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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Piri

Brasil, Goiás, Pirenópolis

Cavaleiros na Igreja Matriz em Pirenópolis - GO

Cavaleiros na Igreja Matriz em Pirenópolis - GO


Pirenópolis, ou simplesmente "Piri", é um dos mais populares destinos turísticos por essas bandas. Afinal, combina a beleza de sua natureza cercada por serras e cachoeiras com o charme de uma cidade colonial bem preservada com ótimas pousadas e deliciosos restaurantes, principalmente na famosa Rua do Lazer. O ponto negativo é que os preços são bastante inflacionados, já que o público alvo são as classes mais abonadas de Brasília e, principalmente, Goiânia.

A concorrida Rua do Lazer, em Pirenópolis - GO

A concorrida Rua do Lazer, em Pirenópolis - GO


Começamos o dia meio tarde, ainda nos recuperando do jazz da noite anterior. O plano era seguir para duas das mais belas cachoeiras das mais de 60 catalogadas da região, almoçar por lá mesmo, despedirmos do Chico, que seguiria diretamente para Rio Verde enquanto eu e a Ana voltaríamos para mais uma noite de folia na cidade.

Tomando coragem para entrar nas águas frias da Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO

Tomando coragem para entrar nas águas frias da Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO


Banho na Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO

Banho na Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO


As cachoeiras escolhidas foram a do Rosário e a do Dragão, indicadas por um conhecido da tarde anterior, frequentador assíduo de Piri. Ele nos garantiu que, por serem mais isoladas, estariam bem mais tranquilas que as cachoeiras mais populares, próximas do centro, especialmente num domingão. Imaginamos logo algo mais aventuresco. Que nada! Aventuresco, talvez, era a estrada em más condições. Mas as duas propriedades são muito bem cuidadas, as trilhas de pedra, bem indicadas. Enfim, um esquemão. Realmente, não estavam cheias, protegidas pela estrada e também, certamente, pelo salgado preço de acesso.

Chico enfrentando o frio da Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO

Chico enfrentando o frio da Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO


Tanto que resolvemos, por isso, ficar numa só, a do Rosário. Muito bonita mas, depois da Chapada dos Veadeiros, para nós aquilo não é uma cachoeira, mas uma cascata. Então, uma bonita cascata! De águas bem frias... Mas nada que nos impedisse de tomar um bom banho.

Bucólico restaurante na Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO

Bucólico restaurante na Cachoeira do Rosário, próxima à Pirenópolis - GO


O almoço também era caro e resolvemos ficar só na goiabada com queijo, aproveitando o belo visual e clima de fazenda do local de refeições. E aí foi o momento do Chico seguir para Rio Verde e nós de volta ao centro.

Folia do Divino em Pirenópolis - GO

Folia do Divino em Pirenópolis - GO


Chegamos bem na hora da chegada dos cavaleiros para a folia da noite. Semana que vem tem as famosas cavalhadas de Pirenópolis e as pousadas já estão reservadas há meses. É uma festa concorridíssima onde se simulam os combates entre cristãos e mouros, da época da disputa pela Península Ibérica. Apesar de existir em outros locais do Brasil, é aqui que as Cavalhadas são mais belas. Infelizmente, chegamos uma semana antes...

Vestidos para a Folia, em Pirenópolis - GO

Vestidos para a Folia, em Pirenópolis - GO


Mas, antecedendo as cavalhadas, diversas festas e folias agitam a cidade. E esta semana tínhamos as folias do Divino. Gente montada à cavalo por todo lado, especialmente ao redor da nossa pousada, bem central. Cavalos enfeitados e gente à caráter encima. Até o governador apareceu, montado também! Foi um verdadeiro show! Ficamos imaginando se estas festas já são assim, imagine as cavalhadas da semana que vem?

Vestidos para a Folia, em Pirenópolis - GO

Vestidos para a Folia, em Pirenópolis - GO


Amanhã. seguimos para outra cidade histórica de Goiás, esta patrimônio mundial da Unesco. É a Goiás Velho, antiga capital do estado. Também lá vamos chegar uma semana adiantados... Mas isso, explico depois.

A histórica Ponte do Carmo, em Pirenópolis - GO

A histórica Ponte do Carmo, em Pirenópolis - GO

Brasil, Goiás, Pirenópolis,

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Um Mergulho Complicado

Brasil, Espírito Santo, Guarapari

Usando a lanterna no mergulho no naufrágio Victory 8B, em Guarapari - ES

Usando a lanterna no mergulho no naufrágio Victory 8B, em Guarapari - ES


Hoje foi dia de mergulho. E não foi um mergulho fácil não. Fomos dar uma olhada mais de perto no principal naufrágio da costa capixaba, o Victory 8B. Tivemos de enfrentar muita corente, água fria e pouca visibilidade. Mesmo assim, achei uma experiênia incrível! Afinal, um mergulho quando é ruim, já é bom. Imagine ainda num super naufrágio de mais de 90 metros...

Preparando-se para o mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES

Preparando-se para o mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES


Saímos de Iriri rumo ao norte meio atrasados, para variar. Acelerando onde podíamos, fomos curtindo um pouco da costa: Anchieta, Ubu, Meaípe e a própria Guarapari. Finalmente, chegamos ao Perocão, logo acima de Guarapari, de onde sai o barco da Acquasub, a operadora de Vitória que contratamos. Já estavam nos esperando, com todo mundo no barco. na verdade, já até tinham nos ligado na estrada.

Guarapari - ES, vista do nosso barco de mergulho

Guarapari - ES, vista do nosso barco de mergulho


O simpático e eficiente Ivan, da Acquasub, nos deu as boas vindas assim como o Edu, que era quem eu tinha falado ao telefone. Logo já estávamos no mar, em direção ao principal objetivo do dia, o Victory 8B. Ele foi um cargueiro pequeno, pouco menos de 100 metros, que foi afundado deliberadamente no início da década para criar um ótimo ponto de mergulho a cerca de 6 milhas de Guarapari. Quando é feito assim, o barco é preparado, abrindo-se passagens mais amplas para o trânsito de mergulhadores e à entrada de luz. Além disso, ele foi afundado em pé, tornando as coisas lá embaixo mais "lógicas", teto em cima, piso em baixo e paredes nas laterais. E assim ficou por um bom tempo. Só que a natureza não é muito fã da "lógica humana". Assim, bem recentemente, fortes ressacas foram virando o barco, separando proa de popa e deixando tudo num ângulo de quase 45 graus. Adeus lógica referencial! Agora, uma parede pode parecer o piso e o que era teto pode ser uma parede. Uma janela virou escotilha e um alçapão pode parecer uma porta. Os mergulhadores do estado, tão acostumados com o "antigo" Victory, estão tendo de aprender a mergulhar em um "novo" naufrágio, mais natural dessa vez. Com os devidos cuidados, claro, pois ainda não se tem certeza sobre que partes do navio estão realmente estáveis agora.

Peixe morcego na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES

Peixe morcego na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES


Bom, após alguns problemas com o nosso barco, chegamos ao ponto de mergulho. O Ivan enfrentou uma forte corrente para amarrar a corda lá embaixo e pulamos todos seguindo a corda guia até o naufrágio. A corrente é vencida com os braços, que nos puxam pela corda. O frio é logo esquecido, já que temos de nos preocupar com a corrente e estamos curiosos com o que vai aparecer no final da corda. A visibilidade é de pouco mais de 5 metros. De repente, aparece a chaminé do barco. Oas poucos, vamos podendo vislumbrar mais do antigo cargueiro. Realmente, o barco está virado. A hélice e os porões estão a cerca de 35 metros de profundidade. Fundo assim, mergulhando com ar normal, não temos muito tempo, num mergulho não descompressivo, como era o caso. Pouco menos de 15 minutos. Lá embaixo, protegido pelo navio, a corrente é mais fraca. Mesmo assim, dificulta o nosso passeio. Nossas lanternas iluminam os buracos e entradas do navio. Aqui e ali damos uma entrada. Os peixes parecem se divertir com as nossas dificuldades. Para eles, a corrente é brincadeira. Mas o frio parece que deixou eles embaixo do cobertor. Nossos companheiros de mergulho, todos experientes no Victory, nos dizem que havia bem menos peixes que o habitual. Para mim, que não tinha estado lá antes, sem poder comparar, parecia ótimo.

1000dias mergulhando em Guarapari - ES

1000dias mergulhando em Guarapari - ES


Aliás, como os peixes, eu me divertia com a corrente, ora tentando enfrentá-la, ora pegando uma carona nela. Entrar por uma janela e sair por uma porta do outro lado também é sempre um desafio estimulante. Frio, nem pensava nisso. Só foi bater mais tarde. Mas enquanto eu me divertia, a Ana passava por dificuldades. O frio e a corrente, a profundidade e a pouca visibilidade deixaram ela meio cansada, aflita. Segurou forte na minha mão e ficamos parados um tempo, para que ela se acalmasse. Depois, mais uma voltinha e uma penetração na cabine de comando e já era hora de subir, pausadamente, pela corda.

Lagosta na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES

Lagosta na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES


Lá em cima, comentários gerais sobre as condições difíceis e sobre o novo estado emborcado do navio. Já estão querendo rebatizá-lo de Victory 8B para Victory 8C - hehehe.

Segurando no cabo para enfrentar a forte corrente, em Guarapari - ES

Segurando no cabo para enfrentar a forte corrente, em Guarapari - ES


O segundo mergulho foi mais tranquilo. Atrás da ilha Escalvada, protegido da corrente, no lugar bem mais raso. A visibilidade era a mesma mas foi mais fácil observar peixes e crustáceos, já que não tínhamos de nos preocupar com a corrente. Para mim, com essa "falta" de preocupação, pude me concentrar no frio que estava passando. Mergulhei com uma camada de roupa apenas, enquanto os outros tinham duas. Paciência.

Relaxando depois do mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES

Relaxando depois do mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES


Findo o mergulho, hora de se esquentar ao sol na frente do barco. E bastante tempo para pensar nas memórias frescas e fantasmagóricas de um naufrágio que atrai tantos mergulhadores à Guarapari. Viva o Victory 8B! Ou 8C, sei lá...

Tripulantes e mergulhadores do barco da Acquasub, em Guarapari - ES

Tripulantes e mergulhadores do barco da Acquasub, em Guarapari - ES

Brasil, Espírito Santo, Guarapari, Escalvada, Mergulho, Victory 8B

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Passando pela Pedra Azul

Brasil, Espírito Santo, Domingos Martins (P.E Pedra Azul)

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


Depois da visita à Reserva dos Muriquis, pegamos a estrada em direção à Vitória, de volta ao Espírito Santo. No caminho, nosso intuito era conhecer o Parque Estadual da Pedra Azul, onde uma gigantesca pedra atrai os olhares e a curiosidade de todos os que passam na BR-262, que liga Belo Horizonte à Vitória.

A famosa e gigantesca pedra no parque estadual da Pedra Azul, em Domingos Martins - ES

A famosa e gigantesca pedra no parque estadual da Pedra Azul, em Domingos Martins - ES


O programa com os Muriquis demorou mais do que havíamos imaginado e acabamos almoçando em Ipanema mesmo. Aí, quando chegamos à Pedra Azul, já era mais de quatro da tarde. Mas de nada adiantaria ter chegado antes. O Parque Estadual está fechado para uma reforma do centro de visitantes e só se pode ir até a portaria. Isso é mais do que o suficiente para se admirar a gigantesca pedra, uma visão tão incrível que nossos olhos custam a acreditar que aquilo realmente existe.

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


A sua face mais impressionante tem 500 metros de altura, uma big wall que deve ser o sonho de todos os alpinistas radicais. Da distância que olhamos, ela parece super lisa, nada fácil de ser escalada. Aliás, é isso que a distingue de tantas outras pedras gigantes que vemos por aí. Nessa região, então, existem às dezenas. Existe até um parque nacional no Espírito Santo em homenagem a elas, o P.N dos Pontões Capixabas. Mas nenhuma dessas pedras, pelo menos as que eu já vi, é tão bonita e chama tanto a atenção como a Pedra Azul. Parece que foi polida!

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


Eu e a Ana tiramos muitas fotos, de vários ângulos e nos informamos sobre as caminhadas dentro do parque, quando ele está aberto. A mais interessante sobe até meia altura, por trás da Pedra Azul e chega à uma série de poços naturais. Pelo menos na época das chuvas, há água o bastante para um mergulho, para quem não teme água fria. Na seca, as tais piscinas naturais secam.

Não foi dessa vez que tivemos a chance de caminhar por lá. Para mim, que já tinha visto a Pedra Azul da estrada várias vezes, mas nunca tinha chegado tão perto, valeu muito a pena ter ido lá. As trilhas, ficam para a próxima.

Casa no pé da Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Casa no pé da Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


De lá, seguimos até Domingos Martins para passar a noite. Esperávamos uma cidade bem charmosa, mas ficamos meio decepcionados. Na verdade, as pousadas mais estilosas estão lá perto da Pedra Azul e não na cidade. Acabamos ficando no tradicional Hotel Imperador, com quase 50 anos de idade. Dá para perceber que ele já teve seus momentos de glória. A gente não encontrou o charme que esperávamos, mas compramos um vinho bem gostoso e liquidamos com ele no quarto do hotel mesmo. Foi o bastante para que tudo ficasse mais aconchegante.

Brasil, Espírito Santo, Domingos Martins (P.E Pedra Azul), Montanha, Parque

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Para Baixo e Para Cima

Porto Rico, Ponce

Cueva Clara, no parque Cuevas Del Rio Camuy, em Porto Rico

Cueva Clara, no parque Cuevas Del Rio Camuy, em Porto Rico


Tivemos de fazer força para acordar cedo hoje, no nosso quarto sem janelas, em Ponce. O Fox Delicia está mudando de donos, numa fase meio decadente. Éramos os únicos hóspedes nesse grande, tradicional e otimamente localizado hotel. A ausência de janelas nos economizou cerca de 40 dólares! Estamos acostumados a acordar com a claridade do dia, mas hoje estava escuro como breu. Bom, acordamos na marra mesmo e fomos passear e tirar fotos dessa cidade histórica, bem agradável.

Museu dos bombeiros, na praça  central de Ponce - Porto Rico

Museu dos bombeiros, na praça central de Ponce - Porto Rico


Passeamos pela praça, pelo calçadão, vimos lojas, compramos CDs, tomamos café num lugar tradicional. Enfim, interagimos com a cidade e com suas pessoas. Foi bem legal e meio diferente do que temos feito até agora. Ainda não temos estado em cidades maiores, que oferecem esse tipo de turismo e experiência. Acho que, desde o início da viagem, apenas San Juan e um pouco menos em Nassau e Miami (qual a praça central de Miami?). É um turismo gostoso, interessante, ficar vendo as pessoas vivendo suas vidas normais em atividades cotidianas, completamente independentes do turismo. Fica mais real!

Depois, partimos em direção ao norte, para cruzar novamente as montanhas do interior da ilha. É um sobe e desce danado, estradas minúsculas, onde passam um carro e meio. Assim, não é fácil cruzar com automóveis em direção contrária. Ultrapassar, então, impensável. Nas curvas, mão na buzina e reza forte para não vir um caminhão do lado de lá. Falando em curvas, é uma trás da outra e a Ana penando com sua facilidade de enjoar. Mas as estradas são bonitas, uma quantidade e intensidade de verde impressionante. Vegetação viçosa! Muitos rios e vales. Temos de ir bem devagar e com paciência. Desde que não haja pressa, vale a pena!

Típica estrada cortando o interior montanhoso de Porto Rico

Típica estrada cortando o interior montanhoso de Porto Rico


O objetivo eram as "Cuevas del Rio Camuy". Este rio é o 3o mais longo rio subterrâneo do mundo. Ao longo de milhões de anos, foi esculpindo lindas cavernas ao longo do seu percurso. No mais bonito deles, foi criado um parque nacional, com toda a estrutura turística possível. Nós, os turistas, assistimos a um filminho sobre segurança antes do tour e depois seguimos de trenzinho lá para baixo, em uma trilha asfaltada. Lá embaixo, num grupo de 20 pessoas, seguimos a simpática guia que vai nos dando explanações interessantes das cavernas, suas estruturas e os processos que os formam. Dentro da caverna, seguimos por um caminho de cimento. A caverna é artisticamente iluminada por dentro, fazendo com que fique mais bonita. Sentimo-nos como ovelhas num rebanho, completamente passivas. O problema é que não sentimos nenhum tipo de identidade com as outras ovelhas, gente que dificilmente cruzaríamos nos outros lugares que vamos. Mas, enfim, é o jeito de visitar essa maravilha da natureza, salões enormes, uma verdadeira catedral subterrânea. E, organizando as visistas dessa maneira, muito mais pessoas podem conhecer esse lugar ao mesmo tempo em que esse tesouro é preservado. Perde-se de um lado mas ganha-se do outro...

Cueva Clara, no parque Cuevas Del Rio Camuy, em Porto Rico

Cueva Clara, no parque Cuevas Del Rio Camuy, em Porto Rico


De lá, através de mais estradinhas rurais (e dá-lhe GPS!), seguimos para o observatório de Arecibo, onde está o maior rádio telescópio do mundo, encravado em plenas montanhas portorriquenhas, aproveitando a sua proximidade do equador e uma formação onde o tal aparelho já encaixaria naturalmente. Lá, numa exposição, aprendemos o tanto de coisas que um radio telescópio pode estudar, muito além do possível contato com ETs. Além do visual surreal, um verdadeiro banho de conhecimento. Tirando o videozinho que tivemos de assistir, bem chatinho, foi muito legal.

