1
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
Lago próximo à cidade de Rincon, na parte norte de Bonaire
Hoje foi dia de mergulharmos no norte da ilha. Esse lado é mais bonito que a parte sul, com montanhas, estradas sinuosas, lagos e um litoral recortado por pedras e entradas de mar. Fomos até um ponto chamado Karpata, o último antes da área do Parque Nacional, região que visitaremos amanhã.
O belo mar da região de Karpata, no norte de Bonaire
O mar, visto do lado de fora, da estrada, é deslumbrante, um azul digno das melhores praias do Caribe. Abaixo d'água, o recife é bem mais inclinado, chegando a profundidades muito maiores que na parte sul.
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
A Ana vem combatendo uma rinite já há alguns dias e isso vem dificultando os mergulhos dela. Não está fácil compensar o ar e abaixar os primeiros metros, só com muita paciência. Depois, ao longo do mergulho, melhora um pouco. Hoje, enquanto ela "navegava" na parte alta do recife, aos 10 metros de profundidade, eu dei um tiro rápido lá para baixo. Com a água clara que temos aqui, a luz do sol chega lá no fundo e fica muito mais fácil mergulhar em profundidade. Mas como não estamos fazendo mergulhos técnicos, tem de ser bem rápido. Fui aos 50 metros e voltei, em poucos minutos. Lá embaixo, vi que o recife ainda descia uns 20-30 metros.
Lion Fish em mergulho em Karpata, no norte de Bonaire
Mas a maior parte da beleza está encima mesmo, onde a luz do sol bate mais forte. Por aí ficamos mais de 40 minutos e até um lion-fish encontramos. Essa espécie é natural da bacia indo-pacífica e faz pouco tempo que chegou por essas águas. Apesar de sua beleza e exotismo, vem fazendo um estrago danado na fauna local e por isso mesmo é perseguido pela comunidade da ilha. Infelizmente, é uma luta sem muitas esperanças, creio. Quando muito, conseguem retardar um pouco os malefícios. Enquanto isso, torcem para que peixes maiores daqui aprendam a comê-lo. A tarefa não é fácil, já que ele possui vários espinhos venenosos. Mas, que é bonito, isso ele é!
A Ana vai a 30 metros de profundidade em Karpata, no norte de Bonaire
Já no final do mergulho a Ana já estava melhor e também pode dar o seu tiro para baixo, até os 30 metros. Depois, passamos para os finalmentes e voltamos para o carro. Antes de rumarmos de volta à cidade, ainda fomos até a entrada do parque, passando pela pequena cidade de Rincon, no interior da ilha. Na recepção do parque, confirmamos que já era tarde para se iniciar uma visita e deixamos isso para amanhã cedo mesmo.
Praparando-se para mergulhar em Invisible, no sul de Bonaire
Drum fish em mergulho em Invisible, no sul de Bonaire
De volta à nossa casinha e depois de mais um almoço sadio à base de salada feito em casa, fomos mergulhar num ponto chamado Invisible, no sul da ilha. De novo, água quente e transparente, peixes coloridos, belos jardins de corais. Mas, o que nos chamou a atenção por aqui foi um verdadeiro ninho de lion fish que encontramos, uns cinco ou seis nadando bem próximos, a uns 30 metros de profundidade. Agora, a dúvida é se os "denunciamos", para que sejam exterminados, ou não. Realmente, é uma pena que ainda não tenham predadores naturais por aqui.
Muitos Lion Fish em mergulho em Invisible, no sul de Bonaire
Pôr-do-sol visto debaixo d'água! (em Invisible, no sul de Bonaire)
De noite, a nossa última em Bonaire, saímos para conhecer um pouco do agito noturno. Apenas um bar movimentado, mas isso já foi o bastante para nós, hehehe. Amanhã, então, é dia de parque pela manhã. E de tarde, finalmente vamos mergulhar no famoso naufrágio do Hilma Hooker. Tudo isso em tempo para pegar nosso avião para Curaçao, no início da noite. É, será um belo dia!
Balada em Kralendijk, em Bonaire
Chegando na saída do Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Como hoje era Domingo, dia universal da farofa, optamos por fazer programas menos concorridos aqui na região: a Gruta do Lapão e a Cachoeira da Primavera. Todos aqui pertinho, a "walking distance" da cidade. No Lapão, eu já tinha ido na minha primeira vez aqui, em Jan/91. Na Primavera, eu tinha tentado ir sozinho, mas tinha errado o caminho, o que não foi tão ruim pois acabei explorando um outro riacho cheio de pequenas quedas e pedras coloridas.
Enormes pedras caídas dentro do Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
O Lapão é uma rara formação de caverna de quartzo. Não há aquelas clássicas formações que se encontra em cavernas de calcário, como estalagtites. São cavernas de desabamento. Um rio vai cavando um túnel na montanha e, aos poucos, se aprofundando na terra. Depois de algum período geológico, ocorrem desabamentos, os tetos não aguentam e caem em camadas, formando as cavernas. Por isso, quando caminhamos nessas cavernas, sempre há blocos gigantescos de pedra espalhados pelo caminho. São antigos pedaços de teto que caíram. Coitado de quem estiver em baixo...
Com o Lúcio na trilha para o Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
O caminho para a caverna é meio complicado, assim como o caminho para atravessá-la. Assim, optamos por ir com o Lúcio, o filho da Lia e do Zé Carlos, donos da pousada onde estamos, a Casa da Geléia. Ele é muito jóia e deve nos guiar em outros passeios também, como nas nossas explorações do Vale do Pati, além de nos dar dicas para outros passeios. Foi com ele que montamos nosso roteiro de dez dias por aqui.
Com a Fiona no início da trilha do Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Para adiantar um pouco nosso dia, seguimos de Fiona um pedaço do caminho. Depois, cruzamos um longo trecho de vegetação nova, verdinha. O Lúcio nos explicou que, um mês antes, o fogo destruiu toda aquela área. Pior; destruiu também uma camionete de um turista que estava estacionada justamente onde deixamos a Fiona. Ele foi à caverna e, quando voltou, encontrou seu carro queimado. Nossa... Deus que me livre e guarde!
Orquídea na trilha para o Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Cogumelo amarelo na entrada do Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Muito calor e muitas flores lindas pelo caminho. Não só flores, cogumelos também! Pareciam uma pintura! Outra cosa que se vé muito por aqui, nas caminhadas, são muros, construções e caminhos de pedra. Resquícios dos tempos da escravidão e da mineração. A gente fica imaginando se é difícil caminhar com esse calor, como não seria para edificar aquelas construções, carregar pedras para lá e para cá. Pobres escravos...
Um dos salões da caverna Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Muitos Rodrigos explorando um dos salões do Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
A travessia da gruta é muito legal. Passamos um bom tempo tentando aprimorar nossas técnicas de fotografias subterrâneas enquanto o Lúcio nos contava histórias do local. Sobre como era o "desafio" para algum garoto ser admitido na turma: tinha de atravessar o Lapão com uma "lata-vela" (o nome já é auto-explicativo!). Ou sobre a vez em que um conhecido estava atravessando sozinho e deixou sua lanterna cair no rio, ficando no escuro. Ele se acomodou por lá mesmo e esperou que alguém passasse por lá. Foram 24 horas de espera! Haja paciência e sangre frio, hein?
Saída do Lapão, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Uma das coisas mais bonitas em cavernas é justamente a hora da saída. E a saída do Lapão é maravilhosa, uma boca enorme que nos guia lá de dentro da caverna. Ao nos aproximar é que vamos percebendo claramente como a luz e as cores fazem bem para nossa mente!
Vista de Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Do Lapão, voltamos para casa e seguimos para a Cachoeira Primavera, desta vez sem guia. Passamos primeiro pelas "panelas", quase dentro da cidade e muito movimentada num Domingo. Depois, passamos ao largo dos salões de areias coloridas e também da Cachoeirinha. Aí, cometi o mesmo erro de 20 anos atrás e segui em frente, pelo rio errado. Um pouco acima, comecei a reconhecer enormes pedras pelo caminho. O problema é que eu tinha esquecido que eu tinha errado o caminho para a Primavera da outra vez. Assim, segui o caminho errado, de novo, crente que estava certo. Errar é humano, repetir o erro é... Será que esse ditado vale para um erro repetido tanto tempo depois?
Explorando leito de rio em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Após algum tempo, a desconfiança bateu. Encontramos uma pessoa e esclarecemos o erro. Com o dia quase acabando, voltamos em ritmo acelerado até o caminho correto e, desta vez, finalmente, depois de 20 anos de tentativas, encontrei a Cachoeira da Primavera. Para padrões da Chapada, é bem pequena. Mas o lugar em que está é um cenário lindo, cheio de pedras. A gente se refrescou e voltamos acelerados, pois já estava ficando escuro. Isso não nos impediu de tomar mais um banho rápido na Cachoeirinha, de roupa mesmo, para combater o calor.
Pegando água na Cachoeira Primavera, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Aí, veio a cereja do bolo! Quando chegamos às panelas, só não estava totalmente escuro porque uma linda lua cheia nascia sobre Lençóis e a Chapada. Cena maravilhosa, dessas que marcam! Para gente, mais ainda, que casamos com lua cheia. Sempre que vemos uma, fico calculando há quantas luas casamos. Dezenove! Lá se vão dezenove luas...
Lua cheia sobre Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
E assim, mais um dia maravilhoso na Chapada se foi. E mais um se aproxima...
As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Quando estávamos no México, pouco antes de entrar em Belize, começamos a estudar sobre o país, para tentarmos definir um roteiro. Sabíamos quais praias queríamos ir e também sobre San Ignacio, já quase na fronteira com a Guatemala, mas a dúvida era sobre qual(is) ruína(s) mayas visitar, entre tantas possibilidades. Felizmente, as dicas dos nossos amigos do AmericaTwentyEleven e uma franca conversa com o dono do hotel que ficamos em Corozal nos ajudaram a resolver essa questão.
Os cerca de 80 quilômetros de Estrada de terra que ligam San Ignacio às ruínas mayas de Caracol
O Gwen, o dono do hotel, reclamou da dificuldade de acesso de Caracol e da história da escolta militar, preferindo outras ruínas mais próximas. Mas quando lhe perguntei sobre quais eram as mais impressionantes, meio contrariado, ele cedeu: “Caracol!”. Por uma daquelas coincidências do destino, no mesmo dia chegou a nós o relato do TwentyEleven, inclusive com algumas fotos, sobre Caracol. Estava, então, decidido: era para lá que iríamos.
Turistas são aconselhados a seguir com escolta militar para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
A estrada para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Hoje chegou o dia! Ontem de noite, já em San Ignacio, a gente se informou sobre o caminho e a tal escolta. São oitenta quilômetros de estrada de terra, cerca de duas horas de viagem. Já a escolta, foi criada há alguns anos porque turistas vinham sendo assaltados por bandidos vindos da Guatemala. Caracol está muito próxima da fronteira, longe da civilização, numa área de selva ideal para que pessoas à margem da lei transitem para lá e para cá sem se preocupar com as autoridades. Desde que a escolta foi criada que esses incidentes terminaram e os donos do nosso hotel em San Ignacio disseram que era bem tranquilo. Para seguir com a escolta, tínhamos de estar no ponto de encontro, já quase na metade do caminho, bem cedinho. E para chegar lá nesse horário, teríamos quase que madrugar. É o que fazem os tours, a única maneira que turistas sem condução própria tem de chegar às ruínas.
Atravessando rio na estrada para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Chegando às ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Tudo muito bem entendido, saímos cedo hoje, mas num horário mais civilizado. Ou seja, resolvemos perder a escolta e confiar que tudo está mais seguro hoje em dia. A escolta já tinha ido, mas o controle militar está na estrada, anotando o nome e os dados de todos os que passam por ali, na entrada e na saída. Além desse controle, tudo o que vemos em boa parte do caminho é apenas uma natureza exuberante, principalmente na área de uma reserva que ocupa um bom trecho da estrada. Muita mata, rios e sinais de cachoeiras. Deixamos para ver isso na volta, depois de termos garantido o “prato principal”, as ruínas de Caracol.
Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Com paciência, vencemos os 80 km em cerca de 1h30min, aproveitando os pneus largos e fortes da Fiona. Chegando ao nosso destino, lá estava a escolta e alguns poucos “escoltados” daquele dia, cerca de dez veículos. Para ruínas do porte de Caracol, isso não é praticamente nada. Esses grupos de pessoas ficam nas ruínas até as 14:30, horário de saída da escolta, quando voltam todos em comboio também.
Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Caracol foi um dos maiores, mais poderosos e influentes centros mayas do período Clássico, a época de ouro dessa civilização, entre os anos 300 e 900 depois de Cristo. Seu poder rivalizava com o de Tikal, a mais famosa cidade maya, com quem teve diversas guerras. Algumas vezes vencia, outras perdia e, seguindo a tradição, a guerra sempre terminava com o sacrifício do soberano da cidade derrotada. Vida de rei também não era fácil naquela época. Quer dizer, vida não, a morte. Isso porque esse sacrifício era feito após uma longa e penosa tortura. Os deuses mayas adoravam os gritos de dor daqueles que seriam sacrificados em sua homenagem.
As incríveis ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Antiga construção tomada pelas árvores nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Aparentemente, a cidade foi muito influenciada, no início, por civilizações do México central, como Teotihuacán. Mas depois, uma cultura maya própria se desenvolveu, na arquitetura, ciências, religião e modo de governar. O mundo maya estava no auge e rotas comerciais ligavam os principais centros. Tikal, a apenas 80 quilômetros daqui em linha reta, ora influenciava Caracol, ora era influenciada por ela, dependendo de quem estivesse mais forte na época. Outra importante cidade maya, Copán, em Honduras, teve sua dinastia fundada por uma família saída de Caracol, o que mostra a extensão de sua influência.
Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Um dos muitos templos nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
No seu auge a cidade ocupava uma área com cerca de 200 quilômetros quadrados e sustentava uma população de 150 mil pessoas, quase duas vezes maior que a de Belize City, a maior cidade do país atualmente. Junto com todas as outras grandes cidades do período Clássico, como Tikal e Copán, Caracol foi abandonada em meados do século X, em um dos grandes mistérios históricos que estudiosos debatem até hoje. Aparentemente, um conjunto de secas longas e severas, aliado com a superpopulação então existente, fez com que a civilização maya entrasse em colapso, não conseguindo mais sustentar tanta gente. A população deixou de crer na divindade de seus reis e simplesmente os abandonou, junto com sua nobreza e suas cidades, voltando para o campo e para as matas, numa espécie de “salve-se quem puder”. Com as cidades vazias, sem o povo para sustentá-los, nobres e reis simplesmente perderam sua razão de ser. E as cidades, abandonadas, foram, aos poucos, reconquistadas pela natureza.
Uma das grandes pirâmides nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Pirâmide ainda coberta pela vegetação nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Esse foi o destino de Caracol até que, na década de 30 do século passado foi redescoberta por um madeireiro e, logo em seguida, por dois arqueólogos ingleses. Belize ainda era a “British Honduras” e os estudiosos se impressionaram com a magnitude do local. Hoje, quem se impressiona somos nós! Uma infinidade de templos, pirâmides e palácios, várias construções enormes, muitas delas ainda cobertas por vegetação. Com o passar dos séculos, grama, arbustos e até árvores de grande porte cresceram sobre essas construções que, cada vez mais, pareciam montes naturais, e não construídos pelo homem.
