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Na Boca da Pedra

Brasil, Rio Grande Do Norte, Passa e Fica (Pedra da Boca)

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


No nosso planejamento da viagem pelo nordeste, além das óbvias atrações no litoral, sempre procuramos saber e conhecer regiões do interior, do sertão. Afinal, tínhamos uma "forte desconfiança" que o nordeste era muito mais do que um punhado de praias bonitas.

A Pedra da Boca, na fronteira do Rio Grande do Norte com Paraíba, próximo à Passa e Fica

A Pedra da Boca, na fronteira do Rio Grande do Norte com Paraíba, próximo à Passa e Fica


Lugares como a Chapada Diamantina e a Serra da Capivara já tem luz própria, até internacionalmente. Mas outros lugares, como a Serra do Catimbau e o Lajeado do Pai Mateus não são assim tão conhecidos e precisamos fazer uma certa pesquisa para chegar até eles. E assim fomos fazendo, descobrindo lugares interessantes no interior de todos os estados nordestinos. Na verdade, todos não. Faltava o Rio Grande do Norte.

Pronta para a caminhada até a boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Pronta para a caminhada até a boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Foi quando começamos a receber dicas de outros viajantes pelo caminho. Falavam de uma tal de "Passa e Fica". Eu entendia "Pacifica", procurava no mapa, e nada. Depois da terceira vez que me indicaram, decidi achar de qualquer maneira. Google, internet, mapas, até que a ficha caiu. Pronto, achei a famosa Passa e Fica, fronteira de Rio Grande do Norte e Paraíba, do lado potiguar.

Subindo a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Subindo a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


E aqui chegamos hoje. Passamos diretamente pela cidade e fomos direto ao Parque Estadual, pertinho do centro. Mas, ironia, esse "pertinho" foi o bastante para cruzarmos a fronteira. O belo Parque da Pedra da Boca fica na Paraíba, apesar de estar colado em Passa e Fica. "Paci e Ência"...

Pedra da Caveira, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Pedra da Caveira, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Lá chegando, fomos recebidos pelo Seu Tico, que vai nos guiar amanhã por uma trilha cheia de grutas e tocas, cenário incrível, dizem. Hoje, ele mandou que o filho nos levasse até a enorme boca na rocha que dá nome ao parque. A gente já vê ela bem de longe, afastando qualquer dúvida sobre o porquê do nome da pedra e do parque. Só falta um batonzinho.

Vista do caminho para a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Vista do caminho para a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Em meia hora subimos os quase 200 metros de desnível que nos separavam da boca. Ela, que parecia pequenina lá de longe, é gigantesca lá de perto. Uns 80 metros de largura, 30 m de altura e uns 20 m de profundidade. Outra formação geológica incrível da mamãe natureza. Quando achamos que já vimos de tudo, ficamos de boca caída com o tamanho da boca da pedra.

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Lá ficamos por uma boa meia hora, tirando fotos, venerando a paisagem, tentando entender aquela coisa. Até o teto do lugar lembra, adivinhem... o céu da boca! Pois bem, lá de dentro da boca ficamos admirando o parque, que tem várias outras pedras mais baixas, inclusive uma com a cara de uma caveira. Observamos também o Rio Grande do Norte, ali do lado, literalmente a "um tirinho de espingarda" de distância.

Dentro da enorme 'boca', no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Dentro da enorme "boca", no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Que belo dia foi esse, amanhecer vendo as praionas da Pipa e entardecer vendo essas pedras gigantes em Passa e Fica. Amanhã, será o contrário: vamos amanhecer com as pedras e cavernas daqui e entardecer com as praias de Natal. E assim seguimos até onde o fôlego aguentar...

Descendo da Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Descendo da Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Brasil, Rio Grande Do Norte, Passa e Fica (Pedra da Boca), alpinismo, Parque, Pedra da Boca, trilha

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De Volta ao Alaska, Terra de Ursos e Águias

Canadá, Whitehorse, Alaska, Haines

A magnífica paisagem na estrada entre Haines Junction, no Canadá e a fronteira com o Alaska

A magnífica paisagem na estrada entre Haines Junction, no Canadá e a fronteira com o Alaska


Paramos ontem no final da tarde na cidade de Haines Junction porque tínhamos marcado um encontro ali com nossos amigos viajantes colombianos. Acabamos por nos desencontrar, mas como já estava tarde, ficamos por ali mesmo, mais uma noite no Canadá. Bem, não encontramos os velhos amigos mas, em compensação, fizemos uma nova amiga hoje, pela manhã. A Karrie, uma legítima canadense da etnia Tutchone, interessada na Fiona, veio conversar conosco e a conversa rendeu uma boa meia hora de troca de informações. Nós, sobre a viagem, e ela, sobre a cultura e meio de vida local, principalmente a caça. Confesso que, ao conversar com ela, mudei um pouco meus conceitos. Ela apenas faz o que faziam seu pai, seu avô e uma centena de gerações anteriores. Caçam e aproveitam tudo o que é possível do animal, carne, ossos, pele, chifres, etc... Ela disse que é tudo para consumo próprio e de amigos. Comercializar carne de caça no Canadá é proibido. Um alce grande, com cerca de uma tonelada, chega a durar um ano entre geladeira e churrascos. A única crítica que faço é que o pai e o avô não caçavam com rifles modernos, que tem até mira telescópica. O animal não tem chance alguma contra essa tecnologia moderna. Além disso, com o uso dos veículos, eles chegam rapidamente a pontos onde antes era preciso uma semana de caminhadas para ir e voltar.

Nossa simpática amiga Karrie, da etnia Tutchone, em Haines Junction, no Yukon - Canadá

Nossa simpática amiga Karrie, da etnia Tutchone, em Haines Junction, no Yukon - Canadá


Enfim, se pensarmos bem, as vacas e galinhas que comemos também não tem nenhuma chance nos matadouros. São criadas para isso, certo. Mas também os alces e cervos daqui estão em reservas de caça onde, pelo menos em teoria, a população é “administrada” para ficar em equilíbrio e não correr o risco de extinção. É, eu nunca mataria ou sairia numa excursão de caça. Aliás, também não mataria uma vaca ou galinha num matadouro. Mas não tenho o menor pudor em me deliciar num churrasco. Aliás, muito pelo contrário... Acho pior mesmo aqueles que viajam para África ou Índia para dar uns tiros em leões, tigres ou elefantes e levar um tapete de troféu para casa. Isso sim, é o fim!

A magnífica paisagem na estrada entre Haines Junction, no Canadá e a fronteira com o Alaska

A magnífica paisagem na estrada entre Haines Junction, no Canadá e a fronteira com o Alaska


Bem, seguimos então para o Alaska numa estrada que atravessa paisagens belíssimas! Foi construída pelos americanos na 2ª Guerra mundial, pois tinham medo que os japoneses invadissem Haines. Então, a cidade passou a ser a única além de Skagway, no sudeste do Alaska, a ter acesso rodoviário. A diferença entre elas é que em Skagway chegam cruzeiros o tempo todo e a cidade já é construída para esse tipo de turismo, enquanto Haines retém ainda aquele charme de uma vila autêntica. Por ali, chega apenas um cruzeiro por semana, na temporada.

A magnífica paisagem na estrada entre Haines Junction, no Canadá e a fronteira com o Alaska

A magnífica paisagem na estrada entre Haines Junction, no Canadá e a fronteira com o Alaska


Pouco mais de uma hora e chegamos à fronteira. É a terceira vez que deixamos o Canadá e a décima-segunda que entramos nos EUA nesses 1000dias. Os caras da fronteira americana nem aguentam mais nos ver, hehehe. “Ihhh, lá vem aqueles malucos outra vez!”. Das 12 vezes, 5 foram com a Fiona, duas delas naquele folclórico dia que chegamos do México. Uma vez foi a pé, lá em Tijuana, naquele mesmo dia, e outras 6 de avião, duas das quais apenas em escala de voos, mas que temos de passar pela aduana do mesmo jeito. Justiça seja feita, sempre nos trataram muito bem e de forma bastante eficiente.

Nosso primeiro encontro com as majestosas 'Bald Eagles', em rio próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Nosso primeiro encontro com as majestosas "Bald Eagles", em rio próximo à Haines, no sudeste do Alaska


Outra vez no Alaska e logo nos deparamos com o animal-símbolo da nação americana, a Bald Eagle, aquela águia linda com o corpo negro, mas a cabeça e calda brancas. Essa área e nesta época do ano é o melhor lugar para se avistar esse formoso animal. Eu não tinha ideia de quão bonita ela é, absolutamente majestosa ao voar e ao cantar. São dezenas delas, sempre na beira do rio, aproveitando-se dos salmões que estão subindo o curso d’água em que nasceram. Apesar de termos visto algumas bem de perto, estávamos desprevenidos e sem a máquina fotográfica. Quando a pegamos, já não tivemos tão boas chances. Enfim, ficamos maravilhados com essa ave, mas as melhores fotos vão ter de esperar. Teremos mais dois dias por aqui e tenho certeza que teremos mais uma chance!

Nosso primeiro encontro com as majestosas 'Bald Eagles', em rio próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Nosso primeiro encontro com as majestosas "Bald Eagles", em rio próximo à Haines, no sudeste do Alaska


Chegamos à Haines e fomos diretamente a um restaurante em frente ao fiorde, uma vista grandiosa. O tempo estava meio chuvoso, e promete continuar assim pelos próximos dias. Mesmo assim, a visão é linda, o fiorde cercado por florestas verdes e montanhas nevadas. No restaurante, a especialidade é o salmão. Aproveitamos para aprender sobre todas as variedades do peixe, cada uma com o seu tempo certo de subir o rio. A temporada, então, dura vários meses, enquanto os peixes vão mudando. Quem faz a festa são os pescadores, as águias e, claro, os ursos!

Cartaz informativo sobre as diferentes espécies de salmão que frequenatm a área de Haines, no sudeste do Alaska

Cartaz informativo sobre as diferentes espécies de salmão que frequenatm a área de Haines, no sudeste do Alaska


Pois é, queríamos saber dos ursos! Logo nos explicaram que o local certo para encontrá-los era no lago Chilkat, a 12 milhas da cidade. Um pequeno canal liga o lago ao fiorde e por aí passam centenas de salmões. Todo fim de tarde, os ursos se reúnem por ali para banquetear. Enquanto não chegam, são os pescadores, com a técnica do fly fishing, é que ocupam o espaço.

A pequena e simpática Haines, no sudeste do Alaska

A pequena e simpática Haines, no sudeste do Alaska


Bom, já sabendo o mapa do tesouro, corremos para lá. Lugar maravilhoso, paisagem incrível! Mas chegamos cedo demais. Após umas duas voltas pelo local, voltamos para o centro para achar um hotel e nos instalar. Retornamos no fim da tarde, mas aí já estava escuro demais para fotos. Quer dizer, escuro demais para fotografias claras, mas não para fotografias escuras, hehehe!

Cão enfrenta as águas geladas de praia no fiorde de Haines, no sudeste do Alaska

Cão enfrenta as águas geladas de praia no fiorde de Haines, no sudeste do Alaska


Pescadores tentam o seu salmão antes do horário dos ursos, no lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Pescadores tentam o seu salmão antes do horário dos ursos, no lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska


O que importa mesmo é que os ursos estavam por lá! Vários! Grizzlies gordinhos, prontos para a longa soneca de inverno. Vimos muitos do outro lado do rio e a Ana fez milagre para fotografá-los. Depois, apareceu um enorme cruzando a estrada bem a nossa frente. Finalmente, um urso adolescente se refestelando num salmão na nossa margem do rio. Mas foi ficando cada vez mais escuro e mais difícil fotografar. Pior, escuro assim, nem tínhamos mais coragem de ficar do lado de fora da Fiona, principalmente do lado daquele bosque escuro onde eles vivem. Pescadores nos disseram que nunca houve um incidente por aqui, os ursos estão interessados demais nos salmões para se preocuparem conosco. Ok, tudo bem, mas quero pelo menos poder ver se eles estão ali por perto, hehehe!

Ursos começam a aparecer do outro lado do rio Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Ursos começam a aparecer do outro lado do rio Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska


Um enorme urso atravessa a estrada do lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Um enorme urso atravessa a estrada do lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska


Assim, voltamos para casa felizes de tê-los visto tão de perto, mas mais ainda por já saber onde encontrá-los. Com certeza, será nosso programa predileto nos próximos dois dias, enquanto esperamos pela partida do nosso ferry na tarde do dia 25.

Ursos pescam salmão no início da noite no lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Ursos pescam salmão no início da noite no lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Canadá, Whitehorse, Alaska, Haines, Bichos, Haines Junction, Yukon

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Serra dos Órgãos - 2a Parte

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos

No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Depois de umas três horas curtindo a região do Castelo do Açu, o camping e o refúgio já vazios, era a nossa hora de partir. O dia estava lindo e tínhamos muitas horas de caminhada pela frente. Esse segundo dia da travessia da Serra dos Órgãos é o mais belo de todos, mas muito duro também.

Foto aérea do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro e da trilha que atravessa o parque

Foto aérea do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro e da trilha que atravessa o parque


No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A distância a ser percorrida não é longa, por volta dos sete quilômetros do Castelo do Açu até o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino. A variação de altitude entre o ponto inicial e o final também parece favorável, pois saímos dos 2,200 metros do Castelo e chegamos aos quase 2.100 metros do Refúgio 4. Mas esses números são totalmente enganosos.

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Quadro de distâncias entre os  principais pontos de referência na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, entre Petrópolis e Teresópolis. O percurso total é de quase 30 Km

Quadro de distâncias entre os principais pontos de referência na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, entre Petrópolis e Teresópolis. O percurso total é de quase 30 Km


O problema está no meio do caminho, no que acontece entre o Açu e a Pedra do Sino. A Serra dos Órgãos não tem um platô no seu topo. A caminhada se alterna entre vales e montanhas e por quatro vezes descemos quase até os 2 mil metros para, logo depois, voltarmos a subir até os 2.200 metros. Com isso, se somarmos todas essas subidas, esses 7 quilômetros escondem uma ascensão quase tão grande como aquela do 1o dia, seja para quem partiu de Petrópolis, seja para que começou sua caminhada em Teresópolis.

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Além disso, como estamos em grandes altitudes, praticamente não há árvores e caminhamos sempre com o sol a pino. A exceção são os fundos de vales que passamos, como o Vale da Luva ou o Vale das Antas, onde pequenas matas florescem ao longo de nascentes e riachos.

Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Pode ser duro, mas é absolutamente lindo, desde que o tempo esteja aberto. Nesse caso, a visão é sempre ampla, a Baixada Fluminense e a Baía da Guanabara à nossa direita (para quem segue em direção a Teresópolis), e as montanhas mais famosas e fotogênicas do parque à nossa frente, como a Pedra do Sino e o Morro do Garrafão, sempre a nos guiar a direção.

Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Já quando o tempo está fechado e a neblina toma conta da paisagem, algo muito normal de ocorrer por aqui, a história é outra. Como boa parte da trilha é feita sobre rocha, o caminho não fica marcado no chão. São colocadas algumas setas de orientação, assim como totens de pedra sobre rochas mais altas. Mesmo assim, é incrivelmente fácil sair do caminho correto. Sem a visão mais ampla da paisagem para nos orientar, no caso de neblina, as chances de se perder no caminho são enormes, mesmo para aqueles que já fizeram a trilha algumas vezes. O segredo está em reconhecer logo o erro e voltar até a última seta ou tóten. Se insistirmos no erro achando que vamos voltar ao caminho correto, as chances de darmos em algum penhasco ou beco sem saída são enormes! Foi nesse trecho que meu grupo se perdeu quando estivemos aqui há uns 12 anos, mas o tempo estava aberto e conseguimos ver a trilha um pouco mais adiante. Mas se estivesse nublado, estaríamos em maus lençóis!

No alto do Morro da Luva, seguindo em direção a Cachoeirinha, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No alto do Morro da Luva, seguindo em direção a Cachoeirinha, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Vegetação muito comum nos campos de altitude, a mais de 2 mil metros de altura, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Vegetação muito comum nos campos de altitude, a mais de 2 mil metros de altura, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Enfim, hoje o céu estava claro e o sol brilhava radiante. Ao longe, víamos outros grupos que haviam partido antes de nós. Estavam um vale e uma montanha à nossa frente, mas eram uma boa referência. Mais tarde, também começamos a cruzar com grupos que faziam o sentido contrário. Mas não eram muitos não, já que estamos numa sexta-feira de Agosto. Amanhã sim, o movimento deve ser maior.

Indicação da trilha no alto do Morro da Luva, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Indicação da trilha no alto do Morro da Luva, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


O Castelo do Açu, de onde partimos duas horas antes, visto do alto do Morro da Luva, no 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O Castelo do Açu, de onde partimos duas horas antes, visto do alto do Morro da Luva, no 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Saindo do Castelo do Açu, são quase 30 minutos até o Morro do Marco. Ele é facilmente reconhecido pela enorme pirâmide de pedras no seu topo, o tal do “marco”. que dá nome ao lugar. Depois, são outros 30 minutos, agora de descida, até o fundo do Vale da Luva. É um local encantador, coberto por uma mata nebular. Há uma nascente e um pequeno riacho onde podemos matar a cede e até nos refrescar um pouco. Mas a maior beleza é a flora do local, com diversas espécies de orquídeas endêmicas. Para quem pensa em fazer a travessia do parque em apenas dois dias e uma noite, aqui é o melhor lugar para se acampar.

