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Haines é uma pacata vila de pescadores no sudeste do Alasca, com um rico...
Milwaukee, a maior cidade do estado de Wisconsin é a terra da Harley Dav...
Há 5 anos estivemos visitando nossos primos Anita e Larry em Princeton. ...
Joca Oeiras (11/06)
Querida Ana: Hoje nós estaremos comemorando, aqui no Cine Teatro Oeiras...
Tatiana de Queiroz (11/06)
Olá, Ana. Estou impressionada com a beleza de Goiás. As fotos estão li...
clenilça alves da silva(cleo) (10/06)
oi Ana novamente eu aqui olha o globo reporte de hoje foi sobre o jalapÃ...
clenilça alves da silva(cleo) (10/06)
oi ana ,só de olhar essas cachoeiras são energizante ,boa noite ....
Lucia (10/06)
Oi Ana adorei falar com vcs. Muito bom ouvi-los. Tiraram foto lá em Rib...
Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
A Ilha de Páscoa é grande museu a céu aberto, a cada pedra que você tropeçar encontrará uma história escondida embaixo dela. Uma casa, uma vila, um altar, um moai, uma vida. Em uma ilha em que a superpopulação e o esgotamento de recursos naturais causaram o fim de uma civilização, toda e qualquer peça deste quebra-cabeças se torna importantíssimo para remontar as histórias e trazer a tona todos os mistérios que giram em torno dessa dela.
Entrando em área de parque nacional em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Explorar a ilha, portanto, é um deleite aos que tem olhos mais treinados, ou aos que decidem logo treiná-lo na chegada à ilha, como fizemos no day tour descrito neste post, acompanhados do nosso guia Patrício. Ele nos levou pelos principais lugares onde poderia nos ensinar sobre a hitória e arqueologia da ilha, mas também nos apontou lugares que não deveríamos deixar de conhecer e que não estavam incluídos naquele tour. Hoje, portanto, decidimos alugar um carro para rodar a ilha e estes lugares imperdíveis.
Com nosso carro alugado, dirigindo pelas estradas de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Começamos pela Ana Kai Tangata, no sul da ilha, uma caverna onde pode-se encontrar pinturas de manutaras, a ave sagrada dos antigos Rapa Nuis. Do antigo idioma local Ana significa “caverna”, Tangata significa “homem” e Kai significaria “comer”, porém não existe nenhuma evidência ou informação na tradição oral da ilha de que os Rapa Nuis eram canibais. Já no Rapa Nui moderno Kai significa ensinar, reunir, contar, sendo mais aceita a ideia de que a caverna era usada para aulas de como construir canoas. O lugar é lindo, bela vista para o mar e de fácil acesso.
Pinturas rupestres na caverna Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
A caverna de Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Nossa segunda parada foi no Orongo, uma cidade cerimonial construída no topo do vulcão Rano Kau. Além de um museu, o local tem vistas maravilhosas! Falo mais sobre ele, as religiões dos antigos Rapa Nuis e a Cerimonia do Homem Pássaro neste post.
A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Seguimos ao Vinapu, mais um das dezenas de altares da ilha, este porém possui uma característica muito especial, pedras polidas e encaixadas perfeitamente. Aparentemente aqui os Rapa Nuis utilizaram a mesma técnica desenvolvida pelos Incas, mais especificamente no templo do Deus do Trovão, conhecido como Saqsawaman, nos arredores de Cusco. Será que Rapa Nuis e Incas chegaram a se encontrar?
Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?
Além da batata doce e abóbora que são plantas originárias da América do Sul, encontradas na Polinésia sem que europeus tenham navegado entre as duas regiões, mais um indício de que eles poderiam ter se encontrado. Existe uma teoria de que o Rei Inca Tupac Yupanqui, em sua expedição ao Pacífico, teria desembarcado na Ilha de Páscoa e na ilha de Mangareva, na Polinésia Francesa. Estudos do historiador peruano José Antonio del Busto baseia sua teoria em relatos escritos no século XVI pelos espanhóis Pedro Sarmiento de Gamboa, Martin de Murua and Miguel Cabello de Balboa. Mais um mistério para a enigmática Ilha de Páscoa.
Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?
Um dos muitos Moais espalhados por Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
No caminho para o Puna Pau começou a garoar, as chuvas na Ilha de Páscoa geralmente são rápidas e passageiras. Aguardei um pouco no carro e logo fui atrás do Rodrigo na trilha que entra na pequena cratera despedaçada do Vulcão Puna Pau, no idioma local “fonte seca”, o que significa que ali nos arredores um dia houve água.
Puna Pau, onde eram fabricados dos Pukaos, ou cabelos dos Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Este é o único local na ilha onde é encontrada a scoria, um tipo de rocha vulcânica porosa de coloração avermelhada com a qual os Rapa Nuis faziam os Pukaos, cabelos enozados dos Moais. Muitos os confundem com chapéus, mas reparando bem, você o reconhecerá de algumas tribos polinésias de cabelo pixaim em que homens não podem cortar o cabelo e amarram no topo da cabeça com um nó. Um Moai só era embuido do seu poder espiritual quando, no seu ahu, recebia o seu pukao e os olhos de coral branco, pintados com tinta negra.
Um Pukao, ou o cabelo de um Moai (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)
Continuamos nossas explorações, agora rumo ao Ahu Akivi, mais conhecido como “Os Sete Moais”. Os moais normalmente estão colocados de costas para o mar, olhando para a sua vila, como grandes guardiões. Este grupo de moais é o único que está localizado no centro da ilha, com todos olhando para o oceano. Diz a lenda que estes seriam os sete primeiros exploradores polinésios que chegaram à ilha e teriam sido homenageados pelo povo olhando na direção de onde vieram originalmente, como com saudades da sua terra natal. Outro ponto muito interessante é que estes Moais estão alinhados com o nascer do sol no equinócio de primavera e de outono, informação essencial para um povo que tinha a agricultura como base.
Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Adiante, na mesma estrada dos Sete Moais seguimos para as cavernas Ana Te Pahu, um longo túnel de lava que se estende por 7 km na base do maior vulcão da ilha, o Maunga Terevaka. Ela é tão ampla e tão longa que foi utilizada como moradia pelos antigos Rapa Nuis desta região. Encontramos dentro da caverna áreas de plantio de banana e de taro, um tipo de inhame, comum no Hawaii, além de áreas utilizadas como fogão polinésio. Nós andamos por trechos da caverna, mas se quiser fazer toda a travessia venha preparado para se molhar, sujar de lama e com uma boa lanterna.
Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
caminhando por Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Observando uma das saídas de Ana Te Panu, caverna que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Bom, para finalizar nosso longo dia de explorações fomos direto para a Praia de Anakena. A praia estava lotada, afinal é um dos locais preferidos dos rapa nuis para descansar, fazer um piquenique e aproveitar o domingo. Comemos uma boa empanada em uma das deliciosas lanchonetes sob os coqueiros e esperamos o sol sair mais forte para dar um mergulho de despedida, não da ilha, mas da praia que já não voltaríamos.
Correndo para saltar no mar na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Assistimos a uma pelada entre irmãs e irmãozinhos que se divertiam, enquanto imaginávamos desembarcando ali, na nossa frente, a primeira expedição polinésia na Ilha de Páscoa. Não poderíamos escolher melhor lugar que para um belo por do sol.
Criança se diverte com bola na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Retornando à Hanga Roa decidimos parar para um drink de final de tarde em um dos restaurantes mais convidativos da ilha, o Te Moai, na beira da baía com um finalzinho de luz iluminando as pedras à frente. Tomamos um pisco sour e só para continuar no clima polinésio decidimos provar um atum selado com crosta de gergelim e um ceviche com leite de tigre, numa fusão da culinária rapa nui e peruana, impecável.
Nosso apetitoso jantar em Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
A deliciosa entrada de nosso jantar em restaurante beira-mar em Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Fim de tarde na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Gostaram do nosso roteiro pela Ilha de Páscoa?
Existem algumas empresas que alugam carros na Ilha de Páscoa, você encontra pelo menos duas delas na avenida principal de Hanga Roa. Os preços são quase tabelados entre as famílias e locadoras locais em 30 mil pesos chilenos (equivalente a US$ 60,00 - valor de outubro/13). Pela facilidade e pela amizade, nós escolhemos alugar o carro direto com a dona da nossa pousada mesmo, facilitando tramites e deslocamentos.
Paisagem colorida na área rural em Rio Verde - GO
Rio Verde é a capital do agro-negócio do Estado de Goiás. Uma área de solo fértil, que possui vocação para o plantio de soja, milho, feijão e culturas complementares, deixando praticamente de lado a pecuária. Recentemente a região tem passado por uma grande valorização, não apenas no custo das terras e fazendas, como também na cidade, onde os terrenos já triplicaram de valor.
Passeio na fazenda em Rio Verde - GO
Nós ficamos hospedados na fazenda onde mora o Chico, primo do Rodrigo. Chico já mora aqui há 9 anos e é formado em agronomia. Casa de fazenda, varadão gostoso com vista para o campo, cachorros, galinhas e aquela vidinha bem difícil e estressante.
Com o Chico, na triste hora da despedida da fazenda e de Rio Verde - GO
Estamos agora na entre-safra da soja onde se produz o sorgo e o milheto, que ajudam a preparar o solo para o próximo plantio, trazendo os nutrientes que estão no solo mais profundo para a superfície e deixando a palha para ajudar a manter o solo mais úmido e protegido. Além de nutrir o solo, estas culturas são utilizadas para a produção de razão animal. Vimos também as lavouras de milho, quase prontas para a colheita, o feijão e o algodão, deixando a paisagem em degrades de palha e verde.
A bela zona rural em Rio Verde - GO
Depois do almoço, demos uma volta pela cidade de Rio Verde, conhecemos a praça central onde fica a Igreja Matriz, com uma arquitetura modernosa, meio esquisita. Vimos o campus das universidade onde o Chico estudou e uma nova área da cidade que está em pelo crescimento e desenvolvimento. Em pouco tempo Rio Verde estará como hoje é Ribeirão Preto em São Paulo, um pólo riquíssimo com toda a infra-estrutura para atender às demandas das famílias dos fazendeiros que vivem e investem na região.
Milharal em Rio Verde - GO
Hoje resolvemos também estrear a nova churrasqueira do Chicão. Eu preparei as saladas, assamos a carne, cerveja gelada e logo os amigos estavam chegando para completar a noite de lua crescente e de estiagem, que se punha sob o milharal.
Churrasco com amigos em Rio Verde - GO
Magnífico final de tarde em Brimstone Hill, na ilha de St. Kitts - Caribe
St. Kitts já recebe navios de cruzeiros, mas está longe de ser uma ilha dominada pelo turismo, principalmente se comparada com suas vizinhas St Barth e St Martin. A ponta sul da ilha está em pleno desenvolvimento, conforme comentado no post passado, hotéis, marinas, campos de golfe e uma grande estrutura turística estão se formando para os próximos anos. A região norte da ilha já possui outras características, menos praias, mais campos e montanhas. Região de terras muito férteis, esta área foi a primeira a ser ocupada pelos colonizadores para as plantações de açúcar, sendo facilmente avistados antigos moinhos e ruínas daquelas eras.
Quarto feito nas ruínas de um antigo moinho, na Rawlins Plantation, na ilha de St. Kitts - Caribe
Depois de darmos um passeio pelo centro de Basseterre, alugamos um carro e decidimos contornar a Wellington Road, que contorna toda a ilha, passando por montanhas e costões de pedra, praias de areia preta e várias vilas. Uma parte deste trecho é coberta por uma via férrea com um passeio turístico muito bonito, mas meio salgado (algo em torno de U$ 90,00 p/ pessoa). Pagamos o mesmo no carro alugado e nos demos a liberdade de ir e vir sem guias e horários.
O nosso pequeno Daihatsu atravessando área rural da ilha de St. Kitts - Caribe
A primeira parada foi nas Black Rocks, costão com rochas vulcânicas das mais recentes encontradas na ilha. Acredita-se que estão ali desde a última erupção do Liamuiga, vulcão adormecido, comprovadamente há 1800 anos, embora existam relatos não comprovados de que teriam havido erupções nos séculos XVII e XIX.
