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Cânion Colca

Peru, Arequipa

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru


O Cânion Colca é o segundo mais profundo do mundo, com 3.269m de profundidade, contando do pico nevado mais alto até o leito do Rio Colca, em suas águas verdes esmeralda. O primeiro é seu vizinho Cotahuasi com 3.501m. São diversas vilas localizadas ao longo do cânion, pequenas comunidades de cholas e “cholos” que vivem do pastoreio e plantio de diversas culturas e que recentemente vem experimentando o boom do turismo na região.

Venda de roupas típicas no ponto mais alto da estrada que leva ao Canyon Colca, a mais de 4.800 metros de altitude, (região de Arequipa, no Peru)

Venda de roupas típicas no ponto mais alto da estrada que leva ao Canyon Colca, a mais de 4.800 metros de altitude, (região de Arequipa, no Peru)


Eu já havia estado aqui há 6 anos, em um tour que saiu de Arequipa, passou uma noite em um bom hotel no vilarejo de Yanque (o melhor de toda a viagem pobrete) e retornou. Impossível chegar aqui e não lembrar dos banhos termais, das lindas paisagens e principalmente do episódio mais tragicômico da viagem. Meu amigo e companheiro de viagem cometeu o deslize de comer uma salada em um restaurante aqui, parecia limpo, mas o problema não é a higiene e sim o saneamento básico. A água com que se lavam os alimentos estava contaminada e ele pegou uma infecção alimentar das bravas. O cara passou mal a noite toda, coitado, nem foi até o cânion ver os condores no dia seguinte. Estava decidido a ficar aqui depois de ter escrito praticamente um testamento enquanto estive fora do hotel. Não retornar com a excursão à Arequipa, não era uma opção... eu também não estava das melhores, mas definitivamente não o deixaria ali e tampouco ficaria sem ter como retornar no dia seguinte. Peguei ele pela mão e, junto com a nossa guia, fomos ao hospital, onde foi medicado e tomou uma injeção que mais parecia com uma rolha, para que sobrevivesse as últimas 4 horas sem um banheiro. Rsrsrs! Coitado!!! Olhando do futuro é engraçadíssimo, mas ele realmente passou por maus bocados. Tenho até hoje o testamento guardado, um dia ainda irá render boas risadas. Saudades Luiz!

O ponto mais alto da estrada que leva ao Canyon Colca, a mais de 4.800 metros de altitude, é marcado por centenas de apachetas, ou totens de pedra (região de Arequipa, no Peru)

O ponto mais alto da estrada que leva ao Canyon Colca, a mais de 4.800 metros de altitude, é marcado por centenas de apachetas, ou totens de pedra (região de Arequipa, no Peru)


Voltando ao presente. Chegamos no cânion pela cidade de Chivay, com maior infra-estrutura e principal porta de entrada para a região. Ali além de pagarmos a entrada recebemos um mapa turístico que nos deixou com o coração na mão... São tantas atrações, mirantes, trekkings, raftings, banhos termais e restaurantes gostosos que seriam necessários pelo menos 3 dias para explorar bem a região. Entretanto, nessa corrida para conhecer todo um continente em 1000dias, tivemos que optar apenas por revisitar o ponto mais conhecido de todo o cânion, o Mirante da Cruz del Condor. São 30km de Chivay até o mirante, a estrada é fabulosa e super cênica.

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru


Picos nevados, paredes imensas de pedra e um vale fértil verde todo cultivado em degraus inacreditavelmente construídos nos morros escarpados. A ocupação dessa região se deu nos tempos pré-incaicos, provavelmente pelos Waris (quéchuas) e Collagues (aymaras) e a ordem franciscana construiu a primeira capela em 1565. Plantações de cevada, milho, quinoa colorem os terraços plantados, enquanto cholas pastoreiam suas ovelhas e llamas pelas estradas que cortam o vale.

Chola caminha em estrada próxima ao Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru

Chola caminha em estrada próxima ao Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru


Na Cruz del Condor fomos agraciados com a visita de um casal de condores andinos, uma das maior aves do mundo chegando a 3m de envergadura. Elas são vistas facilmente pela manhã, logo cedo, mas não negaram o espetáculo para os que chegaram mais tarde.

Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru

Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru


A sorte não foi só termos visto os condores como também termos fugido das multidões matinais vindas com os tours, lotando o mirante. Estávamos apenas nós, um casal de alemães e um tour que estava a a caminho de Cabanaconde.

Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru

Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru


Aqui neste ponto o cânion possui 1200m de profundidade e já fica difícil enxergar o fundo, mas os trekkings até as margens do Rio Colca ficam mais encorajados depois de sabermos que lá existem pequenos oásis com águas termais maravilhosas.

Visitando o incrível Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru

Visitando o incrível Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru


Este é o trekking de Cabanaconde, 30 minutos para descer e 2h para subir! Rsrsrs! Sem tempo, decidimos conhecer as águas termais de Yanque, que nos foi indicada pelos guias locais. “A maioria dos gringos vai às termas de Chivay, que possuem uma estrutura maior, os locais gostam mesmo é de Yanque.”, nos confirmou o guia. Tocamos para lá! Piscinas gostosas, roçadores, chuveiros, cervejinha para vender na porta e o principal, pouquíssimos turistas. Várias famílias locais, crianças brincando e o mais bacana, uma senhorinha chola que veio banhar-se com suas netas. Elas falavam o tempo todo em quéchua, mas pelo que pude perceber era a primeira vez que a senhorinha entrava naquela piscina. Com seu maiô, tranças e pele clarinha, ela estava maravilhada.

Piscina de águas termais em Yanque, no vale do Colca, região de Arequipa - Peru

Piscina de águas termais em Yanque, no vale do Colca, região de Arequipa - Peru


Já estava anoitecendo quando pegamos a estrada à Arequipa. Cai o sol e q temperatura despenca imediatamente. Chegamos em Arequipa a tempo de jantar em um restaurante gostoso ao lado do nosso hotel. Mais um dia longo e intenso no calendário dos 1000dias, e que venham os próximos!

Por-do-sol a mais de 4 mil metros de altura, na região do Canyon Colca, no sul do Peru

Por-do-sol a mais de 4 mil metros de altura, na região do Canyon Colca, no sul do Peru

Peru, Arequipa, Cânion Colca, Chivay, condores, Yanque

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Bienvenue au Haïti

Haiti, Port-au-Prince

Detalhes de haitianos no mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti

Detalhes de haitianos no mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti


Imaginem um lugar que nada tem a perder, pois já perdeu tudo. Desastres naturais, ditaduras sangrentas e a miserável política que criou um ambiente perfeito para a opressão e manipulação de interesses que se sustenta na miséria de muitos, criando um imenso gap entre os mais ricos e os mais pobres.

Passageira do nosso ônibus aguarda em seu assento, durante nosso tempo na imigração

Passageira do nosso ônibus aguarda em seu assento, durante nosso tempo na imigração


Um país que, isolado pelo mundo branco amedrontado pela primeira República Negra do Ocidente, acabou com seus recursos naturais e hoje depende 100% de importações. No Haiti nada se produz além de boa música, belas esculturas, algumas poucas plantações de subsistência, furacões furiosos e grandes tremores de terra.

O grande terremoto não será esquecido! (Cap-Haitien, cidade na costa norte do Haiti)

O grande terremoto não será esquecido! (Cap-Haitien, cidade na costa norte do Haiti)


A energia elétrica do país é gerada a base de carvão natural e hoje, que já não há mais floresta, geradores a diesel são a única saída. Esta pequena patota de ricos alienados possui em suas mãos o monopólio dos negócios chaves do país, empresas de importação, venda de geradores de energia e de combustível (diesel). Tivemos a informação de que o Brasil fez um trabalho de pesquisa, planejamento, projeto e o orçamento para a construção de uma hidroelétrica no norte do país. A construção da hidroelétrica iria gerar empregos e resolver boa parte dos problemas energéticos do Haiti. Uma doação que não foi aceita pelo governo, que prefere o valor em dinheiro, pedido recusado pelo Governo Brasileiro.

Sobrevoando Port-au-Prince, no voo para Cap-Haitien, no norte do Haiti

Sobrevoando Port-au-Prince, no voo para Cap-Haitien, no norte do Haiti


Aí nos perguntamos, por que o país não vai para frente? Não há interesse econômico e político, a ganância exacerbada deve cegar a visão ou tirar o coração destes poucos haitianos no poder, que veem sua população morrendo de fome, sede, sem um teto para morar e sem um puto para viver e não fazem nada a respeito.

