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SHUFFLE Há 1 ano: Canadá Há 2 anos: Canadá

Águas Incríveis e Placas Mal Criadas

Bahamas, Long Island - Stella Maris

Admirado com a cor da água

Admirado com a cor da água


Passamos a manhã de hoje mergulhando. Finalmente, o vento parou de nos atrapalhar. Foi meia hora de barco para chegarmos ao local dos mergulhos, que foram bem gostosos, sem grandes desafios. Visibilidade estupenda, perto dos 40 metros. Estávamos dentro de um aquário cheio de peixinhos coloridos, um tubarão bem manso (Nurse Shark) e uma "arquitetura" de corais de cair o queixo. O mundo subaquático é impressionante. Só vendo com os próprios olhos para entender. Quando mergulhamos, interagimos com os animais de uma forma que não conseguimos fazer aqui em cima. Ficamos a centímetros dos peixes. Mesmo de tubarões. Quando conseguiríamos fazer o mesmo com pássaros ou leões? Só se eles estiverem em gaiolas ou jaulas. É isso o que faz a nossa visita ao mundo submarino tão interessante!

Agora, mais do que os peixes, o que mais me chamou a atenção hoje foi, novamente, a cor do mar. Uma pintura. Um verde chiclete, com bastante corante. De onde vem essa cor de água? Porque aqui é assim e no Brasil não é? Algum mineral na água? Plâncton? A areia? Alguém me explica, por favor!!! Por que as águas do Caribe são dessa cor?

Barco em Long Island - Bahamas

Barco em Long Island - Bahamas


Já no final da tarde, saí para uma corrida pelo local. Peguei uma estradinha esburacada que se transformou numa pista de terra completamente deserta. Aqui e acolá, casas semiconstruídas eram o sinal da civilização. A vista era o imponente Oceano Atlântico, o objetivo era chegar numa praia distante. Quanto mais me afastava do resort, mas me achava distante da civilização, num mundo onde eu era o único ser humano, livre para ir e correr por onde quisesse. Bem, nem tanto. Chegando na praia, havia uma casa isolada de qualquer outra (que já tinham ficado para trás). No acesso à casa pela areia, uma placa com os simpáticos dizeres: Keep Out! Violators will be prosecuted". Que tapa na na cara, bem naquele paraíso isolado de tudo e de todos. Se eu fosse um bahamense ficaria ainda mais indignado! Um gringo vem ao meu país, à minha ilha, e põe uma placa dessa. Quase fiquei com saudade do MST!

E o pior é que a tal placa mal educada não é exceção não. Eu e a Ana vimos várias parecidas, em Harbour Island. Aqui em Long Island, nessa praia tão isolada, numa ilha com menos de 3 mil habitantes, fiquei com vontade de colocar a placa abaixo. Mas, melhor não, né? I might get prosecuted...

Bahamas, Long Island - Stella Maris, Mergulho

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Na Toca do Urso

Estados Unidos, South Dakota, Black Hills, Wyoming, Devils Tower

A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


Hoje de manhã foi a nossa despedida da belíssima região de Black Hills. Percorremos uma estrada cênica ao longo da parte norte, por entre lagos e florestas. A cada curva, uma nova pintura. O céu azul ajudava e a vontade que dava era a de percorrer algumas trilhas e fazer um piquenique na orla de um dos lagos e rios cristalinos da região.

A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Pausa em viagem pelo norte das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Pausa em viagem pelo norte das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Mas precisávamos continuar. Deixamos para trás não apenas as Black Hills, mas também o estado de South Dakota. Chegávamos ao Wyoming, um dos estados com natureza mais exuberante do país. Aqui, por exemplo, estão os parques nacionais de Yellowstone e Grand Tetons, além de diversos parques estaduais, que protegem rios e canyons.

A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Exposição no excelente Centro de Boas Vindas do Wyoming, nos Estados Unidos

Exposição no excelente Centro de Boas Vindas do Wyoming, nos Estados Unidos


Como em todos os outros estados que entramos por alguma das grandes rodovias interestaduais, logo encontramos um “Wellcoming Center”, ou Centro de Boas-vindas. A diferença foi que, pela primeira vez, resolvemos parar para dar uma olhada. Isso porque queríamos saber informações sobre o nosso primeiro destino no estado, uma enorme torre de pedra conhecida como Devil’s Tower.

A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


Além de conseguirmos as informações, ainda ficamos impressionados com a qualidade do Centro, uma casinha muito bem construída no meio do nada, repleta de folhetos e painéis de todas as atrações do estado, além de funcionários simpáticos e dispostos a ajudar. Foi de tirar o chapéu! Isso sim que é desenvolvimento de turismo!

Chegando à incrível Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

Chegando à incrível Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


Seguimos então para a Devil’s Tower, que com seus quase 400 metros de altura sobre o terreno que a rodeia, pode ser vista de longe. O nome não faz muito sentido, e decorre de uma tradução mal feita de um de seus nomes indígenas. A pedra era sagrada para várias tribos e tinha, portanto vários nomes. Vários relacionados a ursos, que eram frequentes por aqui. A razão para isso é que as ranhuras da enorme rocha parecem ter sido feitas por um urso gigante. Aliás, o original da tal tradução mal feita era “Abrigo do Urso”.

Homenagens indígenas, muito comum na mata ao redor da Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

Homenagens indígenas, muito comum na mata ao redor da Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


Não é difícil entender porque a pedra era (e continua!) sagrada para os indígenas. Quando a vemos de longe, e ainda mais quando nos aproximamos, a vontade que ela inspira é a de contemplação e adoração. Magnífica, crescendo para o céu como um gigantesco monumento. É mesmo impressionante!

Visita à impressionante torre de pedra chamada Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

Visita à impressionante torre de pedra chamada Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


A vantagem de estarmos nesse país é que uma maravilha dessa é protegida. Foi declarado o primeiro Monumento Nacional, já há mais de 100 anos! E chegando ao sopé dela, dezenas de painéis explicativos nos mostram como ela foi formada. A história geológica da Terra, por causa da sua escala de tempo, sempre nos faz ver como somos insignificantes e como o período de nossas vidas é absolutamente ridículo.

As colunas que formam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

As colunas que formam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


Devil’s Tower, assim como várias primas suas que vimos em nossas andanças pelo Espírito Santo ou em Quixadá, interior do nosso querido Ceará, foram formadas por “intrusão”. Alguns milhões de anos atrás, uma grande quantidade de lava ascendeu de grandes profundidades, por entre camadas de rochas sedimentares, tudo isso ainda bem abaixo da superfície. Aí, ela se esfriou rapidamente, contraindo-se e rachando internamente. Essas rachaduras são a origem das “colunas” que vemos hoje. Em seguida, alguns milhões de anos de erosão pela água e pelo ar levaram embora toda a rocha sedimentar (mais mole) que envolvia essa “intrusão” de rocha granítica, desenterrando ela do solo. Por ser mais dura, resiste muito mais à erosão e continua lá, de pé, embora também se desgaste com o tempo, de forma muito mais lenta.

Alpinistas escalam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

Alpinistas escalam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


Alpinistas escalam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

Alpinistas escalam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


O resultado é essa maravilha que vemos hoje, imponência e delicadeza ao mesmo tempo. Além de sagrada para os indígenas, também é para os alpinistas, que vem de todo o país para escalar alguma de suas vias de acesso. Os primeiros a chegar lá encima foram dois rancheiros locais, no final do séc XIX. Construíram escadas e foram encaixando elas entre as fissuras e completaram a façanha. É muito legal ver as fotos em preto e branco dessa aventura centenária. Hoje, são usadas técnicas modernas e nós pudemos observar vários desses corajosos pendurados nas paredes da pedra.

Visita à impressionante torre de pedra chamada Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos

Visita à impressionante torre de pedra chamada Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos


Quanto a nós, limitamos a dar a volta na base por uma trilha de poucos quilômetros. Muitas fotos e a devida reverência. Ao ir embora, e pedra continuou aparecendo no retrovisor da Fiona durante muito tempo. Parecia dizer: “Boa viagem! Mas voltem aqui, algum dia”. Voltaremos...

