1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Estados Unidos Há 2 anos: Estados Unidos

As Praias do Leste e do Sul de Bombinhas

Brasil, Santa Catarina, Bombinhas

Caminhando na praia deserta do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Caminhando na praia deserta do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Depois da nossa caminhada pelas praias do norte de Bombinhas (post anterior), resolvermos pedir ajuda para a Fiona no nosso segundo dia na cidade. Afinal, nosso destino dessa vez era bem mais distante: as praias que do lado leste da península, como Mariscal, Zimbros, Canto Grande e, especialmente, a praia da Tainha.

Em Bombinhas, no nosso 2o dia (em azul), fomos de carro até Tainha, passando por Mariscal e Zimbros. No 3o dia, fizemos a caminhada (vermelh) pelas praias da costa sul da penínsulha

Em Bombinhas, no nosso 2o dia (em azul), fomos de carro até Tainha, passando por Mariscal e Zimbros. No 3o dia, fizemos a caminhada (vermelh) pelas praias da costa sul da penínsulha


Vista do alto do Morro dos Macaccos, a caminho da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Vista do alto do Morro dos Macaccos, a caminho da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


O formato da península de Bombinhas, quando visto lá de cima, é bem interessante. Além da área principal, onde estão as praias de Bombas e Bombinhas, a península se alonga bastante na direção sudeste. Ela vai se afinando, formando uma espécie de istmo cada vez mais estreito. No lado norte (ou nordeste!) desse istmo, estão as praias de Mariscal, Canto Grande e Conceição. São praias que estão voltadas para o oceano, quase que para o mar aberto. Por isso a rebentação é bem mais forte, atraindo surfistas e um público mais jovem. O outro lado do istmo, o lado sudeste, está voltado para o chamado “mar de dentro”, uma grande baía de águas calmas que mais parece uma lagoa. É a praia de Zimbros. Não é a toa que aí ficam ancorados todos os barcos de pescadores ou iates de bacanas. Aí também é realizada a travessia aquática (para nadadores) de Bombinhas, com distâncias de 1.500 e 3.000 metros, que tantas vezes no passado eu e a Ana já participamos.

A rústica estrada para a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A rústica estrada para a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A pequena baía onde se encontra a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A pequena baía onde se encontra a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Lá na extremidade desse istmo, onde o mar de fora e o mar de dentro quase se tocam, está uma das mais antigas comunidades da península, chamada de Canto Grande. Quem se hospeda por aí está sempre a menos de dois quarteirões do mar. Se quer sossego, vai passar o dia no mar de dentro. Se quer um mar mais agitado, segue para o mar de fora. Com mercados, peixarias, restaurantes e farmácias, é uma comunidade praticamente autossuficiente. Já o bairro mais ao norte,. Conhecido como Mariscal, é muito mais recente e está se desenvolvendo rapidamente. É impressionante a diferença que fez desde que o conheci, dez anos atrás. São loteamentos e mais loteamentos, uma praia que costumava ser selvagem e hoje caminha para se tornar uma nova Bombinhas.

Vista da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina. Ao fundo, a ilha de Florianópolis

Vista da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina. Ao fundo, a ilha de Florianópolis


Fazendas de ostras no litoral de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Fazendas de ostras no litoral de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Mas, o mais interessante da geografia desse istmo é que, lá no seu final, onde parece que ele iria terminar, há um grande morro e o istmo se abre novamente. É uma área protegida por um parque municipal e atrás do morro está uma das mais belas surpresas de Bombinhas: a praia de Tainhas. Para chegar até lá, ou se pega uma longa trilha ou se enfrenta uma estrada de terra, pedras e buracos com quase 3 km de extensão a partir da praia da Conceição. A estrada sobe e desce o morro e em dias de chuva forte fica quase intransitável. Mas é um esforço que definitivamente vale a pena. A praia da Tainha, de águas límpidas e muito frequentada por golfinhos, é um colírio para os nossos olhos, desde o momento que a vemos pela primeira vez, ainda no alto do morro, até a hora da triste despedida, depois de uma boa caminhada de ponta a ponta e de um mergulho recompensador em suas águas.

Chegando à praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Chegando à praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Esse, então, foi o nosso programa de ontem. De Fiona, saímos de Bombas e percorremos os 12 quilômetros de asfalto, sempre pela costa, até a praia da Conceição. No caminho, Mariscal e Canto Grande. Mas o que queríamos mesmo era a Tainha. Então, diretamente para a estrada de terra que cruza o morro dos Macacos. Lá de cima, uma bela vista para todos os lados. Para o norte, o lindo desenho do istmo que separa Zimbros de Mariscal. Para o sul, a ilha do Arvoredo e, mais além, a silhueta inconfundível da ilha de Florianópolis. E para baixo, a pequena baía onde está a deliciosa praia da Tainha. Lá chegando, uma cerveja e um pastel no restaurante logo na entrada da praia e depois, caminhada até as enormes pedras que marcam suas extremidades. Aí passamos algumas horas, entre mergulhos e banhos de sol. Uma delícia!

Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A isolada praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A isolada praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Na volta, um caminho diferente. Depois de uma parada na praia da Conceição (que é a ponta sul do Canto Grande), fomos percorrer a orla de Zimbros ao invés de Mariscal. Todos os caminhos levam à Roma e acabamos por chegar no morro que separa essas praias de Bombinhas. De lá para Bombas foi rapidinho, o mesmo percurso que havia nos tomado uma hora caminhando na noite da véspera, a Fiona o fez em 10 minutos. De volta ao nosso apartamento, a Ana nos brindou com a chave de ouro para fechar nosso dia: um delicioso macarrão com molho de camarão que havíamos comprado fresquinho, pela manhã. Como é bom ter nossa própria cozinha! E como é bom ter alguém com dotes culinários! Para mim, ao final, cabe a louça para lavar! Depois do banquete, lavo tudo feliz da vida!

Praia da Conceição, observando, ao longe, a praia do Mariscal, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Praia da Conceição, observando, ao longe, a praia do Mariscal, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Praia do Canto Grande, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Praia do Canto Grande, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Já o dia de hoje, nosso terceiro e último na cidade, foi novamente de caminhadas. Mas a Fiona ajudou um pouco também! Já tínhamos visto as praias do norte e do leste da península, faltavam as do sul. São as praias menos frequentadas de Bombinhas, o que as faz muito especiais!. Lá do final de Zimbros, seguindo para a direção oeste (rumo ao continente), uma sequência de pequenas praias ao longo do costão e acessadas apenas por trilhas fazem a alegria daqueles mais aventureiros. Mas para se chegar ao início dessa trilha, a ajuda da Fiona é imprescindível!

Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina

Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina


Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina

Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina


E então, lá fomos nós, subindo e descendo o morro de carro, dessa vez diretamente de Bombas, para chegarmos a Zimbros. Daí até o final da estrada, onde encontramos um lugar para deixar a Fiona e seguir a pé. Nós já conhecíamos o início da trilha de outras vezes que aqui estivemos, mas nunca havíamos ido até as praias mais distantes. Agora, em plenos 1000dias, chegava a hora de conhecer essas últimas praias da nossa querida Bombinhas!

Praia do Cardoso, início da nossa trilha pelas praias mais isoladas de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Praia do Cardoso, início da nossa trilha pelas praias mais isoladas de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A praia de Zimbros vista da praia do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A praia de Zimbros vista da praia do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


As primeiras delas, como já disse, já conhecíamos. São a praia do Cardoso e da Lagoinha. Por estarem mais perto do início da trilha, ainda é comum encontrar alguns gatos pingados por aqui. São praias espremidas entre a mata verde e o morro por trás e o mar tranquilo pela frente. Do Cardoso se vê bem a praia de Zimbros e suas construções do outro lado da baía. No mar, muitas daquelas “fazendas de ostras”, uma das especialidades aqui do litoral catarinense. Já na praia da lagoinha, o grande diferencial é a própria pequena lagoa que se forma na boca de um rio. Água doce e água salgada quase vizinhas, para quem quiser ficar tomando sol sem sal no corpo é um ótimo lugar e ainda relativamente próximo do início da trilha.

Fazenda de ostras na praia do Cardoso. AO fundo, a praia de Zimbros, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Fazenda de ostras na praia do Cardoso. AO fundo, a praia de Zimbros, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A praia Triste, na nossa trilha pelas praias do sudoeste de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A praia Triste, na nossa trilha pelas praias do sudoeste de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


É a partir daí que temos de caminhar mais, enfrentando o morro e a mata. Caminhada sempre na sombra e sem chance de errar. Basta seguir adiante com o barulho do mar sempre a nossa esquerda, atrás das árvores. Cruzamos alguns riachos de água refrescante, subimos e descemos algumas vezes até que chegamos à praia Triste. A praia é linda e totalmente selvagem, muito parecida com o que deve ter sido há milhares de anos, sem intervenção humana. Não tenho ideia de onde vem esse nome, praia Triste. Talvez pelo sentimento de solidão, pois o normal é não ver ninguém por ali.

A bela e selvagem praia Triste, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A bela e selvagem praia Triste, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A caminho da praia Vermelha, a mais isolada de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A caminho da praia Vermelha, a mais isolada de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Nós travessamos a praia e seguimos adiante. Ainda queríamos alcançar a próxima, a chamada praia Vermelha. São mais uns 40 minutos de caminhada, mas esse é um dos trechos mais belos da trilha, bosque amplo e muitos pontos de observação. Por fim, depois de uma curva, lá apareceu a praia vermelha, ainda meio escondida pelas árvores. Um oásis no meio da mata e do verde. Poucos minutos mais tarde e chegávamos à praia, recepcionados pelos latidos de dois cachorros.

Chegando à praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Chegando à praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Casa do Seu Osnildo, o único habitante da praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Casa do Seu Osnildo, o único habitante da praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Eles são os guardiões da praia e da única casa por ali, pertencente ao seu Osnildo. Ele já mora na praia Vermelha há 15 anos, o caseiro de uma grande propriedade que existe por ali. Morando em local tão isolado, acho que sua grande diversão é receber os poucos visitantes que ali chegam. Ele nos tratou muito bem e até nos convidou para sua choupana. Disse que a vida por lá é bem tranquila, mas também tem seus perrengues. Volta e meia aparece algum “vagabundo” que foge da cidade e da polícia, gente que mexe com drogas. Mas que ele não tem medo não e logo mostra que a praia tem dono. Disse também que aqui ele está mais perto de Governador Celso Ramos do que de Bombinhas e é para lá que ela vai quando precisa de suprimentos. Consegue ir até de bicicleta. Se fosse para ir até Bombinhas pela trilha, no mesmo caminho que viemos, a bicicleta mais atrapalharia do que ajudaria.

A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Bom, depois da nossa visita social, fomos aproveitar a praia também. Caminhamos, tomamos banho, curtimos a natureza exuberante que nos cercava. Era a nossa despedida de Bombinhas. Agora, só nos restava o caminho de volta, um mergulho rápido em cada praia do caminho, o reencontro com a Fiona e a volta para casa, em Bombas. Não sem antes dar mais uma paradinha em Zimbros para nos fartar com um delicioso pastel. Amanhã, estrada novamente, sempre rumo ao norte. Nossa próxima parada será na metrópole dessa parte do Brasil, a famosa e badalada Balneário Camboriú. E Curitiba vai ficando cada vez mais perto...

Caminhando pela praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Caminhando pela praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Brasil, Santa Catarina, Bombinhas, Praia, Tainha, trilha, Vermelha

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Chegando ao Parque do Zé Colmeia

Estados Unidos, Wyoming, Grand Teton National Park, Yellowstone National Park, Montana, West Yellowstone

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Saímos hoje, meio sem pressa, do nosso hotel em Jackson, cidade com ares de cawboy ao sul do parque de Grand Teton. Antes de seguir para o norte, nosso eterno rumo, voltamos para o centro da cidade, para fazer algumas fotos. Das carruagens com cara de séc. XIX, do bar que fomos ontem, um autêntico saloon e dos portais na principal praça da cidade. São feitos inteiramente de chifres de elks. Aliás, os “elks” daqui não devem ser confundidos com os “elks” da Europa, que são os nossos alces. Por aqui, os nossos alces são chamados de “moose”. Já os “elks” daqui são um pouco maiores que as nossas renas (aquelas do Papai Noel). Por falar nisso, as “renas” são chamadas de “caribou” por aqui e de “reindeer” na Europa. Que confusão! Porque não chamam todo mundo de veado e pronto? Demorou um tempo para a gente entender, mas com a ajuda do google, resolvemos. Santo google...

Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)

Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)


Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)

Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)


Voltando aos portais, eles são feitos de chifres de elks (elks daqui!!!) coletados na natureza por escoteiros, já há várias décadas. Com uma galharia daquele tamanho, não deve ser difícil ficar preso nos galhos das florestas onde vivem e, depois de espernear (a cabeça!) um pouco, deixar os chifres para trás, para serem recolhidos por algum escoteiro mais atento. O resultado disso, podemos ver e admirar nos portais: um verdadeiro emaranhado de chifres que merece ser fotografado!

Nossa última visão da linda cadeia de montanhas Teton, no parque Grand Teton, em Wyoming, nos Estados Unidos

Nossa última visão da linda cadeia de montanhas Teton, no parque Grand Teton, em Wyoming, nos Estados Unidos


Feito isso, rumo ao Polo Norte, passando por Yellowstone! A estrada corta todo o parque Grand Teton, de sul a norte, e nós não resistimos a parar algumas vezes para fotografar e admirar mais uma vez a majestosa cadeia de montanhas que dá nome ao parque. Não tem jeito, um bom mineiro nunca vai deixar de se impressionar com as montanhas. Serão sempre uma referência em nossas vidas. Não é a toa que, quando não há uma no nosso horizonte, ficamos meio incomodados, às vezes até sem entender o porquê.

Chegando ao Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Chegando ao Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos



Grand Teton ficou para trás e, meia hora depois, entrávamos no primeiro Parque Nacional do mundo, o Yellowstone, criado em 1872. Não foi fácil convencer o Congresso americano e o presidente da época, o famoso general Grant, a desistir da ideia de lotear a área do futuro parque. Felizmente, a região não era muito propícia à agricultura. Além disso, uma grande expedição voltou à Washington com fotografias e relatos de uma terra de incríveis belezas. Olhar, hoje em dia, essas fotografias com mais de 140 anos de idade, é até emocionante! Enfim, o bom senso prevaleceu e a área foi declarada Parque Nacional, protegida pelo exército da cobiça de caçadores e grileiros. Estava criado um novo conceito, o da preservação da natureza para o usufruto das pessoas, não só daquela geração, mas também para filhos, netos e daí por diante.

Lewis Falls, nossa primeira cachoeira no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lewis Falls, nossa primeira cachoeira no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


É difícil imaginar isso hoje, quando esse conceito de preservação está tão bem estabelecido em nossa cultura (embora, muitas vezes, desrespeitado), mas naquela época, quando se matavam milhões de bisões por esporte, ou se derrubavam florestas da noite para o dia para novas plantações e pastos, isso foi uma revolução digna de se tirar o chapéu, até hoje! Parabéns aos americanos, dentre tantas barbaridades cometidas (por eles mesmos) nessa segunda metade de século XIX. Felizmente, a moda pegou e logo outros países estavam criando seus próprios parques, como o Canadá e a Austrália, e o próprio Estados Unidos, criando o parque de Yosemite (ainda chegamos lá...).

Encontro com uma rena no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Encontro com uma rena no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


É claro que, estando na pátria do capitalismo e das oportunidades, eles não ficaram só na preservação e trataram de fazer dinheiro com isso. Como? Turismo, é claro! Rapidamente, criaram a infraestrutura necessária para receber pessoas com conforto e segurança, principalmente aquelas com dinheiro, mais exigentes, que querem sua boa comida e chuveiro quente ao final do dia, mas são as que mais gastam, gerando recursos para o parque. Estradas foram feitas, até o parque e “pelo” parque, facilitando o acesso às maiores atrações, e uma boa propaganda espalhou país afora as notícias desse lugar mágico. Não demorou muito e Yellowstone passou a ser autossustentável economicamente para sorte das gerações vindouras, pois foi isso que ajudou o parque a durar até hoje. Mais sorte ainda teve a variada fauna do local, que pode sobreviver também. Talvez, tenha sido a criação de Yellowstone que salvou, por meios diretos e indiretos, o bisão da extinção. As manadas, que até o final do séc XVII, contavam com dezenas de milhões de bisões, quando da criação do parque, não passavam de míseros milhares. Ainda hoje, é aqui que se encontram os maiores grupos desses magníficos animais.

O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Mas não foi esse status de último santuário da fauna e nem as paisagens maravilhosas de Yellowstone os responsáveis pelo primeiro desejo de proteger aquela região. Foi outra coisa, que vinhas das entranhas da terra. A enorme quantidade de fontes termais, piscinas coloridas e gêiseres que se espalhavam pela área do parque. Os primeiros relatos sobre esses fenômenos, vindos de caçadores ou exploradores, foram recebidos com ceticismo pela sociedade da época. Puro exagero ou invenção, imaginavam. Foram preciso expedições patrocinadas pelo governo, com pesquisadores e cientistas, para que a as “lendas” fossem aceitas como fato.

Conforme esperado, o Old Faithful faz sua 'apresentação', para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Conforme esperado, o Old Faithful faz sua "apresentação", para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Conforme esperado, o Old Faithful faz sua 'apresentação', para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Conforme esperado, o Old Faithful faz sua "apresentação", para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Ainda hoje, é essa a primeira imagem que Yellowstone evoca: um gêiser entrando em erupção. O mais famoso do mundo, conhecido como “Old Faithful”, está lá, atraindo milhares de pessoas diariamente, milhões ao ano, todas com suas máquinas fotográficas para captar aquele momento mágico, que se repete a cada 90 minutos, mostrando a todos que algo está bem vivo sob os nossos pés.

A estranha paisagem de fontes termais ao redor do geiser Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A estranha paisagem de fontes termais ao redor do geiser Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Observando fontes ferventes na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Observando fontes ferventes na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Também era essa a imagem que eu tinha, dentro da minha infinita ignorância. Mas bastaram algumas horas pelo parque, as primeiras de muitas que virão, para perceber que isso é apenas a ponta do iceberg, que Yellowstone tem muito mais a oferecer, muitas vezes até bem mais interessantes que o venerável Old Faithful.

Mais um pequeno geiser entra em erupção na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Mais um pequeno geiser entra em erupção na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Há muitos outros geisers na região do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Há muitos outros geisers na região do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


As estradas no parque formam um grande formam um grade oito e, percorrendo esse oito, chegamos às atrações principais. Nós viemos do sul e, já antes de chegar ao tal “oito”, tivemos a chance de ver algumas das atrações que fazem desse o parque mais famoso do mundo. Belas cachoeiras e grandes animais vagando tranquilamente pelo parque. Aliás, baste ver carros parados na estrada que já sabemos: algum grande bicho anda por ali! Dessa vez, era um bisão caminhando entre a mata e a estrada e, um pouco depois, um elk (ou seria um caribou?), também ao lado da estrada, já acostumado com o acesso dos paparazzi que o cercavam.

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Nós tiramos nossas fotos também, assim como fizemos a pequena caminhada até a cachoeira. Mas queríamos mesmo era chegar à região do Old Faithful, no “oito” Essa é a área mais concorrida do parque, com hotéis, restaurantes e um centro de informações. Chegamos um pouco antes da erupção das 16:30 e uma verdadeira plateia estava lá, máquinas, celulares e ipads prontos. Juntamo-nos à torcida e vibramos juntos com a erupção. Estava registrado, para o site 1000dias, aquele momento mágico, que só ocorre 16 vezes ao dia, 365 vezes ao ano. Ironias à parte, é mágico mesmo. A primeira vez, ninguém esquece!

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Admirada com as lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Admirada com as lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Cumprida a obrigação com diversão, passamos à diversão sem obrigação. Longas passarelas nos levam, com segurança, por entre fontes de água fervente, piscinas com cores mágicas, riachos com líquidos tóxicos e gêiseres imprevisíveis. A sensação é de se estar em outro mundo. Ou então, no nosso mundo, mas em outra época, há alguns bilhões de anos atrás.

Painel explicativo sobre a formação e funcionamento dos geisers, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Painel explicativo sobre a formação e funcionamento dos geisers, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Diversas fontes de água fervente na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Diversas fontes de água fervente na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


As cores das piscinas são, simplesmente, inacreditáveis. Pena que sejam tão quentes, temperaturas próximas da ebulição (que nessa altitude, é de cerca de 94 graus centígrados), pois a vontade que dá é de um bom mergulho. Azul ou verde transparentes, sempre rodeados de vermelho ou amarelo. As cores vem dos microrganismos que ali vivem, cada um com sua cor característica a adaptado para uma certa temperatura. O resultado, só se pode descrever por fotografias que, nesse caso sim, valem por mil palavras.

Noventa minutos mais tarde, o Old Faithful entra novamente em erupção, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Noventa minutos mais tarde, o Old Faithful entra novamente em erupção, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Veículos para transporte de turistas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Veículos para transporte de turistas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


A beleza das piscinas se alterna com a excentricidade da lama borbulhante em alguns casos, ou dos gêiseres em outros. Um deles, o Grand Gêiser, é até mais belo que o vizinho Old Faithful, embora menos previsível. Um outro, ali perto, depois de tanto tempo na ativa, até construiu um minivulcão para ele. Muito legal!

Cachoeira de água fervente encontra rio de águas geladas, na área da Prismatic Pool, em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Cachoeira de água fervente encontra rio de águas geladas, na área da Prismatic Pool, em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Tão enfeitiçados que ficamos, caminhando por essa passarela, que perdemos a noção do tempo. Quem nos trouxe à realidade foi a nova erupção do “relógio” Old Faithful, ali perto. Era o lembrete de que 90 minutos já haviam se passado desde que tínhamos nos perdido naquele mundo mágico. Tempo de seguir em frente, então.

as incríveis piscinas de água fervente em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

as incríveis piscinas de água fervente em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Primeiro, um almoço tardio ali mesmo. Tem o restaurante dos ricos, muito disputado e caro, e o dos pobres, mais tranquilo. Nem preciso dizer onde comemos, certo? O que não nos impediu de entrar e admirar o lodge chique que fizeram, bem em frente ao Old Faithful. Ali, pode-se saborear um bom whisky enquanto se espera a próxima erupção. Coisa de gente bacana!

Terraços de calcita formados ao lado da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Terraços de calcita formados ao lado da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Bem, devidamente alimentados e ainda sem hotel para dormir (quase ficamos no tal lodge. Tinham só para uma noite, por 180 dólares), seguimos para outra atração, que rivaliza em fama com o Old Faithful. É uma enorme piscina colorida conhecida como “Prismatic Pool” ou “Prismatic Spring”. Bem maior do que uma piscina olímpica, constantemente escondida sob o fog que brota dela mesma. As pessoas ficam ali, esperando que o vento leve a neblina embora para poder ter uma rápida visão (e uma rápida fotografia!) daquele espetáculo da natureza.

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Nós tivemos as nossas chances também. Mas amanhã, vamos subir um morro aqui do lado para ver de novo. Lá de cima, conseguimos ver o panorama todo, por cima dos vapores e da fumaça. E com a luz do dia, que começava a faltar hoje. De qualquer maneira, toda a região ao redor da Prismatic Pool é incrível. Enormes terraços de calcita (formados pela água que vaza da piscina) avermelhados formam uma paisagem surreal. Ainda mais quando, logo ali do lado, outras piscinas de águas incrivelmente translúcidas e coloridas atraem, como imã, a nossa atenção.

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Para completar, como se a beleza não fosse o bastante, ainda tivemos um incrível pôr-do-sol, desses de cinema, justo quando caminhávamos entre os as piscinas coloridas e sobre os terraços de calcita (sem sair da passarela, claro!)

caminhando pela área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

caminhando pela área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Já no escuro, extasiados de tantas paisagens extraterrestres, ainda pareceu a lua, majestosa, só pela metade. Realmente, foi um dia de tirar o fôlego... Mesmo tendo conhecido só esse pedacinho de Yellowstone, um quarto da metade de baixo do “oito”, já deu para entender porque aqui foi criado o primeiro parque nacional do mundo. E porque são mais de 3 milhões de visitantes por ano. Principalmente nessa época, verão no hemisfério norte.

Enorme piscina de águas ferventes na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Enorme piscina de águas ferventes na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Isso nos fez lembrar que ainda não tínhamos hotel para ficar. Com os lodges do parque totalmente ocupados ou excessivamente caros e com uma preguiça danada de dormir em barraca ou na Fiona, a solução foi seguir para outro estado, Montana.

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Pode parecer longe, mas nem é. A área de Yellowstone é tão grande que atravessa a fronteira de Wyoming (onde está a maioria do parque) e chega até Montana. Ali, logo depois da entrada oeste do parque, está a cidade de West Yellowstone. Depois de três tentativas, achamos um hotel razoável e nos instalamos. Prontos para voltar para o “oito” amanhã e continuarmos nossas explorações desse lugar especial, sobre a caldeira de um supervulcão (falo disso em outro post) chamado Yellowstone National Park, conhecido mundialmente como a casa do simpático urso Zé Colmeia (e do atrapalhado Catatau também, claro!)

Uma maravilhosa lua crescente nos céus limpos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Uma maravilhosa lua crescente nos céus limpos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Wyoming, Grand Teton National Park, Yellowstone National Park, Montana, West Yellowstone, Bichos, Geiser, história, Jackson, Parque, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Desilusão

Chile, La Serena

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


Voltamos para a Fiona ainda saboreando aqueles momentos mágicos do pôr-do-sol na praia de Totoralillo, o céu pintado de tons avermelhados, quase roxos. Mas fomos despertados do nosso torpor de forma abrupta, quase rude. Uma estranha borracha estava do lado do nosso carro, em um lugar onde antes não havia nada. Foram uns poucos segundos de estranhamento, que pareceram durar uma eternidade, como se o tempo tivesse parado. De repente, BUM!, a realidade desabou sobre nossas cabeças: tinham quebrado o vidro da Fiona.

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


Um vidro não, dois deles, abrindo acesso tanto ao bagageiro como à cabine. Por algum tempo, ainda tentamos acreditar que era uma miragem. Não era. Ainda inebriados pela triste descoberta, olhamos para dentro do carro arrombado, tentando lembrar o que estava lá e já não mais estava. Uma mochila com nosso equipamento de camping. Uma pequena mochila com nossa querida Lumix, a máquina fotográfica mais simples e prática. Também na mochila nossa máquina para fotografias subaquáticas. Com elas, algumas belas fotos que havíamos tirado na última semana e que se perderiam para sempre. Lembranças roubadas. Meu óculos de sol, que havia me acompanhado por tantas praias e montanhas. A carteira da Ana, com documentos e dinheiro. A cada nova descoberta, um novo suspiro.

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


Pessoas se aproximam de nós. Se compadecem conosco. Falam mal do próprio país, assim como brasileiros gostam de falar mal do Brasil. Dizem que os vidros já estavam quebrados há meia hora. Aparentemente, o roubo foi logo após deixarmos o carro. Forçamos a memória e já temos nossos suspeitos. Pessoas que ali estavam, caras de poucos amigos, quando descemos do carro. Lançamos nossas maldições, procuramos por algo ali por perto, mas nada desfaz nossa tristeza.

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Depois de alguns poucos minutos na praia, a desagradável surpresa, ao reencontrar a Fiona com os vidros arrombados, em Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


Logo aparecem os pensamentos reconfortadores: melhor o carro do que nós, que estamos bem; que milagre a Ana ter descarregado o carro na noite anterior, senão o prejuízo teria sido bem maior; ainda bem que tínhamos a Nikon e os passaportes conosco. Os pensamentos ajudam, sim. Mas não são o suficiente. Logo aparecem outros: porque viemos para essa praia? Porque deixamos essas coisas no carro? Porque esses idiotas estavam aqui? Porque isso tinha de acontecer?

A Fiona já está de vidros novos, colocados em vidraçaria em La Serena, no Chile

A Fiona já está de vidros novos, colocados em vidraçaria em La Serena, no Chile


Dali seguimos para a polícia, guiados por uma gentil família que ali estava. Melhor fazer um BO. No dia seguinte, hoje, um sábado, o trabalho foi achar uma vidraçaria. Até o meio da tarde, a pobre Fiona estava reparada. Mas os vidros novos sem película, destoando dos antigos, mais escuros, seriam sempre um lembrete do que havia acontecido. Nas semanas seguintes, em diversas ocasiões nos lembramos de algo mais que havia sido roubado, perdido para sempre. Objetos sem muito valo financeiro, mas com grande valor sentimental, lembranças de passagens maravilhosas por essa longa América. A cada nova descoberta, uma nova pontada. Mas o tempo há de curar isso. Ele cura tudo. As boas lembranças são infinitamente maiores e intensas que as más. Uma experiência a mais no nosso currículo. Uma que não precisaríamos nem desejávamos ter. Tivemos. Três anos passando incólumes por tantos lugares haviam nos deixado com uma sensação de invencibilidade. Algo se quebrou. E não foram apenas os vidros. Quebrou-se um encanto. Olhos abertos daqui para frente...

Chile, La Serena, Coquimbo, roubo, Totoralillo

Veja mais posts sobre Coquimbo

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Ketchikan e os Japoneses

Alaska, Ketchikan

Estrada rural na região de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Estrada rural na região de Ketchikan, no sudeste do Alaska


Chegamos ontem à Ketchikan, último porto no Alaska para quem segue para o sul e a cidade mais importante do estado no início do século passado. Estava na rota de todos os americanos que seguiam para o Alaska e Yukon, durante a Corrida do Ouro de Klondike e rapidamente se transformou num importante porto e ponto de reabastecimento. Uma cidade com uma história riquíssima, mas que nos recebeu com muita chuva.

O tradicional e aconchegante New York Hotel, em Ketchikan, no sudeste do Alaska

O tradicional e aconchegante New York Hotel, em Ketchikan, no sudeste do Alaska


A gente se instalou no centenário (este ano!) e mais tradicional hotel da cidade, o New York Hotel & Café, recentemente renovado, charmoso e com vista para a marina. Melhor ainda, bem ao lado da famosa Creek Street, principal atração turística de Ketchikan. Assim, mesmo com chuva, ainda pudemos sair, pelo menos para dar uma olhada nessa rua construída sobre palafitas sobre um rio que desemboca ali mesmo.

Entrada da Creek Street, a mais famosa rua de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Entrada da Creek Street, a mais famosa rua de Ketchikan, no sudeste do Alaska


A fama da Creek Street também é centenária. Era ali a região dos bordéis de um dos mais movimentados portos do continente naquela época. Diversos sobrados de madeira transformados em casas do pecado e da alegria, refúgio não só daqueles que procuravam sexo, mas também o álcool, já que vivia-se em plena época da Lei Seca. Tão perto do Canadá, não era difícil “importar” uísque daquele país e a Creek Street era o melhor lugar para consumi-lo. Afinal, onde já se pratica uma contravenção, porque não duas?

Creek Street, a mais famosa rua de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Creek Street, a mais famosa rua de Ketchikan, no sudeste do Alaska


A fama da Creek Street era nacional e havia muita pressão sobre a polícia e políticos da cidade para que se coibisse as “atividades” lá praticadas. As trabalhadoras do local resistiram o quanto puderam, mas o fim da lei seca tirou de lá boa parte da clientela. Os bordeis foram sendo fechados um a um, ficando para trás as personagens que fizeram história naquela rua, verdadeiras lendas em Ketchikan. Hoje, é claro, tudo devidamente aproveitado para a indústria do turismo. Afinal, são cerca de 800 mil visitantes ao ano, a grande maioria vinda nos cruzeiros que passam por aqui por algumas horas durante a temporada. A rua e seus sobrados estão totalmente renovados e fazem a alegria dos fotógrafos. Num dia de chuva e já ao final da temporada, éramos apenas nós dois a nos deliciar com aquele visual.

Dolly, uma das personagens mais conhecidas da histórica Creek Street, em Ketchikan, no sudeste do Alaska

Dolly, uma das personagens mais conhecidas da histórica Creek Street, em Ketchikan, no sudeste do Alaska


Depois da rápida e molhada visita à Creek Street, refugiamo-nos no charmoso bar estilo anos 30 nosso vizinho do hotel. Na verdade, eles tinham o mesmo dono até há 25 anos, quando foram vendidos. Pertenceram à mesma família por três gerações. Uma família japonesa. Chegaram ao Alaska na primeira onda de migrantes nipônicos à América, mas ao contrário de quase todos os seus conterrâneos, que seguiram para San Francisco, essa família veio para Ketchikan.

Saboreando uma Guinness em boteco retrô em Ketchikan, no Alaska

Saboreando uma Guinness em boteco retrô em Ketchikan, no Alaska


Aqui, logo botaram seu tino comercial para trabalhar, fundando um popular restaurante no centro da cidade. Mas o racismo ainda falava alto naquela época e foi decidido que a cidade seria dividida em duas, separadas pelo rio. De um lado, os brancos. Do outro, os outros, aí incluídos os negros, os índios e os asiáticos. O restaurante teve de mudar de endereço, mas a fama era muito maior que o segregacionismo e ele continuou um sucesso. Tanto que a família resolveu ampliá-lo e transformá-lo num hotel, também.

Creek Street, a mais famosa rua de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Creek Street, a mais famosa rua de Ketchikan, no sudeste do Alaska


O próximo problema para a família veio pouco mais de três décadas mais tarde. O ataque japonês à Pearl Harbour causou uma onda anti-nipônica em todo o país. Todos os japoneses que viviam nos EUA, mesmo os que já haviam nascido por aqui, foram detidos e enviados à campos de internamento. Famílias foram separadas simplesmente porque tinham o olho puxado. Era o medo da espionagem. Amigos da família aqui em Ketchikan tomaram conta de seus negócios e, quando eles finalmente puderam voltar, depois da guerra, não só estava tudo aqui como até mesmo os lucros auferidos naquele período lhes foram entregues! Isso sim é amizade!

Répilca de antiga moradia de clã Tinglit, em Ketchikan, no sudeste do Alaska

Répilca de antiga moradia de clã Tinglit, em Ketchikan, no sudeste do Alaska


Isso tudo vimos ontem. Hoje, o sol resolveu aparecer e nós pudemos passear bastante pela cidade e região e, com isso, aprender sobre um outro lado da história que também tem a ver com os japoneses. Afinal, estivemos no parque onde viveram os habitantes das Ilhas Aleutas durante a 2ª Guerra. Foram retirados de lá compulsoriamente, justamente pelo medo de uma invasão japonesa.

Painel explicativo sobre a significação dos totens na cultura indígena na área de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Painel explicativo sobre a significação dos totens na cultura indígena na área de Ketchikan, no sudeste do Alaska


Exposição de totens Tinglits e Haidas, em parque de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Exposição de totens Tinglits e Haidas, em parque de Ketchikan, no sudeste do Alaska


Pois é, muito pouca gente, mesmo aqui nos EUA, sabe que o país foi efetivamente invadido durante a guerra. Foram duas pequenas ilhas, tomadas pelos japoneses em 1942. Além disso, bombardearam a maior das cidades das Aleutas, Dutch Harbour. Os americanos decidiram, então, retirar os habitantes das outras ilhas. Pior, enquanto eles eram retirados, todas as propriedades eram queimadas. Não queria deixar nada para o inimigo, a famosa tática da “terra arrasada”. Essa retirada forçada acabou sendo mais letal para os Aleuts que a própria invasão japonesa. O índice de sobrevivência entre aqueles capturados e enviados ao Japão foi quase o mesmo que entre aqueles enviados para longe de suas terras, em outras terras do Alaska.

Praia de pedras e água gelada em Ketchikan, no sudeste do Alaska

Praia de pedras e água gelada em Ketchikan, no sudeste do Alaska


Caminhando na praia em Ketchikan, no sudeste do Alaska

Caminhando na praia em Ketchikan, no sudeste do Alaska


Aqui para Ketchikan foi enviado um grande grupo. Sem nunca ter visto uma árvore antes em suas vidas (nada maior do que uma moita cresce nas Aleutas), aqui foram colocados em meio à uma floresta. A sensação era de confinamento. As rações de comida eram exíguas, assim como a possibilidade de trabalho. Muitos morreram antes que a guerra terminasse e pudessem voltar para a sua ancestral terra sem árvores. Tristes histórias perdidas no meio da enorme tragédia que foi a 2ª Guerra Mundial.

Passeio por mata úmida na região de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Passeio por mata úmida na região de Ketchikan, no sudeste do Alaska


Bom, além dessas histórias, também aprendemos muito sobre os indígenas da região e seus totens. Visitamos dois parques cheios dessas enormes e belas esculturas em madeira, sempre com muitos painéis explicativos sobre significados das figuras e sobre o modo como viviam por aqui. Uma vida semi-nomádica, o inverno perto do litoral, em enormes casas divididas por um clã (composto de várias famílias), e o verão no interior, com caça abundante. Um estilo de vida que durou 100 séculos, até ser destruído pelo contato com a cultura branca. Felizmente, algo da cultura permaneceu e os totens estão aí para nos mostrar que eles passaram por aqui. Também parecem nos lembrar: “Nada é para sempre, nem nós, nem vocês...”.

caminhando em bosque em Ketchikan, no sudeste do Alaska

caminhando em bosque em Ketchikan, no sudeste do Alaska


Admirando árvore em mata na área de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Admirando árvore em mata na área de Ketchikan, no sudeste do Alaska


Por fim, um belo passeio pela natureza ao redor de Ketchikan. Praias de pedra e água gelada e florestas úmidas e verdejantes. Fizemos uma trilha por uma e parecia que andávamos sobre um tapete de musgos e liquens, sempre cercados de árvores frondosas. Será mesmo o Alaska? Talvez, não aquele que eu conhecia por clichês. Mas é o Alaska sim senhor, terra de muita história, belíssimas paisagens e florestas de verdade!

Fiona entre as grandes árvores de mata na região de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Fiona entre as grandes árvores de mata na região de Ketchikan, no sudeste do Alaska

Alaska, Ketchikan, Creek Street, história

Veja todas as fotos do dia!

Não nos deixe falando sozinhos, comente!

Montanhas e Muita Neve

Geórgia Do Sul, Stromness

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso primeiro dia na Geórgia do Sul teve como foco principal a vida selvagem. Os pinguins de Salisbury Plain e albatrozes de Prion Island, além dos elefantes e lobos-marinho dos dois lugares são atrações espetaculares e mesmo a incrível beleza da paisagem naqueles lugares ficou em segundo plano. Hoje, no nosso segundo dia nessa ilha perdida do Atlântico Sul, as prioridades iriam se inverter: primeiro, as belezas naturais e a história do lugar, e segundo, a vida selvagem, que aqui na Geórgia do Sul, está em todos os lugares.

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul


Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


A primeira atividade do dia foi um longo trekking partindo de Fortuna Bay e chegando na baía de Stromness. Para isso, temos de cruzar as montanhas que separam as duas baías, a gente indo por terra e o Sea Spirit dando a volta pelo mar para nos recolher do outro lado. A ideia desse trekking é repetir o último trecho da grande travessia da ilha realizada em 1915 por Ernest Shackleton e dois de seus companheiros. Eles tentavam desesperadamente chegar à “civilização” para buscar ajuda a seus companheiros que ficaram presos na Antártida, depois que sua expedição exploratória havia terminado em fracasso. Ainda vou falar dessa história mais adiante, mas o fato é que Shackleton e seus companheiros conseguiram chegar à costa sul da Geórgia num barco a remo e daí precisaram caminhar até a costa norte onde se encontravam as estações baleeiras, Primeiro, caminharam até Fortuna Bay, já na costa norte e depois, seguiram para Stromness pelo mesmo caminho que fizemos hoje.

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul


Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul

Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul


Stromness era uma importante estação baleeira naquela época, mas hoje não passa de uma pequena cidade-fantasma, as ruínas das antigas instalações sendo comidas aos poucos pelo tempo. Aí chegou Shackleton, sendo recebido pelo incrédulo administrador local. E aí chegamos nós, recebidos pelo Sea Spirit e uma refeição quente, muito benvinda depois do frio e da neve que enfrentamos.

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul


O segundo programa do dia foi visitar Grytviken, também uma antiga estação baleeira e hoje a “capital” da ilha. Tem até igreja, correio, museu o cemitério onde está enterrado o valente Shackleton. Vou tratar de Grytviken e desse tenebroso período de caça às baleias no próximo post, enquanto nesse vou me deter na nossa caminhada da manhã.

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul


Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness

Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness


Ainda ontem a Cheli, líder da nossa expedição, nos explicou sobre a programação de hoje e sobre quem estaria interessado em fazer o trekking. Para sua surpresa, mais da metade de nós estávamos. Para esses, o café da manhã seria servido ainda mais cedo, já que a ideia era estar já na praia de Fortuna Bay antes das 8 da manhã, para iniciarmos o trekking com cerca de 5 quilômetros, primeiro montanha acima, depois montanha abaixo e or fim, um longo vale.

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)


Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


O dia que amanheceu bonito logo fechou, deixando-nos todos ansiosos e com medo que a aventura fosse cancelada pois seria a nossa única chance de caminhar um pouco mais por essa ilha de paisagens fantásticas. Felizmente, não foi. Ao contrário, a neve pelo caminho até emprestaria um clima ainda mais real do que enfrentaram Shackleton e seus companheiros nas suas últimas horas de caminhada. E assim foi, ao chegarmos à praia, nevava forte e até os elefantes-marinho pareciam reclamar.

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Com a neve e o frio, nada de ficarmos parados. Grupo todo reunido na praia, partimos logo rumo ao interior da ilha, o Damien, nosso guia historiador a frente. Não demorou muito para chegarmos à encosta da montanha e começarmos a subir. Quanto mais alto, mais neve, a paisagem cada vez mais parecida com aquilo que todos imaginamos que deva ser uma paisagem polar.

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)


Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


Nessa época do ano, o normal seria já vermos toda essa paisagem aberta, sem neve. Apenas as montanhas estariam cobertas de branco. Mas não hoje. A neve até parou um pouco, mas nesse ponto, todo o solo já estava branco. Quando chegamos ao ponto mais alto da nossa travessia, o Damien até mostrou o que seria um lago citado por Shackleton em seu relato. Hoje estava congelado e coberto de neve. Mas resolvemos todos acreditar no nosso guia de que aquilo que víamos era sim, um lago.

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Conforme caminhávamos, o Damien ia nos contando detalhes do trekking original, os homens já extenuados e esfomeados num último esforço para salvar suas vidas a as dos companheiros que ficaram para trás. Felizmente, nossas condições eram melhores, um bom café da manhã no estômago e um almoço nos esperando lá embaixo.

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Aí no alto, fizemos a tradicional pose para a foto de todo o grupo, o amarelo vivo de nossas jaquetas ainda mais vivo contra o branco que nos cercava. Devíamos estar a quase 500 metros de altitude, exatamente do ponto onde, com o tempo aberto, passa a ser possível observar Stromness. Imagino a alegria de Shackleton ao ver a fumacinha saindo das casas lá embaixo.

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul


A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul

A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul


Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Pois é, mais ainda era um longo caminho até lá embaixo. Com tanta neve assim, até o Damien, que já fez esse trekking várias outras vezes, se equivocou e começou a descer pelo lado errado da encosta. Mas logo percebeu o erro, subimos de volta e tomamos o caminho correto. O mesmo ocorreu quase 100 anos atrás, mas eles já haviam descido demais para voltar. Por isso, tomaram uma rota bem mais difícil e tiveram de enfrentar um ou outro penhasco com a ajuda das cordas que tinham.

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul

Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul


O Damien também levava sua corda, mas ela não foi necessária. Fomos enfrentando a neve fofa e funda ao descer a montanha, sempre fazendo um ziguezague para tornar a descida menos íngreme e mais segura.

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul

Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul


Já lá embaixo, passamos ao lado da cachoeira onde Shackleton e seus companheiros tiveram de usar a corda, já que chegaram pelo outro lado. Uma visão e tanto, uma cachoeira no meio de tanta neve. Pausa para mais fotos e também para respirar um pouco.

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Agora já estávamos em baixo e era só seguir ao lado do rio até o mar, onde está Stromness. Antes de chegarmos lá, ainda cruzamos com marcas na neve. Eram as inconfundíveis pegadas de pinguim! Com efeito, três minutos adiante e lá estavam eles, um grupo de pinguins gentoo no meio da neve. Agora sim, estavam no seu ambiente predileto, hehehe! Um deles, até trabalhava para construir o seu ninho. Buscava gravetos lá longe e os empilhava cuidadosamente num ninho já quase pronto.

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul

Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul


Depois dos pinguins, uma claro sinal que estávamos cada vez mais pertos, passamos por pequenos lagos que haviam se transformado em verdadeiros espelhos, refletindo aquela paisagem grandiosa que nos cercava. Agora sem vento e sem neve, sua superfície estava parada e era um verdadeiro convite a novas fotografias.

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)

O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)


Por fim, um último encontro com filhotes de elefante-marinho. Esses sim nunca saem de muito perto da água. Havíamos chegado às ruínas de Stromness. Pelo estado de decadência em que se encontram, está proibido o acesso. Só podemos ver pelo lado de fora e a aparência é mesmo de uma cidade-fantasma. Seus únicos frequentadores, que parecem ignorar os avisos de não entrar, são lobos e elefantes-marinho. Mas isso é para outro post...

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Stromness, Fortuna Bay, Montanha, Trekking, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Um Quarto, Duas Janelas e a Luz Mágica

México, Real de Catorce

A sombra da grade de nossa varanda, no hotel em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

A sombra da grade de nossa varanda, no hotel em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Quando voltamos do passeio à cavalo e retornamos ao hotel para dizer que queríamos ficar uma noite extra, descobrimos que nosso quarto já havia sido alugado para um novo hóspede. Teríamos de pagar por um quarto mais caro.

Luz mágica de fim de tarde no quarto de nosso hotel em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Luz mágica de fim de tarde no quarto de nosso hotel em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


Nada que uma boa conversa não mudasse. Ao final, só fizemos o upgrade de quarto sem pagar nada mais por isso. Se já tínhamos gostado do hotel antes, gostávamos ainda mais agora. Principalmente quando nos foi mostrado nossas novas acomodações...

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Um amplo quarto de pé direito alto, uma cama onde caberiam umas dez pessoas, uma aconchegante lareira no canto e duas enormes janelas voltadas para o sol da tarde. Sol da tarde? Pois é, esse mesmo cuja luz transbordava para dentro do quarto, praticamente incendiando o assoalho de madeira e projetando sobre ele a sombra das grades das nossas varandas. Uma fotografia. Não, um quadro!

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Por falar em quadro, sobre a lareira lá estava um quadro de um importante momento histórico para o país, a ocasião do encontro de duas das mais emblemáticas personagens mexicanas, os revolucionários Emiliano Zapata e Pancho Villa. Zapata, ar sempre sério com seu enorme bigode, parecia olhar para nós e não para Villa.

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Duas cadeiras de balanço nos convidavam a ficar por ali, em frente às janelas, aproveitando o sol e o momento. Um convite assim não se recusa. Principalmente depois de cinco horas sobre o lombo de um cavalo. O balanço da cadeira seria certamente mais confortável. E foi! Pela próxima hora aí ficamos, sob o olhar de Zapata, vivendo a magia daquela quarto, daquelas janelas e daquela luz mágica. Outro momento inesquecível em Real de Catorce.

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Aproveitando a luz do sol que entrava pela janela do nosso quarto, no fim de tarde em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

México, Real de Catorce,

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Alta Gracia, Jesuítas e o Chê

Argentina, Alta Gracia

Trecho de carta de Guevara em sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina

Trecho de carta de Guevara em sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina


Menos de uma hora ao sul da cidade de Córdoba, em uma das muitas regiões serranas da província de Córdoba, está a pequena Alta Gracia, Patrimônio Cultural da Humanidade. Mais uma para aquela “lista” de que falei alguns posts atrás (veja aqui), outra atração hermana tão pouco conhecida de nós, brasileiros. Com certeza, com um título desses, valia um pequeno desvio na nossa rota rumo à Buenos Aires!

Tajamar, a represa construída pelos jesuítas em Alta Gracia, na Argentina

Tajamar, a represa construída pelos jesuítas em Alta Gracia, na Argentina


Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


São duas as grandes atrações na pacata cidade: primeiro, justamente a que fez Alta Gracia atrair a atenção da UNESCO, é o seu valor histórico e arquitetônico. Aí ficava, e na verdade é esta a sua origem, uma das mais belas Estâncias Jesuíticas criadas para abastecer de alimentos a cidade de Córdoba, onde ficava a principal sede dessa Ordem na América do Sul.

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Estâncoa Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


A segunda atração é mais recente. Para cá se mudaram os pais do pequeno Ernesto Guevara, na sua infância, para ajudar na saúde problemática do filho que era asmático. O ar serrano faria bem aos seus pulmões, foi a recomendação médica. O pequeno Ernesto passou aqui sua infância e parte da adolescência, antes de começar suas lendárias viagens pelo país e continente até se transformar no mais famoso, amado e sanguinário revolucionário do séc. XX. A casa onde morou a família Guevara foi transformada em museu e atrai visitas de admiradores de todo o mundo.

A casa onde viveu na infância Ernesto Che Guevara, em Alta Gracia, na Argentina

A casa onde viveu na infância Ernesto Che Guevara, em Alta Gracia, na Argentina


Quarto de pequeno Guevara, em Alta Gracia, na Argentina

Quarto de pequeno Guevara, em Alta Gracia, na Argentina


Nós chegamos à cidade pouco depois do meio dia, justamente quando fechava o horário de visitas da Estância Jesuítica. Só pudemos conhecer os prédios do lado de fora, a Torre do Relógio e a represa construída para fornecer água às plantações e aos moinhos para fazer a farinha. Ela é conhecida pelo nome de Tajamar e é uma delícia caminhar pela sua orla, sempre na sombra das árvores.

Um jovem Che Guevara viajando de bicicleta pela Argentina, em museu em Alta Gracia, na Argentina

Um jovem Che Guevara viajando de bicicleta pela Argentina, em museu em Alta Gracia, na Argentina


Quanto à própria Estância, a igreja e o museu, só iriam reabrir depois das duas da tarde e aproveitamos esse tempo para ir conhecer a casa onde viveu Chê. A cidade é bem tranquila, lembra muito as cidades serranas brasileiras, ar puro e pouco movimento nas ruas. Em cinco minutos, a Fiona nos levou até a simpática casa, um garoto de bronze sentado na mureta, assim como costumava ficar o pequeno Ernesto.

Guevara atravessando rio amazônico de balsa com seu companheiro, foto em museu de Alta Gracia, na Argentina

Guevara atravessando rio amazônico de balsa com seu companheiro, foto em museu de Alta Gracia, na Argentina


A casa é pequena, uns poucos cômodos e o quintal ainda caracterizados como na época em que a família lá vivia. As paredes repletas de fotografias antigas, mapas das viagens de Chê e trechos de seus discursos mais famosos. Além disso, uma motocicleta do mesmo modelo daquela em que ele iniciou seu primeiro giro pela América do Sul, na companhia de um grande amigo. História retratada no belo filme “Diários de Motocicleta”.



Já houve tempo em que eu fui mais fã de Che Guevara. Mas a idade e o melhor conhecimento de tudo o que ele fez acabaram com aquela imagem pueril que eu tinha do revolucionário idealista que lutava pelo bem dos pobres e oprimidos. Enfim, conheci também o lado sanguinário irracionalmente racional desse incansável lutador. Hoje, entre a sua soma de defeitos e soma de qualidades, acabo pendendo para o primeiro, mas isso não impede que eu continue admirando muito do que fez e, principalmente, a força de suas convicções.

Mapa mostrando as viagens de Che Guevara pela América Latina, em museu de Alta Gracia, na Argentina

Mapa mostrando as viagens de Che Guevara pela América Latina, em museu de Alta Gracia, na Argentina


Exemplar da mesma motocicleta que Che Guevara iniciou sua mítica viagem pela América Latina, em Alta Gracia, na Argentina

Exemplar da mesma motocicleta que Che Guevara iniciou sua mítica viagem pela América Latina, em Alta Gracia, na Argentina


Como não poderia deixar de ser, principalmente em meio a essa nossa jornada pelas Américas, impossível eu não me curvar a este lado “viajante” de Chê Guevara. Eu já sabia muito sobre aquela viagem de moto que inspirou o filme, mas aqui no museu pudemos ler sobre as outras que fez. Ele começou cedo, viajando de bicicleta por seu próprio país. Viagens longas, próprias de um sonhador e aventureiro. Ver uma foto sua, quando ainda se parecia um de nós, é emocionante.

Trecho da última carta  de Che Guevara a seus filhos, em museu de Alta Gracia, na Argentina

Trecho da última carta de Che Guevara a seus filhos, em museu de Alta Gracia, na Argentina


Mais tarde, rodou a América Latina três vezes. Foi a Machu Picchu na década de 50! Tentou subir o Monte Orizaba, montanha mais alta do México, exatamente como eu fiz. Que interessante deve ter sido ver a América da década de 50, suas estradas, sua cultura, seus problemas. É uma história que eu já conhecia, por alto, mas ver as fotos e estar aqui no mesmo lugar que ele viveu, nos faz chegar muito mais perto daquela realidade.

Visita de Fidel e Chavez ao museu de Che Guevara em Alta Gracia, na Argentina

Visita de Fidel e Chavez ao museu de Che Guevara em Alta Gracia, na Argentina


A Ana e o Ernestito, o pequeno Guevara na sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina

A Ana e o Ernestito, o pequeno Guevara na sua antiga casa em Alta Gracia, na Argentina


Quem também esteve por aqui foi seu companheiro Fidel Castro, acompanhado de um ainda saudável e sorridente Chavez. Interessante ver a foto do Fidel e vários dos amigos de infância do Chê, todo mundo tentando falar e ninguém ouvido ninguém, tudo aqui na mesma varanda onde tiramos a foto da Ana e do garoto Ernesto olhando a vida passar na rua em frente.

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


Enfim, deixo aqui minhas mais sinceras homenagens a este Chê viajante e aventureiro, numa época quando viajar era muito mais romântico do que hoje, em que se pode chegar de estrada asfaltada a quase todos os cantinhos do nosso continente. Quanto ao Chê revolucionário, como já disse, admiro a convicção, mas compadeço-me das centenas de vítimas e mesmo de seus filhos, que trocaram o pai por uma bela carta, sinceros conselhos e boas intenções. Mas, como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio...

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visitando a Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


Quarto dos antigos missionários que viviam na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Quarto dos antigos missionários que viviam na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Chega de Chê, que depois de 50 anos, ainda disputa a liderança na venda de camisetas com outro ícone pop, Bob Marley, e voltemos aos jesuítas. Foram eles que colonizaram essa terra, domesticaram suas águas e a transformaram num celeiro para Córdoba e para o país. Agora sim, a igreja e o museu estavam abertos e para lá fomos eu e a Ana, ávidos por uma arquitetura colonial.

Visão da torre do relógio e do Tajamar, de dentro da Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina

Visão da torre do relógio e do Tajamar, de dentro da Estância Jesuítica em Alta Gracia, na Argentina


As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Passeamos um bom tempo pelas arcadas e jardins das construções do séc. XVII, deliciamo-nos com suas pinturas, afrescos e livros ali expostos e nos imaginamos vivendo naquele tempo e naquela realidade. Não custa muito tempo para concordar com a UNESCO na sua intenção de preservar tudo aquilo!

As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

As arcadas e colunas da Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Um dos belos afrescos na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina

Um dos belos afrescos na Estância Jesuítica de Alta Gracia, na Argentina


Por fim, era a hora de algo mais mundano mesmo: cuidarmos do estômago! Um lanche rápido seguido de espetacular “postre” (sobremesa!) e estávamos “listos” (prontos!) para seguir em frente, rumo à Villa Nueva, onde um grande amigo que ainda não conhecemos pessoalmente (viva a Internet!!!)nos espera de braços abertos!

Sobremesa irresistível em Alta Gracia, na Argentina

Sobremesa irresistível em Alta Gracia, na Argentina

Argentina, Alta Gracia, Arquitetura, história

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Festa, Família e Amigos

Brasil, Paraná, Curitiba

Com a Dani e a Lulu, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR

Com a Dani e a Lulu, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR


Sábado de noite foi dia de festa, nossa primeira razão para voltar à Curitiba. Casaram-se o Gusta e a Paula. Dois amigos de longa data da Ana que eu também já sinto conhecer há muito tempo. Foi na nossa festa de casamento, em maio passado, que eles nos avisaram dos seus "planos" e, desde então, temos essa data reservada para estar em Curitiba. Dito e feito, comparecemos a esta magnífica festa!

Abraço dos noivos e da Pietra, na festa de casamento, em Curitiba - PR

Abraço dos noivos e da Pietra, na festa de casamento, em Curitiba - PR


Com a Paula, na festa de casamento, em Curitiba - PR

Com a Paula, na festa de casamento, em Curitiba - PR


Com o Anderson e Ana Paula, instrutures de alpinismo, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR

Com o Anderson e Ana Paula, instrutures de alpinismo, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR


Aproveitamos para rever vários amigos, inclusive nossos instrutores de alpinismo. Isso porque, entre as muitas qualidades, o Gusta e a Paula adoram escalar e frequentavam a mesma academia de escaladas. Foi jóia rever o Anderson e a Ana Paula.

Luiza, a vovó e a bisa, em Curitiba - PR

Luiza, a vovó e a bisa, em Curitiba - PR


No domingo, o tradicional almoço em família, com a presença de 4 gerações femininas da família Biselli. Dona Odila, a Patrícia, a Dani e a Luiza (vó, mãe, irmã e sobrinha da Ana). Que família!

Com o Rafa< Laura e Pri em pizzaria em Curitiba - PR

Com o Rafa< Laura e Pri em pizzaria em Curitiba - PR


Para completar, pizza com amigos no jantar.

Notícia ruim é que o tempo esfriou muito por aqui, com chuva. Bem no feriado. São Pedro não erra uma... Além disso, apareceram umas "burocracias" para serem resolvidas por aqui. Resultado: vamos demorar um pouco mais para partir. Quinta, talvez.

Brasil, Paraná, Curitiba,

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

No Canyon Colca

Peru, Arequipa

O surpreendente Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru

O surpreendente Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru


A cidade e a região de Arequipa tem várias atrações. A cidade tem uma belíssima arquitetura na sua parte central, uma Plaza de Armas super charmosa, muitas igrejas, conventos e museus para se visitar. Tem uma história rica, bons restaurantes e vida noturna agitada. Além disso, é cercada por montanhas nevadas e vulcões, excelentes oportunidades para trekking. Um pouco mais longe, mas ainda na sua região, encontram-se os mais profundos canyons do mundo, o mais famoso deles o Colca Canyon

O belo vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru

O belo vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru


Da outra vez que estive aqui, numa correria danada para encaixar Peru, Bolívia e Amazônia num mísero mês de férias universitárias, tudo dentro de um budget de estudante, só passamos dois dias na cidade. Um deles para passear pelo centro e pelo famoso Convento de Santa Catalina e o outro para fazer um tour pelo Colca. Trekking, nem pensar! Mas dessa vez temos mais tempo e o El Mistí, o magnífico vulcão ao lado de Arequipa não irá nos escapar. Só que, para começar a nos ambientar com o país, resolvemos começar de leve, sem muito esforço nosso. Assim, decidimos ir ao Colca primeiro.


O Colca também é uma ótima opção para trekking. Tem para todos os gostos, secos, molhados, longos ou curtos. A maioria dos turistas segue num tour de bate volta, assim como fizemos há 21 anos. Para quem tem mais tempo, compensa muito mais dormir nas pequenas vilas da região, a 3 horas de carro de Arequipa, e de lá fazer pequenas caminhadas para explorar as belezas do canyon. A gente resolveu gastar nosso tempo extra no El Mistí, então nos sobrou fazer o bate-volta para o canyon. De qualquer maneira, estando de Fiona fica mais fácil fazer isso. Mas foi com dó no coração que não ficamos mais tempo por lá.

O ponto mais alto da estrada que leva ao Canyon Colca, a mais de 4.800 metros de altitude, é marcado por centenas de apachetas, ou totens de pedra (região de Arequipa, no Peru)

O ponto mais alto da estrada que leva ao Canyon Colca, a mais de 4.800 metros de altitude, é marcado por centenas de apachetas, ou totens de pedra (região de Arequipa, no Peru)


Na saída da cidade pudemos admirar o El Mistí pela primeira vez. Que coisa mais linda! O trekking para depois de amanhã já está marcado! Depois, a estrada vai subindo, subindo e lá vamos nós para cima dos 4 mil metros novamente. Já está virando rotina e o nosso corpo já se acostumou. Já no alto do altiplano a estrada se divide. Para um lado, o caminho para Cusco, para outro, Puno, e em frente o Colca. Ver os nomes de Cusco e Puno numa placa de trânsito é emocionante! É a prova de que, realmente, chegamos longe!

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru


Enfim, chegamos ao ponto mais alto da estrada, a mais de 4.800 metros de altitude e com uma visão privilegiada de vários vulcões da região. O ponto é marcado por centenas, senão milhares de apachetas, ou totens de pedra. Há também um pequeno mercado de roupas típicas. Pois é, pessoas vivem e trabalham a quase 5 mil metros de altura por aqui!

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru

Linda paisagem marcada por terraços para cultivo nas montanhas, no vale do rio Colca, região de Arequipa - Peru


A partir daí a estrada desce uma longa encosta, por mais de 2 mil metros. Estamos chegando ao Vale do Colca, totalmente tomado por terraços feitos pelo homem para "domar" as encostas, morros e montanhas e torná-los aptos à agricultura. É uma técnica milenar, pré-incaica de se plantar nos Andes. O efeito na paisagem é maravilhoso. Depois de tanto deserto, ver esses vales e montanhas cultivados, com dezenas de tonalidades de verde é uma visão incrível. Para mim, é a cara dos Andes!

Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru

Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru


Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru

Um condor plana sobre os abismos do Canyon Colca, região de Arequipa, no Peru


Chegamos à maior das vilas da região, Chivay. Daí uma estrada de terra vai margeando o vale, que cada vez mais se aprofunda, se transformando em um canyon. Quase 40 km estrada abaixo, o canyon já está com 1000 metros de profundidade! É o ponto conhecido como Cruz del Condor, o mais famoso dos mirantes do Canyon Colca. Aì chegando, fomos brindados pela visão de dois condores fazendo seus vôos e sobrevôos sobre o canyon. Que coisa mais linda! Sem nenhum esforço, apenas planando e usando as térmicas, eles ascendem centenas de metros em poucos minutos. Nem precisam bater suas asas, apenas as deixam esticadas. É, voar é para quem sabe!

Mirante da Cruz del Condor, no Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru

Mirante da Cruz del Condor, no Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru


O surpreendente Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru

O surpreendente Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru


Aí tiramos muitas fotos, admirando a paisagem grandiosa. Mil metros até o rio lá embaixo, que poucos quilômetros antes estava quase no nosso nível. E para cima, até a neve das montanhas que margeiam o canyon são outros 2 mil metros, totalizando assim os 3 mil metros que se diz que o canyon tem de profundidade. Pode ser uma maneira meio arbitrária de medir o canyon mas, independente disso, a visão é inesquecível. Aí, não há subjetividade, ele é objetivamente impressionante!

Piscina de águas termais em Yanque, no vale do Colca, região de Arequipa - Peru

Piscina de águas termais em Yanque, no vale do Colca, região de Arequipa - Peru


Na volta, um pouco antes de Chivay, paramos numa vila ainda menor, Yanque. Aí estão piscinas com águas termais. Bem menos conhecidas que as de Chivay, são menos concorridas e mais limpas. Um banho de água quente nos relaxa um pouco, depois de tanta estrada nos últimos dois dias. Depois, são mais três horas de volta à Arequipa. Amanhã, nada de carro, descanso para a Fiona e para nós. A programação é caminhar por Arequipa e nos prepararmos para o pesado trekking que nos espera no dia seguinte.

Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru

Canyon Colca, na região de Arequipa - Peru

Peru, Arequipa, Colca, El Mistí, vulcão

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

Uma Volta em West Maui

Hawaii, Maui-Kihei, Maui-Lahaina

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Hoje, passamos boa parte da nossa primeira manhã em Maui tentando decidir nossa programação na ilha. Sabíamos todos os lugares que queríamos ir e tínhamos de encaixá-los em três dias. Além disso, como a Laura e o Rafa só chegariam de noite e teriam um dia a menos que nós, precisávamos deixar os programas mais imperdíveis para quando eles já estivessem conosco. Para dificultar ainda mais um pouco nosso quebra-cabeça, tínhamos de considerar que, após realizar um mergulho (um dos programas que queríamos fazer), não se pode voar nas próximas 24 horas. E nem ir a grandes altitudes, o que era outro dos programas, ir no alto de um antigo vulcão assistir o nascer-do-sol.


Nosso roteiro em Maui. Hoje, demos a volta na costa oeste, saindo de Kihei (D), passando por Lahaina (B) e Kahului (C). Amanhã, já com a Laura e o Rafa, após o mergulho, vamos explorar a costa sul (E). Finalmente, no último dia, vamos subir o vulcão (F) e percorrer a costa leste, até Hana (G)

Tudo pensado e repensado, decidimos hoje explorar a parte oeste da ilha, onde está a histórica cidade de Lahaina. Amanhã bem cedo, vamos mergulhar na cratera submersa de Molokini. O Rafa e a Laura que vão ter de aguentar o tranco: após uma viagem de mais de 24 horas entre vários voos, chegarão perto das nove da noite e, na madrugada de amanhã, antes das cinco, já deverão estar de pé para o mergulho. Descanso, só de tarde! A subida ao cume do vulcão fica para a madrugada seguinte e, logo depois, teremos o resto do dia para explorar a costa leste da ilha, percorrendo a estrada considerada a mais bonita do Havaí. Tudo programado e mergulhos reservados, pudemos sair mais tranquilos para a jornada de hoje, nosso primeiro dia inteiro na ilha de Maui.

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí


Após um café da manhã em frente à praia do nosso hotel, enfrentamos um irritante congestionamento até a cidade histórica de Lahaina. Capital imperial no início do século XIX e depois, principal centro da indústria baleeira mundial, a cidade é a que atrai mais turistas na ilha, principalmente em seu belo e charmoso centro histórico. A gente, já meio irritado com o atraso causado pelo trânsito, só passamos rapidamente pela rua costeira e seguimos viagem. Nosso destino principal, hoje, eram as praias ao norte da cidade.

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Foi nessa região que se instalaram os primeiros resorts da ilha, aproveitando a beleza de seu litoral. Mais recentemente, o boom hoteleiro se moveu mais para o sul, para a região de Waimea, perto de Kihei, onde estamos hospedados. Mas são mesmo as praias próximas de Lahaina as mais bonitas de Maui, na nossa opinião.

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Entre as várias opções, acabamos escolhendo estacionar perto de Napili Bay, fazendo uma agradável caminhada pela costa até a paradisíaca praia de Oneloa Bay. Àguas azuis transparentes e areias brancas nos convenceram a ficar por ali mesmo, algumas horas entre mergulhos, fotos e simplesmente debruçados sob o sol. Uma delícia!

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí


As ondas estavam com tamanho ideal para a prática do bom e velho jacaré. Mas nada que se assemelhasse às imagens que vemos dos campeonatos de surfe aqui no Havaí. Apesar de estarmos na temporada das ondas grandes, isso depende muito do dia e, aparentemente, hoje não era um desses dias. Mesmo assim, ainda fomos dar uma olhada, já de carro, na baía de Honolua. Pelo menos em teoria, é um ótimo lugar para se admirar os surfistas enfrentando as ondas grandes. Pois é, para se ter uma ideia, hoje, ao invés de surfistas, as águas estavam cheias de praticantes de snorkel, o que dá uma boa ideia do quão calma estava a baía.

Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí

Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí


A esperança é a última que morre e continuamos nossa volta pelo oeste de Maui. Um pouco depois de Honolua, a estrada se estreita bastante e passa a seguir pelo alto da encosta. Lá embaixo, nada de praias, apenas pedras e rochedos. É justamente aí que o mar fica mais violento, local preferido dos surfistas que vem de todas as partes do mundo para surfar em Maui. Sinceramente, eu não sei como eles conseguem chegar lá embaixo. Mas o fato é que chegam e lá passam o dia inteiro surfando e tomando cuidado para não se esborrachar nas rochas e corais, isso sim que é amor ao esporte!

Mar violento na costa noroeste de Maui, no Havaí

Mar violento na costa noroeste de Maui, no Havaí


A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí

A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí


Seguimos de mirante em mirante, ora observando surfistas, ora nos maravilhando com a paisagem grandiosa e selvagem que nos cercava. Aqui não há congestionamentos e é raro cruzar com algum outro carro. Ainda bem, pois em muitos trechos da estrada, só há espaço para um carro mesmo! Estamos na área mais isolada da ilha, completamente o oposto da urbanizada Kihei. Essa sim era a Maui que eu procurava!

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí


Aproveitando o teto solar do nosso jipe em Maui, no Havaí

Aproveitando o teto solar do nosso jipe em Maui, no Havaí


Para aumentar ainda mais o clima bucólico, de tempos em tempos cruzávamos com alguma banca de comidas locais, bem “roots”. Vendiam desde caldo de cana até um delicioso bolo de banana. Aliás, desde que chegamos ao Havaí, lá na Big Island, estamos ficando viciados nesse quitute. Aqui em West Maui, paramos numa barraquinha no meio do nada que anunciava, orgulhosa, o fato de ter o melhor bolo de banana do mundo! Uma delícia, mesmo.

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí


Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí

Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí


A pequenas estrada continuou a nos levar por vales e desfiladeiros até um pouco antes de Kahului, onde virou uma rodovia novamente. Daí seguimos de volta para nosso hotel em Kihei. Poucas horas mais tarde, voltávamos à Kahului, onde está o aeroporto da ilha. Viemos pegar nossos mais fiéis companheiros de viagem, o Rafa e a Laura, que chegavam depois de uma verdadeira epopeia pelos ares, de Curitiba para cá, via São Paulo, Cidade do México e Los Angeles. Parece que foi ontem que nos despedimos, lá em Santiago de Cuba. A Ana presenteou a Laura com um “lei”, o tradicional colar de flores havaianos. Depois, seguimos diretamente para um rápido jantar e de lá para a cama. Serão apenas poucas horas de sono até acordarmos ainda no escuro, prontos para mergulhar. Assim tem sido nossa rotina no Havaí: intensa!

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí

Hawaii, Maui-Kihei, Maui-Lahaina, Maui, Praia

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Página 515 de 161
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet