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Jorge (12/10)
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WELINTON CHARLES GONCALVES DE QUEIROZ (12/10)
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Dona Helen e Joca (11/10)
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Pedro (11/10)
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A catedral de Puebla, no México
Levantamos cedo ontem e, depois de um saudável suco de laranja natural na feira que toma conta da praça principal de Amecameca todos os dias, fui acompanhar a Ana, Val e Gera até a rodoviária. Eles pegaram o ônibus para a Cidade do México. As meninas seguem para dois dias intensos de turismo na capital federal enquanto o Gera foi cuidar de burocracias e responsabilidades, além de rever a esposa. O plano era que ele fosse me reencontrar no dia seguinte (hoje!) em Puebla para, juntos, irmos ao refúgio de montanhistas no Orizaba.
Suco de laranja natural de café da manhã em Amecameca, no México
Quanto a mim, fui cuidar da Fiona, enquanto descanso um pouco para ganhar energias para a escalada que me espera. Essas próximas 60 horas seriam a minha mais longa separação da Ana nesses 1000dias de viagem. Será que eu saberia viver sozinho, hehehe.
Pegando ônibus de Amecameca para Cidade do México
Confesso que a viagem para Puebla foi bem esquisita, um enorme vazio no banco ao lado na Fiona. Entrando na cidade, também senti muita falta de alguém me ensinado as ruas a seguir e me ajudando a encontrar um hotel. Enfim, a sorte estava do meu lado e, no caminho para o centro, já passei em um quarteirão cheio de lojas que fazem alinhamento de automóveis. Seria o meu compromisso para hoje cedinho! Depois, carro estacionado, não demorei a encontrar um ótimo hotel, num prédio histórico e charmoso, a menos de duas quadras da praça central da cidade.
A catedral de Puebla, no México
Puebla é uma das mais tradicionais cidades mexicanas e foi, até o final do século XIX, a segunda maior cidade do país. Foi fundada pelos primeiros colonizadores espanhóis, ainda em 1520, com o objetivo de suplantar em tamanho e poder a vizinha Cholula, um centro nativo de grande importância religiosa. Toda a região já tinha tradição em produção de cerâmica, mesmo antes da chegada dos europeus. Com a introdução de novas ferramentas e materiais pelos espanhóis, a tradição continuou e se incrementou e Puebla manteve uma grande importância econômica na época colonial e início da vida republicana.
Interior de igreja em Puebla, no México
Também foi aqui o local de importantes batalhas durante a invasão francesa para instaurar uma monarquia no país, durante a década de 60 do século XIX. O exército de Napoleão III, considerado então o mais forte do mundo, atacou frontalmente a cidade em 5 de Maio de 1862. O exército republicano mexicano, contando com apenas um terço das forças atacantes, resistiu bravamente, num dos raros exemplos de vitórias nacionais contra forças estrangeiras. Até hoje a data é celebrada pelo exército e pela nação. Mas um dos fatores que explicam a derrota francesa na batalha foi que boa parte dos soldados estava atacada com uma forte disenteria. Aparentemente, a comida picante do país não havia lhes caído bem... De qualquer maneira, um ano mais tarde os franceses voltaram, agora sem dor de barriga, e conquistaram a cidade, que permaneceu sobre o controle das forças monarquistas de Maximiliano até quase o fim da guerra, em 1867.
Apresentação de palhaços reúne muita gente na praça central de Puebla, no México
Fim de tarde em Puebla, no México
Desde então, a vida se acalmou bastante em Puebla. Hoje, o movimento maior vem dos turistas e dos artistas locais que disputam um lugar no Zocalo para sua apresentações sempre concorridas, principalmente nos finais de tarde. A praça é muito agradável, cheia de árvores e ladeada por grandes prédios. O mais belo deles é a vistosa catedral, uma das maiores do país.
Caminhando pela praça central de Puebla, no México
Minha tarde de ontem foi toda de passeios e caminhadas pelo charmoso centro histórico e pelo movimentado centro comercial. O jantar foi mesmo no hotel que, com seu pé direito alto e murais pintados no teto, já merece ser visitado mesmo que não se hospede por lá. Gostei tanto de lá que já deixei quartos reservados para nós quando me reencontrar com a Ana e Valéria, após a subida ao Pico Orizaba.
Chegando ao Pìco Orizaba, montanha mais alta do México
O Pico Orizaba visto do refúgio de montanhistas, no México
Hoje cedo, foi a hora de finalmente alinhar a Fiona. Por aqui, o alinhamento é feito da mesma maneira que no Brasil, sem a frescura de computadores pré-programados como nos Estados Unidos. Enfim, pode ser feito, mesmo com um carro que não existe no mercado local. O que o mecânico descobriu, também, foi que um dos suportes da suspensão da Fiona estava em estado precário. Depois de 125 mil km, muitos dos quais em estradas bem esburacadas, não posso reclamar. Para meu alívio e felicidade, essa peça havia por aqui e pôde ser trocada. Nossa Fiona está pronta para enfrentar a América Central novamente!
Refúgio de montanhistas no Pico Orizaba, no México
De volta ao hotel, lá estava o Gera, recém-chegado da capital. Juntos, numa Fiona redondinha, fomos para Tiachichuca, uma pequena cidade quase aos pés do Pico Orizaba. Daí partem as expedições para conquistar a maior montanha mexicana. Nós fomos diretamente ao ponto de encontro marcado com o Piotr, um polonês radicado no México e que será nosso guia para a empreitada de amanhã. O Piotr é o dono da empresa Mexico Extreme e leva clientes a qualquer montanha no México. Ele estava em um dos centros de apoio à alpinistas que existe na cidade e aí checamos os equipamentos e alugamos o que faltava. Ainda descolei um delicioso almoço mexicano, com muito feijão e abacate, deixamos a Fiona guardada e, num carro alugado, seguimos para a montanha.
Fim de tarde no refúgio do Pico Orizaba, a maior montanha mexicana (foto de Geraldo Ozorio)
Até poderíamos ir de Fiona mesmo, mas agora que ela acabou de ser alinhada, resolvi poupá-la dessa. A gente segue por uma estrada bem rústica montanha cima, ziguezagueando pelas encostas mais baixas do Pico Orizaba até os 4.200 metros de altitude, onde está o refúgio. Vai ser o lugar da nossa curta noite, já que por volta da uma da madrugada vamos nos levantar para o ataque ao cume.
Refúgio de montanhistas no Pico Orizaba, no México
A gente chegou lá no final da tarde e finalmente pudemos ver o Orizaba que, até então, se escondia atrás das nuvens. Imponente e glorioso, por baixo de uma vasta capa de gelo, seu cume cerca de 1.400 metros acima de nós. Só deu tempo de eu dar uma pequena caminhada para tirar umas fotos e logo escureceu. Em seguida, o Piotr preparou um lanche reforçado para começarmos a acumular energia para o esforço que nos espera.
Prontos para dormir no refúgio de montanhistas, na véspera da tentativa de subir o Pico Orizaba, no México
O refúgio não é grande, mas bem maior que aquele lá do Izta. Além de nós, apenas outros 3 alpinistas para dividir conosco enormes triliches. O frio começou a apertar e logo estávamos dentro dos nossos sacos de dormir, tentando aproveitar ao máximo das poucas horas de descanso. Mas nossa tranquilidade não demorou muito, pois duas horas mais tarde chegou ali uma tropa de elite do exército mexicano, cerca de quarenta soldados em seus exercícios cotidianos. Armados até os dentes, mas muito simpáticos, ocuparam o resto dos triliches e todo o assoalho do refúgio. Meia hora de balbúrdia total. Se nós já ficamos impressionados com aquilo tudo, imagina os três jovens montanhistas americanos que ali estavam, em sua primeira viagem internacional. Não entenderam nada, hehehe. Bom, se os soldados nos acordaram agora, já deixamos avisados para eles que em poucas horas será a nossa vez de despertá-los. Com o maior cuidado, claro! Afinal, estamos em minoria! Em compensação, perdidos no meio de uma montanha no México, nunca dormimos uma noite tão segura em nossas vidas! Tinha até sentinelas, um do lado de dentro e outro no frio lá fora. O mesmo frio que vamos encarar daqui a três horas!
Soldados dormem no refúgio do Pico orizaba, a maior montanha mexicana (foto de Geraldo Ozorio)
Mar no resort Stella Maris, em Long Island - Bahamas
Durante a viagem para Long island, o tempo fechou. Fazia tempo que eu não via tantas nuvens. Nada que impedisse nosso aviaozinho de mergulhar sobre elas e aterrisar no pequeno aeroporto no norte da ilha. Foram dez minutos entre descermos, recolhermos a bagagem, tomarmos o táxi e chegarmos ao resort Stella Maris. Isso é que é eficiência. Pelo rádio, já avisaram o motorista qual era nosso quarto e ele já nos levou direto para lá (ou para cá!)
Mar no resort Stella Maris, em Long Island - Bahamas
Após o check-in fomos gastar o nosso drinque de boas vindas no bar da praia. Apesar de grande o resort é bem simpático. Tivemos a sorte de chegar justo no dia da semana em que é oferecido aos hóspedes uma sessão de punchs de rum na faixa! Obviamente, eu e a Ana fizemos bom proveito. Em seguida, o gostoso jantar, tudo dentro do sistema all-inclusive. Uma boa variação, depois de ficarmos regulando refeições na linda e cara Harbour Island. Vamos precisar manter nossas corridas por aqui para manter a forma.
Nossa idéia é mergulhar por aqui, além de alugar um carro e dirigir na mão inglesa 80 km ilha a baixo (ela tem uma forma bem parecida com Eleuthera, mas é um pouco menos cumprida), para conhecer as muitas praias e baías praticamente desertas. A população da ilha é de menos de 3 mil pessoas!!!
Mar no resort Stella Maris, em Long Island - Bahamas
A única coisa que não tem cooperado é o vento. Já não nos deixou mergulhar nos últimos dias e continuou atrapalhando hoje. Vamos ver no que dá.
Em tempo: está havendo um torneio internacional de mergulho livre (apnéia) no mais profundo blue hole do mundo, lá no sul da ilha. Estamos loucos para ir lá, não só para assistir mas também para "brincar" um pouco, além de mergulhar, com cilindro nesse lugar incrível. Será que vai dar?
Degustação de rum na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Hoje cedo, ao abrirmos a varanda do quarto, tivemos a bela surpresa do sol radiante. Afinal, a previsão era de chuva novamente. Só se esqueceram de avisar o São Pedro. Bem ali na frente, uma aula de Stand-up Paddle, aquele misto de pranchão e caiaque em que a pessoa rema de pé. A Ana gostou tanto que marcou uma aula para amanhã.
Aula de Stand-up Paddle na praia de Dover, em Barbados
A gente ainda correu para nossa praia vizinha, a Dover, para aproveitar um pouco o céu azul. Mas os meteorologistas não estavam tão errados assim e o tempo fechou de novo. Mas, não importa... tínhamos um programa indoors para o início da tarde!
Dia de sol e mar turquesa na praia de Dover, em Barbados
O mais famoso e antigo rum de Barbados e do mundo, na destilaria Mount Gay, na capital Bridgetown
E que programa! Uma visita à mais famosa e tradicional produtora de rum de Barbados, a Mount Gay, com direito à sessão de degustação ao final. Cada vez mais craque na direção inglesa, atravessamos a capital Bridgetown mais uma vez e chegamos à Mount Gay em tempo para a última visita do dia, às três horas da tarde. Terminava a visita anterior, o barman fazendo um verdadeiro show para os mais de 15 participantes, enquanto eles se deliciavam na bebida. Aliás, quem se deliciava mesmo era o pessoal de um outro tour, mais caro (o “Coquetel Tour”), com direito a muito mais rum. Estes ainda estavam no meio do seu tempo, mas já estavam para lá de Bagdad.
Nossa guia nos leva em tour pela destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
O nosso tour foi mais tranquilo, sete pessoas apenas. A bela e apressada guia nos contou um pouco da história da destilaria que produz o mais antigo rum do mundo, com marca patenteada desde 1703! Essa mesma bebida que saboreamos hoje já fazia a alegria dos piratas há mais de 300 anos! Isso é que é história!
Arte na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Depois, ela nos mostrou como o rum da Mount Gay é produzido, através da misturas de bebidas produzidas com uma e com dupla destilação. Depois, tudo envelhecido em barris de carvalho vindos lá do Kentucky. Agora que nós já passamos por esse estado americano, fica completamente diferente saber disso, mais pessoal.
Deliciosa degustação de rum na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Finalmente, enquanto escutávamos a cantoria das meninas que ainda participavam do “Coquetel Tour” ali na sala ao lado, chegou a nossa hora da degustação. E eu, que nunca tinha sido fã de rum, passei a ser! Pelo menos desses que nos apresentaram. Uma delícia! Esses piratas tinham bom gosto, hehehe
Deliciosa degustação de rum na destilaria Mount Gay, a mais tradicional de Barbados, na capital Bridgetown
Recebemos até a oferta de nos juntar ao “Coquetel Tour”, que ainda ia longe. Mas, tendo de dirigir para casa, achamos melhor não. Meio com dor no coração, recusamos e seguimos para a Bridgetown, dispostos a parar lá dessa vez e, finalmente, conhecer a capital de Barbados.
Prédio colonial em Bridgetown, a capital de Barbados
Prédio do Parlameno em Bridgetown, a capital de Barbados
Bem espalhada, mas com um centro compacto, Bridgetown concentra mais de um terço da população do país. O centro histórico está ao lado do canal de mar que entra pela cidade, uma verdadeira marina muito bem localizada. Ali ao lado está a praça com as estátuas dos heróis do país, o pomposo prédio do Parlamento, o museu nacional e algumas igrejas.
Caminhando pelo centro de Bridgetown, a capital de Barbados
A bela marina de Bridgetown, a capital de Barbados
Tem também muitas lojas de joias, alguns poucos restaurantes na orla do canal e um passeio para pedestres ao lado do mar e numa charmosa ponte. O melhor de tudo, quase não há extrangeiros, que preferem seus resorts ou navios-cruzeiro e a gente pode observar bem a vida e o ritmo local, num pedaço do país que olha mais para si do que para os turistas que vem de fora.
Movimentado jogo de dominó nas ruas de Bridgetown, a capital de Barbados
Fim de tarde em Carlisle Bay, em Bridgetown, capital de Barbados
Quarenta minutos de explorações e fotos e voltamos para nosso carro, agora rumo a um lugar para comer, pois a fome apertava. Paramos a meio caminho de casa, na mais famosa praia do litoral sul, a Accra Beach. Um restaurante bem legal quase na beira da água logo nos atraiu. Acertamos em cheio na escolha: muito boa comida, bebidas com preço de happy hour e, o melhor, encontramos um simpaticíssimo casal de brasileiros, a Rosa e o Roberto. Cariocas de Niterói, adoram viajar e vieram para cá no voo semanal da Gol. Mas, ao invés de ficarem só uma semana, aproveitaram para dar uma esticada e passaram uma semana também em Santa Lucia. Adoraram a ilha, o que só aumentou nossa vontade de chegar lá (muito em breve!). Enfim, foi um delicioso fim de tarde em boa comida e boa companhia, tudo conversado em bom português, em pleno Caribe! E eles ainda nos deram a dica de um naufrágio em águas bem rasas na Carlisle Bay, aqui pertinho. O Roberto é mergulhador e fotógrafo submarino e nos deu várias dicas de equipamentos. Então, nossa programação de amanhã começa com snorkel!
Encontro com o casal brasileiro Rosa e Rogério, em Carlisle Bay, sul de Bridgtown, capital de Barbados
Mergulhando na Laje de Santos - SP
Menos de duas horas após termos dormido, já estávamos de pé novamente. O destino, desejado já há tanto tempo: a famosa Lage de Santos, um dos melhores pontos de mergulho do sul do país.
A famosa Lage de Santos - SP
Mergulhar na lage não é fácil. Não que haja muitas dificuldades técnicas para o mergulhador. O problema maior é chegar lá. A Lage está a quase quarenta quilômetros da marina mais próxima e requer um longo tempo de navegação em mar aberto. Para valer à pena para as operadoras, os barcos devem estra cheios pois os custos de transporte são altos. Desse modo, normalmente, só há operação nos fins de semana e feriados, quando há mais mergulhadores interessados e disponíveis. O outro grande problema é o humor de São Pedro. Não pode haver muito vento, pois a nevegação é feita com barcos pequenos e rápidos em mar aberto. Resumo da ópera: não é todo dia que se vai para a Lage.
Preparando-se para o mergulho na Laje de Santos - SP
Nós, depois de muitas tentativas, finalmente estávamos indo. Com um pouquinho de sono, mas estávamos indo. No caminho, já no barco, através do rádio descobrimos que outros barcos, que saíram mais cedo do que nós estavam voltando, sem ter operado. Estavam com mergulhadores ainda inexperientes, e as condições do mar não estavam propícias para eles. Nosso barco seguiu em frente! Alguns passaram mal, pelo sacolejo. A recompensa deveria valer à pena!
Passando frio no mergulho na Laje de Santos - SP
Devidamente aparamentados, caímos no mar para um primeiro mergulho bem meia boca. A água estava fria, cerca de 19 graus e tínhamos feito a bobagem de não trazer nossa roupa de cima. Visibilidade razoável em alguns pontos, uma arraia, muitos frades e garoupas, além de peixes menores. Realmente, nada de especial. Para mim, um treino para a arte de fotografar em baixo d'água. Dentro dos limites da nossa máquina, vou melhorando. Para boas fotos de verdade, não tem jeito: precisamos de um equipamento dez vezes mais caro com muita, muita luz (flashes). Se não, sai tudo azul. Voltamos para o barco e eu só pensava, para me animar, naquela frase de um amigo mergulhador: "O mergulho, quando é ruim, é bom. Quando é bom, é uma maravilha!"
Peixe frade no mergulho na Laje de Santos - SP
Quase uma hora mais tarde, estávamos prontos para o segundo mergulho. Metade dos mergulhadores preferiu não ir, enjoados do mar ou com frio. A Ana até pensou, mas nunca tive dúvidas que ela mergulharia. Principalmente depois que lhe ofereceram emprestado uma segunda roupa. Desta vez, fui sem a máquina, para curtir mais o mergulho e já meio desanimado com as condições de visibilidade.
Arraia no mergulho na Laje de Santos - SP
Ledo engano! A Lage tem suas surpresas e nós tivemos uma enorme. O mergulho foi maravilhoso. Fomos para o outro lado, para o Cabeço das âncoras. Uma forte corrente trazia água mais quente e muito mais limpa. Centenas de peixes formavam enormes cardumes. Tartarugas, lagostas, estrelas do mar, enormes garoupas e peixes coloridos, tudo no meio de uma visibilidade que em alguns pontos chegou a trinta metros nos premiaram com um mergulho classe A! E eu, além de me maravilhar com as belezas do mar, só pensava na nossa máquina fotográfica...
Estrela do mar no mergulho na Laje de Santos - SP
Bom, assim é o mar. Nunca devemos menosprezar um mergulho, mesmo depois de um mergulho meia boca. Tudo pode mudar e nunca se sabe quem vai aparecer. Esse segundo mergulho com certeza fez valer todo o tempo de espera, a noite pouco dormida e a hora e meia de sacolejos para chegar lá.
Feliz após o belo mergulho na Lage de Santos - SP
Mais ainda, e é essa a idéia do projeto 1000dias, é o contraste das sensações de se estar um dia no meio de peixes e arraias em pleno oceano atlântico, 12 horas depois de ter estado no meio de uma agitada casa noturna em Santos, 36 horas depois de ter estado, em meio à neblina e frio, no alto da maior montanha da região sul do Barsil, 24 horas depois de ter estado no conforto de uma casa jantando com queridos entes familiares em Curitiba. E vamos que vamos que o Guarujá e a Serra da Bocaina nos esperam. Depois tem Ilha Grande, Rio, Serra dos Órgãos, Búzios, etc, etc, etc.
A orla de Santos vista do mar - SP
Passeando de tarde em Cananéia
Após três dias e meio no PETAR, era hora de partir. Dessa vez, a arrumação do carro foi mais rápida que em Curitiba. Espero que vá se tornando mais e mais eficiente. De manhã tentei usar a internet da Parque Aventuras, mas demorei uma hora para enviar apenas um pacote (de dez!) de fotos para o site e achei melhor desistir. Enviei apenas os posts, que já estavam escritos. A Ana ainda descolou várias fotos com o Jura, um dos sócios da agência. As fotos de caverna que ele tinha estavam muito melhores que as nossas, tiradas com nossa máquina subaquática.
Partimos rumo ao centro de Iporanga com o intuito de achar alguma Lan House para enviar as fotos e os posts da Ana. Nossa pousada, assim como as outras que são frequentadas pelos turistas que vêm visitar as cavernas ficam no Bairro da Serra, distante dez quilômetros do centro, por estrada de terra. Longe do centro mas vizinho do parque. Já próximos de Iporanga, verificamos que o carregador de celular tinha sido esquecido na pousada. Uffff! Cada vez mais me convenço que devemos fazer um check-list das coisas mais importantes e pacientemenmte passar por ele antes de cada partida!