No alto do Morro da Luva, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No alto do Morro da Luva, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Novamente a lua nos acompanhou no final de tarde em mais um dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Novamente a lua nos acompanhou no final de tarde em mais um dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Depois do refresco, subida novamente. São mais 30 minutos até o topo do Morro da Luva, onde a vista fica grandiosa novamente. Lá na frente, a Pedra do Sino, e já bem atrás de nós, o Castelo do Açu. É aqui um dos locais onde a trilha se perde num labirinto de rochas e vegetação rala e rasteira. Temos de ficar de olho nas indicações. O problema é que muitos tótens foram montados um pouco fora da trajetória e isso acaba por nos confundir. Quando descemos do lado de lá, temos de atravessar um pequeno riacho. Eu atravessei ele logo e não consegui achar o caminho do lado de lá. Tentamos, olhamos, vasculhamos e nada. Até que seguimos a opinião da Ana e voltamos ao riacho. Ao invés de atravessá-lo, o correto era seguir pelo seu leito por algum tempo. Finalmente, as indicações voltaram a aparecer e ficamos seguros que tínhamos voltado ao caminho correto. Um pouco mais adiante e mais abaixo, chegamos à Cachoeirinha, outro ponto de referência importante na rota.

O Garrafão e a região conhecida como Portais de Hercules, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O Garrafão e a região conhecida como Portais de Hercules, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Nuvens vêm subindo o vale e já chegam ao Garrafão, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. A diferença de tempo entre uma foto e outra é de uma hora

Nuvens vêm subindo o vale e já chegam ao Garrafão, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. A diferença de tempo entre uma foto e outra é de uma hora


Aí nos refrescamos novamente e aproveitamos para lanchar. Bem à nossa frente, subindo o vale do lado de lá, mais um ponto importantíssimo da rota: o “Elevador”. Esse é o nome que se dá a um trecho que é vencido com a ajuda de uma escada formada por grampos de ferro fincados na rocha com dezenas de metros de altura. Não estamos subindo propriamente uma parede, mas a inclinação gira em torno de 70 graus e sem os degraus, a tarefa seria muito mais difícil, senão impossível, pelo menos para quem não tem cordas, como é o nosso caso. Mesmo com os degraus, o peso da mochila nas costas se prova um desafio nessa parte. mas, com calma e paciência, vamos vencendo os degraus e chegando a uma rampa rochosa que nos levará ao topo de mais uma montanha, o Morro do Dinossauro, um dos pontos mais elevados da travessia. Tão elevado que é daí que temos a melhor visão do Garrafão e da Pedra do Sino. O Castelo do Açu já está pequenino lá atrás!

A pequena Cachoeirinha, em mais um dos vales que temos de atravessar nesse 2o dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

A pequena Cachoeirinha, em mais um dos vales que temos de atravessar nesse 2o dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Lanchando aos pés da Cachoeirinha, no caminho entre o Castelo do Açu e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Lanchando aos pés da Cachoeirinha, no caminho entre o Castelo do Açu e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Descendo o Dinossauro, chegamos ao Vale das Antas. Ele é ainda mais verde que o Vale da Luva, também cheio de orquídeas. Aí está a nascente do rio Soberbo. Também é um local muito agradável para se descansar e refrescar, mas o camping é proibido pela fragilidade do ecossistema presente. Esse é o ponto mais baixo da caminhada de hoje, o único lugar que ficamos abaixo dos 2 mil metros de altitude.

Nossa primeira visão do chamado 'Elevador', um dos trechos mais íngrimes na trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.

Nossa primeira visão do chamado "Elevador", um dos trechos mais íngrimes na trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.


Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Subindo o vale do lado de lá, chegamos ao Dorso da Baleia. A Pedra do Sino e sua enormes paredes de rocha estão bem a frente de nós, numa visão de estarrecer. Já tínhamos iniciando nossa caminhada há seis horas e chegávamos ao final de tarde. A partir das duas da tarde, observamos uma formação de nuvens subir pelo vale e chegar ás montanhas. Começávamos a temer que o tempo ficaria encoberto, mas pelo menos até agora, as nuvens se mantinham abaixo de nós, mais ou menos na altura do Dedo de Deus, aos 1.600 metros.

Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Caminhando no Morro do Dinossauro, cada vez mais próximos do Garrafão e da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Caminhando no Morro do Dinossauro, cada vez mais próximos do Garrafão e da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Antes de descermos a grota que separa o Dorso da Baleia da Pedra do Sino, mostrei para a Ana a nossa rota adiante, que segue por uma aresta lateral da gigantesca montanha de pedra à nossa frente. Dali de longe era difícil crer que havia uma trilha naquela passagem tão estreita e espremida entre a parede de pedra e o penhasco aos eu lado. Mas era ali mesmo que passaríamos.

Mais um momento de descanso, lado no Morro do Dinossauro e admirando o trecho da trilha que tínhamos acabado de fazer, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Mais um momento de descanso, lado no Morro do Dinossauro e admirando o trecho da trilha que tínhamos acabado de fazer, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


No alto do Morro do Dinossauro e de frente ao Vale das Antas, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No alto do Morro do Dinossauro e de frente ao Vale das Antas, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Quando passamos pela grota e chegamos à aresta, ela não parece assim, tão amedrontadora. É estreita sim, mas a vegetação ao nosso lado nos impede de ver o penhasco que está ali, a menos de um metro de distância. Vamos subindo e escalaminhando através da aresta, dando a volta na montanha, até que aparece à nosa frente o a passagem mais temida da Travessia da serra dos Órgãos: o “cavalinho”.

Mapa topográfico da trilha no nosso 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, do Castelo do Açu à Pedra do Sino. Nesse tipo de mapa, linhas próximas significam terreno mais íngrime

Mapa topográfico da trilha no nosso 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, do Castelo do Açu à Pedra do Sino. Nesse tipo de mapa, linhas próximas significam terreno mais íngrime


Sobre o Dorso da Baleia, já podemos ver a aresta (marcada em amarelo) por onde vamos subir a Pedra do Sino, parte final do 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Sobre o Dorso da Baleia, já podemos ver a aresta (marcada em amarelo) por onde vamos subir a Pedra do Sino, parte final do 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Esse é o nome que se dá para uma pedra que interrompe a aresta e o nosso caminho. Eles continuam do lado de lá e temos de passar por cima da tal pedra. Será que foi ela que inspirou Tom Jobim e Vinícius de Moraes? O problema maior é que as agarras para se montar na pedra estão do lado do abismo, e não do lado da parede. Assim, quando tentamos subir nela, fica explícito, salta os nossos olhos, o tamanho do desfiladeiro ao nosso lado. Pode ser psicológico, mas um escorregão e um pouco de azar combinados seriam morte certa. Por isso, o recomendável é que se tenha uma corda de segurança por aqui. Passa primeiro alguém com mais experiência, fixa a corda e auxilia os que vem de trás.

Já na aresta da Pedra do Sino, podemos ver a 'Pedra do Cavalinho' (marcada em amarelo na foto), ao lado de um precipício e obstáculo mais perigoso ao longo da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Já na aresta da Pedra do Sino, podemos ver a 'Pedra do Cavalinho" (marcada em amarelo na foto), ao lado de um precipício e obstáculo mais perigoso ao longo da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A difícil transposição da Pedra do Cavalinho, na aresta da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Aqui, feita com a sempre recomendada ajuda de cordas, equipamento que nós não tínhamos (foto da Internet)

A difícil transposição da Pedra do Cavalinho, na aresta da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Aqui, feita com a sempre recomendada ajuda de cordas, equipamento que nós não tínhamos (foto da Internet)


Não era o nosso caso, pois como já disse, não tínhamos corda. Então, tirei minha mochila e passei primeiro. Já na segurança do lado de lá, peguei as mochilas que a Ana passou para mim. Depois, com toda calma e cuidado, ajudei a minha esposa, os meus braços fazendo as vezes da corda de segurança. Assim, ela passou para o lado de cá e nosso último grande desafio dessa travessia ficava para trás! Daqui em diante, era só continuar a seguir a aresta, que acaba se tornando uma trilha normal, até a bifurcação entre o caminho que leva ao cume da Pedra do Sino e àquele que leva ao Abrigo 4.

Mapa do nosso 2o dia na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, trecho entre o Castelo do Açu e o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino

Mapa do nosso 2o dia na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, trecho entre o Castelo do Açu e o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino


O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino

O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino


Nós chegamos aí cansados e bem nos últimos momentos de luz do sol. Titubeamos um pouco e acabamos por decidir ver o entardecer dali mesmo. Subiríamos a Pedra do Sino na manhã seguinte, pois o Abrigo 4 é bem próximo desse ponto e ainda tínhamos de montar nossa barraca. Trocamos o Pôr-do-sol lá no cume pelo nascer-do-sol no dia seguinte. Pelo menos na hora, foi o que nos pareceu mais sensato...

