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Dona Helen (03/03)
Puxa,Rô que inveja!!Você teve razão quando me disse que em cada lugar ...
Karen (03/03)
Oiiii Ro!! Bateu uma saudade de vocês dois e resolvi entrar nos 1000dias...
JOSEANE LUCCHETTE (01/03)
Aymoré (01/03)
Queridos Amigos! Que stress!! A mesinha na piscina, cervejinha gelada, cl...
clenilça alves da silva(cleo) (01/03)
Boa noite Rodrigo, você melhorou?olha cuidado com a saùde de vocês viu...
Forte do Presépio, em Belém - PA
A madrugada de quem parte de Marajó é mais cedo que a madrugada de quem vem para Marajó. Isso porque temos de pegar o ônibus a tempo de pegar a balsa das cinco da manhã para Salvaterra, a única que dá tempo ao ônibus de chegar no ferry antes das 06:15. Enfim, eram pouco antes das 04:30 quando já estávamos na rua esperando nosso ônibus, que passa de hotel em hotel recolhendo quem está indo para Belém. Dez minutos de ônibus depois, vinte minutos de balsa depois, meia hora de ônibus depois, trinta minutos de espera depois, três horas e quinze minutos de ferry depois, chegávamos à Belém. Esse martírio pelo qual passam os turistas e moradores da ilha (que seria muito simplificado se o ferry saísse de Soure) foi alvo de muitas reclamações de moradores e pessoas envolvidas com turismo na ilha. Em tempo: para quem quer perder o dia ao invés da madrugada, tem também o ferry da tarde, que sai às 14:30.
As inconfundíveis torres do Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA
Dessa vez, já nos preparando para o longo dia que seguiria, pagamos sete reais à mais pela Sala VIP do ferry, que tem ar condicionado e poltronas tipo avião, no lugar de bancos. Foi o bastante para eu dormir 90% da viagem. Acordei já perto da chegada, com a Ana ao meu lado assistindo a Ana Maria Braga comentando sobre o Oscar da noite anterior. Assim, enquanto caminhávamos para o nosso hotel, ela foi me atualizando sobre os prêmios. No caminho também, passamos pela agência que enviou a Fiona e lá nos confirmaram que nossa companheira nos esperava sã e salva na capital do Amapá. Oba!
No hotel Unidos, staff super simpático e prestativo, deixamos nossas mochilas (junto com a mala que já estava lá), trabalhamos na internet e saímos para comprar dólares e euros para a nova fase internacional da viagem que se aproxima. Almoçamos num quilo muito bom que tínhamos conhecido antes e, finalmente, estávamos livres para nova sessão de turismo.
Corveta da marinha em Belém - PA
O único "pequeno" inconveniente foi que hoje é uma segunda-feira, dia internacional de atrações turísticas ficarem fechadas. Assim, visitamos belos prédios, mas quase todos eles só pelo lado de fora. Ao menos, ao caminhar, vamos vendo e sentindo um pouco a vida da cidade. Belém, como tantas outras cidades, nasceu junto com um forte, construído pelos portugueses para proteger esta entrada para o rio Amazonas. Aos poucos, a cidade foi assumindo sua óbvia vocação para um grande porto, estrategicamente colocada no encontro do maior rio do mundo com o mar, além da sua proximidade da Europa e hemisfério norte. Com o ciclo da borracha, que chegou a representar quase 40% das exportações brasileiras em finais do século XIX e início do XX, a cidade se enriqueceu e se embelezou, com portentosas construções em estilo europeu. Por aí fomos passear, do antigo forte à estas magníficas construções que agora fazem um século de idade, transformada em museus e galerias.
Canhões do Forte do Presépio, em Belém - PA
Passamos pelo Forte do Presépio, canhões apontados para o rio, berço de Belém, construído em 1616. Muitas fotos, mas só do lado de fora, pois estava fechado. Ao lado, a "Casa das Onze Janelas", antiga residência de um fidalgo, hoje galeria e restaurante com bela vista para o rio, também fechados. Na mesma praça, a Catedral da Sé, mistura de estilo barroco e neoclássico. Aberta!!! O seu interior foi um grande refresco na nossa longa caminhada!
Interior da Igreja da Sé, em Belém - PA
Mais à frente, o MABE, Museu de Arte da cidade, um enorme prédio da época da borracha que já serviu de prefeitura. Além da vasta coleção que inclui até o quadro "Seringal", de Portinari, perdemos também a chance de ver o magnífico assoalho de madeira, daqueles que só se pisa com o sapato protegido. Perdemos porque estava fechado também...
Museu de Artes em Belém - PA
Depois dessa, seguimos para algo que não se fecha numa segunda-feira: um shopping. Hehehe, sempre que vou à shoppings, lembro de uma amiga curitibana e de outro, paulistano, fãs de shopping centers... De tanto que eu os atazanava por isso, cá estou fazendo o que dizia que eles fariam. Bem, no nosso caso, vamos sempre à procura de cinemas. Principalmente inspirados pelo Oscar. Para nossa tristeza, nenhum filme do Oscar estava em cartaz e tivemos que escolher algum outro. É, não temos dado muita sorte com filmes não. O Nicolas Cage deve estar precisando bastante de dinheiro para fazer esse filme de bruxas que ele fez...
Depois do filme, passamos de volta no Teatro da Paz, na Praça da República. Logo ao lado tem um boteco super tradicional, quase centenário. Ele funciona numa pequena casa que era a bilheteria do teatro. Lá comemos um gostoso sanduíche de filet acompanhado de uma cerveja estupidamente gelada. Despedida de Belém!
Bar tradicional na Praça da República, em Belém - PA
Depois, para o hotel, onde conhecemos um casal do Suriname! Eles nos deram muitas informações e a gente até fez câmbio com eles, comprando um pouco de moeda do Suriname e também da Guiana. De pouco em pouco, vamos nos preparando!
Do hotel para o aeroporto. Há vinte um anos, voando de Manaus, chegamos aqui, eu, o Haroldo e o Marcelo em tempo de encontrar meu irmão Pedro, na sala de embarque, indo para Manaus, aonde iria dar um curso. Foi uma rápida conversa pelo vidro, quase mímica, mas que já serviu para aplacar as saudades, depois da longa viagem por Peru e Bolívia. Do aeroporto seguimos para o apartamento da Íris, esposa do pedro, que passava alguns meses em Belém trabalhando em um filme do Babenco, "Brincando nos Campos do Senhor". Nossa... como esses mais de vinte anos passaram rápido! E como Belém mudou!
Sorvete de Açaí no aeroporto de Belém - PA. Rumo à Macapá!
Voltando ao presente, embarcamos para Macapá um pouco antes da meia-noite. Nós dois meio silenciosos, pensativos. Depois, conversando, descobrimos que tínhamos os mesmos pensamentos. Os dois com uma certa dúvida, uma espécie de sentimento que estávamos "trapaceando" ao voar para Macapá, ao invés de irmos de barco. Fizemos isso para ganhar mais um dia em Belém, mas estranhamente, algo não parecia certo. Bom, pelo menos a Fiona nos representou e seguiu de barco, hehehe! Aqui em Macapá, muito bem instalados na Pousada Ekinox, mal posso esperar o sol raiar para ir buscá-la...
Pausa para leitura no Forte do Presépio, em Belém - PA
O visto do Suriname, obtido em Cayenne - Guiana Francesa
Um pouco depois das sete da manhã a Ana já estava na porta do consulado do Suriname, que fica bem perto do nosso hotel, o Best Western Amazonia. Ela foi a terceira à chegar e logo ficou bem amiga do segundo, um alemão que viaja seis meses por ano com um budget de 15 dólares por dia.
Colhereiros e garças aproveitam a maré baixa em Cayenne para se alimentar na lama deixada para trás pelo mar, na Guiana Francesa
Eu cheguei um pouco depois e logo fui procurar um lugar para a foto. Abria às oito, enquanto o consulado abria às nove. Então, fiquei guardando o lugar da Ana enquanto ela foi tirar a foto. Finalmente, tínhamos toda a documentação necessária. O problema agora era o visto demorar dois dias úteis para ficar pronto (sexta) e o fato de não termos passagem de avião para sair do Suriname, já que estamos de carro. Aliás, nem documentação do carro temos, só a brasileira, já que para entrar na Guiana Francesa não nos deram nada de documento pelo carro.
Garça se alimenta durante a maré baixa em Cayenne - Guiana Francesa
Tiramos aí o último ás da manga. Eu fui conversar com uma pessoa bem relacionada que havia nos sido indicada ontem. Ele foi super atencioso e conseguiu me colocar em contato com alguém do consulado, enquanto a Ana ainda estava na fila. Enfim, tudo se deu às mil maravilhas, documentos, formulários e foto entregues, taxa paga e conseguimos um visto de múltiplas entradas e em tempo hábil!
Baía em Cayenne, na maré baixa (Guiana Francesa)
Ou seja, manhâ "ganha" no consulado, pudemos relaxar e passear por Cayenne. Fomos ao antigo porto da cidade onde, hora da maré baixa, garças e colhereiros faziam a festa na nutritiva lama deixada para trás pelo mar.
Passeando no porto velho de Cayenne - Guiana Francesa
Na volta, sempre caminhando, passamos por um lado que ainda não tínhams andado, a Place du Coq. Pelas ruas, se ouve muito português. Acho que brasileiros e chineses disputam o título de maior comunidade estrangeira. Mas o comércio, sem dúvida, é dominado pelos orientais.
Place du Coq, em Cayenne - Guiana Francesa
De noite, tiramos a Fiona da garagem pela primeira vez. Fomos até o subúrbio de Montjoly encontrar a Elza, uma das francesas que conhecemos em Algodoal. Jantamos numa pizzaria gostosa por ali mesmo, conversando e aprendendo sobre o país e seus costumes, principalmente o carnaval. A Elza é uma entusiasta da capoeira e se mudou para a Guiana há pouco tempo. Ela nos contou de uma festa que tem aqui todos os anos, no carnaval, onde as mulheres se fantasiam até ficarem irreconhecíveis, enquanto os homens não se fantasiam. Elas também disfarçam a sua voz de modo que mesmo seus amigos e namorados não às reconhecem. Deste modo, elas sabem sempre quem são os homes, mas estes não sabem com quem estão falando, dançando, bebendo, etc... Ela disse que muita gente desconfia que essa festa foi feita para que as mulheres possam ficar com outros homens, sem serem reconhecidas. Hmmm... espertinhas!
Com a Elza e sua super vespa, depois do jantar em Montjoly, região de Cayenne - Guiana Francesa
Amanhã, vamos a Korou, ao centro espacial. Mas voltamos para dormir em Cayenne, já que todos os hoteis por lá estavam lotados. Depois de amanhã, Île de Salut, perto de Korou também. Mas nesse dia poderemos dormir por lá. Rumo ao oeste!
Uma simpática e fotogênica fêmea de alce (uma "musa") se alimenta no Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Resolvemos hoje não voltar até os tais lagos coloridos que havíamos “pulado” ontem, no final da tarde. Isso significaria retroceder no caminho e nós estávamos com a ideia de seguir em frente. Afinal, o frio está chegando e queremos chegar ao Alaska antes da neve. Além disso, o parque de Jasper tem muitas atrações para o norte também, já no sentido da nossa rota.
O rio Maligne River, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Assim, partimos de mala e cuia para o nosso último dia nesse longo caminho de parques nacionais, desde que saímos de Chicago. Foram cinco nos Estados Unidos e outros três aqui no Canadá, além de outras áreas de grande beleza natural, como Black Hills. A exceção em toda essa “natureza” foi a rápida passagem por Calgary. Agora, daqui para frente, nada de cidades ou parques, apenas 3 mil quilômetros de estradas até Fairbanks, no Alaska.
A parte canadense desse nosso circuito por Parques Nacionais. Com o zoom, é possível ver nossas idas e vindas pelas estradas secundárias desses parques
Mas antes disso, vamos ao dia de hoje, que começou com um incrível canyon num rio “maligno” e terminou com um encontro inesquecível com a mais simpática das “musas”, as fêmeas dos alces (“moose”, em inglês).
Visita ao canyon do Maligne River, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
O rio Maligne é um dos principais a cruzar o Jasper National Park. Ele foi batizado com esse nome por um padre francês que, em suas missões de evangelização, chegou por aqui e precisou cruzar o rio em seu cavalo. Como encontrou grandes dificuldades em fazê-lo, pois o rio é largo e volumoso, chamou o rio com esse nome, já que ele atrapalhava sua missão de cristianizar os índios daqui. O nome acabou pegando...
Observando o canyon do Maligne River, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
O rio só não é largo num trecho de poucos quilômetros onde toda a sua água se avoluma num estreito e profundo canyon. Em algumas partes, são pouco mais de três metros de largura, mas quase cinquenta de profundidade. Imagino que o tal padre tenha pensado em arriscar um salto sobre o vão, mas o difícil foi convencer o cavalo. Foi quando a raiva desse “inconveniente” aumentou e o rio ganhou o seu nome.
O profundo canyon do Maligne River, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Foi exatamente nesse canyon que fizemos nossa primeira parada do dia, percorrendo, pelo alto, alguns de seus trechos mais espetaculares. Hoje, para a inveja do padre, são cinco pontes que cruzam essa verdadeira garganta natural e dão aos turistas os melhores ângulos de observação. A cada curva, novas chances de fotografar e admirar esse incrível trabalho da natureza.
Medicine Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Uma coisa que logo chama a atenção dos mais observadores é que o rio sai com muito mais água do canyon do que tinha quando entrou. A explicação está nos diversos painéis espalhados ao longo da trilha: a região possui um dos maiores sistemas de cavernas alagadas do mundo, ou seja, muita água corre por baixo da terra. A outra ponta desse quebra-cabeça, iríamos conhecer na nossa próxima parada.
Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
E essa próxima parada foi no “Medicine Lake”. O nome, muito mais simpático, foi dado pelos indígenas. Esse lago tem a propriedade de esvaziar durante o inverno, diminuindo seu nível em quase 20 metros. Depois, na primavera, enche novamente. Os índios atribuíam isso à magia, ou à medicina, que na sua cultura, eram quase a mesma coisa.
Fotografando um alce que se alimenta no Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Os pesquisadores atuais, não muito propensos à explicações mágicas, conseguiram resolver o mistério. O lago está conectado à região do canyon por centenas de quilômetros de túneis subterrâneos, por onde sempre corre a água. No inverno, como a água está em forma de neve e gelo, as cavernas dão conta do fluxo do rio. Mas na primavera, com todo aquele gelo derretendo, as cavernas “transbordam” e o lago enche de volta. Para tristeza dos exploradores, a boca dessa cavernas subaquáticas quase sempre está tomada de troncos e sua exploração ainda não foi possível. Eles estão quase concordando com o nome dado pelo padre, hehehe.
Tirando boas fotos de alce no Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Caiaque se aproxima de fêmea de alce no Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Seguimos em frente nessa estrada secundária que segue o rio Maligne e chegamos ao enorme lago em que nasce o rio, também chamado de Lake Maligne. Uma paisagem fantástica, cercado de montanhas e florestas, paraíso da vida selvagem e de quem gostas de passear de barco e pescar. O lago ´´e muito longo e só mesmo de barco para chegar aos seus mais belos confins. Mas nós não tínhamos tempo para pegar um dos tours que saíam de lá e ficamos mesmo apenas por ali, na orla, admirando a natureza exuberante que nos cercava.
Uma simpática e fotogênica fêmea de alce (uma "musa") se alimenta no Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Foi quando vimos um vulto estranho se movimentando na água e várias pessoas se dirigindo para lá. Nós também fomos e não demorou muito para descobrir o que era: um alce se alimentando tranquilamente de algas lacustres. Na verdade, não era um alce, mas “uma” alce. As fêmeas da espécie não tem aqueles chifres gigantescos e fica bem fácil discerni-los.
Uma simpática e fotogênica fêmea de alce (uma "musa") se alimenta no Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Simpaticíssima, como quase todas as fêmeas de todas as espécies, ela parecia adorar ser fotografada e ficou ali, posando para nós, enquanto comia algas suculentas. Na verdade, parecia até sorrir, muito feliz com seus quinze minutos de fama. A Ana fez uma sequência linda de fotos, assim com também devem ter feito outros fotógrafos felizardos que ali estavam.
Uma simpática e fotogênica fêmea de alce (uma "musa") se alimenta no Maligne Lake, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
A festa acabou quando chegou um funcionário do parque, dispersando todo mundo. Dizia que alces eram perigosos e que há mais acidentes com alces do que com ursos. Talvez, porque ninguém tema o maior de todos os membros da família dos cervídeos, um animal com mais de 600 quilos e muito territorialista. Nós mesmos, na nossa épica caminhada no parque Grand Teton, estivemos por uns 10 minutos a poucos metros de um grande alce macho, que se alimentava na trilha. Procedimento completamente não recomendável pelas normas de segurança. Enfim, não tivemos nenhum problema. Aqui também, a nossa “musa” (mulher do moose) fotogênica não parecia oferecer nenhum perigo e, para falar a verdade, foi quem ficou mais triste com a chegada do park ranger...
Painel explicativo sobre os diversos tipos de cervídeos, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Depois desse maravilhoso encontro, comemos num restaurante ali mesmo e pegamos a estrada de volta para o caminho principal. Ainda na estrada secundária, novo encontro com a vida selvagem, dessa vez com um apressado coiote. Aqui, tivemos de ser mais rápidos com as fotografias, pois acho que o coiote era macho e não gostava muito dessas coisas. Pelo menos, não havia park ranger para nos atazanar, hehehe
Encontro com coiote no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Ainda deu tempo de pegarmos outra estrada para vermos uma fonte de águas termais. O local já é explorado comercialmente há quase um século e, ao ver aquela piscina lotada de gente, não animamos muito a entrar não. Mas a magnífica paisagem que atravessamos para chegar até lá já valeu o desvio, com certeza!
Um dos rios no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Estrada secundária no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
Agora, ao final desse dia no parque, a nossa cabeça já estava em outro canal: a famosa Alaska Highway, a estrada que corta o Canadá em direção a este estado norte americano. Logo que saímos da área do Jasper National Park, um pouco antes da cidade vizinha de Hinton, onde vamos dormir, lá estava a indicação para o nosso destino. A nossa primeira placa onde se podia ler o nome “Alaska”! Foi emocionante! Um prelúdio da longa jornada que nos espera nos próximos dias. Finalmente, podemos afirmar, em alto e bom tom: “Estamos indo para o Alaska!”.
Nossa primeira indicação para o Alaska, na saída do Jasper National Park, em Alberta, no Canadá
As muitas cachoeiras do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Tivemos mais um dos excelentes cafés da manhã da Pousada Sol da Chapada, em Cavalcante, com direiro a iogurte, futas, granola , pão de queijo quentinho, suco natural, bolo e pães variados, despedimo-nos do Zé Pedrão que foi lá nos ver partir e rumamos para o sul, para Alto Paraíso, a cidade mais conhecida da Chapada dos Veadeiros.
Despedida da Pousada Sol da Chapada e do Zé Pedrão, nosso guia na região de Cavalcante - GO
Alto Paraíso era um distrito de Cavalcante até a década de 50, quando se emancipou. Localizada no ponto mais alto do Planalto Central, a mais de 1.200 metros de altitude, começou a atrair uma "fauna" mais variada a partir de década de 70. Gente que procurava a paz, a iluminação, um modo de vida alternativo, a simplicidade, a "energia" do local ou, simplesmente, as belezas da Chapada dos Veadeiros. Sua população multiplicou-se por dez nos últimos 25 anos, passando de 700 pessoas para pouco mais de 7 mil, metade dela composta por "forasteiros".
Paisagem na chegada à Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros - GO
Nas outras duas vezes que estive por aqui, só tinha visto Alto Paraíso da janela do carro ou do ônibus, no meu caminho para a vila de São Jorge. Dessa vez, nossa idéia foi de dormir na cidade, sentir um pouco do clima "místico" da região, enfim, ver mais de perto porque Alto Paraíso é uma mas mecas espirituais do Brasil. Ao mesmo tempo, queríamos ver também algumas das belezas naturais que cercam a cidade.
Com o Chico e o Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Ligamos para a Flávia, a amiga que tínhamos feito lá em Terra Ronca, e que mora em Alto Paraíso, e a convidamos para ir conosco no Rio dos Couros, complexo de cachoeiras mais famoso de Alto Paraíso. Nossa idéia era ir direto para lá e só no final da tarde procurar e nos intalar em alguma pousada. A Flávia já chamou um guia, o Ivan, a gente se encontrou no centro da cidade e logo já estávamos todos na Fiona indo em direção às "Cataratas do Couro", distante 50 km de Alto Paraíso, 30 deles em estrada de chão.
No Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
No caminho, as belezas do cerrado de altitude onde até o capim está colorido, do verde ao vermelho. A beleza cênica da região é indiscutível, com as montanhas ao fundo emoldurando um cerrado de vegetação mais rala, completamente florido. O carro nos leva até bem próximo e com menos de um quilômetro de trilha já estamos no Rio do Couro, justo no ponto das cataratas. Tem esse nome porque o rio é mais caudaloso e suas cachoeiras são mesmo mais "parrudas". O nome do rio vem do fato que ali era o local onde os caçadores lavavam a pele de suas vítimas.
Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Nós fomos descendo o rio, passando por uma sequência de saltos, cada um mais cênico do que o outro. O Ivan, lá de Piracicaba e radicado em Alto Paraíso recentemente, nos guiava para o poço mais gostoso de nadar e também para o Buracão, uma enorme cachoeira onde o canyon se afunila, tem-se uma vista magnífica e de onde não podemos continuar sem equipamentos apropriados.
Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Antes de chegar lá, passamos num excelente ponto para pulos, para quem gosta de voar mais de dez metros, quase quinze. A tentação foi grande e eu não resisti. Assim, o resto do grupo deu a volta num pequeno morro para chegar ao "andar debaixo" enquanto eu cortei caminho, acrescentando um salto à mais à coleção de saltos do Rio dos Couros. Tudo devidamente registrado pela Ana.
Fim de salto em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Lá embaixo, todos reunidos novamente, nadamos num poço que fica na beira do precipício. Maravilhoso! O próprio poço, com suas águas escuras, já é um precipício preenchido pela água. Mergulhei mais de doze metros e não enxerguei o fundo!
Com a Flávia, Chico e Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Nadando em poço à beira do abismo, no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Todos refrescados, hora de voltar. O cerrado, com a luz do fim da tarde, estava ainda mais belo. Que coisa mais linda! De volta á uma florida Alto Paraíso, ficamos na pousada Catavento, cheia de charmosos chalés. Muito gostoso! A vontade que dá é passar um dia inteiro por lá, relaxando entre a piscina e a ducha, cerveja na mão e a bela vista para as montanhas ao redor...
Com a Flávia, no canyon do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
Mas a programação está corrida. Amanhã cedo vamos para São Jorge, visitar o parque. Afinal, vir até a Chapada e não mostrar o parque para a Ana não tinha sentido. Antes disso, na noite de hoje, ainda tivemos a chance de ir a um barulhento e luminoso bar, o Alquimia, comer bem, ver pessoas e conversar bastante com a Flávia. Muito jóia. Pouco depois da meai noite, de volta para a Catavento, aproveitar, pelo menos por algumas horas, aquela cama gostosa.
Fim de tarde na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO
ADVERTÊNCIA: Seguindo os sábios conselhos do Carlos Ribeiro, que deixou um comentário neste post, faço aqui uma advertência: Jamais salte em algum lago ou poço sem ter a certeza absoluta de que há a profundidade necessária e segura para o salto. Se houver qualquer dúvida, mínima que seja, NÃO salte. O risco não vale à pena! Pedras e troncos podem ter sido trazidos em alguma enxurrada e estar escondidos sobre a água; Agora, se vc já verificou a profundidade e sabe a técnica, curta o salto! A sensação de liberdade e comunhão com a natureza é absolutamente incrível.
Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Ao visitarmos as Islas Flotantes ontem, tivemos nosso primeiro contato com o lago Titicaca. Mas foi só um pequeno aperitivo. As ilhas dos Uros estão localizadas logo no início da baía de Puno, bem próximas da costa. É apenas o início do Titicaca, essa enorme massa d’água localizada em pleno altiplano, a mais de 3.800 metros de altitude, na fronteira entre Peru e Bolívia.
O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru
O lago Titicaca tem quase 15 milhões de anos e muitos o consideram o maior lago da América do Sul. Na verdade, esse posto pertence ao lago Maracaibo, na Venezuela, mas como este está no mesmo nível do mar e é separado do oceano apenas por um canal, muitos argumentam que ele não passa de uma grande baía. Já o Titicaca, no alto dos Andes, sua condição de lago é indiscutível. Na verdade, ele nem tem ligação com o oceano. Alimentado por cerca de 40 rios, suas águas desaguam por apenas um, exatamente o Rio Desaguadero. As águas correm para outro lago mais ao sul, na Bolívia, chamado Poopo, e aí permanecem até evaporarem. Apenas em anos de chuva excepcional, as águas podem chegar até o Salar de Coipasa e de Uyuni.
Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru
Com apenas um rio para vazar suas águas enquanto é alimentado por mais de quarenta, o equilíbrio do Titicaca é mantido pela altíssima taxa de evaporação. Pela grande altitude e alta taxa de sol incidente, essa evaporação é enorme e corresponde a 90% da água perdida pelo lago. Já a água que entra, boa parte dela vem do derretimento de geleiras de montanhas vizinhas. Com a mudança do clima nas últimas décadas, essas geleiras vem diminuindo e, como consequência, o nível de águas no Titicaca também, baixando a níveis nunca vistos no último século. Estudos feitos nos sedimentos do lago e também em suas margens mostra que o nível sempre variou ao longo dos séculos e milênios, sempre acompanhando o tamanho das geleiras e as eras glaciais do planeta.
Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)
Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru
Bem, mesmo com a recente diminuição, o lago continua enorme, chegando a 190 km de comprimento e 80 km de largura, no seu ponto mais largo. A profundidade máxima chega quase aos 300 metros, o que garante uma temperatura relativamente constante ao longo do ano, perto dos 12 graus. Com tanta água assim, vinda principalmente das geleiras, a água é doce, ao contrário do que ocorre com o Poopo que, mesmo alimentado pelas águas do Titicaca, devido a altíssima taxa de evaporação e profundidade de poucos metros, tem uma grande salinidade.
Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Além das muitas espécies de pássaros, três ou quatro espécies de peixes tinham uma boa vida no lago até que, há pouco menos de 100 anos, as trutas foram introduzidas pelo homem. O resultado foi catastrófico para as espécies nativas, já que as trutas, sem inimigos naturais, as devoraram. A única sobrevivente foi uma espécie com muitos espinhos, indigesta até para as trutas. Essas se tornaram o prato principal das pessoas que viviam no lago, mas o excesso de pesca também dizimou a população de trutas nas áreas próximas às grandes cidades, como Puno e Copacabana. Além disso, com a introdução de outro peixe, o king fish, as trutas também se tronaram presas, tornando a sua vida ainda mais difícil.
Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
O Titicaca pode ser dividido em três partes: a pequena baía de Puno, onde estão as Islas Flotantes, o grande lago do norte e o pequeno lago do sul. Esses dois últimos são ligados por um canal mais estreito, de apenas 800 metros. Por aí vamos passar de Fiona, em poucos dias, no nosso caminho entre Peru e Bolívia, entre Puno e Copacabana. Nessa viagem, vamos margear boa parte do lago e ter algumas das mais belas vistas que se pode ter do Titicaca desde terra firme, principalmente na área de Copacabana, já na Bolívia.
Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
A outra maneira de ver esse magnífico lago é de suas ilhas. As principais são Amantani e Taquile, no lado peruano, e a maior de todas, Isla del Sol, no lado boliviano. Nossa ideia é visitar as três, começando por Amantani. Esse foi exatamente nosso passeio de hoje, quando deixamos nosso hotel de Puno para ir dormir na própria ilha, na casa dos moradores. Amantani é a menos turísticas das ilhas e quem a visita, geralmente dorme por lá.
Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
O passeio pode ser através das agências, normalmente mais caros, ou com o barco da comunidade, que foi a maneira que escolhemos. O barco sai bem cedo de Puno, faz uma parada nas Islas Flotantes (como disse no post anterior) e segue para fora da Baía de Puno, para a parte principal do Titicaca, onde estão Amantani e Taquile. Como todos os barcos no lago são muito lentos, é uma viagem longa, mais de três horas de navegação, fora o tempo que ficamos parados nas Islas Flotantes. Tempo mais do que suficiente para admirar o belo lago à nossa volta.
Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Ainda no barco, o capitão divide os passageiros em pequenos grupos, para poder acomodá-los em diversas casas em uma das dez comunidades existentes em Amantani. Assim como nas Islas Flotantes, as famílias se revezam para receber os visitantes, para que todos possam se beneficiar do turismo. Quando chegamos na ilha, essas famílias vem nos receber e nos levar para suas casas, onde teremos abrigo e refeições.
A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
A ocupação de Amantani é pré-incaica e seus habitantes falam quéchua. Com a conquista espanhola, a ilha passou a ser do rei de Espanha que, em 1580, a vendeu a um nobre espanhol que se estabeleceu na América. Foram estabelecidas fazendas e estas foram herdadas por seus descendentes. Mas uma forte seca no início do século passado começou a afastar os grandes proprietários que passaram a vender suas propriedades aos habitantes originais, que nunca haviam saído da ilha, formando sempre a sua classe trabalhadora. Aos poucos, toda a ilha foi vendida e hoje ela está dividida em muitas pequenas propriedades desses habitantes originais. O problema é que não há mais terras para serem vendidas ou cultivadas e as famílias continuam a crescer. As propriedades ficam cada vez menores, mas muitos dos descendentes, ao final, tem de deixar a ilha.
Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Na divisão de grupos, acabamos ficando no maior deles, o que ficaria hospedado na casa do capitão do barco. Conosco, uma família de espanhóis (mãe, filha, filho e nora) e dois amigos, também espanhóis, o Alvaro e o Valentin. Os dois tornaram-se nossos companheiros de exploração, não só de Amantani, mas também Taquile, a outra ilha que visitaríamos no dia seguinte.
Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Nossa casa era uma delícia, combinando charme e simplicidade. Vista maravilhosa para o lago lá embaixo, em meio à pequenas plantações e ruas de pedra. Fomos recebidos com um almoço bem sadio, produtos da própria ilha, desde o queijo e chá até as batatas e o milho. Tudo servido no pátio interno da casa, numa grande mesa comunal. Foi muito joia!
Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Depois do almoço, um tempo para passear ao redor, sentir um pouco do clima campestre e rural de Amantani, o relevo todo aproveitado na forma de terraços agrícolas, pequenas trilhas ligando as diversas comunidades da ilha, algumas poucas lojas e centros comunais, mulheres, homens e crianças em seus trajes típicos e ovelhas pastando tranquilamente. Aqui, não há dúvida, tudo é mais autêntico que nas Islas Flotantes, onde a economia gira completamente em torno do turismo. Em Amantani não, os visitantes ainda são incipientes e as pessoas estão mais preocupadas com sua própria vida e afazeres do que conosco. Aqui, podemos ser mais observadores do que clientes. Uma delícia!
Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
No final da tarde, todos nos reunimos novamente, os visitantes que vieram no barco. Juntos, seguiríamos com o capitão para as duas montanhas da ilha, com cerca de 4.100 metros de altura, mais de 300 metros acima do nível do lago. Além dos santuários que lá existem, é um lugar estratégico para se observar o fim de tarde sobre o lago. Tão espetacular foi essa experiência que vou dedicar o próximo post apenas a ela.
Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
No dia seguinte, após um simples, mas delicioso café da manhã, foi hora de nos despedirmos de Amantani. Ainda tivemos tempo para umas fotografias e uma rápida caminhada em uma das praias de pedra da ilha. Depois, voltamos todos ao nosso barco, para seguirmos à ilha vizinha de Taquile, para uma visita de algumas horas. Foi com dor no coração que deixamos Amantani. Com sua paz, tranquilidade e beleza inspiradoras, é o típico do lugar que eu gostaria de me refugiar para escrever um livro, passar uma temporada de alguns meses de vida bem simples, comida saudável, caminhadas pela manhã e no final da tarde, pores-do-sol inesquecíveis e muitas garrafas de vinho (essas, eu teria de levar, hehehe). Quem sabe, um dia...
Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru
A famosa Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Desde que estamos explorando o interior nordestino, com as honrosas exceções da Chapada Diamantina e do vale do São Francisco, um ponto comum liga todas as belas regiões visitadas: a raridade da água. Para quem estava acostumado com as abundantes cachoeiras de Minas, isso realmente chama a atenção. Principalmente em locais onde percebe-se facilmente que, em algum dia de um remoto passado, a água já foi abundante. As Serras da Capivara, das Confusões e do Catimbau e o Raso da Catarina são ótimos exemplos disso. Os canyons estão lá para mostrar que a água tinha força para alterar a geologia do local. Hoje, ela aparece apenas nos dias de chuva, ou nos poucos meses em que rios temporários renascem das cinzas.
Canyon do rio Soledade, região de Cabaceiras - PB
Eu e a Ana, após caminhadas sob um sol escaldante, sempre esperávamos encontrar água na próxima curva, mas isso não ocorria. Aqui na região do Lajedo do Pai Mateus já estávamos esperando a mesma coisa. Tanto que nosso plano inicial era de partirmos hoje. Para isso, teríamos de abdicar de algum passeio. O sacrificado seria o passeio do canyon. Não que não valesse à pena, mas se tínhamos de sacrificar algo, que fosse mais um canyon seco, depois de tantos que encontramos por aí. Ocorre que, com a maravilhosa aula de ontem nós perdemos o tempo de ir no Lajedo do Pai Mateus. Juntando a isso a vontade de permanecer no conforto do hotel mais um dia e o atraso na nossas obrigações cibernéticas, resolvemos viajar só amanhã. Esse dia a mais nos deu a chance e o tempo de visitar o canyon do rio Soledade.
Nadando no rio Soledade, em Cabaceiras - PB
Pois é, justo esse que nós iríamos pular, justo esse que está na caatinga mais seca que encontramos, foi justamente nesse que encontramos a bendita água que procurávamos. Banhar-se em plena caatinga é um prazer inesquecível e foi assim que começamos o dia! Que beleza!
Cabaceiras - PB
Revigorados, voltamos ao hotel, trabalhamos um pouco, almoçamos saldavelmente e seguimos para a pequena cidade histórica de Cabaceiras, a Roliude brasileira. É assim que se escreve mesmo! Mais de 20 filmes locados aqui nos últimos anos estão transformando a cidade em atração! Não é à tôa que os diretores escolhem filmar por aqui, claro! É como aquele vale próximo ao Grand canyon que aparece em todo faroeste que se preze. Os cenários daqui são cinematográficos! E a cidade, com sua charmosa igrejinha e o casario colorido pode representar muito bem uma típica cidade nordestina. Pronto, melhor receita para a roliude brasileira não pode haver!
Casario histórico em Cabaceiras - PB
Aí chegou o final de tarde e nós fomos à maior atração do nosso dia e de toda a região: o Lajedo do Pai Mateus. Agora já sabíamos o caminho e não precisávamos de guia. Quando lá chegamos, partia o único grupo de pessoas que tinha ido para lá. Resultado: eu e a Ana teríamos um entardecer à dois num dos lugares mais incríveis do sertão e do Brasil!
Fim de tarde no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
O nome do lajedo vem de um curandeiro que teria vivido na região entre o final do séc XVIII e início do XIX. Provavelmente de origem indígena, ou com alguma miscigenação com negros. Sabia curar tudo e morava embaixo do maior dos matacões lá de cima. Mateus escolheu bem o lugar para morar!
Dentro da Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Para mim, o que torna o lugar ainda mais interessante e especial é saber que seres humanos tem frequentado o lajedo por 30 mil anos! É muito tempo! Bom, para os que não acreditam que já havia homens no continente nessa época, então, que seja... eles frequentam o lajedo há 10 mil anos! Continua muito tempo! Ai, se aquelas pedras falassem...
Belo fim de tarde no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Bom, se elas falassem, diriam que 10 ou 30 mil anos não é muito tempo não. Aliás, não é nada para elas! Afinal, essas rochas são do período pré-cambriano. Traduzindo, tem mais de 600 milhões de anos!!! Isso sim é velho!
A casa de Pai Mateus, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Com uma história dessa, quem é que vai dizer que o lajedo não é um lugar especial? AInda mais com aquelas pedras magníficas espalhadas em uma enorme laje de pedra. Cenário de outro planeta!
Conjunto de matacões, a Pedra do Capacete bem à esquerda, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Foi aí que eu e a Ana passamos nosso fim de tarde. Saboreando cada centímetro do visual, cada segundo daquela hora. Muitas fotos do mais famoso dos matacões, a Pedra do Capacete. E de outras, como a casa do Pai Mateus e a Pedra da Energização.
Observando o pôr-do-sol no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Se eu fosse um místico, sei exatamente em que lugar do Brasil eu iria morar...
Um gigante ao lado da Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Os dois mais famosos revolucionários mexicanos (em Guadalajara, no México)
Aproveitei o dia tranquilo de hoje em Tlaquepaque para trabalhar um pouco na internet e também me ilustrar sobre a Revolução Mexicana. Ficamos curtindo nosso hotel gostoso até o início da tarde para, só então, sairmos da caverna para comermos e passearmos pelas ruas gostosas do bairro.
Praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México, lotada num domingo
Domingão, praça cheia por aqui. Artistas de rua tentando fazer o ganha-pão da semana, público animado em volta mas, dinheiro que é bom, pouco. Ao redor da praça, quem faz a festa são os vendedores ambulantes de comida. Toda sorte de pratos e petiscos mexicanos a venda, mas é o milho que faz mais sucesso.
Apresentação em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Na praça dos restaurantes, ao lado da praça da igreja, quem está à toda são as bandas de mariachis. Encostam-se às mesas, oferecem seus “serviços” (uma música cantada com muita empolgação) e, num dia como hoje, sempre conseguem clientes. A demanda é granda, mas a oferta também. São várias bandas disputando o espaço e os ouvidos. De longe, só se ouve a soma de todas elas, um som confuso e indefinível que soa como México.
Mímico faz sua apresentação dominical em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Ali do lado está a rua peatonal com suas lojas, restaurantes mais finos e galerias de arte. A gente segue junto com o fluxo, mas nos desviando do fluxo contrário. À nossa frente, um memorável entardecer. Ao lado, vamos alternando visitas a galerias com um olhar atento nos menus dos restaurantes. Escolhemos um para jantar mais tarde, nossa despedida com estilo desse bairro tão fascinante.
Espetos de milho vendidos em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Mas antes disso ainda temos tempo para vagar pelo bairro, tirar fotos, observar pessoas, admirar casas e construções antigas. Tempo também para pensar sobre o turbulento período da história do país entre 1910 e 1920, a década da Revolução Mexicana, com mais de 2 milhões de mortos.
Igreja em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Difícil resumir algo que mal compreendi. São dezenas de personagens que ora são aliados, ora são inimigos, envolvidos num sem fim de batalhas, alianças, tramoias, traições e assassinatos. Entre boas intenções e ambições pessoais, o México foi se arrastando por uma década de guerras que, definitivamente, mudou a cara do país.
Rua das galerias de arte em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Tudo começou para desalojar do poder Porfírio Diaz, que lá havia estado por mais de 30 anos. O cara-de-pau sempre foi contra a reeleição, mas através dela foi se perpetuando na presidência. O seu regime, conhecido como “porfiriato”, trouxe estabilidade política ao país ao mesmo tempo em que o modernizava economicamente. Mas, socialmente, foi uma lástima. A concentração de terras e as diferenças sociais nunca foram tão grandes. Por fim, ao fraldar mais uma eleição, em 1910, conseguiu unir contra ele revolucionários das mais distintas matizes.
Área de barzinhos em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Entre tantos nomes, dois se destacam: Pancho Villa e Emiliano Zapata. O primeiro, um bandido fanfarrão que caiu nas graças do povo e foi transformado em revolucionário pelos acontecimentos. O segundo, esse sim um revolucionário legítimo, talvez meio sério demais, é dele o jargão “Tierra y libertad!” e a frase “Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos!”. Entre os grandes feitos de Pancho está a invasão dos Estados Unidos, quando atacou a cidade de Columbus, no Novo México. Os americanos passaram quase dois anos caçando o simpático bandido pelo norte do México, mas levaram um baile.
Produtos à venda nas galerias de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Os dois “heróis”, assim como todos os outros grandes nomes do período morreram antes que o período revolucionário terminasse. Ou assassinados, como foi o caso de Villa e Zapata, ou no exílio, como foi com Porfírio Diaz e o General Huerta, o golpista que havia assassinado Madero, presidente que sucedeu Porfírio. Entre os assassinados também estão Carranza e Obregón. Todos esses nomes foram, em algum momento, amigos ou inimigos entre si.
Produtos à venda nas galerias de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Ao final de tanto sangue, ao menos, o México passou por uma grande reforma agrária, os indígenas e as mulheres tiveram parte de seus direitos reconhecidos e a Igreja Católica perdeu o grande poder que tinha até então. A contrapartida foi que o México ficou com apenas um partido político de verdade, por mais de 50 anos. Um partido cujo nome é uma contradição em termos: Partido Revolucionário Institucional. Vai entender...
Pôr-do-sol na rua peatonal de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Bem, chega de elucubrações, viva México! Um brinde com vinho no restaurante delicioso que encontramos ao país, à cidade que estamos e ao bairro que nos acolheu. Amanhã, o brinde será com outra bebida. Vou dar uma pista: o nome da cidade é... Tequila!
Posando para fotos em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México
Vista de Penedo - AL
Depois do passeio à foz do São Francisco, achamos um restaurante gostoso na beira do rio para comer um peixe e voltamos para a histórica Penedo.
Orla do rio São Francisco em Penedo - AL
Lá, mais fotos da cidade e suas igrejas. Infelizmente, chegamos tarde demais para visitar a Igreja NS das Correntes, vizinha da nossa pousada. O que mais me atraiu lá foi a existência de azulejos portugueses raros, com outras cores que não o azul, a cor tradicional. Com ela fechada, só pudemos fotografá-la por fora, ao lado da charmosa pousada em que ficamos. Um belo conjunto!
A Pousada Colonial e a Igreja NS das Correntes, em Penedo - AL
Depois da sessão de fotos, balsa para Sergipe. Mais uma vez, atravessamos o São Francisco. Logo logo estaremos com ele novamente, dessa vez nos famosos canyons acima da barragem de Xingó. Mas isso é para depois de visitarmos Aracaju e redondezas.
Nosso quarto na Pousada Colonial, em Penedo - AL
E foi para lá (ou cá!) que seguimos. Finalmente, iria conhecer essa capital, uma das poucas que ainda não conheço no Brasil. Na verdade, uma vez pousei por aqui, mas nem saí do avião. E outra vez, vi a cidade da BR, indo para Maceió. Nenhuma dessas conta, certo?
A Pousada Colonial e a Igreja NS das Correntes, em Penedo - AL
A Ana veio dirigindo e eu matutando. Em Aracaju, a gente se instalou no Hotel Jangadeiros, bem no centro. A cidade está bem vazia, sábado de natal. Amanhã teremos dia de explorações!
Atravessando o Velho Chico de balsa, em Penedo - AL
Gigantescos alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Na nossa viagem ao longo da Carretera Austral, aqui no sul do Chile, um nome era sempre recorrente: Douglas Tompkins. Muito mais conhecido por essas bandas do que em sua própria terra natal, os Estados Unidos, esse milionário americano é fonte de amor e ódio em terras patagônicas, um modelo para conservacionistas e alvo predileto de desenvolvimentistas e nacionalistas.
Parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Cachoeira escorre em encosta do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Fundador de marcas famosas como a “The North Face” e “Esprit”, há tempos que Tompkins se desfez de suas participações nessas companhias para, segundo ele, “deixar de vender coisas que as pessoas não precisam”. Desde então, todas as suas energias (e o dinheiro também) são devotadas à preservação da natureza na região patagônica. Desde jovem, quando viajou, subiu montanhas e explorou rios da região, Tompkins é apaixonado por esse lado do planeta e hoje não poupa esforços na luta por sua conservação. A partir da década de 90, Tompkins e sua esposa, antiga CEO de outra marca famosa, a “Patagonia”, compram propriedades dos dois lados da cordilheira andina com o intuito de formar grandes áreas contínuas de preservação. Nelas, Tompkins desenvolve grandes parques privados, alguns dos maiores do mundo, e depois os transforma em Parques Nacionais, devolvendo a área aos países onde estão. Um bom exemplo disso é o Parque Nacional Corcovado, no Chile. O outro é o Pumalín, também no Chile, uma área privada em vias de ser transformada em parque nacional.
A trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
A espessa vegetação do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Atualmente, é uma outra área sua que está no centro das controvérsias: o Vale de Chacabuco. Nós passamos bem perto dele quando entramos no Chile na região de Cochrane, início da nossa jornada pela Carretera Austral. Tompkins comprou o vale de uma companhia belga que o explorava com a terceira maior criação e ovelhas do país. Claramente, o vale havia sido sobre explorado e já não conseguia dar lucro aos antigos proprietários. Tompkins comprou a área e se desfez de todo o gado ovino e bovino que aí vivia. Depois, mandou que cada planta que não pertencesse à flora original fosse arrancada de lá. O plano é fazer o vale voltar ás condições que tinha antes da chegada de colonizadores. Antigos animais, como huemuls e guanacos já estão voltando, assim como pumas. E quem não está nada contente são os vizinhos rancheiros e a antiga mão-de-obra da fazenda. Para eles, é seu meio de vida que está sendo destruído. A popularidade de Tompkins na região e na cidade de Cochrane não é das melhores...
Cruzando com riacho de águas puríssimas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Muito verde (e algum vermelho!) em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Ainda mais depois que o milionário americano se envolveu numa verdadeira briga de cachorro grande. Como já expliquei em outro post, uma grande companhia pretendia construir várias hidrelétricas na região ao longo do rio Baker para produzir e enviar energia para o norte do Chile É claro que Tompkins, assim como todos os ecologistas do Chile, foi contra. Seguiu-se uma verdadeira guerra de relações públicas na região e no país. Centenas de outdoors foram espalhados ao logo de Aysén a favor e contra o empreendimento. Felizmente, a Hidroaysen parece ter perdido a batalha, mas ao longo da guerra ela fomentou bastante o sentimento anti-Tompkins na área, dando voz aos rancheiros e nacionalistas que são contra o fato de um gringo vir ao país comprar terras e despedir pessoas, além de quase criminalizar a “destruição” causada por ovelhas.
Caminhando em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Cruzando com riacho de águas puríssimas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Enfim, não é uma discussão fácil, havendo bons argumentos para os dois lados. Nós mesmos os ouvimos ao longo da nossa viagem. Uma das melhores conversas foi com uma americana que conhecemos enquanto atravessávamos de balsa em direção a Villa O’Higgins. Ela já estava no país há meses, justamente produzindo uma reportagem sobre o assunto. Nós não a vimos mais depois disso, mas eis que, ao pesquisar mais sobre o tema para escrever este post, encontro o seu artigo. Achei muito bom e completo, ouvindo todas as partes envolvidas e dando uma noção muito mais clara do que está em disputa por aqui. Então, recomendo a todos que queiram saber um pouco mais, ler o tal artigo. Está em inglês é uma agradável e esclarecedora leitura: O link é http://www.theatlantic.com/features/archive/2014/09/the-entrepreneur-who-wants-to-save-paradise/380116/
Trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Placa informativa sobre alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Bom, depois desse belo artigo, continuemos com a nossa viagem! Aqui ao lado de Chaitén está a primeira grande área protegida por Tompkins na patagônia: o parque Pumalín. Depois de mais de 20 anos de esforços de conservação, o parque se tornou um dos mais belos e com melhor infraestrutura do país. E olha que, no meio do caminho, Tompkins teve de enfrentar uma ameaça muito mais perigosa e impiedosa do que rancheiros ou hidrelétricas. Foi a erupção do vulcão Chaitén, que fica dentro dos limites do parque. O Pumalín teve de fechar suas portas por anos, teve florestas centenárias destruídas e estradas que sumiram do mapa. Mas muito trabalho depois e o parque reabriu suas portas, agora com uma atração a mais: um trilha até o alto do vulcão, além de um belo laboratório a céu aberto sobre como a natureza e a vegetação se recompõe após um evento como esse.
Placa informativa em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Um imponente alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Ontem, nós fizemos essa trilha. Hoje, antes de fazermos o último trecho da Carretera Austral antes de chegarmos a Puerto Montt (próximo post), nós ainda tivemos a chance de dar mais uma olhada nesse parque exuberante. Entre as várias trilhas possíveis, escolhemos uma que nos daria nossa última chance de ver de perto as maiores árvores do continente, os alerces.
Caminhando na trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Tronco de alerce, árvore emblemática do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Essa árvore magnífica é própria das encostas andinas subtropicais aqui do sul do Chile e da Argentina. Aliás, do lado de lá da cordilheira, nós até já tínhamos ido ao Parque Nacional Los Alerces (post aqui), mas as árvores que dão nome ao parque estão em uma parte quase inacessível da região, apenas para quem tem o tempo de fazer o passeio de barco. Nós não fizemos e vimos apenas um exemplar, ainda adolescente (talvez com uns 100 anos de idade...). Ou seja, ainda não conhecíamos alerces de verdade.
Um imponente alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Venerando os belíssimos alerces, uma das maiores árvores das Américas, em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Essa árvore é um gigante, chegando aos 70 metros de altura. Era bem comum em toda essa área, mas no final do século XIX e início do XX, milhares de hectares de florestas foram queimados para dar lugar à pastagens no esforço colonizatório e de ocupação da região. Para piorar, por ter uma madeira de tão boa qualidade, os alerces eram duplamente procurados, tanto para construção de casas como para uma boa fogueira, mesmo em tempos de chuva. Suas tábuas chegaram a servir de dinheiro aqui no sul do Chile. O resultado dessa procura foi catastrófica para a árvore, que quase se extinguiu. Gigantes com mais de 3 mil anos de idade e 10 metros de diâmetro (numa descrição de Darwin) quase exterminados em apenas duas gerações.
Tronco de alerce coberto por plantas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Tronco de alerce, árvore emblemática do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Finalmente, na década de 70, o seu corte se tornou ilegal. E foi em Pumalín que alguns dos maiores exemplares sobreviveram, em um autêntico bosque de titãs. Para nós, impossível não relembrar os bosques de sequoias e redwoods que visitamos na Califórnia. Parentes distantes de porte semelhante, mas separados por um hemisfério de distância. O sentimento de andar entre elas e se maravilhar com esses seres quase sagrados é o mesmo: o mais completo deslumbramento com a força e beleza da natureza.
Tronco de alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Um par de gigantescos alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Uma trilha de menos de três quilômetros nos leva para o meio desses gigantes milenares. Infelizmente, no meio do bosque, não há espaço para, em uma única fotografia, captar todo o tamanho dessas árvores. Mas as fotos, ou a ausência delas, não é nada perto do que sentimos em estar ali, respirar o ar filtrado por suas folhas, ser molhado pelos pingos que caem de suas copas, admirar a verdadeira comunidade de vida que cresce em seus troncos. Desculpem-me rancheiros ou empresários, aqui só posso agradecer a este gringo excêntrico que veio gastar suas montanhas de dinheiro para preservar o patrimônio natural que não é só do Chile ou da humanidade. Não, nós estamos aqui provisoriamente. Esse patrimônio é do planeta. Repetindo uma frase de Lincoln e que Tompkins adora repetir: “As leis mudam. Os homens morrem. A terra fica”. Nessa polêmica, meu espírito já tomou seu partido faz tempo.
Venerando os belíssimos alerces, uma das maiores árvores das Américas, em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile
Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo
Enfim, um novo estado na jornada, o sétimo dos 1000dias! É o Espírito Santo, tão pertinho de Rio e Minas, mas já com uma certa cara de nordeste. Finalmente, a sensação é de estarmos longe de casa e de que a viagem está engrenando.
Águas esverdeadas e areias avermelhadas na praia Areia Preta, em Iriri - ES
Saímos bem cedinho de Búzios e seguimos pela rodovia próxima ao litoral até Macaé. Foi bom para dar uma olhada em Rio das Ostras e em Macaé, capital do petróleo brasileiro. Mas a estrada é terrível, mais parecendo uma interminável e congestionada avenida, cheia de semáforos, trânsito e quebra-molas. É praticamente toda urbanizada, longas periferias criadas pelo boom do petróleo. E, a essa hora da manhã, está todo mundo indo para o trabalho em Macaé. Sorte que o tempo estava bem nublado e nós não tínhamos a sensação de estar perdendo um valioso tempo de sol.
Depois de Macaé a estrada melhorou, com exceção das cercanias de Campos onde novamente a estrada vira urbana. Dois motivos me fazem ter um carinho especial por Campos. Primeiro, é o último ponto onde vimos o rio Paraíba do Sul, que vem cruzando nosso caminho faz tempo. Adoro água, adoro rios. Esse, já chamava de companheiro. O segundo é que minha mãe viveu nessa cidade há mais de meio século e tem boas lembranças dessa época. Passando pelo engarrafado trânsito da cidade, fico imaginando o quanto ela mudou neste tempo todo. É quando me lembro que minha família tem um elo ainda mais antigo com Campos. O orgulhoso e digno pai da minha avó paterna, antes de se mudar para Poços de Caldas, no início do século passado, viveu em Campos. Nossa... aí sim a cidade deveria ser bem diferente!
Praia Areia Preta, em Iriri - ES
Depois, estrada tranquila até o Espírito Santo, que nos recebeu com sol!!! Nosso primeiro destino no estado foi a pequena Iriri, um distrito de Piúma, cerca de 30 km ao sul de Guarapari. Ontem em Búzios, a Carol, da Pousada das Amendoeiras, quis saber como era Iriri porque nós éramos os segundos viajantes a falar para ela dessa cidade que nunca tinha ouvido falar. Eu lhe disse que só tinha estado em Iriri há mais de 20 anos, mas que na minha lembrança, Iriri era um chuchuzinho. Sobre a Iriri atual, não poderia falar. E não é que, depois de tanto tempo, a cidade continua um chuchuzinho?!? Muito jóia mesmo, pequenininha, em volta de quatro pequenas praias. A mais bonita delas é a Costa Azul, uma pequena baía de areias vermelho-amarronzadas, gostosas de pisar e águas esverdeadas, deliciosas de nadar. Fora feriados e as férias de verão, quando a pequena cidade se enche de famílias mineiras, é muito pacata.
Nossa pousada Recanto da Pedra, na praia Costa Azul, em Iriri - ES
Nós chegamos na hora do almoço. Ficamos numa pousada jóia, Recanto das Pedras, na ponta da praia Costa Azul, literalmente em cima da pedra da praia. Nossa varanda está sobre as ondas e esse barulho vai embalar nosso sono. Diretoria total! O almoço, um peixe bem saudável, também foi ao lado do mar. E a digestão foi caminhando nas praias da pequena Iriri. No fim da tarde, corrida na areia, ida e volta algumas vezes pela praia de quase 500 metros. Depois, uma saudável natação pelas águas da baía. Nossa, que ótimo e saudável primeiro dia no Espírito Santo!
Para completar, conseguimos marcar o mergulho para amanhã de manhã. Tanto atazanei a operadora pelo telefone que vamos sair. Obaaa!!!! Amanhã. às 08:00, lá de Guarapari. Visibilidade meio prejudicada mas vamos no mais famoso naufrágio do Espírito Santo. Amahã, conto os detalhes. E que São Pedro nem Netuno estraguem nossos sonhos...
Olha a cor dos olhos desse cachorro! Em Iriri - ES
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