1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

mais vistos

mais comentados

novos comentários

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: El Salvador Há 2 anos: El Salvador

São Chico e Joinville

Brasil, Santa Catarina, São Francisco do Sul, Joinville

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Hoje, depois de tantos dias de praia espalhados pelo litoral de Santa Catarina, resolvemos mudar de foco. Afinal, estávamos do lado de São Francisco do Sul, uma das mais antigas cidades do Brasil, verdadeiro patrimônio histórico do país. A cidade, como já falei no post passado, fica na ilha de mesmo nome. Mas a grande maioria das pessoas que vem para cá, inclusive nós, no passado, nem vai conhecer o centro histórico e fica mesmo só pelas praias da ilha. Pois bem, estava mais do que na hora de sanarmos essa nossa falha de conhecimento!

Mapa da região de Joinville, mostrando também a ilha de São Francisco do Sul e a Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina

Mapa da região de Joinville, mostrando também a ilha de São Francisco do Sul e a Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina


São Francisco do Sul, carinhosamente apelidada de São Chico, foi fundada por volta de 1650, a primeira povoação do estado de Santa Catarina. Mas os europeus já frequentavam a ilha e a baía onde foi fundada a cidade muito antes disso. Especula-se que uma expedição francesa passou por aqui em 1504 e levou para a Europa um indígena (filho de um chefe local) que viveu em Paris até os 90 anos de idade! Não que não tenha querido voltar, mas uma carona, naquela época, não era coisa fácil. Enfim, adaptou-se muito bem ao estilo de vida e língua franceses. A história é verdadeira, mas nunca se pode comprovar que ele tenha mesmo saído de São Francisco do Sul.

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Ar colonial nas fachadas do centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Ar colonial nas fachadas do centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Quem comprovadamente passou por aqui em 1515 foi o famoso navegante espanhol Juan Dias de Solis. Foi ele que nomeou a ilha com o nome que conhecemos hoje. Quatro décadas mais tarde os espanhóis até tentaram ocupar a ilha, fundando um povoado. Mas a pequena vila não teve vida longa. Após feroz ataque dos índios tupiniquins, os colonizadores abandonaram tudo e fugiram para Assunción, no Paraguai.

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Dirigindo peles ruas históricas São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da baía da Babitonga

Dirigindo peles ruas históricas São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da baía da Babitonga


Um século mais tarde, por volta de 1650, foi a vez dos portugueses tentarem. Depois de escravizarem ou exterminarem boa parte da população indígena do local, os bandeirantes paulistas não tiveram problemas maiores em fundar a cidade. Nascia São Chico, primeiro subordinada a Paranaguá, mais ao norte, mas ganhando luz própria com o passar do tempo. Basta caminhar pelas ruas de seu centro histórico para perceber que a cidade já teve tempos de glória nos dois séculos seguintes.

Rua do centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Rua do centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Placa informativa no centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Placa informativa no centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Além do charmoso casario com ares coloniais que se espalha pelas ruas principais, chamam a atenção a Igreja Matriz, com mais de 200 anos de idade, e o Mercado Municipal, construção também centenária. O centro é pequeno e podemos (e devemos!) percorrê-lo a pé. Oportunidades para fotos não faltarão! A cidade está na beira da Baía da Babitonga que, cercada de verde e montanhas ao fundo, compõe bem qualquer fotografia.

Observando a baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Observando a baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Outro ponto alto da visita à cidade é o Museu Histórico. Ele faz uma homenagem ao enorme litoral do nosso país, além de suas bacias hidrográficas. Especializou-se na relação dos brasileiros, desde os tempos indígenas, com a água. Aí aprendi que em nenhum outro país do mundo há uma variedade tão grande de embarcações como no Brasil, cada uma adaptada ao clima, condições do local e necessidades de quem as constrói. Para quem gosta desse tipo de coisa, é uma visita imperdível! Além da exposição de barcos, canoas, jangadas e outros tipos de embarcação, a própria construção do museu, em galpões centenários, e sua localização na orla da Babitonga são atrativos extras.

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Foram duas horas de agradável exploração pela cidade, com direito até à lanche no pequeno Mercado. Depois, pé na estrada novamente, mas para uma viagem bem curta. Nosso próximo destino foi a cidade de Joinville, ali do lado, mas já no continente.

O belo cenário do restaurante do Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

O belo cenário do restaurante do Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Santa Catarina é o único estado do Brasil cuja capital, Florianópolis, não é a maior cidade estadual. Essa honra cabe exatamente a Joinville, cidade de colonização alemã e que hoje tem mais de 500 mil habitantes, menor apenas que Porto Alegre e Curitiba em toda a região sul do país.

Fachada do Mercado Municiapal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Fachada do Mercado Municiapal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Interior do Mercado Municipal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Interior do Mercado Municipal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


A cidade (e seu nome!) tem uma origem bem interessante. Em 1843, Maria Leopoldina de Austria, filha de Dom Pedro I e irmã do Imperador Dom Pedro II casou-se com o 3º filho do rei da França naquela época, Luis Filipe. Seu nome, Francisco Fernado de Orleáns, o Príncipe de Joinville. Essa “Joinville” original é uma pequena cidade francesa (hoje tem uns 5 mil habitantes) no nordeste do país. Como dote de casamento, além de joias e dinheiro, a princesa levou consigo uma considerável porção de terra onde hoje se localiza a cidade de Joinville, no nordeste de Santa Catarina. Durante as negociações pré-nupciais, os franceses pediram que as terras do dote fossem próximas à Guiana Francesa, mas os brasileiros acharam por bem não misturar as coisas e escolheram terras no lado oposto do país, a mais de 4 mil quilômetros de Caiena.

A Ana descansa e divaga na orla de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da Baía da Babitonga

A Ana descansa e divaga na orla de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da Baía da Babitonga


Influência alemã no pórtico de entrada da cidade de Joinville, no norte de Santa Catarina (foto da Internet)

Influência alemã no pórtico de entrada da cidade de Joinville, no norte de Santa Catarina (foto da Internet)


O casal real não teve chance de conhecer sua propriedade, pois moravam na Europa e, cinco anos após o casamento, o pai do Príncipe de Joinville foi derrubado na França por uma revolução. O príncipe e a princesa acabaram se refugiando na Inglaterra e, após alguns anos, sem a benevolência do dinheiro estatal, acabaram falindo. Então, para ajudar a pagar suas contas, venderam aquela propriedade distante que possuíam lá no sul do Brasil para um rico magnata alemão, o senador Christian Mathias Schroeder. Este estava organizando pequenas colônias alemãs no Brasil, mandando famílias de imigrantes para cá. Para homenagear o antigo proprietário da terra, o alemão resolveu batizá-la de Joinville. Nasceu pequena e alemã, mas algumas décadas mais tarde, passou por um intenso processo de industrialização que lhe rendeu o apelido de “Manchester brasileira”, em referência à principal metrópole industrial da Inglaterra e do mundo naquele final de século XIX.

Vista aérea de Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina (foto da Internet)

Vista aérea de Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina (foto da Internet)


Joinville, no norte de Santa Catarina, é sede do principal festival de dança do país (foto da Internet)

Joinville, no norte de Santa Catarina, é sede do principal festival de dança do país (foto da Internet)


Hoje, a simpática Joinville ganhou fama também por seu Festival Internacional de Dança, o mais importante da América Latina. Talvez por isso, aqui está instalada a única filial do prestigioso Ballet Bolshoi na América. Eu já tive chance de estar na cidade durante a realização do festival e é realmente um show, dezenas de espetáculos com dançarinos de todo o mundo e a noite fervendo na cidade.

Encontro com o Luís Felipe, primo da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina

Encontro com o Luís Felipe, primo da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina


Encontro com a Vitoria, prima da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina

Encontro com a Vitoria, prima da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina


Mas não estamos na época certa. Então, não foi isso que nos atraiu à grande metrópole catarinense. Viemos para visitar a tia Wal, aquela do apartamento de Bombinhas, e seus dois filhos, primos da Ana, o Luís Felipe (como aquele rei da França derrubado em 1848 e pai do Príncipe de Joinville) e a Vitoria. Fomos muito bem recebidos e passamos a noite por aqui, a nossa última em Santa Catarina. De noite, um grande encontro de amigos do Luis Felipe na casa, todos fãs de narguilé, aquele aparelho de origem árabe para fumar. Uma delícia! Passamos horas ali, testando e experimentando novos sabores e essências. Depois, até fizemos uma pequena apresentação de fotos dos 1000dias para os presentes, quem sabe a primeira de muitas!. E foi assim, com esse calor humano, que fechamos nossa temporada nesse estado. Agora, só falta mesmo alguns dias no Paraná para retornarmos, de vez, para Curitiba. O frio na barriga só vai aumentando...

Slide da apresentação da viagem dos 1000dias que fizemos na casa da tia Wal, em Joinville, norte de Santa Catarina

Slide da apresentação da viagem dos 1000dias que fizemos na casa da tia Wal, em Joinville, norte de Santa Catarina

Brasil, Santa Catarina, São Francisco do Sul, Joinville, Arquitetura, história

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

Passeando e Planejando

Brasil, Pará, Belém

A Praça da República e o Teatro da Paz, em Belém - PA

A Praça da República e o Teatro da Paz, em Belém - PA


Nosso dia hoje em Belém foi dividido entre passeios para ver um pouco dessa metrópole, o planejamento dos nossos próximos dias por aqui, em Marajó e no Amapá e tentar colocar tudo isso em prática.

Mercadorias no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Mercadorias no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


As balsas com carros entre Belém e Macapá saem às sextas e sábados, então não poderíamos perder essa chance, pois esperar mais uma semana iria nos atrasar muito. Mas nós não poderíamos ir tão rápido, pois não teríamos chance nem de ver Belém nem a Ilha de Marajó. Por isso resolvemos despachar a Fiona e seguir alguns dias depois, para já encontrá-la lá. Isso nos daria o tempo necessário para viajar por dois dias à Marajó. Aliás, como o nosso tempo é exíguo, resolvemos pagar uns reais a mais (não muitos) para voar para Macapá, na madrugada de segunda para terça, ao invés de ficar 24 horas num barco. Para completar, a Fiona já está com sua revisão dos 30 mil km agendada para terça cedo, em Macapá. Na quarta, devemos seguir para Oiapoque, e de lá para as Guianas.

Tudo se vende no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Tudo se vende no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Para colocar tudo isso em prática, então, a primeira tarefa era despachar a Fiona. Passei a manhã toda tentando efetivar isso, mas a cegonheira em que eu iria "encaixar" a Fiona não chegava à Belém, e o tempo ía passando. Acabei desistindo e optando por um lugar na balsa diretamente. Por 800 reais, a Fiona foi embarcada, numa viagem de 30 horas, para Macapá. Na terça, saberemos se deu tudo certo. Até lá, dedos cruzados Quanto à nós, amanhã de madrugada seguimos para Marajó, de onde retornamos na segunda pela manhã para mais um dia em Belém, até embarcarmos de noite para Macapá. Segunda também será o dia de comprar euros e dólares para a temporada guianesa.

Em frente ao 'Mercado de Ferro', no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Em frente ao "Mercado de Ferro", no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Planejamento relatado, falta a parte do turismo! Como eu já sabia que passaria boa parte da manhã no quarto do hotel, por conta da balsa da Fiona, resolvemos ir mais cedo ainda visitar o principal símbolo turístico de Belém, o Mercado Ver-o-Peso. Eram 07:30 da manhã quando lá chegamos, ainda em tempo de ver o mercado ser abastecido com levas e levas de peixes recém chegados dos rios da região. As bancas de peixe ocupam o Mercado de Ferro, área nobre do Ver-o-Peso importada em partes da Inglaterra há mais de cem anos. São as suas torres o símbolo do mercado. À sua volta o mercado se estende em barracas onde se pode ver de tudo, desde frutas, vegetais e artesanato até animais engaiolados e elixires que prometem remediar tudo. Passamos mais de uma hora por ali, fotografando e observando as mercadorias e, principalmente, as pessoas que fazem desse lugar um dos mais vivos do país.

Venda de pescada-amarela no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Venda de pescada-amarela no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Na volta para o hotel, ainda passamos na Igreja das Mercês, uma das mais famosas e antigas da capital. A sessão de turismo só pode ser retomada no intervalo do almoço, quando fomos à Praça da República ver o Teatro da Paz, imponente prédio da época de ouro do ciclo da borracha e que contribuiu para que se apelidasse Belém, com uma certa dose de exagero, de "a Paris dos trópicos".

Igreja das Mercês, em Belém - PA

Igreja das Mercês, em Belém - PA


Eu ainda tive a chance de passar novamente a Estação das Docas, agora de dia, quando voltei do embarque da Fiona. Cada vez mais acho parecido com Puerto Madero e cada vez mais fico admirado com o trabalho realizado. Uma área da cidade que estava jogada às traças revitalizada e transformada em centro comercial, gastronômico e turístico.

Estação das Docas, em Belém - PA

Estação das Docas, em Belém - PA


De noite, de táxi, fomos comer numa área cheia de restaurantes, bem movimentada. Escolhemos o Xícara da Silva, lugar bastante agradável onde jantamos muito bem. Até gostaríamos de esticar a noite, mas o barco para Marajó vai sair às 06:30. Além disso, alguma virose me atacava e não seria muito inteligente eu abusar...

Cupuaçu fresco e de verdade no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Cupuaçu fresco e de verdade no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Brasil, Pará, Belém, Ver o Peso

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Jenipapo e Urubu

Brasil, Piauí, Teresina, Campo Maior (Jenipapo), Esperantina (P.E. Cachoeira do Urubu)

Observando a Cachoeira do Urubu bem de perto, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Observando a Cachoeira do Urubu bem de perto, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI


Saímos não tão cedo de Teresina para enfrentar um pouco do trânsito de dia normal de trabalho. Estávamos meio desacostumados com isso, pois só conhecíamos a cidade na tranquilidade de fim de semana. Mas foi só sair da complicação do centro hospitalar e tudo melhorou.

Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI

Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI


Poderíamos ter seguido diretamente para Parnaíba, via Cachoeira do Urubu. Pouco mais de 300 quilômetros rumo ao norte. Mas preferímos voltar pela mesma estrada que tínhamos chegado, pelo menos até a cidade de Campo Maior, onde está o Memorial da Batalha do Jenipapo. Fizemos questão de ir lá prestar nossas homenagens a esses bravos brasileiros tão pouco conhecidos e valorizados pela nossa história.

Cemitério de combatentes no Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI

Cemitério de combatentes no Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI


Eu, por exemplo, que gosto tanto de história, não lembro de nenhuma referência a esta batalha na escola. Quando muito, ficamos sabendo que houve alguma luta na Bahia, durante o processo de independência. Tanto que o 7 de Setembro deles cai em outro dia. Mas nada sobre a guerra que houve no Piauí. Foi somente aqui que aprendi que D. João já não tinha muita esperança de evitar a independência brasileira. Mas planejava manter ao menos a parte norte do país, Piauí, Maranhão e Pará como colônia portuguesa, separada do resto do país. E seus generais bem que tentaram conseguir isso.

Painel ilustrativo da batalha no Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI

Painel ilustrativo da batalha no Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI


O principal militar português por aqui era Fidié. Enquanto ele e seus homens perseguiam revoltosos em Parnaíba, organizou-se um exército de voluntários para enfrentá-lo nas planícies alagadas de Campo Maior, os Campos do Jenipapo. Esse exército era formado por sertanejos, vaqueiros, caçadores, gente simples do campo. Quase todos armados apenas com armas brancas e muita coragem e determinação. Como se fez isso naquela época, não tenho a menor idéia. O fato é que conseguiu-se juntar alguns milhares desses voluntários que atacaram o exército bem treinado de Fidié. Armas de um lado, muita determinação do outro, o resultado foi a vitória portuguesa e cerca de 200 mortos entre os brasileiros. Mas o estrago no lado português, principalmente na moral, também foi grande. A partir dessa batalha, nunca mais estiveram na ofensiva e alguns meses mais tarde acabaram se rendendo. Era a verdadeira independência do Brasil, decidida aqui nos campos do Piauí e não nos planaltos de São Paulo, às margens do Ipiranga.

Transporte público comum no Piauí, em Campo Maior - PI

Transporte público comum no Piauí, em Campo Maior - PI


Depois de visitarmos o memorial e o cemitério, voltamos para Campo Maior e descobrimos a estrada secundária (desconhecida do nosso GPS) que seguia em direção à pequena cidade de Esperantina, onde fica a Cachoeira do Urubu. Com algum trabalho, driblamos uma feira e o movimento normal e confuso de motos, ciclistas e cavalos pelo centro da cidade e rumamos para o norte.

Carnaúbas, palmeira muito comum nesta parte do norrdeste (em Campo Maior - PI)

Carnaúbas, palmeira muito comum nesta parte do norrdeste (em Campo Maior - PI)


Observando a Cachoeira do Urubu de cima da passarela, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Observando a Cachoeira do Urubu de cima da passarela, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI


Na estrada, fomos desviando dos buracos, cabras, vacas, jumentos, cavalos e porcos que andam livre e tranquilamente pelas estradas daqui. Cuidadosamente superando os obstáculos, chegamos à Cachoeira, que nos surpreendeu pela força e tamanho. Já esperava algo mais forte, mas ficou muito além das nossas expectativas.

Cruzando a passarela sobre a Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Cruzando a passarela sobre a Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI


Observando a Cachoeira do Urubu de cima da passarela, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Observando a Cachoeira do Urubu de cima da passarela, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI


A Cachoeira do Urubu fica bem na fronteira dos municípios de Batalha e Esperantina. Nessa época do ano, muita água passa pelo rio e transforma a cascata em cachoeira e a cachoeira em catarata. Uma passarela liga os dois lados do rio, passando bem encima da queda d'água. É uma belíssima visão, todo aquele poder logo abaixo de nós. Ficamos algum tempo admirando aquela obra da natureza, primeiro ali de cima e depois de um restaurante logo em frente à cachoeira. Quem diria que no Piauí tem tanta água?

Aproximando-se cuidadosamente da Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Aproximando-se cuidadosamente da Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI


Bem próximo do 'coração' da Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Bem próximo do "coração" da Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI


Finalmente, era hora de partir. Uma forte chuva atrasou ainda mais nossa viagem e logo escureceu. Com vacas e cavalos cruzando a estrada o tempo todo, não dava para acelerar muito. Chegamos em Parnaíba muito mais tarde do que tínhamos imaginado ontem. A fome apertava e, depois de descobrirmos um hotel, mesmo antes de descarregar a bagagem já seguimos para o restaurante mais famoso da cidade, o La Barca. Devoramos um peixe delicioso e viemos nos instalar no Hotel Cívico. Amanhã, é dia de passear pelo delta. Seja de avião, de lancha ou de barco. Temos de organizar tudo pela manhã, bem cedinho, para não perder mais tempo. Delta, aí vamos nós!

Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI

Brasil, Piauí, Teresina, Campo Maior (Jenipapo), Esperantina (P.E. Cachoeira do Urubu), Batalha, Jenipapo

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Ambientando-se

Paraguai, Asunción, Jesús, Villarrica

A bela igreja de pedra da época dos jesuítas, em Villarrica - Paraguai

A bela igreja de pedra da época dos jesuítas, em Villarrica - Paraguai


Aos poucos, vamos nos ambientando no novo país. No começo tudo é novidade, estradas, paisagens, pessoas, língua, cultura, comida. Mas não demora muito e as coisas vão se encaixando, vamos formando uma imagem, uma lógica, a gente se acostuma com o ritmo do dia, com as marcas que vemos nas placas e luminosos, com as cédulas do dinheiro, com o valor do dinheiro, com o custo das refeições, etc...

Sentimento patriótico no dia da semifinal da Copa América (em Villarrica - Paraguai)

Sentimento patriótico no dia da semifinal da Copa América (em Villarrica - Paraguai)


Engraçado é que são os pequenos gestos que nos fazem sentir cada vez mais integrados à nova realidade. Coisas como abastecer o carro pela primeira vez, pagar pedágio na estrada, entrar numa farmácia, ouvir as músicas e notícias tocadas nas rádios locais.

Fiona em Villarrica - Paraguai

Fiona em Villarrica - Paraguai


Hoje amanheceu bastante chuvoso a assim continuou o resto do dia. Até desistimos de passar num bonito Parque Nacional aqui perto de Villarrica, no nosso caminho até o aeroporto em Assunción. Uma pena, pois tínhamos ouvido falar muito bem de Ybycui, cheio de trilhas e cachoeiras. A vantagem foi poder dormir um pouco mais. Depois, voltamos à igreja de pedra que tínhamos visto ontem, de noite. Imagem já familiar que nos fez sentir em casa.

Vendedor de frutas em Villarrica - Paraguai

Vendedor de frutas em Villarrica - Paraguai


Compramos frutas na rua enquanto admirávamos bandeiras paraguaias espalhadas por todas as ruas. Além da Copa Améria, o que tem fortalecido o patriotismo por aqui é a comemoração do bicentenário do país, este ano. A independência foi ploclamada em 1811, sem guerra. Os paraguaios queriam se livrar ao mesmo tempo dos espanhóis e dos argentinos, que viam o país como uma província deles.

As famosas 'chipas' paraguaias (em Villarrica - Paraguai)

As famosas "chipas" paraguaias (em Villarrica - Paraguai)


Depois, ainda antes da viagem, abastecemos o carro (falando nisso, a marca Petrobrás é bem forte por aqui) e paramos numa "Chiperia". Para minha surpresa e alegria, como bom mineiro que sou, descobri que "chipas" se parecem com pão de queijo. Já virei fã, hehehe!

Chegando ao aeroporto em Asunción - Paraguai

Chegando ao aeroporto em Asunción - Paraguai


Por fim, viagem para o aeroporto, cruzando a periferia de Asunción. Fomos levar a Patrícia que retornava hoje à Curitiba. Nossa, parece que foi ontem que a própria Patrícia nos levou ao aeroporto de Curitiba, bem no início da viagem, quando fomos para o Caribe pela primeira vez nesses 1000dias. Início de Abril do ano passado. Podem checar nos arquivos! Ela teve de acelerar, já que estávamos bem atrasados. Hoje, foi o contrário, nós a levamos e tínhamos todo o tempo do mundo. Despedidas calorosas, memórias e fotografias conjuntas e estávamos sós novamente, eu e a Ana. Mas foi uma semana e tanto! Até a próxima, sogrinha querida!!!

Despedida calorosa entre mãe e filha no aeroporto em Asunción - Paraguai

Despedida calorosa entre mãe e filha no aeroporto em Asunción - Paraguai


Hora de achar hotel em Asunción. Em plena época da Expo-Paraguay, o maior evento do país, não foi tarefa fácil. Mas, com a ajuda Centro de Informações do aeroporto, conseguimos o último quarto num hotel jóia, o Portal del Sol, no distrito onde estão shoppings, restaurantes e vida noturna da cidade. Muito bem instalados, já podemos planejar o dia de amanhã, quando pretendemos explorar o centro dessa bela cidade às margens do rio Paraguay.

O Itaú sabe falar guarani! (em Asunción - Paraguai)

O Itaú sabe falar guarani! (em Asunción - Paraguai)

Paraguai, Asunción, Jesús, Villarrica,

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

Vida Mansa em Mompós

Colômbia, Mompós

Muito estressado com a vida em Mompós, na Colômbia

Muito estressado com a vida em Mompós, na Colômbia


Chegando em Mompós, fomos logo nos instalar na simpática "Casa Amarilla", o único hostal da cidade, numa casona bem em frente ao rio. A Colômbia tem uma rede de hostais nas suas cidades mais visitadas, sempre de boa qualidade. Depois de descobrirmos isso em Cali, viramos seus "clientes".

Rua do centro histórico de Mompós, na Colômbia

Rua do centro histórico de Mompós, na Colômbia


A programação do dia não poderia ser outra: caminhamos sem rumo pelas ruas do centro histórico e também pela orla do Rio Magdalena, observando as muitas igrejas, casarões e outras construções centenárias da época de ouro dessa cidade, quando ela era o principal porto fluvial na rota entre o interior do país e Cartagena, no litoral.

Orla do Rio Magdalena em Mompós, na Colômbia

Orla do Rio Magdalena em Mompós, na Colômbia


Clima completamente diferente das outras cidades do país que conhecemos até agora. Muito calor e umidade, lembrando muito cidades brasileiras à beira dos grandes rios do país, como o São Francisco. Mas aqui, pela dificuldade de acesso, há muito menos gente e tudo é mais tranquilo.

Uma das muitas construções históricas no centro de Mompós, na Colômbia

Uma das muitas construções históricas no centro de Mompós, na Colômbia


Homenagem à Simón Bolívar em Mompós, na Colômbia

Homenagem à Simón Bolívar em Mompós, na Colômbia


Depois de muito caminhar, achamos um restaurante gostoso na beira do rio para almoçar e tomar uma merecida cerveja estupidamente gelada. Aí, ficamos vendo o rio e a vida passar, por horas. Conhecemos um simpático casal (suiça e alemão) e a conversa se estendeu indefinidamente enquanto fotografávamos pássaros, o rio e o entardecer e conversávamos sobre viagens e a vida. Não dava vontade de ir embora...

Conversando com a suiça Lili e o alemão Gandolf na orla do rio Magdalena, em Mompós, na Colômbia

Conversando com a suiça Lili e o alemão Gandolf na orla do rio Magdalena, em Mompós, na Colômbia


Mas, enfim, a América Central nos espera (assim esperamos!). Amanhã, sem muita pressa, partimos para a famosa Cartagena de Las Indias, nosso último destino na Colômbia. Chegaremos em plenas festas da cidade que celebra agora sua independência. Ali, vamos ter de encontrar um meio de enviar a Fiona para o Panamá. Dedos cruzados!

Um dos braços do Rio Magdalena, em Mompós, na Colômbia

Um dos braços do Rio Magdalena, em Mompós, na Colômbia

Colômbia, Mompós, Rio Magdalena

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

Descanso com Trabalho

Colômbia, Bogotá

Com a Amelie em almoço em restaurante de Bogotá, na Colômbia

Com a Amelie em almoço em restaurante de Bogotá, na Colômbia


Mais uma vez São Pedro cooperou com o site (mas não conosco) e enviou um dia chuvoso, próprio para se ficar em casa sem dor na consciência. Conseguimos fazer mais alguns posts e enviar mais fotos, mas muito trabalho ainda resta para colocar o site em dia. Com paciência, chegamos lá...

Almoço com a Joana, Douglas, Amelie e Clara em Bogotá, na Colômbia

Almoço com a Joana, Douglas, Amelie e Clara em Bogotá, na Colômbia


Conhecemos hoje a simpática Amelie. No início meio tímida, logo ficou muito amiga da Ana. Taí a razão de eu ter feito mais posts do que ela, hehehe. O nome dela vem do belo filme da Amelie Poulan, filme que também nos inspirou na nossa "valsa de casamento". Com uma coincidência dessa, só podia acabar em amizade, hehehe!

O Douglas, Amelie e Clara durante almoço em Bogotá, na Colômbia

O Douglas, Amelie e Clara durante almoço em Bogotá, na Colômbia


Nossa única saída do dia foi para almoçar. Juntos com a simpaticíssima família que nos acolhe e também com o Angelo e a Joana. O Angelo é o dono da empresa de transporte que trabalha com o The Hall Effect. Ficamos amigos na nossa longa viagem de Cali até Girardot. Eles também estão nos tratando muito bem e já combinamos que amanhã vão nos levar para passear na cidade. Primeiro, ao Museu del Oro e depois ao Cerro Monserrate. Com ou sem chuva, porque dois dias em casa, aí já é demais!

Colômbia, Bogotá,

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Belezas e Tragédias

Peru, Huaraz

A linda paisagem da região de Huaraz, no Peru

A linda paisagem da região de Huaraz, no Peru


Deixamos Lima rumo à Huaraz, a "capital" da Cordillera Blanca, no norte do Peru. Essa região, ainda bem pouco frequentada por brasileiros, é considerada a mais bela do país e uma das mais bonitas do mundo. Certamente, não tem o apelo histórico da região de Cusco, mas as suas montanhas e vales atraem alpinistas e andarilhos de todo o mundo em busca dos trekkings que são realizados na região.

Encostas de montanhas inteiramente cultivadas na região de Huaraz, no Peru

Encostas de montanhas inteiramente cultivadas na região de Huaraz, no Peru


A cidade de Huaraz fica no vale que separa a Cordillera Blanca da Cordillera Negra. Como os próprios nomes parecem indicar, a diferença é que na primeira há muita neve enquanto na outra quase não há, apesar de também ter grandes alturas. Ocorre que a Cordillera Negra recebe diretamente os ventos salgados que vem do Pacífico, protegendo sua irmã branquinha desses mesmos ventos. O sal, que perto da costa é o responsável pela formação dos grandes desertos, aqui é o responsável pela falta de neve. E assim temos montanhas tão próximas umas das outras, algumas nevadas e outras onde só se vê rochas.

A estrada que leva à Huaraz, no Peru

A estrada que leva à Huaraz, no Peru


Outra característica da região, essa bem mais triste, é a constância de grandes catástrofes. Além de grandes terremotos, a região ainda sofre com avalanches e enchentes causadas pelo transbordamento de lagos glaciares. Em 1942, um desses lagos, localizado bem alto nas montanhas, aos pés de um glaciar, recebeu uma grande avalanche e acabou rompendo seu dique natural. Uma enorme quantidade de água veio descendo vale abaixo até chegar em outro lago, destruindo com sua força também o dique natural deste outro lago. Os dez milhões de metros cúbicos de água dos dois lagos combinados desceu ainda mais rapidamente o vale abaixo destruindo tudo à sua frente, inclusive uma boa parte de Huaraz. Quem estava no lugar errado na hora errada não teve chances...

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru


Mas essa tragédia nem chegou aos pés do grande terremoto do início da década de 70, que matou quase 80 mil pessoas e quase não deixou pedra sobre pedra em Huaraz. Mas boa parte dos mortos veio da pequena Yungay, que naquele dia recebia gente de todas as vilas vizinhas para a sua tradicional feira. Yungay se localiza bem em frente ao Huscarán, a mais alta montanha da Cordillera Blanca, com 6.700 metros de altura. O grande terremoto teve a força de soltar muitas milhões de toneladas de granito e gelo combinado da montanha que despencaram para o chão e encosta abaixo com uma força avassaladora. Os quinze quilômetros que separavam a montanha da cidade foram percorridos em meros quatro minutos, debaixo de um som absolutamente ensurdecedor. As pessoas em Yungay tiveram pouco tempo para reagir. A maioria ficou estatelada, esperando a morte certa chegar. Algumas centenas ainda tiveram o ímpeto de correr para o prédio da igreja, o mais forte da cidade. Mas nem a igreja poderia resistir à força do que vinha da montanha. Foi varrida do mapa, assim como quem ali estava. Na verdade, o prédio acabou protegendo as palmeiras da Plaza de Armas que estavam à sua frente. Ainda hoje, enterradas praticamente até as copas, as árvores são as testemunhas mudas dessa tragédia que, em questão de minutos, matou 20 mil pessoas. Os poucos sobreviventes, menos de duas dezenas, foram os que correram e tiveram tempo de subir no morro do cemitério. Que ironia, foi justo no terreno dos mortos que restaram os últimos vivos...

Laguna altiplânica na estrada que vai à Huaraz, no Peru

Laguna altiplânica na estrada que vai à Huaraz, no Peru


Bom, chega de tragédias. Da outra vez que estive em Huaraz, só pude fazer dois tours, um para as geleiras do Pastoruri, hoje fechadas ao turismo e o outro para a bela lagoa Llanganuco, incluindo uma visita a Yungay. Dessa vez, o nosso objetivo era fazer algum dos trekkings. Tem para todo o gosto, de diários até aqueles que duram mais de 10 dias. Optamos pelo mais famoso, o trekking de Santa Cruz, que dura de três a quatro dias. Resolvemos fazer com mordomia, isso é, com burros carregando o peso maior e com cozinheiro para não nos preocuparmos com comida. Além disso, montam e desmontam nossas barracas. A nossa única preocupação é caminhar com um pouco de água e tirar belas fotos. Nada mal, né? Já está tudo acertado para amanhã de manhã, num grupo que inclue mais quatro pessoas que ainda vamos conhecer. Então, é isso aí, amanhã começamos a andar por uma das mais belas regiões do mundo!

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

Peru, Huaraz,

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Mais Dois Dias

Brasil, Paraná, Curitiba

Mais dois de frio, chuva, muito planejamento e arrumação aqui em Curitiba. Aprendo agora que é infinitamente mais difícil começar uma longa viagem de carro do que uma longa temporada de viagens de avião. No segundo caso, o espaço exíguo de duas malas de certa forma nos ajuda a cortar logo o que não é essencial e a decidirmos o que levar. No caso da viagem de carro, com espaço de sobra, fica difícil deixar coisas para trás. Será que não vamos precisar disso ou daquilo? Uffff... um inferno.

Além do mais, temos o bendito equipamento de mergulho e o equipamento de segurança do próprio carro. Tudo acomodado em muitas caixas e mochilas. Depois de muito trabalho, até as duas da manhã, acho que chegamos aos finalmentes. No post de amanhã, publico a foto da arrumação.

Bom, fora essa chateação, também tem a parte boa. Sempre comemos e dormimos muito bem por aqui, principalmente com esse frio. Nada como o conforto da nossa casa (na verdade, o conforto da casa da sogra!). Além disso, a vida social continua à toda: encontros diários com os familiares da Ana (o pai, a avó, irmã com a futura sobrinha, o cunhado), com os amigos (Vanessa, Aymoré, Carneiro) e até mesmo com a nossa mais fiel comentadora, a Paulinha. São vocês que fizeram esses nossos dias aqui em Curitiba muito mais agradáveis!

Agora, finalmente, é pé na estrada!

Brasil, Paraná, Curitiba,

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Para Quem Gosta de Tubarões

Belize, Blue Hole

Caribbean Gray Reef Sharks nadam ao nosso lado durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Caribbean Gray Reef Sharks nadam ao nosso lado durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


Cerca de uma hora depois de mergulharmos no Blue Hole, já estávamos na água novamente, para novo mergulho. Dessa vez, era ao largo de uma ilhota ali perto, num ponto chamado de Half Moon Wall.

Caribbean Gray Reef Sharks nadam ao nosso lado durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Caribbean Gray Reef Sharks nadam ao nosso lado durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


Como o próprio nome diz, era um mergulho ao longo de uma parede de corais, um tipo de mergulho que já fazia tempo que não fazíamos. Ultimamente, disseram os guias, começaram a aparecer uns tubarões durante esse mergulho, vindos das profundezas. Então, tínhamos de manter os olhos abertos, um na perde ao nosso lado e outro no azul profundo e infinito, abaixo de nós. Os tais tubarões, se aparecessem, seriam do tipo Caribbean Reef Sharks, uma espécie bem “confiável”.

Nadando lado à lado com os belíssimos Caribbean Gray Reef Sharks, durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Nadando lado à lado com os belíssimos Caribbean Gray Reef Sharks, durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


Nadando lado à lado com os belíssimos Caribbean Gray Reef Sharks, durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Nadando lado à lado com os belíssimos Caribbean Gray Reef Sharks, durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


Pois é, mal chegamos a tal parede e eles começaram a aparecer. Não um ou dois, mas quase dez deles! Mas, o melhor de tudo foi o quão perto de nós eles chegavam. Passavam praticamente do nosso lado, animais com cerca de dois metros de comprimento, aquela cara típica de tubarão curioso. Lindos!

Encontro com tubarões em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Encontro com tubarões em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


A Ana filma um Caribbean Reef Shark. durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

A Ana filma um Caribbean Reef Shark. durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


A maioria dos mergulhadores preferiu se manter distantes, mas eu, cada vez mais apaixonado por esses animais, fio logo me metendo no azul, bem perto deles. Consegui minhas melhores fotos de tubarão até hoje, assim como filmagens que a Ana fez deles bem perto de mim. Muito joia!

Mergulhando nas paredes de corais de Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Mergulhando nas paredes de corais de Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


Mergulhando nas paredes de corais de Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Mergulhando nas paredes de corais de Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize


A parede de corais ao nosso lado também era incrível, cheia de vales e canyons. Mas, sinceramente, eu mal podia prestar atenção nelas. O que me atraía mesmo eram os tubarões nadando conosco, eles tão interessados em nós como nós neles. Eram tantos que eu tinha de olhar para todos os lados ao mesmo tempo, principalmente quando me afastava mais da parede, para não ser surpreendido por trás. Eles são “confiáveis”, mas não vou dar bandeira para um bicho com tantos dentes, hehehe.

No final do mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize, ainda encontramos essa tartaruga acompanhada de dois peixes pegando carona em seu casco

No final do mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize, ainda encontramos essa tartaruga acompanhada de dois peixes pegando carona em seu casco


No final do mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize, ainda encontramos essa tartaruga acompanhada de dois peixes pegando carona em seu casco

No final do mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize, ainda encontramos essa tartaruga acompanhada de dois peixes pegando carona em seu casco


E assim foi o mergulho, quase meia hora com os tubarões, até que voltamos para uma parte mais rasa, já longe da parede. Era a hora de ver peixes menores, barracudas e até uma simpática tartaruga com dois estranhos peixes de carona. Muito interessante. Mas o do que sempre me lembrarei desse mergulho, desse dia e mesmo da grande barreira de corais de Belize será, com certeza, dos incríveis tubarões que nos deram a honra de sua companhia. Vai nadar assim bonito lá na China, viu!

Um caribbean gray reef shark se aproxima de nós durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Um caribbean gray reef shark se aproxima de nós durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize

Belize, Blue Hole, Mergulho, tubarão

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

New Orleans

Estados Unidos, Alabama, Tuscaloosa, Louisiana, New Orleans

Ana participa de banda de jazz em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Ana participa de banda de jazz em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


Sempre achei que algumas poucas cidades dos Estados Unidos eram especiais, diferentes das outras. Entre elas, San Francisco, Nova Iorque e New Orleans. As duas primeiras eu já conhecia e realmente são incríveis. Mas New Orleans e sua famosa Bourbon Street, cidade de origem francesa onde se respira o jazz, essa eu só conhecia pela fama. Desde o início da nossa viagem dos 1000dias, estava no topo da lista de cidades que queríamos passar aqui no Tio Sam. Finalmente, chegou a hora e esses dois dias por aqui apenas confirmaram as nossas expectativas. New Orleans é especial!

Despedida do Andrew, em frente à sua casa em Tuscaloosa, no Alabama - Estados Unidos

Despedida do Andrew, em frente à sua casa em Tuscaloosa, no Alabama - Estados Unidos


Chegando à Louisiana, no sul dos Estados Unidos

Chegando à Louisiana, no sul dos Estados Unidos


A gente saiu ontem pela manhã de Tuscaloosa, depois de nos despedirmos do Andrew e Jen e nos prometer que o próximo encontro não demorará outros 13 anos. Cruzamos o Alabama, passamos outra vez pelo Mississipi e chegamos à Louisiana, estado à beira do Golfo do México. Não demorou muito e já estávamos cruzando a longa ponte sobre o lago Ponchartrain que nos leva até New Orleans, na boca do rio Mississipi.

A longa ponte para chegar à New Orleans (que já aparece ao fundo!), na Louisiana - Estados Unidos

A longa ponte para chegar à New Orleans (que já aparece ao fundo!), na Louisiana - Estados Unidos


O Superdome, qie ficou famoso na época do Katrina (em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos)

O Superdome, qie ficou famoso na época do Katrina (em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos)


Passamos pelo Super Dome, enorme ginásio coberto que ficou famoso na época do Katrina e fomos para o Garden District, onde estão as melhores opções de hospedagem na cidade, charmosas casas transformadas em hotéis e pousadas. Não demorou muito para descobrirmos que chegar à New Orleans às vésperas de um final de semana sem reserva não é uma boa. Em todos os hotéis que averiguamos até havia lugar para a noite de ontem, mas para a de hoje, estavam lotados. Finalmente, depois de uma hora de procura, achamos um hostal meio escondido, numa rua lateral. Ótima opção, preço razoável, localização excelente.

Casa típica do Garden District, em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Casa típica do Garden District, em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


Afinal, além da vizinhança charmosa do Garden District, com suas casas centenárias, estávamos a um quarteirão da linha de bonde, o mais que simpático transporte para o French Quarter, o centro da cidade. Uns 10 minutos de bonde, ou trinta minutos de caminhada. É lógico que preferimos o bonde e assim foi nesses dois dias, bonde na ida e táxi na volta, já de madrugada.

Pegando o bonde em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Pegando o bonde em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


O simpático bonde de New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

O simpático bonde de New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


New Orleans tem origem francesa, os primeiros colonizadores de toda a região ao longo do Mississipi. A cidade era a mais importante em todo o curso do rio, pois controlava sua foz e portanto, o acesso à navegação do Mississipi. Em 1760, com a derrota na Guerra dos 7 Anos, a França cedeu todas as suas colônias na América do Norte, a parte ao leste do Mississipi para a Inglaterra e ao oeste para a Espanha. New Orleans passou a ter um governador espanhol.

Homenagem aos grandes nomes do jazz em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Homenagem aos grandes nomes do jazz em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


Quarenta anos mais tarde, o cenário tinha mudado. Os Estados Unidos tinham conseguido sua independência e controlavam todo o território ao leste do Mississipi. O rio já era uma importante artéria de comércio, toda a produção ao oeste dos Apalaches fluindo por suas águas. Para o novo país, era essencial manter o acesso livre no rio. Enquanto isso, na Europa, a França vivia sob Napoleão, mais forte do que nunca, mas sempre às turras com a Inglaterra. Os franceses tinham acabado de perder sua mais rica colônia no Caribe, o Haiti, depois de uma violenta rebelião dos escravos (o Haiti foi o segundo país das Américas a conseguir sua independência, logo depois dos EUA). Napoleão tinha grandes planos para o Novo Mundo e isso incluía o Haiti e a Louisiana, região onde está New Orleans, então sob controle espanhol.

St Louis Cathedral, em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

St Louis Cathedral, em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


Sob forte pressão francesa, os espanhóis acabaram cedendo toda a região novamente, num tratado secreto. Ao mesmo tempo, Napoleão mandou seus soldados reconquistarem o Haiti, que seria o centro do império francês nas Américas. A Louisiana serviria apenas para abastecê-lo. Para os americanos, um péssimo cenário, com uma grande potência logo ali do lado e controlando a foz do rio que já era vital para sua economia. Mas os planos de Napoleão foram vencidos pela febre amarela. Quase dois terços de seus soldados morreram no Haiti, depois de vitórias militares, mas sem saber lidar com a doença. Voltaram para casa de mãos abanando. Sem a posse da ilha, Napoleão já não via muito sentido na posse da Louisiana. Os americanos viram a grande oportunidade e se ofereceram para comprar a cidade e arredores. Para sua surpresa, Napoleão ofereceu muito mais: toda a região que ia da foz do rio até a fronteira atual com o Canadá, ao norte, e até as Montanhas Rochosas no oeste (claro que ninguém perguntou para os índios que ali moravam o que eles achavam do negócio...). Sem acreditar em tamanha sorte, os americanos não titubearam e fecharam negócio na hora. Por 15 milhões de dólares, duplicaram seu território e ainda garantiram a posse da tão ambicionada New Orleans. Junto com a terra, vieram algumas dezenas de milhares de católicos de origem francesa e espanhola, o que mudaria para sempre a composição da população americana, que na época era quase completamente protestante. Já Napoleão, usou todo o dinheiro da venda para financiar sua tão sonhada invasão da Inglaterra, o que nunca aconteceu. Muito pelo contrário, a França acabou ficando sem o Haiti, sem a Louisiana e sem Napoleão, vencido e preso pelos ingleses.