Rádio telescópio de Arecibo, em Porto Rico. O maior do mundo.

Rádio telescópio de Arecibo, em Porto Rico. O maior do mundo.


Depois de Arecibo, descemos as montanhas na parte norte e rumamos para o extremo nordeste da ilha, am uma grande auto-estrada. Cruzamos San Juan e periferia e chegamos em Fajardo, que vamos usar como base nos próximos dias. Por aqui, vamos em El Yunque, o principal parque nacional do país e em Vieques, uma ilha afastada onde está a praia considerada mais bonita de Porto Rico. E ainda tem o passeio por uma baía cheia de plânctons bio-luminescentes. Promete!

A lua está cheia e esplendorosa por aqui. E nós, olhando e andando de cima para baixo, em Ponce e em Porto Rico, das praias para as montanhas, das cavernas para os céus.

Porto Rico, Ponce, Arecibo, Caverna, Rio Camuy, trilha

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Viñales

Cuba, Vinales

Admirando a bela região de Viñales, no oeste de Cuba

Admirando a bela região de Viñales, no oeste de Cuba


Comparando a o roteiro da minha viagem anterior à Cuba, há dez anos, com o roteiro de agora, praticamente não houve repetições. Mesmo nas cidades em que estive nas duas viagens, foram poucos os lugares em que retornei. As exceções foram, obviamente, as ruas e praças centrais de Havana e de Santiago. Isso não foi mera coincidência, claro. Na medida do possível, procurei conhecer lugares novos. Felizmente, o país tem atrações suficientes para agradar os marinheiros de primeira viagem (a Ana, Laura e Rafa) e também quem retorna e quer ver coisas novas. Assim, enquanto da outra vez pude mergulhar no norte da ilha e fazer o inesquecível trekking da Sierra Maestra, desta vez conhecemos a Isla de La Juventud e a fabulosa Trinidad.

Campo cultivado em Viñales, no oeste de Cuba

Campo cultivado em Viñales, no oeste de Cuba


A grande exceção foi a bela região de Viñales, onde estamos hoje. Sua encantadora paisagem de montanhas desgastadas pelo tempo e suas misteriosas cavernas me atraíram de volta. A Ana tinha de conhecer também! Nunca tinha me esquecido de um bar que funcionava dentro de uma caverna e estava decidido a fazer um brinde lá com a Ana, em honra ao meu companheiro de viagem de dez anos antes, o Dugalo.

Chegando à região de Viñales, no oeste de Cuba

Chegando à região de Viñales, no oeste de Cuba


E assim viemos hoje para cá, na curta viagem desde Pinar del Rio. Ainda antes de chegar a Viñales paramos nos primeiros mirantes no alto da serra de onde se pode descortinar a belíssima paisagem. O que um dia foi o fundo do mar se tornou um planalto com o retrocesso das águas. Com o tempo, o material mais mole foi sendo erodido e o planalto virou uma planície salpicada de pequenas montanhas, o material mais resistente à erosão. Mesmo aí, a ação de milhões de anos de vento e chuva foi abaulando as arestas e arredondando as pontas enquanto o verde tomava conta da superfície. Enquanto isso, os rios agiam por baixo, cavando enormes túneis no calcário, formando alguns dos maiores sistemas de cavernas do mundo.

Consertando o pneu furado em Viñales, no oeste de Cuba

Consertando o pneu furado em Viñales, no oeste de Cuba


Depois de nos instalarmos na nossa Casa de Hóspedes, a ideia era seguir diretamente ao maior desses sistemas de cavernas, com mais de 40 km de túneis divididos em sete andares. Mas, antes, tivemos de resolver um problema mais mundano. O carro chinês que conseguimos alugar em Havana não era dos melhores, principalmente seus pneus. Um deles estava muito baixo, provavelmente “ponchado”, como se diz aqui. Os postos de gasolina não tem compressor de ar para testarmos e a solução foi procurar uma “poncheria”. Aí verificamos que o estepe estava em pior estado e o nosso pneu realmente estava furado, além de bem desgastado. A solução foi consertá-lo e trocá-lo de lugar com um pneu traseiro. O conserto foi com uma daquelas borrachas que enfiamos na roda. O produto, que no Brasil custa uns 10 reais com quatro borrachas, em Cuba custa 40 dólares, por causa do bloqueio econômico. O simpático borracheiro, que contou bastante sobre seu hobby de caça, divide cada uma das borrachas em duas e cobra 10 dólares por conserto. Quanto à caça, nos explicou que em Cuba é muito mais perigoso matar uma vaca do que um veado. Isso porque no primeiro caso, é um crime tipificado em lei (dá cana mesmo!) e no segundo, quando muito são multados por invasão de área de reserva. A aventura e o gosto da carne de veado mais que compensam o risco da multa.

Região de Viñales, no oeste de Cuba, vista do alto da Caverna de Santo Tomás

Região de Viñales, no oeste de Cuba, vista do alto da Caverna de Santo Tomás


Nosso grupo caminha através da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba

Nosso grupo caminha através da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba


Consertado o carro, seguimos para a caverna. A “Cueva de São Tomás”, bem popular entre os viajantes. A parte aberta ao turismo é de apenas um quilômetro, no sexto e sétimo nível. Os outros 39, só para profissionais, depois de passarem pela devida burocracia. A visita é guiada e os grupos são grandes. O nosso tinha umas quinze pessoas das mais variadas idades e pesos. Mas um incidente logo no início da trilha deu uma boa “filtrada” no grupo. Subindo o morro em direção à entrada do sétimo nível, uma senhora bem em frente à Ana tropeçou e caiu para trás, num tombo cinematográfico. Felizmente, já estava com o capacete para entrar na caverna e uma mochila nas costas, senão teria se arrebentado nas pedras em que caiu, de costas. Fora um arranhão ou outro, foi só o susto. Mas foi o bastante para que meia dúzia de turistas dessem meia volta e desistissem, inclusive a simpática a assustada acidentada. Com o grupo mais “leve”, seguimos em frente.

Uma das entradas da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba

Uma das entradas da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba


Formação dentro da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba

Formação dentro da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba


O guia nos levou através de grandes salões, muitos iluminados por grandes janelas, e formações típicas de caverna. Não perdia nenhuma oportunidade para fazer piadas sobre gordos americanos, que realmente teriam um certo trabalho em passar por passagens mais estreitas. De qualquer maneira, ficou claro que ele tinha um ódio especial pelo Tio Sam, talvez por causa dos últimos 40 anos de bloqueio econômico. Fora as piadas, a gente se divertiu também com os morcegos, as plantas que nascem sobre seus excrementos e as belíssimas paisagens subterrâneas formadas ao longo de milhares de anos de erosão. Ficou aquela coceira de seguir para os outros níveis, inacessíveis para nós e chios de salas e passagens para serem explorados. Motivo para voltar algum dia, quem sabe...

Plantas crescem sobre excremento de morcegos no interior da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba

Plantas crescem sobre excremento de morcegos no interior da Caverna de Santo Tomás, na região de Viñales, no oeste de Cuba


A tranquila área rural de Viñales, no oeste de Cuba

A tranquila área rural de Viñales, no oeste de Cuba


Daí voltamos para a cidade e seguimos para o outro lado, dessa vez em direção ao bar que eu guardava com tanto carinho na memória. Dez anos de erosão a mais não fizeram a menor diferença e ele continua lá, rústico e pitoresco como sempre. Aí comemos e tomamos uma cerveja gelada, fazendo o brinde prometido e nos admirando com as estalactites que pendiam sobre nossas cabeças e sobre o balcão do bar. É um lugar muito especial, sem dúvida. E já é há muito tempo. Afinal, foi para esta caverna que fugiam vários escravos nos tempos de colônia. Aí, tinham uma comunidade, recebiam novos fujões e enfrentavam seus opressores. Um túnel nos leva por uma centena de metros para um verdadeiro vale encantado do outro lado da montanha. Fico imaginando que deveria ser a Xangrilá desses pobres escravos que tinham ali a chance de uma nova vida.

Bar dentro de uma caverna em Viñales, no oeste de Cuba

Bar dentro de uma caverna em Viñales, no oeste de Cuba


Desfrutando de um pitoresco bar dentro de uma caverna na região de Viñales, no oeste de Cuba

Desfrutando de um pitoresco bar dentro de uma caverna na região de Viñales, no oeste de Cuba


Desse vale voltamos caminhando ao redor da montanha para o estacionamento em frente ao bar. Paisagem bucólica, tranquila e linda. Já no final da tarde, éramos os únicos por ali. Nós e uma centena de pássaros cantantes escondidos na densa folhagem que recobre as encostas das montanhas que cercam o vale, Um espetáculo visual com direito à trilha sonora. Muito legal!

