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SHUFFLE Há 1 ano: Honduras Há 2 anos: Honduras

Chegando à Utila

Honduras, Utila

Passeando em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Passeando em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Começamos o dia 26 com muitas emoções. Conforme as informações obtidas no dia anterior, tínhamos decidido ir para a ilha de Utila, com mais chances de conseguir alguma acomodação em plena Semana Santa. Para isso, tínhamos de estar no porto cedinho, uma hora antes da saída do barco, para comprarmos os bilhetes e guardarmos a Fiona por lá mesmo. Tudo parecia ir bem no começo: encontramos o porto sem a ajuda do GPS, chegamos exatamente com uma hora de antecedência, passamos pela portaria, pagamos o estacionamento do carro e fomos deixar a Fiona por lá. Aí, enquanto a Ana preparava a nossa mala para os dias de ilha, inclusive alguns equipamentos de mergulho que estavam no porta-malas, eu fui até a bilheteria comprar nossas passagens, a uns 200 metros dali, Enfrentei a fila de 15 minutos e consegui espaço para nós. Só faltava voltar ao carro para ajudar a Ana. Foi aí que o céu desabou! Uma chuva fortíssima! A não ser que eu quisesse ficar completamente encharcado, tinha de esperar ela passar. Mas ela não passava! Ficava só imaginando a Ana lá no carro... E o ferry chegou e poderia partir a qualquer momento. Muitas vezes, quando o barco enche, sai até antes do horário oficial. Foi quando a chuva deu uma pequena trégua e eu consegui um guarda-chuvas emprestado. Por cima do barro mesmo, voltei até a Fiona. Para a minha surpresa, a Ana estava dentro do porta-malas do carro, a porta ligeiramente aberta para que ela pudesse respirar. Tinha passado os últimos 20 minutos por ali, primeiro arrumando o que precisava ser arrumado e, depois, esperando ajuda minha ou de São Pedro. Com a chuva já bem mais fraca, juntamos nossas coisas, deixamos a Fiona meio molhada para trás e corremos para o cais, ainda em tempo de embarcar e devolver o guarda-chuvas à ansiosa dona. Entre secos e molhados, salvamo-nos todos!

Estamos sempre atrás disso! (em Utila, ilha no litoral norte de Honduras)

Estamos sempre atrás disso! (em Utila, ilha no litoral norte de Honduras)


Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Uma hora de viagem a toda velocidade e chegamos à pequena Utila. Nossa próxima tarefa era arrumar um ligar para ficar. Logo na chegada, os vendedores de pacotes de mergulho (esse é o forte da ilha. Ainda vou falar disso...) já nos avisaram que seria difícil. Talvez, se fechássemos algum pacote com as escolas de mergulho, teríamos mais chances, pois escolas e hotéis estão sempre associados por aqui. Mas resolvemos não seguir o conselho e fomos à luta, caminhando com nossas mochilas. Depois de darmos com a cara na porta em três tentativas, eis que apareceu um quarto num hotel bem legal e diferente. Além de hotel, é também uma das trações turísticas da ilha, por causa de sua exótica arquitetura, uma coisa meio indiana e balinesca, mas bem exagerada, em meio a um grande jardim. Chalés bem charmosos se misturam com pontes e túneis cobertos por mosaicos de pedras coloridas. De início, tinham lugar só para uma noite, mas depois apareceu outro quarto para outras noites e, no fim, poderíamos ficar no mesmo quarto enquanto estivéssemos aqui. Enfim, deu tudo certo!

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Oba! Tínhamos conseguido chegar até lá e tínhamos conseguido lugar para dormir! Agora, às atividades! Utila é uma verdadeira fábrica de formar mergulhadores. São mais de dez escolas que oferecem cursos básicos e avançados em diversas línguas, provavelmente com os melhores preços do planeta. Com isso, são centenas de “estudantes” continuamente, de todas as partes do mundo. Enquanto uns terminam, outros já estão chegando e as escolas nunca param. É fácil ver, nas ruas, os gringos com seus cadernos e livros. Ou então, nas próprias escolas, sempre com hotéis ao lado, jovens reunidos e conversando de... mergulho!

Muitas lojas e restaurantes sobre o mar, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Muitas lojas e restaurantes sobre o mar, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Nós, claro!, não estávamos interessados em curso nenhum. Pelo menos essa atividade, mergulhar, já sabemos fazer! Queríamos mesmo era mergulhar, sem professo por perto, o que eles chamam de “fun dive” por aqui. Estávamos atrás dos famosos tubarões-baleia, que começam a passar por essa região nessa época do ano, na migração que os leva até a ilha de Holbox, no México. Mas foi só assuntar um pouco para descobrirmos que, quando isso acontece, é na costa norte da ilha. E agora, com essa chuva e vento, ela está inacessível para os barcos, por causa das ondas. Ficam todos na costa sul mesmo, longe das ondas e dos peixes grandes. Previsão de melhora? Talvez na sexta-feira, e olhe lá! Pois é, justo no dia que queríamos ir embora...

Início de mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Início de mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Corais formam prateleiras em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Corais formam prateleiras em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Bom, a conversa segue e descobrimos que apenas os barcos da manhã podem ir até a costa norte, se o tempo assim o permitir. Os barcos da tarde, são todos para as aulas de mergulho e ficam aqui na costa sul, mais tranquila. Os barcos da manhã, muito procurados pelos mergulhadores já certificados, já estão lotados para muitos dias. Mas, eis que aparecem duas vagas, para sexta-feira. Seria nossa única chance! Fazemos as contas e descobrimos que o barco volta a tempo de pegarmos o barco da tarde para o continente. É... está decidido, ficamos até sexta! Teremos ao menos uma chance de ver os tubarões-baleia, se São Pedro cooperar.

Um camarão faz de um coral a sua casa, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Um camarão faz de um coral a sua casa, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Em uma passagem mais estreita, do meio da poeira surge a Ana, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Em uma passagem mais estreita, do meio da poeira surge a Ana, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Bom, já que estamos ali, resolvemos marcar um mergulho para aquela mesma tarde, junto com os estudantes, para desenferrujarmos um pouco e matarmos as saudades dos corais. Pouco mais de uma hora mais tarde, já estávamos no mar, nós e uns oito aprendizes. Não tem problema, embaixo d’água eles seguem para um lado e nós para o outro, com um guia. O mergulho foi bem meia boca, mas como diz um amigo, não existe mergulho ruim. Quando é “ruim”, é mais ou menos. Além do mais, com o preço que se paga por aqui, metade do que se paga em outros lugares, está valendo! De qualquer maneira, depois da experiência, resolvemos que não iríamos mergulhar mais, pelo menos até sexta-feira, quando haveria a chance de seguirmos à costa norte.

Um dos quartos da nossa pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Um dos quartos da nossa pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Movimento na prindipal rua de Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Movimento na prindipal rua de Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Depois do mergulho, já final de tarde, finalmente pudemos ter um merecido descanso depois da correria do dia inteiro, desde as 6 da manhã. Fazia tempo que não tínhamos um quarto tão charmoso. Foi por isso que hoje, ao descobrir que teríamos de dormir uma noite a mais em Utila, não achamos tão ruim. Pois é, só vamos embora no sábado, bem cedinho. Sexta-feira é feriado aqui, dia santíssimo. Nem os barcos funcionam! Para ir embora nesse dia, só nadando! O barco de sábado, então, promete ser concorrido. Por isso, pelo sim, pelo não, já compramos nossas passagens. Temos de estar seis da manhã no cais! Até lá, além do mergulho na sexta cedo, muito tempo para explorarmos essa pequena ilha, cheia o ano inteiro de estrangeiros querendo aprender a mergulhar e especialmente cheia essa semana pelo turismo local, hondurenhos aproveitando a semana de folga. As pequenas e estreitas ruas da cidade estão movimentadas, disputadas pelos pedestres, ciclistas, motociclistas e quadriciclos. Aliás, que coisa mais chata! Não sei por que inventaram essa porcaria! Ou, já que inventaram, porque deixaram trazer para Utila! Onde já se viu, num lugar tão pequeno desse, ficar andando nessa geringonça? Alguém nos disse que é só nessa semana que o pessoal tira eles da garagem. Questão de status, poder mostrar que tem. Bom, temos de nos acostumar... E tomar cuidado para não sermos atropelados...

Cerveja popular no país, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Cerveja popular no país, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Honduras, Utila, Mergulho

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As Belezas de Bom Jardim

Brasil, Mato Grosso, Bom Jardim

A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Nada como uma boa noite de sono para recuperar as forças! Assim foi em Nobres e, logo cedo, já estávamos prontos para os 60 km de terra até Bom Jardim, a “Nobres” de verdade. No caminho, ao invés de cruzarmos com os rebanhos de lhamas tão corriqueiros nesses últimos tempos de estradas bolivianas e peruanas, foi a vez do bom e velho rebanho de gado! Estamos mesmo de volta ao nosso Brasil, mais especificamente ao Centro-oeste, terra dos maiores rebanhos bovinos do país.

Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso

Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso


Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso

Há poucos dias eram lhamas, agora são bois com quem cruzamos nas estradas. No caminho entre Nobres e Bom Jardim, no Mato Grosso


Para chegar à Bom Jardim, além de dividir a estrada com o gado, temos também de cruzar diversos acampamentos de sem-terra. A área é cheia de litígios agrários e terras não demarcadas, terreno muito propício à seguidas invasões. Tudo pela conhecida incompetência burocrática brasileira. Ainda nos tempos de Dante de Oliveira como Ministro da Reforma Agrária, há mais de duas décadas, essas terras foram colonizadas por sulistas, estimulados pelo próprio governo a migrarem para cá. Vieram, criaram suas fazendas, começaram a produzir, mas os títulos nunca foram devidamente oficializados. A notícia se espalhou e os sem-terra vieram, todos querendo o seu quinhão. Ainda mais agora, que as terras já estão abertas e produzindo. Invasão após invasão, a situação vai se arrastando. Uma das consequências dessa insegurança é que o turismo também não desenvolve todo o seu potencial. Afinal, quem vai investir muito numa propriedade que pode ser invadida na semana seguinte?

Com o Vicente, em Bom Jardim, distrito de Nobres, no Mato Grosso

Com o Vicente, em Bom Jardim, distrito de Nobres, no Mato Grosso


Arara descansa tranquilamente no capô da Fiona, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Arara descansa tranquilamente no capô da Fiona, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Enfim, de pouco em pouco, as coisas vão andando. O turismo em Bom Jardim segue o mesmo caminho do turismo de Bonito, com atrações bem semelhantes: rios de águas transparentes, cachoeiras e cavernas. A semelhança não é apenas no conteúdo, mas também na forma! Para quem já viajou pelo Brasil, sabe que não existe turismo mais “organizado”, ou “esquematizado” do que em Bonito, para o bem ou para o mal. O acesso à todas as atrações só pode ser feito através de agências e com a companhia de um guia. Não há possibilidade de se “explorar” ou descobrir algo. O negócio é entrar na fila, pagar o ticket e aproveitar o tempo contado, pois a fila tem de andar. Ainda vou falar desse tipo de turismo quando visitarmos a cidade, em alguns dias, seus prós e contras. Mas, enfim, é por esse mesmo caminho que segue Bom Jardim.

Uma bela arara no nosso caminho para a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Uma bela arara no nosso caminho para a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

A belíssima Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Então, logo que chegamos à Bom Jardim, fomos a uma das agências para conhecer e decidir quais passeios faríamos. Ainda são poucas as agências na cidade e todas tem seus próprios hotéis ou pousadas. Nós ficamos muito amigos do Vicente, da agência Anaconda e com ele não só acertamos nossos passeios, mas muito conversamos sobre a região e o desenvolvimento do turismo por aqui. Ele mesmo trabalhou muito tempo em Bonito e foi um dos responsáveis pela implantação do turismo nos mesmos moldes por aqui. Apesar de se perder em liberdade, certamente a organização ajuda muito a proteção e conservação das belezas, muitas delas sensíveis a uma exploração mais intensa.

Um delicioso banho na Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Um delicioso banho na Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Nadando no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Nadando no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Com pousada e atrações definidas, era hora de começarmos! Compramos nossos vouchers na agência, colocamos o guia no carro e seguimos para lá! Para começar e para matar a saudade de uma boa cachoeira onde se pode nadar, coisa que já não vemos há muito tempo (desde Roraima!), fomos para a mais famosa queda d’água da região, a Cachoeira da Serra Azul.

Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Peixes nadam no lago da Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Encravada no coração de uma propriedade do Sesc, aí só entram turistas em grupo com guia e dentro de um número máximo de pessoas por dia determinado por um estudo de impacto ambiental. A gente vai até a sede da propriedade e fica se divertindo com as araras e macacos que são criados por ali, pelo menos até que o grupo que já está na cachoeira volte. Um grupo de cada vez, cada um por uma hora, incluindo os tempos de deslocamento e caminhada.

Visitando a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Visitando a Cachoeira da Serra Azul, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Dirigindo nas estradas rurais da região de Bom Jardim, no Mato Grosso

Dirigindo nas estradas rurais da região de Bom Jardim, no Mato Grosso


Pacientemente, esperamos nossa vez e, já com nossos coletes salva-vidas, seguimos para a parte final do caminho, quando o outro grupo já voltava. O nosso grupo era de apenas 4 adultos e duas crianças (nos finais de semana, chegam à 15 pessoas) e tratei de caminhar mais rápido para chegar à cachoeira e vê-la sem gente. Aproveitei também para um bom mergulho sem colete, não resistindo à tentação da grande piscina refrescante formada abaixo da cachoeira. Logo depois, chegou a Ana e, mais uns minutos, os outros turistas com a guia.

Pronta para fazer flutuação nas águas cristalinas do Rio Triste, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Pronta para fazer flutuação nas águas cristalinas do Rio Triste, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Num dia tranquilo como o de hoje, pudemos nos esbaldar por ali por um bom tempo, a guia relaxando e fazendo de conta que não nos via sem colete. A água bem limpa, cheia de peixes trazidos pelo antigo proprietário. Tivemos todo o tempo do mundo para tirarmos nossas fotos, fazermos nossas explorações subaquáticas e tomarmos uma ducha forte e refrescante. Não é a toa que essa é uma das atrações mais conhecidas da região!

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Tronco abaixo d'água no Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Tronco abaixo d'água no Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


As outras são as flutuações nos rios. Entre as várias opções, nós escolhemos ir ao Rio Triste, direto dali, acompanhados da mesma guia. Novamente, só entra na propriedade quem traz o voucher comprado nas agências da cidade, que já inclui máscaras, snorkel e o bendito colete salva-vidas. Aqui, eles são mais obrigatórios ainda, para manter a pessoa na superfície e longe do solo, onde poderia fazer “bagunça”.

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Fazendo flutuação nas águas transparentes do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Nadando nas águas claras do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso

Nadando nas águas claras do Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso


Bem... Bom Jardim segue os passos de Bonito, mas ainda não é Bonito. Assim, ainda há um certo “espaço de manobra”, principalmente fora dos dias mais cheios. Outra vez, nosso grupo não era grande e eu e a Ana conseguimos deixar eles um pouco para trás, ficando com o rio apenas para nós. Assim, tivemos mais tempo para as fotos e mesmo para deixar o colete um para lá, para afundarmos um pouco, com o devido cuidado de não fazermos sujeira. A sensação é a de estarmos nos movimentando num grande aquário, a corrente nos levando e fazendo o esforço para nós. No caminho, temos de nos desviar de troncos e raízes e, mais que tudo, observar os peixes que nos observam, eles mesmos, ainda mais curiosos.

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água


Uns vinte minutos de descida com direito a bis, ainda mais sozinhos ainda, agora que a guia sabe que já “conhecemos o caminho”. Foi joia! Não chega a ser um Rio da Prata, de Bonito, mas vale a pena também, principalmente pelo fato de ainda ser pouca gente por aqui.

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água

O belo Rio Triste, em Bom Jardim, em Mato Grosso, abaixo e acima da água


Voltamos para a cidade morrendo de fome, mas ainda não podíamos parar. Havia um último programa a ser feito, antes de saciarmos nossos esfomeados estômagos. Ali do lado, em uma lagoa repleta de palmeiras, todas as tardes, na hora do pôr-do-sol, centenas de pássaros vem se recolher. Entre eles, destacam-se as araras azuis e amarelas, num verdadeiro frenesi de cores e sons. É uma das poucas atrações onde não é preciso estar acompanhado de um guia e pode-se comprar a entrada ali na porta da propriedade mesmo.

Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Magnífico entardecer na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


A Lagoa das Araras, como é conhecida, já é um espetáculo apenas pelo seu visual. As cores do fim de tarde a transformam em um verdadeiro quadro, mas é a chegada das araras que traz a magia final. Sempre aos pares, elas vem de todos os lados, procurando a copa de alguma palmeira para pousar. Muitas vezes, a palmeira já está ocupada e, não raro, muita briga e confusão acontece, gritaria total. No fim, com muito jeito, todas encontram o seu lugar, enquanto os turistas, lá do mirante de madeira sobre a água, se deliciam com o espetáculo natural à sua frente.