A Devil's Tower fica no retrovisor da Fiona, em Wyoming, nos Estados Unidos

A Devil's Tower fica no retrovisor da Fiona, em Wyoming, nos Estados Unidos


Belíssimo pôr-do-sol nas estradas de Wyoming, nos Estados Unidos

Belíssimo pôr-do-sol nas estradas de Wyoming, nos Estados Unidos


O resto do dia foi cruzando esse estado de paisagens espetaculares. Não conseguimos chegar até o outro lado de Wyoming, onde estão os parques que visitaremos nos próximos dias, já na fronteira com Idaho e Montana. Mas chegamos bem perto e amanhã, já estaremos no Grand Tetons. Até lá, as imagens que ficarão em nossas mentes serão do magnífico Bear’s Lodge (o nome correto da Devil’s Tower) e do pôr-do-sol cinematográfico com o qual fomos presenteados no coração do Wyoming.

Belíssimo pôr-do-sol nas estradas de Wyoming, nos Estados Unidos

Belíssimo pôr-do-sol nas estradas de Wyoming, nos Estados Unidos

Estados Unidos, South Dakota, Black Hills, Wyoming, Devils Tower, montanha, Parque, trilha

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Os Nossos Astros

Brasil, Rio Grande Do Norte, Galinhos

Lua cheia sobre as dunas de Galos, na região de Galinhos - RN

Lua cheia sobre as dunas de Galos, na região de Galinhos - RN


Já escrevi num outro post, já há alguns meses, sobre os conhecimentos da natureza que os amtigos tinham e que nós, no conforto da nossa civilização, perdemos. Coisas sobre o céu e o o mar, sobre as plantas e os animais, sobre as chuvas e os ventos.

Fim de tarde nas dunas de Galos, na região de Galinhos - RN

Fim de tarde nas dunas de Galos, na região de Galinhos - RN


Muitos desses conhecimentos eram específicos de cada região. Assim, os índios do interior do nordeste sabiam tudo sobre as plantas da caatinga enquanto os do sudeste sabiam de tudo sobre as plantas e animais da mata atlântica. Os habitantes do Xingu conheciam todos os segredos do rio e de seus peixes, enquanto os habitantes do litoral conheciam muito bem as marés e as tempestades que vinham do mar.

Segurando a lua cheia! (nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN)

Segurando a lua cheia! (nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN)


Mas, um conhecimento era geral: o céu! As estrelas mudam de um hemisfério para o outro, mas o sol, a lua e os planetas estão sempre lá. Hoje, muita gente sabe recitar de cor todos os signos do horóscopo, porque acreditam nisso (???), mas mal sabem apontar alguma constelação nos céus, apesar do "horóscopo" estar lá...

Observando o pôr-do-sol nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN

Observando o pôr-do-sol nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN


Hoje, na nossa caminhada até Galos e pelas dunas próximas, tivemos a chance de vivenciar nossos dois astros principais, astros diários do espetáculo do nosso céu, o sol e a lua. Os dois ali, dividindo o mesmo palco, nos mostrando os caminhos, indicando para onde olhar e o que admirar. Por um momento, pareciam competir entre si. Na verdade, só se complementavam. Um iluminando o outro, um refletindo o outro.

Caminhando nas dunas sob a lua cheia (nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN)

Caminhando nas dunas sob a lua cheia (nas dunas de Galos, região de Galinhos - RN)


Felizes os antigos, que sabiam admirar este espetáculo diário, dia após dia.

Maravilhoso luar na caminhada de volta pela praia até Galinhos - RN

Maravilhoso luar na caminhada de volta pela praia até Galinhos - RN

Brasil, Rio Grande Do Norte, Galinhos, Galos

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Chiloé

Chile, Ancud

A baía de Ancud vista do Forte San Antonio ilha de Chiloé, no sul do Chile

A baía de Ancud vista do Forte San Antonio ilha de Chiloé, no sul do Chile


Em Janeiro de 1992, eu estava viajando com uma mochila nas costas e muito pouco dinheiro no bolso pelo Chile e Argentina. Em uma época em que a Ana ainda não existia para mim (ela só tinha 10 anos de idade!), meus companheiros de viagem eram o meu primo Haroldo e o amigo Pfeifer. Pouco depois de passarmos por Pucón, o Haroldo teve de abortar a viagem pela metade e retornar ao Brasil. Compromissos de trabalho o chamaram para casa. Coincidentemente, daqui a poucos dias, vamos encontrar esse mesmo Haroldo naquela mesma Pucón, vinte e dois anos depois. Enfim, eu e o Pfeifer continuamos sozinhos e nosso próximo destino era a região de Torres del Paine, no extremo sul do continente. Nós optamos por uma passagem de ônibus de Puerto Montt para Puerto Natales, uma longa viagem de 36 horas que cruzaria todo o sul da Argentina e voltaria ao Chile lá embaixo, perto de Punta Arenas. A passagem custou 51 dólares e nós preferimos pagar isso do que os 66 dólares de uma passagem de avião. Os 15 dólares de diferença podem não parecer muito, mas no nosso orçamento apertado daquela época, isso queria dizer pelo menos três noites de hotel! Isso sem contar a “noite de graça” que passaríamos no ônibus. É... preços e prioridades mudam com o tempo e com a idade...

Caminhando pelas ruas de Ancud, na ilha de Chiloé, no sul do Chile

Caminhando pelas ruas de Ancud, na ilha de Chiloé, no sul do Chile


Arquitetura no centro de Ancud, na ilha de Chiloé, no sul do Chile

Arquitetura no centro de Ancud, na ilha de Chiloé, no sul do Chile


Pois bem, ainda tínhamos um dia a mais para passar na região de Puerto Montt e nós decidimos ir visitar a Ilha de Chiloé. Seria uma visita rápida, apenas uma tarde para conhecer Ancud, uma noite no hotel e, de manhã, de volta para Puerto Montt para pegar nosso ônibus rumo ao extremo sul. Mas as coisas não saíram exatamente da maneira que havíamos previsto. Já na viagem de ida, conhecemos três simpáticas e belas argentinas e ficamos bem amigos delas. Ao chegar na ilha, nos encantamos com as paisagens de Chiloé nos poucos quilômetros de estrada até a cidade de Ancud. Aí, passeamos um pouco, os cinco, e logo encontramos um bar para sentar, de frente ao mar. A balada esticou-se até a metade da madrugada, hora em que elas já haviam nos convencido a passar o dia seguinte por ali também, com elas, e adiar nossa viagem para Torres del Paine por um dia. Nós tentamos fazer isso de todas as maneiras na manhã seguinte, mas não conseguimos e, para não perder as passagens, abandonamos tristemente a ilha e nossas novas amigas. Acho que, de todos os lugares que conheci naquela viagem pelos dois países, Chiloé foi aquele que deixei para trás com a maior sensação de estar perdendo algo. Fiz promessas e juras de retornar. E esse dia chegou, finalmente, mais de duas décadas depois.

A cidade de Ancud, no norte da Ilha de Chiloé, no Chile

A cidade de Ancud, no norte da Ilha de Chiloé, no Chile


Mapa de Chiloé, uma das maiores ilhas da América do Sul, mostrando suas principais cidades e atrações, estradas e sua localização no Chile

Mapa de Chiloé, uma das maiores ilhas da América do Sul, mostrando suas principais cidades e atrações, estradas e sua localização no Chile


Com uma área de 8.400 km2, cerca de 190 km de sul a norte e 60 km de leste a oeste, Chiloé é a segunda maior ilha marítima da América do Sul, atrás apenas da Terra do Fogo. Se considerarmos também as ilhas fluviais, Marajó e Bananal, no Brasil, são maiores do que Chiloé, mas uma boa parte dessas ilhas fica, costumeiramente, alagada. A população de 160 mil pessoas se distribui entre as diversas vilas e cidades espalhadas pela ilha. As maiores são Castro, capital de Chiloé e principal atração turística da ilha, Ancud, destruída por um grande terremoto em 1960 e porta de entrada da região e Quellón, mais ao sul, apenas uma cidade de passagem para quem chega ou se vai de ferry para Chaitén, já em plena Carretera Austral.

Visitando exposição no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Visitando exposição no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Antiga janela de igreja exposta no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Antiga janela de igreja exposta no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Chiloé se distingue por sua cultura própria, costumes e culinária típicos e por uma arquitetura única no país. As casas coloridas construídas sobre palafitas em Castro e mais de uma centena de igrejas espalhadas por todo o interior, várias das quais declaradas Patrimônio Mundial Cultural pela UNESCO, são marcos arquitetônicos que viraram cartões postais não só da ilha, mas de todo o Chile no exterior. Além disso, a beleza de sua geografia e paisagens, um relevo ondulado e ocupado por bosques e pastagens, o litoral recortado por praias, baías e pequenas ilhas, tudo dá a Chiloé um caráter próprio, quase um país dentro de um país.

Prédios da cidade vistos através de um dos vitrais do Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Prédios da cidade vistos através de um dos vitrais do Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Réplica de antigo barco chilota no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Réplica de antigo barco chilota no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


A ilha foi ocupada por nativos desde tempos imemoriais, como demonstram relíquias e fósseis com mais de 5 mil anos de idade. Esses nativos navegavam com grande habilidade nos canais traiçoeiros que separam Chiloé de outras ilhas menores e do próprio continente. Quando os espanhóis chegaram, mal precisaram usar a espada para se apossar da ilha. As doenças que trouxeram consigo fizeram a maior parte do serviço. Duas grandes epidemias praticamente dizimaram a população local. Castro, até hoje a capital da ilha, foi fundada em 1567.

Visitando exposição no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Visitando exposição no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Exposição de antigas peças das famosas igrejas da ilha, no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Exposição de antigas peças das famosas igrejas da ilha, no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


No século seguinte chegaram os jesuítas, encarregados de catequizar os nativos restantes e a população miscigenada que aí se desenvolvia. Em 1767, quando a ordem religiosa foi expulsa da América Espanhola, já havia 79 igrejas de madeira espalhadas pela ilha. Hoje são 150, das quais 14 são declaradas Patrimônio Cultural pela UNESCO.

Fotografias de algumas das famosas igrejas espalhadas pela Ilha de Chiloé, no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da Chiloé, no sul do Chile

Fotografias de algumas das famosas igrejas espalhadas pela Ilha de Chiloé, no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da Chiloé, no sul do Chile


Exposição sobre cultura chilota no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Exposição sobre cultura chilota no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Na guerra de independência do país, Chiloé se posicionou a favor da coroa e os espanhóis permaneceram com a posse da ilha até 1826. Foi um dos últimos bastiões ibéricos no continente a cair. Vinte anos mais tarde, foram os chilotas (como são chamados os habitantes de Chiloé) os responsáveis pela colonização da região de Punta Arenas, no extremo sul do país, dando sua contribuição para a consolidação das pretensões territoriais chilenas.

Réplica de igreja chilota patrimônio da UNESCO em exposição no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Réplica de igreja chilota patrimônio da UNESCO em exposição no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Exposição de cultura chilota no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Exposição de cultura chilota no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


A história da ilha seguiu tranquila pelo próximo século, o cultivo de terras e criação de animais avançando para o interior. Mas em 1960, o maior terremoto já medido na história da humanidade atingiu a zona central do país e Chiloé foi uma das maiores vítimas do enorme maremoto que se seguiu. Centenas de pessoas morreram em Ancud e boa parte das construções históricas da cidade foi destruída. Por isso, apenas o centro da cidade, localizado numa parte mais alta, ainda tem prédios históricos, enquanto o resto da Ancud não tem grandes atrações arquitetônicas. Basta um rápido passeio por Castro para perceber a diferença.

No sótão do Convento Inmaculada Concepción, iluminado pela luz colorida filtrada por um dos vitrais do antigo prédio que hoje abriga um museu. Em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

No sótão do Convento Inmaculada Concepción, iluminado pela luz colorida filtrada por um dos vitrais do antigo prédio que hoje abriga um museu. Em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


No sótão do Convento Inmaculada Concepción, iluminada pela luz colorida filtrada por um dos vitrais do antigo prédio que hoje abriga um museu. Em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

No sótão do Convento Inmaculada Concepción, iluminada pela luz colorida filtrada por um dos vitrais do antigo prédio que hoje abriga um museu. Em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Nós chegamos aqui já na madrugada de ontem e nos instalamos no excelente hostel Mundo Nuevo. Hoje tivemos tempo para um longo passeio a pé pela cidade, além de explorar as cercanias da cidade e as belas praias do noroeste de Chiloé, passeio que vou relatar no próximo post. Aqui em Ancud, além de caminhar pelo centro da cidade, fomos ao Convento Inmaculada Concepción, transformado em museu, e ao forte San Antonio, a fortaleza espanhola que resistiu bravamente aos independentistas chilenos.

Hostel Mundo Nuevo, nossa deliciosa casa em Ancud, principal cidade no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Hostel Mundo Nuevo, nossa deliciosa casa em Ancud, principal cidade no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Loja de artesanato em Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Loja de artesanato em Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


No museu, uma super exposição sobre a cultura chilota, principalmente sobre as igrejas que fazem a fama da ilha no mundo. Além de maquetes de todas as 14 igrejas declaradas Patrimonio Cultural pela UNESCO, há também fotos de muitas outras. Vamos ver quantas delas vamos conhecer pessoalmente nas nossas andanças e explorações por Chiloé! Expostos ali também estão antigas portas, janelas e utensílios de várias dessas igrejas, retirados de seu local original para não serem deteriorados pelo clima.

Fachada do Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Fachada do Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Turista descansa em frente ao Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Turista descansa em frente ao Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


O próprio prédio do convento já é uma atração em si, com mais de 140 anos e um dos poucos a resistir ao terrível maremoto. No sótão, podemos chegar bem perto de seus belos vitrais, além de ter uma visão privilegiada da cidade e da baía de Ancud.

Turistas passeiam no Forte San Antonio, em Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Turistas passeiam no Forte San Antonio, em Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Forte San Antonio, em Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Forte San Antonio, em Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Outro lugar visitado foi o forte de San Antonio. Durante a guerra de independência, daqui saiu a expedição que reconquistou, para os espanhóis, a capital Santiago. Depois, por duas vezes, o forte resistiu ao ataque das forças chilenas, em 1820 e 1824. Finalmente, dois anos mais tarde, o forte, a cidade e toda a ilha caíram. Mas, no mesmo ano, uma rebelião expulsou os invasores e declarou a independência de Chiloé. Foi uma rápida experiência e logo a ilha estaria novamente, e agora para sempre, integrada à jovem nação sulamericana.

Forte San Antonio, em Ancud, um dos últimos bastiões espanhóis na América (norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile)

Forte San Antonio, em Ancud, um dos últimos bastiões espanhóis na América (norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile)


A baía de Ancud vista do Forte San Antonio ilha de Chiloé, no sul do Chile

A baía de Ancud vista do Forte San Antonio ilha de Chiloé, no sul do Chile


Para mim, depois de 22 anos de espera, foi um belo recomeço de exploração, algo que eu sabia ter deixado para trás e que deveria retornar. Ainda temos dois dias inteiros por aqui e a aquela velha, quase esquecida curiosidade, agora é cada vez maior. Finalmente, vamos conhecer Castro, a mais chilota das cidades de Chiloé. Sem o Pfeifer e as argentinas, mas com a Fiona e a incomparável companhia da Ana, amada esposa e companheira de jornada pelas Américas.

Uma antiga porta de igreja exposra no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Uma antiga porta de igreja exposra no Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Observando de perto um dos vitrais do Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Observando de perto um dos vitrais do Convento Inmaculada Concepción, em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Chile, Ancud, Chiloé, geografia, história

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Viajando para Puno

Peru, Puno

Viagem entre Cusco e Puno, no Peru

Viagem entre Cusco e Puno, no Peru


Deixamos a cidade de Cusco na manhã de ontem rumo ao sul, à cidade de Puno. São cerca de 400 quilômetros de estrada asfaltada e sem muito movimento, cruzando as belezas do altiplano peruano. Puno fica na beira do lago Titicaca, já bem próxima da fronteira com a Bolívia, o próximo destino da nossa expedição pelas Américas.


São quase 400 quilômetros entre Cusco (A) e Puno (B), cruzando o sul do país e chegando às margens do mais alto lago navegável do mundo, o Titicaca, que fica na fronteira entre Peru e Bolívia

Sem dúvida, o trecho mais bonito da viagem é no ponto mais alto da estrada, bem na fronteira dos departamentos de Cusco e Puno. Aí, estamos a mais de 4.300 metros de altitude, a atmosfera é sempre limpa e podemos ver ao longe vários dos picos andinos. Entre as montanhas, no terreno chamado de puna (áreas planas a grande altitude), sempre podemos observar grandes rebanhos de lhamas e alpacas, o que dá um ar mais campestre àquela paisagem. A partir daí, começa uma longa e suave descida até às margens do Titicaca, o mais alto lago navegável do mundo, a 3.800 metros de altitude.

A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude

A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude


A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude

A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude


Antes de chegarmos à Puno, ainda passamos por Juliaca, a outra grande cidade da região. Sem atrativos turísticos, os turistas passam por aqui por ser ela um importante entroncamento ferroviário, com linhas para Cusco, Puno e Arequipa. Há 23 anos, quando viajei de trem entre Cusco e Arequipa, passamos uns bons 40 minutos por aqui, dentro do nosso vagão, chacoalhando a cada encaixe e desencaixe, enquanto locomotivas desmontavam e remontavam suas composições, alguns vagões seguindo para Puno e outros para Arequipa. Na época, era muito recomendado que não descêssemos dos vagões e que, se descêssemos, que não dos afastássemos muito, pelo perigo de assalto. Mal iluminada naquela hora da noite, foi mesmo uma aventura seguir até uma lojinha ali do lado, para comprar algo para comer. Agora, tanto tempo depois, dentro da nossa confortável Fiona, ela continua me parecendo caótica, mas mais segura também. Boa parte das avenidas está em obras, cartazes anunciando uma Juliaca mais limpa no futuro. Aí, só vai faltar encontrar (ou construir!) algumas atrações turísticas para que os turistas comecem a frequentar...

Atravessando Juliaca, a caminho de Puno, no Peru

Atravessando Juliaca, a caminho de Puno, no Peru


Quem sabe, no futuro, Juliaca, no Peru, fique uma cidade mais agradável aos olhos dos turistas...

Quem sabe, no futuro, Juliaca, no Peru, fique uma cidade mais agradável aos olhos dos turistas...


Não seria uma má ideia, pois dezenas de milhares deles passam por aqui, no seu caminho entre Cusco e Puno, a primeira e a quarta cidades mais visitadas do país (entre elas, estão Lima e Arequipa). E era justamente para Puno que estávamos indo. Cidade construída pelos espanhóis no início da colonização, é o principal ponto de parada para aqueles que viajam entre Bolívia e Peru. É uma cidade com pouco mais de 100 mil habitantes e possui um centro histórico bem simpático, com uma movimentada rua repleta de bons restaurantes e turistas perambulando.

A Plaza de Armas de Puno, no Peru

A Plaza de Armas de Puno, no Peru


Mas a principal atração da cidade não são suas antigas praças ou igrejas, mas o enorme lago no seu quintal. E a melhor forma de conhecer o Titicaca é visitando suas ilhas, Algumas, inclusive, não são ilhas “normais”, topos de pequenas montanhas que se elevam sobre o nível da água. Não, na verdade, são ilhas flutuantes (ou “Islas Flotantes”, em espanhol), grandes jangadas onde vivem dezenas de famílias.

A Plaza de Armas de Puno, no Peru

A Plaza de Armas de Puno, no Peru


Nós chegamos à Puno na noite de ontem e achamos um hotel quase do lado do Parque Pino, uma das praças centrais da cidade. Hoje tivemos um dia bem tranquilo, caminhando pelo centro, tirando fotos das igrejas e praças e buscando informações sobre passeios. Decidimos visitar primeiro as tais Islas Flotantes, amanhã, e, no dia seguinte, seguirmos para as ilhas mais distantes, Amantani e Taquile. De lá retornamos à Puno para seguir viagem à Copacabana, também na beira do Titicaca, mas já na Bolívia. Dali podermos conhecer mais uma ilha, a famosa Isla del Sol. Assim, com tantos passeios pelo lago, acho que vai dar para darmos uma boa olhada no Titicaca.

A Catedral de Puno, no Peru

A Catedral de Puno, no Peru

Peru, Puno, Juliaca, Titicaca

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Poço Esmeralda

Brasil, Minas Gerais, Carrancas

Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG. Não é aconselhável nadar...

Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG. Não é aconselhável nadar...


Outro dia daqueles, que servem para a gente esquecer os dias "inesquecíveis" anteriores... O principal programa de hoje foi o rio e Poço Esmeralda. Até agora, foi a cachoeira mais bonita da viagem, com certeza!

Admirando achoeira lateral à Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG

Admirando achoeira lateral à Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG


O tempo não amanheceu legal hoje. Meio nublado com um vento gelado. Difícil até imaginar um banho de cachoeira nessas águas geladas. Depois do café, ainda cheio de casacos, fomos à Cachoeira da Fumaça, distante uns 5 km da cidade, na direção de Luminárias. A cachoeira é muito bonita mas o banho por lá não é recomendável, infelizmente. E não é por causa do frio não; é que parte do esgoto de Carrancas é jogado neste rio. Que absurdo! Parece que num futuro próximo isso deve mudar. Ano de eleição... quem sabe?

Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG


Depois, seguimos adiante na mesma estrada. O sol começava a se firmar e a gente a tirar os casacos. Outros 5 km e chegamos ao Complexo Vargem Grande, onde está o Poço Esmeralda. É um rio pouco caudaloso que corre quase sempre sobre uma laje. Suas águas são transparentes com um tom esverdeado. Forma várias piscinas e nos poços mais fundos a água fica ainda mais verde. Daí o nome de Poço Esmeralda, que é a maior das piscinas. É de uma beleza de cair o queixo.

Trecho do rio logo acima do Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Trecho do rio logo acima do Poço Esmeralda em Carrancas - MG


A trilha é muito bem marcada até um pouco acima desse poço, num lugar que eu e a Ana batizamos de Laje do Amor. Depois, seguimos pelo próprio leito de pedra. Este rio é tão perfeito que até a quantidade de água que corre por ele é ideal para que consigamos seguir rio acima sem precisar tirar o tênis. A cada curva do rio, um novo visual, novas piscinas e banheiras, trechos de bosques e formações rochosas. Ao mesmo tempo que não dá vontade de parar de subir e explorar, conhecer novos recantos, também queremos parar em cada lugar e passar horas por ali, se esquentando ao sol, se refrescando nas banheiras e admirando a paisagem. Sentimentos bem conflitantes, né?

Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG


A gente foi meio que se dividindo entre eles, indo e parando, seguindo e voltando, fotografando e filmando. Mais uma vez, erámos apenas os dois neste paraíso. Disseram que, nos feriadões, chega a dar mais de mil pessoas ali. Mais de mil! Para nós, que conhecemos completamente vazio, é muito difícil imaginar. Depois de ver assim, deve ser desolador estar aqui na época do movimento. Nosso conselho é: venha durante a semana! Vai valer a pena!

Filmando o Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Filmando o Poço Esmeralda em Carrancas - MG


O ponto alto desse dia incrível é, sem dúvida, o poço Esmeralda. Aparentemente nosso corpo já está um pouco mais acostumado às águas geladas. Ou então, é o deslumbramento com o lugar que nos faz esquecer do frio. Uma piscina de águas verde-esmeralda, com uns vinte metros por dez, quase cinco metros de profundidade na parte mais funda. Pena que fica quase sempre à sombra. Mas é muito, muto bonito.

Enfrentando as águas geladas e maravilhosas do Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Enfrentando as águas geladas e maravilhosas do Poço Esmeralda em Carrancas - MG


Viva Carrancas!

Flora na região do Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Flora na região do Poço Esmeralda em Carrancas - MG


Seria o famoso Anúbis Negro?

Seria o famoso Anúbis Negro?


Admirando a paisagem da região do Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Admirando a paisagem da região do Poço Esmeralda em Carrancas - MG

Brasil, Minas Gerais, Carrancas,

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Astecas e a Conquista Espanhola

México, Cidade do México

Painel mostrando os conquistadores espanhóis explorando os indígenas pintado por Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país

Painel mostrando os conquistadores espanhóis explorando os indígenas pintado por Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país


Hoje a manhã começou com novas “burocracias”. Por e-mail, descobri que nosso querido consulado brasileiro nada pode (ou deseja) fazer para me ajudar na questão do imbróglio de nomes e sobrenomes no meu passaporte e no visto mexicano. O negócio é passar na raça mesmo, quando estivermos voltando de Cuba. O bom senso há de prevalecer! Quanto ao consulado, lá na Guiana Francesa eles também não ajudaram. Espero que a ajuda deles não seja, algum dia, fundamental. Até agora, ainda bem, sempre pudemos resolver de outra maneira... Também encomendamos com o Rafa, que vai nos encontrar em Cuba, peças para as revisões da nossa Fiona, aqui na América do Norte. Por ser a diesel, e aqui só há Hilux gasolina, não se encontra filtros de combustível e de óleo para ela. Especialmente esse último, deve ser trocado a cada 10 mil km. Achei que só teríamos este problema nos EUA, mas aqui no México já é assim também.

