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Jorge (12/10)
Oi Ro, feliz aniversário atrasado. Que joia que ainda existe o forró d...
WELINTON CHARLES GONCALVES DE QUEIROZ (12/10)
tive o previlegio de conhecer a comunidade de capivari osenhor genesio,o ...
Dona Helen e Joca (11/10)
Não conseguindo falar pelo telefone,para ouvir sua voz,resta-nos a mensa...
Pedro (11/10)
Lucia (11/10)
Parabéns Rodrigo. Tudo de bom, hoje e sempre. Muita luz e muita proteç...
Boston Common, o principal parque da capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Há quase 30 anos a cidade de Boston entrou no meu “radar”. Inicialmente, foram tios que foram morar por lá. Depois foi minha irmã, primeiro para uma temporada mais curta e depois, apaixonada pela cidade, por longos anos. Com a filha por lá, foi a vez da minha mãe ir passar umas temporadas na cidade, sempre tão bem descritas nas memoráveis cartas que escrevia para os outros filhos que ficaram no Brasil. Pois é, eram tempos pré-internet e as cartas é que eram nosso meio de comunicação. Tempos românticos...
O símbolo da Frog Pond, no Boston Common, o principal parque da capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Harvard, MIT, Charles River, Boston Celtics, Boston Globe, Red Line, todos esses nomes passaram a fazer parte do meu vocabulário e do meu imaginário. Absolutamente todos os sábados, a cena se repetia: lá ia meu pai em direção ao correio para enviar notícias “fresquinhas” da família e do país sempre para o mesmo destino: Boston. De lá também chegavam notícias, às vezes acompanhadas de fotos. Do quente verão, do gelado inverno, do cinematográfico Outono. A intimidade com a cidade tão longínqua fazia parecer que ela estava próxima, ali na esquina, pronta para ser visitada. Ledo engano! Além dos milhares de quilômetros de distância espacial, foram precisos 28 anos, uma quase eterna distância temporal para que, finalmente, eu aqui chegasse. Quis o destino que fosse com minhas próprias rodas, saídas lá do Brasil, acompanhado da esposa que ainda mal sabia falar quando Boston passou a fazer parte do meu mundo e da afilhada, cujos pais, naquela época, começavam a namorar...
Refrescando-se na Frog Pond, no Boston Common, o principal parque da capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Infelizmente, o tempo para conhecer minha “conhecida” Boston é pequeno. Chegamos ontem no final da tarde e vamos embora amanhã, depois do almoço. No nosso único dia inteiro por aqui, programamos ir direto para o centro da cidade e mergulhar nas suas ruas, parques e histórias. Amanhã, vamos conhecer Cambridge, o subúrbio onde estão duas das mais importantes universidades do mundo, Harvard e MIT, e o local onde estamos hospedados.
As moças batem um papo embaixo da fonte do Frog Pond, no Boston Common, o principal parque da capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Depois do banho, uma limonada gelada no Boston Common, o principal parque da capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Uma caminhada de 10 minutos nos levou para uma das estações da Linha Vermelha de metrô. Boston foi a primeira cidade americana a contar com esse tipo de transporte, ainda muito antes da virada do séc XIX para o XX. A “Red Line” conecta Cambridge ao centro da cidade e está sempre cheia de estudantes. Minha diversão, além de constantemente observar a afilhada observando o mundo que a cerca, quase sempre reclusa em seus próprios pensamentos, era imaginar a mâe e a irmã passando pelas mesmas estações, tanto tempo atrás.
A famosa estátua dos "ducklings", no Boston Common, o principal parque da capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Descemos ao lado do Boston Common, o centenário e mais importante parque da cidade. Hoje, era a praia de Boston, seus habitantes e visitantes tendo de lidar com um calor acima dos 30 graus centígrados. A Bebel não se fez de rogada e entrou logo no “mar daquela praia”, o Frog Pond, um lago com uma fonte no centro. Lá estavam dezenas de crianças se divertindo, além de uns poucos e bem felizes adultos. Não demorou muito para que a Ana se juntasse a eles, as duas de roupas encharcadas, mas felicíssimas da vida embaixo da fonte.
Mostrando para a Bebel o nosso caminho pelo centro de Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Devidamente refrescadas, ainda mais depois da limonada que se seguiu ao banho no lago, seguimos os três para um passeio pelo belo parque, jardins, árvores e flores muito bem cuidadas e aparadas. Sem se esquecer da famosa estátua da mamãe pato e seus oito patinhos caminhando por ali, baseada num famoso numa famosa história para crianças.
O primeiro cemitério de Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Daí seguimos para a caminhada pelo centro histórico. Uma linha vermelha, feita com tijolos dessa cor, nos guia pelas ruas da cidade. Passamos por cemitérios, palacetes, casas e ruas onde fatos e acontecimentos decisivos para o nascimento da mais poderosa nação do mundo se passaram. O mais importante deles, a casa que havia sido a sede do poder legislativo da colônia de Massachusetts, foi transformada em museu e aí entramos para aprender um pouco dessa interessante história.
Recorte de jornal antigo anunciando a venda de vários "produtos", inclusive escravos, em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Os primeiros colonizadores da américa britânica, ainda no início do séc XVII, partiram para a nova terra em busca da liberdade, principalmente a religiosa. Fugiam de uma Europa devastada por perseguições, onde reis tentavam impor sua fé à todos os súditos. No novo continente, a ideia de liberdade foi se consolidando ao longo das novas gerações, atraindo mais e mais imigrantes. Por aqui prosperaram, ainda leais à coroa britânica. Tinham os mesmos direitos e deveres de seus parentes ainda na Europa e não titubearam em apoiar o rei em sua luta contra os franceses pela supremacia no novo continente. Mas, foi essa mesma guerra em que lutaram com afinco, ajudando na vitória final, que plantou as sementes da discórdia.
Líderes revolucionários e realistas na cidade de Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
A guerra foi cara e, desesperados por financiamento, os parlamentares ingleses decidiram por novos impostos em suas 13 colônias na América. A notícia caiu como uma bomba naquela que era a mais comercial de todas elas, Massachusetts. A obrigação de comprar apenas da metrópole e, pior, pagar altas taxas de importação sobre diversos produtos, enfureceu a nascente burguesia de Boston. Pela primeira vez, sentiam-se tratados como cidadãos de 2ª classe. O clima de revolta culminou coma famosa ação do “Tea Party”. Disfarçados de índios, habitantes da cidade invadiram navios ingleses ancorados no porto e jogaram na água toda a sua carga de chá.
Apontando a varanda de onde foi lida para o público a Declaração de Independência, em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Daí para frente a situação só foi se deteriorando. O rei ordenou uma ocupação militar da cidade, acirrando ainda mais os ânimos. Os “red caps”, como eram chamados os soldados ingleses, eram odiados pela população e constantemente fustigados. Em uma dessa ocasiões, abriram fogo, matando quase dez civis, no episódio conhecido como “Massacre de Boston”. A esta altura, já havia aqueles que defendiam abertamente a separação, ou independência da Inglaterra. Entre eles, se destacam os irmãos Adams, importantes personagens na história americana. Um deles seria o segundo presidente da nova nação, duas décadas mais tarde.
O sempre movimentado Quincy Market, em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Os ingleses se retiraram da cidade, depois desse episódio. Mas voltaram poucos anos depois, dessa vez com uma força maior. Já estávamos às vésperas da guerra. Quando ela começou, Boston foi logo conquistada pelos britânicos, na primeira grande batalha da guerra. Mas foi uma vitória de Pirro. Não demorou muito para que Washington libertasse a cidade. Assim, foi aqui que tudo começou, ainda em 1760, e foi aqui que os americanos, na prática, o primeiro sinal que poderiam vencer.
Nossos conhecidos brasileiro e mexicano, em loja do Quincy Market, em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Depois de tanta história, passamos para assuntos mais presentes. Fomos até o Quincy Market, um mercado centenário hoje transformado em centro turístico. São dezenas de restaurantes, lanchonetes e afins reunidos sob um mesmo teto, um grande galpão que já foi o principal mercado da cidade. Hoje, é um dos principais centros turísticos da cidade e aí comemos, numa lanchonete onde trabalham imigrantes do Brasil e do México. Latinos fazendo sua vida nos Estados Unidos, os mesmos imigrantes que fizeram desse um grande país e assim continuarão fazendo, se ninguém atrapalhar...
A interessante arquitetura das ruas centrais de Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Bom, depois do contato com os novos imigrantes e da história dos antigos, fomos prestar nossa homenagens aos “imigrantes do meio”, aqueles que vieram no final do séc XIX e início do XX. São os italianos, quem tem seu próprio bairro na cidade, a Little Italy. Aí estão alguns dos melhores restaurantes de Boston e foi num dels que passamos nosso final de tarde, num jantar delicioso e antecipado.
Refeição em restaurante na Little Italy em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Barriga cheia, de volta ao metrô, dessa vez à Green Line. Uma certa confusão na hora da baldeação nos mandou á direção errada. Apenas mais uma oportunidade para passear no metrô mais antigo do país. Corrigido o erro, não demorou muito r já estávamos de volta à Cambridge e ao nosso charmoso Inn.
Caminhando pelas ruas centrais de Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Um dia de caminhada pelo centro da cidade me fez parecer que a intimidade com ela finalmente ficou mais real. Amanhã, esse sentimento vai aumentar, com certeza! Além do passeio pelo campus de Harvard, vamos voltar rapidamente para Boston, pois deixamos para trás a Trinity Cathedral, considerado um dos prédios mais belos dos Estados Unidos. Vamos conferir!
Trem do metrô de Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos
Tradicional foto com o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro - RJ
A previsão dizia que hoje seria o último dia de sol por muito tempo aqui no Rio, mas não foi assim que amanheceu não. Estava acizentado, com cara de cama até tarde. Mas não era o caso. Tinha compromisso às 07:30 na Lagoa, encontro com o Pfeifer, um grande amigo do primo Haroldo que acabou se tornando amigo meu também , principalmente depois de viajarmos os três para Argentina e Chile, há mais de 18 anos. No meio da viagem o Haroldo teve de voltar e continuamos, eu e o Pfeifer, até Punta Arenas, lá no fim da América e do mundo. Depois disso ele se formou, mudou de país, voltou para o Brasil, casou-se e tem dois filhos. Já é carioca há um bom tempo e não nos víamos há uns 15 anos, pelo menos...
Encontro com o Pfeifer na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ
A Ana venceu seu sono também (para ela, o esforço é sempre maior!) e fomos para a Lagoa, eu correndo e ela de bicicleta. Com algum trabalho, finalmente encontramos o Pfeifer. Ela mora no Corte de Cantagalo e a Lagoa é seu quintal. Que chato... Foi jóia revê-lo e ver também a sua esposa e os flhos, esses por fotos.
Correndo na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ
Feito a social, terminamos a volta na Lagoa. Adoro dar essa volta e faço sempre que posso. Muito bem marcada, a pista, e a vista, nem se fala. Nesse meio tempo, o céu azul apareceu, voltamos para casa, pegamos a Fiona e partimos para ver o Rio das alturas.
O Pão de Açúcar, visto do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ
Primeira parada, nada mais nada menos que o Corcovado e o Cristo Redentor. Foi-se o tempo que podíamos seguir de carro até lá em cima. Agora, paramos antes e o último trecho é feito de van. A entrada, um verdadeiro assalto, é 16 reais em dias de semana e quase 25 nos finais de semana e feriados. Imagina o quanto que não estão faturando... Deste modo, infelizmente, a pobre Fiona não pode conhecer o Cristo Redentor. Só por fotos...
Ipanema, Leblon e Gávea vistos do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ
Lá em cima, vista absolutamente espetacular para todos os lados. Realmente, é a cidade mais bonita do mundo, pelo menos das que eu conheço. A Lagoa, a Floresta da Tijuca, a Pedra da Gávea, os Dois Irmãos, o Pão de Açúcar, a Baía da Guanabara, todos juntos formando uma verdadeira pintura. É de cair o queixo. O meu e das centenas de turistas, brasileiros e gringos, que visitam o monumento todos os dias. Para nós, que temos andado pela cidade nesses últimos dias, é uma delícia vê-la de cima, tentar reconhecer prédios, bairros, morros e praias que temos estado e visitado. Melhor aula de geografia não há.
Fiona atravessando a Floresta da Tijuca pela Estrada das Paineras, no Rio de Janeiro - RJ
De lá seguimos para a Estrada das Paineras, que corta o Parque Nacional da Floresta da Tijuca, maior parque urbano do mundo. Nos fins de semana, essa estrada é fechada para pedestres, que fazem a festa lá em cima, ar mais puro e fresco que ao nível do mar, várias bicas de água doce para se refrescar e banhar-se. Numa sexta os carros podem passar. Ela é bem vazia e é difícil imaginar que estamos no coração (ou nos pulmões?) da segunda maior metrópole brasileira.
Pedra da Gávea vista do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ
A Floresta da Tijuca na verdade é um reflorestamento. Toda a área já foi uma gigantesca plantação de café. Mas quando as fontes de água da capital imperial começaram a secar, D. Pedro II teve o discernimento de ordenar o reflorestamento. Isso há mais de 140 anos atrás! Para quem acha que o movimento ecológico é coisa recente... O imperador teve o cuidado de usar botânicos e estudiosos para fazer o reflorestamento. O resultado é essa maravilha que vemos hoje, talvez o maior ativo da cidade do Rio de Janeiro.
Vista Chinesa, no P.N da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro - RJ
Seguimos até a Vista Chinesa e a Mesa do Imperador, dois pontos na floresta que possibilitam vistas maravilhosas da cidade. Da Vista Chinesa e do seu pagode típico da Ásia é possível observar, num mesmo "quadro", o Corcovado e o Pão de Açúcar, com a Baía da Guanabara ao fundo. Que colírio para os olhos!
Corcovado e Pão de Açúcar vistos da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ
Por fim, seguimos para São Conrado, encontrar o instrutor que levaria a Ana para mais alto ainda, para um salto de asa delta. Mas isso fica para depois...
Belo visual da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ
Um gigantesco elefante-marinho macho e a pequena fêmea ao seu lado, na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Depois de conhecer a baía de Ocean Harbour de dentro d’água, era hora de conhecê-la por terra. Como todas as baías dessa ilha, há uma pequena planície que circunda a praia e que é ardorosamente disputada por diferentes espécies de animais. Um pouco mais além, montanhas e geleiras quase intransponíveis, um terreno que é inabitável, tanto para nós como para eles, essas mesmas espécies que disputam o terreno ao lado da praia.
O magnífico cenário de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Hora de deixar a belíssima baía de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul, para trás
É por isso que a Geórgia do Sul, apesar de ser apenas uma ilha, na prática se comporta como se fossem várias delas. Cada baía, uma terra isolada, uma outra “ilha”. Para ir de uma praia a outra, de uma “ilha” a outra, só voando ou nadando. Animais que não sabem fazer nem uma coisa ou outra estão fadados a ficar sempre na mesma área da Geórgia do Sul. Aliás, é por isso também que não se desenvolveram ou evoluíram animais terrestres na Geórgia. Falta de espaço de evolução! Essa era a regra até a chegada do bicho-homem que, como todos sabemos, não é muito ligado nessa história de “regras da natureza”. Por isso, com ele trouxe vários animais terrestres que não eram (ou são) naturais da ilha. Assim como fez em todas as ilhas que conheceu ao longo dos últimos 50 mil anos de história.
Um lobo- marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. No fundo, o naufrágio do Bayard
Filhotes de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Bem, os primeiros animais que vimos ao pisar em terra firme foram os mesmos que já havíamos visto desde nosso caiaque e também os mesmos que temos visto nas outras baías da Geórgia do Sul: lobos e elefantes-marinhos e os pássaros, como pinguins, skuas, gansos, gaivotas, shags e albatrozes. Enfim, a fauna natural da ilha. Depois, apurando mais os olhos, apareceu a fauna exótica. Mas antes de falar dela, quero falar da fauna “natural”, pois mesmo ela vimos em situações distintas das que vínhamos vendo até agora.
Um prion coleta material para fazer o seu ninho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
O verdadeiro jardim em que se transformou o naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
A começar pelos shags imperiais, aquele pássaro com barriga branca e costas negras, mas que são diferentes dos pinguins porque sabem voar muito bem. A gente logo os reconhece pelas sobrancelhas amarelas e a mancha azul ao redor dos olhos. Pois bem, por aqui eles não fazem seus ninhos em rochedos, como nas outras baías que visitamos, mas no grande barco enferrujado e encalhado no meio da baía há mais de 100 anos, o Bayard. Já os tínhamos visto e fotografado do nosso caiaque, uma hora antes, mas foi em terra que descobrimos uma coisa. Ele pode até fazer seus ninhos no Bayard, mas o material de construção não está no navio, mas em terra. Então, ele voa para cá, junta alguns gravetos com seu bico e voa para lá, para seguir com a “obra”. Isso explica também o verdadeiro jardim em que se transformou o convés do antigo navio. É a fauna dando uma mãozinha para a flora!
Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Dos shags construtores para os pinguins. Sim, claro, já estamos até cansados de ver essa simpática ave nadadora em todas as baías que paramos. Aqui foi igual, pequenos grupos de pinguins rei (aqueles com as manchas amarelas) no gramado tomando um sol para variar. Belos como sempre. Havia também grupos de gentoo (aqueles mais “tradicionais”, apenas preto e branco). Embora com menos frequência, também já tínhamos visto os dois tipos de pinguim no mesmo lugar, mas nunca tão próximos.
Pinguins das espécies gentoo e rei parecem discutir na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Melissa Bartlett)
Pois é, dessa vez, conseguimos ver algo que já queria ver faz tempo: pinguins de espécies diferentes interagindo. Custou, mas conseguimos! Dois deles acabaram se cruzando, mas não sei se gostaram muito disso não. Pelo menos visualmente, parece até que discutiram. Pois é, isso levanta a outra questão que me tem “atormentado”. Será que falam a mesma língua? Alguém vai saber me responder essa questão?
Lobo-marinho observa praia lotada de elefantes-marinho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Lobo-marinho observa elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Dos pássaros para os mamíferos. Temos visto lobos-marinhos por todos os lugares. Essa é a época de chegarem às suas praias preferidas e estabelecer um território para poder receber suas pretendentes. Lutam, literalmente, com unhas e dentes por esse território, seu mais valioso ativo e “atrativo sexual”. O problema para eles é que, nesse ano, aparentemente a estação dos elefantes-marinhos atrasou e, quando eles chegam às praias, além de lidar com seus adversários da mesma espécie, ainda tem de lidar com os “antigos inquilinos” das praias que ainda não foram embora. E contras esses, não têm a menos chance. Um elefante-marinho macho é mais de 10 vezes mais pesado que um lobo-marinho, Assim, há de ter paciência...
Lobo-marinho descansa ao sol em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Lobo-marinho dorme na grama em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Pois bem, aqui em Ocean Harbour os elefantes estão especialmente atrasados. É possível perceber nas feições dos lobos que chegam à praia e veem aquela muvuca de elefantes: “ai ai ai... e agora?”. Sorte daqueles que ainda conseguem um pedacinho... Pelo menos atrás das pedras da praia há um gramado fresquinho e apetitoso, pelo menos nesses dias de sol. Os elefantes preferem a praia mesmo e na grama descansam os lobos nascidos na estação passada e que ainda não foram para o mar em definitivo. Esses podem ainda descansar tranquilamente, pois ainda não se preocupam em procurar namoradas. Como eu disse, num dia ensolarado como hoje, aquela graminha estava mesmo atraente...
Fêmea de elefante-marinho desperta enquanto o macho dorme profundamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Um enrugado filhote de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Por fim, sobraram os atuais reis da praia, os elefantes-marinhos. Passada a época de maior stress, quando os grandes machos também tinham suas batalhas titânicas por espaço e pelos enormes haréns, hoje reina a tranquilidade. Daqueles grandes confrontos de poucas semanas atrás, sobraram as cicatrizes no rosto dos machos, tanto vencedores como perdedores. O que vemos agora são haréns organizados ao redor de um grande macho, além dos elefantinhos recém-nascidos e dos nascidos há um ano.
Família de elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. O macho é muito maior do que a fêmea
Casal de elefantes-marinho namoram na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Mesmo assim, em família, ainda se vê o “namoro” entre eles. Esses machos de até quatro toneladas são incansáveis, mas sabem ser gentis também. Quando não estão sobre as fêmeas, estão ao lado delas, abraçando-as candidamente. Assim, um ao lado do outro, é quando percebemos claramente a incrível diferença de tamanho entre os dois sexos. As “elefantas”, que são elas mesmas também muito grandes, maiores que os maiores lobos-marinhos, ficam absolutamente minúsculas perto do macho. Haja coragem...
Um elefante-marinho macho não parece se importar com as cicatrizes de antigas batalhas e dorme tranquilamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
A hora da verdade! Polar plunge nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
Antes mesmo de embarcarmos no Sea Spirit, quando ainda líamos sobre as atrações oferecidas nessa viagem, ficamos sabendo sobre um tal de “polar plunge”. A gente sempre brincava que iria dar um mergulho nos mares gelados do sul, mas não imaginava que, na verdade, isso fazia mesmo parte da programação. O que tinha começado apenas como uma brincadeira entre nós virou mesmo uma coisa muito séria, mais do que uma possibilidade, uma verdadeira obrigação que teríamos de cumprir ao final da viagem. Obrigação moral que nos impusemos, com muito prazer, claro!
O fotógrafo novaiorquino Brian foi o primeiro a encarar o "polar plunge" nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
Pois é, “polar plunge” quer mesmo dizer “mergulho polar” e é uma atividade oferecida por muitos dos navios que viajam à Antártida. Algumas vezes é na praia, mas a maioria delas é em alguma baía tranquila, ao lado do Sea Spirit. Essa espécie de “batismo” é oferecida no final da viagem, pouco antes de zarparmos de volta à América do Sul. Obviamente, é uma atividade (ou loucura!) voluntária, prontamente adotada pelos mais corajosos e tolos. Nós entre eles, claro!
A plateia assiste e aplaude os valentes participantes do polar plunge nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
Éramos 17 no total, praticamente toda a “ala jovem” dos passageiros além de uns senhores mais loucos, como nosso grande amigo Sail, da Holanda, o sexagenário de alma mais jovem do navio. Todos os outros passageiros do barco, aqueles com mais juízo, se aboletam no no deck de cima e ficam lá, incentivando, aplaudindo e fotografando. Os guias ficam conosco no deck de baixo e também em um bote em frente ao barco, para terem os melhores ângulos para fotografar. Também está lá o médico do barco, pronto para qualquer eventualidade. Com todas as letras, ele nos disse: “Vocês são loucos!”.
O canadense Doug também encarou o "polar plunge" nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
A temperatura da água é de 0 graus. Isso mesmo, ZERO graus. Ela é azul, transparente e muito gelada! Antes de entrarmos na água, uma pessoa de cada vez ou, para os pombinhos apaixonados, dois de cada vez, somos devidamente amarrados. Isso é para o caso de congelarmos ou termos algum ataque lá embaixo. Assim, fica mais fácil eles nos puxarem de volta ao barco. O médico tem com ele um desfibrilador, aparelho que ele jura nunca ter usado (ainda!) nessa atividade. Enfim, melhor estar preparado para tudo, não é?
A escocesa Rowan faz pose durante o mergulho gelado nas águas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
A Rowan se apressa em sair das águas geladas em Brown Bluff, na Antártida
E assim, tudo preparado, lá vamos nós! Quem abriu a contagem foi o Brian, um fotógrafo nova-iorquino que ficou muito amigo nosso também. Depois veio a simpática Rowan, uma escocesa que está viajando pela segunda vez à Antártida. Dentre nós, era a única “veterana” em polar plunge! Por isso, já pulou com estilo!
O cinegrafista Jeff entrou com estilo nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
O Jeff ainda teve forças de nadar um pouco nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
Teve ainda o Jeff, diretor de cinema, que deu uma linda ponta e ainda algumas braçadas na água congelante. Mas nem todo mundo se dava tão bem assim. O nosso amigo Sail fez uma terrível careta ao entrar na água, devidamente captada e eternizada pelas câmeras.
O holandês Sail faz cara feia ao cair nas águas geladas em Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
O holandês Sail faz cara feia ao cair nas águas geladas em Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
Mas quem mais chamou a atenção foi mesmo a sul-africana Kim, com um belíssimo salto acrobático e que, ao se levantar na água, para delírio geral de todos, mostrou os seios de propósito. É claro que fotos foram tiradas. E censuradas!
Com todo o estilo, a sulafricana kim salta para as águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
A Kim ainda consegue relaxar nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida
Entre os casais, nossos amigos companheiros de remadas no caiaque e também os simpáticos Lochi e Anne, ele australiano e ela alemã. Deram o beijinho da sorte bem estilosos, mas na hora de pular, foi cada um para um lado, numa cena bem menos glamorosa.
Clima de romance entre o australiano Lochi e a alemã Anne pouco antes do polar plunge do casal nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
Sem muito estilo, Lochi e Anne caem nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
E por fim, chegou a nossa vez, os últimos da fila. Eu com a GolPro a postos e a Ana vestida de rosa. Será que ela achou que assim era mais quente? Demos também nosso beijinho e, naquela hora já não tinha mais volta, para água fomos os dois!
Um beijo de despedida antes do polar plunge do casal 1000dias nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
A sensação, como já haviam descrito para mim, é a de um milhão de agulhas entrando no seu corpo ao mesmo tempo. O nosso coração para, sem entender o que está acontecendo. Assim também ocorre com os sentidos, que entram em parafuso. Já não sabemos se aquilo é calor ou frio, só sabemos que dói. E dói bastante.
A hora da verdade! Polar plunge nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)
Com a GolPro em mãos, caindo nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida
Quando me levantei da água, minha ágil esposa já estava na escada do navio, rápida como um foguete para voltar a bordo. Nunca tinha visto ela nadar tão rápido, hehehe. Eu ainda dei umas braçadas por lá, mas quando parei de sentir da perna para baixo, achei melhor voltar para o navio também. Mais alguns segundos e começaria a perder a coordenação. Fica fácil entender porque pulamos amarrados!
A Ana volta acelerada para o Sea Spirit enquanto o Rodrigo ainda filma e curte as águas geladas de Brown Bluff, na Antártida
A Ana já está de volta ao Sea Spirit enquanto o rodrigo ainda nada nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida
Depois do mergulho, vamos todos recobrar os sentidos e a razão na pequena piscina no deck superior do Sea Spirit. Piscina com água aquecida, claro! Aí, todos nós nos apertando lá dentro, felicidade pura flutuando sobre nós, fomos servidos com uma bela champanhe. Um brinde ao nosso batismo, ao nosso primeiro banho em águas antárticas, à coragem e à loucura. Um momento para nunca mais esquecermos, a cereja do bolo da nossa viagem à Antártida, a nossa tão esperada hora da verdade nessa viagem.
Prêmio merecido! Todos os valentes participantes do polar plunge dividem o espaço das águas aquecidas da piscina do Sea Spirit, em Brown Bluff, na Antártida
Rio e espeleotemas na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Depois do gostoso café da manhã na pousada São Mateus, voltamos ao camping do Ramiro para encontrá-lo e iniciarmos nosso dia de explorações espeleológicas. Lá chegando, encontramos o grupo de pessoas que o Ramiro havia guiado ontem, e que nós conhecemos rapidamente, entre as visitas à Terra Ronca 1 e à São Bernardo. Um pessoal de Alto Paraíso, que tinha resolvido trocar as cachoeiras da Chapada pelas cavernas de Terra Ronca por uns dias.
Para quem quiser falar com o Ramiro, guia em Terra Ronca - GO
Eles ficaram acampados em frente à enorme boca da Terra Ronca. Que experiência! Resolveram voltar hoje mesmo para Alto Paraíso e desistiram de ir conosco à São Mateus. A experiência das visitas de ontem e a noite acampados na Terra Ronca já tinham sido por demais avassaladoras. Exceto para a Flávia, que nos perguntou se ela poderia voltar conosco de carona para Teresina de Goiás, de onde pegaria alguma carona para Alto Paraíso e assim, ficar mais um dia por aqui e seguir conosco para a Caverna São Mateus.
Entrada estreita da caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Dito e feito! Seguimos para a São Mateus, eu, a Ana, o Ramiro e a Flávia, paulistana radicada recentemente em Alto Paraíso, trabalhando para a secretaria estadual de turismo do estado de Goiás. Estradinha de terra bem detonada cortando o coração do parque. Segundo o Ramiro, a estrada é muito pouco usada já que quase ninguém visita esta caverna. O único guia que leva turistas para lá é o próprio Ramiro e a última vez tinha sido há um mês.
Incríveis formações na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
A entrada "oficial" da caverna está interditada já há uns dez mil anos, fechada por um grande desabamento. Entramos então pela "via secundária", um caminho apertado e bem mais vertical, Nada que, com um pouco de paciência, não possa ser superado. Principalmente com as orientações do Ramiro, o maior especialista mundial das cavernas do Parque Terra Ronca.
Com a Flávia na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Já há mais de 30 anos ele guia turistas e especialistas de diversas partes do mundo pelas maravilhas da região. Participou de boa parte das descobertas e explorações de cavernas de Terra Ronca e, ainda hoje, quando grupos de espeleologistas de Brasília, Rio ou França vem ao parque, é ele que os acompanha. Além do conhecimento e das histórias para contar, o Ramiro é boa praça, tem ótimo humor e é muito galante com as mulheres. Especialista em fotografias em cavernas, leva sempre consigo luzes poderosas para auxiliar os fotógrafos. Melhor ainda, já sabe os melhores pontos para se fotografar. Enfim, é a pessoa certa para ter como guia em qualquer caverna de Terra Ronca.
Delicadas formações de calcita na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Voltando à São Mateus, após a entrada mais complicada, a gente segue descendo até o rio. Ali, tudo já é amplo novamente, como nas cavernas de ontem. E como ontem também, seguimos caminhando rio abaixo. Eu já estava achando os espeleotemas de hoje mais bonitos que os de ontem, mas nada que justificasse que a São Mateus fosse considerada tão especial. Foi quando tudo começou a ficar diferente dos caminhos de ontem.
Observando de perto formação de calcita na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Ao invés de seguir pelo rio, o Ramiro passou a nos levar à salões paralelos, num nível um pouco mais alto. Dentro destes salões, o que víamos era simplesmente inacreditávell!!! Nunca, em todas as nossas visitas à cavernas por todo o Brasil tínhamos nos deparado com uma coleção tão variada e perfeita de espeleotemas.
Grande galeria na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Os tetos tomados por milhares de frágeis estalactites branquinhas, as estalactites maiores repletas de electites, que crescem lateralmente, flores de calcita que pareciam feitas à mão pelo mais cuidadoso artesão, piscinas de travertinos com as mais variadas cores, do branco ao amarelo, do vermelho ao escuro. Foi simplesmente emocionante! "Nunca antes na história deste país" as expressões "Noooossaaaa...", "Uaaauuuuu" e outas similares foram tão usadas dentro de uma caverna!
Enorme galeria na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Além dos espelotemas, os próprios salões eram lindos, os conjuntos de colunas, as cores à nossa volta, as formas estranhas ao nosso redor. De tirar o fôlego. Bem que tentávamos fotografar, deixar registrado para sempre aquelas belezas. Algumas fotos saíram muito boas, mas não é possível captar aquele outro mundo de forma fidedigna. Tem de ir lá e ver!
Grande formação na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Depois de vários salões, voltamos ao rio e seguimos a corrente. Passamos por lugares mais fundos, água chegando perto do pescoço. O ponto mais interessante foi cruzar uma pequena cachoeira seguida por um canyon, tudo isso dentro de uma caverna enterrada sobre milhões de toneladas de terra e rochas. Estávamos em outro mundo, escondido há milhares de anos dos olhos humanos e visitado tão raramente por uns bem aventurados.
Rio e espeleotemas na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Chegamos a um ponto onde o Ramiro queria muito fotografar. Além disso, mais de 15 quilômetros de túneis, que vão ficando mais e mais lindos, na opinião do Ramiro. Infelizmente, para nós, era o ponto do retorno. Na volta, ainda passamos em um outro salão, uma última surpresa do Ramiro para nós, uma últma sessão de admiração, de deslumbramento, de "noooossaaas" e "uaaaauss".
Perfeita flôr de calcita na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Quando saímos da caverna, já era sete da noite. Tínhamos passado mais de oito horas na caverna e nem tínhamos percebido, completamente absorvidos na exploração daquele mundo alienígena tão próximo de nós e tão desconhecido de todos.
Teto com milhares de pequenos estalactites na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Saímos da caverna de volta ao mundo exterior numa noite super estrelada. Bem vindos à Terra, hehehe! Deixamos o Ramiro e a Flávia no camping e voltamos para a pousada. Difícil seria dormir depois de um dia desses, a cabeça tão cheia de novas imagens, formas e sensações. É, talvez difícil de dormir, mas bem fácil de sonhar, hehehe
Maravilhados com a caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Observando a Igreja do Bonfim, em Salvador - BA
Mudamos nossos planos originais de deixar Salvador hoje em direção ao litoral norte baiano para passar mais uns dias na cidade e região. Obviamente, programas não faltam por aqui. Mas, mais do que isso, estamos nos sentindo tão em casa aqui na casa da Mônica e suas filhas Livia e Yasmim, sendo tratados tão bem, que está sendo difícil ir embora. Por sugestão delas, então, resolvemos ficar no feriado por aqui.
Com a Yasmim e o Paulo em Salvador - BA
O dia começou com uma visita do Paulo, ex-marido da Mônica. Quem gostou foi a Ana, que tinha passado quase duas semanas aqui há uns dez anos atrás, durante o carnaval, quando foi muito mimada por toda a família. Tanto que, desde que a conheci em 2006, ela sempre se refere a eles como "minha família baiana".
Na Ponta do Humaitá, em Salvador - BA
Mais tarde fomos passear no Humaitá, um espécie de ponta, ou península, que avança para dentro da Baía de Todos os Santos, um pouco ao norte do centro da cidade. Primeiro, fomos na ponta da ponta, um Forte entre os muitos que existem na captal baiana. Aliás, são dezenas de Fortes e centenas de igrejas espalhados por todos os bairros e longa orla da cidade. Tantos que já desisti de docorar o nome de todos os que vemos. Vê-los e admirá-los já me basta.
Restaurante em Pedra Furada, em Salvador - BA
Trabalhando em restaurante na Pedra Furada, em Salvador - BA
Em seguida fomos para uma região chamada Pedra Furada, também em Humaitá. Uma espécie de mirante para a baía, com vários restaurantes frequentados principalmente por gente daqui mesmo. Ali almoçamos admirando o belo dia sobre a baía e a cidade. Tudo muito inspirador para até trabalharmos um pouco , enquanto não chegava a comida.
As famosas fitinhas do Bonfim, em Salvador - BA
Por fim, fomos à jóia da coroa de Humaitá, talvez de Salvador, uma das mais famosas igrejas do país, a Igreja do Bonfim, aquela das fitinhas coloridas. Chegamos no final da tarde, horário da missa. Foi a igreja que mais me emocionou visitar por aqui, talvez pelas doces memórias que vieram à minha mente, há tanto esquecidas, de uma vez que minha mãe me trouxe as fitas coloridas, em algum momento perdido da infância.
Antônio Conselheiro, no MAM em Salvador - BA
Antes da atração final da noite, demos uma rápida passada no Museu de Arte Moderna, instalado em uma antiga igreja e arredores, bem na orla ao lado da marina. Um setting fantástico para uma coleção de arte e esculturas que não deve nada aos museus do Rio e São Paulo.
Apresentação do Grupo de Teatro do Olodum no Teatro Vila Velha em Salvador - BA
O dia terminou com uma peça de teatro do grupo Olodum, no Teatro Vila Velha. Fazia muito tempo que não íamos ao teatro e foi jóia voltarmos a ter vida cultural justamente aqui, na Bahia do Olodum. Uma apresentação bem baiana, da música aos trajes, do ritmo à simbologia.
Sol se pondo na Baía de Todos os Santos, visto de Pedra Furada, em Salvador - BA
Depois do teatro, à toda a velocidade para casa, antes de terminar o jogo do Bahia, que lutava para voltar à primeira divisão depois de sete anos passeando pela segunda e terceira. Chegamos bem à tempo. Pouco depois, os foliões tomaram as ruas da região e a casa e todo o bairro ficaram ilhados pelas próximas horas madrugada adentro. Dormimos ao som de rojões e gritarias, felicidade explícita do povo daqui.
Fim de tarde em Humaitá, em Salvador - BA
A Chita, uma macaca-aranha na fazenda dos poços termais, na região de Boquete, no Panamá
Não faltam programas aqui na gloriosa cidade de Boquete. Localizada aos pés da maior montanha (e vulcão) do país, o Baru, em meio à uma vegetação densa e úmida, rios, canyons e cachoeiras, fauna e flora diversificadas, a cidade é um centro turístico que vem atraindo cada vez mais gente, panamenhos e estrangeiros. Muitos se mudam para cá, principalmente americanos em busca de um lugar tranquilo para passar os últimos dias de suas vidas. Boquete é super popular entre os aposentados do Tio Sam!
Junto com os australianos, indo para o canyon e as fontes termais, na região de Boquete, no Panamá
Nenhum outro lugar no Panamá tem tantos sinais escritos em inglês. A quantidade e variedade de hoteis e restaurantes também é enorme, para atender o público variado que aqui chega, dos mochileiros sem dinheiro aos milionários em busca de grandes casas.
Chegando ao canyon na região de Boquete, no Panamá
Para decidirmos o que fazer por aqui em tão pocuo tempo com tantas opções, São Pedro deu uma mãozinha. O tempo tem estado fechado, uma chuva fiba caindo quase todo o tempo. Com isso, acabamos por descartar dois dos principais trekkings da região. Um deles, com cinco horas de caminhada morro acima, nos levaria ao topo do Baru, de onde se pode ver, em dias claros, os dois oceanos que cercam o país. Mas, caminhar a noite toda sob chuva para se arriscar a não ver nada lá de cima acabou por nos desanimar. O outro programa é uma longa caminhada de uns 20 km por entre morros e matas, a caminhada de Quetzal. Esse o nome de um lindo pásaro colorido que vive na região. O problema é que as chuvas provocaram grandes deslizamentos em uma ponta da trilha enquanto que, na outra ponta, é preciso atravessar um rio que pode ficar muito caudaloso nessa época. Há um ano lá morreu um guia tentando ajudar turistas e, desde então, o caminho se encontra "oficialmente" fechado. Sem muito medo dos delizamenteos ou do rio, mas não querendo passar o dia inteiro encharcado vendo apenas neblina, acabamos desistindo desse também.
O australiano Ben demonstra suas habilidades de salto num canyon na região de Boquete, no Panamá
Optamos então por algo mais light, que pudéssemos fazer à bordo da Fiona mesmo. E olha que a Fiona estava cheia, pois reencontramos nossos amigos australianos por aqui e os convidamos para o programa de hoje. Eles estão en quatro, os Ben e o Alex, que viajaram conosco no veleiro da Colômbia, mais o irmão do Ben, o John, e um amigo deles, outro Alex. Todos gente falante e felizes com a vida. Bem australianos mesmo. De Adelaide.
Visita a canyon e rio na região de Boquete, no Panamá
Juntos, fomos primeiro a um canyon aqui perto, ideal para mergulhos na garganta estreita. O sol até resolveu aparecer enquanto o Bem dava um verdadeiro show de piruetas e mortais. Além dos mergulhos, a outra atração é tentar subir as rochas do canyon. Nesse ponto, que deu uma verdadeira aula foram alguns meninos locais mesmo. A gente, só fazia força mesmo e acabava caindo no meio do caminho.
Nadando em canyon na região de Boquete, no Panamá
Poço termal com água a mais de 35 graus, na região de Boquete, no Panamá
De lá seguimos para os poços de águas termais. Água a mais de 35 graus com propriedas terapêuticas. Uma delícia, ideal para o relaxamento. Logo ao lado, um enorme rio para que pudéssemos passar do quente ao frio e depois, de volta ao quente. Exuberância total da natureza!
Relaxando em Poço Termal na região de Boquete, no Panamá
Depois das águas quentes dos poços termais, nada como um rio de águas frias! (na região de Boquete, no Panamá)
Mas, neste local, mais do que os poços de água quente, a grande atração foi a uma macaca-aranha, de nome Chita (ou Xita?). Com três anos de idade, com muita energia para gastar, a curiosa Chita se encantou pelos australianos (e eles por ela!), a ali ficamos por muito tempo brincando e fotografando o animal. Adotada pela família que toma conta do local, ela nunca viu outro macaco na vida e adora seres humanos. Principalmente homens. Não dá muita bola para mulheres não. Gosta também de uma cerveja e logo tenteou roubar as nossas. Mas só conseguiu as garrafas vazias. Deu um verdadeiro show de cambalhotas, piruetas e outras macaquices. Muito legal!
A Chita fica bem amiga do australiano Ben na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
A Chita se ajeita no australiano Alex, na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
Amanhã é dia de viajarmos para a Costa Rica. Mas na volta (não tem outro caminho!), passaremos outra vez pelo Panamá. Aí sim visitaremos as famosas Bocas del Toro, no litoral caribenho e, quem sabe, teremos mais sorte com o vulcão Baru. Assim, para o Panamá, é apenas um "Até logo!". Costa Rica, aí vamos nós!
A macaca Chita demonstra suas habilidades na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
Admirando o Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG
Conforme combinado, bem cedinho a Mariângela já tinha o café e uma mapa pronto para nós. Como o carro já estava carregado, foi só a sessão de despedidas e fotografias e já estávamos na estrada novamente. Nosso objetivo era cruzar o parque de Fiona passando por várias atrações e chegar até a pequena São João Batista, do outro lado, para dormir por lá.
Com a Mariângela na sua pousada Rosa dos Ventos em Delfinópolis - MG
Após subirmos a serra ao lado do rio da Bateia, chegamos numa das atraçõesdo dia, que foi a que mais me impressionou: o Caminho do Céu. Merece o nome! É uma estradinha de terra que vai serpenteando através da crista da serra com uma vista maravilhosa. Uma não, duas! Uma para cada lado, uma para cada vale. Realmente, é uma região linda, a Serra da Canastra!
Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG
Essa vaca escolheu bem onde pastar! (próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG)
Muitos quilômetros e poeira depois, descemos do lado de lá, só para subir outra serra, a Branca e, novamente, ter lindas vistas. Após algum tempo, passamos a enxergar a própria Serra da Canastra, majestosa, ao longe. E despencando lá de cima a Casca D'Anta, a primeira grande queda do rio São Francisco. Vinte minutos mais tarde já estávamos na portaria do parque, rumo ao enorme poço formado pela cachoeira. Uma rápida caminhada nos leva lá. Nós e mais um montão de gente. Depois de alguns dias frequentando cachoeiras desertas, é estranho se acostumar com muita companhia...
A primeira grande queda do São Francisco, a Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG
Bom, na verdade, só do lado de fora da água. Ninguém estava com muita coragem de entrar na água. E quando eu fui entrar, muita gente protestou, dizendo que já havia morrido pessoas por lá. Sei... do mesmo jeito que morrem pessoas atropeladas cruzando a Av. Paulista. E não é por isso que deixamos de atravessar a avenida, certo? Bom, argumentos à parte, o poço é enorme, a água é fria mas, uma vez lá dentro, só ficamos é hipnotizados diante de tanta beleza e grandeza. Com um pouco de esforço, é possível nadar até onde cai a água. A sensação é incrível. Depois de mim, a Ana também entrou. Mas ninguém mais se animou, não. Não sabe o que perderam...
Enfrentando as águas geladas do poço da Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG
Enfrentando as águas geladas do poço da Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG
Voltamos para a Fiona e seguimos para São Roque de Minas, considerada a principal porta de entrada do parque. Delfinópolis tem mais cachoeiras por perto, mas são em serras adjacentes ao parque. São Roque está mais perto da Canastra. De qualquer maneira, não ficamos por lá, seguimos direto à parte alta do Parque para passar pela fonte onde nasce o Velho Chico e aos poços d'água logo acima da Casca D'Anta.
Nascente do Rio São Francisco, no Parque da Serra da Canastra - MG
A nascente não impressiona muito pela beleza, mas sim pelo valor simbólico. Já os poços, são lindos e um convite ao mergulho. Enquanto as pessoas ficaram num poço mais raso, e desci para um mais abaixo, bem ao lado de uma cachoeira. Lugar maravilhoso! A água, inclusive, estava bem mais quente que lá embaixo.
Primeira cachoeira do Rio São Francisco, na Serra da Canastra - MG
Nadando no poço da primeira cachoeira do Rio São Francisco na Serra da Canastra - MG
Já no finalzinho da tarde, seguimos para a última perna da viagem de hoje: mais uns vinte km de terra (no total, foram uns 150, hoje, tudo de terra) até São João. Esse trecho final era a última chance de avistar animais que circulam pelo parque. Já tínhamos visto muitos pássaros e cervos, mas o que queríamos ver mesmo era o Tamanduá Bandeira. eles não estavam fazendo jus ao nome até então. Eis que, no finalzinho, quando já tínhamos quase desistido, um deles apareceu na estrada. Bicho engraçado! Deu para observar bem, mas quando a Ana foi pegar a máquina, ele se embrenhou no mato e as fotos ficaram bem mais ou menos...
Cervos no Parque da Serra da Canastra - MG
Finalmente, quase 10 horas depois de partirmos, chegamos ao destino: o pequeno arraial de São João Batista. Um pequeno punhado de casas ao redor de uma praça. A gente se instalou na Pousada da Serra, do simpático Ricardo, amante de viagens e aventuras. Trocamos várias infomações e foi ótimo ter vindo para cá. Ele também nos orientou a encomedar o jantar no Bar do Vicente, onde comemos uma bela comida caseira com direiro à tutu cozinhado na banha mesmo. Muito saboroso!
Casal apaixonado no alto da Casca d'Anta, na Serra da Canastra - MG
Amanhã,o dia será longo também. Queremos pegar uma cachoeira logo cedo, para acordar direito, e seguir até Calda novas, em Goiás, passando por Araxá. Será uma longa esticada...
Um dos mapas que a Mariângela fez para gente. Esse é o do último dia, da travessia da Serra da Canastra
Foto de despedida do Douglas, em seu apartamento em Bogotá - Colômbia, um pouco antes de partirmos para o norte do país
Dia de deixar Bogotá em definitivo, mas não foi fácil. A Clarita foi trabalhar logo cedo, depois das difíceis despedidas. A esta altura, eu já tinha levantado e carregado toda a Fiona. Trabalho duro, pois tínhamos tirado toda a bagagem para ela tomar um merecido banho antes de irmos para Villa de Leyva.
Depois, foi a vez do Douglas acordar, após a grande performance de ontem. Juntos, fomos à casa da sogra dele, para nos despedir da energética Amelie, que ficou muito amiga da Ana. Voltamos para casa a tempo dele ser pego pela van da banda. Tinham novo show hoje, desta vez como atração principal. Mais uma dura e emocionada despedida.
Depois de tantas lágrimas, foi a vez de São pedro mandar as suas, sob a forma de pedras de gelo. Uma tempestade de granizo como há muito Bogotá não conhecia. Os gramados ficaram brancos! Por fim, mais uma meia hora de espera na loja onde deixamos algumas mochilas para serem consertadas e, finalmente, estávamos na estrada novamente, rumo ao Alaska!
Exibir mapa ampliado
Bem, não vamos diretamente, claro! Aqui mesmo na Colômbia ainda temos algumas paradas. A primeira delas foi, depois de muitas horas de viagem e chegada já de noite, numa das mais belas cidades coloniais do país, a pequena e pacata Barichara. Daqui seguimos amanhã para Bucaramanga, metrópole moderna no centro do país, bem ao lado do impressionante canyon de Chicamocha. No caminho, a pequena San Gil, principal base de uma região que oferece todo tipo de esporte de aventura. De Bucaramanga seguimos para Mompós, ao lado do rio Magdalena, a cidade que inspirou Gabriel Garcia Marques no seu clássico "Cem Anos de Solidão". Finalmente, dali seguimos para Cartagena, na costa do Caribe, nosso porto de embarque para a América Central. Enfim, se ainda há tanto por fazer aqui na Colômbia, imagina até o Alaska. De vez em quando ainda bate aquela dúvida se vamos mesmo chegar (e voltar!)...
Foto de despedida do Douglas, em seu apartamento em Bogotá - Colômbia, um pouco antes de partirmos para o norte do país
Bom, pelo menos até Barichara chegamos. Bem de noite, ruas estreitas e de pedra, sem viva alma nas ruas (se desconsiderarmos os gatos). Parecia uma cidade fantasma. Com jeito, achamos um hotel. E também um restaurante, espanhol. Um verdadeiro deleite! Um delicioso jantar, o primeiro do resto das nossas vidas. De barriga cheia e com cama limpa, estamos prontos para o longo dia de amanhã!
A belíssima Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO
Saímos do nosso hotel, o Serra Geral, já no sentido de Taguatinga, mas com o intuito de parar logo adiante. Três quilômetros de estrada e ali estava a entrada para a Cachoeira do Paraíso, a mais bela da região. Ao pedir informações para um habitante local, ficamos sabendo que a mesma estrada de acesso também nos levaria ao alto do Morro da Antena, com vistas magníficas das redondezas. Foi o bastante para acrescentarmos também este ponto ao nosso roteiro.
Natividade - TO
E foi logo o primeiro. A subida da serra é meio punk, mas nada que a Fiona não possa lidar. Em quinze minutos estávamos lá encima. Realmente, vistas lindas para a enorme planície centenas de metras abaixo de nós. Uma vasta extensão de cerrado, uma queimada aqui e outra ali e a cidade de Natividade, tudo aos nossos pés.
Descendo o Moro da Anrena, em Natividade - TO
Em seguida, estimulados mais ainda pelo dia lindo e forte calor, fomos para a Cachoeira do Paraíso. O João, dono da propriedade, recebeu seus únicos clientes do dia de braços abertos e até nos guiou na trilha de pouco mais de 300 metros até o melhor poço para se nadar.
Nadando no poço de águas esverdeadas da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO
Se ontem, no Vale do Vai Quem Quer, a sensação era de se estar em Visconde de Mauá, hoje o clima era totalmente das serras mineiras, da Canastra ou do Espinhaço. Terreno pedregoso, vegetação rasteira e de cerrado, sensação de altitude, riacho escorrendo por um leito de pedras. Sensacional!
Mergulhando no poço de águas esverdeadas da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO
Mas, o melhor veio depois, quando chegamos ao poço. Uma visão divina! A cor da água, como se vê nas fotos, era de um verde inacreditável. Verde e transparente, já que se podia ver todas as pedras no fundo do poço. Uma coisa maravilhosa! Ficamos ali uma hora, mergulhando, fotografando e deixando a vida passar, torcendo para que ela não passasse!
Mergulhando no poço esverdeado da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO
Infelizmente, passou, e tivemos de deixar aquele paraíso esverdeado para trás. Muita estrada pela frente. Mas tínhamos um grande estímulo! Afinal, o que nos esperava era outro paraíso, dessa vez azulado! Duas horas de viagem nos levaram quase até a fronteira com a Bahia. Ali, uma enorme e magnífica chapada marca a fronteira dos dois estados. Neste ponto, viramos em direção ao sul e vamos acompanhando esta formação geológica incrível, que muito nos lembrou as outras chapadas que temos visto pelo Brasil afora.
Paisagem montanhosa próximo à cidade de Taguatinga - TO
Passamos pela cidade de Taguatinga e, sempre seguindo para o sul, em direção à Goiás, vamos nos aproximando da pequena cidade de Aurora do Tocantins. Um pouco antes de chegar lá, entramos no diminuto distrito de Azuis. Esse simpático nome vem do rio, propagandeado como o "menor rio do mundo", que tem essa cor inacreditável, um azul claríssimo, quase uma piscina.
A incrível nascente do menor rio do mundo, em Azuis, distrito de Aurora do Tocantins - TO
O rio nasce debaixo de uma serra, sai desse buraco com uma forte corrente, forma uma piscina que é um aquário, corre uns duzentos metros e deságua em um rio maior. Ao longo do seu pequeno percurso, vários restaurantes foram montados para aproveitar o enorme publico frequentador dos finais de semana. Felizmente, hoje não é fim de semana e a nascente estava praticamente vazia, apenas um grupo de pessoas com um carro com som bem alto, música sertaneja daquelas tristes. Felizmente, embaixo d'água, não se escutava, hehehe!
Nascente do menor rio do mundo, em Azuis, distrito de Aurora do Tocantins - TO
Mais uma vez, ficamos quase uma hora, extasiados, nos divertindo com mais uma paisagem de cinema. É incrível a força com que a água sai do buraco da serra. Os pequenos peixes também parecem se divertir com a corrente, além de ficar nos mordendo sempre que podem. E a água, transparente, é ótima para fotos subaquáticas, além de ter uma temperatura super agradável! Mas é bom visitar durante a semana! Uma pequena arquibancada construída ao redor da nascente e aquele carro com o som alto são bons lembretes de como aquilo pode ficar nos finais de semana...
Mergulhando no rio azulado e cristalino em Azuis, distrito de Aurora do Tocantins - TO
Para fechar com chave de ouro, um quiosque ali do lado, o Agenda 21, serve uma comida caseira de dar água na boca, num ambiente super aconchegante, com móveis feitos pelo próprio proprietário, o Osmane. Ele e a esposa, a Leide, tem ótimo gosto musical e, depois do sertanejo à toda altura, Vanessa da Mata era tudo o que nossos ouvidos queriam ouvir. Que delícia!
Mergulhando no menor rio do mundo, distrito de Azuis, em Aurora do Tocantins - TO
De barriga cheia e alma saciada, conversamos bastante sobre as belezas da região. Tanto que resolvemos dormir em Aurora do Tocantins mesmo, para amanhã explorar um pouco de suas mais de 200 cavernas! isso mesmo, só no município, mais de 200 cavernas! E seguimos viajando e aprendendo que o Tocantins é muito mais do que imaginávamos.
Mergulhando no poço esverdeado da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO
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