2 Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Geórgia Do Sul Há 2 anos: Geórgia Do Sul

Um Legítimo Asado Argentino

Argentina, Villa Nueva

Carnes já temperadas para a churrasqueira onde carvão e algarrobo já estão ardendo! (em Villa Nueva, na Argentina)

Carnes já temperadas para a churrasqueira onde carvão e algarrobo já estão ardendo! (em Villa Nueva, na Argentina)


Um dos pontos altos de nossa rápida estadia em Villa Nueva foi o delicioso e legítimo asado argentino que o Che Toba nos ofereceu. “Asado”, para quem não sabe, é a versão hermana do nosso churrasco. Mais do que simples refeições, ambos são verdadeiros rituais, com muitas semelhanças, mas também com suas diferenças. O grande ponto comum é a presença de carne e a intenção de confraternização entre amigos, mas nós estávamos mais interessados era nas diferenças. E, mais ainda, em comer tudo no final, carnes deliciosas de deixar água na boca!

Che Toba inicia o asado preparando o carvão e o algarrobo para queimar, em Villa Nueva, na Argentina

Che Toba inicia o asado preparando o carvão e o algarrobo para queimar, em Villa Nueva, na Argentina


Carvão e algarrobo queimando para depois serem espalhados no chulengo (churrasqueira), em Villa Nueva, na Argentina

Carvão e algarrobo queimando para depois serem espalhados no chulengo (churrasqueira), em Villa Nueva, na Argentina


Quando chegamos à cidade, nossa ideia era de seguir viagem no dia seguinte. A Ana, como sempre queria ficar mais e o Che Toba foi dando argumentos para estendermos a estadia. Todos muito bons, mas o asado foi matador. Então, logo cedo fomos comprar o que faltava e no final da manhã ele já começou a nos explicar e mostrar como se faz. Como morou muito tempo no Brasil também, sabe muito bem a diferença do asado para o churrasco.

A Fiona também espera com água na boca o legítimo asado argentino, em Villa Nueva, na Argentina

A Fiona também espera com água na boca o legítimo asado argentino, em Villa Nueva, na Argentina


Para começar, eles preferem fazer tudo com madeira. Carvão comprado, só em último caso. Coisa de amador, dizem! E não é qualquer madeira não! Eles preferem o algarrobo, uma madeira aromática, que além de assar a carne, ainda vai deixa-la mais cheirosa!

Hora de temperar a carne, ainda crua, com sal fino e pimenta branca, em Villa Nueva, na Argentina

Hora de temperar a carne, ainda crua, com sal fino e pimenta branca, em Villa Nueva, na Argentina


Carnes temperadas para o asado: molleja, matambre, costela de cerdo,  lombo de ternera, bife de chorizo (em Villa Nueva, na Argentina)

Carnes temperadas para o asado: molleja, matambre, costela de cerdo, lombo de ternera, bife de chorizo (em Villa Nueva, na Argentina)


A madeira é colocada numa espécie de anexo da churrasqueira, onde vai ser queimada até virar carvão. Quando estiver já em brasa, tiramos ela do anexo e a espalhamos no “chulengo”, a churrasqueira propriamente dita, onde vai fornecer o calor para assar a carne.

Asado argentino vem acompanhado de bom vinho! (em Villa Nueva, na Argentina)

Asado argentino vem acompanhado de bom vinho! (em Villa Nueva, na Argentina)


Falando em carne, os cortes são diferentes na Argentina também. Nada de picanha, por exemplo! Um dos cortes preferidos é o matambre, um pedaço de carne que fica entre a costela e a pele do boi. Falando em costela, a de porco é muito admirada por aqui, assim como o lomo de ternera (um delicioso corte das costas do boi) e, claro, o bife de chorizo. Tem também os cortes esquisitos que já não me atraem tanto, como a “molleja”, que é a amigdala do boi.

Carnes assando na churrasqueira, em Villa Nueva, na Argentina

Carnes assando na churrasqueira, em Villa Nueva, na Argentina


Toda essa carne é temperada antes de ir ao fogo com sal fino e pimenta branca. Depois, ao fogo, churrasqueira fechada para assar com mais eficiência. Enquanto isso, do lado de fora, a gente espera com um bom vinho. Isso mesmo, a preferência para acompanhar a carne aqui não é a cerveja gelada, mas um bom vinho. Em um país onde essa bebida pode ser encontrada com ótimos preços em qualquer supermercado, não é de se estranhar!

Churrasqueira fechada para assar melhor as carnes. em Villa Nueva, na Argentina

Churrasqueira fechada para assar melhor as carnes. em Villa Nueva, na Argentina


E assim se passou nossa manhã e início de tarde, um delicioso asado em família, sem ver o tempo passar. Como se diz em castelhano: “Muy rico!”.

Com a Marcela e o Che Toba, prontos para saborear um asado argentino, na casa deles em Villa Nueva, na Argentina

Com a Marcela e o Che Toba, prontos para saborear um asado argentino, na casa deles em Villa Nueva, na Argentina

Argentina, Villa Nueva, comida

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Diz aí se você gostou, diz!

Estréia do Guincho

Brasil, Paraíba, João Pessoa, Praia da Campina (Outeiro), Rio Grande Do Norte, Sagi (Baía Formosa)

Guincho pronto para puxar a Fiona, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB

Guincho pronto para puxar a Fiona, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB


Saímos meio preguiçosos de João pessoa, hoje. Apesar do plano de passar em um monte de lugares, já era mais de meio dia quando deixamos o hotel. Fomos seguindo pela orla da cidade, sentido norte, deixando para trás as praias de Manaíra, Bessa e Intermares. A cidade está se esticando ao longo da orla, bairros bem simpáticos, marzão esmeralda. Por fim, já na fronteira com a vizinha Cabedelo, passamos por Areia Vermelha, local de onde saem os barcos para a pequena ilha que surge no meio do mar na maré baixa. As fotos que vimos nos cartazes não eram nada convidativas, dezenas de barcos em volta do pequeno banco de areia. Hoje acho que não seria diferente, pelo movimento de carros e vans em volta do porto. Passamos batidos.

Atravessando a balsa entre Cabedelo e Lucena - PB

Atravessando a balsa entre Cabedelo e Lucena - PB


Em Cabedelo deve-se pegar uma balsa para Lucena, cruzando uma enorme boca de mar. A fila estava andando, a gente torcendo para conseguir entrar, mas parou justamente no carro à minha frente. Foi o tempo de nós reclamarmos do azar de ter de esperar mais 30 minutos quando passaram um rádio lá de dentro: "Venham mais dois carros!" Dois clientes que já haviam pago estavam fora de seus carros, no estacionamento interno, tomando uma cerveja. Para nossa alegria e tristeza deles, embarcamos enquanto eles reclamavam furiosos com o encarregado. Um brinde à cerveja!

Seguindo o mototaxi pelo canavial, entre Lucena e a Praia da Campina - PB

Seguindo o mototaxi pelo canavial, entre Lucena e a Praia da Campina - PB


Chegando em Lucena, fomos aconselhados a contratar um mototaxi para nos guiar através do canavial até a praia de Campina. Isso evitaria uma enorme volta pela estrada principal, ou a chance de errarmos o atalho. Com o tempo já corrido, não titubeamos. Bela decisão! Realmente, não seria um caminho fácil de seguir... No caminho, cruzamos com uma enorme expedição de jipeiros, uns 30 carros. A Fiona se sentiu em casa!

Praia e falésias entre as praias da Campina e do Outeiro - PB

Praia e falésias entre as praias da Campina e do Outeiro - PB


De Campina seguimos para a praia do Outeiro. Alguns trechos da estrada meio casca grossa, mas chegamos lá. No caminho, pausa para fotos da Fiona em cima da falésia. Toda a região é uma APA e o Ibama não deixa construírem pousadas na pequena vila em Campina e nem casas em toda a extensão da praia de Outeiro. Com isso, a praia ainda tem aquele ar de exploração que tanto gostamos.

Barra do rio Miriri, entre Lucena e Barra do Mamanguape - PB

Barra do rio Miriri, entre Lucena e Barra do Mamanguape - PB


O fim da trilha é na barra do rio Miriri, que é o obstáculo que impede a vinda de carros de Lucena diretamente pela praia. Uma beleza de lugar! Ali ficamos algum tempo passeando e fotografando, meio apressados para voltar já que teríamos de ir até o Rio Grande do Norte. Pois é... foi só começarmos a voltar que a Fiona encalacrou logo no primeiro obstáculo, uma valeta mais funda. As rodas escorregavam e não conseguiam subir a valeta do lado de lá.

