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Ronaldo (17/06)
Parabens,lugar maravilhoso,lindas fotos. Passei em Sedona,no final de abr...
Mateus (17/06)
Parabéns pelo blog, sensacional..ainda irei conhecer a terra do blues, u...
fernanda (15/06)
pocha q lindo so falta vcs conhecer taboao municipio de bom jarim mg ,sua...
Bárbara (15/06)
Gostei muuuuito do blog e das viajens, quando for viajar agora vou me bas...
Bárbara (15/06)
Meeu Deus que lugar lindo, apaixonei pela história de vocês dois e essa...
Arquitetura da Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Ainda cedinho, depois do café com as frutas e iogurte que compramos ontem, fomos à praia mais bonita do sul de Basse terre, ali pertinho de Tròis Rivières. Por coincidência, também tem o nome de Grande Anse, mas ao contrário da praia no noroeste de Basse Terre, essa aqui tem as areias escuras e muitas ondas, com um aspecto bem mais selvagem.
Caminhando pelas areias escuras da praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe
A bela e selvagem praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe
Fizemos nossa tradicional caminhada até o final da praia e admiramos as pequenas ilhas que formam Les Saintes, bem na nossa frente. Foi o mais perto que chegaremos delas, pelo menos dessa vez. O programa de ir e voltar de lá no mesmo dia é bem popular por aqui, mas não temos esse dia. Aliás, acabamos desistindo também de Maria Galante, no sul de Grande Terre. Só teríamos o dia de amanhã para isso e preferimos usá-lo para explorar o belo litoral entre Sainte-Anne e Sainte-François, em Grande Terre também.
A bela e selvagem praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe. Ao fundo, as ilhas de Les Saintes
Enfrentando as ondas da praia de Grande Anse, na região de Tròis Rivières, sul de Basse Terre, em Guadalupe
Depois de enfrentar as ondas fortes de Grande Anse para um bom mergulho, era hora de pegar estrada. Seguimos para o norte até o istmo que liga as duas asas da borboleta e entramos em Grande Terre, seguindo diretamente para a capital do país, Ponte-à-Pitre. A primeira parada foi no terminal de ferries. Afinal, daqui para frente, pelas próximas três ilhas, vamos viajar de barco e já estava na hora de providenciar as passagens. O problema é que estamos na baixa temporada e com isso o número de ferries cai bastante. Ao invés da linha diária, são apenas três viagens por semana. Como temos passagem de avião marcada de Santa Lúcia para San Vincent e Granadinas, acabamos ficando sem muitas opções de datas para passar e viajar entre Guadalupe, Dominica, Martinica e Santa Lúcia...
Nosso percurso de ferry de Guadalupe à Santa Lúcia, passando por Dominica e Martinica
Feitas as contas de dias e as poucas datas de viagem, restou a solução de viajar mesmo dia 10 (depois de amanhã pela manhã) para Dominica, no dia 13 cedinho para Martinica e no dia 17, de tarde, para Santa Lúcia. Eu iria comprar apenas a primeira passagem, para Dominica, mas fui informado que é exigido uma passagem saindo da ilha também. Assim, já comprei o bilhete para Martinica. Cada trecho custa 75 euros e demora pouco mais de duas horas. Na verdade, esse é o custo para entrar no barco. Se comprarmos o bilhete diretamente para Martinica ou Santa Lúcia, sem descer nas paradas intermediárias, o preço é o mesmo! Pois é... vamos gastar 225 euros para chegar em Santa Lúcia, só porque queremos passar alguns dias nas duas ilhas no caminho. Um absurdo! Enfim, outra coisa a se notar é que as duas ilhas mais desenvolvidas da região, Martinica e Guadalupe, não tem frescura nenhuma de imigração, enquanto as outras exigem passagem de saída. Vai entender...
Igreja em Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Resolvido as passagens de ferry, fomos passear um pouco em Point-à-Pitre, principalmente no seu centro histórico. Trânsito complicado nas estreitas ruas comerciais do centro, ao redor da Place de La Victoire. Mas, depois do horário comercial e nos fins de semana, a cidade morre, a grande maioria das pessoas morando em outras partes da ilha.
Arquitetura da Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
A gente deu umas voltas à pé na praça de frente ao mar, tiramos umas fotografias e seguimos viagem pelo litoral de Grande Terre, no sentido anti-horário. Passamos por Le Gosier, o principal destino turístico de Guadalupe, com seus grandes hotéis e resorts que recebem dezenas de milhares de franceses todos os anos e seguimos diretamente para Sainte-Anne, muito mais tranquila.
Orla marítima na Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Tão tranquila que não conseguimos encontrar um hotel. Quando finalmente achamos um gite, eles não recebiam hóspedes por menos de 3 dias. Mas o simpático dono nos indicou um hotel numa praia vizinha, ligou para lá e já acertou tudo. A gente foi para lá, se instalou e voltamos correndo para a cidade, em tempo para encontrar um delicioso restaurante, cheio de caráter. Depois de dois dias de “comida em casa”, foi uma excelente variação. Voltamos para o nosso hotel e estamos prontos para um dia de praias amanhã. Praias com cara de Caribe!
Hora da sobremesa em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)
Apesar da noitada da véspera, o programa do dia do aniversário não deixou nenhum de nós até tarde na cama. Afinal, tínhamos uma longa caminhada até a Bahia.
Caminhada para Riacho Doce, na Bahia, saindo de Itaúnas - ES
Riacho Doce é o nome de uma praia e também de um riacho que marca a fronteira entre os estados da Bahia e do Espírito Santo. A partir dos quiosques da praia de Itaúnas, são cerca de 8-9 quilômetros pela praia para chegar até lá. Uma longa praia de mar tranquilo e faixa de areia larga, na maré baixa, e mar agitado e faixa de areia estreita na maré alta. Por isso mesmo, é recomendável fazer a maior parte da caminhada durante a maré baixa.
A caminho da Bahia, em Itaúnas - ES
Seguimos os três casais, eu e a Ana, o Rafa e a Laura e o Leo e a Karen caminhando, enquanto a Ana foi no seu carro, para nos encontrar lá. No caminho, logo que nos afastamos mais de um quilômetro dos quiosques, a praia fica completamente deserta de pessoas. Os únicos sinais de civilização são as poucas barracas rústicas que servem de garagem de canoas de pescadores. A gente não vê pessoas, mas vemos muitos pássaros e siris, sinais que podemos estar longe da civilização, mas não da vida. O mar, na maré baixa, forma várias piscinas naturais ao longo da praia e lugares para se refrescar não faltam.
Siri na longa praia entre Itaúnas - ES e a Bahia
Caminhada super agradável, conversa aqui, conversa ali e, quando percebemos, já estamos chegando. Somos recebidos por um par de barracas que servem peixe, algumas porções e cerveja e coco gelado. O riacho de águas escuras, por falta de água, se transformou numa aprazível lagoa. Na próxima chuva, deve comper a barragem de areia e chegar ao mar novamente.
Almoçando no Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES
Após umas duas horas de comida, cerveja, coco, conversa animada, muitas fotos e banho de mar e de lagoa, era hora de voltar. Com a maré já bem alta, as meninas voltaram de carro enquanto eu, o Leo e o Rafa seguimos intercalando passo acelerado com corridas. Mesmo assim, chegamos já bem no escuro.
Felizes da vida, no Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES
Mais tarde, na pousada, era a hora de celebrar meus 41 aninhos. A Ana preparou uma festa surpresa, com bolo, velinhas, bexigas e até presente! Com os padrinhos e sobrinhos presentes, além das amigas Ana e Tuquinha (gerente da pousada) e até de uma criança, o Klaivan (ainda vou checar como se escreve), a festa estava completa.
Soprando as velinhas em Itaúnas - ES
Foi um belo, sadio e inesquecível dia de aniversário, num pedaço de paraíso entre a Bahia e o Espírito Santo. Meus pensamentos se dividiram entre os parentes e entes queridos que não puderam estar presentes e sobre aonde será o próximo, de 42 anos. O futuro dirá...
Celebrando o aniversário com a amada esposa em Itaúnas - ES
Nosso caminho saindo da Cidade do México, passando por Morelia, Guanajuato e Guadalajara e chegando em Mazatlán, onde vamos pegar o ferry para La Paz, já na Baja California
Já estávamos meio desconfiados, quando chegamos tarde ao apartamento no dia 03. Mesmo quando o pessoal do conserto cumpriu a promessa e trouxe a Nikon bem cedinho na portaria do prédio, para que pudéssemos viajar, o ânimo não era forte. Fomos adiando, adiando e, já no final da manhã, concordamos em partir só na segunda, dia 05 (hoje!). O resto do dia 04 seria passado tranquilamente, sem stress, internet e tempo à vontade, no conforto do apartamento do Rodrigo.
Caminhando na praça da Catedral de Morelia, no México
Aproveitamos também para definir nosso roteiro até a Baja California. A primeira parada seria na colonial Morelia. De lá, seguiremos para Guanajuato, famosa por seus túneis. Depois, Guadalajara, a cidade mais brasileira do México desde a época de Pelé, Tostão, Gerson e Jairzinho. Por fim, vamos à Mazatlán, já na costa do Pacífico. De lá, pegamos um ferry que atravessa o Mar de Cortes em 16 horas de viagem e nos levará à Baja California. Serão 1.250 km de estradas para nos levar da capital para a boca do Golfo da California. Uma distância semelhante nos espera do lado de lá, subindo a península, até Tijuana e San Diego, já nos EUA. De pouco em pouco, chegaremos ao Tio Sam!
Interior da Catedral de Morelia, no México
Enfim, hoje cedo não teve desculpas e saímos logo de viagem, nos despedindo do Rodrigo que nos recebeu tão bem aqui na Cidade do México. Jamais esqueceremos! Com pressa, optamos por seguir pelas caras estradas pedagiadas. Caras, mas bem conservadas e eficientes. Sempre existe uma alternativa de estrada livre. Tem tráfego bem mais pesado e cortam várias cidades pequenas. Para quem tem tempo e paciência, é uma boa opção. Não era o nosso caso e fomos pela “cuota” (como elas são chamadas aqui) mesmo. Muitas vezes as duas estradas correm em paralelo e temos aquela sensação de desperdício de dinheiro (não nosso, mas do país). Mas enquanto seguimos tranquilamente perto dos 130 km/h, o pessoal ali do lado segue nos 70-80km/h, isso quando não estão empacados atrás de um caminhão ou atravessando a zona de topes (quebra-molas) perto das pequenas cidades que tem de atravessar. É... que bom que viemos pela “cuota” mesmo.
A arquitetura clássica do centro de Morelia, no México
Chegamos na colonial Morelia e, do carro, já ficamos impressionados com o centro histórico, com seus grandes edifícios de pedra com mais de 200 ou 300 anos. Não demorou muito e já estávamos instalados num hotel simples e justo (para compensar o preço que pagamos no pedágio!), localizado estrategicamente a poucas quadras da Praça da Catedral. A Fiona foi para um estacionamento ali do lado e nós, à pé e com muito tempo de sobra, diretamente ao centro.
Um dos muitos prédios antigos de Morelia, no México
Passeamos por praças bem cuidados e charmosas, igrejas e palacetes, prédios públicos e museus. Esse centro histórico está muito bem conservado e, por algum estranho motivo, a cidade ainda não atrai tantos turistas como outras belas cidades do país. Desse modo, tudo fica ainda mais autêntico, aumentando o prazer da visita e de andar por suas ruas centenárias.
Uma das grandes atrações de Morelia, no México: o centenário Aqueduto
Outras peculiaridade de Morelia é a existência de um grande aqueduto com mais de 200 anos de idade. Se o tivesse visto na Europa, acharia que era dos romanos. Mas como os romanos não chegaram aqui e os astecas não construíam aquedutos dessa forma, a conclusão é que ele é da época colonial mesmo, um grande esforço para trazer água de longe para uma cidade que crescia em tamanho necessidades. Para nossa sorte, a construção continua de pé, uma das grandes atrações turísticas da cidade. Dizem que, com a iluminação noturna, fica ainda mais bonito, mas isso não chegamos a ver. De qualquer maneira, de dia já é bem imponente!
Iluminação noturna da Catedral de Morelia, no México
Quem a gente viu iluminado de noite foi a bela Catedral. Tínhamos visitado de dia também. Aliás, essa é uma das coisas que chamou minha atenção no México: o catolicismo é bem mais forte por aqui do que nos outros países que passamos nesses 1000dias. Todas as igrejas que visitamos, qualquer que seja o horário, sempre estão com seus devotos nas suas orações de agradecimento ou pedindo graças. Nos outros países, fora do horário das missas, normalmente a igreja está vazia ou só se vê turistas. Aqui, turistas são a minoria. Igreja com movimento é sempre mais legal e interessante!
Restaurantes com mesas na calçada em praça de Morelia, no México
Movimentadas também são as praças! Visitá-las aqui no México é sempre uma delícia. Muitas tem um coreto central, ainda em atividade diária. É o melhor lugar para sentar e ver a vida passar. Aqui em Morelia, além da Praça da Catedral, a nossa preferida foi o Jardin de Las Rosas, com uma fileira de restaurantes com mesas na praça. Aí comemos, bebemos e vimos a vida passar...
Pausa para descanço em praça de Morelia, no México
Visita a um dos principais atrativos de Morelia, no México
Antes da noite chegar, ainda deu tempo de passar em outras dos grandes atrativos da cidade, o Mercado de Dulces e Artesanias. Para os formigões, um paraíso, doces de todas as cores e sabores Além disso, as famosas Catrinas, as caveiras que se tornaram um dos símbolos do país.
Visita ao famoso Mercado de Doces e Artesanatos de Morelia, no México
Venda de catrinas no famoso Mercado de Doces e Artesanatos de Morelia, no México
Apesar da vontade de ficar nessa cidade deliciosa, amanhã seguimos em frente. Não sei porque não tivemos a ideia dos 2000mil dias pela América, viu! Guanajuato, para aí vamos!
Pausa para descanço no fim de tarde em Morelia, no México
Atravessando o Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Clima de fazenda no nosso café da manhã no hotel em Molinos. Menos pela comida e mais pelo ambiente. Mas, principalmente, pelos nossos cavalos que estavam sendo arreados do lado de fora.
O Miguel nos mostrando seus truques om cavalos, em Molinos - Argentina
Assim, quando terminamos de nos alimentar, o Miguel já nos esperava com tudo preparado. Miguel é um legítimo argentino gaúcho, amante dos cavalos e também do Brasil. Durante sua juventude hippie, viajou muito pelo nosso país e é fã incondicional da Bahia e de Minas Gerais. Alguns anos mais tarde, deixou Buenos Aires encima de um cavalo com a intenção de chegar ao México. Não foi tão longe, mas acabou chegando, depois de uma ano de viagem, em Molinos. Aqui, estabeleceu um negócio com cavalos e sempre leva turistas para cavalgadas. O sonho de chegar ao México, à cavalo, só foi adiado!
Atravessando Molinos - Argentina à cavalo
Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina
Nossos cavalos eram da raça "peruano", cavalos bons de trilhas rústicas e também de altitude. Ideais para essa região. Para nós, foi um deleite, cavalgar nesse cenário de cinema, montanhas nevadas ao fundo, trilhas cortando rios e colinas, cenários semidesérticos e com vestígios de povos antigos e desaparecidos. Sentia-me o John Wayne encima do meu "peruano".
Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina
Foi um passeio de umas duas horas, logo após ele mostrar alguns "truques" que faz com seus cavalos. Como bem disse a Ana, ele é um "encantador de cavalos". Tivemos a chance de galopar, trotar, marchar e , no alto de alguma colina, simplesmente admirar a paisagem magnífica à nossa volta e sentir o vento em nossos rostos. Sempre com o Miguel a nos ensinar sobre a história e geografia da região, além de contar sobre suas peripécias no Brasil. Foi muito legal!
Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
De volta à Molinos, deixamos nosso hotel e seguimos em direção à Cafayate, seguindo sempre pelo vale, parte dos "Vales Calchaquíes". No meio do aminho, uma região especial, um parque, conhecido como Vale das Flechas. O nome vem das rochas e encostas inclinadas, resultado de movimentos tectônicos causados pela formação dos Andes. Elas parecem flechas apontadas para o céu. É um cenário de outro planeta que nos dá vontade de explorar, fotografar e admirar.
Chegando no alto de uma das "flechas", no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Em contato com Pachamama no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina
E assim o fizemos, por uma hora ou mais. Até pequenas escaladas deu para fazer, sempre em busca de um pouco de aventura e também de um melhor ângulo para se admirar aquela beleza toda. Com certeza, poderíamos ficar horas por ali, explorando os diversos recantos desse lugar incrível.
Almoço em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Mas aí a fome começou a apertar e seguimos para uma pequena vila recomendada pelo Miguel, para almoçar e tomar uma famosa cerveja artesanal. E assim o fizemos, a Ana com uma salada, eu com as maravilhosas empanadas argentinas e nós dois com a tal cerveja artesanal, de grau 8, quase o dobro dessas industrializadas. Muito boa, por sinal! Mas, como seguiríamos viagem, tivemos que parar logo na primeira garrafa...
Deliciosa cerveja artesanal, de grau 8, em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina
Chegando ao Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Chegando em Cafayate, nem entramos na cidade. Seguimos diretamente para uma de suas mais incríveis atrações. Sua e de toda a província e também do norte da Argentina. As incríveis formações rochosas do Vale das Conchas, ao longo da estrada que liga a cidade à Salta.
O majestoso Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Saindo do Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Em muitos lugares, o cenário parece com as formações do Grad Canyon. Enormes paredes aavermelhadas em forma de castelos, obeliscos e enormes animais. Tudo pode ser admirado de dentro do carro mesmo. Em outros lugares, são canyons que mais parecem gargantas as atrações. Aí, estacionamos o carro e caminhamos um pouco, garganta adentro. No Anfiteatro, como o nome indica, a garganta termina numa enorme clareira cercada de enormes paredes. Um verdadeiro anfiteatro!. E para nós, o espetáculo do dia foi a lua nascendo por cima das paredes, bem no fim de tarde, enquanto um músico cantava, sua voz ecoando nas paredes, uma música em sua homenagem.
Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Já na Garganta del Diablo, a caminhada é mais longa, pelo menos para aqueles que se dispõe a escalar um pouco. De obstáculo em obstáculo, por entre enormes paredes, vamos seguindo garganta adentro, cenário de Indiana Jones. Um espetáculo! Até que chegamos na parede final, essa interditada mesmo aos mais aventureiros. Aí, é só olhar para cima e para os lados e ficar maravilhado com aquele cenário.
Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Com o sol se pondo, era hora de voltar à Cafayate para, dessa vez, entrar na cidade, encontrar algum hostal e dormir. Afinal, depois dos cavalos, flechas e conchas (e da ceveja grau 8!), o sono estava batendo. Precisamos estar prontos e descansados para o dia de amanhã, que nos trará as famosas ruínas de Quilmes e a longa viagem até Fiambalá, última cidade antes do Paso San Francisco, nossa almejada fronteira com o Chile!
Divertindo-se na Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina
Ruínas do Palácio de Sans-Souci, no norte do Haiti
O grande líder da revolução haitiana que se iniciou em finais do séc XVIII e culminou com a expulsão dos franceses em 1804 foi Dessalines. Em uma das mais selvagens e bárbaras guerras de que se tem notícia, era olho por olho, dente por dente, massacres cometidos por ambos os lados. Os franceses literalmente cozinhavam os revoltosos que eram capturados, para servir de exemplo. Como resposta, os haitianos os cozinhavam também e, como já estavam na panela, aproveitavam para comer um pedaço ou outro. A ideia era aterrorizar os adversários.
Em Cap-Haitien, aguardando o Taptap encher para seguir em direção à Citadelle, no norte do Haiti
Deixando Cap-Haitien, já no Taptap cheio, seguindo em direção â Citadelle, no norte do Haiti
Por fim, com uma boa ajuda da febre amarela e da malária, os franceses foram vencidos e abandonaram a ilha, numa das maiores derrotas militares de Napoleão, que tinha como principal general na ilha o seu cunhado. Seu ambicioso plano de um império colonial francês nas Américas, o Haiti como peça central, foi por água abaixo e, logo depois, acabou por vender a Louisiana, incluindo a cidade de New Orleans, aos Estados Unidos.
Chegando ao palácio Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti
Placa informativa com o mapa do parque de Citadelle - Sans-Souci, no norte do Haiti
Saíam os franceses, nascia o Haiti, o segundo país livre e a segunda república do continente. O nome, inclusive, é uma homenagem da nova nação aos antigos habitantes da ilha, os Tainos. Na época de colônia, o nome sempre foi Saint Domingues. Assim que nasceu a república, foi adotado o nome de Haiti, que significa “terra das montanhas” na antiga língua, um dos dois nomes usados pelos habitantes originais para designar a terra onde viviam.
Ruínas do palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti
Ruínas do palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti
O país nasceu como república, mas isso não durou muito. Seu líder máximo, Dessalines, tinha vocações imperiais, declarou a monarquia e nomeou-se rei. No fundo, admirava o mesmo Napoleão cujo exército havia vencido. Alguns de seus compatriotas não gostaram muito da mudança, já que tinham suas próprias pretensões. Em 1806, o herói transformado em imperador foi assassinado em uma emboscada. Entre aqueles que ajudaram a planejar, os dois principais lugares-tenente de Dessalines, Pétion e Henry Christophe.
Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti
Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti
O primeiro é aquele que dá nome ao bairro chique de Port-au-Prince, onde ficamos hospedados na capital. Era o principal general no sul do país. O segundo vinha do norte, da região de Cap-Haitien. Sem Dessalines no caminho, resolveram dividir o país, o Haiti do Sul e o Haiti do Norte, cada general no comando de sua região. Por vinte anos o Haiti foi dividido, Christophe liderando um governo imperial no norte e Pétion um governo republicano no sul. Ao final, os dois naufragaram em suas tentativas de criar um país viável. Pétion foi assassinado no sul e Christophe cometeu suicídio no norte, uma oportunidade para a reunificação do Haiti. Mais do que isso, aproveitaram para unificar a ilha inteira, ocupando a recém criada República Dominicana, ao leste, que acabara de se livrar dos espanhóis, apenas para cair no colo dos haitianos.
Ruínas do Palácio de Sans-Souci, no norte do Haiti
Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti
Mas essa é uma outra história. Agora, quero focar é no tal do Henry Christophe, aqui no norte. Assim que criou seu Haiti do Norte, sua maior obsessão era uma possível invasão francesa. Tinha com eles, assim como Dessalines, uma relação de temor e admiração ao mesmo tempo. Assim, ao mesmo tempo em que se preparava para enfrentá-los, espelhou-se neles para criar sua forma de governo, um império com direito à um suntuoso palácio, uma versão caribenha de Versailles. Dizem que, quando ficou pronto, a cópia rivalizava sim, com o original. O seu nome era Sans-Souci.
Ruínas do Palácio de Sans-Souci, no norte do Haiti
Além do palácio, Christophe moveu mundos e fundos para a construção de uma gigantesca fortaleza, que tornaria o Haiti inconquistável. O resultado desse esforço de vinte anos de construção e milhares de trabalhadores envolvidos foi a maior fortaleza construída no Caribe, a famosa Citadelle, assentada sobre uma montanha com quase 1.000 metros de altura. Para lá foram levados, no lombo de burros e de homens, uma invejável quantidade de canhões e munição, no que hoje é a maior coleção de artilharia do séc XVIII no mundo. Mas Henry não viu sua monumental obra concluída. Antes, disso, uma grave crise em seu governo o levou ao suicídio. Seu palácio foi pilhado e, duas décadas mais tarde, severamente danificado por um grande terremoto.
Encontro com o encarregado do Ministério do Turismo, nas ruínas de Sans-Souci, no norte do Haiti
Motorista da moto que levou a Ana até os pés da Citadelle, no norte do Haiti
Essas duas obras colossais estão a poucos quilômetros ao sul de Cap-Haitien e hoje nós fomos conhecê-las. Na verdade, a Citadelle, nós já tínhamos visto do ar, ontem pela manhã. Mas a visão só nos fez ter mais vontade de conhecer ela bem de perto e com um pouco mais de “calma”.
Muita gente mora ao longo da trilha que leva até a Citadelle, no norte do Haiti
Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti
Para chegar até elas, uma combinação das duas maneiras mais populares de se locomover no país: os taptaps e os mototáxis. A outra alternativa, usada pela maioria dos estrangeiros, é fretar um táxi por parte do dia. O preço fica por volta de 120 dólares. O custo exorbitante, para nós, foi uma ótima desculpa para andarmos de taptap, algo que já queríamos faz tempo. Taptaps são camionetes que enchem suas carrocerias de pessoas para fazer circuitos fixos. Elas podem ser abertas ou fechadas atrás, o que importa é que carregam o maior número possível de pessoas e mercadorias.
O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti
A Citadelle, a maior fortalezado Caribe, no norte do Haiti
Então, de mototáxi (estamos ficando craques em andar três em uma moto!), fomos até o subúrbio de Cap-Haitien, de onde saem os taptaps para Milot, a pequena vila onde fica o palácio de Sans-Souci. Lá chegando, os donos dos taptaps nos disputaram aos gritos e acabamos entrando em uma delas, os primeiros clientes. Não demorou muito e já estava lotada, pronta para partir. Três dólares por pessoa, 30 minutos de corrida e chegamos à Milot.
Chegando à impresionante fortaleza da Citadelle, no norte do Haiti
PLaca informativa com a história da Citadelle, no norte do Haiti
Agora, quem nos disputava eram motoqueiros, todos querendo nos levar de Sans-Souci montanha acima, em direção à Citadelle. Com algum trabalho, conseguimos nos livrar deles e fomos conhecer o antigo palácio. Suas ruínas realmente impressionam e não é difícil imaginar sua suntuosidade quando estava inteiro. Também não é difícil imaginar porque as finanças do novo país já nasceram quebradas...
Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti
Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti
Durante a nossa visita, conhecemos um simpático funcionário do Ministério do Turismo que está na região tentando organizar e preparar o parque para um aumento de visitantes. O plano é tentar estimular os milhares de turistas que chegam anualmente em cruzeiros à Labadee a vir para cá também. A estrutura do parque está sendo remodelada, um centro de apoio foi construído e placas informativas estão sendo colocadas em pontos estratégicos. Foi muito legal ter encontrado e conversado com ele, ficar sabendo desse tipo de iniciativa e ver que o país está andando para frente nesse setor em que tem um potencial tão grande.
Vão interior da Citadelle, no norte do Haiti
Pátio interno da Citadelle, no norte do Haiti
Visitado Sans-Souci, era hora de conhecer a Citadelle. Uma rústica estrada sobe 6 quilômetros de Sans-Souci até a base da montanha onde está a fortaleza. Dali, uma trilha de um quilômetro nos leva até a Citadelle. Esse trecho de estrada pode ser feito à pé, cavalo ou de moto. Nós optamos por subir de moto e depois, descer a pé. Aqui, por causa da subida e piso irregular, não é recomendável dividirmos a moto, então fomos um em cada uma. Difícil foi escolher entre tantos que ofereciam o serviço, mas tentamos ser justos e fomos com aqueles que primeiro nos abordaram.
Observando a vista através das janelas da Citadelle, no norte do Haiti
No interior de uma das torres da Citadelle, no norte do Haiti
No estacionamento lá encima, a luta foi para nos livrar dos guias que queriam nos acompanhar. Com paciência, conseguimos. E aí, pudemos curtir tranquilamente a nossa visita à monumental fortaleza, uma verdadeira obra faraônica e que, aos olhos de hoje, parece um pouco “exagerada”. Mas temos de nos lembrar que o Haiti havia enfrentado uma guerra verdadeiramente bárbara contra os franceses e Christophe não queria se arriscar.
A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti
A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti
Além do gigantismo da construção, chama muito a atenção a quantidade de canhões e de balas de canhão. Imagino o esforço para levar tudo aquilo até lá encima! Eu mal consigo levantar as balas maiores, como levaram milhares delas até lá? Quando aos canhões, quase todos são de ferro, mas há também aqueles de bronze, capturados de forças inglesas que tentaram se aproveitar da confusão das revoluções francesa e haitiana para tentar se apoderar do país. Foram repelidos e seus formosos canhões ficaram, os mais belos da fortaleza.
Galeria cheia de canhões na Citadelle, no norte do Haiti
Canhões de bronze, capturados dos ingleses, foram levados para a Citadelle, no norte do Haiti
Para coroar, uma magnífica vista dos arredores, o mar ao fundo e montanhas verdejantes para todos os lados. Um passeio que realmente vale a pena. Ainda mais quando se vem de taptaps e se tem a chance de interagir mais com as pessoas locais. Nós fizemos o maior sucesso, tanto na ida como na volta, os outros passageiros muito curiosos sobre os dois branquelos perdidos por ali.
Fazendo amigas no Taptap que nos trazia de volta da Citadelle para Cap-Haitien, no norte do Haiti
Fazendo amigas no Taptap que nos trazia de volta da Citadelle para Cap-Haitien, no norte do Haiti
Além do taptaps, ainda pudemos ver muitos locais no caminho de volta até Sans-Souci, que fizemos à pé. Para baixo, todo santo ajuda! A Ana fez belas fotos de crianças e famílias inteiras. Muita gente mora dentro da área do parque onde estão as duas construções e a estrada que sobe o morro passa ao lado de muitas casas.
Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti
Bom, hoje foi o dia das montanhas, amanhã será o dia das praias. Outra vez de taptaps, pretendemos ir até Labadee, a tal praia privada dos cruzeiros. De lá, de barco, vamos a praias ainda mais distantes, desertas e muito mais bonitas. Pelo menos, é o que nos dizem por aqui...
Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti
O lindo caminho para Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Deixamos a região de Manuel Antonio para trás, ontem no meio da tarde, rumo ao sul, à famosa Península de Osa. Localizada já bem próxima da fronteira com o Panamá, no lado do Pacífico, a península é um verdadeiro paraíso para os ecoturistas e amantes da vida selvagem. Ali se encontram ao menos metade das espécies de animais que vivem no país, vivendo na maior área de floresta primária de toda a costa americana do Pacífico. Para proteger esse verdadeiro tesouro biológico foi criado o Parque Nacional do Corcovado, em 1975, considerado por todos como a “joia da coroa” do sistema de parques e reservas da Costa Rica.
Mapa da península de Osa e do Parque Nacional Corcovado, no sul da Costa Rica
Na nossa outra passagem pelo país, há 15 meses, passamos pela única entrada da península, um desvio da rodovia pan-americana. A vontade de entrar foi grande, mas sabíamos que seriam precisos alguns dias para explorá-la minimamente e estávamos com aquela nossa pressa característica rumo ao norte. Mas a vontade era mesmo grande, principalmente porque tínhamos estado dois dias em uma praia em frente à península, de onde podíamos observá-la no horizonte. Todos na nossa pousada diziam que era um passeio imperdível e então, quando a deixamos para trás, já na pan-americana, sabíamos que, na volta, seria uma parada obrigatória. Esses 15 meses voaram e aqui estávamos nós para cumprir nossa promessa e destino!
Estrada na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Quase metade da área da península é ocupada pelo Parque Nacional Corcovado. É ali que queríamos ir, claro! O parque já foi descrito pela National Geographic como “the most biologically intense place on Earth in terms of biodiversity”, onde vivem pumas e jaguares, crocodilos e tubarões, diversas espécies de macacos e preguiças, antas e tapires, além de uma infinidade de pássaros. O acesso ao parque não é dos mais fáceis, envolvendo longas caminhadas, rústicas estradas de terra ou longos trechos de barco. Enfim, tudo isso se soma para torná-lo mais atrativo, a sensação de estarmos chegando a uma terra quase virgem e inexplorada.
As incríveis cores do céu de fim de tarde, em Puerto Jimenez, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
As incríveis cores do céu de fim de tarde, em Puerto Jimenez, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
A principal cidade de Osa é Puerto Jimenez, na sua costa leste. Até aí chega o asfalto, o único da península. Daí, pode-se seguir uma longa estrada de terra até a localidade de Carate, já quase na entrada do parque. É aí que começa uma longa trilha de pouco mais de 20 quilômetros, boa parte por praias, até o núcleo de Sirena, o principal acampamento do parque. É ao redor de Sirena que estão as principais trilhas que nos levam pelas florestas e ecossistemas do parque, a melhor oportunidade de se observar a vida selvagem.
O lindo caminho para Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Pronta para cruzar um rio no caminho para Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Esse era o nosso plano original. Então, chegamos ontem à Puerto Jimenez, onde fomos logo procurar um lugar para ficar e também, informações sobre o parque. Logo no nosso segundo hotel, encontramos um simpático guia que nos deu todas as informações que queríamos e ainda mais um pouco. Que bom seria encontrar uma pessoa como essa em cada lugar que chegamos! Enfim, a conversa com ele nos fez mudar um pouco nossos planos para chegar até o parque...
Cruzando rio no caminho para Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Chegando à Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Ele nos confirmou que o melhor local para visitarmos eram mesmo Sirena. Mas disse que a caminhada para lá era árdua, um dia inteiro para ir, outro para voltar, sem muito para ver. Ou pelo menos, nada que não fôssemos ver lá mesmo, perto do acampamento. Para entrar no parque, precisávamos de uma autorização, que era expedida por um escritório ali em Puerto Jimenez. Ontem, já estava tarde para isso. Um caminho alternativo (e mais rápido!) era seguir de carro, cruzando a península em uma estrada de terra, até Bahía Drake, na outra ponta de Corcovado. Dali, poderíamos pegar um barco até Sirena, bem cedinho. Normalmente, há excursões que chegam lá perto das sete da manhã e retornam as duas da tarde. Mas ele nos recomendou que ficássemos um dia inteiro, retornando apenas no dia seguinte. Assim, teríamos tempo para realizar várias das trilhas ao redor de Sirena.
Praia de areias escuras em Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Para complementar o banho de informações úteis, ele ainda indicou uma pousada de um super simpático colombiano, em Puerto Jimenez. Cm tudo devidamente planejado, ainda tivemos tempo de nos sentar em um restaurante em frente à praia da cidade e assistir um magnífico entardecer, areias escuras e muita mata ao nosso redor. Sensação de estarmos a ponto de entrar em um outro mundo, algo assim como a ilha do King Kong. Muito joia!
Praia de areias escuras em Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Dormimos lá no colombiano e, de tão bom, acabamos perdendo o horário da manhã no escritório do parque. Não importa! Uma da tarde conseguimos nos inscrever, reservamos um lugar para acampar em Sirena e pegamos estrada novamente, rumo à Bahía Drake. Viagem lindíssima, em meio à selva e com a bravíssima Fiona cruzando rios para nos levar em segurança e conforto até o outro lado da península.
Caminhando em praia de Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Ali chegando, começou o drama de conseguirmos um barco para o dia seguinte. Totalmente fora de temporada, os barcos escassearam e pagar uma viagem privada ficaria muito caro. Depois de muita tentativa, conseguimos um lugar, garantindo a ida para amanhã e a volta para o dia seguinte. Finalmente, estávamos certos que iríamos conhecer o parque Corcovado e o núcleo de Sirena!
Um magnífico entardecer em Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
Fomos curar a ansiedade num delicioso banho de mar na costa de Bahía Drake. Outra vez, era fim de tarde e, outra vez, o sol deu seu espetáculo. Ficamos ali até o último pingo de luz, curtindo ao máximo aquela natureza exuberante, Se já era assim por lá, imagina só no parque! Voltamos pensativos para nosso pequeno hotel. Amanhã, cinco da manhã já estaremos de pé para a viagem de mais de uma hora de barco até Sirena. Aí sim, a aventura começa!
Um magnífico entardecer em Bahía Drake, na Península de Osa, no sul da Costa Rica
A Ana, acamada pela febre, em Brasília - DF
Pois é, minha amada esposa, depois de 4 meses de viagem, ficou doente, de cama. E quando ela fica doente, são um ou dois dias de febre alta, bem acabada. Tadinha.
O belo Santuário Dom Bosco, em Brasília - DF
Assim, ela passou o dia no hotel hoje, sem sair do quarto. Eu pude sair duas vezes. Na primeira, para buscar remédio para ela numa farmácia homeopática. Aproveitei para ir ver e fotografar a belo Santuário Dom Bosco. A igreja é linda e todas as suas paredes são feitas de vitrais azuis. A luz do sol atravessando esses vitrais dá um ar meio mágico ao ambiente.
O belo Santuário Dom Bosco, em Brasília - DF
A segunda saída, já no final da tarde, foi uma gostosa corrida pelos meandros do poder político brasileiro. Desci o plano piloto desde a torre de TV até o Palácio do Planalto, dando a volta no Congresso e subindo novamente até o nosso hotel. Era final de tarde, as pessoas deixando os ministérios e demais repartições sob o quase sempre espetacular pôr-do-sol aqui do planalto central. Acho que quem é daqui já está acostumado com ele. Não eu! Principalmente quando, além do pôr-do-sol, posso observar também tantos prédios do Niemeyer.
A Catedral e o Museu Nacional, em Brasília - DF
Enfim, é uma corrida bem interessante. O primeiro prédio digno de nota é a Biblioteca Nacional que, para a minha surpresa, homenageia o Leonel Brizola. Quem diria... Depois, o Museu Nacional (que parece um forno de pizza) e a Catedral, fechada para reforma. Aí, aqueles prédios horríveis dos ministérios até chegar ao Itamaraty. A partir daí fica legal: o Congresso, STF, o Palácio da Alvorada e o Palácio da Justiça. Na volta, mais ministérios e o Conjunto Nacional.
O Congresso, em Brasília - DF
De volta ao hotel, volto a pajear a minha linda. Vamos ver como vai ser amanhã... Bem, se precisar ir numa farmácia, descobri uma quadra aqui perto com dezenas delas, uma do lado da outra. Coisa mais esquisita, essa cidade...
Quadra das farmácias em Brasília - DF
Show da orca
Após acordarmos mais tarde que o usual, voltamos à tarefa de colocar todas as coisas em dia. De pouco em pouco, chegamos lá. Depois, fomos relaxar na piscina do condomínio, aproveitando a bela vista da praia e do mar esmeralda. Aproveitamos para lanchar por lá e nos divertir com uma piscina tão gostosa, cheia de regras e informações. Faça isso, não faça aquilo, proibido isso e aquilo, cuidado com aquilo e isso. Rules, rules, rules. Por isso que o país é tão bem organizado. Mas também é por isso que eles não tem o jogo de cintura dos brasileiros, principalmente para situações imprevistas. Rules, rules, rules... tem suas vantagens e suas desvantagens...
De tarde, no carro do Marcelo, fomos ao Seaquarium, aqui pertinho. Assistimos a shows de golfinhos, leões marinhos e de uma Orca. Típíco programa americano, que eu só conhecia por TV. Foi legal rever o Flipper, aquele golfinho da série de TV dos anos 60-70. Será que é ele mesmo? Quantos anos vive um golfinho? Mesmo na dúvida, prestei minhas reverências.
Show de golfinhos
Não sei quanto vive um golfinho, mas um manatee (parente do peixe-boi) vive bastante. Tem um no aquário desde 1959!!! Ô lôco! É bem interessante ver todos esses bichos, mas dá uma pena danada de ver eles presos. principalmente por tanto tempo. Por maiores que sejam as piscinas e os tanques, para eles é muito pequeno, com certeza. Principalmente por tanto tempo.
A última atração foi o show da Orca. Que animal maravilhoso! Depois da tragédia em Orlando, quando uma delas liquidou com sua treinadora, tenho certeza que a popularidade desses shows aumentou bastante. Mas, incrível, pelo menos para mim esses animais continuam sem meter medo. Não pensaria duas vezes em pular no tanque, se deixassem. Parecem tão inteligentes e pacíficos. Bom, nem tanto...
É muito interessante ver as performances dos animais mas, ao mesmo tempo, vê-los sendo alimentados a cada truque me parece bem estranho. Eles estão sendo nitidamente comprados, ou subornados. Ou pior, chantegeados. Algo aí fere a minha dignidade. Mas não a dos animais. Exceto, talvez, daquela Orca de Orlando. Por falar na Orca, haja peixe para recompensá-la. Parece que ela ouvia esses meus pensamentos profundos, durante o seu show. E assim, talvez para me acordar dos meus devaneios, bem no finalzinho, ela deu uma salto estratégico que deixou eu e a Ana encharcados em água gelada e salgada, para alegria do resto da plateia. E da Orca também, que ainda deu um sorriso maroto para nós. Isso, ninguém viu, só eu, ainda num instante final antes de despertar de forma tão abrupta pela água gelada.
Show dos leões marinhos
Faço uma homenagem ainda às treinadoras que tão diligentemente interagem com esses gigantes, ao mesmo tempo aproveitando a sua sorte e arriscando suas vidas. Parece que fazem aquilo que mais gostam: curtir esse animais incríveis e inteligentes.
É muita água caindo!!! (no Parque Nacional Iguazu em Puerto Iguazu - Argentina)
Muitas coisas fazem de Foz do Iguaçu uma cidade especial. As cataratas e Itaipu são algumas delas. Outro ponto é que ela é uma cidade fronteiriça. Mais do que isso, ela faz fronteira com dois países, coisa bem rara. São eles o Paraguai e a Argentina. É a chamada "fronteira tríplice". Fonte de alegria e curiosidade dos turistas e de preocupação dos americanos, em tempos pós-11 de Setembro.
Cruzando a fronteira entre Brasil e Argentina num dia chuvoso
Nós já tínhamos ido ao Paraguai, anteontem. Hoje foi o dia da Argentina, o vigésimo país ou possessão da nossa jornada pelo continente. Puxa... 20 países! Nada mal, para quem começou há pouco menos de 500 dias. A Argentina foi nosso quinto país na América do Sul, depois de Brasil, Paraguai e as três Guianas. Os outros quinze são os Estados Unidos e quatorze pequenos países ou semi-países no Caribe. Para a Fiona, é o quinto país também, já que para as ilhas caribenhas fomos sem ela, obviamente. Por enquanto, nossa estadia no Paraguai e também na Argentina foi relâmpega, o bastante apenas para contar nas estatísticas. Mas logo estaremos de volta ao Paraguai, para uma viagem mais aprofundada. Na Argentina também, mas vai demorar mais um pouco: um pedaço agora, em duas semanas e a grande parte no fim da viagem, quando passaremos um bom tempo por lá.
Lado argentino da ponte Tancredo Neves, chegando em Puerto Iguazu - Argentina
Enfim, fomos hoje à Puerto Iguazu, cidade que divide com Foz a "posse" das Cataratas do Iguaçu. Do lado portenho também há um parque nacional para proteger essa maravilha da natureza. Na verdade, a maioria das cataratas está do lado deles e é de lá que se tem o melhor acesso ao ponto mais impressionante das cataratas, a Garganta do Diabo.
No Parque Nacional Iguazu, em Puerto Iguazu - Argentina
O dia estava bem chuvoso, mas não seria a chuva que nos impediria de viajar ao nosso vigésimo país nem de conhecer as cataratas do lado de lá. O passe pela fronteira é mais tranquilo e organizado que a fronteira na Ponte da Amizade. Aliás, aqui, a ponte se chama Tancredo Neves, pintada de verde e amarelo de um lado e azul e branco do outro. Logo do outro lado da ponte já começa a cidade de Puerto Iguazu, bem menor que Foz e com churrascarias deliciosas, pontos turísticos disputadíssimos para os não-vegetarianos.
Trem que transporta turistas no parque das cataratas em Puerto Iguazu - Argentina
Início da trilha para a "Garganta del Diablo", como ela é conhecida na Argentina (no parque em em Puerto Iguazu - Argentina
Nós seguimos diretamente para o parque, uns 15 quilômetros à frente. Por causa da chuva o movimento não era grande e rapidamente já estávamos no trem que faz o transporte de visitantes por dentro do parque. Todo mundo fantasiado com uma mescla de camisinha e fantasia de Ku Klux Clan, para se proteger da chuva. Nossa primeira parada foi exatamente a última do trem, de onde se tem acesso às passarelas que levam à Garganta do Diabo.
Visitando a Garganta do Diabo no Parque Nacional Iguazu, em Puerto Iguazu - Argentina
São centenas de metros de caminhos elevados cruzando diversos braços de rio e mata ciliar até chegar ao mirante da garganta. Muita chuva e vento no caminho, o que só valorizava o prêmio ao final: uma fantástica visão, de camarote, do ponto onde quase um bilhão de litros de água por segundo cai, por todos os lados, dentro de um canyon estreito, levantando nuvens de vapor e neblina que se confundem com a própria água caindo, tudo isso em meio a um ruído ensurdecedor e envolvente. A visão é emocionante e nos paralisa, deixa-nos estatelados diante da força da água e da grandeza do local. Incrivel que no meio de toda aquela força, andorinhas e outros pássaros se atiram no meio daquela nuvem para caçar, dando um verdadeiro show de técnicas aéreas num local onde qualquer erro seria fatal. É de tirar o chapéu ou, no nosso caso, o capuz...
Cataratas do Iguaçu vistas do lado argentino, em Puerto Iguazu - Argentina
Mapa do Parque Nacional Iguazu (em Puerto Iguazu - Argentina)
Pegando o trem de volta, paramos na estação do meio, que dá acesso a várias trilhas. Dessa vez, a Patrícia preferiu ficar quentinha em um restaurante enquanto eu e a Ana enfrentamos novamente a chuva, dessa vez para fazer a "trilha superior", que passa sobre diversas cachoeiras e cascatas e de onde se tem uma ampla visão de todo o rio e também da Ilha San Martin, cercada por enormes cataratas. De novo, a paisagem é absolutamente grandiosa e cinematográfica, literalmente. Para quem viu o filme "A Missão", com Robert De Niro, sabe o que estou falando.
O Salto e a Ilha San Martin, no lado argentino do parque, em Puerto Iguazu - Argentina
É possível fazer também uma "trilha inferior" e outra, até a Ilha San Martin (um barco nos leva até lá, preço incluído na entrada do parque). Com certeza valem muito à pena e a gente teria feito se não fosse a chuva insistente. Mas, para nós, molhados dos pés à cabeça, a trilha superior e a garganta do Diabo já estavam de bom tamanho. Ótimo tamanho!
Caminhando no trilha superior das cataratas no Parque Nacional Iguazu, em Puerto Iguazu - Argentina
Além disso, já eram mais de quatro da tarde e a fome apertava. Seguimos para o centro da cidade e encontramos uma churrascaria aberta. Nosso primeiro churraco argentino nessa viagem! Nossa, que banquete!!! Com direito à vinho (nacional!) sem medo de bafômetro na estrada, hehehe!
Que delícia! Nosso primeiro churasco argentino! (em Puerto Iguazu - Argentina)
Ainda antes de cruzar a fronteira paramos no excelente free shop que ali existe. Bem diferente das compras no Paraguai, hehehe. Bom, cada um com suas vantagens! E assim retornamos ao Brasil para nossa última noite no país por um bom tempo. Afinal, amanhã retornamos ao Paraguai, dessa vez para ficar e explorar melhor o país. A Patrícia volta de Assunción, mas nós continuaremos para Bolívia, Argentina, Chile, Peru...
Visitando a Garganta do Diabo no Parque Nacional Iguazu, em Puerto Iguazu - Argentina
Garotos se divertem pulando da ponte em em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
Nosso objetivo final do dia de hoje era chegar na capital de Tocantins, a cidade de Palmas, onde um amigo nosso de Curitiba, recém mudado para lá, comemorava aniversário. Foi no antigo restauranre do Marco Aurélio, lá em Curitiba, que fizemos nossa festa de despedida de amigos e família, dois dias antes do início da nossa viagem. Que bela coincidência, reencontrá-lo aqui em Palmas, justo no seu aniversário!
Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
Mas, antes de Palmas, passamos na cidade de Ponte Alta de Tocantins, cidade que se intitula o "Portal do Jalapão". É até lá que o asfalto chega, vindo de Palmas. De Ponte Alta até Mateiros, são longos 170 km de estrada encascalhada, cortando todo o cerrado da região em longuíssimas retas de se perder de vista. No caminho, através de estradas secundárias, pode se visitar algumas cachoeiras menos famosas, além de atrações bem conhecidas, como a Cachoeira da Velha e as dunas, que foi de onde viemos hoje, em sentido contrário.
Garotos se divertem pulando da ponte (um deles está dando um mortal!) em em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
A principal atração turística da cidade é exatamente o que lhe deu o nome, a ponte alta sobre o rio, de onde garotos locais se divertem pulando e fazendo acrobacias. Pode-se pular da própria ponte, de uma altura próxima de 10 metros, ou de uma plataforma que fica no alto de uma pequena torre sobre a ponte, com altura aproximada de 15 metros. Eu e a Ana paramos para almoçar num restaurante ao lado do rio e assistimos de camarote o show dos garotos, que pulavam de ponta e davam até saltos mortais lá de cima, em incrível demonstração de habilidade.
Pulando da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
Vendo todos aqueles saltos, a minha coceira foi aumentando, aumentando. Além disso, o calorzão típico de Tocantins era um estímulo. Não me aguentei e decidi saltar também, de bermudas e chinelos, para proteger meus pés. Primeiro, um salto do alto da própria ponte, para ir esquentando... Uma delícia!
Pulando do corrimão da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
Em seguida, um salto um pouco mais alto, de cima do corrimão da ponte. Foi aí que resolvi colocar os chinelos, para evitar o tapa na água. Estimulado pelos meninos locais, nem tive muito tempo para pensar. Foi subir e pular.
Escalando a torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
Agora, do mais alto de todos! O problema é chegar lá encima. Temos quase que escalar uma estreita prancha de madeira apodrecida pelo tempo. O maior problema é quando os carros atravessam a ponte e toda a estrutura treme. Agarrado à prancha com firmeza, só ficava ouvindo as provocações dos moleques de 8 anos de idade, dizendo que subiam aquilo correndo, com o pé nas costas, hehehe.
Tentando chegar à plataforma da torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
Lá no alto, não tem volta! Descer pela prancha podre é ainda mais ariscado. E aguentar a gozação da platéia, então, nem pensar! Fazia muito tempo que eu não saltava desta altura, mas o rio lá embaixo era muito convidativo. Com a Ana à postos para fotografar, joguei-me no vazio. O legal de se pular dessa altura é que, durante a queda, dá tempo de pensar! A gente vê o rio se aproximando velozmente e se prepara para o choque, racionalmente. Muito legal!
Saltando do alto da torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO
Bom, depois dessa aventura que me fez voltar a ser adolescente, rumamos para Palmas. Ficamos num hotel no centro, o Eduardo's Palace, ao lado da Praça dos Girassóis, a maior das Américas! Do alto do hotel, uma bela vista da cidade, das montanhas de um lado e do rio do outro. Depois do hotel, fomos diretamente para a casa do Marco. Na verdade, ele veio nos buscar de moto, para nos guiar até sua casa. Lá, ele e a esposa, Carol, além dos filhos Leo e Arthur nos receberam muitíssimo bem, com direiro à banquete (o Marco é cozinheiro de mão cheia!), whisky e vinho de primeira qualidade. A comemoração seguiu até quase às três da manhã, muita conversa para ser colocada em dia. Amanhã, nosso dia vai começar tarde...
Comemoração do aniversário do Marco Aurélio em sua casa, em Palmas - TO
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