O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino

O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos, Parque, Teresópolis, trilha

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Guadeloupe

Guadalupe, Grande Anse, Parc National de Guadeloupe, Pointe-à-Pitre

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Tecnicamente, voltamos à Europa (e portanto, deixamos A América!). Tudo aqui, dentro do Caribe, com um voo de 20 minutos. Saímos de Antígua e chegamos à Guadalupe (em francês: “Guadeloupe”). A primeira, uma ex-colônia inglesa, hoje país independente dentro da comunidade do Commonwealth (o que significa que a Rainha ainda é a Chefe de Estado da ilha). A segunda, uma ex-colônia francesa, já há bastante tempo transformada em “departamento” (o equivalente ao que chamamos de “estado”, no Brasil, ou de “província”, na Argentina). Ou seja, Guadalupe, juridicamente, é um estado francês, como qualquer outro lá na Europa, como a Bretanha, a Alsácia ou qualquer outro. Elege seus deputados e senador, vota para presidente.

Chegamos na França! (no aeroporto internacional de Guadalupe, no Caribe)

Chegamos na França! (no aeroporto internacional de Guadalupe, no Caribe)


Essa diferença é fruto das distintas políticas de emancipação de suas ex-colônias das duas grandes potências colonialistas de outrora. A Inglaterra, quando percebia que o negócio começava a esquentar em alguma colônia, corria lá e “concedia” a independência, mas tentando manter o país em sua comunidade (a tal Commonwealth), o que lhe trazia vantagens comerciais. Já a França, dizia a sua colônia: ”Mas vocês não são colônia, vocês são a própria França!”. Essa tática funcionou bem aqui no Caribe e América do Sul. Hoje, além de Guadalupe, temos Martinica e Guiana Francesa como departamentos franceses na região. A Europa em plena América. Mas, em alguns lugares, essa mudança de nome não funcionou bem não, e acabou gerando sangrentas guerras de libertação. O melhor exemplo é o caso da Argélia.

Parece a Serra da Mantiqueira, mas é a Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Parece a Serra da Mantiqueira, mas é a Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


A gente sente essa mudança de continente logo que chegamos à ilha. Foi muito similar ao que sentimos quando entramos na Guiana Francesa. Lá, saímos da doce bagunça do Amapá para entrarmos numa “Amazônia arrumadinha”. Aqui, saímos da bagunça caribenha de Antígua para entrar no “Caribe arrumadinho” de Guadalupe, com organização europeia. Percebemos isso no aeroporto, no porte das estradas, no padrão de sinalização e por aí vai.

Mata tropical no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Mata tropical no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Outra mudança que logo percebemos, essa mais pelos ouvidos do que pelos olhos, é a língua. E não falo apenas da mudança do inglês para o francês. É a atitude, mesmo. Nos países de língua espanhola, obviamente falávamos seu idioma. Mas se quiséssemos, poderíamos nos virar no inglês mesmo. Nos países de língua holandesa, então, era só inglês! Mas aqui, que nada! É raro encontrar alguém que faça o mínimo esforço em falar inglês. É até mais fácil falar espanhol, pois se encontram muitos imigrantes de países de fala espanhola. Então, o negócio foi desenferrujar meu francês mesmo, Algumas vezes, muito divertido, outras, bastante aflitivo, pela falta de vocabulário. A Ana até se impressionou com a velocidade que falo. Mas eu sei muito bem o tanto que “não estou falando”! Para complicar, a não ser que eu peça expressamente, meus interlocutores falam rapidamente, como seu eu fosse francês nativo. A técnica é pescar palavras-chave e, com muita agilidade, deduzir o significado e sentido do que dizem...

Delicioso banho de cachoeira na Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Delicioso banho de cachoeira na Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Nós chegamos cedinho no aeroporto, vindos de Antígua, e passamos acelerados pela alfândega, uma olhadinha rápida nos passaportes e aquele carimbo mágico que nos dá o direito de entrar no país. Acho que foi a fronteira mais expedita que já passamos! Um pouco depois já estávamos de carro alugado dirigindo pelas autoestradas da ilha. Pois é, nossa primeira autoestrada numa dessas pequenas ilhas caribenhas, chique demais!


Nosso roteiro planejado para os 4 dias em Guadalupe

No próximo post vou falar um pouco da geografia interessante da ilha, mas Guadalupe tem o formato de uma borboleta de asas abertas. A capital, Ponte-à-Pitre e o aeroporto ficam quase no centro, no “encontro das asas”. Nós seguimos diretamente para a “asa” oeste, chamada de “Basse Terre”. “Basse” só no nome, pois é aí que estão as montanhas de Guadalupe. Além de montanhas, muita mata tropical, rios, cachoeiras e praias mais selvagens.

Refrescando-se na cachoeira de Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Refrescando-se na cachoeira de Cascade aux Ecrevisse, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Para proteger toda essa natureza, foi criado um parque, o “Parc National de la Guadeloupe”. Uma estrada corta o parque em dois, a “Route de La Traversée”, e foi por ela que seguimos, nosso primeiro contato com a natureza exuberante dessa parte da ilha. Seguindo no sentido leste-oeste, logo chegamos à bela cachoeira conhecida como “Cascade aux Ecrevisses”, um convite irrecusável para um banho refrescante. Foi a primeira das muitas cachoeiras que devemos encontrar nessas ilhas daqui para o sul, até Santa Lucia, cada vez mais “tropicais”!

Chegando ao mar do Caribe logo após atravessar o Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Chegando ao mar do Caribe logo após atravessar o Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Seguindo adiante, muita mata, alguma chuva e mirantes prejudicados pela presença de neblina. Não demorou muito e estávamos já na costa oeste de Basse Terre, nosso primeiro contato de verdade com o litoral franco-caribenho. Começamos seguindo para o sul, até uma região transformada em parque em homenagem ao lendário documentarista Jacques Costeau. O velho lobo do mar uma vez afirmou que ali era um dos melhores pontos de mergulho do mundo! E olha que ele mergulhou por todos os sete mares e oceanos da Terra!

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Cara de Bahia, mas é a praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Mesmo apesar dessa afirmação um tanto patriótica, estávamos mais para praia do que para mergulho e resolvemos seguir para o norte, até Grande Anse, considerada por muitos a mais bela praia de Guadalupe.

As águas tranquilas e calmas da praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

As águas tranquilas e calmas da praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Bom, não sabemos se é a mais bela, mas que é linda, isso é! Ela nos lembrou muito as praias de Ubatuba, com o mata chegando até a praia de areias grossas e amareladas, inclinada para entrar no mar. Mas duas coisas davam um toque “especial”. Primeiro, a presença de muitos coqueiro, conferindo um certo “ar baiano”. E a segunda, a incrível transparência da água. Mas, ao invés do tradicional azul caribenho, a cor era verde mesmo, como no litoral norte de São Paulo e região de Paraty.

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!


Nessa época do ano, está bem tranquila, quase sem turistas. Resolvemos ficar por ali mesmo, acomodados numa das muitas sombras da praia, antes de encontrar algum hotel para nós. Foi só no fim de tarde que fizemos o esforço supremo de sair da praia para achar um hotel. Hotel não, que isso é coisa rara por aqui. Fomos a um “gite”, a maneira mais comum de hospedagem no mundo francês. São pequenos chalés que são alugados quase sempre por semana. Tem cozinha completa, mas sem serviços de hotel, como limpeza ou café da manhã. Muitos deles não aceitam hóspedes para ficar pouco tempo. Querem, no mínimo, três ou quatro dias. Mas, nessa época de baixa temporada, feles ficam mais “maleáveis”.

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!

Praia de Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe. Uma mistura de Bahia com litoral norte de São Paulo. Uma beleza!


Enfim, encontramos um gite bem simpático para nós e fomos ao mercado comprar suprimentos. Por “suprimentos”, leia-se “queijos, vinho e pães”! Assim, de noite, pudemos celebrar em grande estilo, com vinho e queijos nacionais, nossa chegada à Europa, à França e à exuberante Guadalupe!

Lanche de queijos e vinho, enquanto trabalhamos um pouco em Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Lanche de queijos e vinho, enquanto trabalhamos um pouco em Grande Anse, em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Guadalupe, Grande Anse, Parc National de Guadeloupe, Pointe-à-Pitre, cachoeira, Parque, Praia, trilha

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Despedida da Querida Ilha do Mel

Brasil, Paraná, Ilha do Mel

O farol visto do alto do Morro do Sabão, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

O farol visto do alto do Morro do Sabão, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Resolvemos passar nossos últimos dias da expedição ao redor das Américas na nossa querida Ilha do Mel. Nada mais justo! Afinal, foi aí que eu e a Ana demos nosso primeiro beijo, foi aí que casamos numa linda cerimônia na praia e foi aí também que começamos nossos 1000dias (post aqui). Então, o que havia começado com chave de ouro, deveria terminar também com chave de ouro.

