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Luis (15/02)
As chuvas estão atrasadas! Já era para estarem cheias. Bom, ainda bem q...
Tatiana de Queiroz (15/02)
Oi, Rodrigo. Vc tem razão quando diz que de alguma maneira vão permanec...
clenilça alves da silva(cleo) (15/02)
Olá bom dia Rodrigo ,já estava PENSANDO que lenções maranhanes tivess...
Luis (14/02)
As lagoas em Atins estavam vazias? Ainda bem que te dei um toque sobre a ...
Luís. (14/02)
Aí....resolveram descer o preguiça de linha? Ainda bem que tinha uma ce...
Almoço na barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE
Temporada curitibana chegando ao fim. temos mais alguns compromissos e tarefas importantes para amanhã e depois, é pé na estrada que já não nos aguentamos mais. O frio das serras catarinenses e gaúchas nos esperam. Hoje, por aqui, tempo frio, nublado e chuvoso. Melhor para ficar em casa, impossível!
O frio dá fome. E a fome serve de inspiração para o tema de hoje do post. Temos comido muita porcaria por aí, nessas andanças. Difícil manter uma alimentação saudável, infelizmente. Mas, justiça seja feita, também temos tido dias especiais, refeições "divinas". A culinária e os diferentes sabores fazem essas viagens por terras exóticas e distantes ficar ainda mais interessantes!
Se tem uma coisa que não falta em Parati é boa comida!
Risoto de camarão e moqueca mista, em Parati - RJ
Tudo é relativo: a 1.800 metros de altura, morrendo de frio e fome, numa barrca embaixo de chuva, esse macarrão foi a melhor coisa do mundo!
Cozinhando macarrão dentro da barraca, no acampamento 2, no Pico Paraná - PR
Quem é capixaba sabe: essa é a melhor do mundo!
A famosa muqueca do Curuca, em Meaípe - ES
Só de olhar, dá água na boca...
Cocadas deliciosas! (em Itacaré - BA)
Para quem gosta de lagosta, um prato cheio! Literalmente!
Prato de lagostas, na Ilha de Boipeba - BA
Nossa, esse estava muuuuuuito bom!
Maravilhoso Bobó de Camarão no restaurante Mar Aberto, em Arembepe - BA
Especialidade da casa! Vale cada garfada...
Delicioso jantar de jerimum com camarões ao leite de coco com molho de pitanga, no restaurante Oficina do Sabor, em Olinda - PE
Verdadeira coleção de cores e pimentas. A cara do Maranhão...
Coleção de pimentas no restaurante do Hotel Porto Preguiças, em Barreirinhas - MA
Esses franceses sabem fazer pão!
Balcão apetitoso de uma boulangerie em St. Bath - Caribe
Pirarucu com dois molhos, o negro e o solimões. Adoramos os dois rios!!!
O refinado prato "Encontro das Águas", no restaurante Leão da Amazônia, em Novo Airão - AM. Uma delícia!!!
Um charmoso piquenique e uma belíssima cozinheira numa praia (de rio) maravilhosa.
Cozinhando na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Iguaria goiana!
O delicioso empadão, comida típica em Goiás Velho - GO
Caminhando pelos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
Poucos quilômetros ao norte da cidade de Coro, na Venezuela, está uma das mais inusitadas paisagens do país: um pedacinho do Saara em plena América do Sul, um verdadeiro deserto com autênticas dunas de areia.
As dunas invadem a estrada nos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
Subindo nas dunas de Médanos de Coro, no noroeste da Venezuela
O Parque Nacional Médanos de Coro está localizado no estreito istmo que liga o continente à península de Paraguaná, uma antiga ilha. “Médanos” quer dizer “dunas” e o nome não poderia ser mais apropriado, já que a área, ao lado da cidade de Coro, é formada por dunas de areia que chegam à 40 metros de altura. Lembram muito a região dos Lençóis Maranhenses, mas sem aquelas lindas lagoas. É uma área menor também, cerca de 5 quilômetros de largura por 30 quilômetros de comprimento.
Subindo as dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
Passeio nas dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
Saímos de Coro logo cedo, rumo à Paraguaná. Bem, na verdade não foi tão cedo assim, já que perdemos mais de uma hora na cidade buscando um posto de combustível que tivesse diesel. Vou falar disso no próximo post, uma das facetas do chavismo, combustível quase de graça, mas difícil de ser encontrado. Enfim, com tanque vazio mesmo, seguimos para a península e, poucos minutos de estrada, chegamos ao inusitado deserto.
Estrada passa pelas dunas dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
A paisagem desértica dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
O caminho passa bem no meio das dunas, uma luta constante para manter a estrada aberta já que as montanhas de areia estão em constante movimento. Ali, encontramos um local para deixar a Fiona no acostamento e enfrentamos, de chinelo, as areias quentes da duna que escalamos. Lá do alto, Coro ainda bem próxima no horizonte, a belíssima visão da vastidão desértica. Não é nada difícil esquecermos que estamos na Venezuela e fomos parar em algum outro lugar. Se os espanhóis tivessem chegado por aqui, na primeira vez, o nome do país poderia ter sido outro, pois não há nada que lembre Veneza nesses médanos...
A paisagem desértica dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
Em outros tempos, mais turísticos, o deserto estaria cheio de visitantes, caminhando, à cavalo ou mesmo montando camelos, que foram importados para cá. Mas nessa época meio confusa para o país, éramos apenas nós e outro pequeno grupo, que estacionou seu carro algumas dunas à frente. Nós tiramos nossas fotos do deserto sem nenhuma dificuldade de evitar “estranhos” nas nossas fotos. Respiramos fundo, curtimos aquela bela paisagem e voltamos à Fiona, antes que ela mesma se transformasse em mais uma duna de areia. Estávamos apenas começando o passeio do dia...
Passeio nas dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela
Fim de tarde glorioso nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Por volta do ano de 1400, enquanto cristãos ainda lutavam para expulsar os mulçumanos da Península Ibérica, numa guerra que já durava cinco séculos, o noroeste da América do Sul tinha um complicado mapa político. Essa região onde floresceram as primeiras e as mais avançadas civilizações desse continente estava toda dividida em pequenos reinos e áreas de influência. Certamente, o mais poderoso desses reinos era o Chimu, localizado onde hoje é o Equador. Entre os reinos de menor significância, estava um centrado na cidade de Cusco, no coração do altiplano peruano. Os nobres desse reino formavam uma rígida casta social conhecida como “Incas”. Séculos mais tarde, os conquistadores espanhóis generalizariam erroneamente esse nome para todo aquele povo e a civilização, destinada a se tornar a mais poderosa de todo o mundo pré-colombiano, para sempre ficou conhecida como civilização Inca.
As ruínas da antiga fortaleza de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Os incas haviam se estabelecido na região de Cusco há pouco menos de dois séculos e, desde então, vivam em constante guerra com seus vizinhos, sem nunca adquirir grande importância. Governados por uma monarquia autocrática e um imperador que mais se confundia com um deus, o atual governante já era o oitavo da dinastia e se chamava Viracocha. Tudo caminhava para que ele fosse sucedido pelo seu filho mais velho e os incas pareciam para sempre condenados ao anonimato e insignificância histórica. Foi quando um evento mudou para sempre a sua história.
Com o Gustavo, visitando as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Cusco estava sitiada pelos arquirrivais dos incas, os Chancas. Tudo parecia perdido e Viracocha e seu filho mais velho deram no pé, querendo salvar a própria pele. Coube então a outro filho do imperador, o jovem Pachacuti, liderar o exército do reino, salvar a cidade e dar uma tremenda sova nos Chancas. Viracocha reconheceu o valor do filho mais novo e tratou de mudar a linha sucessória, nomeando-o seu sucessor. Foi o grande feito de sua vida, pois Pachacuti estava destinado a ser o mais importante dos Incas, levando o obscuro reino a tornar-se o mais vasto império da Terra quando morreu, algumas décadas mais tarde.
A "Pegada do Jaguar", nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Os enormes monolitos das ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Pachacuti não só levou uma vida de conquistas, levando o império até o Pacífico, no oeste, até Bolívia, no leste, e até o Equador, no norte, como reorganizou a cidade de Cusco, transformando-a numa verdadeira capital imperial e construindo seus mais importantes marcos arquitetônicos, como palácios e templos, aqueles que ainda hoje estão de pé na cidade. Ele também institucionalizou a tradição de dar o comando do exército ao filho eleito como sucessor, para que ele já fosse aprendendo (e sendo testado!) como líder militar.
O casal 1000dias assediado por fotógrafos durante visita às ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Pois seu filho não o decepcionou! Topa Inca, ainda com o pai em vida, derrotou e anexou o poderoso reino de Chimu, o único que ainda fazia frente aos Incas. Depois, já como imperador, no ano de 1480, criou uma grande frota que teria chegado às Ilhas Galápagos e, possivelmente, à Ilha de Páscoa. Mas foi no reinado de seu filho e sucessor, Huayna Capac, que o Tahuantinsuyu, como o império inca era conhecido em sua própria língua, chegou ao apogeu. Começava no norte da Argentina e do Chile e se estendia até o sul da Colômbia. Sua área de influência ia ainda mais além, descendo os Andes e entrando na Amazônia, chegando ao Acre e, muitos dizem, ao Pantanal! Não é a toa que os índios contatados pelos portugueses lá no Paraná, no início do séc. XVI, sabiam da existência de um rico e vasto império nas “montanhas ocidentais”.
A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru
A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru
O vasto império estava muito bem organizado, ligado por uma incrível rede de estradas que cortavam planícies, planaltos e montanhas. Tudo indicava que mais um século de glórias se seguiria, quem sabe o império chegando à América central, no norte, a ao Brasil, no leste. Mas um acontecimento completamente inesperado e imprevisível colocaria fim a essa expansão, de maneira abrupta e trágica. Ainda mais rápido do que havia se formado e crescido, o império se desfaleceria. Um inimigo cruel e impiedoso se aproximava, vindo do outro lado do Oceano. Seu nome: varíola. Seu portador: os conquistadores espanhóis.
O incrível encaixe das construções incas nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Há três décadas Colombo já havia chegado ao Caribe. Há vinte anos, os europeus já tinham feito seus primeiros contados no norte da América do sul. No México, Cortez havia subjugado o Império Asteca há apenas 8 anos, botando de joelhos um reino com quase 20 milhões de habitantes. Alheio a tudo isso, Huayna Capac levava seu império até a Colômbia, junto com seu filho e provável sucessor. Ali, além de novas glórias militares, eles se encontraram com uma estranha e misteriosa peste que estava matando milhares de pessoas, muito antes que qualquer tribo sul-americana fosse atingida pelas espadas espanholas. Era a varíola, que não fazia distinção entre pobres e ricos, mulheres ou homens, simples agricultores ou poderosos imperadores. Huayna e seu filho preferido caíram doentes. No seu leito de morte, sabendo também que seu primogênito não sobreviveria, Huayna ainda teve a chance de escolher, entre os mais de cem filhos, um outro sucessor. Era costume entre os Incas ter muitas mulheres oficiais, além de dezenas de concubinas. Quanto mais filhos, melhor. Ter mais de cem deles era comum, entre imperadores e nobres poderosos. Huayna acabou dividindo seu império em dois, entre um filho “oficial”, Huascar, que ficaria com Cusco e as províncias do sul, e um filho com uma concubina, Atahualpa, que ficaria com Quito, a segunda cidade mais importante do império, e as províncias do norte. Essa divisão, somada com a impressionante mortandade causada pela varíola, marcaria o fim dessa gloriosa civilização.
Turistas visitam, no fim da tarde, as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Como os espanhóis sabiamente se aproveitaram disso, é um assunto que vou tratar nos próximos posts, enquanto conhecemos algumas das ruínas deixadas pelos incas, em Cusco e no Valle Sagrado. Ontem e hoje, por exemplo, visitamos duas das mais famosas ruínas dos tempos do maior de todos os Incas, o grande Pachacuti: a fortaleza de Sacsayhuaman e o Palácio de Qorikancha.
O Gustavo aproveita um escorregador natural nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Com um nome tão complicado, Sacsayhuaman acabou ganhando um apelido dos turistas que o visitam: “sexy woman”. Desse modo, fica muito mais fácil lembrarmos do nome. Nossos amigos holandeses, por exemplo, logo disseram que estavam acampados perto do “sexy woman”, quando nos escreveram para ensinar como chegar até lá. Foi para a tal “mulher sexy” que fomos com o Gustavo, depois da visita ao acampamento dos overlanders, ontem de tarde.
Descansando em um dos muitos tronos reais nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Na verdade. Sacsayhuaman não foi uma criação de Pachacuti, pois templos e construções já existiam por lá antes mesmo dos Incas chegarem à região de Cusco no séc. XII. O beleza do local, num platô com vista para todo o vale onde hoje está a cidade já inspirava os primeiros habitantes há alguns milênios. Mas foi Pachacuti que expandiu suas fortificações e construções, transformando-a na grande fortaleza que conhecemos hoje.
O Gustavo fotografa o pátio interno do Templo Mayor Inca, o Qorikancha, em Cusco, no Peru
Uma visita a este local está em todos os roteiros de quem visita Cusco. Com efeito, lá estive há 23 anos, uma das lembranças mais fortes que tinha daquela época. Daquela vez, fomos em um tour, pois Sacsayhuaman está longe demais para se ir a pé. Agora, com a Fiona, ficou mais fácil e chegamos no finalzinho da tarde, com os outros turistas já indo embora. Contratamos uma guia ali mesmo e, por uma hora, caminhamos pela fortaleza, ela nos dando as informações históricas e técnicas. O que mais impressiona é o tamanho das pedras usadas nas construções. Como foram levadas até lá encima por um povo que não utilizava a roda e nem tinha animais de carga continua um mistério. Assim como o é a precisão com que essas pesadas pedras foram cortadas e encaixadas entre si. Não é a toa que há tanta gente que ainda acredita na ajuda de seres extraterrestres para fazer isso. Pessoalmente, acredito que acabamos por desmerecer essas engenhosas antigas civilizações ao dar os créditos aos ETs, e não a elas, por essas incríveis construções.
Pátio interno do Templo Mayor Inca, o Qorikancha, em Cusco, no Peru
Por fim, foi exatamente em Sacsayhuaman que se deram algumas das mais sangrentas batalhas entre incas e espanhóis, o local onde europeus sofreram grandes baixas e os incas aprenderam que seus rivais não eram invencíveis. Foi durante o famoso “Cerco de Cusco”, em que o irmão de Pizarro foi morto. Mas também foram mortos milhares de guerreiros incas que, durante dias, tiveram seus corpos comidos por aves de rapina. O nome complicado da fortaleza vem daí: “local onde se alimentam os falcões”. Alimentavam-se de pessoas mortas...
Jardins do palácio Qorikancha, em Cusco, no Peru
Hoje em dia, aí são feitos os festivais que comemoram o solstício de inverno, numa grande festa de cores e tradições incas. Para quem não chega justo nessa época, o maior atrativo é mesmo o encaixe das enormes pedras. Parecem coladas umas às outras e nem uma faca pode entrar entre elas. É mesmo incrível...
Foto em parede do Templo Mayor, no mesmo lugar de 23 anos atrás, em Cusco, no Peru
A mesma técnica perfeita de encaixe pode ser observada no Qorikancha, o Templo Mayor do Incas, onde estivemos hoje. Esse sim, obra de Pachacuti, desde a sua fundação. Aqui, a técnica perfeita de construção nos mostrou mais um segredo: são a prova de terremotos! E a prova disso veio num grande tremor de terra na década de 50.
Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru
Quando os espanhóis conquistaram a cidade, muitas das construções incas foram destruídas ou desmontadas, e suas pedras usadas para a construção de ruas, praças e grandes mansões dos conquistadores. Outras, foram simplesmente cobertas por construções espanholas, como foi o caso do Qorikancha, usado como base para uma igreja dominicana. E lá permaneceu praticamente esquecido por quase 400 anos quando um grande terremoto botou a baixo boa parte das edificações coloniais da cidade. Mas o que ruiu, eram apenas as construções espanholas. As construções incas continuaram de pé, praticamente intactas.
Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru
Esse acabou sendo o lado bom do grande terremoto. Foi como se a cidade se desnudasse e um grande tesouro arqueológico reapareceu. Certamente, o de maior destaque foi o Qorikancha, que hoje podemos todos visitar, um dos maiores atrativos de Cusco, reminiscência de um período de glórias que só conhecíamos pelos relatos espanhóis daquela época. Também ele faz parte das visitas “obrigatórias” para quem vem à Cusco.
Relíquia Inca no Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru
Mas a cidade oferece muito mais, e nem tudo são ruínas. Praças, ruas charmosas e vizinhanças envolventes. Assuntos para o próximo post...
Visita ao Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru
Praia do Arpoador, já no fim do nosso passeio pelas praias da Juréia - SP
Por coincidência, chegamos na Juréia Norte, região de Peruíbe, bem no Dia da Mata Atlântica. Eu já tinha estado aqui duas vezes. Na primeira, com a família, choveu o feriado inteiro. Ficamos todos presos no Waldhaus, uma pousada muito bem localizada na encosta de um morro, com uma bela vista para a praia de Guaraú, afastada de Peruíbe e vizinha da Juréia. A segunda vez foi com a Ana e com um casal parceiro de viagens, o Rafa e a Laura. O tempo esteve bom e deu para passear no parque de carro, além de fazer um passeio de canoa pelo mangue.
Praia Juquiá, na Juréia - SP
Desta vez, tínhamos objetivos bem claros: conhecer as praias que só podem ser acessadas com um guia e ir de canoa até uma cachoeira da região, sete quilômetros de remadas para ir e outras sete para voltar. Esse programa é mais legal fora de temporada senão corremos o risco de chegar na cachoeira e encontrar uma escuna com cinquenta pessoas à bordo farofando por lá. Lá da Barra do Ribeira liguei para o Remo, dono da Waldhaus e da agência de canoagem para marcar os passeios. Infelizmente, ele não poderia ir com a gente, mas prontificou-se a tentar achar um guia que nos acompanhasse.
, com nosso guia, o Amilton
Dito e feito! Chegamos aqui às dez da manhã e já estava tudo acertado com o Amilton, um caiçara local que cursou Biologia. Assim, ele tem todos os conhecimentos práticos e teoricos da rica biodiversidade local. O passeio de hoje foi pelas praias do parque. Primeiro, remamos cerca de dois quilômetros através de um canal do mangue até cruzarmos o rio Guaraú. Do lado de lá começa oficialmente a Juréia e a necessidade de estar acompanhado de um guia/monitor. Depois foram alguns quilômetros caminhando pelas praias e por trilhas no meio da mata, cruzando alguns morros para se chegar na praia seguinte. Praias lindas, com um quê de litoral norte, com as montanhas e a vegetação chegando bem perto do mar. A diferença é que as ondas não são de tombo, são aquelas que quebram lá longe, bem devagar. Sonho de surfistas, especialmente uma que se chama Parnapoá.
Figueira na Mata Atlântica, Juréia - SP
Durante a remada e depois, na trilha, o Amilton foi dando uma verdadeira aula para gente, sobre a fauna e flora locais. Foi ele que nos informou que hoje era o dia da Mata Atlântica, o que fez o passeio mais especial ainda. De bônus, ele tem vários parentes que moram dentro do parque, gente que nos acolheu muito bem em suas casas e com os quais tivemos aquele tradicional "dedinho de prosa" que não tem preço. Muitas histórias, inclusive de onças, antas e afins.
Casa de moradores locais, dentro do parque, na Juréia - SP
No final, tivemos um merecido banho de mar na praia do Arpoador e, alguns minutos depois, um refrescante banho de cachoeira, a um minuto de distância da areia. Muito luxo!
Piscina natural em pequeno rio na praia do Arpoador, na Juréia - SP
A remada de volta para casa já foi feita com o céu escurecendo e a lua cheia nascendo. Um final perfeito para um dia especial. Viva a Mata Atlêntica! E amanhã, temos 14 quilômetros de remadas...
A lua apareceu durante o trecho de canoa pelo mangue - Juréia/SP
Cachoeira da Fumaça vista de longe, no parque estadual em Ibitirama - ES
Ressaca de eleições, felizes com alguns resultados, tristes com outros, começamos o dia mais tarde, aproveitando o frio da serra capixaba para descansar um pouco mais. Além disso, o dia não parecia longo pois, depois de conversar bastante com a Venus, do staff da nossa pousada, sobre os atrativos da região, montamos um roteiro meio light.
Trutas em tanque da Tecnotruta, em Ibitirama - ES
Começamos visitando o maior trutário (existe essa palavra?) do Brasil, o Tecnotruta, que fica no distrito de Santa Marta, bem próximo de Ibitirama. Uma beleza de lugar, trutas para alimentar um estádio inteiro. Mas demos o azar de chegar lá bem no dia em que a cozinheira não estava. Resultado, apesar de tantas trutas, muita água na boca. E só. Até poderíamos comprar algumas, congeladas, mas a Fiona ainda não tem microondas. Fica para a próxima...
Visitando a Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES
De lá seguimos para o Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça. Nem preciso dizer qual a principal atração do parque, certo? Ela tem quase cem metros, o carro chega até bem pertinho e só precisamos caminhar uns cem metros para chegar aos melhores pontos de fotos. Com o tempo nublado e frio e a água meio barrenta, nem pensamos em nadar. Deixamos o desafio de enfrentar a água fria para o dia seguinte.
Chalé ao lado da Cachoeira do Firmino, em Ibitirama - ES
Todas essas atrações, assim como a própria Ibitirama ficam no lado leste da Serra do Caparaó. Nosso objetivo agora era dar a volta na serra e no parque nacional que a protege para chegar ao lado mineiro do parque, onde se encontra a trilha de acesso ao Pico da Bandeira. É um belo caminho que alterna trechos de asfalto e de terra, sempre com muito verde e com alguns pontos que possibilitam a visão do ponto mais alto do Brasil ao sul do equador. Isso, em dias de sol, claro. Hoje, acima dos 1.500 metros, só se via nuvens. Era engraçado (ou triste?) ver as placas de sinalização do Pico da Bandeira e ficar imaginando ele, escondido atrás das nuvens.
Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES
Fomos dando a volta na serra e vendo cachoeiras e pequenas cidades. Uma delas, Patrimônio de Penha, foi especialmente interessante, aparentemente ocupada por uma comunidade mais alternativa, cheia de pousadinhas simpáticas, hortas orgânicas, centros holísticos, oficinas de desenho. Muito legal, mesmo. Deu para ver que a região vale uma boa semana de explorações. No caso desse lugar em especial, de vivências.
Enfim, chegamos a Pedra Menina, cidade na fronteira do espírito Santo e de Minas. Daí, ou seguíamos para Alto Caparaó, em MG, principal entrada do parque e onde já estive algumas saudosas vezes ou íamos conhecer a entrada capixaba do parque. Já era tarde, quase escurecendo, mas resolvemos testar a entrada capixaba. Lá, fomos recebidos por dois simpáticos guarda-parques e, meia hora de conversa depois, mudamos nossos planos. Resolvemos dormir por aqui mesmo, em Pedra Menina, e amanhã fazer a travessia do parque.
Vamos subir pelo lado capixaba, que dizem ser mais bonito e que eu não conheço ainda e descer pelo lado mineiro. Vamos contratar alguém para levar o carro de um lado ao outro. O lado capixaba é mais curto, porém mais íngrime. A previsão de tempo também não é das melhores mas temos esperança da parte alta do parque estar acima das nuvens... Para finalizar, como gostamos de desafios, nosso intuito é, além de fazer a travessia, realizar o maior número possível de "side trips", indo à cachoeiras e ao Pico do Cristal. O ritmo da marcha vai dizer o que será possível fazer ou não. Como não vamos dormir lá em cima, não precisamos carregar peso, o que é uma grande vantagem. Enfim, precisamos sair bem cedo, dedos cruzados para que não chova e, melhor ainda, tenhamos belas vistas lá de cima. Torçam por nós!!!
Passeando entre os tanques de trutas, na Tecnotruta, em Ibitirama - ES
Nosso inesquecível mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Chegou o dia do mergulho final do nosso curso, aquele em que o Luis vai avaliar se estamos prontos para receber nosso “diploma” de “full cave diver”. Teríamos de demonstrar que estamos prontos para entrar em uma caverna cabeada sem um guia, depois de fazer o devido planejamento do mergulho e todos os testes nos equipamentos. Teríamos de mostrar que nossas habilidades em colocar e retirar nossos cabos, assim como as flechas direcionais e cookies estão tinindo e, não só isso, que entendemos os sinais que já foram colocados nos túneis, indicando bifurcações, jumps ou que outros mergulhadores também estão mergulhando por ali. Precisaríamos mostrar que sabemos até onde seguir, até onde nosso limite de ar permite e quando é a hora de voltar. Enfim, tudo aquilo que temos praticado nesses últimos dias.
No último dia, o Luis mergulha conosco com seu equipamento de fotografia, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Fazendo a amarra inicial do mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Mergulhando no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Para realizar esse mergulho final, ele escolheu um dos mais belos cenotes da região, bastante decorado e com mais de 200 km de túneis catalogados. É o Gran Cenote e o circuito que estava planejado era de cerca de um quilômetro. Alguns jumps, uma bifurcação em T e até um pequeno cenote no caminho, além de um trecho circular passando por salões bem decorados. Enfim, o melhor lugar para fazer um mergulho, oportunidade de fechar o curso com chave de ouro. Para melhorar ainda mais, o Luis desceu com seu equipamento de fotografia, para registrar tudo.
Fazendo a amarra de um jump no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Colocando a amarra de um jump no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Colocando a amarra de um jump no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Mergulhamos como se ele não existisse. Ele seguia com suas luzes apagadas, pelo menos quendo não estava tirando suas fotos. É o que chamamos de “mergulhador fantasma”. Antes do início do mergulho, decidimos que a Ana seria a número 1 da dupla, ou seja, iria na frente, fazendo as amarras e marcações. Na volta, eu venho na frente e ela vem recolhendo os carretéis, setas e cookies. Não foi difícil decidirmos por essa “configuração”, já que a habilidade dela em marrar coisas, abaixo e acima d’água e nitidamente maior que a minha, hehehe.
Mergulhando pelos túneis e formações do Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Mergulhando pelas galerias do Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Minha preocupação era apenas ajudar a iluminar o caminho, fazer a navegação correta conforme o planejamento, sem errar de túnel ou de jump e manter uma boa flutuabilidade. Numa caverna, essa é uma habilidade fundamental. Qualquer toque no chão pode levantar uma nuvem de poeira que reduzirá bastante a visibilidade. Qualquer toque no teto pode danificar alguma frágil formação. E se sairmos de perto do cabo, onde poucos mergulhadores passaram, pode haver resíduos no teto que serão “derrubados” por nossas bolhas, a chamada percolação, de novo atrapalhando a visibilidade.
Colocando a amarra de um jump no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Mergulhando pelos túneis e formações do Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
O incrível mergulho de quase um quilômetro pelo Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Por causa da longa distância do circuito, não sabíamos se seria possível termina-lo ou se teríamos de voltar antes. É claro que queríamos fazer tudo, especialmente o looping no final, pelas partes mais decoradas. Mas, ao mesmo tempo, não podíamos acelerar muito, transformar o mergulho em um “mission dive”, o que tínhamos feito dois dias antes, quando o Luis chamou nossa atenção. Então, era tudo uma questão de equilíbrio, velocidade correta, respiração pausada e agilidade nas amarras.
Algumas das belas formações no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Algumas das belas formações no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Pois assim entramos na caverna, concentrados e resolutos. Ainda na zona de cavern (com luz), a Ana amarrou nosso cabo principal e o levou até a parte escura, onde o amarrou no cabo principal da caverna. Daí em diante, fomos até os jumps, onde a Ana colocava o cookie de marcação, a seta direcional e o cabo auxiliar, fazendo a amarra do cabo que seguíamos até o cabo do túnel secundário. Dois jumps e um T mais tarde, chegamos ao looping e, no meio dele, passamos pelo pequeno cenote, a luz do sol e a água azul sempre benvindos aos nossos olhos.
Passagem mais estreita do mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Passagem mais estreita do mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
A Ana fez tudo com perfeição e conseguiu chegar ao ponto final encima da hora! Pudemos realizar o magnífico percurso por inteiro e com louvor. Depois, foi só retornar tranquilamente, agora eu liderando, até a saída da caverna, mais de uma hora após termos entrado. Nossa colação de grau foi perfeita, segundo o Luís!
O incrível mergulho de quase um quilômetro pelo Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Nosso inesquecível mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Nessa mesma noite, já estávamos com nossa carteirinha nova! Foram cinco dias maravilhosos, dez mergulhos inesquecíveis, imagens que nunca mais esqueceremos, um mundo conhecido por tão poucas pessoas, uma verdadeira obra-prima da natureza que tivermos a sorte, o empenho e a técnica de conhecer. Mal podemos esperar para entrar em uma caverna alagada novamente. Só não sabemos aonde vai ser...
Mergulhando pelas galerias do Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Recolhendo a corda no final de mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Enquanto esse dia não chega, só podemos agradecer ao Luis Leal, nosso instrutor e amigo aqui no Yucatán, ao Tony Flaris, que mergulhou conosco na Flórida, ao Dib, que mergulhou com a gente em Mariana e, claro, ao Reinaldo e á Carol, nossos queridos amigos (e instrutores também!), da Acquanauta de Curitiba, com quem aprendemos tanto nessa maravilhosa arte que é mergulhar, em cavernas ou no mar, com tanques ou no pulmão mesmo. Um saudoso abraço para todos eles!
Chegando à zona de cavern no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Chegando ao Peru!
Dia de longa viagem rumo a mais um país, saímos bem cedo. Mas a primeira parada ainda foi em Iquique, encima da encosta que margeia a cidade. De lá, além da magnífica vista da cidade, do litoral e da gigantesca duna, ainda podemos observar as pessoas se atirarem no vazio com um paraquedas nas costas. Paraquedas não, parapente! A cidade é uma meca dos amantes desse esporte, dos profissionais aos que ainda querem apenas aprender. Saímos daqui com uma tristeza danada de, nós também, não termos experimentado essa sensação de voar pelos ares. Infelizmente, a nossa lista do que não fizemos e gostaríamos de ter feito cresce a cada dia e já está ficando maior do que a lista do que fizemos. Como já disse outras vezes, os 1000dias são muito poucos para um continente do tamanho do nosso...
Parapente nos céus de Iquique, no norte do Chile
Enfim, coisas ficam para trás, mas muito nos espera pela frente. A começar pelo longo deserto nessa região entre Chile e Peru. A cor verde é uma raridade e só aparece em pequenos oásis, geralmente no fundo das Cuestas que cruzamos. São assim que chamam os vales que, de tempos em tempos aparecem cortando a monotonia do deserto plano sem fim. Assim é a estrada: dezenas de quilômetros de retas em terrenos planos e aí desce algumas centenas de metros por encostas íngrimes até o fundo dessas "cuestas" para subir de novo do lado de lá e seguir por mais dezenas de quilômetros pelo deserto. No fundo dos vales, terrenos irrigados, plantações e muito verde, um colírio para os olhos.
Paisagem desértica e oásis no norte do Chile, póximo à Arica
Assim seguimos até Arica, na fronteira com o Peru. Outra cidade suscetível a megaterremotos, mas também não foi dessa vez. Alguns quilômetros à frente e enfrentamos a burocracia de saída do Chile e depois a de entrada no Peru. País que eu visitei há longos 21 anos, tempos de estudante, mochila nas costas e quase nenhum dinheiro o bolso. A minha curiosidade para ver como o país tinha mudado era grande!
A cidade de Tacna, no sul do Peru
E a primeira impressão foi ótima! Muito bem tratados pelos oficiais da alfândega, inclusive por uma que já nos deu as primeiras lições sobre a atual situação política do país, primeiros meses de governo do ex-chavista Ollanta Humala. Por enquanto, tudo segue bem num governo que tem de governar junto com a oposição conservadora que também recebeu metade dos votos do país.
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
A segunda impressão foi melhor ainda! Tivemos a sorte de observar as flores do deserto, fenômeno bem raro por aqui. Assim, ao invés da monotonia do marrom amarelado, tínhamos vastas planícies floridas, um verdadeiro show da natureza e sinal de boasvindas desse país maravilhoso que é o Peru. Deixamos Tacna, a cidade fronteiriça para trás e seguimos para a gloriosa Arequipa, bem à frente. Aí chegamos já de noite e, após um certo trabalho em achar acomodação, nos instalamos no excelente Torres de Ugarte, do lado do Convento de Santa Catalina e a duas quadras da mais bonita Plaza de Armas do país. Só não conseguimos ver o vulcão El Mistí, o gigantesco guardião da cidade. Mas logo será amanhã, e a luz do dia vai nos mostrar as belezas dessa região.
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
Praia de Brewers Bay, em Tortola - BVI
Meu dia de hoje pode ser bem resumido em cinco P's...
Punchs:
Ainda sob o efeito dos punchs de amora e rum da noite anterior, assim que nos instalamos no Sea View Hotel, em Road Town, capital das BVI, me aboletei na cama para uma sonequinha merecida. Mas a Ana não deixou, cheia de pique e argumentando que tínhamos muito pouco tempo nessas ilhas para ficar dando bobeira no hotel. Falar o quê? Partimos caminhando rumo ao centro da cidade.
Programação:
Fomos direto a uma loja de mergulho e, com a ajuda da simpática dona, fechamos toda a nossa programação nos exíguos 3 dias que temos no país: decidimos alugar um carro (equipamento essencial por aqui) para rodar a ilha hoje e amanhã à tarde. Amanhã de manhã, vamos mergulhar por aqui, ir num dos mais famosos naufrágios do mundo. E no último dia, vamos de barco para Virgin Gorda, segunda ilha mais importante daqui, passar o dia por lá. Na sexta, voltamos para as USVI, mas desta vez para St. Thomas, passar o dia. E sábado cedinho, voltamos para Miami, para ficar até o dia 10, quando retornamos ao Brasil. Assim, fechamos essa primeira etapa caribenha da nossa viagem.
Nosso carro alugado em Tortola - Ilhas Virgens Britânicas
Parque:
A bordo do nosso possante carrinho mil (35 dólares por dia), subimos as montanhas que formam a maioria da ilha de Tortola. Nosso objetivo era a mais alta delas, ponto culminante do país. Fica no Parque Sage e oferece vistas maravilhosas de várias das 10.999 mil virgens, além da própria Tortola. Pouco mais de 500 metros de altura. Para chegar lá perto o carrinho tem de suar bastante enfrentando muitas ladeiras. O esforço dele é muito maior do que o nosso, que devemos caminhar apenas os últimos 50 metros verticais. Uma tranquilidade. Com um mapa na mão, passamos algum tempo olhando o oceano e as ilhas que aparecem em todos os lados, reconhecendo cada virgem pelo seu nome, ganhando cada vez mais intimidade com elas. Além do próprio pico Sage, o parque oferece caminhadas pelas matas locais. Trilhas bem gostosa de fazer, um certo ar de altitude, mais puro que lá embaixo. Foi ótimo termos ido lá, um refresco para o corpo e para o espírito.
Caminhada no Pàrque da Sage Mountain, a mais alta das Ilhas Virgens Britânicas
Pessoas:
Viajar é mais do que conhecer lugares. É conhecer pessoas. Algumas delas valem muito a pena. Foi uma dessas que conhecemos, logo ao sair do parque. É o Jim, inglês criado no Quênia e radicado aqui há muito tempo. É o dono de um restaurante que o abriu apenas para nos servir duas cervejas e que acabou conversando com a gente por duas horas. Um sotaque delicioso de se ouvir e entender, uma história interessantíma de se escutar. Morou 2 anos na Antártida! Isso mesmo, na Antártida! Foi o cozinheiro de uma estação de pesquisa inglesa. Além disso, escapou por pouco de ter de lutar nas Malvinas. Mas esteve na Geórgia do Sul, onde visitou o túmulo de um ídolo nosso em comum: o famoso aventureiro inglês Shakleton. O jim adorou os nossos planos de viagem e combinamos de voltar lá amanhã à noite. Ele vai servir um jantar VIP só para nós, com vista para toda a ilha.
Praia de Brewers Bay, em Tortola - BVI
Praias:
Aqui no Caribe não tem jeito de fugir delas. As praias são parada obrigatória. Após o parque e a conversa com o Jim, descemos para o outro lado da ilha, a costa norte, onde estão as praias de Tortola. São várias praias, todoas com um clima parecido com praias mais isoladas (as poucas que sobraram) do litoral norte de São Paulo. Um clima quase bucólico, casas mais simples (quando comparadas com USVI), pescadores. Como bem definiu a Ana, BVI tem mais personalidade que USVI. Fizemos snorkel e aproveitamos o sol em Brewers Beach. Praia bem vazia. É tão imcompreensível e ao mesmo tempo maravilhoso, ver esses paraísos vazios. Depois, assistimos ao pôr-do-sol (para variar...) em outra praia jóia e ainda jantamos num restaurante na beira da areia, varanda aberta, brisa suave. Só a comida que estava meio mais ou menos, peixe com gosto de peixe, se é que me entendem...
Praia de Brewers Bay, em Tortola - BVI
Pronto! Aí estão os cinco P's...
Paisagem florida da Ruta de Los 7 Lagos no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
A Patagônia é uma região magnífica durante todo o ano, mas cada estação tem suas belezas próprias. A primavera, tempo de renascimento como em todas as partes do mundo, traz um verdadeiro festival de cores para as paisagens locas: verdadeiros tapetes de flores espalhados pelos campos e florestas.
Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Quando o homem branco chegou, já perto do final do séc. XIX, ele se surpreendeu com a quantidade e diversidade de flores nessa época do ano, muitas das quais ele não conhecia, flora autócne da patagônia. Mas ele vinha de mudança do continente europeu, muitos dos países centrais daquele continente, como Alemanha, Suíça ou Áustria, e trazia consigo flores de sua terra natal, talvez até para aliviar a saudade de sua terra natal.
Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Muitas dessas flores “invasoras” se adaptaram muito bem ao terreno e clima locais. Elas se misturaram com a flora nativa, passaram a disputar o mesmo espaço, se espalharam por essa região selvagem. Algumas, pela desleal concorrência com a flora local, fazem a tristeza de biólogos e ecologistas de hoje. Outras, pela sua beleza e plasticidade, fazem a alegria de turistas e viajantes que tem a sorte de passar por aqui na primavera.
Flores embelezam a cabeceira de estrada na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Nesta época do ano, não é apenas a beleza de lagos e rios, de vales e montanha, do céu e do ar que chamam a nossa atenção enquanto dirigimos pelas pequenas estradas que cortam a região. Especialmente aqui, quase na sombra dos Andes, é também a quantidade de cores que se espalha por qualquer cantinho onde bata o sol, da orla de lagos à cabeceira de estradas. As diversas flores dão um colorido especial à patagônia e a transformam, talvez, no maior jardim em extensão do mundo.
Um verdaddeiro show de cores na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Assim foi nesses últimos dias aqui na região de Bariloche. Não apenas o azul de do céu ou dos lagos, não apenas o verde dos rios e das árvores, não apenas o branco da neve e das nuvens, mas também o amarelo, o vermelho, o roxo e tantas outras cores vivas das flores que atraíram nossos olhares e cliques. Melhor ainda era quando todas essas cores se misturavam dentro da mesma moldura, dento do mesmo olhar. Pura patagônia!
As cores das águas e das flores se combinam no lago Nahuel Huapi, próximo à Villa La Angostura, na Argentina
Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Acordamos meio quebrados hoje, da noite mal dormida na Fiona. Além do desconforto de não se estar numa cama, passamos frio. Tudo pela preguiça de não termos armado a barraca ontem e de nem termos pego os sleepings na parte de trás do carro. No deserto, a noite é fria e esta noite aprendemos isso na prática. Nem que seja no deserto mais quente das américas...
A caminho do Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Mas bastou acordarmos, ficarmos alguns minutos no sol e admirarmos aquela beleza cinematográfica que nos rodeava que já ficamos novinhos em folha! Não demorou muito e já estávamos prontos para o longo dia de explorações que nos esperava. A vantagem de termos dormido na Fiona foi que não tivermos de arrumar quase nada para podermos botar o pé na estrada novamente!
Caminhando através do incrível Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
O Death Valley é um enorme e extenso vale com mais de 100 km de comprimento e quase vinte de largura, nas suas partes mais largas. Nas suas laterais, duas cadeias de montanhas que estão se afastando, criando essa enorme falha geológica que é o vale. Conforme se afastam, mais profundo tende a ficar o Death Valley mas, ao mesmo tempo, as forças da erosão (vento e chuva) tendem a trazer o material do alto das montanhas para o fundo do vale. Essas forças contrárias se contrabalançam ao longo do tempo, placas tectônicas levantando e afastando as montanhas, chuvas erodindo as mesmas montanhas. Até hoje, o resultado dessa “gangorra” foi, além das paisagens magníficas aqui criadas e do clima infernalmente quente no verão, o ponto mais baixo das Américas, a 86 metros abaixo do nível do mar.
Mosaic Cannyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Pois é, um futuro inexorável aguarda o Vale da Morte. As cadeias de montanhas continuarão a se afastar. Eventualmente, todo o oeste da Califórnia vai se separar do continente, formando uma nova ilha. E o Mar de Cortez vai se encontrar com o Death Valley, numa espetacular e titânica invasão das águas, uma espécie de dilúvio bíblico do futuro.
Escalando uma parede no Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Enquanto isso não acontece, nós saímos a explorar a região e ver de perto os efeitos dessas enormes forças que agem por aqui. A primeira atração para onde fomos foi o Mosaic Canyon. Deixamos a área de camping que fica na faixa central do vale e rumamos para a encosta ocidental do vale. Chegando às montanhas, já estamos bem longe e bem mais altos que o centro do vale, apesar de que, numa área gigantesca como essa, a gente perca completamente a noção de distância. Lá do alto, o pequeno hotel, o restaurante, a loja e as vans e traillers estacionados ficam completamente minúsculos no meio daquela vastidão. Quem fica bem pequeno também é o campo de dunas Mesquite Dunes, onde estivemos ontem de noite e voltamos hoje. Pareciam uns míseros montinhos de areia perto das enormes montanhas do outro lado do vale.
A bela vista do alto do Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Ali na encosta ocidental, vários canyons se formaram depois de dezenas de milhares de anos de ação da chuva. Quase não chove no Death Valley, pois as montanhas bloqueiam a umidade do lado de lá, mas quando as poucas nuvens que passam chegam aqui, é um grande aguaceiro que logo forma torrentes de água. Elas aproveitam os antigos caminhos cavados em outras épocas, quando a região era mais úmida, e os alargam, trazendo pedras e deixando detritos em seu caminho. Essas verdadeiras avenidas cavadas no meio da rocha hoje podem ser percorridas a pé.
O belíssimo Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Nós percorremos todo o canyon, passando por um incrível cenário de Indiana Jones, as vezes com as paredes quase se encostando, outras num espaço bem amplo. As cores são avermelhadas ou amareladas, em infinitos tons e camadas de diversas eras geológicas. O canyon termina numa parede que já foi uma antiga cachoeira. Aí se pode subir nas encostas ao lado e ter mais uma bela vista do vale que ficou lá para trás.
Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Crianças se divertem em duna nas Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Voltamos para a Fiona atravessando o canyon novamente, dessa vez com mais luz do sol, o que muda completamente as cores. Descemos de carro para as Mesquite Dunes e fomos caminhar por elas novamente, dessa vez com a luz do sol. O cenário de deserto africano só era quebrado pela presença dos outros turistas, a maioria deles crianças e adolescentes.
Caminhando nas Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Dessa vez, fomos até a mais alta das dunas. E carregamos duas cervejas geladinhas para tomar lá encima, para surpresa dos outros presentes. Novamente, o cenário africano em pleno coração da América é bem “inusitado”. Nossas últimas dunas tinham sido no Peru e já estávamos com saudades! Por isso lá ficamos por mais de uma hora, caminhando pelas crestas, correndo pelas ladeiras e, enfim, aproveitando o visual.
A Fiona bate seu recorde de altitude negativa na Badwater Basin, ponto mais baixo das américas, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Enfim, era hora de seguirmos em frente. Em frente e para baixo! Já estávamos ao nível do mar e, seguindo para o sul do vale, começamos a dirigir em altitudes negativas. Experiência nova para a Fiona e para a Ana!
Badwater Basin, a - 86 m de altitude, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
E assim fomos seguindo, passando por Furnace Creek, onde vamos dormir hoje, passando por mais encostas e canyons coloridos até chegar em Badwater Basin, o ponto mais baixo das Américas. O nome vem de quando chegaram aqui os primeiros exploradores europeus, montados em seus cavalos sedentos. Ao ver a água que se acumula lá embaixo, os cavalos se animaram! Apenas para descobrir que ela é muito salgada e imprestável para o consumo.
Ponto mais baixo das américas, a Badwater Basin, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Junto com os outros turistas, lá fomos nós caminhar sobre o porão do continente. Lá encima, na encosta ao nosso lado, 85 metros sobre nossas cabeças, um letreiro marca a altura do oceano. Imaginar uma lâmina de água de quase 100 metros sobre nossas cabeças é meio claustrofóbico...
Muito sal na Badwater Basin, a - 86 m de altitude, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Lá embaixo, o piso é todo de sal, o resíduo deixado para trás por um antigo lago alimentado por rios que traziam esse mineral das rochas das encostas. A água evaporou e o sal ficou por ali. Durante a última era glacial, há uns 12 mil anos, as geleiras chegavam até aqui e o fluxo constante de água que nascia sobre os enormes blocos de gelo alimentavam um gigantesco lago que preenchia todo o vale. As encostas das montanhas deveriam sustentar uma rica vegetação que não tinha problemas em encontrar água. Tempos idos e passados que hoje só podem ser imaginados. Assim como os tempos futuros, quando o oceano efetivamente chegar até aqui, criando praias e um novo ecossistema. Mas hoje, que é o que podemos realmente ver, lá está uma enorme planície de sal, uma paisagem pitoresca que pode nos parecer eterna, mas que em tempos geológicos, sobrevive apenas por um piscar de olhos.
A "Natural Bridge", ou Ponte Natural, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Caminhando pelo sal e ouvindo todas as línguas possíveis (muitos franceses e japoneses por aqui!), comentei com a Ana que só faltava o português. Pois não é que, 15 minutos mais tarde, alguém se aproximou de nós e pediu em alto e bom português que tirássemos uma foto para ele! ?! E olha que o cara não era brasileiro não, mas um legítimo americano. Morou muitos anos em Curitiba há algumas décadas e fala a nossa língua sem sotaque! Tiramos a foto para ele e aproveitamos para tirar uma nossa também!
Com cuidado e esforço, é possível escalar a Natural Bridge, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Já no fim de tarde, voltando da Badwater Basin, ainda fomos visitar um outro canyon, dessa vez na encosta oriental do vale. A grande atração é uma enorme ponte natural, fruto de milhares de anos da água cavando um túnel através de uma parede. Um incrível monumento natural para admirado, fotografado e até escalado, com o devido cuidado. O terreno é bem instável e escorregadio, mas a vontade de uma boa foto supera o medo de uma escorregada perigosa.
Magnífica vista da Badwater Basin, ponto mais baixo do continente, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Da mesma maneira que tivemos uma bela visão das dunas lá do Mosaic Canyon, aqui pudemos admirar foi a planície branca de sal da Badwater Basin lá embaixo. O cenário tem uma grandiosidade de tirar a respiração. A luz do fim de tarde ainda consegue fazer tudo mais bonito. Que privilégio estar ali, àquela hora!
O luz do fim de tarde faz as cores do deserto ficarem ainda mais marcantes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Ainda tivemos tempo para uma última atração, no nosso caminho de volta para Furnace Creek. Passamos por uma região da encosta conhecida como “Paleta do Artista”. O nome vem da quantidade de cores que se encontra nas encostas, minerais oriundos de antigas formações vulcânicas. Além dos já tradicionais tons de vermelho e amarelo, aqui também se encontra o verde! Parece até que foi pintado! E foi, pela natureza, que resolveu caprichar no seu trabalho, aqui no Death Valley. A gente simplesmente não se cansa de nos impressionar!
Este barranco é completamente verde, na Paleta dos Artistas, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Chegamos já no escuro no acampamento e seguimos diretamente para o caro hotel, onde não pagamos por um quarto, mas pela piscina e chuveiros (só 5 dólares!). Bom para relaxar do intenso dia e para nos lavar da poeira acumulada por milênios por aqui, mesclada ao nosso suor não tão antigo assim. Depois, uma comida quente já nos minutos finais do restaurante. Por fim, fomos ao local onde dormiríamos. Aí, a Ana teimou comigo e cumpriu sua promessa de armar a barraca, ao lado da Fiona. Eu ainda preferi o desconforto dos bancos do nosso carro, enquanto ela se aboletou na barraca mesmo. Vamos ver quem acorda melhor amanhã...
O sol se põe no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
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