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Ontem de noite, aqui no hotel, telefonamos para um guia da região que ti...
Enquanto a Fiona passava o dia dando uma recauchutada geral eu e a Ana fo...
Café da manhã reforçado com muito pão de queijo e seguimos cedinho pa...
jose luiz (30/07)
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joaquim ferreira da silva (29/07)
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Lurdes (26/07)
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Kina (26/07)
mabel (26/07)
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A cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Já há algum tempo, temos fechada a nossa programação dos últimos dias na República Dominicana: um hotel all-inclusive em Punta Cana. Afinal, esse é o destino mais conhecido do país (em todo o Caribe, só Cancún é mais disputa esse título) e se queremos mesmo ter uma visão completa da ilha, tínhamos de passar por lá. Para ter uma ideia de como funciona essa verdadeira máquina de turismo, decidimos passar três noites em um desses hotéis, fechar na boa vida nossa passagem por Hispaniola e pelo Caribe.
AInda com o carro alugado, de Samaná (A) até Jarabacoa (C), passando pelo ponto errado (B). Depois, de ônibus para a capital (D). Amanhã cedinho, de ônibus também, finalmente vamos conhecer Punta Cana (E)!!!
Pensamos primeiro em adquirir um pacote que já incluísse a parte aérea e o hotel. Mas não demorou muito tempo em pesquisas na internet para descobrirmos que poderíamos nós mesmos comprar as passagens e a temporada nos hotéis por um bom preço. Hoje em dia, com esses sites de pesquisa de preço, ficou tudo muito mais fácil e com um mínimo de esforço já não se precisa mais de uma agência de viagens. Assim, compramos nossas passagens do Panamá para Santo Domingo e também nossa estadia em Punta Cana. Optamos não pelo hotel mais barato, mas por um dos mais populares, recentemente remodelado. Do dia 04 ao dia 07, três dias com as nove refeições incluídas e quantas cervejas conseguirmos tomar, hehehe.
Reencontro com o nosso amigo Monche, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Pois bem, definido isso, era só fazer a conta de trás para frente para definir nossa programação. Dia 8 cedinho, voamos de volta ao Panamá. Significa que na noite anterior, tínhamos de dormir na capital, de onde sai o voo. Então, se queríamos passar três noites no all-inclusive, tínhamos de chegar lá no dia 4. Para chegar lá com tempo de aproveitar esse dia, vindo de ônibus de Santo Domingo, significa que tínhamos de sair da capital bem cedo, ou seja, dormir ali na noite do dia 3. Pronto! Tudo definido: devolvemos o carro em Jarabacoa na tarde do dia 3 e pegamos o último ônibus do dia para Santo Domingo, às 4 da tarde. Por fim, para conhecer um pouco das belas redondezas dessa cidade de montanha, temos de começar cedinho, o que significa que já teríamos de dormir lá na noite do dia 2!
A caminho da cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Uffff... tudo isso para explicar porque saímos de Samaná ontem, depois de nos esbaldarmos na Playa Frontón, rumo à Jarabacoa. Era fim de tarde e o céu anunciava uma tempestade. Aceleramos para aproveitar as últimas luzes do dia e tentarmos escapar da chuva. Fomos com tanto ímpeto que erramos o caminho, perdendo a saída da estrada, pagando um pedágio desnecessário e atravessando a parte montanhosa do Parque Nacional Los Haitises. Percebido o erro, aproveitamos a bela vista do parque, achamos o primeiro retorno e respiramos fundo pela água e pela escuridão que viriam. Dito e feito, vieram! E com força!
A cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Bem, o que não tem remédio, remediado está. Devagarzinho e com cuidado, atravessamos boa parte do país e chegamos de volta à Jarabacoa. Voltamos ao nosso hotel velho conhecido, no centro da cidade e, quase desmaiando de sono, ainda fomos comer no charmoso café que tínhamos virado fregueses contumazes. Por fim, uma boa noite de sono para nos preparar para o longo dia seguinte.
As pontes suspensas que formam o caminho para a cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Começamos com um reencontro com nosso amigo Monche. Ele também é guia de saltos de paraglider e tínhamos pensado anteriormente em fazer um salto com ele. Mas acabamos deixando para a próxima, despedimo-nos do amigo e seguimos de carro para as cachoeiras que queríamos conhecer. A primeira delas era a Jimenoa, justamente aquela que tem mais água. Tanta água que, logo após a cachoeira, há até uma pequena hidroelétrica. Antes, podia-se nadar no lago abaixo da queda d’água, mas um acidente com um turista acabou com a festa. Hoje, é um lugar apenas para fotografias.
As pontes suspensas que formam o caminho para a cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Fotografias da cachoeira, da linda paisagem montanhosa ao redor e do longo caminho de pontes suspensas para se chegar até a queda d’água. Com a chuva da noite anterior, a água estava mais turva, diminuindo bastante a vontade de nadar naquele lugar proibido. Contentamo-nos com as fotos e seguimos adiante, para a próxima cachoeira, no mesmo rio, mas bem mais acima.
Lagartixa se esgueira no solo perto da cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Foi seguindo para lá, já bem perto, que o carro deu aquela falhada suspeita na estrada. Eu tinha alugado nosso carro com o tanque vazio e assim deveria devolvê-lo. Estava tentando fazer o cálculo certinho, devolvê-lo no osso e economizar alguns trocados. Mas o medidor do combustível e os quilômetros a mais no erro na estrada no dia anterior! me trairam! Tratei de virar o carro e retornar à cidade, mas um quilômetro antes do centro, ele apagou de vez. Aproveitamos para andar de moto em três pessoas pela última vez (nossa despedida!), a Ana ficou no hotel e eu fui para a loja do aluguel. Aí, com um pequeno galão de gasolina, fomos resgatar o carro. Tudo resolvido rapidamente, mas a segunda cachoeira também ficou para a próxima. Afinal, já estávamos encima da hora para pegar o ônibus para Santo Domingo.
A bela região de Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Chegamos à capital já nos sentindo em casa. Afinal, era nossa terceira vez por lá! A ponto de já falar ao taxista qual caminho seguir. Passamos pela Plaza Colón, nossa vizinha, mais uma vez e prestamos as homenagens de sempre ao descobridor do continente em que temos viajado nesses últimos 3 anos. Com a iluminação noturna e sem as pombas na cabeça, ele parecia bem mais imponente. E feliz também, talvez por nos rever, hehehe. Como em Jarabacoa, também na Zona Colonial de Santo Domingo temos nossa café preferido, comida de primeira. Pensamos em tentar em outro, mas em time que está ganhando, não se mexe! Jantamos muito bem e fomos dormir no hotel que guardou boa parte da nossa equipagem nesses duas últimas semanas e que a continuará guardando pelos próximos quatro dias. Ela aqui e a gente no bem bom de um all-inclusive. Depois de 1.100 dias de estrada, merecemos!
Iluminação noturna na Plaza Colón, em Santo Domingo, na República Dominicana
Passeando pelas ruas de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Quando eu me mudei para Curitiba, em 2003, eu pouco conhecia do estado e da capital paranaense. Havia estado uma vez na Ilha do Mel, outra em Foz do Iguaçu e duas ou três vezes em Curitiba, a trabalho. Numa dessas vezes, aproveitei para dar uma escapada e pegar o trem até Morretes, voltando de ônibus. O tempo chuvoso havia me impedido de subir o Marumbi. Fora isso, apenas de passagem rumo às belas praias de Santa Catarina.