Um dos túmulos encontrados por arqueólogos nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Caminhar pelas ruínas de Caracol, hoje, é um verdadeiro deleite para quem se aventura até lá. Primeiro, pela quantidade ínfima de turistas naquela área tão grande. Segundo, porque é possível ver, lado a lado, construções que foram restauradas e também as que não foram. Assim, podemos ver como eles eram antigamente e como a natureza retomou o seu terreno; como os mayas deixaram seus templos, há pouco mais de 1.000 anos e como os estudiosos os encontraram, há quase 80 anos. Esse contraste é esclarecedor!
A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Por fim, e talvez o que mais nos impressionou, é a natureza pujante do local. Uma mata densa cerca todo o sítio e, inclusive várias de suas partes internas. Não só a flora como a fauna também! Foi emocionante acompanhar o canto dos montezumas, um pássaro escuro com a cauda bem amarela que faz ninhos dependurados em árvores altas e que tem uma incrível técnica de canto. Para conseguir cantar mais alto, eles atiram seu corpo para frente, aproveitando a queda para emitir sons ainda mais altos. Ao final do canto, estão de ponta cabeça, pendurados em seus galhos.
No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
De ponta cabeça, um pássaro montezuma consegue cantar ainda mnais alto, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Mais incrível ainda foi o encontro com um numeroso bando de howler monkeys, ou macacos bugio gritador. O nome não poderia ser mais próprio! Que gritaria que fazem! Assim que ouvimos, corremos para o bosque em que estavam, aquela balbúrdia generalizada nos galhos 20 ou 30 metros acima de nós, macacos pulando para cá e para lá, fazendo esse som que pode ser ouvido a quilômetros! Ficamos um tempão por ali, admirados com aquela manifestação da natureza, justamente em uma das ruínas mayas que mais me impressionaram nesses 1000dias. Nós já tínhamos cruzado com esses macacos outras vezes, inclusive no Brasil, mas jamais por tanto tempo. Foi realmente especial!
Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
De volta às ruínas, subimos e descemos diversas pirâmides, algumas com mais de 30 metros de altura, outras ainda cobertas de vegetação. A visão lá de cima é sempre mais abrangente. Além do mais, eram lugares sagrados, aos quais apenas sacerdotes e governantes tinham acesso. Imaginar que vemos hoje exatamente o que viam essas poucas pessoas doze ou treze séculos atrás é sempre uma maneira de nos aproximarmos deles. O que pensavam e em que tipo de mundo viviam? Essas perguntas ficam muito mais fortes quando estamos lá encima. Ai, se pudéssemos voltar no tempo... O que podemos tentar fazer é imaginar aqueles prédios todos com suas cores originais, as praças com centenas ou milhares de pessoas e as árvores de hoje, nem um vestígio delas. Depois de tantas cidades mayas visitadas e desenhos tentando mostrar como eram naquela época, já estamos ficando craques nesse exercício mental de viagem no tempo. Em um local vazio como Caracol, fica ainda mais fácil e gostoso ter essa “viagem”.
Caminhando por entre as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Mas, de volta à realidade a ao mundo de 2013, foi engraçado ver, em uma das praças da cidade, um campo de futebol moderno, com traves e tudo. É parte do passatempo dos soldados aqui estacionados. Aquelas mesmas pirâmides e templos que tanto assistiram aos juegos de pelota maya, que muitas vezes terminavam em sacrifício, hoje assistem a um bom e pacífico jogo de futebol. Se fantasmas há, eles devem se divertir também, só tentando imaginar as novas regras do jogo que era tão popular na sua época de vivos. Falando nos vivos, que legal que deve ser jogar futebol num cenário desses!
Um "juego de pelota" moderno nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Enfim, mesmo com macacos, montezumas, pirâmides e exercícios imaginativos, terminamos nossa visita um pouco antes do horário da escolta e resolvemos partir sem eles, mesmo. Mas antes, atraídos pela Fiona, alguns soldados vieram falar conosco e até tiramos uma foto com eles. Simpaticíssimos. Queríamos sair antes para evitar poeira na estrada e também para aproveitar alguma cachoeira no caminho.
Rio encachoeirado no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Dito e feito, achamos um rio joia onde a Ana se refestelou nas quedas d’água. Eu, meio preguiçoso, só tirei as fotos e dei o apoio moral. Outros turistas já estavam por lá, enquanto alguns outros chegaram mais tarde. Mas, quase todos em seus tours organizados, amarrados no horário e na escolta, só tinham tempo para tirar uma foto e seguir seus caminhos. Quem aproveitou mesmo foi a Ana.
Rio encachoeirado no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
No final da tarde, chegávamos de volta à San Ignacio. Felizes por termos enfrentado aqueles 80 km de terra para conhecer uma das mais fascinantes ruínas mayas que existem. Só podemos agradecer ao Gwen e ao TwentyEleven por terem botado pilha para que fôssemos ali. Um verdadeiro espetáculo! Falando nisso, amanhã tem mais! Vamos à caverna ATM, descoberta à meros 20 anos, com uma incrível riqueza arqueológica maya, entre cerâmicas e caveiras. Mais detalhes, no próximo post...
Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Tartaruga durante mergulho na Lage Noronha, em Fernando de Noronha - PE (foto de Mateus Harfush - Ciliares)
Conforme havia dito alguns posts atrás, no nosso primeiro dia inteiro em Noronha (dia 11), fizemos dois mergulhos pela manhã. Eu não levei nossa máquina subaquática, por isso não tinha postado fotos desses mergulhos. Mas o Mateus, da Ciliares, mergulhou conosco e agora já temos as fotos.
Mergulho na Lage Noronha, em Fernando de Noronha - PE (foto de Mateus Harfush - Ciliares)
Os mergulhos foram na Lage Noronha e no Buraco das Cabras. Estivemos com tartarugas, lagostas e uma infinidade de peixes e corais coloridos. Água transparente, visibilidade acima dos 40 metros. Foram os primeiros mergulhos do Haroldo desde o batismo em Parati. Começou bem sua carreira de mergulhador!
Corais durante mergulho no Buraco das Cabras, em Fernando de Noronha - PE (foto de Mateus Harfush - Ciliares)
Quem nos guiou foi o Fernando, da Noronha Divers. Quem também foi junto, para vigiar o nosso mergulhador de primeira viagem, foi o Guilherme. Seguem algumas fotos...
Cardume colorido durante mergulho no Buraco das Cabras, em Fernando de Noronha - PE (foto de Mateus Harfush - Ciliares)
Lagosta durante mergulho no Buraco das Cabras, em Fernando de Noronha - PE (foto de Mateus Harfush - Ciliares)
Bela paisagem vista do alto da duna em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Hoje foi dia de botar o pé na areia. Na areia das ruas, das praias e das dunas. Decidimos ir caminhando até o famoso "Camarão da Luzia", o restaurante mais famoso de todos os Lençóis Maranhenses. Com toda a justiça! Ele fica a cerca de sete quilômetros aqui do Rancho do Buna, cortando caminho por dentro, seguindo por enormes descampados e pelas dunas ao invés de dar uma volta bem maior seguindo pela "confusa" praia que as vezes é de rio, as vezes é de lago, as vezes é de mar.
Cruzando igarapé em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
A maioria das pessoas vai para lá de carro e até de cavalos, combinando o almoço com outros passeios. Sempre com guias. Mas nós estávamos mais naquele clima de aventura, de descobrir caminhos. Afinal, mesmo em um lugar com litoral tão "complicado", sabíamos que o restaurante era próximo da praia. Não poderia ser tão difícil assim encontrá-lo, apesar de termos sido advertidos de que era. Sei...