Colocando folha de palmeira para tentar destravar a Fiona, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB

Colocando folha de palmeira para tentar destravar a Fiona, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB


Hora de colocar em prática o nosso curso de direção 4x4. O carro já estava tracionado e mesmo assim não subia. Um enorme buraco lateral impedia que a gente desse ré para tentar subir embalados. Enchi o piso com folhas de palmeiras, mas o carro continuava a escorregar. Próxima tentativa: usar as pranchas de alumínio. Estava crente que iria funcionar, mas nada. As rodas continuavam a escorregar.

Usando a prancha de alumínio para tentar destravar a Fiona, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB

Usando a prancha de alumínio para tentar destravar a Fiona, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB


Aí, tivemos de apelar. Botamos o guincho para funcionar, pela primeira vez numa situação real. Felizmente, havia árvores por ali. Reaprendemos a montar o guincho e seus apetrechos e ele tirou a Fiona de lá com uma mão nas costas! Jóia! Agora estamos bem mais seguros para as estradas que ainda deveremos encontrar pela frente. Ao mesmo tempo, achei que poderia confiar mais nos pneus 50-50 da Fiona. É... mas aquele chão estava mesmo escorregadio. Bom, vivendo e aprendendo...

Com a ajuda do guincho, a Fiona ultrapassa a valeta, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB

Com a ajuda do guincho, a Fiona ultrapassa a valeta, entre a praia do Outeiro e a Barra do Mamanguape - PB


Já quase de noite, chegamos à vila na praia de Campina. De lá de volta para o asfalto e para o norte! Estava escuro como breu quando entramos em mais um estado na nossa jornada, o Rio Grande do Norte! Lá se vão onze anos desde a última vez que passei por aqui. E foram as doces lembranças desta viagem que me fizeram escolher já ficar logo na primeira´praia do estado, a Sagi. Pouco mais de vinte quilômetros de terra por mais canaviais para chegar até aqui. Desta vez, no escuro, foi a Fiona (GPS) mesmo que nos trouxe. Aqui nos instalamos na pousada Sabambugi, nome que mistura de Sagi com bambu. Isso porque a pousada é inteirinha de bambu. Bela arquitetura e vista maravilhosa, nosso chalé bem alto na encosta de um morro. Como está escuro, a Ana ainda não tem idéia da beleza do lugar.

Barra do rio Miriri, entre Lucena e Barra do Mamanguape - PB

Barra do rio Miriri, entre Lucena e Barra do Mamanguape - PB


Mal vejo a hora do dia clarear e ela abrir as portas da nossa varanda...

Fim de tarde na barra do rio Miriri - PB

Fim de tarde na barra do rio Miriri - PB

Brasil, Paraíba, João Pessoa, Praia da Campina (Outeiro), Rio Grande Do Norte, Sagi (Baía Formosa), Estrada

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Vida Mansa em Hanalei Bay

Hawaii, Kauai-Hanalei Bay

Vida dura na Secret Beach, praia próxima à Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

Vida dura na Secret Beach, praia próxima à Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


Depois dos maravilhosos e rústicos dias em Kalalau, tudo o que precisávamos era um lugar com conforto onde pudéssemos ficar bem tranquilos. Esse lugar existe, bem ali do lado: Hanalei Bay, o destino mais procurado que quem viaja ao Kauai.

Café da manhã em nosso apartamento em Princeville, perto de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

Café da manhã em nosso apartamento em Princeville, perto de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


Até por isso, é bom reservar um lugar com antecedência e preparar-se para preços mais salgados. Ou então, procurar destinos próximos ou alternativos. Foi o que fizemos. Como estava difícil achar um hotel sem preços extorsivos em Hanalei, encontramos um lugar na cidade vizinha de Princeville. E nem foi um hotel, mas um apartamento dentro de um condomínio. Assim, além dos quartos, tínhamos também sala, varanda e cozinha. Um super negócio, bem mais barato que o hotel, com cara de “nossa casa” e a apenas 20 minutos das belas e cobiçadas praias de Hanalei. Justiça seja feita, essa verdadeira bocada foi dica da Ane, a irmã do Sidney com quem estivemos em San Francisco e que também está aqui no Kauai. Como o irmão, ela já havia estado aqui antes e foi uma excelente fonte de informações para nós!

Companhia de passarinhos no nosso café da manhã, no apartamento em Princeville, ao lado de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

Companhia de passarinhos no nosso café da manhã, no apartamento em Princeville, ao lado de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


Nós tínhamos alugado e pago o apartamento por três noites. Mas, na primeira delas, ainda estávamos no Kalalau, naquele dia extra que resolvemos, de sopetão, passar por lá. Mesmo assim, pagando essa noite extra, ainda ficou em conta. Anteontem no final da tarde, passamos lá na casa dos amigos em Hanalei (eles também ficaram em casa alugada e não em hotel!), pegamos nossas coisas e viemos para cá.

Reencontro com o Sidney, em Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

Reencontro com o Sidney, em Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


No dia seguinte, ontem, fomos cedo a um supermercado para nos abastecer. Assim, o café da manhã já foi super sadio, frutas frescas com iogurte e granola e pão quentinho com manteiga, queijo e geleia. Hmmmm! Mesa armada na varanda do apartamento com direito até à companhia de passarinhos coloridos.

Tranquilidade total em Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

Tranquilidade total em Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


Depois do café, foi hora de começarmos a explorar as praias da região. Fomos diretamente à Hanalei, onde nos encontramos com o Sidney, a Ane e os amigos. Ali, algumas horas na praia sem fazer nada. Quer dizer, uma caminhada básica, um mergulho rápido e até uma tentativa de surf do Rafa. Aquelas atividades que todos os mortais fazem em praias, nível de stress zero.

Anini Beach, perto de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

Anini Beach, perto de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


Mais tarde, mais uma valiosa indicação dos queridíssimos Sidney e Ane, fomos à Anini Beach. Aí, então, estava ainda mais calmo que na praia da manhã, mar mais tranquilo, sol se pondo, maré baixa fazendo bancos de areia e uma grande piscina natural para fazer snorkel. É claro que minha amada não perderia essa oportunidade e lá foi ela passar uns bons quarenta minutos embaixo d’água em companhia do Sidney, com direito a moreias e peixes coloridos.

O Sidney feliz, depois de fazer snorkel em Anini Beach, perto de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

O Sidney feliz, depois de fazer snorkel em Anini Beach, perto de Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


Depois da trilha do Kalalau, cervejinha para relaxar, na casa do Sidney em Hanalei Bay, costa norte do Kauai, no Havaí

Depois da trilha do Kalalau, cervejinha para relaxar, na casa do Sidney em Hanalei Bay, costa norte do Kauai, no Havaí


Finalmente, de noite, grande reunião na casa do Sidney para tomarmos cerveja e devoramos pizzas. Era nossa festiva despedida do Kauai, a Green Island, talvez a ilha mais especial do arquipélago (a concorrência com a Big Island é duríssima!).

Trilha para a Secret Beach.  próxima à Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí

Trilha para a Secret Beach. próxima à Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, no Havaí


Outra noite muito bem dormida no nosso ap e mais um café da manhã super saldável. Aí, de mala e cuia (no porta-malas do carro e não nas costas!), desocupamos nossa casa havaiana e fomos em busca da Secret Beach, indicação de um amigo lá da Little Beach de Maui. Trilhinha básica de 800 metros (o que são 800 metros perto de 11 milhas?) e chegamos à essa bela praia, totalmente deserta. Um farol no morro ao fundo, algumas casas de milionários perto da areia e mais nenhum sinal de civilização.

Secret Beach, perto de um dos muitos faróis na costa norte de Kauai, no Havaí

Secret Beach, perto de um dos muitos faróis na costa norte de Kauai, no Havaí


Passamos aí uma hora gostosa, a despedida derradeira do Kauai. Só não foi mais porque tínhamos um avião para pegar, lá do outro lado da ilha. O trânsito estava até melhor que o imaginado e chegamos com tempo no aeroporto. Mas não demorou muito e já olhávamos a inesquecível Kauai pelo espelho retrovisor (figura de linguagem, claro! Onde já se viu avião com retrovisor?). Agora, sobrevoávamos Oahu, a ilha mais urbanizada do arquipélago, aonde está a capital do Havaí, a grande Honolulu. Nossa última escala nessa temporada que já começa a nos deixar saudades, antes mesmo de acabar...

