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Sábado de noite foi dia de festa, nossa primeira razão para voltar à C...
Com a visita ao Parque do Peruaçu assegurada para amanhã, tratamos de a...
Conforme planejado, acordamos bem preguiçosamente com o barulho do mar. ...
dilza (20/08)
Nossa,estou amando essa sua viagem pela Argentina e agora entrando no Chi...
Paula (18/08)
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Alessandro (03/08)
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Cristina (02/08)
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Betoms (31/07)
Estive no Victory 6 meses após ter sido afundado, quando os peixes tinha...
A Ana teve uma péssima noite. Muita febre e dores abdominais. Da cama para o banheiro, do banheiro para a cama. De manhã cedo, nem tinha forças para ir ao salão de café da manhã. Eu fui e conversei com a simpática e solícita dona do nosso hostal, o Churup. Ela se prontificou a chamar um médico de sua confiança, que já está acostumado em tratar turistas com o mesmo tipo de problema.
Não demorou e ele já estava lá, tratando da minha sofrida esposa. Identificou o propblema, suspendeu a medicação que o plantonista de ontem havia receitado e passou outra. A consulta e remédios custaram dez vezes mais que as de ontem, mas mesmo assim ainda foi muito mais barato que no Brasil. No total, gastamos pouco mais de 70 reais, dinheiro muito bem pago para curar a minha linda.
A nossa viagem para Trujillo foi adiada para amanhã, para o bem da Ana, que deveria ficar de repouso absoluto. Na hora do almoço, saí para comer algo e voltei com uma bela de uma canja para ela, dessas que levantam defunto. Quantidade suficiente para o almoço e jantar. Depois de tanto tempo sem se alimentar, finalmente ela tinha fome.
Quem também ficou mal, sintomas parecidos, foi o alemão Andreas. Eles voltaram ontem de noite e se espantaram em nos reencontrar por aqui. Hoje cedo, acordou como a Ana. O mais provável é que tenha sido alguma água mal fervida no trekking, agindo em organismos menos resistentes às bactérias locais. Então, hoje, era eu cuidando da Ana e a Vania cuidando do maridão.
De noite, jantando sozinho na rua, aquela cadeira na minha frente estava mais vazia do que nunca. Depois de 500 dias sem desgrudar um do outro, não é fácil jantar sozinho...
Escorregando pela Cachoeira do Escorrega, em Parati - RJ
Há dezoitos anos, ainda nos áureos tempos de estudante, fiz a travessia da Serra da Bocaina acompanhado apenas da minha mochila (a mesma que viaja comigo hoje!!!). Em tempos pré-internet, não foi fácil arrumar um mapa e dicas da trilha. Com muito custo, consegui que um amigo de um amigo desenhasse um mapa para mim, com alguns pontos de referência. A trilha começa em São josé do Barreiro, em São Paulo, no alto da serra e termina pertinho do mar, já no estado do Rio, na pequena localidade de Mambucaba, próximo à Angra dos Reis.
No poço do Tarzan, em Parati - RJ
Foram dois dias de caminhada, primeiro pelos campos no alto da Serra e depois pela sombra e umidade da Mata Atlântica, descendo a serra pelo caminho calçado de pedras feito por escravos dois séculos antes. No caminho, muitas cachoeiras e água limpa, pura e cristalina. Consegui que um amigo de Queluz me levasse até o início da trilha de carro, economizando uns bons quilômetros de caminhada. Depois, foi tudo na raça, à procura dos poucos pontos de referência que eu tinha. O mais importante e também a mais bela cachoeira da trilha e da região, a cachoeira do Veado, com muita água e mais de 100 metros de altura. Linda! Outro ponto de referência, inesquecível para mim, foi a Alameda dos Vagalumes, ao lado do lugar de acampamento. Só fui realmente entender a razão do nome quando anoiteceu... Nunca vi tantos vagalumes na minha vida. Foi realmente impressionante! Maravilhoso mesmo.
No poço do Tarzan, em Parati - RJ
Pois bem, era essa trilha que queria fazer com a Ana mas parece que não teremos tempo. Seria um trampo também, ter de deixar o carro lá em cima e depois, tentar voltar de ônibus para reencontrar a Fiona. Vamos ver se ainda conseguimos ir pelo menos na parte de cima do parque, semana que vem, depois do nosso pulo em Curitiba.
Antes disso, aproveitando o embalo do nosso dia maravilhoso na escuna do qual chegamos de volta às 15:30, fomos visitar a parte de baixo do parque, aqui pertinho de Parati, do lado da estrada de Cunha. Quando descemos a estrada ontem, no finalzinho, já estava escuro. A imagem que tínhamos do parque era a da queimada que tínhamos visto. Precisávamos mudar isso!
E assim foi. Subimos a estrada até a famosa cachoeira do Escorrega e de lá fomos ao Poço do Tarzan. Água fresca, bem gostosa, depois de passar o dia na água salgada do mar. A quantidade e diversidade de verde da mata atlântica, que cerca o rio em que estávamos, sempre impressiona. Foi um final de tarde delicioso. Mais ainda por ter sido no mesmo dia do passeio de escuna. Só mesmo um lugar tão especial como Parati para poder proporcionar duas experiências tão distintas num mesmo dia. E para completar, a cidade ainda é um charme!
Parati - RJ
Bom, voltando à Serra da Bocaina, o passeio serviu para nos deixar uma lembrança muito mais agradável do parque: em vez do fogo destruindo a vegetação, a água maravilhosa da cachoeira rodeada por uma viçosa mata atlântica, Viva a Bocaina! Depois deste post, fiquei com mais vontade ainda de ir com a Ana na parte alta do parque. Semana que vem...
Parati - RJ
Bico de proa do barco em direção à Abrolhos - BA
Hoje foi dia de chuva. Bastante chuva. Conforme a previsão. Além disso, o ouvido da Ana não melhorou. Passamos o dia na pousada. Rearrumamos a Fiona. Sempre que encerramos uma temporada de mergulhos é tempo de rearrumação da Fiona.
Chegando em Abrolhos - BA
Ficamos aproveitando a internet para botar coisas em dia e planejar os próximos. Há muita coisa para fazer na região, mas a maioria pede dias de sol. Amanhã, a previsão é de mais chuva. Depois melhora. Se rumarmos para o norte agora, muita coisa fica para trás e não poderemos voltar. Se ficarmos aqui esperando, o tempo vai passando. Esse é o nosso dilema.
Pronta para o mergulho noturno em Abrolhos - BA
Início de mergulho noturno em Abrolhos - BA
Por fim, resolvemos avançar um pouco. Até Itamaraju. Fica perto o suficiente de atrações como o Corumbau e o Parque do Monte Pascoal, já significa um avanço rumo ao norte e, se decidirmos voltar para Curumuxatiba, nem é tão fora de mão, só um pouco.
Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA
Itamaraju é daquelas cidades maiores que ficam na BR-101 nas quais eu jamais imaginei parar na minha vida. Cidades como Teixera de Freitas, Eunápolis ou Itabuna. São cidades de passagem cujo único significado para mim é que estou chegando perto da praia, de Porto Seguro, de Ilhéus, de Caravelas, etc...
Mergulhando no mar em Abrolhos - BA
Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA
Pois bem, paguei minha língua e viemos dormir em Itamaraju. Encontramos uma cidade simpática com um povo amável que quer sempre ajudar e um hotel jóia, bem profissional. Um belo lugar para se pernoitar a caminho de algum lugar mais longe e evitar de se dirigir de noite por essas estradas.
Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
O chato é que, de noite, o ouvido da Ana piorou. Ela falou com a Patrícia, sua mãe e médica também e juntas, descobriram que o médico de Caravelas fez o diagnóstico correto mas receitou o remédio errado. Amanhã cedinho, vamos à uma farmácia e tudo vai se resolver!
Veleiro em baía de Abrolhos - BA
O belo e forte luar refletido no mar em Abrolhos - BA
Não podemos controlar o tempo (tarefa de São Pedro), mas posso controlar as fotos que coloco no meu post. Assim, resolvi ilustrar esse com belas fotos ainda não usadas de nossa estadia em Abrolhos. Para amanhã, fotos fresquinhas!
O João fotografando, em Abrolhos - BA
João tirando fotos em Caravelas - BA
A linda Sara, em Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES
O frio diminuiu um pouco aqui em Curitiba, sol brilhando num céu limpo o dia inteiro. O grande acontecimento do dia, na verdade, foi de noite. Um queijos e vinhos no apartamento do Gusta e da Paula (aqueles que assistimos o casamento, quando voltamos à Curitiba em Setembro do ano passado), oportunidade para rever vários amigos. A noite e o vinho renderam tanto que o bom senso nos fez dormir por lá mesmo. Lá estavam também a Dani e Dudu, com a linda filha que também é nossa sobrinha, a Luiza. O novo encontro com ela, e também com a Pietra me inspiraram no tema de hoje da retrospectiva em fotos da viagem até agora: as crianças que temos visto na nossa jornada:
Calma inspiradora: crianças conduzem canoa em rio da Praia do Bonete, em Ilha Bela
Canoas no rio ao lado da praia no Bonete em Ilha Bela - SP
Hora do recreio em escola rural no Vale do Peruaçu, em Minas Gerais
Escola no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG
Concentrada em seu próprio mundo, em Mariana - MG
Menina entretida, em Mariana - MG
Felicidade em seu estado mais puro
Crianças brincam na duna no fim de tarde, em Galinhos - RN
Vendo a vida passar preguiçosamente pelo rio em frente de casa. O Rio Preguiças...
Cais de Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)
Vendo a vida passar preguiçosamente pela estrada em frente de casa. A Transamazônica...
Grupo de meninos nos saudam, na Transamazônica - PA
Nossos pequenos e fiéis companheiros de fim de tarde, na Ilha de Lençóis
Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Placa do Parque Nacional de Awala Yalimapo, na Guiana Francesa
Apesar da longa costa, a Guiana Francesa quase não tem praias. Em plena região amazônica, com rios bem caudalosos, o mangue e o barro ocupam o lugar da areia em boa parte do litoral. Mesmo nas Îles de Salut, o que vimos foram pedras e uma costa rochosa.
Bom, elas podem ser raras, mas existem. No suburbio de Cayenne, por exemplo, onde fomos jantar na segunda-feira, tem uma praia bonitinha. Mas, com a chuva, nem deu para passear por lá. Em Kourou também tem. Mas as fotos não nos animaram.
Rio Mana, na Guiana Francesa
Deixamos nossa visita praiana para hoje, já quase na fronteira com o Suriname. O nome da praia e da vila é Yalimopo e ela é um paraíso dos admiradores de tartarugas. Nossa, o pressoal do TAMAR, por aqui, ficaria louco! Numa pequena extensão de areia, uns poucos quilômetros, são cerca de 13 mil visitas de tartaruga por ano! Para quem vem na época de maior movimento, a visão parace ser a de um desembarque de tanques na praia durante uma batalha!
Igreja em Mana, na Guiana Francesa
Nós saímos um pouco antes do meio dia de Kourou, após uma longa e merecida noite de sono e uma manhã de trabalho confortável no quarto do hotel. A estrada é ao longo da costa, em direção ao oeste, mas nunca vemos o mar. Pela primeira vez aqui na Guiana, pudemos observar algumas plantações e criação de gado. Cinquenta quilômetros antes do rio que separa a Guiana do Suriname, a estrada se bifurca. Um lado segue ligeiramente para o interior, para a cidade de Saint Laurent, onde um ferry cruza para o país vizinho. O outro lado segue pela costa, passando pela pequena cidade de Mana, ao lado de um belo rio com o mesmo nome, e de lá vai até a pontinha do país, onde o rio Maroni encontra o mar. É onde está a praia que buscávamos e de onde observamos o Suriname pela primeira vez.
Caminhando na praia de Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa, fronteira com Suriname
A gente se instalou no Chez Judith & Denis, um pequeno hotel que oferece cabanas no estilo ameríndio com redes para dormir. Quase um acampamento. Bem pitoresco e com cara de Guiana, diferentemente dos hotéis que vínhamos ficando. Fomos logo para a estreita praia de areias vermelhas, o mar com muito mais cara de rio do que de mar, inclusive com água salobra, mais para doce do que para salgada.
Nadando no rio Maroni, fronteira com o Suriname, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa
O que mantém a praia são os dois grandes rios da região, o Mana e o Maroni. Realmente, a areia é mais fluvial do que marinha. As tartarugas parecem gostar! Falando nelas, são de hábito noturno e sua estação se inicia por agora. De noite, com uma lanterna quase sem pilhas, fomos procurá-las. O início da busca foi promissor! Vários rastros e também restos de ovos recém-abertos. Mas a luz da lanterna ameçava acabar e a chuva, sempre a chuva, ameaçava.
Nosso "quarto", típica habitação ameríndia, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa
Voltamos para o nossa cabana e redes com mosquiteiros bem à tempo de evitar o pé d'água. Aí, ao invés de tartarugas, a gente se divertiu com o vinho bom e barato, nacional (francês!) que temos sempre comprado por aqui. Com cinco euros, temos sempre um bom vinho! Acho que é a única coisa barata na Guiana Francesa...
Nossas redes com mosquiteiras, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa
Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala
Ontem pela manhã, ainda na cidade de Livingston, o Chris veio nos encontrar com seu barco para nos levar à “Round House”, sua pousada na beira do rio Dulce, longe de tudo e de todos. Nós havíamos ligado para lá na noite anterior, combinando com ele a carona e a estadia por lá. Essa foi uma valiosa dica do nosso amigo velejador Gaston, que sempre passa por lá no seu caminho para Rio Dulce, quando está fugindo dos furacões ou simplesmente indo passar umas férias na Europa. O Gaston havia dito para passarmos uns dias na cidade de Livingston mesmo, mas que não poderíamos deixar de passar uns dias na Round House também, escondida pela densa mata, longe de qualquer cidade ou estrada e bem em frente ao rio. Não resistimos á tentação e nem ao conselho!
A caminho da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala
O pier da Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
O Chris é um inglês que já se mudou para a Guatemala há uns dez anos, sempre aqui na área do rio Dulce. Nas suas idas e vindas pelo rio, uma casa arredondada (e caindo aos pedaços) lhe chamava a atenção. Estava muito bem localizada, mas os donos quase nunca apareciam. Há uns dois anos, junto com um sócio americano, teve a chance de comprar a tal casa e, depois de uma boa reforma, a região ganhou uma nova e excelente opção de hospedagem: a Round House. Junto com sua bela e simpática namorada holandesa, a Dani, eles administram a pousada e a estão ampliando aos poucos, transformando-a num verdadeiro oásis a meio caminho entre Livingston e os lagos que alimentam o rio Dulce.
Olha o trânsito na frente da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala
Maravilhoso entardecer sobre o rio Dulce, em frente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
Nós chegamos em plena Semana Santa, o feriado mais movimentado da América Central. É uma semana de férias e o turismo interno movimenta e lota todos os hotéis, principalmente aqueles na região do litoral. Já antecipamos grandes dificildades para nós, que nunca reservamos nada, para os próximos dias. Mas não aqui na Round House. O Chris e a Dani não gostam do tipo de movimento que essa semana trás e evitam reservas. Preferem descansar e estar prontos para as semanas seguintes, de movimento normal. Mas abriram uma exceção para nós. Para nós e para a Serena, uma simpática italiana que trabalha em um hostal em Livingston, mas resolveu tirar um fim de semana sabático. Ela também aguardava pelo Chris ontem de manhã e fomos todos juntos à Round House, onde a Dani nos esperava.
Hora do lanche na Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala
Nadando no rio Dulce, emfrente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
A pousada é realmente uma delícia! Descemos pelo píer e uma passarela e escada de madeira nos levam a um edifício redondo, todo de madeira também, já no meio das árvores. No andar de baixo, uma grande e confortável sala de estar com um charmoso bar no meio. Não há paredes, apenas folhagens de árvores que protegem as laterais. No andar de cima, outra área de estar que dá acesso aos quartos que a circundam. Um charme só! As refeições (café, lanche e jantar) são preparadas e servidas ali mesmo, no andar de baixo, sempre comida muito saudável.
A deliciosa "living room" da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Com a Dani, uma das donas da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Nossa rotina era de muito bate-papo na salona de estar, deitado em alguma rede ou sentado em algum sofá, intercalado com mergulhos no rio ali na frente, ora enfrentando a corrente rio abaixo, ora enfrentando a corrente rio acima, por causa da maré que entrava. A única coisa chata era que, nesses dias de Semana Santa, o tráfego de barcos aumenta bastante. Assim, além de me desviar dos patos e garças que nadam e voam por ali às dezenas, também tinha de me preocupar com os barcos. Enfim, nada que não pudesse ser administrado. A opção era fica ali perto do píer mesmo, caso da Ana, ou nadar até o meio do rio e não dar bola para os barcos, o que era o meu caso.
Reencontrando o Antoine, no pier fo Hotelito Perdido, em um tributário do Rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
A Serena, nossa companheira de caiaque em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
Nossa primeira ideia era passar apenas uma noite por ali, mas foi paixão a primeira vista e vimos que seria difícil ir embora. Depois da delicosa primeira refeição e das conversas já regadas à cerveja, já não tivemos mais dúvidas: ficaríamos outo dia” Uma paraíso desse merecia, certamente!
Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala
Durante passeio de caiaque, encontro com garça em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
E assim foi, 48 horas de muita saúde e diversão. O dia começava com um bom mergulho, antes que os barcos começassem a passar, seguia com o café da manhã, pausa para leitura, muita conversa, cerveja gelada, mais mergulhos, agora com barcos, lanche delicioso, a sagrada hora da siesta, mais mergulho com barcos, cerveja, pôr-do-sol, conversa mole, jantar deliciso, cerveja com um toque de tequila e, com a lua quase cheia, mais mergulho no rio, sem barcos, barulho da selva ao longe (selva, de noite, é bem barulhenta!) e pensamento nos tubarões-touro, conhecidos por subirem até aqui, apesar de não haver registro de ataques. Eu não queria ser o primeiro, mas também não deixaria um medo infantil me privar de um mágico mergulho noturno num rio iluminado pela lua. Mas, pelo sim, pelo não, e pelo tal medo infantil, não me enrolava muito na água, não, hehehe.
Cabana em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
A única quebra na rotina foi um grande passeio de caiaque que fizemos hoje. Eu e a Ana em um caiaque duplo e a Serena nos acompanhando, em um caiaque simples. Subinos o rio Dulce cerca de um quilômetro e entramos em um afluente, aí já bem longe do movimento chato de barcos. Mais alguns minutos e chegamos a outro hotel famoso por aqui, o Hotelito Perdido, onde reencontramos um amigo feiro em Livingston, o francês Antoine, um ótimo papo. Foi só o tempo de recuperarmos o fôlego e retomamos o caminho, um longo percuso ainda à frente. Nossa ideia era chegar até o fim desse afluente, mais uns seis quilômetros de remadas. Sempre atravessando um bucólico e tranquilo cenário, águas calmas e garças voando ou nos observando.
A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Refrescando-se em uma bela cachoeira, depois de muito caiaque e uma trilha para lá chegar (perto de Livingston, na Guatemala)
No fim do rio, bem mais longe do que havíamos antecipado, a Serena já teve de voltar. Ela tinha de pegar um barco de volta à Livingston, onde trabalho a esperava. Já eu e a Ana, amarramos nosso caiaque por lá e, carregando os remos, fizemos uma trilha de cerca de um quilômetro até uma belíssima cachoeira que nos havia sido indicada pelo Chris.
Felizes da vida, depois de chegar na cachoeira em afluente do rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala
Incrível como as expectativas influem no nosso conceito final de algum lugar. Essa cachoeira, por exemplo: tanto o Chris como o Antoine disseram que ela era mais ou menos, que o caminho para se chegar lá, remando pelo rio, era mais interessante. Então não esperávamos muito. Eis que ali chegamos e adoramos! Água verdinha e refrescante, vinda diretamente das montanhas. Uma ótima piscina para nadar! Para quem não esperava muita coisa, não poderia ter sido melhor a surpresa. Por mais de meia hora, nós nos refestelamos no poço e na cachoeira, fazendo valer todo o esforço de ter chegado até lá.
Noite regada à tequila, com o Chris, um dos donos da nossa pousada no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Olha só o tamanhozinho da garrafa de tequila, no bar da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Na foto de satélite abaixo, aparece marcado o local da Round House, o afluente do rio Dulce que percorremos por inteiro, o local onde deixamos nossos caiaques e a cachoeira deliciosa. No zoom máximo, é até possível ver nosso hotel e a própria cachoeira. Afastando um pouco a imagem, aparecerá Livingston e é fácil perceber aonde está localizada a Round House, logo após o canyon cheio de curvas no final do rio Dulce.
Ver rio Dulce num mapa maior
Foi com dor no coração que deixamos a Casa Redonda. Facilmente passaríamos outros dias por lá, em companhia tão agradável e ambiente tão gostoso. O Chris, além de ter feito (e estar fazendo!) um ótimo trabalho na Round House, como engenheiro, arquiteto, marceneiro e faz tudo, tudo o mais ecologicamente responsável possível, também é um cervejeiro de mão cheia. Ele tem uma micro-cervejaria ali mesmo e nossas longas conversas sobre a vida no país, a violência, o desenvolvimento da região, o turismo e até mesmo sobre a vida animal das redondezas (assunto em que a Dani é expert!) era sempre acompanhada de cerveja da melhor qualidade. Quem é que quer deixar um lugar desses, com comida, bebida, rio e cachoeiras para nadar, muita sombra e brisa correndo por uma sala aberta e cheia de sofás e almofadas?
Com o Chris e seu sócio, donos da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Hora da partida da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
É... mas tínhamos de seguir em frente. Em Rio Dulce nos esperava a Fiona e, do outro lado da fronteira, era chegada a vez de conhecermos Honduras, o único país que ainda não estivemos aqui na América Central. Afinal, cruzamos o país em apenas poucas horas, na subida para o Alaska. Não dá para dizer que já conhecemos. Mas agora sim, vamos ver o país com a devida calma. Honduras, aí vamos nós!
A caminho de Rio Dulce, depois de quatro dias em Livingston, na Guatemala
Congresso Nacional visto da torre de TV em Brasília - DF
Tivemos uma segunda-feira bem tranquila em Goiânia. Muito bem tratados que fomos na casa da Mariângela e Nando, acabamos por dormir lá mais um dia, deixando nossa partida para Brasília para o dia seguinte. Na cidade, aos poucos, fomos pegando a lógica do trânsito e das direções. Deu até para pegarmos um cineminha no shopping Flamboyant. De noite, jantar de despedidas, deliciosa comida árabe no Toshka (será que é assim que se escreve?).
Com o Joaquim, Mariângela e Gabriela no apartamento em Goiãnia - GO
Aí, hoje cedo, pé na tábua para Brasília. Estrada toda duplicada, embora com muitos quebra-molas. Não faz muito tempo, as únicas estradas duplicadas no país eram em São Paulo, além da Dutra, da Curitiba-Paranaguá e uma lá no RS. Hoje, cada vez mais elas se espalham pelo país. Só falta pequenos trechos para ser possível viajar, em estradas duplicadas, desde Porto Alegre até Brasília (via Floripa, Curitiba, São Paulo, Uberlândia e Goiânia). Aí, só vai faltar ligar o sudeste com o nordeste. Impossível negar que o país se desenvolveu bastante nos últimos 20 anos... Pena que não aconteceu a mesma coisa com o transporte ferroviário!
Bom, estradona para chegar em Brasília, difícil mesmo foi encontrar um hotel livre. Primeira terça-feira de Agosto, os políticos todos de volta, a cidade renascendo da apatia de Julho, hotéis com 100% de ocupação. Quem nos salvou foi a Betty, lá de Curitiba. Conseguiu uma reserva para nós no Garvey Park, no SHN (Setor Hoteleiro Norte).
Falando em SHN, tudo aqui é em siglas e números, quadras e blocos. Não há ruas (???) e muito menos nomes de ruas. Vai explicar isso para o GPS! É difícil mudar nossa cabeça para trabalhar com esse novo sistema. Mas para quem nasceu aqui, parece que fica bem mais fácil se movimentar que em uma cidade convencional.
Congresso Nacional visto da torre de TV em Brasília - DF
Eu, a Ana e o GPS conseguimos achar o hotel, depois de umas voltas a mais. Depois, deixamos a Fiona estacionada aqui e fomos à pé mesmo para a Torre de TV, de onde se tem uma bela vista da cidade, do alto do seu mirante de 75 metros. Lei fde Murphy, estava fechada!!! Mesmo assim, pudemos ter uma bela vista do Eixo Monumental, da Explanada dos Ministérios e do Congresso ao fundo.
A Flávia e a Bia, em Brasília - DF
Um pouco mais tarde, seguimos de taxi para o Congresso, onde fomos recebidos pela minha ámiga da época da UNICAMP, a Flávia. Ela disse que estávamos com muita sorte, que aquele dia o plenário do senado estava lotado dos figurões e/ou picaretas que costumamos ver pela TV. Fomos lá conferir e realmente, estavam todos lá, desfilando.
D. Pedro II no fim do 2o Reinado, em foto exposta no Congresso em Brasília - DF
Entre outros, o Collor, Sarney, Renan, Arthur Virgílio, Marco Maciel, Pedro Simon, Tasso Jereissati, Suplicy, Mercadante, Jarbas Vasconcelos, Álvaro Dias e até a Marina Silva. Assistimos de camarote a sessão em que, por unanimidade, foi aprovada a PEC que aumenta a licença-maternidade para 6 meses. Que beleza para as mamães e bebês! E todos os políticos aproveitando para discursar e capitalizar um pouco também. Enfim, cumprindo seu papel.
A Lei Áurea, exposta no Congresso em Brasília - DF
Pena que não pudemos entrar com a máquina fotográfica nas galerias do senado. Assim, só pudemos fotografar uma exposição interessante sobre a história do senado.
Observando exposição em galeria do Congresso em Brasília - DF
De noite, saímos com a Flávia e fomos a um boteco jóia, bem tradicional aqui na cidade. É o Beirute, por onde transitam todas as tribos e raças. Bem democrático e interessante mesmo! Fiocamos lá saboreando a cerveja local e observando a fauna interessante.
Com a Flávia no Beirute, em Brasília - DF
Amanhã, a idéia é dar uma camelada pelos prédios interessantes da cidade. Na quinta, vamos ao Parque Nacional daqui, mais conhecido pelo simpático nome de Água Mineral. Por aqui, céu azul e muito calor. Pela TV, vejo que o sul e sudeste sofrem com o frio e a chuva. Desta vez, estamos no lugar certo!
Parece magia, mas é verdade: uma lago azul no fundo da caverna que leva seu nome, a Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Desde que foi descoberta por um índio Terena na década de 20, a Gruta Azul passou a atrair visitantes por sua beleza inacreditável. Na verdade, os visitantes começaram a chegar muito antes disso, desde o Pleistoceno, há mais de 10 mil anos. A prova disso são as ossadas de preguiças-gigantes encontradas dentro da caverna, muito bem conservadas e escondidas pelas águas azuis e transparentes que ninguém sabe direito de onde vem, mas que formam um lago que chega a 90 metros de profundidade.
Entrando na famosa Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
A enorme entrada da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Hoje a Lagoa Azul continua sendo o cartão-postal mais conhecido de Bonito. Localizada a cerca de 20 quilômetros da cidade, é preciso uma pequena caminhada na mata e depois uma longa descida por uma encosta que leva à boca da caverna. O esforço vale a pena, principalmente quando chegamos perto desse lago de águas tão azuis que nossos olhos simplesmente não querem acreditar no que veem. Mas antes do esforço físico para chegar lá, é preciso também um certo esforço burocrático. Assim como as outras atrações de Bonito, também para essa precisamos conseguir fazer uma reserva, através de uma agência, de horário para a visita.
A luz do sol entra na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Nosso grupo se aproxima cada vez mais do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Não foi sempre assim. Era comum, até meados da década de 80, descer até lá e tomar um bom banho. Como ainda eram poucas pessoas, o lago absorvia bem essa invasão. Mas o número de visitantes aumentou e as autoridades fizeram por bem proibir essa prática. Quem me dera poder voltar no tempo e poder ser um dos felizardos a ter feito isso...
Nossa primeira visão do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Quando estive em Bonito em 92 o banho já era proibido. Aliás, foi nesse mesmo ano que ocorreu uma das últimas grandes expedições de espeleomergulhadores, uma equipe franco-brasileira, que descobriu as ossadas dos animais pré-históricos. Depois disso, foram raríssimas as oportunidades em que alguém entrou no lago. O caso mais famoso, talvez, foi o de um conhecido apresentador de TV que tentou dar uma carteirada e entrar com toda a sua equipe por lá. Já com água pela cintura, foram retirados de lá aos gritos por um fiscal do IBAMA que ameaçou chamar a polícia para prender todo mundo.
Por entre as rochas e formações, a cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
O lago de águas transparentes e azuis que dá nome à Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Da minha primeira visita à caverna, lembrava-me de ter descido toda aquela pirambeira e, inesperadamente, ter pisado dentro d’água. Isso porque, simplesmente, não consegui perceber onde o lago começava, de tão transparente que é a água. O guia da época riu e disse que isso era muito comum de acontecer. Talvez por isso, agora, a trilha termina alguns metros acima da linha da água. O lago está mais seguro do que nunca, hehehe.
Admirando a beleza do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Admirando a beleza impressionante do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Bom, dessa vez, na nossa rápida passagem de 3 dias por Bonito, tentamos ir à Gruta Azul logo no primeiro dia, mas já não havia lugares disponíveis. Conseguimos então marcar a visita para a manhã de hoje, antes de pegarmos a longa estrada de volta ao Paraná (nós) e São Paulo (o Chico). Conseguimos para o primeiro horário do dia, ainda antes das oito, o que depois descobrimos ser o melhor horário possível de visitas, por duas razões.
A água azul e os estalactites amarelos formam um grande contraste na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Esse é o ponto mais próximo que podemos chegar do maravilhoso lago na Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Primeiro, porque é bem nesse horário que a luz do sol começa a entrar na caverna até chegar às aguas mágicas do lago azul. Nós vamos descendo devagar, quase no mesmo ritmo em que os raios do sol vão também descendo até chegar ao fundo da caverna. É um momento absolutamente incrível! Algumas horas mais tarde, com o sol já alto, a luz não chega mais lá embaixo, escondida pela sombra que se forma.
Parece magia, mas é verdade: uma lago azul no fundo da caverna que leva seu nome, a Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
A cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
A segunda razão é que, como somos os primeiros a entrar, a caverna ainda está silenciosa. A guia vai conduzindo o grupo e fazendo paradas estratégicas em vários mirantes, onde explica aspectos de história, geologia e espeleologia. Algum tempo depois vem o segundo grupo e depois não para mais, até o meio da tarde. Os grupos que vem atrás sempre terão um grupo mais a frente, “poluindo” a sua visão e audição. O único jeito de evitar isso é entrando no primeiro grupo na caverna!
Admirando as belezas da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
O próximo grupo de turistas se aproxima do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
A primeira vez que vemos o lago, ainda longe dele, não parece real, aquela mancha azul lá embaixo. Aí, vamos descendo, chegando mais perto, e a beleza só vai aumentando, a água azul espelhando as formações geológicas acima, assim como mostrando os detalhes das pedras muitos metros abaixo, submergidas na água cor de anil. Fazemos todos os esforços para tirar fotos que façam jus àquela beleza toda, mas isso é impossível. Só vendo ao vivo para entender!
A incrível beleza da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Depois, por mais que queiramos ficar mais tempo, precisamos subir para abrir espaço para os grupos seguintes. Mas tivemos bastante tempo lá embaixo, junto com nossa simpaticíssima guia. Aliás, tanto perguntei que ela acabou me confessando: há poucos anos, ela entrou nas águas do lago. Foi por uma causa nobre: um turista tinha deixado cair algo que estava boiando no lago, mais no fundo da caverna. Ao final do dia, quando o último grupo se foi, ela voltou lá embaixo e, com todo o cuidado, nadou até o objeto para retirar aquele intruso que estava destoando da paisagem. Hmmmm... isso me fez arquitetar vários planos para entrar ali também... Quem sabe um dia... Por hora, vou me satisfazer só com as fotos mesmo. A despedida de Bonito não poderia ter sido mais magnífica...
Por entre as rochas e formações, a cor inacreditável do lago da Gruta Azul, em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Nosso mais novo amigo e entusiasta da viagem dos 1000dias, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Ontem de tarde, após a visita à fábrica da Boeing, no norte de Seattle, apontamos nosso nariz novamente para o sul. Nosso destino, agora, eram os parques nacionais do Mount Rainier e do vulcão Saint Helens. Na verdade, as duas montanhas são vulcões, pertencentes à uma mesma cadeia montanhosa conhecida como Cascades. A mesma que já tínhamos visitado na sua parte norte, onde encontramos as estradas cobertas de neve, há pouco mais de uma semana.
Exibir mapa ampliado
Acabamos saindo mais tarde do que imaginávamos da Boeing e ontem só foi possível chegar até a pequena cidade de Enumclaw, já bem próxima do Mount Rainier National Park. Já estava escuro e ficamos por lá mesmo, prontos para um dia de explorações hoje, ao redor da grande montanha. O Rainier é uma das mais altas montanhas aqui dos “forty-eight states” (como é conhecido os Estados Unidos sem o Alaska e Hawaii), chegando hoje aos 4.400 metros de altitude. Digo “hoje” porque ela já foi quase um quilômetro mais alta. E não faz muito tempo não! Pelo menos, em escala geológica. O Rainier tem aproximadamente 500 mil anos de idade e sua estrutura vem sendo erodida rapidamente pelo maior conjunto de geleiras numa só montanha nos tais forty-eight states. O gelo vem carregando a terra e as rochas para baixo enquanto as forças tectônicas e erupções tratam de levantar a montanha. Nessa queda de braço, o Rainier foi ficando mais baixo com o passar do tempo.
A estrada cênica que corta o Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Chegando ao Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Pelo menos em teoria, esse gigante pode ser observado lá de Seattle. Mas não no clima chuvoso desses últimos dias. Então, pelo menos até hoje cedo, nós ainda não tínhamos visto a montanha mais famosa dessa parte do mundo. Acordamos ansiosos, apenas para ver mais nuvens cobrindo todo o horizonte. Mesmo para os padrões de chuva aqui de Washington, a região do parque é considerada bem chuvosa. Aliás, faria todo o sentido essa ser a razão do nome “Rainier”, mas na verdade foi uma homenagem do explorador George Vancouver, primeiro europeu a passar por aqui, a um de seus amigos, que tinha esse sobrenome.
Entre nuvens, lá está o gigante Mount Rainier, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Deixamos a pequena Enumclaw dispostos a circunavegar toda a montanha, percorrendo também as estradas cênicas que entram pelo parque e nos levam até os mais belos mirantes. Subir a montanha estava fora de questão. Nessa época do ano, já há gelo e neve demais pelo caminho. Mesmo no verão, a subida é técnica, pois é preciso caminhar sobre os glaciares que cercam o cume. Para nós, só com guia e os devidos equipamentos.
A bela estrada que atravessa o Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Caminhando na neve no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Acontece que a mesma neve que “protege” o cume dos alpinistas que chegam atrasados no ano para tentar a escalada, também fecham as estradas de acesso ao parque. São três delas, duas das quais já estavam fechadíssimas até Maio do ano que vem. Desse modo, tivemos que fazer a nossa volta bem de longe, conseguindo observar apenas partes da montanha, quando as nuvens assim o permitiam. De qualquer maneira, não é apenas o Rainier que faz a beleza da região e nós pudemos nos esbaldar com as paisagens que cruzamos. Florestas, vales e montanhas compõe o cenário cortado pela estrada que segue no sentido norte-sul, à leste do Rainier.
Bombardeando a pobre Fiona com bolas de neve, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Bombardeando a pobre Fiona com bolas de neve, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
No ponto mais alto dessa travessia, cruzamos também por muita neve. A estrada tinha sido limpa por máquinas, mas as laterias estavam todas branquinha de neve fresca. Tão fresca que não resistimos a brincar um pouco com ela. Deu para fazer a tradicional guerra de bolas de neve e sobrou até para a Fiona! Realizamos também o desejo infantil de fazer um boneco de neve, devidamente paramentado com braços, olhos, nariz, cachecol e até um adesivo do 1000dias. Ficou ótimo! A gente até queria levar ele embora, mas não sei quanto tempo resistiria à calefação da Fiona... Deixamos então ele ali, guardião da estrada. Da vista, certamente não poderia reclamar!
Fiona, após ser bombardeada de neve no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Nosso mais novo amigo e entusiasta da viagem dos 1000dias, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Continuamos a circunavegação do parque, apenas para encontrar a entrada sudeste fechada também. Ela nos cortaria um bom caminho para chegarmos ao ponto chamado de “Paradise”, o mais popular do parque. Tivemos de dar uma longa volta pelo sul, por estradas secundárias, até chegarmos à entrada sudoeste, a única mantida aberta nessa época do ano. Aí, finalmente, pudemos entrar, de verdade, no coração do Rainier National Park.
Lago congelado no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Assim que a estrada começou a subir, chegamos à neve e às nuvens chuvosas, sem muito para ver. Lá em Paradise, o Centro de Visitantes ainda estava aberto, pelo menos pelos próximos 10 minutos. Foi o tempo que tivemos para ver algumas fotos e conversar com o park ranger. Ele nos explicou aonde “estaria” o Rainier, se o tempo estivesse aberto e quão bonita seria a vista. O nome “Paradise” vem do dia em que um dos grandes defensores da criação do parque trouxe aqui a sua jovem enteada, ainda na infância. Quando ali chegou, em meio à colinas e relvas cobertas por milhares de flores coloridas, com a majestosa montanha nevada ao fundo, sua primeira expressão foi: “Nossa, aqui é o paraíso?”. O nome ficou.
Trilha tomada pela neve no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Para nós, o “paraíso” estava todo branco: acima, pelas nuvens e abaixo, pelas neve. Várias trilhas saem daquele ponto. Mas também elas estavam cobertas de neve. Além disso, chovia e tínhamos apenas mais meia hora de luz do dia. Preferimos aproveitar esse empo descendo a estrada novamente e parando ao lado de uma bela cachoeira de águas geladas. Pelo menos, a “chuva” que tínhamos ali não vinha do céu, mas do próprio vapor da cachoeira.
A bela Narada Falls, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Descemos mais um pouco e, justo quando a estrada cruzava um enorme rio de pedras vindo diretamente do Rainier, um dos antigos caminhos da lava despejada pelo vulcão, eis que a montanha resolveu nos dar uma chance e apareceu, imponente. Linda! Foi como que para dizer: “Eu existo sim!”. Mais do que isso, aparecer justo ali, ao final daquele enorme rio de pedras rasgando a montanha em duas, ela dizia em alto e bom tom: “Sou um vulcão. Já entrei em erupção muitas vezes e vou entrar outras tantas”. A prova estava ali, na nossa frente!
É sempre bom lembrar, o Mount Rainier é um vulcão! (no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)
O Rainier é considerado o mais perigoso vulcão dos Estados Unidos. Principalmente pela quantidade de gelo que tem em seu cume. Vai tudo virar e água e descer a montanha com força avassaladora. Não terá a força do Yellowstone, claro. Mas, enquanto aquele pode entrar em erupção entre hoje e daqui a 100 mil anos (tempo demais, comparado com nossas vidinhas), esse aqui pode entrar em erupção entre hoje e aqui a 500 anos. Ou seja, não vai demorar...
Um dos antigos caminhos de lava provenientes do Mount Rainier, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Para quem acha que não, aqui pertinho tem outro, irmão mais novo do Rainier. É o vulcão Santa Helena, ou St. Helens, em inglês. Todos achavam que o vulcão, em meio a uma paisagem idílica, estaria adormecido por gerações. Até que, num belo dia de Maio de 1980... É para lá que vamos amanhã. Assunto para o próximo post...
No final da tarde, o colossal Mount Rainier dá o ar de sua graça, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Restaurante muito bem locaiizado em praia de Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Voltamos à Tulum. Para uma longa temporada, dessa vez. Mas não estamos de “férias”, como foi em Isla Mujeres e Holbox. Não. Aqui viemos para “estudar”. Isso mesmo, viemos completar um curso que havíamos começado no Brasil, há mais de três anos: mergulho em cavernas. Esse curso é dado em três módulos e já havíamos feito os primeiros dois. O terceiro, deixamos para fazer aqui, terra das mais belas cavernas alagadas do mundo.
Rua praiana de Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
A temporada está sendo de uma semana. Mas não ficamos apenas mergulhando nesse período. Sobrou um pouco de tempo também para as praias, para os bons restaurantes e para novas amizades também. Os posts sobre a nossa inesquecível experiência nos cenotes são os seguintes. Nesse, falo um pouco da nossa rotina fora das cavernas.
Restaurante muito bem locaiizado em praia de Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Como expliquei da outra vez que estivemos em Tulum, a cidade é dividida em duas: a parte nova e chique fica na beira da praia, onde ficamos da outra vez; a cidade de verdade fica a três quilômetros do mar, ao lado da rodovia que liga Cancún à fronteira com Belize. É onde estão os hotéis mais em conta. Com uma temporada mais longa dessa vez, foi onde resolvemos ficar.
Restaurante muito bem locaiizado em praia de Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Foi ótimo! Vários restaurantes gostosos e com bons preços, muitos turistas que preferem não pagar o dobro para ficar perto da praia e a sensação de se estar em um lugar com vida própria. Tudo num raio de poucos quarteirões e ao alcance dos nossos pés.Nós acordávamos cedo e íamos para nossas aulas/mergulhos, cada dia em um cenote diferente da região. Voltávamos no meio da tarde e, se não estivéssemos muito cansados, ainda dávamos uma passadinha na praia. Só para esticar um pouco as pernas, sentir a terra firme e, claro, comer alguma coisa em frente ao mar.
Litoral de Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
O mar de Tulum é muito bonito, cor de esmeralda. Mas venta bastante e as águas são sempre agitadas. Um colírio para os olhos, mas está longe de ser uma banheira. Para isso, melhor ir para perto das ruínas, onde estivemos da outra vez. Na vila mesmo, mais pedras e mar agitado.
Fiona encontra uma parente em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Ficamos hospedados no hotel Nadet, da Dona Erminia. Depois de 15 minutos, a Ana já estava amiga dela. Depois de uma semana, então, era como se fosse nossa casa. Enfim, foi uma ótima ideia ter ficado por lá, muito bem tratados, pertos de tudo e a oito minutos de carro das praias. Vamos ficar com saudades de nossos lanches no restaurante francês e de um apartamento que pudemos chamar de casa por mais de cinco dias, um recorde nesses últimos doze meses. Mas, o que vai deixar saudades mesmo são os mergulhos nas cavernas...
Despedida de nossa simpática pousada em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
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