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SHUFFLE Há 1 ano: Canadá Há 2 anos: Canadá

Navegando no Pantanal

Brasil, Mato Grosso, Porto Jofre

Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Percorrer a rodovia Transpantaneira é uma experiência incrível, mas para ver o Pantanal ainda mais de perto, é preciso deixar as rodas para trás e entrar em um barco. Navegar pelos grandes rios e seus afluentes, pelas lagoas que se formam no coração do Pantanal, seus recantos e meandros, é aí que percebemos que essa é uma terra das águas, a planície alagável mais extensa do planeta, um lugar como poucos no mundo para se observar a vida selvagem.

São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

São muitos pescadores ao longo do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


A maneira mais comum de se navegar no Pantanal são os barcos de pesca. Amantes dessa prática passam dias e até semanas enfurnados em barcos pequenos ou grandes, percorrendo os mais variados recantos da região. São diversas excursões, passeios organizados ou particulares, que saem de cidades como Cáceres, Porto Jofre ou Corumbá, barcos carregados de iscas e cerveja gelada para uma temporada no paraíso da pesca. Além de peixes, os barcos estarão sempre acompanhados de aves, répteis e mamíferos, um show de vida espetacular.

Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Uma das muitas praias na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Uma das muitas praias na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Para quem não gosta de pescar, também se pode organizar passeios apenas para avistamento de vida selvagem e das belezas naturais. É até possível organizar uma viagem de barco entre Porto Jofre e Corumbá, passando por lugares do Pantanal quase nunca visitados, oportunidade única de se estar ainda mais perto da natureza quase virgem e longe da civilização. Nós queríamos muito fazer isso, mas tínhamos de voltar para a Fiona. Ou então, embarcá-la também, mas isso sairia caro e a organização era ainda mais difícil. Enfim, conversamos com gente que fez essa rota e, entre os atrativos, está uma lagoa de água transparente, onde se pode nadar com piranhas, e umas pedras onde se vê inscrições aparentemente incas! Pois é, essa civilização teria chegado até o Pantanal!

Rápida parada em praia no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Rápida parada em praia no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Com o Gabriel e a Luisa, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Com o Gabriel e a Luisa, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Bom, esse passeio espetacular ficou para a próxima. A nossa opção foi por um passeio de dia inteiro pelas águas do rio Cuiabá e seus afluentes, saindo e chegando em Porto Jofre mesmo. Agora que já fizemos o passeio, não tenho porque duvidar que esse é o melhor ponto do Pantanal para se fazer esse tipo do passeio, especialmente nessa época do ano, com os rios ainda baixos e praias e barrancos aparecendo nas duas margens do rio, os melhores locais para se avistar animais. Na época da cheia, quando as águas tomam a planície, não há razão para os animais virem até o leito principal do rio, então fica bem mais difícil observá-los.

Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso

Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso


Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso

Fotografando as belezas do Pantanal ao longo do rio Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso


O passeio não é barato. Mas temos que vê-lo como um investimento, uma chance única na vida de se ver tantos bichos de perto. Pagamos perto de 500 reais e, sinceramente, não poderia ter valido mais a pena! As dúvidas no início da manhã foram diminuindo ao longo do dia e, ao final, estávamos mais felizes do que nunca de ter “investido” esse dinheiro.

Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Vitórias-Régias em lago de hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


ùltimas luzes no lago das Vitórias-Régias, no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

ùltimas luzes no lago das Vitórias-Régias, no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Esses passeios de barco podem ser feitos em grupos maiores ou menores. Para mim, quanto menor o grupo, melhor. Afinal, fica muito mais fácil se chegar a um consenso em um grupo menor de pessoas, sobre aonde ir, que caminho seguir, quanto tempo ficar em determinado lugar. Para grupos maiores, geralmente organizados pelos grandes hotéis da região, a melhor solução acaba sendo entregar tudo nas mãos do guia. Os barcos que vimos desse jeito estavam sempre repletos de gringos que formam a maior parte dos turistas do Pantanal, talvez até pelos altos preços que se tem de pagar por aqui.

A bela arara azul no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

A bela arara azul no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Voo de araras azuis no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Voo de araras azuis no hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


O nosso passeio foi organizado pelo nosso lodge, o Jaguar, e éramos apenas quatro na lancha, além do piloto e guia. Aliás, esse é um ponto importante: a qualidade do guia. O nosso piloto-guia foi o Tatu, com um longo histórico de encontrar os bichos. Hoje, seja por sorte ou habilidade, ele provou que sabe muito bem do seu ofício. Nós vimos de tudo!

Nosso guia e piloto nos leva através do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Nosso guia e piloto nos leva através do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


No fim de tarde, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

No fim de tarde, navegando no Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


O passeio começa logo cedo, saindo do hotel de Porto Jofre. Foi nossa chance de poder entrar nesse luxuoso hotel e visitar suas dependências. Lá dentro, um lago cheio das majestosas Vitórias-Régias, a maior flor do mundo. Um convite à fotografias, seja pela manhã, seja no final de tarde, quando voltamos do passeio.

Um barco-hotel rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um barco-hotel rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Fazenda na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Fazenda na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Outra coisa que pudemos observar muito bem no hotel, já quando o sol se punha, foram as belíssimas araras azuis. Eu já conhecia aquelas mais clássicas, a azul e amarela e a vermelha e azul, mas essa toda azul, para mim, foi novidade. Lindas e barulhentas, elas se reúnem todo final de tarde nas palmeiras do hotel. Um verdadeiro show para os olhos e para as lentes!

Pássaro seca suas asas na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Pássaro seca suas asas na margem do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Grupo de tuiuius na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Grupo de tuiuius na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Bom, as flores e as araras foram apenas um bônus para nós, pois o que queríamos mesmo era ver e navegar pelo rio para chegar mais perto da fauna do Pantanal. O Tatu nos levou rio acima, deixando para trás barcos-hotéis luxuosos e grandes fazendas na orla do rio, para nos afastarmos ao máximo da civilização e ter mais chances de ver a vida selvagem. Não demorou muito para termos os primeiros encontros!

Tuiuiu e jacaré dividem o mesmo espaço na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Tuiuiu e jacaré dividem o mesmo espaço na margem do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Voo de tuiuiu no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Voo de tuiuiu no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Não éramos o único barco por ali. Encontramos muitas canoas de pescadores e outros lancheiros carregando turistas. Sempre que tinha a chance, o Tatu trocava informações com seus amigos lancheiros, todos se informando sobre os mais recentes avistamentos de animais. Um ajuda o outro e os turistas tem mais chance de ver aquilo que estão procurando. No início da tarde, várias lanchas se reúnem em uma praia do rio para o almoço, onde mais informações são trocadas. Além disso, com mais gente junta na praia, menos chance de que algum animal maior e perigoso se aventure por ali.

Família de capivaras em praia do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de capivaras em praia do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Família de capivaras em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de capivaras em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Os animais mais comuns de se ver são os pássaros e, entre eles, o que mais chama a atenção são os tuiuiús, seja descansando nas praias e árvores, seja voando pelos céus ou plainando sobre as águas. De tão grandes, parecem boeings no ar, mas manejam bem seu peso e tamanho. Perfeitamente adaptados ao seu ambiente, não parecem temer jacarés, caminhando tranquilamente entre eles.

Jacarés tomam sol na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Jacarés tomam sol na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Ariranha nada ao lado de jacaré no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha nada ao lado de jacaré no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Falando em jacarés, também vemos muitos deles. Na verdade, eu esperava ver mais, mas acho que eles preferem as lagoas no interior da planície. Eles não são grandes por aqui e, na verdade, são um dos pratos preferidos das onças. Aparentemente, convivem muito bem com capivaras, tuiuiús e também com as ariranhas.

Ariranhas nadam no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranhas nadam no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Família de ariranhas na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de ariranhas na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Aliás, as ariranhas foram um dos pontos altos do passeio. Sempre em grupo e muito barulhentas, é incrível a desenvoltura com que nadam de um lado para o outro. Elas afundam no rio e aparecem novamente bem longe, demonstrando ser rápidas e ter um ótimo fôlego. Quando pegam um peixe, seguram-no com as “mãos” e o devoram aos pedaços, com grande apetite, nada de reparti-lo com os companheiros.

Ariranha na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha na orla do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Família de ariranhas sobe para sua toca em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Família de ariranhas sobe para sua toca em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Bom, não sei se repartem alimentos, mas estão sempre juntas, formando grandes famílias, rivais entre si, cada uma dona de seu território. As pequenas ficam sempre sob os olhos atentos dos mais adultos, talvez para defendê-las de algum jacaré mais abusado. Repartem uma toca cavada em algum barranco, perto de raízes de árvores. Vê-las entrando e saindo de sua casa é sempre interessante, o rio ali no quintal, fonte inesgotável de alimentos.

Ariranha devora peixe no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha devora peixe no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Ariranha se aproxima do nosso barco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ariranha se aproxima do nosso barco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Entre os mamíferos, o mais comum de se ver são as capivaras. Também andam e nadam em grupos, os maiores roedores do planeta, se esquentando em alguma praia ou descansando na sombra de árvores. Também não parecem temer os jacarés, mas os olhos estão sempre abertos por causa de outro predador, esse sim bastante temido, as onças.

Avistando um veado em praia do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Avistando um veado em praia do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Outros mamíferos eu tivemos a sorte de ver foi um veado e uma enorme anta. Os dois, muito mais ariscos que as capivaras. Além das onças, parecem temer também os humanos. O veado apareceu rapidamente em uma praia do rio e logo se foi. A enorme anta, que tem uma péssima visão, caminhava tranquilamente pelas folhagens, sem conseguir nos ver. De repente, seu olfato sentiu algo e ela não pensou duas vezes: saiu em disparada.

Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Encontro com uma enorme anta em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Encontro com uma anta nas margens do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Encontro com uma anta nas margens do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Pode ter sido nós ou, quem sabe, algo muito mais perigoso para ela. Aquilo que também nós procurávamos, avidamente: a temida onça pintada! Procurávamos e encontramos, várias delas, com a ajuda imprescindível do Tatu. Esses encontros inesquecíveis são assunto para o próximo post, mas a celebração é assunto desse post mesmo!

Feliz da vida, navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Feliz da vida, navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um inesquecível pôr-do-sol navegando no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


O dia espetacular não poderia deixar de terminar em um fim de tarde absolutamente magnífico, o sol se pondo nas águas do rio Cuiabá. Navegamos de volta ao hotel respirando felicidade, beleza e contentamento, sensação de ter estado no lugar certo, na hora certa. O pôr-do-sol continuou em terra firme e, já no escuro, dirigimos de volta até Poconé, não sem antes ter ainda encontros com búfalos e mais outra anta. Amanhã, vamos baixar um pouco a intensidade e passear com mais tranquilidade na capital Cuiabá onde, finalmente, vamos parar um pouco, nossa última visita nesse estado tão incrível do Mato Grosso.

Final de um dia inesquecível, em hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Final de um dia inesquecível, em hotel em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Porto Jofre, Bichos, Pantanal, Rio Cuiabá

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Diamantina

Brasil, Minas Gerais, Diamantina

Boteco em Diamantina - MG

Boteco em Diamantina - MG


Aconselhados pelo Tinho, seguimos para Diamantina por um caminho alternativo, próprio para carros altos com tração. Através de uma estrada sobe-desce vales, passamos pelo alto da Serra do Espinhaço, com belas paisagens de campos, flores e muitas formações rochosas. Por fim, chegamos a Biribiri,uma vila particular, criada e mantida por uma indústria têxtil. Hoje, ela é um museu, toda a vila. Mas, no seu auge, tinha mais de 600 moradores, todos trabalhadores e familiares da tal indústria, com padaria, barbearia, igreja, escola, etc...

Ipê na Serra do Espinhaço - MG

Ipê na Serra do Espinhaço - MG


De lá, ainda fomos nos refrescar em duas cachoeiras antes de seguir para a cidade. Nos fins de semana, essas cachoeiras atraem muita gente de Diamantina. Mas, como chegamos cedinho, não havia movimento nenhum. cachoeira dos Cristais e Cachoeira do Sentinela, são os nomes. Quando fomos embora, os carros da cidade começavam a chegar.

Cachoeira dos Cristais, próxima à Diamantina - MG

Cachoeira dos Cristais, próxima à Diamantina - MG


A cidade estava cheia, sábado de seresta. Muitos grupos de turistas vindos de cidades vizinhas e BH para aproveitar o tradicional evento. As ruas estreitas do centro, com o movimento de turistas não favorecia muito o deslocamento da nossa ogra Fiona. As pousadas também estavam cheias. Por telefone, achamos uma, a Gameleira, muito bem localizada. Simples, mas charmosa, com um pé direito bem alto, deixamos a Fiona por lá e saímos à pé mesmo, muito mais prático.

Igreja em Diamantina - MG

Igreja em Diamantina - MG


Primeiro, um almoço de petiscos num dos botecos charmosos do centro da cidade. Depois, uma caminhada pelas igrejas e a casa de JK. Sempre simpatizei com Juscelino e agora que conheci sua casa, mais ainda. Vida simples e regrada, simpatia estampada no rosto, saiu de Diamantina para mudar o Brasil. Muito estudo e trabalho. Que diferença dele para nosso sapo barbudo...

Subindo ladeira em Diamantina - MG

Subindo ladeira em Diamantina - MG


Gostaria de ter mais tempo para ler sobre seus últimos 10 anos de vida, período em que esteve com os direitos políticos cassados pelos militares, e sobre seu estranhíssimo acidente, justo quando poderia retornar à vida pública. Duvido que Tancredo tivesse alguma chance contra ele...

A casa de JK em Diamantina - MG

A casa de JK em Diamantina - MG


De noite, mais um passeio pelo centrinho movimentado, os seresteiros fazendo a festa dos grupos de turistas de terceira idade, muitos deles vestidos à carater.

Amanhã, vamos conhecer a casa de outra cidadã famosa da cidade, Chica da Silva. E depois, seguir para Milho Verde, uma pequena cidade cuja simpatia já começa pelo nome.

Boteco em Diamantina - MG

Boteco em Diamantina - MG

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Passeando em Miami

Estados Unidos, Flórida, Miami

Narguile em Miami

Narguile em Miami


Ontem foi um dia urbano. A gente se despediu da família do Marcelo, que viajou para Roma. A Su ainda nos deixou em downtown, de onde tomamos um taxi para South Beach, passando ao lado de uma fileira com uns 5 ou 6 mega navios-cruzeiros, ancorados no porto de Miami. Verdadeiros pombais, acho que juntos carregam uns 12 mil turistas. É um mercado gigantesco por aqui, para variar.

Miami está lotada esta semana. É a época do spring break aqui nos EUA e muita gente vem para cá, aproveitar o que os EUA tem de mais próximo de "tropical". South Beach é cheia de coqueiros, o que lhe empresta um certo ar caribenho (ou baiano mesmo). Obviamente, com uma cara mais requintada, as vezes mesmo cafona. Carros gigantescos circulam pelas ruas e avenidas, as etnias latina, negra, branca e amarela se misturam, ouvimos mais espanhol do que inglês. Restaurantes e bares cheios, praia bem organizada, cheia de salva-vidas, barcos e jetskis puxando paraquedas ou ski aquático. Águas cor esmeralda, com temperatura bem razoável, areias brancas e dia ensolarado, mas refrescado por uma forte brisa que nunca para. Não passamos calor mas certamente estamos nos queimando. Isso fica bem claro quando percebemos alguns "camarões" que se descuidaram da proteção passeando pela praia.

Eu e a Ana, após um breve pit-stop na Best Buy, logo na entrada de South Beach, fomos caminhando preguiçosamente rumo ao norte, à famosa Lincon Road, uma rua de pedestres cehia de lojas e restaurantes, para encontrar o David e a Ju. Miami pode estar bem cheia, mas nos os encontramos passeando pelo promenade entre a praia e a Ocean Drive, bem longe do ponto marcado de encontro. Como se estivéssemos numa cidadezinha... Aí, passamos o resto da tarde juntos, aproveitando para praticar bastante o ingles com o David. De cerveja em cerveja, chegamos até a bum bar com Narguile, onde a prosa continuou, bem acomodados em um sofá em pleno movimento da Lincon.

Balada no Fontainebleu - Miami

Balada no Fontainebleu - Miami


Após um breve descanso no hotel deles, já em Miami Beach, ainda deu para frequentar o movimentado bar de um dos mega-hoteis da região, lotado de mulheres vestindo microsias e mega saltos. Todas elas esquentando para esticar a noite no club do hotel. Nós não animamos (nem roupas apropriadas eu tinha) e voltamos de taxi, já depois das duas da manhã, para Key Biscayne. Dessa vez, sem trânsito, que anda muito complicado por aqui. Além do spring break, ainda tem o torneio de tenis da Sony Ericsson, aqui em Key Biscayne. De dia, fica tudo parado. Mas, como estamos nos EUA, ninguém anda pelo acostamento e ninguém estaciona nos canteiros. Trânsito parado, mas bem organizado.

Estados Unidos, Flórida, Miami,

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Atravessando o País

Jamaica, Treasure Beach, Port Antonio

Cruzando a Jamaica de carro

Cruzando a Jamaica de carro


Deixamos Treasure Beach logo cedo, dispostos a atravessar a ilha da Jamaica, saindo da sua costa sudoeste para chegar ao seu litoral nordeste, passando pela capital Kingston no caminho. A primeira parte do trajeto seria por um emaranhado de estradas secundárias, passando por pequenas vilas, trechos montanhosos e asfalto de qualidade duvidosa. Depois de alguns dias, já estou “quase” craque de dirigir na mão inglesa. O “quase” é porque ainda tenho uma certa dificuldade de desviar dos buracos no caminho, acertando “quase” todos, hehehe.

Antes de partir, olhamdo no mapa o longo caminho entre Treasure Beach e Port Antonio, na  Jamaica

Antes de partir, olhamdo no mapa o longo caminho entre Treasure Beach e Port Antonio, na Jamaica


E assim, mapa na mão e algumas paradas para pedir informações e conseguimos chegar na estrada principal, aquela que dá a volta em toda a ilha. Aqui passamos numa Jamaica menos turística, mais autêntica, todos vivendo suas vidas independente de visitantes estrangeiros. Enfim, começávamos a ver uma Jamaica mais “jamaicana”...

Estrada secundária na região de Treasure Beach, no sul da Jamaica

Estrada secundária na região de Treasure Beach, no sul da Jamaica


A tal estrada principal também tem seus buracos e a situação só melhorou mesmo quando chegamos à autopista, uns 40 km antes da capital. Pois é, autopista mesmo, muitos carros, pista dupla, pedágio, mais uma peça para nos ajudar a montar esse quebra-cabeça chamado Jamaica.

Escolares caminham em rua de pequena cidade na Jamaica

Escolares caminham em rua de pequena cidade na Jamaica


Passagem tranquila pela capital Kingston e logo estávamos cruzando as Blue Mountains, rumo ao norte da ilha. Estrada bem estreita, cheia de curvas, daquela que temos de buzinar antes de cada virada. Com paciência (e fome!), chegamos ao litoral onde encontramos novamente uma estrada mais larga. Aí, tapetão até a pacata Port Antonio, local onde nasceu o turismo no país, já há muitas décadas.

Prédio da prefeitura de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

Prédio da prefeitura de Port Antonio, no nordeste da Jamaica


Felizmente, o tal turismo logo migrou para Montego Bay, Ocho Rios e Negril, deixando Port Antonio relativamente à salvo dos grandes resorts e da descaracterização que eles trazem. Estamos agora na Portland Parish, considerada a mais bonita do país e, mesmo assim, uma das mais bem preservadas!

A movimentada praça central de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

A movimentada praça central de Port Antonio, no nordeste da Jamaica


Aqui chegando, fomos direto nos alimentar, de frente a uma das muitas belas baías da região. Aí sim, de estômagos forrados, fomos procurar algum lugar para ficar. Finalmente, pudemos nos livrar dos hotéis mais caros e achamos uma Guest House super simpática, na península de Titchfield, a mais agradável vizinhança de Port Antonio. Ainda tivemos tempo de, caminhando, conhecer o centro da cidade, sua bela igreja anglicana, a movimentada praça e a marina que recebe veleiros do mundo inteiro. Depois de tantas praias e hotéis, foi uma delícia estarmos novamente em uma cidade normal, com gente normal.

A bela igreja anglicana Port Antonio, no nordeste da Jamaica

A bela igreja anglicana Port Antonio, no nordeste da Jamaica


A ideia, amanhã, é ir logo conhecer a famosa Blue Lagoon e depois, dar uma passada rápida em alguma praia. Afinal, ainda queremos pegar estrada para ir dormir no alto das Blue Mountains, com vista para Kingston!

Céu de fim de tarde sobre o Mercado de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

Céu de fim de tarde sobre o Mercado de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

Jamaica, Treasure Beach, Port Antonio,

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Baleias, Trilha da Lagoinha e o Arante

Brasil, Santa Catarina, Florianópolis

Depois de quase duas horas de caminhada, a chegada à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Depois de quase duas horas de caminhada, a chegada à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


A ilha de Florianópolis é o paraíso para os amantes de trilhas. Algumas melhor sinalizadas, outras nem tanto, algumas através dos vários costões beira-mar, ligando duas praias, outras atravessando o sertão da ilha ou contornando suas lagoas. A trilha de Naufragados, aquela da Costa da Lagoa, ou ainda as que ligam Ingleses à Brava ou a Mole à Joaquina estão entre as mais belas e conhecidas, mas nenhuma delas alcança a fama e a beleza da Trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul da ilha.

Trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina (mapa do site ecohospedagem)

Trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina (mapa do site ecohospedagem)


Mapa da trilha entre a praia do Matadeiro, a Lagoinha do Leste e o Pântano do Sul, no sul de Florianópolis, Santa Catarina (mapa do site francisdiogenes)

Mapa da trilha entre a praia do Matadeiro, a Lagoinha do Leste e o Pântano do Sul, no sul de Florianópolis, Santa Catarina (mapa do site francisdiogenes)


A praia da Lagoinha do Leste permanece isolada da civilização, protegida por morros e costões de pedra. É a maior praia da ilha sem acesso por estradas e há mais de uma geração atrai aventureiros, mochileiros e surfistas que caminham até ela para passar o dia ou mesmo uma semana, acampados. Pela dificuldade de acesso, a praia mantem-se vazia, mesmo durante a temporada. Felizmente, desde 1991 toda a área foi transformada em uma reserva, o que impossibilita a construção de estradas e casas no local. Pelo menos por enquanto, esse paraíso parece protegido da especulação imobiliária e das “benesses” da civilização.

Praia da Armação, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Praia da Armação, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Ponte que liga a praia da Armação à praia do Matadeiro, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Ponte que liga a praia da Armação à praia do Matadeiro, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


A caminho da praia do Matadeiro, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

A caminho da praia do Matadeiro, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Pode-se chegar lá caminhando e de barco. Nessa segunda opção, parte-se do Pântano do Sul, mas o desembarque na praia é bem precário, já que a rebentação é forte. O melhor mesmo é ir caminhando e as trilhas chegam pelos dois lados da praia. A trilha mais curta vem do Pântano do Sul. Uma caminhada quase sempre sob a mata, subindo e descendo o morro que separa as duas praias. Deve demorar um pouco menos de uma hora, pelo menos para os não tão apressadinhos. A trilha mais bela, e bem mais longa também, vem do lado norte, saindo da praia do Matadeiro. Por aí, são pouco mais de duas horas de caminhada, quase sempre nos costões e trechos de vegetação baixa. Com isso, temos sempre uma visão mais ampla, seja das praias e ilhas mais afastadas, seja dos imponentes costões de pedra. O mais bonito é a chegada, ver a praia quase deserta e com ares de virgem lá de cima, a longa faixa de areia com mais de um quilômetro de extensão espremida entre o mar e a lagoa por trás. Aliás, é esta lagoa, formada por pequenos rios que descem das encostas, que dá nome à praia.

Chegando à praia do Matadeiro, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Chegando à praia do Matadeiro, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Começo da trilha entre a praia do Matadeiro e a praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Começo da trilha entre a praia do Matadeiro e a praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Estando de carro, nossa tendência é sempre querer voltar pelo mesmo caminho, já que o carro nos espera no início da trilha. Mas hoje quisemos fazer diferente e encarar o transporte público da cidade. Isso nos daria a chance de fazer as duas trilhas de acesso à praia. Fomos de carro até a praia da Armação, onde se pode deixar o carro. Daí, uma curta caminhada nos leva até a praia do Matadeiro, onde tomamos a bela trilha até a Lagoinha. Depois de algumas horas curtindo o paraíso, seguimos em frente, subindo e descendo o morro para chegar ao Pântano do Sul. Quem nos aguarda aí é o famoso Arante, um dos mais tradicionais restaurantes de Florianópolis. Depois do devido tempo para matar a sede e a fome, descolamos algum ônibus que nos deixe próximos da praia da Armação. Aí, é só caminhar de volta para a Fiona. Para quem tem um dia inteiro à disposição, não poderia haver melhor programa!

Vista do costão na trilha da Lagoinha, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Vista do costão na trilha da Lagoinha, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Ao longe, as dunas da Joaquina vistas da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Ao longe, as dunas da Joaquina vistas da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Pois bem, planos feitos, mãos à obra. São 22 km ou pouco mais de meia hora do centro até a praia da Armação. Esse é um dos bairros pitorescos de Florianópolis e um dos meus preferidos. Já fiquei hospedado aí algumas vezes, principalmente quando vinha fazer a travessia da Lagoa do Peri. Ela é a “irmã mais nova” da Lagoa da Conceição, tão bela como a outra, mas muito menos desenvolvida turisticamente. A mata Atlântica ao seu redor está bem conservada e a água é muito boa para nadar. Mas hoje, a lagoa do Peri não era o nosso destino. Passamos diretamente por ela rumo à Armação, um dos mais antigos e prósperos povoamentos da ilha.

Vegetação ao longo da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Vegetação ao longo da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Vegetação ao longo da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Vegetação ao longo da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Vegetação ao longo da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Vegetação ao longo da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Infelizmente, pelo menos para nossa cultura atual, essa prosperidade está ligada à caça às baleias. O próprio nome da praia vem dessa atividade. “Armação” era o nome que se dava ao conjunto de construções e maquinaria usada na dissecação e aproveitamento dos pobres cetáceos. A “armação” instalada aqui foi a primeira da ilha e a segunda do estado, ainda no séc. XVIII, em tempos do Brasil colonial. A armação prosperou, um igreja hoje ainda de pé foi construída e uma vila cresceu ao redor dela, atraindo famílias em busca de emprego.

Trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Admirando o belo cenário da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Admirando o belo cenário da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


O belo cenário da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

O belo cenário da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


As baleias eram arpoadas e capturadas em alto mar e trazidas para a praia vizinha, onde eram mortas. Não demorou muito para que ela fosse chamada de “Praia do Matadeiro”, nome que persiste até hoje. Depois, o cetáceo era “processado” na armação. Uma baleia de 30 toneladas chega a ter 6 mil litros de óleo, na época muito usado como combustível para iluminação. As barbatanas e nadadeiras seguiam diretamente para a Europa, onde viravam piteiras, tabaqueiras, guarda-chuvas, bengalas e outros itens de “primeira necessidade”. A carne, que não é muito saborosa para nossos padrões ocidentais, servia de alimento aos escravos. Ainda não haviam descoberto o mercado japonês...

Vista do costão de pedras na trilha da Lagoinha, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Vista do costão de pedras na trilha da Lagoinha, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


O belo cenário da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

O belo cenário da trilha da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Meio século de riquezas minguou com a escassez das baleias, cada vez mais próximas da extinção, e com a concorrência inglesa instalada nas ilhas do Atlântico Sul. Eles matavam as baleias por lá, antes que elas viajassem para cá. Já a partir da metade do séc. XIX, a armação era um negócio decadente. Mas a comunidade já estava instalada por aqui e passaram a viver de outras coisas, como agricultura e pesca. Nos últimos 30 anos, foi o turismo que passou a ser a força econômica dominante e as baleias até começaram a voltar, atraindo ainda mais turistas. A igreja construída há 250 anos continua sendo o centro da vila e nossa Fiona ficou aí pertinho.

