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SHUFFLE Há 1 ano: Chile Há 2 anos: Chile

Em Teresina

Brasil, Piauí, Teresina

Monumento no encontro dos rios, em Teresina - PI

Monumento no encontro dos rios, em Teresina - PI


Depois da balada de ontem, difícil foi sair da cama. O horário limite do café da manhã do hotel foi um bom estímulo mas o ar condicionado do quarto também foi um estímulo para que voltássemos. Enfim, demorou para colocarmos o pé para fora do hotel...

Mas conseguimos! E fomos direto para uma das maiores atrações turísticas da cidade, o encontro dos rios Poty e Parnaíba. Suas águas tem cores diferentes e a mistura demora a acontecer. Não chega a ser aquele espetáculo lá de Manaus, encontro do Solimões com o Negro, mas não deixa de ter seu encanto.

Encontro dos rios Parnaíba e Poty, em Teresina - PI

Encontro dos rios Parnaíba e Poty, em Teresina - PI


Bem neste lugar está ancorado um barco transformado em restaurante. É conhecido como o "Restaurante Flutuante" e serve, claro, comida própria do rio. O bolinho de peixe estava uma delícia! Logo na primeira mordida a Ana exclamou: "Nossa! Esse é de peixe mesmo! Não aquela coisa que comemos por aí..." Ficamos ali, admirando o movimento, vendo as águas passarem e lendo um pouco sobre a história da cidade.

Almoço no Restaurante Flutuante, em Teresina - PI

Almoço no Restaurante Flutuante, em Teresina - PI


Teresina foi a primeira cidade planejada do Brasil, fundada na metade do séc XIX. Nasceu para ser a nova capital, no lugar da histórica Oeiras. Seu nome é uma homenagem à esposa de D. Pedro II, Tereza Cristina. A cidade não tem um centro compacto, floresta de prédios. Ao contrário, é bem espalhada ao longo dos dois rios que agora víamos.

O Restaurante Flutuante, em Teresina - PI

O Restaurante Flutuante, em Teresina - PI


Por estar longe do litoral e sem grandes belezas naturais, Teresina nunca teve grande vocação para o turismo recreacional. Ao contrário, especializou-se no "turismo de negócios". E também transformou-se num centro de excelência médico regional. Nosso hotel, por exemplo, era bem no meio de uma área cheia de hospitais, clínicas especializadas e muitas, muitas farmácias!

A vantagem disso é que temos um povo bem mais autêntico que nas outras capitais nordestinas. Não estão ali para nos agradar ou vender mercadorias ou passeios de bugue com emoção. Estão ali vivendo suas vidas, seu dia-a-dia normal. De alguma maneira, isso os torna mais verdadeiros. Trataram-me como um igual e não como um turista. Bem, isso foi no meu caso. Já a Ana, uma loira de 1,80... acho que chamava mais a atenção. Mas também não era tratada como turista. Era como se fosse uma extra-terrestre. Hehehehe

Artesanato em Teresina - PI

Artesanato em Teresina - PI


Do restaurante seguimos para a Floresta Petrificada, um conjunto de fósseis de árvores com quase 200 milhões de anos. Fica ao lado do rio Poty, bem perto do shopping Teresina. Ficamos meio decepcionados com a infraestrutura do lugar. Uma atração dessa tinha de ser mais valorizada! Com algum custo, achamos algumas das árvores e tiramos fotos. Mas, painéis informativos, não achamos nenhum. Será que não fomos no lugar certo?

A Floresta Petrificada, em Teresina - PI

A Floresta Petrificada, em Teresina - PI


Por fim, ninguém é de ferro e pegamos um cineminha no shopping. Um pouco da vida local não faz mal a ninguém! De lá para o hotel e para nossa deliciosa caminha com ar condicionado. Amanhã, temos longa viagem para Parnaíba, com passagens pelos campos do Jenipapo e pela cachoeira do Urubu. Em Teresina, só foi pena não termos conhecido o "Nós e Elis". Não foi culpa nossa, entretanto. Este é o nome de um bar que marcou época na cidade, nas décadas de 80 e 90. A Ana devorou um livro sobre ele e era como se nós o conhecêssemos.. Sabe aquele lugar que morremos de saudade sem nunca termos conhecido? Pois é... Vai continuar assim. No seu lugar e em sua homenagem, a gente se divertiu no Planeta Diário. Bem, é assim que funciona. Bares vem e vão. E nós também. Viemos, e amanhã, vamos.

Caminhando em parque de Teresina - PI

Caminhando em parque de Teresina - PI

Brasil, Piauí, Teresina,

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Praia, Pitons e o Maravilhoso Snorkel

Santa Lúcia, Soufriere

As famosas montanhas Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

As famosas montanhas Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


Dentre todas as ilhas caribenhas, Santa Lúcia foi aquela em que os eternos rivais, franceses e ingleses, mais lutaram pela posse, resultando em dezenas de trocas de soberania. Como nas ilhas vizinhas, os índios Caribs conseguiram impedir os espanhóis de se instalarem, mas não resistiram à “onda” seguinte, 150 anos mais tarde, de colonizadores franceses. Estes fundaram diversas viras no litoral caribenho de Santa Lúcia, inclusive a cidade de Soufriere. Mais para o norte, foram colonizadores ingleses que se instalaram.

Vista para a Piton do nosso hotel em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Vista para a Piton do nosso hotel em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


Dirigindo em Soufriere, região das montanhas Piton, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Dirigindo em Soufriere, região das montanhas Piton, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


A partir da segunda metade do séc XVIII os ingleses viram na ilha um grande valor estratégico, principalmente por estar tão próxima da principal ilha francesa da região, Martinica. Assim, diversas vezes conquistaram Santa Lucia, mas por força de tratados ou negociações, acabavam por devolvê-la novamente aos franceses. Assim foi durante a Guerra dos 7 Anos, Revolução Americana, Revolução Francesa e Guerras Napoleônicas. A posse definitiva para a Inglaterra só veio em 1814. Mas os costumes franceses na população já estavam tão arraigados que quase todas as cidades ainda mantém seu nome francês enquanto que a língua oficial da ilha só foi mudada na metade do século. Mesmo assim, até hoje, quando conversam entre si, a língua mais falada em Santa Lúcia é o “patois”, uma espécie de francês creolle.