Banda de jazz toca nas ruas de New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Banda de jazz toca nas ruas de New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


A posse da cidade era tão importante que foi justamente ali que se deu a principal vitória americana na guerra contra os ingleses, em 1811. A guerra terminou empatada, com algumas vitórias e derrotas para os dois lados. A capital, Washington, foi ocupada e queimada, mas New Orleans e o controle do rio resistiram ao ataque e, desde então, nada mais ameaçou a posse americana da região. Ao contrário, foi exatamente essa batalha que ajudou a cimentar o sentimento de nacionalidade americana entre os habitantes da região.

Homenagem a Louis Armstrong no parque que leva o seu nome, em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Homenagem a Louis Armstrong no parque que leva o seu nome, em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


Outro componente essencial de New Orleans foi sua população negra. Os espanhóis transformaram a cidade no seu centro de distribuição de escravos. Então, quando a cidade passou para as mãos dos americanos, os negros já eram sua maioria. Na Guerra da secessão, New Orleans começou ao lado dos confederados, mas foi logo conquistada pela União. O caldeirão de culturas da cidade, espanhola, francesa, americana e africana, católica e protestante acabou criando, entre outras coisas, o jazz, música-símbolo de todo o país. Criou também o “Madrigas”, ou carnaval americano. Nasceu numa praça de New Orleans, hoje chamada de Congo Square, único lugar da cidade, e provavelmente do país, onde a população escrava podia se divertir de forma permitida e oficial, por alguns dias. As festas que ali faziam continuaram depois da abolição da escravatura, sempre com muita música. Acabou virando um festival e o maior carnaval do país.

Marujos caminham na famosa Bourbon Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Marujos caminham na famosa Bourbon Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


Casa de shows na Bourbon Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Casa de shows na Bourbon Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


Nessa cidade passamos dois deliciosos dias. Íamos de bonde para o centro e caminhávamos pela Bourbon Street. A mais famosa rua da cidade está tomada de bares que oferecem cerveja barata e shows de reputação duvidosa, meninas na porta, sempre com pouca roupa, convidando solteiros e casados a entrarem e darem uma olhada. A concorrência é enorme, não só na oferta, mas também na demanda. Afinal, são milhares de pessoas caminhando por ali, desde marinheiros nos dias de folga até excursões de estudantes vindas de todo o país. Soma-se a isso turistas de todo o mundo, famílias caminhando juntas e os convidados das dezenas de casamentos que são realizados na cidade todos os finais de semana (New Orleans concorre com Las Vegas como centro “casamenteiro” mais querido do país) e tem-se a Torre de Babel misturada com Gomorra que é a Bourbon Street. Sempre ao som de jazz que escapa das dezenas de bares e das bandas que se apresentam pela rua.

Congo Square, um raro lugar de diversão para os escravos em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Congo Square, um raro lugar de diversão para os escravos em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


Para poder respirar um pouco, seguíamos para as ruas laterais, para admirar a arquitetura completamente distinta da cidade, nada de arranha-céus envidraçados e lojas de fast-food. Pelo menos, não ali no centro histórico. Aliás, falando em comida, come-se muito bem por ali, cozinha típica do sul. Nosso jantar na noite de hoje, no Irene´s, fez cada minuto de espera ter valido à pena, um verdadeiro banquete, não na quantidade, mas na qualidade da comida. Uma delícia! Já de dia, ficávamos com os sanduíches locais, conhecidos como po´boys.

Po-Boy e cerveja da Louisiana em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Po-Boy e cerveja da Louisiana em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


Imperdível também é um passeio pela orla do Mississipi, quase em frente à principal praça da cidade, a belíssima Jackson Square. Por ali passam réplicas dos famosos barcos com aquelas enormes rodas d’água na popa. Hoje esses barcos levam turistas rio acima, mas por dezenas de anos eram o transporte mais conhecido da região, um verdadeiro símbolo de uma época e da navegação no Rio Mississipi.

Vendedor de rosas na Bourbon Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Vendedor de rosas na Bourbon Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


O barco tradicional do Mississipi, que hoje faz passeios com turistas em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

O barco tradicional do Mississipi, que hoje faz passeios com turistas em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos


De noite, a melhor pedida é seguir para a Frenchmen Street, a poucos quarteirões dali. A rua se parece com o que deveria ser a Bourbon Street antes de ser tomada pelos shows de reputação duvidosa. São vários pequenos bares, um ao lado do outro, tocando excelente música e com plateia bonita e animada. Para quem gosta de jazz, vai adorar. Para quem não gosta, vai aprender a gostar! São jovens e velhos, homens e mulheres, brancos e negros, todos se misturando em bandas ecléticas tocando música da melhor qualidade. O prazer em transitar entre esses bares foi o mesmo que tivemos em Memphis, quando estávamos no meio do Blues. Que delícia ver com os próprios olhos (e ouvir com os próprios ouvidos!) que existe muita música além do rock. Ou, para baixar o nível, além do sertanejo e do Michel Teló. Não só existe a música como também uma legião de fãs entusiasmados que sabem apreciá-la.

Muito jazz nos bares da Frenchman Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Muito jazz nos bares da Frenchman Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


Muito jazz nos bares da Frenchman Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Muito jazz nos bares da Frenchman Street, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


Falando em música, ainda de tarde tivemos a sorte de passar pela catedral da cidade, justo na hora em que a banda da Marinha se apresentava por ali, aproveitando a excelente acústica do interior da prédio. Igreja lotada para o concerto, no meio da multidão dois brasileiros deslumbrados pela oportunidade de ouvir clássicos do jazz tocados de forma primorosa por uma banda de mais de 50 marinheiros. Muito joia!

Interior lotado da St. Louis Cathedral, em dia de apresentação de banda da marinha (em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos)

Interior lotado da St. Louis Cathedral, em dia de apresentação de banda da marinha (em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos)


Apresentação da banda da marinha na St. Louis Cathedral, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos

Apresentação da banda da marinha na St. Louis Cathedral, em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos


Amanhã cedo deixamos a cidade rumo à Flórida. Mesmo antes de sair daqui, já estamos com saudades. O clima festivo de New Orleans é contagiante, assim como o prazer de caminhar nas suas ruas charmosas onde as pessoas descansam em suas varandas e leem jornais na porta das casas, num ritmo de vida mais adaptado ao calor, sem o frenesi nova-iorquino, um tipo de ritmo baiano em pleno Estados Unidos. Só trocaram o axé pelo jazz...

Tarde de leitura em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Tarde de leitura em New Orleans, na Louisiana - Estados Unidos

Estados Unidos, Alabama, Tuscaloosa, Louisiana, New Orleans, cidade, história, Mississipi, Rio

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Página 885 de 161
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet