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Granada: The Spice Island

Granada, St Georges

Fort George, no alto de uma colina em St. George's, capital de Granada

Fort George, no alto de uma colina em St. George's, capital de Granada


Granada, the spice island, mostra seus sabores não apenas nos temperos e condimentos que exporta para todo o mundo ou na sua culinária. O seu povo alegre, divertido, curioso e muito receptivo é um dos principais encantos dessa ilha ao sul do Caribe.

A bela praia de Grande Anse, em Granada

A bela praia de Grande Anse, em Granada


Mesmo com toda a sua vontade de colocar o pé na areia e relaxar nos paraísos de águas azuis, um passeio pelo mercado central da capital St George´s é obrigatório! Dezenas de tendas de temperos e condimentos como canela, noz moscada, gengibre, açafrão e todos os tipos de “pimentas” que a ilha produz.

Muitos temperos da 'Spice Isle' no mercado de St. George's, capital de Granada

Muitos temperos da "Spice Isle" no mercado de St. George's, capital de Granada


Um terço da produção mundial de noz moscada vem desta pequena ilha, que a utiliza em grande parte dos pratos da sua culinária local. Da fruta fazem a geleia, ao redor da semente encontram a moca, que parece uma casca avermelhada utilizada para temperar bolos e sopas e a noz moscada dá o sabor especial aos pratos e até ao rum punch granadino.

Noz-moscada e outros temperos no mercado de St. George's, capital de Granada

Noz-moscada e outros temperos no mercado de St. George's, capital de Granada


Adiante está o Mercado de Peixes, que hoje estava fechado para a Festa de Aniversário comemorativa do Dia do Pescador. A paróquia vizinha prometia reunir mais de 1000 pessoas, numa festa de arromba para comemorar o dia destes trabalhadores tão importantes para a economia local.

St. George's, a capital de Granada, no Caribe

St. George's, a capital de Granada, no Caribe


No caminho para lá está a Carenage Bay, com seu calçadão colorido e bem movimentado e uma vista linda para o principal porto da cidade. Barcos de pesca batucando os gritos de carnaval, ancorados ao lado das escunas turísticas e dos “Rum Runners” que levam turistas embalados no rum para passeios ao redor da ilha.

Observando a Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada

Observando a Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada


Barcos aportados na Carenage, baía em St. George's, capital de Granada

Barcos aportados na Carenage, baía em St. George's, capital de Granada


No canto direito da baía está o antigo Fort George, que foi construído pelos franceses em 1705 e foi palco para grandes batalhas e até para o recente episódio de execução do então Primeiro Ministro Maurice Bishop, líder do partido comunista, em 19 de Outubro de 1983. A má notícia é que ele foi morto pela ala ainda mais radical do partido que tomou o poder em um golpe sobre o próprio governo, julgando-o incompetente no avanço do verdadeiro comunismo. Apenas 6 dias depois, 12 mil soldados americanos desembarcaram na costa de Granada e travaram uma batalha para estabelecer o novo governo democrático. O Fort George hoje, caindo aos pedaços, continua sede do Quartel da Polícia Nacional e pode ser visitado para pelas vistas do Porto de St. George´s.

Observando do alto do forte a cidade de St. George's, capital de Granada

Observando do alto do forte a cidade de St. George's, capital de Granada


Vista do alto do forte em St. George's, capital de Granada

Vista do alto do forte em St. George's, capital de Granada


St. George's, capital de Granada e, ao fundo, a praia de Grande Anse

St. George's, capital de Granada e, ao fundo, a praia de Grande Anse


Feito um tour rápido e resumido pela história e cultura de Granada, agora podemos ir para a parte que interessa: as praias! Grande Anse é uma das praias mais famosas, com hotéis, restaurantes e a apenas 15 minutos de reggae bus do centro. Foram 15 minutos em que me transportei para um cult movie latino-americano, só que em vez de latinos, tínhamos africanos e em vez do reggaeton, tínhamos reggae jamaicano da melhor qualidade!

Caminhando ao longo da Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada

Caminhando ao longo da Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada


Chegamos à Grande Anse, praia de areias brancas e águas azuis caribenhas. Difícil acreditar que essa praia tranquila na temporada dos furacões, pode ficar lotada com milhares de turistas durante a alta temporada. Granada é repleta de praias paradisíacas, uma das dicas que não pudemos conferir é o Churrasco do Roger, todos os domingos na Hog Island! Alguém por favor, vá lá e nos conte depois!

A bela praia de Grande Anse, em Granada

A bela praia de Grande Anse, em Granada


A noite, consegui arrastar o Rodrigo meio a contra gosto para coferirmos a festa de pré-carnaval nos arredores da marina. A festa rola todas as quintas-feiras de julho até o carnaval, que será na segunda semana de agosto. O calypso, a soca e a power soca são os ritmos que agitam o público que lota os shows com artistas locais e atrações internacionais vindas de ilhas como Dominica, St. Vincent, Trinidad e Tobago e Republica Dominicana! Não ficamos muito tempo, mas vale a experiência! Reunião do melhor da música caribenha, não que seja a minha preferida, mas é o que faz o povo daqui requebrar os quadris e dançar adoidado.

Cartaz de danças caribenhas (em Clifton, cidade em Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe)

Cartaz de danças caribenhas (em Clifton, cidade em Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe)


Quem diria que na nossa última ilhazinha do Caribe teríamos tantas novidades e descobertas. Muitos nos perguntam: vocês não cansam do Caribe? Impossível, cada ilha tem uma paisagem, uma cultura e um tempero especial. Aí eu pergunto, tem como cansar?

