1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Santarém Chuvosa

Brasil, Pará, Santarém

Caminhando na orla de Santarém - PA

Caminhando na orla de Santarém - PA


Muita chuva aqui em Santarém, hoje. Ao contrário da noite agradável de ontem, a água começou a cair no meio da madrugada e só foi arrefecer no final da manhã. Foi quando saímos para caminhar um pouco pelo seu centro comercial e pela orla urbanizada.

A região de Santarém já é ocupada há pelo menos 10 mil anos. Em Monte Alegre, a cerca de 120 km descendo o rio, há centenas de pinturas rupestres, algumas entre as mais antigas do Brasil. Os primeiros europeus a aparecerem por aqui, por estranho que pareça, não estavam vindo do leste, da boca do Amazonas, mas dos Andes, numa expedição tumultuada do espanhol Orellanas. Sofreram numerosos ataques dos indígenas pelo caminho, inclusive de índias. Elas lembravam as antigas guerreiras amazonas, da mitologia grega. Daí o nome de batismo do grande rio.

A orla de Santarém - PA

A orla de Santarém - PA


Os espanhóis não deram muita bola para região e foram os portugueses que se dispuseram a ocupá-la. Como sempre, trouxeram doenças, que dizimaram a enorme populacão indígena que aqui vivia, e os valentes jesuítas, sempre na linha de frente da ocupação de novas terras aqui na América do Sul. A ordem se estabeleceu em Santarém, em meio a uma aldeia que aqui já existia, na segunda metade do século XVII. Cem anos mais tarde a ocupação já era vila, estrategicamente colocada no encontro do Tapajós com o Amazonas. O Ciclo da Borracha trouxe riquezas para a cidade, assim como a corrida ao ouro pela região. Mais recentemente, é a estrada Cuiabá-Santarém e a possibilidade de se tornar um grande porto exportador de soja que movimentam a cidade, além do turismo que cresce a cada ano.

A bela Igreja Matriz de Santarém - PA

A bela Igreja Matriz de Santarém - PA


Nós caminhamos pelo movimentado centro comercial, fomos ao banco, à farmácia, à lotérica (quem sabe, né?) e a um belo restaurante por quilo, padrão das grandes cidades do sul do Brasil. Depois, rumo à orla, sempre à pé, para tirar fotos de uma paisagem ainda chuvosa. Na volta para casa, passamos pela bela e azul Igreja Matriz, a mais antiga construção da cidade. Algumas de suas paredes já tem mais de 250 anos!

Altar da Igreja Matriz de Santarém - PA

Altar da Igreja Matriz de Santarém - PA


De volta ao hotel, decidimos seguir viagem para Alter do Chão, pequena cidade um pouco mais ao sul, na orla do Tapajós. Ao carregar o carro, tive a grata surpresa de conhecer um admirador nosso, o Gustavo. Ele tinha descoberto o nosso blog quando passamos em Macapá e, desde então, nos acompanha. Hoje, ficou felicíssimo de cruzar a Fiona estacionada ali, na cidade em que mora. Infelizmente, foi uma conversa rápida, pois ele tinha de ir. Mas foi muito legal mesmo ser reconhecido. Graças à Fiona, hehehe!

Manhã chuvosa em Santarém - PA

Manhã chuvosa em Santarém - PA


Já saindo de Santarém, paramos na sede do Ibama para pedir autorização para visitar a FLONA-Santarém, uma das mais famosas FLO-restas NA-cionais do Brasil. Fica um pouco abaixo de Alter do Chão e para lá seguiremos em dois ou três dias. O responsável pelas autorizações não estava lá mas fomos informados que vamos conseguir a autorização na entrada da FLONA. E assim, seguimos mais tranquilos para a "caribenha" Alter do Chão.

Brasil, Pará, Santarém,

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Cook, Kamehameha e a Despedida da Big island

Hawaii, Big Island-Kona

Com o David e a Eliane, do nosso B&B em Kona, na Big Island, no Havaí

Com o David e a Eliane, do nosso B&B em Kona, na Big Island, no Havaí


Dia de viajar ainda pela manhã para Maui, nossa segunda ilha no Havaí. Mas antes disso, ainda tínhamos uma programação intensa na Big Island. Começamos, literalmente, de madrugada. Afinal, queríamos estar na baía dos golfinhos assim que o sol nascesse, para poder nadar junto com esses simpáticos mamíferos marinhos. A baía de Kealakekua fica cerca de 25 quilômetros ao sul de Kona, na pequena cidade de Captain Cook.

As belas e tranquilas águas da baía dos golfinhos, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

As belas e tranquilas águas da baía dos golfinhos, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


O nome da cidade homenageia o famoso explorador inglês do séc XVIII que, entre outros feitos, descobriu o Havaí para o mundo ocidental em 1778. Apenas uma das façanhas do mais famoso e eficiente navegador do seu tempo. Foi o capitão James Cook que explorou toda a costa noroeste da América do Norte, provando de vez que a almejada “passagem noroeste”, um caminho mais curto entre o Atlântico e o Pacífico, era só um sonho. Foi ele também que descobriu várias ilhas do Pacífico, inclusive a Nova Zelândia. Explorou a costa leste da Austrália, encalhou na grande barreira de corais, quase chegou a avistar a Antártida e fez mapas detalhadíssimos de suas rotas (era excelente cartógrafo). Aliás, seus mapas continuaram sendo referência até o início do século XX! Enfim, era uma lenda viva na segunda metade do século XVIII.

As belas e tranquilas águas da baía dos golfinhos, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

As belas e tranquilas águas da baía dos golfinhos, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Pois bem, em uma daquelas coincidências que só acontecem na História, Cook chegou ao Havaí bem na época de um festival em homenagem a um deus navegador. Ao aportar na ilha de Kauai, foi confundido com o tal deus e tratado a pão de ló. Afinal, não é todo dia que um deus aparece, em carne e osso. Cook e sua tripulação curtiram as regalias oferecidas, mas seguiram sua viagem de explorações. Depois de um ano rodando o Pacífico, resolveram passar por aquelas ilhas novamente. Durante esse ano, a notícia da chegada do deus já havia corrido o arquipélago e, justamente doze meses depois, agora na costa da Big island, quando ele apareceu novamente, foi recebido com ainda mais festividades e mimos. Por quase um mês, não faltaram festas, presentes e orgias para aquela comitiva divina.

A belíssima vista do B&B em Kona, na Big Island, no Havaí

A belíssima vista do B&B em Kona, na Big Island, no Havaí


Chegou, então, a hora de partir. Mas uma tempestade em alto mar danificou o mastro do navio e Cook resolveu voltar à Big Island para repará-lo. A nova chegada do deus surpreendeu e irritou seus outrora afáveis anfitriões. Já tinha gasto muito com aqueles estranhos e não podiam se dar ao luxo de sustentar aquele deus por mais tempo. Enfim, o clima pesou! Desentendimentos não tardaram a aparecer e, entre outros desaforos, um dos barcos de Cook foi roubado. Ao tentar reavê-lo, o lendário capitão foi morto a punhaladas numa batalha na praia. Aí sim, o clima azedou de vez. Os ingleses exigiam o corpo de seu capitão de volta, mas a essa altura, seguindo o costume havaiano, o corpo de Cook já havia sido desmembrado e repartido pela ilha. Ao final, assim que conseguiram o barco e alguns pedaços de seu capitão de volta, os ingleses partiram. Um fim meio inglório para o grande capitão...

Na varanda do nosso B&B em Kona, na Big Island, no Havaí

Na varanda do nosso B&B em Kona, na Big Island, no Havaí


Não pude deixar de prestar minhas homenagens ao grande Cook enquanto, já ao lado do mar, esperávamos pelos golfinhos aparecerem. Mas eles não deram o ar de sua graça, talvez meio atrasados de sua noite de caça em mar aberto. A gente, com uma programação tão apertada, tomamos a difícil escolha de voltar para o B&B. Afinal, um maravilhoso café da manhã nos esperava por lá. Era um pouco depois das oito da manhã quando lá chegamos, e não só o café nos esperava, mas também outro casal de hóspedes. O David e a Eliane, nossos anfitriões, já haviam contado para eles sobre nossas aventuras e eles estavam ansiosos em nos conhecer. O café da manhã foi ainda mais animado que o de ontem e igualmente maravilhoso. Normalmente, eles servem coisas distintas todos os dias, mas eu tinha gostado tanto do suco de jabuticaba (com banana, maracujá, papaia e outra berry) que, pelo menos o suco, o David repetiu. Suco não, um smoothie. Que delícia! E que ótimo foi ter estado lá esses dias em Kona. Dessa vez, tiramos as fotos que faltaram ontem, do café e da vista. A única dificuldade foi que descobrimos que o pagamento da temporada não tinha sido feito pela internet e eu precisava tirar dinheiro no banco para efetuá-lo. No aperto de tempo em que já estávamos, ficou ainda mais complicado.