São dezenas de araras que frequentam, durante o entardecer, a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

São dezenas de araras que frequentam, durante o entardecer, a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Foi mesmo um verdadeiro show. Ficamos emocionados ao ver os primeiros casais chegarem e, depois, conforme vamos nos acostumando com a cena, só nos resta admirar toda a natureza exuberante ao nosso redor. De pensar que aquele espetáculo acontece todos os dias, naquela hora, naquele lugar. Vou me lembrar disso quando estiver em um fim de tarde bem monótono, em algum lugar qualquer. Meu corpo fica por ali, mas meu espírito voa para a Lagoa das Araras para, mais uma vez, admirar a beleza simples da vida. Não pode ter melhor remédio para tristeza ou monotonia...

Admirando o entardecer e as araras na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Admirando o entardecer e as araras na Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

As araras, sempre em casais, frequentam a Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso


Enfim, finalmente, araras devidamente empoleiradas para a noite, nós pudemos “almojantar”. Foi um dia intenso no qual tivemos uma boa amostra das belezas de Bom Jardim. Faltaram as cavernas onde, no futuro, se poderá, inclusive, mergulhar. Mas, para isso, ainda é preciso os famosos e caros estudos de impacto ambiental que só virão depois da regularização dos títulos de propriedade. Algum dia... Enquanto isso, são os mexicanos de Tulum que fazem fortuna com os mergulhadores americanos e europeus. A gente chega lá... Por hora, chega de Bom jardim. Amanhã, vamos à outra atração nas cercanias de Cuiabá, essa sim conhecida nacionalmente: a Chapada dos Guimarães!

O incrível panorama da Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

O incrível panorama da Lagoa das Araras, em Bom Jardim, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Bom Jardim, Bichos, cachoeira, Nobres

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Turismo em Curitiba

Brasil, Paraná, Curitiba

Dentro do Palácio de Cristal, no Jardim Botânico, em Curitiba - PR

Dentro do Palácio de Cristal, no Jardim Botânico, em Curitiba - PR


Hoje, finalmente, criamos vergonha na cara e fomos fazer algo que sempre nos prometemos fazer quando estamos por aqui, nesse período dos 1000dias: turismo!

Vista da Torre da Telepar de Curitiba - PR, onde se destaca o Museu do Olho e a Serra do Mar ao fundo

Vista da Torre da Telepar de Curitiba - PR, onde se destaca o Museu do Olho e a Serra do Mar ao fundo


O tempo chuvoso ainda nos impede se subir o Pico Paraná e algumas burocracias exigem nossa presença aqui na quinta, depois de amanhã. Assim, aproveitando o feriado da independência e a cidade bem vazia (dia 8 também é feriado em Curitiba!), fomos às ruas.

A Ana admirando sua cidade natal, em Curitiba - PR

A Ana admirando sua cidade natal, em Curitiba - PR


Para quem não conhece a cidade ou está sem carro, a melhor idéia é pegar o ônibus da Linha de Turismo, que transita entre as principais atrações da cidade. Bom, não é o nosso caso e a gente foi de Fiona mesmo.

Manada de capivaras no Parque Barigui, em Curitiba - PR

Manada de capivaras no Parque Barigui, em Curitiba - PR


Primeiro até a Torre da Telepar (hoje já tem outro nome, já que a Telepar já era), ter um belo visual da cidade e até da Serra do Mar, ao longe. Depois, para a praia dos Curitibanos, o Parque Barigui, melhor lugar para uma caminhada ou um cooper. Quem estava correndo lá era o Julio, um amigo dos tempos em que eu treinava duatlo. Que saudade que deu das pistas e piscinas...

Encontro com o Julio, colega dos tempos de triatlo, no Parque Barigui, em Curitiba - PR

Encontro com o Julio, colega dos tempos de triatlo, no Parque Barigui, em Curitiba - PR


O Palácio de Cristal, no Jardim Botânico, em Curitiba - PR

O Palácio de Cristal, no Jardim Botânico, em Curitiba - PR


Em seguida, fomos ao mais famoso cartão postal da cidade, o Jardim Botânico com seu Palácio de Cristal. Por fim, ao museu mais famoso da cidade, o Museu Oscar Niemeyer ou simplesmente, Museu do Olho.

O famoso 'Olho', no museu Oscar Niemeyer, em Curitiba - PR

O famoso "Olho", no museu Oscar Niemeyer, em Curitiba - PR


Foi uma delícia de passeio que nos fez lembrar de como Curitiba é jóia. Difícil é o clima. Mas a cidade é muito gostosa de se viver e se visitar.

O Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba - PR

O Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba - PR

Brasil, Paraná, Curitiba, Barigui

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Em Natal

Brasil, Rio Grande Do Norte, Natal

Chegando na praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Chegando na praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Chegamos em Natal ontem de noite e a primeira árdua tarefa foi encontrar um lugar para ficar. Na primeira vez que aqui estive, em 93, o lugar onde os turistas ficavam era a Praia dos Artistas. Era uma outra Natal. Ponta Negra já era uma praia frequentada, mas com apenas poucos hoteis, caros demais para um estudante "pobresito". Na segunda, vim num pacotão da CVC (pois é, até eu!) que incluía Noronha e Natal no mesmo programa. Não façam isso! Vindo de Noronha, Natal fica completamente ofuscada! Estávamos em 96 e a CVC já nos colocou num hotel em Ponta Negra. Era um lugar razoavelmente tranquilo.

O Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN

O Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Finalmente, estive aqui em 2000, pela última vez. Nessa época, a grande maioria das pessoas já ficava em Ponta Negra. Mas a vida noturna ainda se dava na Praia dos Artistas. Bons restaurantes, bares simpáticos. Agora, onze anos mais tarde, a cidade "se mudou" para Ponta Negra. Ouço que, quando o sol se põe, o centro "morre". Enquanto isso, Ponta Negra ferve. Pois bem, aqui chegamos, em pleno verão. São centenas de pousadas e hoteis. Literalmente. Ruas abarrotadas de acomodações, acomodações abarrotadas de turistas. Quanto mais perto da praia, mais caro e mais difícil de achar vagas. Depois de muita procura, tínhamos achado hoteis com vagas para esta noite, e outros com vagas para as noites seguintes. Não teve remédio: seguindo recomendação deles próprios, garantimos o pernoite de hoje num lugar e as noites seguintes em outro, na mesma rua, quarteirões diferentes.

Praia de Ponta Negra lotada, em Natal - RN

Praia de Ponta Negra lotada, em Natal - RN


Hoje cedo, fomos passear em Ponta Negra. O céu e o mar estavam maravilhosos. Deu até uma certa dor na consciência, sabendo da chuvarada e tragédias no sudeste. A praia, como era bem previsível, estava lotada, coisa que, de certa forma, nos faz sentir no lugar errado. É, estamos muito mal acostumados...

Chegando no Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Chegando no Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Com ou sem gente, a praia continua linda. Caminhamos até o Morro do Careca, a enorme duna no canto da praia. Das outras três vezes que aqui estive, tive o prazer de subi-la e me jogar lá de cima, seja em louca disparada, seja praticando o "skibunda". Com dezenas de milhares de pessoas fazendo a mesma coisa, a duna estava desmanchando. Não teve remédio: ela foi interditada! Está mais bela, agora. Mas dá uma vontade....

Morro do Careca, praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Morro do Careca, praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Praia de Ponta Negra, em Natal - RN


De tarde, fomos saciar uma vontade que há muito nos perseguia: comer numa boa churrascaria. Enquanto lidávamos com nossos instintos carnívoros, a Fiona tomava um merecido banho. Ficou limpinha, praticamente nova! A gente até se empolgou e completamos o mapa da viagem na sua porta. Havia já um bom tempo que não atualizávamos os "pontinhos verdes" que, supostamente marcam os lugares por onde já passamos.

Banho na caçamba da Fiona, em Natal - RN

Banho na caçamba da Fiona, em Natal - RN


Por falar nisso, amanhã deverá haver nova atualização, pois vamos fazer um bate-volta à Pirangi, local de belas praias e do maior cajueiro do mundo, um monstro que ocupa todo um quarteirão. E olha que é um quarteirão grande!

Mapa da viagem na Fiona atualizado (em Natal) - RN

Mapa da viagem na Fiona atualizado (em Natal) - RN

Brasil, Rio Grande Do Norte, Natal,

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Loma del Pliegue Tumbado

Argentina, El Chaltén

No alto da Loma del Pliegue Tumbado, maravilhado com a grandiosidade da paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

No alto da Loma del Pliegue Tumbado, maravilhado com a grandiosidade da paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Nós chegamos a El Chaltén sem nenhuma informação sobre quais eram as possibilidades de trekking na região. Sabíamos, claro, que eram várias opções, cada uma mais bonita do que a outra. Trilhas longas ou curtas, tranquilas ou mais duras, algumas dependendo mais das condições do tempo do que outras. Como estamos sempre com os dias contados na nossa eterna corrida para viajar por toda a América, não podíamos perder tempo em caminhadas lindas se houvesse a chance de fazer outras espetaculares. Então, nossa primeira parada na cidade, depois de encontrarmos lugar para dormir, foi no Centro de Visitantes, onde passamos uma boa hora conversando com um guarda-parque e debruçados sobre mapas da região. Já tínhamos conversado antes com o gerente da nossa pousada e pedido seus conselhos também. Assim, conseguimos montar um “mini-roteiro” para nós, além de definir o tempo que ficaríamos por aqui.

Característica das principais caminhadas feitas a partir de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Característica das principais caminhadas feitas a partir de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


As principais trilhas feitas a partir de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

As principais trilhas feitas a partir de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


A maior tentação foi a de fazer um trekking espetacular que dura de 7 dias e inclui dois dias caminhando sobre o gelo continental no Campo de Gelo Sul. Além de passar por um dos locais mais inexplorados da Terra, ainda temos a chance de ver o Fitz Roy e o Cerro Torre de um ângulo raramente visto, pelas costas. O Campo de Gelo Sul é a maior reserva de água congelada do mundo depois da Antártida e Groelândia e faz a fronteira entre Argentina e Chile. Inclusive, neste trekking cruzamos a fronteira dos dois países e precisamos estar com passaportes, vistos e permissões em dia! Infelizmente, não tínhamos nem tempo nem dinheiro para fazer essa verdadeira aventura dos sonhos, mas nos prometemos voltar aqui algum dia (logo!) para fazê-lo.

No estacionamento do centro de visitantes de El Chaltén, na patagônia argentina. Aí começa a trilha do Lomo del Pliegue Tumbado rumo ao Fitz Roy (ao fundo)

No estacionamento do centro de visitantes de El Chaltén, na patagônia argentina. Aí começa a trilha do Lomo del Pliegue Tumbado rumo ao Fitz Roy (ao fundo)


Trilha da Loma del Pliegue Tumbado, rumo ao Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Trilha da Loma del Pliegue Tumbado, rumo ao Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


A magnífica paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

A magnífica paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Resolvemos, então, nos ater aos trekkings mais “normais”. Todos eles caminham parque adentro na direção do Fitz Roy e do Cerro Torre, cada um por um lado. São três trilhas principais e decidimos fazer todas elas: Loma del Pliegue Tumbado, Laguna Torre e Laguna de Los Tres. A ideia é fazer duas delas indo e voltando no mesmo dia, para dormir na cidade, e a terceira com direito a pernoitar em barraca, acampado no parque. Além disso, reservamos também um dia para fazer um curso de escalada em gelo no glaciar Viedma, aqui perto de El Chaltén. Resumindo, estamos investindo vários dias dos nossos 1000dias aqui nessa região. Não é à toa, pois o Parque Nacional Los Glaciares tem a reputação de possuir alguns dos mais belos cenários não só da nossa América, mas do planeta.

A fantástica paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, durante a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, perto de El Chaltén, na patagônia argentina

A fantástica paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, durante a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, perto de El Chaltén, na patagônia argentina


A fantástica paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, durante a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, perto de El Chaltén, na patagônia argentina

A fantástica paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, durante a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, perto de El Chaltén, na patagônia argentina


O gerente da nossa pousada já havia nos dito que a trilha da Loma del Pliegue Tumbado era a mais bela, mas também a mais dependente das condições do tempo. Nela subimos pouco mais de 1.000 metros de altura em um caminho de 12 quilômetros para chegar ao topo de uma pequena montanha. A montanha em si não é grande coisa, mas seu cume é um dos mais belos mirantes do parque, possibilitando vistas inesquecíveis do Fitz Roy e Cerro Torre. Isso quando essas montanhas não estivessem cobertas por nuvens, ou quando vento e neve chegassem fortes na parte alta da trilha. Portanto, não poderíamos perder a chance de fazê-la quando o tempo parecesse mais firme. Pois bem, o guarda-parque confirmou todas essas informações e nos disse que, pela previsão de tempo que tinha, o melhor dia para se fazer essa caminhada era exatamente hoje. O céu azul do lado de fora do cento de Informações parecia confirmar isso. Para finalizar, o início da trilha era justamente ali, atrás do Centro de Informações. Com tudo conspirando, estava decidido: era para lá que seguiríamos. Como já tínhamos vindo ao centro devidamente vestidos e trazendo nossos lanches, já saímos de lá diretamente para a trilha. Nossas aventuras pelo Parque Nacional Los Glaciares estavam, enfim, começando!

Admirando o Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, durante a trilha da Loma del Pliegue Tumbado (El Chaltén, na patagônia argentina)

Admirando o Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, durante a trilha da Loma del Pliegue Tumbado (El Chaltén, na patagônia argentina)


Cada vez mais próximos do Cerro Fitz Roy durante a caminhada da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Cada vez mais próximos do Cerro Fitz Roy durante a caminhada da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


El Chaltén está aproximadamente a 400 metros de altitude. Nós iríamos chegar perto dos 1.500 metros, mas seriam 12 quilômetros até lá, o que significa que a subida é bem suave. Na verdade, logo de início subimos pouco mais de 100 metros e depois, até a base da montanha mais de 10 kms adiante, mal sentimos que estamos subindo. Essa subida inicial nos dá uma bela visão da cidade e de seus arredores, mas logo perdemos essa vista atrás de uma encosta.

Caminhando na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Caminhando na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Admirando o imponente Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Admirando o imponente Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


De quem a gente nunca perde a visão é do Fitz Roy, cada vez mais imponente e glorioso, cada vez mais ao alcance de nossas mãos. Nem precisamos usar o zoom da máquina fotográfica, pois naturalmente ela já está ficando cada vez mais próximo de nós. Não demora muito para entendermos (e concordarmos!) por que essa é considerada uma das mais belas e fotogênicas montanhas do mundo. Especialmente em dias como o de hoje, quando o céu azul prevalece.

Caminhando na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Caminhando na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Paisagem da trilha da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina

Paisagem da trilha da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina


Na verdade, houve sim momentos em que perdemos a visão do Fitz Roy. Mas não foi por causa das nuvens. Foi quando atravessamos os belos trechos de mata da trilha. As árvores nos dão sombra e nos protegem do vento. É o melhor lugar para parar um pouco, descansar, quem sabe comer alguma coisa.

Atravessando um trecho de bosque na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina

Atravessando um trecho de bosque na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina


Atravessando um trecho de bosque na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina

Atravessando um trecho de bosque na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina


Uma mata no caminho da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Uma mata no caminho da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Entre e após os bosques, longos trechos atravessando uma ravina. Vegetação baixa, trilha sempre muito bem marcada e flores, muitas flores. Algumas poucas vezes, vemos outros caminhantes. A maioria das pessoas partiu mais cedo do que nós. Por aqui, quanto mais cedo, mais chance do tempo estar aberto. Aos poucos, as nuvens vão subindo o vale e cercando as montanhas. Era o que começava a ocorrer agora.

Uma mata no caminho da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Uma mata no caminho da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Caminhando na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Caminhando na trilha da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Cada vez mais próximos do Cerro Fitz Roy durante a caminhada da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Cada vez mais próximos do Cerro Fitz Roy durante a caminhada da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Por fim, chegamos ao trecho rochoso da trilha. Já estamos bem próximos da base da montanha. O solo que caminhamos é o resquício de uma antiga morena. Morena são montes de pedra e rocha empilhados e deixados para trás por um antigo glaciar. Com o fim da última era glacial, as geleiras que recuaram foram deixando várias morenas para trás. São testemunhos vivos de até onde chegaram esses enormes rios de gelo pré-históricos.

O famoso Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

O famoso Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


O Cerro Torre, no Parque Nscional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

O Cerro Torre, no Parque Nscional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


As nuvens cobrem o Cerro Torre, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

As nuvens cobrem o Cerro Torre, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Enfim, chegamos à base da Pliegue Tumbado. Agora sim há mais gente. A vista que se tem das montanhas é magnífica, assim como do vale lá embaixo. Uma enorme geleira que desce das encostas do Cerro Torre desemboca em um lago glacial. Aquela é a Laguna Torre a vamos caminhar até lá amanhã. De longe, os enormes blocos de gelo que se soltaram recentemente da frente da geleira e flutuam no lago parecem pequenos. Sabemos que não são, é apenas a distância que nos engana. A nossa frente, a visão majestosa das montanhas, quase dois mil metros acima de nós. A nossa esquerda, a última subia até o cume da Pliegue Tumbado, uns 200 metros de altura, talvez. Percebemos pequenos pontos coloridos espalhados por sua encosta rochosa. São caminhantes subindo, num último esforço, ou descendo, já depois de terem saboreado a vista que se tem lá de cima.

Cerro Torre, Glaciar Grande, Laguna Torre e Fitz Roy, a incrível paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Cerro Torre, Glaciar Grande, Laguna Torre e Fitz Roy, a incrível paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


A Laguna Torre e o Glaciar Grande, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

A Laguna Torre e o Glaciar Grande, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Nós resolvemos parar um pouco e lanchar aqui embaixo mesmo, aproveitando algumas das grandes rochas que servem de mirantes naturais para a magnífica paisagem ao nosso redor. Encontramos uma, nos instalamos e começamos a comer e conversar. Não demora muito e uma moça que já estava sentada nas proximidades nos chama. A língua portuguesa chamou sua atenção e ela nos reconheceu. Era a Lilian, dos Nerds Viajantes. Uma feliz coincidência nos fez estar no mesmo lugar, no mesmo tempo. E que lugar! A gente já se conhecia pela internet, dois casais que adoram viajar e postar suas aventuras em seus respectivos blogs. Quando estávamos nos EUA visitando o Grand Teton National Park, quase nos encontramos. Apenas alguns míseros dias separaram nossas visitas. Não foi daquela vez, mas daqui de Los Glaciares, não escapou! E olha que nem sabíamos na presença do outro casal no parque. Que legal! Por uma boa meia hora conversamos e trocamos informações.

A Ana e a Lilian, do Nerds Viajantes, conversam tendo como pano de fundo a paisagem fantástica do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

A Ana e a Lilian, do Nerds Viajantes, conversam tendo como pano de fundo a paisagem fantástica do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Um incrível encontro na paisagem maravilhosa do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina. Lá estava a Lilian, da famosa dupla Nerds Viajantes

Um incrível encontro na paisagem maravilhosa do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina. Lá estava a Lilian, da famosa dupla Nerds Viajantes


Um incrível encontro na paisagem maravilhosa do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina. Lá estava a Lilian, da famosa dupla Nerds Viajantes

Um incrível encontro na paisagem maravilhosa do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina. Lá estava a Lilian, da famosa dupla Nerds Viajantes


O Helder, marido da Lilian, tinha ido subir o Pliegue Tumbado enquanto ela preferiu ficar ali embaixo mesmo. Nós nos separamos com a missão e intuito de encontrar o Helder na nossa subida e avisá-lo que a Lilian já estava retornando. Dito e feito, já na metade da subida nós o encontramos. Novamente, uma festa! Fotógrafo por amor, ele estava absolutamente impressionado com a beleza desse lugar. Na verdade, quem não estaria? Mas para um fotógrafo, é ainda mais especial.

A paisagem montanhosa do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

A paisagem montanhosa do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Trecho final da subida da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina

Trecho final da subida da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina


Chegando ao cume da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Ncional Los Glaciares, em el Chaltén, na Argentina

Chegando ao cume da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Ncional Los Glaciares, em el Chaltén, na Argentina


A gente se despediu com a promessa de nos reencontrarmos mais tarde, na cidade. E lá foi ele, em busca de sua cara-metade enquanto a gente chegava, enfim, ao cume da montanha. Éramos uns dos últimos a chegar lá hoje, a grande maioria das pessoas já fazendo o caminho de volta. O esforço valeu cada gotinha de suor e ficamos um bom tempo por lá admirando a vista. O tempo já não estava tão limpo na direção das montanhas, mas o Fitz Roy é bonito de qualquer maneira. Na direção oposta, pela primeira vez víamos o lago Viedma, alimentado pela geleira de mesmo nome e que nasce ali, a poucos quilômetros de onde estávamos, no Campo de Gelo Sul. O sol batia em suas águas iluminando sua cor, algo entre o vede e ao azul, esbranquiçada.

Vista do alto da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina

Vista do alto da Loma del Pliegue Tumbado, em El Chaltén, na patagônia argentina


A Ana no cume da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Ncional Los Glaciares, em el Chaltén, na Argentina

A Ana no cume da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Ncional Los Glaciares, em el Chaltén, na Argentina


Chegando ao cume da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Chegando ao cume da Loma del Pliegue Tumbado, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Meia hora depois, hora de voltar. O caminho, que já havia sodo agradável na vinda, foi ainda mais gostoso na volta. Agora que já o conhecíamos, já sabíamos exatamente os melhores pontos de parada, de descanso e de água. Além disso, para baixo e com menos peso, todo santo ajuda. A vista sim é que era diferente, as montanhas nas nossas costas e o vale e a planície à nossa frente. Nem vimos o tempo passar e os telhados coloridos das casas de Chaltén já apareceram no nosso radar. Mais uns poucos minutos é já estávamos no Centro de visitantes.

Uma geleira desce a montanha no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

Uma geleira desce a montanha no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Do alto da Loma del Pliegue Tumbado, vista do lago Viedma, em El Chaltén, na patagônia argentina

Do alto da Loma del Pliegue Tumbado, vista do lago Viedma, em El Chaltén, na patagônia argentina


Lá nos esperava a Fiona e os Nerds Viajantes. Eles tinham chegado há pouco também, fizemos festa novamente e pudemos conversar com mais calma. Eles já estão de partida, chegaram aqui já há alguns dias e nos deram várias dicas das trilhas que já fizeram e que ainda vamos fazer. Seguem para El Calafate, onde está o mítico glaciar Perito Moreno e tudo indica que poderemos nos encontrar novamente por lá, em poucos dias.

No alto da Loma del Pliegue Tumbado, maravilhados com a grandiosidade da paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

No alto da Loma del Pliegue Tumbado, maravilhados com a grandiosidade da paisagem do Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


No alto da Loma del Pliegue Tumbado, com o lago Viedma ao fundo, em El Chaltén, na patagônia argentina

No alto da Loma del Pliegue Tumbado, com o lago Viedma ao fundo, em El Chaltén, na patagônia argentina


A conversa continuou pelo resto da tarde e início da noite, em um dos restaurantes da cidade. Eles partem, nós ficamos. Ainda temos muitos quilômetros de trilha pela frente. A começar pela trilha da Laguna Torre, aquela que vimos de cima hoje. Amanhã, veremos os tais “pequenos blocos de gelo” de perto...

Chegando de volta à El Chaltén, na patagônia argentina depois de percorrer a trilha da Loma del Pliegue Tumbado

Chegando de volta à El Chaltén, na patagônia argentina depois de percorrer a trilha da Loma del Pliegue Tumbado

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Reveillon!

Guatemala, Antigua

Muita festa na virada do ano em Antigua, na Guatemala

Muita festa na virada do ano em Antigua, na Guatemala


Mais um ano se passou! Normalmente, quando chega essa época, gostamos de olhar para trás, para os últimos doze meses e nos perguntar: “Valeu à pena ter vivido este ano?” “Siiimmm!” – é a resposta! Nosso primeiro ano passado inteiramente nas estradas valeu muito a pena!

Festa de reveillon em Antigua, na Guatemala

Festa de reveillon em Antigua, na Guatemala


Parece que foi ontem, mas ao mesmo tempo, parece que foi um século atrás, considerando tudo o que fizemos desde aquele 31 de Dezembro passados no interior da Paraíba, na Laje do Pai Mateus. Para quem não leu, aqui está o post: http://www.1000dias.com/rodrigo/reveillon-no-pai-mateus De lá para cá, viajamos por boa parte das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, passamos por todos os países sul americanos com exceção de Uruguai e Venezuela, estivemos duas vezes no Caribe onde visitamos onze países e conhecemos todos os países da América Central, com exceção de Belize. Um belo ano!

Vestido para o reveillon em festa em Antigua, na Guatemala

Vestido para o reveillon em festa em Antigua, na Guatemala


Desta vez, quis o destino que passássemos o réveillon na bela e charmosa Antigua, um dos principais destinos turísticos da Guatemala. A cidade está lotada para a passagem de ano, turistas do mundo inteiro e também muitos guatemaltecos.

Celebração de Ano novo em Antigua, na Guatemala

Celebração de Ano novo em Antigua, na Guatemala


A nossa programação começou com uma ceia no hotel Euro Maya, de uma simpático casal formado por um guatemalteco e uma espanhola. Por isso mesmo, várias das participantes eram espanholas, amigas conterrâneas da anfitriã. Também estavam a Rosana, nossa mais nova amiga da cidade e dois penetras brasileiros, trazidos por ela, além de outros amigos do casal e hóspedes do hotel.

Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Os 25 dólares da entrada davam direito a um delicioso pernil e acompanhamentos, duas taças de vinho e duas taças de cava, além de um kit réveillon, composto por máscara, chapéu, apito, serpentina e outros apetrechos festivos. Devidamente alimentados, mamados e fantasiados, saímos todos para a Porta do Hotel para a contagem final, acompanhada com uvas, promessas e desejos. Ao final, foguetes para comemorar.

Fogos anunciam a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Fogos anunciam a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Os nossos desejos, como não poderia deixar de ser, além das tradicionais energias positivas enviadas a todos os familiares e amigos queridos, foram de mais um ano cheio de viagens e descobrimentos, novos amigos e experiências. Daqui a um ano, vamos conferir como foi...

Festejando a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Festejando a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Depois, ainda tivemos energia para passar um tempo num bar de amigos da Rosana com a melhor vista da cidade iluminada para as festas. A nossa primeira madrugada do ano foi quase toda acordada! Mas precisamos ir dormir para conseguirmos acordar antes das 11 da manhã. Este é o prazo para usufruirmos do prêmio que eu ganhei na rifa organizada no hotel onde tivemos a ceia. Ganhei um café da manhã com acompanhante num dos mais famosos e caros hotéis da cidade. Hehehe, nada como começar o ano ganhando um sorteio! Agora, só não posso perder o prêmio, se não dá azar...

Primeira madrugada de 2012 em Antigua, na Guatemala

Primeira madrugada de 2012 em Antigua, na Guatemala

Guatemala, Antigua,

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Cumprindo as Obrigações

Brasil, São Paulo, Ribeirão Preto

Dia de chuva, no Pinguim, em Ribeirão Preto - SP

Dia de chuva, no Pinguim, em Ribeirão Preto - SP


Nosso primeiro compromisso do dia em Ribeirão Preto foi regularizar nossa situação eleitoral. No ano passado, no segundo turno das eleições, estávamos em Itacaré - BA e perdemos o horário para justificar o voto. Dia lindo com muito sol, nada mais justificável, certo? Errado! Pelo menos, foi o que pensaram nossos respectivos juízes, em Curitiba e Ribeirão, quando receberam nossas cartas com justificativas esfarrapadas. Então, hoje foi dia de resolvermos esse imbroglio no TRE aqui de Ribeirão. Felizmente, daqui mesmo também conseguimos regularizar a situação da Ana, lá de Curitiba. Multa de três reais para mim e de seis para a Ana, que tinha também uma pendência de 2006. Tudo resolvido e agora com documentação pronta para a emissão dos nossos novos passaportes, semana que vem, em Curitiba.

O famoso bar Pinguim, em Ribeirão Preto - SP

O famoso bar Pinguim, em Ribeirão Preto - SP


Feito isso, fomos para a "obrigação" seguinte, logo ali do lado: tomar um chopp gelado no Pinguim, o mais tradicional bar da cidade e um dos mais conhecidos do país. Todas as eleições, de prefeito à presidente, lá vão os candidadtos tomar um choppinho por lá, obrigação também de todos os visitantes dessa cidade.

O histórico teatro Pedro II, em Ribeirão Preto - SP

O histórico teatro Pedro II, em Ribeirão Preto - SP


Sinceramente, acho que o chopp já não é mais aquele, das décadas de 80 e 90, quando não havia espuma, mas um creme delicioso de colarinho. Mas a atmosfera charmosa de outras épocas continua a mesma e o chopp ainda é bem gelado. O clima chuvoso não nos impediu de ir lá cumprir nossas obrigações!

Chopp gelado no Pinguim, em Ribeirão Preto - SP

Chopp gelado no Pinguim, em Ribeirão Preto - SP


Voltamos para a casa dos meus pais, infelizmente sem eles. Demos o azar de passar por Ribeirão Preto bem no período em que eles não estão, se divertindo em em suas próprias viagens. Vamos redobrar nossos esforços para que, nessa nossa nova etapa de viagem, mais internacional do que nunca, eles venham nos encontrar em algum lugar dessa bela américa. Opções não vão faltar!

Momentos de descontração no Pinguim, em Ribeirão Preto - SP

Momentos de descontração no Pinguim, em Ribeirão Preto - SP


De noite, o último compromisso: reencontro com amigos antigos, colegas do tempo do colégio, gente que eu não via há mais de 20 anos! Há um mês, acompanhei de longe, via internet, o reencontro de quase 25 deles, de uma turma de 40. Muito legal! Hoje foram bem menos, oito deles, mas o bastante para já dar um gostinho e dar boas risadas de histórias antigas. Ano que vem, comemoração de 25 anos de formados. Onde será que estaremos? Será que vai dar para vir? Tomara!

Reencontro com os amigos da época do colegial, no Marista, em Ribeirão Preto - SP

Reencontro com os amigos da época do colegial, no Marista, em Ribeirão Preto - SP

Brasil, São Paulo, Ribeirão Preto,

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Strathcona e o Thanksgiving Canadense

Canadá, Campbell River

O belíssimo cenário do Buttle Lake, no Strathcona Provincial Park, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

O belíssimo cenário do Buttle Lake, no Strathcona Provincial Park, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Nossa primeira noite na Vancouver Island foi na cidade de Campbell River, bem em frente ao canal marinho que separa a ilha do continente. Além da magnífica vista do quarto do nosso hotel, a cidade não tem muitos atrativos. Em compensação, logo ali do lado está o Strathcona Provincial Park, o maior parque da ilha, criado para proteger dezenas de lagos, cachoeiras, rios, geleiras, florestas, montanhas e, enfim, algumas das mais belas paisagens da Columbia Britânica.

Strathcona Lodge, bem ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Strathcona Lodge, bem ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Nosso programa de hoje foi conhecer a parte baixa desse parque, mais perto de onde estamos. Amanhã, já no nosso caminho para o sul, vamos visitar também o “Forbidden Plateau” (que nome mais legal!), a parte alta do Strahcona, onde estão as montanhas mais altas de Vancouver Island, assim como as melhores pistas de esqui da região.

O belíssimo cenário do Buttle Lake, no Strathcona Provincial Park, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

O belíssimo cenário do Buttle Lake, no Strathcona Provincial Park, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Foram cerca de 50 km em direção ao interior da ilha e chegamos ao parque e a seu mais famoso lago, o Buttle Lake. A primeira coisa a fazer foi parar no Strathcona Lodge, tradicional hotel da região e que também serve como fonte de informações sobre as dezenas de trilhas nas redondezas. O lodge está num lugar lindo, na beira do lago e nós até nos arrependemos de não ter programado de dormir por lá mesmo. Nosso hotel em Campbell River já estava pago, mas ao menos o jantar seria ali. Antes disso, muitas trilhas para fazer!

Respirando fundo o ar puro da floresta do Strathcona Provincial Park, no interior da  Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Respirando fundo o ar puro da floresta do Strathcona Provincial Park, no interior da Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Seguimos pela estrada que rodeia o lago, absolutamente impressionados com a beleza da paisagem. Quando achamos que já vimos todos os lagos bonitos do Canadá, eis que sempre aparece mais um! Cada um com sua beleza particular, não dá para dizer qual é o mais bonito. Este aqui, com uma água verde escura, montanhas cobertas por florestas de pinheiros ao seu redor e montanhas nevadas ao fundo, é uma verdadeira pintura. Uma não, várias! A cada curva, um novo espetáculo!

Caminhada até uma das cachoeiras do Strathcona Provincial Park, no interior da  Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Caminhada até uma das cachoeiras do Strathcona Provincial Park, no interior da Vancouver Island, costa oeste do Canadá


A simpática atendente do lodge tinha nos indicado três trilhas para fazer. Todas para ver cachoeiras, nenhuma muito longa. Afinal, tínhamos começado tarde o nosso dia. Ela até nos disse qual das cachoeiras seria a mais bonita, que não poderíamos deixar de fazer.

Admirando as árvores centenárias do Strathcona Provincial Park, no interior da  Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Admirando as árvores centenárias do Strathcona Provincial Park, no interior da Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Resolvemos começar pela mais distante, justamente aquela com uma trilha mais longa, quase dez quilômetros entre ida e volta. Trilha pela mata, ar puro da montanha, saúde pura! Ao final da trilha, uma bela cachoeira formando um pequeno lago no fundo do canyon. Água direto da geleira, então, dá para imaginar a temperatura. Boa para ver, e só...

Uma das mais belas cachoeiras do Strathcona Provincial Park, no interior da  Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Uma das mais belas cachoeiras do Strathcona Provincial Park, no interior da Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Fomos então para a segunda e, exatamente como ela havia dito, a mais bonita. Caía em vários andares, formando piscinas em cima de uma pedra bem branca. Linda! A formação me lembrou a de várias cachoeiras tupiniquins. Com uma diferença: o frio! Aqui, nem sendo muito masoquista dá para encarar. Uma pena! Ficamos só na vontade mesmo. E nas fotografias...

Águas tentadoras, mas geladas, em cachoeira no Strathcona Provincial Park, no interior da  Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Águas tentadoras, mas geladas, em cachoeira no Strathcona Provincial Park, no interior da Vancouver Island, costa oeste do Canadá


A terceira cachoeira não passava de uma aguinha escorrendo nas pedras. Com o estômago roncando, sem mais delongas, voltamos para o lodge. Queríamos jantar ainda com luz, para aproveitar a vista do lago. Só que acabamos ganhando bem mais do que isso...

Celebração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Celebração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Mesa de aperitivos para o jantar de celebração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Mesa de aperitivos para o jantar de celebração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Chegamos lá bem na hora em que se iniciaria o jantar especial em comemoração ao Thanksgiving Canadense. Aqui, esse feriado é sempre celebrado na segunda segunda-feira de Outubro, ou seja, amanhã. Aqui no lodge, resolveram antecipar para o domingo mesmo. Melhor para nós! O jantar estava lotado, mais da metade dos presentes da família que, já há mais de 50 anos, construiu e administra o lugar. Rapidamente, arrumaram um lugar para nós!

Fim de tarde no Buttle Lake, no Strathcona Provincial Park, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Fim de tarde no Buttle Lake, no Strathcona Provincial Park, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Nosso jantar de comemoração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Nosso jantar de comemoração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá


Não demorou muito para descobrirmos que a família possui vários atletas olímpicos canadenses. Todos ali, ceiando também. Entre eles, a “simpática atendente” que nos ajudou pela manhã. Com aquele fabuloso lago ali na frente, adivinha a modalidade? Remo, é claro! E assim, em tão honrosa companhia, com peru, purê, vinho e torta de maçã, celebramos o nosso primeiro Thanksgiving da viagem. E olha que mês que vem já tem outro, lá no Tio Sam. Vamos ficar mal acostumados, hehehe

Nosso jantar de comemoração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Nosso jantar de comemoração do Thanksgiving Day no Strathcona Lodge, ao lado do Buttle Lake, na Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Canadá, Campbell River, British Columbia, cachoeira, Parque, Strathcona, trilha

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Mariana

Brasil, Minas Gerais, Mariana

Bela vista do centro histórico de Mariana - MG

Bela vista do centro histórico de Mariana - MG


Além do mergulho, a Mina da Passagem também é um ponto turístico muito importante da região. Enquanto estávamos por lá, nos preparando para mergulhar ou nos secando após o mergulho, dezenas de pessoas passarm por nós, visitando a parte seca da mina. Nós nos tornamos "outra" atração turística para eles. A mina impressiona: são dezenas de quilômetros de túneis, escavados primeiramente à mão e depois com muita dinamite. Um verdadeiro labirinto que deixa os visitantes tontos. A idéia de pessoas vivendo e trabalhando ali é bem claustrofóbica.

Trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG

Trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG


A entrada e a saída são feitas num pequeno trem, misto de trem fantasma e montanha russa. Lá embaixo, o guia leva os turistas para um pequeno passeio onde é possível nadar nas águas transparentes da mina, que tem temperatura constante de 21-22 graus ao longo do ano. No fim do passeio, o guia ainda ensina técnicas de garimpagem e de como usar uma bateia para separar o ouro do barro e da terra.

No trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG

No trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG


Depois do mergulho, fomos aproveitar o sol de fim de tarde para passear no belo centro histórico de Mariana, a primeira capital das Minas Gerais. Fundada no finzinho do séc. XVII, a cidade tem uma miríade de igrejas (duas torres) e capelas (uma torre) espalhadas pelas suas simpáticas rua de pedra. Transitar com a Fiona por essas ruas estreitas de cidades históricas não é tarefa fácil e sempre a primeira coisa a fazer é estacionar e sair caminhando.

Igreja do Carmo em Mariana - MG

Igreja do Carmo em Mariana - MG


Como já conhecíamos a cidade, foi um passeio rápido e um lanche gostoso à base de empadas na praça do agito. Transitamos entre as igrejas e capelas, inclusive pela mais antiga de Minas, que tem um orgão alemão bem famoso. Pena não termos estado lá durante o concerto, que é feito duas vezes por semana.

Casario e suas sacadas, em Mariana - MG

Casario e suas sacadas, em Mariana - MG


A simpática e tranquila Mariana ficou para trás e amanhã temos encontro marcado com sua irmã mais nova, porém bem mais famosa: Vila Rica, ou Ouro Preto, como foi rebatizada...

A história de Mariana - MG

A história de Mariana - MG

Brasil, Minas Gerais, Mariana, Mina da Passagem

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O Fim do Canyon, do Mundo e dos 1000dias

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon

Descansando e admirando a paisagem da trilha que desce até o fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Descansando e admirando a paisagem da trilha que desce até o fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Dezoito anos atrás eu fazia uma viagem parecida com essa. Quer dizer, mais ou menos. Eu também atravessava a “América” de carro, mas o carro não era meu, eu estava só, a tal “América”, na verdade, era só os Estados Unidos e os 1000dias eram apenas dez. Recém formado, tinha vindo passar uns meses em Nova Iorque, para estudar inglês. Aproveitava a mamata de minha irmã ter um apartamento na cidade. Ao final do curso, consegui outra mamata: uma família de New Jersey estava se mudando para Phoenix, no Arizona, e precisava que alguém levasse o seu carro até lá, um Pontiac. Pagariam até o combustível e mais uma pequena ajuda para a alimentação. O único porém é que eu deveria fazer o percurso em, no máximo, 10 dias.

No ônibus, a caminho do início da trilha para descer o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

No ônibus, a caminho do início da trilha para descer o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Visão de um ensolarado Grand Canyon, antes de iniciarmos a trilha que desce até o rio Colorado, no Arizona, nos Estados Unidos

Visão de um ensolarado Grand Canyon, antes de iniciarmos a trilha que desce até o rio Colorado, no Arizona, nos Estados Unidos


Achei muito bom negócio e mergulhei na América. Naquela época, não tinha GPS nem copilota, mas tinha bons mapas e as estradas são muito bem sinalizadas. Tratei de montar um roteiro de 10 dias, com muita estrada e algumas paradas chaves. Uma delas foi o Grand Canyon, já quase no final da viagem. Como tudo o que fiz naqueles dias, foi literalmente correndo. Cheguei aqui pela manhã, corri até rio Colorado, 1.000 metros abaixo, comi um sanduíche e voltei no trote. Quando o sol se escondeu, na parte final da subida, passei um frio danado, o corpo reclamando da falta de energia e excesso de esforço. Lembro da felicidade em chegar ao ar aquecido do Pontiac. Depois, num último esforço, ainda dirigi até Flagstaff, onde desabei na primeira cama de hotel. Doze horas mais tarde, acordei com uma linda vista pela janela, uma grande montanha coberta de neve. Engraçado que é exatamente essa a minha lembrança mais forte, dezoito anos depois, daqueles dez dias: a montanha nevada na janela, uma visão quase mágica para alguém que quase nunca havia visto neve antes disso.

Início da trilha de descida do Grand Canyon, o caminho cheio de neve e gelo, no Arizona, nos Estados Unidos

Início da trilha de descida do Grand Canyon, o caminho cheio de neve e gelo, no Arizona, nos Estados Unidos


Início de caminhada, a trilha ainda na sombra enquanto, ao fundo, o sol inunda o Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Início de caminhada, a trilha ainda na sombra enquanto, ao fundo, o sol inunda o Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Esses eram meus pensamentos enquanto estávamos no ônibus que recolhe pessoas em vários pontos do parque para deixá-los no início da trilha de South Kaibab, um dos caminhos até o rio Colorado, no fundo Grand Canyon. Eu e a Ana fomos “recolhidos” no escritório que emite as autorizações para se acampar no parque. São cinco dólares de taxa, mais cinco dólares por noite. Assim, pagaríamos 10 dólares cada um, bem mais barato que os quase 100 que pagaríamos para ficar no lodge. Já o ônibus, é um serviço gratuito do parque, desde que você tenha pago seu ingresso para entrar nele. Nós, com nosso vale anual, não precisamos pagar ingresso. Aliás, esse vale foi um dos melhores investimentos que fizemos por aqui. Custou 80 dólares. Se somássemos todos os ingressos dos parques que visitamos esse ano, certamente esse número estaria acima dos trezentos...

A magnífica vista do Grand Canyon enquanto descemos, o sol tomando conta da paisagem, de pouco em pouco (no Arizona, nos Estados Unidos).

A magnífica vista do Grand Canyon enquanto descemos, o sol tomando conta da paisagem, de pouco em pouco (no Arizona, nos Estados Unidos).


Mas, voltando ao ônibus, nós e outros oito turistas fomos deixados na South Kaibab Trail, cujo ponto inicial está a alguns quilômetros da área central do parque. Nossa ideia era descer por ela e subir amanhã pela Bright Angel Trail, que já chega à borda do canyon bem pertinho de onde ficou a Fiona. Vamos assim completar um circuito, descendo hoje cerca de 1.450 metros ao longo de 11,3 quilômetros de trilhas e subindo amanhã 1.330 metros distribuídos em pouco mais de 15 quilômetros de trilhas. Por mais que me esforce, não consegui lembrar o caminho que fiz da outra vez. Só me lembro da montanha nevada na janela...

Durante a trilha de descida, admirando a paisagem do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Durante a trilha de descida, admirando a paisagem do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Hoje, dia inteiro para descer, a única preocupação era mesmo o gelo na trilha. Mas cartazes no início do caminho tentavam nos alertar de outros perigos. Todos os anos, morre gente por aqui. Seja por descuido, seja por imprudência, seja por mal planejamento. Quase sempre, ocorrem nos meses mais quentes, quando a temperatura pode atingir facilmente os 40 graus, sob um sol inclemente. O cartaz que mais chamou minha atenção foi aquele que alertava: “Você acha que o Grand Canyon pode matar alguém que já correu a maratona de Boston?”. Para quem não sabe, a maratona de Boston é a mais antiga e tradicional do mundo. Não é qualquer um que pode correr ali. É preciso correr abaixo de um tempo índice antes. Esse tempo índice depende da faixa de idade, mas são tempos sempre fortíssimos. Por exemplo, na faixa de 35-40 anos, para homens, para correr em Boston, é preciso já ter corrido uma maratona em menos de 3 horas. Quem já correu uma maratona sabe o que isso significa. Enfim, correr em Boston é sinônimo de ser um excelente corredor no auge da sua forma física.

Descendo até o fundo do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Descendo até o fundo do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Voltando ao cartaz, a resposta é um sonoro “sim!”. E eles dão o exemplo verdadeiro de uma maratonista de Boston que veio ao Grand Canyon com uma amiga. Queriam descer por aqui e fazer uma trilha de cerca de 25 quilômetros. Levavam suas barras de cereais e um litro de água para cada uma. Acabaram se perdendo no caminho que seguia por trilhas secundárias. A amiga teve insolação e não conseguia mais sair do lugar. A maratonista deixou o resto da água que ainda tinha com ela e correu para pedir ajuda. Vinte e quatro horas mais tarde, o socorro encontrou a amiga ainda viva. A maratonista não teve a mesma sorte, sucumbindo ao calor e desidratação. Hoje, além de ex-maratonista, ele serve de exemplo a todos os que se aventuram naquela trilha e param para ler aquele cartaz...

Mulas trazem turistas do fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Mulas trazem turistas do fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Pausa para lanche na espetacular trilha que desce o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Pausa para lanche na espetacular trilha que desce o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Enfim, nós tínhamos comida e água mais que suficientes, o clima nos era bem mais favorável e não estávamos com pressa para chegar. Bem diferente de 18 anos atrás. Deixamos que os outros turistas começassem antes de nós, todos com seus calçados envolvidos nas correntes antiderrapantes e seguimos cuidadosamente. Um escorregão ali e outro aqui, mas nada de perigo, apenas diversão. Deu logo para ver que hoje não precisaríamos delas. A outra trilha promete ser mais escorregadia, mas subindo fica mais fácil se equilibrar.

Já se percebe perfeitamente o 'canion interior', dentro do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Já se percebe perfeitamente o "canion interior", dentro do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Enfim, passada essa preocupação, todo o resto foi só contentamento. A cada curva, a cada minuto, a paisagem era simplesmente deslumbrante. O cenário que nos envolvia tinha uma beleza muito além de palavras para descrevê-la. A grandiosidade é quase asfixiante. Eu, que não sou muito religioso, a todo momento tinha a vontade de agradecer a alguém, ou a alguma coisa, a oportunidade de estar lá. Seja a um deus que vive lá encima, seja ao destino, seja à natureza, seja ao universo, alguém tem de ser parabenizado por esse “trabalho” tão perfeito.

Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


E felizes daqueles que podem passar por aqui! De preferência, com calma e máquina fotográfica nas mãos, com a paciência que o cenário nos inspira. Um sanduíche na mochila também ajuda! Parar para um lanche cercado pelas enormes paredes do Grand Canyon não tem preço!

Pela primeira vez, observamos diretamente o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Pela primeira vez, observamos diretamente o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A grosso modo, a trilha desce primeiro pelas paredes do canyon exterior, depois abaixa lentamente através de um platô intermediário até descer novamente em ziguezague pelas paredes do canyon interior. É só nesse ponto que passamos a ver o rio Colorado, lá embaixo. No caminho, fomos fazendo amigos e conhecidos, gente que começou a trilha mais cedo ou pessoas que deixaram para acordar mais tarde. Conversamos muito com um simpático e energético casal sexagenário, que costuma fazer essa trilha duas vezes ao ano, já há bastante tempo. Conhecem todos os caminhos por aqui e disseram que o ideal é reservar duas noites lá embaixo.

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A gente chegou ao canyon interior no meio da tarde, quando o rio recebia seus últimos raios de sol. Emocionante vê-lo novamente, depois de tanto tempo. Um pouco mais tarde, após o último ziguezague da trilha, atravessávamos o túnel na rocha que dá acesso à ponte pênsil que atravessa o rio. Menos de um quilômetro depois, chegamos á área de camping, dentro de um canyon lateral do Grand Canyon. Encontramos um lugar vago, armamos nossa barraca e, sem peso, saímos para uma caminhada de fim de tarde.

Uma majestosa lua nasce sobre as paredes internas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Uma majestosa lua nasce sobre as paredes internas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Seguindo conselhos, fomos explorar a Clear Creek Trail, que sobe quase duzentos metros do outro lado do rio Colorado, na borda norte. Ali, atingimos novamente a linha do sol e, do alto de um mirante, tínhamos uma visão fantástica do rio e do canyon interior abaixo de nós, enquanto as paredes do canyon exterior, ao longe, cobriam o nosso horizonte, soberanas. Foi o momento de pararmos para admirar a natureza a nossa volta. Realmente, era difícil acreditar que tudo aquilo, e o resto do mundo, pudesse acabar mesmo hoje. Mas se acabasse, aquele era um bom lugar para se estar.

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Quem nos acompanha desde que iniciamos essa viagem sabe que nós botamos o pé na estrada há exatamente 1000 dias. A ideia, e a brincadeira, era aproveitar os últimos 1000 dias do planeta da melhor maneira possível: viajando e conhecendo nosso continente. Hoje, 1000 dias depois, estaríamos de volta em casa, junto a amigos e familiares queridos, prontos para o fim dos tempos. Mas, poucos meses depois do início da viagem, começamos a desconfiar que essa história de fim do mundo era conversa mole. Além disso, por duas vezes retornamos à Curitiba, para ver a sobrinha nascer e vê-la novamente completando um aninho de idade. Ficamos na cidade parados mais do que pretendíamos e tratamos de descontar esse tempo da nossa “contagem oficial”. Descontamos também o tempo extra passado em Cartagena, na Colômbia, esperando o barco que nos levaria ao Panamá. Tudo porque, sem esses dias, não conseguiríamos dar a volta nas Américas nos 1000 dias planejados.


Magnífica vista do rio Colorado, no alto da trilha Clear creek, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Magnífica vista do rio Colorado, no alto da trilha Clear creek, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


É por isso que, 1000 dias depois daquele 27 de Março de 2010, não estamos em Curitiba, mas no fundo do Grand Canyon. O mundo não acabou e nem a nossa viagem, É... mas e esses cinquenta e poucos dias que restam na contagem oficial serão suficientes para chegarmos de volta ao ponto inicial? Claro que não. E qual a desculpa agora? Bem... basta olhar a nossa volta e ver essa paisagem magnífica, uma pintura! A América é ainda mais bonita e com muito mais lugares para se conhecer do que imaginávamos. Para ver e conhecer tudo isso, os 1000dias vão virar 1000dias + 1. Se os maias erraram sua previsão, porque não podemos errar a nossa? É isso aí, 21 de Dezembro de 2013, a nossa nova data do fim do mundo.

Admirando e curtindo um espetacular fim de tarde no fundo do Grand Canyon, na parte alta da Clear Creek Trail, no Arizona, nos Estados Unidos

Admirando e curtindo um espetacular fim de tarde no fundo do Grand Canyon, na parte alta da Clear Creek Trail, no Arizona, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon, Parque, trilha

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