As Black Rocks, testemunhos de antigas erupções vulcânicas na ilha de St. Kitts - Caribe
Seguimos pela estrada e as plantações de cana passam a dominar a paisagem. Apenas 15 minutos de carro encontramos a Rawlins Plantation, antiga fazenda colonial transformada em hotel. Já era hora do almoço, decidimos provar a requintada cozinha caribenha. A varanda do casarão tem uma bela vista para a ilha de St. Eustatius, as plantações e um jardim com piscina.
Restaurante na Rawlins Plantation, na ilha de St. Kitts - Caribe
O buffet, servido em panelas de barro, incluía pratos como frango ao curry, bolinhos de carne com molho de gengibre, bolinho de peixe, bacalhau em um molho de tomate maravilhoso, lentilhas, saladas e batata doce caramelizada com amêndoas. Nos sentimos os próprios barões ingleses tamanha a fartura e o bom gosto. Os chalés foram construídos nas ruínas dos antigos moinhos de pedra, dando um toque ainda mais charmoso ao hotel.
Entrada da Rawlins Plantation, na ilha de St. Kitts - Caribe
A próxima atração e mais importante delas, é o Brimstone Hill Fortress National Park. Único Patrimônio Histórico e Cultural da Unesco nas Leeward Islands, o forte é o maior e mais completo complexo militar construído nestas ilhas no século XVIII. Sua localização é estratégica, construído no alto do Monte Brimstone, de costas para o Mt. Liamuiga, ponto mais alto da ilha e com uma vista privilegiada para o mar do caribe, podendo ser avistadas dali o vilarejo de Sandy Point e as ilhas de St. Eustatius e mais ao longe Saba.
Subindo a fortaleza Brimstone Hill, na ilha de St. Kitts - Caribe
Lá chegaram a viver mais de 2000 soldados, além das famílias dos oficiais e escravos africanos que foram trazidos inicialmente para a construção da fortaleza. Além das vistas fantásticas, o complexo abriga um museu com as histórias das batalhas e diversas reformas e aprimoramentos realizados na fortaleza. O parque nacional foi inaugurado em 1985 pela Rainha Elizabeth em sua visita à St. Kitts.
Magnífico final de tarde em Brimstone Hill, na ilha de St. Kitts - Caribe
Nosso tour termina em um ponto não muito interessante por sua beleza ou ponto turístico, mas sim pela sua história. St. Kitts foi a primeira colônia “não hispânica” no mar do Caribe. Os ingleses chegaram aqui em 1623 e a escolheram devido à sua localização estratégica em meio às demais ilhas. Durante anos os ingleses e os índios Caribs conviveram pacificamente nesta ilha de terras férteis e prósperas. Anos mais tarde uma incursão francesa chegou à ilha e amigavelmente ocupou outra parte do território, que foi dividido entre os europeus. Quem não gostou muito da ideia foram os indígenas, que com o passar do tempo perceberam que estes branquelos estavam chegando para dominar o pedaço.
Canhões da gigantesca fortaleza de Brimstone Hill, na ilha de St. Kitts - Caribe
Aos poucos os nativos começaram a reunir índios de outras ilhas, planejando ir à luta pelo seu território. Um dia antes do ataque, em um ritual que reunia mais de 2 mil Caribs, os franceses e ingleses atacaram juntos e liquidaram com todos eles. Foi um massacre sanguinário às margens de um rio que, reza a lenda, correu vermelho durante três dias. Os europeus descobriram que seriam atacados através de uma índia arawak (tribo inimiga dos caribs), amante de um dos líderes da comunidade inglesa. O local onde ocorreu esta batalha, não à toa, chama-se Bloddy Point. Não há nada lá além de uma placa que conta o resumo desta história e também que em 2002 foi feita uma cerimônia de expiação às almas dos índios, que deveriam estar todos ali enraivados até então.
Macacos, muito comuns em St. Kitts - Caribe
Terminamos nosso passeio pela história de St. Kitts fechando o contorno da Wellington Road com a Old Road Bay e voltamos à Basseterre. Amanhã vamos conhecer outra faceta desta pequena ilha, vamos fazer o trekking até a cratera do vulcão, Mt Liamuiga.
Delicioso Rum Punch na Rawlins Plantation, na ilha de St. Kitts - Caribe
Igreja em em Cambará do Sul - RS
Cambará do Sul é a cidade de acesso para os cânions gaúchos. Mais baixa que São José dos Ausentes e ainda assim muito fria! Com a entrada desta nova frente fria, esta noite os termômetros da cidade marcaram a temperatura de -5,5°C! Nós estávamos bem quentinhos embaixo das cobertas, mas a Fiona... coitada. Ficou passando frio na garagem a noite toda, seu diesel empedrou e logo cedo quando saímos para as atividades do dia ela não tinha forças para se mexer! Andamos uma quadra com o motor penando para acelerar e chegamos à uma mecânica.
Gelo no alto do mirante do canyon da Fortaleza, em Cambará do Sul - RS
Eles logo diagnosticaram, combustível empedrado, o diesel congelou! Deixamos o carro funcionando por quase 20 minutos, mas não foi suficiente. A luz do filtro de combustível já havia acendido e já estávamos nos programando para passar em Caxias na concessionária. Mas assim, não conseguimos nem chegar até lá! Bom, passamos no posto de gasolina, com esperança que adicionando o combustível com anti-congelante a coisa funcionasse. Já eram 10h30 da manhã e o termômetro ainda marcava -1°C. O frentista foi taxativo, vocês têm que colocar querosene. Coisa estranha, querosene? Será que não estraga o motor? Dizem que não, que só limpa e ajuda a descongelar o combustível que está no tanque. Não tínhamos outra opção.
Gelo deixado pela forte geada em Cambará do Sul - RS
No caminho para os cânions a Fiona foi recuperando as suas forças e nos campos ao lado a geada e o gelo deixavam ainda mais claro o frio que havia feito durante a noite. Depois dos passeios pelo parque nacional, pegamos estrada em direção à Caxias do Sul e amanhã cedo levaremos a Fiona na concessionária.