Com o Edu e a Mel, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Além de dispensarmos guias e cavalos, convidamos o outro casal que estava na pousada para nos acompanhar, o Edu e a Mel, super recém chegados de São Paulo. Imagina o contraste: estavam ontem na maior metrópole do país e hoje caminhavam por essas vastidões vazias.
Chegando ao alto da duna, vista dos campos, lagoa e mar ao fundo, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Fomos seguindo a indicação da Mônica, a gerente da nossa pousada, cortando o descampado pelas ruas de areia bem fofa, o barulho do mar ao longe e as dunas no horizonte. De novo, a incrível vastidão do local nos deixou meio desorientados, não na direção a seguir, mas no local e nas distâncias até os pontos de referência. Acabamos seguindo até a praia, num local onde há uma enorme lagoa que deixa o mar de verdade a quilômetros de distância. Aí, decidimos entrar terra adentro novamente, em direção às grandes dunas que se destacavam sobre os descampados alagados. Do alto dos seus pouco mais de 30 metros de altura, finalmente pudemos ter uma visão mais ampla da região e "entender" sua geografia entrecortada, águas para todos os lados.
Caminhando sobre as dunas em direção ao Restaurante da Luzia, no Canto do Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Lá do alto, a gente consegue ver a foz do rio Preguiças que, no seu encontro com o mar, vai formando lagoas. Também a maré baixa "faz" as suas lagoas, que acabam se misturando com as lagoas do rio. O resultado é que o mar verdadeiro fica a quilômetros de distância "mar adentro". Estranho, né? Não é à toa que, lá de baixo, sem conseguir observar tudo, a gente fique bem perdido.
Grupo caminha pelas dunas para o Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Enfim, finalmente com o mapa no visual, fomos seguindo pelo alto das dunas até a altura do restaurante e lá cruzamos novamente o descampado alagado até o restaurante. Pouco mais de uma hora de caminhada para atravessar toda essa paisagem de outro mundo. No restaurante, fomos recebidos por uma esfuziante Luzia, mulher de personalidade forte e interessantíssima, cuja conversa e companhia, por si só, já valem o esforço da caminhada.
Cruzando a Ponta do Mangue em direção ao Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Ela logo nos disse que, com uma hora de caminhada através das dunas, chegaríamos ao Poço das Pedras, uma piscina de águas azuis no meio das dunas. Até então, desconhecíamos totalmente esse lugar. Ela falou tão bem que a gente se animou. Encomendamos os pratos e seguimos, agora sim guiados, dunas adentro. Mas, antes disso, para uma re-energizada, ela nos serviu um churrasco de camarão.
Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Hmmmmmmmmmm!!!!! Que coisa mais deliciosa! É algo realmente divino. Para quem gosta de camarão, vai ficar hipnotizado. Para quem não gosta, vai aprender a gostar! Uma carne tenra, suculenta e, preparado desse jeito, com um gosto de churrasco. Esse "aperitivo" foi mais do que um estímulo para que enfrentássemos essa caminhada extra que não tínhamos planejado.
Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Atravessamos o pequeno povoado da Ponta do Mangue e, mais uns 30 minutos, chegamos neste pequeno poço de água corrente que formava até uma pequena queda d'água. Um oásis no meio da areia, água bem refrescante. Foi nossa primeira experiência de caminhar no meio dos lençóis, um enorme campo de dunas a se perder de vista. É bem interessante caminhar entre dunas, a paisagem mudando aos poucos, passando vagarosamente pelos nossos olhos e, ao mesmo tempo, tudo parecendo mais ou menos igual: dunas, dunas e alguns charcos entre elas. Aos poucos, prestando bastante atenção, vamos aprendendo a nos orientar. Mas a presença do guia "ajuda" bastante, hehehe.
Na volta é mais fácil, seguindo nossos próprios rastros. E nossas pegadas nos levaram diretamente para o restaurante da Luzia, onde vários pratos de camarão e peixe nos aguardavam. Grelhado, acebolado, strogonoff... um banquete! A gente se deliciava com a comida e com a conversa com a sábia Luzia. Tão bom que prometemos retornar amanhã, quando formos para a Lagoa Verde.
Com a Luzia em seu restaurante, no Canto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Saímos de lá já com as últimas luzes do dia. Caminhando sobre as dunas, tomamos um belo banho de chuva, desses para lavar a alma. Eu e a Ana já estamos ficando acostumados com isso, heheheh. Depois, já no escuro, foi seguir os rastros das Toyotas através dos campos alagados.
Cerveja merecida com a Mel e o Edu,, depois da longa caminhada na região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Chegando em Atins, fomos fazendo pit-stops nos bares, uma cerveja ali, uma cachaça aqui. Num dos bares, encontrei outros turistas e, junto com eles, negociamos um bom preço com um dono de Toyota para seguirmos para a Lagoa Verde amanhã. Com programa garantido, muitas lembranças da caminhada e embalados pela cerveja, dormimos pesadamente, tranquilos e felizes! A única preocupação era não perder o horário do passeio de amanhã!
O Vovô do Violão mostra sua arte em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Bela praia no caminho para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago
A ilha de Tobago é 15 vezes menor do que Trinidad. Mesmo assim, para padrões caribenhos, não é pequena não. Tem aproximadamente 50 km x 15 km, estendendo-se de leste para oeste. Já a população é de 50 mil pessoas, menos de um vigésimo da sua vizinha.
Praia de Store Bay, em Crown Point - Tobago
A sua história é bem distinta da de Trinidad. Os espanhóis, primeiros europeus a passar por perto, não deram muita bola para a ilha, para sorte dos ameríndios do local que, com isso, ganharam mais um século de vida. Mas a paz deles acabou no século XVII, quando Tobago passou a ser disputada por ingleses, franceses, holandeses e até "courlanders". Pois é, eu que gosto tanto de história e de geografia também não sabia quem são os "courlanders". Foram os habitantes de um pequeno ducado que existiu numa região da Letônia nesta época. Foram a menor nação européia a ter tentado colonizar a América. Por algumas décadas, conseguiram. Mas, quando foram conquistados pelos suecos, tiveram de desistir da sua aventura em Tobago. Vivendo e aprendendo... Alguém aí conhecia os courlanders?
Pensativa, admirando o mar do Caribe, em Crown Point - Tobago
Bom, deixando os courlanders em paz e voltando à Tobago, a confusão aqui era tão grande que a ilha virou um refúgio seguro para piratas. Foi só no finalzinho do séc XVII que a Inglaterra assumiu de vez a ilha e resolveu botar ordem no pedaço. Aí, fim dos piratas, fim dos índios e muitos escravos africanos importados. Como aqui não houve, mais tarde, a imigração indiana que houve em Trinidad, a grande maioria da população tem mesmo origem africana.
Caminhando para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago
Boa parte da população da ilha está no seu lado oeste, que é onde passamos o dia de hoje. O centro turístico se chama Crown Point, uma vila de casas bem espalhadas ao longo de praias, praças e do aeroporto, para onde se pode ir caminhando.
Observando os peixes em Pigeon Point, em Crown Point - Tobago
Nós passamos um tempo na principal praia, a Store Bay, aproveitando o pouquinho de sol. Praia organizada (até demais!), com salva-vidas e área delimitada para banho. Água bem clara e agradável, já bem típica do mar do Caribe. Daí seguimos à pé para outra praia, mais bela e isolada, a Pigeon Point. O caminho pela praia é uma beleza, aquele cenário que se vê em filmes de ilhas paradisíacas, faixa de areia estreita, mar tranquilo, coqueiros praticamente na água. Uma pintura!