Depois de quase duas horas de caminhada, a chegada à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Depois de quase duas horas de caminhada, a chegada à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Alegria na chegada à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Alegria na chegada à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


A lagoa que dá nome à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

A lagoa que dá nome à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Nós atravessamos o rio que desagua a Lagoa do Peri no mar e uma pequena trilha nos levou à praia do Matadeiro. Hoje, além do nome, nada lembra seu passado sangrento. Ao contrário, é um poço de tranquilidade, poucas casas, mar calmo e distante do trânsito. Alguns restaurantes e música no final de tarde. Uma delícia de programa para passar o dia.

Onda deixa uma cabeleira para trás ao estourar na praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Onda deixa uma cabeleira para trás ao estourar na praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Grandes ondas na praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Grandes ondas na praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Mas, para nós, o programa era outro. No final da praia, lá está a placa indicando o início da trilha. Não tem como errar. Depois, é só ir seguindo o caminho. Aos poucos, a vista se abre e passamos a ver a praia e a ilha do Campeche e até as dunas da Joaquina, ao longe. Vamos contornando a costa, subindo levemente, o mar ficando para baixo, a vista mais e mais bela, os costões de pedra mais imponentes. Aqui e ali, alguma bifurcação, mas são apenas variantes do mesmo caminho, todas as trilhas se encontrando mais adiante.

A praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

A praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Chegando à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Chegando à praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Por fim, já altos o suficientes para cruzar o morro, avistamos a Lagoinha pela primeira vez. É um colírio para os olhos, a praia de areias claras espremida pelas montanhas cobertas de florestas. Achamos um bom mirante e aí ficamos por um bom tempo, apenas admirando aquela visão fantástica à nossa frente. As ondas são mesmo fortes, mas a lagoa atrás da praia inspira calma e tranquilidade. Uns poucos felizardos estão lá embaixo, perdidos no meio daquela vastidão selvagem e natural.

Na praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Na praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Refrescando-se na lagoa da praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Refrescando-se na lagoa da praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Refrescando-se na lagoa da praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Refrescando-se na lagoa da praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Devagar, vamos descendo. Não porque a trilha é difícil, mas porque as opções e tentações para fotografar são muitas. Enfim, chegamos às areias e seguimos diretamente para a lagoa. As águas são cristalinas e não resistimos a um bom banho de água doce. Daí para o sol, ara esquentarmos novamente, e para o mar, com a água muito mais fria. Depois, lagoa novamente. Só precisamos tomar cuidado para não pisar no fundo e levantar sedimentos. Boiando na água e mirando o céu, ouvindo o barulho das ondas ao fundo e cercados pela mata Atlântica, a sensação é a de total integração com a natureza. Não é difícil entender porque as pessoas acampam por aqui, para passar dias no meio dessa natureza pujante. Nessa época do ano, é preciso trazer toda a comida e bebida, mas na temporada, tem até uma vendinha.

A água cristalina da lagoa da praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

A água cristalina da lagoa da praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Curtindo a praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Curtindo a praia da Lagoinha do Leste, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Bom, depois de nos esbaldarmos por algumas horas e explorarmos a praia de ponta a ponta, era hora de seguirmos para o Pântano do Sul. A trilha, com muita sombra, é uma pirambeira só até um mirante, bem no ponto mais alto do caminho. Mas a vegetação cresceu e quase não nos deixa ver a Lagoinha lá embaixo. Em compensação, a vista da praia do Pântano do Sul, do outro lado, é bem ampla. Vinte minutos de caminhada e já chegamos na areia, quase ao lado do famoso restaurante Arante.

Mirante no ponto mais alto da trilha entre a Lagoinha do Leste e o Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Mirante no ponto mais alto da trilha entre a Lagoinha do Leste e o Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


A primeira visão da praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

A primeira visão da praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


A primeira visão da praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

A primeira visão da praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Esse restaurante é praticamente uma instituição de Florianópolis. Instalado “com o pé na areia”, o restaurante tem mais de 50 anos de idade e, na década de 70, virou ponto de referência para estudantes que iam acampar no Pântano do Sul. Para avisar os amigos que chegariam mais tarde aonde já estavam acampados, eles deixavam bilhetes pregados nas paredes do restaurante. Aos poucos, a moda pegou e todo mundo queria deixar por lá o seu “recadinho” também, seja um agradecimento, poesia, desenho ou filosofia barata. De frente ao mar, a paisagem realmente nos estimula a isso. Virou uma tradição! O restaurante é grande, muitas salas, muitas paredes, um teto enorme. Mas é difícil encontrar algum lugar para deixarmos nossos bilhetes. Por sorte, já tem vários por lá apodrecendo, caindo e abrindo espaço para os mais novos.

Fim de tarde na praia Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Fim de tarde na praia Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Paredes e teto cobertos de bilhetes, tradição no restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Paredes e teto cobertos de bilhetes, tradição no restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Obviamente, mais interessante que deixar nossos recados, é ler os antigos. Ficamos lá garimpando e, com a ajuda de um garçom bem simpático, achamos umas preciosidades. Mas nem só de bilhetes vive o Arante. Além da vista, a culinária também é muito saborosa, embora o preço já reflita um pouco a fama que ele tem. Barato mesmo, só a cachaça, que é de graça! Como passar por lá e não tomar esse tesouro? Além de esquentar o corpo, ainda nos inspira a escrever mais, hehehe.

No tradicional restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

No tradicional restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Cerveja Devassa no restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Cerveja Devassa no restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina


Bom, depois de pingas e cervejas, pastéis e bolinhos de peixe e camarão, hora de encarar o transporte urbano. Não demorou muito e ainda ficamos amigos de uma simpática paraense que veio lá do outro lado do Brasil se instalar nessa ilha que ela adora. Só reclamou um pouco do frio. Comparado com Belém, parece até o polo norte! A conversa durou até chegarmos ao nosso ponto e, poucos minutos mais tarde, já estávamos a bordo da Fiona, voltando para o centro e felizes da vida com o dia pleno que tínhamos tido. Que delícia de ilha!

Tomando uma pinguinha no tradicional restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Tomando uma pinguinha no tradicional restaurante Arantes, na praia do Pântano do Sul, na costa sul de Florianópolis, em Santa Catarina

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Aprendendo Mais Sobre Bahamas

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island

Existem duas maneiras de eu aprender sobre um país. Uma, lendo no livro. O nosso guia, Lonely Planet é jóia e dá uma boa idéia sobre história, geografia e noções gerais do país. O outro modo, ainda mais interessante, é conversando com as pessoas, passeando, observando, se alimentando, enfim, vivenciando o país.

Hoje, 05:15 da madrugada, um motorista de táxi nos esperava na porta do nosso hotel. São 20 minutos de carro, neste horário, até o aeroporto. Depois de uma sondada inicial e perceber que o sujeito era simpático, comecei a disparar perguntas sobre o país, para tentar saciar minha insaciável curiosidade sobre outras culturas e países, no caso, a bahamense. Eis o que descobri:

- Das cerca de 700 ilhas que formam o país, apenas umas 20 são habitadas

- Só existe uma universidade no país. Uma universidade para uma população de 300 mil habitantes não está mal! Ela fica em New Providence. Portanto, é para lá que vão todos os estudantes do país que chegam ao 3o grau.

- Depois de Bahamas, nós vamos para um país conhecido por muito poucas pessoas no país: Turks e Caicos. Quem se der o trabalho de ver no mapa (em breve, teremos um mapa iterativo bem legal na Home do nosso site!), vai ver que sse pequeno país fica na ponta sul de Bahamas. E vai ficar curioso de porque ele não faz parte de Bahamas. Eu fiquei! O motorista disse que, na verdade, até 73 eles eram um país só. Quando Bahamas conseguiu sua independência, essas ilhas do sul preferiram se manter ligadas à Inglaterra. Hoje em dia, há gente por lá querendo que o país volte a ser Bahamas.

- São 85% de negros e 15% de brancos aqui. Os brancos formam a elite do país. Mas não há problemas raciais e todos frequentam as mesmas escolas.

- Imigrantes do Haiti e da Jamaica, mesmo após perderem o sotaque de seus países, são facilmente reconhecidos pela sua dentição. Os bahamenses tem a dentição perfeita, ao contrário dos imigrantes.

- Todos os restaurantes estão fechados após às dez da noite, em downtown.

- Jamais peça direções a um bahamense. E, se pedir, desconfie.

- Por fim, e isso não foi informação do motorista de táxi, o pessoal daqui é muito simpático. Desde a moça que trabalha no hotel até o motorista de táxi.Desde o dono da liquor store até o guarda do McDonalds. A única exceção foi a motorista do ônibus da Stuart Cove, que implicou com a Ana, mas não comigo.

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island,

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La Guajira, a Ponta da América do Sul

Colômbia, La Guajira

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul


Logo quando conhecemos o Marco e a Tina, o casal suíço que compartiu conosco o contêiner em que viajou a Fiona, ainda lá no Panamá, eles nos perguntaram que roteiro seguiríamos, aqui na Colômbia. Quando respondemos que iríamos à santa Marta e Tayrona e, de lá, para a Venezuela, perguntaram espantados: “Não vão à La Guajira?”. “La Guajira?”, respondi com outra pergunta. “O ponto mais a norte da América do Sul!”, responderam.