Pôr-do-sol e céu com cara de muito frio na região de Cambará do Sul - RS
Caxias é a segunda maior cidade do estado, cidade grande, acabamos nos hospedando no Ibis, em frente ao Iguatemi. Queríamos conhecer o Gran Piaccere, restaurante de alguns amigos que fizemos lá em São José dos Ausentes, uma família que estava na pousada Potreirinhos. Paula e Felipe nos receberam com festa, pois a Dona Cerli da Pousada Refúgio da Gralhas lá em Cambará já havia avisado que chegaríamos. É, cidade grande, mas no final todo mundo se conhece! Rsrs! Pegamos boas dicas para a nossa próxima parada: seguimos o frio pelas serras do Vale dos Vinhedos e Nova Petrópolis!
Degustação de cervejas em bar de Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Há 5 anos estivemos visitando nossos primos Anita e Larry em Princeton. Naquele setembro de 2007 a Luiza já estava interagindo bastante super fofa com seu sotaque americano. Tomaz estava aprendendo a falar, mas ainda nos olhava muito desconfiado, “quem são esses estranhos na minha casa?” e a pequena Nina havia acabado de chegar na família Chevres.
A Nina, caçula da Anita e do Larry, devora seu frango em Princeton Junction, em New Jersey - EUA
Depois disso nos encontramos novamente algumas vezes nas férias de julho na fazenda, acompanhei as peripécias da família pelas lindas fotos da mamãe fotógrafa (salve o facebook!), mas estava super curiosa para encontrá-los novamente.
Fotografando a "comida brasileira", em Princeton Junction, em New Jersey - EUA
Anita e Larry nos levam para night em Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Depois de tantos planos e mais de 80 mil quilômetros finalmente chegamos à Princeton Junction, que além de ser nossa base para explorações na região, vôos de um dos hubs mais baratos da América do Norte, é um jeito de matarmos um pouco as saudades da família.
Chegando à casa da Anita e do Larry em Princeton Junction, em New Jersey - EUA
Almoço em família na casa da Anita, com o Tomas, Luiza e Nina em Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Princeton Junction fica há uns 15 minutos da cidade de Princeton, sede de uma das mais importantes Universidades dos Estados Unidos. Por aqui passaram 35 ganhadores do Prêmio Nobel, 3 presidentes americanos dentre eles o querido John F. Kennedy e mais um punhado de estudantes e novos empreendedores de todo o mundo.
Deliciosa cerveja em Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Tiramos o dia para organizar as malas para a nossa viagem ao Caribe, dentre as tarefas do dia fui resolver um assunto feminino que quase nunca falo aqui no blog, depilação. Depois que mulher acostuma é difícil migrar para a gilete... estou às voltas com isso tentando me adaptar dependendo do lugar por onde passamos. Assim, chegando aqui, peguei a dica com a prima “local” de um lugar para resolver esse problema e fui à depiladora. Não foi a mais cara dos EUA, mas sem dúvida foi a mais cara da minha vida! Primeira e última vez! Vou ter que continuar a busca por um novo método efetivo, prático e mais barato. Se tiverem dicas eu estou aceitando! Rsrs!
Chegando à New Jersey, nos Estados Unidos
No início da tarde tivemos um almoço delicioso preparado pela Anita, comida brasileira com tempero caseiro, acompanhado de boas histórias da família. Uma tarde de babysitter enquanto Anita fazia compras e a noite foi em uma cervejaria no centro de Princeton. Fizemos a rodada de degustações das cervejas artesanais com sete diferentes sabores de café ao bacon e provei a criatividade na cozinha americana vegetariana em um hambúrguer de cogumelo.
Comidinha brasileira! (em Princeton Junction, em New Jersey - EUA)
No dia seguinte continuamos nas arrumações, brincando com as crianças e a Peper, nova integrante canina da família, enquanto o Rodrigo foi intimado para uma corrida com o Larry. Esta noite começa a nossa quarta etapa de viagem pelas ilhas do Caribe, em um trem para o JFK Airport em Nova Iorque. Embarcamos as 7h30 da manhã para 35 dias em terras caribenhas em plena temporada de furacões, nos desejem sorte! Uma boa viagem para todos nós!
Esperando o trem para Nova iorque na estação de trem de Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Saindo da Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO
Aurora do Tocantins é uma cidadezinha que possui em torno de 3.500 habitantes. Seu principal atrativo turístico é o Rio Azuis, conhecido como “menor rio do mundo”, mas hoje comprovadamente, o menor rio do Brasil, com 143m, por onde passamos ontem. Aurora recebeu este nome porque a região é circundada por cordilheiras, causando o aparecimento do sol mais tarde.
Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO
Lá mesmo o pessoal da região comentou conosco que o município possuía muitas cavernas, a maioria delas ainda em processo de mapeamento e topografia, quase desconhecidas pelos eco-turistas. É claro que não poderíamos perder.
Explorando a Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO
Fomos conversar com o responsável pelas prospecções de cavernas, o Anselmo. Sergipano, já viajou o mundo, morou em Brasília e veio para aqui em Aurora justamente pela paixão que tem pelas cavernas. Espeleólogo e artista plástico ele faz uma pesquisa de cores das cavernas e aplica os novos conhecimentos em seus quadros onde representa as cores das cavernas e os seus guardiões.
Formação na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO
Tudo isso, porém é apenas o seu hobbie, pois no momento ele também atua como Secretário do Meio Ambiente da cidade, desenvolvendo o turismo e trabalhando para a conscientização da preservação deste patrimônio natural até então desconhecido pelos moradores da região. Quando Anselmo chegou ali viu pela geografia que poderia encontrar algo novo, assuntou e aos poucos os moradores e fazendeiros começaram a apontar a ele os buracos que conheciam.
Explorando a Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO
“A região é cheia de buracos, mas ninguém tinha coragem de entrar neles.”, então Anselmo entrou. Hoje ele nos apresentou dois dos seus xodós, a Gruta do Sabiá e a Gruta das Rãs. Cavernas secas, abafadas e de formação muito lenta. O calcário precisa da ajuda da água para trabalhar as formações como estalagmites e estalactites, portanto apenas no período chuvoso, que vai de outubro a março, é que se pode ver o gotejamento dentro da caverna.
