0 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

mais vistos

mais comentados

novos comentários

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Islândia Há 2 anos: Islândia

Amantani e o Titicaca

Peru, Amantani

Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ao visitarmos as Islas Flotantes ontem, tivemos nosso primeiro contato com o lago Titicaca. Mas foi só um pequeno aperitivo. As ilhas dos Uros estão localizadas logo no início da baía de Puno, bem próximas da costa. É apenas o início do Titicaca, essa enorme massa d’água localizada em pleno altiplano, a mais de 3.800 metros de altitude, na fronteira entre Peru e Bolívia.

O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru

O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru


O lago Titicaca tem quase 15 milhões de anos e muitos o consideram o maior lago da América do Sul. Na verdade, esse posto pertence ao lago Maracaibo, na Venezuela, mas como este está no mesmo nível do mar e é separado do oceano apenas por um canal, muitos argumentam que ele não passa de uma grande baía. Já o Titicaca, no alto dos Andes, sua condição de lago é indiscutível. Na verdade, ele nem tem ligação com o oceano. Alimentado por cerca de 40 rios, suas águas desaguam por apenas um, exatamente o Rio Desaguadero. As águas correm para outro lago mais ao sul, na Bolívia, chamado Poopo, e aí permanecem até evaporarem. Apenas em anos de chuva excepcional, as águas podem chegar até o Salar de Coipasa e de Uyuni.

Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru

Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru


Com apenas um rio para vazar suas águas enquanto é alimentado por mais de quarenta, o equilíbrio do Titicaca é mantido pela altíssima taxa de evaporação. Pela grande altitude e alta taxa de sol incidente, essa evaporação é enorme e corresponde a 90% da água perdida pelo lago. Já a água que entra, boa parte dela vem do derretimento de geleiras de montanhas vizinhas. Com a mudança do clima nas últimas décadas, essas geleiras vem diminuindo e, como consequência, o nível de águas no Titicaca também, baixando a níveis nunca vistos no último século. Estudos feitos nos sedimentos do lago e também em suas margens mostra que o nível sempre variou ao longo dos séculos e milênios, sempre acompanhando o tamanho das geleiras e as eras glaciais do planeta.

Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)

Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)


Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru

Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru


Bem, mesmo com a recente diminuição, o lago continua enorme, chegando a 190 km de comprimento e 80 km de largura, no seu ponto mais largo. A profundidade máxima chega quase aos 300 metros, o que garante uma temperatura relativamente constante ao longo do ano, perto dos 12 graus. Com tanta água assim, vinda principalmente das geleiras, a água é doce, ao contrário do que ocorre com o Poopo que, mesmo alimentado pelas águas do Titicaca, devido a altíssima taxa de evaporação e profundidade de poucos metros, tem uma grande salinidade.

Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Além das muitas espécies de pássaros, três ou quatro espécies de peixes tinham uma boa vida no lago até que, há pouco menos de 100 anos, as trutas foram introduzidas pelo homem. O resultado foi catastrófico para as espécies nativas, já que as trutas, sem inimigos naturais, as devoraram. A única sobrevivente foi uma espécie com muitos espinhos, indigesta até para as trutas. Essas se tornaram o prato principal das pessoas que viviam no lago, mas o excesso de pesca também dizimou a população de trutas nas áreas próximas às grandes cidades, como Puno e Copacabana. Além disso, com a introdução de outro peixe, o king fish, as trutas também se tronaram presas, tornando a sua vida ainda mais difícil.

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


O Titicaca pode ser dividido em três partes: a pequena baía de Puno, onde estão as Islas Flotantes, o grande lago do norte e o pequeno lago do sul. Esses dois últimos são ligados por um canal mais estreito, de apenas 800 metros. Por aí vamos passar de Fiona, em poucos dias, no nosso caminho entre Peru e Bolívia, entre Puno e Copacabana. Nessa viagem, vamos margear boa parte do lago e ter algumas das mais belas vistas que se pode ter do Titicaca desde terra firme, principalmente na área de Copacabana, já na Bolívia.

Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


A outra maneira de ver esse magnífico lago é de suas ilhas. As principais são Amantani e Taquile, no lado peruano, e a maior de todas, Isla del Sol, no lado boliviano. Nossa ideia é visitar as três, começando por Amantani. Esse foi exatamente nosso passeio de hoje, quando deixamos nosso hotel de Puno para ir dormir na própria ilha, na casa dos moradores. Amantani é a menos turísticas das ilhas e quem a visita, geralmente dorme por lá.

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


O passeio pode ser através das agências, normalmente mais caros, ou com o barco da comunidade, que foi a maneira que escolhemos. O barco sai bem cedo de Puno, faz uma parada nas Islas Flotantes (como disse no post anterior) e segue para fora da Baía de Puno, para a parte principal do Titicaca, onde estão Amantani e Taquile. Como todos os barcos no lago são muito lentos, é uma viagem longa, mais de três horas de navegação, fora o tempo que ficamos parados nas Islas Flotantes. Tempo mais do que suficiente para admirar o belo lago à nossa volta.

Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ainda no barco, o capitão divide os passageiros em pequenos grupos, para poder acomodá-los em diversas casas em uma das dez comunidades existentes em Amantani. Assim como nas Islas Flotantes, as famílias se revezam para receber os visitantes, para que todos possam se beneficiar do turismo. Quando chegamos na ilha, essas famílias vem nos receber e nos levar para suas casas, onde teremos abrigo e refeições.

A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


A ocupação de Amantani é pré-incaica e seus habitantes falam quéchua. Com a conquista espanhola, a ilha passou a ser do rei de Espanha que, em 1580, a vendeu a um nobre espanhol que se estabeleceu na América. Foram estabelecidas fazendas e estas foram herdadas por seus descendentes. Mas uma forte seca no início do século passado começou a afastar os grandes proprietários que passaram a vender suas propriedades aos habitantes originais, que nunca haviam saído da ilha, formando sempre a sua classe trabalhadora. Aos poucos, toda a ilha foi vendida e hoje ela está dividida em muitas pequenas propriedades desses habitantes originais. O problema é que não há mais terras para serem vendidas ou cultivadas e as famílias continuam a crescer. As propriedades ficam cada vez menores, mas muitos dos descendentes, ao final, tem de deixar a ilha.

Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Na divisão de grupos, acabamos ficando no maior deles, o que ficaria hospedado na casa do capitão do barco. Conosco, uma família de espanhóis (mãe, filha, filho e nora) e dois amigos, também espanhóis, o Alvaro e o Valentin. Os dois tornaram-se nossos companheiros de exploração, não só de Amantani, mas também Taquile, a outra ilha que visitaríamos no dia seguinte.

Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Nossa casa era uma delícia, combinando charme e simplicidade. Vista maravilhosa para o lago lá embaixo, em meio à pequenas plantações e ruas de pedra. Fomos recebidos com um almoço bem sadio, produtos da própria ilha, desde o queijo e chá até as batatas e o milho. Tudo servido no pátio interno da casa, numa grande mesa comunal. Foi muito joia!

Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Depois do almoço, um tempo para passear ao redor, sentir um pouco do clima campestre e rural de Amantani, o relevo todo aproveitado na forma de terraços agrícolas, pequenas trilhas ligando as diversas comunidades da ilha, algumas poucas lojas e centros comunais, mulheres, homens e crianças em seus trajes típicos e ovelhas pastando tranquilamente. Aqui, não há dúvida, tudo é mais autêntico que nas Islas Flotantes, onde a economia gira completamente em torno do turismo. Em Amantani não, os visitantes ainda são incipientes e as pessoas estão mais preocupadas com sua própria vida e afazeres do que conosco. Aqui, podemos ser mais observadores do que clientes. Uma delícia!

Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


No final da tarde, todos nos reunimos novamente, os visitantes que vieram no barco. Juntos, seguiríamos com o capitão para as duas montanhas da ilha, com cerca de 4.100 metros de altura, mais de 300 metros acima do nível do lago. Além dos santuários que lá existem, é um lugar estratégico para se observar o fim de tarde sobre o lago. Tão espetacular foi essa experiência que vou dedicar o próximo post apenas a ela.

Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


No dia seguinte, após um simples, mas delicioso café da manhã, foi hora de nos despedirmos de Amantani. Ainda tivemos tempo para umas fotografias e uma rápida caminhada em uma das praias de pedra da ilha. Depois, voltamos todos ao nosso barco, para seguirmos à ilha vizinha de Taquile, para uma visita de algumas horas. Foi com dor no coração que deixamos Amantani. Com sua paz, tranquilidade e beleza inspiradoras, é o típico do lugar que eu gostaria de me refugiar para escrever um livro, passar uma temporada de alguns meses de vida bem simples, comida saudável, caminhadas pela manhã e no final da tarde, pores-do-sol inesquecíveis e muitas garrafas de vinho (essas, eu teria de levar, hehehe). Quem sabe, um dia...

Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Peru, Amantani, Lago, Titicaca

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

De Volta à Estrada: De Boa Vista à Manaus

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo, Manaus

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima


Estamos de volta à nossa vida normal, ou seja, na estrada! Depois de 10 dias descansando entre parentes no interior e no litoral de São Paulo, enfrentamos as mais de seis horas de voo de Guarulhos para Boa Vista, com parada em Manaus. Chegamos à cidade de madrugada e um táxi nos levou até a oficina do Ricardo, onde estava a Fiona. Nossa ideia já era botar o pé na estrada, afinal tínhamos um longo caminho pela frente.

Reencontro com o Ricardo e com a Fiona, em Boa Vista, em Roraima

Reencontro com o Ricardo e com a Fiona, em Boa Vista, em Roraima


A corrida é para chegar até Manaus no dia seguinte cedo, onde já estamos com outro voo marcado. Dessa vez, vamos para o meio da Amazônia, para a cidade de Tefé. Daí seguimos para a reserva de Mamirauá, para um hotel flutuante em meio a uma floresta alagada, na região do rio Solimões. Serão cinco dias no meio da floresta e da rica fauna da região, algo que já vínhamos planejando há muito tempo. Mas, antes disso tudo, tínhamos mesmo era de vencer os quase 800 km até a capital amazonense.

Estrutura de fiscalização no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Estrutura de fiscalização no Parque Nacional Viruá, em Roraima


E para isso, a primeira coisa era conseguirmos pegar a Fiona. Para isso, tivemos que acordar o pobre Ricardo, antes das seis da manhã, em pleno domingão! Simpático e solícito como sempre, ele saiu da cama nesse horário para vir até a oficina para abrir os portões. Conversamos um pouco e nos despedimos, certo que ainda vamos nos encontrar por esse mundão. O Ricardo e a Carol não só recebem esses loucos viajantes que vêm de longe como, eles também, pretendem fazer a sua viagem, de carro, pelos continentes afora. Amigos pelo mundo não faltarão! Ricardo e Carol, mais uma vez, muito obrigado pela ajuda e trabalho que demos!

Visita ao Parque Nacional Viruá, em Roraima

Visita ao Parque Nacional Viruá, em Roraima


Bom, dia começando e nós na estrada. A mesma estrada que já havíamos feito no final de Abril de 2011, quando voltávamos das Guianas Já até podemos dizer que somos “experientes” nessa estrada, hehehe. Dentre as nossas lembranças, a entrada do Parque Nacional do Viruá, que da outra vez não pudemos nem entrar, pela pressa que tínhamos. Na época, pensamos: “Quando estivermos voltando da Venezuela, daremos uma olhada!”.

Dirigindo no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Dirigindo no Parque Nacional Viruá, em Roraima


Pois é, esse dia chegou. Assim, tratamos de nos desviar da estrada principal e tomarmos o acesso de terra até a entrada do parque. O Viruá, como a grande maioria dos parques nacionais na Amazônia, não foi feito para receber turistas, mas apenas para proteção da fauna e flora locais. Motivo bem mais nobre, diga-se de passagem! Enfim, logo descobrimos isso, pelo estado precário em que se encontrava o posto de fiscalização do Ibama.

Estrada interrompida no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Estrada interrompida no Parque Nacional Viruá, em Roraima


No meio do caminho da Fiona, tinha uma árvore! (Parque Nacional Viruá, em Roraima)

No meio do caminho da Fiona, tinha uma árvore! (Parque Nacional Viruá, em Roraima)


Quando chegamos ao portal de entrada, já estávamos em plena floresta amazônica, uma estrada de barro cada vez mais estreita nos levando através da mata. Essa foi a nossa experiência por lá, aliás: essa estrada barrenta cada vez mais precária até que, alguns quilômetros à frente, uma grande árvore caída interrompia o caminho. Tiramos algumas fotos, ouvimos o intenso barulho da floresta, sentimos a umidade, imaginamo-nos observados por uma curiosa onça pintada e nos demos por satisfeitos. Muito mais Amazônia nos espera ao longo da semana. E muitos quilômetros de estrada nos esperavam no resto do dia. Meia volta volver e pé na estrada!

1000dias na metade do mundo, sobre a linha do Equador, no sul de Roraima

1000dias na metade do mundo, sobre a linha do Equador, no sul de Roraima


O próximo ponto de referência na estrada foi o ponto onde cruzamos a linha do Equador. Nós já tínhamos estado no hemisfério sul nesses últimos dez dias, mas agora foi a vez da Fiona voltar para esse lado do planeta. Mais uma marca importante nesses 1000dias: o hemisfério norte ficou definitivamente para trás. Um misto de tristeza e alegria no coração, se é que é possível essa combinação tão antagônica. Mas é possível sim, posso garantir! Tristeza pelo sentimento de que essa aventura está chegando ao fim. Alegria por termos chegado até aqui, sãos e salvos, infinitamente mais ricos de experiências e conhecimentos do que antes.

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima


Foi nossa quarta vez no Equador. A primeira foi lá em Macapá, onde há um grande monumento valorizando a posição geográfica da capital, uma das principais atrações turísticas da cidade. A outra foi aqui mesmo, uma pequena lembrança ao lado da estrada. A terceira foi lá em Quito, capital do Equador. Aí sím a linha do Equador é valorizada (ou sobrevalorizada...). Centenas de turistas, uma grande infra estrutura, um parque onde se cobra entrada, restaurantes e lojas e muitas coisas mais. Finalmente, a quarta e derradeira vez, aqui na BR-276, pausa para algumas fotos e comemorações para seguirmos em frente.

Atravessando os rios amazônicos no sul de Roraima

Atravessando os rios amazônicos no sul de Roraima


A longa estrada que liga Roraima ao Amazonas

A longa estrada que liga Roraima ao Amazonas


Já mais perto da fronteira com o estado do Amazonas, mais um ponto de referência: a reserva indígena Waimiri-Atroari. É aqui que precisamos chegar antes do fim da tarde, pois a estrada fica fechada depois do pôr-do-sol. Da outra vez, passamos aqui bem na hora limite e assistimos a um maravilhoso entardecer dentro da reserva, o sol vermelho se refletindo nas terras alagadas. Foi fantástico! Dessa vez, não foi tão bonito, mas não dá para reclamar da paisagem. Sempre com cuidado para não fotografar ou filmar muito, já que os índios não gostam muito disso.

Logo no início da Reserva, o pedido para que não se filme ou fotografe (fronteira entre  Roraima e Amazonas)

Logo no início da Reserva, o pedido para que não se filme ou fotografe (fronteira entre Roraima e Amazonas)


Quando saímos da Reserva, já estamos no Amazonas. Menos de uma hora depois e chegamos à Presidente Figueiredo, a terra das cachoeiras aqui no estado. Passamos dois belos dias por aqui, em 2011, e resolvemos pernoitar na cidade dessa vez. No dia seguinte, a uma hora de distância de Manaus, nossa ideia já era seguir até o aeroporto, sem passar pelo centro da cidade. Mais fácil e simpático dormir numa cidade pequena que na capital!

Alagamento da floresta causado pela represa de Balbina, no Amazonas

Alagamento da floresta causado pela represa de Balbina, no Amazonas


E assim foi. Voltamos à simpática Pousada das Pedras, do nosso amigo Fernando, que fez muita festa aos nos rever. Por uma grande coincidência, era seu aniversário e havia festa na pousada. Mais tarde, comemoramos também a vitória do Brasil na Copa das Confederações. Depois, fomos dormir cedo, afinal nossa noite tinha sido bem curta no avião para Boa Vista. No dia seguinte, horário bem calculado, saímos no último minuto para Manaus. Chegamos encima da hora no aeroporto, aonde a Fiona vai nos esperar por uma semana, e embarcamos rumo à Tefé. A volta será de barco, dormindo em redes, tudo para complementar nossa experiência amazônica que começa a partir de agora!

Nossa pousada preferida em Presidente Fiqgueiredo, no Amazonas, onde já havíamos ficado da outra vez

Nossa pousada preferida em Presidente Fiqgueiredo, no Amazonas, onde já havíamos ficado da outra vez

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo, Manaus, Amazônia, Parque, Viruá

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Guadeloupe

Guadalupe, Grande Anse, Parc National de Guadeloupe, Pointe-à-Pitre

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Tecnicamente, voltamos à Europa (e portanto, deixamos A América!). Tudo aqui, dentro do Caribe, com um voo de 20 minutos. Saímos de Antígua e chegamos à Guadalupe (em francês: “Guadeloupe”). A primeira, uma ex-colônia inglesa, hoje país independente dentro da comunidade do Commonwealth (o que significa que a Rainha ainda é a Chefe de Estado da ilha). A segunda, uma ex-colônia francesa, já há bastante tempo transformada em “departamento” (o equivalente ao que chamamos de “estado”, no Brasil, ou de “província”, na Argentina). Ou seja, Guadalupe, juridicamente, é um estado francês, como qualquer outro lá na Europa, como a Bretanha, a Alsácia ou qualquer outro. Elege seus deputados e senador, vota para presidente.

Chegamos na França! (no aeroporto internacional de Guadalupe, no Caribe)

Chegamos na França! (no aeroporto internacional de Guadalupe, no Caribe)


Essa diferença é fruto das distintas políticas de emancipação de suas ex-colônias das duas grandes potências colonialistas de outrora. A Inglaterra, quando percebia que o negócio começava a esquentar em alguma colônia, corria lá e “concedia” a independência, mas tentando manter o país em sua comunidade (a tal Commonwealth), o que lhe trazia vantagens comerciais. Já a França, dizia a sua colônia: ”Mas vocês não são colônia, vocês são a própria França!”. Essa tática funcionou bem aqui no Caribe e América do Sul. Hoje, além de Guadalupe, temos Martinica e Guiana Francesa como departamentos franceses na região. A Europa em plena América. Mas, em alguns lugares, essa mudança de nome não funcionou bem não, e acabou gerando sangrentas guerras de libertação. O melhor exemplo é o caso da Argélia.

Parece a Serra da Mantiqueira, mas é a Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Parece a Serra da Mantiqueira, mas é a Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


A gente sente essa mudança de continente logo que chegamos à ilha. Foi muito similar ao que sentimos quando entramos na Guiana Francesa. Lá, saímos da doce bagunça do Amapá para entrarmos numa “Amazônia arrumadinha”. Aqui, saímos da bagunça caribenha de Antígua para entrar no “Caribe arrumadinho” de Guadalupe, com organização europeia. Percebemos isso no aeroporto, no porte das estradas, no padrão de sinalização e por aí vai.

Mata tropical no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Mata tropical no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Outra mudança que logo percebemos, essa mais pelos ouvidos do que pelos olhos, é a língua. E não falo apenas da mudança do inglês para o francês. É a atitude, mesmo. Nos países de língua espanhola, obviamente falávamos seu idioma. Mas se quiséssemos, poderíamos nos virar no inglês mesmo. Nos países de língua holandesa, então, era só inglês! Mas aqui, que nada! É raro encontrar alguém que faça o mínimo esforço em falar inglês. É até mais fácil falar espanhol, pois se encontram muitos imigrantes de países de fala espanhola. Então, o negócio foi desenferrujar meu francês mesmo, Algumas vezes, muito divertido, outras, bastante aflitivo, pela falta de vocabulário. A Ana até se impressionou com a velocidade que falo. Mas eu sei muito bem o tanto que “não estou falando”! Para complicar, a não ser que eu peça expressamente, meus interlocutores falam rapidamente, como seu eu fosse francês nativo. A técnica é pescar palavras-chave e, com muita agilidade, deduzir o significado e sentido do que dizem...

Delicioso banho de cachoeira na Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Delicioso banho de cachoeira na Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Nós chegamos cedinho no aeroporto, vindos de Antígua, e passamos acelerados pela alfândega, uma olhadinha rápida nos passaportes e aquele carimbo mágico que nos dá o direito de entrar no país. Acho que foi a fronteira mais expedita que já passamos! Um pouco depois já estávamos de carro alugado dirigindo pelas autoestradas da ilha. Pois é, nossa primeira autoestrada numa dessas pequenas ilhas caribenhas, chique demais!


Nosso roteiro planejado para os 4 dias em Guadalupe

No próximo post vou falar um pouco da geografia interessante da ilha, mas Guadalupe tem o formato de uma borboleta de asas abertas. A capital, Ponte-à-Pitre e o aeroporto ficam quase no centro, no “encontro das asas”. Nós seguimos diretamente para a “asa” oeste, chamada de “Basse Terre”. “Basse” só no nome, pois é aí que estão as montanhas de Guadalupe. Além de montanhas, muita mata tropical, rios, cachoeiras e praias mais selvagens.

Refrescando-se na cachoeira de Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Refrescando-se na cachoeira de Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Para proteger toda essa natureza, foi criado um parque, o “Parc National de la Guadeloupe”. Uma estrada corta o parque em dois, a “Route de La Traversée”, e foi por ela que seguimos, nosso primeiro contato com a natureza exuberante dessa parte da ilha. Seguindo no sentido leste-oeste, logo chegamos à bela cachoeira conhecida como “Cascade aux Ecrevisses”, um convite irrecusável para um banho refrescante. Foi a primeira das muitas cachoeiras que devemos encontrar nessas ilhas daqui para o sul, até Santa Lucia, cada vez mais “tropicais”!

Chegando ao mar do Caribe logo após atravessar o Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Chegando ao mar do Caribe logo após atravessar o Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Seguindo adiante, muita mata, alguma chuva e mirantes prejudicados pela presença de neblina. Não demorou muito e estávamos já na costa oeste de Basse Terre, nosso primeiro contato de verdade com o litoral franco-caribenho. Começamos seguindo para o sul, até uma região transformada em parque em homenagem ao lendário documentarista Jacques Costeau. O velho lobo do mar uma vez afirmou que ali era um dos melhores pontos de mergulho do mundo! E olha que ele mergulhou por todos os sete mares e oceanos da Terra!

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Mesmo apesar dessa afirmação um tanto patriótica, estávamos mais para praia do que para mergulho e resolvemos seguir para o norte, até Grande Anse, considerada por muitos a mais bela praia de Guadalupe.

As águas tranquilas e calmas da praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

As águas tranquilas e calmas da praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Bom, não sabemos se é a mais bela, mas que é linda, isso é! Ela nos lembrou muito as praias de Ubatuba, com o mata chegando até a praia de areias grossas e amareladas, inclinada para entrar no mar. Mas duas coisas davam um toque “especial”. Primeiro, a presença de muitos coqueiro, conferindo um certo “ar baiano”. E a segunda, a incrível transparência da água. Mas, ao invés do tradicional azul caribenho, a cor era verde mesmo, como no litoral norte de São Paulo e região de Paraty.

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!


Nessa época do ano, está bem tranquila, quase sem turistas. Resolvemos ficar por ali mesmo, acomodados numa das muitas sombras da praia, antes de encontrar algum hotel para nós. Foi só no fim de tarde que fizemos o esforço supremo de sair da praia para achar um hotel. Hotel não, que isso é coisa rara por aqui. Fomos a um “gite”, a maneira mais comum de hospedagem no mundo francês. São pequenos chalés que são alugados quase sempre por semana. Tem cozinha completa, mas sem serviços de hotel, como limpeza ou café da manhã. Muitos deles não aceitam hóspedes para ficar pouco tempo. Querem, no mínimo, três ou quatro dias. Mas, nessa época de baixa temporada, feles ficam mais “maleáveis”.

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!


Enfim, encontramos um gite bem simpático para nós e fomos ao mercado comprar suprimentos. Por “suprimentos”, leia-se “queijos, vinho e pães”! Assim, de noite, pudemos celebrar em grande estilo, com vinho e queijos nacionais, nossa chegada à Europa, à França e à exuberante Guadalupe!

Lanche de queijos e vinho, enquanto trabalhamos um pouco em Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Lanche de queijos e vinho, enquanto trabalhamos um pouco em Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Guadalupe, Grande Anse, Parc National de Guadeloupe, Pointe-à-Pitre, cachoeira, Parque, Praia, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Jantar de Despedida

Peru, Cusco

Jantar charmoso no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru

Jantar charmoso no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru


Quando acordamos no dia 4, no nosso hotel em Cusco, o Gustavo já tinha partido. Depois da nossa noitada, ele teve só umas duas horas de descanso e seguiu para o aeroporto. Já nós, aproveitamos para dormir até mais tarde, a primeira vez depois de uma semana de correria intensa e muito poucas horas de sono.

O famoso restaurante Chicha, em Cusco, no Peru, local da nossa despedida dessa cidade inesquecível

O famoso restaurante Chicha, em Cusco, no Peru, local da nossa despedida dessa cidade inesquecível


A Ana não acordou muito bem. Logo botou a culpa na comida de rua que encontramos na madrugada. Não sei se foi isso mesmo, mas sabemos que ela aguentou firme todo o esforço que fizemos em Machu Picchu e Choquequirao, quando ela não tinha tempo nem chance de passar mal. Sabiamente, esperou chegarmos à Cusco, no conforto de um hotel, hehehe.

O famoso restaurante Chicha, em Cusco, no Peru, local da nossa despedida dessa cidade inesquecível

O famoso restaurante Chicha, em Cusco, no Peru, local da nossa despedida dessa cidade inesquecível


Então, passamos o dia bem tranquilo por aqui, mexendo um pouco no computador e descansando. Ao final da tarde, decidimos ficar em Cusco mais um dia, adiando nossa ida para a região do lago Titicaca para o dia 06. Pausa de descanso mais do que merecida!

Degustação de diversos tipos de batatas no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru

Degustação de diversos tipos de batatas no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru


Hoje, dia 05, ela já estava um pouco melhor. Passeamos aqui por perto mesmo e, para celebrar nossa última noite nessa cidade maravilhosa, resolvemos investir em um jantar em um dos restaurantes chiques da cidade. O Peru é cada vez mais famoso por sua culinária, fama bem justificada, aliás! Assim, seguimos a indicação da nossa amiga e madrinha Laura e reservamos lugar no restaurante Chicha.

Delicioso prato típico (quase um ensopado) no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru

Delicioso prato típico (quase um ensopado) no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru


Foi um desbunde! Com direito a vinho, entradas, sobremesa e, claro, prato principal! A entrada foi uma amostra das mais variadas batatas, entre as dezenas que existem no país, cheia de molhos, queijos e condimentos. Depois, no principal, carnes, mais batatas e outras “guloseimas”. Enfim, fechamos nossa estadia em Cusco com o melhor da culinária do país. Para marcar bem e não esquecer nunca mais! Adios, Cusco, no te olvidaremos jamás!

Carne ao aolho de vinho no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru

Carne ao aolho de vinho no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru

Peru, Cusco, comida

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Um Dia Para Não Esquecer - 2a Parte

Brasil, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas)

Magnífico visual de final de tarde na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Magnífico visual de final de tarde na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Recentemente inaugurada, a tirolesa dos 1.200 metros é uma das grandes atrações do Complexo Turístico da Pedra Caída. O início é do alto de um morro de onde se tem uma visão panorâmica de boa parte da região da Chapada das Mesas e o percurso cruza todo o vale, inclusive passando por cima do canyon da Pedra Caída. São cerca de 1 min e 20 segundos de descida à toda velocidade, preso a dois cabos de aço, tempo suficiente para gritar bastante, admirar a paisagem e até tirar fotos ou filmar.

A famosa tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

A famosa tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Tirolesa gigante (no alto, à direita) com o visual da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Tirolesa gigante (no alto, à direita) com o visual da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Além da coragem de enfrentar a descida, o outro obstáculo é a coragem de enfrentar a subida. Um infindável ziguezague de rampas nos levam morro acima, num percurso que dura de 20 min a uma hora, dependendo do pique e disposição de quem sobe. No caminho, vários banquinhos colocados em locais estratégicos para quem quiser descansar e/ou admirar a paisagem que fica cada vez mais ampla. Depois de todo esse esforço e de um tempo lá encima para admirar as enormes "mesas", montanhas com o topo plano que caracterizam esta região, é hora da descida. A Ana foi primeiro, com a filmadora, gritando vale abaixo. Pouco depois foi a minha vez. O frio na barriga é logo substuído pela sensação de estar voando. A tensão só volta no final do percurso, na hora dos freios funcionarem. Eles funcionam e tudo acaba bem, hehehe!

A longa subida para o alto da tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

A longa subida para o alto da tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Início da tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Início da tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Terminado a nossa programação no complexo, tudo devidamente pago, aceleramos a Fiona em direção ao Portal Da Chapada, uma formação rochosa a meio caminho da cidade de Carolina. Era o finalzinho da tarde e queríamos chegar lá encima em tempo de assistir o pôr-do-sol e observar a Chapada das Mesas colorida pelas luzes do fim do dia.

Descendo a tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Descendo a tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Chegando ao fim da tirolesa de 1.200 metros, em Carolina, região da Chapada das Mesas - MA

Chegando ao fim da tirolesa de 1.200 metros, em Carolina, região da Chapada das Mesas - MA


O acesso fica ao lado da estrada que liga Carolina à Imperatriz. Daí em diante, uma ladeira de quase 600 metros de areia fofa, mais uma trilha de 200 metros. A primeira parte, trabalho para a super Fiona, que também merecia sua parcela de divertimento neste dia inesquecível. Não foi fácil, mas ela chegou lá no alto, poupando-nos um bom tempo e esforço. Daí para o Portal, foram mais 5 minutos de caminhada. Chegamos na janela de pedra na hora certa para poder admirar o espetáculo do final de tarde.

Morro do Chapéu visto do alto do Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Morro do Chapéu visto do alto do Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


O Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

O Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Além de fotos de todos os ângulos, ainda pudemos praticar nossas "habilidades alpinísticas", escalando o Portal para termos uma vista ainda mais privilegiada. Foi o final de dia perfeiro para um dia perfeito! Deu um pouco de trabalho para desescalar, ou descer da pedra, mas nada que não tivesse valido à pena.

Admirando a paisagem do alto do Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Admirando a paisagem do alto do Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Amanhã, seguimos para a cidade de Riachão, ainda na região da Chapada das Mesas. Sempre no rumo do Jalapão, vindos do norte, pela Chapada das Mangabeiras. Muita aventura pela frente, hehehe.

Pôr-do-dol na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Pôr-do-dol na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Brasil, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas), Chapada das Mesas, Parque, Pedra Caída, Portal da Chapada, Tirolesa

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Mar de Almirante

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour, St Andrews Bay

Felizes da vida com o dia de sol e a beleza da paisagem a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul

Felizes da vida com o dia de sol e a beleza da paisagem a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul


O dia hoje realmente estava lindo. Céu azul e sol radiante, o que aqui na Geórgia do Sul significa algo próximo dos 10 graus. Quando não está ventando, claro! Depois da maravilhosa manhã remando e caminhando pela pitoresca Ocean Harbour, era hora de voltarmos ao Sea Spirit e navegarmos um pouco mais adiante nesse nosso cruzeiro pela costa norte da ilha. Ainda tínhamos o programa da tarde, um desembarque em St Andrews Bay, local da maior colônia do mundo de pinguins rei.

Passageiros a caminho do Sea Spirit em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Passageiros a caminho do Sea Spirit em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Voltando para o Sea Spirit após passar a manhã em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Voltando para o Sea Spirit após passar a manhã em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Então, que assim seja. Todos de volta ao nosso barco cruzando uma última vez as águas calmas de Ocean Harbour a bordo dos velozes zodiacs. Quase todos na tradicional jaqueta amarela e o pequeno grupo dos “caiaquistas” na roupa fashion a lá Top Gun. Depois, chegando no Sea Spirit, nada de distinção: todos limpando muito bem as botas de borracha na pequena piscina de água tratada que mata 98% das bactérias. Depois, direto para nossas cabines para trocar de roupa e ficarmos prontos para o almoço, já em tempo de ser servido.