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia


É... nunca tinha estado em nossos planos. Dois dias depois disso, caiu na minha mão uma revista da Avianca. Entre as principais reportagens, uma viagem à La Guajira. Fotos lindas das paisagens de lá. Região desértica, ocupada por indígenas da etnia Guaiju. Acesso apenas à veículos 4x4. A tentação aumentou! Outros dias se passaram e, já em Providencia, um colombiano daquele grupo da FAM Trip decretou: “Vocês têm de ir lá! É imperdível!”.

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Bom, com o destino conspirando desse jeito, estava mesmo decidido. Tínhamos de ir lá. Engraçado, sempre me interessei pela ponta sul da América do Sul, mas nunca tinha pensado no extremo norte. Que falha! Querer conhecer toda a América e não planejar conhecer esse lugar! Felizmente, na hora certa o destino nos mostrou o caminho, hehehe. Então, redefinido o roteiro, só faltava saber como chegar até lá.

A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia

A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia


Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia

Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia


A península de La Guajira está praticamente na fronteira entre Colômbia e Venezuela, justamente no nosso caminho. Mas a maior parte dela está mesmo em território colombiano, inclusive seu extremo norte, Punta Gallinas, que era onde queríamos chegar. Toda essa área da fronteira entre os dois países é ocupada pelos índios Guaiju e são eles que administram a península, conhecem seus caminhos e segredos. No sul da península está Uribia, a cidade considerada a capital indígena da Colômbia.

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul


A Fiona enfrenta os 40 graus do deserto de La Guajira, no norte da Colômbia

A Fiona enfrenta os 40 graus do deserto de La Guajira, no norte da Colômbia


Outras referências importantes são a cidade de Riohacha, na entrada da península e onde dormimos ontem e o movimentado Puerto Bolivar, no noroeste de La Guajira, destino final de uma ferrovia que atravessa boa parte da península. Os trens são de carga e levam apenas carvão para ser exportado pelo porto. Finalmente, um pouco ao sul de Puerto Bolivar, está Cabo de la Vela, cidade praiana e principal polo turístico de La Guajira.

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia


Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul

Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul


Ontem, depois de deixarmos o parque de Tayrona, dirigimos até Riohacha, de onde queríamos partir hoje para a península. Logo pela manhã, fomos a uma agência de turismo que organiza tours para lá. Essa é a maneira que a grande maioria das pessoas conhece La Guajira: tours de três dias. O roteiro mais comum é seguir de carro pela estrada até o cruzamento com a linha de trem e aí, seguir para o norte na estrada que segue paralela ao caminho de ferro. Essa estrada é asfaltada até a cidade de Uribia, primeira parada do roteiro. Daí, já em estrada de terra, segue-se até umas minas de sal. Depois, através de caminhos no deserto, segue para Cabo de la Vela, onde se visita algumas atrações locais, há um tempo para se refrescar no mar e armar acampamento. No dia seguinte, através de trilhas no deserto, vai-se até Punta Gallinas, com uma parada nas dunas. A segunda noite é aí, no ponto estremo da América do Sul. No dia seguinte, volta para casa.

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia


O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia


Solo molhado e perigoso das salinas no deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia

Solo molhado e perigoso das salinas no deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Como nós estávamos de Fiona, não queríamos o tour, mas um guia para nos levar através do deserto. Na verdade, até seria possível fazer sem guia. Mas não tínhamos tempo para nos perder no deserto. Além disso, um casal de espanhóis foi sequestrado na semana passada na região e seu carro encontrado em La Guajira. As famílias acabam de ser contatadas, para pagamento de resgate. Aparentemente, teriam sido “aqueles que andam por aí”, que é a maneira como eles se referem por aqui ao pessoal das FARC. Nós estamos bem próximos da Sierra Nevada, um território de intensa atuação “daqueles que andam por aí”. Os espanhóis teriam saído de Tayrona rumo a La Guajira, mas todo mundo acha que eles foram sequestrados perto de Santa Marta mesmo. O carro teria sido deixado por aqui apenas para despistar a polícia, apenas um golpe “daqueles que andam por aí”. O pobre casal espanhol ganhou uma temporada nas montanhas e La Guajira ficou com fama de perigosa...

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia


O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Enfim, uma razão a mais para seguirmos com guia local, que conhece todo mundo na região. Inicialmente, a agência nos ofereceu um guia mais jovem, de apenas 17 anos. Mas quando insistimos que queríamos fazer todo o tour em apenas dois dias, eles acharam por bem chamar um guia mais experiente, que conhece melhor os caminhos do deserto, para que pudéssemos chegar mais rápido à Punta Gallinas. A ideia era seguir direto para lá, hoje, onde iríamos dormir. Amanhã, já na volta, passaríamos por Cabo de La Vela. Como andou chovendo ultimamente e o solo do deserto fica empapado, com grande riso de atolamento, melhor seguir com alguém que conheça todos os possíveis caminhos, caso seja necessário contornar terrenos alagadiços. Ao final, o guia mais velho e experiente era tio do mais novo e ele também foi conosco, para aprender com o tio esses outros caminhos. Ambos são índios guaiju e, portanto, estávamos muito bem acompanhados!

Rancho onde almoçamos, no meio do deserto de La Guajira, na Colômbia

Rancho onde almoçamos, no meio do deserto de La Guajira, na Colômbia


A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia

A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia


Então, tudo devidamente acertado, saímos os quatro sem mais delongas, afinal já era mais de dez da manhã, bem tarde para quem pretendia chegar até Punta Gallinas. Seguimos pela estrada que vai para a Venezuela, mas no encontro com a linha de trem, viramos à esquerda rumo aos confins da América do Sul. Quarenta quilômetros de asfalto mais tarde, chegamos à Uribia, onde paramos rapidamente na estação de polícia. O objetivo era avisar que estávamos entrando no deserto, pois desde o desaparecimento dos espanhóis, eles estão bem atentos. Só ficaram meio surpresos de que iríamos até Punta Gallinas ainda hoje. Eles disseram que demoraria umas 10 horas para chegar até lá. Isso virou motivo de piada, durante o resto da viagem, para o Edwin e o Alex, tio e sobrinho que nos guiavam. Eles disseram que esse pessoal do exército não tem a menor ideia de como andar em La Guajira.

Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia

Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia


Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia

Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia


Bom, deixamos Uribia e o asfalto para trás e seguimos em frente. Foram mais cinquenta quilômetros acompanhando a linha do trem até deixarmos também essa estrada de lado e começarmos a seguir pela verdadeira miríade de caminhos e trilhas que cortam a parte norte da península. Aos poucos, a vegetação foi escasseando e ficando cada vez mais parecido com um deserto. A temperatura lá fora também não deixava dúvidas: 40 graus! Felizmente, dentro da nossa Fiona, seguíamos a confortáveis 21 graus. O deserto era apenas o cinema que passava lá fora.

Explorando as incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia

Explorando as incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia


As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia

As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia


E o “cinema” fixou ainda mais bonito quando começamos a atravessar as enormes planícies de sal, leitos secos de lagos ou terrenos ocupados pelo mar na maré cheia. Aí sim, era preciso tomar cuidado. Em alguns pontos, o terreno virava uma verdadeira areia movediça. Olhos atentos, o Edwin nos guiava, sempre dando a volta nos lugares mais molhados.

A Fiona e o Boudi aos pés da enorme duna no norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia

A Fiona e o Boudi aos pés da enorme duna no norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia


Junto com o Marco, no ponto onde o deserto encontra o mar no norte da península La Guajira, na Colômbia

Junto com o Marco, no ponto onde o deserto encontra o mar no norte da península La Guajira, na Colômbia


Depois do terceiro leito seco que atravessamos, quando já estávamos num trecho um pouco mais alto, eis que, em um dos pedágios armados pelas crianças locais (nos quais pagamos alguns centavos ou então, balas e chicletes), encontramos um carro conhecido. Era o Boudi, o carro dos nossos amigos suíços!!! Eles tinham chegado até ali sozinhos e lutavam para encontrar o caminho para o norte. Fizemos muita festa e, mais uma vez, confirmamos a velha máxima de que o mundo é muito pequeno, hehehe.

No extremo norte da América do Sul, no ponto onde as dunas encontram o mar, península La Guajira, na Colômbia

No extremo norte da América do Sul, no ponto onde as dunas encontram o mar, península La Guajira, na Colômbia


Eles já estavam na península há dois dias, no litoral, e hoje partiram bem cedo para Punta Gallinas. Tinham se perdido algumas vezes, mas avançavam lentamente. O maior problema tinha sido para cruzar os lagos secos. Os dois tinham os pés cobertos de lama até a canela, pois nas regiões alagadiças, um deles seguia a pé, na frente do carro, para testar o solo. Bem, agora, já não teriam esse problema, pois viriam conosco!

Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


Uma hora mais tarde, depois de vários outros lagos secos, inúmeros pedágios (nossas moedas estavam acabando!), paisagens magníficas e muitos cactos, chegamos a um rancho no deserto que era nosso ponto de almoço. São vários pequenos ranchos no caminho, cada um composto por um punhado de casas e um cemitério, sinais de que a civilização chegou até esse lugar perdido do mundo já há algumas gerações.. Aí, nos foi servido peixe e cerveja, naquele cenário típico de um comercial de TV que fez história e que os mais velhos se lembrarão: “A gente veio aqui prá beber, ou prá conversar?”.

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia


Depois do almoço, estrada novamente. Quer dizer, nem dá para chamar de estrada. Caminhos no deserto, seria mais apropriado. De pouco em pouco, dando uma enorme volta para se chegar a uma península na península, fomos indo para o norte. O norte de La Guajira, o norte da Colômbia, o norte da América do Sul. Já era fim de tarde quando chegamos às dunas, um dos maiores e mais belos atrativos da região. É aqui que o deserto encontra o mar, que a América do Sul acaba e começa o mar do Caribe.