A enorme Catedral da Cidade do México, capital do país

A enorme Catedral da Cidade do México, capital do país


Depois, táxi para a Zócalo, praça central da Cidade do México. Uma das maiores praças do mundo, um enorme espaço vazio cercado de prédios monumentais. Quem logo chama a atenção é a vistosa Catedral Metropolitana. Enorme também, com mais de 60 metros de altura, a construção demorou séculos para terminar. Com isso, são as mais diversas as suas características arquitetônicas, dependendo do arquiteto ou da geração em que aquela parte da construção estava sendo feita. Outra coisa que logo notamos é que o prédio e suas torres estão bem inclinadas. Junto com toda a parte central da cidade, a catedral está afundando aos poucos no solo poroso do antigo lago que ocupava a região. Tem até um gigantesco pêndulo pendurado no alto da cúpula da catedral que nos mostra o quanto o prédio já se “movimentou” desde a sua construção.

Passeando na enorme Catedral da Cidade do México, capital do país

Passeando na enorme Catedral da Cidade do México, capital do país


A Catedral e o Palácio do Governo na Zócalo, praça central da Cidade do México, capital do país

A Catedral e o Palácio do Governo na Zócalo, praça central da Cidade do México, capital do país


Outro prédio monumental na praça é o Palácio Governamental. Parte aberto a visitação pública, parte ainda usado pelo próprio presidente do país. Impressionante por fora, belíssimo por dentro. Aí estão os famosos e enormes murais de Diego Rivera, o mais importante pintor mexicano. São mais de dez deles, cobrindo paredes inteiras, mostrando aspectos e cenas da história do país, desde o período indígena até a revolução mexicana do início do século passado. Para mim, os mais interessantes são os que mostram a época asteca e o encontro fatídico com os espanhóis. Interessante também são aqueles que glorificam “Carlos Marx”, não deixando dúvidas qual eram as tendências políticas do autor dos murais.

Gigantesco e incrível mural pintado por Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país

Gigantesco e incrível mural pintado por Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país


Painel pintado pelo socialista Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país

Painel pintado pelo socialista Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país


Depois de visitarmos várias salas suntuosas do Palácio onde se passaram alguns dos mais importantes eventos da história mexicana, seguimos para outro prédio ali do lado da praça, um dos que eu mais estava interessado. Na verdade, ruínas de um antigo prédio: o Templo Maior de Tenochtitlán.

Maquete de Tenochtitlán, a capital asteca, no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Maquete de Tenochtitlán, a capital asteca, no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


Não é de hoje que a Cidade do México é uma das maiores cidades do mundo. Essa “tradição” vem de longe, de antes de Colombo chegar à América. Nesta época, a cidade tinha o difícil nome de Tenochtitlán e era a capital de um vasto e poderoso império. Enquanto os espanhóis ainda se ocupavam de conquistar as ilhas caribenhas e dizimar suas respectivas populações, nas primeiras décadas do séc. XVI, aqui no México eram os astecas que ampliavam seus domínios, chegando a mais de 1000 km de distância de sua capital, ainda completamente ignorantes de que o maior perigo estava logo ali, bem do lado.

Visitando o Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país

Visitando o Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país


Pois os espanhóis finalmente chegaram ao continente e logo ficaram sabendo do rico e poderoso império que existia por ali. Numa épica jornada, Hernán Cortés conduziu seus pouco mais de 500 “conquistadores” através de terrenos desconhecidos até a capital dos astecas. Lá, ficaram completamente boquiabertos com o que viram, uma cidade muito maior do que qualquer uma que havia na Espanha, naquela época. Cerca de 250 mil pessoas viviam em uma ilha no meio de um lago, enormes templos e pirâmides marcando não só o centro da cidade, mas também do universo (é, os caras não eram modestos...). Cortés relata que entre seus homes havia pessoas que conheciam as maiores cidades da época, como Constantinopla ou cidades da Índia. E não houve que não se abismasse com o que via ali, tanta glória e riqueza juntas. Poucas vezes na história da humanidade houve um encontro como esse, de duas culturas tão fortes, tão distintas e completamente surpresas pela existência da uma da outra.

Ruínas do templo Maior de Tenochtitlán, na Cidade do México, capital do país

Ruínas do templo Maior de Tenochtitlán, na Cidade do México, capital do país


O fato é que cerca de um ano depois desse encontro, o outrora poderoso império asteca estava dizimado, de joelhos, batido e vencido por essas poucas centenas de conquistadores. Várias são as razões desse desfecho tão trágico para os astecas. O gênio de Cortés, que soube aproveitar ao máximo as oportunidades que o destino lhe conferiu e a personalidade titubeante e fraca do imperador Montezuma II, líder dos astecas, certamente foram decisivas na história. Quis o destino que Cortés chegasse ao México justamente no ano em que antigas previsões e lendas astecas dizam que retornaria à região, vindo exatamente do oriente, o antigo deus tolteca Quetzacoatl, para reconquistar o que tinha sido seu. Além disso, a imagem do deus, de barba, se assemelhava à do próprio Cortés. Essa semelhança fez com que o místico Montezuma temesse enfrentá-lo, permitindo que Cortés ganhasse um tempo valioso não só para entender aquele novo mundo que estava conhecendo, mas também para formar uma grande rede de alianças com tribos e povos que odiavam os despóticos astecas. Esses, coitados, mal sabiam que estavam trocando o diabo pelo capeta...

Visitando as ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país

Visitando as ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país


A tecnologia de guerra espanhola era infinitamente superior. Os povos pré-hispânicos não usavam o metal e suas armas pouco podiam contra as pesadas espadas e armaduras espanholas. Além disso, nunca tinham visto cavalos e o seu uso nas batalhas era avassalador, colocando os indígenas em fuga. A enorme superioridade numérica foi sendo perdida aos poucos, já que os espanhóis angariaram milhares de aliados. Na batalha final por Tenochtitlán, já seriam 200 mil indígenas sob o comado de cerca de mil espanhóis.

O prédio das Caveiras, no Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país

O prédio das Caveiras, no Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país


Mas, não resta dúvida, o maior soldado em prol dos espanhóis foram as doenças trazidas do velho mundo. A varíola simplesmente destroçou a população das Américas. Somente no México, de uma população indígena estimada em 20 milhões no início do séc. XVI, apenas um milhão sobrava no início do século seguinte. Guerras e escravidão contribuíram com esse declínio, mas foi a morte por doenças e o completo desarranjo que causou às antigas sociedades e modos de vida, resultando em queda de produção agrícola e fome generalizada o principal culpado do mais mortífero século da história da humanidade.

Painel mostra como grande parte do Templo Maior está abaixo da Catedral da Cidade do México, capital do país

Painel mostra como grande parte do Templo Maior está abaixo da Catedral da Cidade do México, capital do país


Lendo a história, observando as ruínas, vendo de tão perto os apetrechos dessa antiga civilização que ruiu literalmente de um dia para o outro, é difícil não se simpatizar com eles, torcer para que o resultado tivesse sido outro, querer voltar no tempo para prepará-los para este encontro, levar alguns cavalos, armaduras, espadas e vacinas para aquela época. Como teria sido a história da América se os europeus não tivessem chegado aqui? Incas e astecas eventualmente se encontrariam e se enfrentariam?