Baía de Pigeon point, em Crown Point - Tobago
Fomos andando diretamente pela praia e, quando percebemos, já estávamos dentro de um parque. Sem pagar entrada! Bom, como ninguém pediu, resolvemos aproveitar mesmo. Passamos ali o fim de tarde, tirando fotos, bebericando e aproveitando o cenário romântico.
Pier de Pigeon Point, em Crown Point - Tobago
Resolvemos dormir por aqui hoje e seguir amanhã cedo para a ponta leste da ilha, onde está a vila de Speyside e os melhores pontos de mergulho. Já até combinamos com um taxista para nos levar para lá, cedinho. Transporte coletivo, nem pensar. Como em Trinidad, totalmente ineficiente. A alternativa seria alugar um carro. Mas acho que só vamos fazer isso no último dia, para poder voltar de lá e dar uma volta no interior da ilha também.
Clima romântico no pier de Pigeon Point, durante o fim da tarde (Crown Point - Tobago)
Casas construídas sobre palafitas em Castro, o principal cartão postal da capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Castro é a terceira mais antiga cidade do Chile. Fundada em 1576 no contexto da campanha para conquista e ocupação de Chiloé, a cidade já tinha quase 8 mil habitantes, a maioria composta de fazendeiros na área rural, na virada daquele século. Ela permaneceu como a capital do arquipélago por quase dois séculos, até 1767. Foi quando a coroa espanhola resolveu ligar a sua administração diretamente à Lima, no Perú, e não mais à Capitania Geral do Chile. Para facilitar a comunicação com a cidade peruana, a capital de Chiloé foi transferida para Ancud, na costa norte da ilha. Com a independência chilena no início do séc. XIX, Chiloé voltou a ser integrada ao país, mas Ancud reteve seu papel de centro administrativo da região. Foi apenas em 1982, já no governo do ditador Augusto Pinochet, que Castro recuperou seu papel histórico, não só de capital de Chiloé, mas também o de maior cidade da ilha.
Visitando Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
A bela baía de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
A cidade foi destruída por um grande terremoto em 1837 e possuía apenas 1.243 habitantes no início do séc. XX. Mas a construção de uma ferrovia ligando-a a Ancud deu um novo estímulo ao desenvolvimento. Um novo e terrível golpe veio com o gigantesco terremoto de 1960, seguido por um maremoto avassalador. Vários prédios históricos foram destruídos, entre eles a prefeitura, a estação de trens e muitas casas construídas sobre palafitas. Então com 7 mil habitantes, a cidade soube se recuperar e, com a reconquista do status de capital, não parou mais de se desenvolver. Com cerca de 30 mil habitantes em sua área urbana e outros 10 mil na área rural, a cidade se tornou o principal polo turístico de Chiloé.
Do alto do campanário de uma igreja, a bela paisagem ao sul de Castro, na Ilha de Chiloé, no sul do Chile
Fim de tarde em Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Sem dúvida, a maior atração da cidade é sua arquitetura. Apesar do terremoto de 1960, a técnica de construção de casas sobre palafitas continuou preponderante. Construída ao longo de uma espécie de fiorde conhecido como Canal de Dalcahue e de uma de sua baías, o Fiordo de Castro, muitas das construções da cidade estão diretamente sobre o mar. Em uma região com marés intensas em que o nível do mar varia vários metros, a construção sobre palafitas é uma ótima adaptação. Enquanto na maré alta o mar quase bate a suas portas, na maré baixa as palafitas elevam a construção mais de um “andar” sobre o nível do solo.
Varanda de restaurante de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Construções típicas em Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile. A maré está bem seca e este local é famoso por suas pousadas caras e restaurantes
O visual fica ainda mais pitoresco com as cores vivas com que são pintadas as casas que se equilibram sobre os estreitos postes de madeira. Talvez para brasileiros já acostumados com esse tipo de arquitetura na região amazônica, o efeito não seja tão pitoresco e exótico como é para americanos e europeus que veem palafitas pela primeira vez em suas vidas. Mas mesmo para brasileiros, a beleza dessa cidade não nos escapa aos olhos, principalmente agora que essas casas mais tradicionais estão se transformando em restaurantes e pousadas, repintadas e mais bem cuidadas do que nunca.
Vista da nossa mesa em um restaurante na cidade de Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Jantando em um delicioso restaurante de Castro, na Ilha de Chiloé, no sul do Chile
A maré vem lentamente retomando a baía enquanto jantamos em um delicioso restaurante de Castro, a capital da ILha de Chiloé, no sul do Chile
Nós chegamos à cidade ao final do dia de ontem, preocupados ainda em encontrar um bom lugar para nos alojarmos. Não faltam quartos de hotéis na cidade, mas aqueles em pousadas charmosas são poucos e caros. Nós passamos rapidamente pelo centro e nos dirigimos diretamente para a área mais em moda na Castro atual, a região da rua Riquelme, ao longo do Fiordo Castro. Nossa vã esperança era conseguir um lugar no Palafito Hostel, aquele que primeiro se instalou na Riquelme em 2008, iniciando a pequena revolução que tornaria essa a rua mais descolada da cidade. Lotado, assim como todos as outras belas opções dessa rua, de costas para o asfalto e de frente para o belo visual do Fiordo Castro.
Praça que serve de mirante para fotos de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Um dos cartões postais de Castro, casas sobre palafitas e seus reflexos nas águas da baía, na ilha de Chiloé, no sul do Chile
Mas nós não desistimos de aproveitar aquela paisagem. Já que não poderíamos dormir por ali, quem sabe jantar? Aproveitando que ainda era cedo para as reservas da noite, conseguimos uma bela mesa na varanda sobre palafitas do Mar y Canela, um delicioso restaurante naquela rua. Agora sim, muito bem instalados, comendo do bom e do melhor acompanhado de bom vinho, assistimos dois espetáculos. Primeiro, o entardecer sobre os céus de Castro. Segundo, o retorno das águas do mar. Quando sentamos, tudo o que se via à nossa frente eram barcos deitados sobre a areia. Aos poucos, o mar veio reconquistando o espaço da baía e, quando nos fomos, ele já estava a meia altura nas palafitas sobre as quais comíamos. Os barcos, muito mais felizes, agora flutuavam levemente sobre as águas.
Um dos cartões postais de Castro, casas sobre palafitas e seus reflexos nas águas da baía, na ilha de Chiloé, no sul do Chile
Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Depois da diversão, a obrigação. Voltamos ao centro e demos com a cara na porta em outros hotéis mais charmosos daquela área. Finalmente, deixamos de frescura, desistimos do charme e de estramos em frente ao mar e nos rendemos a um hotel mais recuado. Aí sim, preços mais razoáveis e um quarto para dormirmos. Além disso, um espaço seguro para deixarmos a Fiona enquanto explorávamos a cidade a pé na manhã de hoje.
Visão de Castro e sua igreja no alto, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Casas construídas sobre palafitas em Castro, o principal cartão postal da capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
E assim foi. Escadas íngremes nos deram acesso a parte alta da cidade, onde está a Plaza de Armas, a igreja de San Francisco e o imponente museu. Caminhamos para lá e para cá, tiramos nossas fotos e voltamos para o hotel para recuperar a Fiona e, com ela, continuarmos nossas explorações por lugares mais remotos.
Casas construídas sobre palafitas em Castro, o principal cartão postal da capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Barco ancorado na baía de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
No caminho para a península de Rilán, paramos no mirante que tem os melhores ângulos para a mais tradicional região de palafitas de Castro, a Plazuela Palafitos Montt. E daí e de Rilán, do outro lado do canal de Dalcahue que saem os mais belos e famosos cartões postais de Castro, as casas coloridas erguidas sobre palafitas ao longo do canal de mar. Acrescente à paisagem barcos pitorescos ancorados ou navegando nas águas e vai ter a receita de muitas e muitas fotos.
Uma das baías de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Algas secam em praia de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Por fim, ainda fomos passear na periferia sul da cidade, onde estão algumas das mais belas igrejas históricas de Chiloé (post anterior). Mais praias pitorescas, mais barcos e pescadores, muita alga secando nas areias para serem vendidas nos mercados. Sem dúvida, é mesmo em Castro, e não em Ancud, que nos sentimos verdadeiramente em Chiloé. Demorou 22 anos para que eu conseguisse chegar aqui, mas antes tarde do que nunca! E agora, depois de finalmente poder riscar essa pendência da minha lista de lugares a se conhecer, resolvemos esticar um pouco e ir até a costa oeste de Chiloé, onde está um Parque Nacional criado para proteger lagos, praias e parte da escassa vegetação original que ainda persiste na ilha.
A bela luz de fim de tarde ilumina uma das baías de Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile
A pequena e simpática Puerto Piramides, na Península Valdés, na Argentina
A principal cidade na região da Península Valdés é Puerto Madryn, algumas poucas dezenas de quilômetros ao sul. É aí que param os ônibus que seguem para o sul do continente, é aí que está o aeroporto. Aí também se encontra a maior infraestrutura, como agências de viagem, bancos, hotéis, restaurantes, agências de mergulho e até uma noite agitada. Para quem quer conhecer a Península Valdés, certamente é uma boa opção. A outra se chama Puerto Pirâmides.
A praia de Puerto Piramides, na Península Valdés, na Argentina. As montanhas ao fundo é que deram o nome à pequena cidade
A praia de Puerto Piramides, na Península Valdés, na Argentina. As montanhas ao fundo é que deram o nome à pequena cidade
E foi justamente essa que escolhemos. Primeiro, porque já está praticamente dentro da península. Segundo porque não viemos até aqui para ver pessoas, mas para ver bichos e paisagens grandiosas. Enfim, tendo a Fiona conosco, não dependemos de agências de turismo e podemos nos dar ao luxo de ficar em uma vilazinha bem pequena (500 habitantes) e tranquila, de frente ao mar.
A pequena e simpática Puerto Piramides, na Península Valdés, na Argentina
Atravessando as estradas de terra da Península Valdés, na Argentina, rumo às águas azuis do Golfo Nuevo
Mesmo a pequena Puerto Pirâmides, no auge da estação ou durante grandes feriados, se enche de gente. Mas ontem e hoje não era nem um caso nem outro. Assim, quando chegamos aqui já no escuro, não foi difícil encontrar uma boa pousada onde tivemos um excelente jantar e um quarto ouvindo o sempre delicioso barulho das ondas. Sonhamos com o passeio para ver as baleias hoje de manhã. Na véspera vários barcos haviam levado turistas até as poucas baleias francas que restam aqui nas águas tranquilas do Golfo Nuevo. Esses barcos saem tanto de Puerto Madryn como de Puerto Pirâmides e a região é considerada uma das melhores do mundo para se ver esses gigantescos e dóceis cetáceos.
O belo litoral sul da Península Valdés, na Argentina, banhado pelsa águas do Golfo Nuevo
Com todo o cuidado, no alto de uma das falésias sobre o Golfo Nuevo, na Península Valdés, na Argentina
Mas o dia amanheceu com muito vento, como já anteviam as previsões de ontem de noite. Com o mar todo encrespado, nada de barcos, nada de baleias. Tínhamos de achar um programa “alternativo”, o que não foi difícil em uma região tão bonita. Sem barcos, apelamos para nossa sempre fiel Fiona e fomos passear de carro pelo litoral sul da península onde estão algumas das mais pelas paisagens de Valdés.
Percorrendo o litoral sul da Península Valdés, na Argentina
O belo litoral sul da Península Valdés, na Argentina, banhado pelsa águas do Golfo Nuevo
Na verdade, ainda antes de entrar na Fiona fomos passear na própria praia de Puerto Pirâmides. Não demora muito para entendermos o nome dado a este lugar que nasceu como porto para dar vazão a toda a produção de sal da Península Valdés. As montanhas ao lado da cidade parecem gigantescas pirâmides, no formato e na cor. Prova que os egípcios estiveram por aqui? Não, prova que a natureza, através do vento e da água, é uma escultora de mão cheia!
Com a ajuda da Fiona, explorando o litoral sul da Península Valdés, na Argentina, região de Puerto Piramides
Com a ajuda da Fiona, explorando o litoral sul da Península Valdés, na Argentina, região de Puerto Piramides
O mar estava realmente encrespado. Então, todos a bordo da Fiona! A primeira rápida parada foi em um mirante para se admirar a cidade, as montanhas ao seu redor e o mar azul a sua frente. As baleias escolheram bem a sua casa de inverno! Em seguida, rumo às encostas que marcam o litoral sul da península, sempre com suas cores vibrantes, o amarelo creme das pedras e falésias e o azul profundo do mar.
A carcaça de um filhote de baleia franca em praia do litoral sul da Península Valdés, na Argentina, próximo a Puerto Piramides
A estrada termina, mas é possível seguir em frente com a Fiona, seguindo alguns rastros, sobre os rochedos da costa. Chegamos a uma pequena praia de areia cheia de gaivotas. Mas nem elas estão interessadas numa gigantesca carcaça no meio da praia. É um filhote de baleia franca já em avançado estado de decomposição. O número de baleias mortas nessa área, principalmente mais jovens, tem aumentado muito na última década. Depois de muitos estudos e observações, a razão para isso foi aparentemente descoberta. E surpreendeu a todos. Gaivotas! Isso mesmo, as pequenas gaivotas estão matando esses gigantes. Uma super população dessas aves, sedenta de alimentos, aparentemente encontrou uma outra e rica fonte de proteínas. Elas atacam as baleias com suas fortes bicadas quando essas vêm a tona respirar arrancando pequenos pedaços de pele e gordura. Isso é obviamente dolorido para as baleias e o simples ato de respirar tornou-se um tormento. As baleias passam muito mais tempo tentando se livrar dos pássaros, o que deixa as mães acompanhadas de filhotes com bem menos tempo para alimentar suas crias. O resultado, além de profundas feridas nas baleias, são filhotes mais magros, muitos dos quais acabam morrendo. Não duvido que tenha sido o caso do filhote que vimos hoje. O governo daqui, ajudado por organizações ambientais, estão tentando encontrar uma solução para isso. Perseguir as gaivotas? Matá-las? Ninguém sabe ao certo ainda como lidar com isso. Enquanto homens conversam, as baleias daqui já até desenvolveram uma nova técnica de respiração, chamada de oblíqua, que dificulta a ação dos pássaros. As únicas do mundo a fazerem isso, mas uma prova da adaptabilidade desse inteligente animal. Enquanto isso, para a preocupação dos amantes e estudiosos das baleias, gaivotas do sul do Brasil começam a ter o mesmo comportamento. Tudo isso causado pela superpopulação dessas aves que por sua vez foi causado pela quantidade de lixo orgânico (restos de peixes) jogado no mar pelos barcos de pesca. É claro que tinha de ter um dedinho nosso nesse desiquilíbrio...
O rochoso litoral sul da Península Valdés, na Argentina, região de Puerto Piramides
As cores vibrantes do litoral sul da Península Valdés, na Argentina
Bom, esse foi o momento triste do dia. O resto, foi só alegria. A erosão marinha fez um verdadeiro tabuleiro de pedras e rochas na orla e nós ficamos ali, explorando cada pedacinho, às vezes com a Fiona, outras caminhando. Oportunidade para muitas fotos, pulos, selfies ou pura contemplação. O mar daqui é simplesmente lindo, um azul que hipnotiza nossos olhos.
Área desértica com direito a grandes dunas de areia no sul da Península Valdés, na Argentina, região de Puerto Piramides
Caminhando e admirando deserto no sul da Península Valdés, na Argentina
Por fim, já no caminho de volta, fomos explorar um pequeno deserto de areia, com direito a cactos e muitas dunas. Fazia tempo que não caminhávamos nessas montanhas de areia (desde a Venezuela?) e fomos matar a saudade. Mas não por muito tempo, pois ainda tínhamos um longo dia de estrada pela frente. Na pressa que estamos para chegar à Bariloche, desistimos de esperar mais um dia por aqui (vai que venta de novo e os barcos não saem? Era o que dizia a previsão...) e resolvemos iniciar nossa travessia de leste a oeste da Argentina ainda hoje. Mas antes de entrar no interiorzão da Patagônia, uma parada para chá numa pequena cidade de colonização galesa. Galesa? É... assunto para o próximo post!
Felizes da vida no belíssimo e selvagem litoral sul da Península Valdés, na Argentina
Felizes da vida no belíssimo e selvagem litoral sul da Península Valdés, na Argentina
A bela paisagem do Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Desde que subimos, em apenas um dia, do Caribe para as altitudes andinas, que a Ana não vinha se sentindo bem. Vir tão rápido de zero para quatro mil metros, aparentemente, não foi bem assimilado pelo corpo dela. Cansada, dor de cabeça, sem muito ânimo para esforços maiores.
A belíssima Laguna Macubaji, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Por isso, e também pelo nosso calendário eternamente apertado, acabamos desistindo de fazer o trekking até o alto do Pico Humboldt ou do Bolívar. Muita energia e dias que não tínhamos. Então, decidimos seguir viagem, agora rumo aos llanos venezuelanos, a confortáveis 150 metros de altitude.
Saindo de Mérida (A), subindo até os 3.700 metros do Parque da Laguna Negra (B) e descendo para Barinas (C), já no nosso caminho para Los Llanos, versão venezuelana do nosso Pantanal
Mas, para isso, antes de descer, teríamos de subir novamente. Mérida, no fundo de um vale nos Andes, está a 1.600 metros de altitude. As planícies alagadas dos llanos estão do outro lado da cordilheira e, para chegarmos até lá, teríamos de cruzar as montanhas novamente.
A belíssima Laguna Macubaji, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Então, pé na tábua, a Fiona nos levou com toda a paciência do mundo até Apartaderos, aquela pequena cidade da nossa amiga galega dona da fábrica de embutidos, pouco acima dos 3 mil metros. Uma pouco mais alto que isso sai uma estrada que desce para o outro lado dos Andes, para Barinas, e de lá para os llanos.
Trilha no Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Logo no início dessa estrada está um pequeno Parque Nacional, criado para proteger a magnífica paisagem ao redor da Laguna Negra. É quase uma continuação do muito mais famoso Parque da Sierra Nevada, onde estão os picos Bolívar e Humboldt. Aí, não resistimos e entramos, pelo menos para um rápido passeio.
Aproximando-se das montanahs e cachoeiras do Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
A combalida Ana ficou no carro mesmo, descansando. Eu, representando a expedição 1000dias, fui fazer uma trilha rápida de poucos quilômetros até um rio encachoeirado que descia das montanhas do parque. Uma paisagem magnífica para onde quer que se olhe: lagos, montanhas, cachoeiras e rios gelados e uma vastidão sem fim. Tudo coberto por aquela vegetação típica de altitude, exceto por pequenos bolsos de floresta, os bosques mais altos do mundo! Apesar da altitude de quatro mil metros, a proximidade do equador favorece o clima e permitem que as árvores cresçam mais altas que em qualquer outro lugar.
Vegetação típica de altitude no Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Outra coisa especial do parque é que logo abaixo dele passa uma importante falha geológica. Do ponto mais alto até onde caminhei, pode-se ver bem a falha no terreno que marca essa fissura. De um lado, a placa do Caribe, do outo, a da América do Sul. Aqui, na junção das duas, uma entrando abaixo da outra, o solo se ergue a 4 mil metros! Muito estranho pensar que o Caribe começa ali, naquela altitude...
Uma das cachoeiras de águas geladas do Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Enfim, depois da rápida caminhada, sem coragem para banho na cachoeira e morrendo de vontade de percorrer as outras poucas dezenas de quilômetros de trilhas dentro do parque, voltei para o carro onde a Ana ainda descansava. Despedimo-nos das belezas dos Andes e rumamos para baixo. Na verdade, a despedida foi só um “até logo!”, pois ainda vamos nos encontrar mais para baixo no continente. Mas, por hora, chega de montanhas e vamos às planícies! Dormimos em Barinas e amanhã, mais um ecossistema desse verdadeiro caleidoscópio de mundos diversos que é a Venezuela. Fascinante!
A bela paisagem do Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Arquitetura de Puerto Natales, no sul do Chile
Acordamos hoje para nossos últimos 11 quilômetros de trilha no Parque Nacional Torres del Paine, no Chile. Só precisávamos retornar ao acampamento Paine Grande, de onde viemos ontem, que é de onde parte o barco que atravessa o lago Pehoe e nos deixa perto da estrada que atravessa o parque. Ou seja, um caminho que já conhecemos e tudo indicava uma calma manhã.
No último dia (em azul), caminhamos 11km do refúgio Grey para o Paine Grande, atravessamos o lago Pehoe de barco e fomos de van até a hosteria Las Torres, onde estava a Fiona
Depois de 80 kms de trilhas, sono merecido no parque Torres del Paine, no sul do Chile
Pois é, mas não foi bem assim. Para começar, choveu muito durante a noite e guardar uma barraca molhada (do lado de fora) não é fácil. Tinha gente em situação muito pior do que nós, com a barraca e equipamentos encharcados por dentro! Mas esse não era nosso maior problema. O ponto é que o barco que queríamos tomar só tem dois horários por dia, um no final da manhã e o outro no final da tarde. Então, nossa manhã tranquila acabou se tornando uma verdadeira corrida, pois não queríamos esperar até o final do dia. Então, literalmente corremos pela trilha para tentar alcançar o barco da manhã.
Fila para tomar o barco que faz a travessia do lago Pehoe, no parque Torres del Paine, no sul do Chile
Fila para tomar o barco que faz a travessia do lago Pehoe, no parque Torres del Paine, no sul do Chile
Apesar de esbaforidos, chegamos a tempo. A tempo de entrarmos na enorme fila de mochileiros esperando o barco. Aí, a tensão foi a da torcida de cabermos na pequena embarcação. A cabine lotou e eles foram nos empilhando no teto do barco. Ao final, para nossa felicidade e alívio, entramos. Mas quem estava no final da fila não entrou, o que nos fez ter certeza que aquela corrida tinha valido a pena!
Fazendo a travessia do lago Pehoe, no parque Torres del Paine, no sul do Chile
Frio e vento no teto do barco que faz a travessia do lago Pehoe, no parque Torres del Paine, no sul do Chile
Aí, foram uns 30 minutos passando frio no teto do barco, um vento gelado de não dar trégua. Mas chegamos vivos ao outro lado, um pequeno porto perto do Salto Grande que visitamos no nosso primeiro dia no parque. Aí, várias vans nos esperavam, a maioria de agências, mas umas poucas públicas também. Encontramos aquela que fazia a linha até a Hosteria Las Torres e embarcamos mais uma vez. Pelo menos agora estávamos protegidos do vento. Outra meia hora de condução e chegamos. Agora, só faltava mais um quilômetro de corrida para chegar ao local onde tínhamos deixado estacionada a Fiona. Um último esforço recompensado pela visão da nossa fiel companheira. Sem deixar o pique cair, trocamos de roupa e iniciamos nossa viagem rumo ao sul. Destino: Puerto Natales.