Chegando à ilha de Oahu, onde está Honolulu, no Havaí

Chegando à ilha de Oahu, onde está Honolulu, no Havaí

Hawaii, Kauai-Hanalei Bay, Hanaley Bay, Kauai, Praia, Secret Beach

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O Sol

Brasil, Paraná, Curitiba

Pôr-do-sol visto do alto da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA

Pôr-do-sol visto do alto da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA


Já estou com meus óculos novos (que delícia!!!) e também com os velhos, agora consertados. Também estamos com as mochilas devidamente consertadas, assim como tênis e sandálias. Aos poucos, estamos reunindo tudo o que deixamos por aí, para reparações. Ficando prontos para colocar o pé na estrada novamente! Também voltei à dentista hoje e agora estou pronto para passar um bom tempo longe daquela cadeira!!!

Véspera de feriado e, como não poderia deixar de ser, o tempo começa a virar aqui em Curitiba. O frio e as nuvens se aproximam, prometendo um feriadão daqueles... Olhando para o céu acizentado, senti saudade do sol e, mais ainda dos fantásticos finais de tarde com o astro-rei pintando o céu com todos os tons do amarelo ao vermelho.

Início da viagem, nas Ilhas Virgens Americanas, no Caribe

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI


Pertinho de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, esse é um dos mais belos e inspiradores pontos para se saltar de asa delta no país

Biruta do Pico do Gavião em Andradas - MG

Biruta do Pico do Gavião em Andradas - MG


Evento mais raro na nossa viagem, assistimos a um gelado e magnífico nascer-do-sol do alto de uma das mais altas montanhas do sul do país, na Serra da Mantiqueira

Nascer-do-sol no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Nascer-do-sol no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Praia e sol no fim de tarde, combinação perfeita na Praia do Forte, na Bahia

Pôr-do-sol na Praia do Forte - BA

Pôr-do-sol na Praia do Forte - BA


Pôr-do-sol cinematográfico, uma das características do sertão nordestino

Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB

Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB


Um dos mais famosos do Brasil, o pôr-do-sol do alto da duna de Jericoacoara, no Ceará.

Família assiste ao pôr-do-sol em Jericoacoara - CE

Família assiste ao pôr-do-sol em Jericoacoara - CE


O pôr-do-sol é uma beleza universal. Tanto faz se for no Brasil ou no Caribe...

Admirando o pôr-do-sol em Marigot - St. Martin (Caribe)

Admirando o pôr-do-sol em Marigot - St. Martin (Caribe)


Céu amarelo, barquinho flutuando nas águas calmas, sem tempo para preocupações. É o Caribe de St. Kitts e Nevis

Belo pôr-do-sol em Pinney's Beach, na ilha de Nevis

Belo pôr-do-sol em Pinney's Beach, na ilha de Nevis


Pôr-do-sol a quase 8 mil metros de altura...

Vôo no pôr-do-sol sobre o mar do Caribe, em direção ao Suriname. Fim da temporada caribenha...

Vôo no pôr-do-sol sobre o mar do Caribe, em direção ao Suriname. Fim da temporada caribenha...


Pôr-do-sol inesquecível em plena amazônia, na estrada que liga Roraima ao Amazonas

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Um Dia nas White Mountains

Estados Unidos, New Hampshire, Lincoln

A caminho do topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

A caminho do topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Juntos com a Rosana, armamos um roteiro para passar um dia inteiro explorando a região das White Mountains, em New Hampshire. Tempo curto demais e, como sempre, vamos deixar coisas para trás. Servirão como belos motivos para voltarmos, algum dia! A Rosana, a simpática dona do nosso hotel, já mora aqui faz tempo e nos deu dicas valiosas, não só daqui, mas também do Maine. Resumindo seus conselhos, para quem tem pouco tempo, as duas mais belas atrações dos estados do norte são as White Mountains e o litoral do Maine. Então, neles vamos nos concentrar!

Viajando pelas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Viajando pelas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Passeio nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Passeio nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Começamos a jornada percorrendo uma famosa estrada cênica que corta o sul da região, a Kancamagus Highway. Subindo e descendo montanhas, cheia de mirantes com painéis explicativos de onde se pode admirar a grandiosidade das montanhas e aprender sobre sua formação geológica, flora, fauna e história da exploração e preservação da natureza. Uma verdadeira aula ao mesmo tempo em que os olhos são brindados com vistas maravilhosas.

Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Rio de águas claras e geladas nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Rio de águas claras e geladas nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Depois, para esticar um pouco as pernas, uma pequena trilha até uma das inúmeras cachoeiras nos rios e riachos da região, a Sabbaday Falls. Trilha pela mata de pinheiros e mapples, pouco mais de um quilômetro de caminho muito agradável entre as centenas de quilômetros de trilhas que existe em toda a região, paraíso de caminhantes, ciclistas e amantes da natureza.

A cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

A cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Água gelada e proibida aos banhistas, na Sabbaday, se prestando apenas à admiração e às aulas de geologia, desde placas tectônicas até eras glaciais. A estrutura e a quantidade de informações que encontramos nesses parques americanos sempre me impressionam. O que se perde em senso de aventura, ganha-se em conforto e cultura. Outra coisa que salta aos olhos é a quantidade de idosos, sempre em ótima forma, que encontramos nesses lugares. Acho que a expressão “melhor idade” é mais verdadeira do que nunca, por aqui.

A bela paisagem durante a subida do Mount Washington, ponto mais alto das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

A bela paisagem durante a subida do Mount Washington, ponto mais alto das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Depois da cachoeira, hora de seguir para a maior atração das White Mountains, literalmente. O Mount Washington, ponto culminante de uma cadeia de montanhas onde todos os picos tem nomes de presidentes é também a mais alta montanha de todo o nordeste dos Estados Unidos, chegando perto dos 1.950 metros de altura.

A caminho do topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

A caminho do topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Pode-se chegar lá encima caminhando através das várias trilhas existentes ou de trem ou de carro. Nós optamos pela última opção, irmos no conforto da Fiona até lá. Afinal, enfrentar a subia à pé e, quando chegarmos no topo, nos depararmos com prédios, museus, restaurantes e um exército de turistas não era uma perspectiva atraente. O Mount Washington já atraia turistas há mais de 150 anos e, antes do advento do automóvel, já foi construída uma estrada para que carruagens pudessem levar as pessoas até lá. Foi um empreendimento de sucesso, atraindo mais e mais pessoas. Depois da épica subida do primeiro automóvel (um golpe publicitário de uma oficina mecânica!), a estrada foi melhorada, assim como também foi construída a linha de trem.

No topo do Mount Washington e das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

No topo do Mount Washington e das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Experimentando fantasia de alce na lojinha do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Experimentando fantasia de alce na lojinha do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Todos queriam conhecer o “pior clima do mundo”. Pois é, o clima lá encima muda rapidamente e pode ficar brutal. Ali se mediram os mais rápidos ventos em toda a história, durante uma tempestade em 1936. Ventos de 231 milhas, ou mais de 370 quilômetros por hora! Durante o inverno, é comum a estrada e a ferrovia ficarem fechadas por semanas à fio. Aí sim, quando algum alpinista chega ao cume caminhando, vai encontrar o pico vazio, sem turistas, recompensa desejada por todos que escalam uma montanha.

O belo visual do alto do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

O belo visual do alto do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Bom, hoje o clima estava muito mais ameno. Céu azul e pouco vento. A Fiona nos levou até lá encima com um pé nas costas, tiramos nossas fotos e visitamos a lojinha de presentes. Demos uma olhada no museu e nas fotos centenárias dos antigos turistas e dos dias de tormenta. Gráficos e painéis explicam a história da região, sobre como uma enorme geleira vinda do norte cobriu tudo por aqui com um lençol de gele de mais de um quilômetro de espessura, remodelando todo o relevo, há pouco mais de 15 mil anos.

Fiona nos leva pelas estradas das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Fiona nos leva pelas estradas das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


A gente também pode admirar, lá de cima, as trilhas que sobem (ou descem, depende da perspectiva!) a montanha, cheia de mochileiros indo e vindo. É muito comum as pessoas virem de trem e descerem à pé. Os mais corajosos fazem o inverso. Com o sol que fazia hoje, era difícil acreditar que estávamos no mesmo lugar que meu primo me mostrou em um vídeo todo branco de neve, quando subiu a montanha no inverno e mal conseguia ficar de pé, por causa do vento. Certamente, quando ele chegou ao cume, estava mais vazio do que hoje...

Hotel onde se realizou a famosa conferência de Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Hotel onde se realizou a famosa conferência de Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Visitando Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Visitando Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Descemos da montanha, demos a volta nela de carro e passamos em frente ao hotel mais famoso da região, um monumento nacional. Aqui foi feito história em Julho de 44, uma ano antes do final da 2ª Guerra Mundial. Durante três semanas, enviados de 44 países realizaram a mais importante conferência econômica da história, definindo as regras e sistemas que regeriam o sistema econômico mundial no pós-guerra. Estou falando de Bretton Woods onde, entre outras coisas, se criou o FMI, a Banco Mundial e se estabeleceu o dólar como moeda internacional de transações e reserva de valor. Para um economista como eu, concordando ou não com o que foi decidido por ali, um templo sagrado a ser visitado! Curiosamente, o que mais atiçou minha curiosidade nesse momento foi como seria o dia a dia dessas centenas de delegados de tantos países nesse enorme e luxuoso hotel instalado numa das regiões mais belas do país. Devem ter sido três semanas bem interessantes, cheias de histórias secretas de negociações, discussões abertas e fechadas e comida e bebida da melhor qualidade...

The Basin, lembrança da última era glacial nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

The Basin, lembrança da última era glacial nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Terminamos nosso tour pelas estradas da região passando por outro vale cheio de atrações, entre trilhas, cachoeiras e formações geológicas. O “Franconia Notch” foi transformado em um Parque Estadual e mereceria outro dia inteiro de explorações. Nós escolhemos uma pequena trilha para pelo menos sentir um gostinho do parque. Fomos até a “Basin”, outro resquício da última era glacial, uma piscina circular escavada no granito por pequenas rochas trazidas pelas fortes correntes proveniente do degelo. Mais um belo lugar para fotografias, mas proibido para banhistas.

Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Voltamos acelerados para nossa base em Lincoln, pois ainda queríamos tomar um banho de lago no final de tarde. Isso não impediu que parássemos alguns minutos em frente a um local de apresentação de ursos. Pois é, se ainda não vimos um na natureza, pelo menos podíamos ver esses agora, curtindo seus momentos de férias e pouco se importando com quem passasse na estrada. E eu que achava que Ursos Negros eram pequenos, que nada! Cruzar um desse no meio de uma trilha deve ser um susto danado! Ainda mais se, por azar, formos parar entre uma mãe e seus filhotes. Aí, o estrago pode ser grande...

Ponte refletida em lago cristalino, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Ponte refletida em lago cristalino, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Delicioso mergulho no Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Delicioso mergulho no Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Terminamos o dia nadando no Mirror Lake, outra dica da Rosana. Cerca de onze quilômetros ao sul de Lincoln, ela nos ensinou um caminho até a parte de trás do lago, longe da praia pública, onde pudemos nadar no final da tarde, temperatura de água perfeita e cenário deslumbrante. Quantas vezes já não tinha visto filmes americanos com jovens nadando em lagos no meio de matas de pinheiros e agora, era a nossa vez! Foi muito gostoso, um dos pontos altos do dia. Uma bela despedida de New Hampshire, já que amanhã, partimos para o litoral do Maine.

Fim de tarde no Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Fim de tarde no Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Estados Unidos, New Hampshire, Lincoln, Bretton Woods, história, Mount Washington, trilha, White Mountains

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Réveillon em Alto Estilo

Estados Unidos, Utah, Moab, Colorado, Aspen

Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Último dia do ano! Mais um passado na estrada! Parece que foi ontem que estávamos em Antigua, na Guatemala, ou no Pai Mateus, lá na saudosa Paraíba. Viajando assim, por tanto tempo, faz com que os dias, da semana ou do mês, percam o sentido. Domingo ou segunda-feira, dia primeiro ou dia 15, janeiro ou setembro, não faz muita diferença para nós. O que importa mais é se está frio ou quente, ou se estamos no meio de algum feriado prolongado que lota estradas e hotéis. Fora isso, todo dia é dia. O réveillon é uma das poucas exceções. Afinal, marca uma passagem. Deixa claro para nós o quanto temos progredido e o tempo que já estamos fora de casa. Enfim, é um dia especial.

A bela estrada que segue ao lado do rio Colorado, no leste de Utah, nos Estados Unidos

A bela estrada que segue ao lado do rio Colorado, no leste de Utah, nos Estados Unidos


Céu azul e muito frio em estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos

Céu azul e muito frio em estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos


Até por isso, queremos celebrá-lo apropriadamente. Um mês antes, ainda não tínhamos muita ideia de onde estaríamos, mas na últimas semanas, ficou bem mais claro que estaríamos por aqui, viajando nesses estados do sudoeste americano. Planejamos, então, passar essa data em alto estilo, no mais famoso e badalado resort de esqui dos Estados Unidos, a cidade de Aspen, no Colorado.

A bela estrada que segue ao lado do rio Colorado, no leste de Utah, nos Estados Unidos

A bela estrada que segue ao lado do rio Colorado, no leste de Utah, nos Estados Unidos


Nossa programação acabou acertando direitinho e hoje cedo, partimos para o sonho de consumo de tantas pessoas do mundo. Mas, uma coisa é a intenção e a outra é a prática. Nossa procura pela internet só mostrou hotéis absurdamente caros ou lotados. Nem o Priceline estava nos salvando. De maneira nenhuma caberia no nosso orçamento, uma noite por 400, 600 e até 1.200 dólares. Teríamos de arrumar alguma solução quando chegássemos lá perto. Algum jeito daríamos...


Nosso percurso no dia de hoje, de Utah para Aspen, no Colorado

Esse não era nosso único problema assim que pegamos a magnífica estrada que sai de Moab e acompanha o curso do rio Colorado, primeiro para o norte, até a interestadual e depois para o leste, para o estado de Colorado. Do lado de fora, belas paredes de canyon, tudo branquinho de neve e um rio quase congelado, um convite para fotos. Do lado de dentro, no painel da Fiona, uma incômoda luz que avisava ser necessário trocar o filtro de óleo do carro. A luz se acendeu há alguns dias, justamente quando trafegávamos numa estrada deserta, de noite, sob uma temperatura de 18 graus negativos. Não seria o melhor lugar ou hora para o carro pifar... Bom, a Fiona jamais nos deixaria na mão, e não deixou mesmo. Apenas avisava que aquele velho filtro que usava já não cumpria seu papel.

Muita neve forma uma incrível paisagem invernal em estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos

Muita neve forma uma incrível paisagem invernal em estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos


Essa peça de reposição não existe nos Estados Unidos. Não há carros como a nossa Fiona por aqui, uma camionete de porte médio que usa diesel. Felizmente, trouxemos um de reserva, para situações como essa. Mas não podíamos trocar a peça nós mesmos, pois existe um procedimento para isso que não conhecemos, algo que resseta a luz e volte a funcionar, depois do filtro ser trocado. Tantos dias andando com essa bendita luz acesa e já estava mais do que na hora de fazer a troca. Mas, provavelmente, teríamos de esperar o fim do feriado e achar uma cidade maior, com uma concessionária da Toyota.

A Fiona nos leva confortavelmente através da neve e frio de estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos

A Fiona nos leva confortavelmente através da neve e frio de estrada no leste de Utah, a caminho do Colorado, nos Estados Unidos


Pois bem, atravessamos as lindas estradas do leste de Utah rumo ao Colorado, um olho na luz do painel e outra na paisagem, a cabeça pensando em onde dormiríamos hoje. Nesse meio tempo, aproveitamos para falar com a família do outro lado do oceano, via Skype. Vinte e cinco dólares mensais nos dão acesso à rede da AT&T em quase 100% do território do país, uma verdadeira mão na roda. Um dos melhores investimentos que fizemos por aqui, quando compramos o ipad de segunda-mão, mas praticamente novo, da minha prima, lá em New Jersey. Por isso, pudemos ficar tão conectados aqui na terra do Tio Sam, a qualquer hora, em qualquer lugar. Mesmo a mais de 120 km/h numa estrada no meio do nada, entre Utah e Colorado. Via internet, a Inglaterra é logo ali e primos e irmãos parecem estar do nosso lado. Maravilhas da tecnologia...

Última noite de 2012 na iluminada e gelada Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Última noite de 2012 na iluminada e gelada Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Bom, entramos no Colorado, a paisagem cada vez mais branca, e chegamos a Glenwood Springs, cidade de onde pegamos o desvio para Aspen. Aí pensamos em dormir, bem mais barato que Aspen e ainda ao alcance para que fôssemos lá comemorar e voltássemos só para passar a noite. Era a nossa solução para aquele primeiro problema. Checamos o preço de um hotel e partimos para o segundo, ainda meio sem ter certeza do que fazer. Eis que, então, num passe de mágica, aparece uma concessionária da Toyota, aberta, já no final da tarde do dia 31! Sentindo o chamado do destino, paramos por lá e eu entro para perguntar se poderíamos fazer a troca da peça. O simpático atendente diz que, infelizmente, todos os mecânicos já se foram. A agenda deles estava meio lotada para o dia seguinte após o feriado, mas ele poderia tentar nos “encaixar”. De qualquer maneira, teríamos de esperar até o dia 2.. Desanimado, volto para o carro. Antes de ligar a Fiona, estacionada bem em frente a concessionária, um pequeno grupo de curiosos se aproxima. Estão fascinados por aquele belo carro que nunca tinha visto. Melhor ainda, um deles vestia roupas de mecânico! Abro a janela e digo: “Puxa... estava procurando alguém vestido exatamente como você...”. era o destino sorrindo novamente. Aquele era o chefe dos mecânicos da loja. Estava indo para casa, mas ficou hipnotizado pela Fiona. Explicada a situação, ele solta um firme: “Deixa comigo!”. Levou o carro para a garagem e uma rápida pesquisa pela internet o ensinou como fazer a troca e reprogramar os computadores do carro. Em quinze minutos a Fiona estava nova!

Reveillon em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Reveillon em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Sob neve, pessoas celebram o reveillon em praça de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Sob neve, pessoas celebram o reveillon em praça de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


E isso não foi tudo! O destino ainda não havia terminado conosco. Enquanto esperávamos pelo carro, conversamos com outras pessoas da loja. Contamos que queríamos passar o réveillon em Aspen, mas não tínhamos hotel. Logo nos encaminharam para a mais baladeira das funcionárias, que não descansou enquanto não arrumasse um bom lugar para ficarmos, a preços palatáveis, bem mais perto de Aspen. Disse que o réveillon tinha de ser lá mesmo, que valia muito a pena. Tentou, tentou e conseguiu. Um hotel joia, na pequena Basalt, uma vila bem pertinho de Aspen. Bingo! Nossos dois problemas resolvidos de uma só vez, num mesmo lugar. Viva o acaso! Viva o destino! Viva o último dia do ano, hahaha!

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Já estava escuro quando nos instalamos. Deixamos por lá as malas e seguimos diretamente para Aspen, alguns quilômetros para frente e para o alto, alguns graus ainda mais fria, completamente coberta pela neve. Típico cenário de tantos filmes de natal no hemisfério norte, bem combinado com um Papai Noel vestido com casacos grossos e vermelhos. Aqui sim, a figura do bom velhinho faz sentido!

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


A cidade estava bem movimentada, fogos de artifício no céus, iluminando as montanhas que cercam a região, muita gente nas ruas distribuindo sorrisos e simpatia, árvores enfeitadas com luzes e doces flocos de neve caindo do firmamento. Enfim, cenário mesmo de filmes e de sonhos. A gente, com nossas várias camadas de casacos, caminhava para lá e para cá, admirando e curtido aqueles momentos especiais. Que delícia de ano tivemos e que b om modo de passar a última noite. Aquecemo-nos um pouco na grande fogueira no meio da praça central, observamos as pessoas pulando e dançando ao som de DJs, ficamos maravilhados com a neve fina que caía, uma verdadeira chuva de prata, iluminada pela luz da fogueira.

Aconchegante restaurante em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Aconchegante restaurante em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Muito estilo na última refeição do ano, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos. Fondue com vinho!

Muito estilo na última refeição do ano, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos. Fondue com vinho!


Por fim, escolhemos um restaurante bem aconchegante e quentinho, ar jovial, e nos refestelamos em um delicioso fondue de queijo acompanhado, é claro de vinho. Uma das atendentes era brasileira e fez muita festa para nós. Foi uma comida deliciosa num ambiente cativante num dia especial. Tudo de bom!

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Última noite do ano, caminhando nas ruas enfeitadas e nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Estômagos muito bem cuidados, demos mais uma volta nas ruas cobertas de neve fina, tiramos as últimas fotos e voltamos para a pequena Basalt; Ao lado do nosso hotel, um bar estava cheio de clientes para, juntos, celebrar a virada do ano. A gente se juntou a eles e, com a nossa champagne comprada lá no Napa Valley e guardada com tanto carinho, demos as boas vindas ao ano de 2013, o primeiro do resto das nossas vidas. Que ele traga muitas aventuras, felicidades e uma pitada de responsabilidade para o casal 1000dias. Para nós e para todos aqueles que nos seguem, acompanham e viajam conosco. Um feliz 2013 para todos nós!

Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Celebrando os últimos minutos de 2012vna pequena basalt, ao lado de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Utah, Moab, Colorado, Aspen, réveillon

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Da Primeira à Quinta

Brasil, Bahia, Morro de São Paulo

Quarta praia em Morro de São Paulo - BA

Quarta praia em Morro de São Paulo - BA


As praias em Morro de São Paulo são conhecidas pelo seu número: Prmeira, Segunda, Terceira e Quarta. A vila histórica aqui fica encima do morro e se estende pela Primeira e Segunda Praias. Morro já é conhecida dos gringos e turistas há mais de uma década e hoje é o terceiro destino turístico do estado da Bahia, após Salvador e Porto Seguro.

Segunda Praia, em Morro de São Paulo - BA

Segunda Praia, em Morro de São Paulo - BA


Eu e a Ana, diferentes que gostamos de ser, saímos em caminhada hoje em direção à distante Quinta Praia, longe do alcançe da maioria dos turistas. Passamos pela urbana Primeira Praia, pela badalada Segunda Praia, pela em processo de desenvolvimento Terceira Praia e pela longa Quarta Praia, com a mais famosa piscina natural da ilha.

Mergulhando na piscina natural na Quarta Praia, em Morro de São Paulo - BA

Mergulhando na piscina natural na Quarta Praia, em Morro de São Paulo - BA


Caminhando na Quarta Praia, em Morro de São Paulo - BA

Caminhando na Quarta Praia, em Morro de São Paulo - BA


Tudo isso à caminho da pouca conhecida, selvagem e bela Quinta Praia, a quase cinco quilômetros do centro. Na maré baixa, uma enorme planície de areia cortada por um riacho de mangue e aquele marzão verde esmeralda. Incrível que num destino tão turístico ainda seja possível achar um lugar onde se possa esquecer as marcas humanas e imaginar-se num mundo selvagem, só com praias, mar e coqueiros.

Riacho da Quinta Praia, em Morro de São Paulo - BA

Riacho da Quinta Praia, em Morro de São Paulo - BA


Só na imaginação mesmo porque, apesar da vila e do movimento estarem longe, há várias pousadas ali perto. Se não podemos vencê-las, vamos aproveitá-las, e tivemos uma deliciosa água de coco e uma refeição de peixe inesquecível.

Água de coco na Quarta Praia em Morro de São Paulo - BA

Água de coco na Quarta Praia em Morro de São Paulo - BA


De lá voltamos para a vila e para o morro do farol. A intenção original eram fotos da vila e do astro-rei mas a Ana animou de usar a mais alta tirolesa das Américas (é o que diz a propaganda), descendo de 75 metros direto para o mar. Ela desceu e eu fiquei lá encima para fotos do pôr do sol e da igreja, na descida.

A famosa Tirolesa da Primeira Praia em Morro de São Paulo - BA

A famosa Tirolesa da Primeira Praia em Morro de São Paulo - BA


Pôr-do-sol em Morro de São Paulo - BA

Pôr-do-sol em Morro de São Paulo - BA


É duro ser o mais velho, preocupado com nossas parcas economias. Tudo bem, um dia mando isso tudo para os ares... A noite foi jóa, lual com nossos amigos belgas (eles ficaram de nos mandar as fotos) na Segunda Praia. Daqui para Salvador e depois, aquela dúvida: litoral norte baiano ou Chapada Diamantina... Tenho a impressão que, de qualquer maneira, vamos nos dar bem...

Nossos amigos belgas em Morro de São Paulo - BA

Nossos amigos belgas em Morro de São Paulo - BA

Brasil, Bahia, Morro de São Paulo,

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Esticando as Pernas em Villa O'Higgins

Chile, Villa OHiggins

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Quem acompanha nossa viagem de perto sabe que, apesar de termos dirigido até o Alaska e a Terra do Fogo, o 1000dias é muito mais feito de pernas do que de rodas. Sim, foram mais de 160 mil quilômetros rodados até aqui, mas se toda essa quilometragem for distribuída ao longo da viagem, são cerca de 110 quilômetros por dia. Não é muito e há bastante gente que roda mais do que isso sem nunca sair de sua cidade ou estado, apenas na sua rotina diária de trabalho. Na média, isso significa, talvez, 1h 30min diários dentro da Fiona e o resto, fora dela! É onde os 1000dias realmente acontecem, conosco perambulando entre montanhas e florestas, praças e museus.

A cidade de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, vista do alto do parque Cerro Santiago (sul do Chile)

A cidade de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, vista do alto do parque Cerro Santiago (sul do Chile)


Caminhando pela praça central de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Caminhando pela praça central de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Pois bem, digo isso porque os últimos 10 dias de nossa viagem foram bem atípicos nesse sentido. Desde nosso último dia cheio em Torres del Paine, exatamente na véspera de natal, que temos dirigido todos os dias. Fomos até a Terra do Fogo, cruzamos o sul da Argentina, entramos no Chile e chegamos à Carretera Austral sempre a bordo da nossa querida Fiona. Apenas em Punta Arenas e Ushuaia passamos mais de uma noite, mas mesmo nessas cidades, durante o dia cheio que nelas passamos, foi nosso carro que nos levou até o ponto extremo da América do Sul, na primeira, e ao Parque Nacional Tierra del Fuego, na segunda. Sim, caminhamos também, não só em Ushuaia como também no Bosque Petrificado ou nas passarelas de Caleta Tortel, mas a Fiona foi bastante usada todos esses dias. Enfim, uma correria, mas uma correria sobre rodas!

A charmosa e rústica arquitetuta de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

A charmosa e rústica arquitetuta de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Embalado por cerveja, trabalhando um pouco no computador em nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Embalado por cerveja, trabalhando um pouco no computador em nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Então, merecidamente, vimos a chance aqui em Villa O’Higgins de quebrar um pouco esse ritmo. Esticar as pernas de verdade e dar um descanso à Fiona. Não poderíamos escolher melhor lugar, pois a cidade que fica no extremo sul da Carretera Austral está circundada por uma natureza exuberante e quase virgem. Bosques, geleiras, rios, lagos e montanhas formam o entorno dessa cidade perdida no meio da patagônia chilena e que se autodenomina “a porta de entrada do Campo de Gelo Sul”. Pois é, nós já estivemos em outras “portas de entrada” desse enorme campo gelado, como El Chaltén e El Calafate, ambos do lado argentino. Mas aqui desse lado da fronteira, é mesmo Villa O’Higgins a principal via de acesso ao segundo maior banco de gelo do planeta fora das regiões polares.

Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile

Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile


Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile

Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile


Nós chegamos aqui no dia 2 às 21:00 e ainda aproveitamos a luz de fim de tarde (viva o dia “esticado” da patagônia!) para dirigir até o fim da estrada, alguns quilômetros ao sul de Villa O’Higgins. Foi só depois disso que viemos para a pequena cidade de 600 habitantes para nos instalar no aconchegante El Mosco Hostel. É um misto de albergue e hostel, muito popular com os ciclistas que fazem a travessia daqui para a Argentina, ou vice-versa. Tem quartos coletivos e para casais e infraestrutura para cozinharmos as próprias refeições. Todo em madeira, é uma delícia!

Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)

Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)


Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)

Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)


A dona do hostel é a simpaticíssima Fili e conversamos bastante com ela nessa noite e na manhã seguinte. Foi ela que nos indicou o excelente “Entre Patagones”, um restaurante delicioso que jamais imaginei encontrar nesse verdadeiro fim de mundo (no bom sentido!). Aí nos refestelamos com comida e vinho chilenos, nós e muitos dos viajantes de passagem por aqui. Todos celebrando estar no lugar onde estamos. Mas, voltando a Fili, foi ela também que nos deu um panorama geral da questão da Hidroaysen, as hidrelétricas que querem construir na região. Muito ponderada, nos mostrou prós e contras tentando não influenciar nossa própria opinião. Uma ótima e agradável conversa, um dos pontos altos de nossa estadia por aqui.

Mirante no alto do parque Cerro Santiago, em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Mirante no alto do parque Cerro Santiago, em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


A caminho do Glaciar do rio Mosco, perto de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

A caminho do Glaciar do rio Mosco, perto de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Foi também ela que nos orientou sobre os diversos trekkings existentes na região. Conforme já esperávamos, a caminhada até o Campo de Gelo Sul dura vários dias, tempo que infelizmente não dispomos. Vamos mesmo ter de voltar à patagônia algum dia só para conhecer essa que é uma das mais fascinantes e inexploradas regiões do mundo. Por outro lado, ela também deu várias dicas de caminhadas de apenas um dia pela região e foi assim que escolhemos o nosso trekking de hoje: uma trilha pelo vale do Rio Mosco até o glaciar onde nasce o rio. Certamente, não é uma trilha tão impressionante como o trekking até o Campo de Gelo, mas ainda sim mais belo do que a maioria das trilhas espalhadas pelo nosso continente.

Marcações na trilha para o Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile

Marcações na trilha para o Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile


Atravessando um bosque na trilha do Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile

Atravessando um bosque na trilha do Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile


Foi assim que, devidamente agasalhados e com sanduíches na mochila, saímos a caminhar hoje, primeiro pela própria cidade e depois subindo o vale do rio Mosco. O primeiro destino foi o Cerro Santiago, o parque municipal de Villa O’Higgins. Aí subimos um pequeno morro de onde temos belas vistas da cidade e ruas retas e ordenadas e construções baixas e de madeira. Era daí que partia a nossa trilha, devidamente sinalizada com tinta em árvores e pedras a cada 50 ou 100 metros.

Trecho aberto da trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Trecho aberto da trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Aqui ou ali, alguma bifurcação e a dúvida sobre por onde seguir. Principalmente no trecho inicial, ainda perto de fazendas e gado que cria suas próprias trilhas. Mas, aos poucos, fomos nos afastando da civilização e a trilha ficou bem clara ao cruzar bosques ou subir e descer encostas.

Na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, um mirante para o vale onde está  Villa O'Higgins, no sul do Chile

Na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, um mirante para o vale onde está Villa O'Higgins, no sul do Chile


Retornando à cidade depois de fazermos a trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Retornando à cidade depois de fazermos a trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Do ponto mais alto do caminho, tivemos uma belíssima visão do vale onde está Villa O’Higgins, desde a própria cidade até o lago onde chegamos ontem, ponto de término da Carretera Austral. Ao fundo, do outro lado do vale, as montanhas que escondem atrás de si o Campo de Gelo Sul. Um dia, chegamos lá... Já olhando para o outro lado, para a direção em que caminhávamos, as montanhas e o glaciar do Rio Mosco. Ele está longe de ser grande como os glaciares que nascem no Campo Sul, como o Viedma, o Grey ou o Perito Moreno, mas não deixa de ser uma visão impressionante, aquele rio de gelo pendurado entre as montanhas longínquas. Acho que brasileiros nunca vão se acostumar ou achar “normal” a visão de uma geleira. Mesmo nós que vimos tantas delas nesses últimos anos, no norte e no sul do nosso continente.

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Dessa parte alta descemos para o vale criado pela própria geleira alguns milênios atrás, mas que hoje é percorrido apenas pelo rio de mesmo nome que nasce na sua linha de frente. A partir daí, entramos em bosques maravilhosos e por eles caminhamos durante horas, acompanhando as curvas do terreno e as curvas de nível. Muitos córregos e pequenas cascatas no caminho, mas o mais impressionante mesmo é o verde exuberante do bosque.

Encontrando o rio Mosco, na trilha que leva ao Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Encontrando o rio Mosco, na trilha que leva ao Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


No meio do bosque, o refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

No meio do bosque, o refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Chegando ao refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Chegando ao refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Por fim, chegamos à uma pequena casa de madeira no meio da floresta. Era o refúgio Puesto Rivera, nome que homenageia um dos pioneiros da região e que também usava essa mesma trilha que caminhamos hoje muito tempo atrás. Era um dos caminhos que levava à terras argentinas, do outro lado das montanhas. O refúgio é bem simples e rústico, mas convidativo o suficiente para lancharmos lá dentro. Não sei como seria passar a noite por ali, certamente algo entre o aventureiro e o amedrontador, o clima meio parecido com a Bruxa de Blair, principalmente no meio daquele bosque e totalmente longe da civilização.

Interior do refúgio Puesto Rivera, com direito até a chaminé para fazzer uma fogueira, na trilha para o glaciar do rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Interior do refúgio Puesto Rivera, com direito até a chaminé para fazzer uma fogueira, na trilha para o glaciar do rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Lanche para recuperar as energias, no refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Lanche para recuperar as energias, no refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Mas nossos planos nunca foram mesmo dormir ali. Continuamos um pouco mais adiante, até a beira do rio Mosco que agora corria ao nosso lado. Daí voltamos a ter uma vista mais ampla, o glaciar já bem mais perto de nós. Foi o ponto final da nossa trilha, já bastante satisfeitos com a esticada de pernas, com o ar puro ingerido, o contato com a natureza e a sensação total de liberdade. Hora de retornar.

O rio Mosco, na trilha que leva ao glaciar de mesmo nome, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

O rio Mosco, na trilha que leva ao glaciar de mesmo nome, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


O rio Mosco, que nasce no glaciar de mesmo nome, ao fundo, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

O rio Mosco, que nasce no glaciar de mesmo nome, ao fundo, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Poucas horas mais tarde e chegávamos ao hostel. Além de uma cama mais confortável e de mais calor humano do que no refúgio no meio da floresta, ali tínhamos material para um nutritivo jantar. Muito macarrão, cerveja gelada e o sempre bom e barato vinho nacional, uma das grandes vantagens de se estar no Chile. Podíamos não estar tão isolados como se estivéssemos ainda no Puesto Rivera, mas, mesmo assim, ficar bebericando aquele vinho numa varanda nessa cidade perdida no meio da patagônia chilena entre ciclistas de todo o mundo foi mais do que o suficiente para saciar nossos “instintos selvagens”.

O Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

O Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


A Fiona ganhou seu dia de descanso, assim como nossos corações e espíritos. Apenas quem se cansou foram as pernas, mas o motivo foi justo, hehehe. Amanhã, elas terão seu descanso, já que retomaremos a estrada. Dessa vez, rumo ao norte. Para nós, a Carretera Austral começa aqui e agora e seu final está a 1.250 km ao norte, lá na distante Puerto Montt. Será uma viagem e tanto...

Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Chile, Villa OHiggins, Carretera Austral, geleira, Patagônia, Trekking, trilha

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Dia de Folga, Noite nem Tanto

Suriname, Paramaribo

Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname

Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname


Ontem, depois da chegada de madrugada no hotel, ainda ficamos de internet um tempo e só fomos dormir depois das três. Resultado: já começamos nosso dia de folga perdendo o horário do café da manhã incluído na diária. Mas nem deu para ficar com consciência pesada, pois a maravilhosa cama do Eco Resort Inn dá de 10 x 0 no café da manhã fraquinho do Eco Resort Inn.

Já o horário do almoço, não queríamos perder não! Domingão, tudo fecha na cidade e, se deixássemos para muito tarde, não iríamos achar comida para nós. Mas, bem no horário de sair, eis que achamos meu irmão e minha mãe no Skype, na cidade maravilhosa. Aliás, além da cidade, viva a tecnologia maravilhosa do Skype!

Depois de rápida e animada conversa com direito à vídeo, cada um foi atrás do seu almoço em sua respectiva cidade. Para eles, certamente não faltavam opções, um pouco depois das duas da tarde. Para nós, fomos direto no bairro brasileiro atrás de uma churrascaria, para matar a saudade do tempero. Comemos no "Petisco", restaurante famoso por aqui. Falando português com o garçon e com a caixa. Seviço completo!

Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname

Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname


A tarde foi preguiçosa no hotel mesmo, pesquisando coisas na internet. Por exemplo, decidimos comprar o seguro da Fiona para a Guiana aqui mesmo, em Paramaribo. Parece que é a melhor opção. Vamos ver isso amanhã pela manhã.

No início da noite, recebemos a grata surpresa de uma visita de nossos amigos surinameses que conhecemos em Belém, no hotel. Foram eles que nos trocaram nossa primeira moeda daqui, já há bem mais de um mês. Agora, por e-mail, descobriram onde estávamos e vieram nos visitar. Gente boníssima, a Ellen e o Donovan. Quem também veio nos ver foi o Scott, americano que conhecemos aqui mesmo, antes de irmos ao Caribe. Com ele fomos jantar aqui por perto.

Ao final do jantar, ele chamou um amigo seu, aqui do Suriname, com sua namorada brasileira. Aí, os cinco juntos, resolvemos esticar a noite em Paramaribo, nossa despedida da cidade. Domingão, fomos no club mais agitado da cidade, uma balada de garimpeiros brasileiros. Literalmente! Como disse a Ana, uma bela experiência sociológica. Sociológica e musical, eu diria, ouvindo todos os grandes hits dos bailes funks dos últimos anos, desde o Bonde do Tigrão até a Eguinha Pocotó.

Comida brasileira em Paramaribo - Suriname

Comida brasileira em Paramaribo - Suriname


Foi legal ver como se diverte a comunidade brasileira na cidade, quase toda formada por garimpeiros nos seus dias de descanço e toda aquela "mini-sociedade" que gravita em torno deles. Ao final da balada, já depois das três, deixaram-nos em casa. Imagino que a comunidade tenha ficado bem curiosa sobre a presença daqueles forasteiros (nós), principalmente da loira alta de quase 1,80m rebolando em suas pistas de dança, hehehe

No hotel, fiz o porteiro jurar que nos acordaria às 8:00. Perder o café uma vez, tudo bem, mas duas seguidas, não dá. Além disso, precisamos resolver a questão do seguro e viajar os pouco mais de 200 km até Nickerie, cidade na fronteira com a Guiana.

Suriname, Paramaribo,

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Subindo e Descendo o Villarrica - 2a Parte

Chile, Pucón

No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 metros de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile

No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 metros de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile


Então, foi com esse espírito que todo o nosso grupo assistiu atentamente às instruções que o guia nos dá antes de começarmos a caminhada. O mais importante de tudo é saber usar o piolet (a pequena picareta) que todos carregamos. Deve estar sempre no braço voltado para a montanha enquanto ziguezagueamos encosta acima e, se cairmos, deve ser fincado firmemente na neve para evitar que escorreguemos e ganhemos velocidade. No caso de uma queda, o procedimento é ficar de bruços e fincar o piolet na neve. Enquanto estivermos lentos, isso certamente evitará problemas maiores. Quase sempre, cair e escorregar não são uma grande preocupação, pois se a neve estiver mole, vamos simplesmente afundar no chão. Mas se ela tiver se transformado em gelo, é o uso correto do piolet que vai nos salvar. Melhor ainda é não cair! Portanto, atenção! Como diz o ditado, “prevenir é melhor que remediar”!

1000dias no topo do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

1000dias no topo do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


A magnífica visão da região de Pucón, no sul do Chile, visto do alto do vulcão Villarrica

A magnífica visão da região de Pucón, no sul do Chile, visto do alto do vulcão Villarrica


Bom, instruções dadas, lá fomos nós. Nós e as outras centenas de pessoas que subiam hoje, divididas em dezenas de grupos. Pucón está a 250 metros de altitude. O van da agência nos leva mil metros acima disso, até uma pequena estação de esqui nas encostas do vulcão e já dentro da área do parque nacional, a menos de 20 km do centro da cidade. Aí há um teleférico daqueles de cadeirinha que pode nos levar por outros 400 metros verticais, já nos 1.600 metros de altitude. A maioria dos turistas opta por isso, mas nem todos...

Turistas caminham pela crista do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Turistas caminham pela crista do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 m de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile

No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 m de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile


Quando estivemos aqui em 1992, estudantes com pouco dinheiro no bolso, qualquer economia que fizéssemos já estava valendo. Então, nós optamos por caminhar esse trecho também, todo ele em pedras soltas, nada muito interessante para se ver. Dessa vez, a tradição tinha de ser mantida. Então, lá fomos nós caminhando novamente, eu, o Haroldo e mais um punhado de valentes. A Ana queria vir conosco, mas eu a convenci dizendo que ela levaria a mochila com nosso lanche e máquina fotográfica na cadeirinha. Além disso, teria um ângulo muito melhor para fotografar. Meio a contragosto, ela seguiu no teleférico e, 40 minutos mais tarde, todos nos reunimos lá encima.

Observando a enorme cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Observando a enorme cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


A amedrontadora cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

A amedrontadora cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Agora sim começava a caminhada de verdade. Bastou uns poucos minutos de caminhada para o nosso guia, o simpático Hector, perceber os diferentes ritmos de caminhada. Aí, procedimento comum de várias agências, ele nos dividiu em dois grupos, o lento e o mais lento, cada um com seu guia, e assim seguimos separados, nos reunindo apenas nos pontos de parada de descanso e de lanche. O Hector é um biólogo especializado em extremófilos (pequenos organismos que vivem em condições extremas de temperatura, pressão ou acidez) e conversar com ele durante a subida foi muito interessante.

O Rodrigo, no canto direito da foto, fica minúsculo perto da enorme cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

O Rodrigo, no canto direito da foto, fica minúsculo perto da enorme cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Na beira da cratera do vulcão Villarrica, a região de Pucón, no sul do Chile, a 2.850 metros de altitude

Na beira da cratera do vulcão Villarrica, a região de Pucón, no sul do Chile, a 2.850 metros de altitude


Para nossa felicidade, a neve estava bem tranquila e nem precisamos colocar nossos grampões. A bota já nos dava segurança o suficiente. Seguimos em interminável ziguezague, muitos grupos acima de nós e outros tantos abaixo. Tem uma passagem da montanha que se chama “pinguinera”, exatamente porque de lá podemos ver essas dezenas de grupos de pessoas, todos andando em fila indiana. De longe, pequeninos contra a imensidão branca da montanha, parecem mesmo grupos de pinguins. Basta olhar algumas fotos nossas da viagem à Antártida para comparar!

Vinte e dois anos mais velhos, o Rodrigo e o Haroldo retornam ao cume do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Vinte e dois anos mais velhos, o Rodrigo e o Haroldo retornam ao cume do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Em foto da viagem de 1992, com o Haroldo e o Pfeifer na subida do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Em foto da viagem de 1992, com o Haroldo e o Pfeifer na subida do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Pouco depois da metade do caminho, paramos em um promontório que forma um verdadeiro mirante natural. Vista magnífica do lago Villarrica, de Pucón e das outras montanhas e vulcões da região. Um dos pontos preferidos no caminho para se tirar fotos. Aí paramos em 92, aí paramos em 2014. Fotos que, quando comparadas, servem para ver os efeitos do tempo. O cabelo está mais branco, mas a saúde continua boa o suficiente para se chegar aqui em cima, hehehe! Vamos ver daqui a 22 anos...

região de Pucón, no sul do Chile

região de Pucón, no sul do Chile


A cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Dessa vez, não conseguimos ver, apenas ouvimos o lago de lava escondido nas profundezas do vulcão

A cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Dessa vez, não conseguimos ver, apenas ouvimos o lago de lava escondido nas profundezas do vulcão


Mais uma longa sessão de ziguezague e chegamos finalmente ao cume. Ele é grande o suficiente para que os diversos grupos que lá chegaram se dispersem. O cheiro dos gases vulcânicos é forte e assim que chegamos mais perto da cratera, o barulho do lago de lava lá embaixo também. Uma paisagem lunar, solo cheio de cores devido aos diferentes minerais expelidos pelo vulcão: amarelo, vermelho, marrom e todas as tonalidades possíveis entre essas cores. A lava está bem baixa e não conseguimos vê-la dessa vez. O que se vê é apenas a boca no fundo da cratera, como se fosse a boca de um grande gigante. Um gigante adormecido, mas que ronca bem alto. Em 92, a lava estava mais alta e podíamos vê-la com facilidade. O lago borbulhava e, em pequenas explosões, esguichos de lava subiam 10 metros de altura. Hoje, tivemos de nos satisfazer com aquele buraco escuro e amedrontador e o bafo quente que emana de lá.

A cratera esfumaçada do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)

A cratera esfumaçada do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)


O impressionante lago de lava na cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Foto de 1992

O impressionante lago de lava na cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Foto de 1992


No nosso grupo, havia um casal de mineiros de Belo Horizonte. Chegando lá encima, ele tirou uma bandeira do Cruzeiro (meu time de coração!) da mochila e, orgulhoso, a estendeu para tirar fotos. Não pude resistir e fui tirar fotos também. Por essa, realmente eu não esperava... uma grande bandeira do Cruzeiro no alto do Villarrica. Espetacular!

Os mineiros e cruzeirenses (viva!!!) André e Fabíola subiram conosco o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Os mineiros e cruzeirenses (viva!!!) André e Fabíola subiram conosco o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


O tempo esteve firme e pudemos ficar por ali sem preocupações, tirando nossas fotos, lanchando e admirando a paisagem, para dentro e para fora. Mas chegou a hora de descer. Normalmente, esse é um momento bem chato, quando deixamos para trás o cume de uma montanha. Mas aqui no Villarrica essa história é diferente. Afinal, descer esse vulcão é ainda mais divertido do que subi-lo. Isso porque fazemos skibunda uma boa parte do caminho. Trechos que nos tomaram uma hora para subir, descemos em cinco minutos. É simplesmente sensacional!

Fazendo skibunda, a veloz descida das encostas geladas do vulcçao Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)

Fazendo skibunda, a veloz descida das encostas geladas do vulcçao Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)


Há duas décadas, essa técnica de descida foi uma completa surpresa para mim. Escorregávamos com a calça diretamente na neve. Uma calça que a própria agência fornecia, impermeável. Agora, as coisas evoluíram, a gente leva uma espécie de tapete de borracha para sentar em cima. Como eu já sabia dessa vez a diversão que nos esperava na descida, foi ficando cada vez mais difícil segurar a ansiedade. Mas, a hora chegou e lá estávamos nós, prontos para escorregar trechos de cem ou duzentos metros ladeira abaixo.

Descendo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Descendo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


A melhor parte do dia, a descida de 'ski-bunda' pelas encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

A melhor parte do dia, a descida de "ski-bunda" pelas encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Com centenas de pessoas escorregando todos os dias, os trilhos na neve já estão prontos. É só a gente se encaixar neles e deixar a gravidade fazer a sua parte. Com o piolet e os pés, vamos tentando controlar a velocidade de descida. Aos poucos, ganhando mais segurança e aprimorando as técnicas, ficamos mais corajosos e descemos mais e mais velozes. Um show! É como se fosse uma longa, quase interminável sequência de grandes escorregadores. Todo mundo virando criança novamente.

Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Por fim, chegamos ao final da neve e nas pedras já não é mais possível escorregar. Sem alternativas, temos mesmo é de nos levantar e voltar a caminhar. Para baixo, ninguém mais vai de teleférico e, no meio de tanta conversa, nem notamos que já estamos chegando ao estacionamento. Ali nos espera a van da agência para nos levar de volta à cidade. Olho para trás e fito o Villarrica. Mais uma vez, a montanha foi maravilhosa comigo, mais memórias para o resto da vida. Será que voltarei outra vez? Como será que o mundo vai ser em 2036? Alguém tem alguma ideia? Não sei aonde eu vou estar, mas o Villarrica, certamente estará aqui!

A Ana perto da boca do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

A Ana perto da boca do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

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