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Izaltino Fombe (18/12)
Sou Hidraulico de profissao ainda preciso de investigar mais para comenta...
Luis (17/12)
Aí Rodrigo...e a viagem continua! Maravilha!!! Mando pra vc o link da no...
saeed (17/12)
eu quero ir de macapa para belem de carro quanto custa e o horario...
leonardo (14/12)
olá, gostaria de saber se há possibilidade de visitação do parque Nac...
Luiz Felipe (13/12)
Amigo, seu site está show! Parabéns! Gostaria de algumas dicas de como ...
Gelo na estrada da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Frio lá fora, tempo nublado, quarto quentinho, já viu a vontade que dá de sair da cama, né? O estímulo maior é o café da manhã, que se encerra às 09:30. Diante desse imperativo, não tem remédio. Mas logo já estávamos de volta ao quarto para trabalhar um pouco, dando um tempo para o tempo melhorar.
Estrada bucólica na região de Urubici - SC
Mas as nuvens eram insistentes e resolvemos sair assim mesmo. Resolvemos fazer um circuito pela região, dando uma volta na serra e no Parque Nacional de São Joaquim. É no ponto mais alto desse parque (e de toda a região sul do país), o Morro da Igreja, que foi medida a temperatura mais baixa do Brasil. Algo próximo de 17 graus NEGATIVOS! Isso mesmo, coisa de primeiro mundo, hehehe.
A gelada Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC. Nadar, nem pensar!
Bem, hoje estava frio, mas nem tanto assim! Fomos primeiro na mais bela cachoeira da região, bem pertinho de Urubici, chamada Avencal. Cachoeira mais para ser vista do que para ser nadada. Principalmente no inverno. A parte de baixo é atingida por uma trilha de pouco menos de um quilômetro que nos leva à garganta onde chega a cachoeira depois de uma queda de mais de 100 metros. Paisagem cinematográfica! E a água é geladíssima. Com o céu nublado e a temperatura de 10 graus do lado de fora, não sobrou estímulo nenhum para entrar na água... Na parte de cima da cachoeira, de onde temos uma visão magnífica do canyon por onde corre a água, pode-se chegar de carro. O máximo que temos de andar é uns 100 metros, até os dois mirantes de observação.
Pinturas rupestres e a Cachoeira do Avencal ao fundo, em Urubici - SC
No caminho para a parte alta da cachoeira, ainda passamos numa parede cheia de pinturas rupestres. Na verdade, pintura não, arte rupestre, já que eles não usavam tinta, era tudo técnica de baixo relevo. A mais bela delas é uma espécie de máscara, que já está ali há uns 3 mil anos, a admirar e guardar aquela linda paisagem à sua frente. Como sempre acontece quando vejo arte rupestre, fico imaginando o momento em que foram feitas, quem eram e como viviam aqueles artistas. Esse elo direto entre nós e eles, a arte na minha frente, ganha contornos quase mágicos, um tipo de máquina do tempo.
A majestosa Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC
Dali seguimos para Bom Jardim da Serra, onde está a famosa Serra do Rio do Rastro. No caminho, chuva, placas pedindo cuidado com o gelo na pista (muito estranho ver placas assim no Brasil!) e caminhões transpotando enormes peças na carroceria, o que atravancou o trânsito e nos fez perder uns 40 minutos preciosos na estrada. Enfim, chegamos ao mirante de onde se pode observar os paredões da serra despencando abruptamente até a planície lá embaixo, já quase no nível do mar. É uma visão magnífica que fica ainda mais linda com a estrada serpenteando por entre os paredões para vencer a montanha. Essa estrada é uma das grandes obras de engenharia rodoviária do país, certamente uma das mais belas do Brasil.
A famosa estrada da Serra do Rio do Rastro, na região de Urubici - SC
Enfrentando o frio no mirante da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Apertados pelo tempo, ficamos lá em cima bem menos do que gostaríamos e fomos logo descendo a estrada. Mas não demorou muito e já estávamos parados novamente. Desta vez, embasbacados diante de uma cascata de gelo enorme que se formou em uma das encostas. Afinal, não é todo dia que temos esse tipo de visão no Brasil, um país que era para ser tropical. Nova sessão de fotos e já fomos acelerando novamente, afinal ainda tínhamos de completar a nossa volta do parque, subindo por outra serra igualmente famosa, a Serra do Corvo Branco.
Cascata de gelo na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Fiona na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Atravessamos rapidamente a planície lá em baixo em direção ao norte, até a tal serra. A Corvo Branco é bem menos utilizada que a Rio do Rastro, pois não é asfaltada. Muitos dizem ser até mais bonita. À bordo da nossa Fiona, certamente a terra não seria problema. E não foi mesmo, perto do que já passamos antes. A paisagem é realmente belíssima, mesmo em um fim de tarde ainda mais escuro pela falta de sol. Foi o tempo de completarmos a subida, com uma ou outra parada para tentativas de fotos, que a noite tomou conta do céu. Lá no alto, a subida termina de forma apoteótica, no maior corte em rocha já feito no Brasil, com quase cem metros de altura. Ficamos só imaginando a beleza daquilo tudo num dia de céu azul. Não tivemos essa sorte, mas o que vimos, na penumbra da quase-noite já foi incrível!
Chegando num fim de tarde nublado na Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC
De lá, já no rumo de Urubici, passamos na entrada da estrada para o Morro da Igreja. Era sete da noite, estávamos a 1.100 metros de altura e a temperatura era de 8 graus. Quem sabe, por um milagre, não estaria nevando lá encima? Fomos subindo acompanhando atentamente os marcadores de nosso GPS e da Fiona. Uma marcava a altitude e o outro, a temperatura. 1300, 1400, 1500; 7 graus, 6 graus, 5 graus. E nós na maior torcida! Enfim, chegamos aos 1.800 metros com 2 graus de temperatura. Mas, ao invés de neve, tinha era muita névoa e vento. Vento forte e frio!!! Brrrrrrr A temperatura aparente deveria ser quase uns 10 graus abaixo de zero! Minhas orelhas congelaram rapidinho! Felizmente, o conforto da Fiona estava ali do lado...
Trecho final e asfaltado da subida da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC
Depois desse frio todo, do longo percurso ao redor do parque e para seu ponto mais alto e das lindas paisagens do dia, só nos restava voltar para Urubici. Um chuveiro quente delicioso nos aguardava. E uma cama quentinha também. Amanhã, com pilhas novas, vamos atrás do frio novamente...
O maior corte feito em rocha no Brasil, com quase 100 metros, no alto da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC
O belo interior da moderna Igreja do Rosário, no centro de San Salvador, capital de El Salvador
Céu absolutamente sem nuvens, típico daqueles dias em que vamos deixar a praia e voltar para a cidade grande. Aproveitamos para um último mergulho na praia de El Tunco, hoje já bem mais vazia que ontem. A maré baixa deixa o mar bem tranquilo e eu e a Ana pudemos nadar tranquilamente no Oceano Pacífico, uma despedida por um bom tempo. Acho que a próxima vez, só no México.
Trãnsito pesado na volta à San Salvador, capital de El Salvador
Rumamos para San Salvador, a capital do país, a meros quarenta minutos dali, dirigindo. Mesmo antes do início da nossa viagem, há quase dois anos, a gente vem ouvindo sobre a má fama do país e, principalmente da capital, na questão de segurança. Junto com Guatemala e México, são os países de que mais ouvimos: “Nossa, vai passar por lá? Não tem medo? Cuidado, hein!”. São informações que nos chegam pela imprensa e noticiário e que vão, pouco a pouco, nos formando uma imagem e um conceito sobre um país...