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul


Região lindíssima! Já fazia tempo que não andávamos sobre dunas. A última vez tinha sido nos EUA, em Mojave, quase 40 graus mais frio do que estava hoje. Mas, mais impressionados do que nós estavam o Marco e a Tina. Como todos devem saber, não há dunas na Suíça! Aí ficamos quase uma hora, tirando fotos, sentindo a brisa fresca que vinha do mar a admirando aquela beleza toda.

A Fiona e nossos guias nos levam com segurança pelas estradas do deserto na península La Guajira, na Colômbia

A Fiona e nossos guias nos levam com segurança pelas estradas do deserto na península La Guajira, na Colômbia


Mas com o dia acabando, tínhamos de seguir em frente. Passamos direto pela entrada de Punta Gallinas (vamos amanhã!) para ir até o rancho onde dormiríamos. Nossas redes já estavam até armadas para nós, mas ainda deu tempo de descermos até uma praia ali do lado, para caminha na areia e ver o sol se pôr no oceano. Aí dormiriam o Marco e a Tina, que carregam uma barraca no teto do seu carro.

Bicicleta no fim de tarde do deserto na península La Guajira, na Colômbia

Bicicleta no fim de tarde do deserto na península La Guajira, na Colômbia


Ainda deu tempo de dar um mergulho rápido naquelas águas especiais, a praia mais boreal da nossa América do Sul. Depois, enquanto nos secávamos, o céu se encheu de estrelas e, entre tantas, lá estava uma rara conjunção planetária. Júpiter, Vênus e Mercúrio pareciam nos dar as boas-vindas ao extremo norte da América do Sul. Foi emocionante ver esse encontro nos céus, justamente naquele lugar, naquela hora. Muito especial!

O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia

O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia


Deixamos os suíços em sua lua de mel e voltamos ao nosso rancho, onde jantamos em companhia do único outro casal de turistas por lá. Os italianos Marco e Elisiana haviam chegado até lá de barco, numa jornada infernal sobre um mar batido. Muito simpáticos e mantes de viagens e da América Latina, foram uma companhia interessantíssima.

Um belo fim de tarde no extremo norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia

Um belo fim de tarde no extremo norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia


Nós fomos para nossas redes, mentes cansadas com o dia intenso, mas extremamente felizes por tudo o que havíamos visto e vivido hoje. Um dia que, mesmo para os nossos padrões nesses 1000dias, foi muito intenso. E amanhã, tem mais...

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia

Colômbia, La Guajira, deserto, Riohacha

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Guerra e Paz

El Salvador, El Tunco

Praia de El Tunco, litoral de El Salvador

Praia de El Tunco, litoral de El Salvador


Meio “avariado” pela mistura de bebidas da noite anterior, a minha manhã foi bem longa hoje. A falta de energia elétrica fez que o ar condicionado desligasse logo cedo e, um pouco mais tarde, já estávamos sem água no banheiro também. “No worries!”, como diriam os australianos. Fui para a piscina e cair na água fria foi como entrar no paraíso. Depois, na brisa fresca da manhã, achei uma cadeira de balanço bem confortável na sombra de um coqueiro e lá fiquei, até que a energia elétrica voltasse. Daí pude observar que o hotel e a praia estavam bem diferentes do sossego de ontem. Centenas de pessoas chegavam para aproveitar o dia ou o início da temporada praiana, depois de passarem o natal em casa. Mais um motivo para eu voltar à tranquilidade do meu quarto, agora com ar condicionado.

Nosso hotel La Guitarra, em El Tunco, litoral de El Salvador

Nosso hotel La Guitarra, em El Tunco, litoral de El Salvador


Mais umas duas horas de sono e um Engov que a Ana me deu e eu já estada tinindo e com fome. Voltamos ao nosso café preferido na surf town, bem ao lado do rio que marca o fim de El Tunco e com vista para a praia e o mar e tivemos o nosso brunch saudável, salada de frutas com iogurte e granolas e sanduíche em baguete crocante. Saúde e paz nos cercavam de todos os lados, natureza exuberante e pessoas se divertindo ao fundo, música agradável nos altofalantes do café. Difícil imaginar cena mais tranquila e relaxante.

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador


Mais difícil ainda imaginar que esse país viveu uma longa e sangrenta guerra civil até pouco tempo. Pelo menos para mim, do alto dos meus quarenta e poucos anos. Fico imaginando que a maioria dos turistas daqui, ainda nos seus vinte e poucos, pouco ou nada sabem da história de El Salvador e só querem saber de pegar suas ondas no início do dia ou final da tarde. Alguns poucos devem ter lido algumas linhas sobre a guerra dos anos 80, mas linhas de livros são frias e vazias quando comparadas à realidade.

Felizmente, eu também não vivi essa realidade. Pelo menos, não de perto. Mas lembro-me de, quase diariamente, acompanhar as imagens e notícias da guerra, seja pelo Jornal Nacional, quando ainda era mais jovem, ou por jornais e revistas, já adolescente. Uma guerra sem fim e que parecia ser a eterna realidade desse pequeno país. Guerrilhas de esquerda tentando desapear do poder uma direita corrupta e violenta, sem nenhum apego aos direitos humanos, mas com apoio logístico e financeiro americano. O governo Reagan, na sua luta para vencer a Guerra Fria, principalmente aqui no seu “quintal”, tinha decidido que não queria uma outra Nicarágua na região. Nem que para isso precisasse sustentar um governo pavoroso como tinha o país naquela época. Sem esse apoio, certamente o governo teria caído e sabe-se lá o que teria ocorrido à El Salvador. Mas, na visão americana da época, certamente Honduras e Guatemala passariam a ser as bolas da vez, o “comunismo” chegando às portas dos Estados Unidos. Por isso, aqui, nesse pequeno país, se jogavam as grandes apostas de um mundo dividido. E eram os salvadorenhos que pagavam o pato.

Almoço saldável de Natal, em El Tunco, litoral de El Salvador

Almoço saldável de Natal, em El Tunco, litoral de El Salvador


Dois lances marcaram essa guerra, um no seu início e outro já perto do seu fim. Em 1980 era assassinado a sangue frio, em plena celebração da missa, o arcebispo de San Salvador, Oscar Romero. Inicialmente um clérigo conservador, o arcebispo começou a vociferar em alto e bom tom contra as torturas, esquadrões da morte e o governo que as acobertava quando um padre jesuíta, seu amigo pessoal, foi vítima dessa guerra suja. Como nada foi apurado e a imprensa censurada era proibida de noticiar qualquer coisa sobre o assunto, Oscar Romero começou a usar suas missas para cobrar mudanças nessa política. Alguns meses depois, sem cerimônia, foi assassinado no púlpito. Governos de todo o mundo reagiram, a imprensa mundial veio cobrir o funeral e todos fomos testemunhas, via TV, do massacre ocorrido durante o enterro, transformado em grande manifestação. Dezenas de pessoas caindo mortas frente a tiros indiscriminados desferidos por agentes à paisana. Nada disso impediu que os EUA aumentassem a sua ajuda militar ao governo, já que para eles a alternativa seria ainda pior. Já no final da década, o governo Reagan mergulhado no escândalo Irã-Contras, a ajuda minguando para as ditaduras centro-americanas, a guerrilha resolveu apostar na “Ofensiva Final”. Chegaram à periferia da capital, o governo por um fio, mas a ajuda americana não falhou nessa hora e o poderio das armas falou mais alto. Novo empate técnico, guerra sem vitoriosos, promessa de mais anos turbulentos pela frente.

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador


Felizmente, vivíamos o fim da Guerra Fria, vencida pelos EUA de Reagan e Bush. Isso acabou possibilitando um grande acordo regional que pôs fim não só à guerra em El Salvador, mas também na Nicarágua. Timidamente, a democracia voltava também à Honduras e Guatemala. De lá para cá, muito melhorou nesses países, mas sem dúvida o caminho a percorrer ainda é longo.

Mas, enfim, a guerra foi substituída pela paz. Certamente, não a paz nos padrões de países de primeiro-mundo. Mas, se comparado à situação de anarquia anterior, certamente podemos chamar de paz, sim senhor. E foi essa “paz” que possibilitou a volta do turismo a esses belos países. Hoje aqui, na praia de El Tunco, o cenário era de paz. A guerra só estava na cabeça de um turista ainda meio ressacado e que procurava, nos olhos dos salvadorenhos mais velhos que encontrava, algum resquício, algum sinal da situação anterior. “Como será que esse pacato senhor que vende cocos na praia viveu a década de 80?”. “Como terá sido o natal de 1985 na praia de El Tunco?”. Perguntas para as quais não tenho resposta. Só duvido que tenha havido o belo show de jazz que tivemos aqui no La Guitarra, esta noite. Vantagens de se viver na paz...

El Tunco, litoral de El Salvador

El Tunco, litoral de El Salvador

El Salvador, El Tunco, Praia

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Na Casa Redonda

Guatemala, Livingston

Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala

Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala


Ontem pela manhã, ainda na cidade de Livingston, o Chris veio nos encontrar com seu barco para nos levar à “Round House”, sua pousada na beira do rio Dulce, longe de tudo e de todos. Nós havíamos ligado para lá na noite anterior, combinando com ele a carona e a estadia por lá. Essa foi uma valiosa dica do nosso amigo velejador Gaston, que sempre passa por lá no seu caminho para Rio Dulce, quando está fugindo dos furacões ou simplesmente indo passar umas férias na Europa. O Gaston havia dito para passarmos uns dias na cidade de Livingston mesmo, mas que não poderíamos deixar de passar uns dias na Round House também, escondida pela densa mata, longe de qualquer cidade ou estrada e bem em frente ao rio. Não resistimos á tentação e nem ao conselho!

A caminho da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala

A caminho da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala


O pier da Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala

O pier da Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala


O Chris é um inglês que já se mudou para a Guatemala há uns dez anos, sempre aqui na área do rio Dulce. Nas suas idas e vindas pelo rio, uma casa arredondada (e caindo aos pedaços) lhe chamava a atenção. Estava muito bem localizada, mas os donos quase nunca apareciam. Há uns dois anos, junto com um sócio americano, teve a chance de comprar a tal casa e, depois de uma boa reforma, a região ganhou uma nova e excelente opção de hospedagem: a Round House. Junto com sua bela e simpática namorada holandesa, a Dani, eles administram a pousada e a estão ampliando aos poucos, transformando-a num verdadeiro oásis a meio caminho entre Livingston e os lagos que alimentam o rio Dulce.

Olha o trânsito na frente da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala

Olha o trânsito na frente da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala


Maravilhoso entardecer sobre o rio Dulce, em frente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala

Maravilhoso entardecer sobre o rio Dulce, em frente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala


Nós chegamos em plena Semana Santa, o feriado mais movimentado da América Central. É uma semana de férias e o turismo interno movimenta e lota todos os hotéis, principalmente aqueles na região do litoral. Já antecipamos grandes dificildades para nós, que nunca reservamos nada, para os próximos dias. Mas não aqui na Round House. O Chris e a Dani não gostam do tipo de movimento que essa semana trás e evitam reservas. Preferem descansar e estar prontos para as semanas seguintes, de movimento normal. Mas abriram uma exceção para nós. Para nós e para a Serena, uma simpática italiana que trabalha em um hostal em Livingston, mas resolveu tirar um fim de semana sabático. Ela também aguardava pelo Chris ontem de manhã e fomos todos juntos à Round House, onde a Dani nos esperava.

Hora do lanche na Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala

Hora do lanche na Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala


Nadando no rio Dulce, emfrente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala

Nadando no rio Dulce, emfrente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala


A pousada é realmente uma delícia! Descemos pelo píer e uma passarela e escada de madeira nos levam a um edifício redondo, todo de madeira também, já no meio das árvores. No andar de baixo, uma grande e confortável sala de estar com um charmoso bar no meio. Não há paredes, apenas folhagens de árvores que protegem as laterais. No andar de cima, outra área de estar que dá acesso aos quartos que a circundam. Um charme só! As refeições (café, lanche e jantar) são preparadas e servidas ali mesmo, no andar de baixo, sempre comida muito saudável.

A deliciosa 'living room' da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

A deliciosa "living room" da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


Com a Dani, uma das donas da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

Com a Dani, uma das donas da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


Nossa rotina era de muito bate-papo na salona de estar, deitado em alguma rede ou sentado em algum sofá, intercalado com mergulhos no rio ali na frente, ora enfrentando a corrente rio abaixo, ora enfrentando a corrente rio acima, por causa da maré que entrava. A única coisa chata era que, nesses dias de Semana Santa, o tráfego de barcos aumenta bastante. Assim, além de me desviar dos patos e garças que nadam e voam por ali às dezenas, também tinha de me preocupar com os barcos. Enfim, nada que não pudesse ser administrado. A opção era fica ali perto do píer mesmo, caso da Ana, ou nadar até o meio do rio e não dar bola para os barcos, o que era o meu caso.

Reencontrando o Antoine, no pier fo Hotelito Perdido, em um tributário do Rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

Reencontrando o Antoine, no pier fo Hotelito Perdido, em um tributário do Rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


A Serena, nossa companheira de caiaque em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

A Serena, nossa companheira de caiaque em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


Nossa primeira ideia era passar apenas uma noite por ali, mas foi paixão a primeira vista e vimos que seria difícil ir embora. Depois da delicosa primeira refeição e das conversas já regadas à cerveja, já não tivemos mais dúvidas: ficaríamos outo dia” Uma paraíso desse merecia, certamente!

Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala

Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala


Durante passeio de caiaque, encontro com garça em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

Durante passeio de caiaque, encontro com garça em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


E assim foi, 48 horas de muita saúde e diversão. O dia começava com um bom mergulho, antes que os barcos começassem a passar, seguia com o café da manhã, pausa para leitura, muita conversa, cerveja gelada, mais mergulhos, agora com barcos, lanche delicioso, a sagrada hora da siesta, mais mergulho com barcos, cerveja, pôr-do-sol, conversa mole, jantar deliciso, cerveja com um toque de tequila e, com a lua quase cheia, mais mergulho no rio, sem barcos, barulho da selva ao longe (selva, de noite, é bem barulhenta!) e pensamento nos tubarões-touro, conhecidos por subirem até aqui, apesar de não haver registro de ataques. Eu não queria ser o primeiro, mas também não deixaria um medo infantil me privar de um mágico mergulho noturno num rio iluminado pela lua. Mas, pelo sim, pelo não, e pelo tal medo infantil, não me enrolava muito na água, não, hehehe.

Cabana em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

Cabana em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região  de Livingston, na Guatemala

A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


A única quebra na rotina foi um grande passeio de caiaque que fizemos hoje. Eu e a Ana em um caiaque duplo e a Serena nos acompanhando, em um caiaque simples. Subinos o rio Dulce cerca de um quilômetro e entramos em um afluente, aí já bem longe do movimento chato de barcos. Mais alguns minutos e chegamos a outro hotel famoso por aqui, o Hotelito Perdido, onde reencontramos um amigo feiro em Livingston, o francês Antoine, um ótimo papo. Foi só o tempo de recuperarmos o fôlego e retomamos o caminho, um longo percuso ainda à frente. Nossa ideia era chegar até o fim desse afluente, mais uns seis quilômetros de remadas. Sempre atravessando um bucólico e tranquilo cenário, águas calmas e garças voando ou nos observando.

A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região  de Livingston, na Guatemala

A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Refrescando-se em uma bela cachoeira, depois de muito caiaque e uma trilha para lá chegar (perto de Livingston, na Guatemala)

Refrescando-se em uma bela cachoeira, depois de muito caiaque e uma trilha para lá chegar (perto de Livingston, na Guatemala)


No fim do rio, bem mais longe do que havíamos antecipado, a Serena já teve de voltar. Ela tinha de pegar um barco de volta à Livingston, onde trabalho a esperava. Já eu e a Ana, amarramos nosso caiaque por lá e, carregando os remos, fizemos uma trilha de cerca de um quilômetro até uma belíssima cachoeira que nos havia sido indicada pelo Chris.

Felizes da vida, depois de chegar na cachoeira em afluente do rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala

Felizes da vida, depois de chegar na cachoeira em afluente do rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala

Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala


Incrível como as expectativas influem no nosso conceito final de algum lugar. Essa cachoeira, por exemplo: tanto o Chris como o Antoine disseram que ela era mais ou menos, que o caminho para se chegar lá, remando pelo rio, era mais interessante. Então não esperávamos muito. Eis que ali chegamos e adoramos! Água verdinha e refrescante, vinda diretamente das montanhas. Uma ótima piscina para nadar! Para quem não esperava muita coisa, não poderia ter sido melhor a surpresa. Por mais de meia hora, nós nos refestelamos no poço e na cachoeira, fazendo valer todo o esforço de ter chegado até lá.

Noite regada à tequila, com o Chris, um dos donos da nossa pousada no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala

Noite regada à tequila, com o Chris, um dos donos da nossa pousada no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Olha só o tamanhozinho da garrafa de tequila, no bar da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala

Olha só o tamanhozinho da garrafa de tequila, no bar da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Na foto de satélite abaixo, aparece marcado o local da Round House, o afluente do rio Dulce que percorremos por inteiro, o local onde deixamos nossos caiaques e a cachoeira deliciosa. No zoom máximo, é até possível ver nosso hotel e a própria cachoeira. Afastando um pouco a imagem, aparecerá Livingston e é fácil perceber aonde está localizada a Round House, logo após o canyon cheio de curvas no final do rio Dulce.


Ver rio Dulce num mapa maior

Foi com dor no coração que deixamos a Casa Redonda. Facilmente passaríamos outros dias por lá, em companhia tão agradável e ambiente tão gostoso. O Chris, além de ter feito (e estar fazendo!) um ótimo trabalho na Round House, como engenheiro, arquiteto, marceneiro e faz tudo, tudo o mais ecologicamente responsável possível, também é um cervejeiro de mão cheia. Ele tem uma micro-cervejaria ali mesmo e nossas longas conversas sobre a vida no país, a violência, o desenvolvimento da região, o turismo e até mesmo sobre a vida animal das redondezas (assunto em que a Dani é expert!) era sempre acompanhada de cerveja da melhor qualidade. Quem é que quer deixar um lugar desses, com comida, bebida, rio e cachoeiras para nadar, muita sombra e brisa correndo por uma sala aberta e cheia de sofás e almofadas?

Com o Chris e seu sócio, donos da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

Com o Chris e seu sócio, donos da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


Hora da partida da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

Hora da partida da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


É... mas tínhamos de seguir em frente. Em Rio Dulce nos esperava a Fiona e, do outro lado da fronteira, era chegada a vez de conhecermos Honduras, o único país que ainda não estivemos aqui na América Central. Afinal, cruzamos o país em apenas poucas horas, na subida para o Alaska. Não dá para dizer que já conhecemos. Mas agora sim, vamos ver o país com a devida calma. Honduras, aí vamos nós!

