos do país, o Hoover Dam. E as luzes a a magia de Las Vegas ficam para trás, nas memórias do menino e na visão futurística da personagem do Warren Beatty.
O belíssimo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
Ontem, depois da longa e maravilhosa caminhada na região do Lake Louise, ficamos sem tempo de voltar à outra das maravilhas da natureza do parque: o Lake Moraine. Tínhamos estado lá rapidamente, com chuva, no final do dia de anteontem. E juramos que iríamos voltar, de tão bonito que era. Então, hoje cedo, ainda antes de partirmos para Jasper, mais ao norte, retornamos ao Lake Moraine.
O belíssimo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
O nome vem da sua origem glacial. “Moraine” é o nome que se dá ao acumulo de pedras e entulho que uma geleira vai construindo ao longo do tempo. Esses verdadeiros rios de gelo carregam em suas costas pedaços das montanhas e vales pelos quais atravessa. Na sua luta para alargar o canal por onde passa, vai gerando desabamentos e as pedras que caem ficam sobre o gelo, que se desloca uns poucos metros por ano. Em algum ponto, na extremidade da geleira, o gelo derrete, É aí que ficam todas as pedras carregadas durante séculos. Acabam formando um monte de entulho que é o que chamamos de “Moraine”. Quando a geleira retrocede, por causa das mudanças climáticas, e deixa em seu lugar um rio, as “Moraines” acabam se transformando em diques naturais, favorecendo a formação de lagos. Como não tivemos glaciares no Brasil, essa não é uma palavra muito comum no nosso vocabulário, mas “moraine” em português é “morena”.
Caminhada pelo incrível Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
Fascinado pelas cores do Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
Bom, ainda bem que voltamos lá, pois o lago é uma das coisas mais lindas que já vimos nessa viagem. Ainda mais bonito que o Lake Louise, para falar a verdade. O seu verde é mais escuro e, sem vento por ali, é um verdadeiro espelho gigante, refletindo a paisagem de florestas verdes e montanhas nevadas ao seu redor. Uma verdadeira pintura! Palavras não podem fazer jus àquilo, mas as fotos mostram, pelo menos em parte, a beleza magnífica do lugar.
Pessoas esperam companheiros para poder completar o grupo e caminhar em área de ursos, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
Aviso de que apenas grupos com 4 pessoas, no mínimo, podem caminhar nessa área na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
Nós fizemos uma curta trilha pela sua orla, pela floresta de pinheiros, o lago maravilhoso sempre ao nosso lado. Como ainda estava cedo, quase não havia turistas por ali e a sensação de contato com a natureza era ainda maior. Pelo caminho, outras trilhas saiam em direção às montanhas, mas nós não teríamos tempo de percorrê-las. Nem que quiséssemos, seria muito simples. Isso porque somos apenas dois e, nessa época do ano, o mínimo por grupo são quatro pessoas. Tudo por causa dos ursos, que tendem a respeitar grupos maiores de pessoas. Se um ranger (o guarda do parque) te pega fazendo a trilha fora de um grupo, as multas são pesadíssimas. E, pelo jeito, as pessoas respeitam pois, numa das entradas, lá estava um casal acompanhado de seu cão esperando que mais gente aparecesse, para poder fazer a trilha. Até olharam com esperança para nós, mas teriam de esperar mais um pouco...
Mirante de observação do magnífico Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
feliz, durante passeio pelo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
Fizemos essa trilha na orla do lago e subimos novamente no alto da “morena”, onde está o mais acessível mirante para observar todo o lago. Um colírio para os olhos, muita fotos e até um encontro com um grupo de brasileiras que viajava pelo local. Conversamos bastante com a guia, que mora no verão por aqui, recebendo turistas enviados por agências brasileiras e, no inverno, na California, de onde acompanha turistas brasileiros para o Havaí. Que bela vida! Literalmente!
O magnífico cenário da estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
Um dos muitos belos lagos na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
Ainda “flutuando” com tanta beleza, voltamos para a Fiona e pegamos a estrada em direção à Jasper, no norte. Logo que saímos da cidade de Lake Louise, mudamos de parques: deixamos o Banff National Park e entramos no Jasper National Park. O principal centro de apoio desse parque é a cidade de Jasper, 230 km ao norte de Lake Louise.
A incrível paisagem atravessada pela estrada que liga Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
Pode parecer longe, mas a estrada que liga as duas cidades passa por paisagens tão incríveis que a gente nem vê o tempo passar. São montanhas, lagos e geleiras que vão prendendo a nossa atenção, fazendo a gente querer parar em cada curva, fotografar ou simplesmente respirar aquela beleza incrível.
A geleira de Crowfoot, agora com apenas dois dedos, na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
Foto antiga mostra a geleira de Crowfoot ainda com três dedos, na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
A primeira parada foi em frente a geleira conhecida como Crowfoot, ou “pé do corvo”. Não demora muito para adivinhar a razão do nome. Mas, infelizmente, está faltando um dedo do corvo, que estava lá quando a geleira foi batizada, há um século. Podemos ver as fotos antigas e perceber como o gelo recuou nesses últimos 100 anos. Prova irrefutável de que algo está mudando no nosso planeta. O segundo dedo também está diminuindo, mas mesmo assim, a magnitude da geleira, pendurada na montanha, impressiona.
Lagos e montanhas na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
Mas à frente, passamos por diversos lagos, cada um mais belo do que o outro. Todos da família do Lake Louise, pela cor. Aliás, essa cor vem dos minerais presentes nas pedras trazidas pelas pequenas geleiras atuais. As pedras acabam se dissolvendo na água e tingindo o lago com essa cor mista de azul e verde. Uma beleza!
Estrada que corta as montanhas e a belíssima paisagem entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
Seguindo adiante, chegamos à maior geleira da região, originada em um enorme campo de gelo por detrás das montanhas chamado de Columbia Icefields. Olhando bem de longe, já ficamos impressionados com sua envergadura, principalmente quando, com muito trabalho e esforço, conseguimos discernir pessoas caminhando sobre ela, minúsculos pontos escuros naquela vastidão branca e gelada.
Admirado com a grandiosidade da paisagem entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá
minúsculas pessoas caminham na geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Para lá seguimos com a Fiona, loucos para matar nossa saudade de caminhar me geleiras. A última vez tinha sido na Islândia (trecho da nossa viagem que, vergonhosamente, eu ainda não relatei. Mas chego lá, pois as fotos do país são absolutamente maravilhosas e merecem ser mostradas!), em maio desse ano. Conforme vamos chegando mais perto, mais tomamos ciência do tamanho do rio de gelo. É de tirar o fôlego...
Pessoas caminham pelo Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Temos de estacionar a mais de um quilômetro de onde a geleira está e caminhar o resto do tempo. Primeiro, subir uma antiga e enorme “moraine” e depois, descer do lado de lá, até chegar ao ponto em que o gelo encontra a terra. No caminho, diversas placas marcam o ponto onde estava a geleira nos anos anteriores. É bem triste passar pelas marcas de 1982 e 1992 e ver o quanto a geleira retrocedeu nessas ultimas décadas. Triste e preocupante.
A caminho da geleira em Columbia Ice Fields, a placa marca até onde o gelo chegava em 1982 (no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá)
Explorando a geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Preocupação é o que sente os administradores do parque, colocando diversos cartazes dizendo que é proibido caminhar sobre a geleira, devido ao perigo de se cair em alguma das diversas fissuras escondidas por neve ou gelo fino. Mas os avisos são simplesmente ignorados pelas pessoas e nós fomos na onda, claro! Afinal, chegar até ali e não seguir para ver de perto seria um pecado. Com todo o cuidado, claro!
Caminhando pela fantástica geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Seguimos uns quinhentos metros geleira acima, pelo menos até o ponto onde não havia mais turistas ou pessoas à minha frente. Só aí, vendo aquela imensidão puramente branca defronte a mim, me dei por satisfeito. Aqui, o gelo é mais branco, pois até onde as pessoas caminham ele está bem sujo de pó e pedras. A beleza e a sensação de solidão são indescritíveis. A força da natureza que sentimos sob os nossos pés também. Ao contrário da Islândia, onde as geleiras eram cheias de fissuras e buracos em fundo, aqui ela era bem mais homogenia, uma enorme massa de água congelada em movimento. Uma força primordial da natureza, a qual só podemos respeitar e admirar.
Riacho atravessa a geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Rio corta canyon através de diversas camadas de rocha, em Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Os pequenos riachos que correm sobre o gelo são o lembrete de que ela está derretendo. De pouco em pouco, mas está derretendo. Esses pequeno riachos tornam o cenário ainda mais belo, formando até pequenas corredeiras e cachoeiras. Mas também nos alertam do perigo do gelo que pode ceder, então caminhamos cuidadosamente de volta à terra firme.
Atravessando antigo canyon criado (e abandonado) pelo rio, em Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Ainda havia mais atrações pelo caminho, antes de chegarmos à Jasper, então seguimos em frente. Agora, depois de tantas montanhas, lagos e geleiras, a próxima parada foi numa grande cachoeira, no principal rio da região, o Athabasca. Ao longo de milhares de anos de erosão, ele formou um impressionante canyon nessa parte do rio. Através de várias passarelas, podemos caminhar sobre essa maravilha natural e, através dos painéis explicativos, podemos viajar no tempo e entender como se dá a eterna luta entre a água e a rocha que tenta cercar o seu caminho.
O balé das águas na Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Normalmente, tendemos a ver essas paisagens de forma estática, como se aquilo tivesse nascido assim, como que por uma passe de mágica e que continuará da mesma maneira, pela eternidade. Nada disso! Pode ser assim na ridícula escala de tempo de nossas vidas, mas considere alguns poucos milhares de anos e logo percebemos o quão dinâmico e efêmero é isso tudo. As cachoeiras e canyons que estávamos vendo tem essa idade. E, para a nossa surpresa, não é apenas a água que vence essa luta. Ao lado do canyon onde passa o rio atualmente está um outro canyon, seco. Por ali passou a água por um bom tempo, mas acabou perdendo a batalha para a dureza da pedra e acabou seguindo por outro caminho, onde a rocha era mais mole. Caminhar por ali e imaginar os antigos turbilhões de água moldando e arranhando as paredes é bem legal. Entender como se dá todo o processo o torna ainda mais interessante, ao invés de “destruir a poesia”, como pensam alguns.
Um dos mirantes de Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Enfim, tantas atrações haviam no caminho que chegamos já de tarde em Jasper, sem tempo para ver uma sequência de lagos coloridos que requeriam uma trilha de meia hora para ser percorrida. Fomos diretamente para a cidade. Final de feriado, foi um pouco mais fácil encontrar hotel. Ainda tivemos forças para um jantar com vinho no bar do próprio hotel, com direito à música ao vivo da melhor qualidade. O músico mandava muito bem no francês e inglês, além de tocar diversos instrumentos, inclusive uma espécie de cavaquinho e um pandeiro que se toca com os pés. Incrível! Valeu cada gotinha do nosso vinho! Aliás, o dia de hoje valeu cada minuto do nosso tempo. Viva o Canadá!
Olha só a gente "perdido" no meio do Canadá!
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)










.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
![A caminho do parque Torres del Paine] A caminho do parque Torres del Paine]](../../fototmp/574-a-caminho-do-parque-torres-del-paine-nikon (99114).jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)


.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)







.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)