Caminhando na belíssima região de Viñales, no oeste de Cuba

Caminhando na belíssima região de Viñales, no oeste de Cuba


De volta ao carro, despedida do querido bar da caverna (até daqui a dez anos!) e rumo à Casa de Hóspedes. Com o passeio de hoje, fechamos com chave de ouro nosso trecho cubanos nesses 100dias de viagem pela América. Uma ilha especial que vai deixar saudades. Amanhã, rumo à Havana e de lá para o México!

Entardecer sobre a igreja de Viñales, no oeste de Cuba

Entardecer sobre a igreja de Viñales, no oeste de Cuba

Cuba, Vinales, Caverna

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Choquequirao - 1o Dia

Peru, Choquequirao

Com o Gustavo, nas primeiras horas da longa caminhada para Choquequirao, no Peru

Com o Gustavo, nas primeiras horas da longa caminhada para Choquequirao, no Peru


Uma vez mais, o dia começou bem cedo hoje. Como queremos fazer o máximo de coisas possíveis enquanto o Gustavo está conosco, nada de moleza ou preguiça! Com o céu ainda escuro, deixamos Ollantaytambo para trás rumo à pequena vila de Cachora, acessada por uma estrada de terra a partir do ramo da rodovia transoceânica que liga Cusco à capital Lima e ao Oceano Pacífico. Essa parte da rodovia ainda está em construção e fica o dia inteiro fechada para obras. Tínhamos de passar por lá antes das 8 da manhã, senão os nossos planos de iniciar a trilha ainda hoje de manhã iriam por água abaixo, comprometendo toda nossa apertada programação. Então, pé na estrada de madrugada mesmo, ainda que tenhamos dormido tão tarde, vindos de trem noturno de Aguas Calientes, após toda a caminhada de Machu Picchu. Sabíamos que o esforço e as poucas horas de sono valeriam a pena.


Nosso caminho de Ollantaytambo (A) para a pequena vila de Cachora (B), onde se inicia a trilha para as ruínas incas de Choquequirao

E valeram mesmo! Conseguimos passar pela barreira ainda aberta da estrada e chegamos à Cachora perto das nove da manhã. Agora, só faltava encontrar nosso contato por lá, que providenciaria um arriero e duas mulas para nos ajudar com a caminhada dos próximos três dias. Ainda em Ollantaytambo, tínhamos conseguido, por telefone, o nome dessa pessoa em Cachora, tudo arrumado pela Hilaria, da Aita Peru, nossa agente de turismo em Cusco. Não demorou muito para achá-lo e ele logo chamou o rapaz que seria o condutor de nossas mulas (o “arriero”), para que já começasse a carregar os animais. Isso depois que arrumássemos nossas mochilas, que não estavam prontas ainda, claro! Nessa correria, sem chance...

Carregando as mulas para a caminhada às ruínas de Choquequirao, no Peru

Carregando as mulas para a caminhada às ruínas de Choquequirao, no Peru


Um menino nos observa quando iniciamos, na vila de Cachora, nosso caminho para Choquequirao, no Peru

Um menino nos observa quando iniciamos, na vila de Cachora, nosso caminho para Choquequirao, no Peru


Ele nos explicou também sobre um “pequeno” problema que teríamos de enfrentar. O caminho para Choquequirao, basicamente, desce um profundo vale, atravessa um rio, e sobe tudo de novo do lado de lá. Para quem gosta de altimetria, saímos de 2.600 metros (Cachora), subimos até os 2.900 m, despencamos até os 1.600 m (o fundo do vale) e subimos até os 3.100 metros, onde estão os setores mais belos das ruínas, tudo isso em cerca de 32 quilômetros de trilhas. Depois, são mais 32 quilômetros para voltar, pelo mesmo caminho. O “pequeno” problema é que a ponte que atravessava o caudaloso rio lá embaixo foi levada por uma enchente já há mais de um ano. Para atravessá-lo agora, há um rústico sistema de teleférico. Nós, as pessoas e bagagens, conseguimos passar. Mas as mulas não! Então, temos de ter duas equipes de mulas, uma de cada lado do rio. O problema é que a comunicação por rádio com o lado de lá não estava funcionando esta semana e, portanto, nós estávamos sem mulas do outro lado do rio. Teríamos de arrumar isso lá embaixo (ou que pode tomar bastante tempo) ou encarar a longa subida para as ruínas sem mulas, carregando barracas, sacos de dormir e comida. Como são 1.500 metros de desnível, não ficamos muito animados com essa última opção, principalmente pela pressa que estamos. Vamos ver como vai ser...

Atravessando a vila de Cachora, início do caminho para Choquequirao, no Peru

Atravessando a vila de Cachora, início do caminho para Choquequirao, no Peru


O início da trilha para Choquequirao é, na verdade, uma estrada rural com paisagens grandiosas (no Peru)

O início da trilha para Choquequirao é, na verdade, uma estrada rural com paisagens grandiosas (no Peru)


Vou ter mais chances de falar de Choquequirao nos próximos posts, mas essas ruínas vem sendo vendidas como uma “nova Machu Picchu”. Na verdade, dizem os arqueólogos, em tempos incas, ela foi muito mais importante que sua irmã mais famosa. E assim como Machu Picchu, foi preservada dos espanhóis, que nunca chegaram até lá. Com isso, a cidade não foi pilhada e nem teve construções destruídas pelos conquistadores. Outra semelhança é o fato de que ambas as cidades estão localizadas no alto de montanhas, em meio à paisagens cinematográficas, montanhas e vales por todos os lados. As semelhanças param por aí e aqui começam as diferenças, todas em favor de Choquequirao. A principal delas é a dificuldade de acesso. Aqui, são precisos dois ou três dias de caminhada apenas para se chegar até lá. Caminhada árdua, subindo e descendo montanhas. A consequência é que, enquanto em Machu Picchu chegam 2.500 pessoas por dia, vindas em confortáveis trens e ônibus (na parte final), em Choquequirao chegam, em média, uns 15 afortunados por dia. Enfim, é como se tivéssemos uma Machu Picchu particular para explorar, sem ter que dividi-la com infindáveis turistas. Outra diferença é que Machu Picchu já está quase que totalmente restaurada. Fica mais bonita, sem dúvidas, mas um tanto quanto artificial. Choquequirao também foi parcialmente restaurada, mas preserva bem mais de seu estado “natural”.

Entrando na trilha para as ruínas de Choquequirao, no Peru

Entrando na trilha para as ruínas de Choquequirao, no Peru


Primeiro dia de caminhada para Choquequirao, no Peru

Primeiro dia de caminhada para Choquequirao, no Peru


Tudo isso deve mudar muito em breve, conforme planos do governo peruano. Em 2014, pretendem iniciar a construção de um grande teleférico sobre o vale que protege Choquequirao do mundo exterior. Os dois ou três dias de caminhada serão substituídos por um passeio de 15 minutos de teleférico que passaram a amsi de um quilômetro de altura sobre o fundo do vale. Apenas para o primeiro ano de funcionamento, espera-se cerca de 200 mil turistas. Então, se você quer conhecer Choquequirao antes dessa verdadeira invasão, venha logo!!!

A grandiosa paisagem no início do caminho para Choquequirao, no Peru

A grandiosa paisagem no início do caminho para Choquequirao, no Peru


Bem, nós, felizmente, chegamos antes desse teleférico (que, espero, nunca saia do papel!!!). Carregadas as mulas, começamos nossa caminha, os 32 quilômetros até a “nova Machu Picchu”. Indo apenas com um arriero, conseguimos economizar um bom dinheiro. A primeira vez que checamos a possibilidade de vir para cá, foi na internet, comprando um dos pacotes oferecidos por agência. Incluia tudo: transporte desde Cusco, guias, mulas, arrieros, comida, etc... mas o preço, era mais de 200 dólares por dia, por pessoa!!! Então, decidimos acertar isso em Cusco mesmo, pessoalmente. Aí, conversando com a Hilaria, dispensamos o transporte, o guia e o cozinheiro. Ficaríamos apenas com o arriero. O preço final caiu estrondosamente, e ainda teríamos o conforto de não ter de carregar peso. Foram, 630 soles, mais o preço da comida e do combustível. Ou seja, cerca de 300 dólares para os três. Muito melhor!!!

Fim da estrada e início da trilha para Choquequirao, no Peru

Fim da estrada e início da trilha para Choquequirao, no Peru


Montanhas e vales no nosso caminho para Choquequirao, no Peru

Montanhas e vales no nosso caminho para Choquequirao, no Peru


Para melhorar mais ainda, estamos viajando com o Gustavo, um especialista em vídeos! E ele decidiu que vai fazer um vídeo dessa nossa caminhada, que certamente sairá bem mais profissional que os outros vídeos que temos feito nessa viagem. Logo estará no ar, mostrando as belezas desse caminho ainda quase desconhecido aqui no Peu. Mal posso esperar para ver o resultado, hehehe.

Trilha para as ruínas incas de Choquequirao, no Peru

Trilha para as ruínas incas de Choquequirao, no Peru


Gustavo admira a paisagem da trilha para as ruínas de Choquequirao, no Peru

Gustavo admira a paisagem da trilha para as ruínas de Choquequirao, no Peru


Voltando a caminhada, logo no início descobrimos que os primeiros dez quilômetros são feitos em uma estrada rural, e não em uma trilha. Vamos em direção ao vale do rio Apurimac, aquele que a ponte foi destruída por uma enchente. Uma caminhada bem agradável, em que vamos subindo lentamente, sempre com incríveis montanhas como pano de fundo. Ali está o nevado Salcantay, com mais de 6 mil metros de altitude e sempre coberto de gelo e neve. Uma visão grandiosa, que nos faz esquecer que estamos caminhando ou fazendo esforço. Aliás, para quem dispões de mais tempo, é possível continuar a caminhada depois de Choquequirao, passar aos pés dessa montanha magnífica, superar os 5 mil metros de altitude e descer do lado de lá, alcançando a linha férrea e chegando até Aguas Calientes e Machu Picchu. Isso mesmo, é possível conhecer as duas cidades incas em apenas uma caminhada! Dura perto de 8 dias e, dizem, é o mais belo dos caminhos que foram desenvolvidos para quem quer chegar em Machu Picchu. Certamente, é o mais difícil também, mas as belezas compensam. Os mais corajosos, seguem sem guias e arrieros, fazendo tudo na unha mesmo. Só precisa levar bastante comida! Para nós, infelizmente, virou apenas um plano para o futuro. De preferência, sem o “bendito” teleférico...

Trilha por montanhas e desfiladeiros no caminho para Choquequirao, no Peru

Trilha por montanhas e desfiladeiros no caminho para Choquequirao, no Peru


Bem, 10 quilômetros de caminhada e chegamos aos 2.900 metros de altitude, onde termina a estrada e começa a trilha, um mirante com vistas esplendorosas do vale do Apurimac e das montanhas onde se esconde Choquequirao. Ali, há uma casinha que serve refeições e cujo domo disse que poderia ter guardado a Fiona. Se soubéssemos disso antes, poderíamos ter economizado esses dez quilômetros da ida e os dez da volta. Na pressa que estamos, teria sido uma boa. De qualquer maneira, como disse, o caminho foi muito lindo até aqui!

Um condor reina absoluto nos céus sobre a trilha para Choquequirao, no Peru

Um condor reina absoluto nos céus sobre a trilha para Choquequirao, no Peru


Um condor reina absoluto nos céus sobre a trilha para Choquequirao, no Peru

Um condor reina absoluto nos céus sobre a trilha para Choquequirao, no Peru


Agora, do mirante em diante, era só descida. O nosso plano era dormir na beira do Apurimac, lá embaixo, para amanhã, no dia de maior esforço, chegarmos até as ruínas. Aqui, nos separamos, pois eu queria descer o mais rápido possível para tentar conseguir as mulas do lado de lá do rio. A pressa não me impediu de saborear cada minuto da incrível ´paisagem, condores voando nos céus, o sol pintando de prateado o rio lá embaixo e a visão da trilha serpenteando montanha acima do outro lado do Apurimac assustando qualquer um.

O sol deixa o rio prateado, no fundo do vale, lá embaixo, onde iremos passar a noite no nosso caminho para Choquequirao, no Peru

O sol deixa o rio prateado, no fundo do vale, lá embaixo, onde iremos passar a noite no nosso caminho para Choquequirao, no Peru


Na descida, passamos por dois acampamentos, um deles onde pretendemos passar nossa terceira noite e, no outro, o maior deles, um divertido encontro com turistas peruanos, empresários limenhos que vieram conhecer as belezas de seu país. Já estavam voltando de Choquequirao e fizeram muita festa para mim, principalmente ao saber de nossa jornada pelas Américas. Prometeram que tirariam uma foto com a Ana, quando ela ali passasse e deixaram que eu seguisse.

Um dos acampamentos na trilha para as ruínas de Choquequirao, no Peru

Um dos acampamentos na trilha para as ruínas de Choquequirao, no Peru


Chegando lá embaixo, tratei de conversar com as pessoas. Ai estão construindo a nova ponte, que deve ficar pronta no início do ano que vem. Por enquanto, só mesmo no pequeno teleférico. Do outro lado do rio, além da trilha, não há nada. Teria de subir uma hora, mais de 300 metros de altitude, para encontrar as primeiras casas e tentar contratar um arriero. Já estava tarde a o cansaço bem forte. Preferi ficar por ali mesmo e conversar com quem chegava do lado de lá, dois ou três grupos de turistas que retornavam com seus arrieros. Nada consegui com o primeiro (mulas muito cansadas), bati na trave com o segundo (amanhã, era seu sagrado dia de descanso) e, no segundo tempo da prorrogação, encontrei um bem simpático que postergou suas férias para fazer mais esse serviço. Viva! Finalmente, poderia me esquecer dos problemas e me concentrar unicamente nas belezas do caminho!

Encontro caloroso com turistas peruanos que já voltavam de Choquequirao, no Peru

Encontro caloroso com turistas peruanos que já voltavam de Choquequirao, no Peru


Logo depois, chegaram o nosso arriero do lado de cá e, um pouco depois, a Ana e o Gustavo. Enquanto montávamos a barraca, a Ana me contava do engraçado encontro com os simpáticos turistas peruanos, que a haviam reconhecido assim que ela entrou no outro acampamento. Também, não há muitas outras Anas por aqui para eles se confundirem, heheh.

Arrieros descansam e conversam em um dos acampamentos na trilha para Choquequirao, no Peru

Arrieros descansam e conversam em um dos acampamentos na trilha para Choquequirao, no Peru


Ainda antes do nosso jantar, um macarrão com molho de sopa que devoramos intensamente, ainda deu tempo de relaxarmos um pouco na beira do rio, pés na água gelada. O momento agora era para nos prepararmos psicologicamente para a subida de amanhã. Vê-la do lado de cá do rio realmente impressiona. E assusta. Dá até para entender porque querem fazer o tal do teleférico! Mas, para nós, serão as pernas mesmo! Com a muito benvinda ajudas das mulas, claro!

Molhando os pés na água fria no final da tarde e do primeiro dia de caminhada para as ruínas de Choquequirao, no Peru

Molhando os pés na água fria no final da tarde e do primeiro dia de caminhada para as ruínas de Choquequirao, no Peru

Peru, Choquequirao, Parque, trilha

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Reencontros

Estados Unidos, New York, Nova Iorque

Com o David e o Elith na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Com o David e o Elith na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Assim como Washington, Nova Iorque é uma enorme cidade, impossível de ser propriamente conhecida no pouco tempo que temos na cidade. Felizmente, assim como lá, nós já tínhamos estado por aqui, a Ana uma vez e eu por três vezes, o que nos ajudou bastante em fazer nossas escolhas sobre aonde ir e que programas fazer. Basicamente, procuramos aquilo que ainda não conhecíamos, com as notáveis exceções das atrações que devem ser visitadas e revisitadas um milhão de vezes, como o Central Park ou a Broadway.

Interior do Guggenheim, na 5a Avenida, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Interior do Guggenheim, na 5a Avenida, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Assim, dentre tantos maravilhosos museus na Big Apple, a nossa escolha foi visitar o Guggenheim da 5ª Avenida, obra-prima artística e arquitetônica que ainda não conhecíamos. Depois de dois dias de longas caminhadas pela cidade, hoje seguimos diretamente de metrô. Foram quase duas horas respirando arte moderna, abstrata e contemporânea, ao mesmo tempo em que me divertia com a eclética “fauna” que também visitava o museu. Um telefone-guia vai nos ajudando a decifrar as obras-de-arte, contextualizando os trabalhos e artistas, tentando explicar as intenções e sentimentos, dúvidas e angústias de seus autores. Confesso que, sem ele, estaria completamente perdido, ignorante que sou nesse tipo de arte.

Interior do Guggenheim, na 5a Avenida, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Interior do Guggenheim, na 5a Avenida, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Depois do museu, uma agradável caminhada pela 5ª Avenida, passando pelo Metropolitan (cuja arte eu já entendo um pouquinho mais!), glorioso e imperdível museu em que já estivemos outras vezes. Pequena pausa para fotos e seguimos caminhando. A programação do dia, hoje, era diferente...

Em frente ao Metropolitan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Em frente ao Metropolitan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Pois é, hoje foi o dia de reencontrar velhos amigos, pessoas que conhecemos durante essa viagem e que, assim quis o destino, estavam aqui em Nova Iorque, curiosos em nos rever e nós a eles. O primeiro reencontro foi ali mesmo, algumas poucas ruas abaixo do Metropolitan. Era o Elith, o simpático colombiano que dançou muita salsa com a Ana em Cartagena. Ele está passando uma temporada na cidade, como guia turístico, e hoje estava de folga. Apareceu com a sua van do trabalho e, graças ao nosso telefone celular que voltou a funcionar, conseguiu se comunicar conosco e nos achar ali, ao lado do Central Park.

Interior animado do bar Stardust, na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Interior animado do bar Stardust, na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Nós já estávamos bem atrasados para outro reencontro, lá na Broadway, mas com a ajuda do Elith e sua van, conseguimos chegar no horário. Lá estava o David, nosso futuro cunhado, namorido da Ju. Esteve conosco logo no começo da viagem, em Miami, há mais de dois anos, e também recentemente, em Las Vegas. Dessa vez, e pela primeira vez, estivemos com ele sem a nossa querida Ju, que está em Londres. O David nos levou para almoçar num bar-restaurante da Broadway muito legal! Todos os garçons e garçonetes estão “entre empregos” na Broadway, isso é, são artistas. Assim, o tempo todo algum deles está fazendo alguma performance, geralmente cantando. E cantam muito bem, estilo musical da Broadway, como não poderia deixar de ser...

O inusitado encontro do David e do Elith, em bar na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

O inusitado encontro do David e do Elith, em bar na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Tão interessante como essas apresentações enquanto comíamos boa comida, era ver o David e o Elith juntos, duas importantes personagens da nossa viagem que jamais havíamos imaginado juntos. Isso até me lembrou do sonho impossível que temos de, um dia, fazer uma grande festa com todo mundo que conhecemos nesses 1000dias, gente de todos os países e línguas, classes sociais e backgrounds. Seria incrível!

Com o Elith, na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Com o Elith, na Broadway, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


O Elith ainda deu carona para o David chegar até um dos piers no rio Hudson, para pagar o seu barco para a grande festa da noite. Nós, ele deixou no hotel, para seguirmos alguns quarteirões até o Bryant Park, para mais um reencontro. Dessa vez, com o Scott, o americano de quem ficamos amigos lá em Paramaribo, no Suriname. Estava no mesmo hotel que a gente, por lá, assim como aqui em Nova York. Só que aqui ele estava com a Fatima, sua bela e simpática esposa, paquistanesa, e também com dois filhos, um com dois anos e a outra com dois meses.

Encontro com a família do Scott no Bryant Park, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Encontro com a família do Scott no Bryant Park, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


O Bryant Park foi outra surpresa para mim, uma ilha de grama e árvores ocupando duas quadras, em pleno coração de midtown. Um lugar simplesmente delicioso. Lá ficamos todos felizes por um bom tempo, interagindo com os pais e os filhos.

Scott, Fatima e filhos no Bryant Park, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Scott, Fatima e filhos no Bryant Park, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Relaxando no delicioso Bryant Park, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Relaxando no delicioso Bryant Park, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Mas o fim do dia chegou e eles precisavam voltar para Washington, onde moram. Nós, no nosso hotel, encontramos o Elith novamente para seguirmos caminhando até a orla do Hudson River, de onde planejávamos ver o show de fogos do 4 de Julho. Pois é, “planejávamos”, pois foi impossível chegar até lá. Excessivamente organizados, a polícia americana já havia fechado todas as ruas nos últimos quarteirões antes da orla. Já estavam demasiado cheias, segundo eles. A orientação era seguir para o norte, onde as ruas ainda estariam abertas. Só que, de lá, quase não se veria os fogos, concentrados em barcaças na parte sul da cidade. Nossa, imagina só esses guardas tentando organizar o acesso à Copacabana, em 31 de Dezembro...

Sinais de patriotismo no 4 de Julho, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Sinais de patriotismo no 4 de Julho, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


A solução foi comprarmos umas cervejas e voltarmos para o nosso quarto no hotel de onde, com ar condicionado e do alto do 35º andar, poderíamos ver os fogos de maneira muito mais confortável, embora sem o “calor” da multidão. E assim fizemos, relembrando as histórias de Cartagena e comentando os planos para o futuro. Ao mesmo tempo, admiramos o show de luzes coloridas ao longe, aniversário de 236 anos de declaração de independência. Para eles! Para nós foi o primeiro 4 de Julho, e o primeiro a gente nunca esquece! Principalmente se é em Nova York num dia cercado de amigos. Não poderia ter sido melhor!

Celebração do 4 de Julho com fogos, no Hudson River, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Celebração do 4 de Julho com fogos, no Hudson River, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Estados Unidos, New York, Nova Iorque,

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Recarregando as Baterias

Brasil, São Paulo, Campos do Jordão

Estação de trens de Passa Quatro - MG

Estação de trens de Passa Quatro - MG


Depois de três dias de trekking subindo e descendo montanhas, dores musculares e bolhas nos pés (pobre Ana!), decidimos por um período de descanso e recuperação.

Jantar na Esfirraria de Passa Quatro - MG com o Cesar, Suzana, filho e namorada e com o Waldir

Jantar na Esfirraria de Passa Quatro - MG com o Cesar, Suzana, filho e namorada e com o Waldir


Ontem, com o conforto da internet no quarto, passamos várias horas trabalhando, catalogando fotografias e postando notícias. Na hora do jantar, fomos com o César e a Suzana (os donos da pousada e que viraram nossos amigos), seu filho e namorada e com o Waldir (um fotógrafo carioca apaixonado por Minas) jantar numa esfirraria super charmosa, na área rural da cidade, do Seu Francisco. Um espetáculo de esfirra e de ambiente. Mais uma vez a cidade me surpreendeu. Tão pequena e tão cheia de opções. Eu e a Ana ficamos fãs de Passa Quatro.

Maria-Fumaça na estação de Passa Quatro - MG

Maria-Fumaça na estação de Passa Quatro - MG


Hoje, sábado cedo, antes de partir ainda aproveitamos para ver outro dos atrativos daqui: uma Maria-fumaça que opera uma linha turística duas vezes por semana. Fomos à estação vê-la partir, da mesma maneira que fazia a 150 anos. História viva. Muito legal mesmo! Que pena que há tão poucos trens no Brasil. Aproveitei para me ilustrar um pouco sobre a história da cidade, nos painéis da estação. Teve papel fundamental na luta entre mineiros e paulistas, na revolução constitucionalista de 32. Quem esteve medicando por aqui naquela época foi um tal de Juscelino Kubitscheck.

Maria-Fumaça na estação de Passa Quatro - MG

Maria-Fumaça na estação de Passa Quatro - MG


Bom, a Maria-Fumaça partiu e nós também, rumo à Campos do Jordão. Ao invés de irmos pela Dutra, seguimos por dentro, por estradas de terra cortando a Serra da Mantiqueira. Um bela viagem, bem campestre.

Muvuca em Campos do Jordão - SP

Muvuca em Campos do Jordão - SP


Em Campos, sábado de inverno, tivemos sorte de encontrar vaga numa pousada, a Pousada dos Sinos. A cidade está fervendo, mesmo com temperaturas abaixo de zero. Para os paulistanos, o xodó do inverno e centro de badalação e paquera. Para nós, um contraste com a tranquilidade dos lugares que temos passado. Não é fácil de reacostumar com a vida urbana e em sociedade.

Na muvuca em Campos do Jordão - SP

Na muvuca em Campos do Jordão - SP


Demos uma passeada no centro de Capivari (bairro central de Campos), assistimos a derrota de USA na Copa num bar e, de noite, nos refestelamos num fondue de queijo. A temperatura caiu abaixo de zero mesmo! Brrrrrrr... Imagina lá no alto da Pedra da Mina?!?

Por falar na Pedra da Mina, amanhã vamos à Pedra do Baú, fechar nossa temporada de Mantiqueira e matar saudade dos tempos de infância e adolescência.

Brasil, São Paulo, Campos do Jordão,

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Big Blue

México, Tulum

Em busca de ar, depois de ir a 25 metros de profundidade no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

Em busca de ar, depois de ir a 25 metros de profundidade no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México


Um dos mais belos filmes que vi na minha adolescência foi “Big Blue”, ou “Imensidão Azul”, em português. Conta, de maneira romantizada, a história real de Jacques Mayol, um dos maiores apneístas do século XX. Apneísta, para quem não sabe, é o praticante de mergulho livre, sem tanques, só no pulmão mesmo. Seus lindos mergulhos nas águas azuis do mediterrâneo, ou mesmo em lagos congelados no alto dos Andes, tão bem retratados no filme, sempre foram uma inspiração para mim.