Nosso delicioso hotel em Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Nosso delicioso hotel em Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Então, quando cheguei de mudança, ainda sem conhecer ninguém por aqui, aproveitava todos os finais de semana para fazer minhas explorações. Um final de semana na capital, percorrendo vários bairros a pé, e outro viajando e conhecendo as cidades de apelo turístico do interior e do litoral do estado. Foi assim que estive pela primeira vez na Lapa, em Prudentópolis, em Vila Velha e em Tibagi, no interior, e em Guarequeçaba, Antonina, Paranaguá, Caiobá e Superagui no litoral, além de retornar a Morretes e à ilha do Mel.
A cidade de Antonina, de frente à baía de mesmo nome, está bem próxima de Curitiba. Mas entre ela e a capital está a Serra do Mar e a transição entre a planície e o 1o planalto paranaense. Quase vizinhas, aí estão Morretes, Paranaguá e a Ilha do Mel, na b
Acostumado com a minha Minas Gerais da infância e com a São Paulo da adolescência e início da vida adulta, lembro-me de ter ficando espantado com o quão pouco desenvolvido era o turismo nas cidades paranaenses. Com a honrosa exceção de Foz do Iguaçu e da capital, e em menor grau de Morretes e da Ilha do Mel, outras cidades com grande potencial turístico eram quase totalmente inexploradas. Fossem elas em São Paulo ou Minas (imagina se fosse na Europa, então…), haveria filas e mais filas de ônibus, dezenas de hotéis e restaurantes e toda a infraestrutura que o turismo cria em volta de si. Mas, pior do que isso, era o estado de abandono de cidades históricas. Construções centenárias literalmente caindo aos pedaços! Eu realmente não ligo (na verdade, dentro do meu egoísmo particular, até gosto) de lugares lindos que eu possa desfrutar sem a companhia de multidões. Mas ver cidades que já viveram seus dias de glória e que hoje não são preservadas, patrimônios históricos sendo rapidamente consumidos pelo tempo e se perdendo para sempre, isso me dói o coração.
Casario centenário de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Pois foi mais ou menos esse o estado que encontrei Antonina naquela época. Uma cidade que já havia sido linda, mas que estava quase completamente abandonada. Para mim era incompreensível, pois o potencial turístico de uma cidade com tanta história e charme na beira do mar era enorme. Tamanho foi o choque que não mais voltei. Tão perto de Morretes, cidades parecidas e do mesmo período, e vivendo momentos tão distintos. Para mim a explicação para essa diferença era clara: além do marketing de cada cidade, a presença da estrada de ferro, ela própria uma grande atração turística, que passava por Morretes.
A orla de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Enfim, foi só agora, já no finalzinho dos 1000dias, que retornei pela primeira vez a Antonina. E que grata surpresa! Nesses últimos anos a cidade virou completamente o jogo. Não sei se a iniciativa foi do poder público, de ONGs, de empresas, de cidadãos, ou uma mistura de tudo isso, mas o fato é que a cidade está viva novamente. Pousadas charmosas, construções históricas de pé, inteiras e pintadas, movimento nos restaurantes. Certamente, ainda há muito por se fazer, mas para quem viu a cidade dez anos antes, quanta diferença! Que bom que foi ter quebrado minhas péssimas expectativas!
Antonina e a baía de mesmo nome, litoral do Paraná
A plácida baía de Antonina, no litoral do Paraná
Antonina começou a ser ocupada por colonizadores em meados do séc. XVII, inicialmente atrás do ouro. Mas foi o cultivo da erva-mate que começou a trazer prosperidade e o povoado foi oficialmente inaugurado no início do séc. XVIII. Primeiro, a igreja de Nossa Senhora do Pilar, a atual igreja matriz, em cima de uma pequena elevação. Ao seu redor, famílias começaram a se estabelecer e construir suas casas e comércio. Eram os “capelistas”, por morarem ao redor da capela. O nome ficou e até hoje é usado para se referir aos habitantes da cidade.
A igreja matriz de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Vista do pátio da igreja matriz de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
De frente a uma baía, a cidade logo ganhou um porto. Foi por causa desse porto que Antonina viveu seus tempos de glória, mais ou menos um século atrás. Por aí era exportado toda a produção de erva-mate da região, o que fez do porto o quarto mais movimentado do país. A riqueza gerada por esse movimento deu origem aos mais belos prédios da cidade, como o teatro municipal e vários casarões. Mas o declínio do plantio da erva-mate e a 2a Guerra Mundial acabaram por fazer o porto entrar em decadência. O porto de Paranaguá, com um canal de acesso bem mais profundo, atraiu todo o movimento de cargas na segunda metade do século XX. Sem o porto, Antonina mergulhou no esquecimento e decadência. Foi assim que eu a conheci.
Passeando pelas ruas de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Mas o turismo vem reabilitando a cidade. O governo estadual resolveu também reabilitar o porto, que vem aumentando sua importância gradativamente. O resultado salta aos olhos dos turistas. Nós chegamos aqui na noite do dia 1o e ficamos felicíssimos de ter escolhido a cidade como nossa base para os dias seguintes. Ontem, passamos o dia inteiro fora e só retornamos de noite novamente. Mas hoje pela manhã pudemos caminhar e fotografar tranquilamente a cidade. Apenas a chuva nos atrapalhou um pouco, mas não se pode querer sol todos os dias. Exploramos as ruas e ruelas, as igrejas e casarões, o teatro e a orla. Sim, muito ainda pode ser feito. Mas já está uma delícia caminhar pela cidade. Também há ótimas opções para comer e pousadas que são puro charme. A nossa, a das Laranjeiras, foi uma das melhores nesses últimos tempos de viagem.
Casario centenário de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Daqui partimos para a Ilha do Mel, nosso local predileto no universo. Felizes por estarmos indo para lá, felizes por termos encontrado uma Antonina renascendo das cinzas, já nos fazendo sentir meio “capelistas” também.. Duas felicidades para contrabalançar a tristeza por um viagem que está nos seus últimos dias…
Em dia de chuva, até bicicleta tem guarda-chuva nas ruas de Antonina, cidade histórica no litoral do Paraná
Luz de fim de tarde em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
No ano de 2001, o governo mexicano, através da secretaria de turismo e outros órgãos federais e estaduais, resolveu criar um programa de incentivo ao turismo para mostrar ao mundo que o país não era apenas praias bonitas e caribenhas, tendo muito mais a oferecer. A ideia era valorizar e enaltecer cidades e vilas que oferecessem ao visitante “uma experiência mágica, em razão de suas belezas naturais, riquezas culturais e relevância histórica”. O nome do programa não poderia ter sido melhor escolhido: “Pueblos Mágicos”. As cidades admitidas no programa teriam de seguir certas exigências de atendimento ao turista e, em contrapartida, teriam acesso à fundos especiais.
A linda região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Chegando à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Na nossa passagem anterior pelo México, no ano passado, conhecemos algumas delas, sempre muito charmosas. Por exemplo, San Cristobal de Las Casas, em Chiapas e Tequila, em Jalisco. E agora, por indicação do Gera, estávamos indo para a primeira delas, admitida no programa ainda em 2001, Real de Catorze. O Gera é um amigo do meu irmão que mora aqui na Cidade do México. Brasileiro, casado com uma mexicana e amante das montanhas. Meu irmão nos colocou em contato para que subamos o Pico Orizaba juntos e, já há alguns dias que trocamos e-mails e mensagens tentando organizar isso, a nossa programação para subir uma montanha que requer uma aclimatação à altitude. Aos poucos, estamos acertando tudo e logo vou falar disso.
O incrível túnel na rocha que dá acesso à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Mas não agora. O assunto é Real de Catorze. Além das montanhas, o Gera também tem viajado muito pelo país e nos disse que essa era uma ótima opção, bem no nosso caminho rumo ao sul. A gente foi ler um pouco sobre a cidade e gostamos! Assim, tratamos de inclui-la no roteiro.
