1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Chile Há 2 anos: Chile

Geisers

Chile, San Pedro de Atacama

Um dos grandes Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Um dos grandes Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Um dos programas mais espetaculares da região do Atacama é ir conhecer os Geisers El Tatio. Brasileiros, normalmente, só conhecem geisers pelos desenhos animados do Zé Colméia. Então, para nós, é ainda mais especial. Ainda mais que estes são os mais altos do mundo, localizados na puna chilena a mais de 4.300 metros de altitude.

Amanhecer nos fantásticos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Amanhecer nos fantásticos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


A melhor hora de se observá-los é quando o sol está nascendo, usualmente a hora mais fria do dia. Assim, além da beleza normal das primeiras luzes a manhã pintando o céu, temos uma maior diferença de temperatura entre a água quente que brota da terra e o ar frio da atmosfera. O resultado é uma coluna de vapor mais alta e visível, uma espécie de chaminé de fumaça branca que pode ser vista a quilômetros. Uma não, dezenas de "chaminés" formando um espetáculo incomum aos nossos olhos.

Fiona nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Fiona nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


A maior dificuldade está em chegar lá na hora certa. São quase cem quilômetros de distância por estradas precárias e cheias de curva, o que faz a viagem levar umas duas horas. Para quem segue num tour, o problema está em acordar de madrugada e depois ter a paciência de passar por uns dez hotéis, até encher a van ou microônibus. Depois, é tentar relaxar e dormir novamente, ignorando os solavancos, para acordar já diantes dos geisers, com o sol nascendo.

Visitando os incríveis Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Visitando os incríveis Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Aquecendo as mãos no vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Aquecendo as mãos no vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Para quem vai de Fiona, acordar de madrugada é só o início das dificuldades! Depois, temos de achar a estrada durante a noite fria e escura e conseguir seguir por ela nas próximas duas horas. São duas estradas e eu e a Ana optamos pela mais curta, aquela indicada pelas placas. Só que, em pleno inverno, esta estrada que segue pela parte mais alta do altiplano, acima dos 4 mil metros, está cheia de neve. Não é para menos: o termômetro da Fiona bateu seu recorde mais uma vez, chegando aos 11 graus negativos! Em alguns lugares dá para passar por cima da neve, mas em outros, na grande maioria, existe desvios que seguem paralelos à estrada principal. De dia é fácil localizá-los, mas de noite... Enfim, com todo o cuidado, fomos seguindo em frente até conseguir chegar em El Tatio justo na hora certa. Apenas um pouco antes da maioria dos ônibus, que vieram pela estrada mais longa mas em muito melhor estado.

A água frevente dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

A água frevente dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Observando os Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Observando os Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


A primeira visão realmente impressiona. Nossos olhos não querem acreditar no que veem. São dezenas de colunas de fumaça nascendo do chão, um berçário de nuvens para encher o céu de algodão. Pagamos o ingresso e podemos chegar bem mais perto, até começar a passar por entre os geisers. Aí, deixamos o carro e começamos a caminhar ali, entre um geiser e outro, entre uma piscina de água fervente e um rio de água colorida, entre uma miniatura de vulcão de água e um sonoro geiser que lembra uma panela de pressão.

Saltando sobre um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Saltando sobre um dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


São dezenas e dezenas de turistas fazendo a mesma coisa, mas a área é tão grande e os geisers tão numerosos que não é difícil estar ali sozinho, posando para fotos ou simplesmente admirando aquela aberração da natureza, aquela prova de que há algo muito vivo sob os nossos pés. Aos poucos, vamos nos acostumando com o cenário, tornando-nos íntimos daquela força da natureza. Tanto que já somos capazes de passar por entre as colunas de fumaça e mesmo saltar por cima das chaminés. O calor que sai das fontes serve também para aquecer nossas mãos, congeladas pelo frio da madrugada.

No meio de uma das colunas de vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

No meio de uma das colunas de vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Depois de muitas e muitas fotos e explorações, o sol já começa a nos esquentar um pouco. Mas o frio ainda é intenso e é preciso coragem para enfrentar o ar gelado, tirar os casacos e roupas e entrar na piscina de água quente que existe no local. Ainda mais que ela nem é tão quente assim, mas isso descobrimos tarde demais, hehehe. Só então entendemos porque todos os turistas corajosos se aglomeravam em apenas um lado da piscina, cada um buscando a mancha de água mais quente.

Banho aquecido na manhã gelada a mais de 4,3 mil metros de altitude nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Banho aquecido na manhã gelada a mais de 4,3 mil metros de altitude nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Com o sol mais alto, os geisers se "acalmam" e as colunas de fumaça ficam mais baixas e tênues. É o sinal para ir embora. A volta para San Pedro foi bem mais tranquila, ajudado pela luz do dia e pela estrada mais longa, porém muito mais rápida. O resto do dia foi muito bem utilizado para recuperar o sono atrasado, tentar botar o trabalho em dia e comer, beber e socializar na medida certa. Nosso tempo por aqui está acabando e o próximo destino é o Salar de Uyuni, na Bolívia. Uma longa jornada de três dias que, dizem, é uma experiência inesquecível. Estamos loucos para conferir!

Visita aos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Visita aos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Chile, San Pedro de Atacama,

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Para Quem Gostas de Fuscas

México, Cozumel

A bordo da nossa 'ferrari conversível', na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

A bordo da nossa "ferrari conversível", na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Durante a minha infância, na década de 70, simplesmente metade dos carros nas ruas brasileiras eram Fuscas. O sucesso desse simpático carro criado ainda na década de 30 por Ferdinand Porshe, com patrocínio de Adolf Hitler, foi mundial e o transformou no automóvel mais vendido da história. Ele ultrapassou o recorde do lendário Ford T em 1973 e, quando finalmente saiu de linha, trinta anos mais tarde, haviam sido vendidos mais de 21,5 milhões de exemplares.

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Os países onde o saudoso carro mais perdurou foram no Brasil e no México. No Brasil, a produção foi até o ano de 86, mas em 1993 ele foi ressuscitado a pedido do presidente Itamar Franco, um dos grandes fãs do automóvel. Foram mais 45 mil Fuscas produzidos nessa nova fase, até o ano de 96, quando o carro foi aposentado de vez. No México, no entanto, o Fusca sobreviveu até 2003! É por isso que esse país atrai tanto os amantes do Fusca. Nas cidades menores, ainda é muito comum ver o simpático carro rodando pelas ruas.

Eu nunca fui especialmente fã do Fusca, preferindo carros um pouco mais modernos. Mas sou obrigado a admitir que, diversas vezes, fiquei admirado com a força desse veículo em enfrentar as estradas precárias do interior do Brasil. Quantas vezes já não passei por estradas apropriadas apenas para carros 4x4 que um fusquinha tirava de letra! Com seu motor traseiro, não havia ladeira de terra ou cheia de pedras que ele, valentemente, não enfrentasse!

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Além disso, nostálgico que sou, nunca vou esquecer que esse foi o primeiro carro que meu pai teve, ainda na década de 50, na Alemanha. Desde então, é seu carro predileto! Quando voltou ao Brasil, em 1960, trouxe o Fusca com ele. Teve um certo trabalho de vencer as burocracias portuárias mas, ao final, pode continuar rodando com seu carro “alemão” por muitos anos nas ruas de Belo Horizonte e pelas estradas do interior de Minas. O mesmo carro que, ainda na Europa, emprestou ao seu pai, meu avô, para que, junto com a minha avó e outro casal, viajassem por dois meses pelos países da Europa. Imagina só, que delícia: dois meses de Fusca na Europa do final dos anos 50! Eu daria tudo para voltar no tempo e acompanhar essa viagem épica! É... e as pessoas ainda perguntam de quem eu puxei por ter tido essa ideia maluca de viajar pelas Américas de carro...

De fusca, rodando pela ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

De fusca, rodando pela ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Pois é... em honra ao meu avô, ao meu pai, ao meu padrinho de batismo (também um fã incondicional do Fusca!) e ao meu irmão (cujo primeiro carro, lá em 86, também foi um poderoso 1.600!), hoje, aqui em Cozumel, alugamos um Fusca. Um Fusca conversível! Muito chique! Foi a nossa Ferrari por um dia. A gente se divertiu com ele pelas ruas e estradas da ilha, eu na frente, de motorista, e as amigas inseparáveis atrás, cabelos ao vento. Um capítulo inesquecível desses 1000dias pela América. O venerável Fusca também fez parte dessa aventura!

De fusca conversível, rodando por toda a ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

De fusca conversível, rodando por toda a ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

México, Cozumel, Fusca, história

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Preços e Custos

Turks e Caicos, Providenciale - Provo

Cerveja de Turks e Caicos

Cerveja de Turks e Caicos


Quando o nosso site estiver funcionando (falta pouco!) vamos ter várias outras páginas, além dos blogs. Páginas de fotos, páginas de vídeo, páginas com informações sobre cada lugar que passarmos, etc... Dentro desse "etc" haverá uma página mostrando os custos da viagem, quanto gastamos por dia, semana, mês, em que gastamos, combustível, comida, habitação e por aí vai. Também um comparativo de preços de produtos similares nos diversos países e estados que passarmos. Acho que vai ficar bem legal e prático.

Bom, enquanto isso não funciona, vou dar uma idéia de preços por aqui. Não se assustem porque, imagino, esse deve ser um dos mais caros países da viagem...

cerveja long neck: 4-5 dólares
sanduíche generoso: 8-10 dólares
hotel mediano: 130 dólares (casal, sem café)
refeição p/ pessoa: 20 dólares
aluguel de carro: 75 dólares
garrafa d'água média no supermercado: 1 dólar

Turks e Caicos, Providenciale - Provo,

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Gracias é uma Graça!

Honduras, Gracias

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras


O ano era 1543 e a América Central já era território do Rei de Espanha. Milhares de colonizadores se dirigiam ao novo continente, em busca de novas oportunidades de enriquecimento rápido. Era preciso colocar uma ordem nesse processo de colonização que se iniciava de maneira caótica. O primeiro passo: escolher uma capital para esse novo território de além-mar.

A região rural e montanhosa de Gracias, em Honduras

A região rural e montanhosa de Gracias, em Honduras


A escolha recaiu sobre a pequena cidade de Gracias. Localizada em meio às montanhas da região central de Honduras, o simpático nome vem da expressão usada pelos primeiros colonizadores que lá chegaram. Depois de intermináveis dias caminhando sobre montanhas, sobe e desce sem parar, ao finalmente chegarem ao vale onde se encontra Gracias, exclamaram: “Gracias a Dios!”. O agradecimento virou nome e pegou!

O prédio da prefeitura de Gracias, em Honduras

O prédio da prefeitura de Gracias, em Honduras


Mas a primazia de Gracias como capital centro-americana não durou muito. Regiões que naquela época já eram muito mais populosas reclamaram por ter de prestar contas a uma pequena vila perdida no meio das montanhas hondurenhas. Em 1549, o governo espanhol cedeu às pressões e a capital foi transferida para Antigua, na Guatemala, principal polo colonizador na América Central do século XVI. Muitos argumentam hoje que esse foi um dos fatores que contribuiu para que a América Central nunca fosse unida como um só país. Com sua capital localizada no extremo norte do território, as outras regiões nunca se sentiram realmente ligadas a ela. A pequena Gracias, realmente, era muito mais central.

Igreja matriz de Gracias, em Honduras

Igreja matriz de Gracias, em Honduras


Bom, isso fez com que Gracias permanecesse pacata ao longo de todos esses séculos, depois do inicio promissor. Perdeu o posto de capital continental, nunca se firmou como capital nacional, mas ao menos se manteve como capital regional, da província chamada Lempira. Esse também é o nome da moeda de Honduras, homenagem ao líder indígena que resistiu bravamente aos espanhóis, quase expulsando-os do país e só sendo morto através da mais vil das traições.

Praça central da pacata Gracias, em Honduras

Praça central da pacata Gracias, em Honduras


Honduras era ocupada, na época da chegada dos europeus, por centenas de tribos indígenas. Os mayas só haviam estado no norte do país, mas nessa época já quase não tinham importância. Entre as tribos mais conhecidas estava a do povo Lenca. Seu líder era Lempira e, ao conseguir unir várias outras tribos contra o inimigo comum, chegou a juntar 30 mil guerreiros. Após várias derrotas militares, os espanhóis levantaram a bandeira branca e pediram negociações. Quando Lempira se apresentou, foi prontamente esfaqueado pelas costas por um soldado espanhol. Sem seu carismático líder, rapidamente a rebelião foi desbaratada e a região se abriu para os colonizadores, pouco antes da fundação de Gracias.


Nosso caminho entre Copán e Gracias, já no interior de Honduras

Ontem de tarde, depois da visita ao Museu das Esculturas em Copán, cruzamos as mesmas montanhas que tanto cansavam os primeiros colonizadores e chegamos à Gracias. Para minha surpresa, descobri um pedacinho de Minas Gerias encravado em pleno coração de Honduras. Uma pequena cidade com ruas de pedra e casas com aspecto colonial, pessoas nas portas de suas casas olhando a vida passar, uma simpática praça central onde está a igreja matriz. A sensação é de um ritmo diferente, bem distante do frenesi das cidades grandes. Até os relógios parecem andar mais devagar, principalmente nos dias mais quentes, como nessa época do ano.

Uma típica rua de Gracias, em Honduras, a antiga capital da América Central

Uma típica rua de Gracias, em Honduras, a antiga capital da América Central


Nós ficamos hospedados em um hotel no alto de uma colina e , da nossa varanda, podíamos observar toda a cidade, seus telhados vermelhos, a torre da igreja ao longe, as montanhas verdejantes ao redor. Nostálgico mineiro que sou, a sensação era de estar de volta à terra amada. Foi joia! Nossa tarde foi passada ali, sossego total, só curtindo aquela vista. Pela manhã, enfrentando o calor, até fui caminhar pelas ruas tranquilas em busca de um barbeiro. Fazer a barba por aqui foi uma espécie de homenagem á minha terra natal e sua representante aqui na América Central. De cara limpa e coração batendo mais forte, estava pronto para seguir viagem. Próxima parada, o lago de Yojoa...

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras

Honduras, Gracias, história

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Deslumbrante!

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente)

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


De novo, encontro dificuldades em encontrar adjetivos para cacacterizar a beleza de um lugar. A outra vez tinha sido no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, há pouco mais de uma semana. Agora é aqui, em Tabuleiro, na região do Parque Estadual da Serra do Intendente, uma braço da Serra do Espinhaço, no centro de Minas Gerais.

Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Estamos do lado da Serra do Cipó, um parque nacional bem conhecido de paulistas, cariocas e mineiros, Aliás, esse é nosso próximo destino. Ao lado desse parque, temos esse outro, estadual. Confesso que nunca tinha ouvido falar. Para mim, era tudo Serra do Cipó. Incrível como, quanto mais viajo e conheço lugares, mais percebo o quanto sou ignorante sobre as belezas do nosso país. É aquela história do "quanto mais sei, mais sei o quanto não sei"...

A flôr do cactus, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

A flôr do cactus, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Enfim, é uma região deslumbrante que eu e a Ana apenas começamos a conhecer hoje. Amanhã tem mais, inclusive a jóia da coroa, a Cachoeira do Tabuleiro, maior do estado e terceira maior do país, com mais de 270 metros.

Na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Hoje, junto com nosso guia Fabrício, fomos a duas das grandes atrações da região. "Grandes" nos dois sentidos, no tamanho e na beleza. A Cachoeira do Rabo de Cavalo e o Canyon do Peixe Tolo. Apesar de serem vizinhas entre si (a pouco mais de 20 km daqui), não é muito comum serem visitadas no mesmo dia não. Mas, para nós, foi apenas o primeiro dia da nossa maratona de quatro dias para conhecermos a região (os parques nacional e estadual). E que primeiro dia!

Fiona enfrentando obstáculos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Fiona enfrentando obstáculos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


A Fiona nos leva para pertinho das duas atrações, e caminhadas de 1-2 horas nos levam para dentro dos canyons. Um deles, termina numa cachoeira de mais de 150 metros com um belo poço de água fria para nos refrescarmos. No outro, a própria caminhada já é uma atração. Vamos por dentro do leito do rio, saltando de pedra em pedra, uma delícia! Dos dois lados, paredes com mais de 200 metros de altura que aos poucos vão se afunilando, se fechando sobre nós. Cenário de filme de dinossauros. Ou de Indiana Jones. O rio tem águas amareladas e transparentes. Bem distinto dos rios de água esverdeada da Serra da Canastra ou cor de coca-cola da Chapada Diamantina. Cada um com sua beleza! A caminhada nesse canyon, cujo nome vem dos peixes cansados e tontos depois de todo o esforço para vencer as corredeiras, na piracema, terminou num poço formadonuma enorme cavidade em uma das paredes de mais de 200 metros de altura. Um lugar mágico, com águas congelantes e com um eco que dura intermináveis segundos. O banho no poço e nas águas que caem lá de cima, numa espécie de chuveirão, além de congelar o corpo, lava a alma e qualquer pecado que possamos ter. O Gran Finale de um grande dia!

Saltando na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Saltando na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Em pleno diade semana, uma quarta-feira, éramos os únicos nesses dois canyons. Em feriados, parece que é mais concorrido. Inclusive, o delicioso hostel em que estamos passou Julho inteiro lotado. Sorte desse pessoal de BH, tão perto desse lugar incrível. O nosso simpático guia bem disse: "Eu até me acostumo com cidade grande, mas não troco minha vida nesse lugar por cidade nenhuma no mundo".

As altas paredes do Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

As altas paredes do Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Realmente, voltando do passeio hoje, dia maravilhoso e sadio atrás de nós, agora no conforto da Fiona por pacatas estradas de terra, ouvindo a deliciosa trilha musical que minha amada esposa vai tocando no ipod, fico imaginado que estou bem perto, bem perto mesmo daquilo que chamaria um dia perfeito. Serra do Intendente, incrível só ter te conhecido hoje. Serra do Intendente, incrível ter te conhecido!

Poço de águas geladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Poço de águas geladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


O rio de águas amareladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

O rio de águas amareladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente), cachoeira, Parque, Serra do Intendente, Trekking, trilha

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Rumo ao Hawai'i

Hawaii, Oahu-Honolulu, Big Island-Hilo

Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)

Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)


Chegou finalmente o dia de viajarmos ao Havaí, ou Hawaii, ou Hawai’i, ou Rau-ai, ou Ra-uai, Não importa como se escreva ou se fale (a 3ª grafia é a mais correta), faz tempo que esse arquipélago localizado no meio do Oceano Pacífico está nos meus planos, sonhos e imaginação.

Eu tinha uns cinco anos de idade quando começou, lá em casa, uma misteriosa ideia de que a família iria se mudar para o Havaí, daí a dois anos. Não sei de onde nasceu essa ideia, só sei que ela era apropriadamente usada na hora das refeições, como uma espécie de “estímulo” para que as crianças (eu e meus irmãos) terminassem seus pratos: “Se não comer direito, não vai para o Havaí”. O nome evocava uma terra mágica, vida boa, ondas grandes e verão sem fim.

O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico

O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico


Essa atmosfera de uma terra misteriosa era alimentada também por um seriado americano que fazia sucesso na época. Os mais velhos se lembrarão. Chamava-se “Havaí 5-Zero” e tratava da rotina policial da ilha. Passava de noite, hora em que eu já deveria estar na cama. Nunca assisti a nenhum episódio, mas a música da abertura e as imagens das grandes ondas, nunca mais iria esquecer. Hoje, graças ao YouTube, é fácil matar as saudades! Para quem quiser ouvir a música ou ver as imagens do Havaí na década de 70, segue o vídeo abaixo:



O tempo passou e a infância virou adolescência. Agora, aquela história de e mudar para o Havaí em dois anos já não me pegava. Em compensação, meu interesse por astronomia e coisas ligadas ao espaço, alimentados pela premiada série de TV e livro Cosmos, de Carl Sagan, me levaram de volta ao Havaí. Tanto por causa das incríveis imagens de erupções vulcânicas como pelo observatório astronômico de Mauna Kea, a maior montanha do mundo, bem no coração da Big island, a maior ilha do arquipélago. A minha noção do Havaí se ampliava. Além de ondas, também tinham vulcões! Na TV, já não mais passava o antigo seriado policial. Em compensação, chegava às telas outro enlatado americano, que também era ambientado nas ilhas do Pacífico. Já mais velho, agora eu podia assistir os episódios também, além da abertura. Estou falando do Magnun, do Tom Sellek.



Por fim, cheguei à vida adulta e os interesses continuaram a mudar. Agora, eu gostava de Triatlo e me impressionava com os atletas que encaravam um Iron Man. Pois essa prova nasceu justamente no Havaí, mais precisamente na Big island. Kona continua sendo a referência do esporte e eu passei a sonhar em, um dia, quem sabe, me classificar para fazer essa prova. O sonho teve de ser adiado por causa dos 1000dias, mas nunca é tarde para tentar!

Mas antes de chegar lá por causa do triatlo, chegamos ao Havaí por causa da nossa viagem mesmo! Nossos planos originais eram ter viajado para as ilhas logo que chegamos aos EUA, em Março passado. Mas acabamos mudando de ideia e o sonho teve de esperar mais alguns meses. Foi difícil esperar, mas o dia chegou. Passagens compradas, era a hora de planejar o circuito por lá.

O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas

O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas


Quem fez isso foi a Ana. Laboriosamente, ela passou a ler os posts da Lucia Malla (brasileira que mora por lá e tem um estilo delicioso de se ler!), que foram a base para nosso roteiro. Optamos por conhecer as quatro ilhas principais e tínhamos de encaixar isso em 17 dias. Obviamente, não daria para conhecer tudo, mas daríamos uma boa pincelada nas maravilhas do arquipélago, sua história e geologia, suas praias e montanhas, vulcões e cachoeiras, abaixo e acima d’água. Melhor, vamos ter a companhia de nossos infalíveis amigos e padrinhos, o Rafa e a Laura, os mesmos que vieram nos encontrar em Galápagos e em Cuba. Vão estar conosco em três das quatro ilhas visitadas.

Localizado literalmente no meio do Oceano Pacífico, longe de tudo e de todos, o Havaí é uma verdadeira “fábrica de ilhas”. Ele está bem acima de um chamado “hot spot”, local onde o magma do centro da Terra escapa para a superfície, furando a crosta terrestre e cuspindo fogo e lava para aliviar a pressão. Ocorre que, bem nesse ponto, acima da crosta terrestre, estão seis quilômetros de água, que é a profundidade do Oceano Pacífico naquele ponto. Não tem problema! Milhares e milhares de anos de erupções subaquáticas vão criando uma montanha submarina que, eventualmente, chega à superfície. Chega e continua crescendo, outros quatro mil metros. Está formado uma ilha! Enquanto isso, a placa tectônica do Pacífico vai se movendo lentamente, poucos centímetros ao ano, em direção noroeste. Depois que algumas dezenas de milhares de anos nesse ritmo, a nova ilha, que se move junto com a placa, já está longe da Hot Spot que a criou, que ficou paradinha lá trás. A ilha, então, para de crescer. Pior, passa a ser consumida pela erosão do ar e do mar. Literalmente, se desmancha. Do pó viemos, ao pó retornaremos. Essa máxima vale até para as montanhas! Mas, enquanto uma ilha se desmancha lentamente, ao mesmo tempo em que se move para o noroeste, uma outra, novinha em folha, está sendo formada alguns quilômetros para trás, lá encima daquela nervosa Hot Spot.

O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas

O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas


Isso é o Havaí: uma sequência de ilhas no sentido sudeste-noroeste, algumas se formando, outras se acabando. As mais antigas já não são mais ilhas, descansando em paz abaixo do nível do mar. Outra, já está quase chegando à superfície, faltando “apenas” mil metros para chegar lá. No meio delas, as ilhas atuais. As principais,por faixa etária crescente, são a Big Island, Maui, Oahu e Kauai. Quanto mais nova (Big island), mais ativo o vulcanismo. Quanto mais velha (Kauai), mais tempo teve a vegetação de tomar conta da ilha. Por isso, Kauai é conhecida como a “Green Island”, tomada por florestas.

Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles

Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles


Nós seguiremos primeiro para a Big Island, também conhecida como Hawaii. Loucos para ver vulcões em atividade! Daí seguimos para Maui, a ilha mais chique. Será onde encontraremos o Rafa e a Laura. Daí, voaremos para Kauai, onde as mais belas paisagens do arquipélago nos esperam. Por fim, Oahu, onde está a capital Honolulu, a famosa praia de Waikiki e as ondas gigantes de Waimea e Pipeline. Entre as ilhas, o caminho é sempre voar, pois não há barcos que fazem o trajeto (estranho! Será que têm medos das ondas?). Dentro de cada ilha, vamos alugar carros para nos ajudar a chegar nos lugares mais interessantes. Transporte público, com raras exceções, não é o forte da pátria do automóvel.

A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Enfim, é isso aí. Hawaii, aí vamos nós! Na verdade, já viemos! Saímos hoje cedo do nosso simpático hotel dos Yurts no Big Sur, dirigimos até Los Angeles, deixamos a Fiona num estacionamento ao lado do aeroporto (por menos de 10 dólares por dia!) e enfrentamos as 5 horas até Hilo, na Big island. O relógio se atrasou duas horas e agora já estamos oito horas atrás do Brasil! Chegamos de noite, então ainda não deu para ver nada! Já estamos de posse do nosso jipão vermelho (amanhã tem fotos dele!) e agora, dormiremos mais ansiosos do que nunca para começar a ver e conhecer esse paraíso que frequenta minha imaginação há tanto tempo. Ainda bem que comia tudo direitinho, na minha tenra infância. Mas que esses “dois anos” demoraram para passar, isso demoraram!

Hawaii, Oahu-Honolulu, Big Island-Hilo, Big Island, Kauai, Maui, Oahu

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O Fascinante Mercado e o Milagre do Tripé

Canadá, Vancouver

Chegando ao Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Chegando ao Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Nossas últimas horas na cidade, não poderíamos deixar de visitar uma das maiores atrações de Vancouver: o Granville Island Public Market, ou simplesmente, o mercado de Granville.

Ponte que liga o centro à ilha de Granville, em Vancouver, no Canadá

Ponte que liga o centro à ilha de Granville, em Vancouver, no Canadá


O nome faz homenagem a um político inglês que foi, durante muito tempo, ministro das relações exteriores da Grã-Bretanha, a quem o Canadá era associado. Granville ficou famoso por ser um político apaziguador, sempre administrando as tensões com as outras potências da época, como a Alemanha de Bismark, a Rússia dos czares e os EUA de Lincoln e da Guerra Civil.

Downtown visto da ilha de Granville, em Vancouver, no Canadá

Downtown visto da ilha de Granville, em Vancouver, no Canadá


A própria cidade de Vancouver nasceu com o seu nome, até que mudasse a denominação para homenagear o famoso explorador. Mas Granville não foi esquecido pela cidade! Ao contrário, a principal rua da balada, além da ilha que hoje visitamos, ainda lhe prestam homenagem. E junto com a ilha, o fascinante mercado que aí funciona.

Novo e suculento carregamento chega ao Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Novo e suculento carregamento chega ao Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


A ilha fica numa entrada de mar conhecida como False Creek, bem ao lado do centro da cidade. Duas enormes pontes passam sobre ela e a ilha tinha tudo para ser um terreno inóspito, decadente e feio. Como de fato era, até que um projeto de remodelação a fez ressuscitar das cinzas na década de 70.

Para quem gosta de pimentão (tem até uma variedade laranja!), Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Para quem gosta de pimentão (tem até uma variedade laranja!), Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Uma das estrelas dessa remodelação foi a criação do Mercado Público. Junto com ele vieram lojas de artesanato, restaurantes, lojas, uma marina e diversos ateliês. Não demorou muito para virar moda entre os habitantes descolados da cidade e, em seguida, entre as dezenas de milhares de turistas que visitam Vancouver todos os anos.

Para quem gosta de comer caranguejo, Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Para quem gosta de comer caranguejo, Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


E não é para menos! O mercado é uma delícia, muito bem organizado, ótimo para uma boa refeição e, claro, repleto de frutas, legumes, queijos, flores, pães, condimentos e tudo mais que encontramos em mercados de grandes cidades.

Para quem gosta de cogumelos, Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Para quem gosta de cogumelos, Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Aliás, como já disse mais de uma vez em posts anteriores, uma visita ao mercado da cidade é sempre uma das melhores e mais interessantes maneiras de se conhecer as pessoas dali, como vivem, o que comem e como se portam.

Para quem gosta de berries, Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Para quem gosta de berries, Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Afinal, nesses mercados trabalham pessoas locais, vendendo produtos locais para, na sua grande maioria, clientes locais. Nós, os turistas, somos apenas a “decoração”.

Para quem acha que as abóboras são todas laranjas (Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá)

Para quem acha que as abóboras são todas laranjas (Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá)


Assim, hoje tivemos o enorme prazer de passar algumas horas no Mercado Público de Granville. Fomos e voltamos por seus corredores, admirando estandes de frutas ou flores, impressionados com a quantidade de cores e aromas espalhados pelo ambiente, ouvindo o burburinho local e a música dos artistas que ali se apresentam.

Comprando vinho no delicioso Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Comprando vinho no delicioso Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Aproveitamos também para comprar uns vinhos que levaríamos para nossos novos amigos canadenses (relato no próximo post), umas vassouras pelas quais a Ana se apaixonou (numa lojinha super simpática que deve ser a predileta de todas as bruxas de Vancouver!) e para almoçar.

Tradicional loja de vassouras na área do mercado de Granville, em Vancouver, no Canadá

Tradicional loja de vassouras na área do mercado de Granville, em Vancouver, no Canadá


Passeando pelo fascinante Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Passeando pelo fascinante Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Aliás, essa foi a parte mais difícil. Com tanta comida boa por ali, como fazer a escolha? Se (ou quando...) eu morasse em Vancouver, viria ao mercado todas as semanas, por um ano ao menos, até ter experimentado e conhecido todas as comidas, frutas e queijos de lá. Que delicioso desafio seria esse, hehehe!

Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


A Ana mata a vontade de segurar uma abóbora, no Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

A Ana mata a vontade de segurar uma abóbora, no Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Início da tarde e era a hora de seguirmos viagem e deixarmos Vancouver para trás. Que ótimo que passamos pelo mercado antes disso. Levaremos doces recordações. Não é aquele lugar caótico e cheio de vida que costuma ser os mercados latinos, mas com sua organização, limpeza e trabalhadores asiáticos, é a cara de Vancouver. Visita obrigatória e muito prazerosa!

Flores à venda no Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Flores à venda no Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Bom, conhecido o mercado, estávamos prontos para viajar. Estávamos? Não! Ao entramos no carro, demos por falta do nosso pequeno tripé que tem nos ajudado tanto a fotografar, comprado lá em Nova Iorque. Um exercício de memória nos fez lembrar onde ele tinha ficado: lá na Wreck Beach, a praia que estivemos ontem com o pessoal da 4x1. Se fosse em outro país, já teríamos dado como perdido, mas no Canadá, havia uma esperança!

Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá

Granville Island Public Market, em Vancouver, no Canadá


Então, nos demos ao trabalho de voltar lá, pouco mais de 10 km de distância. Mais do que isso, eram 460 degraus descendo a encosta até a praia. E os mesmo 460 degraus de subida. A Ana ficou encima, torcendo, enquanto eu desci correndo, dedos cruzados. E não é que estava lá, sobre o mesmo tronco de árvore onde havíamos deixado antes! ?! Pois é, viva o Canadá!!!

feliz em recuperar nosso tripé, que passou a noite na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá

feliz em recuperar nosso tripé, que passou a noite na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá


E assim deixamos Vancouver, com esses dois ótimos sentimentos: o mercado e o tripé. Junte-se a isso o “nosso” apartamento na Robson Street, quase do lado do Ibirapuera daqui e está explicado porque queremos passar uma temporada mais longa na cidade, hehehe. Quem sabe, um dia...

Fiona entre as árvores coloridas de Outono, em Vancouver, no Canadá

Fiona entre as árvores coloridas de Outono, em Vancouver, no Canadá

Canadá, Vancouver, British Columbia, Granville Island Public Market

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Diz aí se você gostou, diz!

Tsunamis, Escaladas e a Melhor Música do Mundo

Estados Unidos, Washington State, Port Townsend, Olympic National Park

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Depois do memorável encontra na mata, seguimos para a Ruby Beach, uma das mais belas praias do Olympic National Park. Dica valiosa da gerente do nosso hotel em La Push. Com o pouco tempo que temos por aqui, é preciso escolher entre as diversas atrações. E dicas dadas por gente que mora por aqui sempre ajuda!

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Havia parado de chover, mas o tempo ainda estava nublado. De alguma maneira, o céu cinzento combina com a beleza das praias da região. Quase se complementam! Além disso, é o frio e o tempo chuvoso dessa época que afastam as multidões, nos dando a chance de conhecer essa bela região quase a sós. Foi assim também na Ruby Beach, um grande estacionamento e pouquíssimos carros por ali.

Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Carros, sim, haviam poucos. Mas placas advertindo sobre o risco de tsunamis, essas haviam aos montes. Desde a enorme tragédia que vitimou 300 mil pessoas no início da década passada que o assunto “tsunami” virou uma coisa séria em todo o mundo. Especialmente por aqui, onde registros fósseis nos dão provas claras que essas enormes ondas destruidoras atingem a região com uma certa frequência. Vieram no passado e virão no futuro, ninguém duvida. O recente tsunami do outro lado da bacia do Pacífico, no Japão, é apenas mais um lembrete disso.

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Enfim, me parece que, a não ser que seja algo realmente catastrófico, como a queda de um asteroide no mar, por exemplo, os sistemas de alarmes e avisos e o conhecimento das pessoas sobre o assunto são mais do que suficientes para se evitar novas mortes. Dificilmente o nível do mar pode subir mais de dez metros e aqui no litoral do parque, bastam alguns minutos para subirmos a encosta litorânea e estarmos muito mais altos do que isso, prontos para assistir de camarote a onda que chegar. Câmeras na mão, seria um sonho!

Admirando um bolder ideal para prática de escalada, na ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Admirando um bolder ideal para prática de escalada, na ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Bom, lidas as placas com as devidas instruções, descemos para as praias. Qualquer sinal de terremoto ou do mar recuando, já sabíamos o caminho de fuga. Enquanto isso, podíamos admirar novamente a beleza selvagem do praia, enormes troncos de madeira empilhados na areia e grandes rochas despontando na água e também na praia. Algumas, ideias para a prática de escalada, ou Boulder. Praticamos essa técnica antes do início dos 1000dias mas, vergonhosamente, quase não usamos nossos conhecimentos nessa viagem.

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Hoje, não podia perder a chance! Passei um bom tempo me divertindo por lá. Se a tal onda gigantesca aparecesse no horizonte, ao invés de correr para a encosta, eu poderia esperar ela ali mesmo, no alto daquela pedra. Será que iria me arrepender? Bastou encostar a mão na agua para perceber que sim! Nadar ali, com aquela temperatura, não seria uma opção! Melhor o conforto seco da encosta que o risco molhado e gelado da pedra!

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Ficamos ali, fotografando e caminhando pela praia deserta por mais um tempo. Nada de tremor de terra, resolvemos que era hora de voltar. Já era o meio da tarde e umas boas horas de estrada nos esperavam de volta até a simpática Port Townsend, cruzando novamente o parque, admirando seus lagos e admirando as altas montanhas pelas janelas nas nuvens

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Relembrando as técnicas de escalada em rocha em um bolder na Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A passagem ao lado do Lake Crescent é o trecho mais bonito da estrada. De um lado, as altas montanhas, do outro, o lago que foi criado na época da última glaciação. Suas águas verdes escondem um vale com até 200 metros de profundidade. Ele já foi ligado ao mar, mas um enorme desabamento separou o lago em dois, um deles sem mais nenhum contato com o oceano. Nessa prisão lacustre, os salmões que aí estavam tiveram que se acostumar à passar toda a sua vida na água doce, sem suas migrações. Devem ter achado meio enfadonho no início, mas se acostumaram. A natureza sempre dá um jeito...

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


De volta ao nosso delicioso hotel Palace (amanhã tiramos umas fotos!), fomos novamente muito bem recebidos. Até fizeram um upgrade do nosso quarto, charmoso como o outro, mas ainda mais espaçoso. E foram logo nos avisando que haveria mais música no mesmo restaurante que estivemos há dois dias, o Upstage.

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Para lá seguimos e, além da pizza maravilhosa, tivemos mais uma incrível experiência musical. Há muito tempo, uma pessoa que entende de música 100 vezes mais do que eu, me disse que a melhor música do mundo era produzida em três países: Brasil, EUA e Cuba (sendo que os dois primeiros também produziam a pior música do mundo!). Nada contra o excelente rock inglês, o mágico reagge jamaicano ou o emocionante tango argentino. Mas eram naqueles três países que havia uma grande diversidade, qualidade e riqueza musical.

Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Bom, para mim que nasci e cresci no Brasil e que já tinha andado pelas ruas de Cuba, onde o povo parece ter nascido cantando e dançando, a afirmação fazia muito sentido. Quando aos EUA, eu aceitava a opinião daquela pessoa que tanto sabia e entendia mais do que eu. Mas me parecia que era algo mais dos grandes shows, mega produções da Broadway e cantores alçados ao estrelato pelo dinheiro do showbizz.

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Caminhada na bela e selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Pois bem, se tem algo que eu aprendi nesses mais de 100 dias viajando pelos quatro cantos dos Estados Unidos é a incrível qualidade e diversidade da música produzida por aqui. Como no Brasil e em Cuba, ela está na alma das pessoas. Do Jazz ao Blues, do Folk ao Rock, da Clássica à Popular, encontramos boa música em todos os lugares. O mais incrível estar em cidades pequenas, que no Brasil não comportariam nem um bom restaurante, e que aqui, além do “restaurante”, ainda tem uma música sofisticada, com plateia exigente. Ótimos músicos tocando para ótimos ouvintes. E lá no meio, eu e a Ana, em estado de êxtase, não acreditando nos que os olhos veem e os ouvidos ouvem.

O ótimo restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

O ótimo restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Assim foi hoje de noite no Upstage, excelente restaurante da pequena Port Townsend. Sem nossas máqunas fotográficas, mas com a nossa memória e admiração. E também com o conhecimento prático de que o Brasil e Cuba tem um páreo duríssimo na questão de qual país é o mais musical do mundo. Na dúvida, que ganhem todos eles!

Anúncio das atrações musicais do restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Anúncio das atrações musicais do restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Port Townsend, Olympic National Park, Parque, trilha

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Caçando a Neve

Brasil, Santa Catarina, Urubici, Rio Grande Do Sul, São José dos Ausentes

Neve, por enquanto, só em fotos! (em Urubici - SC)

Neve, por enquanto, só em fotos! (em Urubici - SC)


Nossa grande prioridade nesse giro rápido pelas serras catarinense e gaúcha é encontrar a neve. Assim, estamos sempre com um olho na previsão de tempo e com o outro no céu, olhando nuvens e montanhas. E sem esquecer o termômetro, claro! Nos intervalos dessa procura, aproveitamos para conhecer uma das regiões mais belas do Brasil!

Trabalhando no quentinho do hotel enquanto lá fora faz friiiio (Urubici - SC)

Trabalhando no quentinho do hotel enquanto lá fora faz friiiio (Urubici - SC)


Mas, para aqueles que não são tão fanáticos por neve, esta não é a melhor época para visitar as serras. Afinal, fica muito difícil fazer as belíssimas caminhadas pelos campos de altitude e bordas dos canyons com o frio úmido que está fazendo. A neblina esconde as paisagens cnematográficas e não dá muita vontade de sair dos ambientes fechados. Cachoeiras, então, só de longe. Até o vapor que sai delas já é congelante, brrrrrrrr

Neblina na área campestre de Urubici - SC

Neblina na área campestre de Urubici - SC


Em compensação, para quem gosta de uma lareira, chocolate quente, vinho ou fondue, é a hora certa no lugar certo. Resumindo, é difícil fazer exercícios e muito fácil comer, comer e comer. Uma ótima chance para quem quer ganhar uns quilinhos a mais.

A Cachoeira Véu a Noiva, no caminho para o Morro da Igreja, em Urubici - SC

A Cachoeira Véu a Noiva, no caminho para o Morro da Igreja, em Urubici - SC


A previsão de neve é só para o domingo, se vier. Para ela ocorrer, tem de esfriar e, ao mesmo tempo, haver umidade suficiente. Umidade tem bastante, nesses dias. O frio vai chegar bem forte no domingo, mas junto com um ar muito seco. Então, a única chance será no domingo cedinho, quando ainda restar um pouco de umidade. Depois, com o frio ainda mais intenso, a promessa é de geadas bem fortes, tudo branquinho de gelo, mas não de neve.

Frio, vento e nuvens no alto do Morro da Igreja, ponto mais alto da região sul do país (em Urubici - SC)

Frio, vento e nuvens no alto do Morro da Igreja, ponto mais alto da região sul do país (em Urubici - SC)


Nós resolvemos hoje mudar de ares. Sair da cidade mais fria de Santa Catarina para a cidade mais fria do Rio Grande do Sul, o vigésimo terceiro estado brasileiro nesta nossa viagem. Ainda antes de deixar Urubici, no final da manhã, voltamos mais uma vez aos 1.800 metros do Morro da Igreja. Tudo branquinho lá em cima. Mas não era nem de neve nem de gelo. Só neblina! E um frio de 6 graus que, com o vento, deveria ser algo próximo de zero.

Observando a Pedra Furada com a visão infravermelha, no alto do Morro da Igreja, ponto mais alto da região sul do país (em Urubici - SC)

Observando a Pedra Furada com a visão infravermelha, no alto do Morro da Igreja, ponto mais alto da região sul do país (em Urubici - SC)


No caminho, ainda passamos em mais uma das belas cachoeiras da região, uma das 1.047 cachoeiras brasileiras com o nome de Véu de Noiva. Muito bela para fotos e um desafio aos mais corajosos entre os corajosos fanáticos por banho de cachoeira. Não é o nosso caso, pelo menos hoje...

Placa de trânsito comum na região de Urubici - SC

Placa de trânsito comum na região de Urubici - SC


Depois, rumo ao Rio Grande, à cidade de São José dos Ausentes, onde está o ponto mais alto do estado, o Monte Negro, com pouco mais de 1.400 metros de altura. O caminho foi o mesmo de ontem, até Bom Jardim da Serra. De lá, estrada de terra e super bucólica, atravessando os campos de altitude entre os dois estados. Paisagem linda, os campos povoados por araucárias majestosas, árvore que é a cara do sul do Brasil.

Atravessando a bucólica fronteira entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no caminho entre as cidades mais frias do país

Atravessando a bucólica fronteira entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no caminho entre as cidades mais frias do país


Nesta estradinha rural, numa ponte de madeira super pitoresca, cruzamos a fronteira. Lugar belíssimo! Engraçado é observar as pessoas aqui no interior desses estados e comparar com o que víamos no Nordeste e Norte, há apenas alguns meses. Que diversidade dentro de um mesmo país! Enquanto por lá víamos crianças morenas e mulatas, algumas com traços indígenas, correndo sem camisa e descalços pelos campos, aqui vemos crianças encapotadas, apenas umas mechas loiras escapando por entre os casacos e a touca de lã, olhos azuis que brilham de longe. Êêêê, Brasilzão!

Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem

Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem


A gente se instalou num hotel fazenda, bem ao lado do ponto mais alto do estado. Se for nevar, aqui é o lugar! Entrando no hotel, já fomos reconhecidos por um simpático casal de gaúchos, a Ana e o Orlei, que tinham visto nosso carro em Urubici e acessado nosso site. Juntos, tivemos um delicioso jantar de comida típica gaúcha no próprio hotel que oferece pensão completa, já que estamos bem longe da cidade. Para sexta e sábado, o negócio é aproveitar as belezas aqui por perto sem ligar para a neblina que promete cobrir tudo pelos próximos dois dias. Contagem regressiva para a neve de domingo de manhã!

As lojas aproveitam para vender artigos para o frio, em Urubici - SC

As lojas aproveitam para vender artigos para o frio, em Urubici - SC

Brasil, Santa Catarina, Urubici, Rio Grande Do Sul, São José dos Ausentes, Morro da Igreja

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As Belezas de Bom Jardim

Brasil, Mato Grosso, Bom Jardim

A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Nada como uma boa noite de sono para recuperar as forças! Assim foi em Nobres e, logo cedo, já estávamos prontos para os 60 km de terra até Bom Jardim, a “Nobres” de verdade. No caminho, ao invés de cruzarmos com os rebanhos de lhamas tão corriqueiros nesses últimos tempos de estradas bolivianas e peruanas, foi a vez do bom e velho rebanho de gado! Estamos mesmo de volta ao nosso Brasil, mais especificamente ao Centro-oeste, terra dos maiores rebanhos bovinos do país.

Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso

Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso


Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso

Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso


Para chegar à Bom Jardim, além de dividir a estrada com o gado, temos também de cruzar diversos acampamentos de sem-terra. A área é cheia de litígios agrários e terras não demarcadas, terreno muito propício à seguidas invasões. Tudo pela conhecida incompetência burocrática brasileira. Ainda nos tempos de Dante de Oliveira como Ministro da Reforma Agrária, há mais de duas décadas, essas terras foram colonizadas por sulistas, estimulados pelo próprio governo a migrarem para cá. Vieram, criaram suas fazendas, começaram a produzir, mas os títulos nunca foram devidamente oficializados. A notícia se espalhou e os sem-terra vieram, todos querendo o seu quinhão. Ainda mais agora, que as terras já estão abertas e produzindo. Invasão após invasão, a situação vai se arrastando. Uma das consequências dessa insegurança é que o turismo também não desenvolve todo o seu potencial. Afinal, quem vai investir muito numa propriedade que pode ser invadida na semana seguinte?

Com o Vicente, em Bom Jardim, distrito de Nobres, no Mato Grosso

Com o Vicente, em Bom Jardim, distrito de Nobres, no Mato Grosso


Arara descansa tranquilamente no capô da Fiona, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Arara descansa tranquilamente no capô da Fiona, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Enfim, de pouco em pouco, as coisas vão andando. O turismo em Bom Jardim segue o mesmo caminho do turismo de Bonito, com atrações bem semelhantes: rios de águas transparentes, cachoeiras e cavernas. A semelhança não é apenas no conteúdo, mas também na forma! Para quem já viajou pelo Brasil, sabe que não existe turismo mais “organizado”, ou “esquematizado” do que em Bonito, para o bem ou para o mal. O acesso à todas as atrações só pode ser feito através de agências e com a companhia de um guia. Não há possibilidade de se “explorar” ou descobrir algo. O negócio é entrar na fila, pagar o ticket e aproveitar o tempo contado, pois a fila tem de andar. Ainda vou falar desse tipo de turismo quando visitarmos a cidade, em alguns dias, seus prós e contras. Mas, enfim, é por esse mesmo caminho que segue Bom Jardim.

Uma bela arara no nosso caminho para a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Uma bela arara no nosso caminho para a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Então, logo que chegamos à Bom Jardim, fomos a uma das agências para conhecer e decidir quais passeios faríamos. Ainda são poucas as agências na cidade e todas tem seus próprios hotéis ou pousadas. Nós ficamos muito amigos do Vicente, da agência Anaconda e com ele não só acertamos nossos passeios, mas muito conversamos sobre a região e o desenvolvimento do turismo por aqui. Ele mesmo trabalhou muito tempo em Bonito e foi um dos responsáveis pela implantação do turismo nos mesmos moldes por aqui. Apesar de se perder em liberdade, certamente a organização ajuda muito a proteção e conservação das belezas, muitas delas sensíveis a uma exploração mais intensa.

Um delicioso banho na Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Um delicioso banho na Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Nadando no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Nadando no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Com pousada e atrações definidas, era hora de começarmos! Compramos nossos vouchers na agência, colocamos o guia no carro e seguimos para lá! Para começar e para matar a saudade de uma boa cachoeira onde se pode nadar, coisa que já não vemos há muito tempo (desde Roraima!), fomos para a mais famosa queda d’água da região, a Cachoeira da Serra Azul.

Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Encravada no coração de uma propriedade do Sesc, aí só entram turistas em grupo com guia e dentro de um número máximo de pessoas por dia determinado por um estudo de impacto ambiental. A gente vai até a sede da propriedade e fica se divertindo com as araras e macacos que são criados por ali, pelo menos até que o grupo que já está na cachoeira volte. Um grupo de cada vez, cada um por uma hora, incluindo os tempos de deslocamento e caminhada.

Visitando a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Visitando a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Dirigindo nas estradas rurais da região de Bom Jardim, no Mato Grosso

Dirigindo nas estradas rurais da região de Bom Jardim, no Mato Grosso


Pacientemente, esperamos nossa vez e, já com nossos coletes salva-vidas, seguimos para a parte final do caminho, quando o outro grupo já voltava. O nosso grupo era de apenas 4 adultos e duas crianças (nos finais de semana, chegam à 15 pessoas) e tratei de caminhar mais rápido para chegar à cachoeira e vê-la sem gente. Aproveitei também para um bom mergulho sem colete, não resistindo à tentação da grande piscina refrescante formada abaixo da cachoeira. Logo depois, chegou a Ana e, mais uns minutos, os outros turistas com a guia.

Pronta para fazer flutuação nas águas cristalinas do Rio Triste, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Pronta para fazer flutuação nas águas cristalinas do Rio Triste, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Num dia tranquilo como o de hoje, pudemos nos esbaldar por ali por um bom tempo, a guia relaxando e fazendo de conta que não nos via sem colete. A água bem limpa, cheia de peixes trazidos pelo antigo proprietário. Tivemos todo o tempo do mundo para tirarmos nossas fotos, fazermos nossas explorações subaquáticas e tomarmos uma ducha forte e refrescante. Não é a toa que essa é uma das atrações mais conhecidas da região!

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Tronco abaixo d'água no Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Tronco abaixo d'água no Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


As outras são as flutuações nos rios. Entre as várias opções, nós escolhemos ir ao Rio Triste, direto dali, acompanhados da mesma guia. Novamente, só entra na propriedade quem traz o voucher comprado nas agências da cidade, que já inclui máscaras, snorkel e o bendito colete salva-vidas. Aqui, eles são mais obrigatórios ainda, para manter a pessoa na superfície e longe do solo, onde poderia fazer “bagunça”.

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Nadando nas águas claras do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Nadando nas águas claras do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Bem... Bom Jardim segue os passos de Bonito, mas ainda não é Bonito. Assim, ainda há um certo “espaço de manobra”, principalmente fora dos dias mais cheios. Outra vez, nosso grupo não era grande e eu e a Ana conseguimos deixar eles um pouco para trás, ficando com o rio apenas para nós. Assim, tivemos mais tempo para as fotos e mesmo para deixar o colete um para lá, para afundarmos um pouco, com o devido cuidado de não fazermos sujeira. A sensação é a de estarmos nos movimentando num grande aquário, a corrente nos levando e fazendo o esforço para nós. No caminho, temos de nos desviar de troncos e raízes e, mais que tudo, observar os peixes que nos observam, eles mesmos, ainda mais curiosos.

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água


Uns vinte minutos de descida com direito a bis, ainda mais sozinhos ainda, agora que a guia sabe que já “conhecemos o caminho”. Foi joia! Não chega a ser um Rio da Prata, de Bonito, mas vale a pena também, principalmente pelo fato de ainda ser pouca gente por aqui.

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água


Voltamos para a cidade morrendo de fome, mas ainda não podíamos parar. Havia um último programa a ser feito, antes de saciarmos nossos esfomeados estômagos. Ali do lado, em uma lagoa repleta de palmeiras, todas as tardes, na hora do pôr-do-sol, centenas de pássaros vem se recolher. Entre eles, destacam-se as araras azuis e amarelas, num verdadeiro frenesi de cores e sons. É uma das poucas atrações onde não é preciso estar acompanhado de um guia e pode-se comprar a entrada ali na porta da propriedade mesmo.

Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


A Lagoa das Araras, como é conhecida, já é um espetáculo apenas pelo seu visual. As cores do fim de tarde a transformam em um verdadeiro quadro, mas é a chegada das araras que traz a magia final. Sempre aos pares, elas vem de todos os lados, procurando a copa de alguma palmeira para pousar. Muitas vezes, a palmeira já está ocupada e, não raro, muita briga e confusão acontece, gritaria total. No fim, com muito jeito, todas encontram o seu lugar, enquanto os turistas, lá do mirante de madeira sobre a água, se deliciam com o espetáculo natural à sua frente.

São dezenas de araras que frequentam, durante o entardecer, a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

São dezenas de araras que frequentam, durante o entardecer, a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Foi mesmo um verdadeiro show. Ficamos emocionados ao ver os primeiros casais chegarem e, depois, conforme vamos nos acostumando com a cena, só nos resta admirar toda a natureza exuberante ao nosso redor. De pensar que aquele espetáculo acontece todos os dias, naquela hora, naquele lugar. Vou me lembrar disso quando estiver em um fim de tarde bem monótono, em algum lugar qualquer. Meu corpo fica por ali, mas meu espírito voa para a Lagoa das Araras para, mais uma vez, admirar a beleza simples da vida. Não pode ter melhor remédio para tristeza ou monotonia...

Admirando o entardecer e as araras na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Admirando o entardecer e as araras na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Enfim, finalmente, araras devidamente empoleiradas para a noite, nós pudemos “almojantar”. Foi um dia intenso no qual tivemos uma boa amostra das belezas de Bom Jardim. Faltaram as cavernas onde, no futuro, se poderá, inclusive, mergulhar. Mas, para isso, ainda é preciso os famosos e caros estudos de impacto ambiental que só virão depois da regularização dos títulos de propriedade. Algum dia... Enquanto isso, são os mexicanos de Tulum que fazem fortuna com os mergulhadores americanos e europeus. A gente chega lá... Por hora, chega de Bom jardim. Amanhã, vamos à outra atração nas cercanias de Cuiabá, essa sim conhecida nacionalmente: a Chapada dos Guimarães!

O incrível panorama da Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

O incrível panorama da Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Bom Jardim, Bichos, cachoeira, Nobres

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