A Ilha do Mel fica na entrada da Baía de Paranaguá, no litoral do Paraná. a menos de 100 km da capital Curitiba. Para chegar até lá, só de barco, a partir de Pontal do Sul ou de Paranaguá

A Ilha do Mel fica na entrada da Baía de Paranaguá, no litoral do Paraná. a menos de 100 km da capital Curitiba. Para chegar até lá, só de barco, a partir de Pontal do Sul ou de Paranaguá


Mapa da parte sul da Ilha do Mel, com suas praias e vilas. Nós ficamos próximos ao Farol e fomos caminhando pelas praias até Encantadas

Mapa da parte sul da Ilha do Mel, com suas praias e vilas. Nós ficamos próximos ao Farol e fomos caminhando pelas praias até Encantadas


Havíamos estado uma outra vez por aqui também, durante os 1000dias. Foi no casamento da Laura e do Rafa, nossos padrinhos de casamento e que também nos convidaram para ser seus padrinhos (post aqui). Enfim, dizem que figurinha repetida não preenche álbum. Mas, no álbum dos 1000dias, a Ilha do Mel é ó único lugar que tem vários espaços para se colar a mesma figura. Estamos preenchendo o último espaço agora, hehehe.

Embarcando para a Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Embarcando para a Ilha do Mel, no litoral do Paraná


A tradicional cerveja na barca para a Ilha do Mel, no litoral do Paraná

A tradicional cerveja na barca para a Ilha do Mel, no litoral do Paraná


É claro que já estivemos na Ilha dezenas de vezes e praticamente não há nada de novo para conhecermos. Mas aquilo que conhecemos já nos satisfaz bastante e é por isso que sempre retornamos. Repetimos um passeio ou outro, mas na maioria das vezes, ficamos a toa mesmo. Revemos amigos, vamos às praias, subimos no farol, comemos no restaurante que adoramos. Vida boa, despretensiosa, despreocupada.

A caminho do nosso lugar preferido no universo, a Ilha do Mel, no litoral do Paraná

A caminho do nosso lugar preferido no universo, a Ilha do Mel, no litoral do Paraná


A caminho da Ilha do Mel, no litoral do Paraná, local onde começamos e terminaremos os 1000dias

A caminho da Ilha do Mel, no litoral do Paraná, local onde começamos e terminaremos os 1000dias


Pois bem, depois do passeio pelas ruas de Antonina, pegamos estrada e vencemos em pressa os 80 km até Pontal do Sul. Daí saem a maioria dos barcos em direção à Ilha do Mel. A outra opção seria por Paranaguá, mas são menos barcos diários e a travessia dura o dobro do tempo. Chegando ao terminal, estacionamos a Fiona (carros não chegam á Ilha!) e compramos as passagens para “Nova Brasília”, uma das vilas na Ilha. Outros barcos partem para a vila de Encantadas que, inegavelmente, tem um apelo sonoro dezenas de vezes melhor do que Nova Brasília. Acho que é a escolha que faz a maioria dos turistas que ainda não conhece a Ilha, não tem indicações e aqui tem de se decidir. Mas para a grande maioria das pessoas que já conhece a Ilha do Mel, a escolha fica mesmo com Nova Brasília.

Alegria ao voltar para nossa querida Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Alegria ao voltar para nossa querida Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Dia de muito sol na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Dia de muito sol na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Entrando na balsa, trato de cumprir a tradição que venho mantendo desde que comecei a frequentar esse pedaço de paraíso: abro uma cerveja! É como um grito de liberdade. Temos de comprar antes, ali na área de embarque. Depois, temos 30 minutos de navegação para saborear a vista e a cerveja gelada. É claro que, com um tempo tão grande, eu não compro apenas uma cerveja. Seja como for, quando piso nas areias da ilha, já estou flutuando. Simplesmente, adoro! Tanto o momento de abertura da primeira latinha como quando pisamos na Ilha.

Nas trilhas da Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Nas trilhas da Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Nas trilhas da Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Nas trilhas da Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Na Ilha, deixamos logo Nova Brasília e vamos para a região do Farol. Para nós, o melhor lugar para se hospedar, com muitas pousadas charmosas, bons restaurantes, opções de bares à noite e acesso rápido às melhores praias. Desa vez, ficamos hospedados numa casa encantadora, muito perto da trilha do Farol, de uma amiga da Patrícia. Por falar nela, a mãe da Ana veio nos encontrar e passar esse restinho de 1000dias conosco aqui na Ilha do Mel.

Na praia Grande, a caminho de Encantadas, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Na praia Grande, a caminho de Encantadas, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


A mãe orgulhosa e a filha feliz na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

A mãe orgulhosa e a filha feliz na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Ela chegou no dia seguinte, ontem de manhã. O sol estava radiante e nós aproveitamos bastante a praia de Fora e a praia Grande. Revimos antigos amigos e contamos bastante da viagem. Passeamos pelas trilhas sombreadas que cortam essa parte da ilha e nos refrescamos com caipirinhas e mais cervejas. Abastecemos nossa casinha com frutas, pães e iogurtes para um saudável café da manhã. Foi uma delícia!

Praia do Miguel e Praia Grande vistas do alto do Morro do Sabão, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Praia do Miguel e Praia Grande vistas do alto do Morro do Sabão, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Praia de Encantadas vista do alto do Morro do Sabão, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná. Não muito tempo atrás, quase não havia verde por aí

Praia de Encantadas vista do alto do Morro do Sabão, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná. Não muito tempo atrás, quase não havia verde por aí


Hoje, nosso último dia na ilha, resolvemos caminhar um pouco mais. Fomos até Encantadas caminhando pelas praia Grande e do Miguel. Depois, do alto do Morro do Sabão, admiramos a bela vista para os dois lados, Encantadas de um lado e Farol do outro. Que ilha mais linda! realmente, quem fala que o litoral do Paraná não vale a pena, não conhece a Ilha do Mel!

Mais um casamento sendo preparado na Ilha do Mel, no litoral do Paraná, no mesmo local onde casamos há 5 anos

Mais um casamento sendo preparado na Ilha do Mel, no litoral do Paraná, no mesmo local onde casamos há 5 anos


Um mergulho no Mar de Dentro no final de tarde na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Um mergulho no Mar de Dentro no final de tarde na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


No fim de tarde, o triste momento da partida. Vamos para Curitiba amanhã, mas decidimos passar essa última noite no apartamento de uma outra amiga da Patrícia, lá em Caiobá. Isso porque vai haver uma competição de triatlo por lá bem cedo e um primo irá participar. Vamos lá prestigiar e, de tarde, seguimos para Curitiba. Enfim, hoje foi a hora da despedida da Ilha.

As lindas cores do final de tarde no Mar de Dentro, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

As lindas cores do final de tarde no Mar de Dentro, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


As lindas cores do final de tarde no Mar de Dentro, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná

As lindas cores do final de tarde no Mar de Dentro, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Ir embora daqui, ainda mais em dias bonitos como hoje, sempre é triste. Triste, mas muito bonito, especialmente se for no fim de tarde. A luz do sol ilumina essa parte da Ilha voltada para o Mar de Dentro, de onde partem os barcos para Pontal do Sul. Por algum motivo, hoje estava especialmente lindo. Acho que era o recado da Ilha do Mel para nós: “Voltem logo!”. Sim, nós voltaremos!

Com a Patr[icia, a mãe da Ana, nossa despedida da Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Com a Patr[icia, a mãe da Ana, nossa despedida da Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Brasil, Paraná, Ilha do Mel, Praia, trilha

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Andando de Lado

Panamá, Cidade do Panamá, Boquete


(A) Cartagena, (B) Cidade do Panamá e (C) Boquete estão praticamente na mesma latitude

Ontem, dia 29, foi tranquilo e chuvoso. Depois de acordar meio tarde e tomar gostoso café da manhã no nosso Bed & Breakfast São Roque, achamos melhor adiar por um dia nossa partida da Cidade do Panamá. Tínhamos esperanças de encontrar um lugar para limpar/consertar nossa Nikon, que está com o foco meio capenga, e receber o nosso guia esquecido em Colón de volta, já que nossos amigos argentinos o recuperaram na farmácia. Além disso, aproveitando a chuva, foi uma tentação trabalhar um pouco no hotel, pegar um cineminha ali por perto e dar uma olhada nas lojas de eletrônicos.

A 'Revolution Tower', um dos marcos arquitetônicos da Cidade do Panamá, capital do país

A "Revolution Tower", um dos marcos arquitetônicos da Cidade do Panamá, capital do país


Infelizmente, o técnico da única autorizada Nikon do país está em curso. Mas conseguimos os endereços da duas próximas no nosso "caminho": uma em El Salvador e a outra na Guatemala. Enquanto isso, vamos de foco manual mesmo e também de Sony, que acaba de ressuscitar. Quanto ao livro-guia, só chegaria hoje, dia 30, pela tarde. Mas conhecemos um costarriquenho no nosso hotel que se prontificou a levá-lo no sábado. Assim, o reencontro será mesmo em San José.