A deliciosa praia de Chastanet, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

A deliciosa praia de Chastanet, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


São franceses também os nomes das mais famosas montanhas de Santa Lúcia e do leste do Caribe: a Petit Piton e a Gros Piton. De origem vulcânica, tem uma forma piramidal quase perfeita, se erguendo a 750 metros de altura, dois enormes “icebergs verdes”.. Ficam na costa sudoeste da ilha, próximas à cidade de Soufriere e são o mais famoso cartão postal do país.

Snorkel em meio a cardume na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Snorkel em meio a cardume na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Acordamos hoje ansiosos para vê-las sob a luz solar (só a tínhamos visto de noite, maravilhosas!) e fotografá-las. Não nos decepcionamos! O dia estava lindo e, a todo momento, onde quer que estivéssemos, parávamos para vê-las e admirá-las “Puxa vida! Estamos mesmo aqui, em Santa Lúcia!” – foi minha exclamação ao longo do dia...

Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Logo no nosso café da manhã, já pudemos admirar a “Petit”, porque a “Gros” se escondia atrás dela. Depois, no nosso caminho para praia de Chastanet, passando por uma estrada bem alta, ali tivemos a melhor visão, dessa vez das duas montanhas. Foi só quando chegamos à bela praia que elas sumiram, escondidas por um rochedo. Mas não por muito tempo!

Snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia, com vista para as montanhas Piton

Snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia, com vista para as montanhas Piton


A praia é mesmo bela, mas melhor ainda é o snorkel que se pode fazer ali. Perfeito! Temperatura e visibilidade ideais, peixes coloridos e cardumes, diversos tipos de corais e de crustáceos. Além disso, a profundidade variava dos dois metros aos trinta metros. Ou seja, tinha para todo gosto! Obviamente que fui me divertir nas grandes profundidades! Com uma água limpa dessa, sem perceber e já estava ultrapassando os vinte metros. Muito legal!

Atravessando caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Atravessando caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Uma sereia na saída de caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Uma sereia na saída de caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Mas o melhor ainda estava por vir. Primeiro, nadamos até o fim do rochedo para, mais uma vez, admirar as Pitons. Visão inspiradora! Depois, no próprio rochedo, descobrimos várias cavernas submarinas. Agora, minha diversão passou a ser atravessá-las. Primeiro, com cuidado, vendo se o fôlego era suficiente. Depois, já mais seguro, parando no meio para tirar fotos. Um espetáculo! Uma delas não tinha saída. Então, nadava o mais para dentro que podia e, de lá, ao olhar para a saída, aproveitava aquela visão mágica. Mas não podia me enrolar muito não, pois o ar me esperava lá do lado de fora! Enfim, foram quase duas horas de muita diversão (e muito fôlego!).

Praia de Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Praia de Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


Admirando a magnífica Petit Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Admirando a magnífica Petit Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


No finalzinho da tarde fomos até a cidade, caminhar pelo centro. Mais vistas incríveis da Petit Piton, dessa vez com uma luz ainda mais bonita. E na praça central da cidade, um momento de silêncio para as várias pessoas que foram ali guilhotinadas. Afinal, em 1792 a ilha ainda era francesa e estávamos em plena revolução! Ai daqueles suspeitos de conspirar contra o novo regime...

Praça central em Soufriere, onde ocorriam as execuções por guilhotina durante a Revolução Francesa (em Santa Lúcia, no Caribe)

Praça central em Soufriere, onde ocorriam as execuções por guilhotina durante a Revolução Francesa (em Santa Lúcia, no Caribe)

Santa Lúcia, Soufriere, história, Mergulho, Pitons, Praia

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Visita à Gruta Azul

Brasil, Mato Grosso Do Sul, Bonito

Parece magia, mas é verdade: uma lago azul no fundo da caverna que leva seu nome, a Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Parece magia, mas é verdade: uma lago azul no fundo da caverna que leva seu nome, a Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Desde que foi descoberta por um índio Terena na década de 20, a Gruta Azul passou a atrair visitantes por sua beleza inacreditável. Na verdade, os visitantes começaram a chegar muito antes disso, desde o Pleistoceno, há mais de 10 mil anos. A prova disso são as ossadas de preguiças-gigantes encontradas dentro da caverna, muito bem conservadas e escondidas pelas águas azuis e transparentes que ninguém sabe direito de onde vem, mas que formam um lago que chega a 90 metros de profundidade.

Entrando na famosa Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Entrando na famosa Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


A enorme entrada da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

A enorme entrada da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Hoje a Lagoa Azul continua sendo o cartão-postal mais conhecido de Bonito. Localizada a cerca de 20 quilômetros da cidade, é preciso uma pequena caminhada na mata e depois uma longa descida por uma encosta que leva à boca da caverna. O esforço vale a pena, principalmente quando chegamos perto desse lago de águas tão azuis que nossos olhos simplesmente não querem acreditar no que veem. Mas antes do esforço físico para chegar lá, é preciso também um certo esforço burocrático. Assim como as outras atrações de Bonito, também para essa precisamos conseguir fazer uma reserva, através de uma agência, de horário para a visita.

A luz do sol entra na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

A luz do sol entra na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Nosso grupo se aproxima cada vez mais do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Nosso grupo se aproxima cada vez mais do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Não foi sempre assim. Era comum, até meados da década de 80, descer até lá e tomar um bom banho. Como ainda eram poucas pessoas, o lago absorvia bem essa invasão. Mas o número de visitantes aumentou e as autoridades fizeram por bem proibir essa prática. Quem me dera poder voltar no tempo e poder ser um dos felizardos a ter feito isso...

Nossa primeira visão do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Nossa primeira visão do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Quando estive em Bonito em 92 o banho já era proibido. Aliás, foi nesse mesmo ano que ocorreu uma das últimas grandes expedições de espeleomergulhadores, uma equipe franco-brasileira, que descobriu as ossadas dos animais pré-históricos. Depois disso, foram raríssimas as oportunidades em que alguém entrou no lago. O caso mais famoso, talvez, foi o de um conhecido apresentador de TV que tentou dar uma carteirada e entrar com toda a sua equipe por lá. Já com água pela cintura, foram retirados de lá aos gritos por um fiscal do IBAMA que ameaçou chamar a polícia para prender todo mundo.

Por entre as rochas e formações, a cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Por entre as rochas e formações, a cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


O lago de águas transparentes e azuis que dá nome à Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

O lago de águas transparentes e azuis que dá nome à Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Da minha primeira visita à caverna, lembrava-me de ter descido toda aquela pirambeira e, inesperadamente, ter pisado dentro d’água. Isso porque, simplesmente, não consegui perceber onde o lago começava, de tão transparente que é a água. O guia da época riu e disse que isso era muito comum de acontecer. Talvez por isso, agora, a trilha termina alguns metros acima da linha da água. O lago está mais seguro do que nunca, hehehe.

Admirando a beleza do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Admirando a beleza do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Admirando a beleza impressionante do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Admirando a beleza impressionante do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Bom, dessa vez, na nossa rápida passagem de 3 dias por Bonito, tentamos ir à Gruta Azul logo no primeiro dia, mas já não havia lugares disponíveis. Conseguimos então marcar a visita para a manhã de hoje, antes de pegarmos a longa estrada de volta ao Paraná (nós) e São Paulo (o Chico). Conseguimos para o primeiro horário do dia, ainda antes das oito, o que depois descobrimos ser o melhor horário possível de visitas, por duas razões.

A água azul e os estalactites amarelos formam um grande contraste na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

A água azul e os estalactites amarelos formam um grande contraste na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Esse é o ponto mais próximo que podemos chegar do maravilhoso lago na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Esse é o ponto mais próximo que podemos chegar do maravilhoso lago na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Primeiro, porque é bem nesse horário que a luz do sol começa a entrar na caverna até chegar às aguas mágicas do lago azul. Nós vamos descendo devagar, quase no mesmo ritmo em que os raios do sol vão também descendo até chegar ao fundo da caverna. É um momento absolutamente incrível! Algumas horas mais tarde, com o sol já alto, a luz não chega mais lá embaixo, escondida pela sombra que se forma.

Parece magia, mas é verdade: uma lago azul no fundo da caverna que leva seu nome, a Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Parece magia, mas é verdade: uma lago azul no fundo da caverna que leva seu nome, a Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


A cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

A cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


A segunda razão é que, como somos os primeiros a entrar, a caverna ainda está silenciosa. A guia vai conduzindo o grupo e fazendo paradas estratégicas em vários mirantes, onde explica aspectos de história, geologia e espeleologia. Algum tempo depois vem o segundo grupo e depois não para mais, até o meio da tarde. Os grupos que vem atrás sempre terão um grupo mais a frente, “poluindo” a sua visão e audição. O único jeito de evitar isso é entrando no primeiro grupo na caverna!

Admirando as belezas da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Admirando as belezas da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


O próximo grupo de turistas se aproxima do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

O próximo grupo de turistas se aproxima do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


A primeira vez que vemos o lago, ainda longe dele, não parece real, aquela mancha azul lá embaixo. Aí, vamos descendo, chegando mais perto, e a beleza só vai aumentando, a água azul espelhando as formações geológicas acima, assim como mostrando os detalhes das pedras muitos metros abaixo, submergidas na água cor de anil. Fazemos todos os esforços para tirar fotos que façam jus àquela beleza toda, mas isso é impossível. Só vendo ao vivo para entender!

A incrível beleza da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

A incrível beleza da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul


Depois, por mais que queiramos ficar mais tempo, precisamos subir para abrir espaço para os grupos seguintes. Mas tivemos bastante tempo lá embaixo, junto com nossa simpaticíssima guia. Aliás, tanto perguntei que ela acabou me confessando: há poucos anos, ela entrou nas águas do lago. Foi por uma causa nobre: um turista tinha deixado cair algo que estava boiando no lago, mais no fundo da caverna. Ao final do dia, quando o último grupo se foi, ela voltou lá embaixo e, com todo o cuidado, nadou até o objeto para retirar aquele intruso que estava destoando da paisagem. Hmmmm... isso me fez arquitetar vários planos para entrar ali também... Quem sabe um dia... Por hora, vou me satisfazer só com as fotos mesmo. A despedida de Bonito não poderia ter sido mais magnífica...

Por entre as rochas e formações, a cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Por entre as rochas e formações, a cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Brasil, Mato Grosso Do Sul, Bonito, Caverna, Gruta Azul

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Sol e Lua no Atacama

Chile, San Pedro de Atacama

Magnífica lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Magnífica lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


Chegamos em San Pedro em pleno feriadão chileno. Assim, a cidade estava cheia de turistas chilenos e encontrar hotel não foi tarefa fácil. Nem para nós nem para os outros turistas desavisados, vários deles brasileiros, que chegaram sem alguma reserva. Achamos um hotel, o La Ruca, que tinha quarto para hoje apenas. Depois, só na segunda-feira, final do feriado. No sábado e domingo, mudaremos para outro que a própria menina do La Ruca nos ajudou a achar.

A bela igreja de San Pedro de Atacama - Chile

A bela igreja de San Pedro de Atacama - Chile


Resolvido a moradia, passamos ao estômago. A cidade é cheia de restaurantes, principalmente na rua Caracoles. O centro, com sua praça e sua rua peatonal é facilmente percorrido à pé. Ruas de terra, casas de adobe e todos os restaurantes com grandes áreas sem teto, já que por aqui raramente chove. Achamos um lugar jóia para comer e, bem alimentados, caminhamos pela cidade atrás de caixas automáticos e atrações turísticas, como a simpática igreja pintada de branco e com a parte interna feita de cardon (cactus).

Caminhando na praça de San Pedro de Atacama - Chile

Caminhando na praça de San Pedro de Atacama - Chile


Enfim, já com o final de tarde se aproximando, começamos nossas explorações do entorno da cidade e do deserto, que é justamente o que atrai turistas do mundo inteiro para cá. O local escolhido foi o Valle de La Luna, a poucos quilômetros do centro de San Pedro e para onde alguns corajosos vão de bicicleta. São várias as atrações dentro desse parque, inclusive o mais tradicional programa turístico do Atacama: assistir ao pôr-do-sol de cima das enormes dunas do deserto.

Uma das dezenas de agências de turismo em San Pedro de Atacama - Chile

Uma das dezenas de agências de turismo em San Pedro de Atacama - Chile


Nós fomos de carro mesmo e assim ainda tivemos tempo de percorrer outras atrações do vale. A estrada faz um circuito que passa pelas atrações cênicas, formações rochosas distintas e mirantes que nos dão magníficas visões do deserto. Nosso único trabalho é tentar driblar as hordas de turistas.

Paisagem desértica do Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Paisagem desértica do Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


A absoluta maioria deles chega no Atacama sem condução própria e quase todos passam a conhecer as atrações através das agências que oferecem dezenas de tours. A exceção são algumas atrações mais próximas em que alguns turistas mais "aventureiros" chegam de bicicleta. Mais sorte tem aqueles que estão de Fiona e podem fugir das vans e ônibus carregados de turistas, quase todos chegando ao mesmo lugar ao mesmo tempo, sem precisar pedalar por quilômetros à fio sob o forte sol do deserto.

Filmando o pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Filmando o pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


A gente chegou meio tarde ao parque e demos uma volta pelo vale até as "Três Marias" enquanto os ônibus e vans já levavam seus clientes para as dunas. Mas nossa paz não durou muito já que não queríamos perder o pôr-do-sol também. Aí, não teve jeito, lá fomos nós para o meio da multidão assistir a esse duplo espetaculo da natureza: o sol se pondo de um lado e a lua cheia nascendo do outro. O primeiro nos lembrou muito nossa querida Jericoacoara, pela duna, pelo astro e pela multidão. Muito lindo por aqui mas em Jeri é ainda mais bonito. O segundo, para esse não há palavras... Que coisa mais maravilhosa é a lua sobre o deserto!

Assistindo o pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile. A lua cheia, atrás, é testemunha!

Assistindo o pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile. A lua cheia, atrás, é testemunha!


Fim de festa para quase todos os turistas, já que suas vans e ônibus tem seus horários a cumprir. Mas não para nós, pois a Fiona é bem mais relaxada com as horas. Seguimos para outra das grandes atrações do vale, um canyon com várias cavernas cavadas pela água em meio ao solo rico em sal. Naquela hora, éramos apenas nós e mais dois ciclistas que também não dependiam das agências. Aproveitamos as últimas luzes no céu para entrar nas cavernas, já que tínhamos deixado nossas lanternas no carro (ufff!). São verdadeiros túneis se esgueirando por entre barrancos, a claridade entrando aqui e ali através de pequenas aberturas. Mas, fim do dia, fim da luz, as cavernas já estavam escuras como breu em algumas partes. Tivemos que sair no meio do caminho, por uma rota alternativa, enquanto os ciclistas, com suas lanternas, puderam seguir até o fim.

Início da noite no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Início da noite no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


Agora, já no lado de fora das cavernas, mas ainda dentro do canyon, decidimos continuar nosso passeio. A lua cheia seria nosso guia. Nossa... que caminhada mais incrível nós tivemos! A largura do canyon varia de poucos metros a uns vinte, enquanto suas paredes tem outros vinte de altura. Àquela hora, talvez devido à diferença de temperatura entre o dia e a noite, as rochas e paredes estalavam a todo momento, preenchendo o silêncio da noite com barulhos e ecos. A noite, como já disse, era iluminda pelo mais puro luar prateado de uma lua cheia que fazia sombras tão fortes como se fosse dia. Percorremos quase um quilômetro de canyon, sempre imaginando o que nos esperava depois da próxima curva de canyon, sentidos aguçados ao máximo. Finalmente, depois de mais uma curva, lá estava uma enorme duna de areia. Enquanto na duna do pôr-do-sol só podíamos pisar dentro de uma trilha demarcada e, mesmo assim, dividir aquele exíguo espaço com outras centenas de pessoas, agora essa duna era nossa, toda nossa. Quer dizer, nossa, da lua maravilhosa acima de nós e das dezenas de espíritos e entidades que nos acompanharam naquela nossa caminhada pelo canyon. Foi realmente muito especial! A melhor boas vindas que esse deserto poderia nos oferecer.

Noite de lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Noite de lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


Depois de algum tempo admirando a lua e a chuva de meteoros no céu estrelado do deserto (estrelado mesmo com lua cheia!), era hora de voltar. Que mais de bom poderia nos acontecer? Pois é, depois dessa experiência, difícil imaginar alguma coisa. E não é que, jantando num gostoso restaurante conhecemos uma importante repórter de uma grande rede de TV brasileira? Quem sabe não sai alguma coisa desse encontro? Bom, mesmo que não saia, foi uma gostosa conversa. E para amanhã, mais deserto, que nós só estamos começando nossas explorações desse lugar mágico chamado Atacama...

A lua cheia ilumina o canyon no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

A lua cheia ilumina o canyon no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Chile, San Pedro de Atacama,

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24 Horas Para Mompós

Colômbia, Bucaramanga, Mompós

Transporte por burro, muito comum na estrada entre Astrea e Mompós, na Colômbia

Transporte por burro, muito comum na estrada entre Astrea e Mompós, na Colômbia


Mompós, também conhecida como Mompóx, é uma pequena cidade localizada numa das centenas de ilhas de uma vasta região alagada pelo rio Magdalena, no noroeste da Colômbia. Para muitos, é a cidade que inspirou a famosa "Macondo", do clássico de Gabriel Garcia Marques, "Cem Anos de Solidão".

Checando a Fiona após o uso do guincho, no caminho à Mompós, na Colômbia

Checando a Fiona após o uso do guincho, no caminho à Mompós, na Colômbia


A cidade foi um importante porto fluvial na rota para o interior da Colômbia, a partir de Cartagena, subindo o rio Magdalena. Mas, por um capricho da natureza, em meados do século XIX o rio mudou o seu curso e seu braço principal para atravessar esse verdadeiro pantanal colombiano deslocou-se uns quinze quilômetros para oeste. O braço que passa ao lado de Mompós perdeu volume e capacidade para barcos de maior calado.

Muito barro no caminho à Mompós, na Colômbia

Muito barro no caminho à Mompós, na Colômbia


Com isso, a cidade perdeu importância econômica e mergulhou em um século de marasmo. Que sorte! A modernidade não chegou e suas históricas construções continuam todas lá, do mesmo jeito que eram há 300 anos. O turismo descobiu Mompós há poucas décadas e hoje ela está na rota dos viajantes mais aventureiros, em busca de tranquilidade, beleza arquitetônica e um passeio pela orla do rio mais importante do país.

Transporte por burro, muito comum na estrada entre Astrea e Mompós, na Colômbia

Transporte por burro, muito comum na estrada entre Astrea e Mompós, na Colômbia


A aventura está em chegar lá, principalmente em época de chuva. A rota mais normal é pelo norte, de Cartagena. Um ferry faz a travessia de meia hora sobre o rio. Mas, para quem vem dos outros lados, só enfrentando o barro, terrenos alagados e uma miríade de caminhos que cortam o terreno pantanoso. Pode ser de burro, moto ou com carro tracionado, desde que escolhendo os caminhos certos!

Cruzando de balsa um dos braços do Rio Magdalena, no caminho à Mompós, na Colômbia

Cruzando de balsa um dos braços do Rio Magdalena, no caminho à Mompós, na Colômbia


Nós saimos de Bucaramanga cedinho, preparados psicologicamente para a longa viagem. Mas, para a nossa surpresa, a estrada estava muito melhor do que o esperado. Pelo menos esse primeiro e longo trecho de asfalto, na importante rota que liga Bucaramanga à Santa Marta, já na costa caribenha. Tinham nos dito que levaríamos 6 horas nesse trecho de estrada, até a saída para El Banco, que dá acesso à Mompós. A gente fez em menos de quatro! Foi aí que acabou a moleza...

Cruzando de balsa um dos braços do Rio Magdalena, no caminho à Mompós, na Colômbia

Cruzando de balsa um dos braços do Rio Magdalena, no caminho à Mompós, na Colômbia


No posto de gasolina que ficava nesta saída, fomos informados que a estrada estava interrompida pela água. A solução era rodar mais 120 km para o norte e tentar uma outra via de lá. Assim fizemos. A boa notícia era que, neste ponto da estrada tinha até uma placa indicando Mompós! Entramos, andamos aguns quilômetros num asfalto mais precário e chegamos a Astorja. Aí, uma pequena estrada já de terra levava à Astrea e, de lá, para Mompós. E uma estrada melhor, de asfalto, levava para El Banco, principal rota para Mompós por esses lados. Seguindo o conselho do dono de outro posto, seguimos os 60 km para El Banco. Apenas para descobrir que a rota estava inundada para Mompós.

Garça nos pântanos do Rio Magdalena, no caminho à Mompós, na Colômbia

Garça nos pântanos do Rio Magdalena, no caminho à Mompós, na Colômbia


Que beleza! Voltamos alguns quilômetros para tentar por outra rota, mas a notícia de um morador local também foi desanimadora. "Talvez por Astrea" - sugeriu. Bom, para lá voltamos novamente, já chegando no escuro na pequena cidade. Ali, as informações sobre a rota adiante eram meio desencontradas. Mas, em geral, achavam que a Fiona passaria. O bom senso nos fez querer dormir no único hotel da cidade, propriedade do simpático e figuraça Gonçalo, que adorou nossa história. E assim, as próximas horas foram passadas em conversas regadas à cerveja, muitas risadas e uma inusitada lembrança que levaremos para o resto de nossas vidas. Foi muito legal!

Imagem de satélite mostrando a vasta planície alagada pelo Rio Magdalena onde se encontra Mompós, na Colômbia. Em vermelho, nossa rota de acesso.

Imagem de satélite mostrando a vasta planície alagada pelo Rio Magdalena onde se encontra Mompós, na Colômbia. Em vermelho, nossa rota de acesso.


No dia seguinte, bem cedinho, estávamos prontos para tentar terminar nossa jornada. Antes das sete da manhã já estávamos enfrentando o barro. Por sorte, muita gente no caminho, de moto, para nos guiar pelas encruzilhadas. A Fiona tirava os lamaçais de letra, mas nem todos os carros tinham essa sorte. Demos de cara com um Voyage da década de 80 completamente preso e tampando a estrada. Com nosso guincho, salvamos ele. Aí, pudemos passar pelo lamaçal, virar a Fiona para o lado de cá e puxar o Voyage para lá. Durante a operação, uma fila se formou do lado de lá. Entre os carros, a polícia, para desespero dos ocupantes do Voyage que faziam carregamento ilegal de gasolina. Saíram em disparada, assim que tiramos eles do barro. Queriam até levar parte do nosso equipamento que estava preso no carro deles.

Dois quilômetros à frente os encontramos novamente, dessa vez com problemas no motor. Aí, já não era mais problema nosso. Como diria a Xuxa, "beijinho, beijinho, tchau, tchau!". A viagem seguiu sem maiores incidentes até chegarmos à San Sebastian, onde uma pequena balsa nos levou através de um dos braços do Rio Magdalena. Estávamos na Ilha de Mompós, 24 horas depois da sairmos de Bucaramanga!

Essa é a estrada à nossa frente, no caminho à Mompós, na Colômbia

Essa é a estrada à nossa frente, no caminho à Mompós, na Colômbia


Mas faltava um último desafio. Cruzar um trecho alagado de uns 300 metros onde a estrada desapareceu e só víamos um lago. Seguimos por onde imaginávamos ser a estrada, a Fiona afundando, afundando, afundando até que, para nosso alívio, ela começou a levantar, o som do motor já meio rouco abaixo d'água. Mas, enfim, passamos! Finalmente, chegamos à mítica Macondo!

Construção histórica com grande porta para o Rio Magdalena, em Mompós, na Colômbia

Construção histórica com grande porta para o Rio Magdalena, em Mompós, na Colômbia

Colômbia, Bucaramanga, Mompós, Astrea

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Seta!

Brasil, Bahia, Lençóis (P.N. Chapada Diamantina)

A maravilhosa Cachoeira do Fundão, no Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

A maravilhosa Cachoeira do Fundão, no Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Hoje era dia de começarmos nossa fase "trilhas" na Chapada. Pelos nossos planos, serão várias trilhas por várias regiões da Chapada, dormindo em tocas, pontos de apoio e pousadas, ao longo de uma semana. Vamos visitar vales e montanhas, cavernas e cachoeiras, rios e lagos. Enfim, uma bela amostra dessa região tão especial da Bahia e do Brasil.

Com o Zé Carlos, a Lia e o Lúcio na Pousada Casa da Geléia, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Com o Zé Carlos, a Lia e o Lúcio na Pousada Casa da Geléia, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Resolvemos começar pelo mais difícil: seguir uma trilha, sem guia, que sai de Lençóis, segue o caminho do Capão, entra no Canyon do 21 e chega no alto da Cachoeira da Fumaça, local para passarmos a noite. Mochilas preparadas, lanternas e sleeping bags conferidos, comida empacotada, só faltava nos despedir da Lia e do Zé Carlos, os donos da pousada Casa da Geléia e que nos trataram tão bem e que nos ensinaram tanto. Dissemos também um "até logo" para o filho deles, o Lúcio, que irá nos encontrar amanhã de manhã no Capão, com a Fiona. Ele vai nos guiar pelo Vale do Pati, nos dias seguintes. Além disso, foi ele que nos disse como fazer a difícil trilha do 21.

Trilha calçada pelos escravos, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Trilha calçada pelos escravos, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Pois bem, partimos. Tristes por deixar Lençóis mas ansiosos pelo que nos esperava pela frente. Chegar até o Vale que leva ao Capão não é difícil. Pacientemente, nos aproximamos por uma trilha em muitas partes calçada (do tempo dos escravos!) da falha na montanha que vemos de longe, lá de Lençóis. Este é o ponto em que passamos para o lado de lá e deixamos a cidade, pequenininha lá embaixo, definitivamente para trás.

Descendo para o Ribeirão, a caminho do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo para o Ribeirão, a caminho do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Aí, a primeira dificuldade: encontrar a trilha bem menos marcada que sai da trilha principal e nos leva ao Canyon do 21. Hoje não era o meu dia e todas as vezes que erramos alguma trilha, foi minha culpa. Assim foi dessa vez e perdemos quase meia hora para chegar no lugar certo, encontrado pela Ana. O Canyon do 21 tem esse estranho nome porque lá morava um garimpeiro com um dedo a mais. Ver o enorme e tortuoso canyon é fácil. Difícil é chegar lá.

Início do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Início do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Muito mais difícil ainda é seguir pelo canyon acima. Como é muito fechado, está quase sempre à sombra e há muito musgo nas pedras. Um belo cenário, mas é uma caminhada lenta e de paciência. Muito tempo depois, mais do que gostaríamos, chegamos à maravilhosa Cachoeira do Fundão. Água bem vermelha e fresca. Uma delícia! Foi aí que nossa Sony pifou e passamos a usar apenas o celular para tirar fotos. Salvou a pátria!!!

A maravilhosa Cachoeira do Fundão, no Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

A maravilhosa Cachoeira do Fundão, no Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


A partir daí, uma pirambeira só, canyon acima. Mais uma vez, errei a trilha, perdemos uma meia hora e fomos salvos pela Ana, que achou a trilha certa. Algum tempo depois foi a vez de chegarmos à própria Cachoeira do 21. Sua principal característica é estar quase sempre seca, como estava hoje. Mas isso não impede a existência de um lindo lago ali embaixo. A água que o abastece vem por infiltração. Infelizmente, neste ponto já estávamos tão atrasados que nem pudemos nadar. Apenas pausa para fotos.

O poço e a cachoeira seca do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

O poço e a cachoeira seca do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Nova pirambeira e, lá encima, outro erro de trilha meu e mais uma preciosa meia hora perdida. Com o sol se pondo, chegamos ao Vale Verde, um pequeno canyon com mais musgo ainda. Foi ficando escuro e o prospecto de termos de dormir nauqle lugar fechado e úmido não era nada animador. Ao desânimo da Ana eu respondia que não tínhamos nenhuma opção, apenas continuar e continuar. Quando não há opções, fica tudo mais fácil!

Trilha beirando a encosta dos paredões do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Trilha beirando a encosta dos paredões do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


O momento em que o breu tomou conta do canyon foi quando atingimos o alto! Lá, ainda ganhamos uns 15 minutos de claridade. Mas ainda tínhamos um longo caminho pela frente... Caminhar sem luz naquela planície lá encima não é fácil. A trilha atravessa vários lageados e temos de seguir no instinto, no cheiro. Adiamos ao máximo o uso das lanternas mas a escuridão chegou e não houve jeito. Lanternas à mão, concentração total para encontrar setas indicativas do caminho, e ainda com a preocupação de não seguir a trilha errada, que nos levaria para o Palmital e não para a Fumaça.

Subindo o Vale Verde, no alto do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Subindo o Vale Verde, no alto do Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Por duas vezes, paramos em algum lageado para descansar corpo e mente e cogitar de dormir ali mesmo. Alguns minutos depois, retomávamos nossa árdua tarefa de achar mais setas tênues pintadas nas pedras. Às vezes, seguíamos por 10 minutos o que imaginávamos ser um caminho sem ver qualquer sinal de civilização. Aí, para alegria geral, um de nós achava uma seta e logo vinha o grito mais ouvido nessa noite "Seta!" Isso era música para nossos ouvidos!

Mas, por fim não achamos mais nada. Sentamos ali mesmo, depois de algumas tentativas e ficamos esperando a lua nascer enquanto conversávamos. O consenso era que, depois de ter saído do canyon, tudo era lucro! Respiramos fundo e levantamos mais uma vez, para nova e derradeira tentativa. E na hora que já seguíamos para uma direção, eis que, embaixo da minha mochila, apareceu uma seta! Tênue, pequena, mas verdadeira, sem dúvida! Oba!!!!!!!! Seta!!!!!!!!

Tentando se achar no mapa no Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Tentando se achar no mapa no Canyon do 21, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Depois dessa, fomos seguindo novamente, olhos vidrados no chão onde a lanterna iluminava, no meio do mato, no meio das pedras. De repente, um barulho de água, de rio. A gente se aproximou e lá estava ele, mais lindo do que nunca, iluminado pela lua. Era o rio da Fumaça, eu tinha certeza. Reconheci o pequeno canyon. Alegria total! Minutos depois, já estava mostrando para a Ana o enorme precipício de 400 metros por onde se joga a cachoeira mais famosa da Chapada Diamantina. Aquele canyon maravilhoso, que eu já não via há dez anos, estava mais lindo do que nunca, iluminado pela lua cheia.

Do outro lado do rio apareceu uma luz! Tinha outro maluco lá encima também! Era o Marcos, de Feira de Santana, amante da Chapada, de trilhas e cachoeiras. Ficou impressionado conosco, de termos chegado àquela hora, de termos conseguido seguir aquela trilha só com lanternas.

A gente foi se "instalar" ao lado da barraca dele, numa toca ao lado do rio, dentro do canyon e a poucos metros da queda da Fumaça. Lugar mais incrível para se dormir não pode haver. Era como dormir com a varanda aberta no alto do Empire State. É, na verdade, muito melhor do que isso, claro! Na nossa frente, logo ali, o vale da Fumaça. Só as fotos para poder se passar uma vaga idéia desse lugar grandioso. Amanhã cedo, depois dessa aventura, será a hora das fotos...

Agora, hora de dormir o sono dos justos. E sonhar com as benditas setas...

Pronto para caminhar até a Fumaça, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Pronto para caminhar até a Fumaça, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Brasil, Bahia, Lençóis (P.N. Chapada Diamantina), cachoeira, Cachoeira da Fumaça, Cachoeira do 21, Cachoeira do Fundão, Chapada Diamantina, Parque, Trekking, trilha

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Coincidência Auspiciosa

Brasil, Pernambuco, Carneiros, Alagoas, Maragogi

Passeando na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Passeando na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE


Hoje, o dia em que transitamos entre Carneiros e Maragogi, entre Pernambuco e Alagoas, estamos a exatamente dois anos do fim da viagem, em 21/12/2012, data marcante no calendário maia.

Curtindo a Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Curtindo a Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE


Por um feliz coincidência, justo hoje estamos ultrapassando a marca de 100.000 page views no nosso site. Uma bela marca numa bela data! Para comemorar, fomos comer comida japonesa (deliciosa!) aqui em Maragogi! E vamos que vamos!

Piscina na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Piscina na Praia de Carneiros, em Tamandaré - PE

Brasil, Pernambuco, Carneiros, Alagoas, Maragogi, Tamandaré

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Mais Dois Dias

Brasil, Paraná, Curitiba

Mais dois de frio, chuva, muito planejamento e arrumação aqui em Curitiba. Aprendo agora que é infinitamente mais difícil começar uma longa viagem de carro do que uma longa temporada de viagens de avião. No segundo caso, o espaço exíguo de duas malas de certa forma nos ajuda a cortar logo o que não é essencial e a decidirmos o que levar. No caso da viagem de carro, com espaço de sobra, fica difícil deixar coisas para trás. Será que não vamos precisar disso ou daquilo? Uffff... um inferno.

Além do mais, temos o bendito equipamento de mergulho e o equipamento de segurança do próprio carro. Tudo acomodado em muitas caixas e mochilas. Depois de muito trabalho, até as duas da manhã, acho que chegamos aos finalmentes. No post de amanhã, publico a foto da arrumação.

Bom, fora essa chateação, também tem a parte boa. Sempre comemos e dormimos muito bem por aqui, principalmente com esse frio. Nada como o conforto da nossa casa (na verdade, o conforto da casa da sogra!). Além disso, a vida social continua à toda: encontros diários com os familiares da Ana (o pai, a avó, irmã com a futura sobrinha, o cunhado), com os amigos (Vanessa, Aymoré, Carneiro) e até mesmo com a nossa mais fiel comentadora, a Paulinha. São vocês que fizeram esses nossos dias aqui em Curitiba muito mais agradáveis!

Agora, finalmente, é pé na estrada!

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Amanhecendo nas Alturas

Brasil, Minas Gerais, Passa Quatro (Pedra da Mina)

Nascer-do-sol no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Nascer-do-sol no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Tão bonito como o pôr-do-sol no alto da Pedra da Mina, só mesmo o nascer-do-sol lá do alto. Depois de tantas horas dentro do sleeping, já estava sem sono antes das seis da manhã, pronto para enfrentar o frio e observar de camarote este espetáculo.

Belíssimo nascer-do-sol a 2.800 m de altitude no topo da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Belíssimo nascer-do-sol a 2.800 m de altitude no topo da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Belíssimo nascer-do-sol a 2.800 m de altitude no topo da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Belíssimo nascer-do-sol a 2.800 m de altitude no topo da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Segundo o Alessandro, nosso guia, nós tivemos muita sorte com o tempo, principalmente pela ausência de vento. O sol vem nascendo e seu calor gostoso vai nos esquentando aos poucos, possibilitando que tiremos ao menos algumas das camadas de roupa. As nuvens cobrem tudo o que está abaixo de 2.500 metros. O que resta acima disso, cumes de montanhas, parecem ilhas num grande oceano branco. Numa dessas "ilhas", os destroços de um pequeno avião. Um pequeno lembrete da existência da "civilização" bem no meio dessa enorme vastidão de natureza virgem

Destroços de avião na região da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Destroços de avião na região da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Café da manhã no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Café da manhã no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Um rápido café da manhã nos anima a iniciar a longa descida. Os músculos doloridos terão de esperar mais um dia pelo descanso. As bolhas da Ana também. A descida é longa e cautelosa. O restante da água é minuciosamente economizado até chegarmos a uma distãncia segura da primeira fonte no caminho, lá embaixo. A ausência de água é um dos fatores que tornam esse trekking um dos mais duros do país. A água tem de ser carregada e água pesa bastante! E a falta de água pesa ainda mais!

Ana se esquentando no sleeping no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Ana se esquentando no sleeping no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Nossa casa a 2.800 m de altitude na Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Nossa casa a 2.800 m de altitude na Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Finalmente, chegamos perto do vale. O pior ficou para trás (ou para cima). Após atingirmos a água, o resto é "burocracia": caminhar sem pensar muito, deixar o tempo passar. Aí, chegamos ao rio cristalino. Já é tarde mas, para surpresa do Alessandro, eu e a Ana enfrentamos a água gelada. Não dava para passar.

Paisagem maravilhosa no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Paisagem maravilhosa no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Rejuvenescidos, um trote rápido nos leva de volta à Fiona e com ela chegamos à Passa Quatro. Um banho quente e um jantar à base de empadas (das melhores que já comi na vida!) no Mauro nos deixam quase zerados. Essas empadas foram a quarta surpresa positiva com Passa Quatro, que não se cansa de me surpreender.

Ana curtindo a vista no início da longa dscida da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Ana curtindo a vista no início da longa dscida da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Amanhã é dia de recuperar os músculos, assistir o Brasil se classificar e trabalhar bastante no site. Uffffff, que preguiça... O que vai embalar o meu sono são as lembranças de uma das mais duras e belas caminhadas da Serra da Mantiqueira e mesmo, do país.

Se esquentando ao sol no topo da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Se esquentando ao sol no topo da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Recado deixado no livro no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Recado deixado no livro no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Brasil, Minas Gerais, Passa Quatro (Pedra da Mina), Montanha, Pedra da Mina, Sera da Mantiqueira, Trekking, trilha

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Na Sierra de San Francisco

México, San Ignacio, Sierra de San Francisco

Admirando a grandiosidade da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Admirando a grandiosidade da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Sem muita pressa, afinal tínhamos um dia inteiro pela frente, acordamos, tomamos o café da manhã e empacotamos a Fiona. A noite de hoje não seria mais aqui, em San Ignacio, mas no alto da Sierra de San Francisco, em pleno deserto Vizcaino, longe das luzes da cidade e embaixo do mais estrelado dos céus. Não seria uma viagem longa: 40 km pela transpeninsular (que acabará por nos levar até Tijuana) e um desvio com mais 30 km de asfalto e outros 10 de terra, em estado precário.

Encontro com americanos em San Ignacio, na Baja California - México

Encontro com americanos em San Ignacio, na Baja California - México


Primeiro, precisamos voltar à sede da Inah para comprarmos nossos ingressos à Sierra e às cuevas que lá estão, com suas pinturas rupestres de milhares de anos. Depois, já estando na praça central de San Ignacio perto do meio-dia, uma ótima oportunidade para o almoço. Aí conhecemos um grupo de americanos que voltava exatamente de lá, da Sierra de San Ignacio e do hotel rústico onde pretendíamos ficar. Os mesmos americanos a quem nosso guia de ontem havia se referido, os “doutores” que estavam fazendo serviço voluntário na região.

Vista da imensa planície desértica, subindo a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Vista da imensa planície desértica, subindo a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Pois é, os “doutores” são dentistas de uma ONG americana que, uma vez ao ano, vem à esta região para trabalhar por um tempo, fazer uma revisão geral das bocas dos habitantes das serras de Sam Francisco e Santa Marta. Acabavam de terminar o trabalho na primeira e seguiam para a segunda, onde havíamos estado ontem. Um deles não era dentista não, apenas casado com uma. Mas vem sempre junto, é fotógrafo documental e tem um livro joia sobre a vida dos “califórnios”. Muito simpático, nos presenteou com um exemplar!

Vista da imensa planície desértica, subindo a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Vista da imensa planície desértica, subindo a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Admirando a grandiosidade da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Admirando a grandiosidade da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


E nós, bem alimentados, seguimos viagem, atravessando a enorme planície desértica do Vizcaino. Não demorou muito e já tínhamos pego o desvio, agora seguindo diretamente para a Sierra de San Francisco, que ía crescendo no nosso horizonte. Esta estrada está sendo asfaltada e o trecho que sobe a serra, um pesadelo até há poucos anos, já está pronto. Lá de cima, uma vista absolutamente grandiosa da infinita planície abaixo de nós. Que mundo enorme! As luzes de tarde ainda faziam tudo ficar mais bonito!

Fiona no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Fiona no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Não só a planície atrás de nós, mas também s canyons à frente. Nesse trecho, a estrada tem de serpentear entre as encostas íngremes, contornando vales e precipícios profundos. É o trecho que ainda é de terra e precário. Ao mesmo tempo, é o que ainda protege esse região maravilhosa e isolada do acesso de centenas de turistas.

Nosso rústico hotel na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Nosso rústico hotel na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Enfim, chegamos ao nosso hostal, a primeira construção do pequeno e humilde povoado de San Francisco. Marcamos nosso passeio para amanhã, à primeira hora, e vamos passear na pequena vila. Um lugarejo perdido no tempo e no espaço, localizado no meio de uma natureza belíssima, a mais de 1.200 metros de altitude. São poucas as famílias que aí vivem, uma orgulhosa de seu belo jardim florido, outra da igreja nova da cidade, outra preocupada pela dificuldade de trabalho na região, todas em dúvida sobre os benefícios e mudanças que trará a nova estrada, quando estiver pronta. É assim no Brasil, no México e em todo mundo. Uma estrada traz o progresso, com suas facilidades e problemas.

Jardim de flores no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Jardim de flores no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Ao lado do povoado está a trilha que desce um profundo canyon onde estão várias grutas com pinturas rupestres. Para se conhecer o lugar, é um passeio de três dias e duas noites ao relento, em barracas. Obrigatoriamente com guia e mulas para carregar a bagagem e também os próprios turistas morro abaixo e, principalmente, morro acima, na volta. O preço da “expedição” acaba saindo caro, mas que fez diz que vale muito a pena. As pinturas e o “mundo” lá embaixo são inesquecíveis, dizem. Para nós, foi uma difícil decisão. Apertados mais pelo tempo que pelo dinheiro, acabamos optando por apenas vir ate aqui passar a noite e, amanhã fazer uma visita à uma gruta aqui no alto mesmo. Decidir foi difícil, mas mais difícil ainda é não se arrepender...

Cores fortes na igreja nova do pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Cores fortes na igreja nova do pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Voltamos para nosso hostal e jantamos um verdadeiro banquete preparado pela simpática Jadira: além dos tradicionais petiscos mexicanos, uma abobrinha com queijo de cabra derretido. Hmmmm! O friozinho lá fora e o refúgio de madeira e pedra em que estávamos fazia tudo ficar mais gostoso ainda.

Esperando o jantar no refeitório do nosso hostal na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Esperando o jantar no refeitório do nosso hostal na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Por fim, já dez da noite, todos dormindo, luzes apagadas, eu e a Ana, enrolados em nossos cobertores, ainda fomos passear um pouco pelo terreno, completamente extasiados com o céu acima de nós. Noite de lua nova, não havia concorrência para as estrelas (e muito menos sujeira no ar!). Absolutamente formidável, nossa última noite na Baja California Sur. Amanhã, depois da nossa visita da Cueva del Ratón, começamos a longa viagem à Tijuana.

A lua nova, Júpiter e Vênus na noite sobre a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

A lua nova, Júpiter e Vênus na noite sobre a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

México, San Ignacio, Sierra de San Francisco, Baja California, deserto, Vizcaino

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