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Moisés (02/12)
olá, muito legal o relato. Estou indo em Fevereiro. Qual operadora que v...
Frank (02/12)
Muito boa noite, Que maravilhosa expedição estão fazendo, estava pesqu...
Patricia (01/12)
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Simone (01/12)
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Tatiana Wolff (30/11)
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Caminhando por um belíssimo vale na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
A diversidade geográfica da Venezuela é mesmo surpreendente! Ambientes e ecossistemas completamente diversos convivendo lado a lado. Tudo ao alcance de poucas horas de viagem de carro, dos desertos às florestas, do mar às montanhas. É de tirar o fôlego!
Uma viagem do Caribe aos Andes! Saindo de Chichiriviche (A), no Parque Nacional Morrocoy, seguimos pelo meio do país até a pequena Timotes (B), quase a 3.000 metros de altitude. No dia seguinte, após superarmos os 4.000 metros, fomos dormir em Apartaderos (C), já do outro lado da cordilheira. Mais um dia de explorações e chegamos à metrópole Mérida (D)
Veja o nosso roteiro até agora, por exemplo. Começamos pelo maior lago do continente e, poucas horas depois, já estávamos numa charmosa cidade histórica do século XVIII. Daí, foi um pulinho para um deserto com cara de Saara, para o norte, e uma serra úmida, coberta de floresta tropical, para o sul. Depois, rumo ao Caribe, para o maravilhoso litoral do Parque Nacional de Morrocoy. E agora, para as montanhas! Não estou falando de “qualquer montanha” não, mas dos Andes, a mais extensa cordilheira de picos nevados do mundo!
Timotes, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Nosso charmoso hotel em Timotes, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Pois é, os Andes que começam lá no sul do Chile, se esticam até aqui, na parte oeste da Venezuela. Lá está a cidade de Mérida, um dos principais polos turísticos do país, mesmo em uma época em que tão poucos turistas estrangeiros viajam à Venezuela (não sabem o que estão perdendo!). De Morrocoy até aqui são cerca de 600 quilômetros, um dia de viagem cruzando o interior do país por estradas em razoável estado de manutenção, nenhum pedágio (foram todos desativados pelo Chávez), pouco movimento e combustível praticamente de graça. No caminho, uma simpática metrópole com o estranho nome de Barquisímeto, uma das maiores do país e considerada a Capital da Música na Venezuela. Infelizmente, não estávamos com tempo para passar uns dias por ali e seguimos nossa viagem para a cordilheira.
Trabalhando um pouco no nosso hotel em Timotes, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
De volta às montanhas andinas, em Timotes, na região de Mérida, na Venezuela
É apenas na parte final da viagem que começamos a ganhar altura, justamente quando o dia também terminava. Foi no final da tarde que chegamos à Timotes, já quase aos 3 mil metros de altitude, encravada no meio de gigantescas montanhas, ao lado da estrada que liga Mérida ao resto do país. Essa é a estrada mais alta da Venezuela, aquela que finalmente rompeu o isolamento de séculos em que viveu essa região.
Fiona na rodovia transandina, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
A rodovia transandina e a beleza do páramo, paisagem comum na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Nós ainda tínhamos outros mil metros de altitude a vencer, antes de chegar ao lado de lá das montanhas, mas preferimos dormir em Timotes mesmo, para poder ver a estrada com a ajuda da luz do dia. Foi a melhor coisa que fizemos, pois encontramos um hotel encantador na cidade e que, com a ajuda do câmbio negro extremamente favorável para estrangeiros, estava uma verdadeira pechincha.
Em meio a muitas nuvens, Pico El Aguila, a mais de 4 mil metros, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Pico El Aguila, a mais de 4 mil metros, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Aproveitamos as últimas luzes do entardecer para sentir aquele friozinho delicioso das montanhas, o ar puríssimo combinando com uma taça de vinho no jardim, com vista para os Andes. Espetacular! Depois, um delicioso jantar e pudemos até matar as saudades de dormir com um cobertor. Que delícia!
Observando lagoa a 4 miil metros de altitude, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Lagoa a 4 miil metros de altitude, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
No dia seguinte, foi com tristeza que deixamos esse hotel para trás (e para baixo!), mas, como diz sempre o Super-Homem, “Para o alto e avante!”. Seguimos estrada acima, curva após curva, a vegetação ficando mais e mais rala, com cara de altitude. Aos poucos, superamos os 3 mil metros, os três e quinhentos e chegamos à simbólica marca dos 4 mil, um marco da engenharia venezuelana e à uma altura que já não chegávamos desde as montanhas centrais do México.
Friozinho no alto dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Morango com creme, típico da região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Aos nossos pés, dos dois lados, as imponentes montanhas andinas, escondidas entre as nuvens e neblina que, correntemente, se espalham pela região. O visual ficou ainda mais belo acompanhado de uma taça de “fresa com crema”, guloseima típica dessa região do país e que passou a fazer parte do nosso cardápio nos dias que passamos por aqui. Tão bonita e envolvente era a paisagem, tão convidativa à mais explorações que até desistimos de seguir para Mérida nesse mesmo dia. Não, tínhamos de ficar mais tempo por ali. Assim, já no outro lado das montanhas, descemos apenas até a pequena Apartaderos, onde encontramos outro simpático hotel, dessa vez acima dos 3 mil metros, para passar mais uma noite nas montanhas.
Morango com creme, típico da região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Deliciando-se com morango com creme, muito comum na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Hoje pela manhã, dia 5, voltamos para o ponto mais alto da estrada, conhecido como Pico El Aguila, para nova sessão de fotos e mais uma fresa con crema. O céu estava bem mais aberto que na véspera e a gente aproveitou para caminhar pelas muitas trilhas que existem por ali. Uma delas leva até uma lagoa de águas negras a quase 4 mil metros de altitude. O incrível é estar num lugar belíssimo desse, com acesso relativamente fácil, mas completamente a sós. Eu, a Ana e uma neblina que se abria e fechava, mostrando e escondendo as montanhas que nos cercavam. Inesquecível!
A magnífica paisagem da região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
O mais alto parque nacional da Venezuela, ma região dos Andes, perto de Mérida
Depois, de volta ao Pico El Aguila, pegamos uma outra estrada, secundária, que segue pela parte mais alta das montanhas. Agora, chegamos aos 4.200 metros de altitude, em meio a um parque nacional e à paisagens remotíssimas, um horizonte de se perder de vista, um verdadeiro colírio para os olhos. Numa hora dessas, eu queria ter feito um curso de geologia, para entender cada formação rochosa a minha frente, cada acidente natural que faz dessa paisagem um lugar tão impressionante. Ou então, um curso de botânica, pois as plantas que aparecem por aqui, suas adaptações para resistir ao frio e à altitude, suas formas e cheiros distintos, tudo isso também é muito curioso e interessante. Estamos em um outro mundo e a vontade é de explorar, explorar e explorar.
A Fiona enfrenta a estrada mais alta da Venezuela, a 4.200 metros de altitude, na região dos Andes, perto de Mérida
Estranhas plantas crescem a mais de 4 mil metros de altitude, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
As flores também estão adaptadas às altitudes de 4 mil metros, região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
E assim passamos o dia: explorando, explorando e explorando. Depois de percorrermos a parte mais alta da mais alta estrada da Venezuela, a Fiona se divertindo ainda mais do que nós nos atalhos rústicos que tomávamos, voltamos à estrada principal e, de lá, para baixo até Apartaderos novamente.
O cavalo não parece se importar com a altitude e a baixa temperatura na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Um solitário, vistoso e encarcerado condor, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Aí, fomos “visitar” um majestoso condor, ave que era tão comum por aqui, mas que foi extinta pela caça indiscriminada. Esse foi trazido de longe, mas combina perfeitamente com a paisagem. Ave linda, digna de adoração. Infelizmente, vive em uma gaiola e vê-lo preso ali, no meio de todas aquelas montanhas, é de cortar o coração. Tão perto da liberdade e, ao mesmo tempo, tão longe dela.
Condor abre as enormes asas na sua gaiola na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Uum vistoso condor em sua "gaiola", na egião dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Ali da gaiola do condor, pudemos fazer outra caminhada, dessa vez por um dos muitos vales entre as montanhas da região. Uma trilha segue ao lado do rio e é uma ótima oportunidade para um exercício em meio àquelas incríveis paisagens. A vontade era caminhar por dias, mas tínhamos apenas uma hora, já que a noite chegava e ainda queríamos chegar em Mérida, finalmente.
Caminhando por um belíssimo vale na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Caminhando por um belíssimo vale na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
De volta à Apartaderos, ainda tivemos tempo de visitar novamente a loja de embutidos da Dona Gloria, uma galega radicada por aqui há décadas, mas que continua produzindo com a qualidade de sua terra natal. Tínhamos estado na loja ontem e hoje voltamos para nova conversa e novas compras. Dessa vez, ela nos levou para um tour particular pela fábrica, enquanto nos dava insights sobre como era a vida por aqui antes e durante a era Chávez. A longa conversa nos ajudou a entender ainda mais como esses últimos 15 anos foram desastrosos para a classe média e para o setor produtivo do país. Enfim, reabastecemos nosso estoque de embutidos e seguimos em frente.
Visita a uma fábrica de embutidos na vila de Apartaderos, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
A galega Dona Glória, a simpática proprietária da fábrica de embutidos em Apartaderos, vila na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Finalmente, rumo à Mérida, a cidade que já queríamos conhecer desde que estivemos no país em 2007. Custou, mas chegou a hora. Uma última e rápida parada em uma pitoresca capela de pedra ao lado da estrada e nada mais nos separava da famosa Mérida.
Capela de pedra em Mucuchies, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Lagoa do Cassange, na Península do Maraú - BA
Mais um capítulo na nossa rotina de despedidas, mais um dia na estrada, uma nova região para explorar. Estamos ficando pró nessas "atividades"... Itacaré já virou passado, chegamos à Barra Grande, bem na pontinha da Península do Maraú, que separa o mar aberto da terceira maior baía do Brasil, logo após a Baía da Guanabara e a Baía de Todos os Santos.
Despedida da Bianca e Rebeca, em Itacaré - BA
Depois da festa da fantasia de ontem, obviamente não conseguimos sair cedo da Sage Point. Foi só à uma da tarde que partimos, tudo empacotado na Fiona, despedidas da Rebeca e da Bianca e umas poucas fotos da bela e charmosa pousada, frequentada por uma tal de Monica Belucci. Nossa... imagina cruzar ela no café da manhã!
Pousada Sage Point em Itacaré - BA
Só pudemos nos dar esse luxo de sair mais tarde porque a Península do Maraú é pertinho de Itacaré. Até há algum tempo, e foi assim que fiz há 11 anos, podia-se pegar uma balsa de Itacaré direto para lá. Com a construção da ponte sobre o Rio de Contas, a balsa foi desativada e temos de dar uma volta um pouco maior.
Fiona explorando trilhas entre coqueirais na Península do Maraú - BA
A estrada que cruza a península de sul ao norte é uma BR. Estrada de terra ainda, que fica em estado lastimável depois das chuvas. Foi terrível da outra vez que passei aqui, mas hoje estava bem razoável. A Ana ficou impressionada dessa ser uma estrada federal. A razão de sua construção foi que, há muito tempo atrás, queriam fazer um grande porto no norte da península para escoar a produção de grãos do Brasil central. O porto até foi iniciado. Felizmente não foi terminado, mas a BR já estava feita e a península e a baía foram salvas do "desenvolvimento". Com isso, suas águas ainda se parecem com o que eram quando os portugueses aqui chegaram, o que não se pode dizer das suas duas "irmãs maiores", no Rio e em Salvador.
A praia Taipus de Fora, Península do Maraú - BA
No caminho através da península, passamos por lagoas e por uma natureza exuberante. Mas para realmente vê-la, é preciso sair da estrada principal, que é quase uma enorme reta de 40 km e seguir por trilhas secundárias, muitas de areia fofa. Aí, chegamos perto das lagoas, atravessamos coqueirais e terrenos pantanosos e chegamos nas praias maravilhosas que fazem a fama do lugar. A mais famosa delas é Taipus de Fora. Coisa de cinema, como não poderia deixar de ser. São tantas praias maravilhosas aqui na Bahia que vamos ficando até meio "enfasteados" delas. A grande atração de Taipus de Fora, além dos coqueiros, areias brancas e águas esverdeadas, coisa comum por aqui, são as piscinas naturais que se formam na maré baixa, ótimas para o mergulho. Mas nós passamos lá fora do horário, e a praia era "só" uma praia "normal". Antes de partirmos daqui, passaremos lá no horário correto, com certeza!
Pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA
Chegamos em Barra Grande a tempo de nos instalarmos e irmos assistir ao programa obrigatório daqui: o pôr-do-sol na Ponta do Mutá, o extremo norte da península. Foi lindo assisti-lo, de um dos bares que estão ali com cadeiras e almofadas na areia, especialmente colocados para esse espetáculo diário. Como já era o finzinho do feriado, estava tudo bem calmo, como poucos e felizardos turistas.
Curtindo o pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA
Ouço e percebo, pela quantidade de pousadas, que não é assim na temporada, quando centenas de pessoas, as vezes milhares, tomam conta da península. É o desenvolvimento que não veio com o porto, chegando com o turismo. Pelo menos, este mantém as águas cristalinas... Amanhã vamos checar isso fazendo um passeio de barco pela Baía de Camamu. Pois é, este é o nome dessa maravilhosa baía que eu ainda não havia citado.
Curtindo o pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA
Criança brincando na Ponta do Mutá durante o pôr-do-sol, em Barra Grande, Península do Maraú - BA
A linda praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Nosso plano original, quando viemos ao Haiti, era passar dois dias na capital e depois seguir para a cidade de Jacmel, na costa sul. Duas décadas atrás, quando o Haiti ainda fazia parte das rotas dos viajantes, ela era um grande polo turístico, por sua história e arquitetura. Seria uma viagem rápida para nós, pois já estávamos com a passagem aérea comprada para o norte do país, para a manhã do dia 24. Mas Jacmel não é tão longe de Port-au-Prince e imaginamos que daria tempo.
O trânsito sempre complicado de Port-au_Prince, capital do Haiti
Nas ruas de Port-au-Prince, no Haiti, muito equilíbrio na cabeça
Bom, acho que tempo, daria mesmo. Aliás, foi para lá que seguiu o nosso amigo viajante italiano, na manhã de hoje. Mas algumas horas de conversas e interações com o Eric e a Lana, os donos do hotel Le Perroquet, onde estamos hospedados, nos fizeram mudar de ideia. Eles nos convenceram a fazer um caminho alternativo e seguir com eles para passar o dia de hoje numa praia aqui perto, ao norte da cidade de Cabaret, a antiga Duvalierville. Pois é, domingão combina mais com praia do que com rodoviária e ônibus lotados. Além do mais, eles até nos ofereceram uma carona para lá. Com isso, a bela Jacmel ficou para nossa próxima viagem ao Haiti e lá fomos nós, junto com o casal amigo, todos no carro de uma outra amiga, rumo á praia. Atravessamos a bagunça do centro da cidade pela primeira vez, suas ruas de trânsito caótico, nossos olhos ávidos em captar cada detalhe, e seguimos em boa estrada para a praia.
A deliciosa e pacata praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
A deliciosa e pacata praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Atravessamos a pequena e movimentada Cabaret e um pouco mais para frente chegamos ao Hotel Obama, uma homenagem de seu proprietário ao presidente americano, que ele tanto admira. O hotel está de frente à praia e aí fomos passar o dia. Na verdade, o dia e a noite, se quiséssemos. O Eric e a Lana planejavam ficar por lá e voltar no dia seguinte. A Elise, a dona do carro, voltaria hoje mesmo, e nós éramos benvindos a voltar com quem quiséssemos. Com nossas coisas lá no Le Perroquet, o Eric apressou-se em dizer que, caso ficássemos na praia, ele não cobraria a diária de hoje no seu hotel.
Jangada singra os mares perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Ao chegar na beira da praia, deparamo-nos com uma beleza digna de cartão postal. O mar com aquela cor indefinível entre o verde e o azul e a praia de pequenas pdedras branas, ao invés de areia. Águas tranquilas e quentes. Em qualquer outo lugar do mundo, esperaríamos encontrar a praia cheia, mas aqui, a lana e o eric haviam nos dito que era sempre vazio. Pois é, eles erraram. Nunca tinham estado no Obama Hotel num domingão. Bom, a praia não estava cheia mesmo, mas o pátio do hotel, em frente ao mar, estava bem movimentado. E o cheiro de churrasco logo denunciou de onde eram todas aquelas pessoas...
Encontro com brasileiros (e com um legítimo churrasco!) na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Um verdadeiro churrasco brasileiro na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Pois é, um grande grupo de brasileiros preparava um saboroso e cheiroso churrasco enquanto se lubrificavam com cerveja gelada, a deliciosa Prestige. A surpresa deles foi ainda maior que a nossa de encontra-los, quando nos identificamos como compatriotas. Conforme já havíamos imaginado, eram todos militares, membros das forças de paz da ONU. São do batalhão de engenharia, responsável por várias obras de infraestrutura no país.
Confraternização com militares brasileiros da força de paz da ONU, na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Brasão do batalhão de engenharia brasileira no MINUSTAH, as forças de paz da ONU no país (perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti)
A partir do momento que souberam que éramos brasileiros, passaram a nos mimar sem parar. Além da cerveja, fomos alimentados com um legítimo churrasco brasileiro, pois até os cortes eram nacionais. Carne trazida diretamente do Brasil! Carne brasileira, churrasqueira brasileira, churrasqueiros brasileiros, farinha brasileira, não queríamos mais nada!
Confraternização com militares brasileiros da força de paz da ONU, na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Eles nos contaram de sua rotina por aqui e nos convidaram para visitar a base brasileira. Vamos tentar fazer isso na terça, depois de amanhã. Foram horas de diversão com eles, gente vinda dos quatro cantos do Brasil, uma salada total de sotaques, piauienses, gaúchos e cariocas na mesma roda de conversa, música para nossos ouvidos. Entre uma cerveja e outra, entre uma carne e outra, entre uma história e outra, deliciosos e refrescantes mergulhos naquele mar paradisíaco.
Confraternização com militares brasileiros da força de paz da ONU, na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Além dos brasileiros, o maior grupo, também haviam paraguaios, argentinos e uruguaios por ali. Cada um em seu grupo, todos aproveitando o dia de folga na difícil rotina que têm por aqui. Conversamos com vários deles, mas o dia era mesmo dos brasileiros. Dos brasileiros e dos nossos simpáticos e interessantes amigos haitianos, além da Lana, claro! Tão gostoso estava tudo por lá que não titubeamos em decidir dormir por ali mesmo, agora na tranquilidade total do hotel depois que todos se foram, para suas casas ou bases.
Tarde gostosa com amigos no hotel Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Com o Eric, numa tarde gostosa com os amigos no hotel Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
O jantar foi delicioso, apenas os dois casais no hotel, além de uma energética americana que trabalha para uma ONG no país. No dia seguinte, o café da manhã seguiu o mesmo padrão de qualidade e tranquilidade e nós tivemos tempo o suficiente para ficarmos amigos também dos funcionários e do simpático proprietário, aquele que é fã do Obama.
Nadando pela primeira vez nas águas quentes e caribenhas do litoral do Haiti, perto de Cabaret, antiga Duvalierville
A Ana tem todo o mar para si na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Fim de tarde na praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Eram onze da manhã quando chegou no hotel o carro chamado pelo Eric para nos levar de volta à Port-au-Prince. Depois de tanta vida mansa e mordomia, estava mais do que na hora de vermos o outro Haiti, aquele que estamos acostumados a ver na TV. Chega de mares paradisíacos, rumo aos mercados lotados e ruas barulhentas, enfim, o Haiti que viemos conhecer....
Com um dos simpáticos funcionários do Hotel Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Muitas caveiras no Museu das Múmias, em Guanajuato - México
Cada país com seus costumes e tradições. Mas, não há como negar, alguns são mais “estranhos” do que outros. O México é conhecido internacionalmente por várias de suas tradições: o sombrero, os mariachis, a tequila, Pancho Villa e Emiliano Zapata, Frida, tacos, nachos e burritos e também pelas simpáticas caveiras que decoram metade do país, as famosas Catrinas.
Catrina gigante em Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Elas estão até na capa do meu livro-guia sobre o país. São vendidas desde em refinadas galerias de arte até em lojinhas dos mercados municipais. Estão em paredes, painéis, muros e quadros. Uma imagem que não assusta mais a ninguém. Até as crianças as adoram. Filme de terror aqui no México, se for com caveiras, vai fazer as pessoas torcerem por elas, e não pelos mocinhos e mocinhas.
Tudo isso faz parte de uma relação que o país e as pessoas tem com a morte, muito mais desmistificada que em outros lugares. Hoje isso ficou mais claro do que nunca quando visitamos o museu mais popular de Guanajuato, o Museu das Múmias. Comparado ao que vemos nesse museu, as inocentes “calaveiras” que decoram o país são brincadeira de criança!
Museu das Múmias, em Guanajuato - México
Quando ouvi falar do museu pela primeira vez, imaginei que seriam múmias similares às egípcias e peruanas, com milhares de anos. Mas, que nada! As múmias de Guanajuato são muito mais recentes, as mais antigas com pouco mais de 100 anos de idade e as mais novas tão recentemente mumificadas que até eu poderia tê-las conhecido, quando eram VIVAS!
Visita ao macabro Museu das Múmias, em Guanajuato - México
A história é a seguinte: o cemitério começou a ficar sem espaço. As autoridades resolveram então despejar os “antigos proprietários”. Se não houvesse parente ou amigo vivo que reivindicasse os direitos do morto, e como o próprio também não reclama, seriam todos despejados. Foi quando se descobriu que o solo da cidade tem propriedades químicas que conservam com perfeição os defuntos. Sua pele, cabelo, expressões faciais, até as roupas, estava tudo ali, um pouco empoeirado, claro!, mas da mesma maneira como foram enterrados.
Então, não acharam nada melhor que fazer um museu, ali no antigo cemitério mesmo, expondo esses ilustres desconhecidos. Todos ganharam história, nomes e apelidos. São tratados de forma carinhosa pelos habitantes da cidade, praticamente ganharam vida novamente!
Uma das estrelas do Museu das Múmias, em Guanajuato - México
Tem de tudo: antigos médicos e pesquisadores, gente que morreu afogada ou esfaqueada, mulheres grávidas e crianças. Aliás, tem até a múmia mais nova do mundo, um feto de 6-7 meses perfeitamente mumificado ainda na barriga da mãe morta poucos meses antes do parto. Aliás, é a visão das crianças que é mais macabra. São os chamados “anjelitos”. Antigamente, quando uma criança morria muito cedo, antes de ser enterrado a família o vestia como se estivesse vivo e faziam uma fotografia de família com ele, ainda no colo dos pais ou de algum dos irmãos. No museu estão essas fotos e também a criança mumificada! Brrrrrrr... Morriam puros (eram batizados às pressas!) e seguiam diretamente para o céu, como anjos!
Holografia demoníaca no Museu das Múmias, em Guanajuato - México
A parte mais “interessante” do museu está fechada para fotografias. É onde estão os principais personagens. Mas há uma sala no final onde se pode fotografar sim. As múmias mais fotografadas do mundo. São as fotos que estão neste post. Engraçado que, normalmente, eu e a Ana temos ritmos muito diferentes em visitas à museus. Ela é mais detalhista e vai ficando sempre para trás. Mas neste museu com suas salas escuras e exposições macabras, nós completamente sós no prédio (pelo menos no mundo dos vivos!), ela não qui ficar para trás não, hehehe! A todo momento eu ouvia um grito e era ela correndo para parto de mim! Não era só eu que ria da cena, não. À nossa volta, muitas caveiras sorridentes!
Todas as múmias tem menos de 100 anos de idade no Museu das Múmias, em Guanajuato - México
Banho de mar matinal em Santa Teresa, no litoral do Pacífico na Costa Rica
Chegou o dia de partir do nosso delicioso refúgio na praia de Santa Tereza, o hotel Ranchos Itauna. Como sempre acontece no dia que deixamos à praia, o dia amanheceu lindo, sol radiante. Assim, apesar da longa viagem pela frente, quando a Ana falou que queria dar um último mergulho, nem deu para argumentar. De manhã cedo a maré está vazia e uma grande piscina se forma bem em frente aonde estamos. Impossível resistir...
Preparando-se para entrar no mar pela manhã, em Santa Teresa, no litoral do Pacífico na Costa Rica
Depois, hora das despedidas. Primeiro da nossa simpática companheira de quarto, a alemã Catherine. Depois, do senhorio, o astríaco Peter a a carioca Fátima. E da filhinha Sofia, claro!
Com a alemã Catherine, nossa companheira de quarto em Santa Teresa, no litoral do Pacífico na Costa Rica
O tempo foi passando e já desistimos de chegar na Nicarágua ainda hoje. Sem esse objetivo, achamos que ainda daria tempo para um típico programa de surf town: café da manhã bem sadio na padoca. Muito bom!
Com o Peter e a Fátima, donos do Ranchos Itaúna em Santa Teresa, no litoral do Pacífico na Costa Rica
Bom, finalmente colocamos o pé na estrada. O primeiro trecho até que foi rapidinho, a mesma estrada que nos trouxe até aqui do ferry. Mas depois, para a minha infeliz surpresa, descobrimos que a estrada que segue para o norte da península de Nicoys é quase toda de terra. O ritmo imaginado para a viagem foi impossível de ser seguido e tudo o que podíamos fazer era admirar a bela paisagem do golfo ao nosso lado.
A rua principal de Santa Teresa, surf town da costa pacífica da Costa Rica
Enfim chegamos à ponte que atravessa o finalzinho do golfo, presente de Taiwan para a Costa Rica. Na sua inglória luta com a China continental nas relações públicas internacionais, Taiwan adora esses tipos de presentes... Dali seguimos para nossa velha conhecida rodovia Panamericana. Felizmente, segúíamos para o norte, livre, e não para San José, engarrafado!
Exibir mapa ampliado
Na bifurcação quarenta quilômetros ao norte, pegamos a Rodovia 4. Mais ou menos por aí, finalmente, batemos o recorde de latitude norte da Fiona. Foi só agora que deixamos Cartagena (Colômbia!) para trás! Mais meia hora e chegamos ao Parque Nacional Tenorio, bem próximo à cidade de Bijagua. Fomos até a entrada do parque já sem esperanças de entrar, pois já era tarde para um passeio. Mas amanhã, às oito da manhã, faça chuva ou faça sol, voltamos! Finalmente, vamos conhecer o Rio Celeste, a principal atração do lugar, já que o tal vulcão Tenório, faz tempo, está com o acesso fechado. A pouco mais de um quilômetro do parque encontramos uma simpática pousada, com direito até à jacuzzi. Um bom lugar para passar a noite. Nesse lugar, só chegam turistas de carros. E na nossa pousada, lá estavam o alemão Lutz e o casal suiço Marcel e Alice, com seus carros alugados. Depois de um jantar em conjunto, o bom e velho arroz com feijão que também é muito tradicional por aqui, combinamos: amanhã vamos todos juntos ao parque.
Nosso quarto no Parque Nacional Tenorio, na Costa Rica
Curtindo o mar em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica
Os dois oceanos que cercam nosso continente, o Atlântico e o Pacífico, sempre são uma referência para mim. Nessa nossa longa viagem pelas Américas, estamos sempre zanzando de um lado ao outro, de um oceano à outro, as vezes mais do lado de cá, as vezes mais do lado de lá. A cada vez que deixamos o mar para trás, fico imaginado quando vamos nos encontrar novamente, em que condições e em que país. Enfim, para mim os encontros com o mar são uma maneira de ver que o tempo está passando, que etapas foram vencidas ou que ainda temos muito chão pela frente.
Fazendo compras antes de sair de La Fortuna, região da Laguna Arenal, na Costa Rica
Por exemplo, no dia 15 de Dezembro do ano passado, passamos uma deliciosa tarde em Venice Beach, em Los Angeles. Caminhamos pela praia e colocamos os pés na água fria. Vínhamos de uma temporada no Hawaii e estávamos “íntimos” do Oceano Pacífico. Aquela caminhada era uma despedida, um até logo para esse majestoso oceano. Fiquei imaginado quando seria a próxima vez... sabia que seria na Costa Rica, mas não sabia em quanto tempo. Antes disso, passaríamos pelo Oceano Atlântico, um outro mar, um outro mundo. Mas voltaríamos ao Pacífico...
Encontro com um simpático casal (um carioca e uma peruana que vive no Brasil) que reconheceram na rua a expedição 1000dias! Estamos ficando famosos, hehehe, (em La Fortuna, na Costa Rica)
Esse dia chegou. Hoje! Mas antes de lá chegar, tínhamos de deixar para trás as montanhas do país, percorrer a estrada cheia de curvas, reconhecer alguns trechos de estrada que percorremos há mais de 15 meses e, enfim, chegar ao mar querido. Para enfrentar o longo caminho, começamos com uma parada na quitanda, ainda na cidade de La Fortuna. De volta ao mundo tropical, frutas são boas, baratas, abundantes e irresistíveis!
Comprando um delicioso queijo local, ainda pertos de La Fortuna, na Costa Rica
A Ana foi fazer as rápidas compras enquanto eu e a Fiona aguardávamos. Esses poucos minutos na rua foram o suficiente para sermos reconhecidos por dois outros viajantes, um casal formado por um carioca e uma peruana que mora no Brasil. Simpaticíssimos, eles reconheceram a Fiona, pois são leitores do nosso site! Que legal! Disseram até ter usado algumas das nossas dicas de posts antigos. Que gostoso ter nossos 15 segundos de fama, hehehe.
Chegando às praias da região de Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica
Depois da “glória”, a estrada. Região montanhosa, lindas paisagens, muita neblina e também deliciosos queijos. Não resistimos e nos abastecemos, quijo parecido com aquele que tem no sul de Minas, de fazer nó. Junto com as frutas e algumas bolachas, foram nosso alimento pelas próximas horas, até que chegássemos na costa e na pequena cidade de Manuel Antonio.
Caminhando em praia de Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica
A cidade fica na entrada de um pequeno parque nacional com o mesmo nome. É um dos menores, porém mais bonitos parques desse país repleto de áreas de conservação. Protege uma área de mata cheia de vida, como macacos, pássaros e bichos-preguiça, além de praias cinematográficas. Não fosse pelo parque, certamente teriam sido tomadas por condomínios ou hotéis. Felizmente, estão ali, quase virgens, seu aspecto natural quase intocado. O parque vai ser nosso programa de amanhã.
Praia de areia escura em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica
Hoje a gente se satisfez com as praias do lado de fora mesmo. Areias claras, águas quentes, orla cercada pela vegetação. Resumindo: uma maravilha! O Oceano Pacífico em todo o seu esplendor! Cada vez mais gosto desse Oceano, eu que sempre fui tão “Atlântico”. Mas, em um lugar como esse, difícil não se apaixonar.
Lindo entardecer em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica
Ainda mais com o fim de tarde que tivemos, o sol reaparecendo sob as nuvens nos minutos finais, uma bola de fogo avermelhada afundando vagarosamente no mar. Foi cinematográfico! Bastou um mergulho para nos sentirmos em casa novamente. Ainda bem que a “temporada pacífica” vai ser longa pois, depois de Manuel Antonio, seguimos para a Península de Osa, também desse lado do continente.
Fantástico pôr-do-sol em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica
Para celebrar o reencontro, ainda teve um jantar especial em um lugar meio “diferente”. Um antigo avião militar destinado à guerrilha dos Contras, que durante a década de 80 lutou contra o governo sandinista da Nicarágua e que tinha diversas bases na Costa Rica, foi transformado em um restaurante. Sem dúvida, um papel muito mais nobre que a do passado! Assim, tivemos a nossa melhor refeição em um avião desde o início dos 1000dias e voltamos para nossa hotel ansiosos pelo dia de amanhã, entre praias e animais silvestres, a cara desse belo país!
Restaurante em antigo avião militar destinado aos Contras, da Nicarágua, em Manuel Antonio, no litoral da Costa Rica
A lagoa em Vassouras com o rio Preguiças ao fundo, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Nossa idéia original era pegar a Toyota de linha que sai de Atins para Barreirinhas todo dia de madrugada, por volta das 04:30 da manhã. Mas, devido à chuva e quantidade de água no caminho, não haveria Toyota. Acionamos o plano B: voadeira fretada, num horário bem mais civilizado, às 10:30. Junto com a Mel e Edu e a Mônica e Jackson, até que saiu um preço bem em conta!
Um dos habitantes do Rancho do Buna, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Com isso, ganhamos mais tempo para aproveitar a confortável cama do nosso chalé e saborear o delicioso café da manhã da pousada. Sem contar o banho matinal na piscina, para nos acordar mais rapidamente. O Rancho do Buna é um verdadeiro oásis, conforto na medida certa, a simpatia da Mônica, a ex-esposa do Buna e eficientíssima administradora do local, além do próprio Buna, uma figuraça que chegou à Atins há trinta anos, vindo de São Luís. Outra diversão no Rancho é observar o comportamento da variada comunidade animal que divide o espaço conosco. São vários cães, gatos, galinhas, patos, pavões e até uma tartaruga. O interessante é ver a interação entre eles, o cão chateando algum gato, os patinhos passeando na frente de algum felino, galos e patos disputando milho, os pavões vendo tudo lá de cima. Para quem gosta de bicho, é um prato cheio!
A Olhuda, uma das gatas do Rancho do Buna, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Despedidas feitas, nos levaram para o porto para pegar a voadeira. Outra vantagem de ter voltado com ela foi que pudemos parar em Vassouras e tomar banho de lagoa por lá. Uma delícia, além do visual das dunas tentando invadir o rio enquanto lagoas crescem entre elas. Outra coisa interessante por lá são macacos-prego que, de tão acostumados com seres humanos, chegam até perto de nós. Vassouras é uma pequena comunidade ao lado do rio Preguiças, que vê a vida passar pelo e na velocidade do rio. A não ser quando a lagoa enche muito e rompe a duna para desaguar no Preguiças. Aí, é uma correria para salvar tudo o que puder pois, junto com a duna, a água leva tudo o que estiver na sua frente. Assim, ao fim de cada inverno, eles tem de ficar de olho!
Despedida do Buna e do seu "rancho", em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Ainda na volta, já bem perto de Barreirinhas, uma parada estratégica para banho no rio. O Preguiças é mesmo uma delícia, a fonte de vida da região, principal estrada entre os povoados e um convite a um bom mergulho.
Lagoa refrescante em Vassouras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Em Barreirinhas, pit-stop na Pousada Lins, onde tínhamos deixado a Fiona. Lá, aproveitamos para colocar alguns posts no ar e depois, pé na estrada para a capital São Luís. O Edu e a Mel vieram conosco, nosso casal companheiro nos últimos dias. Juntos, já no último terço da viagem, enfrentamos um dilúvio na estrada. era água que não acabava mais. Deste modo entramos em São Luís e viemos direto para o hotel que eles já tinham ficado, o Praia Mar, no início da orla marítima da cidade. Meio cansados da viagem, ainda tivemos tempo e forças para um jantar japonês aqui por perto.
Explorando campo de dunas em Vassouras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Amanhã, eles voltam para São Paulo enquanto nós iniciamos nossas explorações da única capital de estado brasileira que não foi fundada por portugueses. São Luís é francesa na origem, passou pelas mãos de holandeses e tem um belíssimo centro histórico, repleto de azulejos portugueses. Vamos ver o que a chuva nos deixa fazer amanhã. A previsão é de muita água...
O macaco-prego, presente em Vassouras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Chegando à mais famosa construção nas ruínas mayas de Uxmal, o Templo do Adivinho, no Yucatán, sul do México
Uxmal foi uma importante cidade maya do período clássico da civilização, atingindo seu auge por volta do ano 900 da nossa era. Suas ruínas são majestosas e não ficam nada a dever para outras ruínas mais conhecidas, como Chichen-Itza, Palenque ou Tikal (na Guatemala). Com uma grande vantagem: são menos visitadas que essas outras e, portanto, não temos de dividi-las com tantos outros turistas.
O famoso Templo do Adivinho visto por trás, nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Caminhando nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Na sua época de ouro, a cidade estabeleceu uma aliança com Chichen-Itza e, juntas, por mais de um século, tiveram a supremacia na parte norte da península. Mas a queda de sua aliada levou Uxmal a uma lenta decadência, até cair frente a invasores toltecas por volta de 1.100, quando novas construções deixaram de ser feitas. Quando os espanhóis chegaram á região, a cidade já tinha bem pouca importância e acabou sendo completamente abandonada na era colonial.
Entrando no Quadrângulo das Monjas", nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
O famoso "deus narigudo" maya, nas ruínas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
As ruínas foram “redescobertas” logo após a independência do México e passaram a atrair importantes exploradores, já a partir de 1830. As primeiras fotografias são de 1860, algumas das mais antigas de todo o mundo maya. Foi nessa época também, durante o segundo período monárquico do México, que a cidade foi visitada pela imperatriz Carlota. Antes da chagada da soberana, todos as esculturas e petroglifos com símbolos fálicos (muito comum entre os mayas!)foram retirados das ruínas, para não ofender a pureza real.
Suporte de madeira ajuda a conservar parte das ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Outra história interessante envolvendo monarcas foi na ocasião da visita da rainha da Inglaterra, em 1975, para a inauguração do show de sons e luzes noturno. Quando a apresentação chegou ao momento de homenagem a Chaac, o deus maya da chuva, uma chuva torrencial caiu sobre o local e dignitários que aí estavam, mesmo que fosse durante o mês de fevereiro, o auge da estação seca.
Caminhando pelo imponente Quadrângulo das Monjas", nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Uxmal está a cerca de 80 quilômetros a sudeste de Mérida e foi a nossa primeira parada num dia longo que ainda incluiria uma visita à caverna de Lon-Tun e uma viagem até a cidade de Tulum, já na costa do Caribe, do outro lado da península do Yucatán. E olha que nós não conseguimos começar cedo, ainda terminando de fazer algumas coisas em Mérida.
O "gol" ou cesta do juego de pelotas nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Mas, enfim, chegamos à antiga cidade-estado maya e, desde o início, já fiquei impressionado. Primeiro, com a magnitude das ruínas e, depois, com o pequeno número de turistas. Logo que entramos na cidade, damos de cara com a construção mais famosa, a chamada Pirâmide do Adivinho. Diferente de todas as outras pirâmides da civilização maya, com suas linhas retas, essa tem linhas ovaladas. Foi justamente dela que tinha visto o comparativo de fotos ontem, no Museu de Mérida. Vê-la agora, ao vivo, foi ainda mais impressionante; E por causa das fotos antigas, pude imaginar também o que viu a Imperatriz Carlota, há 150 anos. Mesmo sem os símbolos fálicos, ela deve ter ficado impressionada...
O Altar do Jaguar nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Atrás dessa pirâmide está o também incrível “Quadrãngulo das Monjas”. O nome foi dado pelos conquistadores espanhóis por sua semelhança com um convento, pois não existiam monjas ou freiras na civilização maya. É um grande complexo de prédios ao redor de uma praça central, dezenas de câmeras internas para serem exploradas. Só essa construção já nos dá uma boa ideia da enorme população que vivia em Uxmal.
Explorando as ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Outro importante prédio é o Palácio do Governador, com a maior fachada de qualquer construção pré-hispânica na meso América. É claro que também não faltam os sempre presentes juegos de pelota, outras pirâmides, um altar de um jaguar e um templo decorado com pictografias de tartarugas.
Encontro com brasileira e paranaense nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Nas nossas andanças e explorações, até encontramos uma curitibana, que hoje mora no Rio Grande do Sul, que conversou bastante tempo com a Ana. Enquanto isso, eu tratei de ir a lugares mais remotos e até inventei uma trilha até o ponto mais alto das ruínas, no topo de uma pirâmide que ainda não foi totalmente restaurada. Visão magnífica de toda a cidade, completamente a sós. Lugar ideal para tentar se comunicar com os antigos donos do lugar. Como não consegui, fui procurar a Ana para ela me ajudar.
Buscando os locais mais isolados das ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Explorando as ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Ela estava no alto da “Grande Pirâmide de Uxmal”, essa sim restaurada e frequentada por outros turistas. Levei-a para minha pirâmide, ainda mais alta que a Grande Pirâmide, de onde tiramos nossas fotos e curtimos o visual do enorme vasto cerrado que cerca a cidade e dos prédios mais famosos de Uxmal, todos abaixo de nós.
Nosso lugar secreto, o ponto mais alto das ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
A bela vista do nosso lugar secreto, o ponto mais alto das ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Depois desse clímax, hora de seguir viagem. Adoramos Uxmal, seus prédios icônicos, o sossego relativo e até a chance de chegar a um lugar onde quase ninguém deve ir. Espetacular! Foram nossas últimas ruínas mayas aqui no Yucatán e não poderíamos ter fechado de melhor maneira: com chave de ouro! Agora, o negócio era acelerar a Fiona para ver se ainda conseguíamos pegar a tal caverna de Lon-Tun aberta...
Passeando nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Chegando a bela região de Bariloche, nos Andes argentinos
Ontem de tarde, depois do nosso chá galês em Gaiman (ver último post), estava na hora de pegar estrada novamente. Tínhamos um longo caminho até Bariloche, 850 km cruzando a Patagônia, primeiro de leste a oeste e depois de sul a norte, já pertinho dos Andes. Para quem conhece a Patagônia, sabe que essa é uma das regiões mais desabitadas do continente. Mas, mesmo aqui, há lugares mais e menos populados. A costa do Atlântico e a região andina têm sim suas cidades importantes. Já o interior, justamente a região que precisávamos cruzar, aí não vive quase ninguém. É uma região de estâncias, algum tipo de gado e muito, mas muito pouca gente mesmo.
Cenário da estrada cortando as longas extensões patagônicas, do interior rumo aos Andes, na Argentina
Como já disse em outros posts, nessa época o dia vai longe por aqui, perto das 10 da noite (ou no caso, da tarde). Então, mesmo já sendo depois das 5 da tarde quando saímos de Gaiman, ainda tínhamos muitas horas para dirigir com a ajuda da luz do dia. De nada adianta cruzar uma região linda e grandiosa como a Patagônia se o fazemos de noite! Embora o Googlemaps mostre diversas estradas cruzando a Patagônia de leste a oeste, na verdade poucas delas são asfaltadas. Um bom mapa de papel ajuda bastante nessa hora e nos dá uma visão muito melhor do todo. Ali onde estávamos, nossa única opção era fazer a travessia patagônica pela rodovia 25, pelo menos até onde vai o asfalto. Aí, onde começa a terra, mudamos para a 62, também asfaltada, que nos leva até a rodovia 40, a mais famosa e emblemática da Patagônia. Por ela seguimos até Bariloche, sempre no asfalto. A rodovia 40, ou ruta 40, é a estrada que liga a Argentina de norte a sul, sempre ao lado dos Andes. Já percorremos vários trechos dela na região de Salta e Mendoza. Mais tarde, quando voltarmos do casamento na Ilha do Mel, vamos percorrê-la até o sul do país. Aí sim virão os trechos de terra, pois ela ainda não foi asfaltada na sua totalidade.
Mas, voltando à nossa travessia patagônica de agora, há vários outros caminhos na região, inclusive algumas rotas mais curtas, mas todos de terra. Mal consigo imaginar as belezas de cada uma dessas estradas, mas o fato é que agora estamos com tempo contado e o asfalto é nossa melhor e mais rápida opção. Uma rápida pesquisa nos fez achar o único lugar para dormirmos no caminho, bem no meio do país: Los Altares. Uma vilazinha que mal se percebe da estrada e onde há um posto afiliado à ACA, o Automovel Clube Argentino. Ali há um camping e uma pequena pousada. Passou a ser nosso objetivo do dia.
Cenário da estrada cortando as longas extensões patagônicas, do interior rumo aos Andes, na Argentina
Logo que deixamos Gaiman a estrada já ficou deserta. Uma hora dirigindo e dá para contar nos dedos o número de carros que cruzamos. Típico das estradas patagônicas. Outra coisa bem típica, e isso em todas as estradas do país, são altares ao Gauchito Gil, o santo gaúcho mais popular na Argentina. A gente já percebe de longe, aquele monte de pequenas bandeiras vermelhas ao lado da estrada. E não tem nada a ver com o MST ou com o PT. É apenas mais uma homenagem ao santo protetor. Ele também está presente nas estradas aqui, mesmo que não haja movimento de carros. Para nós, depois de tanto dirigirmos nas estradas hermanas, já passou a fazer parte do nosso cotidiano.
Altar para Gauchito Gil, tradição nas estradas argentinas (entre Gaiman e Los Altares, na Patagônia)
Por fim, a paisagem patagônica típica: uma planície infinita, levemente ondulada, coberta por vegetação baixa. Longas, quase intermináveis retas e um horizonte sem fim. Ausência de cidades, casas ou carros. Essa é a Patagônia. E então, no meio daquela vastidão toda, um acidente geográfico. Pode ser um vale, uma montanha, um rochedo. Como está no meio dessa planície sem fim, esse acidente geográfico ganha ainda mais destaque, fica soberano no meio de uma paisagem em que nada rivaliza com ele, pelo menos até onde os olhos alcançam. E olha que os olhos alcançam longe!
O belo cenário da região de Los Altares, no interior da Patagônia, na Argentina
O belo cenário da região de Los Altares, no interior da Patagônia, na Argentina
Bom, foram horas dirigindo assim, sem nenhum contato com a civilização (exceto pela própria estrada) até que os enormes rochedos que deram o nome à região de Los Altares apareceram no horizonte. Outra meia hora dirigindo e lá chegamos, a Fiona ávida por combustível e nós por um lugar para dormir. O cenário era de uma beleza magnífica, principalmente depois de 100 quilômetros de “nada”. O cara do posto feliz em nos receber, raros que são os clientes por aqui. Hoje, por sinal, além de nós um grupo de motoqueiros. Celular ou internet, nem pensar. Cartão de crédito? Tá brincando? Tem de ter dinheiro vivo mesmo! Serve para o quarto, para o diesel e para o bife de lomo!
Deixando Los Altares, no interior da Patagônia, rumo a Bariloche, nos Andes, Argentina
Deixando Los Altares, no interior da Patagônia, rumo a Bariloche, nos Andes, Argentina
De noite, um céu estrelado que pouca gente conhece, digno dos céus que vimos a bordo do Sea Spirit, em alto-mar. Pela manhã, uma serenidade quase celestial, o barulho do rio ecoando nos grandes paredões que nos cercam. A vontade é de passar mais um dia por aqui, caminhar e explorar um pouco, sentir a calma que flutua sobre Los Altares. Esse foi um dos últimos refúgios dos índios tehuelches na guerra de conquista e extermínio que o governo central moveu contra eles no final do séc. XIX. Hoje, os poucos habitantes daqui são seus descendentes, ainda habilidosos para trabalhar com a pedra e a madeira, alegria do punhado de turistas que passam por aqui e compram artesanato.
Deixando Los Altares, no interior da Patagônia, rumo a Bariloche, nos Andes, Argentina
Mas tínhamos de seguir em frente. Com os rochedos de Los Altares sumindo no nosso retrovisor, estávamos novamente no meio do nada. Depois, um rio aqui, um vale ali, outra pedra ali. Até que, no horizonte, montanhas começaram a aparecer. Montanhas de verdade, com “m” maiúsculo. Eram os Andes. Imperiais, como sempre. Antes deles, picos menores, a cordilheira pré-andina. Chegávamos à ruta 40.
Deixando Los Altares, no interior da Patagônia, rumo a Bariloche, nos Andes, Argentina
Daqui para o norte. Estrada lindíssima, passando por lagos azuis, florestas bem verdes, vales quase encantados, montanhas nevadas ao fundo. Agora sim, estamos na Patagônia Andina, região de Bariloche. A cada curva, mais um cartão postal. Não é a toa que a ruta 40 tem a fama que tem. Passamos por Esquiel, também de origem galesa e El Bolsón, coração da Patagônia hippie e alternativa. Quando estivermos indo para o sul, em pouco mais de uma semana, vamos passar com calma por aqui. Hoje, foi só de passagem, fotos e muita inspiração só da janela do carro. Nosso objetivo era mesmo Bariloche. E aí chegamos, ainda com tempo de luz para achar um hotel, dar uma boa volta pela cidade e nos encontrar com a Rowan, que chega bem de noite. Fica para o próximo post...
Chegando a bela região de Bariloche, nos Andes argentinos
O maravilhoso reflexo do céu nos rios que cortam a Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Como mostrei no post anterior, tínhamos todo o conforto para as horas de descanso na pousada Uacari, em Mamirauá, mas não foi para relaxar que tínhamos ido até o coração da Amazônia. Fomos para lá para explorar e aprender, ver e fotografar, sentirmo-nos mais perto dessa natureza exuberante. E para isso, os melhores momentos eram mesmo os passeios realizados pela reserva de desenvolvimento sustentável.
Encontro das águas na região de Tefé, no Amazonas
Uma gigantesca Samaúma, na região de Tefé, no Amazonas
No processo de fazer a reserva na pousada, um dos questionários que temos de preencher e enviar são as nossas preferências e interesses de conhecimento. Podemos dizer que priorizamos ver a floresta, seus animais, sua fauna ou as comunidades que lá vivem. Podemos dizer se preferimos caminhar ou navegar, e mesmo se queremos pescar piranhas. Assim, questionários envolvidos, o pessoal da pousada tenta montar a melhor programação de passeios possíveis para se adequar aos nossos interesses.
Enttrando na belíssima Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
A floresta alagada na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Nós chegamos à Pousada Uacari justamente entre duas semanas muito movimentadas, grupos grandes. Na nossa semana, ao contrário, não eram muitas pessoas, o que facilitou ainda mais a adequação da programação aos gostos de cada um. Quem queria pescar piranha, pescou, quem queria dormir isolado na casa da floresta, dormiu, quem queria sair a todo momento de canoa, saiu. Muito legal!
Guia nos dá explicações durante passeio de canoa motorizada pela Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Durante passeio na canoa motorizada, observando a flora e fauna da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Nessa época do ano, como já disse, só se pode passear com canoa. Não há terra firme para caminhar. Os rios Solimões e Japurá “se levantam” mais de 10 metros e cobrem todo o solo da floresta, seus igarapés e lagos, restando apenas a copa das árvores acima do nível da água. Na verdade, viram um só rio, com largura de dezenas de quilômetros, entremeados pela copa da floresta. No leito “normal” dos rios, a água corre forte rumo ao oceano. Nos pontos de alagamento, nas florestas e trechos que são lagos durante o período seco, mal se percebe o seu movimento, embora ele exista. É neste verdadeiro mar de água doce, ora em águas abertas, ora em águas “fechadas” pela floresta, que fazemos nossos passeios.
Depois de mais um passeio, chegando de volta à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
O maravilhoso reflexo do céu nos rios que cortam a Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Para ir a distâncias maiores, seguíamos nas canoas grandes, motorizadas, todo o grupo a bordo. Era o momento de ficarmos nos trechos de águas abertas, a hora ideal de admirar a grandeza da paisagem, observar a floresta e suas imensas árvores de longe, o esplendor do entardecer refletido nas vastas extensões cobertas pela água. A cada momento, a cada ângulo, a chance de uma nova foto. Era também o momento mais fácil de observarmos os pássaros da região, as dezenas de espécies de diferentes cores, formas e tamanhos que voavam sobre nós, de uma borda do rio à outra, de uma parte da floresta alagada para outra parte da floresta alagada. As vezes solitários, muitas vezes em duplas, outras vezes em bandos que variavam de poucos indivíduos às centenas deles.
Procurando jacarés durante passeio noturno na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Retornando à Pousada Uacari após passeio noturno na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Foi nesse tipo de canoa que fomos visitar uma comunidade ribeirinha, assunto que vou falar com mais detalhes em outro post. Foi nela também que procuramos os famosos botos cor-de-rosa, uma dos mais emblemáticos animais dos rios amazônicos. Também foi em uma canoa motorizada que seguimos até um grande lago a quase uma hora de distância da pousada. “Lago” , como disse, é apenas modo de falar, pois é apenas mais um pedaço do enorme rio que cobre tudo o que vemos por aqui. Mas por estar relativamente isolado dos canais principais, ele se parece mesmo um lago e foi aí que tivemos um espetacular pôr-do-sol seguido por uma chuva de proporções amazônicas. Felizmente, tivemos tempo de chegar a uma estação de pesquisa localizada no tal lago e esperar que a chuva passasse, todos admirados com a força do rio que vinha de cima. Depois, passada a chuva, já no escuro, com a ajuda de holofotes e sempre à procura dos olhos brilhantes de jacarés, retornamos ao conforto de nossa casa.
Nosso guia nos leva para um passeio na floresta alagada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
Fruta muito comum nessa época do ano na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Por mais lindos e panorâmicos que fossem esses passeios pelas águas abertas, não tenho dúvida que a grande estrela dos passeios são mesmo as excursões em canoas pelas matas alagadas. Saímos em duplas, acompanhado pelo guia e remador, pelas proximidades da pousada, e passamos horas explorando cada recanto desse incrível ambiente que é uma floresta alagada. Percorremos quase que exatamente o mesmo caminho que, durante a seca, se faz à pé, através das trilhas na floresta. Só que agora, muito mais altos pelo alto nível das águas, estamos muito mais próximos das copas das árvores e, consequentemente, dos animais que lá vivem.
Fotografando a floresta alagada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
Passeando confortavelmente na floresta alagada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
O guia vai nos explicando e mostrando particularidades das floresta e de suas árvores. Mostra a utilidade de cada uma delas, seja na medicina, seja das características da madeira. Ele nos explica como os animais se adaptam a esse ambiente transitório, desde onças a jacarés até as formigas. Pois é, esses insetos sociais, a cada mudança de estação, se mudam da terra para as árvores, e das árvores para a terra. Constroem enormes colônias penduradas nos grandes galhos de árvores e, se precisarem nadar um pouco, não hesitarão. Como terá a evolução chegado a essa perfeição que é uma colônia de formigas? Cada indivíduo é fraco e frágil, mas a soma de todos eles é invencível e funciona como um relógio. Sinceramente, não consigo entender...
Durante passeio na floresta alagada, nosso guia nos mostra árvore repleta de formigas em seu interior, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Olhando para a copa da floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Navegando sob as árvores, esquilos, bichos-preguiça e macacos ficam mais perto do que nunca. Esses últimos são fáceis de localizar pela algazarra que fazem, seja quando se movimentam pelas árvores, seja quando estão comendo. Nosso prazer era localizar o seu som e seguir até lá, curiosos sobre qual espécie encontraríamos dessa vez. Falo um pouco da fauna de Mamirauá no próximo post.
Visita a uma das comunidades ribeirinhas na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Eu e a Ana não fomos pescar piranhas, já que pescaria não é muito a nossa praia, mas pudemos admirar as fotos tiradas por outros que foram. Também não optamos por dormir na Casa da Floresta, uma pequena construção toda cercada de telas verdes a 10 minutos de canoa da pousada. Na época da seca, ela está há quase quinze metros do solo, erguida sobre palafitas.Mas agora, na cheia, a água do rio quase a alcança e ela parece pairar sobre as águas. Ideal para quem quer dormir no meio da floresta. Mas, para quem quiser experimentar esse quarto de 3 metros por dois, não pense em uma noite romântica! A presença de um guia é mandatória! Nós preferimos ficar no conforto d nosso quarto na pousada, mas isso não impediu que a fôssemos conhecer também, em um de nossos passeios pela floresta alagada.
Visitando a Casa da Floresta, na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
A casa na Floresta, quase alagada, sobre palafitas de mais de dez metros de altura, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Enfim, tem programas para todos os gostos. Era sempre o ponto alto de nosso dia, nos ajeitarmos em nossos assentos na canoa, apenas imaginando o que veríamos naquelas próximas horas de exploração de um mundo tão diferente desse que acostumamos a viver. Mas esse outro mundo, o da floresta alagada, é nosso também, parte integrante do nosso pequeno planeta. Nada melhor que conhecer melhor nossa própria casa!
Passeio na floresta alagada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
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