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Luis (01/08)
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Patricia (30/07)
Oi Rodrigo e Ana, depois de Assunção vcs já foram planície afora, das...
Lurdes-Lajeado-RS (30/07)
Bom dia viajantes,estou adorando esta viajem,realidade nua e crua,como nÃ...
Rodrigo (29/07)
Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Há 150 milhões de anos, o nosso planeta era bem diferente de hoje. O supercontinente de Pangea, que unia todos os continentes atuais, havia se partido apenas 30 milhões de anos antes. Agora, já quase no final da era jurássica, era a própria Gondwana que começava a se romper. Esse supercontinente reunia as atuais América do Sul, África, Índia, Antártida e Austrália. Ela também se dividiria em dois blocos, o Oceano Índico nascendo entre eles, América do Sul e África de um lado e os restantes do outro. A Patagônia, na atual Argentina e por onde estamos viajando nos dias de hoje, estava localizada na “Gondwana Ocidental”.
Estrada de rípio que nos leva ao Bosque Petrificado, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina. A linha de poeira ao fundo é um carro se movimentando
Chegando ao Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Naquela Patagônia frequentada por enormes dinossauros, o clima era bem diferente do atual. Muito mais úmida, enormes florestas cresciam onde hoje é quase um deserto. Entre as árvores que aqui cresciam, um bosque com enormes araucárias. Pois é, o mundo era diferente, mas também haviam coisas parecidas! Árvores muito semelhantes com as que hoje crescem no nosso Paraná, lá no sul do Brasil, eram comuns na Patagônia. Araucárias com 50 metros de altura e mais de mil anos de idade, diâmetro algumas vezes superando os dois metros.
Flores crescem no deserto onde está o Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Árvore torcida pelo vento quase constante no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Outra semelhança naquele mundo longínquo era a existência de vulcões. E um deles, bem ativo, fruto dos primeiros sinais de que as placas tectônicas de Nazca e América do Sul estavam para colidir (o que, um dia, levantaria os Andes), estava bem próximo de um pujante bosque de araucárias gigantes. Era nesse bosque que os jovens e pequenos mamíferos corriam para se esconder dos enormes dinossauros, a família de animais que ainda dominaria o nosso planeta por muitas dezenas de milhões de anos. Mas naquele dia específico, o bosque de araucárias não conseguiu defender os mamíferos e nem a si próprio. O perigo era muito mais terrível que os dinossauros.
Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Uma enorme explosão sacudiu o vulcão e toda a região ao seu redor. A onda de choque criada por essa explosão foi devastadora, uma espécie de tufão com ventos que corriam a centenas de quilômetros por hora. Tão forte que derrubou, de uma só vez, todo o bosque de árvores gigantes. Mas quilo era só o começo do pesadelo. Horas depois, uma chuva de cinzas que duraria semanas cobriu todas as planícies ao redor do vulcão. Metros e metros, toneladas e toneladas de detritos, sufocaram as árvores, vegetação e animais que, porventura, ainda estivessem vivos.
Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Árvores que parecem ter caído ontem, mas que foram fossilizadas há 150 milhões de anos, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Toda essa cinza vulcânica criou sob si um ambiente anaeróbico, evitando assim que as árvores gigantes apodrecessem. Sem a ajuda dos micróbios e fungos decompositores, os tecidos orgânicos levariam muito mais tempo para se desfazer, desmanchar-se. Alguns milhares de anos, talvez. Tempo mais do que o suficiente para que o ambiente acima das cinzas se recuperasse. Agora, ainda com muita umidade, pântanos e rios se formaram por ali. A água entrou no solo levando consigo diversos minerais contidos nas cinzas vulcânicas. Com paciência milenar, essa mesma água também ocupava os pequenos espaços deixados pela matéria orgânica das árvores que se desfaziam. Rica em minerais, a água evaporava novamente, mas os minerais ocupavam as pequenas cavidades antes ocupadas pela matéria orgânica. Aos poucos, as ainda duras paredes de celulose que delimitavam as células vegetais agora continham minerais. Basicamente, pedra. Com mais paciência ainda, a própria celulose se desfazia e também ela era substituída por água rica em minerais e, mais tarde, apenas pelos próprios minerais.
Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Resumidamente, esse é o processo conhecido como “petrificação”, uma das formas de fossilização. Árvores de madeira, nos seus mínimos detalhes microscópicos até suas características macroscópicas, tudo isso transformado em pedra. Todo esse milagre ocorrendo abaixo de muitos metros de cinza, agora já transformada em solo.
Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Antigas araucárias com 150 milhões de anos no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Muitos milhões de anos se passaram e a Terra continuava a mudar. Dinossauros morreram e os mamíferos se tornaram os senhores do planeta. América do Sul e África se separaram criando o Oceano Atlântico. No oeste do novo continente que agora tinha personalidade própria, esse em que viajamos atualmente, a enorme cordilheira dos Andes se levantava, bloqueando os ventos úmidos do Pacífico e mudando completamente o clima na Patagônia. Rios secaram, bosques sumiram, fauna e flora se adaptaram para um clima desértico, o próprio solo mudou, ficando mais arenoso. Faltava apenas o capítulo final dessa história...
Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Esse papel coube aos fortes ventos que agora desciam secos das montanhas e varriam as estepes em direção ao oceano Atlântico. Some a força deles com eventuais e raras chuvas e alguns cursos de água e temos um trabalho de erosão que, sempre com a paciência dos milênios, limpou o solo onde estava o antigo bosque de araucárias gigantes. As árvores reapareceram para o mundo, mas agora eram de pedra. Toda uma floresta de árvores caídas e petrificadas. Das raízes aos galhos mais altos. Dos enormes troncos às frágeis folhas e sementes, as populares pinhas. Um dos raros casos no mundo de um bosque petrificado que continua em seu lugar de origem. O mais comum é que árvores, ainda em vida, sejam levadas por rios até pântanos e aí afundem e, com o tempo, se petrifiquem. Aqui não, estão exatamente no local onde nasceram, cresceram e caíram.
Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Passeio no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Mais incrível ainda, doce coincidência providenciada pela mãe-natureza, os minerais que petrificaram as árvores e que dão cor a essas rochas têm uma cor muito parecida com a das árvores originais. Assim, esses gigantes de pedra não têm apenas a forma e desenho de árvores de verdade, mas também a própria cor. A nossa sensação ao vê-las é que elas caíram ali ontem ou, quando muito, no ano passado. Mas jamais há estonteantes 150 milhões de anos, quando ainda existiam dinossauros e a Gondwana. Absolutamente incrível!
Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
parece madeira de verdade, mas é uma árvore transformada em rocha há 150 milhões de anos, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Pois bem, foi esse lugar mágico e com tanta história que visitamos na tarde de hoje. É o Bosque das Árvores Petrificadas, um parque nacional no meio da Patagônia, quase 300 km ao sul de Comodoro Rivadavia. O acesso é pela Ruta Provincial 49, 60 km de boa estrada de rípio que parte da Ruta 3. A região é desértica e isolada, sem cidades ou vilas por perto, sensação de estarmos no meio do nada.
Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Há um pequeno centro de visitantes com explicações sobre o que aconteceu por ali desde que aquele vulcão explodiu. Aliás, ela ainda está no horizonte, hoje uma dócil e inofensiva montanha aplainada pelo tempo. O carro fica estacionado ali e nós percorremos uma trilha demarcada de cerca de dois quilômetros. O caminho nos leva para bem perto das árvores de pedra. No início, apenas alguns pedaços delas, tocos, mas depois, árvores inteiras, muitas dezenas de metros. Perfeitas, como se ainda vivessem até a véspera. Aparece até um sentimento de raiva do lenhador que fez aquilo tudo. Para quem não sabe, araucárias são quase sagradas hoje em dia, no Paraná, e derrubá-las sem um motivo muito justo é crime inafiançável.
Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
As estranhas montanhas na região do Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
O parque foi criado para proteger esse tesouro natural, para impedir que cada visitante resolva levar uma “lembrancinha” para casa. Essa pilhagem ocorria até uma década atrás. Antes disso, talvez 10 mil anos antes, quem “pilhava” o local eram os primeiros humanos a chegarem à Patagônia. As pedras fantasiadas de árvores eram sua matéria-prima para confecção de pontas de flecha. Vários exemplares podem ser vistos no pequeno centro de visitantes, assim como as pinhas petrificadas.
Visita ao deserto patagônico no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
A grandiosidade da paisagem e do deserto patagônico no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Tivemos esse lugar só para nós por quase duas horas. Não só as árvores como a paisagem magnífica ao seu redor, para um lado as estepes sem fim, para o outro, montanhas escavadas e esculpidas pelo tempo. Ar puríssimo da Patagônia, jurássico, cretáceo e o paleoceno, todos convivendo em um mesmo lugar e ao mesmo tempo. Difícil imaginar uma tarde mais espetacular para nosso último dia do ano. Só faltava decidir aonde iríamos dormir, mas nossa vontade era ficar por ali mesmo, imersos naquela magia.
Descanso merecido e inspirado no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina
Aproximando-se de Abrolhos - BA
Abrolhos é o nome de um arquipélago formado por cinco pequenas ilhas à cerca de 65 km da costa baiana. A maioria dos barcos que leva turistas, pesquisadores e militares ao arquipélado parte da cidade de Caravelas. As ilhas são conhecidas desde 1503 e o seu nome vem do fato que os marinheiros devem manter os olhos abertos se não quiserem causar danos às suas embarcações e naufragar. A principal ilha é a Santa Bárbara, onde moram os habitantes. As outras são a Siriba, a Redonda, a Sueste e a pequena Guarita.
As casas dos habitantes de Abrolhos - BA, na ilha de Sta Bárbara
O perigo está não só nas ilhas, mas também em diversas formações de coral ou de rocha que não chegam a aflorar mas estão próximas o suficiente da superfície para colidir com os cascos dos barcos. São dezenas de naufrágios na região, alguns com mais de 100 anos de história, outros ainda para serem (re)descobertos e muitos ideais para a prática de mergulho.
Esguicho de baleia visto do barco em direção à Abrolhos - BA
Toda a região entre Abrolhos e o continente e que se extende por outros 60 km além das ilhas é de mar bem raso, algo entre 30 e 40 metros, formando uma verdadeira plataforma que serve de abrigo para baleias jubarte em busca de sossego e águas quentes para poderem dar a luz e criarem seus filhotes nos seus primeiros meses de vida. Essa migração anual, um verdadeiro espetáculo da natureza, ocorre entre os meses de julho e novembro e atrai uma legião de fãs em busca das magníficas baleias que cantam e pulam sobre as águas mornas da região. As baleias jubarte chegaram perto da extinção devido à caça mas vem se recuperando lentamente desde que passaram a ser protegidas pelas leis internacionais.
Vista do alto do farol da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Além das baleias, outra grande atração da região que foi transformada em parque nacional são suas águas, com uma ótima visibilidade que favorecem o mergulho e a observação das centenas de espécies da flora e fauna marinha. A melhor época para o mergulho é no verão, mas bastam alguns dias de calmaria no inverno para que a visibilidade chegue aos 20 metros.
Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Acima da água, a vida também é abundante, principalmente de aves marinhas como atobás, fragatas e grazinas entre outras. O interessante é que, de forma geral, cada tipo de ave tem sua ilha no arquipélago, como atobás brancos na Siriba, atobás marrons na Sueste e fragatas na Redonda. Além dos pássaros, também há os animais trazidos de forma voluntária ou involuntária pelos homens: ratos, calangos, caranguejeiras, cabras e frangos.
Casais de atobás na ilha da Siriba, em Abrolhos - BA
A população humana fica toda na ilha Santa Bárbara, a maior do arquipélago. Ali existe quase uma dezena de casas que acomodam o pesquisador do ICMbio e seis militares da marinha, acompanhados de suas famílias.
O Titan, nosso barco, visto do alto da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Os turistas ficam nos seus barcos, numa pequena baía protegida do mar aberto. Normalmente, conseguem autorização para desembarcar em uma ou duas ilhas, para uma visita guiada. Na Santa Bárbara, visita-se o farol de 150 anos. Na Siriba, os atobás brancos.
Pôr-do-sol visto do alto da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Para este paraíso em pleno Oceano Atlântico seguimos eu e a Ana, para uma temporada de quatro dias e três noites!
Veleiro na Ilha da Siriba, em Abrolhos - BA
Recebendo a Bebel no aeroporto de Newark, em Nova Iorque, nos Estados Unidos
Em uma viagem tão longa assim, fica mais fácil para nós, pelo menos para organizar nossos pensamentos e expectativas, dividi-la em etapas. Por exemplo, acabamos de terminar mais uma etapa, pelo Caribe. Na verdade, essa etapa foi tão longa que a gente até dividia ela em “sub-etapas”, cada uma correspondendo a um grupo de ilhas entre as viagens de avião. Enfim, essa etapa do Caribe já é passado, ficou para trás...