O maravilhoso café da manhã no B&B em Kona, na Big Island, no Havaí

O maravilhoso café da manhã no B&B em Kona, na Big Island, no Havaí


Despedidas feitas, bagagem já no nosso jipão, voamos de volta para a baía dos golfinhos, para mais uma tentativa. Lá chegando, nadadeiras e máscara, entramos no mar dispostos a nadar até onde eles estivessem. Doce ilusão, hoje estavam do outro lado da baía. Precisaríamos de uma hora só para chegar lá. Não tínhamos esse tempo, de maneira nenhuma. Infelizmente, nosso contato com os golfinhos ficou para a próxima. Que excelente motivo para voltarmos! Ficamos sem os golfinhos, mas ganhamos uma boa manhã de exercícios saldáveis...

Representação de guerreiro havaiano no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Representação de guerreiro havaiano no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Ainda resolvemos fazer uma visita rápida a um parque histórico ali do lado. Visita relâmpago mesmo, tipo cinco minutos. Tirar algumas fotos e pronto. Era o jeito de homenagearmos outra importante figura da história havaiana, o grande Kamehameha, considerado o “Napoleão do Pacífico”. Foi ele o responsável pela unificação das ilhas do arquipélago em uma só nação. E o parque que visitamos foi estabelecido bem no local da mais importante batalha para que sua supremacia fosse estabelecida na Big island.

Divindade havaiana no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Divindade havaiana no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Kamehameha era o sobrinho de um dos chefes tribais da Big island quando o capitão Cook esteve por aqui, justamente daquele que o recebeu na ilha. Foi um dos havaianos que visitou o barco do explorador inglês, tendo mais contato com os ocidentais. Quando seu tio morreu, alguns anos depois do triste incidente que resultou na morte do inglês, Kamehameha herdou o poder em parte do litoral da ilha. Isso causou a inveja de um dos filhos do antigo rei. Nesse local, se deu a batalha entre os dois exércitos, com a vitória de Kamehameha. Apenas a primeira de uma série que se seguiu, até que o jovem guerreiro unificasse toda a ilha. Numa delas, contou até com a ajuda do Kilauea, que numa erupção surpresa, matou por envenenamento, com gases tóxicos, metade do exército de um rival local.

Visita ao parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Visita ao parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Kamehameha não se satisfez com a soberania na ilha. Queria todo o arquipélago! Para isso contava com a ajuda da tecnologia das armas de fogo, que ele negociava com comerciantes americanos e europeus que agora frequentavam o Havaí, depois que a descoberta de Cook correu o mundo. Muito bem armado e com uma “frota” de quase 1.000 canoas havaianas e 10 mil homens, cruzou o mar em direção à Maui e pequenas ilhas vizinhas. Rapidamente a conquistou, mas o chefe local, que bateu em retirada para Oahu, prometeu resistir bem mais nessa outra ilha. De fato, também ele começou a se armar com armas de fogo e o próximo embate foi muito mais violento. Numa batalha épica, os guerreiros de Kamehameha cercaram o exército rival na beirada de um precipício e centenas de homens foram atirados lá de cima, na mais sangrenta batalha ocorrida em território havaiano.

Antiga canoa havaiana no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Antiga canoa havaiana no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Conquistado Oahu, faltava Kauai. Por duas vezes Kamehameha tentou, mas foi derrotado por uma grande tempestade na primeira tentativa e por um surto de doenças na segunda. Quando se preparava para a terceira tentativa, o rei de Kauai achou por bem se render e tornar-se seu vassalo. O Havaí estava unificado, sob as mãos firmes de Kamehameha. Era o início do século XIX e foi essa união que trouxe paz ao arquipélago que, por quase mil anos, esteve sempre dividido entre diversos chefes que guerreavam entre si. Mais importante ainda, foi o que possibilitou que o arquipélago não caísse em mãos estrangeiras, o que ocorreu com todas as outras ilhas do Pacífico. Kamehameha não é só o fundador da dinastia que reinou no Havaí por quase cem anos, até que o país fosse anexado pelos EUA, mas o mais importante nome da história havaiana.

Moradia no estilo antigo havaiano no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Moradia no estilo antigo havaiano no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Nós fizemos nossa visita relâmpago e começamos nossa corrida para não perder o avião. Passamos num banco e retiramos o dinheiro que deixamos no B&B em rápido pit-stop. Fizemos ainda uma parada para encher o tanque do carro e outra para deixar os equipamentos alugados na loja de mergulho. Por fim, aceleramos para o aeroporto. A Ana ficou no check-in e eu corri para devolver o carro. Foi encima da hora, encima mesmo, mas deu tempo! Qual não foi nossa surpresa ao descobrir que, entre os oito passageiros do pequeno avião, havia outros dois ainda mais atrasados do que nós. Imagina se não eram brasileiros, hehehe! E imagina se não eram cariocas... Enfim, entre mortos e feridos, salvaram-se todos e voamos juntos para Maui. Ao voar sobre o estreito que divide as duas ilhas, que nem é tão estreito assim, impossível não imaginar, olhando o mar azul lá embaixo, mil canoas cruzando o oceano, um orgulhoso e resoluto monarca à frente e dez mil guerreiros acompanhando-o. Deve ter sido uma visão e tanto!

Voo entre as ilhas de Big Island(direita) e Maui (esquerda), no Havaí

Voo entre as ilhas de Big Island(direita) e Maui (esquerda), no Havaí

Hawaii, Big Island-Kona, Big Island, Captain Cook, história, Kamehameha

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Chiapas e o Caminho Para Palenque

México, Ocosingo, Palenque

Admirando a bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México

Admirando a bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México


Saímos cedo de Ocosingo para enfrentar os pouco mais de 100 km de estradas até Palenque, mais para o norte. O problema não era a distância, mas as centenas de curvas e os incontáveis “topes” (as lombadas daqui) na estrada. Além disso, duas belas cachoeiras no trajeto. Planejamos uma para a ida e outra para a volta, já que nossa intenção era dormir novamente em Ocosingo. Ou seja, considerando a ida e a volta, os cem quilômetros se tornariam duzentos, as centenas de curvas se aproximariam do milhar e os incontáveis topes se transformariam em infinitos.


Nosso roteiro no México, das Lagunas de Montebello à Palenque

Esses eram os obstáculos planejados do dia. Havia também o inesperado, para nos atrasar um pouco mais. Vinte minutos depois da nossa saída, um controle do exército. Depois de termos passados incólumes por toda a Guatemala e também na viagem de ontem, hoje foi a nossa vez. Pararam a gente e, apesar do interesse na nossa viagem, cumpriram a sua obrigação e deram uma bela geral na Fiona, abrindo até a caixa da impressora que ganhamos de brinde na compra do computador em San Salvador. Bom, quase meia hora de “experiência” para nós e pudemos seguir viagem.

A cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México

A cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México


Controles do exército são muito comuns nas estradas mexicanas. Em quase todo o país, a razão está no duro combate, uma guerra na verdade, que se trava entre o estado mexicano e o narcotráfico. Mas aqui em Chiapas há um segundo motivo. Afinal, essa é a área de atuação do EZLN, o Exército Zapatista de Liberação Nacional.

Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México

Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México


Quando mais eu leio e vejo coisas aqui do México, mais eu percebo o quanto era ignorante sobre o país. Cidades e atrações lindíssimas das quais eu nunca tinha ouvido falar. Meu conhecimento se limitava à capital, Cancun e Cozumel, Guadalajara por causa da Copa de 70, Tijuana e Ciudad Juarez por causa da fronteira americana, Acapulco pelos filmes do Elvis e um pouco da história dos astecas e mayas. Além disso, um pouco de Chiapas por causa do ELZN.

Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México

Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México


Em 1994, bem no dia do início da vigência do NAFTA e certamente não por coincidência, uma guerrilha até então desconhecida apareceu do nada para tomar várias cidades neste estado do sul do México, inclusive San Cristobal de Las Casas. Se tivesse sido alguns anos antes, certamente essa notícia teria sido suprimida e não chegaria aos meus ouvidos. Mas vivíamos a explosão da internet e isso fez que os guerrilheiros zapatistas ganhassem as manchetes do mundo inteiro. Uma guerrilha em pleno final do séc XX no México, ao lado dos EUA!!! Parecia inacreditável! O exército rapidamente retomou as cidades, mas o estrago havia sido feito. Os guerrilheiros voltaram para as montanhas e se engajaram numa guerra de marketing com o governo, a internet como sua principal arma. Seu rosto mais conhecido era a do Subcomandante Marcos, de balaclava, fuzil e charuto na boca. Ex-professor universitário, idealista e muito fluente, tornou-se ídolo rapidamente, atraindo gente do outro lado do mundo para a sua luta. Luta contra a globalização, FMI, EUA (aquelas coisas de sempre...) e à favor dos direitos indígenas.