A caminho de Rio Dulce, depois de quatro dias em Livingston, na Guatemala

A caminho de Rio Dulce, depois de quatro dias em Livingston, na Guatemala

Guatemala, Livingston, cachoeira, caiaque, Rio

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O Arco Delicado

Estados Unidos, Utah, Moab

Observando o mágico, quase inacreditável Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Observando o mágico, quase inacreditável Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Depois da nossa visita e verdadeira aula de história no Mesa Verde National Park, no sul do Colorado, jantamos em Cortez e pegamos estrada ontem mesmo, de volta à Utah. Continuamos assim nossas voltas por esses estados do sudoeste, um verdadeiro ziguezague para tentar ver tantas atrações espalhadas por essa região tão especial dos Estados Unidos. O objetivo agora era a cidade de Moab, principal base para se visitar os parques nacionais de Arches e Canyonlands, os dois em Utah. Depois disso, voltaremos ao Colorado, dessa vez para uma temporada mais longa por aí


Nossa rota entre o Arizona, Colorado e Utah

A viagem foi toda no escuro e, ao cruzar as montanhas mais altas, empurramos um pouquinho mais para baixo o nosso recorde de temperatura negativa nessa viagem: -18 graus Celsius! Já estamos negativos até em Fahrenheit, hehehe! Bom, isso foi do lado de fora, pois dentro da nossa Fiona, tínhamos confortáveis 21 graus positivos. De qualquer maneira, quando chegamos à Moab, já em altitude mais baixa, a temperatura era de “apenas” 8 graus negativos. Acostumados que estamos, quase já dava para usar manga curta.

A majestosa 'Park Avenue', no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

A majestosa "Park Avenue", no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Moab praticamente não existia nos mapas até que, na década de 50, em plena Guerra Fria, a mineração de Urânio a tornou famosa. O ciclo do Urânio passou e foi substituído pelo turismo como principal força econômica da região. Afinal, logo aqui do lado estão inúmeros canyons, uma paisagem deslumbrante e dois dos parques nacionais mais belos do país. Foi justamente atrás deles que viemos e hoje, no meio da manhã, já estávamos dirigindo no Arches National Park.

Mirante da 'Park Avenue', no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Mirante da "Park Avenue", no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


O nome do parque, “Arcos”, vem do fato que aqui se encontra a maior concentração dessas atrativas formas geológicas no mundo. São mais de 2 mil arcos de rocha catalogados, desde aqueles de apenas um metro (o menor tamanho possível para que a formação possa mesmo ser chamada de arco) até o gigantesco Landscape Arch, com quase 100 metros de uma base à outra, o maior do planeta.

Curiosas formações rochosas no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Curiosas formações rochosas no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Uma enorme rocha parece equilibrar-se em um pedestal no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Uma enorme rocha parece equilibrar-se em um pedestal no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Não é fácil entender, e muito menos explicar, como esses arcos se formam. Resumidamente, a região já foi um solo marinho há mais de 300 milhões de anos. O mar se foi e a areia deixada foi coberta por cerca de dois quilômetros de sedimentos trazidos por rios, ventos, lagos e geleiras que andaram por aqui. Sob esse enorme peso, a areia virou arenito. Movimentos tectônicos e centenas de milhares de anos de erosão trouxeram novamente á superfície esse arenito, agora ele mesmo sentindo os efeitos da erosão. A água da chuva vagarosamente dissolve esse tipo de rocha. A água também penetra em pequenas fissuras, congela no inverno e, ao se expandir, quebra a rocha em pequenas migalhas que são arrancadas dali pelo vento. O material menos resistente se vai antes e, muitas vezes, é ele que está embaixo. Resta, encima, um material mais duro, que se equilibra sobre uma base ou pedestal. Dessa maneira, se formam torres de pedra por aqui e arcos de pedra por ali. E porque arcos e não formas mais retas? Bem... já há mais de dois mil anos que arquitetos romanos sabem muito bem que arcos são muito mais estáveis e resistentes para segurar peso sobre si que outras formas. Quer dizer, quando a erosão leva a formação de bases mais retas, elas simplesmente duram menos, desabam sob o peso da rocha acima. Já os arcos, esses duram seus milhares de anos, mas irão, um dia, desabar também. Enquanto isso não acontece, temos esse verdadeiro show da natureza que é o Arches National Park.

Estrada coberta de neve na chegada à 'Windows Section', um grupo de formações de arcos de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Estrada coberta de neve na chegada à "Windows Section", um grupo de formações de arcos de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


A enorme North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

A enorme North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Enfim, assim como arcos foram e continuam se formando, também outras formações geológicas como pináculos e torres de forma estranha estão presentes no parque. Um colírio para os olhos de qualquer geólogo ou turista que se aventure por ali. No caso, hoje, éramos nós! Uma estrada nos leva para perto de diversas formações ou à trilhas que nos levam ainda mais perto delas.

A bela formação da South Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

A bela formação da South Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


A gente passou primeiro pela grandiosa Park Avenue, nome dado a um vale cercado e repleto de torres de pedra. O frio e a vontade de chegar logo aos arcos nos convenceu de não fazer a trilha pelo vale e seguimos em frente, de Fiona mesmo, até umas formações em que enormes pedras parecem se equilibrar sobre minúsculos pedestais. Qualquer semelhança como Vila velha, no Paraná, não é mera coincidência!

Chegando ao majestoso Double Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos. Os turistas mal aparecem na belíssima paisagem

Chegando ao majestoso Double Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos. Os turistas mal aparecem na belíssima paisagem


Enfim, chegamos às principais estrelas do parque, os famosos arcos. Eles estão em vários setores do parque nacional e o primeiro que chegamos foi o Windows Section. Aí, em meio a muita neve e vários outros turistas, percorremos uma trilha que circunda vários arcos. São enormes e graciosos e é apenas quando há uma pessoa perto da abertura que temos a real dimensão de seu tamanho. Por mais que saibamos a teoria, é difícil imaginar como a natureza constrói tudo aquilo. Como está tudo ali, à frente dos nossos olhos, não dá para dizer que não acreditamos, mas ficaria bem mais fácil se a explicação fosse mais simples, algo como um trabalho de deuses ou antigos gigantes. Não é a toa que essa era a explicação dada pelos antigos nativos que frequentavam a região...

Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Sem dúvida nenhuma, a mais bela formação dessa área é o Double Arch. Na verdade, deveria ser chamado de “triplo”! As aberturas praticamente se interlaçam, um trabalho minucioso e intrigante da natureza, um verdadeiro templo de adoração. Aí ficamos um bom tempo, embasbacados, tentando entender e fotografar da melhor maneira aquilo que víamos. As fotos ficaram boas mas, sinceramente, é só mesmo estando lá para poder apreciar toda aquela beleza. Fantástico!

Muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Céu azul e muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Céu azul e muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Por falar em “fantástico”, já estávamos no meio da tarde e ainda queríamos ver o principal cartão postal do parque, o famoso “Delicate Arch”. Para chegar lá, mais alguns quilômetros de estrada e quase quarenta minutos de trilhas, sobre gelo, neve e pedras. O esforço, diziam, era muito mais do que recompensado. Algo que, agora, podemos atestar de pés juntos!

Chegando pelo caminho errado no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Chegando pelo caminho errado no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Agora, no caminho certo para o delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Agora, no caminho certo para o delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


O Delicate Arch se formou no alto de uma colina, sobre um vasto vale, isolado de qualquer outra estrutura. Só não falo que é meio mágico porque, na verdade, é mágico inteiro mesmo!. Mais parece um portal que nos levará para algum outro mundo ou dimensão. Ele forma uma grande janela, uma moldura para o belíssimo vale lá embaixo, para as montanhas nevadas ao fundo e para o sol que se põe no horizonte. Aqui, ainda é mais difícil acreditar que foi tudo uma obra ao acaso da natureza e não algo meticulosamente arquitetado por alguém. Alguém com muito bom gosto, diga-se!

Delicate Arch, o mais famoso cartão postal do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Delicate Arch, o mais famoso cartão postal do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Procurando o melhor ângulo do Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Procurando o melhor ângulo do Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Nessa época do ano, por causa do frio e do gelo, são menos pessoas que chegam até lá. Mesmo assim, éramos algumas dezenas. Todos nós na “arquibancada”, máquinas fotográficas em punho, tentando aproveitar cada minuto do mágico entardecer. Tão sábia foi a natureza que, pelo menos nessa época do ano, com o gelo escorregadio, é possível chegar até perto, mas não até o arco em si. Ficamos a uma distância respeitosa (e segura!), o arco delicado protegido por um campo de força invisível. Muito legal mesmo!

1000dias no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

1000dias no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


O sol se põe na paisagem gelada ao longo da trilha para o Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

O sol se põe na paisagem gelada ao longo da trilha para o Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Cada minuto saboreado ao máximo e depois, a procissão do caminho de volta, enquanto ainda temos luzes e a temperatura não chega aos dez graus negativos. Com o devido cuidado de não se escorregar no gelo. Uma experiência e tanto para fechar com chave de ouro esse primeiro dia no parque. Mas amanhã tem mais. Afinal, ainda nem conseguimos chegar no tal Landscape Arch, aquele com quase 100 metros de tamanho. Com essas dimensões, não será difícil encontra-lo, imagino...

Céu colorido de fim de tarde atrás dos arcos de pedra do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Céu colorido de fim de tarde atrás dos arcos de pedra do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

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