Mas, desta vez, não precisamos voltar. Por sorte, voltamos a ter sinal da TIM, ligamos lá e pedimos para o Jura trazer. Por uma feliz coincidência, sabíamos que ele estava indo para Registro. Assim, ele nos encontrou na Lan House em Iporanga e nos trouxe o bendito carregador. Resolvido isso e enviado as fotos, pé na estrada, rumo a Cananéia. O tempo exíguo e chuvoso nos fez deixar o Parque Carlos Botelho para depois. Assim como o Caverna do Diabo, a Ilha do Cardoso e o Pico Paraná. Espero que essa lista pare de crescer...
Passeando de tarde em Cananéia
Foram cerca de 200 km até a ilha de Cananéia. Minha quarta visita à cidade, mas a primeira para valer! As outras três foram rapidinho, sempre em trânsito para ou vindo Ilha do Cardoso. Desta vez, ficamos para dormir. Passeamos pela simpática avenida litorânea, uma rua estreita com um casario antigo e colorido de um lado e o mar do outro. Na verdade, mais parece um rio, já que é um estreito braço de mar que separa a cidade da Ilha Comprida. A visão dos pequenos barcos e canoas transitando calmamente por essas águas paradas são um estímulo à preguiça e contemplação. Era exatamente o que estávamos precisando! Um lanchinho no final de tarde bem na beira do canal e estávamos prontos para ir ao nosso hotel e não fazer mais nada, exceto jogar conversa fora. Que delícia!
Passeando de tarde em Cananéia
Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina
Passamos uma boa parte do dia de ontem tentando decidir como ir até San Antonio de Los Cobres, em plena puna argentina. "Puna" é o nome que se dá aqui ao altiplano argentino, uma região conectada com o altiplano boliviano com altitude superior aos 3 mil metros.
Estrada através da Quebrada del Toro para San Antonio de Los Cobres - Argentina
Fiona atravessa belas paisagens no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina
Tínhamos 3 opções: seguir com o mundialmente famoso "Tren a Las Nubes", ir de van ou com a nossa Fiona. A opção do trem foi a que sempre tínhamos imaginado. Mas o alto preço de 170 dólares por pessoa, mais o fato de ficarmos quase umas quinze horas dentro do trem, entre a ida e a volta, nos desanimou. A vantagem era que poderíamos ficar no vagão restaurante. O tempo passaria mais rápido, assim como nosso dinheiro... A segunda opção, de van, sairia pela metade do preço e poderíamos ver outras coisas pelo caminho, além de ver tudo o que se vê do trem também. Quer dizer, tudo menos uma "coisinha": o viaduto La Polvorilha, justamente a maior atração do percurso. Disseram que a estrada de terra para lá estava "muy mala".
Montanhas coloridas no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina
Vegetação típica das terras altas argentinas na região de Salta
Optamos então, claro, pela nossa Fiona! Afinal, se viemos até aqui de carro, porque não subir com ela? Parar onde quiséssemos para tirar fotos, acordar às 08:30 ao invés de 4 da madrugada, gastar um quinto do preço e ver muito mais coisas do que os passageiros do trem e das vans nos pareceram argumentos bem convincentes, hehehe.
Ponto mais alto da estrada, no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina
A cidade de San Antonio de Los Cobres - Argentina
O único obstáculo para isso foi encontrar combustível! A Agentina vive crise de abastecimento e, embora o pior da crise já tenha passado, muitas vezes ainda é bem difícil achar díesel, principalmente nos postos YPF. Procura daqui e dali e finalmente achamos, num posto Esso. Taí uma situção que não tínhamos imaginado passar. Pelo menos, não por aqui. É uma agonia ficar vendo o medidor do combustível baixar, baixar e não encontrar lugar para comprá-lo. Por via das dúvidas, estamos sempre andando com nosso galão de 35 litros cheio, no portamala.
Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina
Bom, já eram quase 11 da manhã quando, finalmente, conseguimos partir. A estrada segue o mesmo caminho do trem, subindo a Quebrada del Toro. O cenário é maravilhoso, montanhas coloridas, cardones (cactus) fotogênicos e aquele ar limpo que só existe na altitude. As cores ficam mais vivas, as formas e contornos mais definidos e tudo parece um enorme quadro. Que bom estarmos no nosso próprio carro e podermos parar quando e onde queríamos!
Caminhando para o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina
Equilibrando-se em riacho congelado ao pé do viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina
A estrada por fim chegou no seu ponto mais alto, superando os 4 mil metros! Esse é um ponto histórico pois foi aí que um carro argentino estabeleceu o recorde mundial de altitude há quase cem anos, em 1915! Muito antes dos Fords T existirem! Incrível! Aí também demos carona para uma vendedora que mora em San Antonio. Ela se deu bem duplamente: ganhou uma carona e ainda vendeu duas grandes e deliciosas tortillas de queso, que devoramos no caminho! Enquanto nos alimentávamos, cruzamos e ultrapassamos o trem, que tinha saído às 6 da manhã! Vê-lo correr por entre aquela paisagem maravilhosa a 4 mil metros de altitude foi uma cena e tanto!
O impressionante viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina
Subindo o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina
Da rústica San Antônio seguimos diretamente para o Viaduto la Polvorilla por uma estrada de terra que nem estava "tan mala". Chegamos com bastante tempo antes do trem para podermos fotografá-lo por baixo, de onde ele é ainda mais bonito e imponente. São mais de 60 metros de altura cruzando um vale a 4.200 metros de altitude, com uns 200 metros de comprimento. Um verdadeiro feito da engenharia!
No viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina
O Tren de Las Nubes sobre o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina
Depois, devagarzinho, subimos à pé a encosta para esperar o trem lá encima. Quem também esperava eram dezenas de vendedores ambulantes, com seus tecidos, comidas e lhamas para serem fotografadas. Uns quinze minutos mais tarde chegou o trem. Dele desceram dezenas de turistas para tirar suas fotos e comprar suas lembranças. Vendo essa cena, foi aí mesmo que tive certeza de que tomamos a decisão correta: muito melhor ter vindo com a "Fiona de Las Nubes"!
Turistas desembarcam no viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina
O trem partiu para o longo caminho de volta e nós também, mas por um caminho diferente. Cruzamos uns 70 km da puna por uma estrada de rípio, sempre com montanhas nevadas no horizonte, paisagem cinematográfica, e chegamos à estrada que leva ao Paso de Jama, que liga o país ao Chile. À poucos quilômetros dali está a "Salina Grande", uma gigantesca planície de sal a 3.600 metros de altitude. Que coisa magnífica, aquela vastidão branca com as montanhas ao fundo! Entramos nela com a Fiona, quase ninguém por ali, sensação de sermos os únicos no mundo.
Explorando Salinas Grandes, uma enorme planície salgada no norte da Argentina
O enorme campo de sal em Salinas Grandes, na rota do Paso de Jama - Argentina
Claro que não somos! Essa é uma rota super comum para brasileiros que seguem para o Atacama, no Chile. Um galpão em meio à salina é a prova disso. Em seus vidros, dezenas de adesivos de expedições brasileiras. Agora, tem mais um lá, o nosso!
Adesivos de expedições brasileiras à caminho do Paso de Jama, fronteira da Argentina com o Chile (em Salinas Grandes)
Estávamos à meros duzentos quilômetros da fronteira, mas seguimos em direção contrária. Queremos ir para o Chile pelo Paso de San Francisco, que nos informaram ser o mais belo de todos. Fica mais ao sul e no caminho para lá ainda tem muita coisa que queremos conhecer. Deste modo, descemos 2 quilômetros de altitude pela estrada que serpenteia montanha abaixo até a cidade de Purmamarca. Aí, encontramos a estrada nossa velha conhecida, aquela de Tilcara, onde vimos neve pela primeira vez na viagem. De lá seguimos para Jujuy e daí para Salta, dessa vez pela autoestrada, mais longa mas bem mais rápida que a pequena "ciclovia" que pegamos da outra vez.
Trilha de carro atravessa parte de Salinas Grandes, no caminho para o Paso de Jama - Argentina
Chegamos em Salta ainda antes do trem. Felizes com o maravilhoso dia que tivemos, memória cheia de paisagens incríveis e cada vez mais atrasados com nossas postagens no site. Tanto que vou tirar o dia de amanhã para trabalhar. É a dura vida de um viajante blogueiro...
Estrada serpenteia montanha abaixo, por cerca de 2 mil metros, entrando pelo Paso de Jama Argentina adentro
Uma anta se delicia em poça de lama na floresta do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Pumas, jaguares, ocelotes, antas, tapires, tamanduás, catitus, águias, tucanos, araras, garças, duas espécies de preguiças, quatro espécies de macacos, crocodilos, jacarés, coatis, guaxinins, tubarões-touro, golfinhos, incontáveis espécies de aranhas, besouros, formigas, grilos, lagartas, borboletas. Uffff... a lista acima é apenas parte da riquíssima fauna que habita a área do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, na Costa Rica, uma das regiões com maior diversidade biológica do mundo, segundo a National Geographic.
Garças na foz do rio Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
O que garante a sobrevivência de uma fauna tão variada é a maior extensão de floresta tropical primária na costa do Pacífico das Américas, uma área protegida desde meados da década de 70 pelo governo da Costa Rica, quando grandes grupos internacionais de exploração de madeira preparavam-se para colocar no chão e transformar em lenha, mesas e batentes esse tesouro todo.
Cobra venenosa se move nas folhagens da floresta do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Felizmente, os ecologistas da época foram mais rápidos, sensibilizando o governo do país. Hoje, quase 40 anos mais tarde, a dúvida é como manter um turismo sustentável na área, sem ameaçar a sobrevivência da rica fauna da região. Por mais bem intencionados que sejam os turistas, o mero fato de caminharem por lá já afeta o delicado balanço que existe entre flora e fauna do parque. Até por isso, o acesso ao parque continua dificultado. Nada de estradas, nada de hotéis, nada de ar condicionado. Pelo menos assim, menos pessoas lá chegam, para alegria dos animais.
Um catitu procura comida em folhagem do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Entre os relativamente poucos que chegam, teimosos em seu intuito de poder observar essa diversidade biológica, afortunados em ter essa chance de estar no número considerado seguro de visitantes, estávamos eu e a Ana. Loucos para poder caminhar pelas matas e praias e, com os próprios olhos, poder ver parte dessa fauna. Aqui, ao contrário do Pantanal brasileiro, onde precisamos de barcos, ou das savanas africanas, onde precisamos de um jipe, bastam nossos pés e um pouco de disposição para percorrer os caminhos pela mata, olhos, ouvidos e olfatos atentos como nunca para qualquer cheiro, som ou movimento suspeito.
Macaco se pendura de ponta-cabeça em árvore do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Em um lugar com tanta vida assim, nem precisamos ser especialistas ou profissionais. Um pouco de sorte, talvez, pelo menos para ver os bichos maiores. Quanto aos menores, basta um pouco de atenção. Incrível como nossos sentidos rapidamente se adaptam ao novo ambiente. Nossa percepção aumenta, passamos a identificar cheiros e sons, os olhos passam a ver através da densa folhagem. Algo no nosso sangue parece ter a memória de que nesse ambiente vivemos, por dezenas de milhares de anos, através de incontáveis gerações. Foi num ambiente assim que nosso código genético evoluiu e os sentidos se apuraram. Basta um estímulo ou oportunidade e essas nossas habilidades primitivas reaparecem. Afinal, nós nunca as perdemos, estão literalmente incrustadas em nossos genes. O sentimento é de estar voltando à nossa casa.
Encontro com uma anta logo na chegada ao Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Encontro com uma anta logo na chegada ao Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Nós, ainda na fase destreinada, apenas dez minutos após chegarmos ao parque, caminhando em direção ao lodge pelo meio da mata, já tivemos a sorte de cruzar com uma enorme anta, com mais de 200 quilos. Ela se alimentava tranquilamente no meio da floresta. Dois minutos de observação e notamos que não éramos os únicos por ali. Um bando de catitus (porcos do mato) apareceu por ali. Inicialmente, vendo aqueles animais andando com desenvoltura ao lado da enorme anta, até achei que fossem filhotes dela. Ainda bem que não pensei alto, pois acho que as duas espécies ficariam indignadas com a minha confusão, hehehe.
No meio da mata, o barulho inconfundível de um pica-pau, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Um arisco lagarto no solo da floresta no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Enfim, havíamos começado com o pé direito nosso safari e a vontade de explorar só aumentava. Depois de armarmos nossa barraca, saímos a caminhar pelas diversas trilhas na floresta, na esperança de outros encontros com animais.
Enormes árvores na floresta primária do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Como tudo nessa vida, quando a gente quer muito alguma coisa, ela não aparece. Relaxamos, então, e começamos a prestar atenção nos detalhes. A trilha sonora da floresta é incrível, pássaros, insetos e macacos ao longe em uníssono, tudo combinado com o som das folhas e ramos que estão sempre caindo e com o próprio barulho que fazemos ao caminhar sobre a folhagem.
Uma linda borboleta verde no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Esquecemos um pouco do mundo macro e passamos a prestar atenção no pequeno. Para onde se olha, um inseto mais colorido, mais estranho, mais atarefado do que o outro. Lindas e gigantescas borboletas azuis voam à nossa frente. Seu voo é caótico, acho que nem mesmo ela sabe para onde vai. Impossível fotografar, de tanto que ela se move. Mas a visão estará guardada para sempre na memória, sua presença ali um ótimo sinal de que a floresta e o ecossistema vão bem.
Uma das muitas autoestradas de formigas no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
No solo, de tempos em tempos, em meio à densa folhagem e material orgânico, uma “avenida” se abre. São os caminhos feitos por formigas. Verdadeiros exércitos delas, com divisão de tarefas e tudo. Tem as “soldadas”, que são maiores e mais ameaçadoras, tem as operárias, incansáveis trabalhadoras, tem as mensageiras que, com seus sinais químicos, organizam todo o trabalho. Observar esse exército se movimentar pela floresta é incrível. Que organização!