A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México

A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México


Houve muita negociação, o governo foi obrigado a ceder em vários pontos, os indígenas estão bem melhores hoje do que estavam naquela época, mas o EZLN perdeu um pouco do seu charme. Mas continua ativo, mais no marketing do que com as armas. De qualquer maneira, o exército está ali, sempre de olho.

A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México

A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México


A imagem que fiquei de Chiapas do que via na TV naquela época se confirmou hoje. Uma terra montanhosa, sempre com matas impenetráveis e uma constante neblina entre as árvores e montanhas. Foi o que vimos hoje, na bela paisagem entre Ocosingo e Palenque. Subindo e descendo vales, as montanhas verdejantes e enevoadas estavam sempre lá, lugar ideal para esconder um misterioso exército zapatista. Imagens de filme que passavam ali, na nossa frente, ao vivo. Muito legal!

Mergulho na bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México

Mergulho na bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México


Passamos reto pela primeira cachoeira, Águas Azuis e paramos na segunda, com o curioso nome de Misol-Ha. Uma cachoeira bem cênica, formando um lago gostoso para um mergulho e uma trilha que passa atrás da queda d’água, possibilitando belas imagens. A trilha leva até uma gruta cavada por um rio subterrâneo que forma sua própria cachoeira. Tudo ali, bem pertinho. Cenário idílico, certamente frequentado já pelos mayas que construíram Palenque, quinze quilômetros adiante. Passamos uma boa hora por aí, eu meio aflito para seguirmos até as ruínas e podermos voltar com a luz do dia mas, ao mesmo tempo, sem ter forças para pressionar a Ana, que queria curtir aquele visual incrível. Afinal, como não aproveitar? Ela até nadou, enquanto eu me guardei para nadar na cachoeira da volta... Que ilusão! Eu tinha me “esquecido” que ainda tínhamos toda uma Palenque para explorar...

O Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

México, Ocosingo, Palenque, cachoeira, Chiapas

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St. Barth: Ilha de Gente Bacana

Saint Martin, Marigot, Saint Barth, Gustavia, Anse du Gouverneur, Grande Saline

O maior iate do mundo, do bilionário russo dono do Chelsea, ancorado em St. Barth - Caribe

O maior iate do mundo, do bilionário russo dono do Chelsea, ancorado em St. Barth - Caribe


Ainda no porto de Saint Martin, cumprindo as burocracias para o embarque em direção à Saint Barth, ouvimos o familiar idioma português à nossa volta. Era algo que já não acontecia há um bom tempo! Pois é, um grupo de brasileiros seguia viagem no mesmo barco que a gente, guiados pelo simpático Koy, um catarinense surfista e velejador há muito radicado por aqui.

A cor da água em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

A cor da água em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


Ele foi uma ótima companhia de viagem, no deck superior do barco onde a Ana lutou bravamente contra o enjôo de mar. Essa viagem é notória em deixar as pessoas enjoadas já que balança bastante. Voltando ao Koy, ele já está aqui há uns vinte anos e nos deu muitas informações sobre as ilhas da região. Ele nos confirmou que o número de brasileiros viajando para cá vem aumentando bastante. Ele mora do lado holandês e quando voltarmos para lá, depois nosso tour pelas várias ilhas daqui, vamos procurá-lo.

A marina de Gustavia, vista do nosso hotel (St. Barth - Caribe)

A marina de Gustavia, vista do nosso hotel (St. Barth - Caribe)


Chegando em St. Barth, ele já foi logo nos mostrando alguns "barquinhos". Entre eles, o maior e mais caro iate do mundo, do bilionário russo dono do Chelsea, o Abramovich. Iate com mais de 100 metros de comprimento, custo de 1,2 bi de dólares. Tripulação de 80 pessoas, gasto mensal de combustível de 2 milhões de dólares. Tudo coisinha bem simples... E pensar que o cara só é três anos mais velho do que eu... Bem, perto dele, não sou só eu o pobre, não. Ali do lado, bem pequenininho, também estava o barco do Nelson Piquet. Ao lado do Abramovich, pobre de doer, hehehe

O Grand Cul-de-Sac, em St. Barth - Caribe

O Grand Cul-de-Sac, em St. Barth - Caribe


Nosso carro em St. Barth - Caribe

Nosso carro em St. Barth - Caribe


St. Barth é um refúgio dos ricos e famosos. O primeiro a chegar foi o Rockfeller, ainda na década de 50. Depois dele, não pararam mais. A quantidade de iates na marina realmente impressiona. Faz até parecer uma coisa normal, ter um iate de 30-40 metros. Bem em frente a esta marina estava o nosso hotel, o Sunset. Conseguimos pegar o último quarto disponível, o que nos deixou tranquilos para poder passar o dia e a noite explorando a ilha.

Típica estrada e visual em St. Barth - Caribe

Típica estrada e visual em St. Barth - Caribe


St Barth foi inicialmente colonizada pelos franceses. Mas o solo e relevo da ilha não eram muito propícios às plantations e, por isso, ela nunca foi muito para frente, não. Tanto que, no final do séc. XVIII o rei francês decidiu dá-la de presente ao rei da Suécia. Pois é... vivendo e aprendendo, colonização sueca aqui no Caribe! Para combinar com os dinamarqueses nas Ilhas Virgens e os Courlanders em Tobago. Um Caribe bem loirinho... Os suecos ficaram por aqui por cem anos, trabalhando duro, ou fazendo seus escravos trabalharem duro. Mas, ao final, após um furação devastador e um grande incêndio, resolveram devolver o presente à França. Mas as suas marcas ficaram, na arquitetura e até no simpático nome da capital da ilha, Gustavia.

Chegando à praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe

Chegando à praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe


Outra coisa que diferencia St. Barth das outras ilhas caribenhas é a pequena população de afrodescendentes. Com o fim da escravião e a ausência de plantations na ilha, faltou emprego por aqui e os negros libertos não tiveram outra chance senão imigrar para as ilhas vizinhas. O resultado é que a ilha, hoje, é a mais européia do Caribe.

Refrescando-se na praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe

Refrescando-se na praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe


Eu e a Ana alugamos logo um carro para dar a volta na ilha e conhecer suas praias. O mar é belíssimo, aquela cor de piscina que começamos a nos acostumar novamente. Como a ilha é bem pequena, não demorou muito para que déssemos a volta, subindo e descendo morros na estreita estrada que dá a volta em St. Barth. Paramos em duas das praias mais bonitas: a Grande Saline e a Anse du Gouverneur. A diferença com Anguilla é que aqui o mar é agitado, formando até ondas. Mesmo assim, a cor é azul. Impressionate!

Maravilhosa praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe

Maravilhosa praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe


'Bordeauzinho' básico na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

"Bordeauzinho" básico na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


No final da tarde, de volta à Gustavia, fomos à praia da cidade, a Shell Beach. Lá está um bar que atende pelo singelo nome de "Do Brazil" e é uma das atrações de St. Barth. No menu, tem até muqueca"! Preços exorbitantes, mas um ótimo lugar para se passar o final de um dia. Para não passar em branco, tomamos um vinhozinho básico. Nacional, claro! Aliás, isso é a única coisa barata por aqui: queijos e vinhos da melhor qualidade. Dá para fazer a festa, num supermercado. Vinhos muito bons por 4-5 euros. Uma tentação!

O famoso bar 'Do Brazil' na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

O famoso bar "Do Brazil" na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


Saímos de lá correndo para ainda pegar o pôr-do-sol no alto do farol de Gustavia. Aqui se diz que são os mais belos pores-do-sol do Caribe. E não sou eu que vou duvidar! Ainda mais depois do espetáculo que foi o de hoje.

Vista de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

Vista de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


De noite, fomos comer na Creperia. Conselho do Koy, para fugir dos altos preços da ilha. Aqui, qualquer prato simples pode custar vinte, trinta euros. Os mais refinados, então, nem se fala... Depois, fomos tomar uma cerveja num dos mais famosos bares de todo o caribe, o Le Select. Bar de marinheiro! Fez 60 anos em 2009 e por ele já passaram os mais famosos marinheiros e velejadores dessas águas. Foi muito legal! Tem aparência de bar de filme de pirata.

Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe

Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe


O esquema do carro foi tão bom que resolvemos ficar mais um dia com ele. Sem carro (ou barco) por aqui, não se faz nada. Transporte público, nem pensar. Amanhã, nos planos, tem até uma caminhada até uma praia isolada. E, no final de tarde, de volta para St. Martin. Mesmo antes de irmos embora, já estamos com saudades. Não é á tôa que esses bilionários todos vem para cá...

Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe

Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe

Saint Martin, Marigot, Saint Barth, Gustavia, Anse du Gouverneur, Grande Saline, Anse Gouverneur

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A Corajosa Statia

San Eustatius, Oranjestad_SE

Mapa de Sint Eustatius

Mapa de Sint Eustatius


Pequena em tamanho (aproximadamente a mesma área de Fernando de Noronha), mas com uma importante participação na história! Esta é Sint Eustatius, mais uma ilha vulcânica com poucas praias e de colonização majoritariamente holandesa. Digo isso porque, ao longo dos séc XVII e XVIII, a posse da ilha trocou de mãos mais de 20 vezes, deixando de ser espanhola para passar por franceses, ingleses e holandeses alternadamente. Mas os longos períodos eram mesmo holandeses e, até hoje, a ilha continua ligada à sua antiga metrópole, sob a condição de "municipalidade especial".

Descansando, duranre passeio na tranquila Oranjestad, única cidade de Sint Eustatius - Caribe

Descansando, duranre passeio na tranquila Oranjestad, única cidade de Sint Eustatius - Caribe


A paisagem da ilha é dominada por um grande vulcão dormente, o The Quill, com aquela forma cônica clássica. Fica na parte sul e tem cerca de 600 metros de altura. É possível subir até o alto e descer até a cratera, algo que devemos fazer. O norte da ilha é todo montanhoso, mas com altitudes de até 300 metros, formando belas paisagens escarpadas. Finalmente, a parte central é uma planície onde está a única cidade da ilha, Oranjestad, com seu aeroporto, hoteis, restaurantes, área rural e seus 3 mil habitantes. Assim, ao contrário de Saba, onde não há planícies e a vida acontece no alto das montanhas, aqui tudo acontece abaixo delas. Fica infinitamente mais fácil andar de um lugar para o outro.

Igreja católica (pintada apropriadamente)em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe

Igreja católica (pintada apropriadamente)em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe


Voltando à história, no séc XVIII existia um intenso comércio entre Europa (produtos manufaturados), Caribe (matéria-prima) e África (escravos), disputado entre as várias potências da época, as principais sendo Espanha, França, Inglaterra e Holanda. Os três primeiros, típica mentalidade de governos centralizados e que muito lembra os de hoje, queriam taxar tudo. Esse rico comércio, então, era taxado ao extremo. Não é à tôa que essa sanha por impostos tenha deflagrado a guerra de independência americana. Já a Holanda, com seu governo de comerciantes, muito mais "neoliberal", resolveu transformar sua pequena ilha numa área livre de impostos, "dutyfree", o primeiro paraíso fiscal do Caribe.

Vista do alto do Fort Oranje,  em Sint Eustatius - Caribe

Vista do alto do Fort Oranje, em Sint Eustatius - Caribe


O resultado é que uma parte significativa do comércio entre os dois continentes passou a ser feito via Sint Eustatius, ou carinhosamente "Statia", para a fúria dos outros governos europeus, mas a alegria dos seus respectivos comerciantes. Oranjestad era um porto movimentadíssimo e a população local e flutuante chegava às 40 mil pessoas (dez vezes mais do que hoje!)! Obviamente, num regime onde o comércio reinava e um dos poucos onde se havia tolerância religiosa, quem controlava boa parte do comécio era uma punjante comunidade judia. As ruínas da segunda mais antiga sinagoga das américas está em Oranjestad.

Homenagem ao grande feito histórico de Sint Eustatius - Caribe (o que lhe custou muito caro!)

Homenagem ao grande feito histórico de Sint Eustatius - Caribe (o que lhe custou muito caro!)


Foi esse ambiente que propiciou à Statia ter um papel decisivo na guerra de independência americana. Era aqui que os americanos vinham comprar suas armas e munições, vindas da Europa, e vender suas mercadorias, e com isso escapar do bloqueio da marinha real britânica. Fato reconhecido pelos dois lados da guerra, se não fosse pela existência de Statia, o resultado teria sido outro. Mas isso não é tudo. Ainda em 1776, poucos meses após a declaração de independência, um navio americano navegando ao largo da ilha disparou seus canhões de forma simbólica e foi retribuído pelos canhões do Fort Oranje, o guardião da ilha. Na linguagem naval, isso significava o reconhecimento por Statia do país independente, fazendo da pequena ilha o primeiro representante de um país estrangeiro (Holanda) a reconhecer a independência americana. Esse gesto trouxe a gratidão eterna dos EUA e o ódio da Inglaterra, o que custaria caro à Statia e à Holanda.

Antiga igreja holandesa que perdeu seu teto num furacão em 1792 e assim permaneceu! (em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe)

Antiga igreja holandesa que perdeu seu teto num furacão em 1792 e assim permaneceu! (em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe)


Assim, em 1781, logo após declarar guerra à Holanda, a inglattera mandou uma poderosa esquadra à ilha e tomou-a sem derramamento de sangue, já que o governador holandes percebeu que seria inútil resistir. Todas as riquezas e mercadorias da ilha foram confiscadas. Todos os comerciantes, incluindo aí 100% da população adulta masculina judia da ilha foram informados que seriam deportados em 24 horas. E assim foi. Em três ou quatros dias, toda a riqueza e boa parte da população da ilha simplesmente deixou de existir. Não muito tempo depois, os franceses, aliados dos holandeses, num ataque surpresa, retomaram a ilha e, alguns anos depois, devolveram-na aos holandeses. Mas a glória passada nunca mais foi recuperada.

Oranje Beach, uma das duas praias de Sint Eustatius - Caribe

Oranje Beach, uma das duas praias de Sint Eustatius - Caribe


Hoje, eu ainda convalescente, sem febre mas ainda cansado, e a Ana passamos boa parte do dia caminhando por Oranjestad, admirando antigos prédios, o forte, ruínas de igreja e de sinagoga, a orla da parte baixa da cidade, onde há uma "ridícula" praia quando comparada com suas congêneres nas ilhas próximas. A cidade é super pacata e simpática, assim como seus habitantes. Quase não se vê outros turistas, exceto perto dos centros de mergulho, uma das principais razões para se visitar Statia hoje em dia. Além disso, passamos um tempo caminhando entre as poucas lojas de materiais elétrico, à procura de um adaptador para conseguir ligar nossos computadores na tomada. O nosso foi esquecido em Saba, na correria e confusão da partida, a Ana tendo de tomar conta de tudo. Quando já tínhamos desistido, o que significaria três ou quatro dias sem trabalho no computador (e sem posts online!), acabamos encontrando. Ufa.....

Ruínas da segunda mais antiga sinagoga do hemisfério ocidental (em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe)

Ruínas da segunda mais antiga sinagoga do hemisfério ocidental (em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe)


Para mim, foi um bom teste, uma primeira caminhada. Se anteontem, ir até o banheiro tomar banho já era uma vitória e ontem minha maratona foi andar 400 metros com minha mochila, hoje o teste foi caminhar tranquilamente, por algumas horas, pelas ruas pacatas de Oranjestad. É claro que quem carregava o peso era a Ana! Cansei, mas passei no teste!

De resto, a febre realmente se foi. Apareceram umas pontadas no ouvido. O corpo meio duro depois de tanto tempo de cama. E o estômago reclama de tanta medicação. Conserto aqui, estrago ali. É a idade... Tem de levar na esportiva.

Para amanhã, mergulho para a Ana, caminhada para mim. Novo teste. Caminhada light, não se preocupem...

Almoçando na orla do mar do Caribe, em Oranjestad, capital e única cidade de Sint Eustatius

Almoçando na orla do mar do Caribe, em Oranjestad, capital e única cidade de Sint Eustatius

San Eustatius, Oranjestad_SE, Sint Eustatius

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Honolulu, a Capital Imperial

Hawaii, Oahu-Honolulu

Um quebra-mar forma uma piscina em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Um quebra-mar forma uma piscina em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Deixamos Kauai em direção à Oahu, nossa última parada nessa temporada havaiana dos 1000dias. Oahu é a ilha mais urbanizada do arquipélago, onde estão 70% dos cerca de um milhão e quatrocentos mil habitantes do Havaí. Boa parte deles na maior cidade da ilha e capital desde os tempos imperiais, Honolulu.

Oahu é a mais urbanizada das ilhas havaianas

Oahu é a mais urbanizada das ilhas havaianas


Pois é, o Havaí já foi uma monarquia, com rei, rainha e tudo isso. Como já relatei em outro post, foi o grande Kamehameha, em 1810, que unificou pela primeira vez o arquipélago sob uma única liderança. Estava estabelecido o “Império do Havaí”, que sobreviveu como país independente durante boa parte de um século que viu o neocolonialismo europeu ocupar a África, o sul da Ásia e boa parte das ilhas do Pacífico.

Fim de tarde em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Fim de tarde em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


O Havaí, sob a liderança de Kamehameha e seus descendentes, com uma política de alianças e acordos comerciais com as grandes potências da época, conseguiu manter-se fora desse movimento o quanto pôde. A ilhas se tornaram a mais importante base para a poderosa indústria baleeira do Pacífico, ponto de parada obrigatório dos barcos que transitavam entre América e Ásia. Ao mesmo tempo, comerciantes e missionários foram se instalando no país, ganhando cada vez mais poder econômico e influência política.

Waikiki Beach, com a cratera de Diamond Head ao fundo, em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Waikiki Beach, com a cratera de Diamond Head ao fundo, em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Aos poucos, essas novas forças econômicas conseguiram mudar a constituição do reino, possibilitando que estrangeiros se tornassem donos de terra. Com mais força econômica, os novos agentes econômicos agora ambicionavam o poder político sem intermediários. Sob grande pressão, uma nova constituição foi praticamente imposta a um novo rei, fundador de uma nova dinastia e sem a força que tinham os descendentes de Kamehameha. O rei, agora, tinha um poder quase decorativo. Quando o rei morreu, em 1891, e foi substituído por sua irmã, ela passou a fazer campanha para reformar a constituição, devolvendo ao monarca várias de suas antigas atribuições.

Descansando na sombra de um coqueiro em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Descansando na sombra de um coqueiro em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Uma das árvores gigantes e centenárias na orla de Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Uma das árvores gigantes e centenárias na orla de Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Foi o gatilho para que um movimento formado majoritariamente por homens de negócio de origem americana e europeia organizassem um golpe e depusessem de vez a monarquia. Não só isso, pediram a anexação do Havaí aos Estados Unidos. Foi a amizade da rainha deposta com o então presidente americano que conseguiu adiar esse processo, pelo menos até que um novo presidente fosse eleito nos Estados Unidos. Mckinley, aquele mesmo que deu nome à maior montanha da América do Norte, vendo a importância estratégica do país possuir aquelas ilhas a meio caminho entre o ocidente e o oriente, aceitou a anexação em 1898 e o Havaí passou a ser um território americano, com uma espécie de autogoverno liderado exatamente por aquela mesma elite econômica que havia derrubado a rainha. E foi esse o status do Havaí até o ataque japonês à Pearl Harbor, já quase na metade do século XX. Foi só com a 2ª Guerra e a importância estratégica que ganhou o arquipélago que o Havaí passou á condição de estado, o de número 50 nos Estados Unidos.

Um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Foi no aeroporto da antiga capital imperial e maior cidade do Havaí que pousamos em Oahu. Foi o único lugar do Havaí que chegamos sem reservas em hotéis. Mas com a ajuda da internet móvel e do GPS (e do nosso carro alugado, claro!), fomos diretamente para Waikiki, a praia mais famosa da cidade e encontramos um hotel a dois quarteirões do mar. Nossa primeira ideia era ficar na North Shore, perto de onde estão as maiores atrações da ilha, mas por lá as coisas estavam muito caras. Afinal, estamos em plena temporada de ondas grandes e é exatamente na costa norte que elas “batem”.

Passeio em Waikiki durante o pôr-do-sol (em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu)

Passeio em Waikiki durante o pôr-do-sol (em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu)


Honolulu e Waikiki ficam na costa sul. São dezenas de hotéis por ali e não foi difícil achar um com preço razoável. Instalados, saímos para conhecer essa praia de fama mundial, justamente durante um memorável entardecer. Andamos pelo calçadão, colocamos o pé na areia e na água, observamos o movimento, fotografamos o entardecer espetacular, sensação de estar na orla de Pitangueiras, no Guarujá.

Admirando um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Admirando um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Depois, outra vez com a ajuda da internet, descobrimos um bom restaurante ali em Waikiki e para lá fomos. Honolulu tem a fama de ter ótimos restaurantes e nós pudemos confirmar isso. Entre tantas possíveis escolhas, acabamos ficando com uma que fazia uma espécie de fusão moderna nipo-havaiana. Caro, mas muito bom! Foi nosso investimento na celebração de estarmos lá, em Honolulu, uma cidade que há cerca de dois séculos vem inspirando os sonhos tropicais de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estar lá é especial e merece ser comemorado em grande estilo!

Fim de tarde, início de noite em Waikiki, a principal praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Fim de tarde, início de noite em Waikiki, a principal praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Hawaii, Oahu-Honolulu, história, Honolulu, Oahu

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Passado e Futuro em Miraflores

Peru, Lima

Observando torre no shopping de Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru

Observando torre no shopping de Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru


Hoje tivemos mais tempo para passear por Miraflores. Esse bairro de classe média alta em Lima, cheio de hotéis e restaurantes, nos agradou muito e seria aqui que, se tivéssemos tempo e planos para isso, gostaríamos de passar um mês estudando espanhol. Nos intervalos das aulas, teríamos tempo para explorar bares e restaurantes, lojas e ateliês, esquinas e ruas charmosas que compõem esse bairro de Lima.

Deliciosa casa de sucos e sanduíches em Miraflores, em Lima - Peru

Deliciosa casa de sucos e sanduíches em Miraflores, em Lima - Peru


Se fizéssemos isso, não seria nessa época do ano, claro. Agora, o sol não aparece nunca, dias eternamente nublados, a umidade do Pacífico presa na planície litorânea, eterna garôa bem fina que faz os dias nublados de São paulo parecerem o sol do meio dia.

Deliciosa casa de sucos e sanduíches em Miraflores, em Lima - Peru

Deliciosa casa de sucos e sanduíches em Miraflores, em Lima - Peru


Nosso dia começou com uma caminhada até a Huaca Pucllana, ruínas da antiga civilização Lima. No Peru, os antigos povos e civilizações não deixaram linguagem escrita e, portanto, seus nomes originais foram perdidos. Assim, quando são (re)descobertos, ganham o nome da região ou cidade atual onde antes viviam. É o caso da civilização "Lima", cujo principal templo está em Miraflores, uma enorme pirâmide cujas ruínas ainda vem sendo escavadas e que ainda promete muito trabalho para os arqueólogos pelos próximos 30 anos.

As ruínas da Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru

As ruínas da Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru


No Peru, novas descobertas arqueológicas acontecem todos os dias. Basta uma nova obra de estrada, usina hidroelética ou grande avenida e logo aparecem antigas cerâmicas, caminhos antigos, um enorme pirâmide. Vinte e um anos atrás, quando aqui estive, arqueologicamente falando, este era um outro país. O mesmo poderá dizer, certamente, alguém que visite o Peru daqui a cinco-dez anos. A Huaca Pucllana, por exemplo, nem era aberta aos turistas em 1990. E, para quem veio ano passado, deixou de ver todo um nível que nós pudemos ver dessa vez, recentemente escavado. Incrível essa dinamicidade numa ciência que estuda, basicamente, coisas do passado. É como se o passado "evoluísse", mudasse, fosse outro.

As ruínas da Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru

As ruínas da Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru


A grande construção de tijolos de adobe é à prova de terremotos, dada a sua maleabilidade lateral e longitudinal. Tecnologia aprendida na marra! Sacrifícios humanos, embora raros, também ocorriam por aqui, como em quase todas as civilizações pré-hispânicas. Mas aqui eram só de mulheres, para incômodo da Ana, hehehe. Isso porque o Deus desse povo era mulher, a mãe-natureza. Apenas outras mulheres a apaziguariam, geralmente nas grandes secas ou cheias que ocorrem a cada 20-30 anos devido a fenòmenos como o El-Nino.

Representação de como seria a vida na Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru

Representação de como seria a vida na Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru


O guia, mais uma vez, foi um show à parte. É incrível como eles aqui são profissionais, bem informados, atenciosos e curiosos. Sentimos o mesmo na Boívia. Temos muito a aprender com eles, não só nós, turistas, mas também todo o nosso setor turístico, desde os guias até as escolas de formação turística do Brasil.

A Praça do Amor, em frente ao mar, em Lima - Peru

A Praça do Amor, em frente ao mar, em Lima - Peru


De lá seguimos nossa caminhada, atravessando Miraflores em direção ao mar. Chegamos à famosa Praça do Amor, onde uma estátua não nos deixa esquecer aonde estamos. Do alto do penhasco, o poderoso Oceano Pacífico está à nossa frente. Embaixo, surfistas corajosos enfrentam o dia ( e o trimestre) nublado e a água fria para praticar seu esporte preferido. À nossa esquerda está o famoso shopping Larcomar.

Surfistas enfrentam o mar gelado e o dia nublado em Lima - Peru

Surfistas enfrentam o mar gelado e o dia nublado em Lima - Peru


Para lá caminhamos, uma Lima que eu não conhecia, parecida com Miami ou qualquer shopping de praia moderno e futurista, lojas a céu aberto, mar em frente, cinemas modernos. Até aproveitamos para assistir a Origem do Planeta dos Macacos, falado em inglês e legendas em castelhano.

Espelho d'água no shopping Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru

Espelho d'água no shopping Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru


De noite, fomos jantar num restaurante famoso, entre Miraflores e San Isidro, bairro chique de Lima. Indicação do nosso amigo do restaurante El Paladar, de Arequipa. Aqui, fusão de comidas japonesa e peruana, um verdadeiro deleite para os olhos e estômago. Comemos um peixe preparado sob uma grossa crosta de sal. O fogo final, no sal, é feito na nossa frente. O resultado é saboroso e delicioso!

Noite no shopping Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru

Noite no shopping Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru


Amanhã deixamos Lima rumo à Huaraz já com saudades da capital peruana. A sensação é que um dia voltaremos para ficar por mais tempo, explorar seus excelentes museus, experimentar outros restaurantes, quem sabe aprender melhor o espanhol e poder explorar com mais calma os charmes de Miraflores.

Fogo na crosta de sal que cobre o nosso peixe em restaurante de comida peruano-japonesa em  Lima, capital do Peru

Fogo na crosta de sal que cobre o nosso peixe em restaurante de comida peruano-japonesa em Lima, capital do Peru

Peru, Lima,

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As Praias do Paraíso

Antígua E Barbuda, Long Bay, Half Moon Bay, Saint Johns, Montserrat, Little Bay

Half Moon Bay, uma miragem na costa sudeste de Antígua, no Caribe

Half Moon Bay, uma miragem na costa sudeste de Antígua, no Caribe


Pouco tempo para conhecer a ilha, não tínhamos tempo a perder! Saímos logo pela manhã em direção ao lado leste de Antígua onde, nos disseram, estavam as praias mais bonitas da pequena nação. Pois é, eles estavam corretos!

O estádio de Cricket de Antígua, o esporte mais popular do país

O estádio de Cricket de Antígua, o esporte mais popular do país


No caminho para lá, ainda passamos no templo sagrado do esporte predileto de Antígua, o enorme estádio de Cricket. Foi ali que, integrada na confederação de ilhas que formam a entidade conhecida como West Indies, os jogadores do país conduziram seu time à conquista da Copa do Mundo do esporte, há cerca de uma década. Ainda hoje, são heróis venerados por todo o país.


Nosso percurso de carro em Antígua. O oeste e o sul, ontem, e o norte e o leste, hoje

Nossa primeira praia do dia fica na costa nordeste de Antígua e se chama Long Bay. A cor da água é de um azul piscina impossível que, combinado com a areia clara, algo entre o branco e o rosa, forma o cenário mais idílico que se possa imaginar. Hoje foi um sábado e turistas e locais dividiam a praia, fazendo-a ficar cheia, para padrões locais, mas absolutamente vazia para padrões cariocas ou santistas.

Visitando a magnífica praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe

Visitando a magnífica praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe


Diante de visão tão paradisíaca, caiu logo por terra nosso plano de não demorarmos muito por ali. Afinal, a praia pedia... não, na verdade exigia que caminhássemos por toda a sua extensão e depois, que nos refrescássemos em suas águas. Assim fizemos e não demorou muito para a Ana fazer amigos dentro d’água, uma simpaticíssima avó que tomava conta de seu netinho e que nos contou sobre sua ilha natal, Dominica, e sobre sua nova pátria, Antígua.

Pedalando sobre a água na praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe

Pedalando sobre a água na praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe


Quase uma hora atrás da nossa schedule, deixamos o paraíso para trás e seguimos para a vizinha Devil’s Bridge, uma ponte natural cavada pela água do mar nos esqueletos milenares da antiga costa de coral. Ali não há praia, apenas a beleza do mar violento, que hoje estava em rado dia de calma. No horizonte, os infinitos tons de verde e azul e compõe o mar daquelas baías. Cenário perfeito para uma pausa para fotos e inspirações...

Fazendo um novo amigo na praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe

Fazendo um novo amigo na praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe


Seguimos agora para o sul, na costa sudeste de Antígua. O destino era a praia conhecida como Half Moon Bay. Ao contrário de Long Bay, tomada por hotéis e resorts, Half Moon está em um parque nacional e se mantém bem isolada da civilização.

Parece, mas não é piscina! É a praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe

Parece, mas não é piscina! É a praia de Long Bay, na costa nordeste de Antígua, no Caribe


A estrada chega pelo alto e a primeira visão da praia em forma de meia lua, lá embaixo, é inacreditavelmente bonita. Principalmente num dia de sol como hoje, quando as cores e tons ficam ainda mais vivos. Que coisa maravilhosa!

Caminhando sobre a bela ponte de corais de Devil's Bridge, na costa nordeste de Antígua, no Caribe

Caminhando sobre a bela ponte de corais de Devil's Bridge, na costa nordeste de Antígua, no Caribe


Atrasados que estávamos, aceleramos até lá embaixo e arriscamos uma caminhada pela praia, frequentada apenas pela comunidade mais alternativa da ilha, pela falta de estrutura no local. Quando falo em “risco”, estou me referindo apenas ao nosso tempo apertado, e não à segurança. Afinal, o paraíso não tem problemas de segurança, hehehe.

Half Moon Bay, uma miragem na costa sudeste de Antígua, no Caribe

Half Moon Bay, uma miragem na costa sudeste de Antígua, no Caribe


Quem está na praia, é para se molhar! E assim fizemos, pois seria imperdoável não tomar um banho de mar por ali. Realmente, depois dessas duas praias absolutamente espetaculares de hoje, ficamos convencidos que tomamos a decisão correta em deixar Barbuda e as fragatas para lá...

Visitando a praia de Half Moon Bay, na costa sudeste de Antígua, no Caribe

Visitando a praia de Half Moon Bay, na costa sudeste de Antígua, no Caribe


Aceleramos de volta para St John’s, encontramos o representante da empresa de aluguel de automóveis no nosso hotel (lá também estavam nossos bilhetes para o retorno de avião de Montserrat) e ele nos deu uma carona até o porto de onde sairia o ferry. Chegamos bem na hora!

A maravilhosa praia de Half Moon Bay, na costa sudeste de Antígua, no Caribe

A maravilhosa praia de Half Moon Bay, na costa sudeste de Antígua, no Caribe


Passamos pela imigração, onde tivemos de provar que tínhamos passagens para sair de Montserrat (será que parecíamos possíveis imigrantes ilegais? Para Montserrat?) e ficamos ali no porto, esperando o ferry. Clima parecido com a saída de barco para a Ilha do Mel, lá no Paraná. Aliás, o tal ferry também se parece com as barcas de lá, tudo bem simples e rústico. Realmente, ali ficou claro que estávamos indo para um destino pouco usual.

Nosso pequeno ferry para Montserrat, ainda no porto de St John´s, em Antígua

Nosso pequeno ferry para Montserrat, ainda no porto de St John´s, em Antígua


Tanto é assim que logo chamamos a atenção entre as pessoas ali sentadas. Um simpático senhor veio conversar conosco, se identificando como taxista em Antígua. Ofereceu chamar seu irmão em Montserrat para nos buscar de carro no porto de lá. Aceitamos e ouvimos a conversa ao telefone. Ele não titubeou em nos descrever ao irmão: “I´m sending you two White people”. Pois é, foi quando percebemos que éramos mesmo os únicos “white people” entre os cerca de 20 passageiros e tripulação. Estamos mesmo numa das partes mais africanas das américas. E olha que, ao lado da minha amada e loira esposa, eu nem sou tão “white” assim...

PLaca multilíngue no porto de St John´s, em Antígua. Aparentemente, o italiano é a língua mais valorizada por lá...

PLaca multilíngue no porto de St John´s, em Antígua. Aparentemente, o italiano é a língua mais valorizada por lá...


O barco saiu na hora e poucos minutos depois, já estávamos admirando de longe a cidade de St John’s. O que mais chama a atenção é mesmo a catedral anglicana. O prédio é vistoso e o interior é para ser ainda mais bonito. Mas não podemos entrar, pois está em longa reforma que só deve terminar ano que vem. A catedral é famosa pelo interior em madeira, formando quase que uma igreja dentro de outra, de pedra. Tudo para se proteger dos fortes terremotos que sacodem a ilha de século em século.

Visual de St John's, a capital de Antígua, na partida de ferry para Montserrat

Visual de St John's, a capital de Antígua, na partida de ferry para Montserrat


Quem nos explicou a história foi o simpático “Morgan Freeman” que nos recebeu por lá. Será que seu irmão gêmeo hollywoodiano é tão gente boa-praça assim?