Fim de tarde na praia de Grande Anse, a mais famosa de Granada

Fim de tarde na praia de Grande Anse, a mais famosa de Granada

Granada, St Georges, Grande Anse, Island hopping, Praia

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Laguna Bacalar

México, Bacalar

Cores do caribe na água doce da laguna Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Cores do caribe na água doce da laguna Bacalar, no sul do Yucatán, no México


Bacalar é um pequeno povoado à beira de uma lagoa de mesmo nome, que significa “rodeado por juncos”, do maya Bakhalal. Este Pueblo Mágico é também o povoado mais antigo de Quintana Roo e foi palco para momentos importantes da história maya e mexicana. No ano de 1543 os conquistadores espanhóis conquistaram a Cidade Maya de Bacalar, que na época tinha em torno de 5 mil habitantes, e construíram um forte para proteção da região de piratas e outros invasores: o Forte San Felipe. No início do século XX, durante a Guerra das Castas, a cidade foi tomada pelos Mayas e o forte serviu como refúgio para famílias mexicanas (não mayas) que viviam na região.

Forte de Bacalar, no sul do Yucatán, no México. Construída para barrar piratas!

Forte de Bacalar, no sul do Yucatán, no México. Construída para barrar piratas!


A Laguna Bacalar é o único corpo d´água superficial permanente na Península do Yucatán, que sob a pedra calcária possui um imenso sistema de rios subterrâneos. A lagoa também é conhecida como a Laguna de las Siete Colores, formada por sete diferentes cenotes transbordados que colorem suas águas nos mais diferentes tons de azul.

Cores do caribe na água doce da laguna Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Cores do caribe na água doce da laguna Bacalar, no sul do Yucatán, no México


O lago está conectado a outras duas lagoas, a Laguna Guerrero e a Laguna Milagros e em época de cheia chega a se unir ao Río Hondo e à Baía de Chetumal, ao sul, quase na fronteira com Belize. Um lugar incrível e tranquilo, perfeito para quem quer se afastar um pouco da conturbada e turística Riviera Maya.

Arma de guerra em tempos de paz! Forte de Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Arma de guerra em tempos de paz! Forte de Bacalar, no sul do Yucatán, no México


A cidade possui uma pracinha central bem simpática, com dois cafés, um restaurante e uma pizzaria nos seus arredores. Na beira do lago estão os hotéis, guest houses e balneários municipais onde locais e os poucos turistas se refrescam nos dias mais quentes. Já estava escuro quando chegamos na cidade e tínhamos com a intenção de ficar apenas uma noite. No dia seguinte o clima meio chuvoso, a preguiça e vontade de relaxar neste lugar tão pacífico foi irresistível e acabamos ficando um dia a mais, dando uma nova chance de ver alguma cor no lago, que com o dia nublado e chuvoso refletia um belo prateado das nuvens.

Deliciosos piers na laguna de Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Deliciosos piers na laguna de Bacalar, no sul do Yucatán, no México


O cenário inspirador e a tranquilidade da região nos fez companhia no trabalho de atualização dos blogs. Almoçamos no Restaurante Los Aluxes de cozinha francesa-yucateca. O cenário é perfeito, na beira do lago, e a comida maravilhosa! Provamos um prato de camarão flameado ao xtabentum em redução de achiote, risoto e vegetais. Divino!

Arte decotativa em restaurante em Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Arte decotativa em restaurante em Bacalar, no sul do Yucatán, no México


À tarde ainda pudemos visitar um cenote que tenta atrair turistas com uma bela tacada de marketing, se autoproclamando o Cenote Azul. De azul ele não tem nada, mas as suas águas verdes e mornas são bem convidativas para um mergulho.

Árvore se debruça sobre o Cenote Azul, ao lado da laguna de Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Árvore se debruça sobre o Cenote Azul, ao lado da laguna de Bacalar, no sul do Yucatán, no México


Refrescando-se no delicioso Cenote Azul, ao lado da laguna de Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Refrescando-se no delicioso Cenote Azul, ao lado da laguna de Bacalar, no sul do Yucatán, no México


No final de tarde eu aproveitei para fazer uma massagem, tentando consertar o que estes três anos de estrada e diferentes colchões estão tentando estragar. A Laguna de Bacalar é o nosso local de despedida do México e da América do Norte. Depois de pouco mais de 12 meses viajando por terras norte-americanas, cruzando parques nacionais, desertos, montanhas nevadas e as mais diferentes paisagens, línguas e culturas é hora de se despedir. Despedida perfeita no paraíso rodeado de juncos.

Dia de sol e visual caribenho na laguna Bacalar, no sul do Yucatán, no México

Dia de sol e visual caribenho na laguna Bacalar, no sul do Yucatán, no México

México, Bacalar, Cenote Azul, Laguna Bacalar, Península do Yucatán, Pueblo Mágico

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Reenergizando em Suchitoto

El Salvador, San Salvador, Suchitoto

A pacata cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

A pacata cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Suchitoto é uma pequena cidade colonial localizada 47 km ao norte de San Salvador. Uma vila tranquila, onde sentar e ver o tempo passar, entrando no clima e no ritmo pacato dos seus moradores é um prazer por si só.

Igreja matriz de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Igreja matriz de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Como toda cidade colonial, a praça central possui uma igreja, uma fonte e aí se reúnem artesãos locais. A artesania é um dos fortes daqui, algumas galerias são indicadas pela oficina turística que está em frente à praça. Caminhamos pelas ruas da cidade buscando um bom mirante para o Lago Suchitlán, que fica a poucos quilômetros do centro.

A histórica cidade de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

A histórica cidade de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


O Hostal Mirador, uma pousadinha bem simples, possui uma vista linda para o lago, ainda que bem improvisado, o mirador tem um banco bem convidativo para tomarmos uma cervejinha enquanto admirávamos a paisagem. Depois de 15 anos sem jogar, até arriscamos uma partida de damas, na qual o Rodrigo me massacrou.

Jogo de damas com vista para o lago Suchitlán, em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador. A 'Água' ganhou da 'Cerveja'!

Jogo de damas com vista para o lago Suchitlán, em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador. A "Água" ganhou da "Cerveja"!


Descemos com o carro para o parque às margens do Lago Suchitlán, onde além de restaurantes, podem-se encontrar passeios de barco pelas ilhas e praias do lago e uma tirolesa que fazia a diversão dos turistas guanacos, apelido adotado pelos salvadoreños.