Entrada da Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO
A Gruta do Sabiá tem um acesso super fácil e dentro de um terreno particular onde Anselmo está montando um centro de pesquisas. São diversos salões, mas a maioria deles com acessos estreitos e quebra-corpos mais complicados. Para entrar no salão da Cidade Branca, por exemplo, é preciso um bocado de flexibilidade e nem pense em entrar lá se você tem qualquer tipo de claustrofobia, pois os espaços diminutos e abafados podem pregar peças.
Passando por quebra-corpo na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO
A Gruta das Rãs já é maior, possui um lago na sua parte mais profunda, que ainda não foi totalmente prospectado para saberem se possui alguma outra conexão, se é apenas um afloramento ou se um rio temporário a mantém. O nome não é a toa, encontramos diversos tipos de rãs dentro da caverna, das transparentes, que aparecem mais no mês de setembro, até as amigas verdinhas e listradas. Formações belíssimas de calcário adornam a caverna dos pés a cabeça.
Uma rã na gruta batizada em sua homenagem, em Aurora do Tocantins - TO
Os morcegos hematófagos também dão o ar da graça, olhem que fofinhos.
Morcego hematófago na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO
O único contra-tempo que temos ali são os nossos velhos amigos, já quase esquecidos, carrapatos. Como “os buracos” ficam em propriedades particulares, a maioria fazendas de gado, os pequenos aracnídeos aparecem para nos incomodar.
Trilha em fazenda onde está a Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO
Quem diria que aqui, no sul do Tocantins, encontraríamos um lugar como este? Esse Brasil está sempre nos surpreendendo. Teríamos mais dezenas de grutas e cavernas para explorar, mas infelizmente nosso tempo está correndo e precisamos ir. Fechamos o passeio com um mergulho no Balneário da Serra Dourada, uma praia de rio de águas verdinhas e refrescantes!
O refrescante Rio Palmas, no Balneário Douradas, em Aurora do Tocantins - TO
Rumamos ao sul, agora para São Domingos. Vamos ao encontro da mãe de todas as cavernas, aonde os rios se perdem na terra ronca!
Belíssima Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO
Caminhada no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
São Pedro do Atacama está a 2.438 msnm em uma depressão Antiplanica, entre a Cordilheira Domeyko e a pré-cordilheira Andina. As montanhas nevadas marcam o seu horizonte, sendo o Licancabur o principal personagem dos postais e fotos da cidade.
Rua em San Pedro de Atacama - Chile
Licancabur é um vulcão com 5.590m de altura e no formato cônico mais tradicional que estamos acostumados a ver em desenhos animados. Lindo e imponente ele marca a paisagem e é personagem de uma história muito curiosa. Reza a lenda que Licancabur e seu vizinho Juriques (5.704m) se apaixonaram pela distante montanha de Quimal (4.278m), localizada na Cordilheira de Domyenko. Na disputa, Licancabur enfurecido teria decepado a cabeça de Juriques, reinando pleno como o vulcão bonitão na cordilheira andina.
Vulcão Licancabur visto do Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Ao fundo, em direção à Toconao, vemos o Láscar, vulcão ativo com 5.550m de altura, sua última grande erupção foi em 1994 e desde então outras menores ocorrem com intervalos de 2 ou 3 anos. Com sorte podemos ver as fumarolas saindo de sua cratera.
Antigos vulcões vistos do deserto do Atacama - Chile
Com uma cadeia de montanhas como esta, impossível São Pedro não ter se tornado também um oásis para os montanhistas. Há quase um ano atrás meu cunhado, Guto, esteve aqui e escalou 3 vulcões: Cerro Toco, Láscar e Licancabur, as duas últimas geralmente são caminhadas de dois dias. Ao norte estão as montanhas mais procuradas para trekking e escaladas, dentre elas o Sairecabur de 6.050m.
Caminhada acima dos 5 mil metros no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Seria o meu primeiro trekking acima dos 5.000m, isso por que não conto os 300m de caminhada ofegante para vencer 50m de altura entre a casinha de esqui até o topo do Chacaltaia na Bolívia. Infelizmente não tínhamos muito tempo, portanto decidimos fazer um trekking de um dia, procurando a montanha de mais fácil acesso, o Cerro Toco. By the way, de toco ele não tem nada, são 5.604m de altura.
Muita neve no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
A caminhada começa dos 5.300m, uma ascensão pequena de apenas 300m nos levaria até o topo. Encontramos Cristóbal, nosso guia e pegamos a mesma estrada que leva ao Paso de Jama. Só ali já subimos dos 2.500m aos 4.500m. Nós já estamos um tanto quanto aclimatados depois da passagem por Potosí e tantos outros passos entre a puna argentina e chilena. Ainda assim uma coisa é um cotidiano normal acima dos 4.000m, outra é sair andando e subindo montanhas.
Dirigindo entre o gelo e o abismo, no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Nosso planejamento era simples, a Fiona nos leva à base da montanha onde encontramos a trilha principal na face sul e em 2h30 ou 3h estamos no topo. O Rodrigo poderia fazer em 2h até, mas eu prefiro sempre contar com uma folga, já que sou a principiante nesse negócio. Infelizmente o plano já começou mal... a neve estava cobrindo as rotas de acesso à base e por mais que tentasse a Fiona não poderia passar. Começamos a buscar alternativas, entramos em 2 ou 3 diferentes rotas, até que, depois de atolar a Fiona no gelo, encontramos a antiga estrada da mina de enxofre e que pôde nos levar até os 4.800m pela face noroeste do Cerro Toco.
Chegando de volta à Fiona, após caminhada no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
A caminhada é fácil, caminhando em um ritmo tranquilo, respeitando a altitude e a falta de oxigênio, fomos subindo. O primeiro trecho um pouco mais íngreme, sem uma trilha formada buscamos o melhor caminho no solo vulcânico, entre rochas e a neve. O Cerro Toco possui 3 picos, o principal já havia ficado muito distante, do outro lado. Daqui ainda conseguíamos ver um deles, sem trilha e com uma inclinação muito acentuada.
Um dos três cumes do Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Eu ainda tinha esperanças, mas Cristóval e Rodrigo logo adaptaram suas expectativas e trataram de me colocar à par. Gastamos uma hora a mais procurando a estrada e estávamos com uma ascensão muito maior do que a planejada, dos 4.800 aos 5.600m, por isso agora a nossa escalada ao topo do Cerro Toco passou a ser um trekking acima dos 5.000m e vamos ver até aonde conseguimos chegar.
Caminhando com o Cristobal na magnífica região do Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Partimos dos 4.800m e em duas horas fomos até as minas de enxofre abandonadas, aos 5.300m. Andamos muito mais e ainda assim não chegamos ao cume. Não vou dizer que não foi frustrante, mas temos que jogar com o que temos. Valeu muito a experiência para ver como eu me sairia acima dos 5.000m.
Aos 5.300 metros, ao lado das antigas minas de Enxofre no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
No meu balanço final eu acho que me saí bem. Fisicamente me senti muito disposta e tranquila. A única coisa que me pega é o lado psicológico. Infelizmente confirmei que não posso ter o Rodrigo como meu dupla em situações como esta. Depois de centenas de caminhadas e montanhas a diferença de ritmo se mostra sempre um problema. Eu peço para que me acompanhe pacientemente, mas ele segue no seu ritmo me deixando para trás. Imagino que não deve ser fácil para ele ter que diminuir o ritmo... afinal, isso também cansa. Enfim, para mim uma equipe deve caminhar sempre unida. Aí é que vem o meu psicológico: se algo acontece comigo lá atrás, será que ele poderá me ajudar? Segundo ele sim... em dois minutos volta correndo e me ajuda... mas será que ele vai ver? Tudo passa pela minha cabeça... que eu deveria estar lá com ele, que estou lenta demais, etc, é uma certa sensação de impotência. Enfim, eu preciso trabalhar isso e nós precisamos acertar os tempos e a comunicação. Acho que, se pelo menos ele me avisar que vai acelerar, eu ficarei mais tranquila, sabendo o que vem pela frente.
Muita neve no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
O Rodrigo, depois do meu breve chilique, ainda se colocou positivo sobre a minha performance, dizendo que agora acha que eu tenho 65% de chances de conseguir subir o Aconcágua, imagina. Esclarecendo: eu tenho vontade de subir o Aconcágua, assim como tenho vontade de ir à lua. Ter vontade não significa ter isso como um objetivo, gosto de trekkings pelo prazer da caminhada, da natureza, não para ficar sofrendo com o frio de - 10 ou 15°C durante 15 dias pelo prazer de chegar ao cume.
Caminhando com o Cristobal na magnífica região do Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Enfim, o Cerro Toco foi apenas a primeira das montanhas acima dos 5.000m e ainda ficou entalada na garganta, por não termos chegado ao topo. A neve, o frio congelante e o vento cortante deram outra dinâmica à caminhada. A linda paisagem do Atacama, vermelho e seco, contrastando com os Andes gelados, Licancabur, Jurique e a Lagoa Verde (já no lado boliviano), fazem tudo valer muito à pena.
Playa Frontón, o melhor segredo da península de Samaná, litoral norte da República Dominicana
Para quem nunca ouviu falar da República Dominicana, este é um país localizado na ilha de Hispaniola no Caribe, mais conhecida como o lugar onde fica a praia e os Resorts All Inclusive de Punta Cana. Sim, Punta Cana não está em uma ilha perdida no meio do Caribe, ela faz parte de um dos maiores países caribenhos com uma história e cultura riquíssimas, montanhas, cavernas secas e inundadas e inclusive praias ainda mais bonitas do que aquela dos resorts.
Vista do alto do Pico Duarte, na República Dominicana
A ilha de Hispaniola é uma das duas ilhas do Caribe dividida por dois diferentes países: a República Dominicana e o Haiti. Nós programamos 20 dias na ilha e dividimos nosso tempo entre ambos, mas 20 dias foram poucos para ver tudo! Confesso a vocês que na nossa correria habitual não tivemos tempo de preparar este roteiro, chegamos lá com uma ideia do que gostaríamos de conhecer, mas foi assuntando com os locais que fechamos os detalhes e o roteiro final.
Roteiro na Rep. Dominicana e Haiti, clique para ver o mapa ampliado
Nosso roteiro começou pela capital Santo Domingo, a primeira cidade das Américas ainda existente. Não sei se vocês lembram ou sabem disso, mas, depois de gritar “Terra à vista!”, foi nesta ilha que os espanhóis desembarcaram pela primeira vez no continente americano. A cidade tem edifícios coloniais belíssimos na charmosa Zona Colonial, dentre os vários “primeiros” do país estão a primeira casa onde viveu Cristóvão Colombo nas Américas e a primeira Catedral do continente.
As pombas não parecem se importar muito com o imponente Colombo, na Zona Colonial de Santo Domingo, capital da República Dominicana
A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana
Santo Domingo é o hub para todo o transporte rodoviário da ilha, daqui saem os ônibus para Punta Cana, Santiago, segunda maior cidade do país, e ao Haiti. Nossa curiosidade e ansiedade de chegar neste país não nos deixou esperar nem mais um dia! Após explorações e um mergulho nos arredores de Santo Domingo, nos mandamos para a controversa capital haitiana, a cidade de Port-au-Prince. “O que vocês vão fazer lá?”, escutávamos de todos os lados. “É perigoso, é feio, não tem nada para fazer e ver no Haiti!” e nós apenas respondíamos, ok, queremos ver isso com os nossos olhos. Programamos 7 noites e 8 dias no Haiti e, mesmo sem falar creole e nem francês, se pudesse mudaria tudo para ficar mais tempo no país. Não se preocupe, detalharei tudo nos próximos posts!
Detalhes de haitianos no mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti
Voltando à República Dominicana, entramos pelo norte do país, utilizando a simpática cidade de montanha de Jarabacoa como base. Dela partimos para um trekking de 2 dias até o cume do Pico Duarte (3.086m), ponto mais alto do Caribe. Além da montanha a região possui lindas cachoeiras, raftings, parapente e uma infinidade de atividades em meio à natureza. Lá mesmo alugamos um carro e rumamos ao norte para conhecer as mais lindas praias do país.
Mulas descansam na área do refúgio do Pico Duarte, na República Dominicana
Exploramos a costa de carro em um dia, apressadíssimos para chegar no que seria a cereja do bolo, a Península de Samaná. Foram dois dias e duas noites que desbancaram qualquer mordomia que um hotel all inclusive possa dar até ao mais preguiçoso dos turistas. Na boa, quem veio à Punta Cana e não dirigiu mais 3 horinhas para chegar até aqui não sabe o que perdeu.
As incríveis cores da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana
Voltamos a Jarabacoa e Santo Domingo, de onde pegamos um ônibus para conhecer, afinal, a tão afamada Punta Cana. Tínhamos que ir até lá conferir, mesmo sabendo que não era muito a nossa praia. Não pagamos a tarifa mais barata que achamos e mesmo assim caímos em um dos dos hotéis mais pops, o Bávaro Dominican Beach. Pense em alguém que queria morrer... EU! Sinceramente, eu não nasci para isso não... se é para ficar preso em um hotel all inclusive, que seja um 5 estrelas, bem chique! Não pode bancar um 5 estrelas, como nós? Então invista direito estes dólares e encontre melhores restaurantes, praias e paisagens mais paradisíacas, entre em contato com a cultura local e seja feliz sem regras estúpidas, bebidas talibãs e buffets pasteurizados.
Chegando ao litoral na costa norte da República Dominicana
Depois deste breve “rolé” pela ilha de Hispaniola fechamos, nos 1000dias, todos os países do Caribe. Estas Ilhas-países são um pedacinho da África no continente americano, com o seu melhor e o seu pior. Pobreza, corrupção, distorções e contrastes sociais, que nos deixam tão embasbacados quanto a criatividade e a alegria do seu povo, a qualidade da sua música, seus vulcões, mergulhos e a beleza de suas praias. Caribe, agora que já te conheço só posso dizer que quero voltar e será logo!
A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti
Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Geograficamente Trinidad pertence à América do Sul, porém sua posição geográfica e afinidade econômica e cultural a tornou um país do Caribe. No entanto as características geográficas prevalecem, assim as principais atrações de Trinidad não estão no litoral e sim no interior. Sua imensa cadeia de montanhas, continuação da formação rochosa dos Andes, suas florestas e mangues onde habitam as mais de 420 espécies de aves e um imenso Pitch Lake. Peraí, lago de piche? Foi isso mesmo que eu entendi? Coisa mais esquisita, eu pensei. Sim e você pode andar sobre ele! É claro que ficamos morrendo de curiosidade e tivemos que ir até lá conferir, este foi o nosso primeiro destino no roteiro de hoje.
Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
O Pitch Lake é uma afloração de piche, asfalto, localizada ao sul da cidade de San Fernando. Dele são extraídos dezenas de milhares de toneladas de piche por ano e possui uma resserva estimada de 6 milhões de toneladas. Foi com este asfalto que foi construído o Estádio Olímpico de Pequim, das Olimpíadas de 2008. A China é a maior importadora do piche extraído deste lago, seguida pela Alemanha que revende para toda a União Européia.
Brincando com o piche do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
O lago foi descoberto pelos índios arawaks que habitavam a região, foram eles que apresentaram o piche pela primeira vez aos espanhóis, que passaram a utilizá-lo para impermeabilizar os seus navios. O lago possui em torno de 40 hectares de superfície e 80m de profundidade e se estende por uma área subterrânea imensa. Antes mesmo de chegarmos ao lago já começamos a ver a sua ação nas ruas e casas mais antigas, já que a extração está fazendo toda a área ao seu redor afundar lentamente. Lá já foram encontradas ossadas de animais pré-históricos como mamutes, cerâmicas pré-históricas e inclusive ossadas humanas! Diz a lenda que os índios arawaks viviam sobre este lago, não apenas perto dele, e que certo dia toda a vila teria sido engolida pelo piche. Nada difícil de acreditar depois de saber o que já tiraram lá de dentro! RS!
Piche endurecido no Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
Nós sempre imaginamos o piche uma coisa grudenta e pegajosa, mas ele também pode se apresentar na forma sólida, parecendo literalmente asfalto, é por isso que conseguimos andar sobre ele. Nos dias mais quentes ele fica com uma textura meio borrachenta e em alguns lugares o pé chega até a afundar um pouco. Esta rocha “emborrachada” possui pequenas bolhas de ar formadas por gases sulfurosos, segundo nosso guia em algumas épocas o cheio é insuportável! Rsrs.
Caminhando no solo argiloso do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
Nossas pegadas no solo do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
No período chuvoso todo o lago fica coberto de água, que evapora lentamente quando o período seco se aproxima. O que é mais incrível é ver a vida nascendo sobre este lago, plantas, árvores e, nas poças formadas pela água da chuva, até peixes podemos encontrar. É algo realmente diferente que eu não esperava encontrar por aqui. Existem outros lagos como este na Califórnia, Egito, Nigéria e Venezuela. Adivinhem se o maluco do Chaves não está reclamando o piche retirado daqui?
Flores nascem e crescem no Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
Depois de um pit stop no shopping em São Fernando para um almoço à moda tribagonian, nossa próxima parada é o Wildfowl Trust Foundation. Uma fundação, organização com fins não lucrativos, dedicada à preservação, reprodução e reintrodução de espécies nativas de pássaros das wetlands, áreas alagadas como pântanos, mangues ou pantanais. Apenas 3% da terra é coberta por wetlands, a exemplo das terras da Floresta Amazônica ou do tundra na América do Norte e da Eurásia, estas durante o degelo no período da primavera.
Flôr aquática na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
A reserva está localizada dentro da área da Petrotrin, companhia estatal de petróleo de Trinidad e Tobago, na refinaria Point-a-Pierre. A área é imensa, na entrada passamos ao largo da planta da refinaria, um campo de golfe e área onde se localizam as casas para funcionários e visitantes da empresa. Lá dentro encontramos esta imensa área verde, banhada por dois lagos que servem como casa para grande parte das espécies protegidas, como patos selvagens e pássaros mergulhões.
Patos na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
A visita é guiada e durante o tour podem ser avistadas várias espécies de aves, árvores nativas e até um jacaré. O trabalho de educação ambiental é um dos principais focos, atendendo em torno de 15 mil estudantes durante o ano e outros 10 mil turistas e visitantes de diversos países. É um paraíso para os birdwatchers que podem passar um dia inteiro explorando trilhas e observando as diversas espécies ainda em período de adaptação nos cativeiros.
Guarás na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
Jacaré na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
O nosso guia, Carlos, é um birder, apaixonado por pássaros fez desta paixão a sua profissão. Hoje trabalha como guia para as centenas de bird lovers que vêm à Trinidad em busca das mais diferentes espécies. Só ele já possui mais de 200 espécies fotografadas, mas não irá descansar enquanto não conseguir fotografar ao menos um exemplar de cada espécie da ilha. Quando isso acontecer, continuará buscando novas espécies e fotografando cada pássaro que encontrar, “pois cada um é diferente do outro, cada um deles é especial”. Sem dúvida!
Beija-flôr na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
Envolvidos por esta paixão de Carlos pelos pássaros, seguimos para o nosso terceiro e último passeio do dia. Um tour de barco pelos mangues da Caroni Bird Sanctuary, região de terras alagadas e pantanosas que ganhou canais construídos pelo homem, ligando-as ao mar. Assim o mangue se desenvolveu e com ele toda a sua fauna e flora, caranguejos, cobras, iguanas e pássaros. A maior atração deste passeio são os Guarás, ou Scarlet Ibis como são conhecidos por aqui.
Paisagem do pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Entramos em um barco lotado, quase 40 pessoas, com um guia mais ou menos e para ver mais um mangue. Avistamos um primeiro guará voando ao lado de uma garça azul (cinza). O passeio é longo e começamos a ficar meio desacreditados de que veríamos muitos guarás.
Avistamos alguns em seus ninhos no meio das árvores e pensamos que era isso. Perto do pôr-do-sol o barco se dirigiu para uma área mais ampla, uma baía em meio ao manguezal, e no mesmo minuto o espetáculo começou. Um primeiro bando com uns 50 guarás coloriu o céu azul e tirou o primeiro “óhhhhh” de espanto dos espectadores.
Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
A partir daí o passaredo não parou mais, eles vinham em revoadas de 100, 200, 300 aves pintando o céu de vermelho e pousando em uma pequena ilha exatamente na nossa frente. As árvores do manguezal já pareciam macieiras carregadas de maçãs maduras, vermelhinhas e suculentas. Foram milhares de Scarlet Íbis avistados em uma única tarde, é um espetáculo fantástico e emocionante!
Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Nós vínhamos buscando encontrá-los há tempos, vimos alguns poucos em Lençóis e Algodoal, mas nunca imaginei que chegaria perto de um momento como este. O Caroni é um dos principais locais de reprodução dos guarás na América, são tantos que aqui as garças brancas é que parecem estar em extinção.
Árvore dormitório dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Cenário espetacular, pôr-do-sol maravilhoso e, confirmado com os nossos guias, tivemos realmente sorte de estar aqui em um dos dias com maior quantidade de guarás já avistados. É uma imagem que nunca irei esquecer, foi realmente comovente.
Fim de tarde no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Santuário de piche e de pássaros, do negro e do vermelho, do mineral e do animal, Trinidad abriga uma riqueza e diversidade natural imensa! Difícil de acreditar que tudo isso caiba em um pedacinho de terra tão pequenininho no meio do oceano.
Esperando a chegada dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Vista do mangue no rio Guaraú, na Juréia - SP
Quando começamos a navegar de canoa pelo Ribeirão do Guaraú, o Tom já começou a aula sobre as espécies de árvores dos mangues. São três tipos: a árvore de mangue branca, vermelha e a preta, citadas com nomes científicos que eu não tenho a capacidade de memorizar. A branca tem o pecilo vermelho e você pode ver claramente as glandulazinhas excretoras de sal. A preta tem troncos mais retilíneos, altos e pneumatófilos que ajudam a aumentar a sua absorção de oxigênio. A vermelha é a árvore mais estereotipada de mangue, além dos mesmos pneumatólifos, ela também possui caules ou raízes aéreas que vão se prendendo novamente ao solo, dando maior sustentação aos galhos que crescem lateralmente.
Típico habitante dos mangues
Hoje o nosso destino, nas canoas canadenses, foi a Cachoeira do Itú. No caminho já vemos diversas espécies de pássaros e caranguejos. Garças brancas, garças azuis, o martin-pescador, tié- sangue, dentre diversos outros.
Garça no mangue na Juréia - SP
Garça no mangue na Juréia - SP
Chegando ao Rio Guaraú começamos os 7km de remada rio acima, um rio largo e caldaloso que vai serpentiando o mangue dentro da Reserva da Juréia. Vimos peixes pulando, duas tartarugas se alimentando e até tucanos voando! Enquanto eu remava o Rodrigo aproveitou para fazer algumas ligações de trabalho, sobre o site. Belo escritório ele escolheu!
Vista do mangue no rio Guaraú, na Juréia - SP
Rodrigo "trabalhando" em pleno mangue, na Juréia - SP
7km depois encontramos o canal formado pelas águas da cachoeira e mais uma placa da reserva alertando que só podemos entrar com autorização; Paramos para tirar uma foto da placa, quando logo percebi um baita caranguejo branco, o guaianum! O Tom nos falou que é super difícil de avistar este tipo de caranguejo e nós vimos logo três. Um deles, que na verdade era “ela”, estava com a bolsa cheia de ovas. Muito lindos!
Carangueijo da espécie Guaiamu. Muito grande! Juréia - SP
Andamos um pouco por uma trilha para a cachoeira, cheia de rastros dos macacos, que adoram comer o talo das bromélias. Por pouco não chegamos para o almoço! A cachoeira gelada não é novidade. Coragem e damos um mergulho nas águas da Itú, com direito a piscina e até massagem natural. Uma delícia! Nos revigoramos já pensando nos outros 7km de remada rio abaixo, mas agora com a maré entrante! Correnteza e vento contra, o Rodrigo teve que fazer força, que muito cavalheiro, não me deixou remar.
Remada de volta para casa - Juréia/SP
É, boa despedida da Juréia. Agora vamos jantar e bebemorar os nossos 2 meses de viagem! 60 dias dos 1000, ainda bem que está só começando!
Ana e Amilton, quase chegando na cachoeira, já no igarapé "de acesso"
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