Junto com o simpático 'Morgan Freeman' na catedral anglicana de St John's, a capital de Antígua, no Caribe

Junto com o simpático "Morgan Freeman" na catedral anglicana de St John's, a capital de Antígua, no Caribe


Já estava escuro quando pudemos avistar pela primeira vez a mitológica Montserrat. Ela ganhava ares ainda mais mágicos e misteriosos sob o forte luar. O irmão do taxista de Antígua demorou, mas acabou aparecendo no porto. Ele, claro!, logo nos reconheceu, os “white people”. Nos levou a um dos poucos restaurantes da ilha (estávamos famintos!), ao supermercado (amanhã, domingo, nada abre por aqui, ele garantiu!) e a uma pousada. Uma verdadeira mão-na-roda! Agora, instalados, alimentados e supridos, teremos 3 dias para conhecer essa ilha montanhosa que aumenta de tamanho a cada erupção, por baixo e por cima d’água. Chegamos à Montserrat!

Antígua E Barbuda, Long Bay, Half Moon Bay, Saint Johns, Montserrat, Little Bay, Praia

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Caminhando por Havana e Pela História

Cuba, Havana

Chegando à Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba

Chegando à Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba


Depois do café da manhã na deliciosa casa com pé direito alto da Margarita e de descobrirmos a dificuldade do uso da internet no país (só em grandes hotéis e na empresa estatal de comunicação), saímos dispostos a uma boa caminhada aqui em Vedado e depois, para o centro.

Visitando a Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

Visitando a Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


A primeira parada foi quase do lado de onde estamos, na Necrópolis Cristóval Colón, o maior e mais tradicional cemitério de Havana. Entre os mais de um milhão de túmulos, muitos dos quais ornados com esculturas clássicas e mausoléus, alguns nos interessavam mais. O cemitério já tem mais de 150 anos de uso, uma verdadeira cidade dentro de Havana. Logo na entrada, o imponente túmulo do General Máximo Gomez, um dos heróis da guerra de independência, no final do séc XIX. Ali perto também, o túmulo de Amélia Goyri, uma moça que morreu junto com seu bebê na hora do parto. Foram enterrados juntos e, alguns anos depois, quando o túmulo foi exumado, o bebê foi encontrado em seus braços. O marido ficou meio doido com isso, mas o fato é que ela acabou se tornando uma fonte de milagres e seu túmulo é o mais visitado pelos cubanos em busca de alguma dádiva.

Agradecimentos aos milagres de Amelia Goyri, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

Agradecimentos aos milagres de Amelia Goyri, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


Túmulo de Eduardo Chibas, o fundador do Partido Ortodoxo e onde Fidel fez seu primeiro grande discurso, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

Túmulo de Eduardo Chibas, o fundador do Partido Ortodoxo e onde Fidel fez seu primeiro grande discurso, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


Mas o túmulo que mais me interessava, curioso que sou sobre os anos que antecederam à revolução, era o de Eduardo Chibás. Ele foi o fundador do Partido Ortodoxo, onde militava um jovem e idealista advogado, Fidel Castro. Chibás fazia uma incansável campanha contra a corrupção que assolava o país, mas mesmo ele acabou perdendo suas esperanças. Num derradeiro golpe em sua cruzada, ele se suicidou ao vivo, durante um popular programa radiofônico. Seu enterro mobilizou multidões e foi sobre a sua lápide, logo após abaixarem o caixão, que o jovem advogado fez o primeiro de seus inflamados discursos que se tornariam sua marca pessoal ao longo das décadas seguintes. Estávamos em 1951 e, não tivessem sido as próximas eleições canceladas pelo golpe militar dado por Fulgêncio batista, certamente teria sido Fidel um dos mais votados deputados. Dois anos mais tarde viria o famoso e fracassado ataque ao quartel de Moncada, liderado pelo já rebelde Fidel, a prisão, o exílio no México e o retorno com mais tropas para formar a guerrilha que, após anos de luta, chegou ao poder no início de 59. Histórias que pretendo contar ao longo da estadia aqui em Cuba...

Propagandas do socialismo, muito comum nas ruas de Havana - Cuba

Propagandas do socialismo, muito comum nas ruas de Havana - Cuba


Monumento ao heroi da independência josé Martí, na Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba

Monumento ao heroi da independência josé Martí, na Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba


Bom, após prestar minhas homenagens a Chibás, deixamos a Necrópolis e seguimos caminhando até a mais emblemática praça da capital cubana, a Plaza de La Revolución. É um enorme espaço vazio para acomodar as milhares de pessoas que ali se reuniam para os grandes eventos comemorativos do sucesso da revolução cubana, que invariavelmente contavam com um dos longos discursos de Fidel, pelo menos até ele adoecer. No entorno da praça, o monumental obelisco em honra a José Martí, poeta, intelectual e herói da guerra de independência no final do séc XIX. Do outro lado, as enormes figuras de dois outros heróis, mais recentes: Che Guevara e Camilo Cienfuegos, os principais comandantes de Fidel durante a revolução e que acabaram ficando ainda mais populares que seu chefe, pelo menos entre os cubanos. Ambos mortos prematuramente, tornaram-se ícones pelo mundo e peça de propaganda constante dentro do país.

Plaza de la Revolución, com os herois Che Guevara e Camilo Cienfuegos, em Havana - Cuba

Plaza de la Revolución, com os herois Che Guevara e Camilo Cienfuegos, em Havana - Cuba


Entrada do famoso hotel Habana Libre, em Havana - Cuba

Entrada do famoso hotel Habana Libre, em Havana - Cuba


Continuamos nossa longa caminhada por Havana seguindo em direção ao centro. No caminho, alguns dos ícones dessa incrível cidade: os hotéis Habana Libre e Nacional, o incomparável Malecón e a mais incrível coleção de carros antigos ainda em atividade, digna de emocionar nossos pais e avós.

Fotos históricas da chegada dos guerrilheiros ao saguão do Hotel Habana Libre, em Havana - Cuba

Fotos históricas da chegada dos guerrilheiros ao saguão do Hotel Habana Libre, em Havana - Cuba


O famoso Hotel Nacional, em Havana - Cuba

O famoso Hotel Nacional, em Havana - Cuba


O Hotel Habana Libre era o mais novo e elegante hotel nos anos finais do regime de Batista. Com o ditador da fora do país e a revolução triunfantes, os guerrilheiros foram recebidos em festa nas ruas da cidade e se acomodaram neste hotel onde, por um bom tempo, funcionou a sede do novo governo. Nacionalizado, o hotel foi rebatizado com o nome que ainda tem hoje, reconhecido de longe pelo enorme mural que tem em sua parte exterior. Ali perto, já na beira do mar e do Malecón, está o imponente Hotel Nacional. Endereço mais chique da cidade na década de 30, passou por um longo período de decadência após a revolução, mas foi renovado recentemente. Além da vista magnífica para o mar em seus jardins, lá estão também os canhões espanhóis que lutaram contra os americanos durante a guerra hispano-americana do final do séc XIX. Tomar um morrito em seus jardins com essa vista é programa obrigatório para quem vem à Cuba!

Os famosos carros antigos de Cuba (em Havana)

Os famosos carros antigos de Cuba (em Havana)


Os incríveis carros antigos em Havana - Cuba

Os incríveis carros antigos em Havana - Cuba


Assim que os revolucionários chegaram ao poder começaram as medidas de reforma agrária e nacionalização de empresas. Os grandes afetados por essas medidas foram exatamente as empresas americanas, então donas da maior parcela de terras do país e também das empresas dos setores de energia, telecomunicação, petróleo, entre outros. As relações com os Estados Unidos se deterioraram rapidamente, onde os poderosos lobbies logo começaram a atuar para desestabilizar o novo regime. Novas exportações para Cuba foram proibidas e é por isso que, ainda hoje, boa parte dos carros que rodam pelo país ainda são os carros que rodavam naquela época. Para quem gosta de carros, andar por Cuba e principalmente pelas ruas de Havana é uma verdadeira visita ao passado, às décadas de 50 e 40. Como o país passou mais de 20 anos sem importar novos carros, os cubanos tiveram que se virar com os que já tinham, tratando de conservá-los e mantê-los andando da maneira que tinham, improvisando peças de reposição. Na década de 80, uma nova onda de carros chegou, vindos da antiga União Soviética. Assim, Fords 48 e Chevrolets 56 dividem as ruas com Ladas 81 e Nivas 85. Uma paisagem surreal! Agora, nos últimos anos, chegaram alguns carros europeus e também os chineses, que ninguém sabe o nome, mas com uma aparência moderna. O cenário nas ruas ficou ainda mais variado. Mas, uma coisa é certa: os que melhor combinam com a arquitetura do centro da cidade são as banheiras americanas de 60 anos atrás. Para a gente se achar em um antigo filme de Hollywood, só faltava ser tudo em preto e branco!

Trânsito na famosa avenida Malecón, em Havana - Cuba

Trânsito na famosa avenida Malecón, em Havana - Cuba


Observando a orla ao longo do Malecón em Havana - Cuba

Observando a orla ao longo do Malecón em Havana - Cuba


Esse cenário dos carros e prédios antigos só perde para o do Malecón, ali em frente ao Hotel Nacional. Os carros antigos ainda estão lá, mas o fundo dos prédios antigos é substituído pela orla marítima com a imponente Fortaleza de San Carlos bem ao fundo, no alto de um promontório. Também chama a atenção a torre do Capitólio, réplica do congresso americano em pleno coração de Havana. Caminhar pelo longo calçadão do Malecón é um dos programas prediletos de cubanos e estrangeiros em Havana. O espaço também é disputado por pescadores e artistas solitários, que buscam no belo e tradicional cenário inspiração para a sua arte, ao mesmo tempo que servem de motivo para fotografias. A melhor hora para essa caminhada é no final de tarde, quando a avenida está mais cheia e a luz mais bonita.

Tarde ensolarada no Malecón, em Havana - Cuba

Tarde ensolarada no Malecón, em Havana - Cuba


Inspirando-se no Malecón para fazer música (em Havana - Cuba)

Inspirando-se no Malecón para fazer música (em Havana - Cuba)


Aproveitamos esses belos momentos e, depois de tanto caminhar, nos rendemos a um táxi para chegar mais rápido ao centro, na região do Capitólio, onde não havíamos estado ontem. Nova oportunidade de caminhar pelas ruas charmosas e decadentes do centro da capital e conhecer todos os tipos de pessoas, dos simpáticos e interessantes aos chatos e exploradores. Havana é um prato cheio para fotógrafos, oportunidades para todos os lados e todos os assuntos: arquitetura, pessoas, cores, sombras, detalhes, etc... Difícil mesmo é escolher as fotos depois, entre tantas boas imagens.

Moradias no centro de Havana - Cuba

Moradias no centro de Havana - Cuba


Rua movimentada no centro de Havana - Cuba

Rua movimentada no centro de Havana - Cuba


A noite caiu e nós seguimos para a Fortaleza de San Carlos para ter a visão noturna da cidade, assistir à cerimônia do canhonaço e aprender um pouco mais de história. Aí contratamos uma amável e curiosa guia que nos levou rapidamente pela fortaleza, contando rapidamente trechos da história cubana pré-independência, as guerras de independência e todo o processo da revolução. A pressa era porque queríamos estar a postos na hora da cerimônia do tiro de canhão, ou canhonaço, uma réplica do que se fazia na época dos espanhóis, em finais do séc XVIII, quando o tiro de canhãp significava o fechamento das portas da cidade. Hoje a cerimônia é feita diariamente, com soldados vestidos a caráter (caráter de 200 anos atrás!), para a alegria dos turistas, sempre às nove da noite. Para quem vai, o bônus é a visão noturna de Havana logo ali em frente. E para quem paga um dólar a mais para ficar no “camarote” (nosso caso!), ainda ganha outro bônus: um morrito para assistir à cerimônia e ao canhonaço em grande estilo.

Chegando à Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Chegando à Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


Nossa guia na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Nossa guia na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


Essa gigantesca fortaleza, uma das maiores construídas pela Espanha no novo mundo, custou tanto aos cofres reais que o rei espanhol da época tentou vê-la com uma luneta desde Madrid. Disse que, para ter custado tanto, deveria ser muito alta! Ela ficou pronta um pouco tarde. Poucos anos antes a Inglaterra havia atacado e conquistado a cidade, onde permaneceram por vários meses. Só saíram depois de muitas negociações, o que incluiu, entre outras coisas, a barganha pelo estado americano da Flórida, que até então era espanhol. Vem daí o envolvimento histórico entre EUA e Cuba, quase sempre tão danoso ao país caribenho. Com a consolidação da independência americana duas décadas mais tarde, todo o comércio que se fazia com a Jamaica (açúcar!), então colônia britânica, foi suspenso. Foi o açúcar cubano que substituiu o jamaicano e já na primeira metade do séc XIX a cotrrente de comércio entre Cuba e EUA já era maior até que com a metrópole Espanha.

Visão noturna de Havana - Cuba, do alto da Fortaleza de San Carlos

Visão noturna de Havana - Cuba, do alto da Fortaleza de San Carlos


Guarda vestido para a cerimônia do 'canhonaço', na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Guarda vestido para a cerimônia do "canhonaço", na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


Isso explica o fato de que, quando o grande general da independência latino-americana Simón Bolívar quis liberar Cuba também, os EUA disseram que “ali não!”. Tinham outros planos para a ilha... Por duas vezes tentaram comprá-la dos espanhóis, mas a decadente ex-potência europeia se negou a fazer negócio. Bom, se não fosse por bem, seria por mal, mas isso já é uma outra história. Vem no próximo post...

Interagindo com os cidadãos de Havana - Cuba

Interagindo com os cidadãos de Havana - Cuba

Cuba, Havana,

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Do Tapajós ao Carimbó

Brasil, Pará, Alter do Chão

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA


Depois do magnífico passeio na FLONA-Santarém e da longa viagem de volta para Alter do Chão (quanto mais queremos chegar, mais as coisas parecem longe!), era chegada a hora do esperado banho de rio. Já era noite, mas isso não era empecilho! Bem em frente à nossa pousada tem uma escadaria que desce diretamente para o rio. Nos meses de verão, são uns 7 ou 8 degraus até a areia da praia, mas agora, no inverno, o rio está quase no degrau mais alto da escada. A temperatura da água beira o morno e há uma iluminação no local. Resumindo, nadar no rio é gostoso a qualquer hora, mesmo de noite. A lua nova já estava alta no céu e iluminava o rio com sua luz prateada. Visual incrível e inesquecível! Nadamos, nadamos, nadamos e, nada de fotos! Questão de prioridade, hehehe. Quando muito, posso mostrar a foto do local durante o dia...

Visão da nossa varanda pela manhã, ainda com neblina sobre o rio, em Alter do Chão - PA

Visão da nossa varanda pela manhã, ainda com neblina sobre o rio, em Alter do Chão - PA


Após o rio, o revigorante banho frio na pousada, um pouco de internet e rumo ao bar Espaço Cultural Alter do Chão. No cardápio de hoje: apresentação de Carimbó! Nossa, que sorte a nossa! Na primeira vez que passamos no Pará, estivemos em Belém e cercanias. Procuramos à todo custo algum lugar para poder ouvir e curtir essa música típica do estado, mas não demos sorte com os dias de semana. Estávamos nos lugares certos, mas na hora errada! Agora, aqui, quando menos esperávamos, eis que paramos neste bar ontem e eles nos avisaram da apresentação hoje. Coisas do destino! E, para não brincar com o destino, até mudamos nossa programação. Desistimos de dormir na FLONA (esse programa vai ficar para o dia que voltarmos à Alter, na estação seca) e voltamos para cá, para poder ir ao bar. E lá estávamos!

O bar é uma delícia, todo aberto, para ajudar a suportar o calor da região. Comemos mais um pirarucu delicioso, dessa vez temperado com leite de coco, e bebemos o famoso Guaraná Baré, típico do Pará. Aí, o show começou e mudamos para a outra bebida típica do estado, a Cerpa de garrafa grande! Afinal, estávamos totalmente no clima paraense, hehehe!

CD do Boto Tucuxi, presente do Seu Camargo

CD do Boto Tucuxi, presente do Seu Camargo


A música é muito legal e um convite a dançar. Os passos imitam, ou tentam imitar, botos tucuxis caçando peixes. As mulheres são os peixes e os homens são os botos, cercando suas presas. Muito jóia! Filmamos e isso já está na longa fila de vídeos para a Ana fazer.

Outra coisa legal no bar foram os frequentadores. Além dos poucos turistas nacionais e estrangeiros que passeiam por essas bandas nessa época, o bar estava cheio de "expatriados", brasileiros e gringos que se mudaram para Alter do Chão, de tão fãs dessa cidade e suas belezas. Nossa... cada figura! Gente de todo o Brasil! Apresentam-se dizendo seus nomes e seus estados de origem. Uma verdadeira Babilônia dentro do bar.

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA


Enfim, foi uma noite e tanto. Mas, para quem tem uma Transamazônica pela frente, não era aconselhável ficar até muito tarde. Fomos embora um pouco depois das duas, quando uma nova banda subia ao palco. Para amanhã, nossos planos de partir às sete foram adiados em duas horas. Afinal, para quê a pressa? Principalmente depois desse dia (e noite!) completo em Alter e região.

Brasil, Pará, Alter do Chão,

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