Charmoso restaurante de pedra em em Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México
Delicioso aperitivo feito com flores de cactus, em restaurante de Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México
Bem, se gostamos quando lemos sobre ela, era porque ainda não tínhamos conhecido pessoalmente. Depois de chegar e passar dois dias por aqui, aí a palavra certa a usar é “adoramos”! Ela é uma espécie de São Thomé das Letras, toda em pedra também, mas sem aquela pedreira horrorosa que está destruindo a cidade mineira e com uma história muito mais rica. Um charme só, perdida no meio das montanhas que se erguem em pleno deserto potosino.
Manhã de ceú azul em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
A origem da cidade está na exploração de prata, ainda em tempos coloniais. A mão-de-obra era indígena, pobres escravos que trabalhavam até a morte dentro das minas, sem jamais ver a luz do sol. No início do século XIX a cidade era o segundo maior centro produtor de prata do mundo. A cidade cresceu, igrejas e prédios públicos foram sendo construídos, assim como grandes fazendas de mineração. Mas, aos poucos, os veios de prata foram se esgotando e a riqueza acabando. Boa parte da população se foi e a cidade localizada a mais de 2.700 metros de altitude quase se transformou em uma “cidade-fantasma”. Foi apenas o fervor religioso como centro de peregrinação que manteve Real de Catorce viva por muito tempo. Até que ela foi redescoberta para o turismo, na década de 70. Forasteiros foram chegando e montando pousadas e restaurantes charmosos, aproveitando-se e incentivando uma demanda que apenas crescia. Há poucos anos, a cidade estava “bombando”. Mas a crise de segurança no país afastou muitos turistas e hoje Real anda bem mais calma, apesar das boas pousadas e restaurantes continuarem por lá. Melhor para os turistas que continuam indo para Real. Quem aqui chega, como nós, tem a impressão de estar no lugar certo na hora certa.
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Nós chegamos aqui no final da tarde do dia 18. Bastou começar a subir pela estrada de paralelepípedo as montanhas da região que eu já senti que iria gostar muito. O ar das montanhas sempre me faz bem. Além disso, a pureza do ar do deserto faz o horizonte ficar mais claro e distante. Iluminado pela luz de fim de tarde, é a combinação ideal. Depois de muito subir, percebi que a estrada acabaria depois da próxima curva, pelo menos no nosso GPS. E até lá, nada de cidade! “Que estranho!”, pensávamos, mas a resposta apareceu. A estrada desembocava em um túnel no meio da rocha. E não era um túnel qualquer, não! Era cavado a mão. Uma antiga mina. O túnel não é largo, mal cabia a Fiona. Cruzar com outro carro por ali seria impossível. Depois, descobrimos que só passa um carro por vez, duas pessoas por rádio, nas entradas do túnel controlando o tráfego. E precisa mesmo, pois são quase três quilômetros. A impressão que se tem é que chegaremos a um outro mundo.
Com o argentino Walter em frente ao nosso hotel em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
E realmente chegamos! Em Real de Catorce! Mal saímos do túnel e já entramos em suas ruas estreitas de pedra, por entre antigas igrejas e construções charmosas. Além de estreitas, as ruas formam um labirinto. Mas o instinto acabou nos levando até a praça e, depois de três tentativas, achamos um hotel joia. O negócio era estacionar logo a Fiona e passar a andar só a pé, que é o que combina com a pequena cidade. Quer dizer, a pé por aqui, mas para os passeios pela região, o melhor são cavalos! No dia 19 fizemos uma cavalgada inesquecível, um dos nossos melhores dias nesses 1000dias, mas vou falar disso no próximo post.
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Ainda no dia 18, tivemos um maravilhoso jantar em um dos restaurantes aconchegantes, com direito a um aperitivo saborosíssimo, feito de uma espécie de cactos que cresce por aqui. Enfim, depois desse jantar, da noite deliciosa no nosso hotel e da cavalgada inesquecível do dia 19, foi fácil mudar de planos e desistir de seguir viagem. Muito melhor seria passar mais um dia por aqui e foi o que fizemos. Afinal, o que quer que fosse que veríamos pela frente, não poderia ser mais legal que Real.
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Uma das charmosas casas em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Bom, na verdade, ficou até melhor, por aqui. Isso porque, quando retornamos ao nosso hotel para dizer que ficaríamos mais uma noite, eles já tinham passado nosso quarto para frente. Em compensação, colocaram-nos em outro quarto melhor ainda, mas com o mesmo preço. Esse quarto foi tão legal, mas tão legal, que também vou fazer um post só para ele, hehehe. Depois do post da cavalgada...
Com o Walter, amgo argentino que fizemos em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Nós ficamos muito amigos do novo hóspede do nosso primeiro quarto, um argentino fotógrafo que mora no Canadá e que viajou para o Yucatan e Guatemala nas férias com a família e estava retornando para o norte, ele de carro enquanto a família seguiu de avião. Gente finíssima e interessantíssima, muitas conversas de viagem. Foi ótimo! Junto com o Walter (seu nome), ficamos amigos da dona do nosso hotel, que acabou por nos convidar para um jantar com amigos ali em frente. Todos forasteiros e artistas há muito radicados na cidade. O jantar e, principalmente as conversas nesse grupo, parecia que estávamos em algum filme do Almodovar. Foi sensacional!
Caminhando em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Caminhando pelas ruas de pedra de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Ainda tivemos tempo de caminhar pela cidade, conhecer outros restaurantes, ir à igrejas e praças, interagir com artesões que ali moram. Mas, o melhor de tudo era simplesmente estar ali, respirando aquele ar e vivendo aquela vida. A vontade era passar uma temporada por lá, uns dez dias talvez, entrar no clima e no ritmo. Mas temos compromissos à frente e tínhamos de seguir.
Interior da igreja matriz de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
A rústica estrada que sai de Real de Catorze para o vale, ao norte do México
Fomos embora na metade do dia 20. O caminho de saída, para quem tem um carro grande e tracionado, pode ser descendo uma rústica estrada que segue por dentro de um canyon. Se o carro não for assim, tem de sair pelo túnel mesmo, mas aí a volta seria bem maior, para quem segue rumo ao sul. A gente, com a Fiona, claro que seguimos pelo canyon, mais uma bela paisagem desse Pueblo Mágico. Real de Catorce foi, sem dúvida, um de nossos pontos altos aqui no México. E olha que a concorrência é forte...
Fiona pronta para enfrentar a estrada 4x4 wue sai de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI
Em alguns lugares dá para se virar muito bem sem carro. Ilha do Mel, por exemplo. Ou então em locais onde há um bom sistema de transporte público, como as capitais européias. Mas em outros, carros são essenciais. Esse é o caso da St. John. A pé, não dá para ir muito longe. De táxi, enfiam a faca. Então, a solução é simples: alugar um carro!
Nosso carro em USVI
E foi o que fizemos, alugamos um belo de um Jeep Patriot e ganhamos asas (ou rodas). A vida ficou fácil e confortável, o ar condicionado do carro funcionando de oásis para cruzar a montanhosa e ensolarada ilha de St. John. De dentro do nosso "carrinho" a cada curva uma nova vista incrível: praias, montanhas, marzão e céu azuis.
Coral Bay, St. John - USVI
A primeira parada foi num restaurante à beira mar, só para tomar uma cervejinha. O restaurante estava fechado mas o simpático dono nos serviu assim mesmo. Com aquela vista que tínhamos, a cerveja desceu ainda mais redonda.
Visita a Annanberg Plantation
Em seguida, fomos visitar as ruínas de uma plantation da época dos dinamarqueses. As ruínas estão muito melhor preservadas do que aquelas que visitamos em North Caicos. Aí, mais uma vez, fiquei tentando me convencer que os dinamarqueses também tiveram escravos. É tão estranho para mim imaginar isso. Sempre os tive como um exemplo de civilidade. Será que os escravos deles também eram açoitados? Falavam dinamarquês? Não sei, mas o que deu para perceber é que tinham de trabalhar bastante, plantando cana de açúcar nas encostas íngrimes das montanhas daqui. Com esse calor, deveria ser horrível. Pelo menos tinham uma bela vista do mar, logo abaixo! O fato é que depois do fim da escravidão essas plantations todas foram à falência e os dinamarqueses resolveram vender as ilhas.
Visita a Annanberg Plantation
Ainda com os escravos na cabeça, fomos fazer uma caminhada até uma praia maravilhosa. E mais maravilhoso ainda foi o snorkel que fizemos. Arraias, tartarugas, muitos peixes e centenas de estrelas. Até achei uma rara estrela de seis pontas. Será que dá sorte? Fiquei brincando também numa parte mais profunda, cerca de 20 metros. Visibilidade de 30 metros. É engraçado a sensação de estar lá embaixo, sozinho, naquele silêncio. É completamente diferente da sensação do mergulho com garrafas. No snorkel, a essa profundidade, não temos só a sensação, temos é a certeza de que estamos num mundo que não é o nosso. Ao mesmo tempo, há uma estranha calma no local. Difícil explicar, só indo lá para ver.
Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI
Após o snorkel, seguimos para outra praia assistir a um pôr-do-sol cinematográfico. Além do sol, a água do mar tem uma cor que não consigo descrever, de tão bonita. Fiquei muito impressionado mesmo com a beleza das praias daqui e de como elas são vazias. Será que o mundo e os americanos ainda não descobriram St. John?
Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI
De volta ao hotel, nossa última noite nessa ilha incrível, dormi embalado com os muitos punchs de amora e rum, cortesia do hotel, pensamentos embaralhados com as lembranças do estranho mundo das estrelas do mar, ou do também estranho mundo de escravos negros com senhores dinamarqueses, obrigados a passarem o dia plantando cana sob o sol inclemente enquanto, metros abaixo, lá estava o paraíso, praias com areias brancas, águas transparentes e estrelas do mar sem entender porque aqueles homens preferiam as encostas do que as águas refrescantes. Estranho mundo, esse.
Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Ontem de noite, quando chegamos à pacata São josé do Barreiro, tivemos que rodar bastante pela pequena cidade até achar alguma pousada que parecesse estar funcionando. Encontramos a simpática Pousada do Régis e fomos logo desmaiar, tentando nos recuperar da correria dos últimos dias e nos antecipar da correria dos dias vindouros.
Placa indicativa do Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Hoje cedo, já saímos de mala e cuia para o Parque Nacional da Serra da Bocaina. De lá, seguiríamos diretamente para o litoral fluminense, via Bananal. Para se chegar ao parque, são 25 quilômetros de estrada de terra, em "pécimo" estado, como dizia o cartaz que vimos. Nem está tão ruim assim, comparado com outras estradas que vimos por aí. Para a Fiona, mamão com açúcar. Para variar, cruzamos vários valentes fuscas pela estrada. A estrada vai serpenteando morro acima, de maneira quase sempre suave. A vista é linda, lá do alto. Olhando para baixo, parece um mar de ar (estranho, né? Mas é o que parece...) e o vale do Paraíba lá embaixo, no fundo, com o rio serpenteando para lá e para cá. Já quase no parque, há várias pousadas, mais chiquetosas. Várias tem até um serviço de busca de hóspedes lá em São José do Barreiro.
A parte de cima da Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
No parque, muitas informações sobre a Trilha do Ouro, que desce a serra em direção à Mabucaba e Parati. Quase toda a descida ainda tem o calçamento de dois séculos, feito por mão de obra escrava. Como já escrevi em outro post semana passada, quando estive na parte de baixo do parque, eu já fiz essa trilha e recomendo. Não estava sabendo o quanto ela está popular nesses dias de hoje. Só no feriado foram mais de cem pessoas descendo a trilha, quase sempre em grandes grupos, mas também há os aventureiros solitários.
Nadando na Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Eu e a Ana, por uma questão de logística e de tempo, só fomos até a Cachoeira Santo Isidro, bem próxima da portaria. Parece uma pintura, de tão bonita. E parece uma geladeira, de tão fria. Das cachoeiras do parque, é a mais atrativa de se nadar, pelo seu grande poço. Foi o que eu e a Ana fizemos, ignorando mais uma vez o frio da água.
Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Depois, descemos a serra e o "mar de ar" novamente, parando para um rápido lanche em São José. Na sequência, seguimos de carro até Bananal e Getulândia, já no estado do Rio. Esta é a estrada dos tropeiros, a antiga ligação entre Rio e São Paulo, antes da construção da Dutra. A estrada passa por várias fazendas, algumas ainda com suas belas casas centenárias, reminiscências de uma época de ouro da região, quando a cultura do café floresceu por aqui fazendo fortunas. O cultura do café acabou por exaurir a terra e se mudou para novas áreas, como o interior paulista, no final do séc XIX e início do XX. Deixou para trás essas magníficas e decadentes fazendas. Muitas delas, nesses últimos tempos, se reencontraram no turismo e fazem a festa de quem quer um gosto de vida na fazenda com muito estilo e história.
Região da Serra da Bocaina próximo à São José do Barreiro - SP
Nós viemos até Parati, no mesmo hotel em que estivemos antes. Amanhã, vamos para o Pouso da Cajaíba, sem esquecer do fiorde brasileiro, o Saco do Mamanguá! Beleza, vamos encontrar muitas. Acesso à internet, isso já não sei...
Fazendo um lanchinho em São José do Barreiro - SP
Com o Ricardo e a Carol, que nos receberam tão bem em Boa Vista, capital de Roraima
No final da tarde de ontem, voltamos à Boa Vista, capital de Roraima e nossa velha conhecida. Afinal, passamos por aqui na ida e na volta de nossa viagem à Venezuela, em 2007, e também quando voltávamos das Guianas, já durante a viagem dos 1000dias. Já nos sentimos praticamente em casa e nem mais precisamos de GPS para dirigir pelas ruas e avenidas da cidade.
O famoso Guaraná Baré, em Boa Vista, capital de Roraima
Mas essa volta à cidade teve um charme especial, que nos fez sentir ainda mais em casa: nós fomos recebidos e ciceroneados pelo simpaticíssimo casal Ricardo e Carol! Ele é um médico paulista que, ao se formar, resolveu sair da cidade grande e trabalhar nos rincões do Brasil. Chegou à Boa Vista e se enamorou pela cidade, estado e povo da região. Mais do que isso, se enamorou pela Carol, uma legítima roraimense. Casaram-se lá na Serra do Tepequem e estão construindo uma vida juntos aqui em Boa Vista.
Jantando com o Ricardo e a Carol, em Boa Vista, capital de Roraima
Além de médico, o Ricardo é um apaixonado por carros antigos e de expedição. Isso o levou a se tornar uma referência entre os overlanders que passam por aqui, indo ou vindo para Venezuela ou Guianas, sejam brasileiros ou estrangeiros. Por exemplo, com ele estiveram, aqui em Boa Vista, nossos amigos holandeses Coen e Karin, do Landcruising Adventure (aqueles que encontramos na Guiana Francesa) ou o Robert e a Grace do famoso Challenging Your Dreams, o casal inglês-brasileira que deu a volta ao mundo de carro.
Jantando um bel tambaqui em Boa Vista, capital de Roraima
Como a comunidade de overlanders não é tão grande, as pessoas acabam se conhecendo por internet e redes sociais. Foi assim que entramos em contato com o Ricardo e combinamos de nos encontrar por aqui. Ele e a Carol vieram nos buscar em nosso hotel e nos levaram num restaurante tradicional de Boa Vista, comer um saboroso Tambaqui.