Nas ruas de Port-au-Prince, no Haiti, muito equilíbrio na cabeça

Nas ruas de Port-au-Prince, no Haiti, muito equilíbrio na cabeça


A história do Haiti facilita a compreensão da desgraçada cultura e psique haitiana, que mesmo quando consegue se livrar dos seus algozes franceses, cria um Imperador sedento por status e poder, que para conseguir a liberdade do país termina se afundando em dívidas internacionais. Uma Republica que nasceu falida e devedora. Já não bastassem as dificuldades de um pós-guerra, Christophe e suas manias de grandeza se unem para a construção da maior fortaleza do Caribe, a Citadelle, localizada há poucos quilômetros de seu pomposo castelo desenhado para rivalizar com, nada mais nada menos, que o Castelo de Versalles, o San-Souci. (Leia mais sobre a história no Blog do Rodrigo)

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti


Esta semana faremos um passeio pelos locais que remontam esta história, das pobres vizinhanças nos arredores do bairro chique de Pétion-Ville, passando pelos escombros de Port-au-Prince, voando sobre Citadelle e chegando a um dos maiores paraísos particulares na costa norte do país.

Uma simpática jangada nos mares de Labadee, na costa norte do Haiti

Uma simpática jangada nos mares de Labadee, na costa norte do Haiti


Nós chegamos ao Haiti em um ônibus vindo de Santo Domingo. Foram 8 horas, duas delas parados na mal afamada fronteira dos dois países, em uma terra de ninguém, “esquecida por Deus”, segundo os dominicanos,“É tudo culpa do vudu”, dizem os mais religiosos.

Meninas no interior da catedral de Cap-Haitien, cidade na costa norte do Haiti

Meninas no interior da catedral de Cap-Haitien, cidade na costa norte do Haiti


Apesar de toda essa falação, não tivemos nenhum problema na fronteira, descemos do ônibus, enfrentamos as filas da imigração, cercados de sorrisos dos cambistas quando dizíamos que éramos brasileiros. Do lado de fora carros das Forças de Paz das Nações Unidas e um belo lago, azul, sobre um terreno calcário que me fez lembrar, Pedernales deve ser aqui perto! Imaginem quantas cavernas inundadas não existem na região para serem exploradas?

Condução do lado haitiano da fronteira com a Rep. Dominicana

Condução do lado haitiano da fronteira com a Rep. Dominicana


Este, porém, não era o nosso foco agora. Vínhamos com nossos olhos curiosos, ouvidos aguçados e coração aberto para ver o Haiti que a mídia não nos mostra. Um país de um povo que luta para sobreviver na adversidade e ainda chora e sorri, sonha e desespera, goza e sente dor, mantendo viva lá dentro uma esperança genuína de que dias melhores virão.

Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti

Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti

Haiti, Port-au-Prince, Caribe, história, Impressões

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Ollantaytambo

Peru, Ollantaytambo

Terraços agrícolas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Terraços agrícolas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Cidade ancestral vivente, Ollanta é um portal para o antigo mundo inca. Como em um túnel do tempo, quanto mais adentramos a cidade, mais voltamos à época em que a cidade abrigava a nobreza inca e acabava de tornar-se o centro do império governado pelo Inca Pachacuti. Tudo aconteceu em meados do século XV, quando o imperador conquistou Ollantaytambo e a reconstruiu com suntuosas edificações de pedra, centros cerimoniais, fortalezas e terraços irrigados cultivados por seus yanakunas, ou escravos, em quéchua.

A bela vista do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A bela vista do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Ollantaytambo ficou marcada na história como o último reduto da resistência Inca à conquista dos espanhóis. Manco Inca, o último governante de Tahuantinsuyu (nome quéchua do Império Inca), obteve sua maior vitória contra os espanhóis em 1536 e conseguiu resistir por um ano entrincheirado em Ollantaytambo antes de buscar refúgio em Vilcabamba, na Amazônia Peruana.

Antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Pegamos um grande congestionamento de carros e ônibus de turismo na entrada de Ollantaytambo na noite anterior. A cidade turística é porta de entrada para a principal atração do Valle Sagrado de los Incas, Machu Picchu. Passamos pela cidade nova, onde as ruas são mais largas, as casas simples mas já construídas em alvenaria e arquitetura de certa forma “contemporânea”. Aos poucos as ruas vão se estreitando, o calçamento novo se transforma em pedra batida e polida pelas centenas de anos dando caminho à história de uma das mais antigas cidades incas ainda em funcionamento.

A cidade atual e as antigas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A cidade atual e as antigas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Estacionamos a nossa pequena Fiona na Plaza de Armas, tentando fugir da bagunça. Os policiais organizavam o tráfego para tentar desafogar as vias naquela noite de alta temporada turística. Em busca do hostel que havíamos reservado eu desço e sigo diretamente para a delegacia, sem dúvida os policiais poderiam me indicar sua localização. Simpáticos e atentos como de praxe, me dizem que podemos passar con la camioneta hasta la callecita. Aí havia estacionamento, na porta da pousada. Depois de um dia de explorações por Písac, Maras e Moray, eu, Gustavo e Rodrigo não víamos a hora de um banho quente e um bom jantar!

Trilha para os antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Trilha para os antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Saímos caminhando pelas ruas estreitas e avançamos mais no túnel do tempo. Aqui as casas também estão diferentes. Choupanas de pedra, telhado de palha e pé direito baixo fazem os lugares mais acolhedores e genuínos. A pizza na pedra acompanhada por uma boa música peruana parece fazer a modernidade encaixar perfeitamente ao mundo pitoresco dos vales andino-peruanos.

Chegando ao parque arqueológico de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Chegando ao parque arqueológico de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Depois de uma boa noite de sono, um café da manhã com pão típico, chá de folhas de coca e manteiga, nossa viagem no tempo segue avançando a passos largos. Assim que cruzamos o Rio Patakancha pela estreita ponte de pedestres, se descortina à nossa frente uma autêntica cidade inca ainda viva! Campesinas transitam em suas vestes tradicionais, trançam os longos cabelos de suas filhas para leva-las ao colégio, tecem à porta de suas casas de pedra e preparam comidas típicas das suas janelas. Enquanto umas produzem, outras carregam seus grandes sacos de produtos até a feira artesanal na porta das Ruínas de Ollantaytambo.

Trajes típicos em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Trajes típicos em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Venda de tapeçaria em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Venda de tapeçaria em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Entramos nas ruínas logo cedo, tentando evitar as filas e grandes excursões, mas escolas e grupos imensos de pessoas já se alinhavam em filas indianas entre andenes, escadas e construções. Seguimos seu ritmo até conseguirmos inverter a ordem da visita e fugir um pouco da multidão que teimava em nos trazer de volta ao mundo atual. As ruínas, mesmo que abandonadas, nos remetem diretamente às épocas áureas de Ollanta. Dezenas de quartos, salas, armazéns, uma grande fortaleza e um trono de pedra com a melhor vista para toda a vila e as montanhas do Vale Sagrado. Dali o Inca podia acompanhar o trabalho de seus escravos, a vida cotidiana de seus campesinos e ainda desfrutar da beleza de seu reino.

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


O Gustavo admira o vale em frente às ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

O Gustavo admira o vale em frente às ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Curiosidades de sua estrutura reúnem o Templo del Água, que coroa um imenso sistema de aquedutos com fontes quase mágicas, que ao passar o dedo na faixa de água diminuem o volume de água, como torneiras. A mais conhecida delas chama-se “o banho da princesa”. Quando estive aqui em 2005 pude ainda ver e eu mesma testar a técnica do dedo na fonte. Hoje podemos apenas vê-la de longe, sem dedinhos, sem mágicas.

A fonte sagrada de água, nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A fonte sagrada de água, nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Outras edificações interessantes são os armazéns de grãos, que estão nas encostas de Ollantaytambo a uma maior altitude, garantindo mais ventilação e menor temperatura para sua durabilidade.