Maré baixa no Porto de Balboa, Oceano Pacífico, no Panamá

Maré baixa no Porto de Balboa, Oceano Pacífico, no Panamá


Na caminhada para o centro comercial do cinema e lojas de eletrônicos, passamos mais uma vez perto da imponente Revolution Tower, marco arquitetônico da cidade. Dessa vez, armados da Nikon de foco manual, pudemos enfim fotografá-la. Nas tais lojas, não achamos nada barato o suficiente para nos animarmos a comprar. Celular e lentes para a câmera, acho que terão de esperar até os EUA mesmo. Quanto ao cinema, um gostoso filme de ação com uma mulher que mata e arrebenta com os homens. "A Colombiana", acho que é o nome em português.

Estamos mesmo na América central!!! (apesar da placa, ainda estamos no Panamá)

Estamos mesmo na América central!!! (apesar da placa, ainda estamos no Panamá)


Bom, hoje foi o dia de seguir em frente. Em frente não, ao lado. Desde que saímos de Cartagena, estamos indo para o oeste e não para o norte. Na verdade, estamos até mais ao sul do que estávamos na Colômbia. Na viagem de hoje, de mais de 450 km, entre a Cidade do Panamá e a pequena Boquete, só andamos em direção ao sol poente.

A famosa Ponte das Américas, sobre o Canal do Panamá

A famosa Ponte das Américas, sobre o Canal do Panamá


No caminho, logo na saída da capital, passamos sobre o Canal do Panamá. Foi na Ponte das Américas, uma das duas únicas pontes que ligam a parte sul da América com a parte norte. Depois, fomos seguindo pela nossa velha conhecida, a rodovia Panamericana, que vai nos levar até o Alaska, com alguns "pequenos" desvios, claro. Para minha surpresa, duplicada até metade do caminho! Na cidade de David, no primeiro dos "desvios" mencionados acima, saímos à direita, para subir as montanhas, passar perto do maior vulcão do país e chegar à pequena Boquete. Pois é, tem esse nome mesmo, hehehe. Amanhã ou depois, escrevo mais sobre isso. Hoje, chegamos aqui já bem de tarde. Um imenso e magnífico arcoíris nos mostrou o caminho.

O gigantesco arcoíris marca exatamente aonde está a cidade de Boquete, no Panamá

O gigantesco arcoíris marca exatamente aonde está a cidade de Boquete, no Panamá


Na estrada, apenas um incidente, ainda na parte duplicada. Felizmente, tudo resolvido com uma boa conversa e uma "soda gelada". Tudo porque eu estava a 94 km/h. Nosso batismo na América Central.

Fiona tem 'problemas' na estrada, perto de Santiago, no Panamá

Fiona tem "problemas" na estrada, perto de Santiago, no Panamá

Panamá, Cidade do Panamá, Boquete,

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A Paisagem Bizarra

Bolívia, La Paz

Visitando o Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Visitando o Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia


Para todos os brasileiros, mochileiros ou não, seguindo na rota por terra entre Brasil e Machu Picchu, La Paz é uma parada obrigatória. E nos poucos dias passados na capital boliviana para se aclimatar à altitude, sempre se reserva tempo para uma visita à uma das grandes atrações da cidade: a paisagem bizarra do Vale da Lua, ou Valle de la Luna, em espanhol.

Caminhando pelas trilhas e meandros do Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Caminhando pelas trilhas e meandros do Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia


Foi assim comigo também, em 1990, no mochilão que fizemos em um mês para Bolívia, Peru e Amazônia. Depois das 24 horas de ônibus entre Santa Cruz de La sierra e a capital, saindo dos 600 metros e chegando aos 4 mil, precisávamos de tempo para descansar e para nos aclimatar. Então, nada melhor que um passeio com uma das inúmeras agências para o tal vale, bem light. Vamos de van, caminhamos um pouco e voltamos ao centro, ainda em tempo de passear por ali. O outro passeio também muito procurado é o Chacaltaia. Mas esse aí é assunto para o próximo post.

Chegando ao Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Chegando ao Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia


De volta à La Paz, depois de 23 anos, mesmo já devidamente aclimatados e vindos do outro lado, queria voltar ao Valle de la Luna. Com a Fiona devidamente estacionada em estacionamento no conturbado centro da capital, resolvemos dar uma folga para ela e seguir de ônibus mesmo. O Valle de la Luna fica no mesmo vale de La Paz, só que mais abaixo. Já há algum tempo que a capital cresceu e praticamente engoliu sua antiga “distante” atração. Então, para chegar até lá, podemos ir de ônibus urbano mesmo. Trinta minutos conhecendo outras partes da capital pela janela, sempre indo para baixo, e somos deixados em frente à entrada do Valle de la Luna.

A estranha paisagem do Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

A estranha paisagem do Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia


É difícil descrever a paisagem com palavras. Por muito tempo (e há muito tempo!) havia um grande lago por ali, sobre o qual material trazido pelos rios das montanhas ao redor foi se sedimentando em diferentes camadas. O lago secou e aquelas camadas sedimentares passaram a sofrer com a milenar erosão causada pelo vento e pela chuva. Diferentes camadas, mais duras ou mais moles, reagiram de forma diferente à esta erosão. O resultado é o que vemos hoje: essa paisagem bizarra formada por pequenos vales e canyons de aparência arenosa, divididos e pontuados por paredes e torres arenosas também, formando passagens estreitas, penhascos e barrancos, salões escondidos e curiosas formações rochosas.

Caminhando pelas trilhas e meandros do Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Caminhando pelas trilhas e meandros do Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia


Observando o bizarro Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Observando o bizarro Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia


Quando passei por aí em 1990, podíamos caminhar por onde quiséssemos, desde que houvesse possibilidade para isso. Agora, e sabiamente, os caminhos se limitaram à trilhas oficiais, com escadas, passarelas, pequenas pontes e corrimão. São duas trilhas e percorrê-las é mais do que suficiente para se conhecer esse mundo estranho. Pelo menos no dia e horário que ali estivemos, quase não haviam outros turistas e estivemos sós, na trilha, quase todo o tempo. Tivemos todas as chances para fotografar e admirar a paisagem ao nosso redor.

Túneis escavados na rocha no caminho para o Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Túneis escavados na rocha no caminho para o Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia


Feito o passeio, decidimos caminhar até um bairro ali do lado, perto do rio. Isso porque eu queria ver um túnel feito sobre a mesma rocha que forma o Valle de la Luna, uma das minhas fortes lembranças da antiga visita. Passamos pelos tuneis, saciei minha vontade e fomos encontrar um ponto de ônibus mais adiante. Trinta minutos mais tarde, dessa vez de subida, e voltávamos ao centro da cidade, em tempo para mais uma caminhada por ali. Com essas caminhadas e passeios de ônibus urbanos, fomos nos sentindo cada vez mais íntimos da cidade, tentando sentir um pouco como é viver por ali. Com apenas dois dias e meio para isso, é claro que não é possível, mas um gostinho, ao menos, dá para sentir!

Túneis escavados na rocha no caminho para o Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Túneis escavados na rocha no caminho para o Valle de la Luna, em La Paz, capital da Bolívia

Bolívia, La Paz, Valle de la Luna

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Férias das férias

Brasil, São Paulo, São Paulo

Metrô de Sâo Paulo - Estação da Consolação

Metrô de Sâo Paulo - Estação da Consolação


Depois de dois meses viajando, estava precisando de férias! Férias do site, férias dos posts, férias das fotos. Foi o que aconteceu nesses últimos dias aqui em São Paulo, capital. Aproveitei a dificuldade de se conectar na internet (a droga da Vivo está dando um baile na gente!) e descansei alguns dias. Quem quiser ver um relato mais detalhado desses nossos dias por aqui, basta dar uma olhada nos posts da Ana.

Visão de Praia Grande, no litoral sul de São Paulo

Visão de Praia Grande, no litoral sul de São Paulo


Queria só chamar a atenção para alguns pontos. No caminho de Peruíbe para cá, viemos pela Pe. Manoel da Nóbrega, rodovia de estrada dupla que liga a Imigrantes ao litoral sul de S. Paulo, desde São Vicente até Peruíbe, passando por Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém. Todos em uma única, longa, quase interminável praia. Ela é toda urbanizada, balneário atrás de balneário, vários quarteirões de casas mais simples e uma linha de prédios na faixa litorânea. Eu nunca tinha entrado nessas cidades e confesso que tinha um certo preconceito contra essa parte do litoral. Bem melhor visitar o belo e chique litoral norte ou o selvagem e deserto litoral do extremo sul (Ilha do Cardoso ou Juréia).

