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SHUFFLE Há 1 ano: Estados Unidos Há 2 anos: Estados Unidos

O Orinoco e Ciudad Bolívar

Venezuela, Los Llanos, Ciudad Bolívar

Ciudad Bolívar, na beira do rio Orinoco,  Venezuela. Ao fundo, a grande ponte que atravessa o rio

Ciudad Bolívar, na beira do rio Orinoco, Venezuela. Ao fundo, a grande ponte que atravessa o rio


Bem cedo, antes mesmo do sol nascer, já estávamos na estrada ontem, prontos para a longa viagem de mais de 1.000 quilômetros que nos esperava, dos llanos até Ciudad Bolívar. Entre as várias rotas possíveis, depois de muita conversa com quem conhece as estradas, optamos por seguir até San Fernando de Apure e, de lá, para o sul, até o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, fronteira com a Colômbia. Ali, de balsa, cruzamos o grande e rio e vamos acompanhando o fluxo de água, agora na margem sul, até Ciudad Bolívar, a antiga Angostura, primeira capital da Gran Colômbia, o país do sonho de Bolívar que unia Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá, e até mesmo o Perú, na teoria.


Nossa rota cruzando o sul da Venezuela, saindo do Hato El Cedral, indo até San Fernado de Apure, descendo até o rio Orinoco e seguindo até Ciudad Bolívar

Com o sol nascendo, deixamos os llanos rumo à Ciudad Bolívar, mais de 1.000 km adiante

Com o sol nascendo, deixamos os llanos rumo à Ciudad Bolívar, mais de 1.000 km adiante


O nascer-do-sol foi visto sobre as planícies alagadas dos llanos, ainda bem próximos do Hato El Cedral, onde passamos dois maravilhosos dias. Depois, viagem tranquila até San Fernando de Apure, homenagem ao nome do rio que é um dos principais afluentes da margem norte do Orinoco. Aí conseguimos abastecer o carro (sempre difícil e sempre barato!), deixamos os llanos para trás e entramos na área de transição para a Amazônia venezuelana.

Cruzando um importante afluente do rio Orinoco, na região de Pueto Ayacucho, fronteira de Venezuela e Colômbia

Cruzando um importante afluente do rio Orinoco, na região de Pueto Ayacucho, fronteira de Venezuela e Colômbia


Pois é, esse país tem mesmo de tudo! Caribe, Andes, Saara, Pantanal e agora, Amazonia! Mas o “Amazonas” (rio) daqui não se chama “Amazonas”, mas “Orinoco”, um dos mais caudalosos rios do mundo. Aliás, esse foi o sinal para percebermos que tínhamos mudado de ecossistema: enormes rios e pontes com centenas de metros para atravessá-los. E olha que esses eram apenas os afluentes do Orinoco!

Balsa para cruzar o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, na Venezuela

Balsa para cruzar o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, na Venezuela


Balsa para cruzar o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, na Venezuela

Balsa para cruzar o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, na Venezuela


Rumávamos diretamente para o sul, para a fronteira de Venezuela e Colômbia, uma cidade chamada Puerto Ayacucho. Mas não chegamos até lá, nossa querida Colômbia ficando ainda a uns poucos quilômetros de distância. Fomos apenas até a balsa que cruza o grande rio e, já do lado de lá, tomamos o rumo nordeste, agora em direção à antiga Angostura (gosto mais do nome original que da homenagem ao grande libertador).

Reencontro com rios amazônicos, na estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela

Reencontro com rios amazônicos, na estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela


Reencontro com rios amazônicos, na estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela

Reencontro com rios amazônicos, na estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela


O Orinoco é o terceiro rio mais caudaloso do mundo, atrás apenas do Amazonas e do Congo. Em média, são 33 mil metros cúbicos por segundo de água despejada no mar do Caribe, mais do que qualquer afluente do Amazonas, incluindo o Rio Negro ou o Madeira, mas ainda bem longe do próprio Amazonas, que despeja 220 mil no Atlântico. Bem superior também aos 5 mil do Nilo, os 7 mil do Danúbio, os 16 mil do Mississipi-Missouri e até que os 32 mil do Yangtze, o maior da Ásia. Enfim, um rio de respeito!

de balsa, cruzando o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, fronteira de Venezuela e Colômbia

de balsa, cruzando o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, fronteira de Venezuela e Colômbia


A bela paisagem da estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela

A bela paisagem da estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela


No rio, quase extintos pela caça feroz do século passado, o maior predador das Américas, o crocodilo do Orinoco, que chegava a mais de 6 metros de comprimento. Tivemos a felicidade de ver alguns deles no El Cedral, mas hoje, vivendo em liberdade, eles se contam apenas às centenas. Outro animal que aqui vive é o boto cor-de-rosa. Logo me perguntei como ele teria chegado aqui, vindo da bacia do Amazonas. Teria dado a volta pelo mar? Que nada! Por mais incrível que possa parecer, as bacias dos dois maiores rios amazônicos são unidas por um “canal natural”, o rio Casaquiare. Ele se bifurca do rio Orinoco, a 120 metros de altitude e, 320 km adiante, desemboca no Rio Negro, a 90 metros de altitude. A humanidade só reconheceu esse caminho na metade do séc. XVIII, mas os botos já transitam por ali há milhares de anos! O engraçado é pensar que todo esse pedaço da América do Sul, entre o Orinoco, o Casaquiare e o Amazonas, que inclui Manaus e as três Guianas é, na verdade, uma grande ilha, como Marajó, por exemplo.

Com o nosso amigo e carona colombiano, o Jorge, em Ciudad Bolívar, na Venezuela

Com o nosso amigo e carona colombiano, o Jorge, em Ciudad Bolívar, na Venezuela


Nossa pousada em Ciudad Bolívar, na Venezuela

Nossa pousada em Ciudad Bolívar, na Venezuela


Bom, deixando essa viagem do rio de lado e voltando à nossa viagem, logo na saída da balsa demos carona para um simpático colombiano, o Jorge, que trabalha com ouro aqui na Venezuela. Ainda mais falante que a Ana, a conversa não parou um minuto pelas próximas cinco horas até Ciudad Bolívar, onde chegamos no final do dia. Ente tantas conversas, ele que viaja por diversas cidades do país, foi nos dando vários insights sobre a atual situação política. Pelo menos na sua roda de conhecidos, ninguém duvida que a eleição foi totalmente fraudada. Enfim, um dado a mais para a verdadeira salada de informações que vamos recebendo na nossa viagem pela Venezuela...

Rua central de Ciudad Bolívar, na Venezuela, com o rio Orinoco ao fundo

Rua central de Ciudad Bolívar, na Venezuela, com o rio Orinoco ao fundo


Praça no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela

Praça no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela


Chegando em Ciudad Bolívar, fomos tentar achar a mesma pousada onde ficamos seis anos atrás, no coração do centro histórico. Não achamos, mas encontramos outra, bem simpática. O centro histórico está todo renovado, a cidade se preparando para receber o Jogos Panamericanos de 2019. Não sei se a escolha já foi feita, mas andando por aqui, parece que sim!

Arquitetura colorida em Ciudad Bolívar, na Venezuela

Arquitetura colorida em Ciudad Bolívar, na Venezuela


Casarão histórico em Ciudad Bolívar, na Venezuela

Casarão histórico em Ciudad Bolívar, na Venezuela


Na beira do poderoso Orinoco, a antiga Angostura teve seus dias de glória quando foi sede do Congresso que redigiu a constituição da Gran Colômbia, no início da década de 20 do séc. XIX. Foi aqui também que se tramou e executou a separação da Venezuela dessa união. Depois, com a morte de Bolívar, a cidade mudou de nome para homenagear o libertador.

Rua no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela

Rua no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela


Igreja no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela

Igreja no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela


O dia de hoje foi tranquilo, caminhando pelas ruas da cidade, descansando na orla do rio, dando um merecido banho na Fiona, tirando fotos e admirando a vistosa ponte que atravessa o Orinoco aqui do lado, uma senhora obra de engenharia. Estão fazendo uma outra, rio abaixo, na altura de Ciudad Guyana. Obra de empreiteiras brasileiras!

Na orla do rio Orinoco, em Ciudad Bolívar, na Venezuela

Na orla do rio Orinoco, em Ciudad Bolívar, na Venezuela


Na orla do rio Orinoco, em Ciudad Bolívar, na Venezuela

Na orla do rio Orinoco, em Ciudad Bolívar, na Venezuela


Mas a principal atividade foi organizar nossa ida à Canaima e ao Salto Angel, a maior cachoeira do mundo. Até lá não chegam estradas e a única opção é seguir de teco-teco. Nós vamos amanhã, três dias e duas noites, uma delas acampados aos pés da cachoeira. Na verdade, é um retorno, pois já estivemos por lá em 2007. Mas, daquela vez, choveu tanto na noite em que estávamos acampados que, no dia seguinte, nem pudemos ver a cachoeira, coberta por nuvens de vapor. Dessa vez, ela não nos escapa!

Um simpático morador de Ciudad Bolívar, na Venezuela

Um simpático morador de Ciudad Bolívar, na Venezuela

Venezuela, Los Llanos, Ciudad Bolívar, Orinoco, Puerto Ayacucho

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A casa do Lago

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod, Connecticut, Lakeville

Hora do mergulho na lago em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

Hora do mergulho na lago em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Ainda no dia 20, depois de visitarmos Martha’s Vineyard, pegamos estrada novamente. Enquanto saíamos da península de Cape Cod, sexta-feira de tarde, deu para ter uma ideia dos famosos congestionamentos de verão, que tanta má fama tem por aqui. Cape Cod é uma espécie de “litoral norte” dos bacanas de Nova York e Massachusetts. O problema é que há um gargalo para entrar na península, uma única ponte ligando ela ao continente. Enquanto passávamos tranquilos de um lado, do outro eram vinte quilômetros de estradas paradas. Dessa vez, nosso timing foi perfeito: nosso fim de semana seria no interior e não na praia!


Nosso caminho entre Cape Cod e Lakeville

Estávamos a caminho de Connecticut. Da última vez que falei desse estado, eu o defini como “um grande subúrbio de Nova York”. Minha irmã, ex-moradora daqui, me deu uma dura por isso, pela injustiça cometida. Então, estava na hora de reparar o erro, hehehe! E a oportunidade ideal para isso apareceu há poucos dias, quando a Íris, minha cunhada e mãe da Bebel, falou com uns amigos que tem uma linda casa no estado, bem na beira de um lago. Eles prontamente nos convidaram para passar o fim de semana com eles, para a alegria da Bebel, que não só tinha ótimas lembranças da tal casa no lago, como é muito amiga das duas filhas do casal, com idades bem parecidas com a sua, a Matilde e a Lola.

Almoço com a Rise e a Quentin, na sua casa em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

Almoço com a Rise e a Quentin, na sua casa em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


A família só chegaria à casa no sábado pela manhã, então decidimos já dormir lá por perto na sexta de noite, para também chegarmos na casa logo na manhã de sábado e, assim, aproveitar ao máximo o final de semana. Seria uma longa viagem desde Cape Cod e quebrá-la em duas parecia uma boa ideia. Assim fizemos, atravessando todo o estado de Massachusetts, de leste a oeste, para dormirmos bem perto da fronteira de Connecticut e da cidade de Lakeville, onde está a casa.

A 'frota' de veículos aquáticos na Casa do Lago, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

A "frota" de veículos aquáticos na Casa do Lago, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Bem Inocentes, imaginamos que iríamos encontrar um hotel bem baratinho. Afinal, quem estaria naquele lugar perdido no mundo? Santa ignorância! A região é concorridíssima nesta época do ano, lugar cheio de festivais de música e de dança. Coisa de alto nível, atraindo artistas super conceituados, assim como público exigente. O mais famoso desses festivais é o Tanglewood, quase vizinho do lugar onde paramos, imaginando ser os únicos turistas nas últimas décadas. Vivendo e aprendendo. Agora já sabemos do Festival de Jazz, da residência de verão da Orquestra Sinfônica de Boston, do festival de dança moderna, entre outros. Mais uma vez, descobrimos o quanto não sabemos de nada e, por fim, outra vez mais, vamos embora de um lugar morrendo de vontade de ficar. Programação não iria faltar. Fica aí a dica: Tanglewood no verão, para quem gosta de boa música e boa comida!

Assistindo a filmagem subaquática feita no lago (em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos)

Assistindo a filmagem subaquática feita no lago (em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos)


Bem, a gente acabou achando um hotel não tão barato assim e, ontem de manhã, deixamos os festivais para trás, sem mesmo conhecê-los, e seguirmos para o nosso “compromisso” com o lago. Me desculpe a cultura, mas um fim de semana de muito ócio e comida saldável nos esperava, num paraíso em frente a um lago, na companhia de uma incrível família que nos recebeu de braços abertos.

O Quentin leva as meninas para passear no novo veleiro da família, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

O Quentin leva as meninas para passear no novo veleiro da família, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Quando chegamos à casa do Quentin e da Rise, eles já nos esperavam, em companhia da Lola e da Matilde. O irmão mais velho, o Theo, chegaria apenas no final do dia. O sol estava radiante e assim permaneceu por todo o fim de semana. A propriedade é ainda mais bonita do que a Babel havia nos descrito, uma casa de arquitetura simples e inteligente em frente a um grande jardim e, logo adiante, um lago tranquilo com temperatura ideal para um bom mergulho.

A Bebel e a Matilde se divertem no lago em frente à casa, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

A Bebel e a Matilde se divertem no lago em frente à casa, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Nesses dois incríveis dias na “Casa do Lago” a Bebel esteve todo o tempo com suas amigas Matilde e Lola, ora nadando no lago, ora navegando pela internet. Enquanto isso, eu e a Ana tínhamos uma gostosa convivência com a Rise e o Quentin. Gostoso e saldável também era a comida, pão, queijos e vinho da melhor qualidade e um saboroso churrasco preparado pelo Quentin. Melhor ainda, tudo isso era servido a beira do lago, em meio ao jardim. Difícil imaginar ambiente mais agradável...

Café da manhã com a Matilde a a Lola, na deliciosa 'Casa do Lago', em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

Café da manhã com a Matilde a a Lola, na deliciosa "Casa do Lago", em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Aproveitando a vida mansa no fim de semana na 'Casa do Lago', em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

Aproveitando a vida mansa no fim de semana na "Casa do Lago", em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Por duas vezes, atravessamos o lago nadando, uma distância de pouco mais de 1,5 quilômetros. A Rise nos levava de carro para o lado de lá e voltávamos nadando. Na primeira vez, Bebel e Matilde vieram conosco, valentes que são. No caminho, além de aproveitar a belíssima paisagem ao nosso redor, ainda brincava de mergulhar no lago, tentando chegar ao fundo. O problema maior não era a profundidade, mas a temperatura da água. Enquanto na parte de cima, tínhamos confortáveis 26 graus, 10 metros abaixo chegava à congelantes 15 graus. Eu voltava “correndo” para o calor agradável da superfície!

A Bebel e a Matilde se divertem no lago em frente à casa, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

A Bebel e a Matilde se divertem no lago em frente à casa, em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Outra diversão era navegar ou remar no lago. A família tinha acabado de comprar um novo veleiro e o Quentin deu várias voltas com as meninas. Eu preferia ficar ali no píer, observando de longe, apenas curtindo a brisa que batia, o calor do sol e a paisagem à frente, tomando chá e conversando com a Rise.

refrescando-se no lago em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

refrescando-se no lago em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos


Enfim, foi um maravilhoso fim de semana em Connecticut, muito mais que um mísero subúrbio de Nova York. Ao contrário, tem paisagens belíssimas, principalmente nessa época do ano quando os lagos ficam todos “nadáveis”. No inverno, congelam-se todos e aí, ao invés de nadar, a diversão é patinar! Para nós, que só estivemos aqui no verão, é difícil imaginar tudo branquinho. Um outro mundo e outra razão para, um dia, voltarmos à Connecticut. Rise e Quentin, muito obrigado pelo convite e pelo inesquecível final de semana que nos proporcionaram!

Tomando sol na pequena plataforma flutuante no lago em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

Tomando sol na pequena plataforma flutuante no lago em Lakeville, estado de Connecticut, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod, Connecticut, Lakeville, Lago, Tanglewood

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A Vida Embaixo D'Água

Galápagos, San Cristóbal, Isla Santiago, Isla Isabel, Isla Darwin, Isla Wolf

Cardume de tubarões em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Cardume de tubarões em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


Certamente, o mar de Galápagos não é um lugar com visibilidade excepcional como o Mar Vermelho ou Fernando de Noronha e nem com tantas cores como a Barreira de Corais australiana. Além disso, a água é fria (em alguns pontos, gelada!!!), muito menos confortável que o Mar do Caribe.

Estrela-do-mar em mergulho em Santiago, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Estrela-do-mar em mergulho em Santiago, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


Baiacu em mergulho em Wolf, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Baiacu em mergulho em Wolf, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


O que realmente atrai tantos mergulhadores à esse arquipélago distante é a quantidade de vida. Principalmete, a de criaturas grandes. Galápagos fica na confluência de várias correntes marítimas ricas em nutrientes. É a base alimentar de uma extensa cadeia que começa com peixes pequenos, passando por tartarugas e leões-marinhos e chegando à golfinhos, tubarões e baleias, incluindo aí o maior peixe dos nossos oceanos, o Tubarão-Baleia.

Moréia em mergulho em Wolf, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Moréia em mergulho em Wolf, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


Peixe camuflado em mergulho em Wolf, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Peixe camuflado em mergulho em Wolf, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


É só a gente cair na água e olhar para os lados e eles começam a aparecer. Tartarugas e leões-marinhos estão em quase todos os pontos de mergulhos. Muitas vezes, podemos ver vários deles ao mesmo tempo, interagindo entre si. Ou estão acostumados conosco, e portanto não tem medo, ou são curiosos com a nossa presença, chegando bem perto para nos estudar melhor. No nosso primeiro mergulho, por exemplo, ainda em San Cristóbal, perto do porto, a visibilidade estava muito ruim e o mergulho ía se desenrolando monotamente. Eu já pensava com meus botões: "tudo bem, esse é apenas um mergulho de adaptação, a festa mesmo começa amanhã" quando dois leões-marinho apareceram, os primeiros que via em minha vida durante um mergulho. Tudo mudou! Aquele mergulho chato de repente se transformou num dos mais interessantes desses 1000dias!

Dois leões marinhos curiosos com a nossa presença em Cousin Rock, na Isla Santiago - Galápagos

Dois leões marinhos curiosos com a nossa presença em Cousin Rock, na Isla Santiago - Galápagos


Tartaruga marinha em mergulho na Isla Wolf, em Galápagos

Tartaruga marinha em mergulho na Isla Wolf, em Galápagos


Aos poucos, fomos nos acostumando com esses velozes mamíferos e também com as dezenas de tartarugas e moréias que víamos. Queríamos mais! Foi quando chegamos à Wolf. Aí, os mergulhos mudaram! A gente simplesmente ficava parado, acomodado em alguma pedra, vendo dezenas e dezenas de tubarões passando à nossa frente. O primeiro tubarão-martelo a gente nunca esquece! Depois, vem o segundo, o terceiro, o centésimo e começamos a nos acostumar também com eles...

Duas arraias-chita em mergulho na Isla Darwin, em Galápagos

Duas arraias-chita em mergulho na Isla Darwin, em Galápagos


Leão-marinho brinca conosco em mergulho em Isabel, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Leão-marinho brinca conosco em mergulho em Isabel, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


Aí, o interessante passa a ser a interação entre diferentes animais. Tartarugas em meio a grandes cardumes de peixes, um leão-marinho nadando ao redor de um tubarão-martelo, duas arraias chitas num perfeito balé sub-aquático, enormes cardumes de tubarão-martelo e tubarão de Galápagos misturados, pinguins "voando" dentro d'água enquando enormes arraias manta literalmente batem suas asas ao nosso lado.

O fantástico peixe-lua em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos

O fantástico peixe-lua em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos


Polvo em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Polvo em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)


Inesquecível também é ver um polvo (que animal mais estranho!) nadando, com seus oito braços, ou cavalos-marinho sempre agarrados a algum suporte, ou o peixe-lua, um enorme "círculo" que nada vagarosamente ao largo da Isla isabel, peixe diferente de tudo o que eu já tinha visto anteriormente.

Cavalo-marinho em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos

Cavalo-marinho em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos


Lindo cardume de pequenas barracudas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos

Lindo cardume de pequenas barracudas em mergulho na Isla Isabel, em Galápagos


Outra experiência marcante foram os grandes cardumes de peixes. Milhares de pequenas barracudas nos envolviam, curiosas, em alguns lugares. Mas, o maior e mais impressionante de todos certamente foi o cardume de salemas. Milhões delas! Ao entrar no cardume, parecia que estávamos numa caverna. Ficava tudo bem escuro, apenas eu e aquela quantidade infinita de peixes em todos os lados, a 1-2 metros de distância. Nadando vagarosamente entre eles (vão abrindo caminho), uma vazio aparece à frente: é a Ana, em sua própria caverna, maravilhada também com aquela explosão de vida. Deixo a caverna da Ana para trás e, de repente, um buraco se abre rapidamete à minha frente: é um leão-marinho se divertindo, nadando ele também em meio àquele cardume infinito. Essa cena incrível tive a sorte de filmar. Vou tentar postar em breve esse vídeo...

A inconfundível silhueta de um tubarão-martelo em mergulho na Isla Wolf, em Galápagos

A inconfundível silhueta de um tubarão-martelo em mergulho na Isla Wolf, em Galápagos


Dois tubarões-martelo em mergulho na Isla Darwin, em Galápagos

Dois tubarões-martelo em mergulho na Isla Darwin, em Galápagos


Por fim, não posso deixar de mencionar os golfinhos que vinham cercar as nossas pangas quando voltávamos ao barco. Que animais incríveis e inteligentes! Basta olhar nos seus olhos para sabermos que, atrás deles, algo realmente nos observa e tenta interagir conosco. Mais tarde, quem nos cercava, agora no Galápagos Sky, eram os tubarões, dezenas deles, atraídos pela luz e pela esperança de alguma comida fácil. Nossa, é muita vida num mesmo espaço!

Golfinhos acompanham nosso bote após mergulho em Darwin, em Galápagos (fotos retiradas de vídeos de Maria Edwards)

Golfinhos acompanham nosso bote após mergulho em Darwin, em Galápagos (fotos retiradas de vídeos de Maria Edwards)


Tubarões de Galápagos (quase inofensivos!) cercam nosso barco durante  a noite na Ilha de Darwin, em Galápagos

Tubarões de Galápagos (quase inofensivos!) cercam nosso barco durante a noite na Ilha de Darwin, em Galápagos


E a maior delas, o nosso objetivo maior, aquele que fazia a nossa alegria chegar ao limite, desses falo no post seguinte...

Tubarão-baleia em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Tubarão-baleia em mergulho em Darwin, em Galápagos (foto de Hnning Abheiden)

Galápagos, San Cristóbal, Isla Santiago, Isla Isabel, Isla Darwin, Isla Wolf, Equador, Mergulho

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Chuva no Sertão!

Brasil, Piauí, Oeiras

A chuva chega no sertão! (na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI)

A chuva chega no sertão! (na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI)


Há doze mil anos, a Serra da Capivara era um lugar muito diferente do que é hoje. Uma floresta viçosa e tropical ocupava o espaço onde está a caatinga. Por onde hoje andam calangos e mocós, podia se ver preguiças com quatro metros de altura e tatus do tamanho de fuscas. Ambos atentos para não serem atacados por tigres dente de sabre. A razão dessa enorme alteração foi a mudança do clima na região e a consequente diminuição da quantidade de água. Com menos água, menos vida. Simples assim.

A grande planície de caatinga no pé da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

A grande planície de caatinga no pé da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Ainda hoje é fácil perceber por onde corriam os rios. Há canyons e vales por todos os lados e é fácil notar sua ação nos paredões de pedra. Sim, os mesmos paredões de pedra erodidos e esculpidos pela ação dos antigos rios continuam por aqui, como que para nos lembrar que o tempo passa, que as coisas mudam.

Subindo a longa escada que nos leva ao alto de um dos rochedos da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Subindo a longa escada que nos leva ao alto de um dos rochedos da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Pois não é que hoje a chuva veio e encheu o sertão de sons e cheiros? Veio em quantidade suficiente para dar vida aos pequenos riachos que hoje correm onde antes havia rios "eternos". Veio para nos lembrar que a Capivara já teve seus dias de Diamantina.

A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Veio para a nossa alegria e para a alegria dos sertanejos. Afinal, não são apenas os rochedos que estão aqui desde o tempo em que a Capivara era úmida. Os homens também, seja com suas pinturas rupestres, seja com sua dura vida na atual caatinga. Foi muito legal ter estado aqui hoje, ser testemunho da chuva e da alegria das pessoas com a água que caía do céu.

Bromélia cresce na caatinga, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Bromélia cresce na caatinga, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Para nós, não poderia ter sido melhor. Primeiro, subimos um mirante numa quase imterminável "escada de marinheiro". Lá de cima, foi impressionante ver a chuva que caía ao longe no sertão. Parecia que a caatinga ficava mais verde a cada minuto.

Com a chuva, um riacho ganha vida na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Com a chuva, um riacho ganha vida na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Depois, fomos caminhar com o Rafael em uma parte mais ao norte do parque. Ele nos levou para uma trilha, no canyon do Inferno, que para nós foi o paraíso. Havia um riacho correndo pelas pedras! No fundo do canyon, música para nossos ouvidos: o mágico som de uma cachoeira!

Pequeba e mágica cachoeira no fundo de canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pequeba e mágica cachoeira no fundo de canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Pois é, durante milênios essa cachoeira nunca secava. Agora, ela corre apenas alguns dias do ano. E nós estávamos lá para testemunhar isso! A visão da pequena cachoeira no fundo de uma gruta iluminada por uma clarabóia foi uma das cenas mais bonitas e emocionantes que vimos por aqui!

Caminhando na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Caminhando na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


A chuva e a umidade encheu a mata de borboletas, brancas e amarelas. Mocós e catitus também apareceram. Foi uma festa!

Caminhando com as borboletas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Caminhando com as borboletas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Além disso, fomos ver também mais tocas e suas pinturas. As priemiras a serem estudadas pela Niède Guidon. Todas elas na beirada de antigos rios, cenários que deveriam ser parecidos com o que vimos tantas vezes nos rios da Chapada Diamantina. Hoje, o vale está lá embaixo, sem água. Quer dizer, hoje, bem hoje, até ouvimos um pouco da água que passa lá embaixo. Um tênue fantasma de outrora. Mas que, de alguma forma, acaba dando mais vida às pinturas que temos à nossa frente. Tudo ficou mais real. Para completar, só faltou cruzarmos com uma preguiça gigante...

Painel de pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Painel de pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Visitar a Serra da Capivara foi uma experiência e tanto. Valeu cada minuto. Era três da tarde quando partimos rumo à Oeiras, antiga capital do estado. Mas nossas mentes ficariam naquela serra mágica ainda por um bom tempo...

Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Brasil, Piauí, Oeiras, Parque, trilha

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Embarcando Para a Antártida

Argentina, Buenos Aires

Hora de embarcar no barco que nos levará à Antártida, no porto de Buenos Aires, na Argentina

Hora de embarcar no barco que nos levará à Antártida, no porto de Buenos Aires, na Argentina


Finalmente, era chegada a hora. O último atraso foi o desaparecimento em La Boca de uma australiana do nosso grupo, a Pam. Procura daqui, procura dali e nada. Até que alguém liga do navio e diz que ela já chegou lá. Perdeu-se do grupo, pegou um táxi e foi direto. Enfim, resolvido isso, era a nossa vez de ir para o cais, bem pertinho. Alguns minutos mais e já estávamos fazendo a imigração portuária, a última burocracia entre nós e o alto-mar.

Fazendo a imigração no porto de Buenos Aires, na Argentina

Fazendo a imigração no porto de Buenos Aires, na Argentina


O porto de Buenos Aires, na Argentina

O porto de Buenos Aires, na Argentina


Nosso barco segue primeiro para Falkland, ou Ilhas Malvinas, como preferem os argentinos. Aliás, se assim fosse, nem necessitaríamos carimbar o passaporte, pois ainda estaríamos dentro do país. Mas a Tatcher não quis assim. Então, carimbo de saída no passaporte. Nosso barco é um dos primeiros a fazer essa rota, saindo de Buenos Aires diretamente para as Ilhas Malvinas. Só podemos fazer isso porque o barco é canadense. Barcos argentinos, infelizmente, ainda não são benvindos por lá. Cidadãos argentinos talvez, mas precisam de visto. Certamente, ainda vou voltar a este assunto quando chegarmos lá.

Primeira visão do Sea Spirit, o navio que nos levará para a Antártida, ainda ancorado no porto de Buenos Aires, na Argentina

Primeira visão do Sea Spirit, o navio que nos levará para a Antártida, ainda ancorado no porto de Buenos Aires, na Argentina


Nossa casa pelas próximas 3 semanas, no porto de Buenos Aires, na Argentina

Nossa casa pelas próximas 3 semanas, no porto de Buenos Aires, na Argentina


Como disse, essa não é uma rota habitual. Quase sempre, barcos que seguem para a Antártida saem de Ushuaia ou Punta Arenas. Os poucos que incluem as Malvinas e Geórgia do Sul também saem de lá. Este ano, a Quark resolveu inovar e sair daqui, o que para nós foi uma mão na roda. Quark é o nome da empresa que está nos levando nessa expedição. Esse é o seu negócio: cruzeiros de expedição nas regiões polares da Terra, a Antártida e o Ártico.

O grupo chega de ônibus ao ancoradouro do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)

O grupo chega de ônibus ao ancoradouro do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)


A equipe de guias da Quark expeditions nos espera na entrada do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)

A equipe de guias da Quark expeditions nos espera na entrada do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)


Bom, nós passamos rapidamente pela imigração e seguimos de ônibus, por dentro do porto, até o atracadouro onde está o nosso navio. Minhas outras experiências com portos nesses 1000dias tinham sido bem mais complicadas e burocráticas. Foi quando tivemos de embarcar a Fiona em Cartagena, para a América Central, e na volta de lá, em Colón, para a América do Sul. Confesso que hoje foi muito mais agradável e leve. Pude até relaxar e apenas observar os grandes guindastes e contêineres sabendo que nossa Fiona não estava em nenhum deles.

O único outro brasileiro da expedição, o simpático Gunnar, chega com sua esposa ao porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)

O único outro brasileiro da expedição, o simpático Gunnar, chega com sua esposa ao porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)


Pronto para entrar no Sea Spirit, o navio que nos levará para os mares do sul, ainda no porto de  Buenos Aires, na Argentina

Pronto para entrar no Sea Spirit, o navio que nos levará para os mares do sul, ainda no porto de Buenos Aires, na Argentina


Enfim, chegamos perto do nosso atracadouro e o ônibus parou para que descêssemos. Lá estava o Sea Spirit, a nossa casa pelas próximas 3 semanas. É um barco com cerca de 100 metros de comprimento, o que não é considerado grande para barcos antárticos, Tem capacidade para 120 passageiros e um número equivalente de tripulantes, mas nessa primeira viagem da temporada, vai bem mais vazio. Seremos pouco mais de 70 passageiros, o que é uma grande vantagem para nós, pois acelera muito as operações de embarque e desembarque nas ilhas e praias que vamos conhecer ao longo do roteiro.

Deixando o porto de Buenos AIres rumo à Antártida!

Deixando o porto de Buenos AIres rumo à Antártida!


Passageiros do Sea spirit observam a cidade de Buenos Aires ficando para trás...

Passageiros do Sea spirit observam a cidade de Buenos Aires ficando para trás...


Na entrada do barco, lá estavam todos os integrantes da Quark para nos dar as boas vindas. Os guias, cada um com sua especialidade, e a líder da expedição, uma neozelandesa chama Cheli. Entre os guias, há um historiador, um geólogo, um médico, um glaciologista e biólogos especializados em aves, cetáceos, mamíferos, e todos os ramos da ciência que interessam em uma viagem como essa. Enfim, vamos estar muito bem acompanhados e “guiados”.

O Sea Spirit vai deixando Buenos Aires para trás

O Sea Spirit vai deixando Buenos Aires para trás


Saindo de Buenos Aires, um brinde ao início da nossa viagem à Antártida

Saindo de Buenos Aires, um brinde ao início da nossa viagem à Antártida


A equipe da Quark no barco não é grande. Umas dez pessoas, mais ou menos. A Quark aluga o navio por algumas temporadas e eles já vem com uma tripulação própria. No caso do Sea Spirit, vários são do leste europeu, Ucrânia principalmente. Já os serviços de hotel, lavanderia e limpeza dentro do barco, isso também é contratado de outra empresa. Nessa equipe, predominam filipinos e centro-americanos, como nicaraguenses e salvadorenhos. Muito mais sociáveis e também por causa da língua, são com eles que teremos mais contato direto, garçons barman e responsáveis pela limpeza de nossos quartos.

O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho

O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho


O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho

O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho


Fomos recepcionados no barco já com o farto almoço a mesa. Foi só o tempo conhecermos nossas cabines, verificar que as bagagens estavam mesmo lá e já fomos para o restaurante. Ótima surpresa, a comida é de alto nível, acompanhada de vinho branco e tinto. Já deu logo para perceber que a tendência vai ser engordarmos bastante nessas semanas a bordo, hehehe.

Palestra de apresentação no Sea Spirit

Palestra de apresentação no Sea Spirit


Apresentação da tripulação do navio

Apresentação da tripulação do navio


Assim que terminou o almoço o barco começou a se mover. Deixávamos Buenos Aires para trás e seguíamos pelo rio da Prata em direção a alto mar, um longo caminho que duraria muitas horas, pelo menos até o meio da noite. Com uma taça de vinho na mão, eu e a Ana subimos alguns dos andares do Sea Spirit e fomos ao convés observar a paisagem que ficava para trás e brindar o que nos esperava pela frente. Estávamos deixando Buenos Aires em alto estilo e isso merecia sim, um brinde. Foi muito legal e emocionante. Oportunidade única para fotos. Para nós e para todos do grupo, todo mundo se despedindo da terra firme.

Damien, o especialista em história, um dos muitos cientistas que vão nos acompanhar e guiar na viagem à Antártida

Damien, o especialista em história, um dos muitos cientistas que vão nos acompanhar e guiar na viagem à Antártida


Apresentação dos sitemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit

Apresentação dos sitemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit


Em seguida foi a hora de nos reunirmos todos no auditório do navio para as devidas apresentações. Cada um dos guias da Quark falou de suas credenciais e campos de estudo e a Cheli nos explicou como seria a nossa rotina no barco. Depois, foi a vez da tripulação se apresentar, ênfase e interesse maior no cozinheiro e no barman, duas peças fundamentais durante as próximas semanas.

Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit

Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit


Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit

Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit


Por fim, foi a hora de falar de segurança no barco, equipamentos e procedimentos. Depois de tudo explicadinho, fizemos até um ensaio simulando uma emergência. Todo mundo com seu colete, com muita ordem, prontos para evacuar o navio. A gente espera que fique só nisso, mas nunca é demais ensaiar para já saber, na prática, como devemos proceder.

Barcos a vela no Rio da Prata, ainda perto de Buenos Aires

Barcos a vela no Rio da Prata, ainda perto de Buenos Aires


Ao final, todos de volta aos quartos já levando uma parka, que é o nome dado para a espessa jaqueta que usamos nas regiões polares e que nos foi presenteado e com as botas de borracha que devemos usar sempre que formos desembarcar. Essas são só emprestadas e deverão ser devolvidas ao final, devidamente limpas!

Navegando pelo Rio da Prata, início do longo caminho até a Antártida

Navegando pelo Rio da Prata, início do longo caminho até a Antártida


Luz do final de tarde no convés do Sea Spirit, ainda no Rio da Prata, saindo de Buenos Aires, na Argentina

Luz do final de tarde no convés do Sea Spirit, ainda no Rio da Prata, saindo de Buenos Aires, na Argentina


E aí, depois de tanto trabalho, era hora de relaxar e curtir o final da tarde e o pôr-do-sol explorando o navio, seus cinco andares, seus diversos decks, biblioteca, bar, sala de estar e até uma jacuzzi ao ar livre, ainda vazia nesse primeiro dia de navegação. Temos agora 3 dias inteiros de navegação sem nenhum avistamento de terra pela frente. Só muita água, vida marinha e tempo para realmente conhecer tudo o que existe no Sea Spirit e nos acostumar com a nova rotina. Nem é preciso dizer que estamos todos ANIMADÍSSIMOS!!!

Nosso primeiro pôr-do-sol a bordo do Sea Spirit, saindo de Buenos Aires, na Argentina

Nosso primeiro pôr-do-sol a bordo do Sea Spirit, saindo de Buenos Aires, na Argentina

Argentina, Buenos Aires, Antartida, Sea Spirit

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Coincidência Auspiciosa

Brasil, Pernambuco, Carneiros, Alagoas, Maragogi

Passeando na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Passeando na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE


Hoje, o dia em que transitamos entre Carneiros e Maragogi, entre Pernambuco e Alagoas, estamos a exatamente dois anos do fim da viagem, em 21/12/2012, data marcante no calendário maia.

Curtindo a Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Curtindo a Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE


Por um feliz coincidência, justo hoje estamos ultrapassando a marca de 100.000 page views no nosso site. Uma bela marca numa bela data! Para comemorar, fomos comer comida japonesa (deliciosa!) aqui em Maragogi! E vamos que vamos!

Piscina na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Piscina na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Brasil, Pernambuco, Carneiros, Alagoas, Maragogi, Tamandaré

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Pedras Secas, Praia do Sancho e Boldró

Brasil, Pernambuco, Fernando de Noronha

Magnífico fim de tarde nos Dois Irmãos, em Fernando de Noronha - PE

Magnífico fim de tarde nos Dois Irmãos, em Fernando de Noronha - PE


Depois do dia incrível ontem, alguém poderia achar difícil manter o mesmo padrão no dia seguinte. Não aqui em Noronha! Fizemos o mergulho considerado por muitos o mais bonito de Noronha, fomos à praia apontada por várias revistas como a mais bonita do Brasil e assistimos a um pôr do sol que é cartão postal no Brasil inteiro.

Fernando flutuando sobre cardume durante mergulho na Lage Noronha, em Fernando de Noronha - PE

Fernando flutuando sobre cardume durante mergulho na Lage Noronha, em Fernando de Noronha - PE


Pedras Secas é um ponto de mergulho no Mar de Fora, bem mais agitado que o Mar de Dentro. O nome vem do fato que algumas pedras de duas formações que ficam bem próximas entre si chegam a aflorar (aparecer na superfície). São as Pedras Secas I e II. A visibilidade facilmente ultrapassa os 50 metros, há incríveis formações de coral, que tomam a forma de tocas, túneis e pequenas cavernas e a quantidade de vida marinha é inacreditável. O mergulho é raso e é possível passar muito tempo por lá explorando vários recantos sem a necessidade de descompressão. O limite é o ar em nossas garrafas.

Pasagem sobre corais durante mergulho nas Pedras Secas, em Fernando de Noronha - PE

Pasagem sobre corais durante mergulho nas Pedras Secas, em Fernando de Noronha - PE


Depois de fazermos o primeiro mergulho na Lage Noronha, um ponto que ainda está sendo desenvolvido e no qual vimos muitos peixes, um tubarão limão e uma linda arraia Chita, seguimos para as Pedras Secas com o ambicioso plano de fazer a travessia e conhecer as duas formações num mesmo mergulho.

Pasagem sobre corais durante mergulho nas Pedras Secas, em Fernando de Noronha - PE

Pasagem sobre corais durante mergulho nas Pedras Secas, em Fernando de Noronha - PE


A correnteza não ajudou muito, dificultando nossa locomoção. Mesmo assim, todos ficamos impressionados com as formações de Pedras Secas II, principalmente a "caveira", um conjunto de cavernas e janelas no coral que, vistas de determinado ângulo, parecem uma caveira. O mergulho é mesmo lindo. Junto com as centenas de peixes, a gente fica dançando com a corrente admirando a rica vida marinha, as formações de corais e as ondas que quebram logo acima de nós. Qaindo terminamos de ver Pedras Secas II o ar do Haroldo tinha acabado e ele teve de voltar. Eu e a Ana seguimos com o Fernando para nos esbaldar em Pedras Secas I. Mais vida marinha, mais formações, mais água inacreditavelmente limpa.

Subida do mergulho nas Pedras Secas, em Fernando de Noronha - PE

Subida do mergulho nas Pedras Secas, em Fernando de Noronha - PE


Praia do Sancho vista de cima, em Fernando de Noronha - PE

Praia do Sancho vista de cima, em Fernando de Noronha - PE


No almoço, fugimos dos altos preços e comemos num restaurante por quilo bem conhecido, o Flamboyant. De lá, táxi para a incrível Praia do Sancho. A gente chega por cima, numa falésia com 50 metros de altura. De lá, pode-se observar a pequena baía de areias amareladas e águas verde-transparentes. Talvez não seja a mais bonita do Brasil (até porque isso não existe!), mas certamente está na lista das mais belas.

Descendo para a Praia do Sancho, em Fernando de Noronha - PE

Descendo para a Praia do Sancho, em Fernando de Noronha - PE


O acesso também é incrível. Descemos através de uma fenda nas falésias, fruto das fraturas que ocorreram com o rápido resfriamento das rochas vulcânicas que formaram a ilha há 5 milhões de anos. Com a ajuda de escadas de bombeiro, vamos atravessando e descendo a rocha até chegarmos à praia. Difícil imaginar cenário mais paradisíaco! Lá embaixo, 400 metros de areia para que o haroldo pudesse treinar para suas maratonas. Depois, todos fizemos sorkel perto das pedras. Com a temperatura agradável da água, além, é claro, da transparência, pode-se ficar horas por ali vendo peixes coloridos, lagostas e, com sorte, até golfinhos.

Correndo na praia do Sancho em Fernando de Noronha - PE

Correndo na praia do Sancho em Fernando de Noronha - PE


De lá seguimos à pé até o mirante do Boldró, principal ponto de onservação na ilha do espetáculo diário do pôr-do-sol. Aqui, a visão dos Dois Irmãos no fim de tarde consegue fazer tudo ficar ainda mais belo. Em uma certa época do ano, o sol se pôe exatamente entre eles!

Fim de tarde no mirante do Boldró, em Fernando de Noronha - PE

Fim de tarde no mirante do Boldró, em Fernando de Noronha - PE


Dia cheio e maravilhoso novamente que nos preparou para o tão ansioso mergulho do dia seguinte: finalmente, a Corveta por dentro!

Voltando do mergulho na Corveta, em Fernando de Noronha - PE

Voltando do mergulho na Corveta, em Fernando de Noronha - PE

Brasil, Pernambuco, Fernando de Noronha, Boldró, Mergulho, Pedras Secas, Praia, Sancho

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Dois Dias de Árdua Batalha

Saba, Windwardside, The Bottom, San Eustatius, Oranjestad_SE

Abatido, depois de uma noite com febre de mais de 40 graus (esperando o avião de Saba para St. Maarten)

Abatido, depois de uma noite com febre de mais de 40 graus (esperando o avião de Saba para St. Maarten)


Pois é, foi como o dito popular:"De onde menos se espera, é que não sai nada mesmo!". Nada de milagre para que eu pudesse mergulhar. Ao contrário, minha temperatura de manhã era de 39,3. A única vantagem é que acabaram-se todas as dúvidas: nada de mergulho para mim.

A Ana seguiu para o mergulho enquanto eu segui na cama. Mais um paracetamol para ver se a febre baixava. Ao menos, além da alta temperatura e consequente sensação de cansaço, não sentia mais nada. A temperatura baixou um pouco e eu pude ir tomar um café gostoso e desfrutar da vista maravilhosa. Engraçado que, mesmo esta vista, quando estamos tão debilitados, deixa de ser inspiradora. Pelo menos, não é tanto quanto a nossa cama, onde podemos nos deitar.

Quando a Ana voltou, já era duas da tarde. Fora a hora e pouco que tinha passado na varanda do El Momo, todo o resto tinha estado deitado. A Ana conseguiu negociar e fazer um terceiro mergulho, já que eu não tinha ido e tínhamos pago o pacote. Pelo menos isso. Ela também disse que os mergulhos não tinham sido tão bons como os anteriores. Será que foi para me animar?

Nova medição de temperatura e novo recorde. Agora, 40,4. Pois é, não me lembro de ter passado dos quarenta anteriormente. Tomei mais um anti-térmico, agora fornecido pelo motorista de táxi amigo nosso que nos leva para o porto todos os dias, compadecido pela minha ausência, e resolvemos que era hora de procurar um médico. Domingão, tudo fechado. A Ana até tinha ficado de comprar frutas e remédios na volta, mas não viu nada aberto. Ela foi falar com o Andres, dono do El Momo, que já acompanhava nossa história. Juntos, localizaram uma enfermeira de plantão no hospital que ficou de chamar o médico. O Andres emprestou o carro e seu assistente foi nos levar até The Bottom, capital da ilha, onde está o hospital.

Despedida do Andres e do El Momo, em Windwardside - Saba

Despedida do Andres e do El Momo, em Windwardside - Saba


Lá chegando, o médico rapidamente nos atendeu. Nova medida de temperatura, dessa vez no ouvido, após o anti-térmico, e deu 39,5. Rapidamente, ele descobriu a causa: inflamação nos dois ouvidos e na garganta. Pela cor das mucosas, "red as red can be!", ele ficou impressionado de eu não estar sentindo nada. Antibiótico imediatamente, três vezes ao dia.

No caminho de volta, ainda conseguimos achar um lugar para comer um pouco, apesar de eu já não sentir fome, só vontade de deitar. Chegar no hotel e na cama foi um grande alívio. Psicologicamente, estava melhor, pois agora parecia que tomava a medicação correta. Mas o fato é que eu me sentia completamente esgotado. Já tinha perdido o mergulho e agora, a bola da vez era a caminhada até o topo do Mt. Scenery, programada para o dia seguinte, pela manhã, já que de tarde voaríamos para St. Maarten e de lá para Sint Eustatius.

Pois bem, nova medição às sete da noite e estava novamente acima dos 40. Quanto tempo demora para antibiótico fazer efeito? Dormi e, perto das dez, acordei com muito frio, tremendo descontroladamente. A Ana me vestiu um casaco e, mesmo com dois edredons, continuava tremendo. Era a temperatura que aumentava... Sempre ouço dizer que, acima dos 40, tudo fica perigoso. A única coisa que me acalmava é que, aparentemente, continuava plenamente consciente. Tinha até um lado meu, afeito a recordes, que pensava: "Vamos lá! É só uma vez! Vamos bater o recorde de temperatura!". Dito e feito. Vinte minutos de tremação e tudo se acalmou novamente. Nova medida de temperatura: 41,6. E olha que eu desconfio que este nosso termômetro diminui a temperatura, pois quando estamos "normais", ele marca de 35,8 até 36,2. Enfim, muito preocupante mesmo! Ali, naquela hora, só pude tomar mais um paracetamol e um banho de chuveiro. Aliás, que esforço para chegar lá. O banheiro era fora do quarto. Ahhnn... tomei também a segunda dose do antibiótico.

A noite foi dormida em pedaços. Uns cento e cinquenta pedaços. Mas foi. E, aparentemente, o pico de febre de ontem foi o canto do cisne. Hoje, acordei com 37 e meio. E assim ficou o dia inteiro, um pouco para cima, um pouco para baixo. O que não melhorou foi a sensação de cansaço. A subida do Mt. Sceney, obviamente, foi para o espaço. A minha caminha era infinitamente mais atrativa. De qualquer maneira, ele esteve encoberto o dia inteiro, como que para diminuir nosso remorso.

Sala de espera para embarque no aeroporto de Saba - Caribe

Sala de espera para embarque no aeroporto de Saba - Caribe


Agora, o que estava em jogo era nosso vôo. Com a febre já bem baixa, achamos que dava. A Ana, junto com o Andres, já fechou uma reserva num hotel em Oranjestad, capital de Sint Eustatius. Arrumou nossas várias mochilas enquanto eu, da cama, dava apoio moral. Voltou ao hospital de carona para pagar a consulta e comprar a medicação, já que ontem estava tudo fechado mesmo. Providenciou o táxi para nos levar ao aeroporto. Aí, ela já não podia mais fazer as coisas por mim. Fiz o esforço para descer até o táxi, enfrentar o caminho para o aeroporto, aguardar na deliciosa sala de espera (ao ar livre, muito legal mesmo!), voar para St. Maarten, aguardar uma hora e meia no aeroporto de lá, e voar para Sint Eustatius.

Nesse meio tempo, sem esquecer dos antibióticos, a febre sumiu e o cansaço melhorou um pouco. Tanto que, do aeroporto, fui corajoso o suficiente para, com os protestos da Ana, dispensar o táxi e caminhar os cerca de 400 metros até nosso hotel. Aqui, o valoroso prêmio alvejado já há quase 4 horas: uma cama limpinha nos esperando!

E assim foram esses meus dois últimos dias. Nem só de flôres vive um viajante. Mas, como já diziam os gauleses: depois da tempestade, virá a bonança. Amém!

Chegada à ilha de Sint Eustatius, mais conhecida como Statia (Caribe).

Chegada à ilha de Sint Eustatius, mais conhecida como Statia (Caribe).

Saba, Windwardside, The Bottom, San Eustatius, Oranjestad_SE, Sint Eustatius

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Dia Intenso

Brasil, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra)

Chegando na 'Casinha Branca' no alto da serra, em Delfinópolis - MG

Chegando na "Casinha Branca" no alto da serra, em Delfinópolis - MG


Começamos bem por aqui! Nosso primeiro dia em Delfinópolis teve de tudo: muita estrada poeirenta com lindas vistas de serras e vales; cachoeiras com muita ou pouca água, sempre frias e cristalinas; trilhas sombreadas com muito ar puro; bastante conversa fiada e instrutiva com gente da terra, acompanhada de cerveja gelada e deliciosos petiscos mineiros; e até mesmo um jantar caseiro acompanhado de música tradicional ao vivo!