O belo interior da moderna Igreja do Rosário, no centro de San Salvador, capital de El Salvador
Eu não costumo dar muita bola para isso não. Sempre penso no Brasil e no Rio como exemplos. Se fôssemos acreditar em tudo o que a TV ou os jornais parecem intuir sobre a cidade e o país, como muitos gringos acreditam, o melhor a fazer seria nunca pisar na Cidade Maravilhosa e passar longe do Brasil. Cansamos de ouvir perguntas de gringos sobre a segurança em nosso país, sobre se é possível viajar pelo Brasil. Bom, se não tivermos o azar de estarmos no lugar errado na hora errada, com certeza não só é possível, mas também altamente recompensador viajar no Brasil. Por analogia, uso o mesmo raciocínio para os outros países, apesar das constantes notícias sobre massacres e de pessoas que andam armadas e etc, etc, etc.
De qualquer maneira, o seguro morreu de velho e sempre é bom se precaver. Assim, em San Salvador, fomos diretamente à Zona Rosa, uma espécie de Jardins da capital salvadorenha. É onde estão os melhores hotéis, restaurantes, lojas e onde se concentra a night life de San Salvador. Não demorou muito e já estávamos muito bem instalados no Clarion, com uma magnífica vista da cidade e do vulcão vizinho, chamado San Salvador também.
A Catedral de San Salvador, capital de El Salvador
Voltando à questão da segurança, enquanto o problema maior no México e, mais recentemente na Guatemala, são os cartéis de drogas, aqui em El Salvador são as “Maras”, ou gangues. A maior e mais famosa delas tem o peculiar nome de “Salvatrucha”. Surgiu na década de 80, na periferia de Los Angeles, EUA. Foi criada por imigrantes salvadorenhos fugidos da guerra civil que assolava o país e cansados de serem explorados por gangues mexicanas já há muito estabelecidas na cidade. Esteticamente, a principal característica de seus membros é a pele toda tatuada. A gangue logo cresceu, se tornando uma das mais violentas e poderosas por lá. A polícia americana, assustada, não pensou dias vezes: deportação em massa! O que parecia ser a solução foi, na verdade, a ampliação do problema. Os membros da Salvatrucha deportados para San Salvador logo se estabeleceram na própria cidade natal, angariando novos membros num ambiente de pobreza e falta de perspectivas num país afundado na guerra civil e governado por uma oligarquia corrupta. A Salvatrucha continuou se expandindo e cruzando fronteiras e hoje, segundo estimativas, conta com mais de 30 mil membros, do Canadá à América Central. Sua principal fonte de renda é a “proteção”, de contratação obrigatória por todos os comerciantes da área. Quem não paga, nem preciso dizer o que acontece, né?
A imponente Catedral de San Salvador, capital de El Salvador
Bom, muito bem instalados na Zona Rosa e com a Fiona devidamente guardada na garagem do hotel, fomos de taxi para o centro da cidade, conhecer um pouco do mundo “real”. O primeiro ponto, sugestão do nosso livro-guia foi a Igreja do Rosário. O guia foi categórico: “Se for conhecer apenas uma igreja na cidade, e mesmo em todo o país, que seja essa!” O engraçado foi que nem o pessoal do hotel, nem o motorista de taxi souberam identificar a igreja pelo nome. Mas, como tínhamos o endereço, para lá fomos. Um igreja moderna, feia por fora mas muito bonita e interessante por dentro! Gostamos bastante.
Pintura na parede externa da Catedral de San Salvador, capital de El Salvador
De lá seguimos para a vizinha Plaza Barrios, centro nervoso da capital, onde estão o Palácio Nacional e a Catedral Metropolitana. Ainda hoje, é lá que ocorrem as grandes manifestações políticas e religiosas. Foi lá também que ocorreu o funeral do arcebispo Oscar Romero, que terminou em carnificina, em 1980. No dia de hoje, o ambiente estava bem mais tranquilo mas, mesmo assim, as ruas no seu entorno são um verdadeiro caos, totalmente tomadas pelo comércio ambulante. Depois de passear e fotografar a praça, andamos um pouco pelas redondezas sem nunca conseguir escapar da confusão. O ponto positivo foi que, depois de tantos turistas em El Tunco, aqui no centro de San Salvador não encontramos nenhum. Zero! A minha querida esposa, armada de sua Nikon a tiracolo, passou a ser uma das atrações turísticas do local, hehehe!
O Palacio Nacional, sede do governo no centro de San Salvador, capital de El Salvador
Pouco mais de uma hora de caos e sentimos saudades da tranquilidade de novo. Voltamos ao oásis da Zona Rosa, diretamente para o Multiplaza, um dos maiores sho´pings da cidade. Objetivo: comprar um computador. E assim fizemos, o que vai facilitar bastante meu trabalho daqui para frente! Meu presente de natal! A Ana foi mais modesta e, como presente de natal, se deu uma sessão dupla de massagem, uma hoje e outra marcada para amanhã. De volta ao nosso hotel, não foi difícil achar lugar gostoso para comer, carne de muito boa qualidade. Amanhã, faremos uma day-trip para uma cidade histórica aqui perto, Suchitoto, e voltamos para nosso refúgio na Zona Rosa. De noite tem mais massagem e até cinema!
Ringue de patinação do gelo no shopping Multiplaza, em San salvador, capital de El Salvador
P.S. Já ía esquecendo... a segurança. Não, não vimos ninguém tatuado nas ruas e nem nos sentimos ameaçados, em qualquer momento. No centro, ruas cheias e caóticas, mas assim também é em várias outras grandes cidades latino-americanas. O que nos faz lembrar sobre esta questão é a quantidade de guardas públicos e seguranças privados portando suas escopetas nas ruas e lojas. Já tinha sido assim em El Tunco também. No começo achamos meio estranho, mas depois acostumamos. Ver uma escopeta ou um rifle passou a ser como ver uma árvore ou um poste de luz. Faz parte da paisagem...
Trecho de carta de Guevara em sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina
Menos de uma hora ao sul da cidade de Córdoba, em uma das muitas regiões serranas da província de Córdoba, está a pequena Alta Gracia, Patrimônio Cultural da Humanidade. Mais uma para aquela “lista” de que falei alguns posts atrás (veja aqui), outra atração hermana tão pouco conhecida de nós, brasileiros. Com certeza, com um título desses, valia um pequeno desvio na nossa rota rumo à Buenos Aires!
Tajamar, a represa construída pelos jesuítas em Alta Gracia, na Argentina
Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina
São duas as grandes atrações na pacata cidade: primeiro, justamente a que fez Alta Gracia atrair a atenção da UNESCO, é o seu valor histórico e arquitetônico. Aí ficava, e na verdade é esta a sua origem, uma das mais belas Estâncias Jesuíticas criadas para abastecer de alimentos a cidade de Córdoba, onde ficava a principal sede dessa Ordem na América do Sul.
Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina
Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina
A segunda atração é mais recente. Para cá se mudaram os pais do pequeno Ernesto Guevara, na sua infância, para ajudar na saúde problemática do filho que era asmático. O ar serrano faria bem aos seus pulmões, foi a recomendação médica. O pequeno Ernesto passou aqui sua infância e parte da adolescência, antes de começar suas lendárias viagens pelo país e continente até se transformar no mais famoso, amado e sanguinário revolucionário do séc. XX. A casa onde morou a família Guevara foi transformada em museu e atrai visitas de admiradores de todo o mundo.
A casa onde viveu na infância Ernesto Che Guevara, em Alta Gracia, na Argentina
Quarto de pequeno Guevara, em Alta Gracia, na Argentina
Nós chegamos à cidade pouco depois do meio dia, justamente quando fechava o horário de visitas da Estância Jesuítica. Só pudemos conhecer os prédios do lado de fora, a Torre do Relógio e a represa construída para fornecer água às plantações e aos moinhos para fazer a farinha. Ela é conhecida pelo nome de Tajamar e é uma delícia caminhar pela sua orla, sempre na sombra das árvores.
Um jovem Che Guevara viajando de bicicleta pela Argentina, em museu em Alta Gracia, na Argentina
Quanto à própria Estância, a igreja e o museu, só iriam reabrir depois das duas da tarde e aproveitamos esse tempo para ir conhecer a casa onde viveu Chê. A cidade é bem tranquila, lembra muito as cidades serranas brasileiras, ar puro e pouco movimento nas ruas. Em cinco minutos, a Fiona nos levou até a simpática casa, um garoto de bronze sentado na mureta, assim como costumava ficar o pequeno Ernesto.
Guevara atravessando rio amazônico de balsa com seu companheiro, foto em museu de Alta Gracia, na Argentina
A casa é pequena, uns poucos cômodos e o quintal ainda caracterizados como na época em que a família lá vivia. As paredes repletas de fotografias antigas, mapas das viagens de Chê e trechos de seus discursos mais famosos. Além disso, uma motocicleta do mesmo modelo daquela em que ele iniciou seu primeiro giro pela América do Sul, na companhia de um grande amigo. História retratada no belo filme “Diários de Motocicleta”.
Já houve tempo em que eu fui mais fã de Che Guevara. Mas a idade e o melhor conhecimento de tudo o que ele fez acabaram com aquela imagem pueril que eu tinha do revolucionário idealista que lutava pelo bem dos pobres e oprimidos. Enfim, conheci também o lado sanguinário irracionalmente racional desse incansável lutador. Hoje, entre a sua soma de defeitos e soma de qualidades, acabo pendendo para o primeiro, mas isso não impede que eu continue admirando muito do que fez e, principalmente, a força de suas convicções.
Mapa mostrando as viagens de Che Guevara pela América Latina, em museu de Alta Gracia, na Argentina
Exemplar da mesma motocicleta que Che Guevara iniciou sua mítica viagem pela América Latina, em Alta Gracia, na Argentina
Como não poderia deixar de ser, principalmente em meio a essa nossa jornada pelas Américas, impossível eu não me curvar a este lado “viajante” de Chê Guevara. Eu já sabia muito sobre aquela viagem de moto que inspirou o filme, mas aqui no museu pudemos ler sobre as outras que fez. Ele começou cedo, viajando de bicicleta por seu próprio país. Viagens longas, próprias de um sonhador e aventureiro. Ver uma foto sua, quando ainda se parecia um de nós, é emocionante.
Trecho da última carta de Che Guevara a seus filhos, em museu de Alta Gracia, na Argentina
Mais tarde, rodou a América Latina três vezes. Foi a Machu Picchu na década de 50! Tentou subir o Monte Orizaba, montanha mais alta do México, exatamente como eu fiz. Que interessante deve ter sido ver a América da década de 50, suas estradas, sua cultura, seus problemas. É uma história que eu já conhecia, por alto, mas ver as fotos e estar aqui no mesmo lugar que ele viveu, nos faz chegar muito mais perto daquela realidade.
Visita de Fidel e Chavez ao museu de Che Guevara em Alta Gracia, na Argentina
A Ana e o Ernestito, o pequeno Guevara na sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina
Quem também esteve por aqui foi seu companheiro Fidel Castro, acompanhado de um ainda saudável e sorridente Chavez. Interessante ver a foto do Fidel e vários dos amigos de infância do Chê, todo mundo tentando falar e ninguém ouvido ninguém, tudo aqui na mesma varanda onde tiramos a foto da Ana e do garoto Ernesto olhando a vida passar na rua em frente.
Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina
Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina
Enfim, deixo aqui minhas mais sinceras homenagens a este Chê viajante e aventureiro, numa época quando viajar era muito mais romântico do que hoje, em que se pode chegar de estrada asfaltada a quase todos os cantinhos do nosso continente. Quanto ao Chê revolucionário, como já disse, admiro a convicção, mas compadeço-me das centenas de vítimas e mesmo de seus filhos, que trocaram o pai por uma bela carta, sinceros conselhos e boas intenções. Mas, como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio...
Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina
Quarto dos antigos missionários que viviam na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina
Chega de Chê, que depois de 50 anos, ainda disputa a liderança na venda de camisetas com outro ícone pop, Bob Marley, e voltemos aos jesuítas. Foram eles que colonizaram essa terra, domesticaram suas águas e a transformaram num celeiro para Córdoba e para o país. Agora sim, a igreja e o museu estavam abertos e para lá fomos eu e a Ana, ávidos por uma arquitetura colonial.
Visão da torre do relógio e do Tajamar, de dentro da Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina
As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina
Passeamos um bom tempo pelas arcadas e jardins das construções do séc. XVII, deliciamo-nos com suas pinturas, afrescos e livros ali expostos e nos imaginamos vivendo naquele tempo e naquela realidade. Não custa muito tempo para concordar com a UNESCO na sua intenção de preservar tudo aquilo!
As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina
Um dos belos afrescos na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina
Por fim, era a hora de algo mais mundano mesmo: cuidarmos do estômago! Um lanche rápido seguido de espetacular “postre” (sobremesa!) e estávamos “listos” (prontos!) para seguir em frente, rumo à Villa Nueva, onde um grande amigo que ainda não conhecemos pessoalmente (viva a Internet!!!)nos espera de braços abertos!
Sobremesa irresistível em Alta Gracia, na Argentina
Paisagem colombiana durante a viagem entre Cali e Girardot, na Colômbia
Era umas quatro da manhã quando saímos de Cali, a Fiona seguindo a van do The Hall Effect, o Nicolas conosco tentando se recuperar da noitada que ainda terminava, show da banda em Cali.
A viagem seguiu sem problemas até a cidade de Armenia. Neste ponto, a polícia não deixava mais passar. Um deslizamento havia interrompido a ligação entre duas das mais importantes cidades do país: Cali e Bogotá. Não só isso: por aí passam mais de 90% das importações da Colômbia, vindas da sua costa do Pacífico. Tudo transportado por caminhões. Fila de mais de 40 km! A estrada corta uma área muito montanhosa e de origem vulcânica. Não resiste a uma boa chuva. Segundo nossos amigos colombianos, verbas e mais verbas já foram liberadas nas últimas décadas para uma nova estrada. Tudo foi parar devidamente no bolso de políticos e empreiteros. Como bom brasileiro, parece que já ouvi essa história antes...
A van do grupo The Hall Effect, em parada durante a viagem entre Cali e Girardot, na Colômbia
O pessoal da banda começou a ficar meio nervoso. Afinal, deveriam tocar às 15:30 no festival. Antes disso, deveriam se preparar, afinar seus instrumentos. A organização do show também se preocupava. Afinal, The Hall Effect era uma das grandes atrações desse concerto realizado a duas horas de Bogotá, num hotel famoso por servir de cenário a várias novelas e produções colombianas.
A banda The Hall effect durante a viagem entre Cali e Girardot, na Colômbia
Sem previsão para que a estrada abrisse e, caso abrisse, atrás de uma fila de 40 km, a solução foi buscar uma estrada alternativa. Uma volta dos diabos, cinco ou seis horas de estrada, mas melhor do que ficar parado. Seguimos então para o norte, pela região de Manizales, bem no centro da belíssima região cafeteira do país. Assim, para mim e para a Ana, até que foi legal, pois era uma região que, após a mudança de planos e rotas (post passado), não iríamos ver. Não é em muitos lugares do mundo que podemos ver plantações de café com o horizonte preenchido por montanhas nevadas. É exatamente o que ocorre por aqui, o Parque Nacional dos Nevados, majestoso sempre no horizonte.
Paisagem colombiana durante a viagem entre Cali e Girardot, na Colômbia
Sempre não! Só quando as nuvens deixam ele aparecer. E hoje foi um dia chuvoso. Mas, algumas vezes São Pedro dava uma folguinha e a gente podia admirar aquele visual maravilhoso. Outras vezes, mandava chuva, que ía enchendo rios e lagos. Um desses rios transbordou numa das pequenas cidades que cruzávamos. Foi impressionante ver a enxurrada fora do seu leito normal, despencando ladeira abaixo, bem encima da estrada. Carros já começavam a se aglomerar por ali, mas a van do The Hall Effect e a Fiona não pestanejaram. Passaram sobre o rio que era estrada enquanto havia tempo. Os últimos a conseguir, antes que o rio subisse ainda mais. Tudo devidamente registrado pela TV local e retransmitido ao país.
Paisagem colombiana durante a viagem entre Cali e Girardot, na Colômbia
Aí, foi aquela história de quem conta um conto, aumenta um ponto. Como não chegávamos ao show e com as imagens de TV, começou a correr o boato que que a banda e um misterioso carro dos 1000dias tinham sido levados pela enxurrada. O telefone tocava no carro deles perguntando se ainda estavam vivos ou não. No nosso carro, agora, seguia o simpaticíssimo Douglas, o baixista da banda. A gente foi se divertindo com as peripécias da jornada enquanto falávamos dos 1000 dias e do rock colombiano. Tudo isso para esconder um pouco a angústia da dúvida se chegaríamos ou não a tempo para o show.
Pois chegamos! Doze horas depois da partida de Cali chegamos ao Hotel Paraíso, na pequena Girardot. Para a felicidade nossa, dos organizadores e de muitos da platéia que já não sabiam se poderiam ver, alguma vez na vida, o The Hall Effect. Rapidamente já estávamos com nossa pulseiras de convidados VIP e a banda se preparando para o show. A organização fez uma recomposição de horários e passou o horário do The Hall Effect para as sete da noite. Afinal, so show deve continuar!
A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Hoje de manhã foi a nossa despedida da belíssima região de Black Hills. Percorremos uma estrada cênica ao longo da parte norte, por entre lagos e florestas. A cada curva, uma nova pintura. O céu azul ajudava e a vontade que dava era a de percorrer algumas trilhas e fazer um piquenique na orla de um dos lagos e rios cristalinos da região.
A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos
Pausa em viagem pelo norte das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos
Mas precisávamos continuar. Deixamos para trás não apenas as Black Hills, mas também o estado de South Dakota. Chegávamos ao Wyoming, um dos estados com natureza mais exuberante do país. Aqui, por exemplo, estão os parques nacionais de Yellowstone e Grand Tetons, além de diversos parques estaduais, que protegem rios e canyons.
A linda paisagem de uma estrada cênica no norte de Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos
Exposição no excelente Centro de Boas Vindas do Wyoming, nos Estados Unidos
Como em todos os outros estados que entramos por alguma das grandes rodovias interestaduais, logo encontramos um “Wellcoming Center”, ou Centro de Boas-vindas. A diferença foi que, pela primeira vez, resolvemos parar para dar uma olhada. Isso porque queríamos saber informações sobre o nosso primeiro destino no estado, uma enorme torre de pedra conhecida como Devil’s Tower.
A imponente Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Além de conseguirmos as informações, ainda ficamos impressionados com a qualidade do Centro, uma casinha muito bem construída no meio do nada, repleta de folhetos e painéis de todas as atrações do estado, além de funcionários simpáticos e dispostos a ajudar. Foi de tirar o chapéu! Isso sim que é desenvolvimento de turismo!
Chegando à incrível Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Seguimos então para a Devil’s Tower, que com seus quase 400 metros de altura sobre o terreno que a rodeia, pode ser vista de longe. O nome não faz muito sentido, e decorre de uma tradução mal feita de um de seus nomes indígenas. A pedra era sagrada para várias tribos e tinha, portanto vários nomes. Vários relacionados a ursos, que eram frequentes por aqui. A razão para isso é que as ranhuras da enorme rocha parecem ter sido feitas por um urso gigante. Aliás, o original da tal tradução mal feita era “Abrigo do Urso”.
Homenagens indígenas, muito comum na mata ao redor da Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Não é difícil entender porque a pedra era (e continua!) sagrada para os indígenas. Quando a vemos de longe, e ainda mais quando nos aproximamos, a vontade que ela inspira é a de contemplação e adoração. Magnífica, crescendo para o céu como um gigantesco monumento. É mesmo impressionante!
Visita à impressionante torre de pedra chamada Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
A vantagem de estarmos nesse país é que uma maravilha dessa é protegida. Foi declarado o primeiro Monumento Nacional, já há mais de 100 anos! E chegando ao sopé dela, dezenas de painéis explicativos nos mostram como ela foi formada. A história geológica da Terra, por causa da sua escala de tempo, sempre nos faz ver como somos insignificantes e como o período de nossas vidas é absolutamente ridículo.
As colunas que formam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Devil’s Tower, assim como várias primas suas que vimos em nossas andanças pelo Espírito Santo ou em Quixadá, interior do nosso querido Ceará, foram formadas por “intrusão”. Alguns milhões de anos atrás, uma grande quantidade de lava ascendeu de grandes profundidades, por entre camadas de rochas sedimentares, tudo isso ainda bem abaixo da superfície. Aí, ela se esfriou rapidamente, contraindo-se e rachando internamente. Essas rachaduras são a origem das “colunas” que vemos hoje. Em seguida, alguns milhões de anos de erosão pela água e pelo ar levaram embora toda a rocha sedimentar (mais mole) que envolvia essa “intrusão” de rocha granítica, desenterrando ela do solo. Por ser mais dura, resiste muito mais à erosão e continua lá, de pé, embora também se desgaste com o tempo, de forma muito mais lenta.
Alpinistas escalam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Alpinistas escalam a Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
O resultado é essa maravilha que vemos hoje, imponência e delicadeza ao mesmo tempo. Além de sagrada para os indígenas, também é para os alpinistas, que vem de todo o país para escalar alguma de suas vias de acesso. Os primeiros a chegar lá encima foram dois rancheiros locais, no final do séc XIX. Construíram escadas e foram encaixando elas entre as fissuras e completaram a façanha. É muito legal ver as fotos em preto e branco dessa aventura centenária. Hoje, são usadas técnicas modernas e nós pudemos observar vários desses corajosos pendurados nas paredes da pedra.
Visita à impressionante torre de pedra chamada Devil's Tower, em Wyoming, nos Estados Unidos
Quanto a nós, limitamos a dar a volta na base por uma trilha de poucos quilômetros. Muitas fotos e a devida reverência. Ao ir embora, e pedra continuou aparecendo no retrovisor da Fiona durante muito tempo. Parecia dizer: “Boa viagem! Mas voltem aqui, algum dia”. Voltaremos...
A Devil's Tower fica no retrovisor da Fiona, em Wyoming, nos Estados Unidos
Belíssimo pôr-do-sol nas estradas de Wyoming, nos Estados Unidos
O resto do dia foi cruzando esse estado de paisagens espetaculares. Não conseguimos chegar até o outro lado de Wyoming, onde estão os parques que visitaremos nos próximos dias, já na fronteira com Idaho e Montana. Mas chegamos bem perto e amanhã, já estaremos no Grand Tetons. Até lá, as imagens que ficarão em nossas mentes serão do magnífico Bear’s Lodge (o nome correto da Devil’s Tower) e do pôr-do-sol cinematográfico com o qual fomos presenteados no coração do Wyoming.
Belíssimo pôr-do-sol nas estradas de Wyoming, nos Estados Unidos
O Djair nos dá aula de geologia no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
Depois da noitada do reveillon, que foi até às três, o café da manhã veio mais tarde. Depois, um pouco de trabalho e navegações na internet e era tempo de explorar a região, dessa vez com a luz do dia.
Caminhando com o Paulo no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB
O Paulo nos levou para o Lajedo Manoel de Souza e foi nos dando aulas de botânica e geologia. Eu e a Ana já estamos ficando meio versados neste assuntos, principalmente botânica da caatinga. Já na geologia, depende do tipo de formação rochosa. E as formações rochosas daqui são únicas no continente. Parece que há algo similar num ponto da África (Namíbia?) e outra na Austrália. Ou seja, é muito especial. Mesmo em escala global.
Processo de "acebolamento" em rocha no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB
O que mais chama a atenção são os matacões, grandes blocos de rocha de forma arredondada, às vezes com fendas internas, que parecem ter sido colocados em cima dos diversos lajedos que aqui existem. O lajedo do Pai Mateus é apenas o mais famoso, mas também há outros. Como disse, o primeiro que visitamos foi o Manoel de Souza e lá o Paulo se esforçou para nos explicar a origem daquelas formas estranhas.
Matacão em forma de capacete no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB
Lagoa formada por um rio temporário ao lado do Saco de Lã, na região de Cabaceiras - PB
De lá seguimos para o Sacos de Lã, uma enorme pilha de grandes rochas de formas retas, quase quadradas, completamente encaixadas umas nas outras. Tudo isso ao lado de um rio temporário que atualmente é só lagoas. Cenário lindo, no meio dessa caatinga seca, a primeira que encontramos nessa nossa jornada pelo sertão que se parece com aquele clichê de caatinga que vemos sempre pela TV.
Matacões no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
Depois dessa atração voltamos ao hotel para almoçar e depois, queríamos ir ao canyon do rio Soledade. Mas o Paulo, percebendo o quanto éramos interessados em geologia e arqueologia nos recomendou muito que visitássemos o Lajedo Sítio Bravo, em companhia do Djair, um grande especialista neste assuntos. Resolvemos seguir seu conselho, mas avisados que seria difícil "fugir" de lá em tempo para assistir o pôr-do-sol no lajedo do Pai Mateus. Isso porque o Djair seria uma enciclopédia ambulante, sempre interessado em dividir seus conhecimentos.
Mesa cerimonial (sacrifícios humanos?) em toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
E lá fomos nós. Mesmo avisados, ficamos absolutamente impressionados com o seu tour pelo lajedo. Em ritmo acelerado, só quebrado pelas nossas perguntas curiosas, ele foi disparando conhecimentos e teorias sobre a formação daquelas rochas, sobre o Sacos de Lã e, melhor ainda, sobre a milenar ocupação humana desta área do sertão paraibano.
Sobre a mais antiga pedra brasileira, com1,2 bilhões de anos! (Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB)
Difícil eu tentar resumir aqui as explicações. Obviamente, tem a ver com formações de diferentes tipo de rocha ainda no manto da terra, cada uma com dureza diferente. Depois, soerguimento. Aí, muita ação de vento, água e diferenças de temperatura entre o dia a noite, o que faz as rochas incharem e diminuírem, causando o que é chamado de "acebolamento". Some-se a isso algumas centenas de milhões de anos e o resultado é essa paisagem maravilhosa que temos por aqui.
Pequenas pedras formadas a 22 milhões de anos e ótimas para pinturas rupestres, na região de Cabaceiras - PB
Mais incrível, como disse, são os povos que aqui habitaram ou frequentaram por dezenas de milhares de anos. Os olhos treinados do Djair nos mostraram vários indícios de ação humana sobre essa rochas, aparentemente sagradas para eles. Locais de rituais, talvez de sacrifícios humanos, dentro de tocas. Instrumentos para corte de carne, para guerra e para a vida diária de um ser pré-histórico. Um show de aula, teórica e prática!
Pequena amostra de instrumentos pré-históricos coletados pelo Djair na região de Cabaceiras - PB
Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB
Tanto ele falou, e tão interessados ficamos que desistimos do pôr-do-sol no Pai Mateus. Vimos dali mesmo. Hoje era dia de aprender sobre geologia e arqueologia. Na melhor sala de aula do mundo e com um de seus melhores professores. Uma chance dessa, não se perde!
Toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
Exatamente no ponto mais ao norte da América do Sul, em Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia
Acordamos hoje bem cedo, praticamente junto com o sol. Estávamos num quarto sem paredes e numa cama sem lençóis, então ficou mais fácil madrugar, hehehe. Na verdade, dormimos em umas redes maravilhosas, bem espaçosas, penduradas em um galpão aberto. Cheiro delicioso de deserto no ar, afinal, estávamos no meio do deserto. Bem fresquinho de noite e madrugada, mas começa a esquentar cedo.
O nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia
A Ana ainda dorme no nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia
Nós dormimos em um rancho que se especializou em receber turistas. Essa noite, além de nós, estavam lá o Marco e a Elisiana, um simpaticíssimo casal italiano que está na Colômbia para assistir a um casamento em Cartagena. Aproveitaram para dar uma esticada e conhecer a península de La Guajira.
Café da manhã com o Marco e a Elisiana, nossos amigos italianos, num rancho no norte da península de La Guajira, na Colômbia
Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia
Café da manhã na península de La Guajira, na Colômbia
Tomamos o café da manhã juntos, com vista para o deserto, de um lado, e um braço de mar do outro. Paisagens magníficas! Ali do lado, tinha uma árvore maravilhosa, toda inclinada para um lado, fruto do vento que nunca para. Difícil imaginar uma árvore mais fotogênica. Uma árvore dessas, solitária, no meio do deserto e com vista para o mar. Faz a gente parar e pensar...
A mais bela e sábia das árvores, na península de La Guajira, na Colômbia
Braço de mar ao lado de nosso rancho na península de La Guajira, na Colômbia
Muita estrada nos esperava hoje e tivemos que começar bem cedo. Despedimo-nos dos amigos italianos, que iriam embora de barco, e fomos de Fiona em direção à Punta Gallinas, a pontinha norte da península em que estávamos que, por sua vez, já era a ponta norte da península La Guajira que é a ponta da América do Sul. Resumindo, estávamos indo para onde nasce o nosso continente, a terra elevando-se sobre o Mar do Caribe.
O farol que marca o início da América do Sul, em Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia
1000dias chega à Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia, o ponto mais ao norte da América do Sul
Vinte minutos e estávamos lá, na praia mais ao norte de Sudamerica. Na verdade, estamos tão ao norte por aqui que estamos acima de todo o Panamá e Costa Rica, Na verdade, estamos numa latitude maior até que Manágua, capital da Nicarágua. Quando falei isso para o Marco, o suíço (não confundir com Marco, o italiano!), ele não quis acreditar. Mas foi conferir no mapa e voltou mesmo impressionado.
Punta Gallinas, extremo norte da América do Sul, está mais ao norte que Panamá, Costa Rica e até de Manágua, capital da Nicarágua!
O Marco e a Tina saboreiam seu café da manhã na sombra do farol de Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia, ponto mais ao norte da América do Sul
Aliás, adivinha quem encontramos quando chegamos ao farol que marca Punta Gallinas? Exatamente, os nossos amigos suíços! Eles tinham dirigido para lá bem cedinho e estavam tranquilamente tomando seu café da manhã no ponto extremo da América do Sul. Ao me ver, foi a primeira coisa que ele me disse: “Você estava certo! Estamos mais ao norte que Manágua!”.
A Fiona no topo da América do Sul, em Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia
Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia, o ponto mais ao norte da América do Sul
No rústico farol, uma mapa pintado na parede da casinha mostra aonde estamos, para não deixar dúvidas. Tem até um desenho de uma galinha, por causa do nome daqui. Ponto obrigatório de fotos para todos que chegam tão longe nesse continente.
Piscina natural no extremo norte da América do Sul, em Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia
A Fiona no ponto mais ao norte da América do Sul, em Punta Gallinas, península de La Guajira, na Colômbia
Mas nós queríamos ir um pouco além! Caminhamos até a praia em frente ao farol, a primeira praia da América do Sul. Ali, uma bonita piscina natural se forma e, além dela, uma ponta de coral avança sobre o mar. O verdadeiro início do continente! A ponta da ponta da ponta da ponta! É claro que tinha de ir lá para tirar uma foto. Daquele ponto privilegiado, até dava para ver Manágua, um pouco mais ao sul e, do outro lado da América do Sul, a Terra do Fogo, aonde ainda vamos chegar! Hehehe, talvez não visse com meus olhos, mas a imaginação via isso tudo!
Ao longe, uma das muitas salinas da península de La Guajira, na Colômbia
Meio de transporte na península de La Guajira, na Colômbia
Chegava a hora de nos despedir, em definitivo, do Marco e da Tina. Será mesmo? Depois de tantas despedidas, já estávamos até sem graça de dizer adeus. Melhor um “até logo”. Mas desse vez, acho que será por um bom tempo. Enquanto nós entramos na Venezuela amanhã, eles vão passar alguns dias por aqui e depois, vão atravessar a Colômbia rumo ao Equador. Vamos ver o que o destino nos reserva...
sertão do Brasil? Não! Península de La Guajira, na Colômbia
A belíssima península de La Guajira, na Colômbia
Bom, a Venezuela é para amanhã, mas para hoje ainda tínhamos muita coisa. Primeiro, muitas horas cruzando o deserto novamente, dessa vez na direção sul. Outra vez, passamos por paisagens impressionantes, aquela vastidão infinita que há muito não víamos.
Nossos guias, Edwin e Alex, na península de La Guajira, na Colômbia
Chegando ao bel[issimo Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
O simpáticos Edwin e Alex nos guiando com maestria enquanto nós tentávamos aprender o máximo com eles sobre sua cultura indígena e sobre a história e geografia da região, Muito bem humorados, os dois eram ótima companhia e demos muitas risadas juntos. Até paramos em um mirante para tirarmos fotos com eles para depois enviarmos por e-mail. Não é todo dia que eles guiam brasileiros em seu próprio carro por aqui.
O mar azul de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
Muitas horas de trilhas e caminhos depois, chegamos à Cabo de La Vela. É uma vila de pescadores em frente a uma baía de águas verdes e tranquilas, protegidas por um cabo. É a cidade mais visitada da península, pela beleza da praia, e tem várias pequenas pousadas. A gente almoçou em uma delas e, enquanto a comida não ficava pronta, até deu tempo para um relaxante mergulho no mar. Como diria o anúncio: não tem preço!
Pilón de Azucar, perto de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
Pequena capela no topo do Pilón de Azucar, perto de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
De barriga cheia, seguimos para uma das maiores atrações da cidade e de La Guajira: uma montanha em forma de pirâmide com o nome de Pilón de Azucar. Fica a beira mar e tem uma trilha que leva a seu topo, onde há uma pequena capela e uma imagem de Nossa Senhora.
No topo do Pilón de Azucar, perto de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
No topo do Pilón de Azucar, perto de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
Convite irresistível para subir! Ainda mais com a vista que imaginávamos ter lá de cima. Pois é, por mais otimistas que tenhamos sido, ficamos surpreendidos com a beleza da paisagem. Absolutamente maravilhosa, para qualquer lado que se olhasse. O único cuidado era com o forte vento, que quase nos fazia alçar voo.
A incrível beleza da paisagem vista do topo do Pilón de Azucar, perto de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
Ficamos ali, a tirar fotos e admirar ao nosso redor durante um bom tempo. O final em grande estilo da nossa viagem por esse lugar mágico chamado La Guajira. Que bom que o destino nos convenceu a vir até aqui e, que bom que demos ouvidos a ele!. Há muito tempo que não nos sentíamos tão bem em um lugar como nos sentimos aqui. Desertos são mesmo especiais, ainda mais quando temos o ar condicionado da Fiona por perto, hehehe.
A incrível beleza da paisagem vista do topo do Pilón de Azucar, perto de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
Descemos do Pilón de Azucar e dirigimos mais um bom tempo, outra vez cortando caminho pelo deserto e driblando as partes encharcadas. Enfim, chegamos à estrada principal, aquela que acompanha a linha de trem. Aí, uma interminável reta até o asfalto e mais 40 minutos até a estrada principal. O Edwin e Alex desceram aí, para pegar um ônibus de volta a Riohacha e nós viramos para leste, em direção à Venezuela, cada vez mais perto. Nós dormimos em Maicao, a última cidade colombiana antes da fronteira. Amanhã é dia dos 1000dias entrarem em terras bolivarianas...
Imagem da Virgem no topo do Pilón de Azucar, perto de Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia
Com Kobe Bryant, o melhor jogador de basquete da atualidade, na saída do jogo do Lakers em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Descemos a colina onde está o letreiro de Hollywood, demos uma volta e subimos outra colina vizinha, onde está o Griffith Observatory. Localizado em um dos pontos mais altos da cidade e no meio de um parque, com uma incrível vista da metrópole logo abaixo, certamente é um dos pontos mais interessantes de Los Angeles.
O Griffith Observatory, um dos pontos mais altos de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Toda a enorme área foi comprada por um magnata da cidade, no início do século passado. Ela havia feito sua fortuna em Los Angeles e sentia que deveria retribuir à cidade que o acolheu. Naquela época, Los Angeles ainda não tinha um grande parque e o milionário resolveu presenteá-la com um. Comprou uma enorme área na periferia e doou-a à Los Angeles, desde que ali fosse feito um parque. O problema é que, na época, a área estava tão longe do centro que os vereadores quase recusaram o presente, com medo dos custos de se construir uma estrada até lá. Griffith não se acanhou e bancou a estrada ele mesmo. O parque foi feito e a área foi salva da especulação imobiliária que, um dia, certamente chegaria até ali. Felizes dos habitantes da cidade e de nós, turistas, que hoje temos essa incrível área verde com uma vista privilegiada.
Interior do Griffith Observatory, em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Na parte mais alta do parque foi construído um observatório astronômico, que também leva o nome do milionário benfeitor. Hoje, além de observatório, também é um museu e lá podemos ver exposições e muita informação sobre ciências, principalmente a astronomia. Para mim, que adoro coisas do espaço, pura diversão. Mas tem outros assuntos também e pudemos ver uma experiência demonstrando os raios de energia de Tesla e também um monitor que vê em infravermelho, como a visão da personagem alienígena Predator, que vem à Terra caçar humanos. Até tiramos uma foto, eu e a Ana, em infravermelho. O ponto mais frio, que aparece em azul, é o nariz dela, hehehe!
Imagem térmica do casal 1000dias, no Griffith Observatory, em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Um maravilhoso pôr-do-sol sobre Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Mas o mais belo lá de cima, sem dúvida, é o entardecer. Hoje, então, estava absolutamente magnífico. De tão belo, parecia de mentira, o céu vermelho sobre a cidade de Los Angeles, lá embaixo. Foi, provavelmente, a cena mais bonita que vimos na cidade, nesses quase quatro dias que passamos por aqui.
As luzes de Los Angeles se acendem com a chegada da noite ((na Califórnia - Estados Unidos)
Logo depois desse espetáculo, refugiamo-nos do frio intenso na santa Fiona e aceleramos para o centro. Estava na hora de outro espetáculo, um jogo de basquete do Lakers. A equipe é uma instituição em Los Angeles e nós demos a sorte de estar aqui durante a temporada de basquete, justamente quando eles recebiam um dos adversários da NBA para jogar em sua casa, o Staples Stadium. Conseguimos ingressos e fomos ver o jogo ao vivo e a cores.
Chegando à casa do Los Angeles Lakers em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Los Angeles tem duas equipes de basquete. A outra é o Clippers, mas esses só se mudaram para a cidade no início da década de 80. Os Estados Unidos tem disso: os times mudam de cidade e de casa, tanto no basquete como no beisebol e no futebol americano. Los Angeles, por exemplo, hoje em dia não tem mais nenhum time de futebol. O aluguel do estádio ficou muito caro e os dois times da cidade se mudaram daqui, já há alguns anos. Mas, voltando ao basquete, é o Lakers que nasceu por aqui e a cidade o venera.
Lakers, uma verdadeira instituição em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Eu comecei a me interessar pelo basquete profissional americano na década de 80, um pouco antes da Bandeirantes começar a mostrar os jogos de lá e o esporte virar uma febre no Brasil. Parentes haviam se mudado para Boston e, poucos anos depois, foi a vez da minha irmã. Na época, o melhor time de basquete dos EUA era o Boston Celtics, com o cestinha Larry Bird. Obviamente, meus tios e também a minha irmã viraram seus fãs e ardorosos torcedores. Por tabela, todos nós ficamos, lá no Brasil. O grande rival do Celtics, o único que conseguia lhe fazer frente, era o Lakers do Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar. O jogo entre as duas equipes era como se fosse um Fla-Flu e quem torcia por um, odiava o outro.
O ginásio do Lakers ainda vazio, uma hora antes do jogo em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Ou seja, para mim, o Lakers era o inimigo. Mas lá se vão mais de vinte anos. De lá para cá, o Celtics minguou, o Lakers teve outros grandes momentos e o basquete americano foi dominado por quase dez anos pelo Chicago Bulls do Michael Jordan. Os brasileiros foram jogar na NBA e hoje são personagens importantes da liga. O nível do basquete em todo mundo melhorou, buscando a perfeição atingida pelos super jogadores e equipes americanas.
Começa o jogo entre Lakers e Bobcats em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Pois bem, hoje foi dia de ir à casa do antigo inimigo. Antigo, pois hoje fui como verdadeiro fã. Do basquete, do profissionalismo e da organização com que tudo é feito por aqui. O estádio é um show por si só, quase um shopping center. Todo mundo tem suas cadeiras de onde se pode ver perfeitamente o jogo. No meio do espaço, gigantescos telões nos mostram os melhores momentos em diversos ângulos e velocidades. A torcida grita o tempo todo, animada pelo locutor oficial e por músicas que tocam durante a partida.
Nos intervalos do jogo, o show das cheerleaders no ginásio em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Realmente, um verdadeiro show. E um show que não pode parar. Nos intervalos ou tempos pedidos pelos técnicos, entra uma mulherada sarada para dançar e animar a torcida. São as cheerleaders. Ou então, gente da plateia é escolhida para descer na quadra e tentar algum arremesso de longe. Quem acerta é premiado.
Nos intervalos do jogo, o show das cheerleaders no ginásio em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
O jogo foi equilibrado o tempo todo, durante os quatro quartos. Ainda em início de temporada, com alguns de seus jogadores machucados, o Lakers não está no melhor da sua forma. A equipe liderada pelo melhor jogador da atualidade Kobe Bryant andou o tempo todo atrás, mas virou nos últimos minutos e conseguiu manter a vantagem de um ponto no final. Foi emocionante para a torcida e para os turistas que lá estavam.
Por um mísero ponto, vitória do Lakers em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Torcida comemora aliviada a vitória apertadíssima do Lakers, em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Apesar de toda a emoção, o estádio esteve sempre em ordem, do início ao fim. Nada de cavalaria da polícia na saída do estádio, passando em cima dos torcedores mais exaltados. Com muita ordem e tranquilidade, (mas com frio!!!), caminhamos até o estacionamento e pegamos a Fiona para sair da cidade. Mesmo tarde assim, nossa intenção já era dormir fora de Los Angeles, no nosso longo caminho até o Grand Canyon. Nas próximas horas madrugada afora, deixando a cidade para trás e entrando interior adentro, tudo o que conversamos foi sobre o magnífico dia que tivemos hoje. E sobre os magníficos dias que nos esperam adiante...
Assistindo a jogo do Lakers em em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos
Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada
Granada é considerada a “capital dos naufrágios do Caribe”, tal a quantidade de barcos afundados em águas mergulháveis ao redor da ilha. A gente já tinha ouvido falar disso, mas nessa correria nossa pelas ilhas caribenhas, chegamos aqui completamente esquecidos desse fato. Nossa última etapa nesse longo giro pela região, clima de final de viagem, já pensando no retorno a NY, estávamos meio perdidos por aqui, seguindo na inércia...
Em Grande Anse, embarcando para os mergulhos do dia (em Granada, no Caribe)
Mas ontem de manhã, antes de seguir para o Fort George, passamos no escritório de turismo e bastou um minuto folheando as várias revistas para relembramos o tesouro escondido nos mares granadinos. O problema é que só teríamos mais um dia no país, hoje, e ainda pensávamos em rodar de carro pelo interior. Sem contar que voaríamos no dia seguinte pela manhã, e não se deve mergulhar com menos de 24 horas antes de viagens de avião. Confabulamos e, dali mesmo, já ligamos para uma operadora para marcar uma sessão de mergulhos para hoje de manhã. Nossa ideia foi combinar tudo: o mundo subaquático com as montanhas e cachoeiras do interior de Granada, num dia corrido e intenso, daqueles que a gente adora!
Explorando a piscina do Bianca C, o enorme navio-cruzeiro naufragado em Granada
E assim foi. Bem cedinho, já estávamos motorizados e seguindo para Grande Anse, a mesma praia que estivemos ontem de tarde. Aí estão os grandes hotéis de Granada e também as operadoras de mergulho, quase sempre dentro de algum resort. O mergulho escolhido por nós não deixava por menos: simplesmente, o Bianca C, conhecido como o “Titanic do Caribe”! Um navio-cruzeiro italiano que começou a operar logo depois da 2ª Guerra Mundial e que, em 1961, trazia centenas de cliente para um giro pelo Caribe. Quando estava aportado em St. George’s, uma de suas caldeiras explodiu, matando um tripulante e condenando o navio. A tripulação e passageiros foram retirados do barco e o Bianca C foi rebocado por uma fragata inglesa para longe do porto, onde pode naufragar em paz.
Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada
Para a sorte dos mergulhadores do futuro (nós!), eram águas mergulháveis, isso é, com profundidade de até 70 metros. Pois é, não é um mergulho para qualquer um, pois é preciso mais treinamento para mergulhos profundos. Mas, definitivamente, vale a pena! O navio tem cerca de 200 metros de comprimento e está dividido em dois, com quase toda a estrutura ainda em pé, apesar dos 50 anos de ação do mar. São necessários vários mergulhos para se conhecer todo o naufrágio, ainda mais que, nessa profundidade, o consumo de ar é muito maior e o tempo que podemos ficar por lá é muito menor, para mergulhos não-descompressivos.
Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada
Mas nós só tínhamos um mergulho. A ideia era só dar uma geral no naufrágio. Não iríamos até o fundo, na areia, pois com isso ganharíamos mais tempo e ar nos “andares acima”. Mergulhando um pouco acima dos 40 metros, teríamos 15 minutos de fundo e poderíamos ver uma boa parte do exterior do navio, de seus decks, dar uma olhada rápida em seu interior e até “mergulhar” na antiga piscina que fazia a festa dos turistas.
Escada de aparência fantasmagórica dentro do naufrágio do Bianca C, em Granada
E assim foi. O Oscar, nosso guia, nos levou diretamente para a piscina, sua armações de metal retorcidas pela ação do tempo. De lá, começamos a navegar ao lado do barco, uma estrutura gigantesca e fantasmagórica naquela água azul própria de mergulhos profundos. Eram dezenas de aberturas para se olhar para dentro do barco, uma tentação enorme de fazer a penetração e explorar aquela gigantesca “caverna artificial”.
Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada
Mas não tínhamos tempo para isso, infelizmente. Entramos em um dos decks, mais espaçosos, eu fotografando e a Ana filmando. A visibilidade era de uns 20 metros, tudo muito azul. Difícil ter uma ideia de toda a grandiosidade do lugar pela foto, que não consegue capturar tudo. Mesmo os nossos olhos, a gente só vê um pedaço. Apenas nadando por lá é que se tem a ideia.
Chegando ao naufrágio Veronica L, em Granada
Logo já estávamos subindo para a superfície. O Bianca C foi se transformando apenas numa sombra e depois sumiu sob nós. Mas continua lá embaixo, imóvel, esperando novas visitas e explorações. Pelo menos até que o mar e a natureza acabem com seu trabalho de desmontá-lo.
Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada
Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada
Já nós, seguimos lentamente para o segundo ponto de mergulho, enquanto corria o chamado “tempo de superfície”, para que pudéssemos mergulhar novamente. O ponto escolhido foi outro naufrágio, este em águas rasas e o barco bem menor. Um pequeno cargueiro chamado Veronica L.
Entrando no compartimento de carga do Veronica L, em Granada
Respirando em uma bolha de ar a quase 10 metros de profundidade, no naufrágio Veronica L, em Granada
Aí tivemos mais de 40 minutos para explorar o barco e os corais ao seu redor. Aliás, a paisagem formada por esses corais parecia cenário de outro planeta. Acho que esses escritores e diretores de filmes de ficção científica vem ao fundo do mar, para buscar inspiração. Até o James Cameron confessou isso, com o seu “Avatar”.
uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada
uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada
Quanto ao pequeno Veronica L, duas cosias foram muito legais. Primeiro, ainda do lado de fora, uma gigantesca, talvez a maior que eu já tenha visto, moreia verde. Estava quase toda fora da toca, inchada, ameaçadora. Ao contrário das moreias pintadas, menores, dessa aí não tive coragem de me aproximar muito não. Como pode um bicho ser, ao mesmo tempo, tão bonito e tão feio?
Peixes nadam sobre corais que mais parecem um cenário de outro planeta, ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada
A outra coisa muito interessante foi uma bolha de ar que se formou dentro do naufrágio, depois das milhares de visitas de mergulhadores. Assim, a quase dez metros de profundidade, pudemos tirar nossos reguladores e conversar lá embaixo. Um ar pesado, com o dobro da pressão da nossa atmosfera ao nível do mar, faz os sons ficarem meio estranhos. Muito joia!
A belíssima praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe
Era meio dia quando voltamos à praia de Grande Anse. Apenas o tempo de um lanche rápido e dirigirmos rapidamente para o parque de Grand Etang, no interior montanhoso de Granada. Assunto para o próximo post...
Depois dos mergulhos, lanchando na praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe
Com nossa guia eslovaca na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Com uma superfície de mais de 8 mil quilômetros quadrados, a geleira de Vatnajokull é a maior da Europa. São 100 km de largura por 80 km de lado, um verdadeiro mar de gelo com espessura média de 500 metros, mas que chega, em alguns pontos, a 900 metros! Escondida sobre ela, vales, platôs, montanhas, vulcões e até uma fenda que chega a 300 metros abaixo do nível do mar!
A geleita de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, a maior da Europa
Aproximando-se da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, para fazer um trekking no gelo
Despontando para fora do gelo, de tão altos, estão a maior montanha da ilha e aquele vulcão que entrou em erupção alguns anos atrás fechando todos os aeroportos da Europa, numa luta espetacular entre as lavas ferventes e uma quantidade colossal de gelo ao seu redor.
Aproximando-se da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, para fazer um trekking no gelo
Animada no início da caminhada sobre a geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Tanta água doce há estocada aí, sob a forma de gelo e neve que, se toda a geleira fosse drenada pelo rio mais caudaloso da Islândia (que é grande! Nós ainda vamos conhece-lo, no norte do país), seriam precisos 200 anos para acabar a água! Okay, se pensarmos no rio Amazonas, o maior do planeta, seriam necessários “apenas” 5 meses...
Subindo um trecho inclinado da geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Uma das muitas "ladeiras" da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Pois bem, foi esse colosso que fomos conhecer hoje. Agências de turismo oferecem aos turistas mais energéticos a possibilidade de uma caminhada sobre o gelo, as fendas e as belezas de Vatnajokull. Fornecem todo o equipamento necessário, exceto as roupas, e o guia para nos levar lá. No nosso caso, era uma guia, uma simpática moça lá da Eslováquia que já anda sobre o gelo e a neve desde pequenininha.
A geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, corre em direção ao mar
As enormes montanhas que alimentam a geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Vamos de carro até uma das línguas que saem da geleira e vem até a planície litorânea e caminhamos até o gelo propriamente dito. Aí, com piquetas na mão, cordas na cintura e grampões nas botas, sempre em fila indiana seguindo nossa experiente guia, adentramos esse inverso branco, frio e escorregadio.
Pausa para descanso durante trekking na geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Pequena piscina de água gelada na geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Observando fissura no gelo da geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Aos poucos, vamos subindo, superando obstáculos, passando sobre fendas profundas e pequenos lagos de cor azul transparente, a mais pura água que se possa imaginar. Vamos também nos acostumando com a técnica de caminhar sobre o gelo. Eu e a Ana não somos experientes nesse tipo de atividade, caminhar sobre uma geleira, certamente nunca em uma desse tamanho. É preciso firmar bem o pé, ou os grampões, que evitam que a gente escorregue. Em trechos mais planos, não é difícil. Nas subidas sim, mas aí a piqueta e os conselhos da nossa guia ajudam bastante. Joelhos dobrados, corpo inclinado para frente! Na descida, claro, é o contrário!
Pose para foto durante caminhada na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Enormes blocos de gelo em movimento na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Quase cinco horas de caminhada na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Após quase duas horas, atingimos um trecho mais plano. Para todos os lados, há apenas gelo e a vastidão do horizonte, o mar de um lado e as montanhas nevadas do outro. Sentimento total de insignificância perto da grandiosidade, da magnitude da paisagem que nos cerca. Aì nos sentamos para alguns minutos de admiração e respeito. E também para nos alimentar, pois ninguém é de ferro!
Muitas horas de caminhada na monumental geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Caminhando sobre a maior geleira da Europa, a Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Caminhando sobre a geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Hora de voltar. Ainda bem que a guia está lá, para descobrir os melhores caminho no meio daquele labirinto de gelo. Passamos por mais fendas, por mais poças de gelo derretido, uma beleza difícil dos olhos acreditarem. Sempre um convite para mais fotografias. Quase sem percebermos, já se foram cinco horas no total. Além de termos ficado perdidos no espaço, também ficamos perdidos no tempo. Naquela paisagem maravilhosa, perdemos todas as referências. Ficamos desnorteados. Perdemos a noção de escala. Assim, livre de todos esses pré-conceitos, fica muito mais fácil “sentir” a natureza que nos cerca. Uma experiência inesquecível!
Uma das línguas da maior geleira da Europa, a Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
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