Aranha espera uma próxima vítima em sua teia muito bem armada, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Aranha sobe em galho de árvore, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Nas árvores, e entre elas também, aranhas preparam suas teias ou simplesmente marcam seu território. Comida para elas não deve faltar por aqui. Tem de vários tamanhos e cores e, até elas, sob a luz e ângulo certos, podem ficar bonitas.
Lagarta se esgueira pelo solo da floresta, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Quem não fica bonito de jeito nenhum são as lagartas ou lacraias caminhando pelos troncos caídos. Mas não deixam de ser interessantes, aquelas cem pernas se movendo, cores fortes que parecem nos avisar: “Não me toquem! Eu queimo!”. Na dúvida, melhor não experimentar...
Macacos transitam com desenvoltura pelas copas das árvores no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Macacos transitam com desenvoltura pelas copas das árvores no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Distraídos pelos insetos, algo começa a chamar nossa atenção sobre nossas cabeças. Uma verdadeira balbúrdia lá encima. São os macacos! Um bando deles! Já não sabemos se somos nós que os observamos ou se é o oposto. São curiosos, nos olham nos olhos. Sua “humanidade” é incrível. Poderíamos ser nós, lá no alto. As quatro espécies de macacos que vivem na Costa Rica estão presentes aqui: macaco-aranha, macaco-esquilo, bugio gritador e capuchino de cara branca. Cada espécie com suas características distintas, cores e tamanhos diferentes. Mas uma coisa tem em comum: se locomovem com inacreditável desenvoltura pela copa das árvores. Os galhos são verdadeiras avenidas para eles. Sem medo de errar, se atiram de uma árvore à outra e podem passar dias sem pisar o pé no solo. Água é o que os trás aqui para baixo.
Macaco nos observa no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
São quatro as espécies de macaco que habitam o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Ao longo desses dois dias de explorações, cruzamos dezenas de vezes com eles. Aos poucos, com olhos mais treinados, bastava ver ou ouvir alguma coisa lá encima e já os localizávamos. Cada som, uma espécie. Às vezes, pareciam irritados com a nossa presença. Pareciam tacar galhos lá de cima. A recomendação que temos é de não ficar diretamente abaixo, pois eles podem até urinar sobre nós. Outras vezes, eram só curiosos e até chegavam mais perto, para poder nos ver melhor.
Uma ave caminha pelo solo da floresta no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Uma espécie de pavão selvagem caminha no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Macacos lá encima, catitus e uma espécie de pavão silvestre aqui embaixo. Esses também víamos bastante. As aves andam em duplas, casais apaixonados. Os porcos, andam em grandes bandos, varrendo a floresta em busca de comida. Sua cor escura faz com que fiquem camuflados nas sombras. Mas quando vemos um deles, redobramos a atenção e lá estão vários outros, na sua marcha incansável. Somem na floresta da mesma maneira que apareceram, subitamente.
Um cateto (porco do mato) caminha tranquilamente pela floresta do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Bando de catitus caminham pela floresta no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Vimos muitos animais ontem e hoje, mas “houve” também aqueles que não vimos, infelizmente. Por duas vezes estivemos na foz do rio Sirena, procurando por tubarões ou crocodilos. Mas a maré não estava grande o suficiente para que os tubarões-touro se arriscassem naquela rasa passagem. Os crocodilos, fiquei com a impressão que precisaríamos subir o rio de barco por algum tempo, para poder vê-los. Ficou a curiosidade de saber o que acontece quando esses dois poderosos predadores se encontram em um mesmo território. Se forem dois adultos, imagino que se respeitem. Olham para o outro lado e seguem seu caminho. Agora, se um deles ainda for criança, bem, aí é aquela questão de estar no lugar errado na hora errada...
Chegando ao rio Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Um macaco nos observa com curiosidade do alto de uma árvore, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Outros que muito queríamos ver eram, claro!, os felinos. O Corcovado é uma das últimas áreas da América Central onde se encontram jaguares em seu ambiente natural. Mas são animais dificílimos de se ver, de hábito noturno e que procuram sempre se afastar dos humanos. Fazem aparições raríssimas, poucas ao ano. Mais comum ver seus rastros ou em fotos tiradas por máquinas automáticas, colocadas em lugares estratégicos da floresta. Já os pumas, esses até que aparecem mais, uma vez por semana, dizem. Eram eles que procurávamos.
Guaxinim cruza pista do aeroporto da estação Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Pois é, o destino até que tentou nos ajudar, mas nós não entendemos os sinais, infelizmente. Durante uma de nossas caminhadas, quando estávamos a menos de dois quilômetros do lodge, um deles apareceu bem ali, em frente ao refúgio, do outro lado da pista do aeroporto. Tranquilamente, deitou-se em uma sombra e lá ficou por quase vinte minutos, dando chance a todos os que estavam por perto (mas não muito perto!) de fotografá-lo. Algumas pessoas, com suas objetivas profissionais, nos mostraram fotos em que pareciam estar do lado do “bichinho”. É, nós perdemos essa chance de ouro. Acabamos trocando o puma por muitos macacos e catitus. Enfim, ainda vamos passar no Pantanal e lá, eis que a sorte há de sorrir para nós!
Anta se refresca em poça de barro no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Quando soubemos da história, instalamo-nos na varanda e ficamos lá a observar, para ver se o puma voltava. Não voltou. Tivemos de nos satisfazer com tucanos e araras coloridas que passavam sobre nossas cabeças e, no momento de maior esperança, com um guaxinim que passou apressado por ali, exatamente no ponto onde o puma tinha estado horas antes.
Encontro com uma anta em trilha do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Chegava a hora de ir embora e a decepção de não ter visto o puma era minúscula perto da alegria de ter estado naquele paraíso do mundo natural por quase dois dias. Vínhamos de um último banho no rio Claro diretamente para o ponto da praia onde as lanchas aportam. A ideia era a Ana ficar por lá enquanto eu corria de volta ao refúgio para buscar nossa mochila que já estava arrumada. Bem nesse ponto, a meros 100 metros do lugar onde estavam os barcos, encontramos outra anta. Uma para nos receber e outra para a despedida! Essa de agora, se deliciava em um banho num poço de lama. Dessa vez, uma fêmea. Alheia aos olhos curiosos dos humanos ali por perto, era alvo fácil para nossas fotografias. Ficamos ali por algum tempo e depois, enquanto eu fui até o refúgio e voltei, a Ana ainda passou outros vinte minutos por lá. A maré já estava cheia o suficiente para os barcos partirem, nossa despedida quase perfeita do Parque Nacional Corcovado.
Catitu e anta dividem o mesmo espaço no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Perfeito mesmo seria se os devaneios que tive durante uma das caminhadas na mata tivessem se tornado realidade. Neles, presenciávamos um ataque de um jaguar a uma anta adulta. Uma briga de gigantes. Quando o jaguar estava por vencer e dar o golpe final, teve de voltar sua atenção para o puma que lhe tentava roubar a caça. A coragem do puma não durou muito, mas deu tempo necessário para que a anta se recuperasse e, num último esforço, se atirasse no rio para tentar se safar. O problema é que ela deu de cara com um crocodilo, justo quando o jaguar já estava em suas costas. Momentos de tensão entre os dois grandes predadores, um cheiro de empate no ar, o jaguar titubeando se partia para o ataque contra o enorme réptil que o esperava de boca aberta. Felizmente, para o jaguar, o crocodilo teve se se voltar para trás, pois foi violentamente atacado por um tubarão-touro. A anta aproveitou a confusão para sair do rio e se afastar sorrateiramente. O jaguar viu-a partir, mas preferiu assistir de camarote a titânica luta entre os seres aquáticos à sua frente. Ele a o casal de águias que voava por ali. A anta ainda cruzou com o puma que, após ameaçar um ataque, percebeu que ela era grande demais para ele. Tubarão e crocodilo se afastaram, alguns arranhões e ofensas de cada lado. Ao final, cada grande animal seguiu o seu caminho, felizes por terem sobrevivido a mais um dia na floresta. Mais feliz que todos juntos estava eu, cheio de fotos e pronto para ganhar o próximo prêmio Pulitzer. Assim é o Corcovado. Não só nossos sentidos se aguçam. A imaginação também...
Uma anta se delicia em poça de lama na floresta do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Tartaruga Cabeçuda no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Tínhamos um bom motivo para começar o dia mais cedo hoje. Queríamos visitar o Projeto Tamar e para quem chegasse lá antes das 09:00, a entrada era na faixa. Assim, tomamos o café da manhã no belo jardim da Pousada dos Artistas e caminhamos até o vizinho Tamar onde chegamos 5 mintos antes do tempo regulamentar.
Café da Manhã na Pousada dos Artistas, na Praia do Forte - BA
Pelo menos para quem vê de fora, o Projeto Tamar é uma história de sucesso. Quase fazendo trinta anos de idade e espalhado por toda a costa brasileira, o projeto indiscutivelmente atingiu seu maior objetivo: salvar as tartarugas que frequentam a nossa costa da extinção. Essa é uma luta constante e não se deve baixar a guarda, mas 10 milhões de tartaruguinhas devolvidas ao mar mais tarde, não há dúvidas que a situação da espécie (ou das cinco espécies) é bem melhor que a situação de 30 anos atrás.
Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Tão ou mais bonita que essa luta foi o trabalho feito com as comunidades de pessoas que vivem e convivem com as tartarugas. Com um paciente trabalho de conscientização, a começar pelas crianças, essas comunidades foram trazidas para dentro da luta pela proteção. Quem antes caçava e comercializava esses simpáticos répteis hoje está à frente da luta para protegê-los. Além disso, várias atividades econômicas foram estimuladas como o artesanato local e o turismo.
Painéis informativos no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
O sucesso foi tanto que projetos irmãos apareceram, como aqueles que protegem os golfinhos rotadores, as baleias jubarte e os peixe-bois. Longa vida a todos eles e que repitam o sucesso alcançado pelo Tamar!
Tubarão Lixa e tartaruga no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Passamos algumas horas por ali, vendo e aprendendo sobre tartarugas e outras espéces, como arraias e tubarões lixa. É muito legal ver os cinco tipos de tartarugas uma ao lado da outra, descobrir suas diferenças de tamanho e aparência, como eram caçadas pelos nossos índios e colonizadores. As pobres tartarugas eram embarcadas nas naus e serviam de almentação, carne fresca contra o escorbuto nas grandes explorações transoceânicas. Nossa... como eles gostariam de ter capturado uma daquelas tartarugas pré-históricas de 4 metros de envergadura e algumas toneladas de "carne fresca". Bom, nem tão fresca assim, já que essa espécie sumiu dos mares já há algumas dezenas de milhões de anos...
AS cinco espécies de tartaruga que vivem no Brasil, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Tartaruga pré-histórica gigante, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Ao final da visita, uma passagem pela ótima loja do Tamar (tenho a impressão que essa base do Tamar na Praia do Forte é a maior e mais completa de todas...). Ali, a Ana comprou algumas roupas e presentes, nossa maneira de contribuir com o projeto, com a produção local e ainda adquirir produtos de qualidade.
Tubarões Lixa interagindo no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Finalmente, uma rápida passagem no famoso Bar do Souza. A fama de seus bolinhos de peixe realmente é merecida. Acompanhado de uma caiprinha de mangaba ou caipiroska de umbu e com aquela vista maravilhosa da Praia do Forte, ninguém poderia pedir mais...
Uma câmera na mão e uma caipirinha na cabeça! (na Praia do Forte - BA)
Confraternização em boteco de Havana, capital de Cuba
Nossa primeira missão no dia de hoje em Havana foi encontrar um médico para a Ana. Depois dos últimos mergulhos em Little Cayman o ouvido dela começou a doer e a medicação que temos não estava fazendo muito efeito. Além disso, como vamos mergulhar na Isla de La juventude muito em breve, queríamos saber se ainda dava para fazer algo.
Antiga torre de fortaleza em Havana, capital de Cuba
Cuba, como todos os países, tem suas virtudes e defeitos. Entre as maiores virtudes, cantadas em prosa e verso pela esquerda latino-americana, estão seu sistema de educação e de saúde. Às vésperas da revolução, no final da década de 50, o índice de analfabetismo no país era deprimente, bem acima dos 50%. Com o triunfo dos rebeldes, em 1959, numa grande cruzada de alfabetização idealizada por Che Guevara, centenas de voluntários percorreram todo o país para ensinar as pessoas a ler e escrever. O resultado foi fantástico: em apenas um ano, praticamente não havia mais analfabetos no país. Hoje, em flagrante contraste com os outros países latinos, quase toda a população tem o curso ginasial completo, a grande maioria terminou o 2º grau e uma boa parte tem curso universitário.
Brasil e Cuba, povos irmãos! (em Havana - Cuba)
Na área da saúde, a assistência médica é garantida para todos e, pasmem, existe uma categoria de turismo no país que é chamada de “turismo médico”. Até europeus vem para cá atrás de operações muito mais baratas que em seus países de origem. Isso vem mudando nos últimos anos e o tratamento de estrangeiros já não é a mamata que era até dez anos atrás. Existe o serviço, mas paga-se por ele. Eu e a Ana fomos diretamente a uma clínica para onde são enviados os turistas. Não demorou muito e fomos atendidos. A falta de equipamentos modernos é contrabalançada com o profissionalismo dos médicos. O nosso receitou novos remédios e proibiu a Ana de mergulhar por um bom tempo. No final, pagamos a conta e compramos os remédios: preços comparáveis aos que teríamos no Brasil.
Museu de la Revolución, em Havana, capital de Cuba
Hora então de voltar ao centro. Fomos diretamente ao Museu da Revolução, que ontem estava fechado no dia internacional de fechamento de museus (segunda-feira). A Ana, Rafa e Laura entraram, para ver fotos e textos vangloriando o movimento que deu fim à ditadura sangrenta de Batista na década de 50 enquanto eu fiquei do lado de fora, numa sombra gostosa, lendo sobre a história cubana. Resolvi aproveitar esse tempo para isso, já que da outra vez que estive aqui já tinha repassado o museu de cima a baixo. Na minha frente, o prédio envidraçado que guarda e expõe o Granma, o iate (ou banheira) que trouxe os 82 revolucionários do México para Cuba em Dezembro de 56, iniciando a guerrilha que, dois anos de lutas mais tarde, triunfaria. Esse início (a viagem) não foi fácil. Oitenta e duas pessoas apinhadas num barco de 18 metros concebido para transportar 12 pessoas. Como diz o ditado, “o que não mata, fortalece”.
Rua turística no centro de Havana, capital de Cuba
Mas a minha leitura referia-se a outra parte da história, um pouco mais antiga. Em meados do séc XIX a Espanha havia sido expulsa de todas as suas ex-colônias continentais, restando-lhe as ilhas caribenhas de Cuba e Porto Rico, onde se agarrava com unhas e dentes. Em Cuba, parte da aristocracia local ainda apoiava os laços com a Espanha, enquanto uma outra parte defendia abertamente a união com os Estados Unidos. Ambos temiam que uma guerra de independência levaria ao mesmo que ocorreu no vizinho Haiti, uma sangrenta revolta de escravos contra seus opressores brancos. Aliás, a ideia de se juntar aos EUA tinha como uma das razões exatamente isso: manter o regime escravocrata, que então vigia nos estados do sul daquele país.
Rua não turística no centro de Havana, capital de Cuba
Mas havia também aqueles que defendiam a independência e as guerras começaram na década de 60. Por quase 40 anos houve lutas, os principais líderes sendo capturados e executados pelas tropas espanholas. Nesse meio tempo, os EUA fizeram nova oferta de compra da ilha, rejeitado pela Espanha. Finalmente, já perto do final do século, finalmente parecia que os rebeldes estavam perto da vitória, a monarquia espanhola em grave crise na Europa. Mais uma vez o Tio Sam tentou comprar a ilha, mas o preço ainda estava baixo. Enviou então um barco de guerra ao porto de Havana, para proteger interesses americanos na ilha em guerra. Misteriosamente, o Maine, explodiu quando estava ancorado perto do porto, causando mais de 200 mortes. Apesar da Espanha negar qualquer participação na explosão, era o motivo que os EUA queriam para declarar guerra ao país ibérico. A estranha coincidência na explosão do Maine é que não havia nenhum oficial à bordo, apenas marujos entre os mortos. Na versão ensinada pela Cuba socialista de hoje, foram os próprios americanos que explodiram seu barco, com o intuito de terem uma razão para tomarem a ilha. O monumento construído em honra aos mortos do barco, construído no início do século XX, foi alterado após a revolução e hoje tem uma placa lá que defende a versão do “auto-atentado”.
Preparando os famosos morritos! (em Havana, capital de Cuba)
Bom, os EUA entraram em guerra e a venceram rapidamente. O prêmio foi não apenas Cuba, mas também Porto Rico e as Filipinas. A antiga colônia inglesa agora era, ela mesmo, uma “metrópole”. Aqui em Cuba, na cerimônia oficial de rendição espanhola em Santiago de Cuba, os americanos nem permitiram que os generais cubanos da guerra de independência, com exércitos formados por milhares de negros, participassem do evento ou das negociações. Ocorre que, poucos meses depois, também as tropas do novo exército invasor tiveram que bater em retirada, batidos pela altíssima mortalidade das doenças tropicais.
O arranjo seguinte concedeu à Cuba a independência (ao contrário do que ocorreu com Porto Rico e Filipinas), mas com uma ridícula cláusula constitucional que garantia aos EUA o “direito de intervir no país sempre que achasse necessário”. Com base nessa cláusula, poucos anos mais tarde os EUA ocuparam a base de Guantânamo, de onde não saíram até hoje. Pelo menos a tal cláusula foi abolida na época de Roosevelt, já na década de 30.
Morritos prontos para serem apreciados, em boteco tradicional de Havana, capital de Cuba
Terminada a minha aula de história e o passeio pelo museu revolucionário da Ana, Laura e Rafa, seguimos para novo passeio à pé pelo centro da cidade, região do Capitólio e Parque Central. O Capitólio é uma réplica de seu congênere em Washington, mas hoje se encontra em reformas, fechado para visitas. No centro, novas caminhadas pelas ruas turísticas e também pelas não turísticas, cada uma com suas atrações e charme. Entre eles, bares tradicionais onde se pode degustar uma das grandes invenções cubanas: o Mojito! Esse é apenas um dos muitos drinques hoje famosos internacionalmente que foram inventados por aqui (tem também o “Cuba Libre”, o “daiquiri”, entre outros...). Tomamos os mijitos em companhia de um simpático casal de cubanos que nos abordaram durante nosso passeio. Como eles, há centenas de outros cubanos que se aproximam de turistas e, mistura de guias, curiosos ou amigos, acabam descolando algum dinheiro, refeição, bebida ou apenas algumas horas de conversa. E nós, os turistas, ganhamos alguns insights da vida cotidiana cubana, além da boa conversa. Troca justa, quase sempre.
Despedindo-se da simpática e octagenária Margarita, dona da casa onde ficamos em Havana - Cuba
De volta para casa, uma longa e esclarecedora conversa com a nossa querida Margarita sobre como foi a mudança da vida após a revolução e sobre como funcionam as coisas hoje aqui no país. Assuntos que vou tratar durante os posts seguintes. Soubemos também que, naquela mesmo mesa que conversávamos, muitas vezes se sentaram também o Fidel e o Che, amigos do sogro médico da Margarita. Fomos dormir tentando imaginar essas cenas. E também preparados para acordar de madrugada, pois teremos de chegar bem cedo ao aeroporto onde voaremos para a Isla de La Juventud, na costa sul do país.
Chegando de caiaque no encontro do rio com o mar, na praia de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Depois da seção de "esportes radicais" pela manhã, resolvemos fazer algo mais light na nossa tarde. A nossa pousada disponibiliza caiaques para seus hóspedes. Como estamos ao lado do rio, fica bem prático!
De caiaque pelo rio de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Lá fomos nós, rio abaixo, em direção ao mar. "Rio abaixo" é modo de falar já que a maré subia e, na prática, estávamos indo rio acima em direção ao mar. E com todo o cuidado para não molhar a máquina fotográfica. Não é uma distância longa e logo estávamos lá, visual lindo do encontro do rio com o mar, uma língua de areia separando os dois corpos d'água e várias crianças brincando por ali. Duas delas até se animaram e vieram andar com a gente.
Levando crianças para passear de caiaque no rio de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Encontro do rio com o mar na praia de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Depois, seguimos para o interior, explorando o mangue à nossa volta, até chegar numa ponte. O sol se pondo compos um belo fim de tarde aquático e esportivo! Explora daqui, explora dali, ilhas, pontes, pequenos lagos, temperatura agradabilíssima, tanto fora como dentro d'água e era tempo de voltar.
Atravessando sob a ponte do rio em Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Dia tranquilo, saudável e "natural". Amanhã ainda teremos tempo para uma caminhada na praia até Coqueirinhos e depois, pé na estrada até à vizinha "John People", como carinhosamente chamamos a capital paraibana. Já temos uma longa lista de coisas para acertar por lá...
Fim de tarde no rio de Tabatinga em Jacumã, distrito de Conde - PB
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