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Um Dia em Santiago

Chile, Santiago

Santiago, capital do Chile, em frente ao Museu de Bellas Artes

Santiago, capital do Chile, em frente ao Museu de Bellas Artes


Santiago foi fundada no início da colonização espanhola no Chile, por volta de 1540, e sempre foi a principal cidade do país, assim como sua capital, logo que o Chile tornou-se independente, no início do séc. XIX. Mesmo assim, permaneceu uma cidade pequena e tranquila até o século passado, quando passou a se desenvolver e crescer rapidamente, principalmente devido a forte imigração de chilenos do interior do país. Hoje, com mais de 5 milhões de pessoas, ele concentra um terço de todos os habitantes do Chile.

Vista de Santiago, capital do Chile, na subida do Cerro San Cristobal

Vista de Santiago, capital do Chile, na subida do Cerro San Cristobal


Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia

Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia


Localizada no chamado “Vale Central”, espremida entre os Andes e a Cordilheira da Costa, a cidade é praticamente plana. A exceção são alguns pequenos “Morros-Ilha”, cumes de antigas montanhas que sobreviveram ao processo de sedimentação que preencheu o Vale Central com material trazido das cordilheiras ao seu redor, ao longo de milhares de anos. Estes “Cerros” são, em sua maioria, parques da cidade, verdadeiros oásis verdes no meio do gigantesco vale urbanizado. Trazem um pouco de ar puro a uma cidade que tem uma das atmosferas mais poluídas da América Latina, concorrendo com São Paulo e Cidade do México. O problema daqui é que os gases produzidos pelo intenso tráfego ficam presos entre os Andes e a Cordilheira da Costa, não tendo para onde escapar, principalmente no inverno, quando o fenômeno da inversão térmica é mais comum.



Santiago não é apenas a maior cidade, mas também o principal centro administrativo, financeiro, gastronômico e cultural do país, sede de inúmeras universidades, museus, bibliotecas e onde se encontram os melhores restaurantes e os mais imponentes prédios históricos. Enfim, apesar da poluição, é uma cidade que tem muito a oferecer aos visitantes e turistas. Ninguém vai se arrepender de passar alguns dias por aqui!

Despedida da Andrea, em Santiago, capital do Chile

Despedida da Andrea, em Santiago, capital do Chile


Com o Pablo, subindo de funicular o Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile

Com o Pablo, subindo de funicular o Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile


Essa era exatamente a nossa ideia original: passar alguns dias por aqui. Mas o episódio do roubo em La Serena, assim como o belo dia que passamos no Valle del Elqui mudaram nossos planos. Só conseguimos chegar por aqui ontem no final da tarde e já voamos para a Ilha de Pascoa amanhã cedo. Restou-nos, então, o dia inteiro de hoje para explorar essa metrópole. Quer dizer, vamos ter uma segunda chance quando voltarmos de Páscoa, mas também não poderemos nos enrolar muito já que temos outro compromisso com data marcada nos esperando em Buenos Aires (o navio para a Antártida!). Enfim, tínhamos de tirar o melhor de hoje!

Subindo de funicular o Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile

Subindo de funicular o Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile


Com os amigos chilenos Pablo e Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile

Com os amigos chilenos Pablo e Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile


Para nossa sorte, não estávamos sozinhos nessa empreitada! O Pablo e a Andrea, nossos amigos chilenos, vieram até Santiago para nos guiar por aqui. Ainda vou fazer um post sobre eles, mas a sua companhia foi fundamental para que tivéssemos o dia eficiente que tivemos hoje. É sempre mais fácil conhecer uma grande metrópole como Santiago quando se está acompanhado de gente que nasceu e cresceu no lugar!

A famosa estátua de Nossa senhora no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile

A famosa estátua de Nossa senhora no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile


Em dia de muito fog e poluição, quase não se vê as montanhas andinas que circundam Santiago, capital do Chile, do topo do Cerro San Cristobal

Em dia de muito fog e poluição, quase não se vê as montanhas andinas que circundam Santiago, capital do Chile, do topo do Cerro San Cristobal


Nessa nossa primeira noite na cidade, ficamos hospedados no Hostel Forestal, muito bem localizado, a uma quadra da Alameda, a principal avenida de Santiago. Ontem de tarde ainda deu tempo de ir caminhar um pouco por ela, passar ao lado do Cerro Santa Lucia, onde a cidade foi fundada, percorrer o centro financeiro, passar em frente a um Palácio de La Moneda (sede do governo) em reformas e observar os estudantes saindo da universidade. Mas o grande passeio estava mesmo prometido para hoje e, logo cedo, o Pablo e a Andreia já nos encontraram no nosso hostel.

Caminhando pelo Parque Forestal, em Santiago, capital do Chile

Caminhando pelo Parque Forestal, em Santiago, capital do Chile


Prédio do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile

Prédio do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile


Ainda cheios de energia da noite bem dormida, começamos nossas explorações com o Cerro San Cristóbal, o mais alto daqueles “Morros-Ilha” no coração da cidade. Dez minutos de caminhada através do bairro Bellavista nos levaram até o pé do morro, onde pegamos o funicular, uma espécie de trenzinho, até o alto da montanha. Aí está a estátua de Nossa Senhora que é um dos cartões-postais mais conhecidos da cidade, um dos pontos que eu mais me lembrava da minha visita de 20 anos atrás. O monumento é de 1905 e tem pouco mais de dez metros de altura.

O imponente saguão do Mercado Central, em Santiago, capital do Chile

O imponente saguão do Mercado Central, em Santiago, capital do Chile


Restaurantes de mariscos no Mercado Central de Santiago, capital do Chile

Restaurantes de mariscos no Mercado Central de Santiago, capital do Chile


Do alto do San Cristóbal, em dias claros, tem-se uma das mais belas vistas de Santiago e das montanhas ao fundo. Mas esse não era o caso de hoje! A inversão térmica estava mais forte do que nunca e mal conseguíamos ver a silhueta das montanhas nevadas ao fundo. O que se podia ver, com toda a clareza, era a nuvem de fumaça que cercava a cidade. O ar que estávamos respirando... Enfim, pela manhã esse fenômeno tende a ser pior, a brisa do final de tarde dando um “respiro” para os santiaguinos.

Venda de patas de caranguejo no Mercado Central de Santiago, capital do Chile

Venda de patas de caranguejo no Mercado Central de Santiago, capital do Chile


Venda de lagostas no Mercado Central de Santiago, capital do Chile

Venda de lagostas no Mercado Central de Santiago, capital do Chile


Bom, se subimos o San Cristóbal de funicular, para descer fomos caminhando mesmo. Muitas trilhas cortam a mata refrescante e propiciam belos mirantes para os diversos lados da cidade, o Pablo e Andreia nos explicando a geografia de Santiago, assim como a divisão econômica entre os diversos bairros da cidade, ricos para lá e pobres para cá. Nada que já não tenhamos visto no Rio, São Paulo, Buenos Aires, ou Lima. Por aqui, o grande divisor de águas, ou de classes, é a Plaza Italia.

Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile

Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile


Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile

Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile


Meia hora de caminhada e chegamos ao nível da cidade novamente, quase ao lado de uma casa conhecida como La Chascona. Aí viveu Pablo Neruda, e a nossa visita à casa, que hoje é um museu, e ao restaurante onde almoçamos, também muito frequentado pelo escritor, vão merecer um post próprio.

Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile

Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile


Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile

Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile


Já alimentados, seguimos nossa caminhada pelo Paseo Forestal, uma deliciosa alameda toda sob a sombra de árvores que mais se parece um parque. Fomos até o Museu de Bellas Artes, um dos mais imponentes de Santiago. Como não tínhamos tempo para explorar o museu, foram só alguns minutos para ver seu salão central e tirar algumas fotos do seu bonito entorno. Foi nesse ponto que nos despedimos da Andrea, que está grávida e tinha consulta marcada com um médico na cidade onde vivem hoje, pouco mais de 100 km ao sul de Santiago. Ainda passaremos por lá antes de deixarmos o Chile definitivamente, então foi só um “Até logo!”. Ela se foi e o Pablo continuou conosco.

Antiga estação de trem de Santiago, capital do Chile

Antiga estação de trem de Santiago, capital do Chile


Admirando a estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile

Admirando a estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile


A próxima parada foi no charmoso Mercado Central. Hoje, ele é muito menos um mercado e mais um local cheio de restaurantes para turistas. Por falar neles, aí estavam às centenas, deliciando-se com os frutos do mar que fazem a fama do lugar. Ficamos impressionados com a quantidade de brasileiros no local, algo que não víamos há muito tempo. O prédio é muito bonito, centenário também, e um ponto de visita obrigatório para quem quer conhecer Santiago Melhor vir com fome, mas se já tiver almoçado, só a arquitetura e o clima do lugar já valem a pena!

caminhando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile

caminhando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile


Descansando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile

Descansando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile


Depois do mercado de mentira, fomos ao mercado de verdade, não muito longe dali, o Vega. Uma das melhores maneiras de se conhecer uma cidade ou país é visitando seus mercados. Aí temos noção do que se come, das frutas que crescem, dos hábitos das pessoas, como se vestem e até das flores que gostam nesse país/cidade que estamos visitando. É muito interessante também ver as pessoas que vivem na cidade fazendo suas compras, parte da rotina do seu dia-a-dia. É uma maneira de fugirmos dos turistas e vermos a cidade real. Enfim, foi meia hora de pura diversão e fotos entre os stands de frutas, verduras, queijos, flores e carnes, nos espremendo entre vendedores e compradores.

Arte nas ruas de Santiago, capital do Chile

Arte nas ruas de Santiago, capital do Chile


O tradicional bar La Piojera, em Santiago, capital do Chile

O tradicional bar La Piojera, em Santiago, capital do Chile


Depois desse caos inspirador, foi a hora de procuramos um lugar mais tranquilo, Afinal, a paz também inspira! O local escolhido foi a antiga estação de trens Mapocho, hoje transformada num magnífico espaço de eventos. Quase não havia visitantes e tivemos todo aquele imenso prédio para nós. A paz do presente contrastava com a balbúrdia do passado, quando milhares de pessoas passavam por ali diariamente, muitos deles migrantes chegando cheios de esperança a enorme capital que não arava de crescer. As fotos de uma exposição permanente que há ali nos deram uma boa ideia desses antigos e movimentados tempos.

O tradicional bar La Piojera, em Santiago, capital do Chile

O tradicional bar La Piojera, em Santiago, capital do Chile


E agora, já inspirados pelo caos e pela paz, faltava outro tipo de inspiração. A próxima parada foi em um dos mais tradicionais bares da cidade, o “Piojera”, um galpão no fundo de um beco onde centenas de santiaguinos fazem ponto diariamente, todo final de tarde. O estranho nome veio da fala de um antigo presidente do país, que uma vez foi convidado a vir aqui, para uma reunião política, lá nos distantes anos 20. Enojado com a aparência do local, reclamou: “Quem teve a ideia de vir nesta piojera?”. Sim, “piojera” quer dizer local cheio de piolhos! Enfim, o apelido pegou, a aparência do bar continuou a mesma e, ainda hoje, ele tem a fama e o movimento que tem, local preferido de estudantes, poetas, artistas e outros tipos boêmios.

Produção em série de 'Terremotos', no balcão do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile

Produção em série de "Terremotos", no balcão do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile


A famosa bebida 'Terremoto', no La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile

A famosa bebida "Terremoto", no La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile


A bebida mais vendida é o “terremoto”. É um coquetel leva vinho pipeño (ou vinho branco), sorvete de abacaxi, Fernet, Granadina, Rum e Conhac! Enfim, é uma mistura e tanto, quase explosiva, que faz jus ao nome do coquetel. Quem está na chuva, é para se molhar e nós tomamos o nosso terremoto enquanto nos divertíamos com a fauna local e com a arte nas paredes internas e externas do bar. Sem contar os garçons, que já são uma atração própria!

Servindo o famoso 'Terremoto', drinque típico do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile

Servindo o famoso "Terremoto", drinque típico do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile


Experimentando um 'Terremoto', a mais famosa bebida servida no La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile

Experimentando um "Terremoto", a mais famosa bebida servida no La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile


Mas nosso tour ainda não tinha terminado. Animados depois do terremoto, seguimos caminhando para a Plaza de Armas, onde fomos a catedral e caminhamos calle Ahumada, só para pedestres. Neste horário, estava lotada de santiaguinos voltando para casa e de turistas em busca de uma boa foto. No meio da rua, os artistas populares em busca do seu ganha pão. Assistimos a uma apresentação de danças típicas, a cueca (não confundir com a palavra em português!), que imita a corte que um galo faz a uma galinha.

A Catedral Metropolitana de Santiago, capital do Chile

A Catedral Metropolitana de Santiago, capital do Chile


Interior da Catedral Metropolitana de Santiago, capital do Chile

Interior da Catedral Metropolitana de Santiago, capital do Chile


O que não poderia faltar também, estando no Chile, são os chinchineros, artistas que são praticamente uma orquestra ambulante, não só de música, mas de dança. Pulando para lá e para cá, com seus tambores nas costas, são uma das cenas mais típicas deste país, principalmente nas ruas mais movimentadas de Santiago!

Show de cueca, dança típica, na calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile

Show de cueca, dança típica, na calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile


Os famosos músicos que cantam e dançam ao mesmo tempo, típicos de Santiago, capital do Chile

Os famosos músicos que cantam e dançam ao mesmo tempo, típicos de Santiago, capital do Chile


Acabou? Não! Ainda tínhamos tempo para subir o Cerro Santa Lúcia, ali do lado, para uma última vista da cidade, aproveitando que o ar estava mais limpo e que o sol ainda brilhava. Este Cerro é bem mais baixo que o San Cristóbal e não precisamos de funicular para subi-lo. É só apertar o passo. O esforço recompensou, não só com a vista da capital, mas agora sim, das montanhas nevadas no horizonte. Foi espetacular!

Pórtico de entrada do Cerro santa Lucia, em Santiago, capital do Chile

Pórtico de entrada do Cerro santa Lucia, em Santiago, capital do Chile


Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia

Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia


Agora sim, sensação de missão cumprida, caminhamos tranquilamente de volta ao nosso hostel. Recolhemos nossas coisas e pegamos a Fiona para seguir para a casa da mãe do Pablo, a Maria Ester. Ela nos convidou para passar a noite lá antes de viajarmos para a Ilha de Pascoa. A Fiona vai ficar guardada no seu quintal! Tudo parecia estar perfeito nesse nosso dia em Santiago. Infelizmente, ele ainda não havia terminado...

Muito romantismo no alto do Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile

Muito romantismo no alto do Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile

Chile, Santiago, Arquitetura, Cerro San Cristobal, Cerro Santa Lucia, cidade

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De San Marcos Para Xela

Guatemala, San Marcos La Laguna, Quetzaltenango

O incrível visual da Laguna Atitlán e seus três vulcões! (em San Marcos La Laguna, na Guatemala)

O incrível visual da Laguna Atitlán e seus três vulcões! (em San Marcos La Laguna, na Guatemala)


Por uma estranha coincidência ou pela infalível Lei de Murphy, sempre o último dia da temporada na praia, aquele em que precisamos ir embora cedinho (pelo menos para quem mora longe, como Belo Horizonte, e tem uma longa viagem pela frente), é sempre o mais bonito, céu azul e sol radiante. Por que será? De criança, sempre tentava imaginar alguma maneira de “enganar” essa sina que São Pedro nos impõe. Pois é, para quem tem 1000dias, não é tão difícil!

Checando a cor da água do lago Atitlán San Marcos La Laguna, na Guatemala

Checando a cor da água do lago Atitlán San Marcos La Laguna, na Guatemala


Dia de sol na espetacular laguna Atitlán em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Dia de sol na espetacular laguna Atitlán em San Marcos La Laguna, na Guatemala


Hoje, dia de ir embora da maravilhosa Laguna de Atitlán, o dia amanheceu mais bonito do que nunca. Então, “vamos atrasar a partida!”, foi nossa justa reação. Ao invés das malas, fomos atrás da sunga e do biquini e corremos para a nossa “praia” no lago, a plataforma de saltos. Como frequentadores habituais, ganhamos até um desconto na entrada (a plataforma fica dentro de um parque municipal). A próxima hora foi gasta tirando as fotos mais bonitas de Atitlán e dos deliciosos saltos no lago. Uma inesquecível maneira de nos despedirmos desse lugar incrível que deveria fazer parte do roteiro de todos os que visitam este país.

Admirando a beleza da laguna Atitlán e de seus vulcões, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Admirando a beleza da laguna Atitlán e de seus vulcões, em San Marcos La Laguna, na Guatemala


'Caminhada aérea' sobre uma ensolarada laguna Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

"Caminhada aérea" sobre uma ensolarada laguna Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala


Depois da diversão, a obrigação. Afinal, nossa diária já vencia no hotel. Empacotamos tudo e partimos de Fiona para nossa última etapa dessa primeira passagem pela Guatemala (na volta da América do Norte tem mais!). Mas antes disso, Atitlán ainda reservava uma última surpresa para nós. Quando chegamos aqui há três dias já estava escuro e não pudemos aproveitar a vista que se tem do alto das encostas da imensa cratera que é, na verdade a região da laguna. Dessa vez, início da tarde, após vencer o interminável ziguezague que a estrada faz para chegar lá no alto da encosta, chegamos a um ponto que oferecia vistas sublimes de toda aquela natureza exuberante: o lago lá embaixo com suas águas azuis-esverdeadas, os três vulcôes do outro lado de Atitlán, o verde das florestas que cercam a laguna e o céu azul a cercar tudo isso. Nova pausa para fotos, para nós e para um simpático grupo de turistas guatemaltecas, argentinos e suiço que viajavam juntos no carro de uma delas.

Despedida da fantástica região da laguna Atitlán (saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala)

Despedida da fantástica região da laguna Atitlán (saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala)


Encontro com argentinos, guatemaltecos e um suiço no mirante de Atitlán, saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala

Encontro com argentinos, guatemaltecos e um suiço no mirante de Atitlán, saindo de San Marcos La Laguna, na Guatemala


Depois, a curta viagem até Quetzaltenango, a maior cidade dessa parte do país, mas ainda sim com uma simpática cara de cidade pequena. “Xela”, como é conhecida pelos locais, quase chegou a ser a capital de um país que não chegou a existir e hoje atrai muitos estudantes estrangeiros que querem aprender espanhol, o que deu à cidade um ar mais cosmopolita, com ótimos restaurantes e pequenos hotéis boutique. A cena cultural também é agitada, assim como a vida noturna. A arquitetura no centro também é diferenciada no país, influenciada que foi pela forte presença germânica no início do século passado.

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala

Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala


Xela está localizada em região bem montanhosa, cercada de vulcões. Com uma altitude superior a 2.300 metros, o fim do dia sempre traz um friozinho gostoso, e todas as camas pedem um bom cobertor. Que delícia! Pena que amanhã não poderemos dormir até tarde. Na verdade, é justamente o contrário! Já temos compromisso marcado com um guia que vir[a ao nosso hotel às 04:30 da madrugada. Vamos todos de Fiona ao vulcão Tajumulco que, com seus 4.220 metros de altura, é o ponto mais alto da Guatemala e de toda a América Central. A Fiona nos leva até os 3.200 metros e os últimos mil são por nossa conta. Depois de tanto tempo relaxando no lago, já era mesmo hora de um pouco de exercício...

Um dia inspirador para remar no Lago Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Um dia inspirador para remar no Lago Atitlán, em San Marcos La Laguna, na Guatemala

Guatemala, San Marcos La Laguna, Quetzaltenango, Atitlán, Lago, vulcão, Xela

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A Minas do Uruguai e os Campos de Sarandi

Uruguai, Minas

A praça central de Minas, no Uruguai

A praça central de Minas, no Uruguai


Aproveitamos nossa última manhã em Colonia del Sacramento para, pela internet, pesquisar, escolher e reservar um hotel na pequena e isolada Cabo Polonio, uma praia no Uruguai onde não se pode chegar de carro. Marcamos para a próxima quinta e sexta, portanto temos outros três dias para chegar até lá. Essa era nossa última preocupação para reservar hotéis aqui no país, já que nas outras cidades, teremos tempo e tranquilidade para definir nossa estadia no momento em que chegarmos. O pagamento, fizemos por um sistema que existe no Uruguai chamado Rede Pago, presente em todas as cidades. Pagamos aqui, em alguma casa comercial associada ao sistema e o dinheiro chega lá. Com esse assunto resolvido, hora de pegarmos estrada!



Antes de seguirmos para a praia, ainda queríamos passar no interior do país, em uma das poucas regiões de serra do Uruguai. Quando estamos explorando um país, é claro que gostamos de conhecer suas atrações mais conhecidas. Mas sempre procuramos também alguma região ou cidade desconhecida dos turistas. Quase sempre, é aí que chegamos mais perto da alma do país e de seus habitantes. Para descobri-lo, alguma pesquisa na internet, livros-guia e, principalmente, conversas com os habitantes locais. Normalmente, é daí que saem as melhores ideias. E foi assim que surgiu o nome de Minas. Mineiro que sou, já simpatizei logo de cara. Depois, ao descobrir que se tratava de uma região de serra, aí me decidi de vez! É para lá que vamos! Quem sabe, achamos até uma cachoeira e uma goiabada?

Chegando à fábrica da Patricia, a mais popular cervejaria do uruguai, na região de Minas, no sul do país

Chegando à fábrica da Patricia, a mais popular cervejaria do uruguai, na região de Minas, no sul do país


Cervejaria Patricia, estrategicamente construída ao lado do parque Salus, fonte da melhor água mineral do país, na região de Minas, no Uruguai

Cervejaria Patricia, estrategicamente construída ao lado do parque Salus, fonte da melhor água mineral do país, na região de Minas, no Uruguai


Minas fica a nordeste de Montevideo, na direção do interior. Nosso caminho de Colonia até lá não passa pela capital, desviando-se um pouco antes. São quase 300 quilômetros, ou cerca de três horas nas sempre tranquilas estradas uruguaias. Mas não fomos diretamente. Um pouco antes, paramos no parque Salus, onde está a principal fonte de água mineral do país. Aliás, é esta a água que bebemos em todo o Uruguai, a marca Salus, tão comum em restaurantes e supermercados. Uma boa maneira de começar a compreender um país é exatamente em seus supermercados, observando quais as marcas mais populares, de água a chocolate, de sabão em pó a cerveja. Aqui no Uruguai, a água é Salus e Salus é aqui de Minas. Aliás, o próprio nome da região e da cidade, Minas, refere-se às minas de água presentes nessa região serrana.

Chegando ao parque Salus, de onde vem a famosa água do país, na região de Minas, no Uruguai

Chegando ao parque Salus, de onde vem a famosa água do país, na região de Minas, no Uruguai


Nós chegamos ao parque esperando encontrar uma das “instituições” uruguaias, mas, ao invés disso, encontramos duas delas! Isso porque, além da engarrafadora de água mineral, ali também está instalada a fábrica da Patrícia, a cerveja mais popular do Uruguai. Como todos sabemos, o principal ingrediente de uma cerveja é a água e a Patricia foi esperta o suficiente para fazer sua fábrica justamente ao lado da fonte mais saudável de seu principal ingrediente! Realmente, esse parque vale ouro para o país, hehehe!

A fonte de água mineral Salus, na região de Minas, no Uruguai

A fonte de água mineral Salus, na região de Minas, no Uruguai


bebendo a água direto da fonte! No parque salus, região de Minas, no Uruguai

bebendo a água direto da fonte! No parque salus, região de Minas, no Uruguai


Nós não entramos na fábrica da Patricia e nos contentamos em fotografá-la de fora. Depois, fomos até a engarrafadora Salus. Com nossas garrafas em mãos, seguimos até a fonte pública e ali nos abastecemos da mais pura água uruguaia. Aproveitamos também para dar um bom passeio nos bosques e jardins do parque, repleto de flores. Não sei o quão popular é o parque entre os habitantes locais, mas hoje, uma segunda-feira, éramos só nós por ali, aproveitando o ar puro, água fresca, sombra e visual florido.

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Depois do parque, rumo a Minas. É uma cidade pequena, cercada por serras e centrada em uma grande praça. Mais ou menos como o livro guia havia dito, “o principal charme dessa cidade pequena é exatamente ser uma cidade pequena”. Não sei se influenciado pelo nome, mas a minha sensação era a de estar em alguma cidade no interior da minha Minas Gerais. A praça, bem arborizada, está em frente à maior igreja da cidade. Ali do lado também está o principal hotel, o banco (no caso, não é o banco do Brasil, como seria, se estivéssemos mesmo em Minas Gerais), algumas lojas e restaurantes. Entre eles, o mais famoso de Minas. Na verdade, uma confeitaria, a Irisarri. Puro charme e tradição, foi aí que nos refestelamos em suas guloseimas, quando passamos pela cidade no dia seguinte. Não tinha a minha goiabada, mas o que não faltava em seus balcões eram doces. Respeitando as devidas proporções, vir a Minas e não parar na Irisarri é como ir ao Vaticano e não ver o papa!

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Por fim, como não poderia deixar de ser, uma estátua adorna o centro da praça. Ela faz uma homenagem a uma batalha ocorrida a quase 190 anos, nos campos de Sarandi, não muito longe daqui. Outra vez, precisamos nos acostumar com a ideia de que, aqui no Uruguai, pelo menos na história, nós brasileiros somos os vilões. A batalha de Sarandi foi o primeiro grande combate entre os valentes uruguaios que buscavam sua independência e o exército imperial opressor dos brasileiros. O ano era 1825 e o resultado da batalha foi uma vitória acachapante uruguaia.

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


O Uruguai havia sido ocupado por tropas luso-brasileiras oito anos antes e seu herói nacional, o general Artigas, vencido e expulso para o Paraguai. A jovem nação tinha sido rebaixada e rebatizada como Província Cisplatina. Com a independência brasileira em 1822, o vasto Império do Brasil ia do Oiapoque ao Rio da Prata, uma promissora nação destinada a se tornar potência mundial. Mas sua fronteira sul enfrentava problemas e a também nascente nação argentina não se conformava com a perda dos territórios da Banda Oriental, como era conhecido Uruguai entre eles. O nome vinha do fato de se referir às terras situadas na margem oriental do rio Uruguay.

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)


Em 1825, um grupo de homens conhecido como os “Treinta y Tres Orientales” atravessaram o rio Uruguay, vindos de Buenos Aires e liderados por Lavalleja, e desembarcaram na Província Cisplatina. O intuito era iniciar a guerra de liberação do país. Rapidamente, as vilas do interior do Uruguai foram liberadas e as duas principais cidades do país, Montevideo e Colonia del Sacramento, cercadas. As tropas imperiais reagiram, uma coluna de 1.000 homens entrando na província rebelde vindos do Rio Grande do Sul e outra coluna de mesmo tamanho partindo da capital uruguaia rumo ao norte, para se juntar a seus compatriotas. Por mais que as tropas rebeldes de Lavalleja fustigassem as duas colunas, não conseguiram impedir que elas se encontrassem nas proximidades de Sarandi. Os revoltosos decidiram então, num ato de grande valentia, dar cabo desse grande exército reunido, num só golpe.

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)


Foi exatamente o que ocorreu em 12 de Outubro de 1825. Forças de tamanho similares se enfrentaram nos campos de Sarandi e, talvez pegos de surpresa pelo ataque impetuoso e inesperado, o exército brasileiro foi fragorosamente derrotado. Entre os dois mil combatentes imperiais, houve 400 mortes e outros 400 feitos prisioneiros, enquanto as baixas uruguaias ficaram em apenas 10% dessas cifras. A vitória catapultou a rebelião e, em breve, quase todo o território uruguaio estava em suas mãos. A última região a cair foi o nordeste do país, restando apenas as cidades de Montevideo e Colonia, que permaneceram sob cerco terrestre, mas sob domínio brasileiro, até o final da guerra, três anos mais tarde.

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825


As derrotas terrestres eram contrabalançadas pela superioridade naval do Império do Brasil. A ajuda escancarada dos argentinos na guerra fizeram com que o Brasil declarasse guerra àquele país e fizesse um bloqueio naval de sua principal cidade e porto, Buenos Aires. O cerco estrangulou a economia do país e, após três anos de hostilidades, o país vizinho estava pedindo água. Foi nesse impasse que a Inglaterra fez uso de sua poderosa diplomacia e “convenceu” os países beligerantes que a solução seria a criação de um terceiro país, o Uruguai. Nâo era esse o intuito inicial daqueles “33 orientales”, que sonhavam com uma república federalista e não centralizada, mas unida, de todas as províncias de língua espanhola na Bacia do Prata. Por fim, brasileiros ficaram felizes que o Uruguai não pertenceria à Argentina; argentinos ficaram felizes de ter seu porto liberado e que o Uruguai não pertenceria ao Brasil; uruguaios ficaram felizes de ter sua própria nação, livres do Império do Brasil e da Argentina de governo centralizado fortemente em Buenos Aires; e a Inglaterra ficou feliz de criar uma nação livre entre as duas maiores potências do continente e de mostrar ao mundo que ela ainda tinha força de exercitar sua diplomacia dentro do “quintal” da mais nova e emergente potência imperialista do mundo, os Estados Unidos e sua recém-criada doutrina Monroe (América para americanos).

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825. Eram 2 mil homens de cada lado e as tropas brasileiras sofreram mais de 400 mortes

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825. Eram 2 mil homens de cada lado e as tropas brasileiras sofreram mais de 400 mortes


Depois da aula de história, seguimos adiante. Minas não era nosso destino final hoje. Queríamos chegar verdadeiramente à região serrana do país e, para isso, precisávamos seguir mais alguns quilômetros. A pequena Villa Serrana e o Parque Salto del Penitente não estavam longe.

Almoçamos na Irisarri, a mais tradicional confeitaria de Minas, no Uruguai, uma verdadeira institução local

Almoçamos na Irisarri, a mais tradicional confeitaria de Minas, no Uruguai, uma verdadeira institução local

Uruguai, Minas, flor, história, Parque

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Na Cratera do Meteoro

Estados Unidos, Arizona, Flagstaff, Meteor Crater

A impressionante cratera do meteoro, ou 'Meteor Crater', no Arizona - Estados Unidos

A impressionante cratera do meteoro, ou "Meteor Crater", no Arizona - Estados Unidos


Algo sempre me atraiu nas coisas do espaço, desde criança. Talvez porque tenha nascido no ano em que o homem chegou à lua, talvez porque o céu estrelado me fascinava, talvez pela série de TV Perdidos no Espaço. Esse interesse se tornou algo mais científico quando os programas da excelente série “Cosmos”, apresentados pelo astrônomo Carl Sagan, chegaram ao Brasil, no início da década de 80. Assisti maravilhado cada um dos episódios e, um ano mais tarde, como presente de natal, ganhei o livro que deu origem à série, o qual ainda guardo com muito carinho.

Representação da grande explosão que criou a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Representação da grande explosão que criou a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Entre o muito que aprendi no livro e na série, desde a história da Biblioteca de Alexandria e a descoberta do DNA até o processo de formação de galáxias e uma maneira mais intuitiva de se entender a quarta dimensão, lá estava a foto da grande Cratera do Meteoro, em meio ao deserto do Arizona.

Foto aérea da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Foto aérea da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Para mim, que achava que essas coisas só tinham na Lua ou em Marte, foi uma surpresa. Sempre achei que essas crateras eram antiquíssimas e que não resistiriam a um bom milhão de anos de erosão na Terra. Pois é, minha ideia só estava metade certa (ou metade errada!). O tal milhão de anos realmente acaba com qualquer cratera, mas essa do Arizona só tinha 50 mil anos, um mísero piscar de olhos no tempo geológico. Pois é, essas coisas continuam acontecendo, como bem demonstra o catastrófico evento em Tugunska, na Sibéria, há apenas um século!

No museu, cenário simula o fundo da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

No museu, cenário simula o fundo da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Enfim, desde então uma visita à “Meteor Crater” está na minha lista de coisas a se ver antes de morrer. E hoje foi o dia de riscá-la da lista, hehehe! Saímos de Flagstaff cedinho em direção ao leste, sempre seguindo pela I-40, junto à Rota 66. Sessenta quilômetros depois, lá estava o desvio para a mais perfeita cratera de meteoro na Terra. Há muitas outras, claro, mas nenhuma está tão bem conservada como esta, primeiro por ser tão recente e segundo por estar numa área desértica, onde não há uma vegetação densa para encobri-la.

A impressionante cratera do meteoro, ou 'Meteor Crater', no Arizona - Estados Unidos

A impressionante cratera do meteoro, ou "Meteor Crater", no Arizona - Estados Unidos


Quando o meteoro caiu, há cerca de 50 mil anos, essas planícies desérticas eram bem mais úmidas, uma enorme pradaria que abrigava hordas de mamutes e preguiças gigantes. Mas, até que se prove o contrário, sem seres humanos. Era uma enorme rocha composta de ferro e níquel com cerca de 50 metros de diâmetro que entrou na nossa atmosfera a mais de 10 km por segundo. Cerca de 10 segundos mais tarde, depois de queimar sua capa exterior, o meteoro chocou-se com a Terra com uma força de 10 megatons, o equivalente a quase 1.000 bombas de Hiroshima.

Lunetas ajudam a visualizar a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Lunetas ajudam a visualizar a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


A força do impacto foi tão grande que praticamente toda a rocha se evaporou, pelo calor extremo. Na Terra, o resultado foi uma cratera com mais de um quilômetro de diâmetro e duzentos metros de profundidade. Deve ter sido colossal! A gente só pode tentar imaginar a cena, olhando a cratera do alto de suas bordas.

Observando a enorme Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Observando a enorme Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


A visita ao interior não é permitida, para ajudar na conservação. Um museu ao lado da cratera tem um filme que tenta mostrar como foi o impacto e também a história do estudo da cratera. Por muito tempo pensou-se que a sua origem era vulcânica e a controvérsia existiu até a década de 50. Muito do que se sabe sobre crateras e impactos de meteoro foi aprendido aqui e após a solução do seu “enigma”, várias outras crateras foram descobertas ao redor do globo.

Visita à Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Visita à Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Também aqui foi feito o treinamento dos astronautas que um dia pisariam na Lua. Acharam por bem treiná-los em uma cratera, já que era isso que os esperava no nosso satélite. Nós ficamos ali por pouco mais de uma hora, divididos entre o cinema, o museu e os mirantes para se ver a cratera. Com um item a menos na nossa lista da viagem e da vida, seguimos em frente, dessa vez para um encontro com um passado quase 5 mil vezes mais remoto: a mais bem conservada floresta petrificada do mundo, no “Petrified Forest National Park”, quase já na fronteira com o Texas.

A NASA fez vários de seus treinamentos na Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

A NASA fez vários de seus treinamentos na Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Estados Unidos, Arizona, Flagstaff, Meteor Crater,

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Polinésios

Hawaii, Oahu-North Shore

Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí


Ninguém sabe ao certo quando as primeiras pessoas chegaram ao Havaí. Teria sido entre o ano 500 e o ano 1.000, navegadores vindos das Ilhas Marquesas ou do Taiti. Também não se sabe se vieram em apenas uma expedição, em uma onda contínua que teria durado algumas gerações, ou em ondas distintas, inclusive de origens diferentes. Vestígios arqueológicos, estudos linguísticos, tradições orais e até análises de DNA ainda não permitiram resolver esse longo mistério definitivamente. A única coisa de que se tem certeza é: eram polinésios!

Painel informativo com a cultura polinésia do Taití, em exposição no Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Painel informativo com a cultura polinésia do Taití, em exposição no Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí


Esse povo se originou no sudeste asiático há cerca de 5 mil anos. Abandonaram o continente e passaram a colonizar as ilhas do Oceano Pacífico. No início, navegavam apenas entre as ilhas mais próximas. Mas as gerações foram passando, as técnicas de navegação melhorando e os saltos entre as ilhas se tornando maiores. Com suas canoas duplas, movidas a remo e uma vela rudimentar, capazes de transportar mais de cinquenta pessoas, os polinésios foram descobrindo e ocupando todas as ilhas do Pacífico, chegando até o Havaí, no norte, a Nova Zelândia, no sul, e à Ilha de Páscoa, no oeste.

Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí


Basta olharmos um mapa para compreendermos o tamanho dessa empreitada. É absolutamente impressionante que essas pessoas atravessavam, algumas vezes, mais de mil quilômetros de mar aberto para chegar à próxima ilha. Sem bússolas, GPS, motor ou astrolábio.

Painel informativo com a cultura polinésia de Fiji, em exposição no Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Painel informativo com a cultura polinésia de Fiji, em exposição no Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí


É um feito sem precedentes na história da humanidade. Aquilo que mais se compara a isso foi a ocupação das ilhas caribenhas por povos saídos da Venezuela. Mas as maiores distâncias entre ilhas caribenhas parecem brincadeira de criança quando comparadas aos milhares de quilômetros para chegar ao Havaí ou Ilha de Páscoa. Outra boa medida é pensar que os aborígenes australianos já estavam por lá há 40 mil anos e nunca chegaram à Nova Zelândia cujo povo, os maoris, também são de origem polinésia.

Visita ao Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Visita ao Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí


Quando uma ilha era ocupada e a população crescia demais, talvez três ou quatro gerações mais tarde, era o momento de seguir em frente. Vegetação boiando pelo mar afora, pássaros ou correntes marítimas davam a pista de para onde seguir. Conhecimento náutico obtido através de gerações era o instrumento em que se fiavam. Mesmo assim, imagino que vários barcos migratórios remavam, remavam e não chegavam a lugar nenhum. Literalmente, davam com os burros n’água. Mas outros chegavam, carregando consigo o embrião de uma nova sociedade, com líderes, religiosos, agricultores, guerreiros, mulheres e crianças. Levavam também os vegetais que costumavam plantar e comer e animais como porcos e galinhas. As expedições eram autônomas para criar do zero uma nova nação. Para ilhas mais próximas, um contato intenso era mantido com a ilha de onde haviam saído. Mas para lugares como o Havaí ou Ilha de Páscoa, pouco ou nenhum contato posterior era mantido, duas culturas que passavam a divergir pelo tempo afora.

Paineis informativos das culturas polinésias de diversas ilhas do Pacífico, em exposição no Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Paineis informativos das culturas polinésias de diversas ilhas do Pacífico, em exposição no Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí


Na costa norte de Oahu existe um lugar onde se pode aprender sobre todas essas diferentes variações desenvolvidas através de centenas ou milhares de anos, da cultura polinésia. Nós chegamos lá meio tarde demais e pudemos ficar apenas na área onde estão vários painéis informativos. Para mim, já foi ótimo. Dados culturais, históricos e geográficos de lugares como o Taiti, Fiji, Havaí, entre outros. Se tivéssemos chegado mais cedo, o lugar é uma espécie de disneylandia cultural, com restaurantes, danças típicas, artesanato, muitas lojas e um preço meio salgado. Não é muito meu estilo (nem a Disneylandia original me atrai...), mas a parte histórica, essa sim.

As migrações polinésias pelas ilhas do Pacífico. Teriam chegado à América?

As migrações polinésias pelas ilhas do Pacífico. Teriam chegado à América?


Aliás, aqui aprendi uma outra coisa: existe uma teoria de que os polinésios teriam chegado ainda mais longe. Até a América do Sul, ao Chile talvez. Apenas mais uma teoria da ocupação das Américas, concorrente daquela que afirma que os pré-colombianos teriam vindos todos pelo Alaska. Será? Bom, quando o Capitão Cook chegou ao Havaí, um dos alimentos mais comuns no arquipélago era a batata-doce. Mas a batata-doce, qualquer botânico saberá dizer, é originária da América. Como será que ela chegou ao Havaí? Pois é, esses polinésios eram mesmo admiráveis...

Visita ao Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Visita ao Polynesia Cultural Center, em Oahu, no Havaí

Hawaii, Oahu-North Shore, história

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De Volta ao Canadá

Canadá, Waterton National Park


Depois de 16 dias atravessando os Estados Unidos, estamos de volta ao Canadá. A despedida tinha sido na região dos Grandes Lagos, na província de Ontario, e agora estamos de volta ao país na província de Alberta, já quase no Pacífico.

Sede do Parque Internacional da paz, na fronteira de Canadá e Estados Unidos

Sede do Parque Internacional da paz, na fronteira de Canadá e Estados Unidos


A cidade de Waterton, na beira do lago no parque de mesmo nome, em Alberta, no Canadá

A cidade de Waterton, na beira do lago no parque de mesmo nome, em Alberta, no Canadá


Entramos no país ontem de noite, na estrada que vem por dentro do Parque Internacional. Outra vez, a passagem pela fronteira foi super expedita e logo chegávamos à pequena cidade de Waterton, coração do parque de mesmo nome. Depois do longo dia de passeios, que incluiu até um inesquecível encontro com ursos, estávamos bem cansados e não demorou muito para desmaiarmos. Mas não por muito tempo porque hoje já tínhamos novas explorações para fazer.

No alto do Bear Hump, em Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá

No alto do Bear Hump, em Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá


Vista de Waterton e do lago, no Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá

Vista de Waterton e do lago, no Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá


O Waterton Lakes National Park é a metade canadense desse parque binacional. O forte daqui são os diversos lagos e um dos principais passeios é atravessar o maior deles, justamente onde está a cidade de Waterton, num barco para turistas. Do lado de lá, várias trilhas levam aos Estados Unidos, trilhas que só tem acesso pelo lado de cá. Como acabamos de chegar do outro lado da fronteira, ficamos meio com preguiça desse programa. Fomos até a orla do belo lago, caminhamos um pouco, tiramos fotos e seguimos para o Centro Turístico de Waterton, de onde sai a mais popular trilha daqui.

Filhote de cabra montesa, no Waterton Park, em Alberta, no Canadá

Filhote de cabra montesa, no Waterton Park, em Alberta, no Canadá


Ursos também são muito comuns por aqui e o nome dessa trilha é até uma homenagem a eles: “Bear Hump”, uma das mais visíveis características dos grizzlies e diferencial com relação aos ursos pretos. Felizmente, nessa trilha eles não costumam aparecer e nós pudemos seguir mais tranquilos, embora sempre com o Bear Spray à mão. Nem precisava, pois encontramos vários outros caminhantes por ela e o barulho conjunto de todos nós era mais do que o suficiente para manter qualquer urso afastado.

No alto do Bear Hump, em Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá

No alto do Bear Hump, em Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá


A trilha não é longa e, basicamente, sobre uns 200 metros verticais até o alto de um promontório de montanha, de onde se tem uma magnífica vista do lago que leva aos Estados Unidos. Difícil só foi aguentar o forte vento lá encima. Fora isso, foi só alegria e muitas fotos novamente. Lá embaixo, o lago mais parecia uma paisagem caribenha do que um gelado lago canadense. As aparências enganam...

Parece o Caribe, mas é o Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá

Parece o Caribe, mas é o Waterton Lakes National Park, em Alberta, no Canadá


Feita a trilha, ainda fomos de Fiona até outra atração, o Red Canyon. Basta ver as fotos (ou ao vivo!) para perceber que, quem deu o nome, não precisou usar nenhuma imaginação para o batismo. Pena que o rio seja tão gelado... Ficamos mesmo só nas fotos. Depois, chega de parques e rumo à cidade grande. A última foi Chicago e, depois de tantos parques, já estávamos com saudade de uma selva de pedra. Calgary, aí vamos nós!

Caminhando no Red Canyon, no Waterton Park, em Alberta, no Canadá

Caminhando no Red Canyon, no Waterton Park, em Alberta, no Canadá

Canadá, Waterton National Park, Parque, trilha

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Planos Praianos e o carnaval de Laguna

Brasil, Santa Catarina, Laguna

Carnaval de rua em Laguna, no sul de Santa Catarina

Carnaval de rua em Laguna, no sul de Santa Catarina


Dia 6 pela manhã. Aproveitamos a manhã ensolarada ainda no Farol de Santa Marta para tirar mais umas fotos e partimos para a estrada. É o início da nossa jornada pelo litoral de Santa Catarina, de sul ao norte, das praias do Farol às praias de São Chico, já quase na fronteira com o Paraná. Serão mais de suas semanas explorando e curtindo um dos mais belos trechos da costa brasileira e que tanto atrai turistas, nacionais e internacionais. Ainda estamos no verão, mas com o fim do carnaval e recomeço das aulas, acho que é a melhor época possível para se viajar por aqui. Um pouco de sorte e planejamento nos colocou na hora certa, no lugar certo, hehehe!



Temos muitas paradas planejadas ao longo da rota. A começar por Laguna, a poucos quilômetros daqui, cidade famosa por sua história, arquitetura e carnaval. A partir daí, são as belas praias que serão nossa prioridade. Praia do Rosa em Imbituba e Ferrugem em Garopaba. Apesar de estarem em municípios distintos, são praticamente vizinhas e podemos caminhar de uma à outra. Foram ícones da minha geração, a maior concentração de mulheres bonitas por metro quadrado durante a década de 90. Em seguida, Guarda do Embaú, famosa por suas ondas e também pela beleza do encontro do rio com o mar.



Depois da Guarda, a capital do estado, Florianópolis, também conhecida como a “Ilha da Magia”. Quem somos nós para duvidar? Será a última capital, a última que resta no país onde ainda não passamos nesses 1000dias. Seguindo para o norte, a maravilhosa península de Porto Belo, Bombas e Bombinhas. Alguns quilômetros adiante e o movimentado Balneário de Camboriú. Finalmente, as águas tranquilas de São Francisco do Sul, carinhosamente conhecida como São Chico. Praias para ninguém botar defeito!

Um belo fim de tarde enquanto aguardamos a balsa enttre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul de Santa Catarina

Um belo fim de tarde enquanto aguardamos a balsa enttre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul de Santa Catarina


Pois é, um bom final de viagem se avizinha. E toda grande jornada começa com um primeiro passo. Para nós, esse primeiro passo é ir para Laguna, aqui bem pertinho. Tão perto que, na verdade, já havíamos ido até lá algumas noites atrás. Fomos conhecer um dos grandes atrativos da cidade: o carnaval. Na verdade, o carnaval de rua da cidade é, muito provavelmente, o melhor e mais animado de todo o estado. Já era assim quando estive aqui vinte anos atrás, mas aumentou ainda mais nesses últimos tempos.

Admirando o fim de tarde durante a travessia de balsa entre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul Santa Catarina, a caminho das festas de carnaval

Admirando o fim de tarde durante a travessia de balsa entre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul Santa Catarina, a caminho das festas de carnaval


Para quem está no Farol de Santa Marta, as atrações já começam pelo próprio caminho. Ainda mais se for feito ao entardecer, como foi nosso caso. Nem achamos chato ficar esperando a balsa, pois o céu avermelhado e as luzes refletidas na lagoa formaram um espetáculo que nos impediu perceber o tempo passar.

Admirando o fim de tarde durante a travessia de balsa entre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul Santa Catarina, a caminho das festas de carnaval

Admirando o fim de tarde durante a travessia de balsa entre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul Santa Catarina, a caminho das festas de carnaval


Depois, já na cidade, fomos diretamente para a beira do mar. Na verdade, o centro da cidade está voltado para a lagoa. Laguna se espreme entre o Oceano Atlântico e a lagoa do Imaruí. É próximo da orla lacustre que a cidade respira história com seu casario colonial e museus. Mas deixamos para conhecer essa parte da cidade com a ajuda da luz do sol. De noite, o que fazia mesmo sentido era seguir para a festa, principal atrativo de turistas nos dias de hoje.

Em Laguna, preparando-se para um dos mais agitados carnavais de Santa Catarina

Em Laguna, preparando-se para um dos mais agitados carnavais de Santa Catarina


A festa estava movimentada sim, mas o melhor dos desfiles e agitação havia sido na noite anterior. Mesmo assim, com a ajuda de alguns “capetas”, nos divertimos bastante. Gente bonita e gente feia, jovens e velhos, homens e mulheres, ricos e pobres, loiros e negros, todo mundo se divertindo democraticamente, como preza todo bom carnaval. Poderíamos estar no nordeste, em São Paulo, no Rio em Minas. Carnavais de rua se parecem. No caso, estávamos em Laguna. Nosso primeiro carnaval de verdade desde que iniciamos os 1000dias. Para nos sentirmos cada vez mais no Brasil, cada vez mais perto de casa. Voltamos de madrugada para o Farol saciados, mas com vontade de ver a histórica Laguna de dia. Era só questão de esperar mais alguns dias. Esse dia chegou...

Carnaval de rua em Laguna, no sul de Santa Catarina

Carnaval de rua em Laguna, no sul de Santa Catarina

Brasil, Santa Catarina, Laguna,

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Passagem por Feira

Brasil, Bahia, Feira de Santana

Kalilandia, nosso hotel em Feira de Santana - BA

Kalilandia, nosso hotel em Feira de Santana - BA


No mesmo dia em que exploramos Igatu e nadamos no Poço Azul, seguimos para Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia, com cerca de 700 mil habitantes. Já tínhamos passado por Feira na ida para a Chapada, sem parar na cidade. A razão da volta agora, nos desviando do nosso roteiro rumo ao Piauí, foi a revisão dos 20 mil km da Fiona. A rede de concessionárias da Fiona não é muito grande aqui no Nordeste. Fora das capitais, apenas em Barreiras, muito longe e para o oeste e em Feira. Não seria possível chegar até Teresina sem estourar a quilometragem então, a solução foi voltar para Feira.

Aproveitamos então para resolver outras pendências, enquanto a Fiona se tratava. A Ana finalmente colocou no correio nossas justificativas de voto do segundo turno enquanto eu fui cortar o meu cabelo. Tivemos algum tempo para mexer na internet e fomos muito bem tratados na nossa pousada, o Kalilandia, no bairro de mesmo nome, homenagem a um turco comerciante do séc XIX que morava naquela região.

Com o James, do hotel Kalilandia, em Feira de Santana - BA

Com o James, do hotel Kalilandia, em Feira de Santana - BA


Passamos um certo calor na cidade, que já fica no sertão da Bahia. Mas achei engraçado que, ao comentar com um taxista que seguiríamos para Petrolina, em Pernambuco, ele respondeu "Nossa... lá faz um calooor!" E eu pensei com meus botões: "Se um cara de Feira diz que lá é que é calor, o negócio é sério!"

Mas a minha lembrança mais forte de Feira será, com certeza, o jantar que tivemos ontem de noite. A melhor carne de sol que já comi na vida, no restaurante "Paraíso da Carne de Sol". Uma delícia! A gente se esbaldou! O engraçado foi que, querendo "economizar", pedi um prato só para mim e a Ana. As porções são grandes aqui. O prato veio e era gigantesco. A gente se arrependeu de não ter pedido meia porção. Aproveitamos para comer e comer e comer. Aí, veio a conta e não é que estavam cobrando só meia porção mesmo! O garçom disse que ele tomou a iniciativa de pedir a meia; já sabia que era mais do que o suficiente!

Andando de jegue em estrada no interior da Bahia

Andando de jegue em estrada no interior da Bahia


E assim foi nossa passagem por Feira: gente simpática, comida muito boa, pendências resolvidas, Fiona renovada e muito calor. Rumo à Petrolina, em Pernambuco, em frente a um velho amigo nosso, o São Francisco!

Brasil, Bahia, Feira de Santana,

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Tranquilidade em Suchitoto

El Salvador, San Salvador, Suchitoto

A pacata cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

A pacata cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


A vantagem de estarmos em um país pequeno é que tudo fica pertinho. Assim, com menos de uma hora de carro já chegamos a lugares completamente diferentes, passamos o dia e ainda temos tempo de voltar para a nossa “base”. Assim foi o nosso dia de hoje, saindo de San Salvador no final da manhã, chegando à Suchitoto 40 minutos mais tarde e voltando para a capital ainda na luz do dia, antes da cinco da tarde.

Igreja matriz de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Igreja matriz de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


A pequena e pacata Suchitoto é a mais charmosa cidade do país. Ruas de paralelepípedo, construções centenárias, ótimos restaurantes, muitas galerias de arte e o frescor do clima de montanha atraem centenas de capitalinos nos finais de semana. Além disso, um enorme lago ao lado da cidade, um vulcão e algumas cachoeiras também atraem aqueles que gostam de ecoturismo.

Caminhando pelas tranquilas ruas da charmosa Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Caminhando pelas tranquilas ruas da charmosa Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Hoje, terça-feira, tudo estava ainda mais tranquilo. Chegamos, caminhamos um pouco pelas ruas centrais ao redor da praça onde está a igreja matriz e, contaminados pela letargia que o ritmo da cidade inspira, desistimos de qualquer programa que requeresse um maior esforço físico. Dar a volta em alguns quarteirões já era o bastante, hehehe!

O lago Suchitlán, ao lado da cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

O lago Suchitlán, ao lado da cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Muito melhor ideia, encontramos um botequinho com ótima vista para o lago lá embaixo, na verdade uma represa artificial, e ficamos jogando conversa fora e fazendo planos de viagem. A preocupação era tanta que até deu tempo de jogarmos dama, coisa que não fazia há uns 25 anos!

Jogo de damas com vista para o lago Suchitlán, em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador. A 'Água' ganhou da 'Cerveja'!

Jogo de damas com vista para o lago Suchitlán, em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador. A "Água" ganhou da "Cerveja"!


Depois, hora de ir conhecer o lago de Suchitlán mais de perto. Claro que fomos de Fiona ao invés da caminhada de meia hora. Água verdinha, bem bonita, mas imprópria para banho. Vários barcos oferecem passeios aos turistas, mas nada que nos animasse a sair do nosso ritmo. Preferimos ir tratar do estômago num dos muitos restaurantes da região. Já meio enfastiados da vista do belo lago, passamos reto pelos restaurantes com essa paisagem e fomos direto a outro no meio de uma fazenda. Ali, cada cliente tem direito a um quiosque particular, cercado de plantas e com redes próprias. Esperamos nossos pedidos balançando, ritmo baiano total. Carne muito boa acompanhado de “casamento” (feijão com arroz) nos fez sentir ainda mais no Brasil...

Lago de Suchitlán, ao lado de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Lago de Suchitlán, ao lado de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Voltamos felizes para San Salvador à tempo da segunda sessão de massagem da Ana. Para completar o dia estressante, sessão de cinema no shopping, mais peripécias do Tom Cruise no mediano Missão impossível 4. O jantar foi um enorme balde de pipocas...

Passeio na cidade de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Passeio na cidade de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador


Bom, depois de um dia como o de hoje, estamos com pique para um dia mais corrido amanhã. Duas ruínas maias (San Andrés e Joyas de Cerón) e um lago maravilhoso numa antiga cratera gigante de vulcão nos esperam. Aí vamos dormir, nossa última noite no país antes de chegarmos à Guatemala, última parada na América Central. Alaska, estamos chegando...

Artesanato e lembranças em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

Artesanato e lembranças em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador

El Salvador, San Salvador, Suchitoto, cidade histórica, Lago

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Cavernas

Brasil, Paraná, Curitiba

Caminhando na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Caminhando na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Mais uma vez não consegui falar com uma pessoa no consulado canadense. Só as insuportáveis máquinas... Em compensação, tive nova e longa conversa com uma despachante especializada. Minha idéia é fazer o pedido na sexta que vem, assim que receber o novo passaporte. Explicar tudo bem direitinho para o consul e cruzar os dedos pelas próximas semanas, esperando o resultado, enquanto viajamos pelo sul do Brasil. Fora isso, a Ana esteve em outro médico, a Nikon está em manutenção preventiva, comprei novo óculos e mandei consertar aquele que sentei em cima e a barraca, decidimos comprar uma nova no Paraguai. A velha já não dava mais... De noite, adivinhem? Novo compromisso social. E a "to do list" vai diminuindo...
Depois de praias e cervejas, hoje é dia de retrospectiva de cavernas!

Cavernas e água, sempre uma mistura magnífica para fotos (região de Terra Rona - GO)

Rio e espeleotemas na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO

Rio e espeleotemas na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO


Explorando o mundo que existe son nossos pés (nesse caso, em Goiás)

Nosso guia William na caverna São Bernardo, no P.E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO

Nosso guia William na caverna São Bernardo, no P.E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO


No fim do canyon, uma pequena caverna. Com direito à cascata! (no sul do Piauí)


"Voando" em uma mágica bruma azul!

Flutuando nas águas transparentes do Poço Azul, próximo à Andaraí, na Chapada Diamantina - BA

Flutuando nas águas transparentes do Poço Azul, próximo à Andaraí, na Chapada Diamantina - BA


Um rasgo de sol ilumina uma das mais fantásticas cavernas que conhecemos nessa viagem, em Minas Gerais

Atravessando a Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Atravessando a Caverna Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Uma das partes mais lindas de quase todas as cavernas: a saída!

Entrada da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG

Entrada da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG


Um chuveiro natural, no meio de uma caverna. Inesquecível!

O famoso 'Chuveirão', na Caverna Teminina - PETAR. Foto do Jura, da Parque Aventuras

O famoso "Chuveirão", na Caverna Teminina - PETAR. Foto do Jura, da Parque Aventuras


Nem sempre é fácil caminhar em cavernas...

Enfrentando a água fria da caverna Lambari, no PETAR

Enfrentando a água fria da caverna Lambari, no PETAR


Todo o esforço é recompensado quando chegamos à lugares assim:

Entrada da Teminina, no núcleo Caboclos - PETAR. Foto do Jura, da Parque Aventuras

Entrada da Teminina, no núcleo Caboclos - PETAR. Foto do Jura, da Parque Aventuras

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