Festa junina em Boa Vista, capital de Roraima
Depois do jantar, ainda tivemos tempo de dar uma passada na praça central da cidade, onde estava sendo realizada uma popular festa junina. Foi para nos sentirmos ainda mais no Brasil, aquelas bandeirinhas coloridas, comida típica, show de música ao vivo e muita gente jovem se paquerando.
Festa junina em Boa Vista, capital de Roraima
Hoje cedo, fomos deixar a Fiona na oficina que o Ricardo está montando na capital. Está quase pronta e pretende oferecer um serviço diferenciado, que ainda não existe por aqui. Garagem bem limpa e organizada, pronta para receber carros antigos ou de overlanders. Essa vai ser a casa da Fiona pelos próximos dez dias, enquanto nós tiramos umas férias das férias e vamos para o sul do país.
Com a Carol e o Ricardo, na sua oficina, a casa da Fiona nos próximos 10 dias em Boa Vista, capital de Roraima
O motivo primeiro dessa viagem é a comemoração do aniversário de 80 anos do meu pai. Já é uma razão mais do que suficiente para voarmos para lá, afinal, não é todo dia que se faz 80 anos. Além do mais, há tanto tempo fora do país, é uma ótima oportunidade para rever tantos familiares que lá se reunirão. O Skype tem nos ajudado bastante a administrar essa distância física e temporal mas não vemos meus pais pessoalmente há dois anos e meio, e as saudades estão matando. E já que estamos voando para tão longe e em data tão especial, vamos aproveitar nosso tempo por lá. Além das festas em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, vamos também passar uns dias com eles e com uma irmã na pequena Picinguaba, última vila no litoral de São Paulo para quem viaja ao Rio. Finalmente, uns dias naquela casa maravilhosa que uma prima tem em Ilhabela. É a mesma casa que ficamos quando passamos por lá, há 3 anos. Mas naquela época, ela não estava pronta ainda e estamos curiosos para ver como ela ficou. Daqui a 10 dias, voltamos, descansados e reenergizados, para reencontrar a Fiona e seguirmos viagem pela região norte do país. Vamos que vamos!
Nosso roteiro pelos próximos 10 dias, nas nossas “férias das férias”: voamos de Boa Vista para Viracopos e seguimos para Ribeirão Preto (A), interior de São Paulo. Depois, junto com os pais e irmã, vamos passar uns dias em Picinguaba (B) e Ilhabela (C), ambas no litoral paulista. De Guarulhos, voamos de volta à Boa Vista, onde nos aguarda a Fiona
Chegando às Islas Flotantes, no lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
A primeira vez que passei pelo lago Titicaca foi a 23 anos, quando estive na Bolívia e Peru. Foi uma viagem memorável, ainda nos tempos de estudante. Tínhamos apenas o mês de Julho para atravessar os dois países e ainda voltar para o Brasil pelo rio Amazonas. Muita coisa para ver, pouco tempo disponível, tínhamos nossas prioridades, tivemos de escolher entre diversas atrações e deixar coisas para trás.
Saindo do táxi que nos levou até o porto de Puno, no lago Titicaca, no Peru
Mecado de artesanato no porto de Puno, no Peru
Uma das escolhas foi não visitar as ilhas do lago Titicaca, embora a vontade tenha sido grande. Mas Machu Picchu aqui do lado não podia esperar, hehehe. Então, tudo o que pudemos fazer foi ler sobre as ilhas e lago e observá-los da janela de nosso ônibus. Teve também a melhor truta da minha vida, pescada no Titicaca e servida em um restaurante em Puno. Enfim, aquele sabor a as visões do magnífico lago nunca saíram da minha cabeça e sempre soube que um dia, voltaria!
Refrescando-se com o refrigerante típico do Peru, no porto de Puno
O barco que vai nos levar até as Islas Flotantes, no lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
A profecia se realizou e cá estou novamente. Lendo sobre o que encontraria, a primeira coisa foi aprender, de uma vez por todas, que as tais Islas Flotantes nada tem a ver com a famosa Isla del Sol, fora o fato de compartilharem o mesmo lago. Vinte e três anos tinham embaralhado a minha memória. Enfim, a Isla del Sol fica na Bolívia e iremos visitá-la em breve, enquanto as Islas Flotantes ficam aqui pertinho de Puno e foram nosso programa no dia de hoje.
O lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
O canal em meio ao junco do lago Titicaca que leva às Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru
Mas, afinal, o que são essas ilhas “flutuantes”? Bem, o nome já diz tudo, ao contrário de estarem fixadas no fundo do lago são, na verdade, grandes jangadas, flutuando na superfície. Sua formação não é natural, são feitas pelo homem com o propósito específico de se tornarem locais para se viver. Elas são feitas de uma planta chamada Totora, uma espécie de junco que cresce aqui no Titicaca, e duram, em média, uns trinta anos. Por fim, o material orgânico se desfaz e é preciso construir uma nova ilha para seus moradores.
O junco cresce no lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Pescadores Uros das Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru
Essa tradição de construir ilhas e nelas viver é centenária, remontando ao período pré-incaico. A origem, muito provavelmente, foi de defesa. Os Uros, o povo que “inventou” essa técnica e que habita as ilhas, não tem tradição bélica. Na disputa por terras que sempre houve na região e em toda a humanidade, escolheram refugiar-se no lago, construir suas próprias ilhas e viver longe da terra firme. Os antigos conquistadores não se importavam em conquistar essas jangadas, limitando-se a cobrar taxas ou impostos dos Uros, como fizeram os incas.
A "portaria" das Islas Flotantes, no lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
As Islas Flotantes, no lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
A tradição se manteve por todo o período colonial e republicano do Peru. A diferença é que, em tempos políticos mais estáveis, os Uros podem ancorar suas ilhas próximo à costa e aí permanecer. Em tempos de seca ou de cheia, soltam as amarras, para não se fixarem na borda ou afundarem sobre as águas. Mas, na maioria do tempo, ficam por aqui, próximos de Puno, onde podem comprar mantimentos ou enviar seus filhos para estudar em escolas secundárias.
Canoa típica dos Uros, nas Islas Flotantes, no lago titicaca, perto de Puno, no Peru
Os Uros levam turistas para passear em barco típico, nas Islas flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Mais recentemente também, a partir da década de 70, tornaram-se atração turística, cada vez mais explorada pelo governo peruano e pela própria comunidade. Há 23 anos, quando aqui passei, já eram bem conhecidos, mas nada que se pareça com a intensa comercialização que existe hoje. SE pudesse voltar no tempo, certamente escolheria ter feio um passeio naquela época. Uma experiência que nunca vou ter sabido como foi. Certamente, mais autêntica do que hoje, mas posso só imaginar...
Chegando à Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Desembarcando na Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Enfim, não fui daquela vez, mas não deixaria escapar outra oportunidade, nem que a experiência tenha mudado. O tanto que vamos gostar de um lugar depende, primordialmente, da expectativa que temos para ele. Muitas vezes, um lugar pode ser muito agradável, mas tínhamos expectativas tão grandes para ele que ficamos meio decepcionados. Outra vez, não esperamos nada e, basta que apareça algo minimamente interessante e a experiência, pela surpresa positiva, já se torna gratificante.
O "presidente" da Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, nos ensina um pouco sobre a geografia do lago (perto de Puno, no Peru)
O "presidente" da Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, nos ensina como se constroem as ilhas que flutuam(perto de Puno, no Peru)
Pois bem, nossa expectativa para as Islas Flotantes não eram das melhores. Nosso livro-guia dizia que a comercialização era excessiva, mas que, mesmo assim, vê-las uma vez na vida valia a pena. Mas que devêssemos nos preparar. Outros viajantes também reclamaram muito. Uns até classificaram a experiência como uma “tourist trap”, ou armadilha para turistas. Então, estávamos quase que com o sentimento de “obrigação”, mas sem esperar grande coisa.