Saltando no magnífico cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

Saltando no magnífico cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México


Desde então, sempre gostei de medir o quão fundo eu conseguia ir, só com as nadadeiras e uma máscara. A brincadeira ficou um pouco mais séria quando, junto com a Ana e um irmão, fizemos um curso de apnéia com a Carol Schrappe, nossa amiga, instrutora e recordista sul-americana da categoria. Com as técnicas devidas, aumentamos muito os nossos antigos limites.

Nadando no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

Nadando no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México


Nesses 1000dias, sempre que temos alguma chance, praticamos um pouco. Foram poucas oportunidades, mas bem marcantes, sempre em lugares lindos. E a melhor delas ocorreu aqui, no Yucatán, em um cenote que havíamos mergulhado há poucos dias e que prometemos voltar, dessa vez sem tanques de ar comprimido. Estou falando do maravilhoso Pit, com os raios de sol que entram de forma quase mágica em suas águas azuis, iluminando toda a gigantesca câmara, com quase 40 metros de profundidade.

Fotografando a Ana durante mergulho de apneia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

Fotografando a Ana durante mergulho de apneia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México


A ideia era saír de Playa del Carmen bem cedo, rumo ao sul do Yucatán, para já chegar perto da fronteira com Belize, mas com uma parada estratégica nesse cenote. Só que acabamos demorando um pouco mais, primeiro para nos despedir de nossos amigos viajantes argentinos e depois, já perto da entrada do cenote, num reencontro com o Luis, nosso instrutor de cave diving. Ao final, só chegamos ao cenote perto das quatro da tarde, sem os raios de sol, mas tendo toda aquela maravilha da natureza apenas para nós. Um verdadeiro privilégio!

Raios de sol entram no incrível poço do Cenote The Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

Raios de sol entram no incrível poço do Cenote The Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México


O Pit é realmente um lugar fantástico. Lá de baixo dessa câmara enorme que tem iluminação natural, parte um túnel para as profundezas. Perto dos 80 metros de profundidade, esse túnel se abre para uma outra câmara, essa sim gigantesca, três vezes mais ampla que a câmara que conhecemos. Poucos foram os seres humanos que tiveram o privilégio de lá chegar, umas três dezenas, talvez, e menos ainda os que atravessaram esse lugar secreto, chegando ao túnel do outro lado, agora já abaixo dos 100 metros de profundidade. Daria para contar nos dedos das mãos. O Luis foi um deles e nos contou a maravilha que é chegar a um lugar tão amplo como esse, água absolutamente transparente, tão bem escondido pela mãe-natureza. Deve ser demais... Quem sabe, um dia...

Mapa do cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México. Nós ficamos no salão de cima, mas embaixo há outro 3 vezes maior!!!

Mapa do cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México. Nós ficamos no salão de cima, mas embaixo há outro 3 vezes maior!!!


Mas o dia de hoje era para apneia ou mergulho livre, nada tão radical assim. Com aquela piscina encantada só para nós, eu e a Ana pudemos brincar como crianças, ora pulando do alto de uma pedra até a água, ora mergulhando a toda velocidade em direção ao fundo do cenote. Câmera nas mãos, filmadora amarrada na cabeça, mergulho solo, mergulho acompanhado, enfim, teve para todos os gostos.

A Ana faz apnéia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

A Ana faz apnéia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México


Começamos indo até 10 metros de profundidade e depois, aos poucos, fomos aumentando. Perto dos 13 metros, lá estava aquela barreira mágica da haloclina, onde água doce e salgada se encontram, onde passamos da água fresca para a água morna, da água leve para a água pesada. A única semelhança é que as duas são incrivelmente transparentes e, através delas, lá no fundo, a 30 metros de profundidade, podemos ver a “terceira camada”, feita de ácido sulfídrico. É como se fosse uma neblina abaixo d’água, um visual de cemitério em meio às águas do paraíso. Surreal mesmo!

Voltando das profundezas do cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

Voltando das profundezas do cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México


As profundidades foram aumentando e, ao final, a Ana chegou aos 18 metros e eu fui aos 26 metros. O estranho é que, lá embaixo, em meio à agua quente do mar e sob uma pressão equivalente a 3,5 atmosferas, a sensação é de grande conforto. Não falta ar e a vontade é de ficar por ali mais um tempo, ou de ir um pouco mais fundo. Ainda bem que a razão fala mais alto e sabe que, bem... é mais razoável começar a subir e iniciar o longo caminho de volta até a atmosfera salvadora e redentora. Somente quando voltamos à agua fria e doce acima dos 13 metros é que temos a real noção do quanto estamos sedentos de ar. Os últimos metros parecem uma eternidade e quando finalmente afloramos na superfície ... uffff... que delícia de ar!



Lá embaixo, vendo aquela neblina tão perto, que vontade de descer mais um pouquinho. Que saudade que ficamos da Carol, a nossa fada sininho que, durante nosso treinamento lá na pedreira de Sorocaba, sempre descia conosco e, lá no fundo, nos convidava a descer um pouco mais. Depois, subia conosco, pedindo e passando calma e tranquilidade, nos dando toda a segurança do mundo. Se você estivesse aqui, certamente eu teria dado um mergulho refrescante naquela neblina lá do fundo. Mas, só a chance de ter chegado tão perto já fez dessa nossa tarde uma das mais deliciosas desses últimos tempos. Que mágico ter estado aqui!

Encontro com a Ana a mais de 10 metros de profundidade, a caminho da atmosfera, depois de mergulho de apneia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

Encontro com a Ana a mais de 10 metros de profundidade, a caminho da atmosfera, depois de mergulho de apneia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México

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Pinguins (do Norte e do Sul)

Geórgia Do Sul, Salisbury Plain

Pinguins rei confraternizam em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei confraternizam em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


“Por que ursos polares não comem pinguins?”. Essa pergunta envolvendo os dois animais símbolo das regiões polares da Terra já deixou muita gente pensativa. É aí que descobrimos o quão pouco a maioria das pessoas sabe sobre a fauna do nosso planeta. Mas alguns poucos mais bem informados darão logo a resposta: “Porque eles nunca se encontram! Afinal, um deles vive no polo norte e o outro, no polo sul!”.

Pinguins rei caminham juntos em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei caminham juntos em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!


Essa resposta, parcialmente correta, nos remete a outro fato. Sim, os ursos polares vivem no polo norte e nas regiões cercanas. Mas os pinguins, embora a maioria deles realmente viva nos mares dos sul e continente antártico, são mais espalhados. Alguns chegam mesmo a viver no hemisfério norte do planeta. Isso porque há uma espécie dessas simpáticas aves que vive em Galápagos e esse arquipélago está justamente sobre a linha do Equador. São quase que “pinguins tropicais”. O “quase” é pelo fato do mar ao redor de Galápagos, mesmo se localizando na região equatorial, ser bem frio, devido às correntes marítimas que trazem para aí as águas geladas do sul.

Um pinguim rei descansa deitado nos campos gramados de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um pinguim rei descansa deitado nos campos gramados de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Um beijo de pinguins em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um beijo de pinguins em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Pinguins rei caminham em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei caminham em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


A próxima pergunta é: e porque esses dois animais não vivem nos dois polos, já que tem climas tão parecidos? Simplesmente porque cada espécie evoluiu separadamente em algum dos polos e não teve como migrar para o outro polo, já que teria de atravessar milhares de quilômetros com insuportável clima equatorial. Provavelmente, se o homem levasse alguns ursos polares para a Antártida eles se adaptariam bem, mas felizmente esse experimento nunca foi feito. Digo “infelizmente” porque esse experimento seria trágico para algumas das espécies que passariam a ser a comida desse predador alienígena. Em compensação, a experiência de levar pinguins para o ártico já foi feita e eles não duraram mais que 15 anos. Pinguins estão umbilicalmente ligados à colônia onde nasceram, onde voltam para se reproduzir. Essa mudança tão drástica de polo a polo dificultou muito a reprodução entre eles e a espécie simplesmente não vingou por lá.

Pinguins rei caminham em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei caminham em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Desenho do Great Auk, o 'pinguim' do hemisfério norte, ave que foi extinta pelo homem e que vivia na região norte do planeta

Desenho do Great Auk, o "pinguim" do hemisfério norte, ave que foi extinta pelo homem e que vivia na região norte do planeta


Um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Enfim, ursos polares são do norte e pinguins são do sul. O que pouca gente sabe hoje é que já houve, sim, um “pinguim do norte”. Na verdade, a palavra “pinguim” foi criada para dar nome a este pássaro no séc. XV. Depois, quando os primeiros navegadores europeus chegaram ao sul do planeta, ao avistarem pinguins verdadeiros pela primeira vez, resolveram chamá-los de “pinguins” também, pois acharam tratar-se da mesma espécie ou de algo muito parecido. Passaram-se alguns séculos e os pesquisadores descobriram que um pinguim não tinha nada a ver com o outro. Foi apenas a adaptação a um meio ambiente parecido que os fez ficarem parecidos também, a chamada “evolução convergente”. O pinguim “original”, o do norte, acabou ficando conhecido como “Great Auk” (em português, “Arau Gigante”), enquanto os pinguins do sul, esses sim permaneceram como únicos e verdadeiros pinguins.

Um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Um pinguim rei estica o pescoço em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um pinguim rei estica o pescoço em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


A história da extinção do Great Auk é uma das mais tristes da história moderna. O nome “pinguim” vem do galês e quer dizer “cabeça branca”. Portugueses e espanhóis adotaram esse nome para o Great Auk, que já era conhecido dos povos nórdicos há milhares de anos. Na verdade, ele já fazia parte do cardápio dos neandertais há 100 mil anos e eles aparecem em pinturas rupestres nas cavernas da Espanha e da França. Sempre foram presas fáceis dos seres humanos, pois como os pinguins do sul, eles não voavam e se reproduziam em terra firme. Como mesmo andar desengonçado dos pinguins, sempre foram alvos fáceis. Por isso, deixaram de existir colônias no continente, permanecendo apenas em ilhas isoladas aonde o homem demorou a chegar.

Um pinguim rei observa a vastidão de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um pinguim rei observa a vastidão de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!


Até o séc. XVI imagina-se que haviam mais de um milhão deles, espalhados em colônias ao redor do Atlântico Norte, da Grã-Bretanha ao Canadá, passando por Noruega, Islândia e Groelândia. Com a ocupação humana desses territórios, a espécie começou a diminuir. Ainda mais quando as suas penas passaram a ser usadas para fazer travesseiros. Relatos da época dizem que seus caçadores nem perdiam seu tempo matando-os. Eles simplesmente arrancavam as penas das aves e as largavam, dorso sangrando, para morrerem de frio e dos ferimentos das penas arrancadas. A selvageria foi tanta que até mesmo os governos da época (final do séc. XVIII) resolveram proibir a prática.

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!


Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!


Mas as aves continuaram a ser mortas como alimento, além dos ovos também serem muito apreciados pelos baleeiros que viviam naquelas paisagens geladas. Em pequenas ilhas do Canadá onde não havia madeira, os baleeiros usavam os próprios Auks para fazer fogo, já que sua gordura rica em óleo era inflamável. Armavam uma fogueira com dois Auks queimando embaixo enquanto cozinhavam outros dois Auks na panela acima.

os coloridos e fotogênicos pinguins rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

os coloridos e fotogênicos pinguins rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


os coloridos e fotogênicos pinguins rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

os coloridos e fotogênicos pinguins rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


De costas, um grupo de pinguins rei caminha em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

De costas, um grupo de pinguins rei caminha em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


E assim, a espécie se encaminhava para a extinção em meados do séc. XIX. O golpe final, por incrível que pareça, veio de museus, zoológicos e colecionadores particulares. Com a espécie quase sumindo, todos queriam o “último exemplar” para preservação, com os preços subindo cada vez mais. Os últimos ovos e últimos exemplares foram levados para esses “salvadores”. Em Julho de 1844 a última ave foi morta no note do Reino Unido, quase ao mesmo tempo em que a última colônia da ave na Islândia terminou com a captura e morte do último casal que teve seu último ovo esmigalhado pelas botas dos captores. Estava escrita mais uma página negra da nossa própria espécie, que extinguiu mais uma espécie com milhões de anos de história para fazer travesseiros e coleções de ovos...

Pinguins rei parecem posar para fotografia em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei parecem posar para fotografia em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Pinguins rei saem do mar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei saem do mar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Com o fim dos Auks, sobraram os pinguins aqui do sul. Que sorte tiveram eles de só topar com a espécie humana nos últimos séculos, senão é bem capaz de também não estarem mais entre nós. Chegaram a ser caçados em grande número no final do séc. XIX, mas hoje são protegidos, embora ainda morram nas grandes redes de pesca. Aqui em Salisbury Plain encontramos a segunda maior colônia de pinguins rei do mundo, com cerca de 200 mil casais. É justamente o pinguim rei que ocupa o mesmo nicho ecológico que ocupava o Great Auk nas terras frias do norte.

Pinguins rei entram no mar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei entram no mar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Um pinguim sai do mar entre as ondas em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

Um pinguim sai do mar entre as ondas em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


Eles têm um tamanho parecido, mas o pinguim rei é mais belo pelas manchas amarelas no colarinho e nas laterais da cabeça. Quase sempre caminham em grupo, formando uma ordeira fila. Não tem nenhum medo de nós, seres humanos. Ao contrário, são até curiosos, aproximando-se para nos observar melhor.

Pinguins rei nadam no mar gelado de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

Pinguins rei nadam no mar gelado de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


Pinguins rei saem do mar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

Pinguins rei saem do mar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


A pouca agilidade em terra é compensada cum uma extrema graciosidade dentro d’água, não ficando nada a dever para golfinhos, focas e peixes. Por falar em peixes, chegam a profundidades superiores a 100 metros atrás deles, de pequenas lulas e camarões que formam a base de sua alimentação.

O que significa isso??? (em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul)

O que significa isso??? (em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul)


Curiosidade de pinguim em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Curiosidade de pinguim em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Em terra, felizmente não tem de enfrentar mais pessoas em busca de travesseiros e nem ursos polares famintos, como era o caso do Auk. Aqui, ao contrário, convivem muito bem com lobos e elefantes-marinho, todos dividindo o mesmo espaço da praia.

Pinguins rei, um albatroz e uma skua em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechk)

Pinguins rei, um albatroz e uma skua em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechk)


Momento tenso entre um albatroz e um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de France Dione)

Momento tenso entre um albatroz e um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de France Dione)


Quando entramos planície adentro, já não vemos mamíferos marinhos e a companhia dos pinguins é formada por outros pássaros, como os inofensivos albatrozes e as temíveis skuas. Estas, estão sempre de olho em ovos deixados para trás e filhotes desgarrados. Já os pinguins adultos ou já crescidos, apesar da aparência amigável, sabem muito bem se defender de aves de rapina. Para o seu tamanho, os pinguins são desproporcionalmente fortes e valentes.

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo


Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo


Um grande grupo de filhotes de pinguins rei, ainda com a penagem marrom, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um grande grupo de filhotes de pinguins rei, ainda com a penagem marrom, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Por fim, caminhando mais um pouco e chegando ao pé da encosta, nos deparamos com pinguins marrons. Com tamanho parecido aos pinguins rei e até mais gordinhos, temos a nítida impressão de tratar-se de uma outra espécie. Foi o mesmo que pensaram os primeiros exploradores: duas espécies de pinguins vivendo em harmonia, uma mais bonita e a outra, bem esquisita, o “patinho feio” dos pinguins.

Os filhotes de pinguins rei tem a penagem marrom (em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul)

Os filhotes de pinguins rei tem a penagem marrom (em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul)


Ainda com a penagem marrom, filhotes de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Ainda com a penagem marrom, filhotes de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Ainda com a penagem marrom, filhotes de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Ainda com a penagem marrom, filhotes de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Mas bastou observá-los um pouco para descobrir quem são na realidade: os filhotes crescidos dos pinguins rei ainda com as penas da infância. Apurando os olhos, logo percebemos a interação entre pais e filhos, os elegantes pinguins rei alimentando no bico os desajeitados pinguins marrons, seus filhos super crescidos. Alguns já começam a trocar de penas e não demorará muito para que todos estejam juntos no mar em busca de comida.

Pinguins rei, um adolescente e dois filhotes, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei, um adolescente e dois filhotes, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Filhotes de pinguim rei, ainda com as penas marrons, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Filhotes de pinguim rei, ainda com as penas marrons, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Pinguins rei de diferentes idades e penagens socializam em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei de diferentes idades e penagens socializam em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Passear no meio desses milhares de pinguins foi um grande prazer. Uma sensação de estar no mundo deles, e não no nosso. Aqui, somos simplesmente visitantes. Apenas nas últimas décadas temos aprendido a nos comportar como tal. A lembrança do Auk desaparecido entristece ao ver com os próprios olhos como a natureza sabe cuidar de si quando é deixada em paz. Exatamente como estão esses pinguins de Salisbury que, a essa altura, já se acostumaram com os pinguins amarelos que vêm visita-los de quando em quando. Enfim, o passado pode ser triste, mas o futuro, pelo menos aqui, cercado de uma pujante natureza, parece sorrir...

Pinguins rei confraternizam em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei confraternizam em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Pinguins rei caminham pela praias de pedras de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei caminham pela praias de pedras de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Os belíssimos pinguins rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de JPSalakari)

Os belíssimos pinguins rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de JPSalakari)

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