Crânio encontrado nas ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país

Crânio encontrado nas ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país


Bom, os astecas também não eram os “mocinhos” da história. Tinham uma sociedade altamente militarizada, baseada na conquista e posterior tributação dos povos conquistados. Eram simplesmente odiados pela maneira tirânica como governavam. Um dos aspectos que mais chamam nossa atenção é a verdadeira cultura dos sacrifícios humanos. O que mayas e outros povos faziam eventualmente, eles faziam diariamente. Durante a época de festivais eram centenas ao dia. O coração arrancado do corpo ainda vivo, ainda chegava a bater na mão do sacerdote. Dentro do seu vasto império, eles tiveram o cuidado de “não conquistar” três ou quatro pequenas áreas, exatamente para poderem fazer guerra sempre que precisassem de novas vítimas. Aliás, esse costume de querer capturar vivos (para posterior sacrifício) os oponentes, ao invés de mata-los no campo de batalha, também os atrapalhou bastante na guerra contra os espanhóis. Não obstante, cerca de 70 ibéricos foram sim sacrificados, aos gritos, nos altares astecas.

Estátua de guerreiro vestido de águia encontrada nas ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país

Estátua de guerreiro vestido de águia encontrada nas ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país


Impossível para nós julgar com isenção toda uma cultura baseado, mesmo inconscientemente, numa ética cristã que já nos é intrínseca, e que é completamente alienígena àquele povo. Mas admirar a sua arquitetura, a sua arte, a sua cultura e a organização de seu império e sociedade, isso não é difícil. As “testemunhas” estão ali, na nossa frente, nos museus e nas ruínas do Templo Maior.

Enorme escultura colorida de deusa asteca encontrada nas ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país

Enorme escultura colorida de deusa asteca encontrada nas ruínas do Templo Maior dos astecas, na Cidade do México, capital do país


Falando nisso, e voltando à conquista espanhola, após a queda de Tenochtitlán e à indigna tortura do último imperador asteca para que dissesse aonde estava o ouro (e ele não falou!), os espanhóis e seus aliados indígenas destruíram completamente a cidade. Sobre ela, fundaram uma nova, a capital da Nova Espanha, a Cidade do México. Os gigantescos templos estacas foram desmontados e, com suas pedras, a praça e suas construções foram pavimentadas. A Catedral foi construída justamente encima de onde estava a maior parte do Templo Maior. O intuito foi destruir completamente os vestígios da antiga cultura para ser substituída pela outra. Como já disse em outro post, todos os documentos escritos no idioma nahuatl (a língua asteca) eram queimados como obras do demônio. Felizmente, alguns poucos escaparam, assim como pessoas da época, especialmente frades, nos deixaram documentos e relatos sobre a sociedade asteca. E, num acaso do destino, numa obra de remodelação da praça, foram redescobertos vestígios do Templo há muito esquecidos e, desde então, novas pesquisas e escavações vem sendo feitas, revelando mais e mais sobre esta fantástica civilização.

Painel com cenas astecas pintado por Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país

Painel com cenas astecas pintado por Diego Rivera no Palácio do Governo, na Cidade do México, capital do país


Bom, e nós, depois desse banho asteca, felizmente sem sacrifícios humanos, voltamos para nossa casa na capital mexicana. Amanhã, retorno ao Caribe. E daqui a um mês, voltamos à Cidade do México para mais alguns dias de explorações nessa que é não apenas uma cidade, mas um verdadeiro universo (mas não o centro dele!!!) de informações e atrações que apenas começamos a arranhar...

Uma enorme bandeira tremula no centro da Zócalo, principal praça da Cidade do México, capital do país

Uma enorme bandeira tremula no centro da Zócalo, principal praça da Cidade do México, capital do país

México, Cidade do México, astecas, Tenochtitlán

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Uma Aula de História

Nicarágua, León

Mural nas ruas de León, na Nicarágua

Mural nas ruas de León, na Nicarágua


Fundada em 1524 aos pés do vulcão Momotombo, à beira do Lago de Manágua, a cidade de León não demorou muito a mudar de "endereço", devido às seguidas tragédias naturais que a afligiram nas suas primeiras décadas de vida, de terremotos à erupções vulcânicas. Na sua nova posição mais segura e estável, a cidade foi elevada à capital provincial pelos espanhóis, logo se tornando um importante centro político, religioso e cultural. Enquanto o dinheiro e a "nobreza" estavam em Granada, os ideais estavam na fervilhante León. Não por acaso, enquanto a primeira era o berço do conservadorismo no país, León era o foco de ideias liberais e progressistas.

A bela cidade de León vista do alto do Museu dos Revolucionários, na Nicarágua

A bela cidade de León vista do alto do Museu dos Revolucionários, na Nicarágua


Essa tradição seguiu até o século XX, tanto no lado cultural, com o maior dos poetas nicaraguenses, Rubén Dario, até o político, com alguns dos acontecimentos mais importantes da história recente do país. Talvez o mais emblemático deles tenha sido perpetrado pelo jovem poeta e jornalista Rigoberto Pérez. Cansado da ditadura de vinte anos de Somoza, que tinha esmagado toda a oposição com sua mão de ferro, decidiu que era a hora de mudar. Numa festa para dignatários na cidade, o jovem Rigoberto se fantasiou de garçon e, num ataque suicida, acertou vários tiros com balas envenenadas no ditador. Somoza sobreviveu alguns dias, levado a um hospital na Cidade do Panamá, mas os médicos não puderam conter os efeitos do veneno e ele morreu em agonia. Já Rigoberto, foi morto ali mesmo, o corpo perfurado com mais de 50 balas. Hoje é um herói reverenciado no país, principalmente em León. Infelizmente, a ditadura somozista duraria outros 20 anos, agora nas mãos dos filhos do patriarca.

Ruínas de igreja em León, na Nicarágua

Ruínas de igreja em León, na Nicarágua


Quem ajudou a acabar de vez com a terrível dinastia foi novamente a cidade de León, uma das mais aguerridas durante a Revolução Sandinista no final dos anos 70. Ainda hoje a cidade guarda as memórias dessa luta, na forma de ruínas, museus e murais espalhados por toda a León. Nós fomos conhecer algumas dessas "memórias", culminando com uma visita no final da tarde ao Museu dos Revolucionários, com a chane de ser guiado por um ex-combatente das forças sandinistas.

A Fiona passa por uma 'obturação', na verdade uma soldagem do suporte do controle do guincho (em León, na Nicarágua)

A Fiona passa por uma "obturação", na verdade uma soldagem do suporte do controle do guincho (em León, na Nicarágua)


Mas antes disso fomos primeiro cuidar da nossa Fiona. Já há algum tempo que o suporte para o controle do guincho estava solto e só hoje tivemos tempo de ir atrás de alguém para fazer a solda necessária. Após rodar um pouco pela periferia da cidade encontramos o lugar. Agora, só está faltando um chaveiro para consertar a fechadura da capota! Outra coisa no conserto é o meu computador, que já não se comunica com discos externos ou modens, o que tem complicado bastante minha rotina de trabalho.

A Catedral de León, a maior da Nicarágua e de toda a América Central

A Catedral de León, a maior da Nicarágua e de toda a América Central


Interior da Catedral de León, na Nicarágua

Interior da Catedral de León, na Nicarágua


Cumprida a obrigação, passamos à diversão. Um passeio na praça e ruas do centro nos deu a chance de observar as construções históricas pouco conservadas, mas em charmosa decadência. Destaque para a enorme Catedral, bem no meio do "parque" central, que é como os nicaraguenses chamam as praças por aqui.

Mural no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Mural no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua


Finalmente, fomos ao Museu dos Revolucionários. Ali sempre estão antigos guerrilheiros ou combatente das forças sandinistas, hoje já beirando os sessenta anos. São eles que nos acompanham na visita ao museu, nos contando histórias, explicando fotografias e recortes de jornal e nos dando uma visão de quem não só viveu aquela época, mas ajudou a mudar aquela dura realidade. É estranho ver e conversar com esses simpáticos velhinhos que, não faz muito tempo, com armas em mão ajudaram a derrubar uma das mais violentas ditaduras do continente. Nessa luta, mataram, perderam amigos, foram torturados e baleados. Um mundo que nos parece tão distante mas que, conversando com eles, está ali, do outro lado dos olhos que nos olham.

Mural de fotos no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Mural de fotos no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua


Amanhã, ainda empolgados com essa atmosfera revolucionária, vamos visitar uma terrível prisão da época somozista que foi um dos últimos bastiões da Guarda Nacional a cair na cidade. Hoje virou museu. Em seguida, vamos ao vulcão Cerro Negro, o mais ativo do país e um dos mais novos das américas, com apenas 150 anos de idade. Um verdadeiro bebê-vulcão! Com o problema no computador, a ida para Somoto e de lá para Honduras e El salvador ficou adiada em um dia.

Conversando com o ex-guerrilheiro Frank no telhado no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Conversando com o ex-guerrilheiro Frank no telhado no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Nicarágua, León,

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Os Garifunas

Guatemala, Livingston

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Em meados do século XII, um povo guerreiro originário do rio Orinoco, na Venezuela, começou a migar para o norte, através da longa cadeia de ilhas caribenhas. Eram os “Caribs” e foi por causa deles que os espanhóis passaram a denominar as ilhas dessa região de “Caribe”. Os Caribs não encontraram as ilhas despopuladas, mas ocupadas por um outro povo, de índole mais comercial e menos guerreira, os Arawaks, que aí haviam chegado ao menos um milênio antes.

Informações sobre o povo e a cultura garifuna no parque Sete Altares, em Livingston, no litoral caribenho da Guatemala

Informações sobre o povo e a cultura garifuna no parque Sete Altares, em Livingston, no litoral caribenho da Guatemala


Essa migração dos Caribs foi, então, mais um processo de conquista que de ocupação. Pressionados ou escravizados, os Arawaks seguiam para ilhas mais distantes enquanto, aos poucos, os Caribs, os seguiam. Foi durante esse processo que os espanhóis chegaram à América. Apesar de pertencerem à grupos étnicos diferentes, em algumas ilhas ouve uma mistura das duas etnias, em especial na pequena San Vincent. Ali, um grupo de Caribs homens, depois de matar ou expulsar os guerreiros Arawaks, acabou por se juntar à população feminina Arawak. Dessa mescla, surgiu um dos fenômenos linguísticos mais interessantes de que se tem notícia.

Garoto garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Garoto garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


As línguas dos dois grupos indígenas eram bem distintas e quando ouve a mescla das duas culturas, homens Caribs e mulheres Arawaks, de alguma maneira as línguas mantiveram sua identidade. Mães ensinavam suas filhas sua antiga língua enquanto pais passavam aos filhos a sua língua. Aos poucos, o costume se generalizou, homens e mulheres convivendo, mas com centenas de palavras distintas para diferentes objetos e ações. É claro que uma criança acaba por aprender as duas versões, mas usará aquela específica do seu gênero. Todos se entendem, mas usam vocabulários distintos.

No parque Siete Altares, informações sobre a língua garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

No parque Siete Altares, informações sobre a língua garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Bom, essa é só metade da história! Os espanhóis vieram, fizeram seu estrago nas pequenas ilhas, inclusive San Vincent, mas partiram, mais interessados em colonizar o continente e as grandes ilhas do que as pequenas. Mas atrás dos espanhóis vieram holandeses, ingleses e franceses, todos atrás do seu quinhão de novo mundo. Inicialmente, San Vincent foi deixada para trás nessa corrida, enquanto o uso de escravos negros se generalizava por todo o Caribe. Em 1675, um navio negreiro naufragou na costa de Bequia, uma das ilhas de San Vincent e um grande grupo de negros se salvou, nadando para a ilha. A população local (a mescla de Caribs e Arawaks) os recebeu. Como em sua cultura, não era possível a existência de homens solteiros, eles trataram de logo “casar” os negros com as mulheres de sua tribo. Nascia uma nova mistura, ou raça, os “black caribs”. Novamente, línguas distintas se mesclaram, agora de origem africana e americana. Mas toda aquela parcela do idioma Carib e Arawak que se manteve na nova língua manteve aquele padrão de diferença por gêneros, enquanto as palavras de origem africana eram faladas por todos.

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Enquanto essa mescla de culturas ocorria, franceses e ingleses disputavam cada pequena ilha no Caribe. Mas em San Vincent, os Black Caribs impunham uma encarniçada resistência e, por diversas vezes, resistiram a tentativas de colonização por parte das duas nações. Tanto resistiram que, em meados do séc XVIII, Inglaterra e França declararam a ilha como uma região neutra e independente, um caso único no Caribe. Mesmo assim, ao menos informalmente, colonizadores franceses foram se instalando com suas fazendas, estabelecendo uma convivência mais pacífica com os Black Caribs.

Interagindo com crianças em centro cultural garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Interagindo com crianças em centro cultural garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Mas essa situação não perdurou por muito tempo. Em 1763, o Tratado de Paris concedeu a ilha, em definitivo, para a Inglaterra. A população francesa de San Vincent, obviamente, não gostou muito disso e passou a instigar os nativos a se rebelarem contra os novos colonizadores. Assim aconteceu e os britânicos demoraram quase uma geração para controlar a rebelião e conseguir que os revoltosos se rendessem. Decidiram, então, expulsar da ilha todos os Black Caribs. Na base do olho mesmo, separaram aqueles com uma aparência mais africana e os embarcaram em seus navios. Nesse processo, quase metade dos 5 mil capturados morreram, enquanto que os restantes foram literalmente despejados na ilha de Roatán, na costa de Honduras, formalmente uma colônia espanhola.

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


A partir de então, início do século XIX, com a aquiescência dos espanhóis, que viram nesse novo povo uma chance de colonizar as isoladas terras do leste da América Central, os garifunas (como passaram a ser conhecidos os Black Caribs na costa do continente) começaram a fundar pequenas vilas, da Nicarágua à Belize, passando por Honduras e Guatemala. Nessa última, destaca-se a cidade de Livingston, onde viemos passar alguns dias. Em Belize, conhecemos as cidades de Dangriga e Hopkins, também de origem garifuna. Mas é em Honduras que está o maior número de vilas e descendentes dessa diferente cultura.

Praticando com tambores garifunas em Livingston, no litoral da Guatemala

Praticando com tambores garifunas em Livingston, no litoral da Guatemala


À língua, ao longo desses últimos dois séculos, se juntaram termos em inglês, francês e espanhol, mas é mesmo suas raízes africanas que se destacam. Além disso, manteve-se a diferença por gêneros, pelo menos nas palavras de origem Carib e Arawak. Na música, destaca-se a batida e os tambores africanos, algo que soa a nós, brasileiros, bem semelhante ao Olodum da Bahia. Notável também é o orgulho que se tem da cultura, suas origens e do fato de jamais terem sido escravos.

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


Nós já tínhamos tentado em Hopkins, mas foi aqui em Livingston que tivemos o mais intenso contato com a cultura garifuna. Na visita ao parque Siete Altares, lá estava uma verdadeira enciclopédia de dados sobre as origens desse povo. Nas ruas e na praia, estávamos sempre entre eles. Mas o melhor foram as aulas que a Ana teve de percussão, num centro cultural garifuna. Na mesma noite em que chegamos, fomos ouvir uma apresentação. No dia seguinte, por duas horas, a Ana teve uma aula, aprendendo as técnicas e ritmos mais simples. Clima totalmente “Olodum”. Fez amizade com as crianças que frequentavam o centro e também com a simpática senhora que toma conta de tudo por lá, a Blanca. O bater dos tambores é algo sagrado na cultura, uma forma de se comunicar com deuses e espíritos, que adoram a boa música (quem não gosta?). Para nós, foi uma experiência única e enriquecedora, um dos pontos altos da nossa visita à Livingston e a esta parte tão isolada e desconhecida do nosso continente. É incrível como, mesmo depois de 3 anos viajando pelas Américas, ainda temos tanto por aprender e descobrir...

Ponte sobre foz de rio em praia de Livingston, no litoral da Guatemala

Ponte sobre foz de rio em praia de Livingston, no litoral da Guatemala

Guatemala, Livingston, Garifuna, história

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Viajando ao Haiti

República Dominicana, Santo Domingo, Haiti, Port-au-Prince

Fazendo a imigração para entrar no Haiti

Fazendo a imigração para entrar no Haiti


Deixamos boa parte da nossa bagagem guardada no hotel em Santo Domingo e hoje, logo cedo, estávamos prontos para viajar ao Haiti. Vamos passar uns oito dias no país e retornar à República Dominicana pelo norte. Depois de alguns dias por lá, voltamos à capital dominicana para recuperar nossas coisas e daqui, seguimos para uns dias de descanso em Punta Cana. Como vamos viajar muito de ônibus nesse período, resolvemos seguir mais “leves” para facilitar nossos deslocamentos.


Viagem de ônibus entre Santo Domingo (Rep. Dominicana) e Port-au-Prince (Haiti)

O primeiro desses deslocamentos era exatamente o mais longo e aguardado deles: quase oito horas de viagem entre as capitais dos dois países, num trecho de pouco menos de 400 quilômetros e algumas burocracias a serem vencidas na fronteira. Ônibus confortável, mas bem cheio, com direito à filmes na televisão e um “saboroso” café da manhã, com macarrão, carne e feijão, servido logo na saída de Santo Domingo. Até por isso, no início da viagem, a rodomoça pede, em três línguas, que o banheiro seja usado apenas para fazer pipi. Qualquer coisa mais “grave”, deve-se avisar ao motorista e ele vai parar no primeiro banheiro disponível, na estrada. Foi com esse singelo aviso que pudemos começar a praticar nosso francês e também o “creolle”, a língua mais falada no Haiti e aparentada com o francês. Falada lentamente ou lida, até dá para entender. Mas falada rapidamente, é como se fosse grego...

Em Santo Domingo (Rep. Dominicana), abordando nosso ônibus para Port-au-Prince, capital do Haiti

Em Santo Domingo (Rep. Dominicana), abordando nosso ônibus para Port-au-Prince, capital do Haiti


Café da manhã servido no ônibus entre a República Dominicana e o Haiti

Café da manhã servido no ônibus entre a República Dominicana e o Haiti


Boa parte dos passageiros era haitiana, de modo que já quase não mais ouvíamos a língua espanhola. Quase todos eles trabalham na República Dominicana, país que ainda oferece muito mais oportunidades que o Haiti. Mas o coração ainda permanece do lado de lá da fronteira e é fácil ver a alegria estampada no rosto deles por estarem voltando para o Haiti, para visitar parentes ou cuidar de alguma coisa. Não apenas a língua diferencia os povos dos dois países. Bastaram dois dias em Santo Domingo para aprendermos a reconhecer, na população negra, quem é haitiano ou dominicano. No nosso ônibus, isso estava, literalmente, na cara. A miscigenação entre brancos e negros foi muito maior do lado dominicano, ao longo da história. Mas, mesmo entre a população negra, as feições africanas são muito mais marcantes na população haitiana.

Lendo sobre o Haiti no ônibus entre a República Dominicana e Port-au-Prince, a capital do país

Lendo sobre o Haiti no ônibus entre a República Dominicana e Port-au-Prince, a capital do país


O ônibus entre a República Dominicana e o Haiti teve até exibição de filme com Antonio Banderas

O ônibus entre a República Dominicana e o Haiti teve até exibição de filme com Antonio Banderas


O tempo passou rápido, com tanta coisa para ver na TV, ler nos livros ou simplesmente refletir sob o país que estávamos prontos para conhecer. Logo estávamos na fronteira, uma região bonita, na orla de grandes lagos. Foi só ao passar pelo lado dominicano que recebemos nossos passaportes de volta, que vinham em poder da rodomoça. No lado haitiano, a desorganização já esperada, nada muito diferente do que encontramos em tantas outras fronteiras latino-americanas. Pode ser desorganizado, mas não foi demorado. Logo tínhamos o tão esperado carimbo haitiano em nossos passaportes, assim como os primeiros “gourdes”, a moeda local. Por fim, podíamos cantar bem alto, pensando no Caetano: “O Há-i-tiiiiiii, é a-quiiiii!”.

Posto de fronteira entre a Rep. Dominicana e Haiti

Posto de fronteira entre a Rep. Dominicana e Haiti


Chegando ao posto de fronteira entre a Rep. Dominicana e Haiti

Chegando ao posto de fronteira entre a Rep. Dominicana e Haiti


Começamos a passar por povoados e é fácil perceber que mudamos de país. As habitações são mais rústicas, a população é basicamente negra e os mercados de rua são lotados. Aos poucos, aprendemos a ver a ordem naquela aparente desordem total. Um país que tanto vi pela TV, sempre em meio ao caos e à pobreza, começa a ganhar vida, um lado real. Pessoas moram aqui. Pessoas vivem aqui. Pode,e é, um país mais pobre, mas há ruas e estradas, há casas e igrejas, há vilas e cidades, há comércio e dinheiro, há carros e motos. O Haiti existe fora da TV e podemos ver isso com os nossos olhos!

Passageira do nosso ônibus aguarda em seu assento, durante nosso tempo na imigração

Passageira do nosso ônibus aguarda em seu assento, durante nosso tempo na imigração


Veículo da ONU na fronteira do Haiti

Veículo da ONU na fronteira do Haiti


No ônibus, o único gringo além de nós era um italiano. Também viajava a turismo, mas iria explorar apenas a parte sul do país. Achei bem interessante, viajando só e falando um inglês, espanhol e francês piores do que os nossos. Espero que seja uma amostra de que os viajantes começam a retornar ao país, que tanto necessita da ajuda do turismo para ajudar a reerguer sua economia. O Haiti já foi a colônia mais rica do Caribe, antes de se tornar o país mais pobre do hemisfério. Ainda vou falar um pouco da história do país, que o fez ir de um extremo ao outro, mas agora, mais do que nunca, é hora dele se recuperar. Haitianos que migraram para o mundo inteiro estão retornando para a pátria, sentindo também que o pior, finalmente, já passou. O turismo pode e deve ser parte importante dessa recuperação, não só um indicativo de que ela começa a ocorrer.

Parados na imigração, conversando com um haitiano companheiro na viagem da Rep. Dominicana á Port-au_Prince, capital do país

Parados na imigração, conversando com um haitiano companheiro na viagem da Rep. Dominicana á Port-au_Prince, capital do país


Mas, voltando ao italiano, ele pode até falar menos as línguas do que nós, mas estava muito melhor informado e organizado sobre a viagem. Por exemplo, já tinha hotel reservado, coisa que nós não tínhamos. Nossa ideia era seguir até o centro da cidade e, de lá, pegar um táxi para um dos mais tradicionais hotéis de Port-au-Prince, o Oloffson. Até tentamos nos comunicar antes com eles, mas não conseguimos. Nos bons tempos, recebia muita gente importante, como Mick Jagger e escritores famosos. Hoje, tempo de maré seca, tem bons preços para visitantes menos ilustres. Já o italiano, ficaria em um hotel em Petion-Ville, o bairro chique de Port-au-Prince, a 15 minutos de moto ou carro do centro, no alto das colinas.

Condução do lado haitiano da fronteira com a Rep. Dominicana

Condução do lado haitiano da fronteira com a Rep. Dominicana


Sem muitas atrações turísticas, Petion-Ville é um bairro um pouco mais organizado (ou menos desorganizado) e seguro, quando comparado às outras regiões da capital. Na verdade, era o lugar certo para ficar. Então, numa decisão rápida, descemos do ônibus com o italiano e decidimos seguir junto com ele para seu hotel, em Petion-Ville mesmo. Ele já trazia um mapinha impresso da internet e não foi difícil nos localizarmos e acharmos o caminho para o hotel. O meu francês começou a esquentar para nos livrar dos simpáticos taxistas que teimavam em nos tentar levar. Mas eram poucos quarteirões e estávamos loucos para caminhar um pouco pelas ruas da cidade.

Nossas primeiras imagens de Port-au_Prince, atravessando um dos muitos mercados de rua da capital

Nossas primeiras imagens de Port-au_Prince, atravessando um dos muitos mercados de rua da capital


Dez minutos depois, chegávamos ao Le Perroquet, o hotel do Eric e da Lana, um haitiano casado com uma russa (tecnicamente, ucraniana), amantes das viagens e que, até pouco tempo, moravam em Bali. Mas eles estão entre os haitianos da chamada “Diáspora” que estão retornando ao país, para aqui investir e ajudar na sua reconstrução. Esse amável casal que nos recebeu tão bem em seu oásis em meio à balbúrdia da capital haitiana certamente será assunto de um post futuro. Mas antes, queria falar do próprio Haiti, que tem uma das histórias mais interessantes e trágicas do continente. A seguir...

Nossas primeiras imagens de Port-au_Prince, atravessando um dos muitos mercados de rua da capital

Nossas primeiras imagens de Port-au_Prince, atravessando um dos muitos mercados de rua da capital

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