Durante a palestra na chegada à Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, a Ana segura um ramo de junco, matéria-prima das ilhas que flutuam (perto de Puno, no Peru)
Aplausos ao final da palestra na chegada à Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
E aí, nada como uma boa surpresa. Um pouco sem querer, um pouco planejado, com a ajuda da sorte, tudo contribuiu para que nossa experiência fosse ótima. Muito melhor que nossas expectativas! Por isso que, muitas vezes, é bom uma certa dose de pessimismo, hehehe.
A Ana em trajes típicos Uros, na Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Fazendo compras e vestida a carater na Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Bom, para começar, já fugimos dos esquemas de agência, o que sempre tentamos fazer. É muito fácil chegar até as ilhas sem a ajuda ou organização de uma agência turística. Os barcos saem continuamente do porto de Puno e o preço sai mais em conta que em um tour organizado. Essa foi a parte “planejada”. A parte “sem querer” foi que fomos para lá no início da tarde. Sem saber, escolhemos a parte do dia mais tranquila, já que boa parte dos tours segue pela manhã. O passeio demora pouco mais de 3 horas de duração e pode ser feito ao longo de todo o dia. Pelo menos pela nossa experiência, o período da tarde é a melhor hora para se ir até lá.
A Ana em trajes típicos Uros, na Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Uma pequena e simpática vendedora Uro na Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Apesar da pouca distância, os barcos navegam bem lentamente e demoram quase uma hora para chegar. O caminho é bonito, atravessando um canal em meio a uma parte do lago tomada pela Totora, a matéria-prima das ilhas. Por fim, o canal se abre em uma espécie de “lago interno” do Titicaca, margeado por mais de 100 ilhas flutuantes. Boa parte dessa ilhas recebem os barcos de visitantes em sistema de rodízio, para que todas as famílias que lá vivem possam se beneficiar igualmente do turismo. É aí que vem a parte “de sorte” que eu citei lá encima: embora todas as ilhas recebam os turistas com o mesmo ritual e programação, as experiências podem ser completamente diferentes em cada uma delas. Não podemos escolher para qual ilha o barco vai nos levar, apenas torcer para uma boa acolhida. Foi o que tivemos: uma excelente acolhida!
As Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Pronto para passeio de barco nas Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Bom, então assim foi. O porto de Puno fica longe do centro da cidade, quase meia hora de caminhada. Então, escolhemos pegar um dos muitos moto-táxis, na verdade triciclos que circulam pela cidade (aqui e em todo o país!), sempre com preço bem em conta e com uma corrida muito mais divertida e “com emoção”. Depois, no porto, encontramos logo um barco para as Ilhas Flotantes e éramos os únicos “gringos” a bordo. Quase todos os outros eram turistas também, mas “nacionales”. O único outro barco que estava saindo àquela hora era de um grupo de agência. Todo mundo loiro. Nada contra os loiros (basta ver a minha esposa!), mas estava bem mais confortável no nosso barco, hehehe.
Passeando de barco nas Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Chegando às ilhas, fomos para a Ilha San Miguel. Lá desembarcamos e somos recebidos por pessoas vestidas a caráter, trajes típicos Uros, e somos conduzidos para uma palestra explicativa. Mais tarde, caminhamos um pouco pela ilha, visitamos as casas, olhamos artesanato e saímos para uma volta em um dos barcos típicos dos Uros, feito também de Totora. O barco nos leva até uma ilha maior, onde há um restaurante. Daí, estamos prontos para voltar. Resumidamente, assim é a experiência de todos os que visitam as Islas Flotantes, variando apenas a ilha que se visita. Pela manhã, são dezenas de barcos visitando dezenas de ilhas. Termina uma visita e o pessoal da ilha já está preparado para o próximo barco com o próximo grupo de turistas. Produção em série. De tarde, o ritmo já é mais tranquilo, mas o “estilo” das visitas é o mesmo.
Os Uros levam turistas para passear em barco típico, nas Islas flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Mas, voltando à nossa visita, a tal palestra receptiva na Ilha de San Miguel foi excepcional. O palestrante logo se identificou como o “presidente” da ilha. Expicou que, em cada uma delas, vivem de três a cinco famílias, todas em casas bem simples. Cada ilha tem seu presidente, que tem de cuidar da conservação da ilha e da recepção dos visitantes. Depois, nos deu uma aula sobre a história e geografia do Titicaca (ainda vou falar desse incrível lago em outro post) e sobre a história dos Uros. Por fim, ele nos explicou como se constrói uma ilha e, tão importante, como se conserva uma ilha. Camadas e mais camadas de Totora que devem ser repostas a cada mês. Aliás, a tal Totora serve para tudo! Faz barcos também, serve de alimento, é o habitat de peixes e aves que são a base da alimentação dos Uros e, ela mesma, também tem um miolo que serve de alimentação. Enfim, o nosso “presidente” era bem humorado e inteligente e nos deu uma aula de tirar o chapéu. Foi ótima!
Venda de brinquedos Uros nas Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Depois da palestra, fomos dar uma olhada nas pequenas casas e, mais do que tudo, sentir como é caminhar em uma ilha flutuante. Os pés afundam um pouco, fica claro que não estamos em terra firme, mas logo nos acostumamos. É bem interessante. As casas são bem simples, quase todas com apenas um cômodo, mas várias já tem painel solar. Com isso, já tem eletricidade, TV e outras amenidades. O banheiro da ilha é numa espécie de piscina interna, onde os dejetos orgânicos são filtrados e reabsorvidos pela mágica e multiuso Totora.
Relaxando em um dos bares nas Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
A Ana até se vestiu em trajes Uros para fotos e nós compramos uma toalha de uma das famílias. Depois, subimos todos no tal barco típico, muito bonito e colorido e, claro, bem turístico. É quase como passear em uma gôndola em Veneza, hehehe. No início, seguimos apenas no remo, mas depois, uma nativa Uro vem ajudar suas amigas e encosta um barco com um pequeno motor, para ajudar a nos levar até a ilha principal, onde há restaurantes.
A caminho das Islas Flotantes, no magnífico lago Titicaca, próximo à Puno, no Peru
Aí, alguns almoçam enquanto outros (nós) se satisfazem com uma cerveja gelada. Depois de meia hora, nosso barco de puno encosta e voltamos odos para a cidade, enquanto outros barcos de turistas transitam entre as Islas.
No caminho para Amantani, nossa volta às Islas Flotantes, próximo à Puno, no Peru
No caminho para Amantani, nossa volta às Islas Flotantes, próximo à Puno, no Peru
É inegável que o programa virou bem turístico. Imagino como teria sido em 1990... As roupas que as pessoas vestem, os barcos “tradicionais”, os artesanatos, tudo parece um tanto “artificial” mesmo. Mas, também é inegável que continua muito interessante conhecer o lugar, sua história e geografia e, principalmente, caminhar nas ilhas. Com um pouco de sorte e planejamento, pode-se ter uma experiência muito acima da média, como a que tivemos e que valeu cada centavo e minuto investido. A chance de conhecer as pessoas que lá vivem também é bem interessante. Só temos de nos abstrair do fato que elas nos veem como clientes, e não como visitas. Uns mais, outros menos. Outra vez, depende da sorte.
O junco, ou Totora, que formam as Islas Flotantes, próximo à Puno, no Peru
Uma das muitas Islas Flotantes próximas de Puno, no Peru
No dia seguinte cedo, no nosso caminho para as ilhas mais distantes (ver no próximo post), passamos novamente pelas Islas Flotantes. Para nós, era uma repetição, mas para os outros turistas que seguiam conosco, era a primeira vez. Foi quando ficou claro para nós que a experiência pode varia muito. De manhã, era muito mais gente. A ilha foi bem menos interessante e a palestra, também. Mesmo assim, muito simpáticos, nem nos cobraram a visita, pois dissemos que já havíamos estado ali na véspera. Mas, se essa tivesse sido a nossa primeira vez, certamente teríamos ficado decepcionados. Se bem que, para os turistas dessa manhã, que não tinham tido a referência da vista da tarde anterior, eles até que gostaram também. Como se vê, tudo depende da expectativa...
Palestra para turistas na recepção às Islas Flotantes, próximo à Puno, no Peru
Bebê se diverte em uma das Islas Flotantes, próximo à Puno, no Peru
Por último, existe uma outra maneira de se conhecer as ilhas. É muito mais cara, mas quem fez, costuma gostar. É possível dormir por ali, na única pousada existente. Com isso, tem-se a chance de conhecer as Islas Flotantes fora do horário de visitas. Deve ficar mais autêntico. O preço, como disse, é meio salgado. Nós preferimos investir nosso tempo e dinheiro em outra visita, à Isla de Amantani. Assunto para os próximos posts...
Uma típica casa nas Islas Flotantes, próximo à Puno, no Peru
Último dia de praia em Montañita, no Equador
Hoje foi o dia de nos despedirmos de Montañita e do litoral do Equador. Agora temos uns dez dias de capital e do interior montanhoso do país, na honrosa companhia de nossos padrinhos, Laura e Rafa.
O tempo amanheceu nublado novamente. AInda bem, pois é sempre mais triste partir com céu azul. Tiramos mais umas fotos desse lugar que foi nossa casa nos últimos dias e do qual só guardamos boas lembranças e partimos.
Nosso hostal em Montañita, no Equador
A estrada segue em direção ao norte (rumo ao Alaska!) junto ao litoral e, cada vez mais, esse pequeno país nos lembra o Brasil. Ao contrário do litoral do Peru e do Chile, aqui as pequenas cidadezinhas tem orlas parecidas com as nossas, muitas barracas na praia, pousadas e restaurantes. Ao lado, relevo montanhoso e muito verde. O sol até apareceu um pouco, fazendo o céu e o mar ficarem mais azuis.
Rua de terra em Montañita, no Equador
Finalmente, viramos em direção a leste e subimos a serra. De volta à altitude, para desespero dos nossos pulmões, hehehe. Chegamos à rodovia Panamericana, nossa já velha conhecida e seguimos para Quito, um pouco mais ao norte. No horizonte, os vulcões começam a aparecer entre as nuvens, inclusive o Cotopaxi, o mais alto vulcão ativo do mundo.
Café da manhã em Montañita, no Equador
Quito é uma enorme cidade que se estica ao longo de um longo vale. São mais de 30 km de comprimento de bairros, ruas e casas, altitude variando dos 2.500 metros do fundo do vale a mais de 3 mil metros das encostas mais altas aonde a cidade conseguiu chegar. Grandes e movimentadas avenidas nos levam através do vale no sentido norte, aonde está o nosso hotel, no agitado bairro de Mariscal.
Montañita, no Equador
Ali, num café próximo, encontramos o Rafa e a Laura, prontos para seus 20 dias em terras equatorianas. Já estiveram conosco em Itaúnas, no litoral capixaba e em Maresias, no litoral paulista, dentro desses nossos 1000dias pelas américas. Companhia sempre benvinda que nos traz outras experiências e pontos de vista.
Encontrando a Laura e o Rafa em Quito, no Equador
De noite, fomos todos ao centro de Quito, na rua Ronda, cheia de restaurantes de comidas típicas. Foi nosso primeiro e rápido contato com o belo centro dessa cidade, o qual ainda vamos explorar com mais detalhes. Só não sabemos quando, mas deve ser na volta de Galápagos. Para amanhã, vamos dar uma volta na região ao norte de Quito, em direção à Otavallo, onde fica um dos mais conhecidos e belos mercados de toda a região andina. Voltamos para dormir em Quito e partimos para o sul, rumo aos vulcões e às cidades de Baños e de Cuenca. Muito para ver e conhecer!
Caminhando de noite pela rua Ronda, no centro de Quito - Equador
Passeando em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Começamos o dia 26 com muitas emoções. Conforme as informações obtidas no dia anterior, tínhamos decidido ir para a ilha de Utila, com mais chances de conseguir alguma acomodação em plena Semana Santa. Para isso, tínhamos de estar no porto cedinho, uma hora antes da saída do barco, para comprarmos os bilhetes e guardarmos a Fiona por lá mesmo. Tudo parecia ir bem no começo: encontramos o porto sem a ajuda do GPS, chegamos exatamente com uma hora de antecedência, passamos pela portaria, pagamos o estacionamento do carro e fomos deixar a Fiona por lá. Aí, enquanto a Ana preparava a nossa mala para os dias de ilha, inclusive alguns equipamentos de mergulho que estavam no porta-malas, eu fui até a bilheteria comprar nossas passagens, a uns 200 metros dali, Enfrentei a fila de 15 minutos e consegui espaço para nós. Só faltava voltar ao carro para ajudar a Ana. Foi aí que o céu desabou! Uma chuva fortíssima! A não ser que eu quisesse ficar completamente encharcado, tinha de esperar ela passar. Mas ela não passava! Ficava só imaginando a Ana lá no carro... E o ferry chegou e poderia partir a qualquer momento. Muitas vezes, quando o barco enche, sai até antes do horário oficial. Foi quando a chuva deu uma pequena trégua e eu consegui um guarda-chuvas emprestado. Por cima do barro mesmo, voltei até a Fiona. Para a minha surpresa, a Ana estava dentro do porta-malas do carro, a porta ligeiramente aberta para que ela pudesse respirar. Tinha passado os últimos 20 minutos por ali, primeiro arrumando o que precisava ser arrumado e, depois, esperando ajuda minha ou de São Pedro. Com a chuva já bem mais fraca, juntamos nossas coisas, deixamos a Fiona meio molhada para trás e corremos para o cais, ainda em tempo de embarcar e devolver o guarda-chuvas à ansiosa dona. Entre secos e molhados, salvamo-nos todos!
Estamos sempre atrás disso! (em Utila, ilha no litoral norte de Honduras)
Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Uma hora de viagem a toda velocidade e chegamos à pequena Utila. Nossa próxima tarefa era arrumar um ligar para ficar. Logo na chegada, os vendedores de pacotes de mergulho (esse é o forte da ilha. Ainda vou falar disso...) já nos avisaram que seria difícil. Talvez, se fechássemos algum pacote com as escolas de mergulho, teríamos mais chances, pois escolas e hotéis estão sempre associados por aqui. Mas resolvemos não seguir o conselho e fomos à luta, caminhando com nossas mochilas. Depois de darmos com a cara na porta em três tentativas, eis que apareceu um quarto num hotel bem legal e diferente. Além de hotel, é também uma das trações turísticas da ilha, por causa de sua exótica arquitetura, uma coisa meio indiana e balinesca, mas bem exagerada, em meio a um grande jardim. Chalés bem charmosos se misturam com pontes e túneis cobertos por mosaicos de pedras coloridas. De início, tinham lugar só para uma noite, mas depois apareceu outro quarto para outras noites e, no fim, poderíamos ficar no mesmo quarto enquanto estivéssemos aqui. Enfim, deu tudo certo!
Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Oba! Tínhamos conseguido chegar até lá e tínhamos conseguido lugar para dormir! Agora, às atividades! Utila é uma verdadeira fábrica de formar mergulhadores. São mais de dez escolas que oferecem cursos básicos e avançados em diversas línguas, provavelmente com os melhores preços do planeta. Com isso, são centenas de “estudantes” continuamente, de todas as partes do mundo. Enquanto uns terminam, outros já estão chegando e as escolas nunca param. É fácil ver, nas ruas, os gringos com seus cadernos e livros. Ou então, nas próprias escolas, sempre com hotéis ao lado, jovens reunidos e conversando de... mergulho!
Muitas lojas e restaurantes sobre o mar, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Nós, claro!, não estávamos interessados em curso nenhum. Pelo menos essa atividade, mergulhar, já sabemos fazer! Queríamos mesmo era mergulhar, sem professo por perto, o que eles chamam de “fun dive” por aqui. Estávamos atrás dos famosos tubarões-baleia, que começam a passar por essa região nessa época do ano, na migração que os leva até a ilha de Holbox, no México. Mas foi só assuntar um pouco para descobrirmos que, quando isso acontece, é na costa norte da ilha. E agora, com essa chuva e vento, ela está inacessível para os barcos, por causa das ondas. Ficam todos na costa sul mesmo, longe das ondas e dos peixes grandes. Previsão de melhora? Talvez na sexta-feira, e olhe lá! Pois é, justo no dia que queríamos ir embora...
Início de mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Corais formam prateleiras em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Bom, a conversa segue e descobrimos que apenas os barcos da manhã podem ir até a costa norte, se o tempo assim o permitir. Os barcos da tarde, são todos para as aulas de mergulho e ficam aqui na costa sul, mais tranquila. Os barcos da manhã, muito procurados pelos mergulhadores já certificados, já estão lotados para muitos dias. Mas, eis que aparecem duas vagas, para sexta-feira. Seria nossa única chance! Fazemos as contas e descobrimos que o barco volta a tempo de pegarmos o barco da tarde para o continente. É... está decidido, ficamos até sexta! Teremos ao menos uma chance de ver os tubarões-baleia, se São Pedro cooperar.
Um camarão faz de um coral a sua casa, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Em uma passagem mais estreita, do meio da poeira surge a Ana, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Bom, já que estamos ali, resolvemos marcar um mergulho para aquela mesma tarde, junto com os estudantes, para desenferrujarmos um pouco e matarmos as saudades dos corais. Pouco mais de uma hora mais tarde, já estávamos no mar, nós e uns oito aprendizes. Não tem problema, embaixo d’água eles seguem para um lado e nós para o outro, com um guia. O mergulho foi bem meia boca, mas como diz um amigo, não existe mergulho ruim. Quando é “ruim”, é mais ou menos. Além do mais, com o preço que se paga por aqui, metade do que se paga em outros lugares, está valendo! De qualquer maneira, depois da experiência, resolvemos que não iríamos mergulhar mais, pelo menos até sexta-feira, quando haveria a chance de seguirmos à costa norte.
Um dos quartos da nossa pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Movimento na prindipal rua de Utila, ilha no litoral norte de Honduras
Depois do mergulho, já final de tarde, finalmente pudemos ter um merecido descanso depois da correria do dia inteiro, desde as 6 da manhã. Fazia tempo que não tínhamos um quarto tão charmoso. Foi por isso que hoje, ao descobrir que teríamos de dormir uma noite a mais em Utila, não achamos tão ruim. Pois é, só vamos embora no sábado, bem cedinho. Sexta-feira é feriado aqui, dia santíssimo. Nem os barcos funcionam! Para ir embora nesse dia, só nadando! O barco de sábado, então, promete ser concorrido. Por isso, pelo sim, pelo não, já compramos nossas passagens. Temos de estar seis da manhã no cais! Até lá, além do mergulho na sexta cedo, muito tempo para explorarmos essa pequena ilha, cheia o ano inteiro de estrangeiros querendo aprender a mergulhar e especialmente cheia essa semana pelo turismo local, hondurenhos aproveitando a semana de folga. As pequenas e estreitas ruas da cidade estão movimentadas, disputadas pelos pedestres, ciclistas, motociclistas e quadriciclos. Aliás, que coisa mais chata! Não sei por que inventaram essa porcaria! Ou, já que inventaram, porque deixaram trazer para Utila! Onde já se viu, num lugar tão pequeno desse, ficar andando nessa geringonça? Alguém nos disse que é só nessa semana que o pessoal tira eles da garagem. Questão de status, poder mostrar que tem. Bom, temos de nos acostumar... E tomar cuidado para não sermos atropelados...
Cerveja popular no país, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras
A charmosa Goiás Velho - GO
Goiás Velho, Cidade de Goiás ou Vila Boa são todos nomes da mesma bela cidade, antiga capital do estado e patrimônio histórico da humanidade. Como não poderia deixar de ser, sua fundação está diretamente ligada à mineração, ocorrida principalmente no séc XVIII, para infortúnio dos índios goiases que ocupavam ateriormente a região e foram rapidamente extintos.
A charmosa Goiás Velho - GO
A cidade logo se desenvolveu, tornando-se capital da recém criada Capitania de Goiás, desmembrada da Capitania de São Paulo. E assim continuou por gerações, até a construção de Goiânia, no segundo quartil do séc XX. Mas, ainda hoje, como forma de homenagem, a velha cidade volta a ser a capital do estado por alguns dias, todos os anos.
Grande praça em Goiás Velho - GO
Nós também quisemos passar por lá, para render nossa homenagem à cidade. Normalmente muito menos badalada do que Pirenópolis, Goiás Velho também tem seus momentos de ferveção. Um deles é durante o FICA, Festival Internacional de Cinema Ambiental. Pousadas lotadas, ruas movimentadas, programação variada, a cidade se enche de vida. O FICA ocorre sempre no início de Junho e, neste ano, será na semana que vem. Deste modo, pegamos a cidade ainda vazia, mas se preparando para a intensa semana que está para começar...
Fiona descansa na sombra na quente Goiás Velho - GO
Estacionamos a Fiona na deliciosa sombra de uma árvore frondosa e fomos caminhar pelas ruas históricas. Como hoje é segunda, dia internacioal de fechamento de museus e outras atrações, estava quase tudo fechado, salvo umas poucas igrejas. Até a casa da poetisa Cora Coralina, que conheci a outra vez que aqui estive, estava fechada. Já início da tarde, fomos logo atrás de comida, antes que os restaurantes fechassem também. Comemos um delicioso empadão, uma das especialidades da culinária goiana e especialmente gostoso em Goiás Velho.
O delicioso empadão, comida típica em Goiás Velho - GO
Bem alimentados, a Ana foi fazer a digestão num salão, que há meses ela ansiava. Enquanto ela ficava ainda mais bonita, eu caminhei pela pacata cidade, procurando sempre as sombras para fugir do intenso calor e fotografando as ruas de pedra e construções históricas.
Igreja em Goiás Velho - GO
Já no fim da tarde estávamos juntos novamente, hora de partir para Rio Verde. Com a luz bem bonita, passamos pelo mirante de onde se pode admirar a famosa Serra Dourada, ao lado da cidade e que dá nome ao estádio em Goiânia. Exatamente na hora em que ela fica mesmo dourada.
A famosa Serra Dourada, região de Goiás Velho - GO
Depois, a paciente viagem até Rio Verde, uma das capitais da rica agricultura do estado, já bem no sul de Goiás. É aqui que vamos, amanhã, fazer a revisão dos 40 mil km da Fiona. Depois de tantas estradas de terra, bem que estava na hora de um bom alinhamento/balanceamento e também de uma limpeza do ar condicionado, que tem castigado bastante a Ana. Na cidade, fomos muito bem recebidos pelo Chico e pelo Nando no bar do Capim, no centro de Rio Verde. A conversa se estendeu bastante, acompanhada de boa comida e bebida. Finalmente, rumamos para a fazenda, céu absolutamente estrelado, maravilhoso, longe das luzes da cidade. Dormir numa fazenda é sempre rejuvenescedor!
O Nando e o Chico nos recepcionaram em Rio Verde - GO
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