Mesmo com o vidro da frente cada vez mais partido, consequência da pedrada que levamos há uns 10 dias na ruta 40, na Argentina, a viagem foi bem tranquila. Foram 150 kms até a cidade de 20 mil habitantes na orla do fiorde Última Esperanza. Esse nome foi dado pelo navegante espanhol Juan Ladrilleros em 1557. Ele buscava desesperadamente a entrada ocidental do Estreito de Magalhães e, após várias tentativas, esse fiorde era sua última esperança. Para sua decepção, o Última Esperanza não era mesmo a passagem, mas apenas mais um dos intrincados fiordes que existem nessa região.
A rachadura no vidro da Fiona só está aumentando dsde a pedrada na ruta 40, saída de Trevelin, na Argentina
Chegando a Puerto Natales, no sul do Chile
Foi preciso esperar outros 300 anos para que os europeus reaparecessem nas águas do fiorde. Dessa vez, era o famoso barco Beagle, capitaneado por Fitz Roy e tendo como um dos cientistas a bordo o inglês Charles Darwin. Poucas décadas mais tarde, em 1878, quem também passou por aqui foi a primeira turista da patagônia, a escritora e feminista inglesa Lady Florence Dixie. E foi só com o séc. XX já começado, em 1911, que a cidade de Puerto Natales foi finalmente inaugurada. Um porto para a nascente indústria de lã de carneiro.
Paisagem plana, típica da patagônia, ao redor de Puerto Natales, no sul do Chile
Chegando a Puerto Natales, no sul do Chile. Nosso recorde de latitude sul só vai aumentando...
A ocupação inicial da região foi por alemães, ingleses e croatas. Só mais tarde vieram os chilenos do norte. As fazendas de criação de ovelhas e a indústria da lã prosperaram por boa parte do século, mas com sua decadência nas últimas décadas, foi o turismo que se tornou a principal força motriz da região. Puerto Natales é a principal base para quem vem de longe explorar o mundialmente famoso parque de Torres del Paine.
Placa de distâncias em Puerto Natales, no sul do Chile, mostra uma misteriosa Baden Baden, no Brasil
A Fiona se abasteceu em um posto Petrobras em Puerto Natales, no sul do Chile
A cidade é muito simpática, ruas largas, arquitetura interessante e sem prédios. Há muitas pousadas e restaurantes para atender os milhares de viajantes que aqui chegam buscando o parque mais ao norte. Uma boa parte deles chega de barco, o famoso ferry que, num percurso de 3 dias, viaja de Puerto Montt até aqui cruzando as belezas dos fiordes chilenos. Dependendo da estação ou do nível da cabine que se queira pagar, o preço dessa viagem varia de 200 a 2 mil dólares e assim que o barco chega a cidade se enche de vida. Para nós que chegamos em um feriado de natal e sem barco por perto, Puerto Natales estava uma tranquilidade só.
Arte nas ruas de Puerto Natales, no sul do Chile
Mas isso não nos impediu de achar um restaurante bem joia para almoçarmos deliciosamente. Almoço de natal em Natales, faz todo o sentido! Restaurante até com internet e conseguimos falar com nossas famílias via Skype. Perfeito! Viva o milagre da internet.
A mão enterrada, em Puerto Natales, no sul do Chile
Escultura de mão enterrada em Puerto Natales, no sul do Chile
Depois do almoço, caminhamos um pouco pelas ruas e orla da cidade. Tudo muito arrumadinho e tranquilo. Todo mundo celebrando em suas casas, vimos mais patos do que pessoas, as aves muito bem adaptadas às aguas geladas do Última Esperanza. Ali na orla também, uma escultura de uma gigantesca mão enterrada no solo, apenas os dedos aparecendo. Bem no estilo daquela que existe em Punta del Este, no Uruguay (onde ainda não estivemos, mas que está nos planos!).
Pequena e gelada praia em Puerto Natales, no sul do Chile
Patos parecem se dar bem com a água gelada da praia em Puerto Natales, no sul do Chile
Por fim, hora de partir. Ainda queremos chegar hoje em Punta Arenas, a grande metrópole aqui do sul, a cidade mais austral de terras continentais em todo o mundo. Na saída da cidade, placas indicavam direção e distância das atrações turísticas da região. Além do Torres del Paine, uma caverna, a Cueva del Milodón. Fica a uns 20 kms daqui, sentido norte. Na verdade, quando estávamos chegando, até vimos a entrada para a caverna, mas não animamos ir até lá, pela fome, pressa e cansaço que estávamos. Só ficamos curiosos. Depois, a internet, novamente a santa internet, nos ensinou do que se tratava...
A orla do fiorde que banha Puerto Natales, no sul do Chile
A rota do fim do mundo, de Puerto Natales a Punta Arenas, no sul do Chile
Em 1895, o alemão Hermann Eberhard explorava as terras que acabava de adquirir no sul do Chile. Foi ele que descobriu uma caverna ampla, com mais de 200 metros de profundidade, 80 metros de frente e 30 metros de altura. Mas a maior surpresa foi o que ele encontrou dentro da caverna: a pele, ossos e outros restos de um gigantesco animal que depois veio a ser identificado como o Milodón, uma preguiça gigante. Ele já era conhecido da ciência naquela época e imaginava-se que estivesse extinto há muito tempo. O problema é que aquela pele ainda cheia de pelos encontrada por Hermann estava muito bem conservada, quase fresca. Parecia que o animal havia morrido ali há muito pouco tempo!
Atrações turísticas na região de Puerto Natales, no sul do Chile. Nós perdemos a Cueva del Milodón...
Apesar de seus dois metros de altura e 200 kg, a Milodón não era uma das maiores espécies de preguiças gigantes
A notícia logo correu pelo mundo, muita especulação sobre a possibilidade de o Milodón ainda sobreviver nos confins perdidos da patagônia. Expedições científicas foram organizadas com o intuito de encontrar algum exemplar ainda vivo. Por muitos meses, jornais como o inglês The Sun relatavam essas expedições e alimentavam o imaginário mundial naquele final de século onde a ciência era cada vez mais importante. Infelizmente, testes feitos na pele encontrada indicaram que ela teria 10 mil anos de idade. A boa conservação devia-se ao clima frio e seco da caverna. O Milodón estava sim, extinto, muito provavelmente por ação da caça dos primeiros paleoíndios a chegar à região.
Estátua em tamanho natural de um Milodón, na entrada da Cueva del Milodón, perto de Puerto Natales, no sul do Chile (foto de Claudio Fierro)
A caverna está aberta à visitação. Aí também foram encontrados restos de antigos cavalos, camelos, onças e até tigres dente-de-sabre. E de humanos também. Aparentemente, os antigos cavalos, bem menores que os atuais, eram sua refeição predileta. Já o Milodón, com 2 metros de altura e 200 kg de peso (e olha que, na família das preguiças gigantes, ele era apenas de porte mediano), que por milhares de anos soube muito bem se defender de predadores graças ao seu tamanho, garras e placas ósseas sob a pele espessa, deveria ser um prato especial, algo assim como um banquete ou ceia de natal. Como disse, ainda não foi dessa vez que o reencontramos vivo, infelizmente. Mas para quem quiser ver uma cópia em tamanho natural, basta ir visitar essa caverna. A gente não foi, mas a internet nos contou a história.
Felizes depois do almoço de natal em restaurante de Puerto Nateles com direito a ligação de Skype para a família no Brasil. Viva o milagre da internet!
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)













.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)