Chegando às ruínas dos armazéns, a vista para a cidade de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Chegando às ruínas dos armazéns, a vista para a cidade de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Algumas horas explorando o parque arqueológico e logo tivemos que voltar para fazer o nosso check-out da pousada. Eu e Gustavo, mais preguiçosos, nos satisfizemos cuidando das malas e fazendo um lanche com vista para as ruínas, enquanto o Rodrigo, agora apelidado pelo Gustavo de cabrito montanhês, resolveu subir a trilha na segunda montanha de Ollanta para conhecer os impontes armazéns que nos chamam a atenção desde as ruínas principais.

Um saudavel café da manhã em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Um saudavel café da manhã em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


O Rodrigo voltou a tempo de tomarmos um chopp antes de nos dirigirmos à estação de trem de Ollantaytambo. Chicha morada, tradicional cerveja inca, seria mais adequada à esta viagem no tempo na mais viva de todas as cidades incas.

Café da manhã com vista para as incríveis ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Café da manhã com vista para as incríveis ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Peru, Ollantaytambo, Andes, arqueologia, Mundo Andino, Vale Sagrado

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Sete Cidades

Brasil, Piauí, Teresina, Piripiri (P.N. Sete Cidades)

Formações rochosas no Parque Nacional de Sete Cidades - PI

Formações rochosas no Parque Nacional de Sete Cidades - PI


O Parque Nacional das Sete Cidades está localizado próximo à cidade de Piripiri, no interior do Piauí e no mês de junho deste ano ele completará 50 anos de fundação. Um monumento natural formado há milhões de anos pela ação da natureza, erosão, ventos e água. As formações possuem o aspecto de casco de tartaruga, como as que vimos no parque do Catimbau, porém em maior número e concentração.

A famosa Pedra da Tartaruga, no Parque Nacional de Sete Cidades - PI

A famosa Pedra da Tartaruga, no Parque Nacional de Sete Cidades - PI


Pesquisadores antigos defendiam a teoria de que as formações rochosas seriam ruínas fenícias. Rochas areníticas desenhadas em formatos de tartaruga, elefante, cachorro e tantas outras quanto pudermos imaginar. São sete agrupamentos de rochas, cada cidade possui suas esculturas naturais: O Beijo, Três Reis Magos, Mapa do Brasil já visitados há mais de 5 mil anos pelos homens pré-históricos que passavam por esta região.

A mão de seis dedos, no Parque Nacional de Sete Cidades - PI

A mão de seis dedos, no Parque Nacional de Sete Cidades - PI


Pinturas rupestres pertencem à tradição agreste e são similares às encontradas no Lagedo Soledade, mãos carimbadas e algumas formas de contagem e desenhos geométricos. Ainda não foram feitas escavações no local, porém há potencial, já que pinturas chegam a tocar o chão, o que sugere que há mais história escondida por trás daquela camada de terra ali depositada.

Pinturas rupestres no Parque Nacional de Sete Cidades - PI

Pinturas rupestres no Parque Nacional de Sete Cidades - PI


Do mirante podemos ver todo o complexo das Sete Cidades e a vegetação, que segundo Carminha, nossa guia, é verde quase o ano todo, já que a região possui muitas nascentes. Ao lado do Centro de Visitantes mesmo existe uma piscina “natural” utilizada pelo hotel e por alguns turistas mais afoitos. A piscina em si não é natural, mas sim a água dela que brota em um olho d´água vizinho. Nós mesmos queríamos nos refrescar, mas a pressa nos fez passar esta, que estava lotada de estudantes do Maranhão que vieram visitar o parque.

Visitando o Parque Nacional de Sete Cidades - PI

Visitando o Parque Nacional de Sete Cidades - PI


Carminha também me fez uma boa propaganda das Opalas, pedra semi-preciosa encontrada apenas em minas aqui no Piauí, na cidade de Pedro II e na Austrália. A Opala é uma pedra furta cor e por isso pode ser trabalhada em diversas cores, predominando o azul e o branco. Quase não compro souvenirs, pois não temos como carregá-los. Por isso o meu ponto fraco são os artesanatos pequenos e que vou usar muito, como um brinco de opala! Rsrsrs! Afinal, onde mais vou encontrar um destes? Rsrsrsrs!

Com a nossa guia, Carminha, na famosa Pedra da Tartaruga, no Parque Nacional de Sete Cidades - PI

Com a nossa guia, Carminha, na famosa Pedra da Tartaruga, no Parque Nacional de Sete Cidades - PI


Saímos de Piripiri com roupas lavadas e prontos para uma viagem de 2 horas até Teresina, um “pequeno” detour no nosso roteiro. Chegamos e logo nos localizamos na cidade. Teresina é uma cidade planejada, cortada por dois rios, Poty e Parnaíba, acaba sendo mais fácil mesmo. Fomos direto para o Ibis básico, garantia de uma boa cama e um bom chuveiro, estamos precisando. Como hoje não havíamos almoçado, pouco depois saímos para jantar na super rede de restaurantes e Churrascaria Favorito. Impressionante, no mapa que peguei no hotel tem uns 5 Favoritos só na Zona Leste! Nunca vi isso nem em São Paulo! (não contam franquias como Mc Donalds!)

Explorando o Parque Nacional de Sete Cidades - PI

Explorando o Parque Nacional de Sete Cidades - PI


Depois do jantar, decidimos dar uma voltinha a pé pela zona leste, vimos um botecão com música sertaneja, não muito no nosso gosto musical. Demos a volta no quarteirão e acabamos caindo no Jóquei Clube, onde estava tendo o pré-carnaval animadíssimo! Era a eleição do rei e da rainha do carnaval da terceira idade! Várias senhorinhas vestidas de passistas e outras fantasias carnavalescas, todas entre 60 e 80 anos e com muito samba no pé! A Elke Maravilha estava no júri, aquela peça de sempre, foi a primeira a mudar o voto para a senhorinha mais engraçada e menos provável, que estava com uma peruca de balões de festa! Hahaha! Acabou ganhando uma senhorinha linda, 71 anos, passista perfeita de escola de samba.

Concurso de Rainha 3a idade do Carnaval , em Teresina - PI

Concurso de Rainha 3a idade do Carnaval , em Teresina - PI


Bem, vamos procurar a nossa turma, continuamos andando. Subimos alguns quarteirões e chegamos finalmente ao Água de Chocalho, bar com música e comidas regionais, forró, etc. Lotado e com uma longa fila de espera. Acabamos indo para o Planeta Diário, um pub que nos foi indicado no hotel e por um novo amigo da fila do Chocalho. O pub tem o nome inspirado no jornal do Superman, o “Daily Planet”.

No bar Planeta Diário, em Teresina - PI

No bar Planeta Diário, em Teresina - PI


Fizemos um “esquenta” na parte de fora do bar, vendo o movimento e sentindo o clima dos jovens teresinenses. Povo animado, o lugar lotou já era mais de meia-noite quando entramos e estava tocando uma banda ótima Mary Jane, se não me engano. A mulher manda muito bem! Uma presença de palco fenomenal, tem pinta de estrela. Depois um DJ e outra banda com uma cantora ótima, músicas bem escolhidas. Nos divertimos demais! Mesmo assim confesso, que não é nenhum Nós & Elis, mas essa história eu conto para vocês amanhã.

Palco do Planeta Diário, em Teresina - PI

Palco do Planeta Diário, em Teresina - PI

Brasil, Piauí, Teresina, Piripiri (P.N. Sete Cidades), Parque Nacional de Sete Cidades, trilha

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Fechando o Arco-Norte

Guiana, Georgetown

Montanhas ao longe, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Montanhas ao longe, na reserva de Iwokrama, na Guiana


Hoje é o dia de finalizarmos a travessia do Arco-Norte, como é conhecida esta rota entre Amapá e Roraima, passando pela Guiana Francesa, Suriname, Guiana. Este último trecho entre Georgetown e Lethem é sem dúvida o mais puxado e um dos mais emocionantes. São 570 km, sendo 110 de asfalto e outros 460 km em estrada de terra. A longa estrada esburacada exige muita paciência e auto-controle, enquanto vamos brigando com a ansiedade e vontade de voltar para o Brasil.

Entrando na cidade de Linden, na Guiana

Entrando na cidade de Linden, na Guiana


Saímos às 5 horas da manhã de Georgetown, decididos a fazer o caminho até Lethem, embora algumas pessoas nos dissessem ser impossível, “poderíamos levar até 20 horas na estrada”. Tínhamos esperança de estarem superestimando a estrada ou subestimando a Fiona, rsrs! Os primeiros 110km são em asfalto e passando o tempo todo por pequenas cidades e vilarejos, são 24 ao todo até chegarmos à cidade de Linden. A segunda maior cidade da Guiana, Linden fica próxima ao principal aeroporto do país e é também a última cidade no caminho. Fizemos uma parada para abastecermos e comprarmos suprimentos para os próximos 300km. Pouco antes de paramos a Fiona começou a reclamar do diesel aguado do Suriname, tivemos que vazar o filtro de combustível pela primeira vez durante a viagem, muuuita água.

O único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana

O único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana


A estrada de terra é larga e começa muito ruim, média de 40 km/h. Alguns mais corajosos e conhecedores da estrada passavam por nós batidos, 60, 70km/h. Hoje a estrada promete estar movimentada já que é início de feriadão de Páscoa. Mais de 5 mil pessoas devem se reunir em um dos principal eventos do ano no país, o Rodeio de Lethem. Competição de dança, trajes típicos, comidas e bebidas guianesas e brasileiras e é claro, as competições de montaria dos bois e cavalos.

A deserta estrada de terra de 450 km entre Linden e Lethem, na Guiana

A deserta estrada de terra de 450 km entre Linden e Lethem, na Guiana


Em alguns trechos o solo é bem arenoso, portanto a mata fica baixa, entre 2 e 3m de altura. Mas quanto mais entramos no interior, mais úmida, verde e vivaz a vegetação vai ficando. 80km a frente paramos no único posto em toda a estrada e tivemos uma bela surpresa! Encontramos o casal Cynthia e Eduardo da Expedição Bordas do Brasil! São dois professores de Belo Horizonte que estão há 4 meses na estrada, contornando o país inteiro coletando dados demográficos e sobre o empreendedorismo feminino - www.bordasdobrasil.com.br, muito bacana o projeto!

Encontro com o casal brasileiro do projeito 'Bordas do Brasil' no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana

Encontro com o casal brasileiro do projeito "Bordas do Brasil" no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana


Os dois são super animados e acelerados, já estão adiantados no cronograma, saíram de BH na Landhover (uma Defender 90), já desceram até o extremo sul, fecharam toda a borda oeste e agora estão seguindo para o arco-norte, porém no sentido inverso. Boa sorte aos aventureiros e espero nos encontrarmos em breve! Ah, e olha que mundo pequeno, eles já sabiam da nossa existência, pois como também são mergulhadores conheceram o Reinaldo em BH, nosso instrutor de mergulho da Acquanauta, que comentou sobre o projeto. Êita mundin pequeno!

Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito 'Bordas do Brasil' no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana

Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito "Bordas do Brasil" no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana


Do posto dirigimos por mais 2h30 até chegar em Karupukari, local onde precisamos atravessar o Rio Essequibo, um dos principais rios do país. A balsa funciona de hora em hora das 6h as 18h e o passe só é vendido em Georgetown! Custa 7 mil dólares guianeses, equivalente a US$ 35,00. Na balsa cabem bem umas 9 caminhonetes, conseguimos chegar sem muita fila mas logo ela lotou.

Embarcando a Fiona para a travessia do rio Essequibo, na Guiana

Embarcando a Fiona para a travessia do rio Essequibo, na Guiana


Alguns quilômetros depois chegamos à portaria do Parque Nacional Iwokrama, hoje área de preservação, antigamente área de caça do Príncipe Charles. Disseram-nos que é muito bacana fazer este trecho durante a noite, pois é fácil avistar animais selvagens cruzando a estrada. Quem sabe numa segunda vez, depois de já conhecermos o caminho, não quisemos arriscar.

Socializando na travessia do rio Essequibo, à caminho de Lethem, na Guiana

Socializando na travessia do rio Essequibo, à caminho de Lethem, na Guiana


Conferência dos documentos do veículo e seguimos em frente, agora com Felix, um caroneiro que foi deixado para trás pelo ônibus na parada da balsa. Felix é um guianês de origem indígena da etnia Arawak. Eu não acreditei! Temos lido e aprendido muito sobre os Arawaks durante as nossas incursões pelo Caribe. Eles são uma das tribos que habita o litoral da Guiana e diversas ilhas caribenhas. Nestas ilhas hoje é praticamente impossível encontrá-los, pois primeiro já viviam em disputa territorial com os Caribs, índios mais guerreiros, enquanto os Arawaks são mais pacíficos. Depois os anos de colonização francesa, inglesa, espanhola terminaram por praticamente desaparecer com os Arawaks do mapa das índias ocidentais. A sua família vive na região de Lethem e ele vem de Berbice, onde trabalha, para passar a Páscoa com eles.
O que Felix não esperava é que os dois doidos que estavam dando carona gostam de conhecer cada canto e aproveitar cada minuto da viagem. No caminho vimos uma placa indicando um lugar chamado “Canopy Walkway”, ficamos intrigados e paramos na estrada. Os outros jipes que vinham nos acompanhando na estrada e na balsa pararam para ver se estava tudo bem, aproveitamos para pedir informações e nos falaram muito bem do tal lugar. Quando vimos que o tempo até Lethem já não nos deixaria cruzar a fronteira, que fecha entre 19h e 7h, resolvemos desviar o caminho para explorar!

Lodge na reserva de Iwokrama, na Guiana

Lodge na reserva de Iwokrama, na Guiana


No conceito de “jungle lodge”, o Iwokrama Canopy Walkway foi construído pelo Governo e Ministério de Turismo da Guiana, hoje administrado por uma organização de viagens internacional. Uma área muito bem preservada, o lodge oferece acomodações, todas as refeições, internet e o melhor tudo isso em meio à floresta guianesa, com diversas trilhas para a observação de pássaros e vida selvagem. Segundo Bernie, nosso guia, em uma das trilhas noturnas a possibilidade de se avistar uma onça pintada é altíssima!

Caminhando sobre as árvores, a quase 30 metros de altura, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Caminhando sobre as árvores, a quase 30 metros de altura, na reserva de Iwokrama, na Guiana


A Canopy Walkway é uma imensa trilha de arvorismo, com plataformas colocadas no alto de árvores com mais de 30m de altura! Estas plataformas estão interligadas por pontes pêncil, atravessando na altura das copas das árvores, por isso o nome “canopy way = caminho das copas de árvore”. Chegamos junto com as nuvens de chuva, os pássaros tem um barômetro incrível, é só o tempo ficar com cara de chuva que todos eles se recolhem. Infelizmente não foi a melhor hora para vermos pássaros, mas ainda assim a vista lá do alto é maravilhosa!

Observando do alto a reserva de Iwokrama, na Guiana

Observando do alto a reserva de Iwokrama, na Guiana


Felix não só nos esperou com aproveitou bastante para conhecer um pedacinho do seu país que ele nunca havia estado. Sempre me espanto como os europeus e americanos estão espalhados por tudo. Aqui no meio da floresta no interior da Guiana encontramos turistas amantes de pássaros e aventureiros do primeiro mundo explorando cada canto e nós brasileiros nem sonhamos com a riqueza que o nosso vizinho possui!

Pássaro (Black Currasow) na reserva de Iwokrama, na Guiana

Pássaro (Black Currasow) na reserva de Iwokrama, na Guiana


Anthony, gerente da pousada e Bernie, nosso guia, foram ótimos! Bernie é formado em ciências biológicas, terminou sua graduação com um trabalho sobre as etnias indígenas da Guiana, fiquei super curiosa! São 9 etnias espalhadas por todo o território, ele é da tribo dos Mucuxis, maior etnia indígena da Guiana, presente também no Brasil e na região de Annai, aqui próxima a esta reserva. Ele gravou um depoimento ótimo para o Soy loco por ti América, nossa coluna onde gravamos uma pessoa de cada país por onde passamos, nos contando por que ele é louco pelo lugar onde ele nasceu. Estes minutos somados vão nos mostrando quais são as belezas, os sotaques e a feição de cada americano, seja ele do sul, caribe, centro ou norte.

Sementes no alto das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Sementes no alto das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana


No final do nosso passeio o Anthony ainda nos liberou o banheiro dos alojamentos para tomar uma ducha, banheiro dos sonhos, sem telhado, com vista para a floresta, tomamos banho ao ar livre! Até então não tínhamos a mínima esperança de encontrar um lugar para dormir em Lethem, já que o rodeio estava movimentando a cidade. Nosso plano era dormir no carro mesmo, pelo menos já estávamos de banho tomado.

Caminho e plataformas sobre a copa das árvores. na reserva de Iwokrama, na Guiana

Caminho e plataformas sobre a copa das árvores. na reserva de Iwokrama, na Guiana


A estrada dali para Lethem foi mais longa do que esperávamos. Foram 4 horas que pareceram 10! Saímos da região da floresta e entramos nas savanas, anoiteceu e infelizmente perdemos a paisagem. Por outro lado nossa imaginação corria solta, em um cenário totalmente propício para contatos imediatos de terceiro grau, como dizia o Rodrigo. Só faltava mesmo um disco voador pousar ali, acho que era o único perigo que corríamos. Aproveitando o ensejo, depois destes três dias de Guiana e depois de cruzar o país do Suriname à fronteira com o Brasil, temos que ser justos: NADA aconteceu conosco, não nos sentimos inseguros e não fomos extorquidos pelos policiais em momento algum, outra reclamação recorrente de viajantes que passam por estas bandas. A Guiana só nos surpreendeu positivamente. Pessoas super amáveis e receptivas, paisagens fantásticas e uma pluralidade cultural imensa. Chegamos à Lethem as 22h30 da noite, com sorte encontramos um lugar para dormir. Vamos embora com vontade de ficar, sem dúvida ainda teríamos muito a explorar no país, comunidades indígenas, hindus e africanas, praias de desovas de tartarugas, cachoeiras e savanas. Infelizmente temos apenas 1000dias, quem sabe voltaremos.

Em uma plataforma sobre a copa das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Em uma plataforma sobre a copa das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Guiana, Georgetown, Canopy Walkway, Guyana, Iwokrama Rain Forest, Karapakuri, Lethem, Lindem

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De Santo Antônio ao Pelourinho

Brasil, Bahia, Salvador

Arte nas ruas de Santo Antônio, em Salvador - BA

Arte nas ruas de Santo Antônio, em Salvador - BA


Destino preferencial dos brasileiros, segundo pesquisa do Ministério do Turismo, Salvador oferece opções para todos os gostos. Desde o turismo histórico em suas diversas igrejas e prédios históricos, cultural, não só em museus maravilhosos como o MAM e Jorge Amado, como também musical e com um olhar muito especial para a cultura negra. Além disso ainda possui todas as belezas naturais ao seu redor, a Baía de Todos os Santos, Praia de Itapoã, orla Barra-Ondina e as praias do norte.

O Farol da Barra, em Salvador - BA

O Farol da Barra, em Salvador - BA


Dia de turismo nos pontos mais conhecidos de Salvador: Pelourinho e arredores. Sempre lotados de turistas dos quatro cantos do mundo, pegamos uma dica especial com nossas anfitriãs baianas e procuramos o mais alternativo dentro dos caminhos mais conhecidos de Salvador. Por isso começamos nossa caminhada no Centro Histórico a partir do Forte de Santo Antônio do Além do Carmo, também conhecido como Forte da Capoeira. Um centro de pesquisa e memória da capoeira no Brasil, lá 7 grupos de capoeira oferecem aulas e realizam apresentações no início da noite, com a bela vista para a baía.

O Forte da Capoeira em Salvador - BA

O Forte da Capoeira em Salvador - BA


Caminhamos pela Rua Direita de Santo Antônio, um bairro histórico que ainda não foi dominado pelo turismo e lojinhas como o Pelourinho. Ainda encontramos as senhorinhas na janela, vendo a vida passar como há 50 anos.

Arte nas ruas de Santo Antônio, em Salvador - BA

Arte nas ruas de Santo Antônio, em Salvador - BA


Algumas casas antigas já reformadas se tornaram pousadas com uma bela vista para a baía. Soubemos que ali mesmo o Grupo Iguatemi já comprou mais de 30 casas para reformar e fazer uma galeria de rua com lojas bacanas, visando atrair os turistas mais abonados.

Almoçando em uma das pousadas em Santo Antônio, em Salvador - BA

Almoçando em uma das pousadas em Santo Antônio, em Salvador - BA


Almoçamos em um desses hotéis com a bela vista e fomos em direção ao Pelourinho, passando pela Cruz do Pascoal em direção ao Carmo e os antigos Convento e Igreja Carmelitas, forte da resistência holandesa no século XVII. Hoje o Convento se transformou em um hotel 5 estrelas e em um museu que está sendo restaurado. Descemos pela ladeira do Carmo e conferimos a famosa escadaria onde foi filmado “O Pagador de Promessas” e pela imponente Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, embora esteja em estado de abandono ainda se destaca em meio a tantas construções antigas e históricas.

A famosa Escadaria do Carmo, do filme 'O Pagador de Promessas', em Salvador - BA

A famosa Escadaria do Carmo, do filme "O Pagador de Promessas", em Salvador - BA


Subindo a ladeira para o Largo do Pelourinho sempre bate aquela emoção, o lugar tem uma presença e uma energia muito boa. Logo lembrei das cenas famosas ali filmadas, da vez que estive aqui no carnaval de 1999, das marchinhas de carnaval, do Olodum tocando com o Micheal Jackson... arrepia!

Ladeira do Carmo e subida do Pelourinho, em Salvador - BA

Ladeira do Carmo e subida do Pelourinho, em Salvador - BA


Compramos uma pilha na porta em que Micheal saía no clipe, até ganhei uma foto na sacada de Micheal por ter adquirido um produto na lojinha! Ali estava passando o clipe e confesso que eu fiquei arrepiada, o cara era estranho, pedófilo, mas era um gênio da música pop.

A casa do clipe de Michael Jackson no Pelourinho, em Salvador - BA

A casa do clipe de Michael Jackson no Pelourinho, em Salvador - BA


Continuamos andando e chegamos à Praça Terreiro de Jesus, também famosa por suas construções da Ordem Terceira Franciscana e restaurantes típicos. Não poderíamos deixar de ter a vista panorâmica do Cruzeiro de São Francisco para o Mercado Modelo , o monumento à Bunda da Baiana e o Elevador Lacerda.

Monumento na Cidade Alta, em Salvador - BA

Monumento na Cidade Alta, em Salvador - BA


Elevador Lacerda visto da Cidade Alta, em Salvador - BA

Elevador Lacerda visto da Cidade Alta, em Salvador - BA


Descemos no Elevador Lacerda, elevador hidráulico que une a cidade alta à cidade baixa e percorremos as bancas de renda, instrumentos musicais e temperos da terra no Mercado Modelo.

Mercado Modelo, em Salvador - BA

Mercado Modelo, em Salvador - BA


Retornamos ao Forte da Capoeira no final da tarde para ver o belíssimo pôr-do-sol na baía e tentar ainda ver alguma apresentação de capoeira. Cedo demais, a roda de capoeira da angola começaria só as 19h, por isso decidimos voltar para casa mais cedo. Não sei se foi a melhor escolha, pois ficamos quase 1h30 no trânsito entre Santo Antônio e Pituaçú, é Salvador cresceu e muito! Fechamos o dia em casa, colocando os em dia os assuntos dos 10 últimos com Monica em um delicioso jantar caseiro. Desse jeito não vou querer ir embora dessa terra é nunca!

Admirando o pôr-do-sol em Salvador - BA

Admirando o pôr-do-sol em Salvador - BA

Brasil, Bahia, Salvador, Carmo, Elevador Lacerda, Mercado Modelo, Pelourinho, Santo Antônio do Carmo

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BR-174

Brasil, Roraima, Boa Vista, Amazonas, Presidente Figueiredo

Estrutura de fiscalização no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Estrutura de fiscalização no Parque Nacional Viruá, em Roraima


Hoje cruzamos pela segunda vez a famosa e controversa BR-174. Vindos de Guarulhos em um vôo madrugueiro, chegamos à Boa Vista as 4 horas da manhã, nos enrolamos no aeroporto e ainda assim tiramos o Ricardo da cama para abrir sua Garagem Roraima para nós. Lá estava a Fiona, ansiosa para ver-nos, bem estacionada no lugar de honra da oficina. Muito obrigada pela acolhida Ricardo, e desculpe derrubá-lo da cama a esta hora!

Reencontro com o Ricardo e com a Fiona, em Boa Vista, em Roraima

Reencontro com o Ricardo e com a Fiona, em Boa Vista, em Roraima


Queríamos pegar a estrada cedo, eram longas 7 horas para chegarmos à Presidente Figueiredo. Na estrada fizemos um desvio para o Parque Nacional do Viruá, que havíamos nos prometido explorar nessa nossa passagem por aqui. Mal sabíamos que o parque estaria tão abandonado e o tempo tão corrido para nós. Entramos, passamos por um “posto de fiscalização” e o portão do parque e fomos adiante até onde a estrada permitiu, na esperança de ver mais da sua fauna e flora.

Dirigindo no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Dirigindo no Parque Nacional Viruá, em Roraima


Visita ao Parque Nacional Viruá, em Roraima

Visita ao Parque Nacional Viruá, em Roraima


Estrada interrompida no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Estrada interrompida no Parque Nacional Viruá, em Roraima


De volta à BR não demora muito e encontramos o monumento que marca a Linha do Equador, o ponto central que divide o hemisfério norte do hemisfério sul. Momento marcante para a Fiona, que não caminhava ao sul do equador há quase 2 anos.

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima


Mais alguns quilômetros e chegamos finalmente à Terra Indígena Waimiri-Atroari, local de um grande conflito de terras na década de 70 que estourou justamente na construção desta estrada. Quando passamos por aqui contei mais desta história neste post e neste vídeo.

Atravessando os rios amazônicos no sul de Roraima

Atravessando os rios amazônicos no sul de Roraima


Logo no início da Reserva, o pedido para que não se filme ou fotografe (fronteira entre  Roraima e Amazonas)

Logo no início da Reserva, o pedido para que não se filme ou fotografe (fronteira entre Roraima e Amazonas)


Decidimos quebrar a nossa viagem à Manaus na cidade das cachoeiras amazônicas, Presidente Figueiredo e rever Fernando, nosso amigo entusiasta do turismo na região, dono da Pousada das Pedras.

Nossa pousada preferida em Presidente Fiqgueiredo, no Amazonas, onde já havíamos ficado da outra vez

Nossa pousada preferida em Presidente Fiqgueiredo, no Amazonas, onde já havíamos ficado da outra vez


Depois de uma noite sem dormir, tiramos este fim de tarde para descansar, trabalhar e assistir ao Brasil vencer a Copa das Confederações! É o trabalho do Felipão dando resultado, gosto desse gaúcho porreta! Passei boa parte da noite vendo fotos de onças, pacas, cotias, tatus e outros animais amazônicos, tiradas por um inglês que está fazendo uma pesquisa sobre o impacto da caça nas áreas próximas à comunidades na floresta amazônica. Bem interessante! Assim já vou entrando no clima para os nossos próximos dias que serão enfurnados em um hotel flutuante no meio da Amazônia! Mais detalhes dessa aventura nos próximos posts.

Alagamento da floresta causado pela represa de Balbina, no Amazonas

Alagamento da floresta causado pela represa de Balbina, no Amazonas

Brasil, Roraima, Boa Vista, Amazonas, Presidente Figueiredo, Estrada, linha do equador, Parque Nacional do Viruá

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Barco de Linha

Brasil, Maranhão, Barreirinhas

Região de Vassouras, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Região de Vassouras, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 2 de junho de 1981, possui 155 mil hectares e fica localizado no litoral do Maranhão. As grandes atrações do parque são suas dunas de mais de 40m e lagoas, que começam a aparecer no início do período chuvoso e preenchem cada funil deixado pelas dunas, formando uma paisagem sensacional entre os meses de maio a agosto.

As primeiras dunas a aparecer, em Vassouras, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

As primeiras dunas a aparecer, em Vassouras, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Algumas pequenas comunidades ficam localizadas às margens de lagoas permanentes no meio do parque, como a Queimada dos Britos e Baixa Grande, mas estas estão distantes e sem muita infra-estrutura turística, precisando de pelo menos dois dias de caminhada para alcançá-las. Nosso plano inicial era fazer esta caminhada, porém nosso tempo está curto e ainda não estamos no período em que as lagoas estão mais cheias. Assim escolhemos uma base alternativa à agitada cidade de Barreirinhas, que nos desse acesso a algumas das melhores atrações do parque, o vilarejo de Atins.

Pássaros dormem ao sol, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Pássaros dormem ao sol, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


As fronteiras do parque nacional são, basicamente, o mar ao norte, a cidade de Barreirinhas ao Sul, o Rio Preguiças ao leste e a cidade de Santo Amaro a oeste. O Rio Preguiças, portanto, é um dos pontos chaves para a exploração dos Grandes Lençóis Maranhenses. Ele margeia a cidade de Barreirinhas e possui algumas comunidades daí em direção à sua foz, as duas principais são o Caburé e o Atins.

Margem e vegetação ao longo do rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Margem e vegetação ao longo do rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Há duas formas de chegar até Atins, descendo o rio de barco ou de toyota pela estradão de areia. Este carro possui dois horários e leva em torno de duas horas até lá, por 13 reais. As lanchas rápidas cobram em torno de 50 reais por pessoa (mín. 4 passageiros) para o passeio até a foz, conhecendo as comunidades e te deixando no Caburé ou Atins, última comunidade ribeirinha. Você também pode pegar o barco de linha, que funciona como o ônibus local, custa 10 reais por pessoa, vai parando em todas as comunidades e leva quatro horas para chegar até o destino final. Foi nessa que escolhemos embarcar, pois além de gastar menos, aproveitamos o passeio e vamos nos entrosando na comunidade, entendendo como são a vida e a cultura locais.

Pequena venda em Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Pequena venda em Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


A aventura já começou no cais, com um atraso de uma hora já que o mestre da embarcação teve que esperar a maré subir para facilitar o carregamento de materiais de construção no porão da embarcação. Sacos de cimento e várias ripas de madeira que se encaixaram perfeitamente no chão do barco sob os nossos pés. Com jeitinho coube tudo e todos os passageiros conseguiram viajar confortavelmente em seus bancos de madeira. Além dos moradores e locais, havia 5 turistas: 3 paulistas de férias e um casal ela brasileira e ele italiano que acabara de vir para o Brasil de mala e cuia depois de uma temporada em Londres.

viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Eu fiquei mesmo interessada foi em um menininho de 12 anos que estava desacompanhado dos pais. Ele tinha uma corrente no pescoço com um pingente que imitava uma arma. Estava tão sério, com uma cara amarrada e eu olhando para ele pensei: “nossa, não é possível que com esta idade já tenha tanta pose de mal. Arma no pescoço e cara de poucos amigos, mó pinta de futuro bandido.” A curiosidade foi me corroendo por dentro, até que puxei assunto para entender qual era a do menino, até por que eu queria muito estar errada.

No barco, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

No barco, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Ele continuou sério, de início, mas aos poucos foi se soltando e nós passamos as quatro horas do passeio conversando sobre tudo o que vocês podem imaginar! Devanilson é uma criança normal, feliz, que vive na comunidade de Bardaora, às margens do rio. Ele havia ido passar uma temporada com o tio em Barreirinhas e estava voltando para casa, onde suas principais atividades são estudar, brincar e sanar sua imensa curiosidade do mundo em vídeos sobre o mundo animal, medicina, história, que ele encontra na televisão. Tudo o que você perguntar ele sabe, dinossauros, pássaros, frutas, peixes, etc. É bom aluno e sua matéria preferida na escola é ciências sociais. Adivinhem o que quer ser quando crescer? Médico, de crianças. Ele quer estudar e voltar para Barreirinhas, onde ele poderá pegar o barco para cuidar das crianças das comunidades.

'Ambulancha' em Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

"Ambulancha" em Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Adora viver lá, é muito bom por que não tem carro, não tem poluição e é muito bonito. Lá pelas tantas achei que já poderia perguntar sobre aquela arma no seu pescoço e ele, sem enxergar maldade alguma naquilo respondeu, “era a única que tinha para comprar”. “Ahhh bom, por que eu fiquei com muito medo de você quando te vi sério e com isso no pescoço”, falei, “tire isso daí menino! Rsrs”

Com o Devanilson, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Com o Devanilson, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Nós falamos tanto que logo um outro menino que estava no barco quis se juntar a nós, louco para conversar e dividir conosco suas peripécias. Luciano tem 13 anos, já está indo para a oitava série e sua matéria preferida é a matemática. Ele também mora em Bardaora e conhece Devanilson. Ainda não sabe bem o que quer ser quando crescer, mas quer fazer faculdade. Provavelmente será engenharia, já que é bom com números. É uma simpatia, está sempre sorrindo, principalmente com o olhar. Adora conversar com turistas e disse que vários já o fotografaram durante a viagem, por que será?

O Luciiano, em viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

O Luciiano, em viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Enquanto eu estava entretida com os meus novos amiguinhos, Rodrigo curtia a paisagem lá da frente do barco e descia em cada parada para comprar cervejas geladinhas que nos alimentaram durante o passeio. Sobe gente, desce gente, até que chegou a hora dos meus companheiros irem embora, felizes para suas casas, não sem antes me darem um abraço gostoso e tirarem uma foto de recordação.

Despedindo-se do Luciano e Devanilson, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Despedindo-se do Luciano e Devanilson, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Chegamos à Atins e o Buna estava nos esperando para levar-nos até a pousada. O tempo estava fechando, mas mesmo assim não desistimos de desbravar um pouco a foz deste rio, preguiçoso por natureza. O rio forma várias baias, lagoas e penínsulas antes de chegar ao mar, o que torna a nossa caminhada mais emocionante, já que é uma geografia diferente e um pouco complexa para dois iniciantes em geografia maranhense. Tínhamos uma primeira expectativa de chegar ao mar e o Buna já nos advertiu, vocês teriam que andar uns 8 km. Já eram 5 da tarde, então saímos em direção ao mar, parecia que conseguiríamos, mas quanto mais andávamos mais longe ele ficava. Paramos ali mesmo, em uma das baias, tomamos banho nas águas de Oxum e Yemanjá e ainda tivemos uma visitinha de Oxumaré, com uma chuva daquelas que resistiu a parar. Que venha a chuva! Queremos todas as lagoas bem cheias, garantia de belas paisagens nos mosaicos e dunas dos Lençóis Maranhenses.

Brasil, Maranhão, Barreirinhas, bardaora, Lençóis Maranhenses, parque nacional, Vassouras

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O Alimento da Alma

Brasil, Paraná, Curitiba

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná


Curitiba, meu lar. Cidade em que nasci e onde passei 28 anos da minha vida, onde vive a maior parte da minha família, amigos e conhecidos. Cidade que conheço de cor, seus sotaques e suas tribos, piadas, personagens, músicos e atores. Bariguis e Tanguás, a Visconde, Brigadeiro ou Coronel, suas vilas Rex, Lindóia e Guaíra, restaurantes e cada mesa dos botecos mais tradicionais.

Araucárias, a cara de Curitiba, no Paraná

Araucárias, a cara de Curitiba, no Paraná


Curitiba está mudando, um processo que vem acontecendo há muitos anos, muita gente nova que veio chegando e emprestando o seu empreendedorismo, seu jeito mais aberto e alegre para nós, curitibanos, ditos tão fechados. Enquanto isso os curitibanos saíram, viram o mundo, se abriram e voltaram, trazendo consigo a paixão por sua cidade, por sua cultura e o melhor sotaque paranaense que poderíamos encontrar. A nossa terra de imigrantes e tropeiros continua recebendo imigrantes de todos os lugares e de braços abertos vai se renovando para abriga-los, abrigar-nos e nos fazer feliz.

Brincando com a sobrinha em Curitiba, no Paraná

Brincando com a sobrinha em Curitiba, no Paraná


É claro que a cidade tem muitos problemas, afinal, quem não tem? As reclamações vem de todos os lados, falta cultura, falta estrutura, falta, falta, falta. Depois de andar por mais de 700 cidades da América digo a vocês, reclamar é da natureza do ser humano, somos insatisfeitos natos, mas reclamamos de barriga cheia! Curitiba está fervilhante, com muita cultura, muita estrutura e muita moral. Basta se informar e visitar a cidade com o mesmo olhar curioso de uma criança e você verá.

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná


O meu primeiro dia da cidade já foi de redescobertas, a Rua 24 horas voltou, com o mesmo ar de quando foi inaugurada, limpa, organizada, quentinha e 24 horas! As muitas mudanças nas mãos das ruas me deixaram meio tonta, mas os endereços eram os mesmos e não tem nada melhor do que saber exatamente aonde você está indo... Digo, saber mesmo! Fui à minha médica ginecologista, fiz uma revisão na minha dentista e pedimos a nossa pizza favorita.

Balada com a mãe e amigas em Curitiba, no Paraná

Balada com a mãe e amigas em Curitiba, no Paraná


A temida cirurgia do Ro foi postergada, no lugar, uma paliativa para tirar a infecção do siso e dar mais um tempo para terminarmos o que começamos. Cirurgia chata, mas a recuperação dele foi ótima, mais rápida do que imaginávamos. Fiz suquinhos, vitaminas e sopinhas, arrumei a cama todos os dias, lavei roupa, lavei louça, guardamos o carro na garagem e fomos naquele quilinho gostoso, baratinho, de comida bem caseira. Afinal enquanto o Ro se recuperava e cuidava da nossa vida virtual, alguém tinha que cuidar da vida real!

Trabalhando e fazendo gelo no rosto, na recuperação da cirurgia no maxilar, em Curitiba, no Paraná

Trabalhando e fazendo gelo no rosto, na recuperação da cirurgia no maxilar, em Curitiba, no Paraná


Compromisso maior para mim, porém, era cuidar de outra coisa, aquela coisa que alimenta não apenas o corpo, mas o espírito, alimenta a alma.

Alimentei a alma com a família, curtindo cada momento junto com minha Vó Odila de 83 anos! Ela sempre me pergunta as mesmas perguntas e eu, com gosto, respondi a todas elas, todas as vezes, enquanto tentava lhe introduzir ao mundo digital em meu ipad. Suas mãos já não são ágeis e hábeis para folhear um livro, mas quem sabe um toque no e-book não lhe será melhor companhia?

Revendo a vó Odila, em Curitiba, no Paraná

Revendo a vó Odila, em Curitiba, no Paraná


Minha mãe trabalhando e correndo como sempre e ainda arranjando tempo para cuidar de mim e do genro operado, fazer sopinha e organizar a minha festinha de aniversário. Sim! 32 anos! Acabo de cumprir no último 20 de setembro, sempre comemoro com a Revolução Farroupilha, aquela data que ninguém entende direito por que os gaúchos comemoram... interessa que a festa é bonita e as prendas bem rodadas.

Hora de cortar o bolo, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Hora de cortar o bolo, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Com os tios, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Com os tios, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Com a madrinha tia Ilze, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Com a madrinha tia Ilze, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Há 3 anos eu comemorava meu aniversário longe deles e dessa vez pude correr para os braços da minha irmã, mãe e pai, abraça-los sem medo e lhes dizer olhando no olho: eu te amo.

Reencontro com a mãe em Curitiba, no Paraná

Reencontro com a mãe em Curitiba, no Paraná


Revendo o pai, em Curitiba, no Paraná

Revendo o pai, em Curitiba, no Paraná


Meu pai também sempre muito atarefado, entre o hospital e o consultório encontrou tempo para me paparicar, ir ao mercado e ajudar a organizar o churrasco para os amigos. Ainda alimentando a alma de família, minha irmã tirou férias para poder se dedicar e ter mais tempo para mim! Não é demais?!

Reencontro com a irmã em Curitiba, no Paraná

Reencontro com a irmã em Curitiba, no Paraná


Espírito evoluído mesmo, eu não consigo imaginar tirar férias sem viajar... mas ela não precisa disso, ela quer mesmo é ter 6 filhos, ser mãe e esposa, curtir a família e ser feliz! Enquanto isso ela trabalha loucamente, faz uma pós graduação, cuida do marido, da casa e do seu maior tesouro: Luiza!

A Dani e a Luiza, em Curitiba, no Paraná

A Dani e a Luiza, em Curitiba, no Paraná


Luiza é a minha sobrinha, motivo da nossa primeira passagem por Curitiba, já no meio dos 1000dias em Julho de 2010, quando ela deu seu primeiro grito de liberdade na maternidade da cidade. Depois disso voltamos mais uma vez vindos do norte e indo para o Paraguai, rumo à Panamericana e ao Alasca! Ela completava 1 ano de vida e desde então só conheceu sua Tia Ana e seu Tio Ro pelo computador.

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná


Era chegada a hora da Luiza descobrir que essa tia que vive dentro do computador é de carne e osso e que também pode pegá-la no colo, voar de aviãozinho, jogar bola, brincar de esconde-esconde e pega-pega.

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná


Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná


Esperta, carinhosa, inteligente e totalmente desenvolta, Luiza com apenas 3 anos já fala de tudo, arranha inglês que aprendeu cantando as músicas da Adele e sabe se divertir até em russo assistindo a um desenho que ela encontrou no youtube (!?!). Luiza certamente é uma Cristal (se é que esse negócio existe mesmo). Sou suspeita para falar, tia coruja confesso, vai ser difícil encontrar uma criança para superá-la. Primeira sobrinha, primeira neta dos dois lados da família, do pai e da mãe, vai ser difícil não estragar essa menina! Rsrs!

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná


Luiza, sempre muito fotogênica, em Curitiba, no Paraná

Luiza, sempre muito fotogênica, em Curitiba, no Paraná


Quando o assunto é alimentar a alma com os amigos, não posso reclamar. Foram muitos encontros para conseguir ver os mais próximos, mais antigos, mais mais. A turma do colégio em um churrasco na piscina, a turma da faculdade que nem estudou comigo, mas me adotou quando o santo bateu e até hoje somos cúmplices das loucuras destes tempos. Noite de fogueira na casa-sítio da Cris e do Ale, com a companhia do Monstro Animal André, nosso amigo sempre jovem e antenado.

Reencontrando amigos em Curitiba, no Paraná

Reencontrando amigos em Curitiba, no Paraná


Com a amiga Cris em Curitiba, no Paraná

Com a amiga Cris em Curitiba, no Paraná


Com o grande amigo André, na casa da Cris, em Curitiba, no Paraná

Com o grande amigo André, na casa da Cris, em Curitiba, no Paraná


Uma sempre aconchegante fogueira, na casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Uma sempre aconchegante fogueira, na casa de amigos em Curitiba, no Paraná


Um almoço com Luiz, meu amigo e companheiro de viagem da Bolívia e Perú, um jantar com os ex-colegas de trabalho do Rodrigo, mas sempre amigos! Uma tarde ensolarada no Barigui com o Gustavo, que acabava de voltar de um tour com o 1000dias por Cusco, Machu Picchu e Choquequirao, esse nem tinha saudades ainda! Rs! Um jantar com minha irmã de vida, Val e seu amor Fernando e um almoço que de tão gostoso virou jantar com nossos compadres casadoiros Rafa e Lau, que acabaram de retornar da África e Oceania com histórias e experiências incríveis.

Reencontro com amigos numa pizzada na casa do Pasini e da Fe, em Curitiba, no Paraná

Reencontro com amigos numa pizzada na casa do Pasini e da Fe, em Curitiba, no Paraná


Com a Laura e o Rafa e a Val e o Fernando, na festa de aniversário, em Curitiba.

Com a Laura e o Rafa e a Val e o Fernando, na festa de aniversário, em Curitiba.


Gato descansa tranquilamente nas costas do Rafa na nossa visita a casa deles em Curitiba, no Paraná

Gato descansa tranquilamente nas costas do Rafa na nossa visita a casa deles em Curitiba, no Paraná


Recebendo turma de amigos em Curitiba, no Paraná

Recebendo turma de amigos em Curitiba, no Paraná


Em meio à tudo isso ainda achei uma horinha para alimentar a alma de arte e assistir ao show do Rubi, um intérprete visceral, de corpo, alma e pezinhos dançantes no palco do Teatro da Caixa. André, o Monstro Animal, foi quem deu a letra e minha mãe nos acompanhou. O cara tem uma voz retumbante, uma onipresença de palco absurda, interpretando uma seleção ímpar da música popular brasileira, como um novo Ney Mato Grosso com pitadas de Maria Betânia. O principal ingrediente neste sucesso é a paixão com que canta e interpreta, fazendo a plateia sentir cada verso, cada acorde e cada som. Rubi, fiquei apaixonada.

Um verdadeiro show de música e performance de Rubi (Foto de Divulgação - Internet)

Um verdadeiro show de música e performance de Rubi (Foto de Divulgação - Internet)


Em algum momento passamos da plateia para o palco, o palco de uma rádio, tudo bem, somos mesmo um pouco tímidos. Fomos ao Canal da Música participar do programa Nossa História, da Rádio Educativa-Paraná AM 630 a convite da querida Zélia Sell. Logo após a história e saga da família Hauer, eu e Rodrigo contamos um pouco da história dos nossos 1000dias por toda América.

Dando entrevista à rádio de Curitiba, no Paraná

Dando entrevista à rádio de Curitiba, no Paraná


Com a Zelia Sell, depois da entrevista para a rádio, em Curitiba, no Paraná

Com a Zelia Sell, depois da entrevista para a rádio, em Curitiba, no Paraná


Ainda no último minuto do segundo tempo tivemos a grande surpresa da visita do amigo jornalista e escritor Joca Oeiras! Joca é paulista, mas oeirense de coração, marcou nossa passagem pela antiga capital do Piauí! Obrigada pela surpresa Joca, espero o novo livro que está organizando para me deliciar!

Reencontro com o Joca Oeiras em Curitiba, no Paraná

Reencontro com o Joca Oeiras em Curitiba, no Paraná


É, não tem coisa melhor do que poder alimentar a alma com a família, com amigos e com arte. Alimentar a alma com a nossa terra natal, o nosso lar.

Brasil, Paraná, Curitiba, Amigos, Família, Lar

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See you, Bahamas

Bahamas, New Providence - Nassau, Long Island - Stella Maris

Straw Market - Nassau - Bahamas

Straw Market - Nassau - Bahamas


Long Island é uma das Family Islands aqui nas Bahamas, o que significa que é uma das 698 ilhas que, somadas a New Providence e Grand Bahamas, compõe a Commonwealth das Bahamas. Estávamos curiosos para entender por que elas eram chamadas assim e é até engraçado, quando John nos explicou isso lá em Harbour Island ele colocou bem: eles colocam Nassau como centro do universo bahamense e as “Other Islands” como eram chamadas antes, meras coadjuvantes. Há apenas alguns anos alguém finalmente percebeu como soava pejorativo e como os habitantes das outras ilhas se sentiam excluídos. A partir daí passaram a chamá-las de Family Islands, já que nelas vivem as famílias de grande parte dos moradores de Nassau. Hoje 220 mil pessoas vivem em New Providence, 40 mil em Grand Bahamas e 40 mil espalhadas em torno de 30 Family Islands, deixando as outras 668 totalmente desabitadas.

Long Island é uma ilha relativamente grande, mas sua população de 3 mil pessoas está espalhada por todo o seu território e com dois principais centros: Deadsman Cay e Stella Maris. O primeiro é um lugar de extremos, lá mora a maioria da população local e também é aonde alguns milionários americanos aposentados escolheram morar em suas grandes mansões, iates e Ilhas particulares. Por este mesmo motivo não é fácil encontrar hotéis ou pousadas em Deadsman Cay e acabamos caindo dentro do Stella Maris Resort, um lugar que reúne um hotel, aeroporto, marina, dive center, academia, piscinas, casas particulares, etc.

Nosso vôo hoje saía as 7h30 da manhã, mas estávamos decididos a mudá-lo para assistirmos a Carol competir lá no sul da Ilha. Fomos cedo ao aeroporto, mas lá vimos que infelizmente não seria possível, principalmente por que quase não teríamos tempo hábil de viajar até o sul, assistir o campeonato e correr de volta para o aeroporto. Ficamos com a Carol em espírito, torcendo muito! Logo nos encontraremos no Brasil, quando voltarmos buscar a Fiona.

Chegamos à Nassau e já nos sentimos locais. Conhecemos bem os caminhos, o que fazer o exatamente onde ir. Damos um “hello” para a arara no hotel e lá saímos para visitar os amigos Freddy e Karen, na Liquor Store da praia aqui ao lado. É um ritual de despedida necessário, hoje nos despedimos das Bahamas sabendo muito mais sobre a sua cultura, as suas ruas e as pessoas que aqui vivem. Como somos pequenos... um mundo tão novo, tão rico, nessas ilhas tão pequenas. Saímos daqui com aquela sensação de que poderíamos ter ficado muito mais, conhecido muito mais, quem sabe voltamos? Por isso não diremos adeus, apenas um tchau, see you Bahamas!

Ana com o Fred, dono do boteco que frequentamos em Nassau

Ana com o Fred, dono do boteco que frequentamos em Nassau

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