O lago Suchitlán, ao lado da cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

O lago Suchitlán, ao lado da cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Ao redor da cidade existem também outras opções turísticas, como a Cascata Los Tercios, que agora estava sem água, outra cachoeira o Salto El Cubo e alguns trekkings. A oficina turística nos pareceu não incentivar muito o eco-turismo aqui. Para Los Tercios por estar sem água, para El Cubo, por ser muito difícil, mas se quer mesmo alguma atividade nos arredores o ideal é procurar um guia que poderá dar informações mais apuradas e interessantes.

Caminhando nas ruas de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Caminhando nas ruas de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Nós escolhemos um dia tranquilo, daqui fomos a um restaurante já na saída da cidade, em meio a um pequeno bosque e árvores de banana, com redes e um ambiente super aconchegante. Provamos um dos pratos típicos salvadoreños, carnes (pusayos), uma lingüiça gaúcha (chorizos), tortillas de milho e uma espécie de tutu de feijão muito saboroso, tudo sobre uma folha de bananeira cortada ali, na hora.

Lago de Suchitlán, ao lado de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Lago de Suchitlán, ao lado de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Terminamos o dia em El Salvador, depois de uma sessão relaxante que eu havia ganho no shopping, fomos ao cinema assistir o Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma. Sim, sentimos falta de estar conectados às novidades do mundo e essa é uma das formas de nos “atualizarmos”. Rsrs! Dia gostoso e tranquilo, ótimo para repor as energias e seguirmos viagem!

Caminhando pelas tranquilas ruas da charmosa Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Caminhando pelas tranquilas ruas da charmosa Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

El Salvador, San Salvador, Suchitoto, Arquitetura, Cidade Colonial, Lago Suchitlán

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Os 7 Povos das Missões

Brasil, Rio Grande Do Sul, São Miguel das Missões

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Os 7 Povos das Missões são algumas das ruínas mais antigas existentes no Brasil. Construídas por jesuítas enviados pela Coroa Espanhola para amansar os nativos, facilitando a entrada dos exploradores e colonizadores, além de arrebanhar novas ovelhas para a Igreja Católica.

Estátuas da antiga Missão no Museu em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Estátuas da antiga Missão no Museu em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Os jesuítas foram fortes e suportaram longos períodos em uma selva distante, sem suprimentos e com pouco (quase nenhum) suporte de seu rei, porém gozavam de autonomia religiosa, respondendo diretamente ao Papa. Muito cultos, letrados e astutos utilizaram a música como instrumento de aproximação e evangelização dos Guaranis, povo com uma musicalidade impressionante, segundo relatos dos evangelizadores.

A cruz dupla nos jardins da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

A cruz dupla nos jardins da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


O cenário também foi muito propício à redução dos indígenas em missões jesuíticas, pois tanto espanhóis, quanto portugueses avançavam selva adentro buscando matéria prima e escravos de pele vermelha. Os bandeirantes paulistas unidos aos eternos inimigos dos guaranis, os tupis, tinham ainda mais vantagem e eram os mais temidos. Assim, para alguns caciques, as reduções se tornaram lugares atraentes tanto pela segurança que proporcionavam às tribos, quanto por prepararem estes indígenas para o convívio com o homem branco.

Interior da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Interior da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


O processo de formação destas missões foi lento, os jesuítas conseguiram, pouco a pouco, convencer os caciques guaranis dos benefícios de estarem reunidos, trabalhando em grupo para a produção de alimentos, educação e ao mesmo tempo garantindo a segurança de toda a tribo que, convertida ao cristianismo, tinha privilégios que os outros nativos não tinham.

Caminhando pelas ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Caminhando pelas ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Fundada em 1632 pelo padre Cristóvão de Mendonça, a Missão de São Miguel Arcanjo logo foi abandonada, em decorrência dos ataques de bandeirantes. O padre e mais de 4 mil indígenas retornaram do Paraguai e retomaram a missão em 1687.

A imponente porta da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

A imponente porta da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


São Miguel Arcanjo chegou a abrigar mais de 4 mil indígenas e apenas dois padres jesuítas eram os responsáveis pela missão. A língua falada dentro das reduções era o guarani, aprendido pelos padres, repassado pelas famílias às crianças que pouco à pouco iam aprendendo também o espanhol. Os costumes guaranis foram sendo modificados paulatinamente, inclusive a poligamia, que era privilégio do cacique. Dentro das missões os caciques mantinham a sua posição de comando, sendo o responsável por sua tribo e fazendo parte de um conselho de caciques que decidia e organizava a missão junto dos dois jesuítas.

Turistas visitam a Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Turistas visitam a Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


As economia nas missões girava à base de trocas, algumas produzindo mais algodão, milho, mate e outros insumos agrícolas, enquanto outras tinham a criação de gado como principal atividade. Além das trocas entre as missões, algumas provisões eram compradas de mercadores que vinham de fora ou mesmo nas cidades mais próximas que já se formavam às margens dos principais rios da região. Ferro, vidros e outros bens que não eram encontrados por ali eram trocados pelos bens produzidos dentro das reduções. Além disso as missões eram isentas de pagar tributos à Coroa Espanhola por 10 anos.

Ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Todo o trabalho na construção destas verdadeiras cidades foram perdidos quando foi assinado o Tratado de Madrid, onde Portugal e Espanha trocavam as terras a leste do Rio Uruguai pela região de Colônia de Sacramento. Ao menos 5 gerações de indígenas já viviam ali, mais de um século de história, vivência, aprendizados e evangelização, sendo vassalos exemplares da coroa espanhola e era assim que o Rei lhes correspondia?

Visita às ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Visita às ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Foi quando os guaranis decidiram defender o seu lar, território reduzido dos indígenas (daí o nome reduções) e que ainda assim teimavam em roubar-lhes. Uma guerra terrível e sangrenta entre os indígenas e os europeus, espanhóis aliados aos portugueses, exterminou e dispersou a população indígena. Nesta mesma época a perseguição aos jesuítas já havia expulsado os primeiros missionários das missões, desmantelando toda a estrutura que existia e facilitando a derrubada das mesmas.

Ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Abandonada depois da Guerra Guaranítica, hoje São Miguel é Patrimônio Mundial pela UNESCO, assim como suas vizinhas argentinas Santa Ana, San Ignácio Miní e Nossa Senhora de Loreto, que pretendemos visitar. Nossa visita à São Miguel foi em um final de tarde nublado, com um sol tímido tentando iluminar as paredes vermelhas da antiga igreja, oficinas e das poucas estruturas que restaram em pé.

Uma figueira cresce sobre as ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Uma figueira cresce sobre as ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


À noite ainda assisti ao Show de Luzes e Som, atividade desenvolvida para atender às obrigatoriedades e padrões dos Patrimônios da Humanidade pela Unesco. Luzes piscam e iluminam a catedral, as oficinas e as árvores, enquanto elas ganham voz e personalidade, contando a história da missão com uma entonação bem dramática e teatral. Já conhecendo outros espetáculos como este eu achei a concepção artística do show um pouco simplista, mas ainda assim bem instrutiva para os que conseguem acompanhar os diálogos entre uma ruína e outra.

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Dos nossos 7 Povos das Missões, São Miguel é o mais preservado e conta com o Museu das Missões, onde pudemos observar peças trabalhadas pelos escultores indígenas com a orientação dos jesuítas. A Rota das Missões conta ainda com mais 3 sítios arqueológicos, as ruínas de São João, São Lourenço e São Nicolau, além de 3 Santuários católicos modernos e o Salto Pirapó.

O mapa das Missões no território brasileiro

O mapa das Missões no território brasileiro


Nossa viagem continua, mas agora do outro lado do Rio Uruguai, onde iremos conhecer as famosas Missões Argentinas!

Brasil, Rio Grande Do Sul, São Miguel das Missões, arqueologia, história, Jesuítas, Missões

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Coisas da Vida

Brasil, Rio De Janeiro, Parati

Fotografando Parati - RJ

Fotografando Parati - RJ


Primeira atividade do dia, descobrir algum barqueiro ou pescador que pudesse nos levar para o Pouso da Cajatiba. Já havíamos nos informado e as informações que recebemos foram diversas, poderíamos encontrar um barco de linha que nos levaria por um valor menor ou ainda encontrar um pescador de Pouso que estivesse retornando para lá. O Rodrigo foi ao porto e descobriu que não existe um barco de linha, sugeriram que a gente converse durante a tarde no cais dos pescadores para encontrar alguém que nos leve.

Casa em Parati - RJ

Casa em Parati - RJ


Segunda atividade do dia, fazer o check out da pousada e pegar a estrada para Paraty-Mirim, onde já tínhamos o esquema com o barqueiro para nos levar ao Saco do Mamanguá. Chegando lá descobrimos que o vento não estava permitindo saídas, nem para o Mamanguá, nem para Paraty-Mirim.

Aprendizado do dia: quando dependemos de fatores naturais não se deve criar expectativa, caso contrário poderá acabar frustrado.

Aproveitamos para assuntar no barzinho da praia e acabamos descobrindo algumas coisas interessantes. Paraty-Mirim é o nome do rio que desemboca nesta praia, mesmo rio que há 15 anos destruiu e refez toda a paisagem da praia de mesmo nome. A comunidade ficou isolada durante dias, pois a inundação fechou a estrada e só quando o mar acalmou é que puderam acessá-la de barco. A paisagem está completamente diferente, antes para chegar à praia tinha que atravessar o rio que corria à beira mar, a descrição me lembrou um pouco a Guarda do Embaú. Da história antiga local, restaram algumas ruínas de uma antiga fazenda do tempo dos escravos.

Igreja de Parati Mirim - RJ

Igreja de Parati Mirim - RJ


Já que teremos um dia de espera, tivemos que passar a tarde em Paraty, que chato... Coisas da vida! Saímos fotografar a cidade imbuídos do espírito que tomou conta das ruas de Paraty com o Festival de Fotografia que está começando hoje, o Paraty em Foco. Dezenas de fotógrafos caminhavam pelo centro antigo com suas Nikons e Canons, cada um praticando o seu olhar e buscando o melhor ângulo para registrar a vila.

Parati - RJ

Parati - RJ


Passei o restante do dia trabalhando nos projetos do 1000dias e no site, enquanto o Rodrigo dormia profundamente ao meu lado. Um dia mais light como este é importante de vez enquando, faz bem a saúde, aos negócios e não tem contra-indicações!

Rua em Parati - RJ

Rua em Parati - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Parati, cidade histórica, Parati em foco, Paraty, Pouso da Cajatiba

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A bordo do Titan

Brasil, Bahia, Caravelas, Abrolhos

Fotos de despedida do grupo que esteve em Abrolhos, em Caravelas - BA

Fotos de despedida do grupo que esteve em Abrolhos, em Caravelas - BA


Abrolhos para nós não foi apenas um encontro com as baleias, os pássaros ou uma rotina de mergulhos maravilhosos. Depois de 200 dias de viagem conhecemos muitas pessoas, tivemos e continuamos tendo uma convivência de casal muito profunda, mas esta foi a primeira vez que nós estivemos de forma tão intensa com um grupo de pessoas. Foram 4 dias inteiros em um ambiente “confinado” com 21 pessoas a bordo. Cada uma delas com seu papel e do seu jeitinho guardou um lugar especial neste período.

O deck superior do barco em direção à Abrolhos - BA

O deck superior do barco em direção à Abrolhos - BA


Durante a nossa navegação em direção a Abrolhos cruzamos a rota das baleias jubarte, quando deveríamos estar todos a postos para a observação deste ser tão majestoso e nos intervalos aproveitamos para interagir com os nossos novos amigos. Hígia e Fábio, acompanhado pelo seu pai, são um casal de cariocas muito divertido e com um pique para esportes de aventura muito parecido com o nosso.

Com a Higia no deck do barco em Abrolhos - BA

Com a Higia no deck do barco em Abrolhos - BA


Também conhecemos Cinthia e Mitchel, paranaenses de Foz do Iguaçú mais conhecidos como Dinda e Dindo. Eles são amigos de infância do Thomas e Laila, donos da Apecatu, e padrinhos da filhinha fofíssima deles. Mitchel também foi escoteiro em Foz, é advogado e atualmente mora em Curitiba. Adivinha se não trocamos altas figurinhas sobre os bons tempos escoteiros? Cinthia também morou em Curitiba, mas hoje vive em Key West, por pouco não a encontramos lá em abril! Já ficou combinado que encontraremos quando voltarmos lá de Fiona!

Nossa sala de estar no barco em Abrolhos - BA

Nossa sala de estar no barco em Abrolhos - BA


Nancy, paulista que vive no Rio, se tornou voluntária do Sea Shepherd enquanto pesquisava mais sobre tubarões, já que seu filho João de 6 anos é aficionado pelo tema. Imaginem se o João não se tornou a principal atração do barco, sempre animado, companheiro e entusiasmando o Caio, biólogo voluntário do Sea Shepherd, a nos ensinar mais sobre os cetáceos e os tubarões. Pinguim, representante mor do Sea Shepherd no Titan, além de estar fazendo o check out sua turma do curso de mergulho avançado, dividiu conosco seu conhecimento e experiência que possui sobre o mar e os projetos para proteção dos animais marinhos no Brasil.

O João lendo um livro sobre tubarões, no barco em direção à Abrolhos - BA

O João lendo um livro sobre tubarões, no barco em direção à Abrolhos - BA


Destaco aqui três pessoas que participaram do live aboard e foram exemplo de vivacidade e vontade de viver! Nadja, mineira forte que tem dentre seus hobbies ser presidente de um motoclub e mergulhar em Abrolhos pelo menos uma vez por ano. Ela sempre comentava de sua filha, que tem a minha idade e um gosto por aventura parecido com meu. Antônio, que me lembrou muito o meu pai e fez pensar que ele adoraria estar lá conosco. Vovozinho, pai de Fábio, que acabou de ser vovô e por isso recebeu este apelido carinhoso do filho e da nova nora.

O grupo que visitou a ilha de Siriba em Abrolhos - BA

O grupo que visitou a ilha de Siriba em Abrolhos - BA


Todo este povo não estaria lá, vivendo aquela delícia de rotina de mergulhos e baleias se não fosse a tripulação do Titan. Dingão, mestre da embarcação, sempre atencioso e disposto a ajudar. Nosso querido Augusto, também chamado de Jaburu, pelos homens, ou Jabulani desde a copa. A mulherada preferia chamá-lo de Sereio, por que será?

No bote a caminho da ilha Santa Bárbara em Abrolhos - BA

No bote a caminho da ilha Santa Bárbara em Abrolhos - BA


O Augusto é pau para toda obra, lançada do meio campo, cobrava o escanteio e cabeceava para o gol, ajudava o Dingão, Manú, e toda a operação de mergulho, inclusive a todos nós na hora de equiparmos para cair na água. Manú, nossa chef de cozinha que cuidou com todo o carinho da nossa alimentação durante os 4 dias. Eu queria poder levar a Manú conosco na Fiona, já especializada a preparar tudo “on the move”, pratos deliciosos e super saudáveis! Isso sem citar as sobremesas divinas, mousses, brigadeirão, pavês, gelado de coco... hummm, quero todas as receitas!

Trabalhando no nosso barco em Abrolhos - BA

Trabalhando no nosso barco em Abrolhos - BA


Na operação de mergulho contávamos com o Renato, instrutor responsável do Titan, publicitário que já fez de tudo na vida, desde atender contas em agência, até ser dono de panificadora e lan houses. Chutou o balde para viver em paz, veio de Brasília para trabalhar com o que gosta em Abrolhos. Nosso companheiro para todas as horas, Maurício, dive master que nos acompanhou em todos os mergulhos, eu fui a única a fazer os 3 noturnos e ele estava sempre lá, mostrando o caminho. Estava lá também a Aline mergulhadora que está em estágio para dive master, sempre ajudando e aprendendo com Renato e Maurício.

Maurício, um dos dive-masters do nosso barco, em Caravelas - BA

Maurício, um dos dive-masters do nosso barco, em Caravelas - BA


Finalmente Laila e Thomas, idealizadores da Apecatu e que colocaram toda esse projeto em funcionamento para nós podermos aproveitar. Eles se conheceram em Foz, moraram em São Paulo, onde se formaram e decidiram ter uma vida diferente, empreender em um pedacinho do paraíso na terra. Mais um exemplo de que sempre pode-se ter a opção, nós escolhemos o tipo de vida que queremos levar.

Com a Laila, que organizou a viagem à Abrolhos, em Caravelas - BA

Com a Laila, que organizou a viagem à Abrolhos, em Caravelas - BA


Adoramos ter participado desses 4 dias na vida de cada um de vocês, novos amigos que esperamos reencontrar em breve! Conhecemos um pouquinho da história de cada um, ainda mais sabendo que estávamos todos lá unidos por uma mesma paixão: a natureza, o mar, o mergulho e lugares únicos na terra.

Pôr-do-sol em Caravelas - BA

Pôr-do-sol em Caravelas - BA

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Hasta la vista baby!

Equador, Quito

Laura e Rafa pegando o táxi para o aeroporto em Quito, no Equador

Laura e Rafa pegando o táxi para o aeroporto em Quito, no Equador


Quito tem um clima meio instável, mas neste pouco tempo que ficamos aqui até que conseguimos encontrar um certo padrão. Todo e qualquer passeio que você tenha para fazer em lugares abertos, faça pela manhã. Com sorte você terá céu azul e uma ótima luz para fotos. Perto do meio-dia o tempo começa a fechar, as nuvens cinza tomam conta do céu e tem uma grande chance de chover.
Tentando aproveitar os últimos momentos antes de Laura e Rafael pegarem o vôo para o Brasil, fomos conhecer um dos principais mirantes da cidade de Quito.

Quito vista do alto do teleférico, no Equador

Quito vista do alto do teleférico, no Equador


Quito foi construída na base de um vulcão ativo que teve a sua última grande erupção em 1660. Atividades vulcânicas foram registradas também no século XIX e a última em 2006, nada sério, mas chegou a fechar o aeroporto pela grande quantidade de cinzas que foi espalhada sobre a cidade.

Observando uma Quito bem nublada no teleférico da capital, no Equador

Observando uma Quito bem nublada no teleférico da capital, no Equador


O teleférico construído na base do Ruccu Pichincha nos leva dos 2.900m à Cruz de Loma a 4.100m de altitude, em no máximo 10 minutos. Nós demoramos um pouco mais para subir e 30 minutos a mais na hora de descer, já que pegamos uma chuva de granizo forte que deixou todo o páramo branco, como se houvesse nevado.

Muita chuva e granizo no teleférico em Quito, no Equador

Muita chuva e granizo no teleférico em Quito, no Equador


Em resumo, quando chegamos lá em cima não pudemos ver o Antisana, nem o Cotopaxi e muito menos o Cayambe, vulcões que fazem parte da bonita paisagem normalmente alcançada desde o mirante em dias claros de sol. Lá em cima também existem algumas trilhas nos páramos de altitude com belas vistas e inclusive uma que chega à boca do vulcão a 4.900m. Nós que chegamos junto com a chuva, aproveitamos para tomar um chazinho gostoso nos bares enquanto esperávamos o tempo e o teleférico abrir para o retorno.

Laura e Rafa no teleférico em Quito, no Equador

Laura e Rafa no teleférico em Quito, no Equador


Retornamos ao hotel depois de uma passada rápida pelo Burguer King, junk, mas fast food para que Laura e Rafa não perdessem o horário do vôo. No restante do dia aproveitamos para trabalhar no site e retirar as coisas de dentro da Fiona, que já está com a sua revisão de 60 mil km agendada na Toyota Casabaca, concessionária em Quito.

Foto de despedida dos padrinhos Rafa e Laura, no hotel Eugenia, em Quito, no Equador

Foto de despedida dos padrinhos Rafa e Laura, no hotel Eugenia, em Quito, no Equador


À noite jantamos no Pavarotti, restaurante italiano super indicado pelo trip advisor, já que o seu vizinho La Choza, de comida típica equatoriana, já estava fechado. Estávamos ainda tristes e indignados pela notícia que acabávamos de ler “Aos 56 anos, morre Steve Jobs.” Enquanto conversávamos sobre seus feitos e dessa luta injusta que travou contra o câncer, o vemos participando mais uma vez na nossa vida. O garçom nos ofereceu uma curiosa carta de vinhos, em um Ipad. Escolhemos o vinho no mapa mundi, o menu interativo falava sobre a região, vinícola e detalhes do vinho. É Steve, você ainda está entre nós.

Tempo bastante nublado em Quito, no Equador, vista aos 4 mil metros no morro Pichincha

Tempo bastante nublado em Quito, no Equador, vista aos 4 mil metros no morro Pichincha

Equador, Quito, Ecuador, Pichincha, Steve Jobs, Teleférico

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Transchaco

Paraguai, Filadelfia

Dia de céu azul no Chaco paraguaio, região de Filadelfia

Dia de céu azul no Chaco paraguaio, região de Filadelfia


Ontem começamos o nosso roteiro em direção à Bolívia. Saímos de Asunción em direção à Sucre, são mais de 1400 quilômetros e muitas paisagens pela frente. A primeira etapa é famosa entre os expedicionários e motociclistas que se aventuram por terra até o Atacama. A Rota 9, também conhecida como Transchaco, no Paraguai é muitas vezes evitada por viajantes já que cruza uma das áreas mais ermas e quentes do país. Outro motivo é a afamada corrupção dos policiais paraguaios, que sempre arranjam um jeitinho de ganhar em cima dos viajantes estrangeiros.

Estrada corta a infindável planície do Chaco paraguaio na região de Filadelfia

Estrada corta a infindável planície do Chaco paraguaio na região de Filadelfia


Nos primeiros quilômetros passamos por alguns pedágios e postos policiais e fomos parados pela primeira vez desde que adentramos este território. Só nos pediram documentos, viram os quilos de bagagem na caçamba e mais nada. Logo perceberam que estávamos em uma expedição, se interessaram pelo assunto e quiseram ficar bem falados na internet. Até ensaiamos pedir uma foto, mas um deles quis se manter mais sério, enquanto o colega perguntava sobre a viagem e largava uns “mas que putos”, com um sorriso no rosto e aquela “pontinha” de inveja.

Pedágio para cruzar a ponte sobre o rio Paraguay, na periferia de Asunción

Pedágio para cruzar a ponte sobre o rio Paraguay, na periferia de Asunción


No caminho até Filadélfia são 2 pedágios, todos custando em torno de 5 mil guaranis e existem alguns postos de combustível. Um deles, o Parador Negro, paramos apenas para usar o banheiro e me deparei com uma campanha ótima. “El baño es el reflejo de la cocina. No consuman donde los baños no estén en buenas condiciones”. Campanha feita pelo Ministério de Turismo do Paraguai em conjunto com a Tigo, operadora de telefonia.

Campanha do Ministério do Turismo paraguaio pela qualidade nas estações de serviço na região do Chaco paraguaio

Campanha do Ministério do Turismo paraguaio pela qualidade nas estações de serviço na região do Chaco paraguaio


O cartaz nos convida a tirar fotos (com o celular) e postar no facebook e twitter da campanha, elegendo os melhores banheiros da rota. Além de criar a conscientização nas redes de postos de gasolina, criam uma interação entre os viajantes e a empresa de telefonia e ao final todos saem ganhando! Sensacional, deveríamos fazer uma igual no Brasil.

Banheiro limpo em posto no meio da região do Chaco paraguaio

Banheiro limpo em posto no meio da região do Chaco paraguaio


O segundo dia de viagem cruza a região conhecida como Chaco Seco, área de clima semi-árido que lembra muito o nosso grande sertão sem veredas. Esta região que foi disputada pela Bolívia e Paraguai na Guerra do Chaco, desconhecida por nós, mas muito importante na história destes dois países, que perderam juntos mais de 80 mil vidas. A guerra pelo território começou por uma suspeita de que ali haveria petróleo. Nem piche foi encontrado, mas para ver onde o absurdo chegou, grandes empresas do ramo tomaram partido e financiaram a guerra, a Shell do lado Paraguaio, que foi o vencedor, e a Standart Oil no lado Boliviano.

Início do segundo dia da travessia do Chaco, no Paraguai, na saída de Filadelfia

Início do segundo dia da travessia do Chaco, no Paraguai, na saída de Filadelfia


A Transchaco é o ponto de acesso para três dos principais parques nacionais, o Defensores Del Chaco, no extremo norte do país, o Medanos del Chaco, à noroeste e o Parque Nacional Tenente Agripino Enciso, este mais próximo da nossa rota à Bolívia. Neste trecho não há nada, apenas fazendas e propriedades rurais. São quilômetros e quilômetros sem encontrar um posto de gasolina ou uma venda. O último posto para abastecimento fica em Mariscal Estigarribia, a uns 70 km de Filadélfia. Ali além de diesel, nos abastecemos de comida e água para os próximos dois dias.

Fiona atravessando a região do Chaco, no Parguai

Fiona atravessando a região do Chaco, no Parguai


Chegamos ao parque no final da tarde, próximo a um lugarejo chamado La Patria. Nos atendeu Cristoval, o guarda-parque mais “borracho” que já encontramos. Ele abriu os portões e nos levou cruzando as pernas para o alojamento do parque, onde passarmos a noite.

Preparando nosso lanche (pão preto alemão com manteiga e queijo) no chalé de visitantes do P.N Ten. Agripino Enciso, no Chaco paraguaio.

Preparando nosso lanche (pão preto alemão com manteiga e queijo) no chalé de visitantes do P.N Ten. Agripino Enciso, no Chaco paraguaio.


Aproveitamos o final do dia para conhecer a única trilha formada dentro do parque, que passa pelo chaco, com uma vegetação espinhosa e muito parecida com a nossa caatinga. A maior diferença é que no meio de tantas cactáceas encontramos algumas árvores mais frondosas e muitas árvores barrigudas, nossa velhas conhecidas do cerrado, que acumulam água no seu tronco. Aqui elas são chamadas de “palo borracho”. Estas, pelo menos, não cruzam as pernas.

Fim de tarde no Parque Nacional Ten, Agripino Enciso, em La Patria, no noroeste do Chaco - Paraguai

Fim de tarde no Parque Nacional Ten, Agripino Enciso, em La Patria, no noroeste do Chaco - Paraguai

Paraguai, Filadelfia,

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Tudo azul na Baie Rouge

Saint Martin, Marigot

Formações rochosas na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe

Formações rochosas na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe


Dia de definições. Primeiro definimos que não iríamos para Anguila, já que o tempo amanheceu nublado e chuvoso. Aproveitamos então a manhã nebulosa para definir as nossas passagens aéreas para as ilhas vizinhas. Fomos à boulangerie usar a internet que quebra o maior galhão, mas é meio capenga para compras online. Então decidimos comprar as passagens em uma agência de turismo local, que só abria as 14h30.

Restaurantes na Marina Royale, em Marigot - St Martin, no Caribe

Restaurantes na Marina Royale, em Marigot - St Martin, no Caribe


Nosso plano era usarmos a manhã para resolver estas coisas e aproveitar a tarde para rodar a península conhecida como Terres Basses (terras baixas). Esta é uma vizinhança milionária, portanto não circulam muitos ônibus por ali. Decidimos então alugar uma bicicleta. Esta foi uma das piores decisões do dia, andamos mais de 40 minutos indo e voltando nas ruas lotadas do centro procurando a tal da loja de aluguel de bicicletas. Achamos o endereço, mas não havia nada. Descobrimos que havia mudado de endereço e um senhor muito simpático e prestativo nos levou até o novo endereço, também fechado. Quase uma hora se foi nessa brincadeira, já eram 14h30, verificamos preços e deixamos as passagens aéreas reservadas na agência de viagens.

Marina Royale, em Marigot - St Martin, no Caribe

Marina Royale, em Marigot - St Martin, no Caribe


Depois de toda esta andança, o sol saiu a toda, só para nos provocar! Vamos à praia na Terres Basses sem bicicleta mesmo. A península seria facilmente explorada em uma tarde de bike, mas ficamos na dependência do busão que só ia até a primeira praia, Baie Rouge.

A bela praia de Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe

A bela praia de Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe


Uma vez na praia, ufa... tudo fica “nice and easy”, como gostam de dizer por aqui. Aquele azul maravilhoso, grãos de areia graúdos e dourados, praia tranquila. Passamos o final de tarde ali, lendo, nadando, vendo a mulherada de top less, enquanto organizávamos os pensamentos e as definições pendentes. Tudo azul na Baie Rouge!

Mar típico do Caribe na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin

Mar típico do Caribe na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin


Assistimos o sol dourando as águas azuis até quase se pôr, mas aproveitamos ainda a luz para encontrar nossa lotação. Algo me disse, “não vamos esperar, melhor sairmos andando e para-la quando estiver passando”. Bingo, andamos mais de 1km na estrada e nada de vans. Por outro lado levamos uma bela sorte, um casal parou o carro e nos ofereceu carona. Ele americano e ela belga, estão paassando uma temporada por aqui e se identificaram com a nossa situação, pois já passaram por isso muitas vezes. Ele trabalha em barcos, depois de mais alguns meses de trabalho embarcado está planejando suas próximas férias, Bahamas ou Turquia. Curioso foi que eu a tinha visto andando no centro pela manhã e já tinha simpatizado, nada é por acaso.

Pôr-do-sol na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe

Pôr-do-sol na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe

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Dia Cheio!

Suriname, Paramaribo

Placas de rua em Paramaribo, no Suriname

Placas de rua em Paramaribo, no Suriname


Hoje tiramos o dia para definir a nossa vida nos próximos 30 dias. Logo cedo o Rodrigo foi até o Stinazu, que funciona como uma agência governamental de turismo. Lá já agendamos o nosso tour para O Parque Nacional de Brownsberg e pagamos as taxas de entrada do parque e deixamos reservado o nosso alojamento para a próxima noite. Ontem durante a caminhada havíamos encontrado o Sven, um alemão que conhecemos no consulado do Suriname em Cayenne, sabíamos que ele vinha para cá, mas foi uma bela surpresa trombar com ele na rua em Parbo. Sven é o próprio mochileiro, professor de yoga e instrutor de atividades de aventura durante 6 meses no ano, os outros 6 meses ele viaja com 15 euros por dia. Fiel ao seu budget, não gasta mais de 5 euros para dormir, outros 5 para comer e 5 para transporte. Assim ele tem as histórias mais engraçadas de viagem, já acampou nos lugares mais malucos como no topo e um prédio no centro de Atenas ou ao lado do aerporto JFK em NY. Durante esta viagem ele escreveu seu segundo livro, primeiro que deverá publicar, e eu tenho a sensação que terá muito sucesso, pois é super criativo, imaginativo e consegue expor suas idéias de forma clara. Estamos na torcida para que seja um best seller na Alemanha! Amanhã cedo ele vai pegar uma carona conosco até Brownsberg.

Flores, influência holandesa em Paramaribo, no Suriname

Flores, influência holandesa em Paramaribo, no Suriname


Passamos uma boa parte do nosso dia caminhando pelas ruas de Parbo, segunda-feira, comércio aberto, vários cassinos, ruas movimentadas, trânsito maluco. É até engraçado, onde todo esse povo estava ontem? Nosso objetivo era encontrar uma farmácia, ontem durante a caminhada havíamos procurado, mas não vimos nenhuma nas ruas. Perguntamos no hotel e o cara da recepção já adiantou, aqui as farmácias não são como as que vocês estão acostumados, com aquela cruz. Nos deu o endereço de duas no centro, não muito distantes do hotel. Saímos andando, agora com o signo certo, procurávamos por algo escrito “Apotek”.

Um dos muitos cassinos em Paramaribo, no Suriname

Um dos muitos cassinos em Paramaribo, no Suriname


Mais de uma hora de caminhada e nada! Parece que não existem apoteks por aqui. O mapa que estávamos usando estava em uma escala muito menor, então o caminho que havíamos imaginado era pelo menos o dobro. Finalmente encontramos uma, fechada, só abriria as 16h. Seguimos para a segunda indicada e estava aberta, uma botica das antigas! Vários frascos de vidro, tubos de ensaio e todos os instrumentos de manipulação química, além daquele cheiro típico de farmácia antiga, muito legal! Problema é que como todos são manipulados eles só vendem com receita médica. Where the hell eu vou encontrar um médico (particular) agora? Tinha a opção de conseguir uma receita brasileira traduzida para o inglês, mas esta só amanhã. Todo esse empenho para isso? Caraca... Chegamos passados no hotel e enquanto esperávamos uma coca-cola no bar, a solução PULOU em nossa frente. Raul é surinamês, trabalha no bar hotel, reclamávamos de alguma coisa e para a nossa surpresa ele falou em português conosco! Casado com uma brasileira que trabalha levando mercadorias para as vilas mineradoras no sul do país (viagem de 4 horas de carro + 4 horas de barco + outro carro 4x4, longe pra burro!), contou que as farmácias brasileiras aqui são as melhores! Nós não havíamos visto um brasileiro ainda, mas descobrimos que ficava a apenas alguns minutos daqui o bairro brasileiro de Paramaribo. 10% da população do Suriname é brasileira, diz Raul, “esse bairro é um pequeno Pará, lá tudo é brasileiro, farmácia, supermercado, restaurantes, salão de beleza, etc”. Ele mesmo comprou remédio para malária (!!!!!) para sua esposa semana passada lá, não pedem receita e tem tudo o que precisar. Foi a nossa solução! Lá os empreendimentos são uma sociedade entre os chineses, que possuem o capital, e os brasileiros, que conhecem os fornecedores e a clientela final. Realmente o Brasil domina a vizinhança!

Atravessando a Onafhankelijkheidsplein em Paramaribo, no Suriname

Atravessando a Onafhankelijkheidsplein em Paramaribo, no Suriname


Voltamos ao hotel para as definições de viagem. Passamos horas pesquisando os melhores preços de vôos para o Caribe, nas diversas cias aéreas e todas as possíveis combinações. Já tínhamos roteiro e países definidos, mas os custos poderiam alterar o planejamento. Trinidad e Tobago será o nosso primeiro destino e de lá voaremos para St. Maarten, St Martin, hub para ilhas ainda menores, Anguila, St. Barth, St. Kitts and Nevis, Saba e St. Eustatius.

Mapa do Caribe mostrando todos os países e 'quase-países' da região

Mapa do Caribe mostrando todos os países e "quase-países" da região


Ufa! São algumas das ilhas mais hypes do Caribe, parte das antilhas holandesas e antigas colônias francesas e britânicas. Não vejo a hora de sair dessa chuva e cair no sol, praia e sombra e água fresca! Rsrsrs! Depois de extensa e exaustiva pesquisa conseguimos definir o itinerário, quinta-feira embarcamos para a cidade de Port of Spain em Trinidad! Mas o Suriname ainda tem muito a nos mostrar, amanhã vamos às florestas equatoriais úmidas de Brownsberg.

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