O Sea Spirit em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul. Aí se vê bem o deck onde abordamos os zodiacs (1), o deck principal onde está o nosso quarto e os zodiacs são guardados(2), o deck da sala de estar e do bar(3) e o deck da piscina (4)

O Sea Spirit em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul. Aí se vê bem o deck onde abordamos os zodiacs (1), o deck principal onde está o nosso quarto e os zodiacs são guardados(2), o deck da sala de estar e do bar(3) e o deck da piscina (4)


Em dia de céu aberto a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul, almoço no deck externo do Sea Spirit

Em dia de céu aberto a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul, almoço no deck externo do Sea Spirit


Com o céu azul que tínhamos hoje, muita gente optou por almoçar ao ar livre, lá no último andar, onde também fica a piscina. Assim, comemos e ao mesmo tempo, admiramos a paisagem exuberante da ilha, enquanto navegamos para St Andrews. Essa será nossa penúltima chance de desembarque aqui na Geórgia do Sul. Amanhã pela manhã teremos mais uma oportunidade, inclusive com nova chance para caiaque, se as condições do mar permitirem. Depois, de tarde, vamos navegar pelo mais profundo fiorde da Geórgia do Sul, mas sem desembarques. Vai ser apenas para apreciarmos o visual da paisagem, com dezenas de geleiras que desembocam no tal fiorde. Depois, marcha a ré até mar aberto novamente e aí, direto para o sul, rumo a Antártida.

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul


As maiores montanhas da Geórgia do Sul, vistas do Sea Spirit a caminho de St Andrews Bay

As maiores montanhas da Geórgia do Sul, vistas do Sea Spirit a caminho de St Andrews Bay


Obervando a paisagem grandiosa a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul

Obervando a paisagem grandiosa a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul


Temos então de aproveitar ao máximo o tempo que nos resta nessa ilha incrível. E essa navegação entre Ocean Harbour e St Andrews foi ótima para isso. Pudemos ver as maiores montanhas da Geórgia do Sul em todo o seu esplendor, aproveitando o dia limpo. Oportunidade imperdível para fotos também. Principalmente por que o mar estava calmo e sem ondas, um verdadeiro “mar de almirante”.

A bordo do Sea Spirit, com muito sol e uma paisagem magnífica a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul

A bordo do Sea Spirit, com muito sol e uma paisagem magnífica a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul


Felizes da vida com o dia de sol e a beleza da paisagem a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul

Felizes da vida com o dia de sol e a beleza da paisagem a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul


Depois, um drinque com nosso grande amigo Gunar, nosso companheiro brasileiro no navio e uma verdadeira inspiração para nossas viagens, já que ele sempre nos contar de todos os pedaços do mundo que ele já conhece.

Junto com o brasileiro Gunar, na sala de estar do Sea Spirit. AO fundo, a biblioteca do navio (em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul)

Junto com o brasileiro Gunar, na sala de estar do Sea Spirit. AO fundo, a biblioteca do navio (em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul)


A enorme geleira em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul

A enorme geleira em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul


Por fim, chegamos à famosa St. Andrews Bay. Aqui de longe, já dá para ver que há açgo de “estranho” na longa praia. Algo parecido com ver Copacabana num domingo de sol bem de longe. A gente sabe que a praia está cheia, mas não dá para ver bem do quê. Mas as semelhanças para aí, na praia. Por que, atrás da praia, nada de prédios ou morros verdejantes. Montanhas, há sim, mas brancas e muito mais altas. E também uma enorme geleira, a Ross Glacier. Enorme hoje, mas menor do que ontem. Ela é mais um exemplo de geleiras que estão retrocedendo aqui na Geórgia do Sul. Enfim, é para lá que vamos em seguida. Nossa última chance de ver pinguins rei. E algo me diz que vai dar para matar a vontade...

St Andrews Bay, na Geórgia do Sul, local da maior colônia de pinguins rei do mundo

St Andrews Bay, na Geórgia do Sul, local da maior colônia de pinguins rei do mundo

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour, St Andrews Bay, Sea Spirit

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Tsunamis, Escaladas e a Melhor Música do Mundo

Estados Unidos, Washington State, Port Townsend, Olympic National Park

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Depois do memorável encontra na mata, seguimos para a Ruby Beach, uma das mais belas praias do Olympic National Park. Dica valiosa da gerente do nosso hotel em La Push. Com o pouco tempo que temos por aqui, é preciso escolher entre as diversas atrações. E dicas dadas por gente que mora por aqui sempre ajuda!

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Havia parado de chover, mas o tempo ainda estava nublado. De alguma maneira, o céu cinzento combina com a beleza das praias da região. Quase se complementam! Além disso, é o frio e o tempo chuvoso dessa época que afastam as multidões, nos dando a chance de conhecer essa bela região quase a sós. Foi assim também na Ruby Beach, um grande estacionamento e pouquíssimos carros por ali.

Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Carros, sim, haviam poucos. Mas placas advertindo sobre o risco de tsunamis, essas haviam aos montes. Desde a enorme tragédia que vitimou 300 mil pessoas no início da década passada que o assunto “tsunami” virou uma coisa séria em todo o mundo. Especialmente por aqui, onde registros fósseis nos dão provas claras que essas enormes ondas destruidoras atingem a região com uma certa frequência. Vieram no passado e virão no futuro, ninguém duvida. O recente tsunami do outro lado da bacia do Pacífico, no Japão, é apenas mais um lembrete disso.

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Enfim, me parece que, a não ser que seja algo realmente catastrófico, como a queda de um asteroide no mar, por exemplo, os sistemas de alarmes e avisos e o conhecimento das pessoas sobre o assunto são mais do que suficientes para se evitar novas mortes. Dificilmente o nível do mar pode subir mais de dez metros e aqui no litoral do parque, bastam alguns minutos para subirmos a encosta litorânea e estarmos muito mais altos do que isso, prontos para assistir de camarote a onda que chegar. Câmeras na mão, seria um sonho!

Admirando um bolder ideal para prática de escalada, na ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Admirando um bolder ideal para prática de escalada, na ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Bom, lidas as placas com as devidas instruções, descemos para as praias. Qualquer sinal de terremoto ou do mar recuando, já sabíamos o caminho de fuga. Enquanto isso, podíamos admirar novamente a beleza selvagem do praia, enormes troncos de madeira empilhados na areia e grandes rochas despontando na água e também na praia. Algumas, ideias para a prática de escalada, ou Boulder. Praticamos essa técnica antes do início dos 1000dias mas, vergonhosamente, quase não usamos nossos conhecimentos nessa viagem.

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Hoje, não podia perder a chance! Passei um bom tempo me divertindo por lá. Se a tal onda gigantesca aparecesse no horizonte, ao invés de correr para a encosta, eu poderia esperar ela ali mesmo, no alto daquela pedra. Será que iria me arrepender? Bastou encostar a mão na agua para perceber que sim! Nadar ali, com aquela temperatura, não seria uma opção! Melhor o conforto seco da encosta que o risco molhado e gelado da pedra!

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Ficamos ali, fotografando e caminhando pela praia deserta por mais um tempo. Nada de tremor de terra, resolvemos que era hora de voltar. Já era o meio da tarde e umas boas horas de estrada nos esperavam de volta até a simpática Port Townsend, cruzando novamente o parque, admirando seus lagos e admirando as altas montanhas pelas janelas nas nuvens

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A passagem ao lado do Lake Crescent é o trecho mais bonito da estrada. De um lado, as altas montanhas, do outro, o lago que foi criado na época da última glaciação. Suas águas verdes escondem um vale com até 200 metros de profundidade. Ele já foi ligado ao mar, mas um enorme desabamento separou o lago em dois, um deles sem mais nenhum contato com o oceano. Nessa prisão lacustre, os salmões que aí estavam tiveram que se acostumar à passar toda a sua vida na água doce, sem suas migrações. Devem ter achado meio enfadonho no início, mas se acostumaram. A natureza sempre dá um jeito...

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


De volta ao nosso delicioso hotel Palace (amanhã tiramos umas fotos!), fomos novamente muito bem recebidos. Até fizeram um upgrade do nosso quarto, charmoso como o outro, mas ainda mais espaçoso. E foram logo nos avisando que haveria mais música no mesmo restaurante que estivemos há dois dias, o Upstage.

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Para lá seguimos e, além da pizza maravilhosa, tivemos mais uma incrível experiência musical. Há muito tempo, uma pessoa que entende de música 100 vezes mais do que eu, me disse que a melhor música do mundo era produzida em três países: Brasil, EUA e Cuba (sendo que os dois primeiros também produziam a pior música do mundo!). Nada contra o excelente rock inglês, o mágico reagge jamaicano ou o emocionante tango argentino. Mas eram naqueles três países que havia uma grande diversidade, qualidade e riqueza musical.

Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Bom, para mim que nasci e cresci no Brasil e que já tinha andado pelas ruas de Cuba, onde o povo parece ter nascido cantando e dançando, a afirmação fazia muito sentido. Quando aos EUA, eu aceitava a opinião daquela pessoa que tanto sabia e entendia mais do que eu. Mas me parecia que era algo mais dos grandes shows, mega produções da Broadway e cantores alçados ao estrelato pelo dinheiro do showbizz.

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Pois bem, se tem algo que eu aprendi nesses mais de 100 dias viajando pelos quatro cantos dos Estados Unidos é a incrível qualidade e diversidade da música produzida por aqui. Como no Brasil e em Cuba, ela está na alma das pessoas. Do Jazz ao Blues, do Folk ao Rock, da Clássica à Popular, encontramos boa música em todos os lugares. O mais incrível estar em cidades pequenas, que no Brasil não comportariam nem um bom restaurante, e que aqui, além do “restaurante”, ainda tem uma música sofisticada, com plateia exigente. Ótimos músicos tocando para ótimos ouvintes. E lá no meio, eu e a Ana, em estado de êxtase, não acreditando nos que os olhos veem e os ouvidos ouvem.

O ótimo restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

O ótimo restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Assim foi hoje de noite no Upstage, excelente restaurante da pequena Port Townsend. Sem nossas máqunas fotográficas, mas com a nossa memória e admiração. E também com o conhecimento prático de que o Brasil e Cuba tem um páreo duríssimo na questão de qual país é o mais musical do mundo. Na dúvida, que ganhem todos eles!

Anúncio das atrações musicais do restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Anúncio das atrações musicais do restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Port Townsend, Olympic National Park, Parque, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

A Ilha Elefante

Antártida, Elephant Island

O cenário grandioso de Elephant Island, na Antártida (foto de Steve Denver)

O cenário grandioso de Elephant Island, na Antártida (foto de Steve Denver)


Pouco mais de 1.300 quilômetros de alto mar e de deixarmos a Geórgia do Sul para trás, a primeira terra firme apareceu no nosso horizonte. Nosso sentido era o sudoeste e o rumo era o continente antártico e aquelas primeiras montanhas no horizonte indicavam que estávamos cada vez mais perto do nosso objetivo. Ainda não era a própria Antártida, mas um arquipélago de ilhas conhecido como South Shetland Islands. As tais montanhas que víamos pertenciam à ilha mais ao norte desse arquipélago, com o sugestivo nome de “Ilha Elefante”, ou “Elephant Island” em inglês.

Nosso roteiro pelos mares do sul entre Falkland, Geórgia do Sul, Península Antártica e Ushuaia

Nosso roteiro pelos mares do sul entre Falkland, Geórgia do Sul, Península Antártica e Ushuaia


Nosso roteiro e pontos de parada na região da Península Antártica

Nosso roteiro e pontos de parada na região da Península Antártica


É claro que o nome da ilha não tem nada a ver com os simpáticos paquidermes africanos e indianos. Na verdade, é uma referência aos gigantescos pinípedes (as populares focas) que costumam aparecer nas poucas praias de pedra da ilha, os mesmos elefantes marinhos que tanto vimos na Geórgia do Sul. Eles não são tão comuns por aqui, mas chamaram a atenção dos primeiros exploradores há cerca de 200 anos. Esses intrépidos aventureiros não pararam por aqui, mas o apelido que deram para a ilha pegou e assim ela ficou conhecida.

A paisagem escarpada de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

A paisagem escarpada de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


A costa gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

A costa gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


O panorama de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

O panorama de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Desde então, Inglaterra, Chile e Argentina têm reclamado soberania sobre ela e todo o arquipélago, mas o Tratado Antártico definiu que este é um território internacional, próprio a pesquisas científicas e livre de exploração comercial. Aqui tivemos nosso primeiro contato com ares e mares antárticos, a emocionante sensação de estar a menos de 250 km da ponta norte da Península Antártica. Ainda faltam esses quilômetros para chegar lá, mas a sensação já é a de estar no continente branco, uma paisagem dominada por montanhas nevadas, enormes geleiras, animais típicos da Antártida e a certeza de estar muito longe da civilização.

Guias prontos para os passeios de zodiacs, em Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)

Guias prontos para os passeios de zodiacs, em Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)


A escocesa Rowan e a americana Sara, felizes de estarem de volta ao mar, em Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)

A escocesa Rowan e a americana Sara, felizes de estarem de volta ao mar, em Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)


Um zodiac e seus passageiros quase desaparecem perto da imensidão gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Um zodiac e seus passageiros quase desaparecem perto da imensidão gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Ao longo do dia fomos conhecer dois pontos da ilha. De manhã, uma passeio de zodiac ao redor das encostas rochosas e dos icebergs que flutuam por aqui num local chamado “Point Wild”. De tarde, outro passeio de zodiac, mas agora com direito a desembarque numa praia rochosa de Cape Lookout, já na costa oeste da ilha. Nas duas oportunidades, muita chance de ver de perto parte da rica fauna antártica, como pinguins, focas e até um emocionante encontro com baleias. Vou falar desses encontros nos próximos posts (teve até nossa primeira foca leopardo!!!) porque agora quero falar de história e de gelo.

de zodiac, dando a volta em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

de zodiac, dando a volta em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


observando a beleza selvagem de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

observando a beleza selvagem de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Caminhando na praia rochosa de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Caminhando na praia rochosa de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Foi em Point Wild que ocorreu um fato jamais esquecido na história das grandes aventuras de exploração do mundo e que tornou a isolada Elephant Island para sempre celebrada nos anais das grandes proezas humanas. Foi aqui que, após meses vagando sobre uma enorme plataforma de gelo flutuante, a tripulação do Endurance pode, pela primeira vez em mais de um ano, pisar em terra firme. Mas a aventura ainda estava muito longe de terminar...

Shackleton e sua tripulação presos em Elephant Island

Shackleton e sua tripulação presos em Elephant Island


Saída para a longa viagem entre Elephant Island, na Antártida, para a Geórgia do Sul

Saída para a longa viagem entre Elephant Island, na Antártida, para a Geórgia do Sul


Eu já contei essa história em outro post, quando visitamos o túmulo de Shackleton na Geórgia do Sul. Sir Ernest Shackleton era o líder da expedição exploratória inglesa que pretendia, entre 1915 e 1916, realizar a primeira travessia transantártica da história. O objetivo nunca foi atingido e, na verdade, a grande aventura (e o grande feito!) foi conseguir sobreviver durante tanto tempo neste ambiente inóspito que são as regiões polares do sul do planeta. Resumindo a história, o Endurance, o navio da expedição, ficou preso no gelo antártico muito antes de chegar ao continente e ficou ao sabor das correntes marinhas que carregavam a plataforma de gelo. Após algum tempo o movimento do gelo acabou destruindo e engolindo o Endurance e, muito tempo depois, acabou por trazer toda a tripulação do barco afundado até aqui, a Elephant Island.

O Sea Spirit ancora na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

O Sea Spirit ancora na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


A mar semi-congelado da baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

A mar semi-congelado da baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Blocos de gelo são deixados pelo mar em pequena praia de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Blocos de gelo são deixados pelo mar em pequena praia de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Naquela época, há quase cem anos, as chances de resgate nessa ilha eram nulas. Em plena 1ª Guerra Mundial, o tráfego de navios por esta região era inexistente. Shackleton resolveu partir para o tudo ou nada e, junto com outros cinco tripulantes, a bordo de um pequeno bote salva-vidas, o James Caird, partiu em 24 de Abril de 1916 numa tentativa quase suicida de chegar até a Geórgia do Sul. Lá ele sabia que existia estações baleeiras que poderiam ajudar a organizar um resgate. Milagrosamente, duas semanas mais tarde e depois de cruzar mais de 1.200 km de mar aberto, além da épica travessia caminhando pelas montanhas da Geórgia do Sul, ele chegou à civilização. Mas seria apenas no dia 30 de Agosto de 1916 que ele conseguiria chegar de volta à Elephant Island com um barco de resgate para salvar sua tripulação.

Uma geleira encontra o mar em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Uma geleira encontra o mar em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


A água do mar escorre de rochedo em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

A água do mar escorre de rochedo em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Portanto, seus homens tiveram de sobreviver por aqui por mais de 4 meses! Só podemos dar o real valor à façanha conhecendo de perto o local onde eles sobreviveram. Difícil imaginar local mais inóspito. Era inverno e, por aqui, nessa época do ano, quase não há luz do sol, uma espécie de noite interminável. A temperatura está sempre muito abaixo de zero e os ventos não param. Obviamente, não há madeira na ilha para se construir um refúgio e tudo o que aqueles homens tinham eram o pouco que tinham salvo do Endurance além de dois outros botes salva-vidas que foram desmontados para se montar um abrigo mais rústico. A praia de pedra onde ficaram é minúscula e constantemente fustigada pela maré de águas geladas. É inacreditável que tenham sobrevivido por tanto tempo...

Nosso zodiac enfrenta um mar semi-congelado na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Nosso zodiac enfrenta um mar semi-congelado na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Início do desembarque nas águas geladas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Início do desembarque nas águas geladas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


A comida vinha da caça dos poucos pinguins e focas que encontravam por aqui. Nessa época do ano, não são muitos os animais que dão a cara por essas bandas. A gordura das focas também servia de combustível para as poucas lamparinas que tinham para conviver com a escuridão interminável. O líder dos homens, muito bem escolhido por Shackleton, era Frank Wild. Por sua incrível competência e liderança (ninguém morreu e nunca houve brigas!), o local está batizado com o seu nome: Point Wild

Estátua que homenageia a tripulação do Endurance que sobreviveu alguns meses na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Estátua que homenageia a tripulação do Endurance que sobreviveu alguns meses na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Estátua em homenagem aos tripulantes do Endurance que passaram vários meses em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Estátua em homenagem aos tripulantes do Endurance que passaram vários meses em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


Nós não desembarcamos ali, apenas demos a volta de zodiac. Do barco, além das pedras, pinguins, gelo e o pequeno espaço onde viveram esses valentes, também avistamos uma estátua, uma marca humana algo destoante em meio àquela natureza selvagem. Logo imaginei que o busto, hoje cercado apenas de pinguins chinstrap, era uma homenagem a Wild ou ao próprio Shackleton. Que nada! O homenageado é Luis Pardo, um capitão da marinha chilena. Foi ele que, enfim, conseguiu resgatar os náufragos em Elephant island. Shackleton já havia tentado 3 vezes com barcos da Geórgia do Sul, mas as condições do inverno dificultavam o resgate. Enfim, já em Punta Arenas, conseguiu apoio da marinha chilena. A bordo do Yelcho, ele guiou Pardo através do mar gelado e conseguiu salvar todos os homens de sua tripulação. O capitão chileno recusou um prêmio em dinheiro oferecido pela Inglaterra, dizendo que apenas cumprira uma tarefa designada pela marinha de seu país.

Um pequeno pedaçõ da geleira desaba nas águas da baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida, causando muito barulho, nuvens e ondas,

Um pequeno pedaçõ da geleira desaba nas águas da baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida, causando muito barulho, nuvens e ondas,


Nosso guia nos ensina os segredos contados pelo gelo que flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Nosso guia nos ensina os segredos contados pelo gelo que flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Examinando um bloco de gelo que flutuava nas águas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Examinando um bloco de gelo que flutuava nas águas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


O mar continua muito gelado ao redor de Point Wild. Mas agora, já em Novembro, as condições são muito melhores do que no auge do inverno, em Agosto. Mesmo assim, nossos zodiacs têm de driblar os blocos de gelo que flutuam pela baía. Quase todos eles são provenientes das enormes geleiras que escorrem das altas montanhas de Elephant island. Vimos e ouvimos vários “desabamentos” de gelo sobre o mar, algo que sempre nos causa calafrios na espinha. Nosso guia, um glaciologista, aproveitou a oportunidade para nos ensinar mais sobre o gelo, a história que ele conta, sua origem no alto das montanhas, processo de formação e final de vida no mar. Alguns pedaços são do tamanho de bolas de futebol enquanto outros, os maiores, chegam ao tamanho de pequenas casas.

Sol ilumina um enorme iceberg tabular nas costas de Elephant Island, na Antártida (foto de Melissa Bartlett)

Sol ilumina um enorme iceberg tabular nas costas de Elephant Island, na Antártida (foto de Melissa Bartlett)


Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Grandes? Não, grande é outra coisa, é aquilo que flutua na entrada da baía, um autêntico e gigantesco iceberg tabular, vindo diretamente das plataformas de gelo da Antártida. Com dezenas de metros de altura e centenas de metros de lado, isso é apenas a parte visível, já que a grande maioria de sua massa, cerca de 8/9 dela, está escondida abaixo da superfície do mar. Até o nosso Sea Spirit fica pequeno perto deles.

Um enorme iceberg tabular pouco antes de afundar na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Um enorme iceberg tabular pouco antes de afundar na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


De volta ao Sea Spirit após passeio de zodiac em Point wild, Elephant Island, na Antártida

De volta ao Sea Spirit após passeio de zodiac em Point wild, Elephant Island, na Antártida


Iceberg tabular se vira, afunda e deixa apenas uma pequena parte de seu corpo fora da água na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Iceberg tabular se vira, afunda e deixa apenas uma pequena parte de seu corpo fora da água na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


Passageiros observam incrédulos a iceberg que afundou na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Passageiros observam incrédulos a iceberg que afundou na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


Pois bem, com nossos zodiacs, a gente chegou mais perto desses magníficos e belos gigantes. Não tanto como gostaríamos, mas perto o suficiente para admirar e fotografar a sua beleza. Não chegamos mais perto pelo risco que há deles se virarem e causarem grandes ondas. Pelo menos, foi o que disse nosso guia, embora não acreditássemos muito nesse perigo. Bem, nossa incredulidade não durou muito. Meia hora mais tarde, todo mundo já a bordo do Sea Spirit, eis que o gigantesco iceberg realmente se virou. Parece que de propósito, diante dos olhos atônitos de dezenas de turistas e tripulantes. Um verdadeiro espetáculo de proporções titânicas. Felizmente, nenhum zodiac por perto. Teria sido difícil escapar de um banho gelado, bem gelado! A visão desse enorme iceberg se virando foi apenas uma das muitas e incríveis surpresas que tivemos nesse dia. Houve muitas outras, devidamente relatadas nos posts seguintes...

O Sea Spirit fica pequeno quando comparado às encostas geladas de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

O Sea Spirit fica pequeno quando comparado às encostas geladas de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


O Sea Spirit fica pequeno perto dos enormes blocos de gelo na região de Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)

O Sea Spirit fica pequeno perto dos enormes blocos de gelo na região de Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)

Antártida, Elephant Island, história, Iceberg, Sea Spirit

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Cruzando Fronteiras

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu

Placa de trânsito em Foz do Iguaçu - PR

Placa de trânsito em Foz do Iguaçu - PR


Cruzar fornteiras é sempre uma "experiência". Não estou falando daquelas de aeroporto não. Falo daquelas que cruzamos por terra, de carro, à pé ou de balsa. Principalmente para brasileiros, acostumados que são com seu enorme país, onde podemos dirigir por dias e dias e continuar no Brasil. Quando muito, estamos acostumados a viajar para Miami, Nova York ou para algum país da Europa, sempre voando, e passar aquele friozinho na barriga enquanto o cara olha nosso passaporte no aeroporto e, finalmente, nos dá aquele carimbo libertador.

Aproximando-se da fronteira Brasil-Paraguai, em Foz do Iguaçu - PR

Aproximando-se da fronteira Brasil-Paraguai, em Foz do Iguaçu - PR


Mas, como já disse, falo das fronteiras terrestres. Viajando na Europa, cruzamos por elas o tempo todo. Basta dirigir algumas horas e já estamos em outro país. Lá, então, com as fronteiras abertas, fica ainda mais casual, passar de um país para o outro. É como se fosse uma mera linha imaginária, passar para lá e para cá. Por isso europeus são tão acostumados em viajar por terra entre países.

Cruzando a Ponte da Amizade, com os prédios de Ciudad de Leste (Paraguai) ao fundo

Cruzando a Ponte da Amizade, com os prédios de Ciudad de Leste (Paraguai) ao fundo


Mas não é o caso aqui. Exceto em raros casos, o máximo que brasileiros fazem é dar uma "olhadinha" do lado de lá, na cidade fronteiriça. Ciudad del Leste é só o exemplo mais conhecido, mas o mesmo se repete por toda a fronteira do Brasil. de Uruguaiana até Bonfim, em Roraima. Ir um pouco mais além, ver o país que se esconde atrás daquela cidade fronteiriça é uma experiência que poucos brasileiros, percentualmete falando, tem. Claro, muitos viajam para a Argentina. mas quase sempre de avião. Para os outros países da América do Sul, então, nem pensar. Só avião mesmo, para La Paz, Lima, Quito, etc...

Chegando na aduana paraguaia em Ciudad de Leste - Paraguai

Chegando na aduana paraguaia em Ciudad de Leste - Paraguai


Enfim, para nós que decidimos seguir de carro por todo o continente, essa será uma experiência que teremos continuamente. Só não digo que vai virar rotina porque cada fronteira, nesse nosso continente tão diverso, tem suas peculiaridades. Por exemplo, nossa entrada na Guiana Francesa foi completamente diferente da entrada hoje no Paraguai. Processos e burocracias completamente diferentes. E assim será nos próximos países, tenho certeza. Conforme formos passando, vou relatando as experiências, boas e ruins. Ruins? Pois é, cidades fronteiriças não costumam ser das mais agradáveis, sempre com gente querendo te vender produtos, serviços e "facilidades". Vamos ter de passar por eles, de um jeito ou de outro. Mas, diz minha experiência, os maus momentos nas fronteiras são logo substituídos pelas ótimas experiências que se esondem nos páises atrás dessas cidades, onde está o povo simples, hospitaleiro e curioso que sempre nos aguarda.

Bela paisagem em estrada paraguaia, entre Santa Rita e Trinidad

Bela paisagem em estrada paraguaia, entre Santa Rita e Trinidad


By te way, cruzar a fronteira hoje foi bem simples. Do lado brasileiro, não quiseram carimbar nossos passaportes e nem dar documento algum para a saída do veículo. Quando saímos pela Guiana Francesa tínhamos uma "declaração de saída". Dessa vez, nada. Do lado paraguaio, pelo menos tivemos os passaportes carimbados. Mas do veículo, nada. Quando insisti, disseram que aqui no Mercosul o trânsito é livre. Só precisamos da Carta Verde, o seguro que vale para todos os países do bloco. Além disso, basta que o carro esteja em meu nome. E, claro, preciso seguir as regras de trânsito do país. Para o Paraguai, isso significa ter dois triângulos no carro. No caso da Argentina, também é preciso um cambão e uma mortalha (??? - um lençol serve...). Cumprido isso, é seguir em frente. É o que estamos fazendo...

Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país

Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país


O mais difícil nessa passagem hoje foi driblar os ambulantes e, principalmente, o pessoal dos estacionamentos que queria que parássemos à todo custo. Foi até divertido. Mas, uns 20 quarteirões à frente, deixávamos para trás essa zona mais "comercial" e começávamos a ver e conhecer o Paraguai de verdade, aquele onde as pessoas tem suas vidas normais, se casam, vão à escola, aos supermercados, etc... E um pouco mais adiante, já na estrada, estava o belo Paraguai rural. Um colírio para os olhos, depois da balbúrdia da região fronteiriça.

Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país

Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu, Ciudad del Leste

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

Fantásticas Cavernas - 2a Parte

Estados Unidos, New Mexico, Carlsbad Caverns National Park

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Voltei ao centro de visitantes, onde reencontrei a Ana. Ali, nos poucos minutos que ainda tínhamos, admiramos uma exposição de fotos incríveis sobre as cavernas. Fotos antigas, da década de 30, dos primeiros exploradores. E fotos recentes, da pesquisa que se faz em uma caverna aqui do lado, a Lechuguilla. Essa já era uma caverna conhecida há 100 anos, sem grandes atrativos. Mas uma insistente corrente de ar que saía por detrás de umas pedras sempre atraiu a curiosidade de exploradores. Por fim, na década de 80, pesquisadores obtiveram a permissão de cavar por lá. O que descobriram foi um mundo novo e impressionante de túneis e salões secretos, ainda em condições pristinas. É a mais bela caverna do parque, cheia de formações exóticas, lagos subterrâneos, um verdadeiro tesouro da natureza. Infelizmente (ou felizmente!), a caverna é totalmente off-limits para turistas. Apenas pesquisadores podem entrar, de tempos em tempos, para encontrar mais alguns túneis (ela não está totalmente explorada ainda) e documentar as belezas dali. Que privilégio! A gente, pessoas normais, só podemos ver as fotos. E que fotos...

Lechuguilla Cave, aberta apenas para felizardos pesquisadores, no Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Lechuguilla Cave, aberta apenas para felizardos pesquisadores, no Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


A caminho das câmaras inferiores da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

A caminho das câmaras inferiores da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Bom, nós, até para podermos fugir um pouco dessa “normalidade” enfadonha, fomos fazer o nosso tour. Agora, com capacetes e lanternas na cabeça, já me sentia um pouco menos turista e um pouco mais espeleólogo. Mais ou menos, pois ainda estávamos bem limitados pelas regras do grupo. Dez pessoas e duas simpáticas guias em fila indiana pelos corredores e túneis bem menos frequentados dos salões inferiores da caverna.

Parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Formações na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Formações na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Aqui, não há iluminação artificial e tudo o que podemos ver é aquilo que nossas lanternas iluminam. O ambiente é mais estreito que no “andar de cima”, mas nem por isso menos impressionante. De alguma maneira, podemos chegar mais “perto” das formações e da caverna e entramos mais no clima. A guias vão dando as explicações, históricas e geológicas, e tudo vai ficando mais claro. Duas agradáveis horas pelas entranhas da natureza.

Turistas ficam maravilhados com a formação de pérolas no solo da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Turistas ficam maravilhados com a formação de pérolas no solo da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Formações de pérolas no solo da parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Formações de pérolas no solo da parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Passamos por um campo de pérolas, pequenas formações de calcário arredondadas, do tamanho de bolas de gude, cuidadosamente elaboradas ao longo de incontáveis anos pela natureza. São lindas! Nunca tinha visto tantas delas ao mesmo tempo. Foi engraçado ver a admiração dos outros turistas, alguns deles pela primeira vez dentro de uma caverna! Passamos também por uma incrível cortina natural. Nós já vimos centenas dessas, em outras cavernas, mas essa tinha um detalhe que a tornava única. Cortinas são sempre verticais, seguindo a lei da gravidade. Mas aqui, são diagonais!!! Na verdade, todo o bloco de pedra onde se formaram caíu do teto e se afundou no chão, ficando nessa posição. O “milagre” está no fato da formação não ter se espatifado na queda. A explicação para isso está no fato de que a caverna era mais úmida antes, e o solo era, na verdade um raso lago com chão mole e encharcado embaixo. Hoje, está tudo seco e temos aquela cortina na diagonal. Impressionante!

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Também nos chamou muito a atenção uma formação translúcida de calcário com um morcego dentro. Um fóssil milenar e muito bem preservado, congelado no tempo. Até parecia uma cena de Parque dos Dinossauros, mas ao invés de um mosquito preso no âmbar, era um morcego no calcário. Mais um pequeno detalhe que faz dessa a mais interessante caverna aberta ao turismo nos Estados Unidos. Por falar em detalhe, tem também a pedra com uma pichação que já se tornou histórica. Afinal, é uma assinatura que agora já é centenária, escrita exatamente pelo grande explorador dessa caverna, Jim White. Aos poucos, sua pichação vai ganhando status de “pintura rupestre”.

Formação caída no chão na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Formação caída no chão na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Esqueleto de morcego preso em estalagmite translúcida, na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Esqueleto de morcego preso em estalagmite translúcida, na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Foi um ótimo passeio, que valeu muito a pena. Saímos daqui com a certeza de que as cavernas daqui também estão entre as mais belas do mundo, não devendo nada para as nossas. Pena só que sejam tão “civilizadas” ou então, completamente fechadas aos nossos olhos, os simples mortais. É o preço que se paga pela sua conservação (as que não são abertas à visitação) ou para que todos tenham acesso e possam admirá-las (as que estão abertas, pavimentadas e iluminadas). Para fugir disso, só tendo nascido há um século ou ser um pesquisador renomado ou, quem sabe, voltar às inexploradas e quase virgens cavernas de países do 3º mundo.

Atravessando túnel na caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Atravessando túnel na caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Visitando a caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Visitando a caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Aqui em Carlsbad, abaixo da terra, já está tudo regulamentado. Acima dela, aí sim sem guias ou regras, pudemos caminhar e dirigir por uma estrada de terra que nos levou à mirantes e pontos históricos. Muito interessantes, sem dúvida, mas os maiores atrativos daqui estão mesmo embaixo da terra. Fechamos, com chave de ouro, nossa sequência de visitas aos parques nacionais americanos. Cada um mais bonito do que o outro.

Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Estados Unidos, New Mexico, Carlsbad Caverns National Park, Caverna, Parque, trilha

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Página 766 de 161
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet