1
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
Por fim, deixamos Curitiba. Não por muito tempo, já que temos compromis...
Ao primeiro raio de sol, acampados lá na torre da Embratel do km 500, eu...
Nós resolvemos passar os últimos dias dos nossos 1000dias na costa para...
RENATO (01/02)
Estamos começando nossos planos para cruzar do Ushuaia ao Alasca de moto...
Sabrina (29/01)
É preciso ter curso avançado para realizar esses mergulho do live abord...
Sabrina (29/01)
É preciso ter curso avançado para realizar esses mergulho do live abord...
Sabrina (29/01)
É preciso ter curso avançado para realizar esses mergulho do live abord...
Sabrina (29/01)
É preciso ter curso avançado para realizar esses mergulho do live abord...
A famosa cachoeira do Véu da Noiva, cartão postal mais conhecido da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
O dia começou cedo novamente. Ontem, foi o dia das cavernas e hoje, o das cachoeiras. Outra vez, estávamos com o Sergio, nosso guia paulistano, mas cidadão da Chapada de coração, já há mais de duas décadas. A trilha das cachoeiras fica dentro da área do parque e para percorrê-la, é obrigatória a companhia de um guia. Como o Gabriel e a Luisa, o casal que nos acompanhou ontem, já tinha feito essa trilha, fomos apenas com o Sergio para a trilha.
Entrando no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Mas a primeira parada do dia não foi essa trilha que percorre sete quedas d’água, e sim o principal cartão postal da região, a cachoeira do Véu da Noiva. Aí sim, é possível ir sem guia, mas o Sergio foi conosco, já que passaria todo o dia com a gente. Fomos as primeiras pessoas do dia a entrar lá hoje, praticamente acordando o guarda na portaria.
Chegando na cachoeira do Véu da Noiva, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
A famosa cachoeira do Véu da Noiva, cartão postal mais conhecido da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
O Véu da Noiva já vem atraindo visitantes desde o início do século passado. Foi sua imagem que popularizou a Chapada dos Guimarães em todo o país, atraindo gente de longe, como o próprio Sergio, que viu sua foto num calendário e decidiu que queria conhecer aquele lugar. Os visitantes vinham para o mirante da cachoeira e também desciam até o lago lá embaixo, para um mergulho.
O vale da cachoeira do Véu da Noiva, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Trilha das cachoeiras, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
A atração ficou tão popular que até batizados evangélicos eram realizados lá embaixo. Infelizmente, a beleza e significado do lugar começou a atrair um outro “público” também. Não foram poucas as pessoas que escolheram o Véu da Noiva para um último mergulho, diretamente dessa para outra vida. Mas não foi um caso de suicídio que levou a atração a ser interditada por mais de um ano. Foi mesmo uma cerimônia de batismo. Uma grande rocha se soltou do topo da cachoeira e, ao se despedaçar lá embaixo, uma lasca atingiu uma pessoa com a força de uma bala. A cachoeira ficou fechada por um bom tempo e só foi reaberta recentemente. Mas agora, apenas o acesso ao mirante é permitido. Nada mais de mergulhos ou batismos lá embaixo.
Uma Sempre-Viva, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Flora exuberante na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Para nós, foi mais do que o suficiente. A imagem lá de cima é mesmo belíssima e pudemos tirar nossas fotos tranquilamente, sem ter de disputar os melhores ângulos com outros turistas. A cachoeira não tem culpa das histórias que se passaram por lá e continua linda como sempre. Em seguida, aí sim, seguimos para outra entrada do parque, onde está a tal trilha das cachoeiras.
A magnífica cachoeira das Andorinhas, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Um banho gelado na cachoeira das Andorinhas, uma das mais bonitas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
São várias delas, todas no mesmo rio. Seguimos diretamente para as duas que estão mais abaixo no curso da água, a Andorinhas e a Independência, para depois, com tranquilidade, percorrermos a trilha rio acima, passando por todas as outras, como a Prainha, o Degrau ou a Cachoeira Do Pulo.
Um banho gelado na cachoeira das Andorinhas, uma das mais bonitas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Um banho gelado na cachoeira das Andorinhas, uma das mais bonitas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Estamos em plena onda de frio aqui na Chapada. As pessoas podem não acreditar, mas pode fazer muito frio aqui na Chapada dos Guimarães, em pleno Mato Grosso. Ao mesmo tempo em que cidades paranaenses e catarinenses enfrentavam temperaturas negativas, nossas noites por aqui beiravam os 5 graus, principalmente com o efeito do vento. A consequência disso foi que a água do rio estava bem fria também, mas o dia lindo foi um estímulo para o mergulho, mesmo em águas geladas.
Um banho gelado na cachoeira das Andorinhas, uma das mais bonitas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Cachoeira do Degrau, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Tomamos um banho logo na primeira parada, na cachoeira das Andorinhas, a maior delas. Depois, uma a uma, fomos conhecendo, fotografando e, onde houvesse coragem e disposição, mais um mergulho.
Cachoeira do Pulo, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Uma das mais belas cachoeiras na trilha das cachoeiras, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Por fim, já lá no alto, deixamos as cachoeiras para trás e fomos conhecer a Casa de Pedra, uma espécie de caverna aberta, um refúgio perfeito para antigos animais e índios que passaram por aqui há milhares de anos. Um convite a descansar e contemplar, observar, refletir ou simplesmente, tirar uma pestana ao embalo dos barulhos da natureza ali do lado.
Chegando à Casa de Pedra, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Descanso na bela formação conhecida como Casa de Pedra, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Da Casa de Pedra de volta para a Fiona e ao reencontro do Gabriel e da Luisa. Eles nos acompanhariam na nosso último passeio na Chapada dos Guimarães, as paisagens grandiosas da Cidade de Pedra, uma despedida em alto estilo desse lugar mágico no coração do Brasil.
Romantismo na bela formação conhecida como Casa de Pedra, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Explorando naufrágio da época da erupção de 1902, em St. Pierre, no norte de Martinica
Depois da visita ao museu de St. Pierre, ontem, nosso próximo era mergulhar na baía em frente a cidade. A visibilidade nem é das melhores e também não há paredes ou bancos de corais. Na verdade, o atrativo está nos barcos que afundaram com a força da erupção vulcânica de 1902. Os barcos também não resistiram ao calor avassalador que destruiu a cidade, nem ao forte deslocamento de ar e de água que se seguiram ao fluxo piroclástico.
Nadando até o barco para sair para mergulhar nos naufrágios em St. Pierre, no norte de Martinica
Ontem de tarde, todos os “clubs de plongée” estavam fechados, mas hoje cedinho fui a um ao lado do nosso hotel numa praia ao sul da cidade e consegui falar com a dona. O barco já estava quase saindo, levando um simpático casal de franceses que se mudaram para a ilha. Iriam mergulhar numa parede de corais próxima. Mas acabaram mudando seus planos por causa do nosso interesse em ver os naufrágios. Foram muito legais!
Vista da cidade de St. Pierre, no norte de Martinica, após mergulho em naufrágio
E assim, logo de manhã, já estávamos eu e a Ana mergulhando bem em frente à St. Pierre, o Mount Pelée ao fundo, imponente e muito lindo, quase sem nuvens hoje. Foi a primeira vez que pudemos observá-lo da cidade, já que ontem o tempo estava nublado pela tarde.
Explorando naufrágio da época da erupção de 1902, em St. Pierre, no norte de Martinica
Explorando naufrágio da época da erupção de 1902, em St. Pierre, no norte de Martinica
Foi um mergulho interessante em que vistamos não apenas um, mas dois naufrágios. Um da época da erupção e o outro do fim da 2ª Guerra Mundial, um porta-minas que explodiu acidentalmente.
Uma enorme lesma em mergulho em St. Pierre, no norte de Martinica
Muitos cardumes nos naufrágios em St. Pierre, no norte de Martinica
Os dois barcos já estão bastante desmontados, não havendo pontos de penetração. Hoje, funcionam como recifes artificiais, atraindo peixes e outros animais, servindo de base para corais. AO redor, apenas um grande “deserto” de areia e cinzas. Os naufrágios são como oásis de vida no meio da planície sem formas.
Pequena lagosta mora em boia marcadora de naufrágio, em St. Pierre, no norte de Martinica
Foi um mergulho longo e sempre abaixo dos 20 metros, boa parte do tempo nadando em volta desse barco que fazia a linha entre St. Pierre e Fort-de-France. Certamente, levou muitos passageiros que fugiam do vulcão nos dias que antecederam a tragédia. Hoje descansa em silêncio, uma das testemunhas da força daquela montanha magnífica que podemos amirar quando estamos acima da superfície.
Nosso guia demonstra suas habilidades com bolhas no nosso tempo de descompressão, após mergulho em naufrágio em St. Pierre, no norte de Martinica
Ao final, nos longos minutos de espera para fazer a descompressão, a diversão era brincar com uma pequena lagosta que fez da boia de sinalização do naufrágio a sua casa (como ela chegou ali?) ou então, vendo nosso simpático capitão Lionel demonstrar suas habilidades em fazer aqueles aros de ar com sua expiração. Ele era craque!`
Voltando ao barco após mergulho em St. Pierre, no norte de Martinica. Ao fundo, o Mount Pelée
A vista mais bonita do passeio foi mesmo de fora d’água. Podermos admirar a cidade dali e o impassível vulcão ao fundo, inspirando apenas calma e serenidade, de certa forma nos ajudou a aliviar os sentimentos de ontem, quando só conseguíamos pensar naqueles trágicos dias de maio de 1902. O vulcão já estava ali muito antes dos homens chegarem. Muito provavelmente, vai estar também quando partirmos. Como bem sabiam os Caribs, as devastadoras erupções ocorriam de tempos em tempos. E assim continuarão. o ciclo da natureza. Cabe a nós sair do seu caminho
No barco de mergulho em St. Pierre, no norte de Martinica, com o Mount Pelée ao fundo
Apontando o fim do Chile e da América, região de Punta Arenas
Qual é o ponto mais ao sul da América do Sul? Até onde se pode chegar de carro? As respostas para essas perguntas dependem de uma definição fundamental: ilhas valem? Por exemplo, todos sabemos que o ponto mais oriental do Brasil (e das Américas!) é a Ponta Seixas, na Paraíba. Nós até passamos lá nessa viagem e celebramos a marca. Mas, e Fernando de Noronha? Está muito mais a leste que Ponta Seixas, não está? E não faz parte do Brasil e da América do Sul? E, nesse caso, se ilhas “valerem”, então o ponto mais a leste das Américas é a costa oriental da Groelândia!
O mar e o céu do extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
A caminho do extremo sul da América do Sul, na região de Punta Arenas, sul do Chile
Alguém poderá argumentar: “mas elas não fazem parte da plataforma continental!”. Sei... Ilhas são ilhas. Podem fazer parte do continente em um sentido mais amplo, mas as verdadeiras terras continentais terminam onde o mar começa. Um continente nada mais é do que uma ilha bem grande. Se alguém quiser dar uma volta nessa ilha chamada América, vai passar com seu barco pelo Estreito de Magalhães. Ao norte, a América, ao sul, a Terra do Fogo, a maior ilha “ao largo” da América do Sul.
Praia na região de Fuerte Bulnes, ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile e da América
Barcos pesqueiros em baía próxima ao Fuerte Bulnes, ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile e da América
Tudo isso para dizer que hoje nós tentamos chegar o mais perto possível do fim da América do Sul. O extremo sul do continente, da mesma maneira que chegamos à Ponta Seixas (extremo leste) e à Punta Gallinas (extremo norte, na Colômbia), ou quando nos aproximamos de Prudhoe Bay, no Alaska. Depois, porque nós não temos nada contra as ilhas, também vamos à Terra do Fogo e à famosa Ushuaia, ainda mais ao sul do que onde estivemos hoje. Mas aí, já não serão “terras continentais puras”, pelo menos até a próxima era glacial!
Entrada do Fuerte Bulnes, ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile e da América. Nós não entramos, pois achamos muito caro
Ainda ontem, viajamos de Puerto Natales para Punta Arenas, a maior metrópole dessa parte do mundo. Vou falar da cidade e da belíssima tarde que passamos por lá no próximo post. Esse é mesmo sobre a nossa busca do extremo sul da América, algo que já atiçava nossa curiosidade há algum tempo. Quando ontem descobrimos que o asfalto continuava ao sul de Punta Arenas, já decidimos: “É para lá que vamos amanhã!”. Pois é, hoje cedinho já era “amanhã” e nós partimos em busca do fim da estrada. O mapa indicava o local até onde seguia esse asfalto: Fuerte Bulnes. Já tínhamos um primeiro destino no dia.
Visita ao local do antigo povoado de Rey Felipe, 60 kms ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile
Monumento em honra aos antigos colonizadores de Puerto Hambre, 60 kms ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile
São quase 60 kms até lá, de estrada boa e praticamente deserta. Chegamos a uma baía com o tétrico nome de Puerto Hambre (ou “porto da fome”). Está a dois quilômetros ao norte de Fuerte Bulnes e toda a região respira história. Em Puerto Hambre há ruínas de um pequeno povoamento com 430 anos de idade, a trágica Rey Don Felipe. A história é mais ou menos o seguinte: em 1520, Fernão de Magalhães foi o primeiro europeu a navegar por essas águas e descobrir o estreito que leva o seu nome e une o Oceano Atlântico ao Pacífico. Essa importante rota de navegação virou segredo de estado para os espanhóis que então começavam a explorar a costa ocidental do continente americano. Foi apenas pouco mais de meio século mais tarde, em 1578, que um navegador de outro país, o inglês Francis Drake, conseguiu repetir a rota, abrindo esse novo oceano para aventureiros de outras nacionalidades. Corsário, pirata ou herói, dependendo do ponto de vista, mas sem nenhuma dúvida um dos melhores navegantes de todos os tempos, Drake aproveitou a oportunidade para pilhar e destruir vários portos espanhóis, então completamente desprotegidos, na costa do Pacífico. Esse evento fez acender a luz amarela em Madrid.
O cemitério inglês em Puerto Hambre, 60 kms ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile
Placa informativa sobre o capitão ingês Pringle Stokes que se suicidou em Puerto Hambre, 60 kms ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile, em 1828
Os espanhóis decidiram ocupar alguma enseada ao longo do Estreito de Magalhães e assim, proteger militarmente essa passagem tão estratégica. E foi assim que, em 1584, foram deixados ali 300 colonizadores para fundar o povoamento de Rey Don Felipe. Mas as condições climáticas terríveis e o pouco conhecimento desses europeus mediterrâneos sobre a vegetação e solo locais resultaram em tragédia. A fome e o frio mataram todos eles. Três anos mais tarde, quando o próximo navegador passou por ali, o inglês Thomas Cavendish, ele só encontrou ruínas e cadáveres esqueléticos. Prontamente, o “promissor” povoado foi rebatizado para “Port Famine” que traduzido ao espanhol, virou Puerto Hambre. Ruínas e túmulos desse malfadado empreendimento ainda estão ali para serem observados, mais de quatro séculos mais tarde.
Estrada rústica na praia 70 km ao sul de Punta Arenas, no extremo sul do Chile e da América
Um riacho e uma cascata no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Diante desse insucesso, os homens resolveram deixar esse trecho do continente apenas para os olhos curiosos dos eventuais navegadores que ali passavam pelos próximos dois séculos e meio. Foi só no início do séc. XIX que a marinha da Inglaterra passou a usar a área para seus navios. Aí foi a base de exploração do navio Beagle (aquele em que viajava o jovem Charles Darwin) durante muito tempo. Mas aparentemente os fantasmas de Port Famine continuavam em atividade. O capitão do navio, Pringle Stokes, entrou em depressão severa e se matou com um tiro na cabeça. Ele está enterrado em um pequeno cemitério inglês da região. Foi sua morte que abriu o espaço no comando do Beagle para outro inglês, Fitz Roy, aquele que foi homenageado por Perito Moreno ao batizar com seu nome a montanha mais bela do mundo, no Parque Nacional Los Glaciares.
Aproximando-se do extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
O último farol e o extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Alguns anos mais tarde, em 1843, foi a vez do Chile, agora uma nação soberana, resolver ocupar militarmente a área para reforçar suas pretensões territoriais sobre o extremo sul do continente. Foi quando construíram o Fuerte Bulnes, um pouco ao sul de Puerto Hambre. Mas mesmo em pleno séc. XIX, as condições naturais se mostraram demasiadamente severas para os novos colonizadores. Em 1848, o governo chileno fundou Punta Arenas, 60 kms ao norte e em um local muito mais aprazível. Fuerte Bulnes foi abandonado. Um século mais tarde, agora como curiosidade histórica, o forte foi reconstruído e transformado em atração turística. Infelizmente, cara demais para nós. Quando descobrimos o preço de 25 dólares por pessoa para poder ver alguns casebres de madeira e canhões enferrujados, decidimos não entrar. A visita à praia e às ruínas de Rey Felipe já havia saciado nossa curiosidade histórica. Agora, voltávamos novamente o foco à curiosidade geográfica mesmo. Até onde seguiria a estrada?
Um "morador" do extremo sul do Chile e da América, ao sul de Punta Arenas
Patos voam para o norte vindos da ponta sul do Chile e do continente, região de Punta Arenas
Encontrando uma pata de crustáceo gigante durante caminhada no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Logo depois do Fuerte Bulnes, o asfalto acaba. O asfalto, mas não a estrada, que segue adiante, agora de rípio. Desde a saída para o Bulnes, são mais quinze quilômetros, agora até o fim do rípio. Fim da estrada? Não, apenas do rípio. Dessa vez, a rota continua sobre a praia de pedras mesmo. É possível ver a marca dos pneus e a gente segue em frente!
Fim de estrada para a Fiona no caminho para o extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Fim de estrada para a Fiona no caminho para o extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Felizes e destemidos, seguimos adiante. Com o devido cuidado, passamos por alguns riachos pequenos que chegam até a praia. Tudo está ficando mais estreito, a praia, o caminho. Não à toa, afinal, este é o estreito de Magalhães.
A caminho do extremo sul da América do Sul, na região de Punta Arenas, sul do Chile
1000dias no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Bem lentamente, acho que avançamos mais uns quatro quilômetros. Agora sim, é o fim do caminho para a Fiona. Muitas pedras grandes e rochedos na praia. Nossa companheira não pode seguir mais, mas nós sim. Deixamos ela estacionada ali, tão perto do fim do mundo, e seguimos caminhando.
Litoral no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Com o fim da estrada, seguimos caminhando pela praia rumo no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Com o fim da estrada, seguimos caminhando pela praia rumo no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Apenas um solitário cavalo e alguns patos que passam voando são testemunhas do nosso esforço naquela praia tão isolada. A água é transparente e calma. Tem ares de lago. Mas é o mar, o finzinho do Atlântico. Uns poucos quilômetros a mais e já seria o Pacífico. Nunca, nesses mais de três anos de viagem, estivemos tão próximos do encontro desses oceanos gigantes. Que interessante seria poder voltar no tempo quase meio milênio e observar dali, tão de perto, a passagem de Fernão de Magalhães.
As águas claras e geladas do mar no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Extremo sul do Chile e da América, farol de San Isidro ao fundo, região de Punta Arenas
Mas não foi ele ou seu barco que apareceram na próxima curva. Foi o Farol de San Isidro, o último do continente. A partir daí, a costa faz uma curva em direção a oeste. Quase já não avança mais ao sul. Mas aquele ponto mágico, o mais ao sul, está mesmo naquela direção. É chamado de Cabo Froward e há uma cruz de madeira para marcá-lo. Para chegar até lá, seriam dois dias de caminhada por território completamente isolado. São pouquíssimas as pessoas que fazem essa trilha, mas parece ser um caminho lindo. O mais comum é que pessoas cheguem lá de barco, em excursões organizadas em Punta Arenas.
Extremo sul do Chile e da América, farol de San Isidro ao fundo, região de Punta Arenas
San isidro, o último farol do continente, região de Punta Arenas, sul do Chile
Mas para nós, San Isidro é o suficiente. Nossa curiosidade geográfica está satisfeita. Do outro lado do canal, vemos bastante terra. É a Terra do Fogo. Daqui, claramente se percebe que ela avança muito mais para o sul. É para lá que seguiremos amanhã. Para quem acompanha nossa viagem, sabe que já passamos por Ushuaia. Mas estávamos sem a Fiona, então temos de voltar lá. Esse “temos” é com muito prazer, claro!
A maior latitude sul da Fiona no continente americano, região de Punta Arenas, sul do Chile
Quase na pontinha sul da América do Sul, região de Punta Arenas, sul do Chile
A Fiona chega ao sul da América do Sul, região de Punta Arenas, sul do Chile
Lanchamos ali, olhando para a geografia e história diante dos nossos olhos. Depois, hora de voltar para a Fiona. Seu GPS nos traduziu ainda melhor aonde tínhamos chegado. Não só o número da latitude sul, 53 graus e 44,873 minutos, mas também a representação geográfica disso, uma visão do satélite lá de cima. Foi um momento de emoção, pois não muito tempo atrás, vimos um mapa parecido, mas oposto. Estávamos no norte do norte do Alaska, a Rússia ali do lado. Do extremo norte ao extremo sul do continente, por terra, em quatro rodas. É... essa ilha chamada América não é tão grande assim. Pelo menos, não tão grande quanto nossos sonhos.
Quase no extremo sul do Chile e da América, região de Punta Arenas
Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala
Ontem pela manhã, ainda na cidade de Livingston, o Chris veio nos encontrar com seu barco para nos levar à “Round House”, sua pousada na beira do rio Dulce, longe de tudo e de todos. Nós havíamos ligado para lá na noite anterior, combinando com ele a carona e a estadia por lá. Essa foi uma valiosa dica do nosso amigo velejador Gaston, que sempre passa por lá no seu caminho para Rio Dulce, quando está fugindo dos furacões ou simplesmente indo passar umas férias na Europa. O Gaston havia dito para passarmos uns dias na cidade de Livingston mesmo, mas que não poderíamos deixar de passar uns dias na Round House também, escondida pela densa mata, longe de qualquer cidade ou estrada e bem em frente ao rio. Não resistimos á tentação e nem ao conselho!
A caminho da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala
O pier da Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
O Chris é um inglês que já se mudou para a Guatemala há uns dez anos, sempre aqui na área do rio Dulce. Nas suas idas e vindas pelo rio, uma casa arredondada (e caindo aos pedaços) lhe chamava a atenção. Estava muito bem localizada, mas os donos quase nunca apareciam. Há uns dois anos, junto com um sócio americano, teve a chance de comprar a tal casa e, depois de uma boa reforma, a região ganhou uma nova e excelente opção de hospedagem: a Round House. Junto com sua bela e simpática namorada holandesa, a Dani, eles administram a pousada e a estão ampliando aos poucos, transformando-a num verdadeiro oásis a meio caminho entre Livingston e os lagos que alimentam o rio Dulce.
Olha o trânsito na frente da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala
Maravilhoso entardecer sobre o rio Dulce, em frente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
Nós chegamos em plena Semana Santa, o feriado mais movimentado da América Central. É uma semana de férias e o turismo interno movimenta e lota todos os hotéis, principalmente aqueles na região do litoral. Já antecipamos grandes dificildades para nós, que nunca reservamos nada, para os próximos dias. Mas não aqui na Round House. O Chris e a Dani não gostam do tipo de movimento que essa semana trás e evitam reservas. Preferem descansar e estar prontos para as semanas seguintes, de movimento normal. Mas abriram uma exceção para nós. Para nós e para a Serena, uma simpática italiana que trabalha em um hostal em Livingston, mas resolveu tirar um fim de semana sabático. Ela também aguardava pelo Chris ontem de manhã e fomos todos juntos à Round House, onde a Dani nos esperava.
Hora do lanche na Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala
Nadando no rio Dulce, emfrente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
A pousada é realmente uma delícia! Descemos pelo píer e uma passarela e escada de madeira nos levam a um edifício redondo, todo de madeira também, já no meio das árvores. No andar de baixo, uma grande e confortável sala de estar com um charmoso bar no meio. Não há paredes, apenas folhagens de árvores que protegem as laterais. No andar de cima, outra área de estar que dá acesso aos quartos que a circundam. Um charme só! As refeições (café, lanche e jantar) são preparadas e servidas ali mesmo, no andar de baixo, sempre comida muito saudável.
A deliciosa "living room" da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Com a Dani, uma das donas da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Nossa rotina era de muito bate-papo na salona de estar, deitado em alguma rede ou sentado em algum sofá, intercalado com mergulhos no rio ali na frente, ora enfrentando a corrente rio abaixo, ora enfrentando a corrente rio acima, por causa da maré que entrava. A única coisa chata era que, nesses dias de Semana Santa, o tráfego de barcos aumenta bastante. Assim, além de me desviar dos patos e garças que nadam e voam por ali às dezenas, também tinha de me preocupar com os barcos. Enfim, nada que não pudesse ser administrado. A opção era fica ali perto do píer mesmo, caso da Ana, ou nadar até o meio do rio e não dar bola para os barcos, o que era o meu caso.
Reencontrando o Antoine, no pier fo Hotelito Perdido, em um tributário do Rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
A Serena, nossa companheira de caiaque em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
Nossa primeira ideia era passar apenas uma noite por ali, mas foi paixão a primeira vista e vimos que seria difícil ir embora. Depois da delicosa primeira refeição e das conversas já regadas à cerveja, já não tivemos mais dúvidas: ficaríamos outo dia” Uma paraíso desse merecia, certamente!
Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala
Durante passeio de caiaque, encontro com garça em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
E assim foi, 48 horas de muita saúde e diversão. O dia começava com um bom mergulho, antes que os barcos começassem a passar, seguia com o café da manhã, pausa para leitura, muita conversa, cerveja gelada, mais mergulhos, agora com barcos, lanche delicioso, a sagrada hora da siesta, mais mergulho com barcos, cerveja, pôr-do-sol, conversa mole, jantar deliciso, cerveja com um toque de tequila e, com a lua quase cheia, mais mergulho no rio, sem barcos, barulho da selva ao longe (selva, de noite, é bem barulhenta!) e pensamento nos tubarões-touro, conhecidos por subirem até aqui, apesar de não haver registro de ataques. Eu não queria ser o primeiro, mas também não deixaria um medo infantil me privar de um mágico mergulho noturno num rio iluminado pela lua. Mas, pelo sim, pelo não, e pelo tal medo infantil, não me enrolava muito na água, não, hehehe.
Cabana em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
A única quebra na rotina foi um grande passeio de caiaque que fizemos hoje. Eu e a Ana em um caiaque duplo e a Serena nos acompanhando, em um caiaque simples. Subinos o rio Dulce cerca de um quilômetro e entramos em um afluente, aí já bem longe do movimento chato de barcos. Mais alguns minutos e chegamos a outro hotel famoso por aqui, o Hotelito Perdido, onde reencontramos um amigo feiro em Livingston, o francês Antoine, um ótimo papo. Foi só o tempo de recuperarmos o fôlego e retomamos o caminho, um longo percuso ainda à frente. Nossa ideia era chegar até o fim desse afluente, mais uns seis quilômetros de remadas. Sempre atravessando um bucólico e tranquilo cenário, águas calmas e garças voando ou nos observando.
A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Refrescando-se em uma bela cachoeira, depois de muito caiaque e uma trilha para lá chegar (perto de Livingston, na Guatemala)
No fim do rio, bem mais longe do que havíamos antecipado, a Serena já teve de voltar. Ela tinha de pegar um barco de volta à Livingston, onde trabalho a esperava. Já eu e a Ana, amarramos nosso caiaque por lá e, carregando os remos, fizemos uma trilha de cerca de um quilômetro até uma belíssima cachoeira que nos havia sido indicada pelo Chris.
Felizes da vida, depois de chegar na cachoeira em afluente do rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala
Incrível como as expectativas influem no nosso conceito final de algum lugar. Essa cachoeira, por exemplo: tanto o Chris como o Antoine disseram que ela era mais ou menos, que o caminho para se chegar lá, remando pelo rio, era mais interessante. Então não esperávamos muito. Eis que ali chegamos e adoramos! Água verdinha e refrescante, vinda diretamente das montanhas. Uma ótima piscina para nadar! Para quem não esperava muita coisa, não poderia ter sido melhor a surpresa. Por mais de meia hora, nós nos refestelamos no poço e na cachoeira, fazendo valer todo o esforço de ter chegado até lá.
Noite regada à tequila, com o Chris, um dos donos da nossa pousada no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Olha só o tamanhozinho da garrafa de tequila, no bar da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Na foto de satélite abaixo, aparece marcado o local da Round House, o afluente do rio Dulce que percorremos por inteiro, o local onde deixamos nossos caiaques e a cachoeira deliciosa. No zoom máximo, é até possível ver nosso hotel e a própria cachoeira. Afastando um pouco a imagem, aparecerá Livingston e é fácil perceber aonde está localizada a Round House, logo após o canyon cheio de curvas no final do rio Dulce.
Ver rio Dulce num mapa maior
Foi com dor no coração que deixamos a Casa Redonda. Facilmente passaríamos outros dias por lá, em companhia tão agradável e ambiente tão gostoso. O Chris, além de ter feito (e estar fazendo!) um ótimo trabalho na Round House, como engenheiro, arquiteto, marceneiro e faz tudo, tudo o mais ecologicamente responsável possível, também é um cervejeiro de mão cheia. Ele tem uma micro-cervejaria ali mesmo e nossas longas conversas sobre a vida no país, a violência, o desenvolvimento da região, o turismo e até mesmo sobre a vida animal das redondezas (assunto em que a Dani é expert!) era sempre acompanhada de cerveja da melhor qualidade. Quem é que quer deixar um lugar desses, com comida, bebida, rio e cachoeiras para nadar, muita sombra e brisa correndo por uma sala aberta e cheia de sofás e almofadas?
Com o Chris e seu sócio, donos da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Hora da partida da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
É... mas tínhamos de seguir em frente. Em Rio Dulce nos esperava a Fiona e, do outro lado da fronteira, era chegada a vez de conhecermos Honduras, o único país que ainda não estivemos aqui na América Central. Afinal, cruzamos o país em apenas poucas horas, na subida para o Alaska. Não dá para dizer que já conhecemos. Mas agora sim, vamos ver o país com a devida calma. Honduras, aí vamos nós!
A caminho de Rio Dulce, depois de quatro dias em Livingston, na Guatemala
Abatido, depois de uma noite com febre de mais de 40 graus (esperando o avião de Saba para St. Maarten)
Pois é, foi como o dito popular:"De onde menos se espera, é que não sai nada mesmo!". Nada de milagre para que eu pudesse mergulhar. Ao contrário, minha temperatura de manhã era de 39,3. A única vantagem é que acabaram-se todas as dúvidas: nada de mergulho para mim.
A Ana seguiu para o mergulho enquanto eu segui na cama. Mais um paracetamol para ver se a febre baixava. Ao menos, além da alta temperatura e consequente sensação de cansaço, não sentia mais nada. A temperatura baixou um pouco e eu pude ir tomar um café gostoso e desfrutar da vista maravilhosa. Engraçado que, mesmo esta vista, quando estamos tão debilitados, deixa de ser inspiradora. Pelo menos, não é tanto quanto a nossa cama, onde podemos nos deitar.
Quando a Ana voltou, já era duas da tarde. Fora a hora e pouco que tinha passado na varanda do El Momo, todo o resto tinha estado deitado. A Ana conseguiu negociar e fazer um terceiro mergulho, já que eu não tinha ido e tínhamos pago o pacote. Pelo menos isso. Ela também disse que os mergulhos não tinham sido tão bons como os anteriores. Será que foi para me animar?
Nova medição de temperatura e novo recorde. Agora, 40,4. Pois é, não me lembro de ter passado dos quarenta anteriormente. Tomei mais um anti-térmico, agora fornecido pelo motorista de táxi amigo nosso que nos leva para o porto todos os dias, compadecido pela minha ausência, e resolvemos que era hora de procurar um médico. Domingão, tudo fechado. A Ana até tinha ficado de comprar frutas e remédios na volta, mas não viu nada aberto. Ela foi falar com o Andres, dono do El Momo, que já acompanhava nossa história. Juntos, localizaram uma enfermeira de plantão no hospital que ficou de chamar o médico. O Andres emprestou o carro e seu assistente foi nos levar até The Bottom, capital da ilha, onde está o hospital.
Despedida do Andres e do El Momo, em Windwardside - Saba
Lá chegando, o médico rapidamente nos atendeu. Nova medida de temperatura, dessa vez no ouvido, após o anti-térmico, e deu 39,5. Rapidamente, ele descobriu a causa: inflamação nos dois ouvidos e na garganta. Pela cor das mucosas, "red as red can be!", ele ficou impressionado de eu não estar sentindo nada. Antibiótico imediatamente, três vezes ao dia.
No caminho de volta, ainda conseguimos achar um lugar para comer um pouco, apesar de eu já não sentir fome, só vontade de deitar. Chegar no hotel e na cama foi um grande alívio. Psicologicamente, estava melhor, pois agora parecia que tomava a medicação correta. Mas o fato é que eu me sentia completamente esgotado. Já tinha perdido o mergulho e agora, a bola da vez era a caminhada até o topo do Mt. Scenery, programada para o dia seguinte, pela manhã, já que de tarde voaríamos para St. Maarten e de lá para Sint Eustatius.
Pois bem, nova medição às sete da noite e estava novamente acima dos 40. Quanto tempo demora para antibiótico fazer efeito? Dormi e, perto das dez, acordei com muito frio, tremendo descontroladamente. A Ana me vestiu um casaco e, mesmo com dois edredons, continuava tremendo. Era a temperatura que aumentava... Sempre ouço dizer que, acima dos 40, tudo fica perigoso. A única coisa que me acalmava é que, aparentemente, continuava plenamente consciente. Tinha até um lado meu, afeito a recordes, que pensava: "Vamos lá! É só uma vez! Vamos bater o recorde de temperatura!". Dito e feito. Vinte minutos de tremação e tudo se acalmou novamente. Nova medida de temperatura: 41,6. E olha que eu desconfio que este nosso termômetro diminui a temperatura, pois quando estamos "normais", ele marca de 35,8 até 36,2. Enfim, muito preocupante mesmo! Ali, naquela hora, só pude tomar mais um paracetamol e um banho de chuveiro. Aliás, que esforço para chegar lá. O banheiro era fora do quarto. Ahhnn... tomei também a segunda dose do antibiótico.
A noite foi dormida em pedaços. Uns cento e cinquenta pedaços. Mas foi. E, aparentemente, o pico de febre de ontem foi o canto do cisne. Hoje, acordei com 37 e meio. E assim ficou o dia inteiro, um pouco para cima, um pouco para baixo. O que não melhorou foi a sensação de cansaço. A subida do Mt. Sceney, obviamente, foi para o espaço. A minha caminha era infinitamente mais atrativa. De qualquer maneira, ele esteve encoberto o dia inteiro, como que para diminuir nosso remorso.
Sala de espera para embarque no aeroporto de Saba - Caribe
Agora, o que estava em jogo era nosso vôo. Com a febre já bem baixa, achamos que dava. A Ana, junto com o Andres, já fechou uma reserva num hotel em Oranjestad, capital de Sint Eustatius. Arrumou nossas várias mochilas enquanto eu, da cama, dava apoio moral. Voltou ao hospital de carona para pagar a consulta e comprar a medicação, já que ontem estava tudo fechado mesmo. Providenciou o táxi para nos levar ao aeroporto. Aí, ela já não podia mais fazer as coisas por mim. Fiz o esforço para descer até o táxi, enfrentar o caminho para o aeroporto, aguardar na deliciosa sala de espera (ao ar livre, muito legal mesmo!), voar para St. Maarten, aguardar uma hora e meia no aeroporto de lá, e voar para Sint Eustatius.
Nesse meio tempo, sem esquecer dos antibióticos, a febre sumiu e o cansaço melhorou um pouco. Tanto que, do aeroporto, fui corajoso o suficiente para, com os protestos da Ana, dispensar o táxi e caminhar os cerca de 400 metros até nosso hotel. Aqui, o valoroso prêmio alvejado já há quase 4 horas: uma cama limpinha nos esperando!
E assim foram esses meus dois últimos dias. Nem só de flôres vive um viajante. Mas, como já diziam os gauleses: depois da tempestade, virá a bonança. Amém!
Chegada à ilha de Sint Eustatius, mais conhecida como Statia (Caribe).
(Post escrito dia 25/09)
Oi gente
Estamos saindo neste momento para Galápagos onde passaremos 8 dias incomunicáveis, sem internet
Os posts serão TODOS atualizados na volta, contando nossas aventuras e desventuras por lá.
Faltam também os posts dos dias 19 até ontem, com muita história para contar
Estivemos na mais bela cidade equatoriana, Cuenca e no magnífico Parque Nacional Caja, próximo à cidade
Depois, consegui terminar a duríssima subida da montanha e ex-vulcão Chimborazo. Assim, enquanto ontem estava aos 6.300 metros de altitude, hoje, se tudo der certo, estarei trinta metros abaixo do nível do mar, em Galápagos. São esses "contrastes" que fazem essa viagem tão incrível!
Abs a todos e não percam o Globo Reporter da próxima sexta, dia 30. Tem uma boa chance de aparecermos por lá!
A incrível paisagem do mirante de Semuc Champey, na Guatemala
Partimos para o trecho final da nossa viagem logo cedo, felizes ao sermos informados de que boa parte da estrada à frente havia sido asfaltada. Ontem tínhamos evitado esse trecho final para não viajarmos de noite em uma estrada tão erma. O que nos desanimava um pouco era o frio, temperatura de 13 graus. A região de Cobán é bem alta e esfria bastante de noite.
Subindo as escadas pela floresta para chegar ao mirante de Semuc Champey, na Guatemala
Mas quando terminamos o trecho de asfalto e pegamos o desvio à direita na estrada de terra, começamos a “mergulhar” no vale, serpenteando encosta abaixo e descendo quase mil metros de altitude. Foi o bastante para a temperatura começar a subir e subir, a gente acompanhando tudo no termômetro da Fiona. Ao vencer os árduos 11 km de terra e chegar em Lanquín, a temperatura já estava em 21 graus! Esse pequeno povoado é famoso por uma enorme caverna que ainda não foi inteiramente explorada. Além dos enormes e ornamentados salões, a fama vem dos milhões de morcegos que nela habitam. Mas esse programa era para depois. Primeiro, Semuc Champey, um pouco mais à frente.
A mágica visão do mirante de Semuc Champey, na Guatemala
Outros 11 km de terra descendo ainda mais e chegamos finalmente à este lugar encantado. Eu tinha lido e relido a descrição sobre o lugar, mas não queria entender. Agora, ía ver com os próprios olhos que o relato do livro estava mesmo correto. Trata-se de um caudaloso rio espremido em um profundo e estreito vale verdejante. De repente, o rio some completamente embaixo de um leito de pedras, entrando em uma caverna, para reaparecer 300 metros adiante, ainda mais furioso. Mas o melhor não é isso! O mais bonito está acima do leito de pedras, sobre o teto da caverna por onde passa o rio bravio. Ali, a água que escorre das encostas verdejantes do vale criou um outro rio, muito mais tranquilo e de águas magicamente azuis. Ele desce os terraços do leito de pedras formando piscinas em suas prateleiras e pequenas cascatas entre elas. Ao final, em uma última cascata, se junta ao enorme rio que corre abaixo dele e que, justo neste ponto, está saindo da caverna. Ver isso tudo por cima, o rio que some e reaparece e as piscinas azuis bem neste intervalo é realmente magnífico!
As famosas piscinas em forma de terraços de Semuc Champey, na Guatemala
O lugar foi transformado, com toda a justiça, em um parque com uma portaria e tudo. Ali deixamos a Fiona, olhamos o mapa de trilhas, definimos o nosso roteiro e partimos para nossas explorações. Seguindo o bom senso, começamos pelo trecho que exige o maior esforço (subir até o mirante) para depois terminar nas piscinas.
Observando o caudaloso rio que passa abaixo dos terraços de Semuc Champey, na Guatemala
A subida é bem íngreme, mas a trilha está muito bem construída, com escadarias e passarelas. Não demorou muito e chegamos ao mirante para poder vislumbrar e finalmente entender aquela maravilha da natureza. A primeira vez que vemos, é de perder o fôlego! Depois, passamos à fase de contemplação e de fotos. Finalmente, dá aquela vontade louca de descer logo e ver tudo de perto.
Piscinas de águas azuis em forma de terraços em Semuc Champey, na Guatemala
A descida nos leva justo ao ponto onde o rio entra de forma violenta em sua caverna. Será que alguém já conseguiu passar lá com vida? “Não!” – foi a resposta enfática do guarda-parque. Mortinho da Silva, alguns... É, segurar o fôlego por trezentos metros, no meio daquela turbulência toda, não deve ser fácil!
Mergulhos nas águas azuis de Semuc Champey, na Guatemala
De lá, passamos às piscinas distribuídas por vários terraços e separadas por gentis cascatas. Imagem do paraíso! Temperatura super agradável, o mergulho ficou ainda mais gostoso depois do esforço de se chegar ao mirante. Ali do lado, cartazes explicativos nos ensinam que toda a rocha que forma a ponte de pedra sobre a qual estão as piscinas azuis e sob a qual correr o rio caudaloso é constituída de restos de conchas e ossos de antigos animais marinhos. Nossa, que incrível! O mar já esteve ali onde, por milhões de anos, se acumularam conchas e animais marinhos mortos. Seus restos se transformaram em pó (mesmo processo de formação das praias que tanto frequentamos!), e esse pó se aglutinou nesse tipo de rocha frágil que forma a “ponte de pedra”. Impossível não admirar o resultado do laborioso trabalho de milhões de anos da mamãe natureza!
Caminhando nas pontes de pedra em Semuc Champey, na Guatemala
Daí, só faltou seguir algumas centenas de metros abaixo para chegarmos ao ponto onde o plácido rio do andar de cima se encontra com o violento rio do andar de baixo, as águas azuis sendo engolidas pelas corredeiras brancas, no mais impressionante “encontro das águas” que já vimos nesta viagem.
Mirante para se observar a força do rio que atravessa a caverna de Semuc Champey, na Guatemala
Só faltou dizer que “Semuc Champey” é a expressão indígena que quer dizer “água que some”. É... esse lugar extraordinário já vem sendo admirado há milhares de anos...
Pequenas cascatas no rio que passa acima de Semuc Champey, na Guatemala
Reverenciando o Pico da Bandeira, na trilha capixaba de acesso ao pico, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES
Como já disse nos posts anteriores, resolvemos subir o Pico da Bandeira pelo lado capixaba do parque. Mais do que isso, resolvemos descer pelo lado de lá, em MG. Ou seja, atravessar o parque, de uma portaria à outra. A dificuldade logística está no transporte, o que fazer com a Fiona? Resolvemos isso com a ajuda do Ricardo. Ele foi conosco até a Casa Queimada, ponto mais alto de acesso à carros no ES e foi nos esperar lá na Tronqueira, do lado mineiro. Uma verdadeira mão na roda!
Com o Wellington e o Ricardo na portaria Capixaba do Parque Nacional do Caparaó - MG/ES
Depois de sermos muito bem tratados pela Sebastiana, da Pousada Pedra Menina, na cidade de mesmo nome no Espírito Santo, chegamos bem cedo na portaria capixaba, encontramos o Ricardo e seguimos juntos, de Fiona, até a Macieira, o primeiro acampamento do lado capixaba. De lá saem trilhas para três cachoeiras. A primeira, mais longa, eu fiz sozinho, correndo, enquanto a Ana fazia as últimas arrumações na nossa mochila.
Cachoeira dos Sete Pilões, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES
A Cachoeira do Aurélio é bem alta e cênica, além de ter um belo mirante para as montanhas. O nome vem do pobre Aurélio, que teria morrido lá. Alguns até dizem que teria sido morto. Bom, é um belo lugar para morrer... Não foi o meu caso. Serviu para dar uma aquecida e beber uma água puríssima. Deixei o banho para mais tarde.
Cachoeira da Farofa, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES
Voltando à Macieira, a Ana já tinha a mochila pronta. Casacos, comida, lanternas. Nada muito pesado. É a vantagem de não dormir no parque e não ter de carregar barraca e utensílios de cozinha. Uma mochila para nós dois foi o suficiente.
Mrgulhando na Cachoeira da Farofa, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES
Depois, fomos todos juntos às outras duas cachoeiras. A dos sete Pilões, com suas piscinas de água quase azul e à Cachoeira da Farofa, que tem esse nome pela farofa que faziam por lá os antigos tropeiros. É a mais gostosa de se nadar e eu não resisti. Ignorei o frio e fui m refrescar antes de começarmos a trilha de verdade.
Com o Ricardo na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES. Ao fundo, Pico do Cristal e Pico do Calçado
Finalmente, fomos até a Casa Queimada. O Ricardo desceu com a Fiona e eu e a Ana partimos montanha acima. Conforme haviam nos dito, a trilha capixaba realmente é mais bonita que a mineira, além de estar em melhor estado, sem tanta erosão. A subida é mais curta, porém mais íngrime. Logo chegamos na crista da serra e por ela caminhamos um bom tempo, o que proporciona vistas e paisagens maravilhosas para todos os lados. É de cair o queixo.
Monte de pedras indicativas, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES
Ao contrário da trilha mineira, a gente só vê o Pico da Bandeira no trecho final. Antes disso, eles está sempre escondido atrás das montanhas, principalmente do Pico do Calçado. Aliás, passamos em cima deste, além de passar bem perto do belíssimo Pico do Cristal. Falando nisso, mais uma vez, a terceira, que não consigo subir este pico, o que só me faz gostar mais ainda dele. Desta vez, passamos do ponto de acesso e só percebi bem mais acima, quando fiquei com muita preguiça de voltar. Fica para daqui a 10 anos.
Muito vento no cume do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES
Chegando ao Pico da Bandeira, o tempo foi abrindo, mas ao custo de muito vento. Forte o bastante para quase me derrubar. E não é uma boa idéia ser derrubado pelo vento a mais de 2.800 metros de altura, certo?
Chegando ao cume do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES
O cume estava lindo, como sempre. Por algum motivo, esta é a montanha que eu mais gosto. Acho que é por ser mineiro, por ser a mais alta do sul do Brasil, pela trilha ser tão agradável, pela história de ter invadido o parque e estar sozinho aqui da primeira vez (ver post anterior), ou por tudo isso junto. O fato é que eu adoro o Bandeira, mais ainda agora que estive aqui com a Ana, o amor da minha vida. Foi espetacular! Mais uma vez, como das outras duas, só estávamos nós no pico. Sei que na temporada, são centenas de pessoas. Não consigo imaginar! Gosto dele assim, puro, isolado.
Chegando à Tronqueira, na trilha mineira de acesso ao Pico da Bandeira, no PN do Caparaó - MG/ES
A volta foi pelo lado mineiro. Bom para matar as saudades e lembrar de antigas cenas, que íam ficando mais vivas conforme eu chegava nos lugares. Um deles foi o Terreirão onde, por duas vezes já acampei. Rever a famosa Casa de Pedra é sempre emocionante. Desta vez, lá nos esperava o simpaticíssimo Ricardo, contador de muitos e muitos causos, uma ótima conversa que foi embalando nossa descida no trecho interminável entre o Terreirão e a Tronqueira. O Ricardo veio caminhando por ele para nos encontrar no Terreirão.
Pico do Cristal visto do alto do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES
Na Tronqueira, ainda fomos conhecer a Cachoeira Bonita, mas deixamos o banho para o Vale Verde, lá perto da portaria mineira. Perto do carro, ainda conhecemos o Ademar, Cícero e Jaber Werner, um encontro que fechou com chave de ouro nossa travessia do parque (ver post anterior).
Cachoeira Bonita, na trilha mineira de acesso ao Pico da Bandeira, no PN do Caparaó - MG/ES
Lá embaixo, banho já no escuro no Vale Verde. Afinal, era a chance de nos lavarmos para poder enfrentar a estrada novamente. Tínhamos de estar cedinho na Reserva dos Muriquis, então não tinha remédio: tínhamos de enfrentar uns 200 km de estrada. Banhados é mais fácil. Primeiro, levamos o Ricardo de volta ao lado capixaba (40 km de estrada de terra) e depois, 170 km até Ipanema, já acima da BH-Vitória. Prá nossa surpresa, uma grande cidade nos confins de Minas. Todos os hotéis lotados até que no último, bem simplezinho, achamos um quarto para desmaiarmos e acordarmos cedo no dia seguinte. Que sono gostoso que foi!
Mergulho no Vale Verde, na trilha mineira de acesso ao Pico da Bandeira, no PN do Caparaó - MG/ES
Foto com a equipe da rádio que entrevistou a Ana em um posto de San Pedro Sula, em Honduras
De volta ao continente na manhã de hoje, pegamos estrada para nosso próximo destino: as famosas ruínas mayas de Copán! No caminho, outra vez a cidade de San Pedro Sula, a segunda maior do país, com quase um milhão de habitantes, atrás apenas da capital Tegucigalpa. San Pedro pode ser a segunda em população, mas sem dúvida, é o principal centro econômico de Honduras, responsável por quase 2/3 do PIB do país. Infelizmente, não é sua força econômica que lhe trás fama atualmente, mas a violência em suas ruas. San Pedro de Sula é considerada a cidade mais violenta do mundo, com 159 homicídios para cada 100 mil habitantes, em 2011. Para se ter uma ideia e comparação, essa mesma taxa, para São Paulo (dados de 2010) é de 13 homicídios, 24,3 para o Rio, 55,5 para Salvador e 109 para nossa “campeã”, a alagoana Maceió.
Npsso caminho entre La Ceiba e Copán Ruinas, passando outras vez por San Pedro Sula
Por causa dessa fama, sempre imaginei como seria nossa passagem pela cidade. Mas aqui, como nas capitais brasileiras, o importante é saber aonde ir e, mais ainda, aonde NÃO ir. Nada de dar sorte ao azar e nem de estar no lugar errado na hora errada. Boa parte da violência e dos mortos estão entre as gangues que peleiam entre si. Raramente turistas são vítimas. Quando nós passamos aqui na vinda, além de não termos tido nenhum problema, ainda nos apaixonamos por uma rádio que só tocava boa música. Agora na volta, muito antes de entrarmos na cidade, já a sintonizávamos novamente. Uma das nossas diversões durante as viagens de carro por todos esses países é exatamente isso: ouvir e tentar encontrar boas rádios pelo caminho. Essa de San Pedro foi uma das melhores do continente! Será uma das lembranças que levaremos da cidade, e não a tal violência, que só vimos pelos números e não com nossos olhos.
Foto com a equipe da rádio que entrevistou a Ana em um posto de San Pedro Sula, em Honduras
Mas há outra lembrança que levaremos daqui, também. Parei em um posto da cidade para abastecer e, tanque cheio, fui com a Ana na loja do posto comprar mantimentos. Lá de dentro, percebemos uma movimentação perto da Fiona, pessoas tirando fotos. Enquanto eu pagava, a Ana foi lá socializar. Quando finalmente cheguei lá perto, ela estava sendo entrevistada! Ao vivo! Eu podia ouvir na rádio de outro carro minha esposa mandar ver em seu espanhol, falando do 1000dias. Um pessoal de uma rádio (não aquela que tínhamos ficado fãs) que estava fazendo uma promoção ali no posto adorou a Fiona e colocaram a Ana no ar, para o país inteiro! Muito legal! No fim da tarde desse dia, lá em Copán Ruinas, umas pessoas vieram falar conosco sobre isso, ao reconhecer a Fiona na rua.
Fazendo um teste de bafômetro em estrada entre San Pedro Sula e Copán Ruinas, em Honduras
Seguimos a viagem, deixando San Pedro para trás. A “temida” cidade só nos deu bons momentos e lembranças! Ainda houve um outro fato, já a meio caminho do nosso destino final. Depois de atravessar umas dez barreiras policiais da operação Semana Santa, uam delas nos parou e o simpático guarda veio logo com um bafômetro para cima de mim. Pois é, nem aqui em Honduras estamos livres dessa geringonça! Mais sóbrio que um bebê, não pestanejei: fui logo soprando e conseguindo o índice zero! Segurança total nas estradas daqui, pelo menos nessa semana. E pensar que um conhecido guatemalteco sugeriu que atravessássemos a fronteira novamente para o lado de lá, para fazer esse trecho até Copán, só pela segurança... Ainda bem que não lhe demos ouvidos! Honduras, por enquanto, tem nos tratado à pão de ló!
Verificando o resultado do teste de bafômetro em estrada entre San Pedro Sula e Copán Ruinas, em Honduras
Aproveitando os últimos raios e calor do sol ao retornar ao lago Jakob, região de Bariloche, na Argentina
Assim que chegamos ao refúgio San Martín, na orla do lago Jakob, depois de 18 quilômetros de caminhada, tínhamos uma importante decisão pela frente. O corpo pedia descanso, a garganta pedia cerveja e o espírito pedia celebração. Mas, ao mesmo tempo, se quiséssemos conhecer a Laguna Témpanos, 45 minutos de caminhada mais acima, aquela seria a nossa chance. Tecnicamente, ainda tínhamos luz do dia para ir e voltar. Amanhã será uma correria, pois o avião da Rowan parte no início da tarde e eu duvido que iremos madrugar para correr até a Laguna e ainda ter tempo de fazer toda a trilha de volta até onde ficou a Fiona para corrermos até o aeroporto. Ainda mais com o frio que faz aqui encima, a 1.600 metros de altitude no meio de montanhas nevadas. De manhã bem cedo deve estar gelado!!!
Interior do refúgio San Martín, na região de Bariloche, na Argentina
Com a moça que toma conta do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Cerveja para celebrar a chegada ao refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Bom, de qualquer maneira, tínhamos de nos instalar no refúgio primeiro para deixar nossas mochilas. Para minha grata surpresa, ele está bem maior e mais “chique” que da última vez, há 22 anos. Agora tem dois quartos repletos de beliches e mais um ambiente que mistura sala de estar, sala de refeições e cozinha. Bem aconchegante, com uma belíssima e protegida vista do lago Jakob, logo ali do lado. A moça que toma conta do refúgio nos recebeu meio surpresa, pois não esperava mais hóspedes hoje. Logo confirmamos que éramos os únicos por ali e teríamos todas as camas e cobertores a nossa disposição. Ainda melhor: ela tinha cerveja gelada para vender!
Trilha para a Laguna Témpanos, acima do Refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
A caminho da Laguna Témpanos. Ao fundo, o vale que caminhamos por quase 5 horas para chegar ao refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Bom, aquela sala gostosa, a confirmação da cerveja, o corpo pedindo um descanso, a tentação foi grande demais. Decidimos por uma cerveja cada um e depois seguiríamos acelerados para a Laguna Témpanos. Assim, agradaríamos a gregos e troianos, hehehe. O problema é que uma cerveja puxa outra e logo veio a segunda. Aproveitamos o tempo para conversar com a moça que tomava conta daquilo tudo sozinha.
A caminho da Laguna Témpanos, vista do lago Jakob e do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Céu azul em dia de caminhada para o refúgio San Martín e Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
Ela disse que na Argentina, os refúgios dentro de parques são concessões. Deve ser herança do período Meném que o casal Kirchner ainda não se lembrou de mudar, bolivarianos que são. Enfim, a administração do refúgio é leiloada a cada 5 anos e tem pessoas que se especializaram nisso. Conseguem uns três ou quatro deles e depois contratam pessoas para tomar conta dos refúgios. Melhor para nós, turistas, que chegamos a um lugar bem cuidado. Quem toma conta normalmente são jovens estudantes amantes da natureza. Passam uma semana ou duas no refúgio tomando conta e depois são substituídos por outra pessoa, para poder descansar um pouco. Às vezes, para não enjoar, vão até tomar conta de outro refúgio. Cozinham e vendem refeições, mantem o lugar limpo e organizado, evitam depredação. Estão num lugar lindo, no meio da natureza, mas não podem ter medo de ficar sozinhos ou de escuro. Amanhã chega uma amiga dela aqui para passar alguns dias e fazer companhia.
A Ana e a Rowan atravessam trecho de neve no caminho para a Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
Atravessando um trecho de neve no caminho do refúgio San Martín para a Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
Bom, terminamos nossa segunda cerveja e dissemos: “É agora ou nunca!”. Então, deixamos as mochilas e levamos apenas uma pequena, com um lanche. E casacos também, pois daqui para cima é muito mais frio, cada vez mais perto da neve e do gelo. Ainda mais com o sol se pondo atrás das montanhas.
Chegando à Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
A gelada Laguna Témpanos, próxima ao refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Chegando ao cenário grandioso da Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
A trilha agora é uma rota, pois caminhamos quase sempre sobre pedras. O que nos guia são marcações de setas e pequenos totens de pedra sobre a rocha. Logo já estamos bem mais altos que o refúgio San Martín e que o lago Jakob e, naquela luz cada vez mais amarelada, tudo fica ainda mais bonito. O que se pode ver bem também é todo o vale pelo qual caminhamos hoje, lá embaixo. Estamos agora justamente no topo daquele paredão no final do vale que avistamos durante quase toda a caminhada. Magnífico!
A Rowan na Laguna Témpanos, 45 minutos acima do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Testando as águas quase congeladas da Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
Muito gelo na Laguna Témpanos, 45 minutos acima do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Aos poucos, demos a volta em uma montanha e entramos em outro pequeno vale que terminava em um enorme anfiteatro natural, dois terços dele cercados por enormes paredes de pedra cobertas parcialmente por gelo e neve e o terço restante aberto na direção em que vínhamos caminhando. No fundo desse anfiteatro, uma pequena lagoa, ou “laguna” como dizem por aqui, congelada pela metade. Uma visão absolutamente mágica e grandiosa, nós ficando cada vez menores comparados com a magnitude do cenário.
Felizes ao chegar à paisagem gelada e grandiosa da Laguna Témpanos, 45 minutos acima do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Admirando a beleza da Laguna Témpanos, 45 minutos acima do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Chegamos nos últimos minutos de sol, a sombra dos paredões aos poucos tomando conta da lagoa. “Témpanos”, em espanhol, quer dizer pequenos blocos de gelo boiando, como pequenos icebergs. É que encontramos sempre nessa lagoa, eternamente congelada, seja pela metade, como agora, seja por inteiro, no inverno.
Com a Rowan, admirando a paisagem gelada da Laguna Témpanos, 45 minutos acima do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Com a Rowan, admirando a paisagem gelada da Laguna Témpanos, 45 minutos acima do refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Arrumamos um bom lugar para sentar e ficamos ali, tirando fotos e admirando aquele fim de tarde inesquecível. Desde que voltamos da Antártida que não víamos tanto gelo e neve assim. Soma-se a isso o frio e a sensação de isolamento e foi como se realmente tivéssemos voltado ao continente branco, mas sem o saudoso Sea Spirit. Por 15, 20 minutos ficamos ali, comendo nossas maçãs e contemplando, aproveitando ao máximo aqueles momentos.
Admirando a Laguna Témpanos, próxima ao Refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Final de tarde na Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
Mas o frio e o bom senso nos fizeram ver que era hora de voltar. Devagar fizemos nosso caminho de volta, seguindo novamente os totens de pedra e nossa pegadas deixadas nos trechos cobertos de neve. Quando demos a volta na montanha novamente, o sol reapareceu para nossa alegria, pelo menos nos esquentando um pouco. Mais do que isso, tivemos mais uma chance de fotografar aquele belo cenário, o vale lá embaixo, o lago Jakob e o pequeno refúgio ainda longe de nós.
Retornando da Laguna Témpanos para o lago Jakob e o refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Com a Rowan no final da tarde, retornando da Laguna Témpanos para o refúgio San Martín, região de Bariloche, na Argentina
Retornando para o refúgio San Martín, após caminhada até a Laguna Témpanos, região de Bariloche, na Argentina
Chegamos de volta já no escuro, o que fez o refúgio com suas lamparinas acesas ficar ainda mais acolhedor. A Ana fez um delicioso jantar para nós, pasta com muito queijo derretido encima. Para acompanhar, o vinho que eu trouxe na minha mochila, o típico esforço que vale a pena! Inspirados e encasacados, saímos para ver o céu estrelado. Maravilhoso, a via láctea sobre nossas cabeças e a luz das estrelas refletida no Jakob. Se não fosse pelo frio, poderíamos ficar horas por ali. Depois, hora de dormir, a gente apertadinho no alto do beliche, quase encostando no telhado de madeira, debaixo de uma pilha de cobertores. Para ajudar no sono, uma longa conversa sobre fantasmas, ETs e histórias sobrenaturais. Embalados assim, com a ajuda do vinho e do delicioso silêncio lá fora, dormimos como anjos. Merecíamos, pois amanhã vai ser corrido!
Dormindo no refúgio Jakob, região de Bariloche, na Argentina
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)













.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)