Homem Aranha na Praia Grande - SP

Homem Aranha na Praia Grande - SP


Pois bem, após tantas passagens por lá, dessa vez resolvi entrar e ver mais de perto. Escohemos de sopetão, meio a esmo, o ponto de entrada. Calhou de ser em Praia Grande, na Vila Caiçara. Atravessados os quarteirões de casas, chegamos à orla e foi uma grata surpresa. Muito bem urbanizada, tudo bem arrumadinho, avenida, pista de cooper, calçadão, jardins, quiosques. Achei bem legal, para o que eu esperava. Tomamos uma cerveja, relaxamos um pouco e seguimos viagem. Numa próxima vez, entramos em Mongaguá ou Itanhaém.

Haroldo, Poia, Gegê, Kadu e Malu

Haroldo, Poia, Gegê, Kadu e Malu


Aqui em São Paulo, o período foi de muita socialização com família e amigos, todo mundo tratando a gente muito bem. Ganhamos vários almoços e jantares, o que contribuiu bastante para baixarmos a nossa média de gastos mensais. A temporada no Caribe nos deixou quebrados e estamos tentando nos recuperar agora. Aqui em S. paulo, além da comida, economizamos bastante por não ter de ficar em hotel ou pousada. Vamos ganhando fôlego para o que vem pela frente...

Estivemos com o Haroldo que, além de nos pagar um belo almoço ainda nos emprestou um carro menor. Bem mais fácil rodar em S. Paulo nele do que com a Fiona. Aliás, o Haroldo também nos emprestou sua garagem já que aqui no prédio onde estamos a Fiona não entra. Para ter um carro desses, uma garagem em casa não basta. É preciso ter um hangar!

Lelé e Carol

Lelé e Carol


Estivemos visitando a Poia e o Gegê e conhecemos a Malu, recém chegada a este mundo, para fazer companhia ao Kadu. Estivemos com nossos padrinhos Rafa e Laura numa balada e também com os amigos Aymoré e Sandra, que nos receberam em casa (mais um jantar na faixa!). Quem também nos recebeu em casa foram os outros padrinhos, Kina e Lelé, com os filhos JP e Carol. Lá se foi uma garrafa de Green Label e outro belo jantar. Por fim, os tios Gogóia e Tio Carlos nos receberam duas vezes em casa. Mais dois almoços na aba! He he he, nesse ritmo poderíamos viajar dois mil dias!

Feira de turismo no Anhembi - São Paulo

Feira de turismo no Anhembi - São Paulo


Estivemos na Feira de Turismo do Anhembi onde deu para perceber o enorme business que o setor de turismo pode se tornar, no Brasil. Também foi fácil perceber que poderíamos ficar mil dias só no nosso gigantesco país. Infelizmente, aqui vale aquela máxima: quanto mais conhecemos, mais sabemos o quanto ainda não conhecemos. De certa forma, é um sentimento massacrante.

A cada dia aqui em São Paulo, ficamos impressionados com o tanto de coisas que essa cidade oferece. Restaurantes, bares, lojas, museus, parques... É um mundo em si mesmo. Poderíamos facilmente passar meses por aqui, sem repetir programas. Só não sei se nossos amigos e familiares nos bancariam por tanto tempo assim... O fato é que logo passaremos por aqui novamente. Ainda faltou muito dos programas planejados por fazer.

Amanhã deixamos São Paulo rumo à uma temporada no sul de Minas, meu querido estado natal. Muitas montanhas, cachoeiras, frio e comida mineira. Hmmmmmm!!!

Brasil, São Paulo, São Paulo, Praia, Praia Grande

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Nas Praias de Chiloé e o Famoso Curanto

Chile, Ancud

O cenário bucólico do noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

O cenário bucólico do noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Nos quadros de aviso do nosso hostel em Ancud, no norte da ilha de Chiloé, muita propaganda de dois dos mais concorridos passeios oferecidos pelas agências de turismo da cidade: pinguineras e avistamento de baleias azuis. Ambos são feitos na costa noroeste da ilha, não muito longe daqui, a menos de uma hora de distância do centro da cidade.

Fazenda em uma das baías no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Fazenda em uma das baías no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Ir ver pinguins realmente não estava no topo da nossa lista de prioridades. Depois de tantos encontros com essas simpáticas aves no sul da patagônia e também nas colônias gigantes da Geórgia do Sul, dificilmente algo nos surpreenderia nesse sentido. Em compensação, a chance de chegar perto, ver e fotografar baleias as azuis, isso sim nos deixou bastante animados.

Felicidade com o dia de sol em playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Felicidade com o dia de sol em playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Um belo dia de sol na playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Um belo dia de sol na playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


A costa de Chiloé é conhecida como o melhor lugar do hemisfério sul para se observar as baleias azuis, o maior animal que já existiu na face da terra. E janeiro é considerado alta temporada para elas. Essas eram as boas notícias. Mas Infelizmente, para nós, as más notícias sobrepujaram as boas. O passeio é bem caro, perto de 200 dólares por pessoa. Ainda são poucas as companhias a oferecer o passeio e as vagas são limitadas. Estava tudo reservado por um bom tempo. Finalmente, nos últimos dias não haviam tido sucesso em achar os animais. Tudo posto e colocado, acabamos decidindo pelo plano B.



E qual esse plano? Ora, se estamos de Fiona por aqui, para que agência de turismo? Porque não usar nossas próprias rodas para explorar a região? E assim foi, abordamos nosso querido carro e fomos explorar as estradas rurais que cortam o litoral noroeste de Chiloé, nos levam à praias desertas, mirantes de observação do mar, cruzam fazendas centenárias e, para finalizar, dão acesso aos melhores restaurantes de curanto da ilha. O que é curanto? É o principal prato da culinária chilota e todas as agências de turismo terminam seus passeios em um desses restaurantes. O nosso também poderia terminar assim!

Chegando à playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Chegando à playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Pássaros sobrevoam rochedo na playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Pássaros sobrevoam rochedo na playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Então, mapa na mão, GPS ligado e olhos atentos na paisagem, apenas o sentido definido, sem rotas pré-estabelecidas, lá fomos nós em direção a oeste. A vinte quilômetros de Ancud, já passamos pela simpática Quetalmahue, uma vilazinha de pescadores onde estão os restaurantes de curanto. Ou seja, o principal já estava garantido: já tínhamos localizado o local do nosso almoço. Mas antes disso, rumo às praias!

Caminhando na belíssima e deserta playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Caminhando na belíssima e deserta playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Testando as águas frias do Oceano Pacífico em playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Testando as águas frias do Oceano Pacífico em playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


O asfalto acabou e começamos a dirigir em estradas de terra. Muitas dessas estradas nem aparecem no nosso GPS, mas se elas existem, é porque devem levar a algum lugar. Com o nosso senso exploratório em alta, é para lá que seguiríamos. E a primeira praia não demorou a aparecer. Uma linda e reclusa baía que se vê de longe, já que chegamos pelo alto. É a praia de Guabun.

Algas se amontoam em playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Algas se amontoam em playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Uma estranha alga nas areias de playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Uma estranha alga nas areias de playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


O estranho é que a estrada termina antes de chegarmos lá. Pelo menos, algo que possamos chamar de estrada. Adiante, trilhas na areia que a Fiona pode enfrentar, mas não carros normais de passeio. Enfim, a Fiona nos leva até lá, uma belíssima praia e inacreditavelmente deserta. Exceto pela grande quantidade de aves, claro. Já fazia muito tempo que a gente não via uma praia de verdade, com faixa de areia, ondas, morros delimitando seus contornos e, o melhor de tudo, um irretocável céu azul. Não é a toa que ficamos felicíssimos!

Estrada rural no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Estrada rural no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


O cenário bucólico do noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

O cenário bucólico do noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Aí passamos quase uma hora, caminhando até a ponta da praia, testando a temperatura gelada da água, observando as revoadas de pássaros, fotografando ou simplesmente curtindo o momento. Vimos também a enorme quantidade de algas que chegam até as areias. As algas são muito importantes na cultura chilota, servem de alimento e tempero em uma infinidade de pratos. Ao ver a quantidade delas na praia, não foi difícil entender o porquê!

Vacas pastam tranquilamente no belo cenário da Playa Mar Brava, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Vacas pastam tranquilamente no belo cenário da Playa Mar Brava, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Encontrando uma lhama na ilha de Chiloé, no sul do Chile

Encontrando uma lhama na ilha de Chiloé, no sul do Chile


De volta para o carro e mais explorações. De novo, fomos nos metendo em cada estradinha que víamos, agora tentando acompanhar a costa rumo ao sul. Queríamos chegar até a Playa Mar Brava, de onde saem os passeios para as pinguineras e para ver as baleias azuis. O caminho até lá, subindo e descendo encostas e colinas e atravessando a mais bucólica e rural das paisagens já foi uma atração em si. Felizes das vacas que pastam com um visual desses.

Praia de pedras no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Praia de pedras no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Mas não foi só vacas que vimos, não. Encontramos até uma fotogênica lhama! Pois é, o que estará fazendo esse animal andino por aqui? Pelo sorriso em seu rosto, acho que ela gosta mesmo mais do mar do que das montanhas, mais do calor do litoral do que do frio das alturas. Ficou posando para nós, quase nos perguntando o que achávamos do lugar em que morava. Pois é, difícil reclamar! Tranquilidade e beleza inspiradoras!

Admirando a bela e extensa Playa Mar Brava, na costa noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Admirando a bela e extensa Playa Mar Brava, na costa noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Um belo dia de sol na playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Um belo dia de sol na playa Gabún, no noroeste da ilha de Chiloé, no sul do Chile


De praia em praia, de fazenda em fazenda, acabamos por chegar na região de Puñihuil, de onde saem os barcos e excursões para ver a vida animal. Do alto de uma encosta, uma espécie de mirante natural, passamos uns 10 minutos procurando as baleias azuis, mas elas realmente não estão por ali nesses dias. Fomos então caminhar um pouco na longuíssima Playa Mar Bravo, um último exercício para nos dar ainda mais fome para enfrentar o curanto.

Chegando a um famoso restaurante na pequena Quetalmahue, região de Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Chegando a um famoso restaurante na pequena Quetalmahue, região de Ancud, norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Dito e feito, menos de uma hora mais tarde já estávamos chegando ao nosso restaurante escolhido, a sorte de chegar lá num horário entre excursões. A exceção foi um grupo de animados e gulosos alemães que já se fartavam com as especiarias chilotas. O curanto é uma espécie de síntese de todas elas, um prato que reúne todos os produtos da terra e do mar de Chiloé.

Preparação de Curanto em forno escavado no chão, num restaurante típico em Quetalmahue, perto de Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Preparação de Curanto em forno escavado no chão, num restaurante típico em Quetalmahue, perto de Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


O “curanto em hoyo” tem origem indígena. Ele é assado em um buraco no chão com pedras quentes. Uma enorme quantidade de mariscos, abundantes em todo o litoral, é envolto em folhas de nalca, uma planta que se encontra por toda a ilha. Junto com os mariscos, alguns dos mais de 100 tipos de batatas que são cultivados em Chiloé. Por fim, como toque final, e assado conjuntamente, carne de frango e de porco, animais criados em todas as fazendas da ilha. Toda essa mistura fica enterrada no buraco por horas e o resultado são pratos gigantes e cheios de comida que desafiam a fome de qualquer camioneiro.

Um legítimo prato de Curanto, uma das especialidades de Chiloé, num restaurante em Quetalmahue, perto de Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Um legítimo prato de Curanto, uma das especialidades de Chiloé, num restaurante em Quetalmahue, perto de Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile


Mesmo para alguém que não é muito fã de mariscos, como eu, é difícil não se esbaldar com tanta fartura. Os mariscos são fresquíssimos e os especialistas nesse tipo de alimento concordam que dificilmente se encontrará, no mundo, mariscos melhores que os daqui. Com a mão na massa (mariscos se comem com a mão!) e cerveja para ajudar a lubrificar a garganta, aí passamos uma hora de banquete. Mais do que pinguins e baleias azuis, curanto é a cara de Chiloé e esse não poderíamos deixar para trás! Missão dada, missão cumprida!

Um legítimo prato de Curanto, uma das especialidades de Chiloé, num restaurante em Quetalmahue, perto de Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

Um legítimo prato de Curanto, uma das especialidades de Chiloé, num restaurante em Quetalmahue, perto de Ancud, no norte da ilha de Chiloé, no sul do Chile

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Geisers

Chile, San Pedro de Atacama

Um dos grandes Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Um dos grandes Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Um dos programas mais espetaculares da região do Atacama é ir conhecer os Geisers El Tatio. Brasileiros, normalmente, só conhecem geisers pelos desenhos animados do Zé Colméia. Então, para nós, é ainda mais especial. Ainda mais que estes são os mais altos do mundo, localizados na puna chilena a mais de 4.300 metros de altitude.

Amanhecer nos fantásticos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Amanhecer nos fantásticos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


A melhor hora de se observá-los é quando o sol está nascendo, usualmente a hora mais fria do dia. Assim, além da beleza normal das primeiras luzes a manhã pintando o céu, temos uma maior diferença de temperatura entre a água quente que brota da terra e o ar frio da atmosfera. O resultado é uma coluna de vapor mais alta e visível, uma espécie de chaminé de fumaça branca que pode ser vista a quilômetros. Uma não, dezenas de "chaminés" formando um espetáculo incomum aos nossos olhos.

Fiona nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Fiona nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


A maior dificuldade está em chegar lá na hora certa. São quase cem quilômetros de distância por estradas precárias e cheias de curva, o que faz a viagem levar umas duas horas. Para quem segue num tour, o problema está em acordar de madrugada e depois ter a paciência de passar por uns dez hotéis, até encher a van ou microônibus. Depois, é tentar relaxar e dormir novamente, ignorando os solavancos, para acordar já diantes dos geisers, com o sol nascendo.

Visitando os incríveis Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Visitando os incríveis Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Aquecendo as mãos no vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Aquecendo as mãos no vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Para quem vai de Fiona, acordar de madrugada é só o início das dificuldades! Depois, temos de achar a estrada durante a noite fria e escura e conseguir seguir por ela nas próximas duas horas. São duas estradas e eu e a Ana optamos pela mais curta, aquela indicada pelas placas. Só que, em pleno inverno, esta estrada que segue pela parte mais alta do altiplano, acima dos 4 mil metros, está cheia de neve. Não é para menos: o termômetro da Fiona bateu seu recorde mais uma vez, chegando aos 11 graus negativos! Em alguns lugares dá para passar por cima da neve, mas em outros, na grande maioria, existe desvios que seguem paralelos à estrada principal. De dia é fácil localizá-los, mas de noite... Enfim, com todo o cuidado, fomos seguindo em frente até conseguir chegar em El Tatio justo na hora certa. Apenas um pouco antes da maioria dos ônibus, que vieram pela estrada mais longa mas em muito melhor estado.

A água frevente dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

A água frevente dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Observando os Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Observando os Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


A primeira visão realmente impressiona. Nossos olhos não querem acreditar no que veem. São dezenas de colunas de fumaça nascendo do chão, um berçário de nuvens para encher o céu de algodão. Pagamos o ingresso e podemos chegar bem mais perto, até começar a passar por entre os geisers. Aí, deixamos o carro e começamos a caminhar ali, entre um geiser e outro, entre uma piscina de água fervente e um rio de água colorida, entre uma miniatura de vulcão de água e um sonoro geiser que lembra uma panela de pressão.

Saltando sobre um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Saltando sobre um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


São dezenas e dezenas de turistas fazendo a mesma coisa, mas a área é tão grande e os geisers tão numerosos que não é difícil estar ali sozinho, posando para fotos ou simplesmente admirando aquela aberração da natureza, aquela prova de que há algo muito vivo sob os nossos pés. Aos poucos, vamos nos acostumando com o cenário, tornando-nos íntimos daquela força da natureza. Tanto que já somos capazes de passar por entre as colunas de fumaça e mesmo saltar por cima das chaminés. O calor que sai das fontes serve também para aquecer nossas mãos, congeladas pelo frio da madrugada.

No meio de uma das colunas de vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

No meio de uma das colunas de vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Depois de muitas e muitas fotos e explorações, o sol já começa a nos esquentar um pouco. Mas o frio ainda é intenso e é preciso coragem para enfrentar o ar gelado, tirar os casacos e roupas e entrar na piscina de água quente que existe no local. Ainda mais que ela nem é tão quente assim, mas isso descobrimos tarde demais, hehehe. Só então entendemos porque todos os turistas corajosos se aglomeravam em apenas um lado da piscina, cada um buscando a mancha de água mais quente.

Banho aquecido na manhã gelada a mais de 4,3 mil metros de altitude nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Banho aquecido na manhã gelada a mais de 4,3 mil metros de altitude nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Com o sol mais alto, os geisers se "acalmam" e as colunas de fumaça ficam mais baixas e tênues. É o sinal para ir embora. A volta para San Pedro foi bem mais tranquila, ajudado pela luz do dia e pela estrada mais longa, porém muito mais rápida. O resto do dia foi muito bem utilizado para recuperar o sono atrasado, tentar botar o trabalho em dia e comer, beber e socializar na medida certa. Nosso tempo por aqui está acabando e o próximo destino é o Salar de Uyuni, na Bolívia. Uma longa jornada de três dias que, dizem, é uma experiência inesquecível. Estamos loucos para conferir!

Visita aos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Visita aos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Chile, San Pedro de Atacama,

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