Começamos o dia de barriga cheia depois do café da manhã na Mariângela. seguindo o conselho dela, subimos de carro pela estrada do Complexo do Claro e do Paraíso até um mirante perto do alto da serra, onde além da vista maravilhosa tínhamos também sinal de celular. Em Delfinópolis, nem pensar em TIM. Só Vivo. No alto da serra, aparece o sinal.

Explorando rio e a vista no alto da serra em Delfinópolis - MG

Explorando rio e a vista no alto da serra em Delfinópolis - MG


Depois, passamos pelo "Condomínio de Pedra", formações rochosas que parecem castelos-fantasma. Um pouco mais à frente, passamos por uma ponte sobre o rio do Paraíso e Claro, mas lá no alto. Largamos o carro e seguimos para o rio para o primeiro banho do dia. Água cristalina, muitos poços e vista para todo o vale. Maravilhoso! E tudo na faixa, o que é coisa rara hoje em dia aqui em Delfinópolis. Em quase todas as cachoeiras se cobra entrada, até 15 reais por pessoa. Para quem for visitar 10 grupos de cachoeiras, lá se vai uma fortuna! Que diferença com 10 anos atrás! É o progresso, dizem...

Enorme aranha em rio no alto da serra em Delfinópolis - MG

Enorme aranha em rio no alto da serra em Delfinópolis - MG


Fortalecidos pelo rio, seguimos até a "Casinha Branca", um dos pontos de referência da região, quase no alto da serra e com uma vista de encher os olhos. Depois, sempre à brdo da fiel Fiona, descemos a serra do lado de lá, no localmente famoso Vale da Gurita.Vamos até a Cachoeira do Ouro onde conhecemos o simpático proprietário, o Lopes. É ele mesmo que prepara e nos server deliciosos petiscos, entre eles uma porção de pernil e outra de pão de queijo. Melhor ainda é misturar as duas num delicioso sanduíche de pernil com pão de queijo! Hmmmmm!!!

Com o Lopes na Cachoeira do Ouro em Delfinópolis - MG

Com o Lopes na Cachoeira do Ouro em Delfinópolis - MG


Depois de tanta conversa, ele nos convida nos mostra a bela cachoeira do Ouro. Um tesouro escondido no meio da mata, água verde-esmeralda, um convite à contemplação. Ele insiste para que nademos mas o tempo urge, infelizmente, e temos de seguir para a próxima parada.

Cachoeira do Zé Carlinhos em Delfinópolis - MG

Cachoeira do Zé Carlinhos em Delfinópolis - MG


É a cachoeira do Zé Carlinhos, uma velha conhecida minha. Só que antes, quano eu vinha aqui, era preciso uma caminhada de 45 min para chegar lá, atravessando o rio numa ponte tipo Indiana Jones. Agora, é a Fiona que passa o rio e nos deixa a 100 metros da cachoeira. Ao contrário da cachoeira do Ouro, ela é bem mais caudalosa e tem uma lago enorme. Uma delícia para nadar. O canyon acima da cachoeira também é um convite à exploração. Vale um dia inteiro só para isso, desde que bem equipado. Algum dia, quem sabe? Hoje, já no final da tarde, o mais sensato foi iniciar o longo caminho de volta, com direito a assistir um incrível nascer da lua, amarelada, gigante. É a décima-quinta lua desde que casamos (também na lua cheia!). Foi emocionante lembrar isso...

Atravessando rio com a Fiona em Delfinópolis - MG

Atravessando rio com a Fiona em Delfinópolis - MG


Para terminar o dia, jantamos num restaurante tradicional de comida caseira, na cidade. É o restaurante da Gerusa, conhecida de todos na cidade. Lá, encontramos outro conhecido das antigas, bem amigo do Guto, o Serjão, que se encantou com e se mudou para Delfinópolis, casando e tendo uma filhinha linda por aqui. Juntos, assistimos todos, embevecidos, a um show de música tradicional, inclusive com a própria Gerusa cantando. Muito jóia mesmo!

O Sejão reforçou o conselho da Mariângela: amanhã, vamos explorar a região do Paraíso Selvagem. Adivinhem as atrações! CACHOEIRAS!!! Muitas cachoeiras. Obaaaa!

Brasil, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra),

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La Escondida

México, Zipolite, Puerto Escondido

Fim de tarde bem gostoso na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

Fim de tarde bem gostoso na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México


Após mais uma manhã maravilhosa de mergulhos em Zipolite, foi a hora de seguirmos em frente. Pelo menos, sairíamos de uma praia para ir a outra, Puerto Escondido. Melhor ainda, ali pertinho, menos de uma hora de viagem.

A praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

A praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México


Puerto Escondido foi a Zipolite do passado. Não faz muito tempo, cerca de três décadas, tinha apenas 400 habitantes. Descoberta para o turismo pelos surfistas que desciam a costa vindos de Acapulco, a então escondida Puerto explodiu para o turismo, atraindo cada vez mais turistas e a infraestrutura que vem com eles, como hotéis e restaurantes. Hoje, é o principal destino na costa de Oaxaca. Para nós, vindos da pequena Zipolite, com apenas duas ruas e pouquíssimos carros (quase todos estacionados), foi um choque de civilização, a larga avenida costeira e a praia toda tomada de guarda-sóis dos hotéis e restaurantes litorâneos.

Oferta de massagem em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

Oferta de massagem em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México


A gente se instalou num dos hotéis da praia de Zicatela, a mais badalada da cidade e fomos logo almoçar num delicioso restaurante indicado por uma das amigas de amigas da Ana via rede sociais. Por falar nisso, essa tem sido uma das nossas mais valiosas fontes de informação nessa viagem!

Fim de tarde bem gostoso na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

Fim de tarde bem gostoso na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México


Do almoço para a praia, caminhar com o pé na areia e no mar. Aproveitamos o entardecer para ir até um mirante que separa Zicatela da praia do centro, também bastante movimentada. Ali, entre caminharmos um pouco mais para conhecermos a região central ou voltar e assistir o pôr-do-sol de camarote em Zicatela, optamos pela segunda opção!

A concorrida praia central de Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

A concorrida praia central de Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México


Mais difícil foi escolher entre ver o espetáculo do astro-rei de dentro ou de fora d’água. Aqui, deu um rigoroso empate! Tomamos um banho delicioso nas águas douradas pelo poente e ainda subimos o pequeno barranco de areia para ver o sol se afundando nas águas do Pacífico. Espetacular!

Visitando Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

Visitando Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México


De noite, ainda fomos num bar-restaurante que oferecia um show de salsa com o pé na areia. Soma-se a isso um par de coquetéis, uma boa comida mexicana e um céu estrelado e podemos dizer que tivemos uma noite memorável. Voltando para o nosso hotel caminhando pela praia, ainda dei uma procurada na famosa “escondida”, a valente índia que deu nome à cidade. Ela era uma mixteca capturada por piratas para “ajudar” na dura vida de marinheiros que cruzam os mares sem destino e sem companheiras. Mas aproveitou-se do descuido dos seus captores quando passavam por aqui, pulou na água e nadou para a praia. Os piratas foram atrás, mas não a encontraram. Sempre que voltavam àquela baía, buscavam pela índia novamente, mas a “escondida” não queria saber de vida nos mares! Enfim, nem os piratas nem nós a encontramos. Ainda bem! Vida longa e livre à valente índia mixteca!

Acompanhando pôr-do-dol na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

Acompanhando pôr-do-dol na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México

México, Zipolite, Puerto Escondido, Praia

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