Viajando de Fiona com a Bebel de Newark à Pennsylvania, nos Estados Unidos
Logo depois, veio a etapa nova-iorquina, quase quatro dias na grande metrópole. Uma pequena etapa “tampão”, dividindo essa do nosso giro pelo Caribe com outra etapa que acaba de começar, algo que ainda não tínhamos feito nesses 1000dias de viagem, experiência nova para nós. A Fiona está com mais um tripulante! Na verdade, mais “uma” tripulante! É a Bebel, minha querida sobrinha e afilhada, iniciando sua vida de adolescência.
Bebel aproveitando o sol e a piscina da casa da Amy e do Joe, na Pennsylvania, nos Estados Unidos
Já faz um tempo que a gente vem planejando isso, duas semanas pela Nova Inglaterra, quem sabe um pulinho no Canadá, se der tempo. Vai depender do nosso ritmo de viagem com ela, de como vamos administrar os interesses de uma menina de quase 13 anos com os de um casal que há 800 dias viaja pela América de carro, dividindo seu tempo entre atrações naturais e cidades atraentes que encontra pelo caminho. Juntos e devagarzinho, vamos construir nosso roteiro...
Despedida do nosso hotel e do nosso amigo Sabam, em Nova Iorque, nos Estados Unidos
No dia 5, logo depois do meio dia, deixamos Nova York, depois de calorosa despedida do nosso grande amigo na recepção do hotel, o indonésio Sabam. Ele nos deu dicas de passeios, linhas de metrôs e caminhos pela cidade. Ele nos deu internet, café da manhã e coquetel de boas-vindas. Mas do que isso, a cada passagem pela recepção, era uma simpatia só, sempre interessado nas nossas aventuras passadas e presentes. Saímos desse hotel, o Westin, completamente satisfeitos com a relação custo x benefício. Uma excelente opção para que vem à Nova York, pela localização, conforto e serviços oferecidos.
Trabalhando no trem de Nova Iorque à Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Fomos para a Penn Station, de onde pegamos o trem para Princeton Junction, em direção à casa da Anita. Uma hora de viagem, muito bem aproveitadas para trabalhar, e chegamos à pequena cidade em New Jersey, onde a querida prima já nos aguardava na estação, junto com os filhos Luiza, Tomaz e Nina. Na sua casa, nos aguardava a Fiona, já há 40 dias longe de nós e imaginando que a tínhamos abandonado! Hehehe, nada disso! Tem muita estrada pela frente, Fiona!
Bebel aproveitando o sol e a piscina da casa da Amy e do Joe, na Pennsylvania, nos Estados Unidos
Nosso plano original era aproveitar o dia 6 para um day-trip à Philadelphia. Mas não demorou muito para mudarmos os planos. “Phili” vai ter de esperar um pouco mais. Nosso dia 6 foi de muita organização, na bagagem, na Fiona e na documentação do seguro do carro. Além disso, demos uma mão para a Anita, que partia de viagem com a família para uma temporada no Brasil. No final do dia, fui levá-los ao aeroporto, o mesmo que pegaríamos a Bebel no dia seguinte.
A Amy com o Mr. White, um dos 3 poodles de estimação, na sua casa na Pennsylvania, nos Estados Unidos
Renovar o seguro da Fiona foi um parto. Sempre o mesmo problema: seguro de carro brasileiro que inexiste no sistema americano é quase impossível. Consegui por mais dois meses, mas preciso procurar outra alternativa para depois disso. Vou pensar nessa abacaxi depois... Enquanto corria atrás disso, a Ana deu uma geral no nosso carro, deixou-o limpinho e organizado e pronto para receber a Bebel.
Fim de semana de sol, piscina e cerveja gelada na casa da Amy e do Joe, na Pennsylvania, nos Estados Unidos
Pois é, era 6 da manhã de ontem, dia 7, e já estávamos no aeroporto de Newark, onde ela chegou. Depois da festa da recepção, seguimos diretamente para a Pennsylvania, para passar o fim de semana na casa da Amy e do Joe. Os dois são muito amigos dos pais da Bebel, meu irmão Pedro e minha cunhada Íris. A Amy eu já conhecia fazia tempo, acabou virando amiga de toda a família. O Joe, só tinha estado com ele por uns 5 minutos, já há mais de 10 anos, quando visitavam o Brasil. Ambos trabalham com cinema e conhecem todos os ban-ban-bans de Hollywood.
Hora do almoço na varanda da casa da Amy e do Joe na Pennsylvania, nos Estados Unidos
Eles tem uma deliciosa casa de campo, na Pennsylvania, quase fronteira com o estado de New Jersey. Eles nos receberam de braços abertos, prontos para nos mimar por dois dias. E assim foi o primeiro final de semana da Bebel por aqui, na beira da piscina, excelente comida, muita mordomia e companhia não só nossa, mas também dos muitos amigos e conhecidos na casa da Amy a na cada da Ann, tia da Amy e também com uma deliciosa casa por ali, sempre cheia de pessoas interessantes.
A deliciosa casa da Amy e do Joe na Pennsylvania, nos Estados Unidos
Quem aproveitou muito também essa boa vida foram eu e a Ana. O Joe e a Amy nos trataram como reis, sem deixar faltar nada. Entre um churrasco preparado pelo Joe ou um café da manhã com frutas e granola preparado pela Amy, sem esquecer as cervejas geladas ao lado da piscina ou as caipirinhas no final de tarde, conversamos muito. O assunto variava de fofocas sobre os astros bonitões do cinema à dicas sobre o que ver ou fazer nos estados da Nova Inglaterra. O Joe conhece muito bem a região, pois a família vive em Vermont. Aliás, já estamos até com o endereço dos pais dele por lá. Ao final, até montamos um roteiro para os próximos dias, passando por Vermont, New Hampshire, Maine e Massachusetts. Vai ser difícil escolher entre tanta coisa para ver...
O trio de poodles da Amy e do Joe, na casa da Pennsylvania, nos Estados Unidos
Finalmente, também tenho de mencionar a companhia dos três poodles do casal, o Mr. White, Mr. Brown e Ms. Black. Nem preciso falar a cor deles, né? Eles ainda conseguem fazer aquela casa deliciosa ficar mais interessante, cada um com sua personalidade. Mas os agradecimentos vão mesmo à Amy e o Joe, que nos ajudaram à dar boas-vindas à Bebel e, ao mesmo tempo, nos fazer sentir em casa. Agora, estamos mais do que preparados, nós três, para amanhã iniciarmos nossa jornada pela Nova Inglaterra, uma das regiões mais belas dos Estados Unidos.
O Joe prepara um delicioso churrasco na sua casa na Pennsylvania, nos Estados Unidos
É... se inicia uma nova etapa dos 1000dias. Tempo para conhecer de novo a afilhada que eu conhecia como menina, mas que cada vez mais é uma moça. New England, there we go! (agora, com a Bebel por perto, vamos ver se melhoro minha pronúncia de inglês, pois o “accent” da afilhada é perfeito! Uma ótima influência para o padrinho...)
Com a Bebel na viagem de Newark à Pennsylvania, nos Estados Unidos
Tradicional foto com o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro - RJ
A previsão dizia que hoje seria o último dia de sol por muito tempo aqui no Rio, mas não foi assim que amanheceu não. Estava acizentado, com cara de cama até tarde. Mas não era o caso. Tinha compromisso às 07:30 na Lagoa, encontro com o Pfeifer, um grande amigo do primo Haroldo que acabou se tornando amigo meu também , principalmente depois de viajarmos os três para Argentina e Chile, há mais de 18 anos. No meio da viagem o Haroldo teve de voltar e continuamos, eu e o Pfeifer, até Punta Arenas, lá no fim da América e do mundo. Depois disso ele se formou, mudou de país, voltou para o Brasil, casou-se e tem dois filhos. Já é carioca há um bom tempo e não nos víamos há uns 15 anos, pelo menos...
Encontro com o Pfeifer na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ
A Ana venceu seu sono também (para ela, o esforço é sempre maior!) e fomos para a Lagoa, eu correndo e ela de bicicleta. Com algum trabalho, finalmente encontramos o Pfeifer. Ela mora no Corte de Cantagalo e a Lagoa é seu quintal. Que chato... Foi jóia revê-lo e ver também a sua esposa e os flhos, esses por fotos.
Correndo na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ
Feito a social, terminamos a volta na Lagoa. Adoro dar essa volta e faço sempre que posso. Muito bem marcada, a pista, e a vista, nem se fala. Nesse meio tempo, o céu azul apareceu, voltamos para casa, pegamos a Fiona e partimos para ver o Rio das alturas.
O Pão de Açúcar, visto do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ
Primeira parada, nada mais nada menos que o Corcovado e o Cristo Redentor. Foi-se o tempo que podíamos seguir de carro até lá em cima. Agora, paramos antes e o último trecho é feito de van. A entrada, um verdadeiro assalto, é 16 reais em dias de semana e quase 25 nos finais de semana e feriados. Imagina o quanto que não estão faturando... Deste modo, infelizmente, a pobre Fiona não pode conhecer o Cristo Redentor. Só por fotos...
Ipanema, Leblon e Gávea vistos do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ
Lá em cima, vista absolutamente espetacular para todos os lados. Realmente, é a cidade mais bonita do mundo, pelo menos das que eu conheço. A Lagoa, a Floresta da Tijuca, a Pedra da Gávea, os Dois Irmãos, o Pão de Açúcar, a Baía da Guanabara, todos juntos formando uma verdadeira pintura. É de cair o queixo. O meu e das centenas de turistas, brasileiros e gringos, que visitam o monumento todos os dias. Para nós, que temos andado pela cidade nesses últimos dias, é uma delícia vê-la de cima, tentar reconhecer prédios, bairros, morros e praias que temos estado e visitado. Melhor aula de geografia não há.
Fiona atravessando a Floresta da Tijuca pela Estrada das Paineras, no Rio de Janeiro - RJ
De lá seguimos para a Estrada das Paineras, que corta o Parque Nacional da Floresta da Tijuca, maior parque urbano do mundo. Nos fins de semana, essa estrada é fechada para pedestres, que fazem a festa lá em cima, ar mais puro e fresco que ao nível do mar, várias bicas de água doce para se refrescar e banhar-se. Numa sexta os carros podem passar. Ela é bem vazia e é difícil imaginar que estamos no coração (ou nos pulmões?) da segunda maior metrópole brasileira.
Pedra da Gávea vista do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ
A Floresta da Tijuca na verdade é um reflorestamento. Toda a área já foi uma gigantesca plantação de café. Mas quando as fontes de água da capital imperial começaram a secar, D. Pedro II teve o discernimento de ordenar o reflorestamento. Isso há mais de 140 anos atrás! Para quem acha que o movimento ecológico é coisa recente... O imperador teve o cuidado de usar botânicos e estudiosos para fazer o reflorestamento. O resultado é essa maravilha que vemos hoje, talvez o maior ativo da cidade do Rio de Janeiro.
Vista Chinesa, no P.N da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro - RJ
Seguimos até a Vista Chinesa e a Mesa do Imperador, dois pontos na floresta que possibilitam vistas maravilhosas da cidade. Da Vista Chinesa e do seu pagode típico da Ásia é possível observar, num mesmo "quadro", o Corcovado e o Pão de Açúcar, com a Baía da Guanabara ao fundo. Que colírio para os olhos!
Corcovado e Pão de Açúcar vistos da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ
Por fim, seguimos para São Conrado, encontrar o instrutor que levaria a Ana para mais alto ainda, para um salto de asa delta. Mas isso fica para depois...
Belo visual da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ
Nossos últimos dias em Mauá e em Itatiaia tiveram duas coisas em comum: foram muito interessantes e sem possibilidade de acesso á internet
No dia 20 passeamos com o Pedro, ìris, Bebel e Haroldo no Vale do Alcantilado em Mauá. Percorremos uma trilha com nove cachoeiras. Depois, juntos, assistimos ao jogo do Brasil.
No dia 21 viajamos para o Parque de Itatiaia mas não pudemos entrar no Parque pois já estava tarde. A gente se hospedou na deliciosa Pousada dos Lobos.
No dia 22 subimos o Pico das Agulhas Negras e viemos para Passa Quatro, onde já agendamos uma longa caminhada amanhã bem cedo até a Pedra da Mina, onde devemos acampar e dormir na noite do dia 23, a quase 2.800 metros de altitude.
No dia 24 voltamos para cá e finalmente teremos internet e tempo para postar textos e fotos. Muitas fotos legais que já temos e outras que vamos fazer nessa linda caminhada
Abs a todos
Rodrigo
Com nossa guia eslovaca na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Com uma superfície de mais de 8 mil quilômetros quadrados, a geleira de Vatnajokull é a maior da Europa. São 100 km de largura por 80 km de lado, um verdadeiro mar de gelo com espessura média de 500 metros, mas que chega, em alguns pontos, a 900 metros! Escondida sobre ela, vales, platôs, montanhas, vulcões e até uma fenda que chega a 300 metros abaixo do nível do mar!
A geleita de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, a maior da Europa
Aproximando-se da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, para fazer um trekking no gelo
Despontando para fora do gelo, de tão altos, estão a maior montanha da ilha e aquele vulcão que entrou em erupção alguns anos atrás fechando todos os aeroportos da Europa, numa luta espetacular entre as lavas ferventes e uma quantidade colossal de gelo ao seu redor.
Aproximando-se da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, para fazer um trekking no gelo
Animada no início da caminhada sobre a geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Tanta água doce há estocada aí, sob a forma de gelo e neve que, se toda a geleira fosse drenada pelo rio mais caudaloso da Islândia (que é grande! Nós ainda vamos conhece-lo, no norte do país), seriam precisos 200 anos para acabar a água! Okay, se pensarmos no rio Amazonas, o maior do planeta, seriam necessários “apenas” 5 meses...
Subindo um trecho inclinado da geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Uma das muitas "ladeiras" da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Pois bem, foi esse colosso que fomos conhecer hoje. Agências de turismo oferecem aos turistas mais energéticos a possibilidade de uma caminhada sobre o gelo, as fendas e as belezas de Vatnajokull. Fornecem todo o equipamento necessário, exceto as roupas, e o guia para nos levar lá. No nosso caso, era uma guia, uma simpática moça lá da Eslováquia que já anda sobre o gelo e a neve desde pequenininha.
A geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, corre em direção ao mar
As enormes montanhas que alimentam a geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Vamos de carro até uma das línguas que saem da geleira e vem até a planície litorânea e caminhamos até o gelo propriamente dito. Aí, com piquetas na mão, cordas na cintura e grampões nas botas, sempre em fila indiana seguindo nossa experiente guia, adentramos esse inverso branco, frio e escorregadio.
Pausa para descanso durante trekking na geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Pequena piscina de água gelada na geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Observando fissura no gelo da geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Aos poucos, vamos subindo, superando obstáculos, passando sobre fendas profundas e pequenos lagos de cor azul transparente, a mais pura água que se possa imaginar. Vamos também nos acostumando com a técnica de caminhar sobre o gelo. Eu e a Ana não somos experientes nesse tipo de atividade, caminhar sobre uma geleira, certamente nunca em uma desse tamanho. É preciso firmar bem o pé, ou os grampões, que evitam que a gente escorregue. Em trechos mais planos, não é difícil. Nas subidas sim, mas aí a piqueta e os conselhos da nossa guia ajudam bastante. Joelhos dobrados, corpo inclinado para frente! Na descida, claro, é o contrário!
Pose para foto durante caminhada na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Enormes blocos de gelo em movimento na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Quase cinco horas de caminhada na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Após quase duas horas, atingimos um trecho mais plano. Para todos os lados, há apenas gelo e a vastidão do horizonte, o mar de um lado e as montanhas nevadas do outro. Sentimento total de insignificância perto da grandiosidade, da magnitude da paisagem que nos cerca. Aì nos sentamos para alguns minutos de admiração e respeito. E também para nos alimentar, pois ninguém é de ferro!
Muitas horas de caminhada na monumental geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Caminhando sobre a maior geleira da Europa, a Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Caminhando sobre a geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Hora de voltar. Ainda bem que a guia está lá, para descobrir os melhores caminho no meio daquele labirinto de gelo. Passamos por mais fendas, por mais poças de gelo derretido, uma beleza difícil dos olhos acreditarem. Sempre um convite para mais fotografias. Quase sem percebermos, já se foram cinco horas no total. Além de termos ficado perdidos no espaço, também ficamos perdidos no tempo. Naquela paisagem maravilhosa, perdemos todas as referências. Ficamos desnorteados. Perdemos a noção de escala. Assim, livre de todos esses pré-conceitos, fica muito mais fácil “sentir” a natureza que nos cerca. Uma experiência inesquecível!
Uma das línguas da maior geleira da Europa, a Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
O grandioso cenário da Chapada dos Guimarães na área conhecida como Cidade de Pedra, em Mato Grosso
Já no meio da tarde, saímos do setor do parque onde está a Trilha das Cachoeiras e nos dirigimos a outro, onde está a Cidade de Pedra. No caminho, reencontramos o Gabriel e a Luisa, que fariam esse passeio conosco. Não só esse passeio como também a viagem até o Pantanal. Como o roteiro deles aqui no Mato Grosso era parecido com o nosso, resolvemos nos juntar. Com isso, decidimos de vez que faríamos primeiro o Pantanal para só depois fazer Cuiabá e, de lá, seguirmos para o Mato Grosso do Sul. Era nossa última dúvida no nosso roteiro por aqui, mas já não é mais.
Visitando a Cidade de Pedra, um dos mais belos cenários da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
O grandioso cenário da Chapada dos Guimarães na área conhecida como Cidade de Pedra, em Mato Grosso
Mas, voltando à Chapada, lá fomos nós para a chamada “Cidade de Pedra”, o nome dado a um trecho dos mais de 100 km de enormes paredões que definem os limites da Chapada dos Guimarães. Esse é, provavelmente, um dos mais belos trechos dessas escarpas impressionantes e uma trilha nos leva por vários mirantes de tirar o fôlego.
Visitando a Cidade de Pedra, um dos mais belos cenários da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
O grandioso cenário da Chapada dos Guimarães na área conhecida como Cidade de Pedra, em Mato Grosso
Quando conversamos com o Sergio na primeira vez, na noite de anteontem, e pedimos que ele nos ajudasse a montar um roteiro para os próximos dois dias, ele não titubeou: “A Cidade de Pedra não pode faltar!”. Agora, estávamos vendo com os próprios olhos o porquê de tanto entusiasmo.
Visitando a Cidade de Pedra, um dos mais belos cenários da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
O grandioso cenário da Chapada dos Guimarães na área conhecida como Cidade de Pedra, em Mato Grosso
A vista é mesmo magnífica, ainda mais bonita do que a que temos do Mirante do Centro Geodésico. Aqui, mais do que nunca, percebemos as escarpas, os paredões e os desfiladeiros que formam e dão forma a essa Chapada. Precipícios com mais de duzentos metros de altura nos mostram a grandeza da paisagem e a nossa pequeneza naquele lugar. É uma biblioteca geológica a céu aberto, camadas e mais camadas de rochas representando milhões de anos, todas ali, para nossos olhos destreinados admirarem, enquanto outros, mais treinados, decifram a história do nosso planeta, ou pelo menos, desse pedacinho aqui no coração das Américas.
Caminhando na Cidade de Pedra, no alto da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Ficamos ali, quase uma hora, nos esbaldando com o visual. E quando nos preparávamos para partir, eis que ganhamos mais um presente. Araras coloridas, sempre elas, vários casais, apareceram para nos encher de “inveja”. Graciosamente, voaram e sobrevoaram sobre aquele enorme vazio a nossa frente. Pareciam entender que era isso o que queríamos fazer e tentavam nos mostrar como se faz.
Cidade de Pedra, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
É... voar faz parte dos sonhos humanos desde que aprendemos a andar eretos, nas planícies africanas. Mais ainda quando estamos de frente a um lugar desses, o vazio infinito e o horizonte sem fim nos chamando. Ao ver aqueles pássaros coloridos cortando os ares por ali, tudo parece ser ainda mais fácil. Mas não é, claro, e o que podemos fazer é admirar aquele verdadeiro show, sentirmo-nos abençoados de estar ali, no lugar certo, na hora certa.
Casal de araras faz um voo espetacular sobre a Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Casal de araras faz um voo espetacular sobre a Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Bom, as araras nos fizeram ficar por ali por mais um quarto de hora, mas tínhamos de partir, por nossa ideia ainda era chegar em Poconé, cidade que fica no início da rodovia Transpantaneira. Assim, despedimo-nos da mágica Cidade de Pedra e de seus guardiões alados e coloridos e voltamos para a cidade. Aí, foi a vez de nos despedirmos do Sergio, nosso guia, amigo e professor dos últimos dias. Foi através de seus olhos e experiência que conhecemos a Chapada dos Guimarães e não nos esqueceremos disso!
Casal de araras faz um voo espetacular sobre a Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
E então, na hora de partir, eis que a Chapada nos reservava mais uma surpresa. Saíamos de uma padaria, depois de um rápido lanche, e fomos reconhecidos pela Cecília. A Cissa era uma das integrantes do trio Pirathiny, uma espécie de pequeno circo mambembe que percorreu o Brasil por mais de um ano, levando alegria às crianças de todo o país. Nós os havíamos encontrado lá em Oiapoque, um pouco antes de cruzarmos para a Guiana Francesa, já há mais de dois anos!
A igreja da cidade de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Reencontro com a camionete do trio Pirathiny, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Pois é, ela agora mora por aqui! Viu a Fiona na rua e soube que estávamos por perto. Felizmente, nos avistou e foi uma festa só! Que incrível a coincidência, algo típico desse lugar mágico que é a Chapada. O mundo é pequeno mesmo, não? Foi muito joia!
O surpreendente reencontro com a Cecília, do trio Pirathiny, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
O surpreendente reencontro com a Cecília, do trio Pirathiny, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Passamos um tempo botando as novidades em dia, nós falando do nosso roteiro interminável e ela contando sobre o fim do Trio e sobre seus filhos, que conhecemos lá em Oiapoque. Depois, infelizmente, tivemos mesmo de partir. A Chapada ficou para trás, pelo menos geograficamente. Mas nas nossas lembranças, está mais forte do que nunca, suas cavernas e cachoeiras, escarpas e precipícios e encontros e reencontros. Só não ficamos tristes em deixá-la porque outro paraíso nos espera: o Pantanal. E vamos que vamos!
Admirando o cenário da Cidade de Pedra, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Visita ao forte da família, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
A cidade de Corumbá, no extremo oeste do Mato Grosso do Sul, é considerada uma das principais portas para o Pantanal. Mas é o fato de estar na fronteira com a Bolívia que a faz mais conhecida entre jovens e estudantes que estão fazendo o seu primeiro mochilão pelas Américas: a popular viagem por terra até Machu Picchu. Alguns desses viajantes preferem voar até La Paz e daí começar sua odisseia, mas assim perdem uma das mais duras e “aventurescas” partes da viagem que é justamente o celebrado “trem da morte”, que liga Quijarro à Santa Cruz de la Sierra. Quijarro é vizinha de Corumbá, do outro lado da fronteira.
A bela orla de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
O rio Paraguai, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Mas a história e a fama de Corumbá são muito mais antigas que o turismo à Machu Picchu ou ao Pantanal. A cidade foi fundada no final do séc. XVIII, ainda quando espanhóis e portugueses disputavam a área. A região era estratégica justamente pelo acesso a toda a bacia do Pantanal e pelo excelente porto nas margens do rio Paraguai. Por fim, conforme previa o Tratado de Madrid, foram mesmo os portugueses que consolidaram sua presença por lá.
Equipe de TV portuguesa filma em antigo prédio em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
O maior desafio à soberania veio quase um século mais tarde, quando a cidade foi ocupada por tropas paraguaias, assim permanecendo durante boa parte da guerra. Foi o território brasileiro que mais tempo esteve sob domínio estrangeiro. Mas ao final, com a quase aniquilação da nação vizinha, Corumbá voltou a ser brasileira e sua importância não parou mais de crescer, até o auge no final do século.
Casario centenário em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Corumbá tornou-se o principal porto fluvial da América Latina e um dos mais importantes do mundo. Navios de grande calado subiam o rio Paraguai até a cidade, para onde traziam mercadorias a serem distribuídas até Cáceres e Cuiabá. Levavam de volta a produção agrícola e parte da borracha produzida na Amazônia. A forte movimentação econômica trouxe riqueza para a cidade, o que ainda pode ser observado no casario centenário na orla de Corumbá, assim como na sua parte alta. Mas a chegada da linha ferroviária e o declínio do ciclo da borracha tiraram o vigor do porto e da cidade, o fim dos anos dourados de Cuiabá.
Restaurante na estrada, em Miranda, onde deixamos o carro do Chico e encontramos caravana de viajantes, no caminho para Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Bom, por essa mesma linha de trem passaram gerações de aventureiros de primeira viagem em busca da fronteira da Bolívia, o trem da morte e do caminho para La Paz, o Titicaca e Machu Picchu. A saudosa linha de trem saía de Bauru, em São Paulo, passava por Campo Grande e seguia para Corumbá. Eu estive entre os felizardos dessa viagem, nos seus últimos anos de funcionamento, em 1990. A gente passava boa parte da viagem no vagão-restaurante, tomando cerveja gelada e observando o paisagem pelas grandes janelas. Um espetáculo! Depois, já meio ressaqueados, íamos dormir na cabina para já acordar em Campo Grande. Mais uma esticada, chegávamos ao Pantanal, cruzávamos a grande ponte sobre o rio Paraguai e chegávamos à Corumbá. Doces memórias e total indignação com o inexplicável descaso dos nossos governos com o transporte ferroviário de passageiros no país. Essa, como tantas outras linhas de trem, foi cancelada ainda naquela década.
Cruzando o rio Paraguai, a caminho de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Levando o Chico na carona, a caminho de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Enfim, não consegui ver muito da cidade daquela vez. Na nossa pressa para continuarmos a viagem, logo pegamos um táxi para a fronteira, 12 km distante dali. Só para descobrir que os carimbos no passaporte tinham de ser feitos no centro da cidade. Assim, foram mais duas corridas de táxi para conseguirmos, enfim, entrar na Bolívia, na horrorosa Quijarro daqueles anos. Parece que hoje melhorou um pouco. Enfim, era esse o meu conhecimento visual de Corumbá: da janela do trem e do táxi. A saudade e admiração pela linha de trem Bauru-Corumbá já começaram no dia seguinte, quando enfrentamos as 17 horas de trem da morte até Santa Cruz. Mas isso já é outra história...
Os primos Junqueira chegam ao Forte Junqueira, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Visitando o Forte Junqueira, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
De volta aos dias de hoje, não estávamos mais de trem, mas de carro. Carro não, de Fiona, hehehe! Saímos ontem pela manhã de Campo Grande, rumo ao oeste (veja o mapa no post anterior). Na metade do caminho, em Miranda, outra importante ponto de acesso às belezas do Pantanal, paramos em um restaurante de estrada e os simpáticos donos ofereceram o lugar para deixarmos o carro do Chico até que voltássemos, dois dias depois. Como teremos de passar por aqui novamente, no nosso caminho para Bonito, achamos melhor seguir em um só carro. Menos combustível e mais tempo juntos, fazia todo o sentido! Para completar, um pouco antes de partirmos do restaurante, apareceu uma caravana de jipes com simpáticos casais rumo à Machu Picchu. Ao verem a Fiona e saber de suas e nossas aventuras, fizeram muita festa para nós, um estímulo para que continuassem sua própria viagem. Foi joia!
Vista do rio Paraguai, do alto do Forte Junqueira, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Bom, e nós continuamos a nossa, adentrando a área do Pantanal, atravessando o rio Paraguai e chegando à cidade no fim da tarde. Antes mesmo de acharmos um hotel, aproveitando a última hora em que ainda estaria aberto, seguimos ao Forte Junqueira, uma das atrações da cidade. Com esse nome, para mim, é uma das atrações do continente e do universo, hehehe! O forte foi um dos construídos depois da guerra do Paraguai, para impedir novas invasões, e seu nome é homenagem a um dos ministros de estado daquela época. Quem diria que eu já tive primo ministro, hein?
Vista do rio Paraguai, do alto do Forte Junqueira, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Quartel onde se localiza o antigo Forte Junqueira, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Para mim e para o Chico, orgulhosos Junqueiras, era uma visita obrigatória! O forte da família, ficamos até meio corujas, hehehe. Mas, brincadeiras a parte, a visita é bem interessante, principalmente pela vista que o local oferece do rio Paraguai e da infinita planície pantaneira à nossa frente. O forte fica dentro de um destacamento do exército e um simpático militar nos acompanha o tempo todo, dando explicações sobre a história do próprio forte, mas também sobre o destacamento militar e a atuação do exército na região. Foi bem legal!
Fim de tarde no Forte Junqueira, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Depois do forte, aí sim fomos procurar um hotel. Devidamente instalados, fomos conhecer a night da cidade, que fica na orla do rio. Boa parte de Corumbá está na parte alta da cidade, ruas amplas e arborizadas, praças enormes ladeadas de prédios históricos. Mas é na parte baixa que está o casario mais bonito e colorido, resquício dos tempos de glória do maior porto fluvial de sua época. É aí que estão bares e restaurantes e onde fomos tomar uma cerveja bem gelada e nos informar sobre possíveis passeios de barco pela região.
Caminhando pela movimentada night de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Com o Chico, tomando uma cerveja gelada na night de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Tomamos nossa cerveja e decidimos não fazer o passeio nos barcos grandes, turísticos demais para o nosso gosto, além de não adentrarem muito o Pantanal. Decidimos, ao contrário, voltar de carro até a ponte sobre o rio Paraguai e, aí mesmo, encontrar uma voadeira que nos levasse para um passeio no rio. E assim foi, hoje de manhã; depois de mais uma sessão de fotos na bonita orla da cidade, fomos atrás da nossa voadeira para iniciarmos nossas explorações do Pantanal Sul. Amanhã, tem mais, quando vamos percorrer a estrada-parque. Enfim, tem muito de Pantanal pela frente!
Barcos que transitam pelo rio Paraguai, vistos do Forte Junqueira, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Cerveja de Turks e Caicos
Quando o nosso site estiver funcionando (falta pouco!) vamos ter várias outras páginas, além dos blogs. Páginas de fotos, páginas de vídeo, páginas com informações sobre cada lugar que passarmos, etc... Dentro desse "etc" haverá uma página mostrando os custos da viagem, quanto gastamos por dia, semana, mês, em que gastamos, combustível, comida, habitação e por aí vai. Também um comparativo de preços de produtos similares nos diversos países e estados que passarmos. Acho que vai ficar bem legal e prático.
Bom, enquanto isso não funciona, vou dar uma idéia de preços por aqui. Não se assustem porque, imagino, esse deve ser um dos mais caros países da viagem...
cerveja long neck: 4-5 dólares
sanduíche generoso: 8-10 dólares
hotel mediano: 130 dólares (casal, sem café)
refeição p/ pessoa: 20 dólares
aluguel de carro: 75 dólares
garrafa d'água média no supermercado: 1 dólar
Admirando orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Nos últimos dias estivemos viajando por entre os maiores lagos de água doce do mundo, na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. Uma região conhecida como “The Great Lakes”, verdadeiros oceanos no coração da América do Norte.
O enorme Lake Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá
Ainda me lembro das aulas de geografia de 6ª série. Antes da prova, precisamos decorar o nome dos cinco lagos (que, a rigor, são quatro!). De nada adiantou a decoreba, pois essa questão nem caiu no exame.
Nosso caminho através dos Grands Lagos
O primeiro dos lagos que conhecemos foi justamente o menor deles, o Ontario. Tem “apenas” 19 mil quilômetros quadrados. O equivalente a um quadrado com 140 km de lado! Ou seja, caberiam muitas e muitas São Paulos e Rio de Janeiros aí dentro. É neste lago que está Toronto e foi do alto da CN Tower, a 350 metros de altura, que pudemos ter uma ideia da extensão do menorzinho dos Great Lakes. Mesmo lá do alto, não dá para ver o outro lado.
O lago Ontario em Niagara-on-the-Lake, no Canadá
E é do outo lado que está Niagara-on-The Lake. Foi aí que pudemos nos aproximar do lago e testar sua temperatura. Para nossa surpresa, estava fria, mas não gelada. Completamente “nadável”. Há tanta água nos lagos que a temperatura deles não varia tanto como a de lagos menores. Mesmo no auge do inverno polar que se faz por aqui, o gelo que se forma na superfície não é espesso o suficiente para que uma pessoa patine sobre ele com segurança.
Testando a água do lago Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá
Ainda com uma longa viagem pela frente, tudo o que fizemos no Lago Ontario foi molhar as mãos e admirar sua magnitude. Depois, foi pé na estrada rumo aos Estados Unidos. Os lagos estão bem na fronteira desse país com o Canadá, o limite internacional passando no meio de quatro deles. Apenas o lago Michigan fica completamente em terras americanas.
Praia no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Nosso caminho nos levou, ainda dentro do Canadá, ao longo da costa norte do Lago Erie (o segundo menor, com 25 mil quilômetros quadrados) até a fronteira entre os dois países, na estreita passagem de terra entre o Erie e o Lago Huron. Esse último, com 60 mil quilômetros quadrados (quadrado com 240 km de lado!), na verdade está unido com o lago Michigan, por um canal. Em tese, formam um só lago, o maior do mundo de água doce.
As havaianas chegaram até Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
No dia seguinte, após uma passagem relâmpago pelo ponta norte do estado de Indiana (mais um para nossa lista!), chegamos à Chicago, na orla do Lake Michigan, praticamente do mesmo tamanho que seu irmão gêmeo, Huron. Foi aí que pudemos “aproveitar” mais dos lagos. Nessa época do ano, com as altas temperaturas, as praias ficam cheias de banhistas e nós fomos lá conferir.
Praia de lago também tem vendedor de sorvete, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Com a água bem verde e com temperatura parecida com as praias do Rio, passamos uma boa hora por lá, estendidos na areia e dando mergulhos. A nossa volta, uma loja de havaianas (como se estivéssemos em uma praia tropical!) e tiozinhos empurrando seus carrinhos de sorvete. “Nossa, será mesmo que estamos em Chicago?”, era o que a gente se perguntava! No mar (quer dizer, lago) em frente, salva-vidas em barcos a remo impediam que banhistas se aventurassem a mais de 20 metros da orla. Foi a parte chata do programa.
Lago Michigan e salvavida em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Banho de chuveiro para afastar o calor em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Mas foi fácil resolver isso. Seguimos caminhando em direção ao centro da cidade, a skyline de Chicago crescendo até o céu sobre a orla do lago e atravessamos uma longa baía, toda de concreto. Aí as pessoas anda de bicicleta, caminham, correm e tomam sol. Aliás, com o sol que estava fazendo, não havia melhor lugar na cidade para se estar. Principalmente porque, do alto da “praia de concreto”, podíamos nos atirar no lago e nadar sem que nenhum salva-vidas viesse nos encher o saco.
Caminhando pela orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Vão ser as melhores memórias dos Grandes Lagos que vamos guardar. Ainda conhecemos a orla do Lake Michigan mais ao norte, na cidade de Milwaukee. Mas ali, a água não é tão verde como em Chicago. Vai ser engraçado acompanhar (de longe!) as imagens do próximo inverno na cidade e imaginar que nós nadamos tranquilamente nas praias do lago...
Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Faltou conhecer apenas o Lake Superior, o maior dos grandes lagos, com 82 mil quilômetros quadrados. Fica mais ao norte e, como todos os outros, também foi formado na última era glacial. Quando as geleiras foram retrocedendo, há 15 mil anos atrás, deixaram no seu rastro esses “pequenos” lagos, prova inconteste da enormidade daqueles titânicos lençóis de gelo que cobriam metade do continente.
Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...
Só por curiosidade, não foi apenas esses lagos que as geleiras deixaram para trás. Não. Na verdade, ocupando boa parte da região central do Canadá, além da parte norte das Great Plains americanas, ficou um lago ainda maior. Maior que todos os grandes lagos somados. Maior até que o Mar Cáspio, na Ásia. Estou falando do lago Agassiz, que hoje já não existe. Toda a sua água “vazou” para o oceano, no mar de Labrador, costa norte do Canadá.
Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Foi um evento titânico! As geleiras que retrocediam ainda formavam uma espécie de dique, represando as águas do gigantesco lago. Quando o dique natural se rompeu, o lago se esvaziou rapidamente, num evento que pode ter durado poucos anos. O resultado foi uma mudança gigantesca para todo o planeta. Toda aquela quantidade de água doce jogada no mar de uma só vez acabou “desligando” a Corrente do Golfo, mudando os padrões de chuva por todo o mundo, além de aumentar o nível do mar em cerca de dois metros. O curioso é que isso levou a um resfriamento global, há cerca de 12 mil anos, e o dique natural de gelo se refez, possibilitando que o lago se enchesse outra vez. Quando novamente o dique se rompeu e o lago “esvaziou”, nova mudança radical no nível dos oceanos e padrão de chuvas global. Esse segundo evento foi há cerca de 9 mil anos e, muitos cientistas creem, pode estar ligado à criação do mito do dilúvio em diversas culturas humanas espalhadas pelo planeta, desde a Suméria (de onde a Bíblia copiou a história do dilúvio a da arca de Noé) até tribos isoladas na Amazônia.
Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...
Aahnnnnn, como seria bom poder viajar no tempo, e não apenas pelas Américas...
Um pulo para o Lake Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
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